UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
          UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA




                CRISTIANI PASSOLONGO




AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS:
           ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS




                       Maringá
                        2004
CRISTIANI PASSOLONGO




AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS:
           ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS



                     Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
                     Graduação em Administração da Universidade
                     Estadual de Maringá e Universidade Estadual
                     de Londrina, na área de Gestão de Negócios,
                     como requisito final para obtenção do título de
                     Mestre em Administração.


                     Orientador: Prof. Antônio Artur de Souza, Ph.D.




                      Maringá
                       2004
CRISTIANI PASSOLONGO




  AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS:
             ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS

                                      Dissertação aprovada como requisito para
                                      obtenção do grau de Mestre no Programa
                                      de Pós-Graduação em Administração,
                                      Universidade Estadual de Maringá e
                                      Universidade Estadual de Londrina, pela
                                      seguinte banca examinadora




Aprovada em 01 de novembro de 2004.




                                            Prof. Antônio Artur de Souza, Ph.D.
                                 Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)




                                      Profª. Dra. Márcia Regina Gabardo Câmara
                                        Universidade Estadual de Londrina (UEL)




                                        Prof. Márcio Augusto Gonçalves, Ph.D.
                                Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
À minha mãe (in memoriam) e ao meu pai, que, apesar de não perceberem a
importância de tal esforço, sempre me apoiaram e me incentivaram para que eu
chegasse ao final de mais uma etapa da minha vida.
AGRADECIMENTOS



Em primeiro lugar, a Deus, que me proporcionou a vida e a oportunidade de alcançar
mais este objetivo, conduzindo-me e amparando-me nos momentos mais difíceis.

À minha mãe, que hoje já não está mais entre nós, por seu amor, dedicação e
atenção durante toda a sua vida; e ao meu pai, que sempre me apoiou e me
incentivou, apesar de não perceber o porquê de tanto esforço. Muito obrigada.

À minha família, principalmente às minhas irmãs, Claudete e Cleunice, que tanto que
me ajudaram e incentivaram a alcançar este objetivo.

Ao Márcio, que me ajudou a enfrentar a perda da minha mãe e todos os momentos
delicados pelos quais passei durante o mestrado. Muito obrigada pelo apoio e
atenção.

Aos meus amigos, pela tolerância e apoio; por ouvirem meus desabafos quando
tudo estava difícil.

Ao professor Antônio Artur de Souza, exemplo de educador, de profissional e de
amigo, pelos momentos de atenção dedicados à condução desta pesquisa e ao meu
aprendizado como estudante, profissional e também como pessoa.

Aos professores da Universidade Estadual de Maringá e da Universidade Estadual
de Londrina, pelos ensinamentos, incentivos, críticas e contribuições para que a
conclusão do mestrado fosse possível.

Às empresas M. A. Falleiros, Noma e Indel, que permitiram que a realização desta
pesquisa fosse possível.

E a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para que este objetivo fosse
alcançado.
“O futuro não nos traz nada, não nos dá nada; nós é que, para construí-lo, devemos
dar-lhe tudo, dar-lhe a nossa própria vida, outra seiva a não ser os tesouros
herdados do passado e digeridos, assimilados, recriados por nós”.

                                                                     Simone Weil
RESUMO



Os Sistemas de Informações Financeiras (SIFs) podem auxiliar os administradores a
tomarem decisões mais acertadas. No entanto, nem sempre um Sistema de
Informações Financeiras (SIF) fornece as informações necessárias para a tomada
de decisão, e isto pode estar relacionado com alguma deficiência/limitação do
sistema. As deficiências/limitações do sistema precisam ser descobertas, o que é
possível mediante a avaliação do sistema. Esta pesquisa pautou-se na seguinte
pergunta de pesquisa: Os SIFs fornecem informações financeiras adequadas e
suficientes para administradores tomarem decisões? O objetivo geral desta pesquisa
consistiu em avaliar se as informações financeiras geradas pelos SIFs atendem às
necessidades de informações dos administradores. Para atingir tal objetivo, foram
realizados três estudos de casos, nos quais se utilizaram diversas metodologias de
levantamento de dados, como entrevistas, pesquisa documental, observação e
questionários. Os dados foram analisados por meio da análise de conteúdo,
triangulação e modelagem, além da análise quantitativa dos dados. Chegou-se a
conclusão de que os SIFs analisados não atendem às necessidades de informações
dos administradores para a tomada de decisão. Os usuários utilizam sistemas
alternativos/complementares, como o Excel, para gerarem relatórios mais
específicos e gráficos. Outra deficiência relaciona-se com a pouca flexibilidade dos
SIFs, fator que dificulta a adoção de mudanças em conformidade com as
necessidades dos administradores.




Palavras-chave: Sistemas de Informações; Sistemas de Informações Financeiras;
avaliação; necessidade de informações.
ABSTRACT




The Financial Information Systems (FIS) may help the managers making better
decisions. However, a FIS may not supplies useful informations to decision-making
and this may be related with some deficiency/limitation of the system. The
deficiencies/limitations of the system need to be discovered and this is possible by
evaluating the system. Thus, this research was lined on the following research
question: Do the FIS supply suitable and sufficient financial information to the
managers making decisions? The main objective of this research was to evaluate if
the financial information produced by the FIS meet the information needs of the
managers. This objective was reached through three cases studies, using different
methodologies for data gathering, like interviews, documents’ research, observation
and questionnaire. The data were analyzed by using content analysis, triangulation
and data modeling, besides that quantitative analyze of the data was used
complementarily. The conclusion was that the FIS analyzed do not meet the
information needs of the managers for the decision making. The users use
alternative/complementary systems, like Excel, to get more specific reports and
graphs. Another deficiency is the low flexibility of the FIS, that make difficult changing
the systems in a way that meets the information needs of the managers.




Key-words: Information Systems; Financial Information Systems; evaluation;
information needs.
LISTA DE FIGURAS




Figura 1 – Componentes dos Sistemas de Informações __________________           28

Figura 2 – Categorias de SIFs ______________________________________            42

Figura 3 – Visão geral de um SIF ____________________________________           44

Figura 4 – Quatro possíveis orientações para avaliação de SI _____________      65

Figura 5 – Módulos do SI implantados na M. A. Falleiros _________________       90

Figura 6 – Opções do módulo financeiro do SI implantado na M. A. Falleiros __   91

Figura 7 – Opções de relatórios do módulo financeiro – contas a receber ____    92

Figura 8 – Tela inicial do sistema SAP ________________________________         94

Figura 9 – Módulo contábil/financeiro do sistema SAP ___________________        95

Figura 10 – Módulo de Controladoria do sistema SAP ____________________         96

Figura 11 – Alguns relatórios que podem ser emitidos pelo sistema SAP _____     97

Figura 12 – Exemplo de relatório emitido pelo SAP (1) ___________________       98

Figura 13 – Exemplo de relatório emitido pelo SAP (2) ___________________       99

Figura 14 – Exemplo de relatório emitido pelo SAP (3) ___________________       100

Figura 15 – Módulo financeiro – Sistema de Informações Protheus _________       103

Figura 16 – Atualizações do item contas a receber – módulo financeiro ______    104

Figura 17 – Atualizações do item contas a pagar – módulo financeiro _______     105

Figura 18 – Consultas – módulo financeiro ____________________________          106

Figura 19 – Opções de relatórios – módulo financeiro ____________________ 107

Figura 20 – Exemplo de relatório – módulo financeiro ___________________        108
LISTA DE QUADROS




Quadro 1 - Perguntas de pesquisa __________________________________           20

Quadro 2 – Organização da dissertação ______________________________          21

Quadro 3 – Tipos de decisões ______________________________________           48

Quadro 4 – Atributos da informação de qualidade _______________________       55

Quadro 5 – Custos/benefícios da implantação de um SI __________________       60

Quadro 6 – Métodos para avaliação da satisfação do usuário da informação __   62

Quadro 7 – Método de Torkzadeh e Doll para avaliar o impacto da TI no
trabalho do usuário final____________________________________________         63

Quadro 8 – Relação dos entrevistados________________________________          73

Quadro 9 – Protocolo para a realização dos estudos de casos_____________      83

Quadro 10 – Perguntas que orientaram as entrevistas e objetivos
específicos______________________________________________________             84

Quadro 11 – Questionário__________________________________________            86

Quadro 12 – Problemas/deficiências encontradas _______________________ 138
LISTA DE GRÁFICOS E TABELAS




Gráfico 1 – Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações
fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ______________________________ 111

Gráfico 2 – Avaliação do item concisão/prolixidade das informações fornecidas
pelo sistema (M. A. Falleiros) _______________________________________ 112

Gráfico 3 – Avaliação do item interface entre o usuário e o sistema (M. A.
Falleiros) _______________________________________________________ 113

Gráfico 4 – Avaliação do item utilidade das informações fornecidas pelo
sistema (M. A. Falleiros) ___________________________________________ 114

Gráfico 5 – Avaliação do item relevância/importância das informações
fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ______________________________ 114

Gráfico 6 – Avaliação do item necessidade de redigitação das informações
fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ______________________________ 115

Gráfico 7 – Avaliação do item flexibilidade do sistema (M. A. Falleiros) ______   116

Gráfico 8 – Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas
pelo sistema (M. A. Falleiros) _______________________________________ 117

Gráfico 9 – Avaliação do item disponibilidade de informações fornecidas pelo
sistema (M. A. Falleiros) ___________________________________________ 118

Gráfico 10 – Análise das categorias (M. A. Falleiros) _____________________ 119

Gráfico 11 – Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações
fornecidas pelo sistema (Noma) _____________________________________ 120

Gráfico 12 – Avaliação do item relevância/importância das informações
fornecidas pelo sistema (Noma) _____________________________________ 122

Gráfico 13 – Avaliação do item flexibilidade do sistema (Noma) ____________       123

Gráfico 14 – Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas
pelo sistema (Noma) ______________________________________________ 124

Gráfico 15 – Avaliação do item disponibilidade de informações fornecidas pelo
sistema (Noma) __________________________________________________ 125

Gráfico 16 – Avaliação do item necessidade de redigitação das informações
fornecidas pelo sistema (Noma) _____________________________________ 125

Gráfico 17 – Análise das categorias (Noma) ___________________________            126
Gráfico 18 – Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações
fornecidas pelo sistema (Indel) _____________________________________ 127

Gráfico 19 – Avaliação do item concisão/prolixidade das informações
fornecidas pelo sistema (Indel) _____________________________________ 128

Gráfico 20 – Avaliação do item utilidade das informações fornecidas pelo
sistema (Indel) __________________________________________________ 129

Gráfico 21 – Avaliação do item relevância/importância das informações
fornecidas pelo sistema (Indel) ______________________________________ 129

Gráfico 22 – Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas
pelo sistema (Indel) _______________________________________________ 130

Gráfico 23 – Avaliação do item flexibilidade do sistema (Indel) _____________   131

Gráfico 24 – Análise das categorias (Indel) ____________________________        132

Tabela 1 – Freqüência das categorias ________________________________           135

Tabela 2 – Síntese dos dados quantitativos ____________________________ 137
SUMÁRIO



RESUMO _________________________________________________________ 06

ABSTRACT _______________________________________________________ 07

LISTA DE FIGURAS ________________________________________________ 08

LISTA DE QUADROS _______________________________________________ 09

LISTA DE GRÁFICOS E TABELAS ____________________________________ 10

1 INTRODUÇÃO ___________________________________________________ 16

 1.1 TEMA E PROBLEMA DA PESQUISA ______________________________ 16

 1.2 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA _________________________________ 17

 1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA _____________________________________ 18

  1.3.1 Objetivo geral _____________________________________________ 19

  1.3.2 Objetivos específicos _______________________________________ 19

 1.4 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ______________________________ 21

2 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS (SIFs) ___________________ 22

 2.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 22

 2.2 O ENFOQUE SISTÊMICO _______________________________________ 22

 2.3 FUNCIONAMENTO DOS SISTEMAS ______________________________ 24

 2.4 DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO ______________________ 25

 2.5 CONCEITO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _____________________ 27

 2.6 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _______________ 29

 2.7 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS______________________ 41

 2.8 INFORMAÇÕES FINANCEIRAS PARA A TOMADA DE DECISÃO _______ 45

  2.8.1 Administração de caixa _____________________________________ 49

  2.8.2 Administração de investimentos _____________________________ 49

  2.8.3 Orçamento de capital _______________________________________ 50

  2.8.4 Planejamento financeiro ____________________________________ 51
2.9 CONCLUSÃO _________________________________________________ 51

3 AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _______________________ 53

 3.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 53

 3.2 DEFINIÇÃO DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _______ 53

 3.3 MODELOS DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES ________ 54

 3.4 CONCLUSÃO _________________________________________________ 66

4 METODOLOGIA__________________________________________________ 68

 4.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 68

 4.2 DELINEAMENTO E PERSPECTIVA DA PESQUISA __________________ 68

 4.3 UNIDADE DE ANÁLISE _________________________________________ 70

 4.4 DEFINIÇÃO DO NÚMERO DE CASOS _____________________________ 71

 4.5 SELEÇÃO DAS EMPRESAS ESTUDADAS _________________________ 72

 4.6 COLETA DE DADOS ___________________________________________ 74

 4.7 ANÁLISE DOS DADOS _________________________________________ 77

 4.8 PROTOCOLO PARA A REALIZAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASOS ______ 82

 4.9 CONCLUSÃO _________________________________________________ 87

5 ESTUDOS DE CASOS_____________________________________________ 88

 5.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 88

 5.2 CASO M. A. FALLEIROS ________________________________________ 88

  5.2.1 Características ____________________________________________ 88

  5.2.2 Sistema de Informações utilizado_____________________________ 89

 5.3 CASO NOMA DO BRASIL S.A. ___________________________________ 92

  5.3.1 Características ____________________________________________ 92

  5.3.2 Sistema de Informações utilizado_____________________________ 93

 5.4 CASO INDEL ________________________________________________ 100

  5.4.1 Características ___________________________________________ 100

  5.4.2 Sistema de Informações utilizado____________________________ 101
5.5 CONCLUSÃO ________________________________________________ 108

6 AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS ESTUDADOS
________________________________________________________________ 109

 6.1 INTRODUÇÃO _______________________________________________ 109

 6.2 O CASO M. A. FALLEIROS _____________________________________ 110

  6.2.1 Aspectos positivos do sistema ______________________________ 110

  6.2.2 Aspectos negativos do sistema _____________________________ 114

 6.3 O CASO NOMA ______________________________________________ 119

  6.3.1 Aspectos positivos do sistema ______________________________ 119

  6.3.2 Aspectos negativos do sistema _____________________________ 122

 6.4 O CASO INDEL ______________________________________________ 126

  6.4.1 Aspectos positivos do sistema ______________________________ 126

  6.4.2 Aspectos negativos do sistema _____________________________ 129

 6.5 SÍNTESE E DISCUSSÃO DA ANÁLISE DOS DADOS ________________ 132

 6.6 SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES _____________________________ 138

 6.7 CONCLUSÃO ________________________________________________ 141

7 CONCLUSÃO___________________________________________________ 142

 7.1 INTRODUÇÃO _______________________________________________ 142

 7.2 QUANTO À METODOLOGIA ____________________________________ 142

 7.3 QUANTO À REVISÃO DA LITERATURA___________________________ 143

 7.4 QUANTO AOS ESTUDOS DE CASOS ____________________________ 144

 7.5 QUANTO AOS OBJETIVOS PROPOSTOS_________________________ 145

  7.5.1 Objetivo 1: Descrever os processos de gestão com relação aos fluxos
  de informações financeiras. _____________________________________ 145

  7.5.2 Objetivo 2: Identificar as informações financeiras necessárias para os
  administradores. ______________________________________________ 146

  7.5.3 Objetivo 3: Identificar as informações financeiras atualmente
  disponibilizadas pelos SIFs. _____________________________________ 147
7.5.4 Objetivo 4: Analisar se as informações financeiras disponibilizadas
  pelos SIFs correspondem às informações financeiras necessárias para os
  administradores. ______________________________________________ 148

  7.5.5 Objetivo 5: Identificar possíveis deficiências e limitações quanto à
  operação, utilização e avaliação dos SIFs. _________________________ 149

  7.5.6 Objetivo 6: Propor estratégias para que os administradores possam
  ter a sua disposição as informações necessárias. __________________ 150

 7.6 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA _______________________________ 150

 7.7 PERSPECTIVAS PARA PESQUISAS FUTURAS ____________________ 153

 7.8 CONSIDERAÇÕES FINAIS _____________________________________ 154

8 REFERÊNCIAS _________________________________________________ 157

ANEXO A ________________________________________________________161

ANEXO B ________________________________________________________163
16




1 INTRODUÇÃO




1.1 TEMA E PR OBLEMA DA PESQUISA

A evolução tecnológica tem possibilitado diversas mudanças no dia-a-dia das

empresas. Destaca-se, nesse sentido, o grande benefício proporcionado pela

Tecnologia da Informação (TI). Segundo Serafeimidis e Smithson (1999, p. 94),

muitas empresas estão investindo em Tecnologia da Informação como uma maneira

não apenas de reduzir custos e aumentar lucros, mas de melhorar o fornecimento de

serviços e produtos ao consumidor, aumentando a flexibilidade e facilitando a

inovação.


Uma das conseqüências mais significativas dessa evolução está na crescente

implementação dos Sistemas de Informações (SIs), instrumentos capazes de auxiliar

os administradores na tomada de decisão e no gerenciamento da empresa como um

todo. De acordo com Zwass (1992, p. 6), “um Sistema de Informações é um portfólio

organizado de sistemas formais para obter, processar e distribuir informações para

suporte às operações comerciais e para o gerenciamento de uma empresa”.


As empresas que utilizam SIs podem, por meio do gerenciamento correto da

informação, obter vantagens competitivas e estratégicas em tempo real para que a

tomada de decisão ocorra da maneira mais eficiente. Como salienta O’Donnell

(2003, p. 117), os SIs são fundamentais para as empresas, pois processam os

dados referentes aos seus negócios e permitem que as empresas utilizem estes

dados/informações para acompanhar o desempenho dos seus objetivos.
17




Os Sistemas de Informações Financeiras (SIFs) são um componente dos SIs.

Contribuem para a geração de relatórios com informações financeiras relevantes,

para a utilização mais eficiente de recursos e para a manutenção da saúde

financeira da empresa. Permitem aos administradores tomar decisões financeiras

mais convenientes, possibilitando o crescimento e a prosperidade da empresa.


No entanto, é necessário verificar se o Sistema de Informações (SI) disponibiliza

todas essas informações para a tomada de decisão na empresa. Caso isso não

ocorra, pode haver alguma deficiência/limitação no sistema. De acordo com Kumar

(apud Abu-Musa, 2002, p. 141), a avaliação de um SI tem como principais

finalidades: verificar se o sistema está de acordo com o que foi solicitado;

proporcionar feedback para o desenvolvimento de usuários; justificar a aquisição,

continuidade ou término de um projeto de SI e identificar mudanças necessárias.

Assim, na fase de avaliação do sistema, é possível identificar problemas ou

oportunidades em potencial e verificar se o SI está atingido ou não os objetivos e as

metas da empresa.


Neste contexto, o problema desta pesquisa está relacionado à seguinte questão: Os

Sistemas de Informações Financeiras fornecem informações financeiras adequadas

e suficientes para os administradores tomarem decisões?




1.2 JUSTIFICAT IVA E RELEVÂNCIA


Um grande número de empresas implementa SIs para auxiliar na tomada de decisão

e no gerenciamento de informações. Geralmente, essa implementação acarreta um
18




alto custo para a organização e um certo desgaste para seus membros, devido a

dificuldades na adaptação ao novo sistema.


Os SIs implantados podem não atingir os objetivos iniciais, como, por exemplo,

auxiliar os administradores a tomarem decisões mais precisas e rápidas. Isso

geralmente ocorre porque, na maioria das vezes, esses sistemas não são avaliados

correta e freqüentemente. O resultado é uma inadequada utilização do sistema

implantado.


Com a avaliação dos SIs, é possível verificar os eventuais problemas apresentados

e as potencialidades ainda inexploradas do sistema. A avaliação dos SIs permite,

portanto, utilizar de forma mais efetiva e eficaz os recursos disponibilizados pelo

sistema. De acordo com Stair (1998, p. 312), a avaliação de SI tem como finalidade

“determinar se os objetivos alcançados pelo sistema atual estão satisfazendo ou não

as metas da organização”.


Neste contexto é que esta pesquisa se justifica, pois é de fundamental importância

avaliar os SIFs e verificar se eles atendem às necessidades de informações

financeiras dos administradores para a tomada de decisão.




1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA


Os objetivos apresentados a seguir têm como finalidade orientar o processo de

pesquisa. Para facilitar esse processo, elaboraram-se algumas perguntas de

pesquisa, conforme consta no Quadro 1.
19




1.3.1 Objetivo geral


Avaliar se as informações financeiras geradas pelos SIFs atendem às necessidades

de informações dos administradores para a tomada de decisão.




1.3.2 Objetivos específicos


   Descrever os processos de gestão com relação aos fluxos de informações

   financeiras;


   Identificar as informações financeiras necessárias aos administradores;


   Identificar as informações financeiras atualmente disponibilizadas pelos SIFs;


   Analisar se as informações financeiras disponibilizadas pelos SIFs correspondem

   às informações financeiras necessárias aos administradores;


   Identificar possíveis deficiências e limitações quanto à operação, utilização e

   avaliação dos SIFs; e


   Propor estratégias para que os administradores possam ter a sua disposição as

   informações necessárias.


Para cada objetivo específico foram elaboradas as perguntas de pesquisa

apresentadas no Quadro 1.
20




Quadro 1: Perguntas de pesquisa

      OBJETIVOS ESPECÍFICOS                 PERGUNTAS DE PESQUISA

Descrever os processos de gestão com      Quais são os processos envolvidos na
relação aos fluxos de informações         tomada de decisão?
financeiras.                              Quais são as informações financeiras
                                          necessárias?
                                          Qual é a origem da informação
                                          financeira?
Identificar as informações financeiras    Quais são as informações financeiras
necessárias para os administradores       que os administradores necessitam
tomarem decisões.                         para a tomada de decisão?
Identificar as informações financeiras    Quais informações financeiras são
atualmente disponibilizadas pelos SIFs.   disponibilizadas pelo SIF utilizado
                                          pela organização?
Analisar se as informações financeiras    As        informações       financeiras
disponibilizadas      pelos       SIFs    disponibilizadas      pelo      sistema
correspondem às informações financeiras   correspondem às necessidades de
necessárias aos administradores.          informações dos administradores?
                                          Os procedimentos de coleta de dados
                                          e de distribuição das informações
                                          financeiras são adequados?
Identificar possíveis deficiências   e    Quais são as principais dificuldades
limitações quanto à operação,        à    presentes na utilização do sistema?
utilização e à avaliação dos SIFs.        Quais são as principais dificuldades
                                          encontradas na avaliação do sistema?
Propor estratégias para que os            Quais são os aspectos positivos e
administradores possam ter a sua          negativos do sistema?
disposição as informações necessárias.    Como as informações financeiras
                                          necessárias          podem           ser
                                          disponibilizadas de maneira mais
                                          eficiente?
21




1.4 ORGANIZA ÇÃO DA DISSERTAÇÃO


O Quadro 2 apresenta a organização da dissertação, por capítulo e respectivos título

e conteúdo.




Quadro 2: Organização da dissertação

CAPÍTULO               TÍTULO                          CONTEÚDO
    1                Introdução         Tema e problema da pesquisa; justificativa
                                        e relevância; objetivos da pesquisa e
                                        organização da dissertação.

     2              Sistemas de       Enfoque sistêmico; funcionamento dos
              Informações Financeiras sistemas;      dados,     informações     e
                                      conhecimento; conceito de Sistemas de
                                      Informações; classificação dos Sistemas de
                                      Informações; Sistemas de Informações
                                      Financeiras; informações financeiras para a
                                      tomada de decisão.

     3         Avaliação de Sistemas    Definição de avaliação de Sistemas de
                  de Informações        Informações; modelos de avaliação de
                                        Sistemas de Informações.

     4              Metodologia         Delineamento e perspectiva da pesquisa;
                                        unidade de análise; definição do número de
                                        casos; seleção das empresas estudadas;
                                        instrumentos de coleta de dados; técnicas
                                        de análise de dados utilizadas; protocolo
                                        para a realização dos estudos de casos.

     5           Estudos de Casos       Caracterização das empresas estudadas e
                                        dos Sistemas de Informações utilizados.

     6        Avaliação dos Sistemas Avaliação dos pontos fortes e deficiências
                  de Informações     dos Sistemas de Informações estudados.
              Financeiras estudados
     7               Conclusão          Conclusões da pesquisa quanto à
                                        metodologia, à revisão da literatura, aos
                                        estudos de casos e aos objetivos propostos;
                                        contribuições da pesquisa; perspectivas
                                        para pesquisas futuras.
22




2 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS (SIFs)




2.1 INTRODUÇÃO


Este capítulo apresenta os aspectos mais relevantes dos SIFs. Inicialmente,

apresentam-se as características da abordagem sistêmica e explica-se como

funciona um sistema. Depois de analisar os sistemas e suas características,

enfatizam-se os SIs, destacando, entre outros aspectos, a classificação.


Finalizando o capítulo, apresentam-se os Sistemas de Informações Financeiras e as

características das informações financeiras relevantes para a tomada de decisão.

Com essa estrutura, o capítulo, que é parte integrante do referencial teórico desta

pesquisa, esclarece a importância dos SIFs para as empresas.




2.2 O ENFOQUE SISTÊMICO


De acordo com Oliveira (2000, p. 149), “um sistema é uma rede de componentes

interdependentes que trabalham em conjunto para tentar realizar o objetivo do

sistema”. Isto significa que as partes que compõem um sistema não são isoladas,

mas ligadas entre si de forma a complementarem-se.


Considerando sua relação com o ambiente, um sistema pode ser aberto ou

fechado. Um sistema fechado, segundo Daft (1999, p. 8), não depende do seu

ambiente, sendo por isso autônomo e isolado do ambiente externo. Na realidade, um

sistema totalmente fechado é difícil de ser encontrado, pois geralmente há uma

interação com o ambiente externo.
23




Um sistema aberto, ao contrário, interage com o ambiente para sobreviver,

consumindo e exportando recursos. As empresas, geralmente, são sistemas abertos

e interagem com o ambiente, tanto influenciando-o como sendo influenciadas por

ele. Neste contexto, Daft (1999, p. 8) define sistema como um “conjunto de

elementos interativos que recebe entradas do ambiente, transforma-as e emite

saídas para o ambiente externo”.


Para Stair (1998, p. 6), “um sistema é um conjunto de elementos ou componentes

que interagem para se atingir objetivos”. Pode-se medir a performance de um

sistema analisando sua eficiência e sua eficácia. A eficiência caracteriza-se como “a

medida do que é produzido dividido pelo que é consumido” e a eficácia “é a medida

da proporção em que o sistema atinge seus objetivos” (Stair, 1998, p. 9).


De acordo com O’Brien (2002, p. 17), “um sistema é um grupo de componentes

inter-relacionados que trabalham juntos rumo a uma meta comum recebendo

insumos e produzindo resultados em um processo organizado de transformação”. Os

sistemas,   neste   contexto,   possuem    três   componentes    básicos:   entradas,

processamento e saída.


Os SIs, como sistemas abertos, dependem do ambiente e da interação com este

para sobreviver e podem ter sua performance analisada segundo critérios de

eficiência e eficácia. Possuem os três componentes básicos de um sistema,

recebendo dados como entrada, processando-os e fornecendo informações como

saída. Dessa forma, é importante analisar o funcionamento dos sistemas para,

posteriormente, estudar os SIs, mais especificamente os SIFs.
24




2.3 FUNCIONAMENTO DOS SISTEMAS


De acordo com Oliveira (1993, p. 23), um sistema apresenta em seu funcionamento

os seguintes componentes:


   Objetivos: são a própria razão de existência do sistema, ou seja, a finalidade para

   a qual o sistema foi criado.


   Entradas: caracterizam-se como tudo o que o sistema necessita para realizar

   suas operações, sendo obtidas no meio ambiente com o qual o sistema interage.

   Segundo Oliveira (2000, p. 150), são exemplos de entradas para o sistema: a

   mão-de-obra ou pessoal, a matéria-prima ou materiais, as informações ou leis,

   normas e padrões estabelecidos, tecnologias e máquinas.


   Processo de transformação: esse processo possibilita a transformação da

   entrada em um produto, serviço ou resultado, caracterizado como a saída do

   sistema.


   Saídas: são os resultados do processo de transformação. Para Oliveira (1993, p.

   24), devem ser coerentes com os objetivos do sistema e devem ser quantificáveis

   de acordo com os critérios e os parâmetros previamente estabelecidos.


   Controle e avaliação do sistema: permitem verificar se as saídas estão de acordo

   com os objetivos estabelecidos.


   Retroalimentação ou realimentação: considerada como a reintrodução, no

   sistema, de uma saída sob a forma de informação. De acordo com Oliveira

   (1993, p. 24), “essa realimentação é um instrumento de regulação retroativa ou

   de controle, em que as informações realimentadas são resultados das
25




   divergências verificadas entre as respostas de um sistema e os parâmetros

   previamente estabelecidos”.




2.4 DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO


Antes de apresentar os conceitos de SI presentes na literatura, é fundamental

discutir os conceitos de dados, informações e conhecimento, procurando mostrar as

diferenças entre cada um.


Para Laudon e Laudon (1999, p. 10), os dados podem ser considerados como fatos

brutos, ao passo que as informações são os dados aos quais seres humanos deram

forma para torná-los significativos e úteis. Já o conhecimento pode ser visto como

um conjunto de ferramentas conceituais e categorias usadas pelos seres humanos

para criar, colecionar, armazenar e compartilhar a informação. É importante destacar

que os dados não têm significado inerente e registram apenas aquilo que aconteceu;

não fornecem julgamento nem interpretação para auxiliar na tomada de decisão.

Além disso, dados em excesso podem dificultar a identificação e a extração de

significado de dados que realmente têm importância. Segundo Davenport e Prusak

(1998, p. 3), os dados são importantes para as empresas, geralmente, porque são

matéria-prima essencial para a criação da informação.


A informação é o dado organizado para alguma finalidade, e a tecnologia ajuda a

agregar valor aos dados. Mas, assim como para o conhecimento, a tecnologia

utilizada para obtenção da informação depende dos seres humanos, pois a

tecnologia por si só não possibilita a completa transformação dos dados em

informação, e desta em conhecimento. Da mesma forma que a informação deriva
26




dos dados, o conhecimento deriva da informação. Para que esse processo ocorra,

os seres humanos precisam fazer, virtualmente, todo o trabalho. Para Davenport e

Prusak (1998, p. 6), o conhecimento é uma mistura de vários elementos; é intuitivo

e, portanto, difícil de colocar em palavras ou de ser plenamente entendido em

termos lógicos. O conhecimento existe dentro das pessoas; faz parte da

complexidade e da imprevisibilidade humana.


De acordo com Stair (1998, p. 4), “dados são os fatos em sua forma primária, como,

por exemplo: o nome de um empregado, o número de horas trabalhadas em uma

semana, o número de peças no estoque ou de pedidos de venda”. A informação

caracteriza-se como “um conjunto de fatos organizados de tal forma que adquirem

valor adicional além do valor do fato em si”. E o conhecimento “é o corpo ou as

regras, diretrizes e procedimentos usados para selecionar, organizar e manipular os

dados, para torná-los úteis para uma tarefa específica”.


Os SIs são alimentados com dados, que, depois de processados, fornecem a

informação necessária para a tomada de decisão ou para alguma outra atividade do

dia-a-dia da organização. Quando os usuários dos SIs utilizam as informações

disponibilizadas para a tomada de decisão ou quando agregam valor a essas

informações, de alguma maneira, estas tornam-se um conhecimento útil para a

organização e para seus membros.
27




2.5 CONCEITO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES


Segundo Stair (1998, p. 11), “um Sistema de Informações é um tipo especializado de

sistema”, podendo ser definido como “uma série de elementos ou componentes

inter-relacionados que coletam (entrada), manipulam e armazenam (processo),

disseminam (saída) os dados e informações e fornecem um mecanismo de

feedback”.


A entrada, para os SIs, caracteriza-se como a atividade de captar e reunir os dados

primários. O processamento envolve a conversão dos dados em saídas úteis, sendo

que a saída caracteriza-se como a produção de informações úteis, geralmente na

forma de documentos, relatórios e dados de transações. O feedback é caracterizado

como uma saída utilizada para realizar ajustes ou modificações nas atividades de

entrada ou processamento.


Para Laudon e Laudon (1999, p. 4), um Sistema de Informações é um


                    (...) conjunto de componentes inter-relacionados trabalhando juntos
                    para coletar, recuperar, processar, armazenar e distribuir informação
                    com a finalidade de facilitar o planejamento, o controle, a
                    coordenação, a análise e o processo decisório em empresas e
                    organizações.



Esses sistemas são compostos de pessoas, organizações e tecnologia, sendo um

erro descrevê-los apenas em termos de computadores.


As pessoas introduzem os dados no sistema e utilizam as informações vindas do

sistema para a tomada de decisão. A tecnologia inclui o hardware – equipamento

físico usado para entrada, processamento e saída em um Sistema de Informações −;

o software – instruções pré-programadas que coordenam o trabalho dos
28




componentes do hardware −; a tecnologia de armazenamento – organiza e

armazena os dados utilizados por uma empresa −; e a tecnologia de comunicações

– usada para conectar partes diferentes do hardware e para transferir dados de um

ponto a outro, via redes. As organizações moldam os Sistemas de Informações de

acordo com suas necessidades.


A Figura 1 mostra os componentes dos SIs, incluindo as pessoas, a organização, a

tecnologia e o ambiente externo.


                                    Ambiente Externo




                         Pessoas                       Organizações
                                         Sistemas de
                                         Informação




                                         Tecnologia




Figura 1: Componentes dos Sistemas de Informações
Fonte: Laudon; Laudon (1999, p.5)



De acordo com O’Brien (2002, p. 20), um SI depende de vários recursos para
funcionar. Ou seja,


                      (...) depende dos recursos humanos (os usuários finais e os
                      especialistas em SI), de hardware (máquinas e mídia), software
                      (programas e procedimento), dados (banco de dados e bases de
                      conhecimento) e redes (mídia de comunicação e apoio de rede) para
                      executar atividades de entrada, processamento, produção,
                      armazenamento e controle que convertem recursos de dados em
                      produtos de informação.
29




Pode-se perceber pelas duas abordagens que os SIs não podem ser analisados

apenas em termos de tecnologia, sendo necessário considerar também, e

principalmente, os recursos humanos envolvidos e a organização como um todo.




2.6 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES


Dependendo da abordagem utilizada, um SI pode ter classificações diversas. De

acordo com Stair (1998, p. 14), os Sistemas de Informações podem ser classificados

em: Sistemas de Processamento de Transações; Sistemas de Informações

Gerenciais; Sistemas de Apoio à Decisão e Inteligência Artificial; e Sistemas

Especialistas.


Segundo O´Brien (2002, p. 28), os SIs podem ser classificados tendo por base o tipo

de atividade organizacional que apóiam: operações; ou tomada de decisão

gerencial. Os Sistemas de Apoio às Operações dividem-se em: Sistemas de

Processamento de Transações (processamento de transações); Sistemas de

Controle de Processos (controle de processos industriais); e Sistemas Colaborativos

(colaboração entre equipes e grupos de trabalho). Os Sistemas de Apoio Gerencial

dividem-se em: Sistemas de Informação Gerencial (relatórios padronizados para os

gerentes); Sistemas de Apoio à Decisão (apoio interativo à decisão); e Sistemas de

Informação Executiva (informações elaboradas especialmente para os executivos).


O´Brien (2002, p. 30) considera mais algumas categorias de SI que podem apoiar as

operações, a administração ou as aplicações estratégicas. Esses sistemas dividem-

se em: Sistemas Especializados (fornecem informações especializadas em

determinada área funcional); Sistemas de Administração do Conhecimento (apóiam
30




a criação, organização e disseminação do conhecimento na organização); Sistemas

de Informação Estratégica (fornecem produtos e serviços estratégicos para a

vantagem competitiva); e Sistemas de Informação para as Operações (apóiam as

aplicações operacionais e gerenciais das funções organizacionais básicas de uma

organização).


Para Zwass (1992), os SIs podem ser classificados em: Sistemas de Processamento

de Transações; Sistemas de Relatórios Gerenciais; Sistemas de Suporte à Decisão;

Sistemas de Informações Executivas; e Sistemas de Informações de Escritório. Esta

classificação é brevemente detalhada a seguir.


1. Sistemas de Processamento de Transações (SPT). De acordo com Stair

   (1998, p. 38), um SPT “é um conjunto organizado de pessoas, procedimentos,

   bancos de dados e dispositivos usados para registrar transações de negócios

   completadas, como folhas de pagamento”. Estes sistemas armazenam os dados

   inseridos para posterior utilização pelos demais SIs, como o SRG. Têm por

   finalidade tratar e processar as trocas diárias de negócios ou as transações.

   Representam a aplicação da Tecnologia da Informação em transações rotineiras,

   repetitivas e, geralmente, comuns de negócios.


Os principais objetivos dos SPT são, segundo Stair (1998, p. 187):


   Processar dados gerados por e sobre transações; ou seja, capturar, processar e

   armazenar transações e produzir uma variedade de documentos relacionados às

   atividades comerciais rotineiras, tais como: venda de produtos e serviços a

   clientes.
31




   Manter um alto grau de precisão, permitindo que os dados entrem e sejam

   processados sem erros.


   Assegurar a integridade dos dados e da informação; ou seja, certificar-se de que

   todos   os    dados   e   informações   armazenados    nos   bancos   de   dados

   computadorizados sejam exatos, atuais e apropriados.


   Produzir documentos e relatórios em tempo. Com a introdução de tecnologias

   apropriadas, é possível reduzir substancialmente o tempo de resposta do SPT.


   Aumentar a eficiência do trabalho, procurando justificar o custo do investimento

   em um SPT pela economia de trabalho que ele possibilita, inclusive de

   retrabalho.


   Ajudar no fornecimento aos clientes de mais serviços em quantidade e qualidade,

   facilitando a sua rotina e resolvendo seus problemas mais rapidamente.


2. Sistemas de Relatórios Gerenciais (SRG). Podem ser chamados de Sistemas

   de Informações Gerenciais (SIG). Têm como principal objetivo, segundo Zwass

   (1992), fornecer à gerência relatórios impressos com a finalidade de auxiliar no

   controle operacional e gerencial da organização. Para Stair (1998, p. 208), esses

   relatórios podem ser obtidos por meio da filtragem e análise de dados altamente

   detalhados em bancos de dados de processamento de transações e da

   apresentação aos administradores dos resultados para a tomada de decisão.


De acordo com Stair (1998, p. 208), as fontes de informações para um SIG podem

ser tanto internas quanto externas. A fonte de dados interna mais importante para o

SIG é o SPT, ao passo que as fontes externas podem incluir clientes, fornecedores,
32




concorrentes e acionistas cujos dados ainda não foram coletados pelo SPT da

empresa.


Segundo Laudon e Laudon (1999, p. 351), os SIG têm como função disponibilizar

aos gerentes relatórios sobre o desempenho da empresa, tanto passado quanto

presente. Eles ajudam os gerentes a “monitorar o desempenho atual da empresa e a

prever o desempenho futuro, possibilitando assim que os gerentes intervenham

quando as coisas não estiverem indo bem”.


De acordo com Stair (1998, p. 208), a principal finalidade de um SIG é “ajudar a

organização a atingir suas metas, fornecendo aos administradores uma visão das

operações regulares da empresa, de modo que possam controlar, organizar e

planejar mais eficaz e eficientemente”. Estes sistemas ajudam na solução de

problemas estruturados e nas decisões programadas.


Como mostra Zwass (1992), os SRG têm capacidade analítica limitada e contam

com resumos e extrações do banco de dados de acordo com um critério

estabelecido. Não fornecem diretamente a decisão, mas, sim, informações

fundamentais para facilitar o processo de tomada de decisão na organização.


De acordo com Stair (1998, p. 212), para a maioria das empresas um SIG é “uma

coleção integrada de Sistemas de Informações funcionais, cada um dando suporte a

áreas funcionais específicas”. Por exemplo, um SIG financeiro gera relatórios

financeiros para a empresa, ao passo que um SIG de marketing gera relatórios de

marketing, e assim cada área funcional da empresa tem um Sistema de Informações

que gera informações adequadas para aquela área. Neste sentido, de acordo com

cada área funcional da organização, os Sistemas de Informações Gerenciais podem

ser assim classificados:
33




   Sistemas de Informações Gerenciais Financeiro. Fornecem informações

   financeiras a todos os administradores financeiros em uma organização. Têm

   como principais finalidades: analisar as atividades financeiras históricas e atuais;

   projetar as necessidades financeiras futuras; e monitorar e controlar o uso de

   recursos através do tempo.


   Sistemas de Informações Gerenciais de Marketing. Fornecem apoio à atividade

   administrativa nas áreas de desenvolvimento de produtos, de distribuição, de

   decisões de preço e de promoção e de previsão de vendas.


   Sistemas de Informações Gerenciais de Recursos Humanos. Trabalham com as

   atividades relacionadas aos trabalhadores, funcionários, gerentes e outros

   indivíduos empregados pela organização. Entre as atividades executadas por

   este SIG, podemos citar a análise e o planejamento da força de trabalho, a

   contratação, o treinamento e a designação de cargos e tarefas.


   Sistemas de Informações Gerenciais Industriais. Apóiam a área de produção da

   organização, facilitando o controle de estoque, controlando o processo de

   produção e testando a qualidade dos produtos e serviços produzidos.


Como mostra O´Brien (2002, p. 250), os SIG fornecem quatro tipos principais de

relatórios gerenciais:


   Relatórios periódicos programados. São produzidos de maneira programada e

   periódica, seja diária, semanal ou mensal. Citam-se como exemplos os relatórios

   de vendas diários ou semanais e os demonstrativos financeiros mensais.


   Relatórios de exceção. De acordo com Stair (1998, p. 210), “são relatórios

   produzidos automaticamente quando uma situação é incomum ou requer alguma
34




   atitude da administração”. Exemplos: relatório sobre os clientes que excederam o

   limite de crédito, mas não sobre todos os clientes.


   Informes e respostas por solicitação. Fornecem informações a pedido do usuário,

   que não precisa esperar até que o relatório programado esteja disponível.


   Relatórios em pilha. As informações são empilhadas na estação de trabalho em

   rede do gerente.


3. Sistema de Suporte a Decisão (SSD). De acordo com Zwass (1992), os SSD

   são desenvolvidos para suportar diretamente o processo de decisão e estão

   aptos a solucionar problemas tanto estruturados como não estruturados, que

   podem ser facilmente programados.


Para Stair (1998, p. 38), um SSD é “um grupo organizado de pessoas,

procedimentos, bancos de dados e dispositivos usados para dar apoio à tomada de

decisão referente a problemas específicos”. Geralmente, estes SIs são utilizados

quando o problema a ser solucionado é complexo ou quando a informação

necessária para a tomada de decisão é de difícil obtenção.


Entre as principais características dos SSD citadas por Stair (1998, p. 233) estão:

possibilitam a manipulação de grandes volumes de dados; permitem a obtenção e o

processamento de dados de fontes diferentes, sendo capazes de acessar dados

externos à organização e de integrá-los aos dados internos; proporcionam

flexibilidade de relatórios e de apresentação; possuem orientação tanto textual

quanto gráfica, produzindo textos, tabelas, gráficos e desenhos; executam análises e

comparações complexas e sofisticadas utilizando pacotes de software avançados;

possuem condições de dar suporte às abordagens de otimização e satisfação,
35




possibilitando, no caso de problemas menores, encontrar a solução ótima; e

executam análises por meio de simulações e metas, sendo possível com isso

realizar modificações hipotéticas nos dados e observar o impacto destas

modificações nos resultados.


Os SSD, segundo O´Brien (2002, p. 253), fornecem informações e técnicas de apoio

à decisão para a análise de problemas ou de oportunidades específicas; permitem

consultas e respostas interativas; e disponibilizam informações flexíveis e

adaptáveis. Além disso, utilizam uma metodologia de processamento de informações

baseada na modelagem analítica de dados dos negócios.


4. Sistemas de Informações Executivas (SIE). De acordo com O´Brien (2002, p.

   257), esses sistemas têm como finalidade “fornecer aos altos executivos acesso

   fácil e imediato a informações sobre os fatores críticos ao sucesso de uma

   empresa, ou seja, os fatores-chave decisivos para a consecução dos objetivos

   estratégicos de uma organização”.


Os SIE foram desenvolvidos para atender às necessidades de informação da alta

administração que não estavam sendo atendidas pelas outras categorias de SI.

Como mostra Zwass (1992), os SIE fornecem suporte direto para os executivos, e

estes


                    (...) precisam de uma grande diversidade de informações externas
                    para comparar a performance de sua companhia com aqueles com
                    que competem e para investigar as tendências gerais das economias
                    de muitos países onde a companhia pode estar fazendo negócio.



De acordo com Stair (1998, p. 245), um SIE é um Sistema de Suporte à Decisão

especializado que “inclui todo o hardware, software, dados, procedimentos e
36




pessoas utilizadas para auxiliar os executivos de nível sênior da organização”. Esse

sistema tem relação com a tomada de decisões executivas sobre processos

comerciais de valor agregado.


Segundo Zwass (1992), as principais características dos SIE são:


   fornecem acesso imediato e fácil à informação, refletindo os fatores-chave de

   sucesso da companhia e de suas unidades;


   interfaces interessantes, como gráficos coloridos e vídeos, permitem aos

   usuários do SIE compreender as tendências de relance;


   provêm acesso a uma variedade de bancos de dados, internos e externos, por

   meio de uma interface uniforme − ou seja, mesmo consultando diversos bancos

   de dados o sistema deve ser transparente para os usuários;


   permitem fácil adaptação às preferências do usuário particular ou do grupo de

   usuários; e


   oferecem a capacidade de alterações nos dados.


Além das características apontadas por Zwass (1992), é importante ressaltar

aquelas enfatizadas por Stair (1998, p. 246):


   executam sofisticadas análises de dados, realizando testes de simulação e de

   alcance de metas relacionadas a decisões executivas; e


   oferecem suporte a todos os aspectos da tomada de decisões, reconhecendo

   aqueles que exigem fontes externas de informações, aqueles que podem ter alto
37




   grau de incerteza e risco e aqueles que exigem entradas de múltiplas fontes de

   dados.


Os SIE são, portanto, uma ferramenta essencial para que os executivos possam

exercer melhor suas funções de controle e gerenciamento da organização.


5. Sistemas de Informações de Escritório (SIES). De acordo com Zwass (1992),

   os SIES auxiliam o trabalho de conhecimento geral no contexto de um escritório

   comercial. Neste sentido, como a tecnologia de escritórios tradicionais e as

   tecnologias   de   comunicação    convergiram,      os   SIES   se   desenvolveram

   velozmente, tornando-se o “escritório do futuro”.


Zwass (1992) cita como exemplos de atividades suportadas pelos SIES: o

processamento de documentos; a escala de tempo individual e a coordenação do

fluxo de trabalho; o gerenciamento de projetos; as conferências via computador; e a

troca de mensagens em vários formatos, como documentos, imagens, mensagens

de voz e jogos de dados.


Além dos sistemas apresentados acima, outros sistemas merecem destaque, como

a Inteligência Artificial, os Sistemas Especialistas e os Sistemas Integrados de

Gestão. Segundo O´Brien (2002, p. 259), a Inteligência Artificial (IA) tem como

principal objetivo “desenvolver computadores que consigam pensar, bem como ver,

ouvir, andar, falar e sentir”. Procura desenvolver funções computacionais

normalmente associadas à inteligência humana, como raciocinar, aprender e

solucionar problemas.


De acordo com Stair (1998, p. 256), os Sistemas de Inteligência Artificial “incluem as

pessoas, procedimentos, hardware, software, dados e conhecimento necessários
38




para   desenvolver    sistemas      computacionais   e   máquinas   que        demonstram

características de inteligência”.


Como salienta O´Brien (2002, p. 268), os Sistemas Especialistas são uma aplicação

da IA nas empresas, sendo que um Sistema Especialista “é um Sistema de

Informação baseado no conhecimento que utiliza seu conhecimento sobre uma área

de aplicação específica e complexa para atuar como consultor especializado para os

usuários finais”. O Sistema Especialista “faz perguntas ao usuário, consulta sua base

de conhecimento em busca de fatos, regras ou outro conhecimento, explica seu

processo de raciocínio quando é perguntado e dá conselho especialista ao usuário

na área que está sendo explorada”.


Os principais benefícios dos Sistemas Especialistas, segundo O´Brien (2002, p.

273), são: capturam o know-how de um especialista ou grupo de especialistas em

um Sistema de Informações computadorizado; ajudam a preservar e reproduzir o

conhecimento dos especialistas; e podem ajudar a organização a aumentar

significativamente a eficiência de seus processos empresariais ou gerar novos

produtos e serviços baseados no conhecimento. No entanto, os Sistemas

Especialistas apresentam também algumas limitações, tais como: foco limitado;

incapacidade    de   aprender;      problemas   de   manutenção;    e   alto    custo   de

desenvolvimento.


De acordo com Zwass (1992), os Sistemas Especialistas são utilizados para

selecionar a maneira mais conveniente e econômica de enviar uma encomenda;

definir a decisão de crédito de um consumidor; diagnosticar defeitos de

equipamentos; planejar um portfólio de investimentos; e configurar um complicado

pedido de equipamento. Neste sentido, os Sistemas Especialistas “são programas
39




baseados em conhecimento que imitam um processo lógico para sugerir a solução

de um problema dentro de seus domínios de aplicação”.


Segundo Mendes (1997), “os Sistemas Especialistas são sistemas baseados em

conhecimento, construídos, principalmente, com regras que reproduzem o

conhecimento de um perito e utilizados para solucionar determinados problemas em

domínios específicos”. Entre as vantagens da utilização de um Sistema Especialista,

podemos citar: permite estender as facilidades da tomada de decisão para muitas

pessoas; provê um vasto conhecimento aos seus usuários, o que permite seu

desenvolvimento; e reduz o grau de dependência da empresa em relação a um

único especialista.


Os Sistemas Integrados de Gestão são conhecidos pela sigla ERP (Enterprise

Resource Planning). De acordo com Souza e Zwicker (2003, p. 64),


                      (...) os sistemas ERP são sistemas de informações integrados,
                      adquiridos na forma de pacotes comerciais de software, com a
                      finalidade de dar suporte à maioria das operações de uma empresa
                      industrial (suprimentos, manufatura, manutenção, administração
                      financeira, contabilidade, recursos humanos, etc.).



Entre as características de um sistema ERP, podem-se citar: são pacotes comerciais

de software; incorporam modelos de processos de negócios; são sistemas

integrados e utilizam um banco de dados corporativo; apresentam grande

abrangência funcional; e requerem ajustes para que possam ser utilizados em uma

determinada empresa.


De acordo com Saccol (2003, p. 325), o ERP


                      (...) é um sistema que se propõe dar suporte a todos os processos e
                      áreas funcionais de uma empresa, valendo-se de uma base de
                      dados única, na qual todas as transações estejam interligadas. É
40



                      composto por módulos integrados que atendem a cada área
                      funcional ou processo, como Finanças, Produção, Custos, Vendas,
                      RH etc. O objetivo maior de um sistema ERP é a integração dos
                      dados organizacionais e sua disponibilização em tempo real. Com
                      isso, ele promete interligar setores, unidades e filiais em diferentes
                      locais, possibilitando a adoção de um único padrão de metadados e
                      indicadores para a organização.



Para Davenport (2002, p. 20), os sistemas ERP “oferecem a primeira grande

oportunidade para a concretização de uma verdadeira interconectividade, um estado

no qual cada um sabe o que todos estão fazendo em matéria de negócios no mundo

inteiro ao mesmo tempo”. Entre os benefícios proporcionados pela implementação

de um sistema ERP estão: redução de custos e de prazos em processos

fundamentais de negócios; informações mais rápidas sobre transações; e melhoria

na administração financeira da empresa; além da integração.


De acordo com Souza e Zwicker (2003, p. 66), “os sistemas ERP realmente

integrados são construídos como um único Sistema de Informações que atende

simultaneamente aos diversos departamentos da empresa, em oposição a um

conjunto de sistemas que atendem isoladamente cada um deles”. Geralmente estes

sistemas são divididos em módulos que, de acordo com Souza e Zwicker (2003, p.

66), “representam conjuntos de funções que normalmente atendem a um ou mais

departamentos da empresa”.


No entanto, os sistemas ERP não apresentam apenas benefícios. De acordo com

Zanoteli (2001, p. 79), alguns dos problemas encontrados na implementação de

sistemas ERP são: “custos elevadíssimos, pouco ou nenhum treinamento das

pessoas     envolvidas,     dimensionamento          inadequado     das     necessidades

informacionais,   desconhecimento         da   cultura   das   organizações,    falhas   de

planejamento e falta de flexibilidade”.
41




Segundo Zanoteli (2001, p. 79), no Brasil há ainda outro problema: a adaptação do

sistema à cultura e às leis e normas brasileiras. Estes sistemas tendem a impor seu

próprio modelo de gestão que traz consigo a cultura e as normas e leis do país onde

foram desenvolvidos.


Esta pesquisa teve como foco os Sistemas de Informações Gerenciais (O’Brien,

2002; Stair, 1998) ou Sistemas de Relatórios Gerenciais (Zwass, 1992), mais

especificamente os Sistemas de Informações Financeiras. Neste sentido, é

fundamental detalhar os SIFs, apresentando suas características e sua relevância

para a organização e seus administradores.




2.7 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS


Os Sistemas de Informações Gerenciais, como mostrado anteriormente, estão

presentes em todas as áreas funcionais de uma organização. Nas áreas de

Finanças e Contabilidade, como salienta Stair (1998, p. 17),


                        (...) os sistemas de informação são usados para prever receitas e a
                       atividade empresarial, determinar as melhores fontes e usos de
                       fundos, administrar o dinheiro e outros recursos financeiros, analisar
                       investimentos e executar auditorias para assegurar a saúde
                       financeira da empresa e precisão de todos os relatórios e
                       documentos financeiros.



Para O’Brien (2002, p. 188), os SIFs auxiliam os administradores nas decisões

referentes “ao financiamento de uma empresa e à alocação e controle de recursos

financeiros na empresa”. As principais categorias de SIFs incluem os sistemas de

administração de caixa – auxilia na previsão e gerencia a posição de caixa; de

administração de investimentos – gerencia títulos de curto prazo e outros; de
42




orçamentos de capital – avalia risco/retorno de dispêndios de capital; e de

planejamento financeiro – prevê o desempenho financeiro e as necessidades de

financiamento.


A Figura 2 apresenta os principais SIFs.




                                     Sistemas de
                                    Informação em
                                       Finanças




                          Administração
     Administração                            Orçamentos          Planejamento
                               de
       de Caixa                                de Capital          Financeiro
                          Investimentos



Figura 2: Categorias de SIFs
Fonte: adaptado de O’Brien (2002, p. 188)




Segundo Stair (1998, p. 214), os SIFs fornecem informações financeiras relevantes a

todos os administradores financeiros dentro de uma empresa; e seus principais

recursos são: analisa as atividades financeiras históricas e atuais; projeta as

necessidades financeiras futuras; e monitora e controla o uso de recursos através do

tempo.


As entradas para um Sistema de Informações Financeiras (SIF), segundo Stair

(1998, p. 214), podem ser tanto internas quanto externas, e são, basicamente:
43




   plano estratégico ou políticas corporativas: as informações que geralmente estão

   atreladas ao plano estratégico da empresa são o retorno sobre investimentos de

   vários     projetos,   razões   débito-equidade   desejadas   e   expectativas   das

   necessidades de caixa;


   sistema      de   processamento    de   transações:   as   informações   financeiras

   importantes são geralmente tiradas dos sistemas de processamento de

   transações, como, por exemplo, folhas de pagamento, controle de estoques,

   processamento de pedido, contas a pagar, contas a receber e contabilidade

   geral; e


   fontes externas: constituem-se principalmente de informações da e sobre a

   concorrência, como relatórios anuais e balanços financeiros dos concorrentes,

   novos itens e relatórios gerais dos concorrentes.


Um SIF pode apresentar alguns subsistemas que auxiliam o administrador financeiro

a tomar melhores decisões com base nas saídas proporcionadas por estes sistemas.

Esses subsistemas e suas saídas podem ser resumidos da seguinte maneira (Stair,

1998, p.215):


   previsão financeira: processo de se fazer previsões sobre o crescimento futuro de

   produtos ou de uma organização como um todo e que pode, entre outras coisas,

   ajudar os executivos financeiros a evitar problemas de fluxo de caixa por meio da

   previsão das necessidades de fluxo de caixa;


   sistemas de lucro e perdas e de custo: organizam os dados de faturamento e

   custos para a empresa, de modo que os dados de faturamento e despesas de

   vários departamentos são coletados pelo sistema de processamento de
44




   transações e se tornam uma fonte interna básica de informação financeira para o

   SIG;


   auditoria: envolve a análise das condições financeiras de uma organização e

   determina se os balanços e relatórios financeiros produzidos pelo SIG financeiro

   são exatos; e


   uso e gerenciamento de verbas: o SIG financeiro auxilia no gerenciamento e uso

   de verbas de maneira a auxiliar a administração na aplicação eficaz de verbas

   para que a empresa não apresente baixos lucros ou se depare com a falência.


A Figura 3 mostra uma visão geral do SIF, enfatizando suas entradas, subsistemas e

saídas.




          Entradas                    Subsistemas                   Saídas

                                                              Auditorias internas e
                                                                    externas
     Missão Estratégica            Previsão Financeira
                                                              Previsão Financeira

         Sistema de               Dados Financeiros dos       Extratos Financeiros
      Procesamento de             Departamentos (lucros/
         Transações                 perdas e custos)        Uso e Gerenciamento de
                                                                    Verbas

                                         Auditoria           Estatísticas Financeiras
      Fontes Externas
                                                                  para Controle


Figura 3: Visão Geral de um SIF
Fonte: Stair (1998, p. 215)




Como salientam Laudon e Laudon (1999, p. 33), a área financeira de uma

organização refere-se ao gerenciamento adequado de ativos financeiros, como
45




dinheiro em caixa, papéis negociáveis, ações, debêntures e similares. Os SIFs

apóiam esse gerenciamento e auxiliam a organização a maximizar os retornos dos

ativos financeiros e a administrar seus passivos.




2.8 INFORMAÇÕES FINANCEIRAS PARA A TOMADA DE DECISÃO


A tomada de decisão é fator crucial nas empresas, uma vez que esta influencia

diretamente o desempenho da empresa, seja no curto, no médio ou no longo prazo.

De acordo com Simon (1965, p. 54), as decisões

                     (...) são descrições de um futuro estado de coisas, podendo essa
                     descrição ser verdadeira ou falsa, num sentido estritamente empírico.
                     Por outro lado, elas possuem também, uma qualidade imperativa,
                     pois selecionam um estado de coisas futuro em detrimento de outro e
                     orientam o comportamento rumo à alternativa escolhida.



A questão é que nem sempre o processo de escolha na tomada de decisão é

simples. De acordo com Shimizu (2001, p. 15), “com exceção dos problemas de

rotina, bem conhecidos e com estrutura de opções bem definida, o processo de

formular alternativas de decisão e escolher a melhor delas é quase sempre caótico e

complexo”.


Uma maneira de simplificar o processo de tomada de decisão é admitir a existência

da racionalidade limitada, proposta por Simon (1965). Ao admitir a racionalidade

limitada admite-se que “somente aqueles fatores que estão estreitamente ligados,

casual e temporalmente, com a decisão, podem ser levados em consideração”.

(SIMON, 1965, p. 97)


Segundo Shimizu (2001, p. 15), o modelo de decisão baseado na racionalidade

limitada
46



                     (...) trabalha com um modelo simplificado da realidade, considerando
                     que muitos aspectos da realidade são substancialmente irrelevantes
                     em dado instante. Ele efetua sua escolha de alternativa baseado no
                     padrão satisfatório da situação real considerando apenas alguns dos
                     fatores mais relevantes e cruciais.



Mesmo considerando esse modelo de decisão baseado na racionalidade limitada, é

preciso levar em consideração que a tomada de decisão implica em escolhas para

resolver determinados problemas e estes podem ser classificados, segundo Shimizu

(2001, p. 16) em três categorias: estruturados, semi-estruturados e não estruturados.

Além disso, a decisão pode ser tomada no nível estratégico (decisão para dois a

cinco anos); tático (decisão para alguns meses até dois anos); e operacional (alguns

dias a alguns meses).


De acordo com Shimizu (2001, p. 29), “um problema é considerado estruturado ou

bem definido se sua definição e fases de operação para chegar aos resultados

desejados estão bem claros e sua execução repetida é sempre possível”. Um

exemplo de problema estruturado é a folha de pagamento.


Os problemas semi-estruturados são considerados por Shimizu (2001, p. 29) como

“problemas com operações bem conhecidas, mas que contêm algum fator ou critério

variável que pode influir no resultado”. Exemplos de problemas semi-estruturados

incluem a previsão de vendas e a previsão de compras.


Para Shimizu (2001, p. 29), “nos problemas não estruturados, tanto os cenários,

como o critério de decisão, não estão fixados ou conhecidos a priori”. Um exemplo

de problema não estruturado é o investimento em P&D.


As decisões podem ser programadas e não programadas. De acordo com Bateman

e Snell (apud Porto, 2000, p. 23), as decisões programadas apresentam “respostas
47




objetivamente corretas e podem ser resolvidas pela utilização de regras, políticas ou

resultados de computações numéricas simples. Diante de uma decisão programada,

existe um procedimento ou uma estrutura clara para se chegar ao resultado correto”.

Stoner e Freeman (1995) definem decisões programadas como sendo decisões

envolvendo assuntos rotineiros e que podem ser tratados através de procedimentos,

políticas ou regras, escritas ou não, tornando o processo decisório mais simples.

São decisões que se explicam mediante um conjunto de procedimentos pré-

estabelecidos e são tomadas em ambiente de certeza ou baixa incerteza, em razão

de quase todos os resultados já serem conhecidos.


As decisões não programadas caracterizam-se, segundo Porto (2000, p. 23), “por

resultarem de situações e/ou problemas inéditos ou não esperados, os quais

geralmente representam decisões únicas e complexas, cujo resultado não se

encontra previamente descrito”. Para Stoner e Freeman (1995) as decisões não

programadas destinam-se a problemas incomuns ou excepcionais que requeiram

soluções específicas. Por sua vez, não tem regras para seguir e nem possuem um

esquema específico para ser utilizado. Podem ser conhecidas ou inéditas. Nas

decisões não-programadas conhecidas, o tomador de decisão já esteve envolvido

com problema igual ou parecido. Embora todas as variáveis não sejam conhecidas,

já existe uma certa experiência em situações semelhantes. Nas decisões não-

programadas inéditas, o tomador de decisão se vê diante de uma situação

completamente nova e não pode contar com nenhuma regra pré-estabelecida para

auxiliá-lo.


O Quadro 3 apresenta os dois tipos de decisões e os respectivos tipos de problemas

e procedimentos.
48




Quadro 3: Tipos de decisões

                Decisões                           Decisões não programadas/não
                programadas/rotineiras             rotineiras
Tipo de         Freqüentes,         repetitivos,   Singulares, desestruturados, muita
problema        rotineiros, pouca incerteza        incerteza envolvendo as relações
                envolvendo as relações de          de causa e efeito.
                causa e efeito.
Procedimento    Dependência de políticas,          Necessidade        de    criatividade,
                regras     e    procedimentos      intuição, tolerância à ambigüidade e
                definidos.                         soluções criativas para problemas.
Fonte: adaptado de Gibson et al. (apud Porto, 2000, p. 23)




As decisões em finanças podem ser classificadas em decisões de longo prazo e

decisões de curto prazo. As decisões de curto prazo referem-se basicamente à

gestão de caixa da empresa e geralmente são decisões do tipo programadas. As

decisões de longo prazo estão relacionadas com as decisões de investimento e

financiamento e são, essencialmente, decisões não-programadas.


As informações financeiras são de fundamental importância para a tomada de

decisão nas empresas. Sem um gerenciamento financeiro adequado, as empresas

podem perder recursos e ter sua sobrevivência abalada. Como exposto

anteriormente, O’Brien (2002, p. 188) apresenta quatro categorias fundamentais de

SIFs: administração de caixa; administração de investimentos; orçamentos de

capital; e planejamento financeiro. É possível trabalhar as informações financeiras

considerando essas quatro categorias.
49




2.8.1 Administração de caixa


A administração de caixa envolve a gestão das entradas e saídas de caixa de uma

organização. De acordo com Leets (1997, p. 662), uma correta administração de

caixa auxilia no alcance da lucratividade de uma organização, “ao reduzir o período

de cobrança e os custos de transação relacionados ao processo de cobranças e

pagamentos”.


Os administradores financeiros, quando estão envolvidos com a administração de

caixa, procuram acelerar os recebimentos de valores e retardar os pagamentos,

tentando minimizar a necessidade de financiamento. Os SIFs de administração de

caixa, segundo O’Brien (2002, p. 188), auxiliam nessa tarefa e “coletam informações,

em tempo real ou em determinado período, sobre todos os recebimentos e

desembolsos de caixa da empresa”.


As previsões de fluxo de caixa (diária, semanal ou mensal) também são fornecidas

pelos SIFs de administração de caixa e são de fundamental importância para a

organização, pois auxiliam na identificação de futuros déficits ou excessos de caixa.

A administração eficiente desses déficits ou excessos de caixa possibilita a

sobrevivência da organização a longo prazo.




2.8.2 Administração de investimentos


Antes de investir o excesso de caixa de um determinado período em matéria-prima

ou em equipamentos, por exemplo, as empresas podem investir esse montante em

títulos negociáveis de curto ou de longo prazo. De acordo com O’Brien (2002, p.
50




188), os SIFs de administração de investimento podem auxiliar na administração do

portfólio desses títulos para que ofereçam o menor risco e o maior rendimento.


Estes SIFs de administração de investimento geralmente estão on-line, com diversas

fontes na Internet. Segundo O’Brien (2002, p. 188), “ajudam o gerente financeiro a

tomar decisões de compra, venda ou retenção para cada tipo de título, de forma a

desenvolver uma composição ótima de títulos que minimize riscos e maximize

receitas de investimento para a empresa”.




2.8.3 Orçamento de capital


De acordo com Gitman (1997, p. 288), “o processo de orçamento de capital envolve

a geração de propostas de investimento a longo prazo; a avaliação, análise e

seleção delas; e a implementação e acompanhamento das que foram selecionadas”.

O uso dos SIFs pode auxiliar o administrador financeiro a determinar a combinação

ótima de projetos de capitalização para a organização.


O orçamento de capital é fundamental para as empresas, pois estas desembolsam

grandes montantes em investimentos a longo prazo, e estes precisam ser bem

selecionados. Gitman (1997, p. 288) salienta que “orçamento de capital é o processo

que consiste em avaliar e selecionar investimentos a longo prazo que sejam

coerentes com o objetivo da empresa de maximizar a riqueza de seus proprietários”.


Welsh (1996, p. 230) enfatiza que “os projetos de investimento normalmente

envolvem aplicações de recursos substanciais, e seu impacto na empresa estende-

se por períodos relativamente longos”. Por isso, precisam ser bem selecionados,
51




sempre levando em consideração a rentabilidade e o impacto financeiro de

determinadas propostas de dispêndio de capital.




2.8.4 Planejamento financeiro


O planejamento financeiro é importante para as empresas, na medida em que,

segundo Gitman (1997, p. 588), “fornece roteiros para dirigir, coordenar e controlar

suas ações na consecução de seus objetivos”. Os SIFs auxiliam os administradores

financeiros a atingir os objetivos da organização, pois ajudam a avaliar o

desempenho financeiro presente e projetado, e a determinar a necessidade e as

possibilidades de financiamento para a organização.


No curto prazo, um aspecto importante do planejamento financeiro refere-se ao

orçamento de caixa. De acordo com Gitman (1997, p. 590), “o orçamento de caixa

permite à empresa prever suas necessidades de caixa a curto prazo, geralmente no

período de um ano, subdivido em intervalos mensais”. Esse tipo de planejamento é

muito relevante para a organização, pois permite que esta planeje investimentos a

curto prazo se a previsão for de excesso de recursos e se prepare com antecedência

para obter financiamento caso haja previsão de falta de caixa.




2.9 CONCLUSÃO


Este capítulo teve como objetivo promover uma discussão teórica sobre os Sistemas

de Informações Financeiras e sua relevância para o dia-a-dia das empresas. Para

tanto, procurou-se percorrer uma trajetória de evolução, enfatizando, primeiramente,
52




os sistemas de maneira geral para, posteriormente, enfocar os Sistemas de

Informações.


Com relação aos SIs, apresentaram-se algumas possíveis classificações desses SIs,

detalhando melhor a apresentada por Zwass (1992). Depois de classificados os SIs,

enfatizaram-se os Sistemas de Informações Financeiras e as informações

financeiras fundamentais para a tomada de decisão.
53




3 AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES




3.1 INTRODUÇÃO


Este capítulo tem como objetivo esclarecer alguns aspectos importantes da

avaliação de SI. Um SI não deve ser implantado em uma organização e esquecido.

É necessário considerar uma constante avaliação para saber se o SI está cumprindo

com seus objetivos e auxiliando a organização a atingir suas metas.


Inicialmente, apresentam-se algumas definições de avaliação de SI. Posteriormente,

relacionam-se alguns modelos de avaliação de SI, enfatizando suas características e

relevância.




3.2 DEFINIÇÃO DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES


De acordo com Stair (1998, p. 312), o objetivo da avaliação de SI “é determinar se

os objetivos alcançados pelo sistema atual estão satisfazendo ou não as metas da

organização”. Por meio dessa avaliação, podem ser identificados possíveis

problemas ou oportunidades ainda não relevados.


Para Laudon e Laudon (1999, p. 244), a implementação de SI passa por fases. O

conjunto dessas fases é denominado ciclo de vida do SI. Esse ciclo de vida é

formado por seis estágios: definição do projeto; estudo do sistema; projeto;

programação; instalação; e pós-implementação. Nesta última fase, avalia-se o

sistema depois de sua instalação para verificar se há necessidade de mudanças
54




para satisfazer as novas necessidades de informações ou para aumentar a eficiência

do processamento.




3.3 MODELOS DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES


Quando se avalia um SI, podem-se utilizar diversos modelos para atingir tal objetivo.

Uma das maneiras de realizar essa avaliação consiste em considerar a qualidade

das informações geradas pelo SI. De acordo com Zwass (1992), é fundamental

determinar qual informação é necessária bem como a qualidade dessa informação

quando o SI está sendo avaliado, pois quando se implementa um SI espera-se que

este forneça informações com a qualidade esperada.


Quando se buscam informações de qualidade, espera-se que esta tenha alguns

atributos. Zwass (1992) considera que os atributos fundamentais da informação de

qualidade são: conveniência, exatidão, precisão, ser completa, relevância e forma

apropriada. O Quadro 4 resume esses atributos e estabelece as definições básicas

de cada um.
55




Quadro 4: Atributos da informação de qualidade

         Atributo                                    Definição
Conveniência                  Informação disponível quando necessária e não
                              desatualizada quando estiver disponível.
Exatidão                      Corresponde à realidade que a informação
                              representa; livre de erros.
Precisão                      Oferece informação com um grau de precisão
                              apropriado aos dados em questão para a tomada de
                              decisão.
Ser Completa                  Incluir tudo o que o usuário precisa saber sobre a
                              situação em questão.
Concisão                      Não incluir elementos desnecessários ao usuário.
Relevância                    Tem influência direta na situação de tomada de
                              decisão
Forma apropriada              O nível de detalhes e o formato são selecionados e
                              adequados para cada situação.
Fonte: adaptado de Zwass (1992).




Zanoteli (2001) realizou um estudo de caso múltiplo em que avaliou os SIs por meio

da percepção de valor dos usuários, enfatizando os atributos das informações

geradas pelo SI e os atributos do sistema. No entanto, o autor não utilizou apenas o

método da percepção de valor dos usuários (avaliando os atributos das informações

e dos sistemas) para avaliar os SIs estudados. Fez uso também de outros métodos,

como a estrutura WCA de Alter (1996), apresentada a seguir. Esse modelo de

avaliação de SI foi também utilizado por Cardoso (2001) na avaliação de um sistema

SAP R/3.


Alter (1996) propõe um método para avaliar os SIs que pode ser utilizado também

para analisar qualquer processo de negócio. Esse método, denominado Análise

Centrada no Trabalho (WCA – Work-Centered Analysis), é baseado no princípio de

que o administrador pode e deve analisar os SIs focalizando o trabalho que está

sendo realizado. O trabalho, neste contexto, é considerado como a aplicação de
56




recursos, como pessoas, equipamentos, tempo e dinheiro para gerar saídas que

possam ser utilizadas por clientes internos e externos. Dessa forma, o trabalho só

ocorre de fato se as saídas decorrentes do SI puderem ser utilizadas por clientes

internos e externos.


Alter (1996) identifica seis elementos necessários à compreensão do papel de um SI

em um processo de negócio:


   Clientes: podem ser internos e externos. São considerados como as pessoas que

   utilizam as saídas. Para fins de SI, são os usuários das informações

   disponibilizadas pelo sistema.


   Produtos: são as saídas do sistema. No caso dos SIs, são as informações

   fornecidas pelo sistema aos clientes internos ou externos.


   Processo de negócio: é um grupo relacionado de passos ou atividades que utiliza

   pessoas, informação e outros recursos para criar valor para os clientes internos

   ou externos. Consiste em passos relacionados a tempo e espaço, com começo e

   fim e com entradas e saídas.


   Participantes: são as pessoas que inserem os dados no SI, processam esses

   dados e utilizam a informação disponibilizada pelo SI.


   Informação: são as informações recebidas, criadas ou modificadas pelo SI.

   Podem apresentar-se de diversas formas, como textos, sons, figuras e vídeo.


   Tecnologia: representa a tecnologia que o sistema utiliza. É a ferramenta que

   executa o trabalho diretamente ou que é utilizada para ajudar as pessoas a

   realizarem o trabalho.
57




Salienta o autor que quando se utiliza o modelo WCA para avaliar os SIs é preciso

analisar primeiro o processo de negócios desejado antes de pensar no SI que apóia

esse processo. Quando as empresas falham nessa avaliação, o SI pode ser utilizado

para automatizar um processo que está desorganizado e obter como resultado um

processo desorganizado automatizado e nada mais.


No modelo WCA, considerado por Alter (1996) como uma estrutura (conjunto de

idéias utilizado para organizar um pensamento sobre um tipo particular de coisa ou

situação), o SI inclui a informação, a Tecnologia da Informação, alguma parte dos

esforços dos participantes e alguma parte do processo de negócios. Dessa forma, é

possível analisar os SIs não apenas como sistemas puramente técnicos, mas sim

levando-se em consideração também o porquê de este sistema existir.


Alter (1996) apresenta cinco perspectivas por meio das quais um SI pode ser

analisado,   baseando-se     na   estrutura   WCA:   arquitetura;   desempenho   ou

performance; infra-estrutura; contexto; e riscos.


   Arquitetura: especifica como o SI atual ou proposto opera mecanicamente,

   apresentando seus componentes, a maneira como estes componentes estão

   unidos e como estes componentes operam de maneira sistêmica. O aspecto

   básico da arquitetura é a decomposição sucessiva, ou seja, dividir os

   componentes nas suas unidades mais básicas até que a pessoa que está

   realizando a análise entenda suficientemente a arquitetura.


   Desempenho ou performance: procura verificar como o sistema opera e se opera

   corretamente. Como o desempenho de um sistema depende de um equilíbrio

   entre os componentes do sistema, melhorar o desempenho de apenas uma parte
58




   do sistema pode não afetar os resultados caso as outras partes mantenham-se

   inalteradas.


   Infra-estrutura: compreende os recursos dos quais o sistema depende e com os

   quais compartilha com outros sistemas. No caso de SI, a infra-estrutura técnica

   inclui redes de computador, sistemas de telefone e software necessários para

   operar os SIs. A infra-estrutura humana é representada pelo pessoal de apoio

   que mantém o SI funcionando. Quando se analisa a infra-estrutura, podem-se

   descobrir oportunidades inexploradas para utilizar determinados recursos

   disponíveis, como também podem-se descobrir obstáculos capazes de impedir

   ou prejudicar determinada mudança que seja necessária.


   Contexto: é o ambiente técnico e organizacional no qual o sistema opera,

   incluindo acionistas, assuntos competitivos e reguladores externos à empresa,

   além de políticas, práticas e a cultura da organização. O contexto pode tanto

   incentivar a mudança como criar obstáculos para que ela aconteça.


   Riscos: consistem em eventos previsíveis cuja ocorrência poderia resultar em

   degradação ou falha do sistema. Os riscos podem estar relacionados a três

   aspectos principais: acidentes e mau funcionamento (bugs, falhas humanas e

   etc.); crime de computador (hackers, vírus, falsificações, transferências bancárias

   sem autorização e etc.); e falhas de projeto.


Cardoso (2001) utilizou a perspectiva de desempenho, ou performance da estrutura

WCA, anteriormente apresentada, para realizar a avaliação de um sistema SAP R/3,

já que esta permite a análise das características e atributos das informações

disponibilizadas pelo sistema. Realizou a avaliação do desempenho ou performance

do sistema levando em consideração os seis elementos compreendidos pela
59




estrutura WCA como necessários para completar tal análise; ou seja: clientes,

produtos, processo de negócios, participantes, informação e tecnologia. Além da

perspectiva do desempenho ou performance do sistema, avaliou o SI também sob a

perspectiva de riscos do sistema, levando em conta também os seis elementos

necessários a tal avaliação.


Um SI pode também ser avaliado levando em consideração a relação

custo/benefício. De acordo com Zwass (1992), a análise custo/benefício procura

estabelecer se os benefícios gerados por um SI superam os custos necessários para

sua implementação. Além disso, utiliza-se esta análise para comparar se as

alternativas que o SI oferece satisfazem as necessidades informacionais dos

usuários.


Segundo Stair (1998, p. 326), “a análise custo/benefício é uma técnica que lista

todos os custos e benefícios” da implantação de um SI. Quando se implementa um

SI, incorre-se em custos (muitas vezes, altíssimos) que podem ou não ser

compensados pelos benefícios proporcionados à organização. O Quadro 5 ilustra

alguns custos e benefícios decorrentes da implantação de um SI na organização.
60




Quadro 5: Custos/benefícios da implantação de um SI

                 Custos                                  Benefícios
Custos de desenvolvimento                 Custos reduzidos
  Pessoal de desenvolvimento                 Menor número de pessoas
  Recursos de computador utilizados          Custos de fabricação reduzidos
Custos Fixos                                 Custos de estoque reduzidos
  Equipamento         de      computador     Uso mais eficiente do equipamento
  comprado
  Aquisição de software                      Tempo mais rápido de resposta
  Pagamentos de licenças de uma só           Tempo reduzido de baixa produção
  vez por software ou manutenção             ou de desastres
Custos Operacionais                       Faturamento aumentado
  Leasing de equipamentos e/ou               Novos produtos e serviços
  pagamentos de aluguéis
  Pessoal de computação (incluindo           Novos clientes
  salários, benefícios, etc.)
  Eletricidade e outros serviços públicos    Mais negócios com os clientes
                                             existentes
  Papel, fitas e discos de computador        Preço mais alto em conseqüência de
                                             melhores produtos e serviços
  Outros suprimentos de computador        Benefícios intangíveis
  Custos de manutenção                       Melhor imagem pública para a
                                             organização
  Seguros                                    Moral dos funcionários mais elevado
                                             Melhor atendimento para clientes
                                             novos e antigos
                                             Capacidade para recrutar melhores
                                             funcionários
                                             Ser um líder do negócio
                                             A utilização do sistema é mais fácil
                                             para programadores e usuários
Fonte: adaptado de Stair (1998, p. 327).




Pode-se perceber pela análise do Quadro 5 que a avaliação de SI em relação ao

custo/benefício leva em consideração alguns aspectos intangíveis, o que pode

prejudicar a análise. Esse tipo de análise é bastante utilizado pelo fato de ser de

simples aplicação. Porém, quando se avaliam os benefícios intangíveis, pode-se

incorrer em erros que inviabilizem ou distorçam a análise.
61




Freitas; Ballaz e Moscarola (1994) desenvolveram um modelo para avaliação de SI

baseado em dois pilares: facilidade de uso (ligada ao sistema e à interação usuário-

sistema); e utilidade (ligada ao usuário ou decisor, suas funções, atividades e

processos nos quais está envolvido). Com base nesse modelo e nos atributos da

informação apresentados por Zwass (1992), Cohen e Souza (2001) avaliaram um SI

utilizando 15 atributos (ou variáveis), divididos em três grupos: a) quanto ao sistema

– aspecto funcional, interface, disponibilidade e acesso; b) quanto às informações –

conteúdo, apresentação, quantidade, digitação, oportunidade, exatidão, precisão,

completude, concisão e relevância; e c) quanto à opinião geral sobre o sistema –

avaliação geral do sistema.


Avrichir (2001) fez uma análise de diversos métodos para avaliar a satisfação do

usuário da informação, considerando que avaliar a satisfação desses usuários é uma

maneira de avaliar os SIs. Os métodos analisados são resumidos no Quadro 6.
62




Quadro 6: Métodos para avaliação da satisfação do usuário da informação

                     Bailey e            Doll e
 Característica      Pearson           Torkzadeh      Davis         Goodhue          SERVQUAL
Nível de Análise Todos os           Sistema ou    Sistema ou Todos os              Todos os
                 serviços e         aplicativo de aplicativo de sistemas e         sistemas e
                 sistemas;          computação de usuário final serviços           serviços
                 voltado para       usuário final               ligados ao uso     oferecidos pela
                 mainframe                                      gerencial da       função serviços
                                                                informação.        de informação
Base conceitual   Satisfação no     Satisfação no Modelo de     Adequação          Qualidade
                  trabalho          trabalho      aceitação de tarefa-             percebida
                                                  tecnologia    tecnologia
Número de         39 no original.   12            12            32                 44
questões          13 no
                  simplificado
Número de         3                 5                2             12 (postulados) 5
constructos       (descobertos      (descobertos     (postulados)                  (descobertos
válidos           empiricamente)    empiricamente)                                 empiricamente)
Constructos       Pessoal e         Conteúdo,        Utilidade e   Nível certo de  Confiabilidade,
específicos       serviços de       acurácia,        facilidade de detalhe,        responsividade,
                  PED, Sistema      pontualidade,    uso           acurácia,       segurança,
                  de informação     facilidade de    percebida     atualização,    empatia e
                  e envolvimento    uso e formato                  facilidade de   tangíveis
                  e conhecimento                                   uso do HW e
                  do usuário                                       SW,
                                                                   apresentação,
                                                                   compatibilidade
                                                                   significado,
                                                                   confusão,
                                                                   localização,
                                                                   acesso,
                                                                   assistência e
                                                                   confiabilidade
                                                                   do sistema
Fonte: adaptado de Avrichir (2001).




Maçada et al. (2000) utilizaram um método desenvolvido por Torkzadeh e Doll

(1999) para avaliar a satisfação do usuário de um protótipo de SAD (Sistema de

Apoio à Decisão). Este método está baseado em quatro constructos − produtividade

do trabalho, inovação no trabalho, satisfação do usuário e controle gerencial −, que

estão representados por um total de 12 questões e que têm como finalidade avaliar

o impacto da Tecnologia da Informação no trabalho do usuário final. O Quadro 7

resume os constructos utilizados e as respectivas questões.
63




Quadro 7: Método de Torkzadeh e Doll para avaliar o impacto da TI no trabalho do
usuário final
Constructos
Produtividade no trabalho
P1 Este sistema poupa-me tempo.
P2 Este sistema aumenta minha produtividade.
P3 Este sistema possibilita-me executar mais trabalho do que seria possível sem ele.
Inovação no trabalho
II1 Este sistema ajuda-me a criar novas idéias.
II2 Este sistema permite-me propor novas idéias.
II3 Este sistema coloca-me diante de idéias inovadoras.
Satisfação do usuário
C1 Este sistema melhora o trabalho do usuário.
C2 Este sistema melhora a satisfação do usuário.
C3 Este sistema vai de encontro com as necessidades do usuário.
Controle gerencial
M1 Este sistema ajuda no controle gerencial do processo de trabalho.
M2 Este sistema melhora o controle gerencial.
M3 Este sistema ajuda o controle gerencial da performance
ESCALA LIKERT UTILIZADA NA AVALIAÇÃO
1- Nada
2- Um pouco
3 – Moderadamente
4 – Muito
5 – Muitíssimo

Fonte: adaptado de Torkzadeh;Doll (1999).




Gobbo (2001) também utilizou esse método para avaliar a satisfação do usuário de

um SI. Além de avaliar a satisfação do usuário, avaliou a utilidade do sistema,

baseando-se em três itens: eficácia do software do sistema (método dos fatores
64




críticos de sucesso); impacto na estrutura funcional da organização (análise dos

processos); e análise dos indicadores de desempenho.


Souza e Zwicker (2000) avaliaram a implementação de sistemas ERP em duas

empresas utilizando um método baseado no ciclo de vida desses sistemas, que

compreende as seguintes fases: decisão e seleção; implementação; e utilização.

Oliveira e Ramos (2002) utilizaram esse método de ciclo de vida apresentado por

Souza e Zwicker (2000) para avaliar a implementação de um sistema ERP em outra

empresa, enfatizando as mesmas fases.


De acordo com Irani (2002), os projetos de investimento em SI não devem ser

analisados apenas em termos financeiros, mas devem levar em consideração os

benefícios intangíveis decorrentes da implementação do SI. O autor realizou um

estudo de caso em uma empresa no qual avaliou os benefícios estratégicos, táticos

e operacionais da implantação de um MRPII (Manufacturing Resource Planning).

Esses benefícios foram subclassificados em: financeiros, não-financeiros e

intangíveis. O estudo procurou mostrar que a avaliação da Tecnologia da Informação

(TI) e do SI deve levar em consideração os benefícios financeiros, os não-financeiros

e os intangíveis.


Serafeimidis e Smithson (2003) propuseram quatro possíveis orientações para a

avaliação de SI. Essas orientações mostram a importância do contexto na percepção

e no desempenho da avaliação e consideram fundamental levar em consideração a

contingência quando se pretende avaliar um SI, devido à diversidade dos contextos

e das mudanças relacionadas à implementação de SI, à incerteza com relação aos

resultados esperados e às diferentes necessidades através do tempo. A Figura 4

resume as quatro orientações propostas (controle, aprendizado social, coerência,
65




exploração). Esse modelo de avaliação foi aplicado pelos autores em uma empresa

de seguros, por meio de um estudo de caso.



                                                               Im p a c t o d o S is te m a d e In fo r m a ç õ e s
                                                                               n a o r g a n iz a ç ã o

                                            C onsenso       T á t ic o                                 E s t r a té g ic o




                                                                   C o n t r o le                 A p r e n d iz a d o
  P e rc e p ç ã o d o s




                                                                                                       S o c ia l
                           o b je tiv o s




                                            N ão consenso




                                                                   C o e r ê n c ia               E x p lo r a ç ã o




Figura 4: Quatro possíveis orientações para avaliação de SI
Fonte: adaptado de Serafeimidis; Smithson (2003, p. 256)




Shang e Seddon (2002) apresentaram uma lista de benefícios que devem ser

analisados para avaliar um SI nos anos seguintes a sua implementação. Esses

benefícios estão consolidados em cinco dimensões: operacional (exemplo: redução

de custos); administrativa (exemplo: melhoria na tomada de decisão e no

planejamento); estratégica (exemplo: inovação nos negócios mediante a criação de

produtos e serviços); infra-estrutura da Tecnologia da Informação (exemplo:

flexibilidade); e organizacional (exemplo: melhorias na moral e satisfação dos

funcionários).


Grant; Plante e Leblanc (2002) propuseram uma metodologia para avaliar SI em

biomedicina. Essa metodologia é baseada em uma estrutura de avaliação - TEAM
66




(Total Evaluation and Acceptance Methodology), composta por três dimensões:

conduta; tempo; e estrutura. A primeira dimensão possui quatro categorias: designer;

usuário especialista; usuário final; e stakeholder. A segunda dimensão possui quatro

fases em direção à relativa estabilidade do SI. A terceira dimensão distingue três

níveis: estratégico; tático ou organizacional; e operacional. Esta metodologia pode

ser usada para avaliar qualquer SI baseado em computador, não necessariamente

deve restringir-se à área de biomedicina e tem como principal objetivo avaliar as

necessidades correntes e futuras dos diversos usuários do SI.


Como se pode perceber, diversos são os métodos para avaliar os SIs. É importante

que a escolha do método esteja baseada naquilo que se pretende avaliar e que a

avaliação não esteja centrada apenas no retorno financeiro do investimento em SI,

mas também nos benefícios intangíveis que esse SI pode proporcionar e nas

informações que ele pode disponibilizar. Esta pesquisa buscou avaliar a satisfação

dos usuários do SI, visando verificar os aspectos positivos e negativos dos SIs, e

suas deficiências/limitações; além de verificar, por meio da aplicação de

questionários, a satisfação do usuário em relação tanto ao sistema em si quanto às

informações por ele disponibilizadas.




3.4 CONCLUSÃO


Este capítulo apresentou algumas definições de avaliação de SI e também alguns

modelos e métodos que podem ser utilizados para avaliar os SIs. Independente do

modelo a ser utilizado para avaliar o SI, é fundamental que o sistema seja avaliado

para que a empresa possa saber se o SI implantado está ou não atingido os

objetivos previamente estabelecidos.
67




É importante salientar também que há uma tendência em avaliar os SIs não apenas

em termos financeiros, mas também levando em consideração seus aspectos

intangíveis. Outros aspectos que devem ser levados em consideração na avaliação

dos SIs são a qualidade da informação gerada pelo sistema e a satisfação dos

usuários com relação a essas informações.
68




4 METODOLOGIA



4.1 INTRODUÇ ÃO


Neste capítulo, são apresentados alguns aspectos fundamentais para compreender

a metodologia utilizada para a condução da pesquisa. Inicialmente, apresentam-se o

delineamento e a perspectiva da pesquisa e, na seqüência, definem-se a unidade de

análise e o número de casos. A seguir, apresentam-se os critérios utilizados para a

seleção das empresas estudadas. Posteriormente, enfatizam-se os instrumentos de

coleta de dados, que incluem entrevistas, questionários, observação não-

participante e pesquisa documental. Na seqüência, apresentam-se os instrumentos

de análise de dados, incluindo a análise de conteúdo, a triangulação e a

modelagem. Finalizando, apresenta-se o protocolo para a realização dos estudos de

casos.




4.2 DELINEAME NTO E PERSPECTIVA DA PESQUISA


Esta pesquisa caracteriza-se como essencialmente qualitativa. De acordo com

Cassell e Symon (1995, p. 7), a pesquisa qualitativa apresenta as seguintes

características: foco na interpretação, ao invés de na quantificação; ênfase na

subjetividade, ao invés de na objetividade; flexibilidade no processo de condução da

pesquisa e preocupação com o contexto. Essas características, entre outras,

diferenciam a pesquisa qualitativa da quantitativa e permitem verificar a importância

do método qualitativo para a condução desta pesquisa.
69




Quanto ao grau de cristalização da questão de pesquisa, este estudo caracteriza-se

como formal, pois já existem diversos trabalhos publicados relacionados à avaliação

de SI, sendo que vários métodos foram utilizados para realizar tal avaliação. Quanto

ao objetivo do estudo, esta pesquisa caracteriza-se como descritiva e explanatória. É

considerada descritiva pois, num primeiro momento, tem como objetivo descrever

um fenômeno, sem no entanto ter a obrigação de explicá-lo. Descreve-se o processo

de utilização de SI na área financeira das empresas estudadas, com a finalidade de

saber se os SIFs atendem ou não às necessidades de informações dos

administradores. De acordo com Cooper e Schindler (2003, p. 31), “o estudo

explanatório vai além da descrição e tenta explicar as razões para o fenômeno que o

estudo descritivo apenas observou”. Como já existem diversos estudos relacionados

com avaliação de SI, como citado anteriormente, é possível avançar para além da

pesquisa descritiva, desenvolvendo um estudo também explanatório.


Quanto à dimensão de tempo, a presente pesquisa é transversal, ou seja, é um

estudo que representa determinado momento. Como salientam Cooper e Schindler

(2003, p. 129), os estudos transversais diferenciam-se dos longitudinais, pois não

são realizados em períodos longos. Além disso, é uma pesquisa ex post facto, ou

seja, realizada após a implementação do SI, mais especificamente do SIF. De

acordo com Cooper e Schindler (2003, p. 128), em um planejamento ex post facto

não é possível controlar as variáveis, no sentido de poder manipulá-las, e o

pesquisador pode apenas relatar o que aconteceu ou o que está acontecendo no

momento. Nesse tipo de pesquisa é fundamental que as variáveis não sejam

influenciadas, para não gerar viéses.


Considerando o escopo do tópico (amplitude e profundidade do estudo), esta

pesquisa é considerada um estudo de caso. Cooper e Schindler (2003, p. 130)
70




salientam que “os estudos de casos colocam mais ênfase em uma análise contextual

completa de poucos fatos ou condições e suas inter-relações”. De acordo Yin (2001,

p. 32), “um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno

contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os

limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Para a

condução do estudo de caso é fundamental a utilização de múltiplas fontes de dados

(como entrevistas, questionários, observação). Diante destas características, pode-

se considerar o estudo de caso como o método mais indicado para a realização

desta pesquisa.




4.3 UNIDADE D E ANÁLISE


De acordo com Yin (2001, p. 44), “a definição da unidade de análise (e, portanto, do

caso) está relacionada à maneira como as questões iniciais da pesquisa foram

definidas”. Dessa forma, ao especificar corretamente as questões de pesquisa,

pôde-se selecionar adequadamente a unidade de análise.


Após a análise das perguntas de pesquisa, pôde-se considerar como unidade de

análise desta pesquisa os Sistemas de Informações Gerenciais (O’Brien, 2002; Stair,

1998) ou Sistemas de Relatórios Gerenciais (Zwass, 1992), mais especificamente os

Sistemas de Informações Financeiras, conforme classificação apresentada no

capítulo 2, seção 2.6. De acordo Pozzebon e Freitas (1998a, p. 162), quando a

pesquisa é sobre Sistemas de Informações “a unidade de análise deve ser o

sistema. Os usuários dos sistemas são apenas os respondentes e correspondem a

uma das estratégias de coleta de dados”.
71




4.4 DEFINIÇÃO DO NÚMERO DE CASOS


Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de casos múltiplos, consistindo no

estudo dos SIFs de três empresas previamente selecionadas. A análise de casos

múltiplos é importante porque permite, além de verificar similaridades ou diferenças

entre os casos estudados, estabelecer que um estudo de caso seja complementar

ao outro, favorecendo uma melhor análise dos dados.


De acordo com Yin (2001, p. 72), a seleção do número de casos num projeto de

casos múltiplos pode ser uma decisão baseada no número de replicações de caso

(literais e teóricas) que seria interessante para o desenvolvimento da pesquisa. No

caso de replicações literais (busca prever resultados semelhantes), a seleção do

número de replicações está ligada ao nível de certeza que se pretende obter com os

resultados obtidos por meio da realização dos casos múltiplos. Com relação ao

número de replicações teóricas (busca-se produzir resultados contrastantes apenas

por razões previsíveis), este está relacionado às condições externas; ou seja,

quando não se acredita que as condições externas possam produzir grande variação

no aspecto que está sendo estudado, faz-se necessário um número menor de

replicações teóricas.


Para esta pesquisa, considerou-se que a realização de três estudos de casos, ou

seja, três replicações, seria suficiente para atingir os objetivos inicialmente

estabelecidos. Outro aspecto a considerar é que esta pesquisa é uma replicação de

pesquisas realizadas anteriormente com os mesmos objetivos, ou objetivos bastante

similares, o que reforça a constatação de que a realização de três estudos de casos

é suficiente.
72




Essa replicação também contribui para o que Yin (2001, p. 54) chama de

“generalização analítica”. Nesse tipo de generalização, “o pesquisador está tentando

generalizar um conjunto particular de resultados a alguma teoria mais abrangente”.

Para que a generalização analítica ocorra, é necessário “testar uma teoria através da

replicação das descobertas em um segundo ou mesmo em um terceiro local, nos

quais a teoria supõe que deveriam ocorrer os mesmos resultados”.


Dessa forma, mediante a condução de três replicações (três estudos de casos) e

considerando os estudos já existentes sobre o tema desta pesquisa (Cardoso, 2001;

Zanoteli, 2001), pôde-se testar as descobertas em outros locais, o que contribuiu

para a generalização analítica.




4.5 SELEÇÃO D AS EMPRESAS ESTUDADAS


Alguns critérios foram observados para que a seleção das empresas estudadas

fosse possível. Em primeiro lugar, procurou-se selecionar empresas que utilizam

algum tipo de SIF de maneira profissional; ou seja, que baseiam suas decisões

financeiras em informações disponibilizadas por SIF. Um segundo critério a

considerar é que não se levou em conta qualquer restrição quanto ao tipo de SIF

utilizado, nem quanto à atividade desenvolvida e ao porte da empresa. Um terceiro

critério refere-se à disponibilidade da empresa em contribuir para a pesquisa,

fornecendo dados necessários para a sua conclusão.


Dessa forma, as empresas que contribuíram para a realização desta pesquisa foram

selecionadas por meio de uma amostragem intencional por julgamento, na qual “o

pesquisador seleciona membros da amostra para atender a alguns critérios”
73




(COOPER e SCHINDLER, 2003, p. 169). Esses critérios foram anteriormente

expostos, sendo que o principal deles refere-se ao fato de a empresa utilizar algum

tipo de SIF.


As empresas foram inicialmente contatadas, verificando-se a possibilidade de

realização da pesquisa. A primeira empresa visitada foi a M.A. Falleiros, que utiliza

um SI da empresa Infomark, desenvolvido para confecções; a segunda foi a Noma,

que     utiliza   um    sistema     da    empresa      SAP     (Systemanalyse     and

Programmentwicklung.- Sistemas, Aplicações e Produtos para Processamento de

Dados); e a terceira foi a Indel, que utiliza o sistema Protheus da Microsiga.


A pesquisa nas empresas transcorreu de junho de 2003 a fevereiro de 2004. O

Quadro 8 apresenta a relação das pessoas entrevistadas e as respectivas funções

nas empresas estudadas. Para cada pessoa foi atribuído um código, que será

posteriormente utilizado para citações.




Quadro 8: Relação dos entrevistados

Empresa Estudada           Função do entrevistado           Código atribuído ao
                                                               entrevistado
                       Assistente financeiro – análise de MA1
                       crédito e cobrança
M. A. Falleiros        Coordenador de contas a receber MA2
                       Coordenador de contas a pagar      MA3
                       Controller                         MA4
                       Gerente de produção                NOMA1
Noma                   Supervisor de tesouraria           NOMA2
                       Controller                         NOMA3
                       Controller                         INDEL1
Indel                  Auxiliar financeiro                INDEL2
                       Supervisor da qualidade            INDEL3
74




4.6 COLETA DE DADOS


Os dados coletados podem ser primários ou secundários. Os dados primários são

aqueles coletados pelo pesquisador, para cuja coleta podem ser utilizadas diversas

técnicas, como entrevistas, questionários, observação e pesquisa documental. O

dados secundários são aqueles já disponíveis na literatura, como livros, teses,

dissertações e artigos.


Para a realização de estudos de casos, é fundamental que os dados primários sejam

coletados por meio de diversas fontes, e não de apenas uma. De acordo com Yin

(2001, p. 120), “a necessidade de utilizar várias fontes de evidências ultrapassa em

muito a necessidade que se tem em outras estratégias de pesquisa, como em

experimentos, levantamentos ou pesquisas históricas”.


A utilização de diversas fontes de dados primários permite, segundo Yin (2001, p.

121), “o desenvolvimento de linhas convergentes de investigação, um processo de

triangulação”. Dessa forma, uma descoberta ou conclusão em um estudo de caso é

muito mais convincente e acurada se derivada de várias fontes distintas de dados,

obedecendo a um estilo corroborativo de pesquisa.


Para a realização desta pesquisa, os dados primários foram coletados por meio de

entrevista semi-estruturada, questionário, observação não-participante e pesquisa

documental. Optou-se por estas técnicas de coleta de dados pelo fato de elas

estarem mais ligadas ao objetivo geral da pesquisa; ou seja, o de avaliar se as

informações financeiras geradas pelos SIFs atendem às necessidades de

informações dos administradores. Como se buscou avaliar os SIs utilizados pelas

empresas, não foi possível utilizar uma única fonte de dados.
75




A entrevista é uma fonte de dados importante e muito utilizada em estudos de casos.

Sua importância, de acordo com King (1995, p. 14), está ligada à alta flexibilidade do

método, à possibilidade de ser usada em qualquer lugar e à capacidade de gerar

dados em grande profundidade. A entrevista semi-estruturada pode ser definida,

segundo Trivinõs (apud Zanoteli, 2001, p. 29), como


                     (...) aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados
                     em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa e que, em
                     seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto das novas
                     hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas
                     do informante.



Assim, a entrevista semi-estruturada permite que entrevistador e entrevistado

interajam e que ambos sejam flexíveis em suas perguntas e respostas,

respectivamente.


O roteiro de entrevista utilizado na realização desta pesquisa foi adaptado de

Zanoteli (2001) e Cardoso (2001). As entrevistas foram conduzidas, basicamente,

com usuários do SI que trabalham na área financeira, já que o objetivo da pesquisa

consistiu em avaliar se as informações financeiras geradas pelo SIF das empresas

estudadas atendem às necessidades de informações dos usuários.


O questionário utilizado foi do tipo fechado e as perguntas foram definidas de forma

a obter respostas classificatórias; ou seja, que permitissem classificar o SI e as

informações geradas pelo sistema em uma escala “muito bom/bom/regular/ruim”.

Este questionário, adaptado de Cardoso (2001), foi aplicado aos usuários do SI,

independente da área a que pertencem, visando contrastar os resultados obtidos

com os resultados das entrevistas conduzidas.
76




Outra técnica de coleta de dados utilizada foi a observação não-participante. De

acordo com Marconi e Lakatos (apud Zanoteli, 2001, p. 28), “na observação não-

participante o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade

estudada, mas sem integrar-se a ela: permanece de fora”. A utilização desta técnica

permitiu verificar o uso de sistemas alternativos e complementares, para suprir

deficiências do SI utilizado, além de possibilitar o contato com pessoas da área de

informática e de outras áreas.


A pesquisa documental consistiu na análise de documentos da empresa, tais como

organogramas, fluxogramas e relatórios. Foi fundamental, pois permitiu uma melhor

descrição da empresa e dos seus fatos mais importantes, assim como da sua

história.


A coleta de dados primários na realização de estudos de casos conforme ficou

comprovado, não pode estar pautada em uma única técnica, mas sim no uso de

diversas técnicas complementares. Isto permite uma melhor descrição do caso e

também um aprofundamento na pesquisa.


Os dados secundários foram obtidos de fontes secundárias de informação, que,

segundo Cooper e Schindler (2003, p. 223), são interpretações de dados primários e

incluem, entre outras, livros, dissertações, artigos, jornais e manuais. Alguns artigos

foram       obtidos   mediante   buscas   no   Portal   de    Periódico   da    Capes

(www.periodicos.capes.gov.br), em CD-Roms de congressos e na Internet (utilizando

o buscador google). Algumas dissertações também foram obtidas na Internet, nas

páginas dos cursos de mestrado da área de Administração. Como salientam Cooper

e Schindler (2003, p. 223), se os dados forem obtidos por meio de ferramentas de
77




busca na Internet, esses podem ser considerados fontes terciárias, caso exista

alguma interpretação de uma fonte secundária, o que não se aplica a esta pesquisa.




4.7 ANÁLISE D OS DADOS


De acordo com Yin (2001, p. 154), para uma análise de dados de alta qualidade é

fundamental observar alguns aspectos: deixar claro que a análise esteve pautada

em todas as evidências relevantes; a análise deve abranger todas as principais

interpretações concorrentes; a análise deve se dedicar aos aspectos mais

significativos do estudo de caso; e o pesquisador deve utilizar seu conhecimento

prévio de especialista para analisar o estudo de caso.


Dessa forma, a análise dos dados coletados na realização dos estudos de casos

deve ser de qualidade e objetiva, além de confiável. Para tanto, os dados desta

pesquisa foram analisados por meio de diversas técnicas de análise de dados,

incluindo análise de conteúdo, técnica de triangulação e modelagem. Além disso, os

dados quantitativos, coletados por meio de questionários, foram analisados

utilizando-se recursos da estatística descritiva, com o objetivo de efetuar uma

análise confirmatória dos dados, o que foi realizado com o auxílio do software Excel.

Segundo Cooper e Schindler (2003, p. 604), a análise confirmatória de dados refere-

se a “um processo analítico guiado por inferência estatística clássica em seu uso de

significância e confiança”.


A análise de conteúdo, segundo Bardin (1977, p. 42), pode ser definida como


                      (...) um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando
                      obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do
                      conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que
78



                      permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de
                      produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.



Para Bardin (1977, p. 42), fazem parte da análise de conteúdo “todas as iniciativas

que, a partir de um conjunto de técnicas parciais mas complementares, consistam na

explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e da expressão deste

conteúdo”, seja ele passível de quantificação ou não. De acordo com Cooper e

Schindler (2003, p. 346), “a análise de conteúdo mede o conteúdo semântico ou o

aspecto o quê da mensagem”.


De acordo com Weber (apud Westbrook, 1994, p. 245), a análise de conteúdo

caracteriza-se como “um método de pesquisa que utiliza procedimentos para tornar

válidas determinadas inferências a partir do texto”. Para Cullinane e Toy (2000, p.

42), “a análise de conteúdo é um conjunto de instrumentos de pesquisa para o

estudo científico de comunicações escritas, com o objetivo de determinar idéias

chave e temas contidos nessas comunicações”.


Para Cooper e Schindler (2003, p. 347), entre as vantagens da análise de conteúdo

estão: protege contra a percepção seletiva do conteúdo; garante a aplicação

rigorosa de critérios de confiabilidade e validade; e é receptiva à informatização.


Segundo Bardin (1977, p. 95), o processo de análise de conteúdo envolve três

fases: pré-análise; exploração do material; e tratamento dos resultados, inferência e

interpretação. A pré-análise é a fase de organização do material. “Corresponde a um

período de intuições, mas tem por objetivo tornar operacional e sistematizar as

idéias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das

operações sucessivas, num plano de análise” (BARDIN, 1977, p. 95). Essa fase

possui, geralmente, três dimensões: escolha dos documentos que serão submetidos
79




à análise; formulação das hipóteses e dos objetivos, e elaboração de indicadores

que fundamentem a interpretação final.


A exploração do material, de acordo com Bardin (1977, p. 100), “consiste

essencialmente de operações de codificação, desconto ou enumeração, em função

de regras previamente formuladas”. A última fase – tratamento dos resultados

obtidos e interpretação – consiste em tratar os dados brutos de maneira a torná-los

significativos e válidos. Depois de obtidos esses resultados, o pesquisador pode,

segundo Bardin (1977, p. 101), “propor inferências e adiantar interpretações a

propósito dos objetivos previstos, ou que digam respeito a outras descobertas

inesperadas”.


A análise de conteúdo pode ser quantitativa ou qualitativa. Segundo Bardin (1977, p.

21), na análise de conteúdo quantitativa o importante é a freqüência com que certas

características do conteúdo aparecem. Na análise de conteúdo qualitativa, o que

deve ser analisado é a presença ou ausência de uma determinada característica do

conteúdo ou de um determinado conjunto de características presentes em um

determinado fragmento do texto.


De acordo com Insch; More e Murphy (1997, p. 2), a análise de conteúdo apresenta

algumas vantagens, geralmente associadas aos métodos qualitativos, como riqueza

de detalhes, preservação de conteúdos importantes da informação e potencial para

fundamentar o desenvolvimento de uma teoria. Nesta pesquisa, desenvolveu-se

uma análise de conteúdo qualitativa, com o objetivo de analisar as entrevistas e as

observações, visando preservar os detalhes presentes nos dados coletados.


Para a análise de conteúdo quantitativa, várias técnicas podem ser utilizadas. Bardin

(1977, p. 153) cita as seguintes: análise categorial, análise de avaliação, análise da
80




enunciação, análise da expressão, análise das relações e análise do discurso. Na

condução da análise de conteúdo quantitativa desta pesquisa, utilizou-se a

categorial, com o objetivo de analisar as entrevistas. As categorias foram definidas

com base nos atributos da informação de qualidade (Zwass, 1992) e no questionário

aplicado aos usuários dos SIs. A seguir, apresentam-se alguns aspectos

relacionados a cada uma destas técnicas:


   Análise categorial: tem como objetivo fazer o desmembramento do texto em

   unidades, em categorias, mediante reagrupamentos analógicos. Cita-se como

   exemplo a análise temática, ou investigação dos temas. De acordo com Singleton

   et al. (apud Cullinane e Toy, 2000), a idéia básica da análise de conteúdo desta

   técnica consiste em reduzir o conteúdo da comunicação (por exemplo, da

   entrevista) em um conjunto de categorias que represente algumas características

   de interesse da pesquisa.


   Análise de avaliação: tem como finalidade medir as atitudes do locutor quanto

   aos objetos de que ele fala. Considera que a linguagem representa e reflete

   diretamente aquele que a utiliza.


   Análise da enunciação: esta técnica apóia-se em uma concepção da

   comunicação como processo, e não como dado, e trabalha desviando-se das

   estruturas e dos elementos formais. De acordo com Bardin (1977, p. 170), a

   análise da enunciação considera que “o discurso não é um produto acabado,

   mas um momento num processo de elaboração, com tudo o que isso comporta

   de contradições, de incoerências, de imperfeições”. Isso ocorre com freqüência

   nas entrevistas, em que “a produção é ao mesmo tempo espontânea e

   constrangida pela situação”.
81




   Análise da expressão: os indicadores utilizados nesta técnica não são

   indicadores semânticos (conteúdo plano dos significados), mas sim formais

   (plano dos significantes e da sua organização). Parte-se da hipótese de que há

   correspondência entre o tipo de discurso e as características do locutor e do meio

   em que está inserido.


   Análise das relações: tem como finalidade analisar não apenas a freqüência com

   que os elementos aparecem no texto, mas também as relações que os

   elementos do texto mantêm entre si. Cita-se como exemplo a análise das co-

   ocorrências, que procura, segundo Bardin (1977, p. 198), “extrair do texto as

   relações entre os elementos da mensagem ou, mais exatamente, dedica-se a

   assinalar as presenças simultâneas (co-ocorrências ou relações de associação)

   de dois ou mais elementos na mesma unidade de contexto”. A análise estrutural

   também faz parte da análise de relações, e neste contexto a análise não se

   aplica apenas ao vocabulário, léxico ou repertório semântico ou temático da

   mensagem, mas também a todas as relações que estruturam os elementos

   (signos ou significações).


   Análise do discurso: nesta técnica, de acordo com Bardin (1977, p. 217), “um

   dado   discurso   é       submetido   a   um     certo   número     de   operações     de

   desmembramento        e     de   classificação   semânticas,      sintáticas   e   lógicas

   simultaneamente”. Para Marshall (1995, p. 91), na análise de conteúdo é dada

   atenção à estrutura e à organização do discurso, preocupando-se com as

   possíveis conseqüências do uso de algumas construções no texto.


Outra técnica que contribuiu para a análise dos dados foi a triangulação, que

permite, segundo Pozzebon e Freitas (1998a, p. 164),
82



                    (...) dirigir nosso interesse aos processos e produtos centrados no
                    sujeito: averiguando as percepções do sujeito, mediante entrevistas e
                    questionários, e os comportamentos e ações do sujeito, na
                    observação livre; aos elementos produzidos pelo meio do sujeito:
                    documentos, especificações de sistemas, projetos, etc.; e aos
                    processos e produtos originados do contexto sócio-econômico: mais
                    voltado para estudos sociológicos.




Dessa forma, para que a triangulação dos dados seja possível, é necessário que os

dados sejam coletados de diversas fontes (como entrevistas, observação,

questionário e pesquisa documental) e que esses dados sejam analisados em

conjunto e de maneira integrada.


O uso da modelagem também foi fundamental para a análise dos dados. De acordo

com Pozzebon e Freitas (1998b), “através da modelagem é possível recriar o

contexto onde os dados foram gerados: através dos dados coletados a partir de

percepções do pesquisador, dos respondentes e da transcrição de documentos”.




4.8 PROTOCOL O PARA A REALIZAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASOS


Para Yin (2001, p. 89), “o protocolo é uma das táticas para se aumentar a

confiabilidade da pesquisa de estudo de caso e destina-se a orientar o pesquisador

ao conduzir o estudo de caso”. É essencial possuir um protocolo quando se realiza

um projeto de casos múltiplos. Como é este o caso desta pesquisa, elaborou-se um

protocolo com a descrição das etapas da pesquisa, os objetivos relacionados com

cada etapa e as respectivas atividades (Quadro 9).
83




Quadro 9: Protocolo para a realização dos estudos de casos

     ETAPA                OBJETIVOS                        ATIVIDADES
Planejamento         Elaborar o protocolo          Definição das etapas da
                                                   pesquisa, incluindo a coleta
                                                   de dados (primários e
                                                   secundários) e a análise de
                                                   dados.
Coleta de dados      Caracterizar as empresas      Pesquisa documental em
                     e a evolução dos SIFs         documentos da empresa,
                     utilizados.                   relatórios, histórico.
                     Determinar as                 Entrevistas com usuários dos
                     necessidades de               SIs que trabalham na área
                     informação.                   financeira.
                     Determinar as informações     Questionários aplicados aos
                     disponibilizadas pelos        usuários dos SIs,
                     SIFs.                         independente da área a que
                     Verificar o uso de            pertencem.
                     Sistemas de Informações       Observação não-participante,
                     alternativos e                para verificar o uso de SIs
                     complementares                alternativos ou
                                                   complementares e contatar
                                                   outras áreas da empresa,
                                                   visando entender o processo
                                                   de tomada de decisão na
                                                   empresa.
Análise dos          Comparar as                   Modelagem visando
dados                necessidades de               caracterizar a empresa e os
                     informação com as             SIFs utilizados.
                     informações                   Análise de conteúdo,
                     disponibilizadas.             incluindo a análise de
                     Determinar deficiências e     conteúdo qualitativa e a de
                     pontos fortes dos SIFs.       conteúdo quantitativa (análise
                                                   categorial).
                                                   Análise quantitativa dos
                                                   questionários aplicados.
                                                   Triangulação visando
                                                   contrastar os dados
                                                   coletados.
Conclusão            Propor estratégias de         Possíveis deficiências
                     melhorias.                    apresentadas e
                                                   sugestões/recomendações
                                                   para minimizar ou extinguir o
                                                   problema.
84




A seguir, apresenta-se o roteiro de entrevistas, relacionando as questões a cada

objetivo específico. Este roteiro contribuiu também para as observações realizadas e

para determinar quais documentos e relatórios buscar na pesquisa documental. O

Quadro 10 mostra a relação entres as perguntas que orientaram as entrevistas e os

objetivos específicos.

Quadro 10: Perguntas que orientaram as entrevistas e objetivos específicos
                                                                         (continua)
Questões que       orientaram   as   entrevistas   semi-   Objetivos específicos
estruturadas
1. No desempenho da sua função, quais são as                 Descrever os
   principais atribuições? Dentre elas, quais envolvem       processos de gestão
   decisões?                                                 com relação aos
2. Neste processo, quais são as decisões mais                fluxos de informações
   importantes? Por quê?                                     financeiras.
3. Seria possível fazer um relacionamento entre as           Identificar as
   atribuições e as decisões?                                informações
4. Existe alguma seqüência, etapas ou passos a serem         financeiras
   seguidos no processo de tomada de decisão? Você           necessárias para os
   alteraria alguma coisa?                                   administradores.
5. Para a tomada de decisão, quais são as informações
   necessárias?
6. Seria possível fazer uma correlação entre as decisões
   e estas informações?
7. Entre as informações usadas nas decisões, quais são
   de natureza financeira?
8. Você conhece a origem dessas informações? Onde
   são geradas e por quem?

9. Como é composto o Sistema de Informações                  Identificar as
    Financeiras?                                             informações
10. É possível identificar as informações financeiras        financeiras
    disponibilizadas pelo sistema?                           atualmente
11. As informações financeiras disponibilizadas pelo         disponibilizadas pelo
    sistema     correspondem     às  necessidades    de      SIF.
    informações dos administradores? Por quê?                Analisar se as
12. Como são elaborados ou projetados os relatórios?         informações
    Existe alguma preocupação com a forma de                 financeiras
    apresentação?                                            disponibilizadas pelos
13. Qual o nível de conhecimento financeiro é necessário     SIFs correspondem
    para sua compreensão? Os usuários têm esse               às necessidades de
    conhecimento? São treinados? Esse treinamento é          informações
    realizado de forma continuada?                           financeiras dos
                                                             administradores.
85




Quadro 10: Perguntas que orientaram as entrevistas e objetivos específicos
                                                                        (conclusão)
Questões que      orientaram    as     entrevistas   semi-   Objetivos específicos
estruturadas
14. As informações são apresentadas de maneira clara e        Identificar possíveis
    objetiva? São de fácil entendimento?                      deficiências e
15. As informações são relevantes e confiáveis?               limitações quanto à
16. Os relatórios são disponibilizados em tempo hábil         operação, utilização e
    para a tomada de decisão?                                 avaliação dos SIFs.
17. Com base no seu trabalho e na sua experiência, quais      Propor estratégias
    são as informações que o sistema deveria fornecer e       para que os
    que não está fornecendo?                                  administradores
18. Se você pudesse mudar os relatórios, o que faria?         possam ter a sua
19. Quais são as dificuldades encontradas pelo usuário        disposição as
    quando utiliza o sistema? Por quê?                        informações
20. Quais são os aspectos positivos do sistema? Por           necessárias.
    que?
21. Quais são os aspectos negativos do sistema? Por
    quê?
22. Com base no seu trabalho e na sua experiência,
    como podem ser otimizados os fluxos de informações
    financeiras e como podem ser melhor atendidas as
    necessidades informacionais?




Como complemento às entrevistas, foi aplicado um questionário cujo modelo

apresenta-se a seguir, no Quadro 11.
86




Quadro 11: Questionário

1. Qual módulo do Sistema de Informações você mais utiliza?


2. Como você classifica o Sistema de Informações utilizado em relação aos
   seguintes aspectos:

                                          Muito   Bom     Regular   Ruim
                                          Bom
2.1 Funcionalidade
2.2 Interface com o usuário
2.3 Disponibilidade de informações
2.4 Facilidade de acesso
2.5 Flexibilidade
2.6 Todo o sistema utilizado, em geral

3. Especificamente quanto às informações disponíveis no sistema, como você
   as classifica em relação a:

                                          Muito   Bom     Regular   Ruim
                                          Bom
3.1 Apresentação (Relatórios)
3.2 Completude (ser/estar completa,
quantidade)
3.3 Necessidade de (Re)Digitação
3.4 Exatidão/Confiabilidade
3.5 Utilidade
3.6 Concisão/Prolixidade (ser objetiva)
3.7 Relevância/Importância
3.8.Compreensibilidade (Compreensiva)
3.9 Consistência
3.10 Conteúdo (Qualidade)

4. Caso queira fazer algum comentário adicional sobre a adequabilidade do
   Sistema de Informações utilizado, escreva a seguir.
87




4.9 CONCLUSÃ O


Este capítulo teve como objetivo detalhar a metodologia utilizada para a condução

desta pesquisa. Para tanto, definiram-se a unidade de análise, o número de casos e

como as empresas participantes da pesquisa foram selecionadas.


Enfatizaram-se os instrumentos de coleta de dados utilizados, sendo que para a

condução de estudo de casos foi fundamental a utilização de diversas técnicas de

coleta de dados. Além disso, apresentaram-se os métodos de análise de dados

utilizados, enfatizando a análise de conteúdo, a triangulação e a modelagem.

Finalizando o capítulo, apresentou-se o protocolo da pesquisa, com as etapas, os

objetivos e as respectivas atividades.
88




5 ESTUDOS DE CASOS




5.1 INTRODUÇÃO


Este capítulo apresenta características das empresas estudadas, além de aspectos

fundamentais dos SIs utilizados pelas respectivas empresas. Para que isto fosse

possível, realizaram-se entrevistas, pesquisa documental e observação não-

participante. Os dados foram analisados por meio da modelagem, o que permitiu

recriar o contexto em que os dados foram gerados; ou seja, caracterizar as

empresas e os SIs utilizados. Outras fontes de dados foram os sites da Noma

(www.noma.com.br) e da Indel (www.indel.com.br) na Internet.




5.2 O CASO M. A. FALLEIROS



5.2.1 Características


A empresa, de natureza familiar, localiza-se na cidade de Maringá, estado do

Paraná. Atua há 15 anos no ramo de confecções, centrada na produção de jeans,

metade destinada a sua marca própria (Lado Avesso) e metade sob encomenda

(etiquetados de acordo com a marca da empresa solicitante, como a Cowboy

Forever). Possui cinco empresas integradas, que atuam no ramo de facção,

lavanderia e acabamento. Juntas, somam, aproximadamente, 900 funcionários.

Atualmente, está empenhada em profissionalizar sua gestão. Seu controller, que não

pertence à família, tem, entre outras, a função de minimizar a presença da

administração familiar na empresa.
89




5.2.2 Sistema de Informações utilizado


O atual SI utilizado pela M. A. Falleiros é da empresa Infomark, desenvolvido para

confecções. Antes de sua implantação, utilizava um da Produtec, descartado devido

a limitações do seu uso, como a falta de relatórios suficientes para a tomada de

decisão e a impossibilidade de controlar a contabilidade por meio dele.


Ainda antes de utilizar o SI da Produtec, a empresa tentou desenvolver um SI

próprio, contratando um programador. No entanto, esse processo se tornou inviável,

devido à falta de conhecimento por parte do programador de todas as áreas

funcionais da empresa e à dificuldade do pessoal em passar para o programador os

dados necessários.


Com a instalação do SI da Infomark, em 1996, foi possível controlar todas as áreas

da empresa, por exemplo, Produção, Contabilidade, Recursos Humanos e Finanças.

É importante considerar que houve dificuldades na transição do sistema da Produtec

para o da Infomark, relacionadas principalmente ao modo de realizar o trabalho de

acordo com as regras do novo SI.


O SI atualmente utilizado tem sua estrutura baseada em módulos, como Financeiro,

Vendas, Compras, Área Fiscal, Recursos Humanos e Produção, específicos para o

ramo de confecções. O acesso aos módulos é limitado por senha, sendo que cada

usuário só pode acessar aqueles que são condizentes com a sua responsabilidade.

A Infomark promoveu algumas atualizações nos módulos para atender às

necessidades de informação da M. A. Falleiros.


O SI utilizado é alugado, ou seja, prevendo-se pagamento mensal pelo uso.

Trabalha em plataforma DOS e, atualmente, não possui um banco de dados, apesar
90




de já existirem planos para sua implantação em breve. O SI é integrado (recursos de

importação/exportação), embora alguns módulos ainda não estejam instalados.


O SI da Infomark, por trabalhar em plataforma DOS, não possibilita a geração de

gráficos e tabelas, o que geralmente é feito no Excel. Há também uma certa

dificuldade em obter relatórios diversificados.


A Figura 5 mostra a tela com os módulos implantados atualmente pela M. A.

Falleiros. Como se pode perceber os módulos implantados são: Cadastros,

Financeiro, Vendas, Compras, Utilitários, Área fiscal, Recursos Humanos e

Produção.




Figura 5: Módulos do SI implantados na M.A. Falleiros
91




A Figura 6 mostra a tela com as opções do módulo financeiro, foco principal desta

pesquisa. Estas opções incluem: contas a receber, contas a pagar, contas correntes

e livros financeiros.




Figura 6: Opções do módulo financeiro do SI implantado na M.A. Falleiros




A Figura 7 mostra algumas opções de relatórios que podem ser emitidos a partir do

módulo financeiro – contas a receber. Entre os relatórios que podem ser emitidos

pode-se citar: relatório de cobranças, relação de cheques devolvidos, resumo diário

financeiro e posição financeira.
92




Figura 7: Opções de relatórios do módulo financeiro – contas a receber.




5.3 CASO NOMA DO BRASIL S.A.



5.3.1 Características


A Noma do Brasil S. A. localiza-se na cidade de Maringá, estado do Paraná. Conta

atualmente com 566 funcionários. Foi fundada em 1967, com o objetivo de explorar

o ramo de comércio de peças, consertos e reformas de veículos e fabricação de

terceiro-eixo. Em 1977, diversificando sua produção e procurando atingir outros

segmentos do mercado então em grande desenvolvimento, iniciou a fabricação de

semi-reboques. Em 1988, incorporou a Truck Maringá. Atualmente, exporta para

países da América do Sul, como Chile, Paraguai, Bolívia, Uruguai e, principalmente,
93




Argentina. Desenvolveu recentemente o semi-reboque intermodal, ou rodotrilho, que

pode trafegar tanto na rodovia quanto na ferrovia.


Entre os produtos que fabrica, apontam-se: a) para exportação - semi-reboque

graneleiro, semi-reboque carga seca direcional, semi-reboque furgão, semi-reboque

carga-seca, semi-reboque para ácido sulfúrico, semi-reboque basculante graneleiro

35-40m3 e acoplado carga seca; e b) para venda nacional - semi-reboque tanque

autoportante, semi-reboque baú lonado, semi-reboque articulado tanque, semi-

reboque para bebidas, terceiro eixo, semi-reboque para transporte de botijões de

gás, reboque julieta para madeira, semi-reboque graneleiro, semi-reboque

basculante convencional, semi-reboque articulado graneleiro, rodotrilho e tanque 01

eixo.


A Noma fabrica todos os componentes estruturais dos equipamentos produzidos. A

montagem dos conjuntos e subconjuntos é executada em sistemas de linha

contínua, que se dá em estágios e trabalhos definidos, com a utilização de gabaritos.

Antes da entrega final, o produto é inspecionado para verificar se não houve falha no

processo produtivo.




5.3.2 Sistema de Informações utilizado


O SI atualmente utilizado pela Noma do Brasil é o da SAP, empresa alemã,

implantado em 2001, que tem como principais características a possibilidade de

integrar toda a empresa e a disponibilidade de informações em tempo real. O

sistema foi adquirido com base na possibilidade de crescimento da empresa. O
94




sistema utilizado anteriormente, denominado “FOX”, foi desenvolvido internamente e

não era totalmente integrado.


O SI foi parametrizado para atender às necessidades da empresa que adquiriu todos

os módulos, estando em funcionamento, porém, apenas o CO – Controladoria e

Finanças; o SD – Vendas e Faturamento; o FI – Financeiro; o MM – Materiais e o PP

-Produção. Os módulos relacionados à área financeira são o CO e o FI. O sistema

foi customizado e implantado de uma só vez; ou seja, não foi implantado módulo por

módulo.


O acesso aos módulos do SAP é limitado por senha, sendo que cada usuário tem

acesso apenas àqueles que lhes são pertinentes. Apesar de o SAP ter muitos

recursos e de envolver todas as áreas da empresa, ainda é freqüente na empresa o

uso de sistemas alternativos, como o Excel, utilizado como alternativa para gerar

relatórios e gráficos não disponibilizados pelo SAP.


A Figura 8 mostra a tela inicial do sistema SAP. Como se pode perceber o acesso é

limitado por senha a cada usuário do SI.




Figura 8: Tela inicial do sistema SAP
95




A Figura 9 apresenta o módulo contábil/financeiro do sistema SAP, que envolve a

Contabilidade Financeira e a Tesouraria. Na Contabilidade Financeira é possível

verificar informações sobre os clientes e os fornecedores, entre outras, e na

tesouraria é possível obter informações sobre o caixa e os empréstimos, entre

outras.




Figura 9: Módulo contábil/financeiro do sistema SAP




A Figura 10 mostra o módulo referente à Controladoria.
96




Figura 10: Módulo de Controladoria do sistema SAP




A Figura 11 mostra alguns relatórios que podem ser emitidos pelo módulo

contábil/financeiro do sistema SAP. Entre os relatórios estão: volume de vendas,

volume de negócios por cliente e histórico de pagamentos de clientes.
97




Figura 11: Alguns relatórios que podem ser emitidos pelo sistema SAP




A Figura 12 apresenta exemplo de um relatório emitido pelo sistema SAP.
98




Figura 12: Exemplo de relatório emitido pelo SAP (1)




As Figuras 13 e 14 mostram exemplos de relatórios emitidos pelo SAP.
99




Figura 13: Exemplo de relatório emitido pelo SAP (2)
100




Figura 14: Exemplo de relatório emitido pelo SAP (3)




5.4 CASO INDEL



5.4.1 Características


A Indel localiza-se na cidade de Maringá, estado do Paraná. Foi fundada em 1976,

para produzir e comercializar equipamentos eletrônicos bloqueadores de DDD

(Sistema de Discagem Direta de Longa Distância da Embratel). Conta com 280

funcionários. Em 1977, acrescentou à sua linha a produção de equipamentos para

teste de cápsulas telefônicas e, em 1979, a fabricação de fontes de corrente

contínua para alimentação de rádios monocanais de telefonia rural.
101




Diante da boa aceitação de seus produtos, a Indel projetou, desenvolveu e

homologou perante a Telebrás equipamentos de maior capacidade, o que exigiu a

ampliação de sua estrutura industrial, com a conseqüente expansão do quadro de

funcionários e do leque de representantes comerciais. Hoje, sua atuação estende-se

para todo o território nacional e América Latina.


Em 1996, revelando sua preocupação contínua com a qualidade, a empresa obteve

a certificação ISO 9002 para fabricação, assistência técnica, ativação e instalação de

sistemas de energia; em 1999, a ISO 9001.


No início de 2000, a Indel associou-se à empresa australiana “Com10 Pty”, com o

objetivo de nacionalizar a produção de retificadores chaveados de alta freqüência.

Com isto, obteve o Certificado de Processo Produtivo Básico (PPB), o que lhe

assegurou o direito de receber incentivos fiscais e participar das linhas de

financiamento, entre os quais o Finame, destinado à aquisição de máquinas e

equipamentos, e o Proex, voltado a bens de exportação.


A empresa é especializada na fabricação e comercialização de sistemas

retificadores e de quadros de distribuição. Atua também no fornecimento de banco

de baterias, conversores e inversores. Entre os produtos que fabrica estão: sistemas

retificadores, unidades retificadoras, unidade de supervisão de retificadores, FCC

tiristorizadas, quadros de distribuição e produtos para energia solar.




5.4.2 Sistema de Informações utilizado


O SI atualmente utilizado pela Indel é o Protheus, da Microsiga. Antes, a empresa

utilizava um SI desenvolvido internamente. A instalação do Protheus teve início em
102




2000. Sua escolha deveu-se ao fato de possuir módulos para a gestão da qualidade,

fundamentais para a empresa, devido às certificações ISO.


Os módulos atualmente instalados incluem: compras/estoques, PCP, sistema de

qualidade, recursos humanos, comercial/faturamento e financeiro/contábil. Apesar

de estes módulos já estarem instalados, a empresa acredita que apenas 50% do seu

potencial é utilizado, devido a dificuldades associadas à sua utilização. Os módulos

foram implantados gradativamente, iniciando com o de recursos humanos e

finalizando com o de sistema de qualidade.


O acesso aos módulos é limitado por senha, sendo que cada usuário só pode ter

acesso aos relatórios e informações relacionados à sua área de atuação. É um

sistema integrado, tendo sido parametrizado para adaptar-se às características da

empresa. Além das áreas de Finanças, Recursos Humanos, Produção, dentre

outros, o SI é bastante utilizado para o gerenciamento da qualidade.


Mesmo com a implantação do Protheus, utilizam-se como sistema alternativo a

planilha Excel, principalmente para gerar relatórios mais específicos e gráficos, e o

SI Cristal para a geração de relatórios mais específicos.


A Figura 15 mostra uma tela do sistema Protheus com os principais itens da parte

financeira do sistema. Estes itens incluem: cadastros, contas a pagar, contas a

receber e movimento bancário.
103




Figura 15: Módulo financeiro – Sistema de Informações Protheus




A Figura 16 mostra as opções de atualizações para o item Contas a Receber do

módulo financeiro.
104




Figura 16 : Atualizações do item contas a receber – módulo financeiro.




A Figura 17 mostra também as atualizações que podem ser realizadas, mas

referentes ao item Contas a Pagar do módulo financeiro.
105




Figura 17: Atualizações do item contas a pagar – módulo financeiro.




A Figura 18 mostra as consultas que podem ser realizadas por meio do módulo

financeiro. Estas consultas incluem: fluxo de caixa, posição do cliente, posição do

fornecedor e consulta de títulos.
106




Figura 18: Consultas – módulo financeiro




A Figura 19 mostra algumas opções de relatórios do módulo financeiro; a Figura 20,

um exemplo de relatório emitido pelo sistema Protheus.
107




Figura 19: Opções de relatórios – módulo financeiro
108




Figura 20: Exemplo de relatório – módulo financeiro




5.5 CONCLUSÃO


Este capítulo apresentou características fundamentais dos estudos de casos

envolvendo empresas com atividades diferentes e que utilizam SIs desenvolvidos

por fornecedores diferentes.


As três empresas pesquisadas têm em comum o fato de utilizarem algum tipo de SIF

de maneira profissional − ou seja, baseiam suas decisões financeiras em

informações disponibilizadas por um SIF −, de estarem localizadas na cidade de

Maringá/ PR e de dispuseram-se a participar da pesquisa e contribuir para o

desenvolvimento dos estudos de casos.
109




6 AVALIAÇÃO        DOS     SISTEMAS      DE     INFORMAÇÕES         FINANCEIRAS

ESTUDADOS




6.1 INTRODUÇ ÃO


Esta pesquisa teve como foco os Sistemas de Informações Gerenciais (O’Brien,

2002; Stair, 1998) ou Sistemas de Relatórios Gerenciais (Zwass, 1992), mais

especificamente os Sistemas de Informações Financeiras, conforme classificação

apresentada no capítulo 2, seção 2.6.


No capítulo anterior, caracterizaram-se as empresas estudadas e os respectivos SIs.

Neste capítulo, apresenta-se a avaliação dos SIFs utilizados pelas empresas. Serão

analisados tanto os dados qualitativos, coletados por meio de entrevistas,

observação não-participante e pesquisa documental, quanto os dados quantitativos,

coletados por meio dos questionários.


Foram entrevistadas 10 pessoas: 4 funcionários da M.A Falleiros, 3 da Noma e 3 da

Indel. As entrevistas, com duração de, aproximadamente, 30 minutos cada uma,

foram realizadas no segundo semestre de 2003. As respostas foram gravadas e,

depois, transcritas, para que fosse possível realizar uma análise dos dados com

mais segurança. O modelo utilizado para a realização das entrevistas está no anexo

A.


A observação não-participante ocorreu nas três empresas e a pesquisa documental

foi realizada mediante verificação de relatórios, documentos e histórico das

empresas. Alguns dados foram coletados nos sites das empresas, principalmente da
110




Noma (www.noma.com.br) e da Indel (www.indel.com.br). A caracterização das

empresas e dos sistemas utilizados foi apresentada no capítulo 5.


Os questionários utilizados foram do tipo fechado, totalizando 30, assim distribuídos:

M. A. Falleiros – 11; Noma – 11; e Indel – 8. Os questionários, cujo modelo está no

anexo B, foram aplicados a usuários dos sistemas, independente da área de

atuação.


Para a análise dos dados qualitativos, utilizaram-se técnicas de análise de conteúdo

(tanto qualitativa quanto quantitativa), triangulação e modelagem. Para a análise de

conteúdo quantitativa algumas categorias foram definidas tais como: a) relacionadas

à avaliação da informação gerada pelo SI – conveniência, exatidão, precisão, ser

completa, concisão, relevância, forma apropriada, necessidade de redigitação e

utilidade; e b) relacionadas à avaliação do SI – interface com o usuário, flexibilidade,

facilidade de acesso, disponibilidade de informações e integração.


Os dados quantitativos foram analisados utilizando-se recursos da estatística

descritiva, o que foi realizado com o auxílio do software Excel. Estas técnicas foram

descritas no capítulo 4, seção 4.7. Na elaboração dos gráficos, o eixo das ordenadas

corresponde ao número de respondentes.




6.2 O CASO M. A. FALLEIROS



6.2.1 Aspectos positivos do sistema


A questão da confiabilidade da informação foi um aspecto bastante citado pelos

entrevistados. Isso ocorre porque os dados são alimentados corretamente, gerando
111




informações confiáveis. De acordo o entrevistado MA2, a margem de erro no

Departamento Financeiro não chega a 1% do volume de dados gerados. Isso foi

constatado também na análise das categorias, onde a exatidão das informações

apresentou avaliação positiva superior à avaliação negativa. Na análise quantitativa

dos dados também foi possível verificar que as informações são consideradas

confiáveis pelos usuários do SI, conforme mostra o Gráfico 1.


                                  Exatidão das informações


                       6
                       5
                       4
                       3
                       2
                       1
                       0
                           Muito Bom   Bom     Regular       Ruim



Gráfico 1: Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas

pelo sistema (M. A. Falleiros)




Os relatórios são disponibilizados em tempo hábil para a tomada de decisão, embora

para o setor de Controladoria, que precisa dos relatórios financeiros, ocorra uma

margem de 15 dias de atraso, pois a Contabilidade não é alimentada

automaticamente. Ou seja, alimenta-se a Contabilidade por meio de arquivos de

importação/exportação, o que é realizado pelo próprio sistema. A análise das

categorias permitiu verificar esse impasse que existe com relação à conveniência

das informações, uma vez que esta categoria foi avaliada tanto positiva quanto

negativamente.
112




Tem-se, ainda, que os relatórios são considerados de fácil entendimento pelos

administradores, embora possam parecer complicados para pessoas estranhas ao

Departamento Financeiro, como salienta o entrevistado MA2, acrescentando que é

necessária uma explicação por parte do usuário do sistema para uma melhor

compreensão. Na análise das categorias, a categoria concisão apresentou tanto

uma avaliação positiva quanto uma avaliação negativa, o que enfatiza a questão de

que as informações são consideradas claras e objetivas para os usuários do SI, mas

não para um terceiro. Isso também pôde ser percebido na análise quantitativa dos

dados, conforme apresentado no Gráfico 2.



                                       Concisão das informações


                            8

                            6

                            4

                            2

                            0
                                Muito Bom   Bom     Regular   Ruim



Gráfico 2: Avaliação do item concisão/prolixidade das informações fornecidas pelo

sistema (M. A. Falleiros)




Outra questão enfatizada prende-se ao fato de que tudo o que se realiza fica

gravado para consulta posterior, o que facilita o dia-a-dia da gestão de informações,

evitando o retrabalho. Por exemplo, quando um determinado cliente é cadastrado,

suas informações ficam arquivadas, e tudo o que é referente a esse cliente é

digitado e gravado para consulta posterior. Dessa forma, o administrador consegue
113




rapidamente saber se o cliente está cumprindo com suas obrigações em dia, se

recebeu corretamente a mercadoria, dentre outras informações.


O entrevistado MA2 considera que a plataforma DOS oferece agilidade, além de

mais facilidade de trabalho do que em um sistema baseado na plataforma Windows.

No entanto, os entrevistados MA3 e MA4 consideram como aspecto negativo a

questão do uso da plataforma DOS, alegando que seria melhor uma versão

Windows, por possibilitar melhor interface com o usuário. Essa avaliação tanto

positiva quanto negativa da plataforma DOS foi também constatada na análise das

categorias, onde a categoria interface com o usuário apresentou avaliação positiva e

negativa. Na análise quantitativa dos dados também foi possível observar este fato,

conforme mostra o Gráfico 3.


                                      Interface com o usuário


                      8
                      7
                      6
                      5
                      4
                      3
                      2
                      1
                      0
                          Muito Bom      Bom       Regular      Ruim



Gráfico 3: Avaliação do item interface entre o usuário e o sistema (M. A. Falleiros)




Outro aspecto positivo do sistema diz respeito à integração. Todos os

departamentos estão integrados, exceto o de Contabilidade, no qual a transferência

de dados é feita por meio de arquivos de importação/exportação. Isso facilita o

trabalho, evitando o retrabalho, pois o sistema é alimentado uma só vez e alimenta
114




todos os departamentos. Na análise das categorias foi possível perceber a

importância da integração, uma vez que esta categoria foi a única que apresentou

apenas avaliação positiva.


O sistema também permite operações on-line com os bancos, o que facilita o

trabalho dos administradores, pois determinada operação realizada na empresa

(como o pagamento de uma duplicata) reflete diretamente na sua conta corrente no

banco. Essa facilidade oferecida pelo SI garante agilidade nas transações

financeiras efetuadas pela empresa.


Outros aspectos positivos do SI referem-se à utilidade das informações e à

relevância destas. A utilidade e importância das informações fornecidas pelos SIs foi

constatada principalmente através da análise quantitativa dos dados, conforme

mostra os Gráficos 4 e 5.


                Utilidade das informações                        Relevância das informações


     8                                                 6
                                                       5
     6
                                                       4
     4                                                 3
                                                       2
     2
                                                       1
     0                                                 0
         Muito Bom   Bom     Regular        Ruim           Muito Bom   Bom     Regular   Ruim



Gráfico 4: Avaliação do item utilidade             Gráfico 5: Avaliação do item
das informações fornecidas pelo sistema            relevância/importância           das
(M. A. Falleiros)                                  informações fornecidas pelo sistema
                                                   (M. A. Falleiros)




6.2.2 Aspectos negativos do sistema

Identificou-se como aspecto negativo o fato de o sistema não gerar todos os

relatórios necessários à tomada de decisão e, também, aqueles que permitem
115




melhor visualização das informações. Os administradores utilizam o software Excel

como uma alternativa para gerar relatórios mais específicos e gráficos. Muitas vezes,

ao transportar os dados para o Excel, torna-se necessário redigitar parte deles, o

que gera retrabalho. Na análise das categorias, as categorias necessidade de

redigitação e forma apropriada foram avaliadas negativamente, o que reforça a

constatação anterior. Isso também pode ser constatado pela análise do Gráfico 6,

elaborado com base nos dados quantitativos coletados.



                                 Necessidade de redigitação


                     5

                     4
                     3

                     2
                     1
                     0
                         Muito Bom    Bom      Regular    Ruim



Gráfico 6: Avaliação do item necessidade de redigitação das informações fornecidas

pelo sistema (M. A. Falleiros)




Os relatórios, muitas vezes, disponibilizam informações de que o administrador não

precisa e deixam de disponibilizar informações necessárias à tomada de decisão.

Eles foram considerados como padronizados e incompletos, além de inflexíveis. As

solicitações de mudanças nos relatórios encaminhadas à empresa fornecedora do SI

geralmente demoram para ser atendidas (às vezes, nem são). Criticou-se, também,

sua forma de apresentação: ruim e pouco clara (principalmente para uma pessoa

estranha à empresa), além de não permitir a geração de gráficos. A flexibilidade do
116




sistema foi avaliada negativamente também na análise das categorias e na análise

dos dados quantitativos, conforme mostra o Gráfico 7.



                                           Flexibilidade


                      5

                      4

                      3

                      2

                      1

                      0
                          Muito Bom    Bom         Regular   Ruim



Gráfico 7: Avaliação do item flexibilidade do sistema (M. A. Falleiros)




Outro aspecto ressaltado prende-se ao fato de o sistema ser lento e travar com

freqüência. O entrevistado MA4, controller da empresa, relatou que esta dificuldade

está sendo sanada com a aquisição de equipamentos novos e a realização de

melhorias na rede para que o fluxo de informações seja mais rápido. A questão da

lentidão do sistema também foi constatada na análise das categorias, uma vez que a

categoria facilidade de acesso foi avaliada negativamente. Isso também pode ser

percebido pela análise do Gráfico 8, onde a facilidade de acesso foi avaliada como

ruim   por   aproximadamente          9%     dos     respondentes   e   como   regular   por

aproximadamente 18%.
117




                                        Facilidade de acesso


                      6

                      5
                      4
                      3
                      2
                      1
                      0
                            Muito Bom     Bom      Regular      Ruim



Gráfico 8: Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo

sistema (M. A. Falleiros)




Os entrevistados MA1, MA2 e MA3 consideraram que o sistema não gera todas as

informações necessárias à tomada de decisão. Ou seja, para eles as informações

disponibilizadas   não      correspondem           às        necessidades   informacionais   dos

administradores. Os entrevistados MA2 e MA3 denunciaram a questão do fluxo de

caixa, que não é fornecido corretamente pelo sistema. Este aspecto também pôde

ser percebido através da análise das categorias, uma vez que a categoria

disponibilidade de informações apresentou avaliação negativa. Na análise

quantitativa dos dados também foi possível identificar problemas com relação à

disponibilidade de informações, conforme mostra o Gráfico 9.
118




                                  Disponibilidade de informações


                         6

                         5
                         4

                         3

                         2
                         1

                         0
                             Muito Bom   Bom      Regular     Ruim



Gráfico 9: Avaliação do item disponibilidade de informações fornecidas pelo sistema

(M. A. Falleiros)




A uso da plataforma DOS também foi mencionado, além da não utilização de um

banco de dados único, sendo que a transferência de dados é realizada por meio de

arquivos   de       importação/exportação.         Reclamou-se       que,   muitas   vezes,    o

administrador filtra a informação solicitando algo para o sistema, mas este gera um

relatório que não condiz com o filtro que pediu. Este é outro motivo pelo qual os

administradores utilizam o Excel.


O suporte técnico oferecido pela empresa fornecedora do SI (Infomark) foi

considerado falho, apontando-se que as melhorias implementadas no SI até agora

foram deficitárias.


O Gráfico 10 apresenta a análise das categorias, enfatizando tanto as que

apresentaram avaliação negativa quanto as que apresentaram avaliação positiva.
119




                                                                     Análise das Categorias - M.A Falleiros

 12



 10

                                                                                                                                                                                                                       Avaliação positiva
                                                                                                                                                                                                                       Avaliação negativa
 8



 6



 4



 2



 0
                                                                                                      Necessidade de
                                                          Concisão
                                Precisão




                                                                                                                                                                                                          Integração
                                                                                   Forma Apropriada




                                                                                                                                                                                     Disponibilidade de
                                           Ser Completa




                                                                                                                                                                     Facilidade de
      Conveniência

                     Exatidão




                                                                                                                       Utilidade

                                                                                                                                   Interface com o
                                                                      Relevância




                                                                                                                                                     Flexibilidade
                                                                                                       Redigitação




                                                                                                                                                                       Acesso

                                                                                                                                                                                        Informações
                                                                                                                                       Usuário




Gráfico 10: Análise das categorias (M. A. Falleiros)




6.2 O CASO NO MA



6.3.1 Aspectos positivos do sistema


O sistema SAP apresenta como principais aspectos positivos, primeiro, o fator

integração – ou seja, toda a empresa está conectada a um único sistema, que

trabalha com um único banco de dados –; e, segundo, o fato de ser possível obter

relatórios on-line – ou seja, os relatórios estão disponíveis a qualquer momento, e
120




dessa forma a tomada de decisão pode ser agilizada. Como salienta o entrevistado

NOMA2, com a implantação do sistema SAP foi possível passar a fechar o balancete

no quinto dia útil do mês. Isso também pôde ser percebido através da análise das

categorias, sendo que integração e conveniência foram duas categorias avaliadas

positivamente.


Outro aspecto prende-se ao grande volume de dados/informações que fornece,

permitindo que o administrador controle toda a empresa a partir da utilização do

sistema. O entrevistado NOMA2 cita o fato de o sistema permitir uma confiabilidade

on-line, desde que seja realizada uma auditoria periódica (por exemplo, não é mais

necessário ir ao pátio para contar quantas carretas estão disponíveis, pois o sistema

fornece essa informação). A exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo

sistema também teve uma avaliação positiva na análise quantitativa dos dados,

conforme mostra o Gráfico 11.




                                  Exatidão das informações


                      8

                      6

                      4

                      2

                      0
                          Muito Bom   Bom      Regular       Ruim



Gráfico 11: Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas

pelo sistema (Noma)
121




O sistema permitiu, e até exigiu, que certos padrões fossem criados, aspecto

considerado positivo pelos entrevistados. O sistema SAP exige que o administrador

siga certas etapas, e dessa forma o trabalho fica mais padronizado, reduzindo a

margem de erro e favorecendo a agilidade na gestão das informações. Como

salienta o entrevistado NOMA3, cada administrador precisa iniciar a sua atividade e

terminar, caso contrário o próximo não consegue avançar na realização da atividade.

Isso exigiu que os administradores atentassem para os prazos, para que as

atividades da empresa não fossem interrompidas e a empresa, como um todo,

ficasse lenta ou parada.


Outro aspecto refere-se ao fato de o SAP ter permitido uma redução no volume de

impressões, o que possibilitou uma economia expressiva de papel. Com a utilização

do SAP, tornou-se possível visualizar a maioria dos relatórios na tela e, a partir

dessa visualização, tomar decisões sem a necessidade de imprimir o relatório.


Outro aspecto considerado positivo refere-se à relevância/importância das

informações fornecidas pelo sistema para que os usuários desenvolvam o seu

trabalho. Isso foi constatado na análise das categorias e na análise quantitativa dos

dados, conforme apresentado no Gráfico 12.
122




                                 Relevância das informações


                      8

                      6

                      4

                      2

                      0
                          Muito Bom   Bom      Regular    Ruim



Gráfico 12: Avaliação do item relevância/importância das informações fornecidas

pelo sistema (Noma)




6.3.2 Aspectos negativos do sistema


A necessidade de adaptação do SI (alemão) à cultura e às leis e normas brasileiras

foi considerada um aspecto negativo do sistema. Os entrevistados NOMA2 e

NOMA3 apontam o fato de o sistema não gerar relatórios de fluxo de caixa para

médio e longo prazo, o que dificulta o planejamento. Isso ocorre porque o SI não

visualiza a área financeira da maneira como se trabalha no Brasil. O único fluxo de

caixa que o sistema gera atualmente é o de curto prazo, ou atual.


Outro aspecto: o fato de o sistema ser difícil de mudar, de realizar as customizações

necessárias. Além disso, quando se pretende realizar uma mudança o custo é muito

alto, o que, muitas vezes, torna a alteração inviável. Esses fatores tornam o sistema

um pouco inflexível, acabando por disponibilizar relatórios que não são necessários.

De outro lado, deixam de fornecer relatórios considerados essenciais para a

empresa. A questão da flexibilidade do sistema foi também constatada na análise

das categorias (apresentando avaliação negativa) e na análise quantitativa dos
123




dados, conforme mostra o Gráfico 13, onde aproximadamente 30% dos

respondentes consideraram a flexibilidade do sistema como regular ou ruim.



                                       Flexibilidade


                      8

                      6

                      4

                      2

                      0
                          Muito Bom   Bom      Regular   Ruim



Gráfico 13: Avaliação do item flexibilidade do sistema (Noma)




O SAP é um sistema complexo, que exige alto investimento, tanto em equipamentos

quanto no próprio SI, e o retorno sobre o investimento não é imediato. É um sistema

lento e pesado. Para fornecer determinado dado, realiza uma varredura abrangente

nos dados disponíveis até localizar o que está sendo pedido. Isso também foi

constatado na análise das categorias (facilidade de acesso com avaliação negativa)

e na análise do Gráfico 14, onde se pode perceber que aproximadamente 37% dos

respondentes consideraram o item facilidade de acesso como regular.
124




                                      Facilidade de acesso


                      5
                      4
                      3
                      2
                      1
                      0
                          Muito Bom     Bom      Regular     Ruim



Gráfico 14: Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo

sistema (Noma)




As informações financeiras disponibilizadas pelo sistema SAP não correspondem, na

totalidade, às necessidades informacionais dos administradores. Os relatórios,

muitas vezes, apresentam informações desnecessárias e deixam de apresentar

informações fundamentais para a tomada de decisão. Com relação aos gráficos,

apenas alguns são fornecidos pelo sistema para os usuários da área Financeira, o

que prejudica a visualização e o entendimento dos dados/informações. Os

administradores na área Financeira utilizam o software Excel como alternativa para

gerar relatórios mais específicos e para gerar gráficos.


Através da análise das categorias foi possível observar que algumas categorias tais

como: forma apropriada, necessidade de redigitação e disponibilidade de

informações tiveram avaliação negativa, o que reforça a constatação apresentada

anteriormente. Os Gráficos 15 e 16 também enfatizam esse fato.
125




              Disponibilidade de informações                        Necessidade de redigitação


     5                                              8
     4
                                                    6
     3
                                                    4
     2
     1                                              2

     0                                              0
         Muito Bom   Bom      Regular     Ruim          Muito Bom       Bom       Regular        Ruim


Gráfico 15: Avaliação do item                    Gráfico 16: Avaliação do item
disponibilidade    de    informações             necessidade de redigitação das
fornecidas pelo sistema (Noma)                   informações fornecidas pelo sistema
                                                 (Noma)




O Gráfico 17 apresenta a análise das categorias, enfatizando tanto as que

apresentaram avaliação negativa quanto as que apresentaram avaliação positiva.
126




                                                                                Análise das Categorias - Noma


7



6



5

                                                                                                                                                                                                                            Avaliação positiva
4                                                                                                                                                                                                                           Avaliação negativa



3



2



1



0
                                                                                                                                 Interface com o
                                         Ser Completa




                                                                                                                                                                                          Disponibilidade de
                                                                                 Forma Apropriada




                                                                                                                     Utilidade




                                                                                                                                                   Flexibilidade




                                                                                                                                                                                                               Integração
                   Exatidão




                                                                                                                                                                   Facilidade de Acesso
                              Precisão




                                                        Concisão




                                                                                                    Necessidade de
    Conveniência




                                                                   Relevância




                                                                                                     Redigitação




                                                                                                                                                                                             Informações
                                                                                                                                     Usuário




Gráfico 17: Análise das categorias (Noma)




6.4 O CASO INDEL



6.4.1 Aspectos positivos do sistema


Um benefício trazido pelo sistema Protheus foi a integração. Toda a empresa está

interligada, e a alimentação em um módulo reflete em todos os outros. Isso, de

acordo com o entrevistado INDEL1, diminuiu muito o retrabalho que existia antes,
127




principalmente na área Financeira, já que hoje todos os demais módulos alimentam

as áreas Financeira e Contábil. Na análise das categorias, a integração também

apresentou avaliação positiva.


Outro aspecto relaciona-se à confiabilidade do sistema. Atualmente, apesar dos

problemas iniciais com a alimentação, o sistema é considerado confiável,

disponibilizando informações precisas para a tomada de decisão. Semanalmente,

realiza-se manutenção no sistema (auditoria) para verificar se há dados/informações

inconsistentes. A categoria exatidão das informações também apresentou avaliação

positiva na análise das categorias e essa avaliação positiva também foi constatada

na análise quantitativa dos dados, conforme mostra o Gráfico 18.



                                   Exatidão das informações


                       5
                       4
                       3
                       2
                       1
                       0
                           Muito Bom   Bom      Regular       Ruim



Gráfico 18: Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas

pelo sistema (Indel)




Os relatórios são considerados fáceis de entender, com informações claras e

detalhadas. Além disso, o sistema fornece um número considerável de relatórios

padrão, que auxiliam na tomada de decisão. Há, também, a possibilidade de alterar

os relatórios existentes ou de criar relatórios variados. Isso explica a avaliação

positiva da categoria concisão na análise categorial. Além disso, é possível perceber
128




que as informações são consideradas concisas e objetivas pela maioria dos

respondentes através da análise do Gráfico 19.



                                 Concisão das informações


                     4

                     3

                     2

                     1

                     0
                         Muito Bom   Bom      Regular       Ruim



Gráfico 19: Avaliação do item concisão/prolixidade das informações fornecidas pelo

sistema (Indel)




As informações que o sistema disponibiliza são consideradas objetivas e a maioria

das informações que o departamento financeiro utiliza estão no sistema. O volume

de dados que processa é alto, e por isso é possível obter um número considerável

de informações, bastando saber buscá-las.


Outros aspectos positivos do sistema referem-se à utilidade das informações e à

relevância destas, conforme pode ser constatado pela análise dos Gráficos 20 e 21,

sendo que a maioria dos respondentes considerou estes itens como muito bom ou

bom.
129



                 Utilidade das informações                        Relevância das informações


     4                                                 6
                                                       5
     3
                                                       4
     2                                                 3
                                                       2
     1
                                                       1
     0                                                 0
         Muito Bom   Bom       Regular       Ruim          Muito Bom   Bom      Regular    Ruim



Gráfico 20: Avaliação do item utilidade             Gráfico 21: Avaliação do item
das informações fornecidas pelo sistema             relevância/importância           das
(Indel)                                             informações fornecidas pelo sistema
                                                    (Indel)




6.4.2 Aspectos negativos do sistema


Alguns relatórios ainda não são emitidos pelo sistema Protheus. Por exemplo, o

fluxo de caixa, que precisa ser gerado em planilhas do software Excel. Como

salienta o entrevistado INDEL1, o sistema fornece um relatório de contas a pagar e

um relatório de contas a receber, mas é necessário transportar esses relatórios para

o Excel para que seja possível gerar o fluxo de caixa e gráficos. No entanto, acredita

que isso não afeta a tomada de decisão, mas implica retrabalho, o que dificulta o

desenvolvimento do trabalho do administrador. Isso pôde ser constatado também

através da análise das categorias, sendo que as categorias disponibilidade de

informações e forma apropriada apresentaram avaliação negativa.


Às vezes, as informações não estão disponíveis em tempo hábil para a tomada de

decisão, o que faz com que o sistema deixe de atender às necessidades

informacionais do administrador naquele momento. Esse aspecto também foi

avaliado negativamente na análise das categorias (conveniência com avaliação

negativa).
130




Por ser um sistema “pesado”, às vezes, “trava” ou torna-se lento. Isso não é um

aspecto relacionado apenas ao SI, mas também à rede de comunicações da

empresa. Quando é necessário gerar relatórios grandes, a rede torna-se lenta,

devido ao volume de informações que precisam ser processadas, e o SI então

“trava”. Quando isso acontece, muitas vezes, o administrador fica com o trabalho

parado, pois o relatório ainda não foi gerado, e ele não pode tomar a decisão

necessária. Na análise das categorias, o item facilidade de acesso apresentou

avaliação negativa e essa avaliação negativa também foi constatada na análise

quantitativa dos dados, conforme mostra o Gráfico 22.



                                      Facilidade de acesso


                      5
                      4
                      3
                      2
                      1
                      0
                          Muito Bom     Bom      Regular     Ruim



Gráfico 22: Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo

sistema (Indel)




Para a empresa implantar relatórios que ainda não são disponibilizados pelo sistema

Protheus, há um custo muito alto. Por isso, na maioria das vezes, recorre-se ao

software Excel como alternativa para amenizar essa deficiência. Além do software

Excel, utiliza-se um sistema alternativo, denominado Cristal Reports, que gera

relatórios mais específicos diretamente a partir do banco de dados, com o formato

desejado. O problema da pouca flexibilidade do sistema também foi constatado
131




através da análise das categorias e da análise quantitativa dos dados, conforme se

pode perceber pelo Gráfico 23.



                                        Flexibilidade


                        4

                        3
                        2
                        1
                        0
                            Muito Bom   Bom    Regular   Ruim



Gráfico 23: Avaliação do item flexibilidade do sistema (Indel)




O Gráfico 24 apresenta a análise das categorias, enfatizando tanto as que

apresentaram avaliação negativa quanto as que apresentaram avaliação positiva.
132




                                                                                  Análise das Categorias - Indel

  7



  6



  5
                                                                                                                                                                                                                       Avaliação positiva
                                                                                                                                                                                                                       Avaliação negativa
  4



  3



  2



  1



  0
                                                                                                      Necessidade de




                                                                                                                                                                                     Disponibilidade de
                                                          Concisão




                                                                                                                                                                                                          Integração
                                Precisão




                                                                                   Forma Apropriada




                                                                                                                                                                     Facilidade de
      Conveniência




                                           Ser Completa




                                                                                                                       Utilidade
                     Exatidão




                                                                     Relevância




                                                                                                                                   Interface com o

                                                                                                                                                     Flexibilidade
                                                                                                       Redigitação




                                                                                                                                                                                        Informações
                                                                                                                                                                       Acesso
                                                                                                                                       Usuário




Gráfico 24: Análise das categorias (Indel)




6.5 SÍNTESE E DISCUSSÃO DA ANÁLISE DOS DADOS


A análise dos dados qualitativos (entrevistas, observação participante e pesquisa

documental) foi realizada a partir da análise de conteúdo, qualitativa e quantitativa,

conforme proposto no capítulo 4, seção 4.7, e do uso das técnicas de triangulação e

modelagem, conforme proposto no mesmo capítulo e seção.
133




O capítulo 5 apresentou a caracterização das empresas e dos respectivos SIs,

envolvendo, basicamente, a técnica da modelagem, com o objetivo de recriar o

contexto no qual os dados foram coletados e de caracterizar a unidade de análise da

pesquisa, ou seja, os SIFs estudados.


Os aspectos positivos e negativos dos SIs estudados foram obtidos a partir da

análise de conteúdo qualitativa, que teve como objetivo analisar as entrevistas e

observações, visando preservar os detalhes presentes nos dados coletados. Pôde-

se constatar que os principais aspectos positivos dos SIs referem-se à integração

proporcionada pela utilização de um único sistema em toda a organização e à

confiabilidade que os SIs implantados permitem, já que, na maioria das vezes,

fornecem informações exatas e confiáveis para a tomada de decisão.


Com relação aos aspectos negativos levantados durante a análise de conteúdo

qualitativa, pôde-se perceber que os principais problemas estão relacionados à

pouca flexibilidade dos SIs e à não disponibilização de todas as informações e

relatórios necessários à tomada de decisão. Isso ocorre porque depois de

implantando um SI novas necessidades podem surgir, e para atender a essas

necessidades é necessário acrescentar novos relatórios que disponibilizem as

informações necessárias. No entanto, realizar tais modificações não é um processo

simples, na medida em que envolve, geralmente, custos muito elevados. Neste

sentido, os SI são considerados inflexíveis, e a empresa acaba utilizando outro SI

alternativo/complementar para suprir suas necessidades de informações, o que

implica outro aspecto negativo também apontado: a necessidade de redigitação.


Para a análise de conteúdo quantitativa, definiram-se categorias, e estas foram

avaliadas de modo positivo ou negativo. As principais categorias avaliadas
134




positivamente foram: exatidão, ou seja, consideraram-se as informações exatas e

confiáveis; e integração, ou seja, a utilização de um único sistema por toda a

empresa, sendo que alimentando-se um departamento, alimentam-se todos os

demais.


As principais categorias avaliadas negativamente foram: forma apropriada,

disponibilidade de informações e facilidade de acesso; a primeira e a segunda,

porque os SIs não fornecem todas as informações necessárias e os relatórios com

informações suficientes para a tomada de decisão; a terceira, principalmente devido

ao fato de os SIs serem considerados lentos e pesados, ficando o acesso

prejudicado, especialmente quando se torna necessário buscar um grande volume

de dados para obter alguma informação ou relatório.


A Tabela 1 apresenta uma síntese da avaliação positiva e negativa das categorias,

enfatizando a freqüência com que as categorias foram encontradas nas entrevistas

em cada empresa.
135




Tabela 1: Freqüência das categorias

                        Avaliação positiva              Avaliação negativa
                  M. A. Falleiros Noma Indel      M. A. Falleiros Noma Indel
Conveniência             5          2                    5                 3
Exatidão                 5          4      5             2          3      2
Precisão                                   1                        3
Ser Completa             1                               1          1
Concisão                 4                 3             1
Relevância                          1      1
Forma                                      2             11             7         7
Apropriada
Necessidade              1                    3          6              2         2
de Redigitação
Utilidade
Interface com o          1                               1              1
Usuário
Flexibilidade                                 1          4              3         1
Facilidade de                                            1              2         1
Acesso
Disponibilidade          1                    4          8              6         5
de Informações
Integração               2            2       1




Conforme se pôde observar, as análises de conteúdo, qualitativa e quantitativa,

apresentaram resultados parecidos no que diz respeito à avaliação do SI. A análise

de conteúdo quantitativa baseada em categorias permitiu uma melhor visualização

daquelas avaliadas, positiva ou negativamente, pelos usuários.


Os dados quantitativos foram coletados através de questionários do tipo fechado e a

análise desses dados seguiu os critérios expostos no capítulo 4, seção 4.7. A Tabela

2 apresenta uma síntese dos dados quantitativos coletados. Para a elaboração

dessa tabela os dados não foram divididos por empresa.


Como se pode perceber pela análise da Tabela 2, os itens que apresentaram melhor

avaliação   foram:   funcionalidade   do   sistema,   utilidade   das       informações

disponibilizadas pelo sistema e relevância das informações fornecidas pelo sistema.
136




Isso mostra que os SIs atualmente implantados nas empresas estudadas são

funcionais e as informações que estes SIs fornecem aos seus usuários são úteis e

de fundamental importância para a realização de suas atividades diárias.


Os itens que apresentaram pior avaliação foram: facilidade de acesso às

informações fornecidas pelo sistema, flexibilidade e necessidade de redigitação das

informações fornecidas pelo sistema. Os usuários têm dificuldade de acesso aos

sistemas implantados principalmente devido ao fato de os sistemas serem lentos e

travarem com freqüência. Na realidade esta não é uma deficiência apenas dos

sistemas, mas sim de toda a rede das empresas.


Com relação à flexibilidade e à necessidade de redigitação, estas estão interligadas,

pois como os SIs não são suficientemente flexíveis para atenderem às necessidades

de informações dos usuários, estes precisam transferir os dados/informações para

softwares alternativos/complementares (como o Excel) para realizar as alterações

necessárias e obter os relatórios desejados e esse processo, geralmente, implica em

redigitação dos dados.
137




Tabela 2: Síntese dos dados quantitativos

                           Muito Bom%       Bom%    Regular%   Ruim%
    Funcionalidade             6,67         76,67     16,67     0,00
    Interface com o            3,33         63,33     30,00     0,00
    usuário
    Disponibilidade de         13,33        53,33    30,00      3,33
    informações
    Facilidade de              16,67        43,33    36,67      3,33
    acesso
    Flexibilidade              3,33         43,33    40,00     13,33
    Todo o sistema             6,67         56,67    36,67     0,00
    utilizado, em geral
    Apresentação dos           3,33         70,00    20,00      6,67
    relatórios
    Completude das             6,67         63,33    26,67      3,33
    informações
    Necessidade de             6,67         50,00    40,00      3,33
    redigitação
    Exatidão das               13,33        63,33    16,67      6,67
    informações
    Utilidade das              23,33        63,33    13,33      0,00
    informações
    Concisão das               10,00        66,67    23,33      0,00
    informações
    Relevância das             30,00        66,67     3,33      0,00
    informações
    Compreensibilidade         3,33         60,00    36,67      0,00
    das informações
    Consistência das           6,67         63,33    20,00     10,00
    informações
    Conteúdo das               10,00        63,33    26,67      0,00
    informações
138




6.6 SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES


Durante a condução dos estudos de caso, algumas deficiências relacionadas aos

SIFs foram evidenciadas. O Quadro 12 apresenta os problemas relacionados a cada

empresa estudada, evidenciando aqueles relacionados a mais de uma empresa.




Quadro 12: Problemas/deficiências encontradas

PROBLEMAS/DEFICIÊNCIAS M. A. FALLEIROS                 NOMA           INDEL

Relatórios/informações                 X                 X               X
insuficientes
Necessidade de redigitação             X                 X               X

Uso de planilha Excel                  X                 X               X

Pouca flexibilidade                    X                 X               X

Plataforma DOS                         X

Lentidão do sistema                    X                 X               X

Adaptação do sofware às                                  X
normas e leis brasileiras
Alto investimento em sofware                             X
e equipamentos
Conveniência das informações                                             X



Como se pôde perceber alguns problemas/deficiências estão relacionadas a mais de

uma empresa tais como: relatórios/informações insuficientes; necessidade de

redigitação; uso de planilha Excel; pouca flexibilidade; e lentidão do sistema. O

primeiro problema/deficiência decorre do fato de que os SIs, apesar de terem sido

parametrizados para atenderem às necessidades de informações dos usuários, não

disponibilizam relatórios com informações suficientes para os administradores

tomarem decisões, além de não disponibilizarem gráficos que permitam uma melhor
139




visualização dos dados/informações. Para tentar minimizar esse problema deve-se

solicitar às empresas fornecedores dos SIs que implemente os relatórios

necessários para atender às necessidades de informações dos usuários.


A necessidade de redigitação e o uso de planilha Excel são problemas/deficiências

relacionadas,     pois   a   necessidade   de   redigitação   (ou   retrabalho)   ocorre

principalmente devido ao fato de ser necessário transportar os dados/informações

para uma planilha Excel para fazer as alterações necessárias e obter os relatórios

desejados, já que, como apontado anteriormente, os SIs não fornecem

relatórios/informações suficientes. Dessa forma, para minimizar ou extinguir esse

problema é necessário que os relatórios/informações (incluindo gráficos) sejam

totalmente disponibilizados pelos SIs utilizados, o que pode ser feito através de um

contato entre usuários e empresas fornecedoras de software para que estas

implementem relatórios que estejam de acordo com as necessidades de

informações dos usuários.


Com relação à pouca flexibilidade dos SIs, esta é decorrente do fato de que os SIs

depois de implantados e parametrizados não permitem que alterações sejam

realizadas com facilidade. Para realizar tais alterações é necessário solicitar às

empresas fornecedoras dos softwares e isso geralmente envolve um custo muito

alto. Dessa forma, as empresas que utilizam SIs não conseguem atender às novas

necessidades de informações que surgem a medida que a empresa se desenvolve e

as empresas fornecedoras de SIs devem estar atentas a este fato para que seja

possível desenvolver SIs mais flexíveis para atender essas novas necessidades

informacionais.
140




A lentidão do sistema está relacionada à rede das empresas e aos equipamentos

utilizados para dar suporte aos SIs. Como são SIs que processam uma grande

quantidade de dados para fornecer informações aos usuários, é necessário que a

rede da empresa e os equipamentos utilizados sejam condizentes com o volume de

dados/informações processadas para que o sistema não pare e dificulte o trabalho

dos usuários.


Na empresa M. A. Falleiros outro problema/deficiência encontrada foi o fato de o

sistema trabalhar em plataforma DOS. Apesar de alguns entrevistados considerarem

a plataforma DOS como mais fácil de trabalhar do que a plataforma Windows, esta é

uma plataforma antiga, dificultando a interface com o usuário e limitando o uso de

recursos como gráficos. Seria interessante substituir o SI por outro que utilize uma

plataforma Windows.


Na empresa Noma também verificou-se outros problemas/deficiências tais como:

adaptação do sofware às normas e leis brasileiras e alto investimento em software e

equipamentos. Com relação ao primeiro problema, este decorre do fato de que o

SAP é um SI desenvolvido por uma empresa alemã e sua adaptação às leis

brasileiras ainda não é total. Para que tal problema não ocorresse a empresa deveria

ter optado por um SI desenvolvido no Brasil o que evitaria custos e dispêndio de

tempo decorrentes da adaptação do SI às normas e leis brasileiras.


Com relação ao alto investimento em software e em equipamentos, isto é decorrente

do fato de que o SAP é um sistema caro e que requer um alto investimento em

equipamentos para suportá-lo. A empresa poderia ter investido em um sofware com

custo mais baixo para evitar gastos desnecessários com SI e equipamentos.
141




Na empresa Indel outro problema/deficiência encontrado foi a conveniência das

informações. Esta está ligada ao fato de que o SI nem sempre fornece as

informações necessárias em tempo hábil para a tomada de decisão, o que implica

atrasos e informações desatualizadas. Isso pode estar relacionado à alimentação do

SI que pode não estar sendo realizada de maneira a disponibilizar as informações

necessárias no momento certo. Treinar os funcionários para que alimentem o SI

corretamente seria uma maneira de minimizar tal problema.




6.7 CONCLUSÃO


Este capítulo apresentou a avaliação dos SIFs das empresas estudadas (M. A.

Falleiros, Noma e Indel), enfatizando a análise dos dados qualitativos e a análise

dos dados quantitativos coletados. Finalizando analisaram-se os problemas

evidenciados com os estudos de casos e buscou-se propor algumas ações que

minimizassem ou eliminassem os problemas. Com esta estrutura, o capítulo

contribuiu para que os objetivos específicos fossem atingidos e para que a pergunta

de pesquisa fosse respondida.
142




7 CONCLUSÃO




7.1 INTRODUÇÃO


Este capítulo apresenta as conclusões quanto à metodologia utilizada, à revisão da

literatura, aos estudos de casos e aos objetivos propostos; aponta algumas

contribuições da pesquisa e algumas perspectivas para pesquisas futuras; e traça

algumas considerações finais.




7.2 QUANTO À METODOLOGIA


O método de estudo de casos múltiplos permitiu que três empresas fossem

pesquisadas e que os SIFs que utilizam fossem avaliados. A condução de mais de

um estudo de caso permitiu que os dados coletados fossem contrastados,

evidenciando similaridades e divergências.


Foram utilizadas diversas técnicas de coleta de dados − entrevistas, questionários,

observação,   pesquisa   documental    −,    o   que   permitiu   que   uma   técnica

complementasse a outra, favorecendo a obtenção de melhores resultados. Além

disso, as técnicas utilizadas permitiram coletar dados tanto qualitativos quanto

quantitativos, o que aumentou o poder de análise.


A análise dos dados também foi realizada por meio de diversas técnicas − análise de

conteúdo, triangulação e modelagem, além da análise quantitativa −, o que

possibilitou uma adequada interpretação dos dados.
143




Conclui-se, portanto, que a metodologia utilizada para o desenvolvimento desta

pesquisa foi adequada, por permitir que os objetivos fossem alcançados e que o

problema de pesquisa fosse respondido.




7.3 QUANTO À REVISÃO DA LITERATURA


A revisão da literatura, apresentada nos capítulos 2 e 3, enfatizou aspectos

relacionados ao tema da pesquisa, contemplando os SIFs e a avaliação de SI. O

desenvolvimento de tal revisão foi de fundamental importância para a condução da

pesquisa, uma vez que permitiu compreender como os SIs funcionam e qual a sua

importância, em especial dos SIFs, e também possibilitou compreender a

importância da avaliação de SI e alguns modelos que podem ser utilizados para

realizar tal avaliação.


O capítulo 2 enfocou os SIFs. Para entender melhor esses sistemas, realizou-se,

primeiramente, uma caracterização dos SIs, enfatizando alguns dos seus conceitos

e suas possíveis classificações. Os itens 2.2 e 2.3 trataram dos sistemas de maneira

geral, mostrando suas características e seu funcionamento. Isso foi de fundamental

importância para entender que os SIs são decorrentes deste enfoque sistêmico. O

item   2.4   contemplou   os   aspectos   relacionados   a   dados,   informações    e

conhecimento, fundamentais para compreender como os sistemas são alimentados

e como os dados se transformam em informações.


Os itens 2.5 e 2.6 trataram dos SIs, enfatizando alguns conceitos e possíveis

classificações. Foram essenciais por permitirem entender que um SI não é composto

apenas de tecnologia, envolvendo também pessoas e a organização, e que pode
144




apresentar diversas classificações, dependendo do autor. O item 2.7 contemplou os

SIFs, enfatizando o modo como auxiliam os administradores a tomar decisões

referentes aos recursos da empresa. O item 2.8 apresentou algumas informações

financeiras fundamentais para a tomada de decisão.


O capítulo 3 contemplou a avaliação de SI, enfatizando a definição de avaliação

(item 3.2) e os modelos de avaliação (item 3.3). Para elaborar o item 3.3, foram

consultados, entre outros, diversos artigos estrangeiros (principalmente retirados do

portal da capes – www.periodicos.capes.gov.br), o que permitiu verificar como os SIs

são avaliados não apenas no Brasil, mas também no exterior. Pôde-se perceber que

os modelos de avaliação presentes nos artigos estrangeiros são a base para muitas

avaliações realizadas no Brasil e permitem, entre outros aspectos, que os sistemas

sejam avaliados em termos não apenas de retorno financeiro, mas também de

benefícios intangíveis e de qualidade das informações disponibilizadas.




7.4 QUANTO AOS ESTUDOS DE CASOS


O capítulo 5 apresentou os estudos de casos, enfatizando características das

empresas e os SIs utilizados. Os resultados referentes aos estudos de casos foram

apresentados e discutidos no capítulo 6, em que se avaliaram os SIs das empresas

estudadas, concluindo-se que os SIs são deficientes no atendimento às

necessidades de informações financeiras dos usuários.


Com a avaliação dos SIs apresentada no capítulo 6, foi possível responder ao

problema de pesquisa, que consistia em verificar se os SIFs fornecem informações

financeiras adequadas e suficientes para os administradores tomarem decisões.
145




Concluiu-se que os SIFs das empresas estudadas não fornecem informações

financeiras adequadas e suficientes para os administradores tomarem decisões.




7.5 QUANTO AOS OBJETIVOS PROPOSTOS


Em relação ao objetivo geral desta pesquisa − Avaliar se as informações financeiras

geradas pelos SIFs atendem às necessidades de informações dos administradores

−, concluiu-se que as informações financeiras geradas pelos SIFs não atendem

satisfatoriamente às necessidades de informações dos administradores.


Os questionários aplicados durante a condução dos estudos de casos, apesar de

não terem sido aplicados especificamente a usuários da área financeira, permitiram

visualizar melhor as deficiências do sistema. As entrevistas conduzidas com pessoas

não ligadas à área financeira também contribuíram neste sentido.


A seguir, apresentam-se as conclusões referentes a cada objetivo específico.




7.5.1 Objetivo 1: Descrever os processos de gestão com relação aos fluxos de

informações financeiras.


A análise das questões 1 a 8 da entrevista semi-estruturada contribuiu para que o

primeiro objetivo específico da pesquisa fosse atingido. Os usuários dos SIs

estudados, basicamente, buscam as informações financeiras internamente, ou seja,

no SI. Algumas consultas externas relatadas pelos entrevistados referem-se a

consultas a bancos e a sistemas de proteção ao crédito. As consultas a bancos têm
146




como objetivo, entre outros, contrastar os dados constantes no SI com a realidade

presente nos bancos.


Os entrevistados conhecem as origens das informações que chegam até eles. As

informações que alimentam o SIF vêm dos outros departamentos da empresa (como

Compras, Comercial e Produção) e o Financeiro gera informações para a

Contabilidade. Como os SIs são integrados, qualquer dado inserido no sistema por

uma determinada área da empresa reflete nas demais áreas, inclusive na área

financeira.


As informações que os entrevistados utilizam para a tomada de decisão são,

basicamente, de natureza financeira. Alguns entrevistados citaram que utilizam

também informações dos departamentos de Produção (estoque), Comercial e

Compras. Na realidade, essas informações são a base para que as informações

financeiras sejam geradas.




7.5.2 Objetivo 2: Identificar as informações financeiras necessárias para os

administradores.


A análise das questões 1 a 8 da entrevista semi-estruturada permitiu alcançar o

segundo objetivo específico da pesquisa, ou seja, que as informações financeiras

necessárias aos administradores fossem identificadas. As informações financeiras

utilizadas pelos entrevistados provêm de diversas áreas da empresa, como

Produção, Compras, Comercial e Recursos Humanos. No dia-a-dia, as informações

utilizadas podem ser resumidas em: duplicatas a pagar e a receber, faturamento da

empresa, fluxo de caixa, saldos de contas bancárias, situação do cliente quanto a
147




pagamento de duplicatas e algumas informações contábeis necessárias ao

gerenciamento da empresa.




7.5.3   Objetivo   3:   Identificar   as   informações     financeiras    atualmente

disponibilizadas pelos SIFs.


A análise das questões 9 a 13 da entrevista semi-estruturada contribuiu para que o

terceiro objetivo específico da pesquisa fosse alcançado. Outro método de coleta de

dados que contribuiu para que este objetivo fosse atingido foi a observação não-

participante. Algumas telas dos SIs pesquisados, apresentadas no capítulo 5,

seções 5.2.2, 5.3.2 e 5.4.2, também contribuíram para que as informações

financeiras atualmente disponibilizadas pelos SIFs estudados fossem identificadas.


O SI utilizado pela M. A. Falleiros (Infomark) disponibiliza, no módulo financeiro, as

seguintes informações: contas a pagar, contas a receber, contas correntes e livros

financeiros. Cada um destes itens apresenta relatórios específicos, como relatório de

cobrança e vencimento de faturas. Um dos problemas apontados quanto às

informações fornecidas pelo SI refere-se ao fluxo de caixa, que é fornecido pelo SI,

mas não está disponibilizado na forma adequada, segundo os entrevistados.


O SAP, sistema utilizado pela Noma, tem a parte financeira dividida em dois

módulos – contabilidade e controladoria. O módulo contabilidade envolve a

Contabilidade Financeira e a Tesouraria. Na Tesouraria, é possível administrar o

caixa e os empréstimos, entre outros aspectos. Na Controladoria, é possível

visualizar a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) e os custos, entre
148




outros aspectos. Uma falha do SAP, segundo os entrevistados, é que ele não

fornece o fluxo de caixa de médio e longo prazo.


No sistema Protheus, utilizado pela Indel, o módulo financeiro divide-se em contas a

receber, contas a pagar e movimento bancário. Entre os relatórios emitidos estão a

posição do cliente e a posição do fornecedor, entre outros. Um aspecto que deixa a

desejar no sistema Protheus é também o fluxo de caixa, que não é disponibilizado

corretamente.




7.5.4 Objetivo 4: Analisar se as informações financeiras disponibilizadas pelos

SIFs   correspondem       às   informações      financeiras   necessárias   para   os

administradores.


A análise das questões 9 a 13 da entrevista semi-estruturada contribuiu para que o

quarto objetivo específico da pesquisa fosse atingido. O questionário aplicado

também contribuiu neste sentido. O capítulo 6 apresentou a avaliação dos SIFs

estudados, sendo que esta avaliação foi fundamental para que este objetivo fosse

alcançado.


A maioria dos entrevistados considerou que as informações disponibilizadas pelo

sistema não correspondem às suas necessidades de informações financeiras.

Alguns buscam informações fora do sistema, sendo que a maioria desenvolve

relatórios específicos utilizando a planilha Excel.


Na realidade, pôde-se perceber que as informações, até certo ponto, estão

disponíveis no sistema. O que ocorre é que a maneira como tais informações são

apresentadas não é clara ou não corresponde à necessidade do usuário. Neste
149




sentido, faz-se necessário o uso do Excel para que estas informações possam ser

trabalhadas e utilizadas para a tomada de decisão. Um exemplo disso é o fluxo de

caixa. Os SIs analisados disponibilizam o contas a pagar e o contas a receber. A

questão é que essas informações não são apresentadas juntas, de maneira a

disponibilizar um fluxo de caixa. No caso do SAP, isso até acontece, mas apenas no

curto prazo.




7.5.5 Objetivo 5: Identificar possíveis deficiências e limitações quanto à

operação, utilização e avaliação dos SIFs.


A análise das questões 14 a 22 da entrevista semi-estruturada e o questionário

aplicado contribuíram para que o quinto objetivo específico desta pesquisa fosse

alcançado. A avaliação dos SIFs apresentada no capítulo 6 também contribuiu para

que este objetivo fosse atingido. Os principais problemas/deficiências levantados

durante a realização dos estudos de casos estão resumidos na seção 6.4, Quadro

11, que apresenta tanto os problemas/deficiências constatados durante as

entrevistas quanto os constatados com a aplicação do questionário.


As principais deficiências e limitações evidenciadas durante a realização dos

estudos de casos foram: uso de planilha Excel para gerar relatórios complementares

e mais específicos e gráficos não disponibilizados pelo sistema; necessidade de

redigitação decorrente do uso de sistemas alternativos/complementares (como o

Excel); pouca flexibilidade, ou seja, uma vez implantado e customizado o software

há muita dificuldade para alterar os relatórios e a forma de apresentação das

informações. Essa falta de flexibilidade dos SIs implantados não permite que estes

sistemas atendam a demanda crescente por informações que existe hoje nas
150




empresas. Outra deficiência refere-se à lentidão dos SIs, geralmente associada à

falta de equipamentos apropriados para suportar SIs com o porte dos sistemas

estudados.




7.5.6 Objetivo 6: Propor estratégias para que os administradores possam ter a

sua disposição as informações necessárias.


A análise das questões 14 a 22 da entrevista semi-estruturada e a avaliação dos

SIFs estudados, apresentada no capítulo 6, foram fundamentais para que o sexto e

último   objetivo   específico    desta    pesquisa     fosse    alcançado.    As

sugestões/recomendações      foram    elaboradas      tomando   por    base    os

problemas/deficiências encontrados durante a realização dos estudos de casos.

Estas sugestões/recomendações estão resumidas na seção 6.4, Quadro 11.


Entre outras, as sugestões/recomendações envolvem: implementar relatórios que

forneçam as informações necessárias aos administradores, o que diminuiria ou, até,

extinguiria o uso do Excel e a necessidade de redigitação; exigir que as empresas

fornecedoras do software sejam mais flexíveis no que compete à customização do

sistema, para que a flexibilidade de sistema seja aumentada; e investir em

equipamentos para que a lentidão do sistema seja minimizada.




7.6 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA


O desenvolvimento desta pesquisa permitiu algumas contribuições teóricas e

práticas para a área de SIs. Uma das contribuições teóricas desta pesquisa está no
151




fato de que esta contribuiu para complementar pesquisas realizadas anteriormente

como as desenvolvidas por Cardoso (2001) e Zanoteli (2001). Os resultados

alcançados com esta pesquisa corroboram resultados alcançados nestas pesquisas

anteriores, principalmente no que se refere à pouca flexibilidade dos SIs e ao fato de

que os SIs não fornecem informações e relatórios suficientes para atender às

necessidades    de   informação   dos   administradores.   Isto   contribuiu   para    a

generalização analítica enfatizada por Yin (2001).


Outra contribuição teórica da pesquisa refere-se ao fato de que o modelo adotado

para a avaliação dos SIs (enfatizando a avaliação da satisfação dos usuários do SI

tanto em relação ao sistema em si quanto em relação às informações por ele

disponibilizadas) permitiu uma avaliação de qualidade destes sistemas e mostrou-se

útil para avaliar sistemas não apenas na área financeira, mas também nas demais

áreas da empresa.


As contribuições práticas da pesquisa referem-se aos benefícios e contribuições da

pesquisa para as empresas, ou seja, como as empresas podem aplicar os

resultados da pesquisa no dia-a-dia. Primeiramente, as empresas precisam estar

atentas quanto a escolha e implementação dos SIs. É fundamental que as empresas

definam corretamente suas necessidades de informação e seus processos de

trabalho antes de selecionar os SIs, para que possam escolher SIs que permitam

que tais necessidades sejam atendidas e que estejam de acordo com suas

atividades. Antes da implementação do sistema, as empresas devem possuir todas

as suas necessidades de informações mapeadas, além de suas atividades

claramente definidas, evitando dessa forma retrabalhos e parametrizações

equivocadas e excessivas.
152




Estando atentas em relação a escolha e implementação dos SIs, as empresas

podem selecionar melhor seus investimento e evitar gastos excessivos com SIs que

não contribuirão para o desenvolvimento das suas atividades e que não atenderão

as necessidades de informação dos seus usuários.


Outro fator que deve ser levado em consideração pelas empresas no momento de

adquirir determinado SI refere-se às diferenças existentes entre o SI e a empresa.

Caso o sistema seja desenvolvido para operar em um determinado país que possua

leis e normas diferentes das brasileiras, é necessário que o sistema seja adaptado

às leis e normas brasileiras e isso pode gerar trabalho e gasto de tempo

desnecessários.


Um dos principais problemas em relação aos “pacotes” de SIs é que estes “pacotes”

são desenvolvidos para que as empresas se ajustem a eles, quando deveria

acontecer exatamente o oposto: a empresa, através de conversas com seus

funcionários, deveria apresentar seus problemas e necessidades de informação e os

sistemas deveriam ser desenvolvidos para que tais questões fossem solucionadas.


Uma outra contribuição desta pesquisa para as empresas é que estas precisam e

devem treinar seus funcionários de modo a solucionar qualquer dúvida em relação a

implementação e utilização do SI. Estes devem ser consultados quanto à escolha do

SI para que possa ser selecionado o sistema que esteja mais próximo de suas

necessidades      de   informações   e   que   contribua   adequadamente   para    o

desenvolvimento de suas atividades.
153




7.7 PERSPECTIVAS PARA PESQUISAS FUTURAS


Os três estudos de casos realizados apresentaram resultados que corroboram os

resultados de pesquisas realizadas anteriormente, como os encontrados em

Cardoso (2001) e Zanoteli (2001). Apesar deste fato, faz-se necessário promover o

desenvolvimento de novos estudos de caso que permitam complementar os estudos

já realizados e que ajudem a buscar soluções para problemas que ainda não foram

resolvidos na área de SI. Um desses problemas refere-se à falta de flexibilidade dos

SIs, os quais precisam estar aptos a atender à crescente necessidade de

informações das empresas. Somente com SI mais flexíveis será possível

disponibilizar de maneira apropriada as informações para a tomada de decisão.


Neste sentido, apresentam-se, a seguir, algumas perspectivas para pesquisas

futuras, evidenciadas a partir dos estudos de caso realizados:


   Estudar empresas que utilizem tipos de SI que não os já estudados, para verificar

   se eles apresentam problemas em relação à flexibilidade e à disponibilidade de

   informações.


   Desenvolver um SI que possua a capacidade de integração dos modelos

   estudados, mas que seja suficientemente flexível para atender às necessidades

   de informações das empresas e dos usuários.


   Estudar várias empresas para determinar quais são os fatores críticos de

   sucesso na implementação de SI e verificar se tais fatores estão relacionados à

   cultura organizacional, ao tempo necessário para a implementação e pleno

   funcionamento do SI, assim como ao treinamento realizado antes e durante a

   implementação do SI.
154




   Desenvolver, a partir dos modelos de avaliação de SI já existentes, um modelo

   que leve em consideração as características das empresas e dos SIs brasileiros.


   Desenvolver estudos de casos visando avaliar os SIs, levando em consideração

   o retorno financeiro, não-financeiro e intangível da implementação do sistema.


   Aplicar um dos métodos de avaliação de SI propostos no capítulo 3 em várias

   empresas, para que seja possível obter uma melhor generalização dos

   resultados.




7.8 CONSIDERAÇÕES FINAIS


Este estudo permitiu avaliar os SIs de três empresas que implementaram modelos

diferentes, o que possibilitou verificar se as deficiências encontradas estavam

relacionadas apenas ao SIF de uma determinada empresa implementadora (como a

SAP, a Microsiga) ou ao SI analisado.


Entre as deficiências/limitações dos SIFs estudados, verificou-se que a flexibilidade

é um fator crítico nos três SIs analisados, o que dificulta o atendimento das

necessidades informacionais dos administradores. A pouca flexibilidade dos SIs

impede que mudanças sejam realizadas de acordo com as necessidades de

informação da empresa e dos administradores. Isto está relacionado ao fato de ser

difícil modificar um SI depois de implantado e parametrizado, principalmente devido

ao custo das alterações.


Outras pesquisas realizadas sobre avaliação de SIF apresentaram resultados

semelhantes no que se refere à flexibilidade. Cardoso (2001) salienta que a questão
155




da falta de flexibilidade pode ser considerada como um problema sério do ponto de

vista estratégico, uma vez que não permite atender às novas necessidades

informacionais que surgem à medida que a empresa cresce. Zanoteli (2001)

constatou que uma das limitações dos SIs adquiridos refere-se à pouca flexibilidade

destes sistemas em adequarem-se ao contexto e à realidade das empresas, muitas

vezes, impondo o seu próprio modelo de informações.


Outra deficiência/limitação dos SIFs estudados é que estes não fornecem todos os

relatórios necessários à tomada de decisão, sendo freqüente o uso de planilhas do

software Excel como alternativa para gerar os relatórios necessários e também para

gerar gráficos (que são raros nos SIFs estudados). Essa necessidade de

transferência de dados/informações de um sistema para outro implica, muitas vezes,

redigitação desses dados, o que dificulta o trabalho dos administradores.


Este resultado corrobora um dos resultados apresentados por Cardoso (2001), que

enfatiza que o SI analisado não disponibiliza as informações da maneira que os

administradores necessitam, sendo que este não apresenta relatórios prontos

suficientes para atender às necessidades de informação dos administradores. Para

Cardoso (2001, p. 202), “este é um problema decorrente de uma implantação

standard do sistema, sem preocupações com a customização do mesmo de modo a

atender as necessidades específicas dos usuários”.


Outro fato importante a considerar é que as empresas desenvolvedoras e

comercializadoras de SI (como a SAP, a Microsiga e a Infomark) tendem a prometer

muito mais do que a implementação do SI é capaz de permitir na prática, no dia-a-

dia da empresa. Como salienta Cardoso (2001, p. 206), “a existência de um sistema
156




único, completamente integrado, e que atenda a todas as necessidades

informacionais da empresa continua sendo uma utopia”.


No entanto, os SIFs analisados também trouxeram vantagens para as empresas e

para os administradores. A principal foi a integração, que permitiu que todas as

áreas da empresa fossem interligadas e que a alimentação do SI fosse feita de

maneira a refletir em toda a empresa. Além disso, pôde-se perceber um aumento no

volume de dados/informações disponíveis e na confiabilidade dessas informações, o

que contribuiu para o processo de tomada de decisão.


Outro aspecto positivo em relação aos SIFs analisados refere-se ao fato de os

administradores considerarem as informações disponibilizadas pelos SIs úteis e

relevantes. Assim, apesar de os SIFs apresentarem deficiências e limitações, as

informações disponibilizadas por eles são importantes e úteis para que os

administradores desenvolvam seu trabalho e tomem as decisões necessárias.


Configurando-se como uma replicação de pesquisas anteriores, este estudo

contribuiu para a generalização analítica (Yin, 2001) no que se refere à avaliação de

SI. Concluiu-se, a partir das evidências apuradas, que os SIFs não atendem

totalmente às necessidades informacionais dos administradores para a tomada de

decisão.
157




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                         ANEXO A – Modelo de entrevista


Identificação do entrevistado:
Nome: _________________________________________________________
Cargo: _________________________________________________________
Tempo de empresa: __________________________
Tempo no cargo atual: ________________________
Área / Departamento: ______________________________________________
Telefone para contato: (____) xx ______-________ / Ramal ________
Data da entrevista: ____ de ____________________ de ________
Horário de início e término da entrevista: de ____:____ às ____:____

Questões

1. No desempenho da sua função, quais são as principais atribuições? Dentre elas,
quais envolvem decisões?

2. Neste processo, quais as decisões mais importantes? Por que?

3. Seria possível fazer um relacionamento entre as atribuições e as decisões?

4. Existe alguma seqüência, etapas ou passos a serem seguidos no processo de
tomada de decisão? Você alteraria alguma coisa?

5. Para a tomada de decisão, quais são as informações necessárias?

6. Seria possível fazer uma correlação entre as decisões e estas informações?

7. Entre as informações usadas nas decisões, quais são de natureza financeira?

8. Você conhece a origem dessas informações? Onde são geradas e por quem?

9. Como é composto o Sistema de Informações Gerenciais?

10. É possível identificar as informações financeiras disponibilizadas pelo sistema?

11. As informações financeiras disponibilizadas pelo sistema correspondem às
necessidades de informações dos administradores? Por que?

12. Como são elaborados ou projetados os relatórios? Existe alguma preocupação
com a forma de apresentação?

13. Qual o nível de conhecimento financeiro é necessário para sua compreensão?
Os usuários têm esse conhecimento? São treinados? Esse treinamento é realizado
de forma continuada?

14. As informações são apresentadas de maneira clara e objetiva? São de fácil
entendimento?

15. As informações são relevantes e confiáveis?
162




16. Os relatórios são disponibilizados em tempo hábil para a tomada de decisão?

17. Com base no seu trabalho e na sua experiência, quais são as informações que o
sistema deveria fornecer e que não está fornecendo?

18. Se você pudesse mudar os relatórios, o que faria?

19. Quais são as dificuldades encontradas pelo usuário quando utiliza o sistema?
Por que?

20. Quais são os aspectos positivos do sistema? Por que?

21. Quais são os aspectos negativos do sistema? Por que?

22. Com base no seu trabalho e na sua experiência como podem ser otimizados os
fluxos de informações financeiras e como podem ser melhor atendidas as
necessidades informacionais?
163




                       ANEXO B – Modelo de questionário


1. Qual módulo do Sistema de Informações você mais utiliza?



2. Como você classifica o Sistema de Informações utilizado em relação aos
seguintes aspectos:

                                           Muito     Bom     Regular    Ruim
                                           Bom
2.1 Funcionalidade
2.2 Interface com o usuário
2.3 Disponibilidade de informações
2.4 Facilidade de acesso
2.5 Flexibilidade
2.6 Todo o sistema utilizado, em geral

3. Especificamente quanto às informações disponíveis no sistema, como você
as classifica em relação a:

                                           Muito     Bom     Regular    Ruim
                                           Bom
3.1 Apresentação (Relatórios)
3.2 Completude (ser/estar completa,
quantidade)
3.3 Necessidade de (Re)Digitação
3.4 Exatidão/Confiabilidade
3.5 Utilidade
3.6 Concisão/Prolixidade (ser objetiva)
3.7 Relevância/Importância
3.8.Compreensibilidade (Compreensiva)
3.9 Consistência
3.10 Conteúdo (Qualidade)

5. Caso queira fazer algum comentário adicional sobre a adequabilidade do
   Sistema de Informações utilizado, escreva a seguir.




Breve explicação sobre os termos da questão 3
Apresentação (Relatórios): como você avalia a apresentação das informações, que
podem ser visualizadas na tela ou na forma de relatórios impressos?
164




Completude (ser/estar completa, quantidade): se a informação não é insuficiente
nem está em excesso, se a mesma está completa, sem necessidade de recorrer a
outra fonte.
Necessidade de (Re)Digitação: caso precise transportar dados para outro sistema,
pode-se exportá-los, ou existe necessidade de redigitação?
Exatidão / Confiabilidade: se as informações estão corretas, se não estão
desatualizadas, se pode-se confiar nos números fornecidos.
Utilidade: se você tem necessidade da informação, se ela realmente é útil para você.
Concisão / Prolixidade (ser objetiva): a informação é objetiva, está numa forma
prolixa?
Relevância / Importância: a informação realmente é relevante / importante para você,
seu departamento ou para a empresa?
Compreensibilidade (Compreensível): a informação é inteligível, está num formato
compreensível?
Consistência: a informação fornecida é consistente com outras fonte de dados, ou
existe mais de um número (valor) para a mesma informação, provavelmente vinda
de fontes diferentes?
Conteúdo (Qualidade): Numa avaliação geral, como você classifica a qualidade
intrínseca das informações fornecidas?

Cristiani Passolongo

  • 1.
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DEMARINGÁ UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA CRISTIANI PASSOLONGO AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS: ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS Maringá 2004
  • 2.
    CRISTIANI PASSOLONGO AVALIAÇÃO DESISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS: ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Administração da Universidade Estadual de Maringá e Universidade Estadual de Londrina, na área de Gestão de Negócios, como requisito final para obtenção do título de Mestre em Administração. Orientador: Prof. Antônio Artur de Souza, Ph.D. Maringá 2004
  • 3.
    CRISTIANI PASSOLONGO AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS: ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS Dissertação aprovada como requisito para obtenção do grau de Mestre no Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Estadual de Maringá e Universidade Estadual de Londrina, pela seguinte banca examinadora Aprovada em 01 de novembro de 2004. Prof. Antônio Artur de Souza, Ph.D. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Profª. Dra. Márcia Regina Gabardo Câmara Universidade Estadual de Londrina (UEL) Prof. Márcio Augusto Gonçalves, Ph.D. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
  • 4.
    À minha mãe(in memoriam) e ao meu pai, que, apesar de não perceberem a importância de tal esforço, sempre me apoiaram e me incentivaram para que eu chegasse ao final de mais uma etapa da minha vida.
  • 5.
    AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar,a Deus, que me proporcionou a vida e a oportunidade de alcançar mais este objetivo, conduzindo-me e amparando-me nos momentos mais difíceis. À minha mãe, que hoje já não está mais entre nós, por seu amor, dedicação e atenção durante toda a sua vida; e ao meu pai, que sempre me apoiou e me incentivou, apesar de não perceber o porquê de tanto esforço. Muito obrigada. À minha família, principalmente às minhas irmãs, Claudete e Cleunice, que tanto que me ajudaram e incentivaram a alcançar este objetivo. Ao Márcio, que me ajudou a enfrentar a perda da minha mãe e todos os momentos delicados pelos quais passei durante o mestrado. Muito obrigada pelo apoio e atenção. Aos meus amigos, pela tolerância e apoio; por ouvirem meus desabafos quando tudo estava difícil. Ao professor Antônio Artur de Souza, exemplo de educador, de profissional e de amigo, pelos momentos de atenção dedicados à condução desta pesquisa e ao meu aprendizado como estudante, profissional e também como pessoa. Aos professores da Universidade Estadual de Maringá e da Universidade Estadual de Londrina, pelos ensinamentos, incentivos, críticas e contribuições para que a conclusão do mestrado fosse possível. Às empresas M. A. Falleiros, Noma e Indel, que permitiram que a realização desta pesquisa fosse possível. E a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para que este objetivo fosse alcançado.
  • 6.
    “O futuro nãonos traz nada, não nos dá nada; nós é que, para construí-lo, devemos dar-lhe tudo, dar-lhe a nossa própria vida, outra seiva a não ser os tesouros herdados do passado e digeridos, assimilados, recriados por nós”. Simone Weil
  • 7.
    RESUMO Os Sistemas deInformações Financeiras (SIFs) podem auxiliar os administradores a tomarem decisões mais acertadas. No entanto, nem sempre um Sistema de Informações Financeiras (SIF) fornece as informações necessárias para a tomada de decisão, e isto pode estar relacionado com alguma deficiência/limitação do sistema. As deficiências/limitações do sistema precisam ser descobertas, o que é possível mediante a avaliação do sistema. Esta pesquisa pautou-se na seguinte pergunta de pesquisa: Os SIFs fornecem informações financeiras adequadas e suficientes para administradores tomarem decisões? O objetivo geral desta pesquisa consistiu em avaliar se as informações financeiras geradas pelos SIFs atendem às necessidades de informações dos administradores. Para atingir tal objetivo, foram realizados três estudos de casos, nos quais se utilizaram diversas metodologias de levantamento de dados, como entrevistas, pesquisa documental, observação e questionários. Os dados foram analisados por meio da análise de conteúdo, triangulação e modelagem, além da análise quantitativa dos dados. Chegou-se a conclusão de que os SIFs analisados não atendem às necessidades de informações dos administradores para a tomada de decisão. Os usuários utilizam sistemas alternativos/complementares, como o Excel, para gerarem relatórios mais específicos e gráficos. Outra deficiência relaciona-se com a pouca flexibilidade dos SIFs, fator que dificulta a adoção de mudanças em conformidade com as necessidades dos administradores. Palavras-chave: Sistemas de Informações; Sistemas de Informações Financeiras; avaliação; necessidade de informações.
  • 8.
    ABSTRACT The Financial InformationSystems (FIS) may help the managers making better decisions. However, a FIS may not supplies useful informations to decision-making and this may be related with some deficiency/limitation of the system. The deficiencies/limitations of the system need to be discovered and this is possible by evaluating the system. Thus, this research was lined on the following research question: Do the FIS supply suitable and sufficient financial information to the managers making decisions? The main objective of this research was to evaluate if the financial information produced by the FIS meet the information needs of the managers. This objective was reached through three cases studies, using different methodologies for data gathering, like interviews, documents’ research, observation and questionnaire. The data were analyzed by using content analysis, triangulation and data modeling, besides that quantitative analyze of the data was used complementarily. The conclusion was that the FIS analyzed do not meet the information needs of the managers for the decision making. The users use alternative/complementary systems, like Excel, to get more specific reports and graphs. Another deficiency is the low flexibility of the FIS, that make difficult changing the systems in a way that meets the information needs of the managers. Key-words: Information Systems; Financial Information Systems; evaluation; information needs.
  • 9.
    LISTA DE FIGURAS Figura1 – Componentes dos Sistemas de Informações __________________ 28 Figura 2 – Categorias de SIFs ______________________________________ 42 Figura 3 – Visão geral de um SIF ____________________________________ 44 Figura 4 – Quatro possíveis orientações para avaliação de SI _____________ 65 Figura 5 – Módulos do SI implantados na M. A. Falleiros _________________ 90 Figura 6 – Opções do módulo financeiro do SI implantado na M. A. Falleiros __ 91 Figura 7 – Opções de relatórios do módulo financeiro – contas a receber ____ 92 Figura 8 – Tela inicial do sistema SAP ________________________________ 94 Figura 9 – Módulo contábil/financeiro do sistema SAP ___________________ 95 Figura 10 – Módulo de Controladoria do sistema SAP ____________________ 96 Figura 11 – Alguns relatórios que podem ser emitidos pelo sistema SAP _____ 97 Figura 12 – Exemplo de relatório emitido pelo SAP (1) ___________________ 98 Figura 13 – Exemplo de relatório emitido pelo SAP (2) ___________________ 99 Figura 14 – Exemplo de relatório emitido pelo SAP (3) ___________________ 100 Figura 15 – Módulo financeiro – Sistema de Informações Protheus _________ 103 Figura 16 – Atualizações do item contas a receber – módulo financeiro ______ 104 Figura 17 – Atualizações do item contas a pagar – módulo financeiro _______ 105 Figura 18 – Consultas – módulo financeiro ____________________________ 106 Figura 19 – Opções de relatórios – módulo financeiro ____________________ 107 Figura 20 – Exemplo de relatório – módulo financeiro ___________________ 108
  • 10.
    LISTA DE QUADROS Quadro1 - Perguntas de pesquisa __________________________________ 20 Quadro 2 – Organização da dissertação ______________________________ 21 Quadro 3 – Tipos de decisões ______________________________________ 48 Quadro 4 – Atributos da informação de qualidade _______________________ 55 Quadro 5 – Custos/benefícios da implantação de um SI __________________ 60 Quadro 6 – Métodos para avaliação da satisfação do usuário da informação __ 62 Quadro 7 – Método de Torkzadeh e Doll para avaliar o impacto da TI no trabalho do usuário final____________________________________________ 63 Quadro 8 – Relação dos entrevistados________________________________ 73 Quadro 9 – Protocolo para a realização dos estudos de casos_____________ 83 Quadro 10 – Perguntas que orientaram as entrevistas e objetivos específicos______________________________________________________ 84 Quadro 11 – Questionário__________________________________________ 86 Quadro 12 – Problemas/deficiências encontradas _______________________ 138
  • 11.
    LISTA DE GRÁFICOSE TABELAS Gráfico 1 – Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ______________________________ 111 Gráfico 2 – Avaliação do item concisão/prolixidade das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) _______________________________________ 112 Gráfico 3 – Avaliação do item interface entre o usuário e o sistema (M. A. Falleiros) _______________________________________________________ 113 Gráfico 4 – Avaliação do item utilidade das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ___________________________________________ 114 Gráfico 5 – Avaliação do item relevância/importância das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ______________________________ 114 Gráfico 6 – Avaliação do item necessidade de redigitação das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ______________________________ 115 Gráfico 7 – Avaliação do item flexibilidade do sistema (M. A. Falleiros) ______ 116 Gráfico 8 – Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) _______________________________________ 117 Gráfico 9 – Avaliação do item disponibilidade de informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) ___________________________________________ 118 Gráfico 10 – Análise das categorias (M. A. Falleiros) _____________________ 119 Gráfico 11 – Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo sistema (Noma) _____________________________________ 120 Gráfico 12 – Avaliação do item relevância/importância das informações fornecidas pelo sistema (Noma) _____________________________________ 122 Gráfico 13 – Avaliação do item flexibilidade do sistema (Noma) ____________ 123 Gráfico 14 – Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo sistema (Noma) ______________________________________________ 124 Gráfico 15 – Avaliação do item disponibilidade de informações fornecidas pelo sistema (Noma) __________________________________________________ 125 Gráfico 16 – Avaliação do item necessidade de redigitação das informações fornecidas pelo sistema (Noma) _____________________________________ 125 Gráfico 17 – Análise das categorias (Noma) ___________________________ 126
  • 12.
    Gráfico 18 –Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo sistema (Indel) _____________________________________ 127 Gráfico 19 – Avaliação do item concisão/prolixidade das informações fornecidas pelo sistema (Indel) _____________________________________ 128 Gráfico 20 – Avaliação do item utilidade das informações fornecidas pelo sistema (Indel) __________________________________________________ 129 Gráfico 21 – Avaliação do item relevância/importância das informações fornecidas pelo sistema (Indel) ______________________________________ 129 Gráfico 22 – Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo sistema (Indel) _______________________________________________ 130 Gráfico 23 – Avaliação do item flexibilidade do sistema (Indel) _____________ 131 Gráfico 24 – Análise das categorias (Indel) ____________________________ 132 Tabela 1 – Freqüência das categorias ________________________________ 135 Tabela 2 – Síntese dos dados quantitativos ____________________________ 137
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    SUMÁRIO RESUMO _________________________________________________________ 06 ABSTRACT_______________________________________________________ 07 LISTA DE FIGURAS ________________________________________________ 08 LISTA DE QUADROS _______________________________________________ 09 LISTA DE GRÁFICOS E TABELAS ____________________________________ 10 1 INTRODUÇÃO ___________________________________________________ 16 1.1 TEMA E PROBLEMA DA PESQUISA ______________________________ 16 1.2 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA _________________________________ 17 1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA _____________________________________ 18 1.3.1 Objetivo geral _____________________________________________ 19 1.3.2 Objetivos específicos _______________________________________ 19 1.4 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ______________________________ 21 2 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS (SIFs) ___________________ 22 2.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 22 2.2 O ENFOQUE SISTÊMICO _______________________________________ 22 2.3 FUNCIONAMENTO DOS SISTEMAS ______________________________ 24 2.4 DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO ______________________ 25 2.5 CONCEITO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _____________________ 27 2.6 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _______________ 29 2.7 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS______________________ 41 2.8 INFORMAÇÕES FINANCEIRAS PARA A TOMADA DE DECISÃO _______ 45 2.8.1 Administração de caixa _____________________________________ 49 2.8.2 Administração de investimentos _____________________________ 49 2.8.3 Orçamento de capital _______________________________________ 50 2.8.4 Planejamento financeiro ____________________________________ 51
  • 14.
    2.9 CONCLUSÃO _________________________________________________51 3 AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _______________________ 53 3.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 53 3.2 DEFINIÇÃO DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES _______ 53 3.3 MODELOS DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES ________ 54 3.4 CONCLUSÃO _________________________________________________ 66 4 METODOLOGIA__________________________________________________ 68 4.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 68 4.2 DELINEAMENTO E PERSPECTIVA DA PESQUISA __________________ 68 4.3 UNIDADE DE ANÁLISE _________________________________________ 70 4.4 DEFINIÇÃO DO NÚMERO DE CASOS _____________________________ 71 4.5 SELEÇÃO DAS EMPRESAS ESTUDADAS _________________________ 72 4.6 COLETA DE DADOS ___________________________________________ 74 4.7 ANÁLISE DOS DADOS _________________________________________ 77 4.8 PROTOCOLO PARA A REALIZAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASOS ______ 82 4.9 CONCLUSÃO _________________________________________________ 87 5 ESTUDOS DE CASOS_____________________________________________ 88 5.1 INTRODUÇÃO ________________________________________________ 88 5.2 CASO M. A. FALLEIROS ________________________________________ 88 5.2.1 Características ____________________________________________ 88 5.2.2 Sistema de Informações utilizado_____________________________ 89 5.3 CASO NOMA DO BRASIL S.A. ___________________________________ 92 5.3.1 Características ____________________________________________ 92 5.3.2 Sistema de Informações utilizado_____________________________ 93 5.4 CASO INDEL ________________________________________________ 100 5.4.1 Características ___________________________________________ 100 5.4.2 Sistema de Informações utilizado____________________________ 101
  • 15.
    5.5 CONCLUSÃO ________________________________________________108 6 AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS ESTUDADOS ________________________________________________________________ 109 6.1 INTRODUÇÃO _______________________________________________ 109 6.2 O CASO M. A. FALLEIROS _____________________________________ 110 6.2.1 Aspectos positivos do sistema ______________________________ 110 6.2.2 Aspectos negativos do sistema _____________________________ 114 6.3 O CASO NOMA ______________________________________________ 119 6.3.1 Aspectos positivos do sistema ______________________________ 119 6.3.2 Aspectos negativos do sistema _____________________________ 122 6.4 O CASO INDEL ______________________________________________ 126 6.4.1 Aspectos positivos do sistema ______________________________ 126 6.4.2 Aspectos negativos do sistema _____________________________ 129 6.5 SÍNTESE E DISCUSSÃO DA ANÁLISE DOS DADOS ________________ 132 6.6 SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES _____________________________ 138 6.7 CONCLUSÃO ________________________________________________ 141 7 CONCLUSÃO___________________________________________________ 142 7.1 INTRODUÇÃO _______________________________________________ 142 7.2 QUANTO À METODOLOGIA ____________________________________ 142 7.3 QUANTO À REVISÃO DA LITERATURA___________________________ 143 7.4 QUANTO AOS ESTUDOS DE CASOS ____________________________ 144 7.5 QUANTO AOS OBJETIVOS PROPOSTOS_________________________ 145 7.5.1 Objetivo 1: Descrever os processos de gestão com relação aos fluxos de informações financeiras. _____________________________________ 145 7.5.2 Objetivo 2: Identificar as informações financeiras necessárias para os administradores. ______________________________________________ 146 7.5.3 Objetivo 3: Identificar as informações financeiras atualmente disponibilizadas pelos SIFs. _____________________________________ 147
  • 16.
    7.5.4 Objetivo 4:Analisar se as informações financeiras disponibilizadas pelos SIFs correspondem às informações financeiras necessárias para os administradores. ______________________________________________ 148 7.5.5 Objetivo 5: Identificar possíveis deficiências e limitações quanto à operação, utilização e avaliação dos SIFs. _________________________ 149 7.5.6 Objetivo 6: Propor estratégias para que os administradores possam ter a sua disposição as informações necessárias. __________________ 150 7.6 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA _______________________________ 150 7.7 PERSPECTIVAS PARA PESQUISAS FUTURAS ____________________ 153 7.8 CONSIDERAÇÕES FINAIS _____________________________________ 154 8 REFERÊNCIAS _________________________________________________ 157 ANEXO A ________________________________________________________161 ANEXO B ________________________________________________________163
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    16 1 INTRODUÇÃO 1.1 TEMAE PR OBLEMA DA PESQUISA A evolução tecnológica tem possibilitado diversas mudanças no dia-a-dia das empresas. Destaca-se, nesse sentido, o grande benefício proporcionado pela Tecnologia da Informação (TI). Segundo Serafeimidis e Smithson (1999, p. 94), muitas empresas estão investindo em Tecnologia da Informação como uma maneira não apenas de reduzir custos e aumentar lucros, mas de melhorar o fornecimento de serviços e produtos ao consumidor, aumentando a flexibilidade e facilitando a inovação. Uma das conseqüências mais significativas dessa evolução está na crescente implementação dos Sistemas de Informações (SIs), instrumentos capazes de auxiliar os administradores na tomada de decisão e no gerenciamento da empresa como um todo. De acordo com Zwass (1992, p. 6), “um Sistema de Informações é um portfólio organizado de sistemas formais para obter, processar e distribuir informações para suporte às operações comerciais e para o gerenciamento de uma empresa”. As empresas que utilizam SIs podem, por meio do gerenciamento correto da informação, obter vantagens competitivas e estratégicas em tempo real para que a tomada de decisão ocorra da maneira mais eficiente. Como salienta O’Donnell (2003, p. 117), os SIs são fundamentais para as empresas, pois processam os dados referentes aos seus negócios e permitem que as empresas utilizem estes dados/informações para acompanhar o desempenho dos seus objetivos.
  • 18.
    17 Os Sistemas deInformações Financeiras (SIFs) são um componente dos SIs. Contribuem para a geração de relatórios com informações financeiras relevantes, para a utilização mais eficiente de recursos e para a manutenção da saúde financeira da empresa. Permitem aos administradores tomar decisões financeiras mais convenientes, possibilitando o crescimento e a prosperidade da empresa. No entanto, é necessário verificar se o Sistema de Informações (SI) disponibiliza todas essas informações para a tomada de decisão na empresa. Caso isso não ocorra, pode haver alguma deficiência/limitação no sistema. De acordo com Kumar (apud Abu-Musa, 2002, p. 141), a avaliação de um SI tem como principais finalidades: verificar se o sistema está de acordo com o que foi solicitado; proporcionar feedback para o desenvolvimento de usuários; justificar a aquisição, continuidade ou término de um projeto de SI e identificar mudanças necessárias. Assim, na fase de avaliação do sistema, é possível identificar problemas ou oportunidades em potencial e verificar se o SI está atingido ou não os objetivos e as metas da empresa. Neste contexto, o problema desta pesquisa está relacionado à seguinte questão: Os Sistemas de Informações Financeiras fornecem informações financeiras adequadas e suficientes para os administradores tomarem decisões? 1.2 JUSTIFICAT IVA E RELEVÂNCIA Um grande número de empresas implementa SIs para auxiliar na tomada de decisão e no gerenciamento de informações. Geralmente, essa implementação acarreta um
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    18 alto custo paraa organização e um certo desgaste para seus membros, devido a dificuldades na adaptação ao novo sistema. Os SIs implantados podem não atingir os objetivos iniciais, como, por exemplo, auxiliar os administradores a tomarem decisões mais precisas e rápidas. Isso geralmente ocorre porque, na maioria das vezes, esses sistemas não são avaliados correta e freqüentemente. O resultado é uma inadequada utilização do sistema implantado. Com a avaliação dos SIs, é possível verificar os eventuais problemas apresentados e as potencialidades ainda inexploradas do sistema. A avaliação dos SIs permite, portanto, utilizar de forma mais efetiva e eficaz os recursos disponibilizados pelo sistema. De acordo com Stair (1998, p. 312), a avaliação de SI tem como finalidade “determinar se os objetivos alcançados pelo sistema atual estão satisfazendo ou não as metas da organização”. Neste contexto é que esta pesquisa se justifica, pois é de fundamental importância avaliar os SIFs e verificar se eles atendem às necessidades de informações financeiras dos administradores para a tomada de decisão. 1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA Os objetivos apresentados a seguir têm como finalidade orientar o processo de pesquisa. Para facilitar esse processo, elaboraram-se algumas perguntas de pesquisa, conforme consta no Quadro 1.
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    19 1.3.1 Objetivo geral Avaliarse as informações financeiras geradas pelos SIFs atendem às necessidades de informações dos administradores para a tomada de decisão. 1.3.2 Objetivos específicos Descrever os processos de gestão com relação aos fluxos de informações financeiras; Identificar as informações financeiras necessárias aos administradores; Identificar as informações financeiras atualmente disponibilizadas pelos SIFs; Analisar se as informações financeiras disponibilizadas pelos SIFs correspondem às informações financeiras necessárias aos administradores; Identificar possíveis deficiências e limitações quanto à operação, utilização e avaliação dos SIFs; e Propor estratégias para que os administradores possam ter a sua disposição as informações necessárias. Para cada objetivo específico foram elaboradas as perguntas de pesquisa apresentadas no Quadro 1.
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    20 Quadro 1: Perguntasde pesquisa OBJETIVOS ESPECÍFICOS PERGUNTAS DE PESQUISA Descrever os processos de gestão com Quais são os processos envolvidos na relação aos fluxos de informações tomada de decisão? financeiras. Quais são as informações financeiras necessárias? Qual é a origem da informação financeira? Identificar as informações financeiras Quais são as informações financeiras necessárias para os administradores que os administradores necessitam tomarem decisões. para a tomada de decisão? Identificar as informações financeiras Quais informações financeiras são atualmente disponibilizadas pelos SIFs. disponibilizadas pelo SIF utilizado pela organização? Analisar se as informações financeiras As informações financeiras disponibilizadas pelos SIFs disponibilizadas pelo sistema correspondem às informações financeiras correspondem às necessidades de necessárias aos administradores. informações dos administradores? Os procedimentos de coleta de dados e de distribuição das informações financeiras são adequados? Identificar possíveis deficiências e Quais são as principais dificuldades limitações quanto à operação, à presentes na utilização do sistema? utilização e à avaliação dos SIFs. Quais são as principais dificuldades encontradas na avaliação do sistema? Propor estratégias para que os Quais são os aspectos positivos e administradores possam ter a sua negativos do sistema? disposição as informações necessárias. Como as informações financeiras necessárias podem ser disponibilizadas de maneira mais eficiente?
  • 22.
    21 1.4 ORGANIZA ÇÃODA DISSERTAÇÃO O Quadro 2 apresenta a organização da dissertação, por capítulo e respectivos título e conteúdo. Quadro 2: Organização da dissertação CAPÍTULO TÍTULO CONTEÚDO 1 Introdução Tema e problema da pesquisa; justificativa e relevância; objetivos da pesquisa e organização da dissertação. 2 Sistemas de Enfoque sistêmico; funcionamento dos Informações Financeiras sistemas; dados, informações e conhecimento; conceito de Sistemas de Informações; classificação dos Sistemas de Informações; Sistemas de Informações Financeiras; informações financeiras para a tomada de decisão. 3 Avaliação de Sistemas Definição de avaliação de Sistemas de de Informações Informações; modelos de avaliação de Sistemas de Informações. 4 Metodologia Delineamento e perspectiva da pesquisa; unidade de análise; definição do número de casos; seleção das empresas estudadas; instrumentos de coleta de dados; técnicas de análise de dados utilizadas; protocolo para a realização dos estudos de casos. 5 Estudos de Casos Caracterização das empresas estudadas e dos Sistemas de Informações utilizados. 6 Avaliação dos Sistemas Avaliação dos pontos fortes e deficiências de Informações dos Sistemas de Informações estudados. Financeiras estudados 7 Conclusão Conclusões da pesquisa quanto à metodologia, à revisão da literatura, aos estudos de casos e aos objetivos propostos; contribuições da pesquisa; perspectivas para pesquisas futuras.
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    22 2 SISTEMAS DEINFORMAÇÕES FINANCEIRAS (SIFs) 2.1 INTRODUÇÃO Este capítulo apresenta os aspectos mais relevantes dos SIFs. Inicialmente, apresentam-se as características da abordagem sistêmica e explica-se como funciona um sistema. Depois de analisar os sistemas e suas características, enfatizam-se os SIs, destacando, entre outros aspectos, a classificação. Finalizando o capítulo, apresentam-se os Sistemas de Informações Financeiras e as características das informações financeiras relevantes para a tomada de decisão. Com essa estrutura, o capítulo, que é parte integrante do referencial teórico desta pesquisa, esclarece a importância dos SIFs para as empresas. 2.2 O ENFOQUE SISTÊMICO De acordo com Oliveira (2000, p. 149), “um sistema é uma rede de componentes interdependentes que trabalham em conjunto para tentar realizar o objetivo do sistema”. Isto significa que as partes que compõem um sistema não são isoladas, mas ligadas entre si de forma a complementarem-se. Considerando sua relação com o ambiente, um sistema pode ser aberto ou fechado. Um sistema fechado, segundo Daft (1999, p. 8), não depende do seu ambiente, sendo por isso autônomo e isolado do ambiente externo. Na realidade, um sistema totalmente fechado é difícil de ser encontrado, pois geralmente há uma interação com o ambiente externo.
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    23 Um sistema aberto,ao contrário, interage com o ambiente para sobreviver, consumindo e exportando recursos. As empresas, geralmente, são sistemas abertos e interagem com o ambiente, tanto influenciando-o como sendo influenciadas por ele. Neste contexto, Daft (1999, p. 8) define sistema como um “conjunto de elementos interativos que recebe entradas do ambiente, transforma-as e emite saídas para o ambiente externo”. Para Stair (1998, p. 6), “um sistema é um conjunto de elementos ou componentes que interagem para se atingir objetivos”. Pode-se medir a performance de um sistema analisando sua eficiência e sua eficácia. A eficiência caracteriza-se como “a medida do que é produzido dividido pelo que é consumido” e a eficácia “é a medida da proporção em que o sistema atinge seus objetivos” (Stair, 1998, p. 9). De acordo com O’Brien (2002, p. 17), “um sistema é um grupo de componentes inter-relacionados que trabalham juntos rumo a uma meta comum recebendo insumos e produzindo resultados em um processo organizado de transformação”. Os sistemas, neste contexto, possuem três componentes básicos: entradas, processamento e saída. Os SIs, como sistemas abertos, dependem do ambiente e da interação com este para sobreviver e podem ter sua performance analisada segundo critérios de eficiência e eficácia. Possuem os três componentes básicos de um sistema, recebendo dados como entrada, processando-os e fornecendo informações como saída. Dessa forma, é importante analisar o funcionamento dos sistemas para, posteriormente, estudar os SIs, mais especificamente os SIFs.
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    24 2.3 FUNCIONAMENTO DOSSISTEMAS De acordo com Oliveira (1993, p. 23), um sistema apresenta em seu funcionamento os seguintes componentes: Objetivos: são a própria razão de existência do sistema, ou seja, a finalidade para a qual o sistema foi criado. Entradas: caracterizam-se como tudo o que o sistema necessita para realizar suas operações, sendo obtidas no meio ambiente com o qual o sistema interage. Segundo Oliveira (2000, p. 150), são exemplos de entradas para o sistema: a mão-de-obra ou pessoal, a matéria-prima ou materiais, as informações ou leis, normas e padrões estabelecidos, tecnologias e máquinas. Processo de transformação: esse processo possibilita a transformação da entrada em um produto, serviço ou resultado, caracterizado como a saída do sistema. Saídas: são os resultados do processo de transformação. Para Oliveira (1993, p. 24), devem ser coerentes com os objetivos do sistema e devem ser quantificáveis de acordo com os critérios e os parâmetros previamente estabelecidos. Controle e avaliação do sistema: permitem verificar se as saídas estão de acordo com os objetivos estabelecidos. Retroalimentação ou realimentação: considerada como a reintrodução, no sistema, de uma saída sob a forma de informação. De acordo com Oliveira (1993, p. 24), “essa realimentação é um instrumento de regulação retroativa ou de controle, em que as informações realimentadas são resultados das
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    25 divergências verificadas entre as respostas de um sistema e os parâmetros previamente estabelecidos”. 2.4 DADOS, INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO Antes de apresentar os conceitos de SI presentes na literatura, é fundamental discutir os conceitos de dados, informações e conhecimento, procurando mostrar as diferenças entre cada um. Para Laudon e Laudon (1999, p. 10), os dados podem ser considerados como fatos brutos, ao passo que as informações são os dados aos quais seres humanos deram forma para torná-los significativos e úteis. Já o conhecimento pode ser visto como um conjunto de ferramentas conceituais e categorias usadas pelos seres humanos para criar, colecionar, armazenar e compartilhar a informação. É importante destacar que os dados não têm significado inerente e registram apenas aquilo que aconteceu; não fornecem julgamento nem interpretação para auxiliar na tomada de decisão. Além disso, dados em excesso podem dificultar a identificação e a extração de significado de dados que realmente têm importância. Segundo Davenport e Prusak (1998, p. 3), os dados são importantes para as empresas, geralmente, porque são matéria-prima essencial para a criação da informação. A informação é o dado organizado para alguma finalidade, e a tecnologia ajuda a agregar valor aos dados. Mas, assim como para o conhecimento, a tecnologia utilizada para obtenção da informação depende dos seres humanos, pois a tecnologia por si só não possibilita a completa transformação dos dados em informação, e desta em conhecimento. Da mesma forma que a informação deriva
  • 27.
    26 dos dados, oconhecimento deriva da informação. Para que esse processo ocorra, os seres humanos precisam fazer, virtualmente, todo o trabalho. Para Davenport e Prusak (1998, p. 6), o conhecimento é uma mistura de vários elementos; é intuitivo e, portanto, difícil de colocar em palavras ou de ser plenamente entendido em termos lógicos. O conhecimento existe dentro das pessoas; faz parte da complexidade e da imprevisibilidade humana. De acordo com Stair (1998, p. 4), “dados são os fatos em sua forma primária, como, por exemplo: o nome de um empregado, o número de horas trabalhadas em uma semana, o número de peças no estoque ou de pedidos de venda”. A informação caracteriza-se como “um conjunto de fatos organizados de tal forma que adquirem valor adicional além do valor do fato em si”. E o conhecimento “é o corpo ou as regras, diretrizes e procedimentos usados para selecionar, organizar e manipular os dados, para torná-los úteis para uma tarefa específica”. Os SIs são alimentados com dados, que, depois de processados, fornecem a informação necessária para a tomada de decisão ou para alguma outra atividade do dia-a-dia da organização. Quando os usuários dos SIs utilizam as informações disponibilizadas para a tomada de decisão ou quando agregam valor a essas informações, de alguma maneira, estas tornam-se um conhecimento útil para a organização e para seus membros.
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    27 2.5 CONCEITO DESISTEMAS DE INFORMAÇÕES Segundo Stair (1998, p. 11), “um Sistema de Informações é um tipo especializado de sistema”, podendo ser definido como “uma série de elementos ou componentes inter-relacionados que coletam (entrada), manipulam e armazenam (processo), disseminam (saída) os dados e informações e fornecem um mecanismo de feedback”. A entrada, para os SIs, caracteriza-se como a atividade de captar e reunir os dados primários. O processamento envolve a conversão dos dados em saídas úteis, sendo que a saída caracteriza-se como a produção de informações úteis, geralmente na forma de documentos, relatórios e dados de transações. O feedback é caracterizado como uma saída utilizada para realizar ajustes ou modificações nas atividades de entrada ou processamento. Para Laudon e Laudon (1999, p. 4), um Sistema de Informações é um (...) conjunto de componentes inter-relacionados trabalhando juntos para coletar, recuperar, processar, armazenar e distribuir informação com a finalidade de facilitar o planejamento, o controle, a coordenação, a análise e o processo decisório em empresas e organizações. Esses sistemas são compostos de pessoas, organizações e tecnologia, sendo um erro descrevê-los apenas em termos de computadores. As pessoas introduzem os dados no sistema e utilizam as informações vindas do sistema para a tomada de decisão. A tecnologia inclui o hardware – equipamento físico usado para entrada, processamento e saída em um Sistema de Informações −; o software – instruções pré-programadas que coordenam o trabalho dos
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    28 componentes do hardware−; a tecnologia de armazenamento – organiza e armazena os dados utilizados por uma empresa −; e a tecnologia de comunicações – usada para conectar partes diferentes do hardware e para transferir dados de um ponto a outro, via redes. As organizações moldam os Sistemas de Informações de acordo com suas necessidades. A Figura 1 mostra os componentes dos SIs, incluindo as pessoas, a organização, a tecnologia e o ambiente externo. Ambiente Externo Pessoas Organizações Sistemas de Informação Tecnologia Figura 1: Componentes dos Sistemas de Informações Fonte: Laudon; Laudon (1999, p.5) De acordo com O’Brien (2002, p. 20), um SI depende de vários recursos para funcionar. Ou seja, (...) depende dos recursos humanos (os usuários finais e os especialistas em SI), de hardware (máquinas e mídia), software (programas e procedimento), dados (banco de dados e bases de conhecimento) e redes (mídia de comunicação e apoio de rede) para executar atividades de entrada, processamento, produção, armazenamento e controle que convertem recursos de dados em produtos de informação.
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    29 Pode-se perceber pelasduas abordagens que os SIs não podem ser analisados apenas em termos de tecnologia, sendo necessário considerar também, e principalmente, os recursos humanos envolvidos e a organização como um todo. 2.6 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES Dependendo da abordagem utilizada, um SI pode ter classificações diversas. De acordo com Stair (1998, p. 14), os Sistemas de Informações podem ser classificados em: Sistemas de Processamento de Transações; Sistemas de Informações Gerenciais; Sistemas de Apoio à Decisão e Inteligência Artificial; e Sistemas Especialistas. Segundo O´Brien (2002, p. 28), os SIs podem ser classificados tendo por base o tipo de atividade organizacional que apóiam: operações; ou tomada de decisão gerencial. Os Sistemas de Apoio às Operações dividem-se em: Sistemas de Processamento de Transações (processamento de transações); Sistemas de Controle de Processos (controle de processos industriais); e Sistemas Colaborativos (colaboração entre equipes e grupos de trabalho). Os Sistemas de Apoio Gerencial dividem-se em: Sistemas de Informação Gerencial (relatórios padronizados para os gerentes); Sistemas de Apoio à Decisão (apoio interativo à decisão); e Sistemas de Informação Executiva (informações elaboradas especialmente para os executivos). O´Brien (2002, p. 30) considera mais algumas categorias de SI que podem apoiar as operações, a administração ou as aplicações estratégicas. Esses sistemas dividem- se em: Sistemas Especializados (fornecem informações especializadas em determinada área funcional); Sistemas de Administração do Conhecimento (apóiam
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    30 a criação, organizaçãoe disseminação do conhecimento na organização); Sistemas de Informação Estratégica (fornecem produtos e serviços estratégicos para a vantagem competitiva); e Sistemas de Informação para as Operações (apóiam as aplicações operacionais e gerenciais das funções organizacionais básicas de uma organização). Para Zwass (1992), os SIs podem ser classificados em: Sistemas de Processamento de Transações; Sistemas de Relatórios Gerenciais; Sistemas de Suporte à Decisão; Sistemas de Informações Executivas; e Sistemas de Informações de Escritório. Esta classificação é brevemente detalhada a seguir. 1. Sistemas de Processamento de Transações (SPT). De acordo com Stair (1998, p. 38), um SPT “é um conjunto organizado de pessoas, procedimentos, bancos de dados e dispositivos usados para registrar transações de negócios completadas, como folhas de pagamento”. Estes sistemas armazenam os dados inseridos para posterior utilização pelos demais SIs, como o SRG. Têm por finalidade tratar e processar as trocas diárias de negócios ou as transações. Representam a aplicação da Tecnologia da Informação em transações rotineiras, repetitivas e, geralmente, comuns de negócios. Os principais objetivos dos SPT são, segundo Stair (1998, p. 187): Processar dados gerados por e sobre transações; ou seja, capturar, processar e armazenar transações e produzir uma variedade de documentos relacionados às atividades comerciais rotineiras, tais como: venda de produtos e serviços a clientes.
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    31 Manter um alto grau de precisão, permitindo que os dados entrem e sejam processados sem erros. Assegurar a integridade dos dados e da informação; ou seja, certificar-se de que todos os dados e informações armazenados nos bancos de dados computadorizados sejam exatos, atuais e apropriados. Produzir documentos e relatórios em tempo. Com a introdução de tecnologias apropriadas, é possível reduzir substancialmente o tempo de resposta do SPT. Aumentar a eficiência do trabalho, procurando justificar o custo do investimento em um SPT pela economia de trabalho que ele possibilita, inclusive de retrabalho. Ajudar no fornecimento aos clientes de mais serviços em quantidade e qualidade, facilitando a sua rotina e resolvendo seus problemas mais rapidamente. 2. Sistemas de Relatórios Gerenciais (SRG). Podem ser chamados de Sistemas de Informações Gerenciais (SIG). Têm como principal objetivo, segundo Zwass (1992), fornecer à gerência relatórios impressos com a finalidade de auxiliar no controle operacional e gerencial da organização. Para Stair (1998, p. 208), esses relatórios podem ser obtidos por meio da filtragem e análise de dados altamente detalhados em bancos de dados de processamento de transações e da apresentação aos administradores dos resultados para a tomada de decisão. De acordo com Stair (1998, p. 208), as fontes de informações para um SIG podem ser tanto internas quanto externas. A fonte de dados interna mais importante para o SIG é o SPT, ao passo que as fontes externas podem incluir clientes, fornecedores,
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    32 concorrentes e acionistascujos dados ainda não foram coletados pelo SPT da empresa. Segundo Laudon e Laudon (1999, p. 351), os SIG têm como função disponibilizar aos gerentes relatórios sobre o desempenho da empresa, tanto passado quanto presente. Eles ajudam os gerentes a “monitorar o desempenho atual da empresa e a prever o desempenho futuro, possibilitando assim que os gerentes intervenham quando as coisas não estiverem indo bem”. De acordo com Stair (1998, p. 208), a principal finalidade de um SIG é “ajudar a organização a atingir suas metas, fornecendo aos administradores uma visão das operações regulares da empresa, de modo que possam controlar, organizar e planejar mais eficaz e eficientemente”. Estes sistemas ajudam na solução de problemas estruturados e nas decisões programadas. Como mostra Zwass (1992), os SRG têm capacidade analítica limitada e contam com resumos e extrações do banco de dados de acordo com um critério estabelecido. Não fornecem diretamente a decisão, mas, sim, informações fundamentais para facilitar o processo de tomada de decisão na organização. De acordo com Stair (1998, p. 212), para a maioria das empresas um SIG é “uma coleção integrada de Sistemas de Informações funcionais, cada um dando suporte a áreas funcionais específicas”. Por exemplo, um SIG financeiro gera relatórios financeiros para a empresa, ao passo que um SIG de marketing gera relatórios de marketing, e assim cada área funcional da empresa tem um Sistema de Informações que gera informações adequadas para aquela área. Neste sentido, de acordo com cada área funcional da organização, os Sistemas de Informações Gerenciais podem ser assim classificados:
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    33 Sistemas de Informações Gerenciais Financeiro. Fornecem informações financeiras a todos os administradores financeiros em uma organização. Têm como principais finalidades: analisar as atividades financeiras históricas e atuais; projetar as necessidades financeiras futuras; e monitorar e controlar o uso de recursos através do tempo. Sistemas de Informações Gerenciais de Marketing. Fornecem apoio à atividade administrativa nas áreas de desenvolvimento de produtos, de distribuição, de decisões de preço e de promoção e de previsão de vendas. Sistemas de Informações Gerenciais de Recursos Humanos. Trabalham com as atividades relacionadas aos trabalhadores, funcionários, gerentes e outros indivíduos empregados pela organização. Entre as atividades executadas por este SIG, podemos citar a análise e o planejamento da força de trabalho, a contratação, o treinamento e a designação de cargos e tarefas. Sistemas de Informações Gerenciais Industriais. Apóiam a área de produção da organização, facilitando o controle de estoque, controlando o processo de produção e testando a qualidade dos produtos e serviços produzidos. Como mostra O´Brien (2002, p. 250), os SIG fornecem quatro tipos principais de relatórios gerenciais: Relatórios periódicos programados. São produzidos de maneira programada e periódica, seja diária, semanal ou mensal. Citam-se como exemplos os relatórios de vendas diários ou semanais e os demonstrativos financeiros mensais. Relatórios de exceção. De acordo com Stair (1998, p. 210), “são relatórios produzidos automaticamente quando uma situação é incomum ou requer alguma
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    34 atitude da administração”. Exemplos: relatório sobre os clientes que excederam o limite de crédito, mas não sobre todos os clientes. Informes e respostas por solicitação. Fornecem informações a pedido do usuário, que não precisa esperar até que o relatório programado esteja disponível. Relatórios em pilha. As informações são empilhadas na estação de trabalho em rede do gerente. 3. Sistema de Suporte a Decisão (SSD). De acordo com Zwass (1992), os SSD são desenvolvidos para suportar diretamente o processo de decisão e estão aptos a solucionar problemas tanto estruturados como não estruturados, que podem ser facilmente programados. Para Stair (1998, p. 38), um SSD é “um grupo organizado de pessoas, procedimentos, bancos de dados e dispositivos usados para dar apoio à tomada de decisão referente a problemas específicos”. Geralmente, estes SIs são utilizados quando o problema a ser solucionado é complexo ou quando a informação necessária para a tomada de decisão é de difícil obtenção. Entre as principais características dos SSD citadas por Stair (1998, p. 233) estão: possibilitam a manipulação de grandes volumes de dados; permitem a obtenção e o processamento de dados de fontes diferentes, sendo capazes de acessar dados externos à organização e de integrá-los aos dados internos; proporcionam flexibilidade de relatórios e de apresentação; possuem orientação tanto textual quanto gráfica, produzindo textos, tabelas, gráficos e desenhos; executam análises e comparações complexas e sofisticadas utilizando pacotes de software avançados; possuem condições de dar suporte às abordagens de otimização e satisfação,
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    35 possibilitando, no casode problemas menores, encontrar a solução ótima; e executam análises por meio de simulações e metas, sendo possível com isso realizar modificações hipotéticas nos dados e observar o impacto destas modificações nos resultados. Os SSD, segundo O´Brien (2002, p. 253), fornecem informações e técnicas de apoio à decisão para a análise de problemas ou de oportunidades específicas; permitem consultas e respostas interativas; e disponibilizam informações flexíveis e adaptáveis. Além disso, utilizam uma metodologia de processamento de informações baseada na modelagem analítica de dados dos negócios. 4. Sistemas de Informações Executivas (SIE). De acordo com O´Brien (2002, p. 257), esses sistemas têm como finalidade “fornecer aos altos executivos acesso fácil e imediato a informações sobre os fatores críticos ao sucesso de uma empresa, ou seja, os fatores-chave decisivos para a consecução dos objetivos estratégicos de uma organização”. Os SIE foram desenvolvidos para atender às necessidades de informação da alta administração que não estavam sendo atendidas pelas outras categorias de SI. Como mostra Zwass (1992), os SIE fornecem suporte direto para os executivos, e estes (...) precisam de uma grande diversidade de informações externas para comparar a performance de sua companhia com aqueles com que competem e para investigar as tendências gerais das economias de muitos países onde a companhia pode estar fazendo negócio. De acordo com Stair (1998, p. 245), um SIE é um Sistema de Suporte à Decisão especializado que “inclui todo o hardware, software, dados, procedimentos e
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    36 pessoas utilizadas paraauxiliar os executivos de nível sênior da organização”. Esse sistema tem relação com a tomada de decisões executivas sobre processos comerciais de valor agregado. Segundo Zwass (1992), as principais características dos SIE são: fornecem acesso imediato e fácil à informação, refletindo os fatores-chave de sucesso da companhia e de suas unidades; interfaces interessantes, como gráficos coloridos e vídeos, permitem aos usuários do SIE compreender as tendências de relance; provêm acesso a uma variedade de bancos de dados, internos e externos, por meio de uma interface uniforme − ou seja, mesmo consultando diversos bancos de dados o sistema deve ser transparente para os usuários; permitem fácil adaptação às preferências do usuário particular ou do grupo de usuários; e oferecem a capacidade de alterações nos dados. Além das características apontadas por Zwass (1992), é importante ressaltar aquelas enfatizadas por Stair (1998, p. 246): executam sofisticadas análises de dados, realizando testes de simulação e de alcance de metas relacionadas a decisões executivas; e oferecem suporte a todos os aspectos da tomada de decisões, reconhecendo aqueles que exigem fontes externas de informações, aqueles que podem ter alto
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    37 grau de incerteza e risco e aqueles que exigem entradas de múltiplas fontes de dados. Os SIE são, portanto, uma ferramenta essencial para que os executivos possam exercer melhor suas funções de controle e gerenciamento da organização. 5. Sistemas de Informações de Escritório (SIES). De acordo com Zwass (1992), os SIES auxiliam o trabalho de conhecimento geral no contexto de um escritório comercial. Neste sentido, como a tecnologia de escritórios tradicionais e as tecnologias de comunicação convergiram, os SIES se desenvolveram velozmente, tornando-se o “escritório do futuro”. Zwass (1992) cita como exemplos de atividades suportadas pelos SIES: o processamento de documentos; a escala de tempo individual e a coordenação do fluxo de trabalho; o gerenciamento de projetos; as conferências via computador; e a troca de mensagens em vários formatos, como documentos, imagens, mensagens de voz e jogos de dados. Além dos sistemas apresentados acima, outros sistemas merecem destaque, como a Inteligência Artificial, os Sistemas Especialistas e os Sistemas Integrados de Gestão. Segundo O´Brien (2002, p. 259), a Inteligência Artificial (IA) tem como principal objetivo “desenvolver computadores que consigam pensar, bem como ver, ouvir, andar, falar e sentir”. Procura desenvolver funções computacionais normalmente associadas à inteligência humana, como raciocinar, aprender e solucionar problemas. De acordo com Stair (1998, p. 256), os Sistemas de Inteligência Artificial “incluem as pessoas, procedimentos, hardware, software, dados e conhecimento necessários
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    38 para desenvolver sistemas computacionais e máquinas que demonstram características de inteligência”. Como salienta O´Brien (2002, p. 268), os Sistemas Especialistas são uma aplicação da IA nas empresas, sendo que um Sistema Especialista “é um Sistema de Informação baseado no conhecimento que utiliza seu conhecimento sobre uma área de aplicação específica e complexa para atuar como consultor especializado para os usuários finais”. O Sistema Especialista “faz perguntas ao usuário, consulta sua base de conhecimento em busca de fatos, regras ou outro conhecimento, explica seu processo de raciocínio quando é perguntado e dá conselho especialista ao usuário na área que está sendo explorada”. Os principais benefícios dos Sistemas Especialistas, segundo O´Brien (2002, p. 273), são: capturam o know-how de um especialista ou grupo de especialistas em um Sistema de Informações computadorizado; ajudam a preservar e reproduzir o conhecimento dos especialistas; e podem ajudar a organização a aumentar significativamente a eficiência de seus processos empresariais ou gerar novos produtos e serviços baseados no conhecimento. No entanto, os Sistemas Especialistas apresentam também algumas limitações, tais como: foco limitado; incapacidade de aprender; problemas de manutenção; e alto custo de desenvolvimento. De acordo com Zwass (1992), os Sistemas Especialistas são utilizados para selecionar a maneira mais conveniente e econômica de enviar uma encomenda; definir a decisão de crédito de um consumidor; diagnosticar defeitos de equipamentos; planejar um portfólio de investimentos; e configurar um complicado pedido de equipamento. Neste sentido, os Sistemas Especialistas “são programas
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    39 baseados em conhecimentoque imitam um processo lógico para sugerir a solução de um problema dentro de seus domínios de aplicação”. Segundo Mendes (1997), “os Sistemas Especialistas são sistemas baseados em conhecimento, construídos, principalmente, com regras que reproduzem o conhecimento de um perito e utilizados para solucionar determinados problemas em domínios específicos”. Entre as vantagens da utilização de um Sistema Especialista, podemos citar: permite estender as facilidades da tomada de decisão para muitas pessoas; provê um vasto conhecimento aos seus usuários, o que permite seu desenvolvimento; e reduz o grau de dependência da empresa em relação a um único especialista. Os Sistemas Integrados de Gestão são conhecidos pela sigla ERP (Enterprise Resource Planning). De acordo com Souza e Zwicker (2003, p. 64), (...) os sistemas ERP são sistemas de informações integrados, adquiridos na forma de pacotes comerciais de software, com a finalidade de dar suporte à maioria das operações de uma empresa industrial (suprimentos, manufatura, manutenção, administração financeira, contabilidade, recursos humanos, etc.). Entre as características de um sistema ERP, podem-se citar: são pacotes comerciais de software; incorporam modelos de processos de negócios; são sistemas integrados e utilizam um banco de dados corporativo; apresentam grande abrangência funcional; e requerem ajustes para que possam ser utilizados em uma determinada empresa. De acordo com Saccol (2003, p. 325), o ERP (...) é um sistema que se propõe dar suporte a todos os processos e áreas funcionais de uma empresa, valendo-se de uma base de dados única, na qual todas as transações estejam interligadas. É
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    40 composto por módulos integrados que atendem a cada área funcional ou processo, como Finanças, Produção, Custos, Vendas, RH etc. O objetivo maior de um sistema ERP é a integração dos dados organizacionais e sua disponibilização em tempo real. Com isso, ele promete interligar setores, unidades e filiais em diferentes locais, possibilitando a adoção de um único padrão de metadados e indicadores para a organização. Para Davenport (2002, p. 20), os sistemas ERP “oferecem a primeira grande oportunidade para a concretização de uma verdadeira interconectividade, um estado no qual cada um sabe o que todos estão fazendo em matéria de negócios no mundo inteiro ao mesmo tempo”. Entre os benefícios proporcionados pela implementação de um sistema ERP estão: redução de custos e de prazos em processos fundamentais de negócios; informações mais rápidas sobre transações; e melhoria na administração financeira da empresa; além da integração. De acordo com Souza e Zwicker (2003, p. 66), “os sistemas ERP realmente integrados são construídos como um único Sistema de Informações que atende simultaneamente aos diversos departamentos da empresa, em oposição a um conjunto de sistemas que atendem isoladamente cada um deles”. Geralmente estes sistemas são divididos em módulos que, de acordo com Souza e Zwicker (2003, p. 66), “representam conjuntos de funções que normalmente atendem a um ou mais departamentos da empresa”. No entanto, os sistemas ERP não apresentam apenas benefícios. De acordo com Zanoteli (2001, p. 79), alguns dos problemas encontrados na implementação de sistemas ERP são: “custos elevadíssimos, pouco ou nenhum treinamento das pessoas envolvidas, dimensionamento inadequado das necessidades informacionais, desconhecimento da cultura das organizações, falhas de planejamento e falta de flexibilidade”.
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    41 Segundo Zanoteli (2001,p. 79), no Brasil há ainda outro problema: a adaptação do sistema à cultura e às leis e normas brasileiras. Estes sistemas tendem a impor seu próprio modelo de gestão que traz consigo a cultura e as normas e leis do país onde foram desenvolvidos. Esta pesquisa teve como foco os Sistemas de Informações Gerenciais (O’Brien, 2002; Stair, 1998) ou Sistemas de Relatórios Gerenciais (Zwass, 1992), mais especificamente os Sistemas de Informações Financeiras. Neste sentido, é fundamental detalhar os SIFs, apresentando suas características e sua relevância para a organização e seus administradores. 2.7 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS Os Sistemas de Informações Gerenciais, como mostrado anteriormente, estão presentes em todas as áreas funcionais de uma organização. Nas áreas de Finanças e Contabilidade, como salienta Stair (1998, p. 17), (...) os sistemas de informação são usados para prever receitas e a atividade empresarial, determinar as melhores fontes e usos de fundos, administrar o dinheiro e outros recursos financeiros, analisar investimentos e executar auditorias para assegurar a saúde financeira da empresa e precisão de todos os relatórios e documentos financeiros. Para O’Brien (2002, p. 188), os SIFs auxiliam os administradores nas decisões referentes “ao financiamento de uma empresa e à alocação e controle de recursos financeiros na empresa”. As principais categorias de SIFs incluem os sistemas de administração de caixa – auxilia na previsão e gerencia a posição de caixa; de administração de investimentos – gerencia títulos de curto prazo e outros; de
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    42 orçamentos de capital– avalia risco/retorno de dispêndios de capital; e de planejamento financeiro – prevê o desempenho financeiro e as necessidades de financiamento. A Figura 2 apresenta os principais SIFs. Sistemas de Informação em Finanças Administração Administração Orçamentos Planejamento de de Caixa de Capital Financeiro Investimentos Figura 2: Categorias de SIFs Fonte: adaptado de O’Brien (2002, p. 188) Segundo Stair (1998, p. 214), os SIFs fornecem informações financeiras relevantes a todos os administradores financeiros dentro de uma empresa; e seus principais recursos são: analisa as atividades financeiras históricas e atuais; projeta as necessidades financeiras futuras; e monitora e controla o uso de recursos através do tempo. As entradas para um Sistema de Informações Financeiras (SIF), segundo Stair (1998, p. 214), podem ser tanto internas quanto externas, e são, basicamente:
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    43 plano estratégico ou políticas corporativas: as informações que geralmente estão atreladas ao plano estratégico da empresa são o retorno sobre investimentos de vários projetos, razões débito-equidade desejadas e expectativas das necessidades de caixa; sistema de processamento de transações: as informações financeiras importantes são geralmente tiradas dos sistemas de processamento de transações, como, por exemplo, folhas de pagamento, controle de estoques, processamento de pedido, contas a pagar, contas a receber e contabilidade geral; e fontes externas: constituem-se principalmente de informações da e sobre a concorrência, como relatórios anuais e balanços financeiros dos concorrentes, novos itens e relatórios gerais dos concorrentes. Um SIF pode apresentar alguns subsistemas que auxiliam o administrador financeiro a tomar melhores decisões com base nas saídas proporcionadas por estes sistemas. Esses subsistemas e suas saídas podem ser resumidos da seguinte maneira (Stair, 1998, p.215): previsão financeira: processo de se fazer previsões sobre o crescimento futuro de produtos ou de uma organização como um todo e que pode, entre outras coisas, ajudar os executivos financeiros a evitar problemas de fluxo de caixa por meio da previsão das necessidades de fluxo de caixa; sistemas de lucro e perdas e de custo: organizam os dados de faturamento e custos para a empresa, de modo que os dados de faturamento e despesas de vários departamentos são coletados pelo sistema de processamento de
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    44 transações e se tornam uma fonte interna básica de informação financeira para o SIG; auditoria: envolve a análise das condições financeiras de uma organização e determina se os balanços e relatórios financeiros produzidos pelo SIG financeiro são exatos; e uso e gerenciamento de verbas: o SIG financeiro auxilia no gerenciamento e uso de verbas de maneira a auxiliar a administração na aplicação eficaz de verbas para que a empresa não apresente baixos lucros ou se depare com a falência. A Figura 3 mostra uma visão geral do SIF, enfatizando suas entradas, subsistemas e saídas. Entradas Subsistemas Saídas Auditorias internas e externas Missão Estratégica Previsão Financeira Previsão Financeira Sistema de Dados Financeiros dos Extratos Financeiros Procesamento de Departamentos (lucros/ Transações perdas e custos) Uso e Gerenciamento de Verbas Auditoria Estatísticas Financeiras Fontes Externas para Controle Figura 3: Visão Geral de um SIF Fonte: Stair (1998, p. 215) Como salientam Laudon e Laudon (1999, p. 33), a área financeira de uma organização refere-se ao gerenciamento adequado de ativos financeiros, como
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    45 dinheiro em caixa,papéis negociáveis, ações, debêntures e similares. Os SIFs apóiam esse gerenciamento e auxiliam a organização a maximizar os retornos dos ativos financeiros e a administrar seus passivos. 2.8 INFORMAÇÕES FINANCEIRAS PARA A TOMADA DE DECISÃO A tomada de decisão é fator crucial nas empresas, uma vez que esta influencia diretamente o desempenho da empresa, seja no curto, no médio ou no longo prazo. De acordo com Simon (1965, p. 54), as decisões (...) são descrições de um futuro estado de coisas, podendo essa descrição ser verdadeira ou falsa, num sentido estritamente empírico. Por outro lado, elas possuem também, uma qualidade imperativa, pois selecionam um estado de coisas futuro em detrimento de outro e orientam o comportamento rumo à alternativa escolhida. A questão é que nem sempre o processo de escolha na tomada de decisão é simples. De acordo com Shimizu (2001, p. 15), “com exceção dos problemas de rotina, bem conhecidos e com estrutura de opções bem definida, o processo de formular alternativas de decisão e escolher a melhor delas é quase sempre caótico e complexo”. Uma maneira de simplificar o processo de tomada de decisão é admitir a existência da racionalidade limitada, proposta por Simon (1965). Ao admitir a racionalidade limitada admite-se que “somente aqueles fatores que estão estreitamente ligados, casual e temporalmente, com a decisão, podem ser levados em consideração”. (SIMON, 1965, p. 97) Segundo Shimizu (2001, p. 15), o modelo de decisão baseado na racionalidade limitada
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    46 (...) trabalha com um modelo simplificado da realidade, considerando que muitos aspectos da realidade são substancialmente irrelevantes em dado instante. Ele efetua sua escolha de alternativa baseado no padrão satisfatório da situação real considerando apenas alguns dos fatores mais relevantes e cruciais. Mesmo considerando esse modelo de decisão baseado na racionalidade limitada, é preciso levar em consideração que a tomada de decisão implica em escolhas para resolver determinados problemas e estes podem ser classificados, segundo Shimizu (2001, p. 16) em três categorias: estruturados, semi-estruturados e não estruturados. Além disso, a decisão pode ser tomada no nível estratégico (decisão para dois a cinco anos); tático (decisão para alguns meses até dois anos); e operacional (alguns dias a alguns meses). De acordo com Shimizu (2001, p. 29), “um problema é considerado estruturado ou bem definido se sua definição e fases de operação para chegar aos resultados desejados estão bem claros e sua execução repetida é sempre possível”. Um exemplo de problema estruturado é a folha de pagamento. Os problemas semi-estruturados são considerados por Shimizu (2001, p. 29) como “problemas com operações bem conhecidas, mas que contêm algum fator ou critério variável que pode influir no resultado”. Exemplos de problemas semi-estruturados incluem a previsão de vendas e a previsão de compras. Para Shimizu (2001, p. 29), “nos problemas não estruturados, tanto os cenários, como o critério de decisão, não estão fixados ou conhecidos a priori”. Um exemplo de problema não estruturado é o investimento em P&D. As decisões podem ser programadas e não programadas. De acordo com Bateman e Snell (apud Porto, 2000, p. 23), as decisões programadas apresentam “respostas
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    47 objetivamente corretas epodem ser resolvidas pela utilização de regras, políticas ou resultados de computações numéricas simples. Diante de uma decisão programada, existe um procedimento ou uma estrutura clara para se chegar ao resultado correto”. Stoner e Freeman (1995) definem decisões programadas como sendo decisões envolvendo assuntos rotineiros e que podem ser tratados através de procedimentos, políticas ou regras, escritas ou não, tornando o processo decisório mais simples. São decisões que se explicam mediante um conjunto de procedimentos pré- estabelecidos e são tomadas em ambiente de certeza ou baixa incerteza, em razão de quase todos os resultados já serem conhecidos. As decisões não programadas caracterizam-se, segundo Porto (2000, p. 23), “por resultarem de situações e/ou problemas inéditos ou não esperados, os quais geralmente representam decisões únicas e complexas, cujo resultado não se encontra previamente descrito”. Para Stoner e Freeman (1995) as decisões não programadas destinam-se a problemas incomuns ou excepcionais que requeiram soluções específicas. Por sua vez, não tem regras para seguir e nem possuem um esquema específico para ser utilizado. Podem ser conhecidas ou inéditas. Nas decisões não-programadas conhecidas, o tomador de decisão já esteve envolvido com problema igual ou parecido. Embora todas as variáveis não sejam conhecidas, já existe uma certa experiência em situações semelhantes. Nas decisões não- programadas inéditas, o tomador de decisão se vê diante de uma situação completamente nova e não pode contar com nenhuma regra pré-estabelecida para auxiliá-lo. O Quadro 3 apresenta os dois tipos de decisões e os respectivos tipos de problemas e procedimentos.
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    48 Quadro 3: Tiposde decisões Decisões Decisões não programadas/não programadas/rotineiras rotineiras Tipo de Freqüentes, repetitivos, Singulares, desestruturados, muita problema rotineiros, pouca incerteza incerteza envolvendo as relações envolvendo as relações de de causa e efeito. causa e efeito. Procedimento Dependência de políticas, Necessidade de criatividade, regras e procedimentos intuição, tolerância à ambigüidade e definidos. soluções criativas para problemas. Fonte: adaptado de Gibson et al. (apud Porto, 2000, p. 23) As decisões em finanças podem ser classificadas em decisões de longo prazo e decisões de curto prazo. As decisões de curto prazo referem-se basicamente à gestão de caixa da empresa e geralmente são decisões do tipo programadas. As decisões de longo prazo estão relacionadas com as decisões de investimento e financiamento e são, essencialmente, decisões não-programadas. As informações financeiras são de fundamental importância para a tomada de decisão nas empresas. Sem um gerenciamento financeiro adequado, as empresas podem perder recursos e ter sua sobrevivência abalada. Como exposto anteriormente, O’Brien (2002, p. 188) apresenta quatro categorias fundamentais de SIFs: administração de caixa; administração de investimentos; orçamentos de capital; e planejamento financeiro. É possível trabalhar as informações financeiras considerando essas quatro categorias.
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    49 2.8.1 Administração decaixa A administração de caixa envolve a gestão das entradas e saídas de caixa de uma organização. De acordo com Leets (1997, p. 662), uma correta administração de caixa auxilia no alcance da lucratividade de uma organização, “ao reduzir o período de cobrança e os custos de transação relacionados ao processo de cobranças e pagamentos”. Os administradores financeiros, quando estão envolvidos com a administração de caixa, procuram acelerar os recebimentos de valores e retardar os pagamentos, tentando minimizar a necessidade de financiamento. Os SIFs de administração de caixa, segundo O’Brien (2002, p. 188), auxiliam nessa tarefa e “coletam informações, em tempo real ou em determinado período, sobre todos os recebimentos e desembolsos de caixa da empresa”. As previsões de fluxo de caixa (diária, semanal ou mensal) também são fornecidas pelos SIFs de administração de caixa e são de fundamental importância para a organização, pois auxiliam na identificação de futuros déficits ou excessos de caixa. A administração eficiente desses déficits ou excessos de caixa possibilita a sobrevivência da organização a longo prazo. 2.8.2 Administração de investimentos Antes de investir o excesso de caixa de um determinado período em matéria-prima ou em equipamentos, por exemplo, as empresas podem investir esse montante em títulos negociáveis de curto ou de longo prazo. De acordo com O’Brien (2002, p.
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    50 188), os SIFsde administração de investimento podem auxiliar na administração do portfólio desses títulos para que ofereçam o menor risco e o maior rendimento. Estes SIFs de administração de investimento geralmente estão on-line, com diversas fontes na Internet. Segundo O’Brien (2002, p. 188), “ajudam o gerente financeiro a tomar decisões de compra, venda ou retenção para cada tipo de título, de forma a desenvolver uma composição ótima de títulos que minimize riscos e maximize receitas de investimento para a empresa”. 2.8.3 Orçamento de capital De acordo com Gitman (1997, p. 288), “o processo de orçamento de capital envolve a geração de propostas de investimento a longo prazo; a avaliação, análise e seleção delas; e a implementação e acompanhamento das que foram selecionadas”. O uso dos SIFs pode auxiliar o administrador financeiro a determinar a combinação ótima de projetos de capitalização para a organização. O orçamento de capital é fundamental para as empresas, pois estas desembolsam grandes montantes em investimentos a longo prazo, e estes precisam ser bem selecionados. Gitman (1997, p. 288) salienta que “orçamento de capital é o processo que consiste em avaliar e selecionar investimentos a longo prazo que sejam coerentes com o objetivo da empresa de maximizar a riqueza de seus proprietários”. Welsh (1996, p. 230) enfatiza que “os projetos de investimento normalmente envolvem aplicações de recursos substanciais, e seu impacto na empresa estende- se por períodos relativamente longos”. Por isso, precisam ser bem selecionados,
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    51 sempre levando emconsideração a rentabilidade e o impacto financeiro de determinadas propostas de dispêndio de capital. 2.8.4 Planejamento financeiro O planejamento financeiro é importante para as empresas, na medida em que, segundo Gitman (1997, p. 588), “fornece roteiros para dirigir, coordenar e controlar suas ações na consecução de seus objetivos”. Os SIFs auxiliam os administradores financeiros a atingir os objetivos da organização, pois ajudam a avaliar o desempenho financeiro presente e projetado, e a determinar a necessidade e as possibilidades de financiamento para a organização. No curto prazo, um aspecto importante do planejamento financeiro refere-se ao orçamento de caixa. De acordo com Gitman (1997, p. 590), “o orçamento de caixa permite à empresa prever suas necessidades de caixa a curto prazo, geralmente no período de um ano, subdivido em intervalos mensais”. Esse tipo de planejamento é muito relevante para a organização, pois permite que esta planeje investimentos a curto prazo se a previsão for de excesso de recursos e se prepare com antecedência para obter financiamento caso haja previsão de falta de caixa. 2.9 CONCLUSÃO Este capítulo teve como objetivo promover uma discussão teórica sobre os Sistemas de Informações Financeiras e sua relevância para o dia-a-dia das empresas. Para tanto, procurou-se percorrer uma trajetória de evolução, enfatizando, primeiramente,
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    52 os sistemas demaneira geral para, posteriormente, enfocar os Sistemas de Informações. Com relação aos SIs, apresentaram-se algumas possíveis classificações desses SIs, detalhando melhor a apresentada por Zwass (1992). Depois de classificados os SIs, enfatizaram-se os Sistemas de Informações Financeiras e as informações financeiras fundamentais para a tomada de decisão.
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    53 3 AVALIAÇÃO DESISTEMAS DE INFORMAÇÕES 3.1 INTRODUÇÃO Este capítulo tem como objetivo esclarecer alguns aspectos importantes da avaliação de SI. Um SI não deve ser implantado em uma organização e esquecido. É necessário considerar uma constante avaliação para saber se o SI está cumprindo com seus objetivos e auxiliando a organização a atingir suas metas. Inicialmente, apresentam-se algumas definições de avaliação de SI. Posteriormente, relacionam-se alguns modelos de avaliação de SI, enfatizando suas características e relevância. 3.2 DEFINIÇÃO DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES De acordo com Stair (1998, p. 312), o objetivo da avaliação de SI “é determinar se os objetivos alcançados pelo sistema atual estão satisfazendo ou não as metas da organização”. Por meio dessa avaliação, podem ser identificados possíveis problemas ou oportunidades ainda não relevados. Para Laudon e Laudon (1999, p. 244), a implementação de SI passa por fases. O conjunto dessas fases é denominado ciclo de vida do SI. Esse ciclo de vida é formado por seis estágios: definição do projeto; estudo do sistema; projeto; programação; instalação; e pós-implementação. Nesta última fase, avalia-se o sistema depois de sua instalação para verificar se há necessidade de mudanças
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    54 para satisfazer asnovas necessidades de informações ou para aumentar a eficiência do processamento. 3.3 MODELOS DE AVALIAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES Quando se avalia um SI, podem-se utilizar diversos modelos para atingir tal objetivo. Uma das maneiras de realizar essa avaliação consiste em considerar a qualidade das informações geradas pelo SI. De acordo com Zwass (1992), é fundamental determinar qual informação é necessária bem como a qualidade dessa informação quando o SI está sendo avaliado, pois quando se implementa um SI espera-se que este forneça informações com a qualidade esperada. Quando se buscam informações de qualidade, espera-se que esta tenha alguns atributos. Zwass (1992) considera que os atributos fundamentais da informação de qualidade são: conveniência, exatidão, precisão, ser completa, relevância e forma apropriada. O Quadro 4 resume esses atributos e estabelece as definições básicas de cada um.
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    55 Quadro 4: Atributosda informação de qualidade Atributo Definição Conveniência Informação disponível quando necessária e não desatualizada quando estiver disponível. Exatidão Corresponde à realidade que a informação representa; livre de erros. Precisão Oferece informação com um grau de precisão apropriado aos dados em questão para a tomada de decisão. Ser Completa Incluir tudo o que o usuário precisa saber sobre a situação em questão. Concisão Não incluir elementos desnecessários ao usuário. Relevância Tem influência direta na situação de tomada de decisão Forma apropriada O nível de detalhes e o formato são selecionados e adequados para cada situação. Fonte: adaptado de Zwass (1992). Zanoteli (2001) realizou um estudo de caso múltiplo em que avaliou os SIs por meio da percepção de valor dos usuários, enfatizando os atributos das informações geradas pelo SI e os atributos do sistema. No entanto, o autor não utilizou apenas o método da percepção de valor dos usuários (avaliando os atributos das informações e dos sistemas) para avaliar os SIs estudados. Fez uso também de outros métodos, como a estrutura WCA de Alter (1996), apresentada a seguir. Esse modelo de avaliação de SI foi também utilizado por Cardoso (2001) na avaliação de um sistema SAP R/3. Alter (1996) propõe um método para avaliar os SIs que pode ser utilizado também para analisar qualquer processo de negócio. Esse método, denominado Análise Centrada no Trabalho (WCA – Work-Centered Analysis), é baseado no princípio de que o administrador pode e deve analisar os SIs focalizando o trabalho que está sendo realizado. O trabalho, neste contexto, é considerado como a aplicação de
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    56 recursos, como pessoas,equipamentos, tempo e dinheiro para gerar saídas que possam ser utilizadas por clientes internos e externos. Dessa forma, o trabalho só ocorre de fato se as saídas decorrentes do SI puderem ser utilizadas por clientes internos e externos. Alter (1996) identifica seis elementos necessários à compreensão do papel de um SI em um processo de negócio: Clientes: podem ser internos e externos. São considerados como as pessoas que utilizam as saídas. Para fins de SI, são os usuários das informações disponibilizadas pelo sistema. Produtos: são as saídas do sistema. No caso dos SIs, são as informações fornecidas pelo sistema aos clientes internos ou externos. Processo de negócio: é um grupo relacionado de passos ou atividades que utiliza pessoas, informação e outros recursos para criar valor para os clientes internos ou externos. Consiste em passos relacionados a tempo e espaço, com começo e fim e com entradas e saídas. Participantes: são as pessoas que inserem os dados no SI, processam esses dados e utilizam a informação disponibilizada pelo SI. Informação: são as informações recebidas, criadas ou modificadas pelo SI. Podem apresentar-se de diversas formas, como textos, sons, figuras e vídeo. Tecnologia: representa a tecnologia que o sistema utiliza. É a ferramenta que executa o trabalho diretamente ou que é utilizada para ajudar as pessoas a realizarem o trabalho.
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    57 Salienta o autorque quando se utiliza o modelo WCA para avaliar os SIs é preciso analisar primeiro o processo de negócios desejado antes de pensar no SI que apóia esse processo. Quando as empresas falham nessa avaliação, o SI pode ser utilizado para automatizar um processo que está desorganizado e obter como resultado um processo desorganizado automatizado e nada mais. No modelo WCA, considerado por Alter (1996) como uma estrutura (conjunto de idéias utilizado para organizar um pensamento sobre um tipo particular de coisa ou situação), o SI inclui a informação, a Tecnologia da Informação, alguma parte dos esforços dos participantes e alguma parte do processo de negócios. Dessa forma, é possível analisar os SIs não apenas como sistemas puramente técnicos, mas sim levando-se em consideração também o porquê de este sistema existir. Alter (1996) apresenta cinco perspectivas por meio das quais um SI pode ser analisado, baseando-se na estrutura WCA: arquitetura; desempenho ou performance; infra-estrutura; contexto; e riscos. Arquitetura: especifica como o SI atual ou proposto opera mecanicamente, apresentando seus componentes, a maneira como estes componentes estão unidos e como estes componentes operam de maneira sistêmica. O aspecto básico da arquitetura é a decomposição sucessiva, ou seja, dividir os componentes nas suas unidades mais básicas até que a pessoa que está realizando a análise entenda suficientemente a arquitetura. Desempenho ou performance: procura verificar como o sistema opera e se opera corretamente. Como o desempenho de um sistema depende de um equilíbrio entre os componentes do sistema, melhorar o desempenho de apenas uma parte
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    58 do sistema pode não afetar os resultados caso as outras partes mantenham-se inalteradas. Infra-estrutura: compreende os recursos dos quais o sistema depende e com os quais compartilha com outros sistemas. No caso de SI, a infra-estrutura técnica inclui redes de computador, sistemas de telefone e software necessários para operar os SIs. A infra-estrutura humana é representada pelo pessoal de apoio que mantém o SI funcionando. Quando se analisa a infra-estrutura, podem-se descobrir oportunidades inexploradas para utilizar determinados recursos disponíveis, como também podem-se descobrir obstáculos capazes de impedir ou prejudicar determinada mudança que seja necessária. Contexto: é o ambiente técnico e organizacional no qual o sistema opera, incluindo acionistas, assuntos competitivos e reguladores externos à empresa, além de políticas, práticas e a cultura da organização. O contexto pode tanto incentivar a mudança como criar obstáculos para que ela aconteça. Riscos: consistem em eventos previsíveis cuja ocorrência poderia resultar em degradação ou falha do sistema. Os riscos podem estar relacionados a três aspectos principais: acidentes e mau funcionamento (bugs, falhas humanas e etc.); crime de computador (hackers, vírus, falsificações, transferências bancárias sem autorização e etc.); e falhas de projeto. Cardoso (2001) utilizou a perspectiva de desempenho, ou performance da estrutura WCA, anteriormente apresentada, para realizar a avaliação de um sistema SAP R/3, já que esta permite a análise das características e atributos das informações disponibilizadas pelo sistema. Realizou a avaliação do desempenho ou performance do sistema levando em consideração os seis elementos compreendidos pela
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    59 estrutura WCA comonecessários para completar tal análise; ou seja: clientes, produtos, processo de negócios, participantes, informação e tecnologia. Além da perspectiva do desempenho ou performance do sistema, avaliou o SI também sob a perspectiva de riscos do sistema, levando em conta também os seis elementos necessários a tal avaliação. Um SI pode também ser avaliado levando em consideração a relação custo/benefício. De acordo com Zwass (1992), a análise custo/benefício procura estabelecer se os benefícios gerados por um SI superam os custos necessários para sua implementação. Além disso, utiliza-se esta análise para comparar se as alternativas que o SI oferece satisfazem as necessidades informacionais dos usuários. Segundo Stair (1998, p. 326), “a análise custo/benefício é uma técnica que lista todos os custos e benefícios” da implantação de um SI. Quando se implementa um SI, incorre-se em custos (muitas vezes, altíssimos) que podem ou não ser compensados pelos benefícios proporcionados à organização. O Quadro 5 ilustra alguns custos e benefícios decorrentes da implantação de um SI na organização.
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    60 Quadro 5: Custos/benefíciosda implantação de um SI Custos Benefícios Custos de desenvolvimento Custos reduzidos Pessoal de desenvolvimento Menor número de pessoas Recursos de computador utilizados Custos de fabricação reduzidos Custos Fixos Custos de estoque reduzidos Equipamento de computador Uso mais eficiente do equipamento comprado Aquisição de software Tempo mais rápido de resposta Pagamentos de licenças de uma só Tempo reduzido de baixa produção vez por software ou manutenção ou de desastres Custos Operacionais Faturamento aumentado Leasing de equipamentos e/ou Novos produtos e serviços pagamentos de aluguéis Pessoal de computação (incluindo Novos clientes salários, benefícios, etc.) Eletricidade e outros serviços públicos Mais negócios com os clientes existentes Papel, fitas e discos de computador Preço mais alto em conseqüência de melhores produtos e serviços Outros suprimentos de computador Benefícios intangíveis Custos de manutenção Melhor imagem pública para a organização Seguros Moral dos funcionários mais elevado Melhor atendimento para clientes novos e antigos Capacidade para recrutar melhores funcionários Ser um líder do negócio A utilização do sistema é mais fácil para programadores e usuários Fonte: adaptado de Stair (1998, p. 327). Pode-se perceber pela análise do Quadro 5 que a avaliação de SI em relação ao custo/benefício leva em consideração alguns aspectos intangíveis, o que pode prejudicar a análise. Esse tipo de análise é bastante utilizado pelo fato de ser de simples aplicação. Porém, quando se avaliam os benefícios intangíveis, pode-se incorrer em erros que inviabilizem ou distorçam a análise.
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    61 Freitas; Ballaz eMoscarola (1994) desenvolveram um modelo para avaliação de SI baseado em dois pilares: facilidade de uso (ligada ao sistema e à interação usuário- sistema); e utilidade (ligada ao usuário ou decisor, suas funções, atividades e processos nos quais está envolvido). Com base nesse modelo e nos atributos da informação apresentados por Zwass (1992), Cohen e Souza (2001) avaliaram um SI utilizando 15 atributos (ou variáveis), divididos em três grupos: a) quanto ao sistema – aspecto funcional, interface, disponibilidade e acesso; b) quanto às informações – conteúdo, apresentação, quantidade, digitação, oportunidade, exatidão, precisão, completude, concisão e relevância; e c) quanto à opinião geral sobre o sistema – avaliação geral do sistema. Avrichir (2001) fez uma análise de diversos métodos para avaliar a satisfação do usuário da informação, considerando que avaliar a satisfação desses usuários é uma maneira de avaliar os SIs. Os métodos analisados são resumidos no Quadro 6.
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    62 Quadro 6: Métodospara avaliação da satisfação do usuário da informação Bailey e Doll e Característica Pearson Torkzadeh Davis Goodhue SERVQUAL Nível de Análise Todos os Sistema ou Sistema ou Todos os Todos os serviços e aplicativo de aplicativo de sistemas e sistemas e sistemas; computação de usuário final serviços serviços voltado para usuário final ligados ao uso oferecidos pela mainframe gerencial da função serviços informação. de informação Base conceitual Satisfação no Satisfação no Modelo de Adequação Qualidade trabalho trabalho aceitação de tarefa- percebida tecnologia tecnologia Número de 39 no original. 12 12 32 44 questões 13 no simplificado Número de 3 5 2 12 (postulados) 5 constructos (descobertos (descobertos (postulados) (descobertos válidos empiricamente) empiricamente) empiricamente) Constructos Pessoal e Conteúdo, Utilidade e Nível certo de Confiabilidade, específicos serviços de acurácia, facilidade de detalhe, responsividade, PED, Sistema pontualidade, uso acurácia, segurança, de informação facilidade de percebida atualização, empatia e e envolvimento uso e formato facilidade de tangíveis e conhecimento uso do HW e do usuário SW, apresentação, compatibilidade significado, confusão, localização, acesso, assistência e confiabilidade do sistema Fonte: adaptado de Avrichir (2001). Maçada et al. (2000) utilizaram um método desenvolvido por Torkzadeh e Doll (1999) para avaliar a satisfação do usuário de um protótipo de SAD (Sistema de Apoio à Decisão). Este método está baseado em quatro constructos − produtividade do trabalho, inovação no trabalho, satisfação do usuário e controle gerencial −, que estão representados por um total de 12 questões e que têm como finalidade avaliar o impacto da Tecnologia da Informação no trabalho do usuário final. O Quadro 7 resume os constructos utilizados e as respectivas questões.
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    63 Quadro 7: Métodode Torkzadeh e Doll para avaliar o impacto da TI no trabalho do usuário final Constructos Produtividade no trabalho P1 Este sistema poupa-me tempo. P2 Este sistema aumenta minha produtividade. P3 Este sistema possibilita-me executar mais trabalho do que seria possível sem ele. Inovação no trabalho II1 Este sistema ajuda-me a criar novas idéias. II2 Este sistema permite-me propor novas idéias. II3 Este sistema coloca-me diante de idéias inovadoras. Satisfação do usuário C1 Este sistema melhora o trabalho do usuário. C2 Este sistema melhora a satisfação do usuário. C3 Este sistema vai de encontro com as necessidades do usuário. Controle gerencial M1 Este sistema ajuda no controle gerencial do processo de trabalho. M2 Este sistema melhora o controle gerencial. M3 Este sistema ajuda o controle gerencial da performance ESCALA LIKERT UTILIZADA NA AVALIAÇÃO 1- Nada 2- Um pouco 3 – Moderadamente 4 – Muito 5 – Muitíssimo Fonte: adaptado de Torkzadeh;Doll (1999). Gobbo (2001) também utilizou esse método para avaliar a satisfação do usuário de um SI. Além de avaliar a satisfação do usuário, avaliou a utilidade do sistema, baseando-se em três itens: eficácia do software do sistema (método dos fatores
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    64 críticos de sucesso);impacto na estrutura funcional da organização (análise dos processos); e análise dos indicadores de desempenho. Souza e Zwicker (2000) avaliaram a implementação de sistemas ERP em duas empresas utilizando um método baseado no ciclo de vida desses sistemas, que compreende as seguintes fases: decisão e seleção; implementação; e utilização. Oliveira e Ramos (2002) utilizaram esse método de ciclo de vida apresentado por Souza e Zwicker (2000) para avaliar a implementação de um sistema ERP em outra empresa, enfatizando as mesmas fases. De acordo com Irani (2002), os projetos de investimento em SI não devem ser analisados apenas em termos financeiros, mas devem levar em consideração os benefícios intangíveis decorrentes da implementação do SI. O autor realizou um estudo de caso em uma empresa no qual avaliou os benefícios estratégicos, táticos e operacionais da implantação de um MRPII (Manufacturing Resource Planning). Esses benefícios foram subclassificados em: financeiros, não-financeiros e intangíveis. O estudo procurou mostrar que a avaliação da Tecnologia da Informação (TI) e do SI deve levar em consideração os benefícios financeiros, os não-financeiros e os intangíveis. Serafeimidis e Smithson (2003) propuseram quatro possíveis orientações para a avaliação de SI. Essas orientações mostram a importância do contexto na percepção e no desempenho da avaliação e consideram fundamental levar em consideração a contingência quando se pretende avaliar um SI, devido à diversidade dos contextos e das mudanças relacionadas à implementação de SI, à incerteza com relação aos resultados esperados e às diferentes necessidades através do tempo. A Figura 4 resume as quatro orientações propostas (controle, aprendizado social, coerência,
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    65 exploração). Esse modelode avaliação foi aplicado pelos autores em uma empresa de seguros, por meio de um estudo de caso. Im p a c t o d o S is te m a d e In fo r m a ç õ e s n a o r g a n iz a ç ã o C onsenso T á t ic o E s t r a té g ic o C o n t r o le A p r e n d iz a d o P e rc e p ç ã o d o s S o c ia l o b je tiv o s N ão consenso C o e r ê n c ia E x p lo r a ç ã o Figura 4: Quatro possíveis orientações para avaliação de SI Fonte: adaptado de Serafeimidis; Smithson (2003, p. 256) Shang e Seddon (2002) apresentaram uma lista de benefícios que devem ser analisados para avaliar um SI nos anos seguintes a sua implementação. Esses benefícios estão consolidados em cinco dimensões: operacional (exemplo: redução de custos); administrativa (exemplo: melhoria na tomada de decisão e no planejamento); estratégica (exemplo: inovação nos negócios mediante a criação de produtos e serviços); infra-estrutura da Tecnologia da Informação (exemplo: flexibilidade); e organizacional (exemplo: melhorias na moral e satisfação dos funcionários). Grant; Plante e Leblanc (2002) propuseram uma metodologia para avaliar SI em biomedicina. Essa metodologia é baseada em uma estrutura de avaliação - TEAM
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    66 (Total Evaluation andAcceptance Methodology), composta por três dimensões: conduta; tempo; e estrutura. A primeira dimensão possui quatro categorias: designer; usuário especialista; usuário final; e stakeholder. A segunda dimensão possui quatro fases em direção à relativa estabilidade do SI. A terceira dimensão distingue três níveis: estratégico; tático ou organizacional; e operacional. Esta metodologia pode ser usada para avaliar qualquer SI baseado em computador, não necessariamente deve restringir-se à área de biomedicina e tem como principal objetivo avaliar as necessidades correntes e futuras dos diversos usuários do SI. Como se pode perceber, diversos são os métodos para avaliar os SIs. É importante que a escolha do método esteja baseada naquilo que se pretende avaliar e que a avaliação não esteja centrada apenas no retorno financeiro do investimento em SI, mas também nos benefícios intangíveis que esse SI pode proporcionar e nas informações que ele pode disponibilizar. Esta pesquisa buscou avaliar a satisfação dos usuários do SI, visando verificar os aspectos positivos e negativos dos SIs, e suas deficiências/limitações; além de verificar, por meio da aplicação de questionários, a satisfação do usuário em relação tanto ao sistema em si quanto às informações por ele disponibilizadas. 3.4 CONCLUSÃO Este capítulo apresentou algumas definições de avaliação de SI e também alguns modelos e métodos que podem ser utilizados para avaliar os SIs. Independente do modelo a ser utilizado para avaliar o SI, é fundamental que o sistema seja avaliado para que a empresa possa saber se o SI implantado está ou não atingido os objetivos previamente estabelecidos.
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    67 É importante salientartambém que há uma tendência em avaliar os SIs não apenas em termos financeiros, mas também levando em consideração seus aspectos intangíveis. Outros aspectos que devem ser levados em consideração na avaliação dos SIs são a qualidade da informação gerada pelo sistema e a satisfação dos usuários com relação a essas informações.
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    68 4 METODOLOGIA 4.1 INTRODUÇÃO Neste capítulo, são apresentados alguns aspectos fundamentais para compreender a metodologia utilizada para a condução da pesquisa. Inicialmente, apresentam-se o delineamento e a perspectiva da pesquisa e, na seqüência, definem-se a unidade de análise e o número de casos. A seguir, apresentam-se os critérios utilizados para a seleção das empresas estudadas. Posteriormente, enfatizam-se os instrumentos de coleta de dados, que incluem entrevistas, questionários, observação não- participante e pesquisa documental. Na seqüência, apresentam-se os instrumentos de análise de dados, incluindo a análise de conteúdo, a triangulação e a modelagem. Finalizando, apresenta-se o protocolo para a realização dos estudos de casos. 4.2 DELINEAME NTO E PERSPECTIVA DA PESQUISA Esta pesquisa caracteriza-se como essencialmente qualitativa. De acordo com Cassell e Symon (1995, p. 7), a pesquisa qualitativa apresenta as seguintes características: foco na interpretação, ao invés de na quantificação; ênfase na subjetividade, ao invés de na objetividade; flexibilidade no processo de condução da pesquisa e preocupação com o contexto. Essas características, entre outras, diferenciam a pesquisa qualitativa da quantitativa e permitem verificar a importância do método qualitativo para a condução desta pesquisa.
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    69 Quanto ao graude cristalização da questão de pesquisa, este estudo caracteriza-se como formal, pois já existem diversos trabalhos publicados relacionados à avaliação de SI, sendo que vários métodos foram utilizados para realizar tal avaliação. Quanto ao objetivo do estudo, esta pesquisa caracteriza-se como descritiva e explanatória. É considerada descritiva pois, num primeiro momento, tem como objetivo descrever um fenômeno, sem no entanto ter a obrigação de explicá-lo. Descreve-se o processo de utilização de SI na área financeira das empresas estudadas, com a finalidade de saber se os SIFs atendem ou não às necessidades de informações dos administradores. De acordo com Cooper e Schindler (2003, p. 31), “o estudo explanatório vai além da descrição e tenta explicar as razões para o fenômeno que o estudo descritivo apenas observou”. Como já existem diversos estudos relacionados com avaliação de SI, como citado anteriormente, é possível avançar para além da pesquisa descritiva, desenvolvendo um estudo também explanatório. Quanto à dimensão de tempo, a presente pesquisa é transversal, ou seja, é um estudo que representa determinado momento. Como salientam Cooper e Schindler (2003, p. 129), os estudos transversais diferenciam-se dos longitudinais, pois não são realizados em períodos longos. Além disso, é uma pesquisa ex post facto, ou seja, realizada após a implementação do SI, mais especificamente do SIF. De acordo com Cooper e Schindler (2003, p. 128), em um planejamento ex post facto não é possível controlar as variáveis, no sentido de poder manipulá-las, e o pesquisador pode apenas relatar o que aconteceu ou o que está acontecendo no momento. Nesse tipo de pesquisa é fundamental que as variáveis não sejam influenciadas, para não gerar viéses. Considerando o escopo do tópico (amplitude e profundidade do estudo), esta pesquisa é considerada um estudo de caso. Cooper e Schindler (2003, p. 130)
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    70 salientam que “osestudos de casos colocam mais ênfase em uma análise contextual completa de poucos fatos ou condições e suas inter-relações”. De acordo Yin (2001, p. 32), “um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Para a condução do estudo de caso é fundamental a utilização de múltiplas fontes de dados (como entrevistas, questionários, observação). Diante destas características, pode- se considerar o estudo de caso como o método mais indicado para a realização desta pesquisa. 4.3 UNIDADE D E ANÁLISE De acordo com Yin (2001, p. 44), “a definição da unidade de análise (e, portanto, do caso) está relacionada à maneira como as questões iniciais da pesquisa foram definidas”. Dessa forma, ao especificar corretamente as questões de pesquisa, pôde-se selecionar adequadamente a unidade de análise. Após a análise das perguntas de pesquisa, pôde-se considerar como unidade de análise desta pesquisa os Sistemas de Informações Gerenciais (O’Brien, 2002; Stair, 1998) ou Sistemas de Relatórios Gerenciais (Zwass, 1992), mais especificamente os Sistemas de Informações Financeiras, conforme classificação apresentada no capítulo 2, seção 2.6. De acordo Pozzebon e Freitas (1998a, p. 162), quando a pesquisa é sobre Sistemas de Informações “a unidade de análise deve ser o sistema. Os usuários dos sistemas são apenas os respondentes e correspondem a uma das estratégias de coleta de dados”.
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    71 4.4 DEFINIÇÃO DONÚMERO DE CASOS Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de casos múltiplos, consistindo no estudo dos SIFs de três empresas previamente selecionadas. A análise de casos múltiplos é importante porque permite, além de verificar similaridades ou diferenças entre os casos estudados, estabelecer que um estudo de caso seja complementar ao outro, favorecendo uma melhor análise dos dados. De acordo com Yin (2001, p. 72), a seleção do número de casos num projeto de casos múltiplos pode ser uma decisão baseada no número de replicações de caso (literais e teóricas) que seria interessante para o desenvolvimento da pesquisa. No caso de replicações literais (busca prever resultados semelhantes), a seleção do número de replicações está ligada ao nível de certeza que se pretende obter com os resultados obtidos por meio da realização dos casos múltiplos. Com relação ao número de replicações teóricas (busca-se produzir resultados contrastantes apenas por razões previsíveis), este está relacionado às condições externas; ou seja, quando não se acredita que as condições externas possam produzir grande variação no aspecto que está sendo estudado, faz-se necessário um número menor de replicações teóricas. Para esta pesquisa, considerou-se que a realização de três estudos de casos, ou seja, três replicações, seria suficiente para atingir os objetivos inicialmente estabelecidos. Outro aspecto a considerar é que esta pesquisa é uma replicação de pesquisas realizadas anteriormente com os mesmos objetivos, ou objetivos bastante similares, o que reforça a constatação de que a realização de três estudos de casos é suficiente.
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    72 Essa replicação tambémcontribui para o que Yin (2001, p. 54) chama de “generalização analítica”. Nesse tipo de generalização, “o pesquisador está tentando generalizar um conjunto particular de resultados a alguma teoria mais abrangente”. Para que a generalização analítica ocorra, é necessário “testar uma teoria através da replicação das descobertas em um segundo ou mesmo em um terceiro local, nos quais a teoria supõe que deveriam ocorrer os mesmos resultados”. Dessa forma, mediante a condução de três replicações (três estudos de casos) e considerando os estudos já existentes sobre o tema desta pesquisa (Cardoso, 2001; Zanoteli, 2001), pôde-se testar as descobertas em outros locais, o que contribuiu para a generalização analítica. 4.5 SELEÇÃO D AS EMPRESAS ESTUDADAS Alguns critérios foram observados para que a seleção das empresas estudadas fosse possível. Em primeiro lugar, procurou-se selecionar empresas que utilizam algum tipo de SIF de maneira profissional; ou seja, que baseiam suas decisões financeiras em informações disponibilizadas por SIF. Um segundo critério a considerar é que não se levou em conta qualquer restrição quanto ao tipo de SIF utilizado, nem quanto à atividade desenvolvida e ao porte da empresa. Um terceiro critério refere-se à disponibilidade da empresa em contribuir para a pesquisa, fornecendo dados necessários para a sua conclusão. Dessa forma, as empresas que contribuíram para a realização desta pesquisa foram selecionadas por meio de uma amostragem intencional por julgamento, na qual “o pesquisador seleciona membros da amostra para atender a alguns critérios”
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    73 (COOPER e SCHINDLER,2003, p. 169). Esses critérios foram anteriormente expostos, sendo que o principal deles refere-se ao fato de a empresa utilizar algum tipo de SIF. As empresas foram inicialmente contatadas, verificando-se a possibilidade de realização da pesquisa. A primeira empresa visitada foi a M.A. Falleiros, que utiliza um SI da empresa Infomark, desenvolvido para confecções; a segunda foi a Noma, que utiliza um sistema da empresa SAP (Systemanalyse and Programmentwicklung.- Sistemas, Aplicações e Produtos para Processamento de Dados); e a terceira foi a Indel, que utiliza o sistema Protheus da Microsiga. A pesquisa nas empresas transcorreu de junho de 2003 a fevereiro de 2004. O Quadro 8 apresenta a relação das pessoas entrevistadas e as respectivas funções nas empresas estudadas. Para cada pessoa foi atribuído um código, que será posteriormente utilizado para citações. Quadro 8: Relação dos entrevistados Empresa Estudada Função do entrevistado Código atribuído ao entrevistado Assistente financeiro – análise de MA1 crédito e cobrança M. A. Falleiros Coordenador de contas a receber MA2 Coordenador de contas a pagar MA3 Controller MA4 Gerente de produção NOMA1 Noma Supervisor de tesouraria NOMA2 Controller NOMA3 Controller INDEL1 Indel Auxiliar financeiro INDEL2 Supervisor da qualidade INDEL3
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    74 4.6 COLETA DEDADOS Os dados coletados podem ser primários ou secundários. Os dados primários são aqueles coletados pelo pesquisador, para cuja coleta podem ser utilizadas diversas técnicas, como entrevistas, questionários, observação e pesquisa documental. O dados secundários são aqueles já disponíveis na literatura, como livros, teses, dissertações e artigos. Para a realização de estudos de casos, é fundamental que os dados primários sejam coletados por meio de diversas fontes, e não de apenas uma. De acordo com Yin (2001, p. 120), “a necessidade de utilizar várias fontes de evidências ultrapassa em muito a necessidade que se tem em outras estratégias de pesquisa, como em experimentos, levantamentos ou pesquisas históricas”. A utilização de diversas fontes de dados primários permite, segundo Yin (2001, p. 121), “o desenvolvimento de linhas convergentes de investigação, um processo de triangulação”. Dessa forma, uma descoberta ou conclusão em um estudo de caso é muito mais convincente e acurada se derivada de várias fontes distintas de dados, obedecendo a um estilo corroborativo de pesquisa. Para a realização desta pesquisa, os dados primários foram coletados por meio de entrevista semi-estruturada, questionário, observação não-participante e pesquisa documental. Optou-se por estas técnicas de coleta de dados pelo fato de elas estarem mais ligadas ao objetivo geral da pesquisa; ou seja, o de avaliar se as informações financeiras geradas pelos SIFs atendem às necessidades de informações dos administradores. Como se buscou avaliar os SIs utilizados pelas empresas, não foi possível utilizar uma única fonte de dados.
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    75 A entrevista éuma fonte de dados importante e muito utilizada em estudos de casos. Sua importância, de acordo com King (1995, p. 14), está ligada à alta flexibilidade do método, à possibilidade de ser usada em qualquer lugar e à capacidade de gerar dados em grande profundidade. A entrevista semi-estruturada pode ser definida, segundo Trivinõs (apud Zanoteli, 2001, p. 29), como (...) aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto das novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Assim, a entrevista semi-estruturada permite que entrevistador e entrevistado interajam e que ambos sejam flexíveis em suas perguntas e respostas, respectivamente. O roteiro de entrevista utilizado na realização desta pesquisa foi adaptado de Zanoteli (2001) e Cardoso (2001). As entrevistas foram conduzidas, basicamente, com usuários do SI que trabalham na área financeira, já que o objetivo da pesquisa consistiu em avaliar se as informações financeiras geradas pelo SIF das empresas estudadas atendem às necessidades de informações dos usuários. O questionário utilizado foi do tipo fechado e as perguntas foram definidas de forma a obter respostas classificatórias; ou seja, que permitissem classificar o SI e as informações geradas pelo sistema em uma escala “muito bom/bom/regular/ruim”. Este questionário, adaptado de Cardoso (2001), foi aplicado aos usuários do SI, independente da área a que pertencem, visando contrastar os resultados obtidos com os resultados das entrevistas conduzidas.
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    76 Outra técnica decoleta de dados utilizada foi a observação não-participante. De acordo com Marconi e Lakatos (apud Zanoteli, 2001, p. 28), “na observação não- participante o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se a ela: permanece de fora”. A utilização desta técnica permitiu verificar o uso de sistemas alternativos e complementares, para suprir deficiências do SI utilizado, além de possibilitar o contato com pessoas da área de informática e de outras áreas. A pesquisa documental consistiu na análise de documentos da empresa, tais como organogramas, fluxogramas e relatórios. Foi fundamental, pois permitiu uma melhor descrição da empresa e dos seus fatos mais importantes, assim como da sua história. A coleta de dados primários na realização de estudos de casos conforme ficou comprovado, não pode estar pautada em uma única técnica, mas sim no uso de diversas técnicas complementares. Isto permite uma melhor descrição do caso e também um aprofundamento na pesquisa. Os dados secundários foram obtidos de fontes secundárias de informação, que, segundo Cooper e Schindler (2003, p. 223), são interpretações de dados primários e incluem, entre outras, livros, dissertações, artigos, jornais e manuais. Alguns artigos foram obtidos mediante buscas no Portal de Periódico da Capes (www.periodicos.capes.gov.br), em CD-Roms de congressos e na Internet (utilizando o buscador google). Algumas dissertações também foram obtidas na Internet, nas páginas dos cursos de mestrado da área de Administração. Como salientam Cooper e Schindler (2003, p. 223), se os dados forem obtidos por meio de ferramentas de
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    77 busca na Internet,esses podem ser considerados fontes terciárias, caso exista alguma interpretação de uma fonte secundária, o que não se aplica a esta pesquisa. 4.7 ANÁLISE D OS DADOS De acordo com Yin (2001, p. 154), para uma análise de dados de alta qualidade é fundamental observar alguns aspectos: deixar claro que a análise esteve pautada em todas as evidências relevantes; a análise deve abranger todas as principais interpretações concorrentes; a análise deve se dedicar aos aspectos mais significativos do estudo de caso; e o pesquisador deve utilizar seu conhecimento prévio de especialista para analisar o estudo de caso. Dessa forma, a análise dos dados coletados na realização dos estudos de casos deve ser de qualidade e objetiva, além de confiável. Para tanto, os dados desta pesquisa foram analisados por meio de diversas técnicas de análise de dados, incluindo análise de conteúdo, técnica de triangulação e modelagem. Além disso, os dados quantitativos, coletados por meio de questionários, foram analisados utilizando-se recursos da estatística descritiva, com o objetivo de efetuar uma análise confirmatória dos dados, o que foi realizado com o auxílio do software Excel. Segundo Cooper e Schindler (2003, p. 604), a análise confirmatória de dados refere- se a “um processo analítico guiado por inferência estatística clássica em seu uso de significância e confiança”. A análise de conteúdo, segundo Bardin (1977, p. 42), pode ser definida como (...) um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que
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    78 permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. Para Bardin (1977, p. 42), fazem parte da análise de conteúdo “todas as iniciativas que, a partir de um conjunto de técnicas parciais mas complementares, consistam na explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e da expressão deste conteúdo”, seja ele passível de quantificação ou não. De acordo com Cooper e Schindler (2003, p. 346), “a análise de conteúdo mede o conteúdo semântico ou o aspecto o quê da mensagem”. De acordo com Weber (apud Westbrook, 1994, p. 245), a análise de conteúdo caracteriza-se como “um método de pesquisa que utiliza procedimentos para tornar válidas determinadas inferências a partir do texto”. Para Cullinane e Toy (2000, p. 42), “a análise de conteúdo é um conjunto de instrumentos de pesquisa para o estudo científico de comunicações escritas, com o objetivo de determinar idéias chave e temas contidos nessas comunicações”. Para Cooper e Schindler (2003, p. 347), entre as vantagens da análise de conteúdo estão: protege contra a percepção seletiva do conteúdo; garante a aplicação rigorosa de critérios de confiabilidade e validade; e é receptiva à informatização. Segundo Bardin (1977, p. 95), o processo de análise de conteúdo envolve três fases: pré-análise; exploração do material; e tratamento dos resultados, inferência e interpretação. A pré-análise é a fase de organização do material. “Corresponde a um período de intuições, mas tem por objetivo tornar operacional e sistematizar as idéias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise” (BARDIN, 1977, p. 95). Essa fase possui, geralmente, três dimensões: escolha dos documentos que serão submetidos
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    79 à análise; formulaçãodas hipóteses e dos objetivos, e elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final. A exploração do material, de acordo com Bardin (1977, p. 100), “consiste essencialmente de operações de codificação, desconto ou enumeração, em função de regras previamente formuladas”. A última fase – tratamento dos resultados obtidos e interpretação – consiste em tratar os dados brutos de maneira a torná-los significativos e válidos. Depois de obtidos esses resultados, o pesquisador pode, segundo Bardin (1977, p. 101), “propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos, ou que digam respeito a outras descobertas inesperadas”. A análise de conteúdo pode ser quantitativa ou qualitativa. Segundo Bardin (1977, p. 21), na análise de conteúdo quantitativa o importante é a freqüência com que certas características do conteúdo aparecem. Na análise de conteúdo qualitativa, o que deve ser analisado é a presença ou ausência de uma determinada característica do conteúdo ou de um determinado conjunto de características presentes em um determinado fragmento do texto. De acordo com Insch; More e Murphy (1997, p. 2), a análise de conteúdo apresenta algumas vantagens, geralmente associadas aos métodos qualitativos, como riqueza de detalhes, preservação de conteúdos importantes da informação e potencial para fundamentar o desenvolvimento de uma teoria. Nesta pesquisa, desenvolveu-se uma análise de conteúdo qualitativa, com o objetivo de analisar as entrevistas e as observações, visando preservar os detalhes presentes nos dados coletados. Para a análise de conteúdo quantitativa, várias técnicas podem ser utilizadas. Bardin (1977, p. 153) cita as seguintes: análise categorial, análise de avaliação, análise da
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    80 enunciação, análise daexpressão, análise das relações e análise do discurso. Na condução da análise de conteúdo quantitativa desta pesquisa, utilizou-se a categorial, com o objetivo de analisar as entrevistas. As categorias foram definidas com base nos atributos da informação de qualidade (Zwass, 1992) e no questionário aplicado aos usuários dos SIs. A seguir, apresentam-se alguns aspectos relacionados a cada uma destas técnicas: Análise categorial: tem como objetivo fazer o desmembramento do texto em unidades, em categorias, mediante reagrupamentos analógicos. Cita-se como exemplo a análise temática, ou investigação dos temas. De acordo com Singleton et al. (apud Cullinane e Toy, 2000), a idéia básica da análise de conteúdo desta técnica consiste em reduzir o conteúdo da comunicação (por exemplo, da entrevista) em um conjunto de categorias que represente algumas características de interesse da pesquisa. Análise de avaliação: tem como finalidade medir as atitudes do locutor quanto aos objetos de que ele fala. Considera que a linguagem representa e reflete diretamente aquele que a utiliza. Análise da enunciação: esta técnica apóia-se em uma concepção da comunicação como processo, e não como dado, e trabalha desviando-se das estruturas e dos elementos formais. De acordo com Bardin (1977, p. 170), a análise da enunciação considera que “o discurso não é um produto acabado, mas um momento num processo de elaboração, com tudo o que isso comporta de contradições, de incoerências, de imperfeições”. Isso ocorre com freqüência nas entrevistas, em que “a produção é ao mesmo tempo espontânea e constrangida pela situação”.
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    81 Análise da expressão: os indicadores utilizados nesta técnica não são indicadores semânticos (conteúdo plano dos significados), mas sim formais (plano dos significantes e da sua organização). Parte-se da hipótese de que há correspondência entre o tipo de discurso e as características do locutor e do meio em que está inserido. Análise das relações: tem como finalidade analisar não apenas a freqüência com que os elementos aparecem no texto, mas também as relações que os elementos do texto mantêm entre si. Cita-se como exemplo a análise das co- ocorrências, que procura, segundo Bardin (1977, p. 198), “extrair do texto as relações entre os elementos da mensagem ou, mais exatamente, dedica-se a assinalar as presenças simultâneas (co-ocorrências ou relações de associação) de dois ou mais elementos na mesma unidade de contexto”. A análise estrutural também faz parte da análise de relações, e neste contexto a análise não se aplica apenas ao vocabulário, léxico ou repertório semântico ou temático da mensagem, mas também a todas as relações que estruturam os elementos (signos ou significações). Análise do discurso: nesta técnica, de acordo com Bardin (1977, p. 217), “um dado discurso é submetido a um certo número de operações de desmembramento e de classificação semânticas, sintáticas e lógicas simultaneamente”. Para Marshall (1995, p. 91), na análise de conteúdo é dada atenção à estrutura e à organização do discurso, preocupando-se com as possíveis conseqüências do uso de algumas construções no texto. Outra técnica que contribuiu para a análise dos dados foi a triangulação, que permite, segundo Pozzebon e Freitas (1998a, p. 164),
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    82 (...) dirigir nosso interesse aos processos e produtos centrados no sujeito: averiguando as percepções do sujeito, mediante entrevistas e questionários, e os comportamentos e ações do sujeito, na observação livre; aos elementos produzidos pelo meio do sujeito: documentos, especificações de sistemas, projetos, etc.; e aos processos e produtos originados do contexto sócio-econômico: mais voltado para estudos sociológicos. Dessa forma, para que a triangulação dos dados seja possível, é necessário que os dados sejam coletados de diversas fontes (como entrevistas, observação, questionário e pesquisa documental) e que esses dados sejam analisados em conjunto e de maneira integrada. O uso da modelagem também foi fundamental para a análise dos dados. De acordo com Pozzebon e Freitas (1998b), “através da modelagem é possível recriar o contexto onde os dados foram gerados: através dos dados coletados a partir de percepções do pesquisador, dos respondentes e da transcrição de documentos”. 4.8 PROTOCOL O PARA A REALIZAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASOS Para Yin (2001, p. 89), “o protocolo é uma das táticas para se aumentar a confiabilidade da pesquisa de estudo de caso e destina-se a orientar o pesquisador ao conduzir o estudo de caso”. É essencial possuir um protocolo quando se realiza um projeto de casos múltiplos. Como é este o caso desta pesquisa, elaborou-se um protocolo com a descrição das etapas da pesquisa, os objetivos relacionados com cada etapa e as respectivas atividades (Quadro 9).
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    83 Quadro 9: Protocolopara a realização dos estudos de casos ETAPA OBJETIVOS ATIVIDADES Planejamento Elaborar o protocolo Definição das etapas da pesquisa, incluindo a coleta de dados (primários e secundários) e a análise de dados. Coleta de dados Caracterizar as empresas Pesquisa documental em e a evolução dos SIFs documentos da empresa, utilizados. relatórios, histórico. Determinar as Entrevistas com usuários dos necessidades de SIs que trabalham na área informação. financeira. Determinar as informações Questionários aplicados aos disponibilizadas pelos usuários dos SIs, SIFs. independente da área a que Verificar o uso de pertencem. Sistemas de Informações Observação não-participante, alternativos e para verificar o uso de SIs complementares alternativos ou complementares e contatar outras áreas da empresa, visando entender o processo de tomada de decisão na empresa. Análise dos Comparar as Modelagem visando dados necessidades de caracterizar a empresa e os informação com as SIFs utilizados. informações Análise de conteúdo, disponibilizadas. incluindo a análise de Determinar deficiências e conteúdo qualitativa e a de pontos fortes dos SIFs. conteúdo quantitativa (análise categorial). Análise quantitativa dos questionários aplicados. Triangulação visando contrastar os dados coletados. Conclusão Propor estratégias de Possíveis deficiências melhorias. apresentadas e sugestões/recomendações para minimizar ou extinguir o problema.
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    84 A seguir, apresenta-seo roteiro de entrevistas, relacionando as questões a cada objetivo específico. Este roteiro contribuiu também para as observações realizadas e para determinar quais documentos e relatórios buscar na pesquisa documental. O Quadro 10 mostra a relação entres as perguntas que orientaram as entrevistas e os objetivos específicos. Quadro 10: Perguntas que orientaram as entrevistas e objetivos específicos (continua) Questões que orientaram as entrevistas semi- Objetivos específicos estruturadas 1. No desempenho da sua função, quais são as Descrever os principais atribuições? Dentre elas, quais envolvem processos de gestão decisões? com relação aos 2. Neste processo, quais são as decisões mais fluxos de informações importantes? Por quê? financeiras. 3. Seria possível fazer um relacionamento entre as Identificar as atribuições e as decisões? informações 4. Existe alguma seqüência, etapas ou passos a serem financeiras seguidos no processo de tomada de decisão? Você necessárias para os alteraria alguma coisa? administradores. 5. Para a tomada de decisão, quais são as informações necessárias? 6. Seria possível fazer uma correlação entre as decisões e estas informações? 7. Entre as informações usadas nas decisões, quais são de natureza financeira? 8. Você conhece a origem dessas informações? Onde são geradas e por quem? 9. Como é composto o Sistema de Informações Identificar as Financeiras? informações 10. É possível identificar as informações financeiras financeiras disponibilizadas pelo sistema? atualmente 11. As informações financeiras disponibilizadas pelo disponibilizadas pelo sistema correspondem às necessidades de SIF. informações dos administradores? Por quê? Analisar se as 12. Como são elaborados ou projetados os relatórios? informações Existe alguma preocupação com a forma de financeiras apresentação? disponibilizadas pelos 13. Qual o nível de conhecimento financeiro é necessário SIFs correspondem para sua compreensão? Os usuários têm esse às necessidades de conhecimento? São treinados? Esse treinamento é informações realizado de forma continuada? financeiras dos administradores.
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    85 Quadro 10: Perguntasque orientaram as entrevistas e objetivos específicos (conclusão) Questões que orientaram as entrevistas semi- Objetivos específicos estruturadas 14. As informações são apresentadas de maneira clara e Identificar possíveis objetiva? São de fácil entendimento? deficiências e 15. As informações são relevantes e confiáveis? limitações quanto à 16. Os relatórios são disponibilizados em tempo hábil operação, utilização e para a tomada de decisão? avaliação dos SIFs. 17. Com base no seu trabalho e na sua experiência, quais Propor estratégias são as informações que o sistema deveria fornecer e para que os que não está fornecendo? administradores 18. Se você pudesse mudar os relatórios, o que faria? possam ter a sua 19. Quais são as dificuldades encontradas pelo usuário disposição as quando utiliza o sistema? Por quê? informações 20. Quais são os aspectos positivos do sistema? Por necessárias. que? 21. Quais são os aspectos negativos do sistema? Por quê? 22. Com base no seu trabalho e na sua experiência, como podem ser otimizados os fluxos de informações financeiras e como podem ser melhor atendidas as necessidades informacionais? Como complemento às entrevistas, foi aplicado um questionário cujo modelo apresenta-se a seguir, no Quadro 11.
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    86 Quadro 11: Questionário 1.Qual módulo do Sistema de Informações você mais utiliza? 2. Como você classifica o Sistema de Informações utilizado em relação aos seguintes aspectos: Muito Bom Regular Ruim Bom 2.1 Funcionalidade 2.2 Interface com o usuário 2.3 Disponibilidade de informações 2.4 Facilidade de acesso 2.5 Flexibilidade 2.6 Todo o sistema utilizado, em geral 3. Especificamente quanto às informações disponíveis no sistema, como você as classifica em relação a: Muito Bom Regular Ruim Bom 3.1 Apresentação (Relatórios) 3.2 Completude (ser/estar completa, quantidade) 3.3 Necessidade de (Re)Digitação 3.4 Exatidão/Confiabilidade 3.5 Utilidade 3.6 Concisão/Prolixidade (ser objetiva) 3.7 Relevância/Importância 3.8.Compreensibilidade (Compreensiva) 3.9 Consistência 3.10 Conteúdo (Qualidade) 4. Caso queira fazer algum comentário adicional sobre a adequabilidade do Sistema de Informações utilizado, escreva a seguir.
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    87 4.9 CONCLUSÃ O Estecapítulo teve como objetivo detalhar a metodologia utilizada para a condução desta pesquisa. Para tanto, definiram-se a unidade de análise, o número de casos e como as empresas participantes da pesquisa foram selecionadas. Enfatizaram-se os instrumentos de coleta de dados utilizados, sendo que para a condução de estudo de casos foi fundamental a utilização de diversas técnicas de coleta de dados. Além disso, apresentaram-se os métodos de análise de dados utilizados, enfatizando a análise de conteúdo, a triangulação e a modelagem. Finalizando o capítulo, apresentou-se o protocolo da pesquisa, com as etapas, os objetivos e as respectivas atividades.
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    88 5 ESTUDOS DECASOS 5.1 INTRODUÇÃO Este capítulo apresenta características das empresas estudadas, além de aspectos fundamentais dos SIs utilizados pelas respectivas empresas. Para que isto fosse possível, realizaram-se entrevistas, pesquisa documental e observação não- participante. Os dados foram analisados por meio da modelagem, o que permitiu recriar o contexto em que os dados foram gerados; ou seja, caracterizar as empresas e os SIs utilizados. Outras fontes de dados foram os sites da Noma (www.noma.com.br) e da Indel (www.indel.com.br) na Internet. 5.2 O CASO M. A. FALLEIROS 5.2.1 Características A empresa, de natureza familiar, localiza-se na cidade de Maringá, estado do Paraná. Atua há 15 anos no ramo de confecções, centrada na produção de jeans, metade destinada a sua marca própria (Lado Avesso) e metade sob encomenda (etiquetados de acordo com a marca da empresa solicitante, como a Cowboy Forever). Possui cinco empresas integradas, que atuam no ramo de facção, lavanderia e acabamento. Juntas, somam, aproximadamente, 900 funcionários. Atualmente, está empenhada em profissionalizar sua gestão. Seu controller, que não pertence à família, tem, entre outras, a função de minimizar a presença da administração familiar na empresa.
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    89 5.2.2 Sistema deInformações utilizado O atual SI utilizado pela M. A. Falleiros é da empresa Infomark, desenvolvido para confecções. Antes de sua implantação, utilizava um da Produtec, descartado devido a limitações do seu uso, como a falta de relatórios suficientes para a tomada de decisão e a impossibilidade de controlar a contabilidade por meio dele. Ainda antes de utilizar o SI da Produtec, a empresa tentou desenvolver um SI próprio, contratando um programador. No entanto, esse processo se tornou inviável, devido à falta de conhecimento por parte do programador de todas as áreas funcionais da empresa e à dificuldade do pessoal em passar para o programador os dados necessários. Com a instalação do SI da Infomark, em 1996, foi possível controlar todas as áreas da empresa, por exemplo, Produção, Contabilidade, Recursos Humanos e Finanças. É importante considerar que houve dificuldades na transição do sistema da Produtec para o da Infomark, relacionadas principalmente ao modo de realizar o trabalho de acordo com as regras do novo SI. O SI atualmente utilizado tem sua estrutura baseada em módulos, como Financeiro, Vendas, Compras, Área Fiscal, Recursos Humanos e Produção, específicos para o ramo de confecções. O acesso aos módulos é limitado por senha, sendo que cada usuário só pode acessar aqueles que são condizentes com a sua responsabilidade. A Infomark promoveu algumas atualizações nos módulos para atender às necessidades de informação da M. A. Falleiros. O SI utilizado é alugado, ou seja, prevendo-se pagamento mensal pelo uso. Trabalha em plataforma DOS e, atualmente, não possui um banco de dados, apesar
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    90 de já existiremplanos para sua implantação em breve. O SI é integrado (recursos de importação/exportação), embora alguns módulos ainda não estejam instalados. O SI da Infomark, por trabalhar em plataforma DOS, não possibilita a geração de gráficos e tabelas, o que geralmente é feito no Excel. Há também uma certa dificuldade em obter relatórios diversificados. A Figura 5 mostra a tela com os módulos implantados atualmente pela M. A. Falleiros. Como se pode perceber os módulos implantados são: Cadastros, Financeiro, Vendas, Compras, Utilitários, Área fiscal, Recursos Humanos e Produção. Figura 5: Módulos do SI implantados na M.A. Falleiros
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    91 A Figura 6mostra a tela com as opções do módulo financeiro, foco principal desta pesquisa. Estas opções incluem: contas a receber, contas a pagar, contas correntes e livros financeiros. Figura 6: Opções do módulo financeiro do SI implantado na M.A. Falleiros A Figura 7 mostra algumas opções de relatórios que podem ser emitidos a partir do módulo financeiro – contas a receber. Entre os relatórios que podem ser emitidos pode-se citar: relatório de cobranças, relação de cheques devolvidos, resumo diário financeiro e posição financeira.
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    92 Figura 7: Opçõesde relatórios do módulo financeiro – contas a receber. 5.3 CASO NOMA DO BRASIL S.A. 5.3.1 Características A Noma do Brasil S. A. localiza-se na cidade de Maringá, estado do Paraná. Conta atualmente com 566 funcionários. Foi fundada em 1967, com o objetivo de explorar o ramo de comércio de peças, consertos e reformas de veículos e fabricação de terceiro-eixo. Em 1977, diversificando sua produção e procurando atingir outros segmentos do mercado então em grande desenvolvimento, iniciou a fabricação de semi-reboques. Em 1988, incorporou a Truck Maringá. Atualmente, exporta para países da América do Sul, como Chile, Paraguai, Bolívia, Uruguai e, principalmente,
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    93 Argentina. Desenvolveu recentementeo semi-reboque intermodal, ou rodotrilho, que pode trafegar tanto na rodovia quanto na ferrovia. Entre os produtos que fabrica, apontam-se: a) para exportação - semi-reboque graneleiro, semi-reboque carga seca direcional, semi-reboque furgão, semi-reboque carga-seca, semi-reboque para ácido sulfúrico, semi-reboque basculante graneleiro 35-40m3 e acoplado carga seca; e b) para venda nacional - semi-reboque tanque autoportante, semi-reboque baú lonado, semi-reboque articulado tanque, semi- reboque para bebidas, terceiro eixo, semi-reboque para transporte de botijões de gás, reboque julieta para madeira, semi-reboque graneleiro, semi-reboque basculante convencional, semi-reboque articulado graneleiro, rodotrilho e tanque 01 eixo. A Noma fabrica todos os componentes estruturais dos equipamentos produzidos. A montagem dos conjuntos e subconjuntos é executada em sistemas de linha contínua, que se dá em estágios e trabalhos definidos, com a utilização de gabaritos. Antes da entrega final, o produto é inspecionado para verificar se não houve falha no processo produtivo. 5.3.2 Sistema de Informações utilizado O SI atualmente utilizado pela Noma do Brasil é o da SAP, empresa alemã, implantado em 2001, que tem como principais características a possibilidade de integrar toda a empresa e a disponibilidade de informações em tempo real. O sistema foi adquirido com base na possibilidade de crescimento da empresa. O
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    94 sistema utilizado anteriormente,denominado “FOX”, foi desenvolvido internamente e não era totalmente integrado. O SI foi parametrizado para atender às necessidades da empresa que adquiriu todos os módulos, estando em funcionamento, porém, apenas o CO – Controladoria e Finanças; o SD – Vendas e Faturamento; o FI – Financeiro; o MM – Materiais e o PP -Produção. Os módulos relacionados à área financeira são o CO e o FI. O sistema foi customizado e implantado de uma só vez; ou seja, não foi implantado módulo por módulo. O acesso aos módulos do SAP é limitado por senha, sendo que cada usuário tem acesso apenas àqueles que lhes são pertinentes. Apesar de o SAP ter muitos recursos e de envolver todas as áreas da empresa, ainda é freqüente na empresa o uso de sistemas alternativos, como o Excel, utilizado como alternativa para gerar relatórios e gráficos não disponibilizados pelo SAP. A Figura 8 mostra a tela inicial do sistema SAP. Como se pode perceber o acesso é limitado por senha a cada usuário do SI. Figura 8: Tela inicial do sistema SAP
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    95 A Figura 9apresenta o módulo contábil/financeiro do sistema SAP, que envolve a Contabilidade Financeira e a Tesouraria. Na Contabilidade Financeira é possível verificar informações sobre os clientes e os fornecedores, entre outras, e na tesouraria é possível obter informações sobre o caixa e os empréstimos, entre outras. Figura 9: Módulo contábil/financeiro do sistema SAP A Figura 10 mostra o módulo referente à Controladoria.
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    96 Figura 10: Módulode Controladoria do sistema SAP A Figura 11 mostra alguns relatórios que podem ser emitidos pelo módulo contábil/financeiro do sistema SAP. Entre os relatórios estão: volume de vendas, volume de negócios por cliente e histórico de pagamentos de clientes.
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    97 Figura 11: Algunsrelatórios que podem ser emitidos pelo sistema SAP A Figura 12 apresenta exemplo de um relatório emitido pelo sistema SAP.
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    98 Figura 12: Exemplode relatório emitido pelo SAP (1) As Figuras 13 e 14 mostram exemplos de relatórios emitidos pelo SAP.
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    99 Figura 13: Exemplode relatório emitido pelo SAP (2)
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    100 Figura 14: Exemplode relatório emitido pelo SAP (3) 5.4 CASO INDEL 5.4.1 Características A Indel localiza-se na cidade de Maringá, estado do Paraná. Foi fundada em 1976, para produzir e comercializar equipamentos eletrônicos bloqueadores de DDD (Sistema de Discagem Direta de Longa Distância da Embratel). Conta com 280 funcionários. Em 1977, acrescentou à sua linha a produção de equipamentos para teste de cápsulas telefônicas e, em 1979, a fabricação de fontes de corrente contínua para alimentação de rádios monocanais de telefonia rural.
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    101 Diante da boaaceitação de seus produtos, a Indel projetou, desenvolveu e homologou perante a Telebrás equipamentos de maior capacidade, o que exigiu a ampliação de sua estrutura industrial, com a conseqüente expansão do quadro de funcionários e do leque de representantes comerciais. Hoje, sua atuação estende-se para todo o território nacional e América Latina. Em 1996, revelando sua preocupação contínua com a qualidade, a empresa obteve a certificação ISO 9002 para fabricação, assistência técnica, ativação e instalação de sistemas de energia; em 1999, a ISO 9001. No início de 2000, a Indel associou-se à empresa australiana “Com10 Pty”, com o objetivo de nacionalizar a produção de retificadores chaveados de alta freqüência. Com isto, obteve o Certificado de Processo Produtivo Básico (PPB), o que lhe assegurou o direito de receber incentivos fiscais e participar das linhas de financiamento, entre os quais o Finame, destinado à aquisição de máquinas e equipamentos, e o Proex, voltado a bens de exportação. A empresa é especializada na fabricação e comercialização de sistemas retificadores e de quadros de distribuição. Atua também no fornecimento de banco de baterias, conversores e inversores. Entre os produtos que fabrica estão: sistemas retificadores, unidades retificadoras, unidade de supervisão de retificadores, FCC tiristorizadas, quadros de distribuição e produtos para energia solar. 5.4.2 Sistema de Informações utilizado O SI atualmente utilizado pela Indel é o Protheus, da Microsiga. Antes, a empresa utilizava um SI desenvolvido internamente. A instalação do Protheus teve início em
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    102 2000. Sua escolhadeveu-se ao fato de possuir módulos para a gestão da qualidade, fundamentais para a empresa, devido às certificações ISO. Os módulos atualmente instalados incluem: compras/estoques, PCP, sistema de qualidade, recursos humanos, comercial/faturamento e financeiro/contábil. Apesar de estes módulos já estarem instalados, a empresa acredita que apenas 50% do seu potencial é utilizado, devido a dificuldades associadas à sua utilização. Os módulos foram implantados gradativamente, iniciando com o de recursos humanos e finalizando com o de sistema de qualidade. O acesso aos módulos é limitado por senha, sendo que cada usuário só pode ter acesso aos relatórios e informações relacionados à sua área de atuação. É um sistema integrado, tendo sido parametrizado para adaptar-se às características da empresa. Além das áreas de Finanças, Recursos Humanos, Produção, dentre outros, o SI é bastante utilizado para o gerenciamento da qualidade. Mesmo com a implantação do Protheus, utilizam-se como sistema alternativo a planilha Excel, principalmente para gerar relatórios mais específicos e gráficos, e o SI Cristal para a geração de relatórios mais específicos. A Figura 15 mostra uma tela do sistema Protheus com os principais itens da parte financeira do sistema. Estes itens incluem: cadastros, contas a pagar, contas a receber e movimento bancário.
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    103 Figura 15: Módulofinanceiro – Sistema de Informações Protheus A Figura 16 mostra as opções de atualizações para o item Contas a Receber do módulo financeiro.
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    104 Figura 16 :Atualizações do item contas a receber – módulo financeiro. A Figura 17 mostra também as atualizações que podem ser realizadas, mas referentes ao item Contas a Pagar do módulo financeiro.
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    105 Figura 17: Atualizaçõesdo item contas a pagar – módulo financeiro. A Figura 18 mostra as consultas que podem ser realizadas por meio do módulo financeiro. Estas consultas incluem: fluxo de caixa, posição do cliente, posição do fornecedor e consulta de títulos.
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    106 Figura 18: Consultas– módulo financeiro A Figura 19 mostra algumas opções de relatórios do módulo financeiro; a Figura 20, um exemplo de relatório emitido pelo sistema Protheus.
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    107 Figura 19: Opçõesde relatórios – módulo financeiro
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    108 Figura 20: Exemplode relatório – módulo financeiro 5.5 CONCLUSÃO Este capítulo apresentou características fundamentais dos estudos de casos envolvendo empresas com atividades diferentes e que utilizam SIs desenvolvidos por fornecedores diferentes. As três empresas pesquisadas têm em comum o fato de utilizarem algum tipo de SIF de maneira profissional − ou seja, baseiam suas decisões financeiras em informações disponibilizadas por um SIF −, de estarem localizadas na cidade de Maringá/ PR e de dispuseram-se a participar da pesquisa e contribuir para o desenvolvimento dos estudos de casos.
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    109 6 AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS ESTUDADOS 6.1 INTRODUÇ ÃO Esta pesquisa teve como foco os Sistemas de Informações Gerenciais (O’Brien, 2002; Stair, 1998) ou Sistemas de Relatórios Gerenciais (Zwass, 1992), mais especificamente os Sistemas de Informações Financeiras, conforme classificação apresentada no capítulo 2, seção 2.6. No capítulo anterior, caracterizaram-se as empresas estudadas e os respectivos SIs. Neste capítulo, apresenta-se a avaliação dos SIFs utilizados pelas empresas. Serão analisados tanto os dados qualitativos, coletados por meio de entrevistas, observação não-participante e pesquisa documental, quanto os dados quantitativos, coletados por meio dos questionários. Foram entrevistadas 10 pessoas: 4 funcionários da M.A Falleiros, 3 da Noma e 3 da Indel. As entrevistas, com duração de, aproximadamente, 30 minutos cada uma, foram realizadas no segundo semestre de 2003. As respostas foram gravadas e, depois, transcritas, para que fosse possível realizar uma análise dos dados com mais segurança. O modelo utilizado para a realização das entrevistas está no anexo A. A observação não-participante ocorreu nas três empresas e a pesquisa documental foi realizada mediante verificação de relatórios, documentos e histórico das empresas. Alguns dados foram coletados nos sites das empresas, principalmente da
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    110 Noma (www.noma.com.br) eda Indel (www.indel.com.br). A caracterização das empresas e dos sistemas utilizados foi apresentada no capítulo 5. Os questionários utilizados foram do tipo fechado, totalizando 30, assim distribuídos: M. A. Falleiros – 11; Noma – 11; e Indel – 8. Os questionários, cujo modelo está no anexo B, foram aplicados a usuários dos sistemas, independente da área de atuação. Para a análise dos dados qualitativos, utilizaram-se técnicas de análise de conteúdo (tanto qualitativa quanto quantitativa), triangulação e modelagem. Para a análise de conteúdo quantitativa algumas categorias foram definidas tais como: a) relacionadas à avaliação da informação gerada pelo SI – conveniência, exatidão, precisão, ser completa, concisão, relevância, forma apropriada, necessidade de redigitação e utilidade; e b) relacionadas à avaliação do SI – interface com o usuário, flexibilidade, facilidade de acesso, disponibilidade de informações e integração. Os dados quantitativos foram analisados utilizando-se recursos da estatística descritiva, o que foi realizado com o auxílio do software Excel. Estas técnicas foram descritas no capítulo 4, seção 4.7. Na elaboração dos gráficos, o eixo das ordenadas corresponde ao número de respondentes. 6.2 O CASO M. A. FALLEIROS 6.2.1 Aspectos positivos do sistema A questão da confiabilidade da informação foi um aspecto bastante citado pelos entrevistados. Isso ocorre porque os dados são alimentados corretamente, gerando
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    111 informações confiáveis. Deacordo o entrevistado MA2, a margem de erro no Departamento Financeiro não chega a 1% do volume de dados gerados. Isso foi constatado também na análise das categorias, onde a exatidão das informações apresentou avaliação positiva superior à avaliação negativa. Na análise quantitativa dos dados também foi possível verificar que as informações são consideradas confiáveis pelos usuários do SI, conforme mostra o Gráfico 1. Exatidão das informações 6 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 1: Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) Os relatórios são disponibilizados em tempo hábil para a tomada de decisão, embora para o setor de Controladoria, que precisa dos relatórios financeiros, ocorra uma margem de 15 dias de atraso, pois a Contabilidade não é alimentada automaticamente. Ou seja, alimenta-se a Contabilidade por meio de arquivos de importação/exportação, o que é realizado pelo próprio sistema. A análise das categorias permitiu verificar esse impasse que existe com relação à conveniência das informações, uma vez que esta categoria foi avaliada tanto positiva quanto negativamente.
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    112 Tem-se, ainda, queos relatórios são considerados de fácil entendimento pelos administradores, embora possam parecer complicados para pessoas estranhas ao Departamento Financeiro, como salienta o entrevistado MA2, acrescentando que é necessária uma explicação por parte do usuário do sistema para uma melhor compreensão. Na análise das categorias, a categoria concisão apresentou tanto uma avaliação positiva quanto uma avaliação negativa, o que enfatiza a questão de que as informações são consideradas claras e objetivas para os usuários do SI, mas não para um terceiro. Isso também pôde ser percebido na análise quantitativa dos dados, conforme apresentado no Gráfico 2. Concisão das informações 8 6 4 2 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 2: Avaliação do item concisão/prolixidade das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) Outra questão enfatizada prende-se ao fato de que tudo o que se realiza fica gravado para consulta posterior, o que facilita o dia-a-dia da gestão de informações, evitando o retrabalho. Por exemplo, quando um determinado cliente é cadastrado, suas informações ficam arquivadas, e tudo o que é referente a esse cliente é digitado e gravado para consulta posterior. Dessa forma, o administrador consegue
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    113 rapidamente saber seo cliente está cumprindo com suas obrigações em dia, se recebeu corretamente a mercadoria, dentre outras informações. O entrevistado MA2 considera que a plataforma DOS oferece agilidade, além de mais facilidade de trabalho do que em um sistema baseado na plataforma Windows. No entanto, os entrevistados MA3 e MA4 consideram como aspecto negativo a questão do uso da plataforma DOS, alegando que seria melhor uma versão Windows, por possibilitar melhor interface com o usuário. Essa avaliação tanto positiva quanto negativa da plataforma DOS foi também constatada na análise das categorias, onde a categoria interface com o usuário apresentou avaliação positiva e negativa. Na análise quantitativa dos dados também foi possível observar este fato, conforme mostra o Gráfico 3. Interface com o usuário 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 3: Avaliação do item interface entre o usuário e o sistema (M. A. Falleiros) Outro aspecto positivo do sistema diz respeito à integração. Todos os departamentos estão integrados, exceto o de Contabilidade, no qual a transferência de dados é feita por meio de arquivos de importação/exportação. Isso facilita o trabalho, evitando o retrabalho, pois o sistema é alimentado uma só vez e alimenta
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    114 todos os departamentos.Na análise das categorias foi possível perceber a importância da integração, uma vez que esta categoria foi a única que apresentou apenas avaliação positiva. O sistema também permite operações on-line com os bancos, o que facilita o trabalho dos administradores, pois determinada operação realizada na empresa (como o pagamento de uma duplicata) reflete diretamente na sua conta corrente no banco. Essa facilidade oferecida pelo SI garante agilidade nas transações financeiras efetuadas pela empresa. Outros aspectos positivos do SI referem-se à utilidade das informações e à relevância destas. A utilidade e importância das informações fornecidas pelos SIs foi constatada principalmente através da análise quantitativa dos dados, conforme mostra os Gráficos 4 e 5. Utilidade das informações Relevância das informações 8 6 5 6 4 4 3 2 2 1 0 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 4: Avaliação do item utilidade Gráfico 5: Avaliação do item das informações fornecidas pelo sistema relevância/importância das (M. A. Falleiros) informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) 6.2.2 Aspectos negativos do sistema Identificou-se como aspecto negativo o fato de o sistema não gerar todos os relatórios necessários à tomada de decisão e, também, aqueles que permitem
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    115 melhor visualização dasinformações. Os administradores utilizam o software Excel como uma alternativa para gerar relatórios mais específicos e gráficos. Muitas vezes, ao transportar os dados para o Excel, torna-se necessário redigitar parte deles, o que gera retrabalho. Na análise das categorias, as categorias necessidade de redigitação e forma apropriada foram avaliadas negativamente, o que reforça a constatação anterior. Isso também pode ser constatado pela análise do Gráfico 6, elaborado com base nos dados quantitativos coletados. Necessidade de redigitação 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 6: Avaliação do item necessidade de redigitação das informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) Os relatórios, muitas vezes, disponibilizam informações de que o administrador não precisa e deixam de disponibilizar informações necessárias à tomada de decisão. Eles foram considerados como padronizados e incompletos, além de inflexíveis. As solicitações de mudanças nos relatórios encaminhadas à empresa fornecedora do SI geralmente demoram para ser atendidas (às vezes, nem são). Criticou-se, também, sua forma de apresentação: ruim e pouco clara (principalmente para uma pessoa estranha à empresa), além de não permitir a geração de gráficos. A flexibilidade do
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    116 sistema foi avaliadanegativamente também na análise das categorias e na análise dos dados quantitativos, conforme mostra o Gráfico 7. Flexibilidade 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 7: Avaliação do item flexibilidade do sistema (M. A. Falleiros) Outro aspecto ressaltado prende-se ao fato de o sistema ser lento e travar com freqüência. O entrevistado MA4, controller da empresa, relatou que esta dificuldade está sendo sanada com a aquisição de equipamentos novos e a realização de melhorias na rede para que o fluxo de informações seja mais rápido. A questão da lentidão do sistema também foi constatada na análise das categorias, uma vez que a categoria facilidade de acesso foi avaliada negativamente. Isso também pode ser percebido pela análise do Gráfico 8, onde a facilidade de acesso foi avaliada como ruim por aproximadamente 9% dos respondentes e como regular por aproximadamente 18%.
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    117 Facilidade de acesso 6 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 8: Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) Os entrevistados MA1, MA2 e MA3 consideraram que o sistema não gera todas as informações necessárias à tomada de decisão. Ou seja, para eles as informações disponibilizadas não correspondem às necessidades informacionais dos administradores. Os entrevistados MA2 e MA3 denunciaram a questão do fluxo de caixa, que não é fornecido corretamente pelo sistema. Este aspecto também pôde ser percebido através da análise das categorias, uma vez que a categoria disponibilidade de informações apresentou avaliação negativa. Na análise quantitativa dos dados também foi possível identificar problemas com relação à disponibilidade de informações, conforme mostra o Gráfico 9.
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    118 Disponibilidade de informações 6 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 9: Avaliação do item disponibilidade de informações fornecidas pelo sistema (M. A. Falleiros) A uso da plataforma DOS também foi mencionado, além da não utilização de um banco de dados único, sendo que a transferência de dados é realizada por meio de arquivos de importação/exportação. Reclamou-se que, muitas vezes, o administrador filtra a informação solicitando algo para o sistema, mas este gera um relatório que não condiz com o filtro que pediu. Este é outro motivo pelo qual os administradores utilizam o Excel. O suporte técnico oferecido pela empresa fornecedora do SI (Infomark) foi considerado falho, apontando-se que as melhorias implementadas no SI até agora foram deficitárias. O Gráfico 10 apresenta a análise das categorias, enfatizando tanto as que apresentaram avaliação negativa quanto as que apresentaram avaliação positiva.
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    119 Análise das Categorias - M.A Falleiros 12 10 Avaliação positiva Avaliação negativa 8 6 4 2 0 Necessidade de Concisão Precisão Integração Forma Apropriada Disponibilidade de Ser Completa Facilidade de Conveniência Exatidão Utilidade Interface com o Relevância Flexibilidade Redigitação Acesso Informações Usuário Gráfico 10: Análise das categorias (M. A. Falleiros) 6.2 O CASO NO MA 6.3.1 Aspectos positivos do sistema O sistema SAP apresenta como principais aspectos positivos, primeiro, o fator integração – ou seja, toda a empresa está conectada a um único sistema, que trabalha com um único banco de dados –; e, segundo, o fato de ser possível obter relatórios on-line – ou seja, os relatórios estão disponíveis a qualquer momento, e
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    120 dessa forma atomada de decisão pode ser agilizada. Como salienta o entrevistado NOMA2, com a implantação do sistema SAP foi possível passar a fechar o balancete no quinto dia útil do mês. Isso também pôde ser percebido através da análise das categorias, sendo que integração e conveniência foram duas categorias avaliadas positivamente. Outro aspecto prende-se ao grande volume de dados/informações que fornece, permitindo que o administrador controle toda a empresa a partir da utilização do sistema. O entrevistado NOMA2 cita o fato de o sistema permitir uma confiabilidade on-line, desde que seja realizada uma auditoria periódica (por exemplo, não é mais necessário ir ao pátio para contar quantas carretas estão disponíveis, pois o sistema fornece essa informação). A exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo sistema também teve uma avaliação positiva na análise quantitativa dos dados, conforme mostra o Gráfico 11. Exatidão das informações 8 6 4 2 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 11: Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo sistema (Noma)
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    121 O sistema permitiu,e até exigiu, que certos padrões fossem criados, aspecto considerado positivo pelos entrevistados. O sistema SAP exige que o administrador siga certas etapas, e dessa forma o trabalho fica mais padronizado, reduzindo a margem de erro e favorecendo a agilidade na gestão das informações. Como salienta o entrevistado NOMA3, cada administrador precisa iniciar a sua atividade e terminar, caso contrário o próximo não consegue avançar na realização da atividade. Isso exigiu que os administradores atentassem para os prazos, para que as atividades da empresa não fossem interrompidas e a empresa, como um todo, ficasse lenta ou parada. Outro aspecto refere-se ao fato de o SAP ter permitido uma redução no volume de impressões, o que possibilitou uma economia expressiva de papel. Com a utilização do SAP, tornou-se possível visualizar a maioria dos relatórios na tela e, a partir dessa visualização, tomar decisões sem a necessidade de imprimir o relatório. Outro aspecto considerado positivo refere-se à relevância/importância das informações fornecidas pelo sistema para que os usuários desenvolvam o seu trabalho. Isso foi constatado na análise das categorias e na análise quantitativa dos dados, conforme apresentado no Gráfico 12.
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    122 Relevância das informações 8 6 4 2 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 12: Avaliação do item relevância/importância das informações fornecidas pelo sistema (Noma) 6.3.2 Aspectos negativos do sistema A necessidade de adaptação do SI (alemão) à cultura e às leis e normas brasileiras foi considerada um aspecto negativo do sistema. Os entrevistados NOMA2 e NOMA3 apontam o fato de o sistema não gerar relatórios de fluxo de caixa para médio e longo prazo, o que dificulta o planejamento. Isso ocorre porque o SI não visualiza a área financeira da maneira como se trabalha no Brasil. O único fluxo de caixa que o sistema gera atualmente é o de curto prazo, ou atual. Outro aspecto: o fato de o sistema ser difícil de mudar, de realizar as customizações necessárias. Além disso, quando se pretende realizar uma mudança o custo é muito alto, o que, muitas vezes, torna a alteração inviável. Esses fatores tornam o sistema um pouco inflexível, acabando por disponibilizar relatórios que não são necessários. De outro lado, deixam de fornecer relatórios considerados essenciais para a empresa. A questão da flexibilidade do sistema foi também constatada na análise das categorias (apresentando avaliação negativa) e na análise quantitativa dos
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    123 dados, conforme mostrao Gráfico 13, onde aproximadamente 30% dos respondentes consideraram a flexibilidade do sistema como regular ou ruim. Flexibilidade 8 6 4 2 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 13: Avaliação do item flexibilidade do sistema (Noma) O SAP é um sistema complexo, que exige alto investimento, tanto em equipamentos quanto no próprio SI, e o retorno sobre o investimento não é imediato. É um sistema lento e pesado. Para fornecer determinado dado, realiza uma varredura abrangente nos dados disponíveis até localizar o que está sendo pedido. Isso também foi constatado na análise das categorias (facilidade de acesso com avaliação negativa) e na análise do Gráfico 14, onde se pode perceber que aproximadamente 37% dos respondentes consideraram o item facilidade de acesso como regular.
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    124 Facilidade de acesso 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 14: Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo sistema (Noma) As informações financeiras disponibilizadas pelo sistema SAP não correspondem, na totalidade, às necessidades informacionais dos administradores. Os relatórios, muitas vezes, apresentam informações desnecessárias e deixam de apresentar informações fundamentais para a tomada de decisão. Com relação aos gráficos, apenas alguns são fornecidos pelo sistema para os usuários da área Financeira, o que prejudica a visualização e o entendimento dos dados/informações. Os administradores na área Financeira utilizam o software Excel como alternativa para gerar relatórios mais específicos e para gerar gráficos. Através da análise das categorias foi possível observar que algumas categorias tais como: forma apropriada, necessidade de redigitação e disponibilidade de informações tiveram avaliação negativa, o que reforça a constatação apresentada anteriormente. Os Gráficos 15 e 16 também enfatizam esse fato.
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    125 Disponibilidade de informações Necessidade de redigitação 5 8 4 6 3 4 2 1 2 0 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 15: Avaliação do item Gráfico 16: Avaliação do item disponibilidade de informações necessidade de redigitação das fornecidas pelo sistema (Noma) informações fornecidas pelo sistema (Noma) O Gráfico 17 apresenta a análise das categorias, enfatizando tanto as que apresentaram avaliação negativa quanto as que apresentaram avaliação positiva.
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    126 Análise das Categorias - Noma 7 6 5 Avaliação positiva 4 Avaliação negativa 3 2 1 0 Interface com o Ser Completa Disponibilidade de Forma Apropriada Utilidade Flexibilidade Integração Exatidão Facilidade de Acesso Precisão Concisão Necessidade de Conveniência Relevância Redigitação Informações Usuário Gráfico 17: Análise das categorias (Noma) 6.4 O CASO INDEL 6.4.1 Aspectos positivos do sistema Um benefício trazido pelo sistema Protheus foi a integração. Toda a empresa está interligada, e a alimentação em um módulo reflete em todos os outros. Isso, de acordo com o entrevistado INDEL1, diminuiu muito o retrabalho que existia antes,
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    127 principalmente na áreaFinanceira, já que hoje todos os demais módulos alimentam as áreas Financeira e Contábil. Na análise das categorias, a integração também apresentou avaliação positiva. Outro aspecto relaciona-se à confiabilidade do sistema. Atualmente, apesar dos problemas iniciais com a alimentação, o sistema é considerado confiável, disponibilizando informações precisas para a tomada de decisão. Semanalmente, realiza-se manutenção no sistema (auditoria) para verificar se há dados/informações inconsistentes. A categoria exatidão das informações também apresentou avaliação positiva na análise das categorias e essa avaliação positiva também foi constatada na análise quantitativa dos dados, conforme mostra o Gráfico 18. Exatidão das informações 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 18: Avaliação do item exatidão/confiabilidade das informações fornecidas pelo sistema (Indel) Os relatórios são considerados fáceis de entender, com informações claras e detalhadas. Além disso, o sistema fornece um número considerável de relatórios padrão, que auxiliam na tomada de decisão. Há, também, a possibilidade de alterar os relatórios existentes ou de criar relatórios variados. Isso explica a avaliação positiva da categoria concisão na análise categorial. Além disso, é possível perceber
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    128 que as informaçõessão consideradas concisas e objetivas pela maioria dos respondentes através da análise do Gráfico 19. Concisão das informações 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 19: Avaliação do item concisão/prolixidade das informações fornecidas pelo sistema (Indel) As informações que o sistema disponibiliza são consideradas objetivas e a maioria das informações que o departamento financeiro utiliza estão no sistema. O volume de dados que processa é alto, e por isso é possível obter um número considerável de informações, bastando saber buscá-las. Outros aspectos positivos do sistema referem-se à utilidade das informações e à relevância destas, conforme pode ser constatado pela análise dos Gráficos 20 e 21, sendo que a maioria dos respondentes considerou estes itens como muito bom ou bom.
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    129 Utilidade das informações Relevância das informações 4 6 5 3 4 2 3 2 1 1 0 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 20: Avaliação do item utilidade Gráfico 21: Avaliação do item das informações fornecidas pelo sistema relevância/importância das (Indel) informações fornecidas pelo sistema (Indel) 6.4.2 Aspectos negativos do sistema Alguns relatórios ainda não são emitidos pelo sistema Protheus. Por exemplo, o fluxo de caixa, que precisa ser gerado em planilhas do software Excel. Como salienta o entrevistado INDEL1, o sistema fornece um relatório de contas a pagar e um relatório de contas a receber, mas é necessário transportar esses relatórios para o Excel para que seja possível gerar o fluxo de caixa e gráficos. No entanto, acredita que isso não afeta a tomada de decisão, mas implica retrabalho, o que dificulta o desenvolvimento do trabalho do administrador. Isso pôde ser constatado também através da análise das categorias, sendo que as categorias disponibilidade de informações e forma apropriada apresentaram avaliação negativa. Às vezes, as informações não estão disponíveis em tempo hábil para a tomada de decisão, o que faz com que o sistema deixe de atender às necessidades informacionais do administrador naquele momento. Esse aspecto também foi avaliado negativamente na análise das categorias (conveniência com avaliação negativa).
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    130 Por ser umsistema “pesado”, às vezes, “trava” ou torna-se lento. Isso não é um aspecto relacionado apenas ao SI, mas também à rede de comunicações da empresa. Quando é necessário gerar relatórios grandes, a rede torna-se lenta, devido ao volume de informações que precisam ser processadas, e o SI então “trava”. Quando isso acontece, muitas vezes, o administrador fica com o trabalho parado, pois o relatório ainda não foi gerado, e ele não pode tomar a decisão necessária. Na análise das categorias, o item facilidade de acesso apresentou avaliação negativa e essa avaliação negativa também foi constatada na análise quantitativa dos dados, conforme mostra o Gráfico 22. Facilidade de acesso 5 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 22: Avaliação do item facilidade de acesso às informações fornecidas pelo sistema (Indel) Para a empresa implantar relatórios que ainda não são disponibilizados pelo sistema Protheus, há um custo muito alto. Por isso, na maioria das vezes, recorre-se ao software Excel como alternativa para amenizar essa deficiência. Além do software Excel, utiliza-se um sistema alternativo, denominado Cristal Reports, que gera relatórios mais específicos diretamente a partir do banco de dados, com o formato desejado. O problema da pouca flexibilidade do sistema também foi constatado
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    131 através da análisedas categorias e da análise quantitativa dos dados, conforme se pode perceber pelo Gráfico 23. Flexibilidade 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Regular Ruim Gráfico 23: Avaliação do item flexibilidade do sistema (Indel) O Gráfico 24 apresenta a análise das categorias, enfatizando tanto as que apresentaram avaliação negativa quanto as que apresentaram avaliação positiva.
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    132 Análise das Categorias - Indel 7 6 5 Avaliação positiva Avaliação negativa 4 3 2 1 0 Necessidade de Disponibilidade de Concisão Integração Precisão Forma Apropriada Facilidade de Conveniência Ser Completa Utilidade Exatidão Relevância Interface com o Flexibilidade Redigitação Informações Acesso Usuário Gráfico 24: Análise das categorias (Indel) 6.5 SÍNTESE E DISCUSSÃO DA ANÁLISE DOS DADOS A análise dos dados qualitativos (entrevistas, observação participante e pesquisa documental) foi realizada a partir da análise de conteúdo, qualitativa e quantitativa, conforme proposto no capítulo 4, seção 4.7, e do uso das técnicas de triangulação e modelagem, conforme proposto no mesmo capítulo e seção.
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    133 O capítulo 5apresentou a caracterização das empresas e dos respectivos SIs, envolvendo, basicamente, a técnica da modelagem, com o objetivo de recriar o contexto no qual os dados foram coletados e de caracterizar a unidade de análise da pesquisa, ou seja, os SIFs estudados. Os aspectos positivos e negativos dos SIs estudados foram obtidos a partir da análise de conteúdo qualitativa, que teve como objetivo analisar as entrevistas e observações, visando preservar os detalhes presentes nos dados coletados. Pôde- se constatar que os principais aspectos positivos dos SIs referem-se à integração proporcionada pela utilização de um único sistema em toda a organização e à confiabilidade que os SIs implantados permitem, já que, na maioria das vezes, fornecem informações exatas e confiáveis para a tomada de decisão. Com relação aos aspectos negativos levantados durante a análise de conteúdo qualitativa, pôde-se perceber que os principais problemas estão relacionados à pouca flexibilidade dos SIs e à não disponibilização de todas as informações e relatórios necessários à tomada de decisão. Isso ocorre porque depois de implantando um SI novas necessidades podem surgir, e para atender a essas necessidades é necessário acrescentar novos relatórios que disponibilizem as informações necessárias. No entanto, realizar tais modificações não é um processo simples, na medida em que envolve, geralmente, custos muito elevados. Neste sentido, os SI são considerados inflexíveis, e a empresa acaba utilizando outro SI alternativo/complementar para suprir suas necessidades de informações, o que implica outro aspecto negativo também apontado: a necessidade de redigitação. Para a análise de conteúdo quantitativa, definiram-se categorias, e estas foram avaliadas de modo positivo ou negativo. As principais categorias avaliadas
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    134 positivamente foram: exatidão,ou seja, consideraram-se as informações exatas e confiáveis; e integração, ou seja, a utilização de um único sistema por toda a empresa, sendo que alimentando-se um departamento, alimentam-se todos os demais. As principais categorias avaliadas negativamente foram: forma apropriada, disponibilidade de informações e facilidade de acesso; a primeira e a segunda, porque os SIs não fornecem todas as informações necessárias e os relatórios com informações suficientes para a tomada de decisão; a terceira, principalmente devido ao fato de os SIs serem considerados lentos e pesados, ficando o acesso prejudicado, especialmente quando se torna necessário buscar um grande volume de dados para obter alguma informação ou relatório. A Tabela 1 apresenta uma síntese da avaliação positiva e negativa das categorias, enfatizando a freqüência com que as categorias foram encontradas nas entrevistas em cada empresa.
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    135 Tabela 1: Freqüênciadas categorias Avaliação positiva Avaliação negativa M. A. Falleiros Noma Indel M. A. Falleiros Noma Indel Conveniência 5 2 5 3 Exatidão 5 4 5 2 3 2 Precisão 1 3 Ser Completa 1 1 1 Concisão 4 3 1 Relevância 1 1 Forma 2 11 7 7 Apropriada Necessidade 1 3 6 2 2 de Redigitação Utilidade Interface com o 1 1 1 Usuário Flexibilidade 1 4 3 1 Facilidade de 1 2 1 Acesso Disponibilidade 1 4 8 6 5 de Informações Integração 2 2 1 Conforme se pôde observar, as análises de conteúdo, qualitativa e quantitativa, apresentaram resultados parecidos no que diz respeito à avaliação do SI. A análise de conteúdo quantitativa baseada em categorias permitiu uma melhor visualização daquelas avaliadas, positiva ou negativamente, pelos usuários. Os dados quantitativos foram coletados através de questionários do tipo fechado e a análise desses dados seguiu os critérios expostos no capítulo 4, seção 4.7. A Tabela 2 apresenta uma síntese dos dados quantitativos coletados. Para a elaboração dessa tabela os dados não foram divididos por empresa. Como se pode perceber pela análise da Tabela 2, os itens que apresentaram melhor avaliação foram: funcionalidade do sistema, utilidade das informações disponibilizadas pelo sistema e relevância das informações fornecidas pelo sistema.
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    136 Isso mostra queos SIs atualmente implantados nas empresas estudadas são funcionais e as informações que estes SIs fornecem aos seus usuários são úteis e de fundamental importância para a realização de suas atividades diárias. Os itens que apresentaram pior avaliação foram: facilidade de acesso às informações fornecidas pelo sistema, flexibilidade e necessidade de redigitação das informações fornecidas pelo sistema. Os usuários têm dificuldade de acesso aos sistemas implantados principalmente devido ao fato de os sistemas serem lentos e travarem com freqüência. Na realidade esta não é uma deficiência apenas dos sistemas, mas sim de toda a rede das empresas. Com relação à flexibilidade e à necessidade de redigitação, estas estão interligadas, pois como os SIs não são suficientemente flexíveis para atenderem às necessidades de informações dos usuários, estes precisam transferir os dados/informações para softwares alternativos/complementares (como o Excel) para realizar as alterações necessárias e obter os relatórios desejados e esse processo, geralmente, implica em redigitação dos dados.
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    137 Tabela 2: Síntesedos dados quantitativos Muito Bom% Bom% Regular% Ruim% Funcionalidade 6,67 76,67 16,67 0,00 Interface com o 3,33 63,33 30,00 0,00 usuário Disponibilidade de 13,33 53,33 30,00 3,33 informações Facilidade de 16,67 43,33 36,67 3,33 acesso Flexibilidade 3,33 43,33 40,00 13,33 Todo o sistema 6,67 56,67 36,67 0,00 utilizado, em geral Apresentação dos 3,33 70,00 20,00 6,67 relatórios Completude das 6,67 63,33 26,67 3,33 informações Necessidade de 6,67 50,00 40,00 3,33 redigitação Exatidão das 13,33 63,33 16,67 6,67 informações Utilidade das 23,33 63,33 13,33 0,00 informações Concisão das 10,00 66,67 23,33 0,00 informações Relevância das 30,00 66,67 3,33 0,00 informações Compreensibilidade 3,33 60,00 36,67 0,00 das informações Consistência das 6,67 63,33 20,00 10,00 informações Conteúdo das 10,00 63,33 26,67 0,00 informações
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    138 6.6 SUGESTÕES ERECOMENDAÇÕES Durante a condução dos estudos de caso, algumas deficiências relacionadas aos SIFs foram evidenciadas. O Quadro 12 apresenta os problemas relacionados a cada empresa estudada, evidenciando aqueles relacionados a mais de uma empresa. Quadro 12: Problemas/deficiências encontradas PROBLEMAS/DEFICIÊNCIAS M. A. FALLEIROS NOMA INDEL Relatórios/informações X X X insuficientes Necessidade de redigitação X X X Uso de planilha Excel X X X Pouca flexibilidade X X X Plataforma DOS X Lentidão do sistema X X X Adaptação do sofware às X normas e leis brasileiras Alto investimento em sofware X e equipamentos Conveniência das informações X Como se pôde perceber alguns problemas/deficiências estão relacionadas a mais de uma empresa tais como: relatórios/informações insuficientes; necessidade de redigitação; uso de planilha Excel; pouca flexibilidade; e lentidão do sistema. O primeiro problema/deficiência decorre do fato de que os SIs, apesar de terem sido parametrizados para atenderem às necessidades de informações dos usuários, não disponibilizam relatórios com informações suficientes para os administradores tomarem decisões, além de não disponibilizarem gráficos que permitam uma melhor
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    139 visualização dos dados/informações.Para tentar minimizar esse problema deve-se solicitar às empresas fornecedores dos SIs que implemente os relatórios necessários para atender às necessidades de informações dos usuários. A necessidade de redigitação e o uso de planilha Excel são problemas/deficiências relacionadas, pois a necessidade de redigitação (ou retrabalho) ocorre principalmente devido ao fato de ser necessário transportar os dados/informações para uma planilha Excel para fazer as alterações necessárias e obter os relatórios desejados, já que, como apontado anteriormente, os SIs não fornecem relatórios/informações suficientes. Dessa forma, para minimizar ou extinguir esse problema é necessário que os relatórios/informações (incluindo gráficos) sejam totalmente disponibilizados pelos SIs utilizados, o que pode ser feito através de um contato entre usuários e empresas fornecedoras de software para que estas implementem relatórios que estejam de acordo com as necessidades de informações dos usuários. Com relação à pouca flexibilidade dos SIs, esta é decorrente do fato de que os SIs depois de implantados e parametrizados não permitem que alterações sejam realizadas com facilidade. Para realizar tais alterações é necessário solicitar às empresas fornecedoras dos softwares e isso geralmente envolve um custo muito alto. Dessa forma, as empresas que utilizam SIs não conseguem atender às novas necessidades de informações que surgem a medida que a empresa se desenvolve e as empresas fornecedoras de SIs devem estar atentas a este fato para que seja possível desenvolver SIs mais flexíveis para atender essas novas necessidades informacionais.
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    140 A lentidão dosistema está relacionada à rede das empresas e aos equipamentos utilizados para dar suporte aos SIs. Como são SIs que processam uma grande quantidade de dados para fornecer informações aos usuários, é necessário que a rede da empresa e os equipamentos utilizados sejam condizentes com o volume de dados/informações processadas para que o sistema não pare e dificulte o trabalho dos usuários. Na empresa M. A. Falleiros outro problema/deficiência encontrada foi o fato de o sistema trabalhar em plataforma DOS. Apesar de alguns entrevistados considerarem a plataforma DOS como mais fácil de trabalhar do que a plataforma Windows, esta é uma plataforma antiga, dificultando a interface com o usuário e limitando o uso de recursos como gráficos. Seria interessante substituir o SI por outro que utilize uma plataforma Windows. Na empresa Noma também verificou-se outros problemas/deficiências tais como: adaptação do sofware às normas e leis brasileiras e alto investimento em software e equipamentos. Com relação ao primeiro problema, este decorre do fato de que o SAP é um SI desenvolvido por uma empresa alemã e sua adaptação às leis brasileiras ainda não é total. Para que tal problema não ocorresse a empresa deveria ter optado por um SI desenvolvido no Brasil o que evitaria custos e dispêndio de tempo decorrentes da adaptação do SI às normas e leis brasileiras. Com relação ao alto investimento em software e em equipamentos, isto é decorrente do fato de que o SAP é um sistema caro e que requer um alto investimento em equipamentos para suportá-lo. A empresa poderia ter investido em um sofware com custo mais baixo para evitar gastos desnecessários com SI e equipamentos.
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    141 Na empresa Indeloutro problema/deficiência encontrado foi a conveniência das informações. Esta está ligada ao fato de que o SI nem sempre fornece as informações necessárias em tempo hábil para a tomada de decisão, o que implica atrasos e informações desatualizadas. Isso pode estar relacionado à alimentação do SI que pode não estar sendo realizada de maneira a disponibilizar as informações necessárias no momento certo. Treinar os funcionários para que alimentem o SI corretamente seria uma maneira de minimizar tal problema. 6.7 CONCLUSÃO Este capítulo apresentou a avaliação dos SIFs das empresas estudadas (M. A. Falleiros, Noma e Indel), enfatizando a análise dos dados qualitativos e a análise dos dados quantitativos coletados. Finalizando analisaram-se os problemas evidenciados com os estudos de casos e buscou-se propor algumas ações que minimizassem ou eliminassem os problemas. Com esta estrutura, o capítulo contribuiu para que os objetivos específicos fossem atingidos e para que a pergunta de pesquisa fosse respondida.
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    142 7 CONCLUSÃO 7.1 INTRODUÇÃO Estecapítulo apresenta as conclusões quanto à metodologia utilizada, à revisão da literatura, aos estudos de casos e aos objetivos propostos; aponta algumas contribuições da pesquisa e algumas perspectivas para pesquisas futuras; e traça algumas considerações finais. 7.2 QUANTO À METODOLOGIA O método de estudo de casos múltiplos permitiu que três empresas fossem pesquisadas e que os SIFs que utilizam fossem avaliados. A condução de mais de um estudo de caso permitiu que os dados coletados fossem contrastados, evidenciando similaridades e divergências. Foram utilizadas diversas técnicas de coleta de dados − entrevistas, questionários, observação, pesquisa documental −, o que permitiu que uma técnica complementasse a outra, favorecendo a obtenção de melhores resultados. Além disso, as técnicas utilizadas permitiram coletar dados tanto qualitativos quanto quantitativos, o que aumentou o poder de análise. A análise dos dados também foi realizada por meio de diversas técnicas − análise de conteúdo, triangulação e modelagem, além da análise quantitativa −, o que possibilitou uma adequada interpretação dos dados.
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    143 Conclui-se, portanto, quea metodologia utilizada para o desenvolvimento desta pesquisa foi adequada, por permitir que os objetivos fossem alcançados e que o problema de pesquisa fosse respondido. 7.3 QUANTO À REVISÃO DA LITERATURA A revisão da literatura, apresentada nos capítulos 2 e 3, enfatizou aspectos relacionados ao tema da pesquisa, contemplando os SIFs e a avaliação de SI. O desenvolvimento de tal revisão foi de fundamental importância para a condução da pesquisa, uma vez que permitiu compreender como os SIs funcionam e qual a sua importância, em especial dos SIFs, e também possibilitou compreender a importância da avaliação de SI e alguns modelos que podem ser utilizados para realizar tal avaliação. O capítulo 2 enfocou os SIFs. Para entender melhor esses sistemas, realizou-se, primeiramente, uma caracterização dos SIs, enfatizando alguns dos seus conceitos e suas possíveis classificações. Os itens 2.2 e 2.3 trataram dos sistemas de maneira geral, mostrando suas características e seu funcionamento. Isso foi de fundamental importância para entender que os SIs são decorrentes deste enfoque sistêmico. O item 2.4 contemplou os aspectos relacionados a dados, informações e conhecimento, fundamentais para compreender como os sistemas são alimentados e como os dados se transformam em informações. Os itens 2.5 e 2.6 trataram dos SIs, enfatizando alguns conceitos e possíveis classificações. Foram essenciais por permitirem entender que um SI não é composto apenas de tecnologia, envolvendo também pessoas e a organização, e que pode
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    144 apresentar diversas classificações,dependendo do autor. O item 2.7 contemplou os SIFs, enfatizando o modo como auxiliam os administradores a tomar decisões referentes aos recursos da empresa. O item 2.8 apresentou algumas informações financeiras fundamentais para a tomada de decisão. O capítulo 3 contemplou a avaliação de SI, enfatizando a definição de avaliação (item 3.2) e os modelos de avaliação (item 3.3). Para elaborar o item 3.3, foram consultados, entre outros, diversos artigos estrangeiros (principalmente retirados do portal da capes – www.periodicos.capes.gov.br), o que permitiu verificar como os SIs são avaliados não apenas no Brasil, mas também no exterior. Pôde-se perceber que os modelos de avaliação presentes nos artigos estrangeiros são a base para muitas avaliações realizadas no Brasil e permitem, entre outros aspectos, que os sistemas sejam avaliados em termos não apenas de retorno financeiro, mas também de benefícios intangíveis e de qualidade das informações disponibilizadas. 7.4 QUANTO AOS ESTUDOS DE CASOS O capítulo 5 apresentou os estudos de casos, enfatizando características das empresas e os SIs utilizados. Os resultados referentes aos estudos de casos foram apresentados e discutidos no capítulo 6, em que se avaliaram os SIs das empresas estudadas, concluindo-se que os SIs são deficientes no atendimento às necessidades de informações financeiras dos usuários. Com a avaliação dos SIs apresentada no capítulo 6, foi possível responder ao problema de pesquisa, que consistia em verificar se os SIFs fornecem informações financeiras adequadas e suficientes para os administradores tomarem decisões.
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    145 Concluiu-se que osSIFs das empresas estudadas não fornecem informações financeiras adequadas e suficientes para os administradores tomarem decisões. 7.5 QUANTO AOS OBJETIVOS PROPOSTOS Em relação ao objetivo geral desta pesquisa − Avaliar se as informações financeiras geradas pelos SIFs atendem às necessidades de informações dos administradores −, concluiu-se que as informações financeiras geradas pelos SIFs não atendem satisfatoriamente às necessidades de informações dos administradores. Os questionários aplicados durante a condução dos estudos de casos, apesar de não terem sido aplicados especificamente a usuários da área financeira, permitiram visualizar melhor as deficiências do sistema. As entrevistas conduzidas com pessoas não ligadas à área financeira também contribuíram neste sentido. A seguir, apresentam-se as conclusões referentes a cada objetivo específico. 7.5.1 Objetivo 1: Descrever os processos de gestão com relação aos fluxos de informações financeiras. A análise das questões 1 a 8 da entrevista semi-estruturada contribuiu para que o primeiro objetivo específico da pesquisa fosse atingido. Os usuários dos SIs estudados, basicamente, buscam as informações financeiras internamente, ou seja, no SI. Algumas consultas externas relatadas pelos entrevistados referem-se a consultas a bancos e a sistemas de proteção ao crédito. As consultas a bancos têm
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    146 como objetivo, entreoutros, contrastar os dados constantes no SI com a realidade presente nos bancos. Os entrevistados conhecem as origens das informações que chegam até eles. As informações que alimentam o SIF vêm dos outros departamentos da empresa (como Compras, Comercial e Produção) e o Financeiro gera informações para a Contabilidade. Como os SIs são integrados, qualquer dado inserido no sistema por uma determinada área da empresa reflete nas demais áreas, inclusive na área financeira. As informações que os entrevistados utilizam para a tomada de decisão são, basicamente, de natureza financeira. Alguns entrevistados citaram que utilizam também informações dos departamentos de Produção (estoque), Comercial e Compras. Na realidade, essas informações são a base para que as informações financeiras sejam geradas. 7.5.2 Objetivo 2: Identificar as informações financeiras necessárias para os administradores. A análise das questões 1 a 8 da entrevista semi-estruturada permitiu alcançar o segundo objetivo específico da pesquisa, ou seja, que as informações financeiras necessárias aos administradores fossem identificadas. As informações financeiras utilizadas pelos entrevistados provêm de diversas áreas da empresa, como Produção, Compras, Comercial e Recursos Humanos. No dia-a-dia, as informações utilizadas podem ser resumidas em: duplicatas a pagar e a receber, faturamento da empresa, fluxo de caixa, saldos de contas bancárias, situação do cliente quanto a
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    147 pagamento de duplicatase algumas informações contábeis necessárias ao gerenciamento da empresa. 7.5.3 Objetivo 3: Identificar as informações financeiras atualmente disponibilizadas pelos SIFs. A análise das questões 9 a 13 da entrevista semi-estruturada contribuiu para que o terceiro objetivo específico da pesquisa fosse alcançado. Outro método de coleta de dados que contribuiu para que este objetivo fosse atingido foi a observação não- participante. Algumas telas dos SIs pesquisados, apresentadas no capítulo 5, seções 5.2.2, 5.3.2 e 5.4.2, também contribuíram para que as informações financeiras atualmente disponibilizadas pelos SIFs estudados fossem identificadas. O SI utilizado pela M. A. Falleiros (Infomark) disponibiliza, no módulo financeiro, as seguintes informações: contas a pagar, contas a receber, contas correntes e livros financeiros. Cada um destes itens apresenta relatórios específicos, como relatório de cobrança e vencimento de faturas. Um dos problemas apontados quanto às informações fornecidas pelo SI refere-se ao fluxo de caixa, que é fornecido pelo SI, mas não está disponibilizado na forma adequada, segundo os entrevistados. O SAP, sistema utilizado pela Noma, tem a parte financeira dividida em dois módulos – contabilidade e controladoria. O módulo contabilidade envolve a Contabilidade Financeira e a Tesouraria. Na Tesouraria, é possível administrar o caixa e os empréstimos, entre outros aspectos. Na Controladoria, é possível visualizar a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) e os custos, entre
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    148 outros aspectos. Umafalha do SAP, segundo os entrevistados, é que ele não fornece o fluxo de caixa de médio e longo prazo. No sistema Protheus, utilizado pela Indel, o módulo financeiro divide-se em contas a receber, contas a pagar e movimento bancário. Entre os relatórios emitidos estão a posição do cliente e a posição do fornecedor, entre outros. Um aspecto que deixa a desejar no sistema Protheus é também o fluxo de caixa, que não é disponibilizado corretamente. 7.5.4 Objetivo 4: Analisar se as informações financeiras disponibilizadas pelos SIFs correspondem às informações financeiras necessárias para os administradores. A análise das questões 9 a 13 da entrevista semi-estruturada contribuiu para que o quarto objetivo específico da pesquisa fosse atingido. O questionário aplicado também contribuiu neste sentido. O capítulo 6 apresentou a avaliação dos SIFs estudados, sendo que esta avaliação foi fundamental para que este objetivo fosse alcançado. A maioria dos entrevistados considerou que as informações disponibilizadas pelo sistema não correspondem às suas necessidades de informações financeiras. Alguns buscam informações fora do sistema, sendo que a maioria desenvolve relatórios específicos utilizando a planilha Excel. Na realidade, pôde-se perceber que as informações, até certo ponto, estão disponíveis no sistema. O que ocorre é que a maneira como tais informações são apresentadas não é clara ou não corresponde à necessidade do usuário. Neste
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    149 sentido, faz-se necessárioo uso do Excel para que estas informações possam ser trabalhadas e utilizadas para a tomada de decisão. Um exemplo disso é o fluxo de caixa. Os SIs analisados disponibilizam o contas a pagar e o contas a receber. A questão é que essas informações não são apresentadas juntas, de maneira a disponibilizar um fluxo de caixa. No caso do SAP, isso até acontece, mas apenas no curto prazo. 7.5.5 Objetivo 5: Identificar possíveis deficiências e limitações quanto à operação, utilização e avaliação dos SIFs. A análise das questões 14 a 22 da entrevista semi-estruturada e o questionário aplicado contribuíram para que o quinto objetivo específico desta pesquisa fosse alcançado. A avaliação dos SIFs apresentada no capítulo 6 também contribuiu para que este objetivo fosse atingido. Os principais problemas/deficiências levantados durante a realização dos estudos de casos estão resumidos na seção 6.4, Quadro 11, que apresenta tanto os problemas/deficiências constatados durante as entrevistas quanto os constatados com a aplicação do questionário. As principais deficiências e limitações evidenciadas durante a realização dos estudos de casos foram: uso de planilha Excel para gerar relatórios complementares e mais específicos e gráficos não disponibilizados pelo sistema; necessidade de redigitação decorrente do uso de sistemas alternativos/complementares (como o Excel); pouca flexibilidade, ou seja, uma vez implantado e customizado o software há muita dificuldade para alterar os relatórios e a forma de apresentação das informações. Essa falta de flexibilidade dos SIs implantados não permite que estes sistemas atendam a demanda crescente por informações que existe hoje nas
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    150 empresas. Outra deficiênciarefere-se à lentidão dos SIs, geralmente associada à falta de equipamentos apropriados para suportar SIs com o porte dos sistemas estudados. 7.5.6 Objetivo 6: Propor estratégias para que os administradores possam ter a sua disposição as informações necessárias. A análise das questões 14 a 22 da entrevista semi-estruturada e a avaliação dos SIFs estudados, apresentada no capítulo 6, foram fundamentais para que o sexto e último objetivo específico desta pesquisa fosse alcançado. As sugestões/recomendações foram elaboradas tomando por base os problemas/deficiências encontrados durante a realização dos estudos de casos. Estas sugestões/recomendações estão resumidas na seção 6.4, Quadro 11. Entre outras, as sugestões/recomendações envolvem: implementar relatórios que forneçam as informações necessárias aos administradores, o que diminuiria ou, até, extinguiria o uso do Excel e a necessidade de redigitação; exigir que as empresas fornecedoras do software sejam mais flexíveis no que compete à customização do sistema, para que a flexibilidade de sistema seja aumentada; e investir em equipamentos para que a lentidão do sistema seja minimizada. 7.6 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA O desenvolvimento desta pesquisa permitiu algumas contribuições teóricas e práticas para a área de SIs. Uma das contribuições teóricas desta pesquisa está no
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    151 fato de queesta contribuiu para complementar pesquisas realizadas anteriormente como as desenvolvidas por Cardoso (2001) e Zanoteli (2001). Os resultados alcançados com esta pesquisa corroboram resultados alcançados nestas pesquisas anteriores, principalmente no que se refere à pouca flexibilidade dos SIs e ao fato de que os SIs não fornecem informações e relatórios suficientes para atender às necessidades de informação dos administradores. Isto contribuiu para a generalização analítica enfatizada por Yin (2001). Outra contribuição teórica da pesquisa refere-se ao fato de que o modelo adotado para a avaliação dos SIs (enfatizando a avaliação da satisfação dos usuários do SI tanto em relação ao sistema em si quanto em relação às informações por ele disponibilizadas) permitiu uma avaliação de qualidade destes sistemas e mostrou-se útil para avaliar sistemas não apenas na área financeira, mas também nas demais áreas da empresa. As contribuições práticas da pesquisa referem-se aos benefícios e contribuições da pesquisa para as empresas, ou seja, como as empresas podem aplicar os resultados da pesquisa no dia-a-dia. Primeiramente, as empresas precisam estar atentas quanto a escolha e implementação dos SIs. É fundamental que as empresas definam corretamente suas necessidades de informação e seus processos de trabalho antes de selecionar os SIs, para que possam escolher SIs que permitam que tais necessidades sejam atendidas e que estejam de acordo com suas atividades. Antes da implementação do sistema, as empresas devem possuir todas as suas necessidades de informações mapeadas, além de suas atividades claramente definidas, evitando dessa forma retrabalhos e parametrizações equivocadas e excessivas.
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    152 Estando atentas emrelação a escolha e implementação dos SIs, as empresas podem selecionar melhor seus investimento e evitar gastos excessivos com SIs que não contribuirão para o desenvolvimento das suas atividades e que não atenderão as necessidades de informação dos seus usuários. Outro fator que deve ser levado em consideração pelas empresas no momento de adquirir determinado SI refere-se às diferenças existentes entre o SI e a empresa. Caso o sistema seja desenvolvido para operar em um determinado país que possua leis e normas diferentes das brasileiras, é necessário que o sistema seja adaptado às leis e normas brasileiras e isso pode gerar trabalho e gasto de tempo desnecessários. Um dos principais problemas em relação aos “pacotes” de SIs é que estes “pacotes” são desenvolvidos para que as empresas se ajustem a eles, quando deveria acontecer exatamente o oposto: a empresa, através de conversas com seus funcionários, deveria apresentar seus problemas e necessidades de informação e os sistemas deveriam ser desenvolvidos para que tais questões fossem solucionadas. Uma outra contribuição desta pesquisa para as empresas é que estas precisam e devem treinar seus funcionários de modo a solucionar qualquer dúvida em relação a implementação e utilização do SI. Estes devem ser consultados quanto à escolha do SI para que possa ser selecionado o sistema que esteja mais próximo de suas necessidades de informações e que contribua adequadamente para o desenvolvimento de suas atividades.
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    153 7.7 PERSPECTIVAS PARAPESQUISAS FUTURAS Os três estudos de casos realizados apresentaram resultados que corroboram os resultados de pesquisas realizadas anteriormente, como os encontrados em Cardoso (2001) e Zanoteli (2001). Apesar deste fato, faz-se necessário promover o desenvolvimento de novos estudos de caso que permitam complementar os estudos já realizados e que ajudem a buscar soluções para problemas que ainda não foram resolvidos na área de SI. Um desses problemas refere-se à falta de flexibilidade dos SIs, os quais precisam estar aptos a atender à crescente necessidade de informações das empresas. Somente com SI mais flexíveis será possível disponibilizar de maneira apropriada as informações para a tomada de decisão. Neste sentido, apresentam-se, a seguir, algumas perspectivas para pesquisas futuras, evidenciadas a partir dos estudos de caso realizados: Estudar empresas que utilizem tipos de SI que não os já estudados, para verificar se eles apresentam problemas em relação à flexibilidade e à disponibilidade de informações. Desenvolver um SI que possua a capacidade de integração dos modelos estudados, mas que seja suficientemente flexível para atender às necessidades de informações das empresas e dos usuários. Estudar várias empresas para determinar quais são os fatores críticos de sucesso na implementação de SI e verificar se tais fatores estão relacionados à cultura organizacional, ao tempo necessário para a implementação e pleno funcionamento do SI, assim como ao treinamento realizado antes e durante a implementação do SI.
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    154 Desenvolver, a partir dos modelos de avaliação de SI já existentes, um modelo que leve em consideração as características das empresas e dos SIs brasileiros. Desenvolver estudos de casos visando avaliar os SIs, levando em consideração o retorno financeiro, não-financeiro e intangível da implementação do sistema. Aplicar um dos métodos de avaliação de SI propostos no capítulo 3 em várias empresas, para que seja possível obter uma melhor generalização dos resultados. 7.8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo permitiu avaliar os SIs de três empresas que implementaram modelos diferentes, o que possibilitou verificar se as deficiências encontradas estavam relacionadas apenas ao SIF de uma determinada empresa implementadora (como a SAP, a Microsiga) ou ao SI analisado. Entre as deficiências/limitações dos SIFs estudados, verificou-se que a flexibilidade é um fator crítico nos três SIs analisados, o que dificulta o atendimento das necessidades informacionais dos administradores. A pouca flexibilidade dos SIs impede que mudanças sejam realizadas de acordo com as necessidades de informação da empresa e dos administradores. Isto está relacionado ao fato de ser difícil modificar um SI depois de implantado e parametrizado, principalmente devido ao custo das alterações. Outras pesquisas realizadas sobre avaliação de SIF apresentaram resultados semelhantes no que se refere à flexibilidade. Cardoso (2001) salienta que a questão
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    155 da falta deflexibilidade pode ser considerada como um problema sério do ponto de vista estratégico, uma vez que não permite atender às novas necessidades informacionais que surgem à medida que a empresa cresce. Zanoteli (2001) constatou que uma das limitações dos SIs adquiridos refere-se à pouca flexibilidade destes sistemas em adequarem-se ao contexto e à realidade das empresas, muitas vezes, impondo o seu próprio modelo de informações. Outra deficiência/limitação dos SIFs estudados é que estes não fornecem todos os relatórios necessários à tomada de decisão, sendo freqüente o uso de planilhas do software Excel como alternativa para gerar os relatórios necessários e também para gerar gráficos (que são raros nos SIFs estudados). Essa necessidade de transferência de dados/informações de um sistema para outro implica, muitas vezes, redigitação desses dados, o que dificulta o trabalho dos administradores. Este resultado corrobora um dos resultados apresentados por Cardoso (2001), que enfatiza que o SI analisado não disponibiliza as informações da maneira que os administradores necessitam, sendo que este não apresenta relatórios prontos suficientes para atender às necessidades de informação dos administradores. Para Cardoso (2001, p. 202), “este é um problema decorrente de uma implantação standard do sistema, sem preocupações com a customização do mesmo de modo a atender as necessidades específicas dos usuários”. Outro fato importante a considerar é que as empresas desenvolvedoras e comercializadoras de SI (como a SAP, a Microsiga e a Infomark) tendem a prometer muito mais do que a implementação do SI é capaz de permitir na prática, no dia-a- dia da empresa. Como salienta Cardoso (2001, p. 206), “a existência de um sistema
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    156 único, completamente integrado,e que atenda a todas as necessidades informacionais da empresa continua sendo uma utopia”. No entanto, os SIFs analisados também trouxeram vantagens para as empresas e para os administradores. A principal foi a integração, que permitiu que todas as áreas da empresa fossem interligadas e que a alimentação do SI fosse feita de maneira a refletir em toda a empresa. Além disso, pôde-se perceber um aumento no volume de dados/informações disponíveis e na confiabilidade dessas informações, o que contribuiu para o processo de tomada de decisão. Outro aspecto positivo em relação aos SIFs analisados refere-se ao fato de os administradores considerarem as informações disponibilizadas pelos SIs úteis e relevantes. Assim, apesar de os SIFs apresentarem deficiências e limitações, as informações disponibilizadas por eles são importantes e úteis para que os administradores desenvolvam seu trabalho e tomem as decisões necessárias. Configurando-se como uma replicação de pesquisas anteriores, este estudo contribuiu para a generalização analítica (Yin, 2001) no que se refere à avaliação de SI. Concluiu-se, a partir das evidências apuradas, que os SIFs não atendem totalmente às necessidades informacionais dos administradores para a tomada de decisão.
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    161 ANEXO A – Modelo de entrevista Identificação do entrevistado: Nome: _________________________________________________________ Cargo: _________________________________________________________ Tempo de empresa: __________________________ Tempo no cargo atual: ________________________ Área / Departamento: ______________________________________________ Telefone para contato: (____) xx ______-________ / Ramal ________ Data da entrevista: ____ de ____________________ de ________ Horário de início e término da entrevista: de ____:____ às ____:____ Questões 1. No desempenho da sua função, quais são as principais atribuições? Dentre elas, quais envolvem decisões? 2. Neste processo, quais as decisões mais importantes? Por que? 3. Seria possível fazer um relacionamento entre as atribuições e as decisões? 4. Existe alguma seqüência, etapas ou passos a serem seguidos no processo de tomada de decisão? Você alteraria alguma coisa? 5. Para a tomada de decisão, quais são as informações necessárias? 6. Seria possível fazer uma correlação entre as decisões e estas informações? 7. Entre as informações usadas nas decisões, quais são de natureza financeira? 8. Você conhece a origem dessas informações? Onde são geradas e por quem? 9. Como é composto o Sistema de Informações Gerenciais? 10. É possível identificar as informações financeiras disponibilizadas pelo sistema? 11. As informações financeiras disponibilizadas pelo sistema correspondem às necessidades de informações dos administradores? Por que? 12. Como são elaborados ou projetados os relatórios? Existe alguma preocupação com a forma de apresentação? 13. Qual o nível de conhecimento financeiro é necessário para sua compreensão? Os usuários têm esse conhecimento? São treinados? Esse treinamento é realizado de forma continuada? 14. As informações são apresentadas de maneira clara e objetiva? São de fácil entendimento? 15. As informações são relevantes e confiáveis?
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    162 16. Os relatóriossão disponibilizados em tempo hábil para a tomada de decisão? 17. Com base no seu trabalho e na sua experiência, quais são as informações que o sistema deveria fornecer e que não está fornecendo? 18. Se você pudesse mudar os relatórios, o que faria? 19. Quais são as dificuldades encontradas pelo usuário quando utiliza o sistema? Por que? 20. Quais são os aspectos positivos do sistema? Por que? 21. Quais são os aspectos negativos do sistema? Por que? 22. Com base no seu trabalho e na sua experiência como podem ser otimizados os fluxos de informações financeiras e como podem ser melhor atendidas as necessidades informacionais?
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    163 ANEXO B – Modelo de questionário 1. Qual módulo do Sistema de Informações você mais utiliza? 2. Como você classifica o Sistema de Informações utilizado em relação aos seguintes aspectos: Muito Bom Regular Ruim Bom 2.1 Funcionalidade 2.2 Interface com o usuário 2.3 Disponibilidade de informações 2.4 Facilidade de acesso 2.5 Flexibilidade 2.6 Todo o sistema utilizado, em geral 3. Especificamente quanto às informações disponíveis no sistema, como você as classifica em relação a: Muito Bom Regular Ruim Bom 3.1 Apresentação (Relatórios) 3.2 Completude (ser/estar completa, quantidade) 3.3 Necessidade de (Re)Digitação 3.4 Exatidão/Confiabilidade 3.5 Utilidade 3.6 Concisão/Prolixidade (ser objetiva) 3.7 Relevância/Importância 3.8.Compreensibilidade (Compreensiva) 3.9 Consistência 3.10 Conteúdo (Qualidade) 5. Caso queira fazer algum comentário adicional sobre a adequabilidade do Sistema de Informações utilizado, escreva a seguir. Breve explicação sobre os termos da questão 3 Apresentação (Relatórios): como você avalia a apresentação das informações, que podem ser visualizadas na tela ou na forma de relatórios impressos?
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    164 Completude (ser/estar completa,quantidade): se a informação não é insuficiente nem está em excesso, se a mesma está completa, sem necessidade de recorrer a outra fonte. Necessidade de (Re)Digitação: caso precise transportar dados para outro sistema, pode-se exportá-los, ou existe necessidade de redigitação? Exatidão / Confiabilidade: se as informações estão corretas, se não estão desatualizadas, se pode-se confiar nos números fornecidos. Utilidade: se você tem necessidade da informação, se ela realmente é útil para você. Concisão / Prolixidade (ser objetiva): a informação é objetiva, está numa forma prolixa? Relevância / Importância: a informação realmente é relevante / importante para você, seu departamento ou para a empresa? Compreensibilidade (Compreensível): a informação é inteligível, está num formato compreensível? Consistência: a informação fornecida é consistente com outras fonte de dados, ou existe mais de um número (valor) para a mesma informação, provavelmente vinda de fontes diferentes? Conteúdo (Qualidade): Numa avaliação geral, como você classifica a qualidade intrínseca das informações fornecidas?