Diário Oficial Poder Executivo - Seção III – São Paulo, 125 (239) quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
(Texto publicado na página II da edição de 11-8-2015)
Agência Paulista de Tecnologia dos
Agronegócios (APTA) de Registro,
no Vale do Ribeira, pesquisa melho-
ria genética em búfalos para fins lei-
teiros, com inseminação artificial e
transferência de embriões (processo
análogo ao do bebê de proveta no
ser humano). A primeira técnica é
praticada há vários anos, mas a
segunda é recente e originou sete
animais no ano passado (quatro
fêmeas e três machos). O objetivo é
obter gado mais produtivo, pois a
região é a que mais cria esses reba-
nhos no Estado de São Paulo, prin-
cipalmente para a produção leiteira.
Hoje, a fazenda da APTA tem
116 búfalos da raça Murrah (apre-
sentam cabeça leve e chifres curtos,
enrodilhando-se em anéis na altura
do crânio), a maioria fêmeas. Os
machos são filhotes e há apenas um
reprodutor, porque o método de
fertilização usado dispensa quase
totalmente o cruzamento dos ani-
mais e, também, porque quando
os bezerros completam um ano de
vida são vendidos em leilões.
Parcerias – As pesquisas são
feitas pelo veterinário Nélcio Antô-
nio Tonizza de Carvalho em parce-
ria com a Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia da USP, a
empresa In Vitro Brasil, de Mogi-
-Mirim (SP), que fertiliza embriões,
e a Fazenda Paineiras da Ingaí, em
Sarapuí (SP), especializada no Mur-
rah leiteiro.
“Queremos obter conheci-
mento para repassar aos produto-
res. A intenção é que eles melhorem
geneticamente seu plantel”, informa
Carvalho. A búfala costuma produ-
zir leite durante dez meses após o
parto. O veterinário conta que a
média de lactação de uma fêmea
nesse período, no Vale do Ribeira, é
de mil litros, considerada baixa. “O
ideal é alcançar 3,5 mil litros por
fêmea, com nossas pesquisas de
Uma carne
mais saudável
• Em relação à bovina, a carne de búfalo
tem 40% menos colesterol, 55% menos
caloria, 11% mais proteínas e 10% mais
minerais
• O rebanho bubalino é o que mais cres-
ce no Brasil entre os animais considera-
dos domésticos. Em 30 anos poderá ser
de 30 milhões de cabeças
• Essa carne é parecida com a do boi, mas
a gordura é totalmente branca (pode ser
removida mais facilmente)
•Nos EUA, é muito usada para fazer ham-
búrguer, pelo baixo teor de colesterol
(Fonte: Associação Brasileira de Criadores
de Búfalos – www.bufalo.com.br)
FOTOS:PAULOCESARDASILVA
Objetivo da transferência
de embriões é obter gado
mais produtivo; região
do Vale do Ribeira é a que
mais cria esses animais no
Estado de São Paulo
APTA realiza pesquisa
genética em búfalos
inseminação e por embriões.” O sêmen vem
de uma empresa paranaense.
Preparação – Atualmente, sete bú-
falas estão prenhes. Quatro por transferên-
cia de embrião, duas cobertas pelo macho
e uma por inseminação. A partir dessas
quatro búfalas prenhes e de suas futuras
crias, as pesquisas para aumento de produ-
ção de leite vão avançar mais rumo à espe-
rada produção dos 3,5 mil litros. As búfa-
las ficam prontas para reprodução quando
alcançam 350 quilos, o que demora aproxi-
madamente 18 meses.
Na inseminação artificial, o sêmen é
introduzido no aparelho reprodutivo da
fêmea que vai gerar o filhote dez meses
depois. Às vezes, ressalva Carvalho, o méto-
dofalhaeissoacabasendopercebidosomen-
te quando a fêmea fica no cio pouco tempo
depois e o macho a procura. É sinal de que
não houve fertilização. O uso do macho para
essa finalidade é chamado repasse.
No embrião, Carvalho utiliza dois mé-
todos: no primeiro, as fêmeas de melhor
genética são submetidas a hormônios para
ovulação e inseminadas.
Seis dias depois, ele recolhe os embriões
formados pelo sêmen e óvulo e os envia
à In Vitro Brasil. Na empresa, eles serão
congelados para formar um banco genético
ou fertilizados para implantação em outra
búfala, a reprodutora, que funcionará como
barriga de aluguel.
Nosegundo,oveterináriorecolheoóvulo,
o qual será juntado ao sêmen em ambiente
separado (daí o nome proveta). Depois de fer-
tilizado, o embrião vai para a reprodutora.
Protocolos – Na avaliação de Car-
valho, para obter melhorias genéticas, por
inseminação, com produção de 3,5 mil
litros por fêmea no período de lactação,
serão necessárias várias gerações e um
período em torno de dez anos. Com o uso de
embrião, com macho e fêmea de boa cepa, é
possível alcançar o objetivo na primeira ou
na segunda geração.
Para melhorias genéticas, é necessá-
rio também verificar diversos procedimen-
tos de manejo com os animais, antes e
depois da fertilização. Carvalho esclarece
que essas técnicas são chamadas protoco-
los. Um deles é feito todos os dias com duas
búfalas novilhas (ainda não procriaram),
para determinar o ponto ideal de ovulação
delas. É um trabalho meticuloso, feito com
um aparelho de ultrassom, para visualizar
imagens internas do útero.
Rebanho – A fazenda da APTA (vin-
culada à Secretaria de Agricultura e Abaste-
cimento do Estado), em Registro, é a única
unidade pública a pesquisar melhorias genéti-
cas em bubalinos e recebe visitas até do exte-
rior. São pesquisadores, veterinários, zootec-
nistas, estudantes, empresários e produtores.
É o caso da veterinária Júlia Soares, formada
há dois anos, que finaliza seu doutorado na
APTA e ajuda Carvalho em alguns protocolos,
como o exame de ultrassom nas novilhas.
Júlia trabalha como professora numa
universidade particular em São Paulo.
“Estou no final do meu doutorado e agora
escrevo um artigo científico para uma
publicação”, conta a veterinária.
Carvalho observa que o leite de búfala
é mais branco do que o de vaca, o qual cos-
tuma ser amarelado assim que é extraído. O
bubalino também tem leite com maior pre-
sença de sólidos em suspensão, adequados
para produção de queijos. Ele diz ser difícil
encontrar ou diferenciar leite de búfala
ou carne de bubalinos daqueles de origem
bovina. Geralmente, eles se misturam nos
locais de venda de laticínios e nos açougues.
Além da Murrah, outras raças criadas
no Brasil são a Mediterrânea, a Jafarabadi e
a Carabao, de origem indiana, quase extinta
no mundo, o que a inviabiliza comercial-
mente. Atualmente está quase restrita à Ilha
de Marajó, no Pará. Segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
o rebanho de búfalos no Brasil soma 1,2
milhão de cabeças.
Otávio Nunes
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial
A
Búfala Murrah
prenhe, prestes
a ter filhote
A veterinária Júlia ajuda em alguns protocolos na fazenda da APTA
Fazenda da APTA em Registro, no Vale do Ribeira, mantém 116 búfalos da raça Murrah
Veterinário Nélcio Carvalho: “Queremos obter conhecimento para repassar aos produtores”
A IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO SA garante a autenticidade deste documento
quando visualizado diretamente no portal www.imprensaoficial.com.br
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015 às 01:16:14.

Diário Oficial - Búfalos

  • 1.
    Diário Oficial PoderExecutivo - Seção III – São Paulo, 125 (239) quinta-feira, 24 de dezembro de 2015 (Texto publicado na página II da edição de 11-8-2015) Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) de Registro, no Vale do Ribeira, pesquisa melho- ria genética em búfalos para fins lei- teiros, com inseminação artificial e transferência de embriões (processo análogo ao do bebê de proveta no ser humano). A primeira técnica é praticada há vários anos, mas a segunda é recente e originou sete animais no ano passado (quatro fêmeas e três machos). O objetivo é obter gado mais produtivo, pois a região é a que mais cria esses reba- nhos no Estado de São Paulo, prin- cipalmente para a produção leiteira. Hoje, a fazenda da APTA tem 116 búfalos da raça Murrah (apre- sentam cabeça leve e chifres curtos, enrodilhando-se em anéis na altura do crânio), a maioria fêmeas. Os machos são filhotes e há apenas um reprodutor, porque o método de fertilização usado dispensa quase totalmente o cruzamento dos ani- mais e, também, porque quando os bezerros completam um ano de vida são vendidos em leilões. Parcerias – As pesquisas são feitas pelo veterinário Nélcio Antô- nio Tonizza de Carvalho em parce- ria com a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, a empresa In Vitro Brasil, de Mogi- -Mirim (SP), que fertiliza embriões, e a Fazenda Paineiras da Ingaí, em Sarapuí (SP), especializada no Mur- rah leiteiro. “Queremos obter conheci- mento para repassar aos produto- res. A intenção é que eles melhorem geneticamente seu plantel”, informa Carvalho. A búfala costuma produ- zir leite durante dez meses após o parto. O veterinário conta que a média de lactação de uma fêmea nesse período, no Vale do Ribeira, é de mil litros, considerada baixa. “O ideal é alcançar 3,5 mil litros por fêmea, com nossas pesquisas de Uma carne mais saudável • Em relação à bovina, a carne de búfalo tem 40% menos colesterol, 55% menos caloria, 11% mais proteínas e 10% mais minerais • O rebanho bubalino é o que mais cres- ce no Brasil entre os animais considera- dos domésticos. Em 30 anos poderá ser de 30 milhões de cabeças • Essa carne é parecida com a do boi, mas a gordura é totalmente branca (pode ser removida mais facilmente) •Nos EUA, é muito usada para fazer ham- búrguer, pelo baixo teor de colesterol (Fonte: Associação Brasileira de Criadores de Búfalos – www.bufalo.com.br) FOTOS:PAULOCESARDASILVA Objetivo da transferência de embriões é obter gado mais produtivo; região do Vale do Ribeira é a que mais cria esses animais no Estado de São Paulo APTA realiza pesquisa genética em búfalos inseminação e por embriões.” O sêmen vem de uma empresa paranaense. Preparação – Atualmente, sete bú- falas estão prenhes. Quatro por transferên- cia de embrião, duas cobertas pelo macho e uma por inseminação. A partir dessas quatro búfalas prenhes e de suas futuras crias, as pesquisas para aumento de produ- ção de leite vão avançar mais rumo à espe- rada produção dos 3,5 mil litros. As búfa- las ficam prontas para reprodução quando alcançam 350 quilos, o que demora aproxi- madamente 18 meses. Na inseminação artificial, o sêmen é introduzido no aparelho reprodutivo da fêmea que vai gerar o filhote dez meses depois. Às vezes, ressalva Carvalho, o méto- dofalhaeissoacabasendopercebidosomen- te quando a fêmea fica no cio pouco tempo depois e o macho a procura. É sinal de que não houve fertilização. O uso do macho para essa finalidade é chamado repasse. No embrião, Carvalho utiliza dois mé- todos: no primeiro, as fêmeas de melhor genética são submetidas a hormônios para ovulação e inseminadas. Seis dias depois, ele recolhe os embriões formados pelo sêmen e óvulo e os envia à In Vitro Brasil. Na empresa, eles serão congelados para formar um banco genético ou fertilizados para implantação em outra búfala, a reprodutora, que funcionará como barriga de aluguel. Nosegundo,oveterináriorecolheoóvulo, o qual será juntado ao sêmen em ambiente separado (daí o nome proveta). Depois de fer- tilizado, o embrião vai para a reprodutora. Protocolos – Na avaliação de Car- valho, para obter melhorias genéticas, por inseminação, com produção de 3,5 mil litros por fêmea no período de lactação, serão necessárias várias gerações e um período em torno de dez anos. Com o uso de embrião, com macho e fêmea de boa cepa, é possível alcançar o objetivo na primeira ou na segunda geração. Para melhorias genéticas, é necessá- rio também verificar diversos procedimen- tos de manejo com os animais, antes e depois da fertilização. Carvalho esclarece que essas técnicas são chamadas protoco- los. Um deles é feito todos os dias com duas búfalas novilhas (ainda não procriaram), para determinar o ponto ideal de ovulação delas. É um trabalho meticuloso, feito com um aparelho de ultrassom, para visualizar imagens internas do útero. Rebanho – A fazenda da APTA (vin- culada à Secretaria de Agricultura e Abaste- cimento do Estado), em Registro, é a única unidade pública a pesquisar melhorias genéti- cas em bubalinos e recebe visitas até do exte- rior. São pesquisadores, veterinários, zootec- nistas, estudantes, empresários e produtores. É o caso da veterinária Júlia Soares, formada há dois anos, que finaliza seu doutorado na APTA e ajuda Carvalho em alguns protocolos, como o exame de ultrassom nas novilhas. Júlia trabalha como professora numa universidade particular em São Paulo. “Estou no final do meu doutorado e agora escrevo um artigo científico para uma publicação”, conta a veterinária. Carvalho observa que o leite de búfala é mais branco do que o de vaca, o qual cos- tuma ser amarelado assim que é extraído. O bubalino também tem leite com maior pre- sença de sólidos em suspensão, adequados para produção de queijos. Ele diz ser difícil encontrar ou diferenciar leite de búfala ou carne de bubalinos daqueles de origem bovina. Geralmente, eles se misturam nos locais de venda de laticínios e nos açougues. Além da Murrah, outras raças criadas no Brasil são a Mediterrânea, a Jafarabadi e a Carabao, de origem indiana, quase extinta no mundo, o que a inviabiliza comercial- mente. Atualmente está quase restrita à Ilha de Marajó, no Pará. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho de búfalos no Brasil soma 1,2 milhão de cabeças. Otávio Nunes Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial A Búfala Murrah prenhe, prestes a ter filhote A veterinária Júlia ajuda em alguns protocolos na fazenda da APTA Fazenda da APTA em Registro, no Vale do Ribeira, mantém 116 búfalos da raça Murrah Veterinário Nélcio Carvalho: “Queremos obter conhecimento para repassar aos produtores” A IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO SA garante a autenticidade deste documento quando visualizado diretamente no portal www.imprensaoficial.com.br quinta-feira, 24 de dezembro de 2015 às 01:16:14.