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Escolha de Tecnologia em Organizações de Gestão
de Saúde: Proposta de um Modelo Teórico
Nikiforos Joannis Philyppis Jr.;
Cesar Gonçalves Neto
A ser preenchido
Estrutura da Apresentação
Motivação e Objetivo deste Estudo
Tecnologia e sua Escolha
Fatores Internos
Escolha de Tecnologia na Industria
Escolha de Tecnologia na Área de Saúde
Modelo de Escolha de Tecnologia
Modelo de Escolha de Tecnologia em Saúde (METS)
Discussão
Motivação e Objetivo deste Estudo
 A escolha de tecnologia tem sido alvo de pesquisas, tanto no âmbito da transferência
internacional... quanto no âmbito da transferência entre empresas dentro de um mesmo
país e seus processos (WEISS, 2002).
 Verificou-se, em estudos posteriores, que a relação de escolha entre “unidades” de
tecnologia e mão-de-obra obedece a critérios mais diversos do que a maximização
econômica dos recursos (STOBAUGH & WELLS JR.; 1984).
 A escolha e compra de tecnologia é influenciada por fatores ambientais, internos e
individuais (WEBSTER JR. & WIND, 1974).
 No setor médico-hospitalar, as compras de novos equipamentos e tecnologias são
freqüentemente relacionadas com aumento de custos e até nenhuma melhoria de qualidade
do serviço na percepção do cliente (PRADA, 2008).
 Trabalhos específicos na área existem, mas são escassos e apresentam modelos
diferentes e resultados que não foram ainda comparados. (WOOLF & HENSHAW, 2000;
TEPLENSKY et al., 1995; BAKER & WHEELER, 1998; JIANG, 2009; HIKMET et al., 2008;
ESCARCE, 1996; LITWIN, 2009).
Motivação e Objetivo deste Estudo
 É fato mundial a preocupação dos gestores públicos e privados com a qualidade
e os custos da saúde prestada aos cidadãos. Relatórios freqüentes da OECD, do
governo norte-americano e das empresas privadas de prestação de serviços de
saúde acenam para a necessidade de melhorias (SAWYER, 2006; CAPELL, 2007).
 O problema de pesquisa pode ser sintetizado na pergunta abaixo:
“Quais são as etapas do processo e os fatores de influência
na escolha de tecnologia em OGS e como estes se relacionam?”
 E os Objetivos secundários são:
• Levantar os dados sobre escolha de tecnologia em OGS mais recentes e
• Desenhar um modelo de escolha de tecnologia levando em conta as
características das OGS e as interações entre os fatores de influência e processos de
escolha.
Tecnologia e sua Escolha
 Tecnologia, segundo Weiss (2002), “pode ser definida simplesmente como a
coleção de processos para transformar inputs em outputs e o conhecimento e
habilidades necessárias para sua aplicação.”
 Tecnologia é tratada de diferentes maneiras:
 Na Economia Clássica  é uma commodity com taxas de substituição
perfeitas, ou seja, tendo os mesmos resultados para diferentes arranjos ao
longo da curva de substituição;
 Estudos posteriores mostraram a influência de outras variáveis e objetivos,
além da maximização dos resultados financeiros (Yeoman, Wells Jr., Keddie,
Lecraw, Amsalem, Williams; 1984);
 Tecnologias podem ser avaliadas como uma cadeia de suprimentos específica,
com características diferentes da cadeia de suprimento de matérias-primas e
produtos (BRAGA JR., PIO & ANTUNES; 2009). Podemos avaliar a escolha de
tecnologia através das organizações fornecedoras (supply-side) e receptoras
(demand-side).
Tecnologia e sua Escolha
 “Firmas, especialmente em mercados dinâmicos, necessitam de adquirir a
vantagem das últimas opções e oportunidades tecnológicas para ficarem
competitivas (Ettlie, 2000).” (TATIKONDA & STOCK, 2002)
 Embora a escolha de tecnologia possa ser vista como um processo de compra,
esta é diferente das compras habituais. A tecnologia pode ser product-
embodied, process-embodied e/ou people-embodied.
 Algumas variáveis que impactam na aquisição de novas tecnologias são “a
mudança organizacional, a necessidade de ganhar adesão, o envolvimento dos
usuários, treinamento de pessoal, preparação de sistemas de informação,
planejamento e execução de projeto, mensuração de desempenho, cultura
organizacional, e auditorias pós-implantação.” (TATIKONDA & STOCK; p. 241).
Tecnologia e sua Escolha
Dimensão da
diferença
Cadeia de suprimentos de
componentes
Cadeia de suprimentos de
tecnologia
Regularidade da
atividade
Fluxo de materiais regular e contínuo Transferências ocasionais, altamente
episódicas
Volume de
transferência
Volumes não triviais de partes comuns
em lotes
Tecnologia de produto única
Fases impactadas
do Ciclo de Vida
do Produto
Tipicamente componentes de
especificações técnicas altamente pré-
especificadas
Tipicamente especificações técnicas não
altamente pré-especificadas ou bem
estabelecidas
Risco tecnológico Muito baixas Varia entre baixa e muito alta
Fonte: Traduzido de TATIKONDA & STOCK (2003; p. 447; tradução própria)
Tecnologia e sua Escolha
Dimensão da
diferença
Cadeia de suprimentos de
componentes
Cadeia de suprimentos de
Tecnologia
Trabalho de
adaptação e
integração
requerido após
recepção
Geralmente baixas requisições de
adaptação/integração, desde que
o componente, e o sistema
produtivo em que entra, é pré-
especificado
Varia de atividades de caracterização,
refinamento e integração baixa a muito alta
antes da tecnologia ser transferida para
funcionar efetivamente no novo sistema
produtivo
Objetivos-chaves
de gerenciamento
(ou medidas de
desempenho)
Primariamente medidas de
desempenho tático e operacional
(p.ex. custo dos componentes,
entrega, qualidade, custo de
inventário)
Tático: medidas de desempenho do projeto de
transferência e do projeto de desenvolvimento
(p. ex. tempo, orçamento, desempenho técnico
da nova tecnologia no novo sistema produtivo)
Estratégico: Construção de competências
levando em conta as habilidades organizacionais
e tecnológicas
Fonte: Traduzido de TATIKONDA & STOCK (2003; p. 447; tradução própria)
Fatores Internos
 Transferência tecnológica depende de dois construtos: a incerteza tecnológica
como variável antecessora ao processo e a interação inter-organizacional como
variável moderadora (TATIKONDA & STOCK, 2002; p. 245-249);
 A tabela abaixo detalha as variáveis, dimensões e elementos-chaves
sintetizados pelos autores como relevantes para o sucesso da transferência
tecnológica:
Variável Dimensão Elemento-chave
1. Incerteza tecnológica Novidade (novelty)
Novidade tecnológica (technology newness)
Mudança tecnológica
Complexidade
Interdependência tecnológica interna
Interdependência tecnológica externa
Escopo
Taciticidade
Incorporação física
Codificação
Completitude
2. Interação
interorganizacional
Comunicação
Métodos
Magnitude e freqüência
Natureza da informação trocada
Coordenação
Planejamento administrativo
Formalidade do processo
Horizonte de tempo do relacionamento
Cooperação
Confiança
Congruência de objetivos
Comprometimento
Tabela 1 – Variáveis, dimensões e elementos-chave
Fonte: Traduzido de TATIKONDA & STOCK (2003; p. 453)
Fatores Internos
 Dentre os fatores importantes a serem pesquisados estão
• os objetivos dos gestores de produção (Yeoman, 1984),
• a estrutura organizacional,
• a intensificação das habilidades pessoais,
• capacidade de pesquisa de mercado,
• os novos sistemas de gerenciamento e sua capacidade financeira
(BRAGA JR., PIO & ANTUNES; 2009).
• A capacidade de aprendizado da organização e os custos de transferências
(CRIBB, 2009).
• TUNG (1994; p. 816) e KEDIA & BHAGAT (1988), por exemplo, ressaltam a
necessidade de que um modelo tenha fatores econômicos (como por
exemplo, infraestrutura para o setor e nível de demanda) e também sociais.
Os autores explicam em, seus modelos, que estas variáveis influenciam a
cultura organizacional e, conseqüentemente, a capacidade de absorção do
recipiente, resultando (ou não) em eficácia de transferência tecnológica.
• Outro fator interno à organização diz respeito aos objetivos gerenciais. (WELLS JR.,
1984) – homo economicus versus homo “engenheiro”
• KEDIA & BHAGAT (1988) ressaltam que a diferença entre as culturas da empresa
emissora e da empresa recipiente de tecnologia pode influenciar na efetividade da
transferência.
• COLE & MOGAB (1987) enfatizam a importância destes papéis na transferência de
tecnologia entre dois casos, um com “comportamento tecnológico” e o outro com
“comportamento cerimonial” que os levaram a resultados diferentes. (VEBLEN apud
COLE & MOGAB, 1987).
• ARBORE & SOSCIA (2009) usam a teoria de sinalização (signalling theory) para
demonstrar como alguns agentes adquirem tecnologia como fator de construção de
sua identidade única (projeção pessoal) e de filiação social (identificação com um
grupo).
Fatores Internos
Escolha de Tecnologia na Industria
 Yeoman (1984) declara que os custos não são fatores relevantes de tomada
de decisão. Outros fatores seriam:
 a proximidade do produto final com o mercado consumidor final (gerando
mais adaptações),
 o tamanho da demanda do mercado total e
 a relação entre os custos totais de produção e os custos de venda
(marketing) vis-à-vis o preço final de vendas.
 WELLS JR. (1984) verifica que as escolhas de tecnologias mais capital-
intensivas são influenciadas por uma necessidade de “responder mais rápido às
mudanças de demanda” e “reduzir riscos de liquidez”.
 KEDDIE (1984) defende que as decisões dos gestores são no sentido de
maximizar lucros, mesmo quando escolhem tecnologias de ponta, pois estas
geram diferenciação e influenciam no branding dos produtos obtendo vantagens
competitivas sobre os demais concorrentes.
Escolha de Tecnologia na Industria
 LECRAW (1984) verificou que os gestores se preocupam mais com a
orientação de mercado, em detrimento da orientação de produto, na hora de
escolher tecnologia. buscando “folga” na produção, a fim de se adequar às
variações de mercado interno e atender também ao mercado externo.
 AMSALEM (1984) cita a disponibilidade e o custo da informação, os riscos do
negócio e da política, o desejo de proteger a posição de mercado do momento,
assim como o investimento total necessário para se adquirir a tecnologia
pretendida. Se a fonte do financiamento for externa (fundos, bancos etc.) há
também uma postura diferente do que se a fonte de financiamento for capital
próprio (WILLIAMS, 1984).
 GAIMON (1989) afirma que empresas que observam os fatores ambientais se
comprometem mais com a manutenção da estratégia tecnológica existente
enquanto firmas que observam também seus concorrentes adaptam suas
estratégias em curto prazo, evitando investimentos excessivos em tecnologia
quando o resto dos concorrentes não a aplica.
Escolha de Tecnologia na Área de Saúde
o PRADA (2008) mostra que, ocasionalmente, novas tecnologias em saúde
podem aumentar os custos ao invés de baixá-los.
o Há na literatura três modelos (objetivos) para adoção de tecnologia médica:
maximizar lucros, ter excelência clínica ou ser tecnologicamente preeminente.
TEPLENSKY et al (1995) sugerem que ser tecnologicamente preeminente é mais
relevante na adoção de tecnologia do que os outros dois objetivos.
o Ações de gerenciamento de custos (a finalidade dos programas de managed
care) inibem a aquisição de tecnologia e seu posterior uso (quando já adquirida)
resultando em deseconomias de escala ou ineficiência e ociosidade. BAKER &
WHEELER (1998) e BAKER (2001)
o HIKMET et al. (2008), desenvolveram estudos para avaliar a propensão de
adoção de novas tecnologias de informação em saúde (TIS). Os autores acharam
correlações positivas entre sistema de afiliação (grupo), tamanho do hospital e
status fiscal (isenção de impostos).
Escolha de Tecnologia na Área de Saúde
o ESCARCE (1996) analisou a adoção de novos procedimentos e ferramentas de
laparoscopia em hospitais como influenciados pelo grau de acesso à informação e
às externalidades de informação.
o LITWIN (2009) verifica a influência positiva de remuneração variável e bônus
em estudo de adoção de TI por médicos, além da necessidade de investimento
em infraestrutura que auxilie ao médico no uso correto das NTICs a seu dispor.
o BURKE, FOURNIER e PRASAD (2007, 2009) demonstraram a influência das
“estrelas” (médicos de renome, que geralmente completaram residência em
hospitais de ponta) dentro do hospital para a adoção de novas tecnologias. Os
resultados demonstraram que médicos “não-estrelas” adotaram a tecnologia a
um passo mais lento quando não trabalhavam com estrelas.
o BARROS, PINTO e MACHADO (1999) analisam a adoção de novas tecnologias
como fruto de “sinalização” de qualidade dos médicos com a finalidade de
“demonstrar qualidade”, sem considerar muitas vezes os custos de aquisição.
Escolha de Tecnologia na Área de Saúde
• Em conclusão a esta etapa, podemos resumir que as variáveis que influenciam a escolha de tecnologia
em OGS são muito similares às apresentadas na literatura de escolha de tecnologia em geral.
• Em nível individual, os decisores desejam sinalizar qualidade e buscar identidade com membros
proeminentes do grupo. Isto se assemelha com os “objetivos de engenharia” descritos por Yeoman
(1984).
• Em nível coletivo, grupos exclusivos de médicos (homogêneos) têm maior propensão a adotar novas
tecnologias, enquanto grupos mistos (médicos e gestores) sofrem pressões das metas financeiras e das
relações de poder entre os gestores e os médicos (financeiros).
• Adicionalmente, as variáveis mais influentes no nível organizacional são o nível de planejamento
estratégico (mais estruturado), o tamanho do hospital, sua filiação à um grupo gestor (ou não), seu
status fiscal (lucrativo ou sem fins lucrativos) e a presença das especialidades de maior demanda desta
tecnologia.
• TATIKONDA & STOCK (2003) trazem a necessidade de uma coordenação intra-organizacional entre
fonte e recipiente da nova tecnologia para aumentar as chances de uma transferência de tecnologia bem-
sucedida. TUNG (1994; p. 816) e
• KEDIA & BHAGAT (1988) apontam para as diferenças de cultura entre instituições como fator
impeditivo da transferência de tecnologia.
Modelo de Escolha de Tecnologia
 DA ROCHA & ABDALLA (1986; p. 04) declaram que “os modelos de compra
organizacional desenvolvidos na literatura de marketing podem servir de ponto de partida
para os modelos de compra de tecnologia, um caso particular de compra organizacional”.
 A aquisição de tecnologia é composta por três aspectos: o fator psicológico do(s)
decisor(es), os fatores internos e externos que impulsionam a decisão e o processo de
decisão conjunta.
 A similaridade destes fatores com aqueles citados na literatura de escolha de
tecnologia nos permite alinhar um modelo de escolha de tecnologia integrando as duas
disciplinas: escolha de tecnologia e processo de compra industrial.
 WEBSTER & WIND (1974; p. 43-56) sugerem que modelos de compra têm “influências
múltiplas” que podem ser expressas pela equação C = f(I, G, O, A). A compra é afetada por
características individuais (do gestor), grupais (interno), organizacionais (inerentes à
empresa) e ambientais (macroeconômicas), tendo em seu escopo elementos de tarefa
(inerente ao processo formal de compra, seus passos e seus objetivos) e que não são de
tarefas (inerente à dinâmica interacional entre os elementos citados).
Figura 6 – Modelo de Escolha de Tecnologia em Saúde (METS)
Síntese das variáveis e dos construtos do
modelo de escolha de tecnologia em OGS
Construto Variável Fonte
Fatores pessoais Objetivos dos gestores
Predileção por alta tecnologia
Tendência de sinalização do gestor
Reduzir riscos de liquidez financeira
YEOMAN (1984) / ARBORE & SOSCIA (2009) /
WELLS JR. (1984) / TEPLENSKY et al. (1995) /
BURKE, FOURNIER e PRASAD (2007, 2009) /
WEBSTER & WIND (1974)
Fatores grupais Organização interna do trabalho
Habilidades pessoais do grupo
Individualismo X coletivismo
Hierarquização das relações
Predominância/preponderância de especialidade clinica
Domínio de corpo médico em comitê de avaliação
Relações de poder entre corpo médico e gestores
BRAGA JR., PIO & ANTUNES (2009) / TUNG (1994) /
KEDIA & BHAGAT (1988) / TEPLENSKY et al. (1995)
/ HIKMET et al. (2008) / BURKE, FOURNIER e
PRASAD (2007, 2009) / WEBSTER & WIND (1974)
Fatores
organizacionais
Orientação para mercado X para produto
Tamanho do hospital (número de leitos)
Capacidade de pesquisa de mercado
Capacidade de aprendizado
Sistemas de gerenciamento
Capacidade financeira e de captação de recursos
Cultura organizacional
Grau de empreendedorismo empresarial
Grau de cerimonialismo X tecnológico
Relações entre os custos totais vis-à-vis o preço final
Tipo de OGS (pública, privada, eclesiástica, universitária)
Tipo de planos de saúde aceitos na OGS
Nível de remuneração da OGS (plano X direto)
Filiação a sistema de saúde maior
TUNG (1994) / KEDIA & BHAGAT (1988) / WRIGHT
et al. (2007) / COLE & MOGAB, 1987 / YEOMAN
(1984) / TEPLENSKY et al. (1995) / BAKER &
WHEELER (1998) / BAKER (2001) / JIANG (2009) /
HIKMET et al. (2008) / CRIBB (2009) / POSTE (1997) /
BARROS, PINTO e MACHADO (1999) / WEBSTER &
WIND (1974)
Fatores ambientais Distância cultural entre emissor e receptor
Proximidade com o consumidor
Tamanho da demanda do mercado
Nível da demanda (elasticidade da demanda)
Nível de mudança do mercado
Nível de competição (preços versus qualidade)
Nível de monopolização/oligopolização de mercado
Legislação médica e sanitária
Taxas de juros para financiamento
Impacto de certificações não obrigatórias
Comunicação
Coordenação
Cooperação
TUNG (1994) / KEDIA & BHAGAT (1988) / GAIMON
(1989) / TEPLENSKY et al. (1995) / WEBSTER &
WIND (1974) / TATIKONDA & STOCK (2003)
Síntese das variáveis e dos construtos do
modelo de escolha de tecnologia em OGS
Reconhecimento da Necessidade Obsolescência da tecnologia
Aumento de oferta ou demanda
Benchmarking de mercado (outras OGS)
Posicionamento estratégico
LECRAW (1984) / BARROS, PINTO e MACHADO
(1999) / SIQUEIRA e TOLEDO (2004) / WEBSTER
& WIND (1974)
Estabelecimento de objetivos e
especificações
Desempenho de qualidade e/ou quantidade
Desempenho de custos e/ou eficiência
Status de proeminência tecnológica
Status excelência de serviços clínicos
Proteção de posição mercadológica (fatia de mercado)
AMSALEM (1984) / KEDDIE (1984) / LECRAW
(1984) / GAIMON (1989) / SIQUEIRA e TOLEDO
(2004)/ WEBSTER & WIND (1974)
Identificação das alternativas de
aquisição
Capacidade de pesquisa
Tempo para pesquisa
Variedade de opções de tecnologia (fornecedores)
BRAGA JR., PIO & ANTUNES (2009) / AMSALEM
(1984)
Avaliação das ações alternativas
de aquisição
Novidade
Complexidade
Taciticidade
Custos de aquisição e transferência
Características da tecnologia analisada (incorporada a
pessoas, processo e produtos)
Capacidade da absorção da empresa recipiente
TATIKONDA & STOCK (2003) / ESCARCE (1996) /
JOYNER & ONKEN (2002) / BRAGA JR., PIO &
ANTUNES (2009) / STOBAUGH & WELLS JR
(1984) / SIQUEIRA e TOLEDO (2004)
Escolha da solução A opção final, comparada com as demais opções por
objetivos de projeto e de desempenho.
TATIKONDA & STOCK (2002) / STOBAUGH &
WELLS JR (1984) / SIQUEIRA e TOLEDO (2004)
Perguntas e Discussão do Modelo
Idéias para as futuras pesquisas:
1. Desenvolver pesquisas empíricas, usando análises multivariadas;
2. Análise fatorial para confirmar as variáveis nos fatores do modelo;
3. Uso de Modelagem de Equações Estruturais para avaliar pesos em pesquisas
diversas (MRI, procedimentos, TI para Saúde etc.);
4. Testar tanto em tecnologias de alto custo (Ressonância Magnética etc.) como
em de menor valor (utensílios de baixo custo) e Novos Procedimentos (Técnicas
com/sem o uso de novos equipamentos).
Obrigado por sua atenção!
Nikiforos Joannis Philyppis Junior Cesar Gonçalves Neto
nikiforos@facc.ufrj.br cesar@coppead.ufrj.br

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Escolha de tecnologia em organizações de saúde proposta de um modelo teórico - altec 2011 - apresentação do congresso

  • 1. Escolha de Tecnologia em Organizações de Gestão de Saúde: Proposta de um Modelo Teórico Nikiforos Joannis Philyppis Jr.; Cesar Gonçalves Neto A ser preenchido
  • 2. Estrutura da Apresentação Motivação e Objetivo deste Estudo Tecnologia e sua Escolha Fatores Internos Escolha de Tecnologia na Industria Escolha de Tecnologia na Área de Saúde Modelo de Escolha de Tecnologia Modelo de Escolha de Tecnologia em Saúde (METS) Discussão
  • 3. Motivação e Objetivo deste Estudo  A escolha de tecnologia tem sido alvo de pesquisas, tanto no âmbito da transferência internacional... quanto no âmbito da transferência entre empresas dentro de um mesmo país e seus processos (WEISS, 2002).  Verificou-se, em estudos posteriores, que a relação de escolha entre “unidades” de tecnologia e mão-de-obra obedece a critérios mais diversos do que a maximização econômica dos recursos (STOBAUGH & WELLS JR.; 1984).  A escolha e compra de tecnologia é influenciada por fatores ambientais, internos e individuais (WEBSTER JR. & WIND, 1974).  No setor médico-hospitalar, as compras de novos equipamentos e tecnologias são freqüentemente relacionadas com aumento de custos e até nenhuma melhoria de qualidade do serviço na percepção do cliente (PRADA, 2008).  Trabalhos específicos na área existem, mas são escassos e apresentam modelos diferentes e resultados que não foram ainda comparados. (WOOLF & HENSHAW, 2000; TEPLENSKY et al., 1995; BAKER & WHEELER, 1998; JIANG, 2009; HIKMET et al., 2008; ESCARCE, 1996; LITWIN, 2009).
  • 4. Motivação e Objetivo deste Estudo  É fato mundial a preocupação dos gestores públicos e privados com a qualidade e os custos da saúde prestada aos cidadãos. Relatórios freqüentes da OECD, do governo norte-americano e das empresas privadas de prestação de serviços de saúde acenam para a necessidade de melhorias (SAWYER, 2006; CAPELL, 2007).  O problema de pesquisa pode ser sintetizado na pergunta abaixo: “Quais são as etapas do processo e os fatores de influência na escolha de tecnologia em OGS e como estes se relacionam?”  E os Objetivos secundários são: • Levantar os dados sobre escolha de tecnologia em OGS mais recentes e • Desenhar um modelo de escolha de tecnologia levando em conta as características das OGS e as interações entre os fatores de influência e processos de escolha.
  • 5. Tecnologia e sua Escolha  Tecnologia, segundo Weiss (2002), “pode ser definida simplesmente como a coleção de processos para transformar inputs em outputs e o conhecimento e habilidades necessárias para sua aplicação.”  Tecnologia é tratada de diferentes maneiras:  Na Economia Clássica  é uma commodity com taxas de substituição perfeitas, ou seja, tendo os mesmos resultados para diferentes arranjos ao longo da curva de substituição;  Estudos posteriores mostraram a influência de outras variáveis e objetivos, além da maximização dos resultados financeiros (Yeoman, Wells Jr., Keddie, Lecraw, Amsalem, Williams; 1984);  Tecnologias podem ser avaliadas como uma cadeia de suprimentos específica, com características diferentes da cadeia de suprimento de matérias-primas e produtos (BRAGA JR., PIO & ANTUNES; 2009). Podemos avaliar a escolha de tecnologia através das organizações fornecedoras (supply-side) e receptoras (demand-side).
  • 6. Tecnologia e sua Escolha  “Firmas, especialmente em mercados dinâmicos, necessitam de adquirir a vantagem das últimas opções e oportunidades tecnológicas para ficarem competitivas (Ettlie, 2000).” (TATIKONDA & STOCK, 2002)  Embora a escolha de tecnologia possa ser vista como um processo de compra, esta é diferente das compras habituais. A tecnologia pode ser product- embodied, process-embodied e/ou people-embodied.  Algumas variáveis que impactam na aquisição de novas tecnologias são “a mudança organizacional, a necessidade de ganhar adesão, o envolvimento dos usuários, treinamento de pessoal, preparação de sistemas de informação, planejamento e execução de projeto, mensuração de desempenho, cultura organizacional, e auditorias pós-implantação.” (TATIKONDA & STOCK; p. 241).
  • 7. Tecnologia e sua Escolha Dimensão da diferença Cadeia de suprimentos de componentes Cadeia de suprimentos de tecnologia Regularidade da atividade Fluxo de materiais regular e contínuo Transferências ocasionais, altamente episódicas Volume de transferência Volumes não triviais de partes comuns em lotes Tecnologia de produto única Fases impactadas do Ciclo de Vida do Produto Tipicamente componentes de especificações técnicas altamente pré- especificadas Tipicamente especificações técnicas não altamente pré-especificadas ou bem estabelecidas Risco tecnológico Muito baixas Varia entre baixa e muito alta Fonte: Traduzido de TATIKONDA & STOCK (2003; p. 447; tradução própria)
  • 8. Tecnologia e sua Escolha Dimensão da diferença Cadeia de suprimentos de componentes Cadeia de suprimentos de Tecnologia Trabalho de adaptação e integração requerido após recepção Geralmente baixas requisições de adaptação/integração, desde que o componente, e o sistema produtivo em que entra, é pré- especificado Varia de atividades de caracterização, refinamento e integração baixa a muito alta antes da tecnologia ser transferida para funcionar efetivamente no novo sistema produtivo Objetivos-chaves de gerenciamento (ou medidas de desempenho) Primariamente medidas de desempenho tático e operacional (p.ex. custo dos componentes, entrega, qualidade, custo de inventário) Tático: medidas de desempenho do projeto de transferência e do projeto de desenvolvimento (p. ex. tempo, orçamento, desempenho técnico da nova tecnologia no novo sistema produtivo) Estratégico: Construção de competências levando em conta as habilidades organizacionais e tecnológicas Fonte: Traduzido de TATIKONDA & STOCK (2003; p. 447; tradução própria)
  • 9. Fatores Internos  Transferência tecnológica depende de dois construtos: a incerteza tecnológica como variável antecessora ao processo e a interação inter-organizacional como variável moderadora (TATIKONDA & STOCK, 2002; p. 245-249);  A tabela abaixo detalha as variáveis, dimensões e elementos-chaves sintetizados pelos autores como relevantes para o sucesso da transferência tecnológica: Variável Dimensão Elemento-chave 1. Incerteza tecnológica Novidade (novelty) Novidade tecnológica (technology newness) Mudança tecnológica Complexidade Interdependência tecnológica interna Interdependência tecnológica externa Escopo Taciticidade Incorporação física Codificação Completitude 2. Interação interorganizacional Comunicação Métodos Magnitude e freqüência Natureza da informação trocada Coordenação Planejamento administrativo Formalidade do processo Horizonte de tempo do relacionamento Cooperação Confiança Congruência de objetivos Comprometimento Tabela 1 – Variáveis, dimensões e elementos-chave Fonte: Traduzido de TATIKONDA & STOCK (2003; p. 453)
  • 10. Fatores Internos  Dentre os fatores importantes a serem pesquisados estão • os objetivos dos gestores de produção (Yeoman, 1984), • a estrutura organizacional, • a intensificação das habilidades pessoais, • capacidade de pesquisa de mercado, • os novos sistemas de gerenciamento e sua capacidade financeira (BRAGA JR., PIO & ANTUNES; 2009). • A capacidade de aprendizado da organização e os custos de transferências (CRIBB, 2009). • TUNG (1994; p. 816) e KEDIA & BHAGAT (1988), por exemplo, ressaltam a necessidade de que um modelo tenha fatores econômicos (como por exemplo, infraestrutura para o setor e nível de demanda) e também sociais. Os autores explicam em, seus modelos, que estas variáveis influenciam a cultura organizacional e, conseqüentemente, a capacidade de absorção do recipiente, resultando (ou não) em eficácia de transferência tecnológica.
  • 11. • Outro fator interno à organização diz respeito aos objetivos gerenciais. (WELLS JR., 1984) – homo economicus versus homo “engenheiro” • KEDIA & BHAGAT (1988) ressaltam que a diferença entre as culturas da empresa emissora e da empresa recipiente de tecnologia pode influenciar na efetividade da transferência. • COLE & MOGAB (1987) enfatizam a importância destes papéis na transferência de tecnologia entre dois casos, um com “comportamento tecnológico” e o outro com “comportamento cerimonial” que os levaram a resultados diferentes. (VEBLEN apud COLE & MOGAB, 1987). • ARBORE & SOSCIA (2009) usam a teoria de sinalização (signalling theory) para demonstrar como alguns agentes adquirem tecnologia como fator de construção de sua identidade única (projeção pessoal) e de filiação social (identificação com um grupo). Fatores Internos
  • 12. Escolha de Tecnologia na Industria  Yeoman (1984) declara que os custos não são fatores relevantes de tomada de decisão. Outros fatores seriam:  a proximidade do produto final com o mercado consumidor final (gerando mais adaptações),  o tamanho da demanda do mercado total e  a relação entre os custos totais de produção e os custos de venda (marketing) vis-à-vis o preço final de vendas.  WELLS JR. (1984) verifica que as escolhas de tecnologias mais capital- intensivas são influenciadas por uma necessidade de “responder mais rápido às mudanças de demanda” e “reduzir riscos de liquidez”.  KEDDIE (1984) defende que as decisões dos gestores são no sentido de maximizar lucros, mesmo quando escolhem tecnologias de ponta, pois estas geram diferenciação e influenciam no branding dos produtos obtendo vantagens competitivas sobre os demais concorrentes.
  • 13. Escolha de Tecnologia na Industria  LECRAW (1984) verificou que os gestores se preocupam mais com a orientação de mercado, em detrimento da orientação de produto, na hora de escolher tecnologia. buscando “folga” na produção, a fim de se adequar às variações de mercado interno e atender também ao mercado externo.  AMSALEM (1984) cita a disponibilidade e o custo da informação, os riscos do negócio e da política, o desejo de proteger a posição de mercado do momento, assim como o investimento total necessário para se adquirir a tecnologia pretendida. Se a fonte do financiamento for externa (fundos, bancos etc.) há também uma postura diferente do que se a fonte de financiamento for capital próprio (WILLIAMS, 1984).  GAIMON (1989) afirma que empresas que observam os fatores ambientais se comprometem mais com a manutenção da estratégia tecnológica existente enquanto firmas que observam também seus concorrentes adaptam suas estratégias em curto prazo, evitando investimentos excessivos em tecnologia quando o resto dos concorrentes não a aplica.
  • 14. Escolha de Tecnologia na Área de Saúde o PRADA (2008) mostra que, ocasionalmente, novas tecnologias em saúde podem aumentar os custos ao invés de baixá-los. o Há na literatura três modelos (objetivos) para adoção de tecnologia médica: maximizar lucros, ter excelência clínica ou ser tecnologicamente preeminente. TEPLENSKY et al (1995) sugerem que ser tecnologicamente preeminente é mais relevante na adoção de tecnologia do que os outros dois objetivos. o Ações de gerenciamento de custos (a finalidade dos programas de managed care) inibem a aquisição de tecnologia e seu posterior uso (quando já adquirida) resultando em deseconomias de escala ou ineficiência e ociosidade. BAKER & WHEELER (1998) e BAKER (2001) o HIKMET et al. (2008), desenvolveram estudos para avaliar a propensão de adoção de novas tecnologias de informação em saúde (TIS). Os autores acharam correlações positivas entre sistema de afiliação (grupo), tamanho do hospital e status fiscal (isenção de impostos).
  • 15. Escolha de Tecnologia na Área de Saúde o ESCARCE (1996) analisou a adoção de novos procedimentos e ferramentas de laparoscopia em hospitais como influenciados pelo grau de acesso à informação e às externalidades de informação. o LITWIN (2009) verifica a influência positiva de remuneração variável e bônus em estudo de adoção de TI por médicos, além da necessidade de investimento em infraestrutura que auxilie ao médico no uso correto das NTICs a seu dispor. o BURKE, FOURNIER e PRASAD (2007, 2009) demonstraram a influência das “estrelas” (médicos de renome, que geralmente completaram residência em hospitais de ponta) dentro do hospital para a adoção de novas tecnologias. Os resultados demonstraram que médicos “não-estrelas” adotaram a tecnologia a um passo mais lento quando não trabalhavam com estrelas. o BARROS, PINTO e MACHADO (1999) analisam a adoção de novas tecnologias como fruto de “sinalização” de qualidade dos médicos com a finalidade de “demonstrar qualidade”, sem considerar muitas vezes os custos de aquisição.
  • 16. Escolha de Tecnologia na Área de Saúde • Em conclusão a esta etapa, podemos resumir que as variáveis que influenciam a escolha de tecnologia em OGS são muito similares às apresentadas na literatura de escolha de tecnologia em geral. • Em nível individual, os decisores desejam sinalizar qualidade e buscar identidade com membros proeminentes do grupo. Isto se assemelha com os “objetivos de engenharia” descritos por Yeoman (1984). • Em nível coletivo, grupos exclusivos de médicos (homogêneos) têm maior propensão a adotar novas tecnologias, enquanto grupos mistos (médicos e gestores) sofrem pressões das metas financeiras e das relações de poder entre os gestores e os médicos (financeiros). • Adicionalmente, as variáveis mais influentes no nível organizacional são o nível de planejamento estratégico (mais estruturado), o tamanho do hospital, sua filiação à um grupo gestor (ou não), seu status fiscal (lucrativo ou sem fins lucrativos) e a presença das especialidades de maior demanda desta tecnologia. • TATIKONDA & STOCK (2003) trazem a necessidade de uma coordenação intra-organizacional entre fonte e recipiente da nova tecnologia para aumentar as chances de uma transferência de tecnologia bem- sucedida. TUNG (1994; p. 816) e • KEDIA & BHAGAT (1988) apontam para as diferenças de cultura entre instituições como fator impeditivo da transferência de tecnologia.
  • 17. Modelo de Escolha de Tecnologia  DA ROCHA & ABDALLA (1986; p. 04) declaram que “os modelos de compra organizacional desenvolvidos na literatura de marketing podem servir de ponto de partida para os modelos de compra de tecnologia, um caso particular de compra organizacional”.  A aquisição de tecnologia é composta por três aspectos: o fator psicológico do(s) decisor(es), os fatores internos e externos que impulsionam a decisão e o processo de decisão conjunta.  A similaridade destes fatores com aqueles citados na literatura de escolha de tecnologia nos permite alinhar um modelo de escolha de tecnologia integrando as duas disciplinas: escolha de tecnologia e processo de compra industrial.  WEBSTER & WIND (1974; p. 43-56) sugerem que modelos de compra têm “influências múltiplas” que podem ser expressas pela equação C = f(I, G, O, A). A compra é afetada por características individuais (do gestor), grupais (interno), organizacionais (inerentes à empresa) e ambientais (macroeconômicas), tendo em seu escopo elementos de tarefa (inerente ao processo formal de compra, seus passos e seus objetivos) e que não são de tarefas (inerente à dinâmica interacional entre os elementos citados).
  • 18. Figura 6 – Modelo de Escolha de Tecnologia em Saúde (METS)
  • 19. Síntese das variáveis e dos construtos do modelo de escolha de tecnologia em OGS Construto Variável Fonte Fatores pessoais Objetivos dos gestores Predileção por alta tecnologia Tendência de sinalização do gestor Reduzir riscos de liquidez financeira YEOMAN (1984) / ARBORE & SOSCIA (2009) / WELLS JR. (1984) / TEPLENSKY et al. (1995) / BURKE, FOURNIER e PRASAD (2007, 2009) / WEBSTER & WIND (1974) Fatores grupais Organização interna do trabalho Habilidades pessoais do grupo Individualismo X coletivismo Hierarquização das relações Predominância/preponderância de especialidade clinica Domínio de corpo médico em comitê de avaliação Relações de poder entre corpo médico e gestores BRAGA JR., PIO & ANTUNES (2009) / TUNG (1994) / KEDIA & BHAGAT (1988) / TEPLENSKY et al. (1995) / HIKMET et al. (2008) / BURKE, FOURNIER e PRASAD (2007, 2009) / WEBSTER & WIND (1974) Fatores organizacionais Orientação para mercado X para produto Tamanho do hospital (número de leitos) Capacidade de pesquisa de mercado Capacidade de aprendizado Sistemas de gerenciamento Capacidade financeira e de captação de recursos Cultura organizacional Grau de empreendedorismo empresarial Grau de cerimonialismo X tecnológico Relações entre os custos totais vis-à-vis o preço final Tipo de OGS (pública, privada, eclesiástica, universitária) Tipo de planos de saúde aceitos na OGS Nível de remuneração da OGS (plano X direto) Filiação a sistema de saúde maior TUNG (1994) / KEDIA & BHAGAT (1988) / WRIGHT et al. (2007) / COLE & MOGAB, 1987 / YEOMAN (1984) / TEPLENSKY et al. (1995) / BAKER & WHEELER (1998) / BAKER (2001) / JIANG (2009) / HIKMET et al. (2008) / CRIBB (2009) / POSTE (1997) / BARROS, PINTO e MACHADO (1999) / WEBSTER & WIND (1974) Fatores ambientais Distância cultural entre emissor e receptor Proximidade com o consumidor Tamanho da demanda do mercado Nível da demanda (elasticidade da demanda) Nível de mudança do mercado Nível de competição (preços versus qualidade) Nível de monopolização/oligopolização de mercado Legislação médica e sanitária Taxas de juros para financiamento Impacto de certificações não obrigatórias Comunicação Coordenação Cooperação TUNG (1994) / KEDIA & BHAGAT (1988) / GAIMON (1989) / TEPLENSKY et al. (1995) / WEBSTER & WIND (1974) / TATIKONDA & STOCK (2003)
  • 20. Síntese das variáveis e dos construtos do modelo de escolha de tecnologia em OGS Reconhecimento da Necessidade Obsolescência da tecnologia Aumento de oferta ou demanda Benchmarking de mercado (outras OGS) Posicionamento estratégico LECRAW (1984) / BARROS, PINTO e MACHADO (1999) / SIQUEIRA e TOLEDO (2004) / WEBSTER & WIND (1974) Estabelecimento de objetivos e especificações Desempenho de qualidade e/ou quantidade Desempenho de custos e/ou eficiência Status de proeminência tecnológica Status excelência de serviços clínicos Proteção de posição mercadológica (fatia de mercado) AMSALEM (1984) / KEDDIE (1984) / LECRAW (1984) / GAIMON (1989) / SIQUEIRA e TOLEDO (2004)/ WEBSTER & WIND (1974) Identificação das alternativas de aquisição Capacidade de pesquisa Tempo para pesquisa Variedade de opções de tecnologia (fornecedores) BRAGA JR., PIO & ANTUNES (2009) / AMSALEM (1984) Avaliação das ações alternativas de aquisição Novidade Complexidade Taciticidade Custos de aquisição e transferência Características da tecnologia analisada (incorporada a pessoas, processo e produtos) Capacidade da absorção da empresa recipiente TATIKONDA & STOCK (2003) / ESCARCE (1996) / JOYNER & ONKEN (2002) / BRAGA JR., PIO & ANTUNES (2009) / STOBAUGH & WELLS JR (1984) / SIQUEIRA e TOLEDO (2004) Escolha da solução A opção final, comparada com as demais opções por objetivos de projeto e de desempenho. TATIKONDA & STOCK (2002) / STOBAUGH & WELLS JR (1984) / SIQUEIRA e TOLEDO (2004)
  • 21. Perguntas e Discussão do Modelo Idéias para as futuras pesquisas: 1. Desenvolver pesquisas empíricas, usando análises multivariadas; 2. Análise fatorial para confirmar as variáveis nos fatores do modelo; 3. Uso de Modelagem de Equações Estruturais para avaliar pesos em pesquisas diversas (MRI, procedimentos, TI para Saúde etc.); 4. Testar tanto em tecnologias de alto custo (Ressonância Magnética etc.) como em de menor valor (utensílios de baixo custo) e Novos Procedimentos (Técnicas com/sem o uso de novos equipamentos). Obrigado por sua atenção! Nikiforos Joannis Philyppis Junior Cesar Gonçalves Neto nikiforos@facc.ufrj.br cesar@coppead.ufrj.br