A Vida D. Afonso Henriques

O primeiro rei de Portugal foi D. Afonso I, ele começou o início do
governo em 27 de Julho de 1139, acabou o governo em 6 de Dezembro de
1185. (Filho de D. Henrique).
D. Afonso I, mais conhecido por príncipe, D. Afonso Henriques, (25
de Julho de 1109-6 de Dezembro de 1185).
Ele nasceu em Guimarães dia 25 de Julho de 1109.
Passou a vida a governar o país Condado Portucalense agora chamado
Portugal.
D. Afonso Henriques faleceu em 6 de Julho de 1139 morreu em
Coimbra exactamente no dia em que parou de governar o país Condado
Portucalense (é por isso que digo que passou a vida a governar o país
Condado Portucalense (Portugal).
O pai de D. Afonso Henriques era D. Henrique e a mãe era a D.
Teresa (D. Henrique, Conde de Portugal) (D. Teresa, Infanta de Leão).
A mulher de D. Afonso Henriques era D. Mafalda de Sabóia e filho
era D. Sancho (segundo rei de Portugal).

E este é o final da minha história da vida de D. Afonso Henriques.

Trabalho realizado por:
Beatriz Moura Machiavelo
D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal nasceu em 1109 em
Coimbra.
É filho do conde Henrique de Borgonha e filho de D. Teresa filha bastarda de D.
Afonso VI rei de Leão e Castela que deu o Condado de Portugal.
D. Afonso Henriques perdeu o pai com 17 anos e assume a governação, do
Condado de Portugal.
D. Afonso Henriques queria que o desejo do pai fosse feito:
Independência de Portugal.
D. Afonso Henriques morreu em 6 de Dezembro em 1185.

Trabalho realizado por
Cristiana Nogueira Ferreira.
Afonso Henriques nasceu em 1109.
E filho do conde e de D. Teresa.
D. Afonso VI de Leão e Castela que deu o condado de Portugal ao seu genro.

Trabalho realizado por:
Inês
O D. Afonso Henriques lutou contra a tropa da mãe.
Venceu a mãe durante a guerra.
Venceu muitas guerras contra mouros e árabes.
D. Afonso Henriques nasceu em 1108 e morreu em 6 de Dezembro de 1185.

TRABALHO REALIZADO POR:
JEAN
4ªD

O primeiro rei de Portugal
D. Afonso Henriques foi filho de D. Teresa e de D.Afonso seisto que
era rei de Leão e Castela.
D.Afonso Henriques provavelmente nasceu em 1109.
Seu filho chamou-se D.Sancho a sua mãe era D.Mafalda e ele nasceu
em 11 de Novembro de 1154 nasceu em Coimbra, começou o seu reinado em 6
de Dezembro de 1185 e terminou em 26 de Março de 1212,foi também o
segundo rei de Portugal e todos chamavam-lhe o povoador.A sua esposa
chamava-se D.Dulce que era de Aragão.A filha de D.Sancho era D.Sancha.

Trabalho feito por :
Leonardo M M Silva 4º ano D
Era uma vez D. Afonso Henriques que foi o 1º rei de Portugal que
nasceu no ano 1109 em Coimbra.
É filho de D. Henrique e D. Teresa. Perdeu o pai muito cedo, aos 17
anos, assume a Governação do Condado Portucalense para tentar satisfazer
o pai: a independência!
Casou com Mafalda de Sabóia e tiveram um filho chamado D. Sancho.
D. Afonso Henriques era o Conquistador. Lutou contra os Mouros e
foi aí que ganhou novas terras.
Morreu 6 de Dezembro de 1185 em Coimbra.

Trabalho realizado por:
Gonçalo
O D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal.
D. Henrique teve um filho que se chama D. Afonso Henrique.
D. Afonso Henriques casou com a Mafalda de Sabóia.
D. Afonso foi o primeiro rei de portucalense.

Trabalho realizado:
Nuno Cruz

Ninguém merece mais
este título que o infante
Afonso Henriques, filho
de dona Teresa, bastarda
do rei Afonso VI de Leão
e Castela, e do conde
Henrique de Borgonha.
Pouca gente sabe. Mas,
graças à esperteza política
de Afonso Henriques,
Portugal é a primeira
nação européia a se
estabelecer como Estado
independente. Antes do
ano 1200, Portugal já é
Portugal. Com direito,
inclusive, a língua
própria: o galaicoportuguês.
Gênio, estadista, raposa
política, vitorioso,
implacável, espertíssimo:
Afonso constrói uma
história rocambolesca.
Tudo que pode manipular
a seu favor, manipula sem
escrúpulos. Inicia a
trajetória de vitórias
fundando um reino. Para
tanto, manda mamãe para
o espaço sem sequer dizer
adeus. Naquele tempo,
porém, ninguém cogita a
possibilidade de Portugal
ser conseqüência de um
Complexo de Édipo mal
resolvido. Até porque,
Freud ainda não pensa em
nascer.
O avô de Afonso
Henriques destaca-se
como um dos homens
mais poderosos de sua
época. Amigo pessoal de
Santo Hugo - que não
sabe que será santo, mas
já constrói a Abadia de
Cluny, o maior templo
que a cristandade jamais
erguera - , Afonso VI tira
do bolso, ou dos cofres
públicos, grande parte dos
recursos que financiam o
sonho de Hugo. Bem
relacionado com os
outros reis cristãos,
influente, excelente jogo
de cintura, Afonso VI,
entre uma e outra doação
a Cluny, consegue casar
sua bastarda com um dos
condes de Borgonha família finíssima, não é
assim, toda hora, que um
Borgonha se mistura à
gente mal nascida.
Mas Afonso VI embrulha
a oferta para presente:
Henrique leva Teresa e,
de quebra, o Condado
Portucalense, terras a
oeste de Castela que, há
tempos ensaia a gracinha
de viver por conta
própria. Afonso VI,
sabendo das estrepolias
portucalenses, resolve
matar dois coelhos com
uma cajadada só. Em
1092, reúne as duas
unidades condais da
região – ao norte e ao sul
do rio Douro – e
determina que o novo e
único condado pertencerá
à Teresa – e ao marido
dela, claro. Urraca, a filha
legítima, sentará no trono
de Leão e Castela, como
ensinam as regras da
moral e dos bons
costumes.
Mais do que bom e
preocupado papai,
Afonso VI tenta ampliar
seu poder e garantir
domínio sobre maior
extensão de terras. Tiro
pela culatra. Tão logo o
rei de Leão e Castela
mete o bedelho no
Condado Portucalense, a
nobreza local inicia forte
movimento separatista.
Coitado de Henrique de
Borgonha, estrepa-se
nesta história. Além
de gerar a genialidade
de Afonso Henriques,
pouco lucra com o
casamento. Fica zanzando
em Portucale, tentando
ajudar ao filho. Mas o
rebento é rebelde e
dispensa-lhe os palpites.
Dom Henrique, francês
chiquérrimo, se
aborrece. Assusta-o a
idéia de passar para a
posteridade qual simples
reprodutor. Mas a culpa é
do sogro. Afonso VI, ao
engendrar a novela,
comete um de
seus poucos erros
políticos: não leva em
conta nem o bairrismo do
Condado Portucalense,
nem a possibilidade de
alguém armar uma
falseta.

“...um poder mais alto se alevanta...”
(Camões, Os Lusíadas)

Afonso Henriques, ele
mesmo, sagra-se
cavaleiro. Entretanto, o
que está a acontecer no
resto do mundo?
Consulta a Tábua
Cronológica.

Arma – quem é avô de estadista, deve tomar
precauções. Afonso Henriques tem 20 anos quando
Afonso VI morre. Se famílias se estraçalham
pela baixela de prata da vovó, imaginem quando o
motivo é o poder de uma coroa. Desentendem-se
todos. Urraca discute com o Bispo de Compostela,
atrita-se com rei de Aragão, cospe desaforos para o
conde da Galícia, faz e acontece. Acometida de
olho-grande, síndroma que costuma atacar herdeiros
menos favorecidos, Teresa desanda a arquitetar
alianças desastrosas – quem sai aos seus, não
degenera.
De repente, Teresa dá o passo fatal. Arquitetando
anexar Portucale à Galícia, alia-se aos galegos,
tradicionais rivais dos barões de Portucale.
É desconhecer o filho, menino que emite sinais de
seu gênio – no bom e no mau sentido - aos 13 anos.
Nesta idade, na cerimônia em que o sagram
cavaleiro, na catedral de Zamora, Afonso Henriques
manda às favas o bispo e ele mesmo sagra-se.
Recusa a mediação divina. Igualzinho Napoleão,
alguns séculos mais tarde – pena o infante não falar
francês, língua dos sofisticados, nenhum compêndio
de história esqueceria tal feito.
Dizem, não há provas documentais, que o avô fica
orgulhosíssimo com a petulância do fedelho - é
pena que tanto talento evapore em Portugal,
comenta Afonso VI. Fofoca, naturalmente. Portugal
e Espanha cultivam uma antipatia milenar, todo
mundo sabe e não perde ocasião de jogar lenha na
fogueira.
Enfim, com tal filho nas mãos, dona Teresa, além
de se aliar aos galegos, aparece com outro conde
debaixo de braço, contando uma história trôpega de
“apoio político”. Arma-se o circo. Com 21 anos,
Afonso Henriques cerca Guimarães e declara uma
briga de gafieira: quem está fora, não entra; quem
está dentro, não sai. Nem mamãe, suposta rainha do
condado.
É bom que se diga: igual ao avô, o infante não dá
ponto sem nó. Fareja que, com poucas chances na
linha sucessória de Leão e Castela, precisa descobrir
o próprio espaço. Quer o poder, seu lugar é no
condado materno.
Tudo aponta para o fato de que o infante apenas
capitaliza o desagrado da nobreza portucalense.
Desagrado que se acentua quando Teresa enfia os
galegos no caldeirão. O esperto Afonso Henriques
já andava observando que, além do anseio de se
libertar de Castela, as cidades de Portucale
identificam-se cultural e ideologicamente. Para ele,
não parece tarefa difícil transformá-las em uma só
força política. Teresa apenas fornece a justificativa
para o infante virar a mesa.

“Eu tenho apenas duas mãos,
E o sentimento do mundo...”
(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo)

Contando assim, parece fácil. Não é, senão
qualquer pessoa faria. Afonso Henriques tem
enorme sensibilidade. Age na hora certa, com
as pessoas certas, da maneira certa. Não
falseia. Comporta-se como perfeito animal
político do início ao fim de sua história. Faz a
História, coloca o mundo nas mãos. Tolos são
os que o cercam, incapazes de observar a
genialidade do príncipe enquanto ele arma o
bote.
Os habitantes de Guimarães, liderados pela
nobreza e pela burguesia, recebem o infante
libertador de braços abertos. Existe uma carta
documentando este apoio. Teresa ainda tenta
combatê-lo. A batalha acontece em 1128, no
campo de São Mamede, perto do castelo de
Guimarães. Primeira vitória do infante. Ele
mesmo se surpreende com a facilidade com
que derrota o exército galego e expulsa a
rainha e seu conde. Em documento, ditado a
alguém de letras, declara: “Eu, o infante
Afonso, filho do conde Henrique, livre já de
toda a opressão,...., na posse pacífica de
Coimbra e todas as cidades de Portugal...”

“...Se governar fosse fácil,
não seriam necessários espíritos
iluminados...”
(Bertold Brecht, Dificuldade de governar)
Pronto, o Condado Portucalense começa a
escorregar para dentro de seu bolso. Daí para frente,
cabe a ele segurar a peteca e combater quem lhe
atrapalhar os sonhos. Combate e vence. Quando não
vence pela força, moedas de ouro resolvem a
situação – ah, a corrupção, não é de hoje que nos
persegue.
Os inimigos principais são os mouros, aboletados na
maior parte do território português. Mas o primo
Afonso VII e Fernando II, ambos de Castela,
também levam umas cacetadas. Este último,
prenderá Afonso Henriques em Badajoz e se
espantará com a riqueza do rei português. De
resgate, Afonso Henriques pagará quase duas
toneladas e meia de ouro. Na maior facilidade e sob
os delirantes aplausos dos conterrâneos que não
queriam perdê-lo de jeito nenhum.
Para alcançar tal prestígio, Afonso Henriques sua.
Passa a vida combatendo e costurando acordos
políticos. O primeiro, com a Igreja Católica, pedra
O infante custeia a
angular do qualquer poder durante a baixa Idade
construção da catedral Média. Quem não recebe a benção episcopal que
de Braga. Entretanto, o trate de procurar novo emprego. Logo após a vitória
que está a acontecer no de São Mamede, Afonso Henriques estabelece suas
resto do mundo?
relações com a Igreja: cede em tudo. Sabe onde
Consulta a Tábua
pisa, os clérigos têm força demais para serem
Cronológica.
contrariados.
Em troca de apoio amplo, geral e irrestrito, o
arcebispo de Braga recebe a garantia de seus
privilégios: direito de cunhar moedas e autoridade
absoluta sobre a cidade. Não satisfeito, o infante
custeia a construção da catedral de Braga, abarrota
os piedosos cofres, reconhece a autoridade divina
sobre a sua e prestigia os eventos da fé. Espanto: os
arcebispos de Braga cumprem sua parte. Durante os
quase 60 anos de reinado, não abandonam Afonso
Henriques. Uma relação perfeita, se casamentos
transcorressem assim, advogados de família
morreriam de fome.
A raia miúda conventual colabora da melhor
maneira possível. Em textos da época, monges do
Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, não
economizam elogios a Afonso Henriques:
“prudente, sábio, inteligente belo, gigante, leão
rugidor” – quase uma comissão de frente. Depois da
batalha de Ourique, então, os frades passam a
delirar. Na opinião deles, Afonso Henriques é o
“eleito de Deus para provar a autonomia de Portugal
e dos portugueses”.
Antes da Batalha de Ourique, um divisor de águas
na vida de Afonso Henriques e na História lusitana,
o infante contorna outros problemas. O primeiro,
mostra ao clã castelhano que a conversa mudaria.

“Chegado tinha o prazo
prometido,
Em que o rei castelhano já
aguardava
Que o príncipe, a seu mando
sometido,
Lhe desse a obediência que
esperava...”
(Camões, Os Lusíadas, canto terceiro)

Em 1135, sepultadas as controvérsias sobre a
sucessão de Afonso VI, o filho de dona
Urraca sobe ao trono com o título de Afonso
VII. A cerimônia na catedral de Leão é
apoteótica, o novo rei exibe luxo excessivo.
Da família, só Afonso Henriques não
comparece. A intenção parece clara: mostrar,
de uma vez por todas, que o Condado
Portucalense não presta vassalagem ao
soberano de Leão e Castela e que Afonso
Henriques considera-se tão rei quanto o
primo recém-coroado.
Afonso VII retalia a desfeita e os dois trocam
sopapos. Em 1137, porém, assinam a Paz de
Tui, onde Afonso Henriques promete a
prestar a Afonso VII “fidelidade, segurança e
auxílio contra os inimigos”. Não existem
documentos claros sobre este período mas,
provavelmente, nosso infante levou uma
corrida. Não corresponde à personalidade
dele assinar documentos humilhantes. A sorte
é que desrespeita o compromisso – ou não
seria Afonso Henriques. Em 1143, o papa
Inocêncio II precisa enviar um cardeal para
apaziguar os primos. Porém, antes, acontece
Ourique. Milagre, juram alguns. Tramóia de
Afonso Henriques, aponta a lógica. Afinal,
convenhamos, Jesus Cristo não flana por aí,
batendo papo com infantes, na maior
naturalidade.

“...Cinco escudos azuis
esclarecidos,
em sinal destes cinco reis
vencidos...”
(Camões, Os lusíadas, canto terceiro)

D. Afonso Henriques e a
batalha de Ourique.
Entretanto, o que está a
acontecer no resto do mundo?
Consulta a Tábua
Cronológica.

Tudo sobre Ourique são conjeturas. Mas a
história é tão importante que marca o
imaginário português, permanece no brasão
do país - cinco escudos, cinco quinas, cada
qual com cinco bolas representando os cinco
reis mouros degolados na batalha – e,
finalmente, transforma Afonso Henriques em
rei de fato e de direito. Até hoje,
historiadores portugueses discutem o
episódio.
Alexandre Herculano encarrega-se de tornar
a batalha ainda mais célebre ao afirmar que
“Ourique não passa de uma lenda”. Deus nos
acuda, Portugal vem abaixo. Acusam-no de
herege – é bom lembrar que último herege
lusitano tinha ido parar na fogueira apenas
um século antes, tempo historicamente
insignificante - de anti-clerical, de ateu, de
agnóstico, de... Bem, deixa para lá. Se gritam
algo pior, a memória não registra.
Historiadores contemporâneos, entre eles
José Hermano Saraiva, tendem a colocar
Ourique no devido lugar. De concreto, sabese que ocorre uma batalha no dia 25 de julho
de 1139, que o exército mouro é
numericamente superior e que a vitória cabe
a Afonso Henriques. Desconfia-se, também,
que Afonso VII, naquela altura sitiando
Aurélia, cidade moura de enorme
importância estratégica, ajuda a meter o
primo na enrascada. Ao receber a notícia que
o infante pratica uma razzia – tipo de
combate usado pelos portugueses, que
gostam de se infiltrar em território inimigo,
surpreendê-los, destruí-los e fugir correndo –,
Afonso VII mexe seus pauzinhos, desviando
o exército islâmico que marchava em socorro
à Aurélia, para destruir o infante. Pode ser, a
participação de Afonso VII não passa de
mais uma hipótese.
Nem o local da batalha é preciso. A cidade de
Ourique fica tão ao sul de Lisboa, tão no
interior dos territórios mouros, que parece
impossível o infante ter se arriscado tanto.
No entanto, há registros de
outras razzias ousadas. Por outro lado, no
início da Idade Média, chamava-se de
Ourique o Baixo-Alentejo. Lenda e História
não decifram estes mistérios.
A versão popular da batalha de Ourique
conta que Afonso Henriques combate imenso
exército islâmico, mata cinco reis mouros e
coloca o resto da multidão para correr. Tudo
em um dia. Especial favor de Cristo Nosso
Senhor que, na véspera, aparece ao infante
com quem conversa amigavelmente. Apenas
Afonso Henriques vê Cristo - que, aliás,
surge escoltado de anjos – e apenas Afonso
Henriques ouve-o garantir a próxima e
espetacular vitória portuguesa.
O moral da soldadesca alcança as nuvens
quando eles sabem quem lhes fizera uma
visitinha. Além do mais, 25 de julho é
dedicado a Santiago, o mata-mouros, santo
que jamais abandona cristãos em perigo.
Especialista em degolas, Santiago trabalha
com eficiência invejável – aparentemente,
é o primeiro ser do planeta a conhecer o lugar
exato das carótidas, não perde uma. Hoje,
parece, aposentou-se. Como se vê, tudo
colabora para o sucesso do infante.
Batalha vencida, povo em delírio, igreja
desvanecida. O infante passa a se assinar “rei
dos portugueses”. Neste momento, define-se
a identidade lusa. Afinal, Ourique estabelece
o importante diferencial: em que outro lugar
o rei conversa, ao vivo e em cores, com as
hostes celestiais?
Em 1143, quando o Cardeal Guido de Vico,
emissário do papa, reúne o infante e Afonso
VII em Zamora, território de Leão, para
tentar convencê-los que a animosidade entre
ambos favorece aos infiéis, Afonso
Henriques joga outra cartada genial.
Alegando o milagre de Ourique, escreve a
Inocêncio II, reclamando para si e seus
descendentes, o status de “censual”. Ou seja,
dependente apenas de Roma. Dentro de seu
território manda ele e só ele – estamos
conversados.
O Vaticano custa a responder. Na verdade,
exatos 36 anos. E só responde depois que
Afonso Henriques acelera o processo com
uma esmolinha de mil moedas de ouro.
Quando, em 1179, a Igreja de Roma,
finalmente, reconhece a realeza de Afonso
Henriques, o reconhecimento já não tem
importância. A independência se consumara,
Portugal afirmara sua soberania e o infante
encerrava a vida como rei de primeira
grandeza.
Em Zamora, do encontro entre os primos e o
cardeal, Afonso Henriques colhe um lucro
imediato. Afonso VII tira o cavalinho da
chuva e entende que o infante português
jamais lhe prestará vassalagem. Por conta
própria, começa a tratá-lo de igual para igual.
Engana-se quem pensa que a vida de Afonso
Henriques resume-se a trançar fofocas
políticas, fazendo e desfazendo aliados. O
homem parece uma fera. Combate ao lado
dos soldados, comportando-se como igual,
sem frescuras de hierarquia. Sua tropa mais
que o respeita: venera-o . Obedece qualquer
ordem.

“... sangue seco nas roupas,
olhar duro,
na roupa o crime escrito...”
(Carlos Drummond de Andrade, Os assassinos)

Com a desculpa de empurrar infiéis de volta
aos locais de origem, Afonso Henriques
amplia o território português: Lisboa,
Santarém, Almada, Óbidos, Palmela,
Sesimbra. Combate após combate, destruindo
mouros como quem destrói ratos, Afonso
Henriques constrói seu reino. Na reconquista,
a política é de terra arrasada: matar quem se
movia, queimar o resto. Quase um milênio
antes de os americanos levarem uma corrida
dos subnutridos guerrilheiros vietcongs,
Afonso Henriques adota táticas de guerrilha.
Comandando um exército pequeno, ele
entende que sua vantagem mora no elemento
surpresa. Os generais da época pedem os sais
com tamanha ousadia - como se, para morrer,
fosse realmente necessário seguir um
figurino.
Nosso rei apronta novidades. Quando prevê
combates longos, contrata mercenários.
Geralmente cruzados, a caminho da Terra
Santa, que aproveitam a escala em Portugal
para degolar islâmicos e recolher o produto
do saque – promessa do rei. O cerco de
Lisboa, em 1147, segue este modelito. Entre
portugueses e cruzados ávidos por lucro fácil,
Afonso Henriques reúne centenas de
milhares de homens e cerca de 150 navios.
A reconquista de Lisboa é um triste e belo
episódio da História portuguesa. Afonso
Henriques exagera na violência. Redime-se,
mais tarde, com a Carta de segurança de
1170 que proibirá cristãos e judeus de
maltratar os mouros da região de Lisboa.
Definitivamente, El Rei aprecia grandes e
inesperados gestos.
Sorrateiro, costuma agir por baixo dos panos,
pré-estréia do jeito luso-brasileiro de ser. O
bandoleiro Geraldo Sem Pavor, que
saracoteia desenvolto em terras de Castela,
provavelmente trabalha para Afonso
Henriques. Se o infante não pode invadir
propriedade alheia, um preposto oficioso
pode. Não há como provar. Mas os cavaleiros
de Geraldo Sem Pavor pertencem ao
Conselho de Coimbra, é difícil imaginar tais
cidadãos combatendo sem aprovação real.
O infante que pretende ser rei, vira um mito.
É impossível separar verdade e lenda na
biografia de Afonso Henriques. Ele antecede
seu tempo, revela-se um gênio de
extraordinária visão política e indiscutível
coragem moral. Dele, restam poucos
registros escritos pelos monges de Santa Cruz
- até porque, além dos monges, ninguém
mais sabe escrever, nem Afonso Henriques.
“...Sapatos bordados a ouro,
Esmeraldas e rubis,
Ametistas para os dedos, vestidos de
diamantes,
Escravas para servi-la...”
(Jorge Amado, Alegre Menina)

Os relatos da época – descontados os elogios
de praxe - delineiam um perfil justo,
generoso e irreverente. Retratam o caráter
corajoso, sujeito a crises de cólera, capaz de
atos de violência e de reconhecer seus
erros. Elogiam a frugalidade à mesa e
ressaltam a tendência conquistadora. Não
apenas de poder e terras. De mulheres,
também. Ou principalmente.
Casado com a discreta Mafalda de Sabóia com quem tem sete filhos, entre eles, o
herdeiro Sancho –, Afonso Henriques
abençoa quatro bastardos. Um documento de
1184, descortina o inesperado pai carinhoso.
Quando uma de suas filhas legítimas casa
com o conde de Flandres, Afonso Henriques
não titubeia. Para alegrar a noiva, enche
vários navios com o que existe de mais fino.
As naus saem do porto de Lisboa abarrotadas
de vestidos bordado a ouro, jóias preciosas,
sedas, mais ouro, mais jóias, tudo que
pudesse alegrar a menina alegre, filha de pai
poderoso.

“Que destino é o meu senão o
de assistir o meu destino...”
(Vinicius de Moraes, A vida vivida)
O testamento de Afonso Henriques, primeiro
rei do primeiro país europeu a adquirir
consciência de nacionalidade, revela que, até
na morte, ele se comporta como estadista.
Sua imensa fortuna, amealhada em mais de
meio século de guerras e saques, confunde-se
com o próprio tesouro português. O rei a
destina ao fortalecimento da nação. Por
ordem dele, centenas de milhares de
maravedis são entregues à defesa - El
Rei pressente que os mouros preparam um
contra-ataque. Outra centena de milhares
constróem hospitais e sustentam ordens
religiosas e militares. Os mais pobres
recebem seu quinhão. Erguem-se igrejas e
catedrais. Conventos acolhem doações e
sustentam-se anos.
Ao herdeiro, Sancho I, Afonso Henriques
deixa a única recomendação geopolítica: a
construção de uma ponte entre o norte e o sul
do país para não se perder a unificação que
ele custara fazer e manter. Pena que não
existam registros se Sancho obedeceu, ou
não, às ordens paternas.
Afonso Henriques, o pai da pátria
portuguesa, morre no dia 6 de dezembro de
1185, em Coimbra, mesma cidade onde
nasceu. Seu corpo é enterrado no Mosteiro de
Santa Cruz.

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D.afonso h

  • 1.
    A Vida D.Afonso Henriques O primeiro rei de Portugal foi D. Afonso I, ele começou o início do governo em 27 de Julho de 1139, acabou o governo em 6 de Dezembro de 1185. (Filho de D. Henrique). D. Afonso I, mais conhecido por príncipe, D. Afonso Henriques, (25 de Julho de 1109-6 de Dezembro de 1185). Ele nasceu em Guimarães dia 25 de Julho de 1109. Passou a vida a governar o país Condado Portucalense agora chamado Portugal. D. Afonso Henriques faleceu em 6 de Julho de 1139 morreu em Coimbra exactamente no dia em que parou de governar o país Condado Portucalense (é por isso que digo que passou a vida a governar o país Condado Portucalense (Portugal). O pai de D. Afonso Henriques era D. Henrique e a mãe era a D. Teresa (D. Henrique, Conde de Portugal) (D. Teresa, Infanta de Leão). A mulher de D. Afonso Henriques era D. Mafalda de Sabóia e filho era D. Sancho (segundo rei de Portugal). E este é o final da minha história da vida de D. Afonso Henriques. Trabalho realizado por: Beatriz Moura Machiavelo
  • 2.
    D. Afonso Henriquesfoi o primeiro rei de Portugal nasceu em 1109 em Coimbra. É filho do conde Henrique de Borgonha e filho de D. Teresa filha bastarda de D. Afonso VI rei de Leão e Castela que deu o Condado de Portugal. D. Afonso Henriques perdeu o pai com 17 anos e assume a governação, do Condado de Portugal. D. Afonso Henriques queria que o desejo do pai fosse feito: Independência de Portugal. D. Afonso Henriques morreu em 6 de Dezembro em 1185. Trabalho realizado por Cristiana Nogueira Ferreira.
  • 3.
    Afonso Henriques nasceuem 1109. E filho do conde e de D. Teresa. D. Afonso VI de Leão e Castela que deu o condado de Portugal ao seu genro. Trabalho realizado por: Inês
  • 4.
    O D. AfonsoHenriques lutou contra a tropa da mãe. Venceu a mãe durante a guerra. Venceu muitas guerras contra mouros e árabes. D. Afonso Henriques nasceu em 1108 e morreu em 6 de Dezembro de 1185. TRABALHO REALIZADO POR: JEAN 4ªD O primeiro rei de Portugal
  • 5.
    D. Afonso Henriquesfoi filho de D. Teresa e de D.Afonso seisto que era rei de Leão e Castela. D.Afonso Henriques provavelmente nasceu em 1109. Seu filho chamou-se D.Sancho a sua mãe era D.Mafalda e ele nasceu em 11 de Novembro de 1154 nasceu em Coimbra, começou o seu reinado em 6 de Dezembro de 1185 e terminou em 26 de Março de 1212,foi também o segundo rei de Portugal e todos chamavam-lhe o povoador.A sua esposa chamava-se D.Dulce que era de Aragão.A filha de D.Sancho era D.Sancha. Trabalho feito por : Leonardo M M Silva 4º ano D
  • 6.
    Era uma vezD. Afonso Henriques que foi o 1º rei de Portugal que nasceu no ano 1109 em Coimbra. É filho de D. Henrique e D. Teresa. Perdeu o pai muito cedo, aos 17 anos, assume a Governação do Condado Portucalense para tentar satisfazer o pai: a independência! Casou com Mafalda de Sabóia e tiveram um filho chamado D. Sancho. D. Afonso Henriques era o Conquistador. Lutou contra os Mouros e foi aí que ganhou novas terras. Morreu 6 de Dezembro de 1185 em Coimbra. Trabalho realizado por: Gonçalo
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    O D. AfonsoHenriques foi o primeiro rei de Portugal. D. Henrique teve um filho que se chama D. Afonso Henrique. D. Afonso Henriques casou com a Mafalda de Sabóia. D. Afonso foi o primeiro rei de portucalense. Trabalho realizado: Nuno Cruz Ninguém merece mais este título que o infante Afonso Henriques, filho de dona Teresa, bastarda do rei Afonso VI de Leão e Castela, e do conde Henrique de Borgonha. Pouca gente sabe. Mas, graças à esperteza política de Afonso Henriques, Portugal é a primeira nação européia a se estabelecer como Estado independente. Antes do ano 1200, Portugal já é Portugal. Com direito, inclusive, a língua
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    própria: o galaicoportuguês. Gênio,estadista, raposa política, vitorioso, implacável, espertíssimo: Afonso constrói uma história rocambolesca. Tudo que pode manipular a seu favor, manipula sem escrúpulos. Inicia a trajetória de vitórias fundando um reino. Para tanto, manda mamãe para o espaço sem sequer dizer adeus. Naquele tempo, porém, ninguém cogita a possibilidade de Portugal ser conseqüência de um Complexo de Édipo mal resolvido. Até porque, Freud ainda não pensa em nascer. O avô de Afonso Henriques destaca-se como um dos homens mais poderosos de sua época. Amigo pessoal de Santo Hugo - que não sabe que será santo, mas já constrói a Abadia de Cluny, o maior templo que a cristandade jamais erguera - , Afonso VI tira do bolso, ou dos cofres públicos, grande parte dos recursos que financiam o sonho de Hugo. Bem relacionado com os outros reis cristãos, influente, excelente jogo de cintura, Afonso VI, entre uma e outra doação a Cluny, consegue casar
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    sua bastarda comum dos condes de Borgonha família finíssima, não é assim, toda hora, que um Borgonha se mistura à gente mal nascida. Mas Afonso VI embrulha a oferta para presente: Henrique leva Teresa e, de quebra, o Condado Portucalense, terras a oeste de Castela que, há tempos ensaia a gracinha de viver por conta própria. Afonso VI, sabendo das estrepolias portucalenses, resolve matar dois coelhos com uma cajadada só. Em 1092, reúne as duas unidades condais da região – ao norte e ao sul do rio Douro – e determina que o novo e único condado pertencerá à Teresa – e ao marido dela, claro. Urraca, a filha legítima, sentará no trono de Leão e Castela, como ensinam as regras da moral e dos bons costumes. Mais do que bom e preocupado papai, Afonso VI tenta ampliar seu poder e garantir domínio sobre maior extensão de terras. Tiro pela culatra. Tão logo o rei de Leão e Castela mete o bedelho no Condado Portucalense, a
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    nobreza local iniciaforte movimento separatista. Coitado de Henrique de Borgonha, estrepa-se nesta história. Além de gerar a genialidade de Afonso Henriques, pouco lucra com o casamento. Fica zanzando em Portucale, tentando ajudar ao filho. Mas o rebento é rebelde e dispensa-lhe os palpites. Dom Henrique, francês chiquérrimo, se aborrece. Assusta-o a idéia de passar para a posteridade qual simples reprodutor. Mas a culpa é do sogro. Afonso VI, ao engendrar a novela, comete um de seus poucos erros políticos: não leva em conta nem o bairrismo do Condado Portucalense, nem a possibilidade de alguém armar uma falseta. “...um poder mais alto se alevanta...” (Camões, Os Lusíadas) Afonso Henriques, ele mesmo, sagra-se cavaleiro. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica. Arma – quem é avô de estadista, deve tomar precauções. Afonso Henriques tem 20 anos quando Afonso VI morre. Se famílias se estraçalham pela baixela de prata da vovó, imaginem quando o motivo é o poder de uma coroa. Desentendem-se todos. Urraca discute com o Bispo de Compostela, atrita-se com rei de Aragão, cospe desaforos para o conde da Galícia, faz e acontece. Acometida de
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    olho-grande, síndroma quecostuma atacar herdeiros menos favorecidos, Teresa desanda a arquitetar alianças desastrosas – quem sai aos seus, não degenera. De repente, Teresa dá o passo fatal. Arquitetando anexar Portucale à Galícia, alia-se aos galegos, tradicionais rivais dos barões de Portucale. É desconhecer o filho, menino que emite sinais de seu gênio – no bom e no mau sentido - aos 13 anos. Nesta idade, na cerimônia em que o sagram cavaleiro, na catedral de Zamora, Afonso Henriques manda às favas o bispo e ele mesmo sagra-se. Recusa a mediação divina. Igualzinho Napoleão, alguns séculos mais tarde – pena o infante não falar francês, língua dos sofisticados, nenhum compêndio de história esqueceria tal feito. Dizem, não há provas documentais, que o avô fica orgulhosíssimo com a petulância do fedelho - é pena que tanto talento evapore em Portugal, comenta Afonso VI. Fofoca, naturalmente. Portugal e Espanha cultivam uma antipatia milenar, todo mundo sabe e não perde ocasião de jogar lenha na fogueira. Enfim, com tal filho nas mãos, dona Teresa, além de se aliar aos galegos, aparece com outro conde debaixo de braço, contando uma história trôpega de “apoio político”. Arma-se o circo. Com 21 anos, Afonso Henriques cerca Guimarães e declara uma briga de gafieira: quem está fora, não entra; quem está dentro, não sai. Nem mamãe, suposta rainha do condado. É bom que se diga: igual ao avô, o infante não dá ponto sem nó. Fareja que, com poucas chances na linha sucessória de Leão e Castela, precisa descobrir o próprio espaço. Quer o poder, seu lugar é no condado materno. Tudo aponta para o fato de que o infante apenas capitaliza o desagrado da nobreza portucalense.
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    Desagrado que seacentua quando Teresa enfia os galegos no caldeirão. O esperto Afonso Henriques já andava observando que, além do anseio de se libertar de Castela, as cidades de Portucale identificam-se cultural e ideologicamente. Para ele, não parece tarefa difícil transformá-las em uma só força política. Teresa apenas fornece a justificativa para o infante virar a mesa. “Eu tenho apenas duas mãos, E o sentimento do mundo...” (Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo) Contando assim, parece fácil. Não é, senão qualquer pessoa faria. Afonso Henriques tem enorme sensibilidade. Age na hora certa, com as pessoas certas, da maneira certa. Não falseia. Comporta-se como perfeito animal político do início ao fim de sua história. Faz a História, coloca o mundo nas mãos. Tolos são os que o cercam, incapazes de observar a genialidade do príncipe enquanto ele arma o bote. Os habitantes de Guimarães, liderados pela nobreza e pela burguesia, recebem o infante libertador de braços abertos. Existe uma carta documentando este apoio. Teresa ainda tenta combatê-lo. A batalha acontece em 1128, no campo de São Mamede, perto do castelo de Guimarães. Primeira vitória do infante. Ele mesmo se surpreende com a facilidade com que derrota o exército galego e expulsa a rainha e seu conde. Em documento, ditado a alguém de letras, declara: “Eu, o infante Afonso, filho do conde Henrique, livre já de toda a opressão,...., na posse pacífica de Coimbra e todas as cidades de Portugal...” “...Se governar fosse fácil, não seriam necessários espíritos iluminados...” (Bertold Brecht, Dificuldade de governar)
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    Pronto, o CondadoPortucalense começa a escorregar para dentro de seu bolso. Daí para frente, cabe a ele segurar a peteca e combater quem lhe atrapalhar os sonhos. Combate e vence. Quando não vence pela força, moedas de ouro resolvem a situação – ah, a corrupção, não é de hoje que nos persegue. Os inimigos principais são os mouros, aboletados na maior parte do território português. Mas o primo Afonso VII e Fernando II, ambos de Castela, também levam umas cacetadas. Este último, prenderá Afonso Henriques em Badajoz e se espantará com a riqueza do rei português. De resgate, Afonso Henriques pagará quase duas toneladas e meia de ouro. Na maior facilidade e sob os delirantes aplausos dos conterrâneos que não queriam perdê-lo de jeito nenhum. Para alcançar tal prestígio, Afonso Henriques sua. Passa a vida combatendo e costurando acordos políticos. O primeiro, com a Igreja Católica, pedra O infante custeia a angular do qualquer poder durante a baixa Idade construção da catedral Média. Quem não recebe a benção episcopal que de Braga. Entretanto, o trate de procurar novo emprego. Logo após a vitória que está a acontecer no de São Mamede, Afonso Henriques estabelece suas resto do mundo? relações com a Igreja: cede em tudo. Sabe onde Consulta a Tábua pisa, os clérigos têm força demais para serem Cronológica. contrariados. Em troca de apoio amplo, geral e irrestrito, o arcebispo de Braga recebe a garantia de seus privilégios: direito de cunhar moedas e autoridade absoluta sobre a cidade. Não satisfeito, o infante custeia a construção da catedral de Braga, abarrota os piedosos cofres, reconhece a autoridade divina sobre a sua e prestigia os eventos da fé. Espanto: os arcebispos de Braga cumprem sua parte. Durante os quase 60 anos de reinado, não abandonam Afonso Henriques. Uma relação perfeita, se casamentos transcorressem assim, advogados de família morreriam de fome.
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    A raia miúdaconventual colabora da melhor maneira possível. Em textos da época, monges do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, não economizam elogios a Afonso Henriques: “prudente, sábio, inteligente belo, gigante, leão rugidor” – quase uma comissão de frente. Depois da batalha de Ourique, então, os frades passam a delirar. Na opinião deles, Afonso Henriques é o “eleito de Deus para provar a autonomia de Portugal e dos portugueses”. Antes da Batalha de Ourique, um divisor de águas na vida de Afonso Henriques e na História lusitana, o infante contorna outros problemas. O primeiro, mostra ao clã castelhano que a conversa mudaria. “Chegado tinha o prazo prometido, Em que o rei castelhano já aguardava Que o príncipe, a seu mando sometido, Lhe desse a obediência que esperava...” (Camões, Os Lusíadas, canto terceiro) Em 1135, sepultadas as controvérsias sobre a sucessão de Afonso VI, o filho de dona Urraca sobe ao trono com o título de Afonso VII. A cerimônia na catedral de Leão é apoteótica, o novo rei exibe luxo excessivo. Da família, só Afonso Henriques não comparece. A intenção parece clara: mostrar, de uma vez por todas, que o Condado Portucalense não presta vassalagem ao soberano de Leão e Castela e que Afonso Henriques considera-se tão rei quanto o primo recém-coroado. Afonso VII retalia a desfeita e os dois trocam sopapos. Em 1137, porém, assinam a Paz de
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    Tui, onde AfonsoHenriques promete a prestar a Afonso VII “fidelidade, segurança e auxílio contra os inimigos”. Não existem documentos claros sobre este período mas, provavelmente, nosso infante levou uma corrida. Não corresponde à personalidade dele assinar documentos humilhantes. A sorte é que desrespeita o compromisso – ou não seria Afonso Henriques. Em 1143, o papa Inocêncio II precisa enviar um cardeal para apaziguar os primos. Porém, antes, acontece Ourique. Milagre, juram alguns. Tramóia de Afonso Henriques, aponta a lógica. Afinal, convenhamos, Jesus Cristo não flana por aí, batendo papo com infantes, na maior naturalidade. “...Cinco escudos azuis esclarecidos, em sinal destes cinco reis vencidos...” (Camões, Os lusíadas, canto terceiro) D. Afonso Henriques e a batalha de Ourique. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica. Tudo sobre Ourique são conjeturas. Mas a história é tão importante que marca o imaginário português, permanece no brasão do país - cinco escudos, cinco quinas, cada qual com cinco bolas representando os cinco reis mouros degolados na batalha – e, finalmente, transforma Afonso Henriques em rei de fato e de direito. Até hoje, historiadores portugueses discutem o episódio. Alexandre Herculano encarrega-se de tornar a batalha ainda mais célebre ao afirmar que “Ourique não passa de uma lenda”. Deus nos acuda, Portugal vem abaixo. Acusam-no de herege – é bom lembrar que último herege lusitano tinha ido parar na fogueira apenas um século antes, tempo historicamente insignificante - de anti-clerical, de ateu, de agnóstico, de... Bem, deixa para lá. Se gritam
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    algo pior, amemória não registra. Historiadores contemporâneos, entre eles José Hermano Saraiva, tendem a colocar Ourique no devido lugar. De concreto, sabese que ocorre uma batalha no dia 25 de julho de 1139, que o exército mouro é numericamente superior e que a vitória cabe a Afonso Henriques. Desconfia-se, também, que Afonso VII, naquela altura sitiando Aurélia, cidade moura de enorme importância estratégica, ajuda a meter o primo na enrascada. Ao receber a notícia que o infante pratica uma razzia – tipo de combate usado pelos portugueses, que gostam de se infiltrar em território inimigo, surpreendê-los, destruí-los e fugir correndo –, Afonso VII mexe seus pauzinhos, desviando o exército islâmico que marchava em socorro à Aurélia, para destruir o infante. Pode ser, a participação de Afonso VII não passa de mais uma hipótese. Nem o local da batalha é preciso. A cidade de Ourique fica tão ao sul de Lisboa, tão no interior dos territórios mouros, que parece impossível o infante ter se arriscado tanto. No entanto, há registros de outras razzias ousadas. Por outro lado, no início da Idade Média, chamava-se de Ourique o Baixo-Alentejo. Lenda e História não decifram estes mistérios. A versão popular da batalha de Ourique conta que Afonso Henriques combate imenso exército islâmico, mata cinco reis mouros e coloca o resto da multidão para correr. Tudo em um dia. Especial favor de Cristo Nosso Senhor que, na véspera, aparece ao infante com quem conversa amigavelmente. Apenas Afonso Henriques vê Cristo - que, aliás, surge escoltado de anjos – e apenas Afonso Henriques ouve-o garantir a próxima e
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    espetacular vitória portuguesa. Omoral da soldadesca alcança as nuvens quando eles sabem quem lhes fizera uma visitinha. Além do mais, 25 de julho é dedicado a Santiago, o mata-mouros, santo que jamais abandona cristãos em perigo. Especialista em degolas, Santiago trabalha com eficiência invejável – aparentemente, é o primeiro ser do planeta a conhecer o lugar exato das carótidas, não perde uma. Hoje, parece, aposentou-se. Como se vê, tudo colabora para o sucesso do infante. Batalha vencida, povo em delírio, igreja desvanecida. O infante passa a se assinar “rei dos portugueses”. Neste momento, define-se a identidade lusa. Afinal, Ourique estabelece o importante diferencial: em que outro lugar o rei conversa, ao vivo e em cores, com as hostes celestiais? Em 1143, quando o Cardeal Guido de Vico, emissário do papa, reúne o infante e Afonso VII em Zamora, território de Leão, para tentar convencê-los que a animosidade entre ambos favorece aos infiéis, Afonso Henriques joga outra cartada genial. Alegando o milagre de Ourique, escreve a Inocêncio II, reclamando para si e seus descendentes, o status de “censual”. Ou seja, dependente apenas de Roma. Dentro de seu território manda ele e só ele – estamos conversados. O Vaticano custa a responder. Na verdade, exatos 36 anos. E só responde depois que Afonso Henriques acelera o processo com uma esmolinha de mil moedas de ouro. Quando, em 1179, a Igreja de Roma, finalmente, reconhece a realeza de Afonso Henriques, o reconhecimento já não tem importância. A independência se consumara, Portugal afirmara sua soberania e o infante
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    encerrava a vidacomo rei de primeira grandeza. Em Zamora, do encontro entre os primos e o cardeal, Afonso Henriques colhe um lucro imediato. Afonso VII tira o cavalinho da chuva e entende que o infante português jamais lhe prestará vassalagem. Por conta própria, começa a tratá-lo de igual para igual. Engana-se quem pensa que a vida de Afonso Henriques resume-se a trançar fofocas políticas, fazendo e desfazendo aliados. O homem parece uma fera. Combate ao lado dos soldados, comportando-se como igual, sem frescuras de hierarquia. Sua tropa mais que o respeita: venera-o . Obedece qualquer ordem. “... sangue seco nas roupas, olhar duro, na roupa o crime escrito...” (Carlos Drummond de Andrade, Os assassinos) Com a desculpa de empurrar infiéis de volta aos locais de origem, Afonso Henriques amplia o território português: Lisboa, Santarém, Almada, Óbidos, Palmela, Sesimbra. Combate após combate, destruindo mouros como quem destrói ratos, Afonso Henriques constrói seu reino. Na reconquista, a política é de terra arrasada: matar quem se movia, queimar o resto. Quase um milênio antes de os americanos levarem uma corrida dos subnutridos guerrilheiros vietcongs, Afonso Henriques adota táticas de guerrilha. Comandando um exército pequeno, ele entende que sua vantagem mora no elemento surpresa. Os generais da época pedem os sais com tamanha ousadia - como se, para morrer, fosse realmente necessário seguir um
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    figurino. Nosso rei aprontanovidades. Quando prevê combates longos, contrata mercenários. Geralmente cruzados, a caminho da Terra Santa, que aproveitam a escala em Portugal para degolar islâmicos e recolher o produto do saque – promessa do rei. O cerco de Lisboa, em 1147, segue este modelito. Entre portugueses e cruzados ávidos por lucro fácil, Afonso Henriques reúne centenas de milhares de homens e cerca de 150 navios. A reconquista de Lisboa é um triste e belo episódio da História portuguesa. Afonso Henriques exagera na violência. Redime-se, mais tarde, com a Carta de segurança de 1170 que proibirá cristãos e judeus de maltratar os mouros da região de Lisboa. Definitivamente, El Rei aprecia grandes e inesperados gestos. Sorrateiro, costuma agir por baixo dos panos, pré-estréia do jeito luso-brasileiro de ser. O bandoleiro Geraldo Sem Pavor, que saracoteia desenvolto em terras de Castela, provavelmente trabalha para Afonso Henriques. Se o infante não pode invadir propriedade alheia, um preposto oficioso pode. Não há como provar. Mas os cavaleiros de Geraldo Sem Pavor pertencem ao Conselho de Coimbra, é difícil imaginar tais cidadãos combatendo sem aprovação real. O infante que pretende ser rei, vira um mito. É impossível separar verdade e lenda na biografia de Afonso Henriques. Ele antecede seu tempo, revela-se um gênio de extraordinária visão política e indiscutível coragem moral. Dele, restam poucos registros escritos pelos monges de Santa Cruz - até porque, além dos monges, ninguém mais sabe escrever, nem Afonso Henriques.
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    “...Sapatos bordados aouro, Esmeraldas e rubis, Ametistas para os dedos, vestidos de diamantes, Escravas para servi-la...” (Jorge Amado, Alegre Menina) Os relatos da época – descontados os elogios de praxe - delineiam um perfil justo, generoso e irreverente. Retratam o caráter corajoso, sujeito a crises de cólera, capaz de atos de violência e de reconhecer seus erros. Elogiam a frugalidade à mesa e ressaltam a tendência conquistadora. Não apenas de poder e terras. De mulheres, também. Ou principalmente. Casado com a discreta Mafalda de Sabóia com quem tem sete filhos, entre eles, o herdeiro Sancho –, Afonso Henriques abençoa quatro bastardos. Um documento de 1184, descortina o inesperado pai carinhoso. Quando uma de suas filhas legítimas casa com o conde de Flandres, Afonso Henriques não titubeia. Para alegrar a noiva, enche vários navios com o que existe de mais fino. As naus saem do porto de Lisboa abarrotadas de vestidos bordado a ouro, jóias preciosas, sedas, mais ouro, mais jóias, tudo que pudesse alegrar a menina alegre, filha de pai poderoso. “Que destino é o meu senão o de assistir o meu destino...” (Vinicius de Moraes, A vida vivida)
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    O testamento deAfonso Henriques, primeiro rei do primeiro país europeu a adquirir consciência de nacionalidade, revela que, até na morte, ele se comporta como estadista. Sua imensa fortuna, amealhada em mais de meio século de guerras e saques, confunde-se com o próprio tesouro português. O rei a destina ao fortalecimento da nação. Por ordem dele, centenas de milhares de maravedis são entregues à defesa - El Rei pressente que os mouros preparam um contra-ataque. Outra centena de milhares constróem hospitais e sustentam ordens religiosas e militares. Os mais pobres recebem seu quinhão. Erguem-se igrejas e catedrais. Conventos acolhem doações e sustentam-se anos. Ao herdeiro, Sancho I, Afonso Henriques deixa a única recomendação geopolítica: a construção de uma ponte entre o norte e o sul do país para não se perder a unificação que ele custara fazer e manter. Pena que não existam registros se Sancho obedeceu, ou não, às ordens paternas. Afonso Henriques, o pai da pátria portuguesa, morre no dia 6 de dezembro de 1185, em Coimbra, mesma cidade onde nasceu. Seu corpo é enterrado no Mosteiro de Santa Cruz. [Página Principal] [Página As Vidas]