Este documento é uma coleção de poemas escritos por Damião Nangayafina. Os poemas tratam de temas como a pobreza, a solidão, a dor e a sociedade. O autor usa imagens poderosas e linguagem evocativa para expressar sentimentos profundos.
5Poesias
Ao leitor
A poesiaé uma arte viva entre desejos, paixão e
emoção. Misturas de pensamentos,
sentimentos e sensações....
Tenha uma leitura magnifica e deslumbre-se
com as palavras...
6.
6Poesias
Dedicação
Dedico especialmente aminha Mãe (Senhora
Nduva), a mulher que é responsável pelo
homem que fui, sou, e pelo que serei.
Agradeço a Deus, pela presença, pela vida, pelo
amor e pelos caminhos limpos em cada partida.
Agradeço a Deus por tudo quanto eu tenho
neste universo...
Ao Fernando Menezes, o homem que cuja sua
definição o dicionário não sabe explicar.
“Minha pasta” (risos).
Ao Carmonas, Paulino, Pessela, Avelino, André,
Domingos, etc. Pela força, amor e coragem que
tenho recebido. Grato estou irmãos, só o tempo
dirá, mas só Deus pra fazer tudo possível, tudo
quanto eu quero que vocês se tornem na
sociedade.
A família Zeferino pela disponibilidade dada,
especialmente ao Antônio e ao Isaac... Foi ali,
um dos lugares onde acontecia a mágica do
livro escrito.
Obrigado a todos...
7.
7Poesias
Sumário
Poesias ..........................................................................9
1995.........................................................................10
Sem AlmaSem Coração .....................................12
Voz Que Vem Da Alma........................................14
Desejo Ter Um Filho Vivo...................................16
Vendi A Dignidade Pelo Preço Errado..................18
Pensar Sem Pressa....................................................21
Sociedade ..................................................................22
Violaram A Prostituta....Erro! Indicador não definido.
Não É Amor A Primeira Vista!................................24
Poesia Qualquer ........................................................27
Só Pensei ...................................................................29
Papagaiou ...................................................................30
Não É Chuva ............................................................31
Literalmente Vazio......................................................32
Olha Por Onde Não Se Vê ....................................33
Talvez Não Precise ...................................................34
8.
8Poesias
Viajei Na TerraAlheia .............................................36
Sei Não......................................................................38
Sociedade Parte II “Cicatrizes Da Vida”................39
Quando Tudo É Nada............................................41
Nota-Se Pela Face...................................................43
Amigos ........................................................................44
Tiroteios .....................................................................45
Dor ..............................................................................46
Bloqueio .....................................................................47
Ódio Sarcástico........................................................48
Se Pudesse ................................................................50
Medo...........................................................................51
Cristal .........................................................................52
Poesia Sem Farol ......................................................53
Sonhos Que Não Se Realizam ..............................54
Suposto Sonho ........................................................55
Viagem Ao Sentimentalismo.....................................57
Voe Para Lá................................................................61
Minha Terra Viúva.....................................................64
10Poesias
1995
Não nasceu nabonança,
Onde se vê televisão com pernas cruzadas
E te perguntam se o lanche está na mochila
Antes de ires a escola...
Não nasceu na alegria
Donde o sol sorri ao abrir a janela
E a criança vê filme animado
Se diverte com brinquedo da cinderela...
1995
Nasceu na tempestade
Pra ver televisão é por gloria e pela humildade
Sem perder a visão
Estar só é perceber dois e nem entende o que é
irmandade...
11.
11Poesias
Nasceu no vendaval
Quevem e não avisa
Leva os mais leves
No peso frágil arrastados sem pena...
Nasceu próximo da era depois da guerra
Onde o tiro era a música de quem lá nascia
O vai vem do medo querendo um lar tranquilo
Muitos saíram esquisitos dos seus ventres
Apresados, pobres infelizes...
1995
Intelectuais surgiram
Os cantam e encantam a alma do universo
perdido
Entendem a vida e o seu curto processo
Conheceram a queda
Mas olharam pra corda que os levanta
Deixam suas marcas ao chão
Enquanto seguem na mesma direção...
Nasceram em 1995...
12.
12Poesias
Sem Alma SemCoração
Sem remorsos nem medo de sofrer
O que irei perder?
Se sangue não corre nas veias á anos e
À ausência de mim mesmo causou danos
Fiquei perplexo com a lua em como ela flutua
Encobre a escuridão da noite, mais clareia no
desejo a rua
Sem alma sem coração deixou-me pra traz
Dizendo pra ficar em paz, doeu ouvir a música
do adeus
Que desespero traz sem companhia do meu eu
Porquê? Não recebo sinais?
Da cova onde a morte e o silencio de paz?
Sou nada na vida de quem não quer alguém
igual a mim
Por isso fingi, pra bem longe de mim fugi
13.
13Poesias
Não me sentiaamado, nem desejado por aqui
Até aqui... ainda espero o sinal em mim
Um sinal que deveria ser o fim....
14.
14Poesias
Voz Que VemDa Alma
O olhar criava expectativas
A boca dizia frases fingidas
O coração só obedecias
Seus batimentos e suas falcatruas
Não era pra dizer falsidade
Quando se jura lealdade
Por um bem da verdade
Estar honestamente na honestidade
Sei que não cumpri com a realidade
Perdoa a minha insanidade
Ouça a voz que vem da alma
Sem ilusão, sem mitos e nem falsas esperanças
Querendo que fiques
Sabendo que não tenho muito a dar
Entendo se fores embora
Mas por favor fique...
15.
15Poesias
Aceite como sou
Esqueçaquem fui
Conheça quem serei
E o que de mim sobrou
Essa é a voz que vem da alma
Dizendo o que o coração esconde
O que a mente oculta e olhar obedece
Pretendo ser o homem
O amigo, esposo e marido
Companheiro e amante
Teu tempo o seu viajante
Sei que errei, em todo tempo falhei
Deixa ser tua estrela guia
Seu farol em cada esquina e via
Não fui eu quem disse, é aminha alma
Envergonhada, te convidando pra velhice.
16.
16Poesias
Desejo Ter UmFilho Vivo
Disse ela...
Me culpo por ser culpado, mesmo sem armas de
fogo e ferro ter matado, nas noites sombrias
sem ti e sóbria, mergulhei na sensação do
orgulho parvo, roí-me a vida por não ter-te por
perto...
Dali comecei, esperei o silencio de fora e me
tranco lá dentro, enforquei-a com uma corda,
todo branco e cinzento, no chão já não acorda...
Transformei minha cubata em hospedes
mortais, desejando ter um filho vivo, garota ou
rapaz, tanto faz, já infligi a paz, olhar para o
meu próprio reflexo não dava mais, sou uma
homicida a nível de um samurai...
Desejo ter um filho vivo
Disse ela...
Se parasse de leva-los pra cova, se o meu
pensamento obedecesse minha boca, de muitas
bocas, talvez ouvira, mãe, mãe, pai... mas além
disso, preferi ouvir do vasto deserto, um bai,
bai, bai...
17.
17Poesias
Desejo ter umfilho vivo
Disse ela...
Com joelhos dobrados e arrependidos,
envergonhada e deprimida, com mãos ligados,
um coração frágil, pensamento ágil, alma
detida, senti o remorso da batida, em uma
partida dolorosa... oro pra Deus, espero com fé,
minha voz no alto, dizendo me arrependo, Deus
obrigado.
Desejo ter um filho vivo...
18.
18Vendi A DignidadePelo Preço Errado
Vendi A Dignidade Pelo Preço
Errado
Precisava de pão
Não vivia sozinho
Mesmo vagando por longos caminhos
Só faço pelo estomago dos meus irmãos
Foi uma massa verde
Que deu esperança ao olhar deles
Choro de emoção e dor
Enquanto eles festejam pela arroz
Vendi a dignidade pelo preço errado
A cama que deitava
Aquecia de medo, raiva e suor
Queria voltar no tempo que passava
Dizer não e ter de volta o meu valor
19.
19Vendi A DignidadePelo Preço Errado
Embrulhei o bagulho
Na esquina sentado sem barulho
Despi-me do fedor a medo
Andei até não sentir os dedos
Insistia pra chegar
Talvez com lagrimas suplicar
Que devolve-me a paz seu mundele
Mas o asfalto ficava com minha negra pele
Vendi a dignidade pelo preço errado
Fiquei pirado
Fudi com o negocio
Tentei levantar o braço
Levei um bom soco
Levantei com olhos roxos
Já quase sego
Enchi-me de ego
Lutei até quebrar os dedos
20.
20Vendi A DignidadePelo Preço Errado
Eu só queria feijão
Um quilo de fubá pra fazer pirão
Mas era algema na mão
Trancado no esgoto escuro do porão
Vendi a dignidade pelo preço errado
Troquei meus irmãos pelo prato
Sou um tolo, parvo e um rato
Culpas não servem para o pagamento
Morrer é uma arte sem preço
Vou pintar as paredes de sangue com meu rosto
Agora deitado nas palhas
Por causa das minhas falhas
Meu ouvido se nega a ouvir
Meu braço nem se move, não consigo fugir
Meu último suspiro, um adeus lento, sem
sentido,
Culpem a fome, mas lembrem-se do meu
nome....
21.
21Pensar Sem Pressa
PensarSem Pressa
Pensei
Como nunca tivera pensado
Entendi
Como nunca tinha entendido
Percebi o obvio
Fiquei a imaginar o tedio
No rosto do parvo
Estampada no espelho
Sonhei no presente
Que noutrora
Deixou-se ausente
Um futuro sem aurora
Dói a cabeça
De quem ainda pensa
Que os factos sócio tortos
22.
22Sociedade
Endireitam-se com marotos
Sociedade
Espera-semelhorias
De uma vida puta
Circunstancialmente curta
Hipoteticamente absurda
Neste vale sem conduta
Onde comer pra viver é disputa
Aos sons dos maestros lunáticos
Com o Kwanza em desbunda
Cova pronta
Não pra quem fica no silencio
Lobos a solta
Pra quem tem o prazer de abrir a boca
Somos estuprados
Mortos e massacrados
23.
23Sociedade
Mas a dornão é nada, porque o mar....
Conhece o salgado de uma lagrima boiada...
24.
24Não É AmorA Primeira Vista!
Não É Amor A Primeira Vista!
Poderia piscar os olhos
E fingir não ter te visto
Naquela madrugada
Naquela mesma estrada
Poderia ignorar
Que tinha te ouvida a falar
Com aquela sorriso batido
Vinhas apenas pra manipular
Me deixei levar
Mas você tinha ideia
Que era apenas o sol na peneira
Que não devia se apaixonar
Corri em seus braços
Como um homem cansado
Procurando afeto
25.
25Não É AmorA Primeira Vista!
Em lar sem laços
Fiz serenatas
Panquecas de bananas
Te prometi planetas
Ver o sol se pôr e esperar estrelas
Primeira vista errada
Desejei não estar
Olhar sem falar
Correr sem parar
Agir sem pensar
Mas parei no tempo
Fiquei perdido
Entre o presente
Futuro e passado
Não queria voltar
Sentimentos perdidos
26.
26Não É AmorA Primeira Vista!
Não dava pra sonhar
Com a mente morta e um coração partido...
27.
27Poesia Qualquer
Poesia Qualquer
Ohdor
Intolerável
Oh dor
Tu es insuportável
Tentei amenizar-te
Num bar afogar-te
Com uma corda enforcar-te
Tentei suicidar-te
Oh dor
Deixas-me perplexo
Como um livro aberto
De conteúdo sem nexo
Oh dor
Tentei enganar-te
Com álcool e sexo
Mas és difícil e complexo
28.
28Poesia Qualquer
Usei estratégias
Entreiem igrejas
Dei recompensas
Ofereci-te impressas
Mas só queres a mim
Mata-me se poder
Só não aprofunda-se
De um basta ou um fim
Pôs não consigo te deter
Oh dor
Nesta poesia qualquer
Onde as lagrimas são vitimas
A alma se perde
Mas o coração se nega
Meu eu sonega
Venha com calma
Mas saia depressa...
29.
29Só Pensei
Só Pensei
Viu-sea esperança
Nos olhos de quem menti
Só pensei
Quis crer no cruel
E cair no abismo
Mas pensei
Só pensei em não ir
Então não fui
Fiquei melhor depois
Só porque pensei...
30.
30Papagaiou
Papagaiou
Ele disse quepodia
Que podia ser quem pudesse
Podendo entender um dia
Qualquer dia que fosse
Mas ele mentia sendo homem
Nas frases repetidas de pássaro
Homem papagaio
Promessas prometidas
Falsas elas foram cometidas
Cometeu-se no lar
Vozes de cores sem luar
Papagaiou tudo
Como homem só o corpo
Vagabundo
Só poderia ser um tolo.
31.
31Não É Chuva
NãoÉ Chuva
Do jeito que espelha
Ao cair espalha
Com intervalos e falhas
Não é chuva
Mas creio querer
Crendo que sejam lagrimas
Suor ou calor
De um coração ferido
Cansado e deprimido
Fatalmente deixado
Próximo ao trem caído
Que fronte caminhava ao pé do lago
Ficou no deserto perdido
Lacrimejando e
O chão arranhando.
32.
32Literalmente Vazio
Literalmente Vazio
Comoo vago da lata
A folha seca deitada
O galho quebrado na água
Como o ar silencioso
As dores abstratas
O próprio vazio
Olhar sem fronteiras
Como o caminho sem trilhas
Avenida sem pessoas
O mundo sem ilha e
O mar sem beira
Como a lua sem brilho
O sol sem dia
O céu sem estrela
Universo sem nós
Um rio sem foz. É assim que me sinto...
33.
33Olha Por OndeNão Se Vê
Olha Por Onde Não Se Vê
Passo sem obstáculos
Piso sem usar óculos
Caminho sem quebrar galhos
Na quinta sem galos
Chego no litoral da alma
Não vejo nada
Juntos as mãos com calma
Invoco palmada
Lugar onde eu vou
Não tem nem lá
Sem hospedeiros
Apenas meu eco, meu ego
Sem horizontes
No meio do nada
No vazio sentimental e
Um trecho apagado no olhar
34.
34Talvez Não Precise
TalvezNão Precise
Talvez não precise do sol para brilhar
Mas dele preciso pra iluminar
Quando estiver a caminhar
Talvez não precise dele pra queimar
O inferno onde vivo já está a funcionar
Lugar onde não há refugio
Nem sombra a se aproximar
Talvez não precise do sol pra me levantar as
madrugadas
Preciso que venha brotar as minhas plantas
Seque a terra húmida pela chuva
De véspera ao presente espaço da rua
Talvez não precise da sorte
Preciso apenas seguir o destino
Seguindo seus passos e suas regras
Talvez esteja enganado e preciso da fé.
35.
35Talvez Não Precise
Outalvez não
Talvez me canse de ouvir sobre o amanhã
Quando o agora tem traços nos i
E pontos nos t
Talvez me falem do paraiso
E ignoro fechando meus olhos
Minha mente e meus ouvidos
Talvez...
Me enganei de universo
Por caminhar tanto sem destino
Ou talvez seja aqui onde fui destinando
Talvez Deus seja real
É o Ser dos milagres
O Ser que das divindades
Quem sabe um mito urbano
Talvez seja apenas um antigo
Para nos manter esperançoso... talvez
36.
36Viajei Na TerraAlheia
Viajei Na Terra Alheia
Vi tudo...
Fumo extenso sem fogo
Era um sonho
Desejo novo e mútuo
Nas terras do ar fresco e molhado
Lar das lagrimas do céu
Arvores frutadas de mel
Folhas vivas a cor esperançosa
Foi só uma viagem nossa, que
Criou lembranças pra contar
Saudades pra lá voltar
Queríamos querer
O que deveríamos poder ter
Mas as margem foram infinitas
Gente honesta e pessoas bonitas
Amáveis e acolhedoras
37.
37Viajei Na TerraAlheia
Sonho um sonho a muito tempo
Penso pensar que seja perto
Pôs senti o teu afeto
Nos braços logos da cidade
Depois de um belo cansaço perdido...
Deixei a canseira em suas avenidas
Queimei-me os pés por conhece-la
Deslumbrada cidade vaidosa
O que morre em ti fica no outrora
Nasce nas plantas um novo agora
Viajei na terra alheia
Ainda desejo voltar um dia
Com mais calma apreciar
E grato contemplar
Viajarei pra terras alheias mais uma vez
Porém, no entanto
Desta vez
Será mais um encanto...
38.
38Sei Não
Sei Não
Seandas por ai entregando tudo
Tentando mudar o mundo
Sem passos longos ou curtos
Mas tropeçando na pedra parada
Do estrada feita no tempo
Sei não
Se esquecer uma opção
Enganar a mente e mentir o coração
Em um cruzeiro azul
Numa vasta praça do sul
Sei não...
39.
39Sociedade Parte II“Cicatrizes Da Vida”
Sociedade Parte II “Cicatrizes Da
Vida”
Não reclames um pão a mesa
Existem bocas agradecendo as migalhas que
você deita...
Não tente ser herói...
Numa cidade onde o bandido é de alta
sociedade...
Já viste uma criança que chora sem lagrimas?
Pedindo uma cama pra dormir e repor as
energias da alma?
Desacelerar o seu fraco coração?
Mas você chora de hipotética noção
Por não querer repetir o mesmo calção...
Olha pra quem clama pela fé
De joelho dobrado na calcada de tanto vagar a
pé
E o que faz você ser você?
O gasto que fazes numa xícara de café?
40.
40Sociedade Parte II“Cicatrizes Da Vida”
O terno luxuoso escolhido por sua mulher?
Ou porque nunca viste o sol a nascer?
Olha no olhar de quem você ultrapassa
Chinela velha
Bunda rasgada
Olhar pálido e cheio de incertezas
Sentado à beira do semáforo
A espera de uma sobremesa....
Cicatrizes da vida...
41.
41Quando Tudo ÉNada
Quando Tudo É Nada
O amor desfalece
O ódio nos define
O prazer se rompe
O ar para
O sol se cobre
A vida é sem graça e
A graça perdido o valor
O respeito some
Daí vem a fome
A hipocrisia do homem
Essência dos matérias e
Não do nome
Quando tudo é nada
Desacreditamos
Procuramos conforto
42.
42Quando Tudo ÉNada
Mas não entramos
Olhamos e depois deixamos
O peito aquece
O coração acelera
A alma sonega
A consciência esquece...
43.
43Nota-Se Pela Face
Nota-SePela Face
Assim como o homem
De sua servera paixão
Tem sua própria ilusão
Somos animais!?
Divididos entre a lenda macaca e
O cão farejador de ossos
Pouco vos ouço
Cada um tem o seu lado cumplice
Sombrio e monumentais zumbis
Assim como a moeda
A nota feita pelo homem
Não te diz nada?
Uma nota num lado e
Um retrato do outro?
Teimosa é uma merda
A nota de cem tem sua face oposta...
44.
44Amigos
Amigos
Nas esquinas dabaixa
Das valas molhadas e
Dos rios secos
Da ilha pequena sem nexo
Amizade profunda
Colada nas costa da vida
Que nem o fardo
Amizade corcunda
Somos o que nos queremos ser
Emancipados da dor
Diferentes é coesos
Amigos
Palavras não dizem tudo
Quando olhar é farol que nos guia
Não é o universo
É a irmandade que nos ensina...
45.
45Tiroteios
Tiroteios
Na calada noite
Oescuro atrai
Quem tiver sorte
É quem pra casa vai
Os rumores não sessão
Parecem gritos de abelhas
Credo! Os meliantes não param
São lobos a caça de ovelhas
Ouviu-se o primeiro tiro
O covarde esconde avida
Há tumultos e desespero
O herói sai e se suicida
Lagrimas mancham as ruas
O cartuxo mergulha no sangue
Melhor sair em fuga
Do que entrar em bang bang...
46.
46Dor
Dor
Dispensa-me
Já comi nasua mão
Liberta-me
Liberte o meu coração.
Eu temo sua presença
Conheço sua sentença
Prefiro sua ausência
Adulteraste a minha infância
Deixa-me sai
Por favor vai
Vai e nunca mais volta...
47.
47Bloqueio
Bloqueio
Era pra escreveruma poesia
Sem fim antes sem começo
Mas travei
Olhei nos seus olhos
No entanto pirei
Queria muito dizer
Falar antes de tentar fazer
O corpo ficou estático
E a mente caduca
Não imaginei o pânico
Procurara uma fuga
Tentar fugir distante
Da sua beleza
Mas parei por todo instante
Pelo olhar que hipnotiza...
48.
48Ódio Sarcástico
Ódio Sarcástico
Levatudo e não deixa nada
Mas logo volta com a trocha
Com olhar na frase enganada
Que o lado dele a conforta
Tem odeio e amor
Não destinge o mal e o bom
Coração confuso
Sentimento reverso
Tenta entender
As lagrimas decepam-se
Mas ela não chora
Calada
Observando o trágico numa janela
Ouvindo os pássaros felizes
Cantando e encarando a vida
O amargo só a deixa infeliz
49.
49Ódio Sarcástico
Não vesinceridade
Mas não certeza da realidade
Indecisa e indefesa
Quer colo que abraço
Mas o ego pensa e se nega
A dor venera
A tristeza toma conta do espaço
No fundo ela ama lhe amar
Como a brisa do mar
A luminosidade do luar
Ela o odeia por isso
Mas é um odeio sarcástico
50.
50Se Pudesse
Se Pudesse
Voariamais alto que qualquer ave
Escalaria montanhas mais altas
Deixaria o passado sem um até breve
Me perderia por ai em céu morto sem estrelas
Navegaria o universo sem bússola
Apenas ir, iria sem ponto nem virgula
Fugiria da dor e da minha própria tristeza
Morreria tentando chegar a lugar algum mesmo
sem vida
Se pudesse
Trocaria tudo pra ser feliz
Gritaria por vales e rios
Obedeceria o destino que conduz
Entre pedras lascadas em trilhos
Se pudesse...
51.
51Medo
Medo
Já não consigopensar em nada
Tudo parece complicar
Tento achar uma saída,
Mais parece estar a afundar.
O medo,
Bloqueia a alma
Acelera o coração...
Nos tira a calma
Nos põe em depressão
O medo,
De perder o que amas
Estar sozinha
Numa distância fria
Sem explicação
Relembrar o passado
Trazendo lagrimas no presente...
52.
52Cristal
Cristal
Se relacionamento fossecristal
Nasceria em nós o medo de quebrar
Teríamos medo de nos magoar
Nos apegaríamos mais em amar
O prazer vingativo ceifaria
Respeito e honestidade haveria
Não é querer pegar e atirar
E querer pisar por cima pra não se cortar
Cristal
Frágil como folha
Sensível a quebra
Irreparável
Pense nos danos
Incalculável
53.
53Poesia Sem Farol
PoesiaSem Farol
Não é a natureza do homem negar um pão
Mas também não é seu destino morrer em vão
Pedir oferendas e ser cuspido na mão
Fugir do seu próprio feito um ladrão
Deixar os dedos sanguíneos de lesão
Não era suposto chorar quando outrora
O sorriso inundava o brilho da aurora
Hoje secos olhos de lagrimas
Mendigando a sua sobrevivência
Ouvir traz sempre um caos
Ver traz morte sem aposentadoria
Falar é ter força e culhoes
Sentir, é fugir com sabedoria
54.
54Sonhos Que NãoSe Realizam
Sonhos Que Não Se Realizam
A cama não conforta
Dormimos porque temos sono
A comida não alimenta
Comemos pela fome
Andamos de canto em canto
Mesmo sem achar procuramos
Ver o horizonte ou uma saída
E só vagamos porque há vida
As vezes dói
Ter desejo de vencer
Mais as necessidades te fazem perder
Na coragem de cada dia ser diferente do outro
Dai,
Acordamos com a coluna dormente
E mais um sonho.
55.
55Suposto Sonho
Suposto Sonho
Naquelanoite, onde os lenções gritavam de
humidade, no suposto calor da lua cheia
espreitando de cima, observando a rica nudez e
iluminando com vergonha.
Sol não vens? Perguntava ela a expressa
enquanto tentava esconder-se entre as nuvens
brancas e cinzentas.
Nós os dois nu, entre corpos agarrados mãos
deslizando de cima a baixo e levemente
acariciando, seus mamoeiros doridos e
maduros por cima, clareava o clima.
O toque da língua provoca imensas sensações,
de cima a baixo, de lado em lado, provocando a
ereção
Que suposto sonho!
Onde o desejo inibi sua face, levando-nos ao
atlântico. Dali o sentido avança e empurra a
56.
56Suposto Sonho
canoa paraa beira do mar, o limo dificulta e o
silencio compacta o ar.
Gemidos e gritos, entre seus ouvidos voavam
frases sem sentido, Só o vai e vem do gesto que
inundavam o lugar apenas com atos.
Coitado deste santo lar banhado do suor do
pegado... o mar se agita e brava, as aguas
onduladas brancas descrevem suspiros na
cama, triste luar inspira e deita pra fora.
Suposto Sonho.
E agora? Só nós dois, juntos ligados, saciados
sem barulho e sussurrando enquanto mudos,
sego e surdos... sentimos o impacto da coisa,
pronto... cansados e fracos, ignoramos o toque
secundário, o beijo final e último olhar. Entrou
a vergonha ao correr pra se vestir, nossos
corpos ficaram feios depois de se vir.... se vir
novamente dar-nos-emos trabalho.
Suposto Sonho
57.
57Viagem Ao Sentimentalismo
ViagemAo Sentimentalismo
Com uma vara torta
Em uma longa estrada sigo
Toco a caminhar
Andando sem remorso e sem parar
Do longe ouve-se o leve assobio
Tão alto que alerta o coração vadio
Que vazio vadeia no frio
Feito papagaio sem ninho
Meu passado ébrio
Completamente sombrio
Com sonhos descabidos
58.
58Viagem Ao Sentimentalismo
Perdidospelo mito
Com alma abatido
Meu coração é o sossego
Minhas veias cegas
Deus não sinto e nem ouço a batida
Lento e amolecido
Amoleceu-se pelo vento
Que conduz o pranto
Chora a perda sem ganho
Lagrimas de ranho
O suor esconde a dor
Mas o peso do passado recomeça
59.
59Viagem Ao Sentimentalismo
Cidadeestranha
Só ódio e inveja coabita
Amor amarrado em volta da lenha
Humildade decapitada
Chorei um rio
Sequei o deserto
Matei a santa, pulei o paraíso...
Estou munido de pecado
Devo minha paz ao mundo
Devo minha vida ao sentimento
Não me reconheço e nem me conheço
61Voe Para Lá
VoePara Lá
Voe para o lar da esperança
O lugar onde tudo vive
Onde o chão é verde... e tudo corri
Alcance o céu...comprimente as estrelas
cadentes
Agradeça a lua por iluminar os horizontes
Peca a ela que ilumine as zonas sul
Este oeste centro e norte
Toque no seu peito
Dé afeto
Mostre carinho
62.
62Voe Para Lá
Esinta os batimentos
Esqueça a vergonha...
Leve seus sonhos
Convença a cegonha
Que seja seus olhos
Estenda seus encantos no mais alto
Eleve suas ambições
Grite e brigue pelo universo
Cante com os anjos suas canções
Sonhar é ilimitado
Enriqueça seu eu amor
Tu és a causa disto
64Minha Terra Viúva
MinhaTerra Viúva
Terra mãe, terra minha
Na cor preta e seu sangue na veia
Suas crias presas no gume da esperança
No amarelar da cor, seu luto tem presença
Suada de lagrimas de sol
Entende-se que muito perdeste
No olhar do rosto amarotado
E pelos rios que vejo muito choraste
Terá mãe terra viúva
Foi ao seu lado que muitos pereceram
Quando com ódio e desentendimento lutaram
65.
65Minha Terra Viúva
Comgarfo e faca, paus catana e arma se mataram
Terra minha terra viúva
Com os que sobraram
Por amor e pátria
Das ruinas construíram
Casa, escola igreja e hospitais
Caminhos logos e curtos que nos levam em paz
Entre as sirenes dos nossos problemas
Até ao princípio do fim das cavernas dos
ancestrais
Onde foram seus homens?
Pra onde partiram seus filhos?
66.
66Minha Terra Viúva
Agoratristeza é o que te sobra
Pois os teus heróis partiram
Na masmorra da luta
Perdeste poetas emancipados na caneta
Sobraram-te saudades visíveis
No lado oposto da esperança
67.
67Saudades
Saudades
Já mais sentio que sinto
A sensação do desejo em mim
Chegar aos seus lábios
Seus seios em fim
Deslizar no seu corpo
O relento do seu suar
Caminhar sobre o deserto
No escuro sem luar
Ainda me lembro
Dos sons do orgasmo
Do nosso sexo salgado
68.
68Saudades
Do grito adiantado
Saudadesde ver
Seu corpo exposto
Seus olhos vendados
Na hora do sexo
Tanto quero...lá voltar
No casebre da audácia
Onde as flores tem seu cheiro
E o silêncio te a sua voz...
69.
69Sexo, Prazer, AmorE Desejo
Sexo, Prazer, Amor E Desejo
Corpos submersos
Flutuando no calor
Corações suspensos
Na física do amor...
Sente-se avareza das cortinas
A vergonha do sol no cântico das folhas
Paredes surdas com os gemidos
Fechados entre paredes
Sente-se a nostalgia do ar
Entre ambos vivia o amor de loucos
Paixão de tontos...desejos sombrios
70.
70Sexo, Prazer, AmorE Desejo
Amor próprio...mergulhado no pecado
Sem sentimentos
O sexo era feito sem alma
Chão frio e húmido
Dispensou-se a cama
Caricias que rasgam a pele
Entre posições da lua
Peles pálida
Era o infinito tons de cinza
Suspiros aqueciam o lugar
Sem se vir nem ir
Lençóis a cor do altar
71.
71Sexo, Prazer, AmorE Desejo
Pétalas a cair...vermelhas e rosas
Branco narrando prosas
Luzes apagadas
O sexo adora mistérios
A mão é a bússola que guia o corpo inteiro
Fortes abraços...lábios gastos
Cabelos arrancados...feridas e encantos