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Desafios do Setor Elétrico para 2025
Por Carlos São Miguel com a colaboração de Samuel Dantas
Depois de uma chuva forte à noite aqui no bairro, tivemos uma queda de energia. Alguns minutos depois,
ela foi religada. Nestes poucos minutos de escuridão veio uma reflexão sobre o nosso setor de energia.
Nos últimos 4 anos nossa matriz energética recebeu um significativo aumento de capacidade de geração
vindas principalmente de fontes renováveis (solar e eólica), e da Geração Distribuída (GD), que também
inclui fontes renováveis. Excelente notícia para nossa transição energética limpa.
Apesar de limpas, estas fontes renováveis têm um problema conceitual: são intermitentes (solar e eólica)
e não despacháveis (a GD não pode ser demandada pelo Operador do Sistema Nacional – ONS), e atuam
essencialmente como abatimento da carga bruta. Na minha escuridão, cuja causa não tinha nada a ver
com isso, tentei me colocar como o ONS. Como o sistema praticamente não recebeu novas hidrelétricas
nos últimos 4 anos, para garantir segurança do fornecimento, precisamos das térmicas, essas vilãs da
geração de energia, consumindo carvão e petróleo para produzir a eletricidade que garante a
estabilidade do sistema. Utilizo o termo “vilãs” aqui, pois além de não contribuir para o índice de
renovabilidade do país, os preços de PLD sobem quando estas usinas são despachadas, e por
consequência, o mercado reage, impactando a curva forward (preços futuros).
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Falando em reação de mercado, nos últimos dias o mercado reagiu a queda do Bipolo Xingu, o famoso
“linhão”, responsável por ligar a energia de grandes complexos hidrelétricos como a Usina de Belo
Monte, no Pará, para as demais regiões do país. O fenômeno, causado por temporais, interrompeu o
transporte de 4 GW da região Norte para o Sul e Sudeste, o que culminou na elevação dos preços pelo
mercado superior a 10 R$/MWh para alguns produtos de 2025.
As usinas intermitentes convivem com um problema adicional: o risco do volume (os tão falados
curtailment e risco de modulação – para saber mais, leia aqui) associados ao corte de geração de energia
renovável. Imagine ter sua usina desligada pela incapacidade de escoar energia, seja por restrições no
próprio sistema de transmissão, ou porque a oferta de geração naquele momento está acima da
demanda local – como ocorre no Nordeste. É o que ocorreu com o Complexo Serra do Mel cujo nível de
curtailment atingiu 58% em 2024.
Parte das soluções para estas questões já existem. Vamos listar algumas: aumentar a integração do SIN
e capacidade de escoamento das linhas de transmissão, modernização da infraestrutura de distribuição
de energia (já tivemos apagões por falhas em equipamentos bem ultrapassados e sabemos que a
garantia de melhor eficiência está ligada ao monitoramento e fiscalização dos concessionários de
distribuição), e a urgente revisão da atual regulamentação, que permite a criação de subsídios até para
térmica de carvão.
Temos uma das melhores matrizes energéticas do planeta. Temos que ter foco, porque energia é uma
das questões principais do nosso futuro, e ao passo que estamos avançando na atração de investimentos
e no crescimento da matriz renovável do país, outros problemas sistêmicos estão trazendo impactos
financeiros relevantes as empresas, tais como gargalos na infraestrutura e riscos regulatórios.
Neste contexto, em qual dos players deste mercado você se encaixa? Geração, distribuição,
comercialização ou consumidor? Como as mudanças prováveis, possíveis e as surpreendentes podem
afetar você e a sua empresa?
Entre em contato com a Damke Consultoria e Treinamento. Podemos trabalhar juntos para proteger seu
negócio nesta relevante questão que é a nossa energia.
#energia #derivativos

Desafios do Setor Elétrico para 2025.pdf

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    1 Desafios do SetorElétrico para 2025 Por Carlos São Miguel com a colaboração de Samuel Dantas Depois de uma chuva forte à noite aqui no bairro, tivemos uma queda de energia. Alguns minutos depois, ela foi religada. Nestes poucos minutos de escuridão veio uma reflexão sobre o nosso setor de energia. Nos últimos 4 anos nossa matriz energética recebeu um significativo aumento de capacidade de geração vindas principalmente de fontes renováveis (solar e eólica), e da Geração Distribuída (GD), que também inclui fontes renováveis. Excelente notícia para nossa transição energética limpa. Apesar de limpas, estas fontes renováveis têm um problema conceitual: são intermitentes (solar e eólica) e não despacháveis (a GD não pode ser demandada pelo Operador do Sistema Nacional – ONS), e atuam essencialmente como abatimento da carga bruta. Na minha escuridão, cuja causa não tinha nada a ver com isso, tentei me colocar como o ONS. Como o sistema praticamente não recebeu novas hidrelétricas nos últimos 4 anos, para garantir segurança do fornecimento, precisamos das térmicas, essas vilãs da geração de energia, consumindo carvão e petróleo para produzir a eletricidade que garante a estabilidade do sistema. Utilizo o termo “vilãs” aqui, pois além de não contribuir para o índice de renovabilidade do país, os preços de PLD sobem quando estas usinas são despachadas, e por consequência, o mercado reage, impactando a curva forward (preços futuros).
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    2 Falando em reaçãode mercado, nos últimos dias o mercado reagiu a queda do Bipolo Xingu, o famoso “linhão”, responsável por ligar a energia de grandes complexos hidrelétricos como a Usina de Belo Monte, no Pará, para as demais regiões do país. O fenômeno, causado por temporais, interrompeu o transporte de 4 GW da região Norte para o Sul e Sudeste, o que culminou na elevação dos preços pelo mercado superior a 10 R$/MWh para alguns produtos de 2025. As usinas intermitentes convivem com um problema adicional: o risco do volume (os tão falados curtailment e risco de modulação – para saber mais, leia aqui) associados ao corte de geração de energia renovável. Imagine ter sua usina desligada pela incapacidade de escoar energia, seja por restrições no próprio sistema de transmissão, ou porque a oferta de geração naquele momento está acima da demanda local – como ocorre no Nordeste. É o que ocorreu com o Complexo Serra do Mel cujo nível de curtailment atingiu 58% em 2024. Parte das soluções para estas questões já existem. Vamos listar algumas: aumentar a integração do SIN e capacidade de escoamento das linhas de transmissão, modernização da infraestrutura de distribuição de energia (já tivemos apagões por falhas em equipamentos bem ultrapassados e sabemos que a garantia de melhor eficiência está ligada ao monitoramento e fiscalização dos concessionários de distribuição), e a urgente revisão da atual regulamentação, que permite a criação de subsídios até para térmica de carvão. Temos uma das melhores matrizes energéticas do planeta. Temos que ter foco, porque energia é uma das questões principais do nosso futuro, e ao passo que estamos avançando na atração de investimentos e no crescimento da matriz renovável do país, outros problemas sistêmicos estão trazendo impactos financeiros relevantes as empresas, tais como gargalos na infraestrutura e riscos regulatórios. Neste contexto, em qual dos players deste mercado você se encaixa? Geração, distribuição, comercialização ou consumidor? Como as mudanças prováveis, possíveis e as surpreendentes podem afetar você e a sua empresa? Entre em contato com a Damke Consultoria e Treinamento. Podemos trabalhar juntos para proteger seu negócio nesta relevante questão que é a nossa energia. #energia #derivativos