Maconha
Dr Fernando Fugihara
Dr Rafael Tzanno Murayama
Introdução
• Substância ilícita com maior prevalência de uso na população
mundial, inclusive a brasileira
• Extraída da planta Cannabis sativa
• Tipicamente é fumada na forma de cigarro, sendo outras formas o
cachimbo, bong, e no vaporizador
Epidemiologia
II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) – 2012
ADOLESCENTES ADULTOS
4.30%
6.80%
3.40%
2.50%
Consumo de maconha entre adultos e adolescentes
USO NA VIDA USO NO ÚLTIMO ANO
600 mil pessoas
3 milhões de pessoas
470 mil pessoas
8 milhões de pessoas
Farmacologia
• Principais canabinoides:
• Δ⁹-tetra-hidrocanabinol (THC)  efeitos psicoativos
• Canabidiol (CBD)  efeitos terapêuticos
• Agem nos receptores canabinoides presentes no organismo
• Os receptores mais conhecidos são o CB1 e o CB2
• CB1: distribui-se amplamente no encéfalo
• Principal responsável pelos efeitos psicoativos
• CB2: Efeitos periféricos, principalmente no sistema inume
Farmacologia
• O THC é um agonista parcial de CB1 e o CB2
• Já o CBD é um antagonista, com pouca afinidade por CB1
• Algumas áreas cerebrais possuem maior densidade de receptores
CB1, justificando os principais efeitos clínicos dos canabinoides
Farmacologia
1- Córtex  Cognição
2- Núcleos da base  Movimento
3- Núcleo Accumbens  Efeitos
hedônicos
4- Hipocampo  Memória
5- Substância cinzenta periaquedutal 
Emoções, analgesia
6- Cerebelo  Movimentos
7- Amígdala  Emoções
8- Hipotálamo  hipotermia e
aumento de apetite
8
Efeitos Agudos
• Relaxamento
• Leve euforia
• Intensificação de experiências sensoriais
• Prejuízos da coordenação motora
• Alterações na percepção
• Especialmente avaliação do tempo (tempo passa mais lentamente)
• Alterações fisiológicas:
• Taquicardia
• Labilidade da PA
• Hiperemia de conjuntivas
Efeitos Agudos
• Prejuízos cognitivos
• Memória recente
• Atenção
• Planejamento, tomada de decisão, velocidade de resposta
• Sintomas ansiosos
• Crises de ansiedade, podendo chegar a ataques de pânico
• Sintomas psicóticos
• Alucinações
Overdose: risco de quadro fatal é muito pequeno
Efeitos Agudos
Efeitos Crônicos
• Efeitos fora do SNC
• Cognitivos
• Transtornos psiquiátricos
Efeitos fora do SNC
• A maconha libera componentes semelhantes aos do tabaco, porém
com mais substâncias particuladas e cancerígenas
• Potencial para causar quadros de bronquite crônica, DPOC e câncer
de pulmão (Lader, 2009).
Cognitivos
• Em usuários crônicos, tem se detectado prejuízos cognitivos
especialmente em memória, atenção, funções executivas e controle
inibitório de respostas (Solowij e Pesa, 2010).
• Grau de alterações dependem da frequência, duração, dose e
precocidade do início do uso (Solowij e Pesa, 2010).
• Redução de volume do hipocampo e amígdala (Yücel et al, 2008)
Transtornos Psiquiátricos
• Frequentemente usuários apresentam outros transtornos mentais
concomitantes.
• Transtornos de ansiedade, transtornos de humor, transtornos psicóticos,
transtornos alimentares, transtornos do sono
• Indivíduos costumam relatar que consomem a Cannabis para lidar com o
humor, sono, dor ou outros problemas fisiológicos e psicológicos.
• Porém, seu uso potencialmente leva a piora das doenças de base
Transtornos Psiquiátricos
Fatores associados ao desenvolvimento de sintomas psiquiátricos:
Vulnerabilidade individual e genética
Traços de personalidade
Frequência do uso
Dose e quantidade consumida
Presença de sintomas psiquiátricos prévios
Ambiente do uso
Proporção entre a concentração de canabinoides (especialmente o THC e o CBD)
Ansiedade
• Usuários frequentes apresentam maior prevalência de transtornos
ansiosos, além de crises de pânico causadas pela reação aguda
• Causadora do transtorno X automedicação?
• Reações conflitantes podem dever-se a efeitos dose-dependentes do
THC (Crippa et al, 2009).
Humor
• Grande comorbidade com o transtorno bipolar (Kessler et al, 1997).
• Usuários crônicos apresentam maiores taxas de transtornos
depressivos (Swift et al, 2001).
Psicose
• Doses elevadas de THC produzem sintomas psicóticos transitórios
• Tanto em pessoas sadias quanto em pessoas com transtorno psicótico
• Usuários crônicos de cannabis tem um risco 3x maior de desenvolver
esquizofrenia (Sewell et al, 2010)
• Risco é maior quanto mais precoce o início
Transtornos por Uso de Maconha
• Dependência
• Intoxicação aguda
• Síndrome de abstinência
Dependência
e
Síndrome de Abstinência
Fatores de Risco
• Nem todo usuário tende a desenvolver dependência e/ou síndrome
de abstinência
• Fatores de risco:
• Uso de 3 ou mais drogas antes do primeiro uso de Cannabis
• Uso antes do fim da adolescência
• Baixa renda familiar
• Presença de comorbidades psiquiátricas
• Uso concomitante de outras drogas
• Personalidade impulsiva
Dependência
• Risco de dependência:
• Estima-se que 15% das pessoas que iniciaram o consumo na adolescência
desenvolvam dependência
• Entre 33 e 50% dos usuários crônicos
Critérios Diagnósticos – CID-10
Um diagnóstico definitivo de dependência deve usualmente ser feito somente se três ou mais dos seguintes requisitos
tenham sido experienciados ou exibidos em algum momento do ano anterior:
A Um forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância
B Dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de seu início, término e níveis de
consumo
C Um estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, como evidenciado por:
síndrome de abstinência para a substância ou o uso da mesma substância (ou de uma intimamente relacionada)
com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência;
D Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar
efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas
E Abandono progressivo de prazeres e interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento da
quantidade de tempo necessária para se recuperar de seus efeitos;
F Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de conseqüências manifestamente nocivas. Deve-se
fazer esforços claros para determinar se o usuário estava realmente consciente da natureza e extensão do dano.
Síndrome de Abstinência
• Inicia-se cerca de 24 horas após o último uso
• Atingem o pico em 2 a 3 dias
• Duração de 1 a 2 semanas.
• 2 grupos:
• Fraqueza, hipersonia, retardo psicomotor
• Ansiedade, inquietação, depressão e insônia
• Dificuldades com o sono podem durar mais de 30 dias.
Critérios Diagnósticos – DSM-5
• A. Cessação do uso pesado e prolongado de Cannabis (i.e., normalmente uso diário ou
quase diário durante um período mínimo de alguns meses).
• B. Três (ou mais) dos seguintes sinais e sintomas, desenvolvidos no prazo de
aproximadamente uma semana após o Critério A:
1. Irritabilidade, raiva ou agressividade.
2. Nervosismo ou ansiedade.
3. Dificuldade em dormir (insônia, sonhos perturbadores).
4. Apetite reduzido ou perda de peso.
5. Inquietação.
6. Humor deprimido.
7. Pelo menos um dos seguintes sintomas físicos causa desconforto significativo: dor abdominal,
tremor, sudorese, febre, calafrios ou cefaleia.
Critérios Diagnósticos – DSM-5
• C. Os sinais ou sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social, profissional, ou em outras áreas importantes
da vida do indivíduo.
• D. Os sinais ou sintomas não são atribuíveis a outra condição médica nem são mais
bem explicados por outro transtorno mental, incluindo intoxicação por ou
abstinência de outra substância.
• Além dos sintomas do Critério B, podem-se também observar os seguintes no
período pós-abstinência: fadiga, bocejos, dificuldade de concentração, períodos de
rebote de aumento no apetite e hipersonia que se seguem a períodos iniciais de
perda de apetite e insônia.
Tratamento Não Farmacológico
• Terapia motivacional
• Oferecer condições de crítica que propiciem a mudança de comportamento
• Terapia cognitivo-comportamental
• Oferecer habilidades para abandonar o uso
• Manejo de contingências
• Uso sistemático de consequência para motivar a manutenção de abstinência
• Terapia familiar
Tratamento Farmacológico
• Não há evidência atual que suporte o uso de alguma medicação
• Preparações sintéticas do THC e o CBD tem demonstrado benefícios
em estudos preliminares
• Ainda existem preocupações com efeitos cognitivos e das consequências em
longo prazo
Intoxicação Aguda
Critérios Diagnósticos pelo DSM-5
A. Uso recente de Cannabis.
B. Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas e problemáticas
(p. ex., prejuízo na coordenação motora, euforia, ansiedade, sensação de lentidão do
tempo, julgamento prejudicado, retraimento social) desenvolvidas durante ou logo após
o uso de Cannabis.
C. Dois (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas, desenvolvidos no período de 2 horas
após o uso de Cannabis:
1. Conjuntivas hiperemiadas.
2. Apetite aumentado.
3. Boca seca.
4. Taquicardia.
Critérios Diagnósticos pelo DSM-5
• D. Os sinais ou sintomas não são atribuíveis a outra condição médica
nem são mais bem explicados por outro transtorno mental, incluindo
intoxicação por outra substância.
• Especificar se:
• Com perturbações da percepção: Alucinações com teste de realidade intacto
ou ilusões auditivas, visuais ou táteis ocorrem na ausência de delirium.
Tratamento
• Raramente apresenta forma grave
• Poucos estudos sobre o tratamento, maioria relatos de caso
• Assegurar interrupção do uso e suporte clínico de complicações
Tratamento das Complicações
• Propranolol demonstrou eficácia no controle dos efeitos
cardiovasculares
• Taquicardia
• ↑ da PA
• Hiperemia conjuntival
• Fibrilação atrial: flecainida, propafenona, digoxina
• Coma induzido por cannabis: flumazenil
Tratamento dos Efeitos Agudos Psiquiátricos
• Psicose: Haloperidol e Olanzapina
• Ansiedade e ataques de pânico: benzodiazepínicos
• Síndromes depressivas e maníacas: benzodiazepínicos e/ou
antipsicóticos
• Antidepressivos e estabilizadores de humor são indicados se há
persistência dos sintomas após o período da intoxicação
Conclusão
• O uso recreativo da maconha pode levar alguns indivíduos a
desenvolver sintomas psiquiátricos agudos e dependência.
• Ainda é controverso se a maconha pode causar transtornos
psiquiátricos após a interrupção do seu uso
• No entanto, é certo que leva a problemas cognitivos, psicossociais e
de saúde a indivíduos vulneráveis
Referências Bibliográficas
• Crippa JA, Zuardi AW, Martín-Santos R, Bhattacharyya S, Atakan Z, McGuire P, et al. Cannabis and
anxiety: a critical review of the evidence. Hum Psychopharm Clin. 2009; 24(7):515-23.
• Kessler RC, Crum RM, Warner LA, Nelson CB, Schulenberg J, Anthony JC. Lifetime co-occurrence of
DSM-III-R alcohol abuse and dependence with other psychiatric disorders in the National
Comorbidity Survey. Arch Gen Psychiat. 1997;54(4):313–21.
• Lader M. Addiction and the pharmacology of cannabis: implications for medicine and the law.
Med Sci Law. 2009;49(1):1-17.
• Solowij N, Pesa N. Anormalidades cognitivas no uso da cannabis. Rev Bras Psiquiat.
2010;32(1):531-9. 2008;65(6):694-701.
Referências Bibliográficas
• Sewell et al. Behavioral, cognitive and psychophysiological effects of
cannabinoids: relevance to psychosis and schizophrenia. Rev Bras Psiquiat. -
2010;32(1):S15-30
• Swift W, Hall W, Teesson M. Cannabis use and dependence among Australian
adults: results from the National Survey of Mental Health and Well-being.
Addiction. 2001;96(5):737–48.
• Yücel M, Solowij N, Respondek C, Whittle S, Fornito A, Pantelis C, et al. Regional
brain abnormalities associated with long-term heavy cannabis use. Arch Gen
Psychiatry. 2008;65(6):694-701.

Dependência de Maconha super apresentação

  • 1.
    Maconha Dr Fernando Fugihara DrRafael Tzanno Murayama
  • 2.
    Introdução • Substância ilícitacom maior prevalência de uso na população mundial, inclusive a brasileira • Extraída da planta Cannabis sativa • Tipicamente é fumada na forma de cigarro, sendo outras formas o cachimbo, bong, e no vaporizador
  • 3.
    Epidemiologia II Levantamento Nacionalde Álcool e Drogas (LENAD) – 2012 ADOLESCENTES ADULTOS 4.30% 6.80% 3.40% 2.50% Consumo de maconha entre adultos e adolescentes USO NA VIDA USO NO ÚLTIMO ANO 600 mil pessoas 3 milhões de pessoas 470 mil pessoas 8 milhões de pessoas
  • 4.
    Farmacologia • Principais canabinoides: •Δ⁹-tetra-hidrocanabinol (THC)  efeitos psicoativos • Canabidiol (CBD)  efeitos terapêuticos • Agem nos receptores canabinoides presentes no organismo • Os receptores mais conhecidos são o CB1 e o CB2 • CB1: distribui-se amplamente no encéfalo • Principal responsável pelos efeitos psicoativos • CB2: Efeitos periféricos, principalmente no sistema inume
  • 5.
    Farmacologia • O THCé um agonista parcial de CB1 e o CB2 • Já o CBD é um antagonista, com pouca afinidade por CB1 • Algumas áreas cerebrais possuem maior densidade de receptores CB1, justificando os principais efeitos clínicos dos canabinoides
  • 6.
    Farmacologia 1- Córtex Cognição 2- Núcleos da base  Movimento 3- Núcleo Accumbens  Efeitos hedônicos 4- Hipocampo  Memória 5- Substância cinzenta periaquedutal  Emoções, analgesia 6- Cerebelo  Movimentos 7- Amígdala  Emoções 8- Hipotálamo  hipotermia e aumento de apetite 8
  • 7.
    Efeitos Agudos • Relaxamento •Leve euforia • Intensificação de experiências sensoriais • Prejuízos da coordenação motora • Alterações na percepção • Especialmente avaliação do tempo (tempo passa mais lentamente) • Alterações fisiológicas: • Taquicardia • Labilidade da PA • Hiperemia de conjuntivas
  • 8.
    Efeitos Agudos • Prejuízoscognitivos • Memória recente • Atenção • Planejamento, tomada de decisão, velocidade de resposta • Sintomas ansiosos • Crises de ansiedade, podendo chegar a ataques de pânico • Sintomas psicóticos • Alucinações Overdose: risco de quadro fatal é muito pequeno
  • 9.
  • 10.
    Efeitos Crônicos • Efeitosfora do SNC • Cognitivos • Transtornos psiquiátricos
  • 11.
    Efeitos fora doSNC • A maconha libera componentes semelhantes aos do tabaco, porém com mais substâncias particuladas e cancerígenas • Potencial para causar quadros de bronquite crônica, DPOC e câncer de pulmão (Lader, 2009).
  • 12.
    Cognitivos • Em usuárioscrônicos, tem se detectado prejuízos cognitivos especialmente em memória, atenção, funções executivas e controle inibitório de respostas (Solowij e Pesa, 2010). • Grau de alterações dependem da frequência, duração, dose e precocidade do início do uso (Solowij e Pesa, 2010). • Redução de volume do hipocampo e amígdala (Yücel et al, 2008)
  • 13.
    Transtornos Psiquiátricos • Frequentementeusuários apresentam outros transtornos mentais concomitantes. • Transtornos de ansiedade, transtornos de humor, transtornos psicóticos, transtornos alimentares, transtornos do sono • Indivíduos costumam relatar que consomem a Cannabis para lidar com o humor, sono, dor ou outros problemas fisiológicos e psicológicos. • Porém, seu uso potencialmente leva a piora das doenças de base
  • 14.
    Transtornos Psiquiátricos Fatores associadosao desenvolvimento de sintomas psiquiátricos: Vulnerabilidade individual e genética Traços de personalidade Frequência do uso Dose e quantidade consumida Presença de sintomas psiquiátricos prévios Ambiente do uso Proporção entre a concentração de canabinoides (especialmente o THC e o CBD)
  • 15.
    Ansiedade • Usuários frequentesapresentam maior prevalência de transtornos ansiosos, além de crises de pânico causadas pela reação aguda • Causadora do transtorno X automedicação? • Reações conflitantes podem dever-se a efeitos dose-dependentes do THC (Crippa et al, 2009).
  • 16.
    Humor • Grande comorbidadecom o transtorno bipolar (Kessler et al, 1997). • Usuários crônicos apresentam maiores taxas de transtornos depressivos (Swift et al, 2001).
  • 17.
    Psicose • Doses elevadasde THC produzem sintomas psicóticos transitórios • Tanto em pessoas sadias quanto em pessoas com transtorno psicótico • Usuários crônicos de cannabis tem um risco 3x maior de desenvolver esquizofrenia (Sewell et al, 2010) • Risco é maior quanto mais precoce o início
  • 18.
    Transtornos por Usode Maconha • Dependência • Intoxicação aguda • Síndrome de abstinência
  • 19.
  • 20.
    Fatores de Risco •Nem todo usuário tende a desenvolver dependência e/ou síndrome de abstinência • Fatores de risco: • Uso de 3 ou mais drogas antes do primeiro uso de Cannabis • Uso antes do fim da adolescência • Baixa renda familiar • Presença de comorbidades psiquiátricas • Uso concomitante de outras drogas • Personalidade impulsiva
  • 21.
    Dependência • Risco dedependência: • Estima-se que 15% das pessoas que iniciaram o consumo na adolescência desenvolvam dependência • Entre 33 e 50% dos usuários crônicos
  • 22.
    Critérios Diagnósticos –CID-10 Um diagnóstico definitivo de dependência deve usualmente ser feito somente se três ou mais dos seguintes requisitos tenham sido experienciados ou exibidos em algum momento do ano anterior: A Um forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância B Dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de seu início, término e níveis de consumo C Um estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, como evidenciado por: síndrome de abstinência para a substância ou o uso da mesma substância (ou de uma intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência; D Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas E Abandono progressivo de prazeres e interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento da quantidade de tempo necessária para se recuperar de seus efeitos; F Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de conseqüências manifestamente nocivas. Deve-se fazer esforços claros para determinar se o usuário estava realmente consciente da natureza e extensão do dano.
  • 23.
    Síndrome de Abstinência •Inicia-se cerca de 24 horas após o último uso • Atingem o pico em 2 a 3 dias • Duração de 1 a 2 semanas. • 2 grupos: • Fraqueza, hipersonia, retardo psicomotor • Ansiedade, inquietação, depressão e insônia • Dificuldades com o sono podem durar mais de 30 dias.
  • 24.
    Critérios Diagnósticos –DSM-5 • A. Cessação do uso pesado e prolongado de Cannabis (i.e., normalmente uso diário ou quase diário durante um período mínimo de alguns meses). • B. Três (ou mais) dos seguintes sinais e sintomas, desenvolvidos no prazo de aproximadamente uma semana após o Critério A: 1. Irritabilidade, raiva ou agressividade. 2. Nervosismo ou ansiedade. 3. Dificuldade em dormir (insônia, sonhos perturbadores). 4. Apetite reduzido ou perda de peso. 5. Inquietação. 6. Humor deprimido. 7. Pelo menos um dos seguintes sintomas físicos causa desconforto significativo: dor abdominal, tremor, sudorese, febre, calafrios ou cefaleia.
  • 25.
    Critérios Diagnósticos –DSM-5 • C. Os sinais ou sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional, ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. • D. Os sinais ou sintomas não são atribuíveis a outra condição médica nem são mais bem explicados por outro transtorno mental, incluindo intoxicação por ou abstinência de outra substância. • Além dos sintomas do Critério B, podem-se também observar os seguintes no período pós-abstinência: fadiga, bocejos, dificuldade de concentração, períodos de rebote de aumento no apetite e hipersonia que se seguem a períodos iniciais de perda de apetite e insônia.
  • 26.
    Tratamento Não Farmacológico •Terapia motivacional • Oferecer condições de crítica que propiciem a mudança de comportamento • Terapia cognitivo-comportamental • Oferecer habilidades para abandonar o uso • Manejo de contingências • Uso sistemático de consequência para motivar a manutenção de abstinência • Terapia familiar
  • 27.
    Tratamento Farmacológico • Nãohá evidência atual que suporte o uso de alguma medicação • Preparações sintéticas do THC e o CBD tem demonstrado benefícios em estudos preliminares • Ainda existem preocupações com efeitos cognitivos e das consequências em longo prazo
  • 28.
  • 29.
    Critérios Diagnósticos peloDSM-5 A. Uso recente de Cannabis. B. Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas e problemáticas (p. ex., prejuízo na coordenação motora, euforia, ansiedade, sensação de lentidão do tempo, julgamento prejudicado, retraimento social) desenvolvidas durante ou logo após o uso de Cannabis. C. Dois (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas, desenvolvidos no período de 2 horas após o uso de Cannabis: 1. Conjuntivas hiperemiadas. 2. Apetite aumentado. 3. Boca seca. 4. Taquicardia.
  • 30.
    Critérios Diagnósticos peloDSM-5 • D. Os sinais ou sintomas não são atribuíveis a outra condição médica nem são mais bem explicados por outro transtorno mental, incluindo intoxicação por outra substância. • Especificar se: • Com perturbações da percepção: Alucinações com teste de realidade intacto ou ilusões auditivas, visuais ou táteis ocorrem na ausência de delirium.
  • 31.
    Tratamento • Raramente apresentaforma grave • Poucos estudos sobre o tratamento, maioria relatos de caso • Assegurar interrupção do uso e suporte clínico de complicações
  • 32.
    Tratamento das Complicações •Propranolol demonstrou eficácia no controle dos efeitos cardiovasculares • Taquicardia • ↑ da PA • Hiperemia conjuntival • Fibrilação atrial: flecainida, propafenona, digoxina • Coma induzido por cannabis: flumazenil
  • 33.
    Tratamento dos EfeitosAgudos Psiquiátricos • Psicose: Haloperidol e Olanzapina • Ansiedade e ataques de pânico: benzodiazepínicos • Síndromes depressivas e maníacas: benzodiazepínicos e/ou antipsicóticos • Antidepressivos e estabilizadores de humor são indicados se há persistência dos sintomas após o período da intoxicação
  • 34.
    Conclusão • O usorecreativo da maconha pode levar alguns indivíduos a desenvolver sintomas psiquiátricos agudos e dependência. • Ainda é controverso se a maconha pode causar transtornos psiquiátricos após a interrupção do seu uso • No entanto, é certo que leva a problemas cognitivos, psicossociais e de saúde a indivíduos vulneráveis
  • 35.
    Referências Bibliográficas • CrippaJA, Zuardi AW, Martín-Santos R, Bhattacharyya S, Atakan Z, McGuire P, et al. Cannabis and anxiety: a critical review of the evidence. Hum Psychopharm Clin. 2009; 24(7):515-23. • Kessler RC, Crum RM, Warner LA, Nelson CB, Schulenberg J, Anthony JC. Lifetime co-occurrence of DSM-III-R alcohol abuse and dependence with other psychiatric disorders in the National Comorbidity Survey. Arch Gen Psychiat. 1997;54(4):313–21. • Lader M. Addiction and the pharmacology of cannabis: implications for medicine and the law. Med Sci Law. 2009;49(1):1-17. • Solowij N, Pesa N. Anormalidades cognitivas no uso da cannabis. Rev Bras Psiquiat. 2010;32(1):531-9. 2008;65(6):694-701.
  • 36.
    Referências Bibliográficas • Sewellet al. Behavioral, cognitive and psychophysiological effects of cannabinoids: relevance to psychosis and schizophrenia. Rev Bras Psiquiat. - 2010;32(1):S15-30 • Swift W, Hall W, Teesson M. Cannabis use and dependence among Australian adults: results from the National Survey of Mental Health and Well-being. Addiction. 2001;96(5):737–48. • Yücel M, Solowij N, Respondek C, Whittle S, Fornito A, Pantelis C, et al. Regional brain abnormalities associated with long-term heavy cannabis use. Arch Gen Psychiatry. 2008;65(6):694-701.

Notas do Editor