O CRAS QUE TEMOS
O CRAS QUE QUEREMOS
Volume 1
Orientações Técnicas | Metas de Desenvolvimento dos CRAS | Período 2010/2011
expedIente
Presidenta	da	República	Federativa	do	Brasil	|	Dilma	Rousseff
Vice-Presidente	da	República	Federativa	do	Brasil	|	michel	Temer
ministra	do	Desenvolvimento	Social	e	Combate	à	Fome	|	Tereza	Campello
Secretário	Executivo	|	Rômulo	Paes	de	Sousa
Secretário	Executivo	Adjunto	|	marcelo	Cardona
Secretária	nacional	de	Assistência	Social	|	Denise	Colin
Secretária	nacional	de	Segurança	Alimentar	e	nutricional	|	maYa	Takagi
Secretário	nacional	de	Renda	de	Cidadania	|	Tiago	Falcão
Secretário	de	Avaliação	e	Gestão	da	informação	|	Paulo	Jannuzzi
Secretária	Extraordinária	de	Superação	da	Extrema	Pobreza	|	Ana	Fonseca
secretArIA nAcIonAl de AssIstêncIA socIAl
Secretária	Adjunta	|	Valéria	Gonelli
Diretora	de	Proteção	Social	Básica	|	Aidê	Cançado	Almeida
Diretora	de	Proteção	Social	Especial	|	Telma	maranho	Gomes
Diretora	de	Gestão	do	Sistema	Único	de	Assistência	Social	|	Simone	Albuquerque
Diretora	de	Benefícios	Assistenciais	|	maria	José	de	Freitas
Diretora	da	Rede	Socioassistencial	Privada	do	SuAS	|	Carolina	Gabas		Stuchi
Diretor	Executivo	do	Fundo	nacional	de	Assistência	Social	|	Antonio	José	Gonçalves	Henriques
	
orgAnIzAção
Aide	Cançado	Almeida
maria	do	Socorro	Fernandes	Tabosa	mota
Keli	Rodrigues	de	Andrade
Priscilla	maia	de	Andrade
Cristiana	Gonçalves	de	Oliveira
Simone	Albuquerque
elABorAção
Bruna	DʼAvila	de	Andrade
Clara	Carolina	de	Sa
Cristiana	Gonçalves	de	Oliveira
Dulcelena	Alves	Vaz	martins	
ElYria	Bonetti	Yoshida	Credidio	
José	Ferreira	da	Crus
Karoline	Aires	Ferreira
Keli	Rodrigues	de	Andrade
maria	do	Socorro	Fernandes	Tabosa	mota
Priscilla	maia	de	Andrade
Rosario	de	maria	Costa	Ferreira
Selaide	Rowe	Camargo	
Coordenação	Editorial	|	monica	Rodrigues	e	marcelo	Rocha
Bibliotecária	|	Tatiane	de	Oliveira	Dias
Equipe	|	Thaise	Leandro,	Romário	Roma	Silva	e	Tomás	nascimento
Projeto	Gráfico	e	Diagramação	|	Kátia	Rovana	Ozório
revIsão
Aidê	Cançado	Almeida
Denise	Colin
maria	José	de	Freitas
Simone	Albuquerque
colABorAção
JoYce	Camargo	Rodrigues
Lidia	Cristina	Silva	Barbosa
Luis	Otavio	Pires	Farias	
monica	Aparecida	Rodrigues
Thaísa	Alves	Rodrigues
Thiago	Silvino	Rocha	Oliveira
Apresentação	 6
Introdução	 8
Dimensão Atividades Realizadas	 13
Dados Gerais da Dimensão Atividades Realizadas	 15
1. Realizar acompanhamento de famílias (2008/2009)	 17
Acompanhamento familiar em grupo	 21
Acompanhamento particularizado	 23
2. Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias (2009/2010)	 29
3. Realizar visitas domiciliares (2008/2009)	 35
4. Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de 	
condicionalidades do Programa Bolsa Família (PBF) – (2009/2010)	 38
5. Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e 	
benefícios eventuais (2010/2011)	 44
6. Orientação/acompanhamento para inserção no BPC (2009/2010)	 52
7. Encaminhamento para inserção de famílias no Cadastro Único para 	
Programas Sociais - CadÚnico (2009/2010)	 54
8. Realizar busca ativa (2009/2010)	 57
9. Realizar atividade de gestão do território, articulando a rede de 	
Proteção Social Básica (2010/2011)	 61
Esclarecimentos finais	 65
Dimensão Horário de Funcionamento	 66
Dados Gerais	 66
Dimensão Recursos Humanos	 68
Dimensão ESTRUTURA FÍSICA	 72
a)  Metas de Desenvolvimento dos CRAS	 72
b)  Espaços passíveis de compartilhamento	 76
c)  Aplicação dos recursos do cofinanciamento federal, repassados pelo 	
Fundo Nacional de Assistência Social – FNAS aos fundos municipais, do 	
DF e estaduais de assistência social, quanto à Dimensão Estrutura Física	 78
Anexo 1	 82
Referências Bibliográficas	 90
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
6
O Sistema Único de Assistência So-
cial (SUAS), amplamente comemo-
rado no dia 8 de junho de 2011,
quando da aprovação do PL SUAS no
Congresso Nacional, foi criado por
determinação inicial do governo fe-
deral, com o propósito de fazer cum-
prir deliberação da Conferência Na-
cional de 2003.   Foi materializado,
há cerca de 6 anos, na Política Nacio-
nal (2004) e instituído por meio da
Norma Operacional Básica do SUAS
(2005).  O enorme esforço para sua
implantação, que contou com ex-
pressivo apoio dos entes federados,
se reflete nos percentuais elevadís-
simos (99,5%) de adesão ao SUAS,
por parte dos municípios e DF e de
todos os estados.  Apenas 151 muni-
cípios ainda não possuem o Centro
de Referência de Assistência Social
(CRAS), unidade pública da proteção
social básica no âmbito local.
Essa nova concepção da assistência
social, organizada em Sistema Único,
pretende superar a ação fragmen-
tada e segmentada; direcionar sua
organização em torno da matriciali-
dade sociofamiliar, e descentralizar
serviços, ofertando-os em locais
próximos da moradia das famílias.  O
olhar do profissional se volta, assim,
para a família e para os seus mem-
bros, em um dado território, espaço
onde se manifestam as vulnerabi-
lidades e riscos, por meio de fenô-
menos complexos e multifacetados,
que podem incidir diferentemente
sobre as famílias e, em alguns casos,
mais especialmente sobre um de
seus membros.  
Ao longo destes anos, a política de
assistência social se consolidou, or-
ganizou, e vem se preparando para
uma fase de valorização da quali-
dade dos serviços prestados, o que
depende da melhoria da gestão.  No
caso da proteção básica, algumas
conquistas merecem destaque: a
realização da transição dos servi-
ços de educação infantil para o se-
tor responsável; a definição de seus
serviços, por meio da Tipificação Na-
cional; a publicação de cadernos de
orientação para técnicos e gestores;
a instituição de processos de expan-
são qualificada das unidades públi-
cas e a responsabilidade de acom-
panhamento e monitoramento dos
serviços por parte dos Estados.
A instituição do Censo SUAS foi de-
terminante para a existência de uma
linha de base para identificação da
instituição e do aprimoramento dos
CRAS.   Em seguida, a definição de
um indicador do CRAS, em parceria
com o Departamento de Gestão do
SUAS (DGSUAS) e da Secretaria de
Avaliação e Gestão da Informação
apresentação
7
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
(SAGI), contribuiu para a avaliação
da evolução do indicador, nesta sé-
rie histórica, o que culminou com a
definição de metas de desenvolvi-
mento dos CRAS, escalonadas para
os próximos anos, com o objetivo de
induzir os processos de planejamen-
to por parte dos entes federados, de
forma a assegurar a oferta do Serviço
de Proteção e Atendimento Integral
à Família (PAIF) segundo os padrões
normativos do SUAS.   
Neste sentido, o documento que ora
apresentamos é bastante pertinente
e tem o intuito de colaborar para a
qualificação do PAIF, além de reforçar
a compreensão de que a oferta de
serviços depende de planejamento,
organização e gestão. Nesta esteira,
chama-se atenção para a principal
ferramenta do SUAS, os recursos hu-
manos, que precisam ser alocados
nas funções segundo seu perfil, de
forma a assegurar que sejam valo-
rizados, capacitados e orientados.  
Esta publicação favorece, portanto,
uma melhor apreensão das metas de
desenvolvimento dos CRAS que, por
sua vez, contribuem para a evolução
do Índice de Desenvolvimento dos
CRAS em todo o Brasil.  
A organização do SUAS torna-se im-
prescindível para o enfrentamento
dos novos desafios que se colocam
para os próximos quatro anos.  Neste
contexto, contar com CRAS de quali-
dade é condição necessária, embora
não suficiente, para que a assistên-
cia social protagonize um lugar cen-
tral no Plano Brasil sem Miséria.  Por
meio da busca ativa, da organização
de sua estrutura de gestão do SUAS
(na Secretaria, no CRAS e CREAS), da
oferta de serviços socioassistenciais
para as famílias mais vulneráveis e
pobres e do encaminhamento para
outros serviços, trata-se de colocar
em rota um projeto ambicioso, que
desafia as políticas setoriais a se
articularem nos municípios e nos
territórios, fazendo chegar serviços
a milhões de brasileiros que deles
necessitam. Uma tarefa de tal enver-
gadura apresenta desafios grandes
para uma área que se encontra em
processo de constituição.  
Aos trabalhadores do SUAS, conse-
lheiros e membros das comissões
de pactuação, dedicamos este docu-
mento, que pretende ser o primeiro
de uma série “O CRAS que temos, o
CRAS que queremos”, inaugurada
com esta temática tão importante e
oportuna, das Metas de Desenvolvi-
mento dos CRAS.     
Denise Ratmann Arruda Colin
Secretária Nacional de Assistência Social
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
8
A instituição do processo de avalia-
ção periódica das unidades CRAS e
CREAS (Centro de Referência de Assis-
tência Social e Centro de Referência
Especializado de Assistência Social,
respectivamente) - denominada Mo-
nitoramento SUAS1
- constituiu ação
fundamental para a consolidação do
Sistema Único de Assistência Social
(SUAS), o que marca o início de uma
nova fase do Sistema, ao permitir o
acompanhamento contínuo da opera-
cionalização de serviços no âmbito da
Política Púbica de Assistência Social.
No ano de 2007, as informações do
Monitoramento SUAS/Censo CRAS
indicou a Linha de Base dos CRAS,
possibilitando a identificação das si-
tuações consideradas “insatisfatórias
para o desenvolvimento de CRAS”
(Resolução da Comissão Intergesto-
res Tripartite/CIT nº 1/2007). Neste
contexto, com o intuito de apoiar os
Municípios e Distrito Federal (DF) que
apresentaram situações insatisfató-
rias, foi estabelecido o “processo de
acompanhamento da implementação
do PAIF nos CRAS, pela União e Esta-
dos” (Resolução CIT n° 06/2008).
Com vistas a possibilitar o monitora-
mento da principal unidade pública
de proteção básica do SUAS, e permi-
tir conhecer a evolução da situação
dos CRAS, por meio de indicadores,
a Secretaria Nacional de Avaliação
e Gestão da Informação (SAGI), em
apoio à Secretaria Nacional de Assis-
tência Social (SNAS), elaborou o Índi-
ce de Desenvolvimento dos CRAS – ID
CRAS, que foi discutido em encontro
nacional de Monitoramento do SUAS,
com Estados, Distrito Federal (DF) e
representantes do Fórum Nacional
de Secretários Estaduais de Assis-
tência Social (FONSEAS), Colegiado
Nacional dos Gestores Municipais de
Assistência Social (CONGEMAS) e da
direção dos Colegiados Estaduais de
Gestores Municipais de Assistência
Social (Coegemas), no ano de 2008,
aprimorado e, em seguida, adotado.
O referido indicador é o resultado da
combinação de quatro Indicadores
Dimensionais, a saber: Atividades Re-
alizadas, Horário de Funcionamento,
Recursos Humanos e Estrutura Física.
Para cada dimensão, há quatro graus
de desenvolvimento (insuficiente, re-
gular, suficiente ou superior), cujas
variáveis, verificáveis anualmente no
Censo SUAS, indicam o grau de cum-
primento das normativas do SUAS
para aquela dimensão.   O ID CRAS
constitui-se, portanto, na combina-
ção dos graus de desenvolvimento
dimensionais, cujo resultado é ex-
presso em um Indicador Sintético,
que por sua vez apresenta10 está-
gios de desenvolvimento dos CRAS
(varia de 1 a 10, sendo 10 o índice
de um CRAS cujas 4 dimensões são
superiores).
introdução
1	 Resoluções nº 1 de 18/04/07; nº05 de
06/12/07; nº 6 de 01/07/08 e nº 07 de 19/08/08, da
Comissão Intergestores Tripartite –CIT.
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Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
O amadurecimento do processo de
acompanhamento dos CRAS por
meio dos dados obtidos no Cen-
so SUAS/CRAS, assim como o bom
resultado do processo de acompa-
nhamento, realizado por Estados e
União, das situações consideradas
insatisfatórias para o desenvolvi-
mento de CRAS, revelou a importân-
cia do estabelecimento de compro-
missos pactuados nacionalmente
para a melhoria contínua dos CRAS,
visando sua adequação gradativa
aos padrões normativos do SUAS.
Desta forma, no ano de 2010, por
meio de pactuação nacional (Re-
solução CIT n° 5/2010), instituiu-
-se as “Metas de Desenvolvimento
dos CRAS por Período Anual”. Para
o cumprimento das metas, que
são cumulativas, progressivas e or-
ganizadas por dimensões2
, foram
definidos cinco períodos anuais:
2008/2009, 2009/2010, 2010/	
2011, 2011/2012, e 2012/2013.
Cada período se inicia no primeiro
dia após o encerramento do Censo
SUAS/CRAS de um ano e finaliza no
último dia de preenchimento do re-
ferido Censo do ano subsequente.
As Metas de Desenvolvimento con-
solidam o processo de melhoria do
principal serviço de proteção básica,
corroborando para a evolução do Ín-
dice de Desenvolvimento dos CRAS,
na medida em que impulsionam o
planejamento dos entes federados
para o desenvolvimento das ações
de acompanhamento e assessoria
técnica dos estados aos municípios;
do Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS) ao
DF e aos Estados; e dos municípios à
sua rede, culminando com o cumpri-
mento das normativas para a oferta
do Serviço de Proteção e Atendimen-
to Integral às Famílias (PAIF) e organi-
zação dos outros serviços de prote-
ção básica nos territórios dos CRAS.
Portanto, ao instituir as metas de for-
ma pactuada, todos os entes se com-
prometem com o seu cumprimento,
o que torna seu alcance responsabi-
lidade de todos.  O SUAS ganha as-
sim qualidade e se consolida como
direito de milhões de brasileiros que
necessitam dos seus serviços.
Os fluxos, procedimentos e responsa-
bilidades de cada ente, em decorrên-
cia dos cenários encontrados após a
verificação do alcance ou não das me-
tas anuais, bem como do processo de
acompanhamento e apoio técnico (e
financeiro quando couber), pelos en-
tes federados, para a gestão e oferta
dos serviços do SUAS nos municípios
brasileiros (também prevista no Pac-
to de Aprimoramento da Gestão dos
Estados), foram definidos na Resolu-
ção CIT nº 08/2010. O conhecimento,
2	 As dimensões são as mesmas do ID CRAS:
Recursos Humanos, Estrutura Física, Atividades
Realizadas e Horário de Funcionamento. No
caso da dimensão recursos humanos, elas são
ainda instituídas por porte de município, visando
cumprir o disposto na NOB-RH do SUAS.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
10
domínio e aplicação da referida Re-
solução, por parte de todos os atores
envolvidos, torna-se imprescindível.
Tendo como uma de suas premissas
a prevenção de situações inadequadas
que venham a prejudicar e/ou inviabi-
lizar a oferta dos serviços, programas,
ações e benefícios de assistência so-
cial, torna-se premente o protago-
nismo dos Estados no apoio técnico
aos municípios, responsáveis pela
oferta dos serviços. Entende-se des-
ta forma que, ao preconizar ações de
acompanhamento preventivo e pro-
ativo, a Resolução CIT nº 08/2010
refere-se ao apoio técnico tanto para
melhoria da gestão municipal, quan-
to para capacitação dos profissionais
que executam o serviço, o que exi-
ge grandes esforços no sentido de
analisar dados, organizar e planejar
ações, devendo as equipes estaduais
dispor de tempo para realização de
estudos, e sendo necessário investir
na sua formação técnica.
Uma das formas de viabilizar a orga-
nização do processo de acompanha-
mento aos municípios reside na uti-
lização dos dados disponibilizados
em aplicativos do MDS, disponíveis
no site, tal como o link: Monitora-
mento SUAS – Censo Suas – ferramen-
tas – Indicadores do SUAS. Ter um
panorama claro de quais metas esti-
puladas para um determinado perío-
do não foram alcançadas é de suma
importância, pois este “resultado”
pode ser determinado por diferentes
variáveis que compõem as metas.
Em muitos casos o alcance das me-
tas previstas para um determinado
período pode ter resolução simples,
como, por exemplo, nos casos em
que é necessário instalar placa de
identificação do CRAS; ou definir um
coordenador para o CRAS, ou ainda
nas situações em que a principal ne-
cessidade é organização da gestão
e capacitação (para viabilização do
PAIF, da busca ativa e articulação dos
serviços de proteção básica no terri-
tório do CRAS).
Resumidamente, segundo as orien-
tações da Resolução CIT n° 08/2010,
caso as metas de desenvolvimento
do período anual que se encerrou
não sejam alcançadas para um ou
mais CRAS, o município deverá, no
ano vigente, elaborar um Plano de
Providências, definindo ações para
superação das dificuldades encon-
tradas, indicando responsáveis e pra-
zos para seu cumprimento. Nestes
casos caberá aos Estados (e ao MDS
no que tange ao Distrito Federal) a
elaboração de Plano de Apoio, que
consiste em instrumento de plane-
jamento do apoio técnico e, quando
for o caso, de apoio financeiro, para
a superação das dificuldades muni-
cipais (e do DF) de gestão e execu-
ção dos serviços socioassistenciais,
consideradas as ações previstas (ou
a serem previstas) no(s) Plano(s) de
Providências. A efetividade do Plano
de Apoio, elaborado pelos Estados
(e MDS), em decorrência da elabo-
ração de Plano de Providências por
parte dos municípios (e do DF), ou da
identificação de necessidades dos
municípios, depende de um bom
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Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
diagnóstico do porque do não cum-
primento das metas de desenvolvi-
mento dos CRAS.
A análise do Censo CRAS 2010 indi-
cou um número significativo de CRAS
que não atingiram as metas estipu-
ladas para o período 2009/2010,
que se encerrou em 24 de outubro
de 2010. Nestes casos, cada municí-
pio (ou DF) deverá elaborar Plano de
Providências, incluindo nele todos
os CRAS cujas metas pactuadas não
tenham sido cumpridas até o mo-
mento. Contudo, é importante com-
preender que tão importante quanto
elaborar Planos de Providência é de-
senvolver estratégias para o cumpri-
mento, até o último dia do preenchi-
mento do Censo SUAS/CRAS 2011,
das metas estipuladas para o perío-
do 2010/2011. Isto implicará na re-
dução do quantitativo de Planos de
Providências a serem elaborados no
ano de 2012, após a análise do Cen-
so CRAS 2011.  
Fica claro desta forma, quão impor-
tante é o desenvolvimento de ações
proativas pelos estados (e MDS),
contribuindo para a antecipação de
problemas, para a identificação e
divulgação de boas experiências e
soluções que deram certo, auxilian-
do os municípios a alcançarem as
metas dentro dos períodos estipula-
dos pela Resolução CIT n°05/2010.  
Em resumo, o não cumprimento das
metas no período estipulado reper-
cute também em maior volume de
trabalho para os estados (e MDS),
que deverão se organizar para apoiar
os municípios (e DF) na elaboração,
análise dos planos de providências
e elaboração do(s) plano(s) de apoio.
Nisto reside um dos desafios do
SUAS, prioritário neste momento, de
fortalecer o apoio técnico e financei-
ro, dos Estados aos municípios (e do
MDS ao DF e Estados).
A tarefa estratégica de acompanhar
o cumprimento das normativas do
SUAS e das metas nacionalmente
pactuadas, de forma a assegurar a
qualidade dos serviços prestados é
atribuída ao controle social, em cada
nível de governo.  Assim, sempre que
necessário, a elaboração de Plano
de Providencias (municípios e DF) e
Plano de Apoio (Estados e MDS), bem
como seu desenvolvimento e análise
para concessão de prazos adicionais
e cumprimento configura importan-
te tarefa dos Conselhos Municipais,
Distritais e Estaduais de Assistência
Social e para as instâncias de pactu-
ação (Comissões Intergestoras Bipar-
tite – CIB; e Tripartite – CIT).
Com o presente documento, o MDS
pretende apoiar tecnicamente os
gestores e técnicos dos estados, para
que possam exercer seu papel no
apoio aos municípios, bem como, os
gestores e técnicos do DF e municí-
pios para assessorar as equipes dos
CRAS, visando o alcance das Metas
de Desenvolvimento dos CRAS pre-
vistas até 2011. Destina-se também
aos Conselhos de Assistência Social,
que cumprem o importante papel
de controle social, contribuindo com
subsídios técnicos para acompa-
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
12
nhamento da implantação e conso-
lidação dos CRAS, bem como para
aprovação e acompanhamento do
desenvolvimento, sempre que cou-
ber, de plano de providências (para
municípios e DF), e plano de apoio
(no caso dos Estados e MDS).
Serão detalhadas cada uma das di-
mensões para as quais foram defini-
das Metas de Desenvolvimento do
CRAS, esclarecendo sua importância
para a oferta com qualidade do PAIF,
para a gestão articulada entre bene-
fícios e serviços e para a articulação
dos serviços de proteção básica nos
territórios dos CRAS. Dadas as par-
ticularidades de cada dimensão, a
abordagem de cada uma delas será
diferenciada.
Entendendo que as atividades de-
senvolvidas constituem a essência
dos CRAS, optou-se por iniciar este
documento pela análise da dimen-
são Atividades Realizadas. Para tanto,
serão apresentadas orientações ge-
rais, tendo por base as normativas do
SUAS, além de algumas análises com
base em cruzamento de variáveis
(recursos humanos e espaço físico,
por exemplo) do Censo SUAS 2010,
com o intuito de identificar sua in-
fluência no não alcance das metas,
e ainda algumas sugestões de ações
emergenciais, para garantia da oferta
dos serviços durante o período de
execução do plano de providências.
Em seguida, será apresentada a di-
mensão Horário de Funcionamento,
que, após apresentação das ativi-
dades que cada CRAS deve realizar,
apontam para a necessidade de o
CRAS funcionar por, no mínimo, 40
horas semanais conforme previsto
em orientações e para a qual tam-
bém será observada a influência do
quantitativo de profissionais de nível
superior no não alcance das metas.
Na sequência, será abordada a di-
mensão Recursos Humanos, central
para a oferta do principal serviço
de proteção básica (PAIF) e para a
gestão do território do CRAS.  Trata-
-se de orientações acerca das nor-
mativas do SUAS, que pretendem
contribuir para   o planejamento de
ações e cumprimento das metas pre-
vistas para o período anual em curso
(2010/2011).
Finalmente, e em consonância com
as atividades a serem realizadas,
apresenta-se a dimensão Estrutura
Física, que será composta por três tó-
picos: a) metas de desenvolvimento
dos CRAS; b) espaços passíveis de
compartilhamento e c) aplicação dos
recursos do cofinanciamento federal
para o PAIF.
Espera-se desta forma contribuir
para a organização do processo de
gestão da informação sobre alcan-
ce ou não das metas previstas para
o período 2009/2010 e desafios
identificados para 2010/2011, para
o acompanhamento dos estados aos
Municípios e do MDS ao DF, bem
como subsidiar os conselhos na tare-
fa de assegurar a qualidade dos ser-
viços. Tenham todos uma boa leitura
e um ótimo trabalho!
13
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
O cumprimento das metas que com-
põem a dimensão “Atividades Re-
alizadas” pode parecer à primeira
vista simples, dependente apenas
de orientações, mas há várias ativi-
dades do Serviço de Atendimento e
Proteção Integral às Famílias (PAIF)
que dependem de fluxos estabeleci-
dos de referência e contrarreferência
do usuário no sistema3
, de articula-
ção do PAIF com demais serviços de
proteção básica; de equipe e espaço
físico conforme exigências; da exis-
tência de um coordenador do CRAS;
de equipes capacitadas; de informa-
ções e dados que sejam disponibili-
zados periodicamente ao CRAS, de
gestão articulada entre serviços e
benefícios; de equipamentos (como
automóvel, computador).
O não cumprimento de uma mesma
meta pode ter diferentes motivações
e é especialmente isso que preten-
demos mostrar. Sendo assim, o mu-
nicípio e Distrito Federal (DF) devem
analisar a situação de cada CRAS, ten-
do sempre como horizonte as metas
a serem cumpridas em cada período
anual, e já iniciar seu processo de
adequação.  Os estados, por sua vez,
necessitarão analisar informações
contidas no gerente http://aplicaco-
es.mds.gov.br/sagi/patamar_cras, de
forma a identificar as metas a serem
cumpridas até o último dia do pre-
enchimento do Censo SUAS/CRAS
20114
, organizar os municípios por
desafios, apoiá-los técnica e, ou fi-
nanceiramente, realizar visitas in loco,
capacitação e orientação e, sempre
que necessário, acompanhar a ela-
boração dos Planos de Providências,
obedecendo os prazos estipulados
na Resolução CIT 08/2010. O mesmo
deverá ser feito pelo MDS, em relação
ao DF.
Com o intuito de contribuir para a
reflexão sobre possíveis motivos de
não cumprimento e diferentes es-
tratégias que deverão ser propostas
para superação, será apresentada
aqui uma análise quantitativa dos
dados relativos às variáveis que com-
põem a dimensão “atividades reali-
zadas”, obtidos no Censo SUAS/CRAS
2010, estabelecendo relação com
outros dados disponíveis no Censo,
buscando identificar possíveis mo-
tivos que dificultaram o alcance das
metas previstas para os períodos
anuais 2008/2009 e 2009/2010;
bem como dos que possam se cons-
tituir em dificuldades para alcance
das metas no período 2010/2011.
3 	 Ver item 2 dos “esclarecimentos finais” da
dimensão “Atividades Realizadas”.
4	 Censo que coleta informações anuais sobre
o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com
vistas ao seu monitoramento.  Contém questionários
sobre gestão, controle social, CRAS e Centros
de Referência Especializados de Assistência
Social (CREAS).  As informações prestadas são de
responsabilidade dos municípios, DF e estados.
dimensão atividades realizadas
Coordenação-Geral de Serviços Socioassistenciais a Famílias
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
14
Com base nos resultados encontrados,
serão acrescidas algumas orientações
no sentido de auxiliar os municípios
na superação das dificuldades identi-
ficadas e apresentadas sugestões de
ações de caráter emergencial, durante
a vigência de Planos de Providência
(quando couber), para garantia de re-
alização de atividades fundamentais
ao PAIF, evitando assim privar a popu-
lação de atendimentos necessários. As
orientações pretendem ainda contri-
buir com as equipes estaduais, para o
cumprimento de sua responsabilidade
de apoio técnico aos municípios para
alcance das metas nacionalmente pac-
tuadas, e que garantem a qualidade
dos serviços prestados aos usuários
da assistência social.
As atividades constituem a essên-
cia do CRAS, pois materializam suas
principais funções, quais sejam:
gestão do território e oferta do PAIF,
principal serviço de Proteção Social
Básica, que deve ser ofertado obriga-
toriamente no CRAS.
As atividades devem ser regulares,
com periodicidade definida de acor-
do com planejamento prévio das
ações do PAIF, de modo a responder
às especificidades dos territórios,
com foco no cumprimento da atua-
ção protetiva, proativa e preventiva
próprias deste serviço. Para tanto,
destaca-se como ações fundamen-
tais a realização da busca ativa e a
inserção de famílias e indivíduos no
Cadastro Único de Programas So-
ciais, que são determinantes para
alcance das demais metas e cujo de-
talhamento se encontra, respectiva-
mente nas metas 8 e 7.
Da mesma forma que para as demais
dimensões, as metas da dimensão
Atividades Realizadas foram escalo-
nadas ao longo dos anos, de forma
cumulativa5
e constituem importan-
tes desafios, conforme se verá adian-
te. Ao instituir estas metas, busca-se
dar concretude às atividades essen-
ciais ao PAIF e à gestão do território.
A ordem de apresentação das me-
tas relativas às atividades obedece
a uma lógica mais didática do que
temporal (data de cumprimento da
meta). Pretende-se, assim, reafirmar
a matricialidade sociofamiliar, pre-
conizada pela Política Nacional de
Assistência Social (PNAS), na prote-
ção básica, evidenciando a centrali-
dade do acompanhamento familiar
no PAIF. Em seguida abordamos uma
ação coletiva (oficina com famílias),
que pode ser combinada com o
acompanhamento, mas que se cons-
titui em atendimento do PAIF, que
reforça o caráter de prevenção da
proteção básica e de informação/dis-
cussão sobre os direitos sociais. Na
sequência, apresenta-se a meta de
realização de visita domiciliar, o que
exige uma organização do processo
de trabalho e a busca das famílias em
situação de maior vulnerabilidade,
incluindo aquelas que necessitam
ser inseridas no acompanhamento
ou em algum atendimento.  
5	 Como se pode constatar no Anexo 1.
15
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Após, portanto, compreendermos a
essência do trabalho social com as
famílias, apresenta-se duas metas re-
lacionadas à prioridade de acesso às
famílias em situação de maior vulne-
rabilidade social, dentre as quais se in-
cluem famílias beneficiárias de trans-
ferência de renda em risco de perder
o direito à renda (descumprimento de
condicionalidades do PBF), as famílias
de beneficiários do Benefício de Pres-
tação Continuada (BPC) e do benefício
eventual.   Duas outras metas de de-
senvolvimento dos CRAS só se viabi-
lizam se forem estabelecidos fluxos,
responsabilidades e procedimentos,
por parte da Secretaria de cada mu-
nicípio ou DF, que garantam encami-
nhamento para acesso de indivíduos e
famílias dentro dos critérios, aos bene-
fícios e transferência de renda.
Em seguida, serão apresentadas duas
metas de gestão do CRAS, cujo cum-
primento é necessário para que a pro-
teção integral às famílias seja assegu-
rada. Há ainda duas considerações
finais, que buscam abordar elemen-
tos essenciais do papel CRAS para o
funcionamento do Sistema, não ins-
tituídos por meio de metas. Em resu-
mo, a organização dada a esta parte
do documento pretende evidenciar
que as metas não poderão ser cum-
pridas isoladamente. À medida que
são cumpridas, de forma planejada
e regular, dão consistência ao PAIF, à
matricialidade sociofamiliar e à terri-
torialização, fundamentos do SUAS.
Cabe ainda esclarecer que para cada
meta será indicado o período anual
em que deve ser cumprida ou deve-
ria ter sido cumprida.  As metas que
se referem ao período 2008/2009
coincidem com as situações conside-
radas insatisfatórias, definidas na Re-
solução CIT nº 06/2008, que deram
origem às Metas de Desenvolvimento
dos CRAS. Como a resolução que ins-
tituiu as metas é de 2010 e elas são
cumulativas, aquelas previstas para
o período 2008/2009deveriam ter
sido cumpridas, juntamente com as
metas do período 2009/2010, até
24 de outubro de 2010.
Os cruzamentos de dados, com vis-
tas a identificar possíveis variáveis
que possam dificultar cumprimento
de uma meta, sempre que se refere a
recursos humanos baseou-se no pa-
râmetro estabelecido para o período
anual vigente (2010/2011), que ain-
da não equivale à exigência da Nor-
ma Operacional Básica de Recursos
Humanos do SUAS (NOB RH)6
.
Mais do que constituir única refe-
rência, os cruzamentos de dados do
Censo SUAS 2010 aqui propostos
pretendem estimular os municípios,
DF e, sobretudo os Estados a prati-
carem metodologias análogas que
qualifiquem a leitura das informações
disponíveis, incluindo outras variá-
veis relacionadas ao não cumprimen-
to de uma meta, de forma a dispor de
um diagnóstico realista, que possa
qualificar o apoio técnico aos muni-
6	 Para informações sobre metas por período
anual, ver Anexo a este documento: “Metas de
Desenvolvimento dos CRAS por período anual”.
Volume	1
Orientações	Técnicas,		metas	de	Desenvolvimento	dos	CRAS
Período	2010/2011
16
cípios	 e	 DF	 para	 alcance	 das	 metas,	
qualifi	cação	dos	serviços	e	organiza-
ção	da	proteção	básica	do	SuAS.
Dados	Gerais	da	Dimensão	
Atividades	Realizadas
Os	 dados	 gerais	 sobre	 o	 alcance	 ou	
não	das	metas	relativas	às	atividades
realizadas indicam que a incorporação
das variáveis “Acompanhamento prio-
ritário a famílias com beneficiários do
BPC e benefícios eventuais” e “Realizar
atividades de gestão do território, arti-
culando a rede de proteção social bá-
sica”, no período vigente 2010/2011,
teve grande impacto em termos de
desafios. Em 2009/2010, 66,3% dos
CRAS atingiram as metas previstas nes-
ta dimensão, porém em 2010/2011
este percentual caiu para 17,69%,
conforme aponta o Gráfico 01.
De forma geral, podemos afirmar que
o cumprimento das metas previstas
para o período anual em curso está
diretamente relacionado à capacida-
de de gestão, à clareza de objetivos
do PAIF e à inserção da pessoa com
deficiência nos serviços de proteção
básica do SUAS.
no	 entanto,	 o	 cumprimento	 das	
metas	 estipuladas	 para	 o	 período	
2009/2010	 também	 apresenta	 de-
safi	os	aos	municípios	e	DF,	que	me-
recem	 apoio,	 respectivamente,	 dos	
estados	e	do	mDS.		
O	texto	que	segue	faz	considerações	
sobre	cada	meta	de	desenvolvimen-
to	do	CRAS,	da	dimensão	Atividades	
Realizadas,	 com	 comentários	 gerais	
acerca	do	possível	apoio	técnico	para	
superação	dos	desafi	os	postos	à	qua-
lifi	cação	do	principal	serviço	de	pro-
teção	básica	para	as	famílias.		
Gráfico 01: Resultado Geral da Dimensão Atividades Realizadas base do
Censo SUAS/CRAS 2010
Percentual	de	CRAS	que	atingem	ou	não	as	metas	de	
Desenvolvimento	dos	CRAS	nos	períodos	2009/2010	
e	2010/2011
17
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Atividades (Metas de
Desenvolvimento dos
CRAS)
1. Realizar acompanhamento de
famílias (2008/2009)
O acompanhamento familiar no
âmbito do SUAS é definido como o
“conjunto de intervenções desenvol-
vidas em serviços continuados, com
objetivos estabelecidos, que possibi-
litam à família acesso a um espaço
onde possa refletir sobre sua realida-
de, construir novos projetos de vida
e transformar suas relações – sejam
elas familiares ou comunitárias”7.
Trata-se de um processo de caráter
continuado e planejado, por período
de tempo determinado, no qual há,
a partir de vulnerabilidades, deman-
das e potencialidades apresentadas
pelas famílias, a definição dos obje-
tivos a serem alcançados, realizada
de forma conjunta entre os profissio-
nais e famílias. Tem como finalidade
enfrentar as situações de vulnerabi-
lidade social, prevenir a ocorrência
de riscos e, ou violações de direitos,
identificar e estimular as potencia-
lidades das famílias e territórios,
afiançar as seguranças de assistência
social e promover o acesso das famí-
lias e seus membros a direitos.
7	 BRASIL. Comissão Intergestores Tripartite.
Artigo 20 do Protocolo de Gestão Integrada de
Serviços, Benefícios e Transferências de Renda no
âmbito do Sistema Único de Assistência Social -
SUAS (Resolução Nº 07, de 10 de setembro de 2009).
Brasília, MDS: 2009.
Destaca-se que o acompanhamento
familiar é um processo intrinseca-
mente ligado tanto às especificida-
des da família, quanto do território -
os territórios expressam as formas de
relacionamento social predominan-
tes, que por sua vez são diretamente
influenciados pelos contextos social,
cultural e econômico do território. É
no território que se evidenciam as
contradições da realidade: os confli-
tos e desigualdades que perpassam
e re-significam as relações familiares
e comunitárias. Desse modo, o pro-
fissional responsável pelo acompa-
nhamento familiar deve fazer uma
leitura do território de vivência da
família a ser acompanhada (inclusi-
ve a partir dos dados da vigilância
social do município), buscando com-
preender quais as características, ris-
cos, vulnerabilidades e potencialida-
des presentes no território impactam
(ou podem impactar) na vida familiar,
e cotejar com a leitura das próprias
famílias, sobre o território.
O acompanhamento familiar é um
processo tecnicamente qualificado,
executado por profissionais de nível
superior, com base em pressupostos
éticos, diretrizes teórico-metodoló-
gicas8
, conhecimento do território
e das famílias que ali residem e, no
PAIF, pode ser: a) particularizado, se
8	 A equipe de referência do CRAS deverá
utilizara o conjunto de conhecimentos
específicos de suas respectivas áreas de formação,
respeitando as atribuições constantes da
regulamentação e dos princípios éticos de cada
profissão.  Ressalta-se, adicionalmente, que o
SUAS prevê a interdisciplinariedade como modo de
atuação profissional.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
18
destinado a somente uma família ou
b) em grupo, se dirigido a um grupo
de famílias que vivenciam situações
de vulnerabilidade ou têm necessi-
dades similares.
O acompanhamento no âmbito do
PAIF é destinado às famílias que
apresentam situações de vulnera-
bilidades que requerem a proteção
de assistência social para garantia
de seus direitos socioassistenciais,
acesso aos direitos sociais e amplia-
ção de sua capacidade protetiva, de-
mandando, para isso, uma atenção
diferenciada, um olhar mais atento
dos profissionais do CRAS, pois essas
situações vivenciadas, caso não so-
fram rápida intervenção profissional
e acesso a serviços, podem tornar-se
risco social e, ou violação de direitos.
Uma vez inseridas no acompanha-
mento, objetiva-se ainda contribuir
para o alcance de maiores graus de
autonomia, para a capacidade de
vocalização das demandas e neces-
sidades, para o apoio profissional às
famílias que demandam e para o de-
senho de projetos de vida.
Como regra geral e em decorrência
da situação de vulnerabilidade, de-
vem ser priorizadas no acompanha-
mento do PAIF:
-- Famílias contrarreferenciadas ao
CRAS, pelo Centro de Referência Espe-
cializado de Assistência Social (CREAS),
após trabalho realizado pelo PAEFI 
(Serviço de Proteção e Acompanhamen-
to Especializado de Famílias e Indivídu-
os, da Proteção Social Especial).
-- Famílias com beneficiários do Bene-
fício de Prestação Continuada (BPC)
de até 18 anos, fora da escola (ver
meta 5);
-- Famílias cujo descumprimento de
condicionalidades do Programa Bolsa
Família (PBF) decorre de situações de
vulnerabilidade social (ver meta 4);
-- Famílias do Plano Brasil sem Miséria
(famílias com renda mensal per capita
inferior a R$70,00); e
-- Demais famílias que, segundo ava-
liação dos profissionais, requerem
processo de acompanhamento familiar
para desenvolvimento de capacidades,
acesso a direitos, proteção de um ou
mais de seus membros, bem como supe-
ração das situações de vulnerabilida-
de vivenciadas.
Assim, precede o processo de acom-
panhamento das famílias: a busca
ativa (ver meta 8), no território de
abrangência do CRAS, das famílias em
situação de vulnerabilidade social, a
mobilização para seu comparecimen-
to no CRAS ou a visita domiciliar por
um profissional, acolhida – particu-
larizada e/ou em grupo, de modo a
identificar quais famílias necessitam,
e desejam participar do processo de
acompanhamento familiar.
O acompanhamento familiar se ma-
terializa a partir da inserção da(s)
família(s), após análise prévia da situ-
ação de vulnerabilidade vivenciada,
em decorrência de um acordo entre
a(s) família(s) e o(s) profissional(is),
a partir do interesse demonstrado
pela(s) família(s) em fazer um per-
curso, sob responsabilidade de um
profissional que compõe a equipe de
19
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
referência do CRAS, responsável pela
oferta do PAIF, a fim de ter garanti-
das as seguranças afiançadas pela
política de assistência social, o aces-
so a outras ações do PAIF, a serviços
socioassistenciais e, ou a outros ser-
viços setoriais. Este profissional tem
necessariamente, no mínimo nível
superior completo.
O acompanhamento familiar ini-
cia-se após decisão conjunta da(s)
família(s) e do(s)profissional(is) so-
bre necessidade, desde que a família
esteja de acordo e esclarecida sobre
compromissos que ambas as partes
assumem. Após esta escolha, é reali-
zado um estudo social da família, no
qual esta define (junto com profis-
sional), e a partir de suas demandas,
vulnerabilidades e potencialidades,
bem como de sua disponibilidade e
preferência, o modo de acompanha-
mento a ser utilizado: se em grupo
ou particularizado; bem como os
objetivos que se quer atingir com o
acompanhamento.
O acompanhamento familiar de-
manda a construção de um Plano de
Acompanhamento Familiar, no qual
consta um planejamento detalhado
do processo de acompanhamento a
ser realizado, tendo em vista os ob-
jetivos a serem alcançados. No Plano
são registrados os encontros (quan-
tos, duração, horário); o percurso
proposto; as intervenções a serem
realizadas com as famílias reunidas
em grupo (para o acompanhamento
familiar em grupo), as ações (coleti-
vas ou particularizadas do PAIF) de
interesse de cada família, a periodi-
cidade das mediações com os pro-
fissionais que as acompanham e, no
decorrer do acompanhamento, o gra-
dual cumprimento dos objetivos es-
tabelecidos, as respostas dadas pelo
poder público, as adequações que o
processo de acompanhamento pode
requerer, a efetividade da interven-
ção, as aquisições alcançadas, etc.
As mediações são momentos privile-
giados para os profissionais, em con-
junto com a(s) família(s), avaliarem
se as ofertas de serviços de assistên-
cia social têm tido o efeito desejado
e se atendem às expectativas das
famílias, bem como se as respostas
aos encaminhamentos realizados
para os serviços setoriais foram efe-
tivas, ou ainda se o acesso à docu-
mentação civil ou acesso à renda foi
garantido (para os que apresentam
critérios de acesso ao PBF, BPC, be-
nefícios eventuais ou outros progra-
mas de transferência de renda mu-
nicipais/estaduais). As informações
sistematizadas após as mediações
devem ser discutidas no CRAS, com o
coordenador, e encaminhadas para o
nível central, que coordena e faz ges-
tão do acompanhamento do acesso
a serviços (e direitos).  Sendo assim,
em última instância, o acesso a ser-
viços não é de responsabilidade do
CRAS, mas do nível central.
O processo de acompanhamento fami-
liar requer a realização de intervenções
com as famílias reunidas em grupo (no
caso de acompanhamento familiar em
grupo) e, sempre que identificada ne-
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
20
Trabalho Social com Famílias no âmbito do PAIF
Atendimento às Famílias Acompanhamento Familiar
Inserção do grupo familiar, um ou mais de seus
membros, em alguma(s) ação(ões) do PAIF
Conjunto de intervenções desenvolvidas com
uma ou mais famílias, de forma continuada,
com objetivos estabelecidos, que pressupõe:
-- Plano de Acompanhamento Familiar
-- Mediações Periódicas
-- Inserção em ações do PAIF
-- Alcance gradativo de aquisições e
superação das vulnerabilidades
vivenciadas
Atendimentos
Particularizados
Atendimentos
Coletivos
Acompanhamento
Familiar
Particularizado
Acompanhamento
Familiar em Grupos
Acolhida
Ações Particularizadas
Encaminhamentos:
-- CadÚnico (atualização,
cadastramento no
CadÚnico e acesso
ao PBF)
-- Serviços da PSB e PAEFI 
(CREAS)
-- Serviços de outros
Setores
-- Acolhida em
grupo.
-- Oficinas com
Famílias
-- Ações
Comunitárias
Foco em somente uma
família
Foco em um
grupo de famílias
que vivenciam
vulnerabilidades
ou têm demandas
similares
cessidade ou interesse, inserção das fa-
mílias em “combinações” de ações do
PAIF que, por sua vez, podem ser par-
ticularizadas ou coletivas, dependendo
da disponibilidade dos membros das
famílias e suas demandas.
O acompanhamento não é um pro-
cesso que visa avaliar a(s) família(s),
sua organização interna, seus modos
de vida, sua dinâmica de funciona-
mento. Ao contrário, é uma atuação
do serviço socioassistencial com
foco na garantia das seguranças
afiançadas pela política de assistên-
cia social e na promoção do acesso
das famílias aos seus direitos, com
vistas ao fortalecimento da capaci-
dade protetiva da família, a partir das
respostas do Estado para sua prote-
ção social.
O acompanhamento familiar exige,
portanto, um olhar singular para as
composições bastante heterogêneas
de famílias, uma abordagem adequada
e não preconceituosa dos novos arran-
jos, bem como reconhecerem o papel
do Estado no fortalecimento destas fa-
mílias e na oferta de serviços que am-
pliem sua capacidade protetiva.
O diagrama que segue detalha as
duas formas de inserção de famílias
no PAIF (atendimento e acompa-
nhamento), de maneira a esclarecer
a diferença entre elas e subsidiar a
identificação das famílias que neces-
sitam de acompanhamento ou aque-
las para as quais o atendimento é su-
ficiente. Considera-se atendimento a
ação imediata de prestação ou oferta
de atenção às famílias pelo PAIF, por
21
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
meio da acolhida, ação particulari-
zada, ação comunitária, oficina com
famílias e encaminhamento. Sendo
o atendimento necessariamente a in-
clusão no serviço, é a partir dele que
há identificação da necessidade de
iniciar o processo de acompanhamen-
to familiar. São atendidos todos os
indivíduos ou famílias que participam
de alguma ação do PAIF.
Considera-se que:
-- Ação Particularizada: refere-se ao
atendimento prestado pela equipe téc-
nica do CRAS às famílias – algum(ns)
membro(s) ou todo o grupo familiar,
após a acolhida, de modo individuali-
zado.  Esse tipo de atendimento deve
ser realizado em casos extraordiná-
rios e objetiva conhecer a dinâmica
familiar de modo aprofundado e pres-
tar um atendimento mais específico às
famílias, como nos casos de suspeita
de situações de violação de direitos,
conhecimento e enfrentamento das
causas de descumprimentos reitera-
dos de condicionalidades do PBF, be-
neficiários do BPC de 0 a 18 anos fora
da escola em situação de isolamento e
demais situações que pressupõem sigi-
lo de informações e que podem gerar
encaminhamento para a Proteção So-
cial Especial ou para o Sistema de Ga-
rantia de Direitos. O técnico também
pode optar pela ação particularizada,
a pedido da família.
-- Encaminhamento: consiste no pro-
cesso de orientação e direcionamento
das famílias ou algum de seus mem-
bros para inserção em serviços socio-
assistenciais (ver meta 9 e item 2 do es-
clarecimento final), acesso a serviços
setoriais (ver item 1 do esclarecimen-
to final), benefícios assistenciais (en-
caminhamento para BPC, ver meta 6) e
programas de transferência de renda
(ver meta 7) e para inserção ou atua-
lização do Cadastro Único. Tem por
objetivo a promoção do acesso aos di-
reitos e a conquista da cidadania.
-- Oficina com famílias: ver meta 2.
-- Ação Comunitária: consiste no de-
senvolvimento de atividades de cará-
ter coletivo, voltado para a dinami-
zação das relações no território. Tem
por objetivos promover a comunica-
ção comunitária, a mobilização social
e o protagonismo da comunidade; bem
como fortalecer os vínculos entre as
diversas famílias do território, desen-
volver a sociabilidade, o sentimento
de coletividade e a organização co-
munitária – por meio, principalmente,
do estimulo à participação cidadã. As
palestras, campanhas socioeducativas
e eventos comunitários são os exem-
plos mais comuns de ações comunitá-
rias do PAIF.
A seguir detalham-se as situações de
vulnerabilidade e as características
do acompanhamento familiar em grupo
e do acompanhamento familiar parti-
cularizado, de forma a subsidiar a re-
flexão das equipes sobre as diferentes
situações que ensejam a opção por uma
ou outra forma de acompanhamento
familiar no âmbito do Sistema Único de
Assistência Social (SUAS).
Acompanhamento familiar em
grupo
O processo de acompanhamento fa-
miliar em grupo é indicado para res-
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
22
ponder situações de vulnerabilida-
des vivenciadas pelas famílias com
forte incidência no território. Neste
sentido, faz-se necessário realizar
um bom diagnóstico socioterritorial
– conhecer suas vulnerabilidades
e potencialidades e sua incidência,
de modo a constituir grupos de fa-
mílias com afinidades, necessidades
e características similares, de forma
a efetivar seu acompanhamento,
tornando-o um processo de compar-
tilhamento de experiências entre os
participantes, de reflexão sobre a re-
alidade, de acesso à informação so-
bre direitos e construção de projetos
de vida que possibilitem ampliação
dos direitos sociais.
Essa forma de acompanhamento fa-
miliar prevê: a) o desenvolvimento
de encontros com as famílias reuni-
das em grupo, por meio de um ou
mais representantes, sob a coorde-
nação de um técnico de nível su-
perior da equipe de referência do
CRAS; b) a elaboração de um Plano
de Acompanhamento Familiar, no
qual constarão os objetivos comuns
e específicos a serem alcançados
pelos participantes, bem como o
desenvolvimento do processo de
acompanhamento; c) a realização de
mediações periódicas com os téc-
nicos, para monitoramento e ava-
liação do processo de acompanha-
mento, efetividade da intervenção,
ampliação da capacidade protetiva
e estabelecimento de novos com-
promissos, quando for o caso; d) in-
serção em ações do PAIF, conforme
necessidades.  
Acredita-se que o acompanhamen-
to familiar em grupo contribui para
resultados mais efetivos, pois, ao
mobilizar um grupo de famílias,
propicia-se a troca de vivências que
tornam esse acompanhamento uma
experiência de empoderamento das
famílias e, consequentemente, do
território, pois promove o aumento
da capacidade das famílias de voca-
lizar suas demandas, produzir con-
sensos, de aceitar a diferença e de
negociar conflitos de modo não vio-
lento, a identificação e consolidação
de redes de apoio social, a constru-
ção de projetos comunitários, pro-
duzindo processos de protagonis-
mo e autonomia da população e de
responsabilização do poder público
por uma rede de proteção social e
garantia de direitos.
Para se efetivar o acompanhamento
em grupo, os profissionais devem
voltar seu olhar para as famílias e
os indivíduos.   Portanto, tanto as
dimensões individuais (de cada
família) quanto as do grupo (que
constituem identidades coletivas)
devem ser consideradas e trabalha-
das. O grupo não deve ter relevância
maior ou menor do que as pessoas
que o compõem.  Ou seja, é preci-
so relacionar o objetivo do trabalho
em grupo com as necessidades dos
seus participantes.
Sugestões de situações de vulnera-
bilidades que requerem a proteção
de assistência social para garantia
de seus direitos, nas quais deve ser
priorizado o acompanhamento fami-
23
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
liar em grupo, conforme decisão do
profissional e famílias9
:
•	 Dentre as famílias beneficiárias de
programa de transferência de ren-
da e dos benefícios assistenciais:
-- Famílias em situação de descumpri-
mento de condicionalidades do PBF,
cujos motivos ensejem acompanha-
mento do PAIF, conforme prioridades
pactuadas10
(ver meta 4);
-- Famílias com membros de 0 a 18 anos
fora da escola, cujo programa BPC na
Escola identificou barreiras ao acesso
à escola, que demandam acompanha-
mento do PAIF (ver meta5)11
;
-- Famílias do Plano Brasil sem Miséria.
•	 Famílias contrarreferenciadas ao
CRAS, pelo CREAS após desliga-
mento do PAEFI (ou, onde não hou-
ver, pela Proteção Especial) com:
9	 As situações de vulnerabilidade elencadas
são apenas sugestões para a organização do
acompanhamento familiar. Somente a avaliação
dos profissionais em conjunto com as famílias
da incidência e da complexidade de situações de
vulnerabilidade e das condições objetivas de
cada família, deve determinar se o processo de
acompanhamento familiar será realizado de modo
particularizado ou em grupo.
10	 Constantes do parágrafo 1º, do Art. 19 e
do parágrafo único do Artigo 20, do Protocolo
de Gestão Integrada de Serviços, Benefícios e
Transferências de Renda no âmbito do SUAS.
11	 São barreiras de acesso à escola que
ensejam acompanhamento familiar em grupos, pela
proteção básica: a) ausência de iniciativa da família
para estimular o acesso à escola; b) ausência de
iniciativa da família para estimular o convívio
sociofamiliar;c) dificuldade do beneficiário em
acessar a rede de serviços; e d) dificuldade da
família em acessar a rede de serviços.
-- criança e/ou adolescente retirado
do trabalho infantil ou com integrante
egresso de situações análogas a traba-
lho escravo;
-- criança/adolescente egresso de abri-
go, casa-lar ou família acolhedora; e
-- integrante retirado de situação
de rua.   
•	 Famílias pertencentes aos povos
e comunidades tradicionais (in-
dígenas, quilombolas, ciganos e
outros);
•	 Famílias vivendo em territórios
com conflitos fundiários (indíge-
nas, quilombolas, extrativistas,
dentre outros) ou vivendo em
contextos de extrema violência
(áreas com forte presença do cri-
me organizado, tráfico de drogas,
dentre outros);
•	 Famílias recém-retiradas de seu
território de origem, em função
da implementação de empreen-
dimentos com impactos ambien-
tais e sociais; ou que vivem em
áreas com risco de deslizamento
ou ainda em áreas atingidas por
calamidades públicas;
•	 Famílias com vínculos fragilizados
entre pais e filhos de 0 a 6 anos;
ou famílias monoparentais, com
filhos ou dependentes, com frágil
ou nulo acesso a serviços socioas-
sistenciais e setoriais de apoio;
•	 Famílias com criança(s) e ou
adolescente(s) que fica(m)
sozinho(s) em casa ou sob o
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
24
cuidado de outras crianças/ado-
lescentes; ou passa(m) muito
tempo na rua, devido à ausência
de serviços socioassistenciais,
de educação, cultura, lazer e de
apoio à família;
•	 Famílias com jovens de 15 a 17
anos, com defasagem escolar ou
fora da escola, com frágil ou nulo
acesso a serviços socioassisten-
ciais e setoriais de apoio;
•	 Famílias que não conseguem ga-
rantir a segurança alimentar de
seus membros ou com adoles-
cente grávida com precárias con-
dições para prover seu sustento;
•	 Famílias com um ou mais inte-
grante desaparecido(s), fale-
-cido(s), interno(s) ou egresso(s)
do sistema prisional, com espe-
cial atenção às internas gestan-
tes e nutrizes;
•	 Famílias ou indivíduos com vi-
vência de discriminação (étnico-
-raciais e culturais, etárias, de
gênero, por orientação sexual,
por deficiência e outras);
•	 Famílias que atendem os cri-
térios dos programas de trans-
ferência de renda e benefícios
assistenciais, mas que ainda não
foram contempladas; e famílias
com integrantes sem a devida
documentação civil.
 Acompanhamento 
particularizado
O acompanhamento particulariza-
do deve ser proposto às famílias
em situações de vulnerabilidades,
em condições desfavoráveis para
acompanhamento em grupo: seja
porque a família demanda uma
atenção rápida, por risco de retor-
nar à situação de extrema pobreza
ou recair em risco social; nos casos
em que a família tem dificuldades
de se deslocar até o CRAS (quando,
por exemplo, há pessoa que neces-
sita de cuidados); por necessidade
de proteção a algum de seus mem-
bros; quando a família não se sente
a vontade para participar do acom-
panhamento em grupo (sente-se in-
timidada e envergonhada); quando
a situação demanda sigilo; ou quan-
do seus horários são incompatíveis
com o do(s) grupo(s).
O acompanhamento familiar parti-
cularizado prevê: a) a elaboração de
um Plano de Acompanhamento Fa-
miliar, no qual constarão os objeti-
vos a serem alcançados pela família,
bem como o desenvolvimento do
processo de acompanhamento; b) a
realização de mediações periódicas
com os técnicos, para monitoramen-
to e avaliação do processo de acom-
panhamento, efetividade da inter-
venção, ampliação da capacidade
protetiva da família e definição de
novos compromissos, quando for o
caso; e c) inserção em ações do PAIF,
conforme necessidades.
25
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Sugestões de situações de vulnera-
bilidades que requerem a proteção
de assistência social para garantia
de seus direitos nas quais deve ser
priorizado o acompanhamento parti-
cularizado, conforme decisão do pro-
fissional e famílias12
:
•	 Dentre as famílias beneficiá-
rias de programa de transfe-
rência de renda e dos benefí-
cios assistenciais:
-- Famílias em situação de descumpri-
mento de condicionalidades do PBF,
em “suspensão do benefício por dois
meses” 13
, cujos motivos ensejem acom-
panhamento do PAIF  (ver meta 4);
-- Famílias com membros de 0 a 18 anos
fora da escola, cujo programa BPC na
Escola identificou barreiras ao acesso
a escola que demandam acompanha-
mento do PAIF (ver meta 5)14
.
•	 Famílias contrarreferenciadas ao
CRAS, pelo CREAS após desliga-
mento do PAEFI (ou, onde não hou-
ver, pela Proteção Especial) com:
-- Adolescente egresso de medida de
internação ou de medida socioeduca-
tiva em meio aberto;
-- Episódio pregresso de uma ou múl-
tiplas formas de violência ou egresso
12	 Idem nota 4.
13	 Conforme parágrafo 1º do Art. 19 e parágrafo
único do Artigo 20, do Protocolo de Gestão
Integrada de Serviços, Benefícios e Transferências
de Renda no âmbito do SUAS.
14	 São barreiras de acesso à escola
que ensejam acompanhamento familiar
particularizado da Proteção Básica: a) ausência de
acompanhamento para levar o beneficiário até a
escola, e b) ausência de cuidadores familiares.
de medidas aplicadas em decorrência
destes episódios (violência doméstica;
abuso e exploração sexual, violência
física ou psicológica contra criança/
adolescente; violência contra a mu-
lher; tráfico de seres humanos; etc.);
-- Integrante com história de uso abu-
sivo de álcool e outras drogas.
•	  Famílias com algum membro que
vive em isolamento;
•	 Família com denúncia de negli-
gência a algum de seus membros.
Ressalta-se que o acompanhamen-
to familiar realiza uma intervenção
técnica qualificada com objetivos
determinados, cuja efetividade de-
pende diretamente do compromis-
so do profissional responsável pelo
acompanhamento familiar, do coor-
denador do CRAS, do gestor munici-
pal de assistência e do prefeito, na
garantia dos direitos das famílias.
Isto é, é preciso que o prefeito defina,
junto com as secretarias setoriais dos
municípios, as articulações capazes
de assegurar o acesso das famílias a
serviços setoriais; que o gestor mu-
nicipal de assistência social reforce o
serviço de vigilância social; assegure
que as informações disponíveis sobre
as famílias cheguem com regulari-
dade e de forma territorializada aos
CRAS (assegurando a integração en-
tre benefícios, transferências de ren-
da e serviços) e comprometa-se em
qualificar continuamente a oferta dos
serviços socioassistencias; o coorde-
nador realize a gestão territorial da
rede socioassistencial e assegure que
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
26
a equipe de referência do CRAS tenha
uma atitude proativa na identificação
das famílias que serão inseridas no
acompanhamento das famílias; e que
o profissional de nível superior do
CRAS utilize seu arcabouço teórico-
-metodológico e técnico-político de
modo a propiciar às famílias um aten-
dimento efetivo e de qualidade15
.
Nessa direção, pode-se afirmar que
somente se realiza o acompanha-
mento familiar quando as famílias e
os profissionais definem conjunta-
menteosobjetivosaserematingidos,
as aquisições a serem alcançadas e o
percurso a ser trilhado para acesso a
direitos e superação de situações de
vulnerabilidade vivenciadas, cons-
truindo um Plano de Acompanha-
mento Familiar, realizando media-
ções periódicas com profissionais e
com inserção planejada em ações do
PAIF, se verificada a necessidade.
Buscou-se, no caso do não cumpri-
mento da variável “acompanhamen-
to de famílias”, identificar possíveis
interferências do número de profis-
sionais de nível superior; a existência
de coordenador e também da estru-
tura física (duas salas, sendo pelo me-
15	 Destaca-se que o Incentivo de Gestão
Descentralizada Municipal (IGDM) será destinado
ao aprimoramento da gestão do SUAS, bem
como ao aprimoramento da gestão dos serviços
socioassistenciais. Para o cálculo do IGDM 
será considerado a evolução do o IDCRAS,
além de outros indicadores. Quanto melhor os
resultados dos indicadores analisados, maior o
percentual de IGD será repassado ao município.
Assim, quanto mais o município alcançar as metas
de desenvolvimento do CRAS, melhor será seu ID
CRAS, e consequentemente, seu IGD.
nos uma com capacidade superior a
15 pessoas), entendendo que tanto
no acompanhamento particularizado
quanto no acompanhamento em gru-
po, há que se contar com estes espa-
ços, embora a existência de pelo me-
nos uma destas salas permita que a
atividade seja exercida, mesmo que
parcialmente, até que a solução de-
finitiva seja alcançada. A existência
da sala menor é importante porque
garante a realização do acompanha-
mento particularizado, do estudo
social e entrevistas individuais, sem-
pre que necessário, ou mesmo dos
atendimentos particularizados (que
venham a ser necessários ao longo
do processo de acompanhamento).  
Já as salas coletivas são fundamen-
tais para que o acompanhamento em
grupo ganhe centralidade no CRAS.  
Fica claro, assim, que para o exercí-
cio pleno desta atividade são neces-
sários profissionais de nível superior
bem preparados, capacitados e em
quantitativo suficiente, e que o CRAS
disponha de espaços apropriados.
Observa-se, conforme tabela 01, a
seguir, que 116 CRAS não realizam o
acompanhamento de famílias, ativi-
dade fundamental e central do PAIF.
Dentre os 116 CRAS que não reali-
zam acompanhamento de famílias,
um quantitativo elevado (71,6%)
não possui coordenador, profissio-
nal com funções de organização da
gestão do serviço como, por exem-
plo, análise de dados e informações
sobre as famílias residentes no terri-
tório; definição de critérios de prio-
27
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
rização de usuários no atendimento;
planejamento, junto com técnicos do
PAIF, do atendimento e acompanha-
mento às famílias; discussão regular
dos acompanhamentos e resultados
obtidos; distribuição de tarefas e atri-
buições entre os técnicos; organiza-
ção do processo de trabalho e enca-
minhamento regular de informações
e dados para o nível central, participa-
ção de reuniões regulares com equi-
pe da Secretaria, para garantir que as
atividades essenciais do CRAS sejam
realizadas e que seja assegurada ca-
pacitação para a equipe do CRAS. É
fundamental, portanto, que a equi-
pe do Estado aborde esta questão
com o gestor municipal, orientando-
-o sobre a necessidade de indicação
de um técnico de nível superior, com
vínculo estatutário ou comissionado,
com perfil descrito nas Orientações
Técnicas para o CRAS16
, para exercer
a função de coordenador.
16	 BRASIL. Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome. Orientações Técnicas:
Centro de Referência de Assistência Social – CRAS.
1 ed. Brasília: MDS, 2009.
Observa-se que a maioria dos CRAS
que não realizam o acompanhamen-
to familiar, 77,6% possui no mínimo
duas salas, sendo pelo menos uma
delas com capacidade superior a 15
pessoas17
. Conforme vimos, quando
os CRAS não dispuserem de espaço fí-
sico para realizar o acompanhamento
das famílias em grupos (22,4%), uma
solução emergencial é iniciar esta ati-
vidade por meio do acompanhamen-
to particularizado, até que o espaço
físico seja adequado.  Nestes casos,
deve-se priorizar as famílias para as
quais é adequado o acompanhamento
particularizado, elaborando o Plano de
Acompanhamento em comum acordo
com a família, prevendo responsabili-
dades das duas partes. Pode-se, adi-
cionalmente e como alternativa tem-
porária, articular um cronograma de
ações com outro equipamento público
do território, que disponha de espaço
para atividades em grupo, até que o
espaço físico seja adequado.
17	 Mais especificamente, 95,7% dos CRAS
possuem salas para até 15 pessoas e 80,2% possuem
salas para mais de 15 pessoas.
Tabela 01 – CRAS que não realizam acompanhamento de famílias
Situação	 Número de CRAS	 Percentual
Não realiza acompanhamento de famílias e	 116	 100%
Possui coordenador	 33	 28,4
Não possui coordenador	 83	 71,6
Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido	 81	 69,8
Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido	 35	 30,2
Possui 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas	 90	 77,6
Não alcança a meta: possuir 2 salas, sendo pelo menos 1 com 	
capacidade superior a 15 pessoas	 26	 22,4
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
28
Para todos os CRAS que não dispo-
nham do espaço físico necessário,
há que se reforçar junto ao gestor
municipal a necessidade de ade-
quação da estrutura física e de ela-
boração de Plano de Providências,
que deverá prever tanto a solução
definitiva quanto a(s) solução(ões)
temporária(s) para o cumprimento
desta meta.  Da mesma forma, cabe
ao Estado elaborar Plano de Apoio,
para o que poderá desenvolver linhas
de apoio financeiro para reforma e
construção de CRAS, especialmente
para aqueles que funcionam em es-
paços alugados e,ou com piores indi-
cadores na dimensão estrutura física.
A maioria dos CRAS que não alcançam
esta meta (69,8%) também possui o
quantitativo necessário de profissio-
nais de nível superior. Neste caso, é
importante problematizar, que, em-
bora os CRAS possuam o quantitativo
de profissionais, estes podem estar
exercendo outras funções que não
aquelas próprias do PAIF (como por
exemplo: cadastramento ou atuali-
zação cadastral de beneficiários do
Programa Bolsa Família; oficinas de
inclusão produtiva; desenvolvimento
dos serviços de convivência e forta-
lecimento de vínculos, dente outros),
o que acaba prejudicando a oferta do
serviço.  O estado deve estar atento
a esta questão, e orientar tecnica-
mente os profissionais e gestores
sobre o papel da equipe técnica dos
CRAS, em especial a dos técnicos de
nível superior, cuja função primordial
é ofertar o PAIF, e que muitas vezes
têm assumido outras atividades, ou
acumulado funções, em detrimento
da sua principal atribuição, que deve
ser assegurada desde já. O coordena-
dor do CRAS, por sua vez, deverá zelar
para que a equipe técnica de referên-
cia do CRAS assuma suas funções.
A adequação do quantitativo de pro-
fissionais também deve ser abordada
com o gestor municipal, atentando
para o prazo estipulado na Resolução
CIT 05/2010 (Anexo 1).
No caso dos CRAS que apresentam
problemas relativos a Recursos Hu-
manos e Estrutura Física, sugere-se
ainda a leitura das demais Orienta-
ções que compõem este documento.
Como o cumprimento desta meta
constitui a centralidade do PAIF, su-
gere-se que os estados organizem
processos de capacitação e formação
continuada da equipe de referência
dos CRAS sobre trabalho social com
famílias, para o que se torna central
abordar uma reflexão sobre o concei-
to de família: seus deveres e direitos;
a família no contexto da política de
assistência social; o significado de
território para a proteção social do
SUAS, dentre outros, preparando os
profissionais para que exerçam de
forma adequada sua função.
A meta que será apresentada a se-
guir, “realizar oficinas/grupos de
convivência com famílias”, deveria
ter sido cumprida no período anual
que se encerrou em 2010 e é uma
ação coletiva do PAIF fundamental
para o cumprimento de seus objeti-
vos, em especial fortalecimento dos
29
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
laços comunitários, o acesso a direi-
tos, o protagonismo e a participação
social. Também constitui importante
atividade complementar ao acompa-
nhamento familiar.
2. Realizar oficinas/grupos
de convivência com famílias
(2009/2010)
A presente meta faz referência à re-
alização de oficinas/grupos de convi-
vência com famílias. De modo a auxi-
liar na compreensão dessa ação, será
utilizada somente a denominação
“oficina”, evitando assim causar en-
tendimento equivocado dessa ação,
evitando confundi-la com o acompa-
nhamento familiar em grupo (meta 1).
Oficinas com famílias são compreen-
didas como encontros previamente
organizados, com objetivos de curto
prazo a serem atingidos, com um con-
junto de famílias, por meio de seus
responsáveis ou outros representan-
tes, sob a condução de técnicos de
nível superior do CRAS, com o intui-
to de suscitar uma reflexão sobre um
tema de interesse das famílias, sobre
vulnerabilidades e riscos ou poten-
cialidades identificados no território,
contribuindo para o alcance de aqui-
sições, em especial o fortalecimento
dos laços comunitários, o acesso a di-
reitos, o protagonismo, a participação
social e para a prevenção a riscos.
As oficinas com famílias favorecem
o processo de problematização e
reflexão crítica de questões muitas
vezes cristalizadas, naturalizadas e
individualizadas, possibilita o enten-
dimento de que os problemas viven-
ciados particularmente ou por uma
família são problemas que atingem
outros indivíduos e outras famílias;
contextualiza situações de vulnera-
bilidade e risco; e assegura a reflexão
sobre direitos sociais, possibilitando
uma nova compreensão e interação
com a realidade vivida, negando-se
a condição de passividade, favore-
cendo processos de mudança e de
desenvolvimento do protagonismo e
da autonomia e prevenindo a ocor-
rência de situações de risco social.
As oficinas constituem, assim, uma
ação socioeducativa, na medida em
que contribuem para a construção de
novos conhecimentos; favorecem o
diálogo e o convívio com as diferen-
ças; problematizam as incidências de
risco e vulnerabilidade no território,
estimulam a capacidade de parti-
cipação, comunicação, negociação,
tomada de decisões, estabelecem
espaços de difusão de informação e
reconhecem o papel de transforma-
ção social dos sujeitos.
Destaca-se também que a realização
de oficinas constitui importante instru-
mento de conhecimento das vulnerabi-
lidades e potencialidades do território,
pois incentiva a expressão de saberes e
percepções da população sobre seu lo-
cal de vivência, subsidiando o processo
de vigilância social do território. Assim,
ao mesmo passo que possibilita ao
Serviço aprofundar seu conhecimento
sobre o território, também propicia às
famílias a reflexão sobre o mesmo.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
30
O que são e como acessar nossos direitos (civis, políticos, sociais,
culturais, econômicos, ambientais):
1)  Direito à transferência de renda (programa Bolsa Família e outros programas
de transferência de renda) e benefícios assistenciais (BPC e Benefícios Eventuais):
promoção de discussões e reflexões sobre os direitos e deveres de quem recebe
tais benefícios, critérios de acesso, onde acessá-los, importância e dificuldades
para o cumprimento das condicionalidades, serviços disponibilizados no terri-
tório, encaminhamentos necessários, importância da atualização cadastral, que
unidade procurar para esta finalidade, dentre outros.
2)  Direito a Documentação Civil Básica (certidão de nascimento, CPF, RG, títu-
lo eleitoral): importância da documentação para o acesso a outros direitos,
dificuldades enfrentadas para ter acesso à documentação, encaminhamento
ao CRAS de pessoas sem documentação que venham a ser identificadas no ter-
ritório, etc.
3)  Direito a cultura e lazer: discussão e reflexão sobre a importância do aces-
so a serviços de cultura e lazer para o bem estar da população e prevenção
de violência no território; realização de atividades culturais e de promoção e
valorização da cultura local; resgate dos valores culturais do território, etc.
4)  Direitos das crianças e adolescentes: discutir as legislações de proteção
a esse público e riscos mais recorrentes no território, tais como trabalho
infantil, violência doméstica, atos infracionais cometidos por adolescentes,
uso de drogas, exploração e abuso sexual. Promover a reflexão sobre como
garantir esses direitos – as responsabilidades da família, da comunidade e do
Estado. Identificação das características do território na oferta de serviços
para crianças e adolescentes, onde acessar serviços de proteção relacio-
nados às situações de risco. Como identificar situações de risco e prevenir,
ações que podem ser desenvolvidas no território de forma a prevenir, etc.
5)  Direito das Mulheres: promover a reflexão sobre o isolamento social das
mulheres, a feminização da pobreza, violência contra mulheres, a sobrecarga
das mulheres na divisão das responsabilidades familiares, etc. Identificar ca-
racterísticas do território e do município que geram estratégias de superação
do isolamento, conhecer histórias de mulheres que influenciam a vida das fa-
mílias, ou que tenham sido importantes para o município.
6)  Direitos das pessoas idosas: discutir o estatuto do idoso e promover a
reflexão sobre os direitos e os cuidados necessários à pessoa idosa, a aces-
sibilidade aos serviços, direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).
7)  Direitos das pessoas com deficiência: promover a reflexão sobre os direi-
tos e os cuidados necessários com a pessoa com deficiência, acessibilidade e
inclusão nos serviços disponíveis no território, identificação de necessida-
des e de situações que impeçam seu isolamento social.
8)  Direito a alimentação e nutrição adequada: promover a reflexão sobre as di-
ficuldades enfrentadas para o usufruto do direito constitucional à alimenta-
ção em qualidade e quantidade adequada às necessidades nutricionais, bem como
traçar estratégias para a superação destas dificuldades.  O direito do acesso aos
programas de transferência de renda para os que estão nos critérios.
São sugestões de temas a serem desenvolvidos em oficinas com famílias:
31
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
As oficinas devem compor o quadro
de ações do PAIF de forma regular,
assumindo cada semana, quinzena
ou mês um tema comum ou diferente
a ser trabalhado, conforme demanda
do território e planejamento do Ser-
viço. Uma oficina pode dar origem a
uma ação coletiva, como campanha,
palestra, assim como pode contri-
buir para identificar uma família que
deve ser acompanhada ou uma famí-
lia que necessita de um atendimento
particularizado.
Os desafios da vida em família
1)  Os direitos das famílias, sua função protetiva e deveres do estado e das
famílias, as formas de comunicação, as formas de resolução de conflitos, os
papéis desempenhados pelos membros e a democratização do ambiente familiar
(divisão de tarefas, responsabilidades, etc).
2)  As especificidades do ciclo vital dos membros das famílias, as formas de
convívio intergeracional – construção dos vínculos protetivos e resolução
de conflitos intergeracionais, as ofertas existentes no território que garan-
tem a proteção dos membros mais vulneráveis das famílias.
3)  Cuidar de quem cuida: proporcionar a troca de experiências, expectativas
e receios vivenciados pelos familiares cuidadores de pessoas com deficiência,
pessoas idosas ou pessoas com doenças crônicas dependentes, a importância
da inclusão social dessas pessoas, as redes sociais existentes e avaliação da
necessidade de serviços no domicílio, planejamento de ações no território
que promovam inclusão social.
4)  O uso de álcool e, ou outras drogas na família: como prevenir, estratégias
de enfrentamento do vício, serviços disponíveis no território e no município,
alternativas de convívio no território para a juventude, crianças e adoles-
centes, a importância da ampliação dos espaços de circulação dos jovens, etc.
A vida no território: superando vulnerabilidades e identificando 	
potencialidades
1)  Território – construção humana: Discutir o conceito de território, provo-
car o conhecimento do território de vivência das famílias, sua história, ca-
racterísticas, e como o território impacta na condição de vida das famílias;
necessidades de serviços, etc.
2)  Território – problemas e soluções: elaboração de estratégias para identifi-
car e fortalecer suas potencialidades, bem como para mobilizar as famílias na
superação das vulnerabilidades enfrentadas.
Somente é possível afirmar que se
realiza oficinas/grupos de convivên-
cia com famílias se essa ação com-
puser de modo regular e planejado
o rol de ações do PAIF, com a finali-
dade de fortalecer os laços familiares
e comunitários, promover o acesso a
direitos, o protagonismo e a partici-
pação social e prevenir a ocorrência
de situações de risco. Se as ofici-
nas realizada(s) não tiver(em) sido
planejada(s) ou não tiver(em) objeti-
vos a serem alcançados, não se pode
afirmar que essa ação foi realizada.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
32
Investiga-se a possível relação do
não alcance desta meta com as se-
guintes variáveis do Censo SUAS/
CRAS 2010: quantitativo de Recur-
sos Humanos (número de profissio-
nais de nível superior), existência de
coordenador no CRAS; existência de
materiais pedagógicos, esportivos e
culturais; espaços físicos disponíveis
(possuir 2 Salas, sendo pelo menos
uma com capacidade superior a 15
pessoas), e oferta de serviços de con-
vivência e fortalecimento de vínculos
no CRAS.
Identificou-se, conforme tabela 02,
que 653 CRAS não realizam oficinas
com famílias, embora seja esta uma
das ações centrais do PAIF, visto que
possibilita o desenvolvimento da
sociabilidade e pertença, contribuin-
do para o fortalecimento dos laços
Tabela 02 – CRAS que não realizam oficinas/grupos de convivência com
famílias
Situação	 Quantidade de CRAS	 Percentual
Não realiza oficinas/grupos de convivência com famílias e	 653	 100%
Possui coordenador	 241	 36,9
Não possui coordenador	 412	 63,1
Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido	 501	 76,7
Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido	 152	 23,3
Possui materiais pedagógicos, culturais e esportivos disponíveis	 331	 50,7
Não possui materiais pedagógicos, culturais e esportivos disponíveis	 322	 49,3
Possui 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas	 488	 74,7
Não alcançou a meta: possuir 2 salas, sendo pelo menos 1 com
capacidade superior a 15 pessoas	 165	 25,3
OBS.: Dentre os 488 CRAS que não realizam oficinas e atingem uma das metas da dimensão	
estrutura física (possuir 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas),	
58,2% (284) realizam outro(s) Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
comunitários, o acesso a direitos, o
protagonismo, a participação social
e para a prevenção a riscos.
Dentre os CRAS que não realizam ofi-
cinas observa-se que mais da meta-
de (63,1%) não possui coordenador,
profissional responsável pela gestão
do PAIF. Para o atendimento de famí-
lias no CRAS, faz-se necessário orga-
nizar a oferta de ações coletivas e
particularizadas, o que depende do
conhecimento do território, das in-
cidências de vulnerabilidades e ris-
cos e do desenho das estratégias de
prevenção que serão desenvolvidas
com as famílias, dentre elas as ofici-
nas. Esta organização depende de
planejamento, monitoramento e ava-
liação, sendo, portanto, imprescindí-
vel a presença de um coordenador.    
É importante, para o cumprimento da
33
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
meta, que o estado esclareça o ges-
tor municipal sobre a necessidade da
indicação imediata de um dos técni-
cos de nível superior, que atenda aos
critérios de vínculos estabelecidos
para este período anual e com perfil
compatível, para a função de coor-
denador desta unidade pública. Do
contrário, cabe a elaboração de Pla-
no de Providências.
Por outro lado, conforme observação
constante da tabela 02, 58,2% dos
CRAS também ofertam, em suas de-
pendências, serviço(s) de convivên-
cia e fortalecimento de vínculos, dos
quais266 (54,5%) possuem apenas
uma sala com capacidade superior a
15 pessoas, o que pode estar criando
demanda concorrente pelo espaço fí-
sico. É importante que o estado esteja
atento ao fato de que os CRAS podem
ofertar outros serviços de proteção
básica, mas apenas quando esteja ga-
rantida a oferta com qualidade do PAIF,
conforme estabelecido nas normativas
do SUAS. Nos casos em que houver
compartilhamento de salas entre PAIF
e outros serviços de proteção básica, o
estado deverá orientar o gestor e o co-
ordenador do CRAS para organizar cro-
nogramas de atividades, garantindo es-
paço para oferta dos serviços sem que
haja qualquer tipo de prejuízo ao PAIF.  
Dependendo das variáveis envolvidas
no cumprimento desta meta, será ne-
cessárioelaborarPlanodeProvidências
que garanta o ajuste da oferta do PAIF
e dos serviços de convivência, mesmo
que estes últimos tenham de ser deslo-
cados para outro espaço físico, no terri-
tório do CRAS.
Fica ainda evidenciado que o não al-
cance dessa meta não está fortemente
relacionado à ausência de espaço físi-
co,jáque74,7%dosCRASpossuemno
mínimo duas salas, sendo pelo menos
uma delas com capacidade superior a
15 pessoas. No entanto, para aqueles
CRAS em que a atividade não é reali-
zada por falta de sala para mais de 15
pessoas, há que se prever solução para
que a meta seja cumprida.  
O local para o desenvolvimento das
oficinas é de grande relevância, visto
que ele passa a ser referência para
as famílias, o “ponto de encontro”. O
espaço físico precisa ser adequado,
refletindo um ambiente acolhedor e
favorável às trocas, interação e con-
vivência de seus participantes. Suge-
re-se, entretanto que, caso o motivo
do não cumprimento desta meta seja
a não existência de sala com capa-
cidade para 15 ou mais pessoas no
CRAS, seja temporariamente identifi-
cado espaço próximo, em outra uni-
dade pública do território, ou encon-
tradas alternativas mais adequadas
a cada realidade, de forma que esta
ação seja garantida aos usuários do
SUAS.
Ressalta-se, porém, que a utilização
de espaços fora do CRAS devem ser
uma alternativa emergencial, pois a
utilização prolongada abre margem
para descontinuidade das ativida-
des. Portanto, essa utilização deverá
ser prevista como emergencial no
Plano de Providências, sendo obri-
gatório também prever prazos para
a solução definitiva.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
34
Verifica-se que 76,7% dos CRAS que
não realizam oficinas têm o quan-
titativo de técnicos de nível supe-
rior conforme estabelecido para o
período vigente. Porém, o estado
deve alertar os gestores municipais
para o fato de que os CRAS têm de
funcionar com as equipes técnicas
completas, por 40 horas semanais.
Além disso, as equipes podem estar
sobrecarregadas, executando outras
atividades que não estejam direta-
mente relacionadas às suas funções.
Se isto estiver ocorrendo, certamen-
te haverá prejuízo para a realização
das atividades do PAIF, o que pode
estar impactando na não realização
das oficinas.  Neste caso, faz-se ne-
cessário orientar o gestor municipal
(e do DF) sobre a garantia imediata
da oferta do atendimento às famí-
lias pelo PAIF; bem como avaliação
da necessidade de um quantitativo
maior de técnicos de forma a garantir
a oferta dos serviços de convivência
(sempre que os técnicos de nível su-
perior estiverem sendo desviados de
sua função para ofertar serviços de
convivência no CRAS ou fora dele) e/
ou de outras atividades que os técni-
cos estejam assumindo (atualização
cadastral, por exemplo).
Nos CRAS nos quais esta meta não
vem sendo cumprida por falta de re-
cursos humanos, é necessário que o
estado discuta essa prioridade com
o gestor municipal, esclarecendo
sobre a importância do cumprimen-
to desta meta de desenvolvimento
dos CRAS, bem como necessidade
de elaboração de Plano de Providên-
cias, sempre que não for possível
cumprir imediatamente a meta.
Finalmente, constata-se que 49,3%
dos CRAS que não realizam esta ação
não possuem materiais pedagógicos,
culturais e esportivos. Este pode ser
um dos fatores que também limitam
o desenvolvimento desta ação cole-
tiva de atendimento às famílias. Vale
ressaltar a necessidade de o estado
orientar o gestor municipal e o coor-
denador do CRAS, sobre que mate-
riais são adequados a esta atividade
e informar quais recursos podem
ser utilizados para essa finalidade,
consideradas as fontes de finan-
ciamento de cada CRAS. Os saldos
em conta de recursos destinados
aos serviços de proteção básica, na
forma dos pisos de proteção básica
(cofinanciamento do MDS), também
poderão ser utilizados para esse fim,
excetuando-se os saldos do Projo-
vem Adolescente, que só podem ser
aplicados no próprio serviço. Infor-
mações referentes à utilização de
recursos do cofinanciamento federal
poderão ser obtidas na Nota Técnica
“Orientações referentes à aplicação
e reprogramação dos recursos finan-
ceiros repassados pelo Fundo Nacio-
nal de Assistência Social”, disponível
no site do MDS: http://www.mds.gov.
br/assistenciasocial.
Sugere-se ainda que o estado orien-
te as equipes dos CRAS quanto à im-
portância e complexidade do desen-
volvimento de oficinas com famílias.  
Como a preparação das oficinas de-
manda planejamento, estudo de te-
35
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
mas, pesquisa das técnicas a serem
utilizadas, articulação com outros
profissionais que possam contribuir
para qualificar os conteúdos a serem
desenvolvidos, a capacitação e for-
mação continuada dos técnicos de
nível superior e coordenadores do
CRAS devem ser asseguradas, com
todo o suporte técnico necessário
para que esta seja uma construção
coletiva.
A meta seguinte, que se refere à re-
alização de visitas domiciliares, é es-
tratégica para localização de famílias
em situação de maior vulnerabilida-
de social, ou que tenham dificulda-
des de acessar o CRAS. É elemento
importante para o trabalho social
com famílias referenciadas ao CRAS,
para o acesso a serviços e benefícios,
e conaduna-se com a concepção de
que a equipe do CRAS deve se deslo-
car até os usuários mais vulneráveis.
3. Realizar visitas 
domiciliares (2008/2009)
A visita domiciliar constitui pro-
cedimento que compõe algumas
ações do PAIF, com destaque para
a acolhida e para a ação particu-
larizada (com uma família ou com
alguns membros de uma mesma
família).
A visita domiciliar deve ser realiza-
da com o consentimento da família.
Sugere-se, para facilitar o desenvol-
vimento do processo de comunica-
ção, o estabelecimento, sempre que
possível, de um contato prévio entre
os profissionais e a família e o agen-
damento da visita domiciliar.  
É utilizada para o atendimento às
famílias em sua unidade domiciliar,
em situações específicas, nas quais
a família, em especial o responsável
familiar, apresente dificuldades em
comparecer ao CRAS, por vulnerabi-
lidades diversas.  Tem, portanto, im-
portância grande, na medida em que
a equipe de referência do CRAS des-
loca-se para chegar até um possível
usuário, identificado pela equipe por
algum motivo, significando, em vá-
rios casos, a possibilidade de a famí-
lia acessar os serviços do SUAS e ter
seus direitos garantidos. As visitas
domiciliares podem ainda ser utiliza-
das como estratégia de aprofunda-
mento de intervenções que não são
possíveis em grupo, de vinculação
da família ao PAIF e para mobilizar
redes sociais de apoio à família.
Ao se locomoverem até o domicí-
lio das famílias, é possibilitado aos
técnicos conhecer a realidade dos
territórios, as formas de convivência
comunitária, arranjos familiares - rol
de informações muito importantes
para adequar as ações do PAIF para
o alcance do seu caráter preventivo,
proativo, protetivo e garantidor de
direitos.
A visita domiciliar deve compor o
quadro de atividades regulares do
PAIF, fazer sentido no conjunto das
ofertas e ser sistematicamente pla-
nejada.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
36
No caso da variável “realização de
visitas domiciliares”, buscou-se
identificar possíveis interferências
do quantitativo de Recursos Huma-
nos (número de profissionais de nível
superior), a existência de transporte
(existência de veículo no CRAS - ex-
clusivo ou não), e a existência de co-
ordenador, elementos fundamentais
desta atividade.
Conforme dados da tabela 352 CRAS
não cumprem a meta de realizar vi-
sitas domiciliares, atividade funda-
mental para acompanhamento de
casos nos quais há impossibilidade
de locomoção de algum membro da
família.
A inexistência de veículo não se
mostrou uma variável recorrente a
ponto de indicar uma possível cor-
relação com a não realização de
visitas domiciliares (nem mesmo
nos municípios de médio e grande
porte), visto que 76,9% dos CRAS
que não realizam visitas domicilia-
res possuem veículo. Há, no entan-
to, que se verificar, nestes casos, se
o veículo está disponível para uso
da equipe técnica do CRAS.   Para
os 23,1% de CRAS que não reali-
zam visita domiciliar e não possuem	
veículo, há que se verificar se a
não existência do veículo tem sido
o principal motivo do não cumpri-
mento desta meta.  Caso sim, cabe
orientação ao gestor municipal, e
definição, em Plano de Providên-
cias, de estratégias que assegurem
que de imediato esta atividade seja
iniciada (por exemplo, por utilização
de veículo(s)disponível(is) na secre-
taria municipal de assistência social,
com previsão de escala(s) para o(s)
CRAS), mas também que uma solu-
ção definitiva seja prevista. Nas lo-
calidades onde não for necessário
uso de veículo, outras alternativas
de deslocamento das equipes po-
derão ser encontradas, de forma a
se garantir o acesso das equipes, às
famílias que necessitam da prote-
ção do Estado.  
Dentre os CRAS que não realizam vi-
sitas domiciliares, cerca de 40% não
possuem o quantitativo, exigido para
Tabela 03 – CRAS que não realizam visitas domiciliares
Situação	 Número de CRAS	 Percentual
Não realiza visitas domiciliares e	 52	 100%
Possui veículo	 40	 76,9
Não possui veículo	 12	 23,1
Possui coordenador	 19	 36,5
Não possui coordenador	 33	 63,5
Possui quantitativo de técnicos de 	
nível superior exigido	 31	 59,6
Não possui quantitativo de técnicos de 	
nível superior exigido	 21	 40,4
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
37
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
o período 2010/2011, de técnicos
de nível superior. Esta é uma situa-
ção que exige que o estado oriente
o gestor para a alcance das metas
de recursos humanos, ou para a ela-
boração de Plano de Providências,
onde o município deverá prever um
prazo para compor a equipe técnica,
de acordo com as metas previstas na
Resolução CIT nº 05/10.  
Cerca de 60% de CRAS que não re-
alizam visita domiciliar atendem o
quantitativo exigido de RH. Nestes
casos, há que se verificar se o CRAS
tem coordenador.   Caso sim, cabe
questionar se a  equipe está ocupa-
da com outras funções que a des-
viam desta tarefa; se não dispõe de
informações (e dados) estratégicos
para realizar as visitas; ou não com-
preende a necessidade de realização
destas visitas.  Muitos CRAS ainda
trabalham de modo reativo, ou seja,
em reação à busca das famílias pelo
serviço.  Um dos desafios da prote-
ção básica é fazer compreender aos
coordenadores e equipes de CRAS,
bem como gestores municipais, so-
bre a importância das visitas domici-
liares como instrumento de inclusão
da população vulnerável potencial-
mente usuária da Assistência Social.  
Uma variável relevante, que parece
impactar muito na não realização de
visitas domiciliares, é a inexistência
do coordenador. Afinal, dentre suas
funções está a de gerir as informa-
ções do território, definindo e pro-
gramando, junto com a equipe, quais
famílias deverão receber visitas do-
miciliares, seja nas ações de acompa-
nhamento familiar, de atendimento
das famílias, ou de busca ativa. Dos
CRAS que informaram não realizar
essa meta, 63,5% não possuem co-
ordenador. Portanto, para seu cum-
primento, é necessário que o estado
oriente o gestor, para que designe e
capacite, o mais rápido possível, um
dos técnicos de nível superior para
exercer a função de coordenador.
Qualquer que seja o motivo do não
cumprimento desta meta de desen-
volvimento do CRAS parece perti-
nente que o estado invista em ca-
pacitação, formação continuada e
orientação técnica para superação
do descumprimento de normativa.  
No caso dos CRAS que não recebem
regularmente informações que auxi-
liem nas decisões relativas à realiza-
ção das visitas domiciliares, é impor-
tante capacitar os gestores, diretores
e equipes das Secretarias Municipais
para que organizem a disponibiliza-
ção de informações estratégicas para
que as equipes dos CRAS possam
planejar esta atividade, sempre que
necessário.
As duas próximas metas (números 4
e 5) referem-se a públicos que de-
vem ser prioritariamente inseridos
no acompanhamento de famílias,
sempre que identificada necessida-
de ou interesse.  Como são públicos
prioritários, é importante que se dis-
ponha de informações sistemáticas
no CRAS, sobre estas famílias, que
deverão ser contatadas pela equipe
técnica de nível superior do CRAS,
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
38
sempre que necessário, por meio da
busca ativa (ver meta 8), que pode se
materializar inclusive por meio de vi-
sita domiciliar.  Para tanto, será neces-
sário que as Secretarias Municipais (e
do DF) garantam, sob sua coordena-
ção, a gestão articulada de serviços,
benefícios e transferência de renda,
de forma a viabilizar a localização da-
quelas famílias que se encontram em
situação de vulnerabilidade ou risco
social, para que lhes sejam garantidos
os direitos sociais e de forma a con-
tribuir para organizar o trabalho das
equipes dos CRAS.
Os municípios e DF devem se atentar
para as diferenças na regularidade de
envio de informações para os CRAS,
em se tratando de famílias benefici-
árias de transferência de renda ou de
beneficiários do BPC, bem como para
os procedimentos a serem adotados,
em cada caso, conforme previsto no
Protocolo de Gestão Integrada, refle-
tindo, portanto, diferentes estraté-
gias a serem adotadas pelas equipes
de referência do CRAS.
Para auxiliar o cumprimento destas
metas, sugere-se que o município
organize, na gestão da Secretaria, a
área de Vigilância Social, designando
a esta a responsabilidade de gerir o
fluxo de informações entre o órgão
gestor e os CRAS.  A área de Vigilân-
cia Social deve assegurar aos CRAS o
acesso às listagens territorializadas
(nomes e endereços de beneficiá-
rios BPC, do Bolsa Família, inclusive
das famílias em descumprimento de
condicionalidades, e do Plano Brasil
sem Miséria,) necessárias para pla-
nejar a priorização de atendimento,
acompanhamento e de busca ativa.  
Deve, ainda, orientar acerca da ne-
cessidade de ações de busca ativa e
coletar informações junto aos CRAS
e, quando for o caso, inseri-las nos
sistemas de informação necessários
(por exemplo, o Sistema de Condi-
cionalidades - SICON), de forma a
observar e analisar as ofertas e ações
das unidades, vis-a-vis as necessida-
des do território.
  4. Acompanhamento 
prioritário das famílias 
em descumprimento de 
condicionalidades do 
Programa Bolsa Família (PBF)
– (2009/2010)
O acompanhamento prioritário das
famílias em descumprimento de con-
dicionalidades do PBF é uma impor-
tante ação do PAIF, na medida em que
a identificação dos motivos de des-
cumprimento pode desvelar situações
reveladoras do alto grau de vulnera-
bilidade das famílias. As condiciona-
lidades visam o reforço do direito de
acesso às políticas de saúde, educação
e assistência social, possibilitam pro-
mover a melhoria das condições de
vida da família beneficiária e reforçam
a responsabilização do poder público
na garantia de oferta desses serviços.
O adequado monitoramento do des-
cumprimento de condicionalidades
torna-se fundamental para a localiza-
ção das famílias, bem como para iden-
39
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
tificação de riscos e vulnerabilidades
que dificultam o seu acesso aos servi-
ços sociais a que têm direito.
A atividade de acompanhar as famí-
lias em descumprimento de condicio-
nalidades, por meio do PAIF, não deve
ser imposta, mas sim construída em
conjunto com a família, com vistas à
superação dos fatores que geraram
o descumprimento de condicionali-
dades. Algumas famílias requererão
acompanhamento particularizado,
outras acompanhamento em grupo,
já outras demandarão atendimento
(ver meta 1).
O acompanhamento familiar vol-
tado a esse público deve seguir as
orientações gerais que tratam do
acompanhamento familiar no âmbi-
to do SUAS. O Protocolo de Gestão
Integrada (Art 20, § único) afirma que
o acompanhamento “às famílias do
PBF e PETI que estão em “suspensão
do benefício por dois meses” deverão
ter caráter mais particularizado, ten-
do seu acesso garantido por meio de
busca ativa, de modo a assegurar o
direito das crianças, adolescentes e jo-
vens, bem como a segurança de renda
da família. As demais famílias deverão
ser acompanhadas por meio de ativi-
dades de caráter mais coletivo.”
Com o intuito de apoiar os municí-
pios, DF e estados nesse processo, o
Protocolo de Gestão Integrada pre-
vê que o MDS deverá disponibilizar
informações sobre as famílias em
descumprimento de condicionalida-
des (do Programa Bolsa Família e do
Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil/PETI), o que foi cumprido por
meio do SICON e outros sistemas da
RedeSUAS.
De acordo com o protocolo, cabe ao
Estado analisar e sistematizar infor-
mações recebidas e outros dados dis-
poníveis, e apoiar os municípios no
desenvolvimento de estratégias para
prevenção e enfrentamento de situa-
ções de vulnerabilidade e risco social.
Os municípios e DF devem, por sua
vez, garantir que as informações ter-
ritorializadas cheguem aos CRAS (ou
CREAS), com a regularidade necessá-
ria, de forma a enriquecer o conhe-
cimento do território de abrangência
do CRAS e possibilitar a localização
destas famílias (por busca ativa ou
visita domiciliar).  
Todo processo de acompanhamento
familiar deverá ser registrado, pelo
técnico, no Prontuário da Família.
Sempre que se tratar de famílias em
descumprimento de condicionali-
dades em “suspensão do benefício
por dois meses”, cujos motivos en-
sejem acompanhamento pelo PAIF,
e o técnico responsável pelo acom-
panhamento considerar pertinente
a interrupção temporária dos efeitos
do descumprimento de condicionali-
dades do PBF, deve-se assegurar que
este registro (posicionamento favo-
rável do técnico à interrupção) seja
inserido no Módulo de Acompanha-
mento Familiar do SICON. A inserção
da informação no sistema pode ser
realizada pelo gestor do PBF, (que se-
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
40
rão registradas em formulário, a mão
e depois registradas no Sistema); ou
diretamente pelo profissional que
realiza o acompanhamento familiar,
desde que tenha acesso ao sistema
para inserção de dados18
.  No caso
dos CRAS que não acessam o SICON 
e que a inserção da informação será
feita por outro profissional que não
o técnico responsável pelo acompa-
nhamento da família, é muito impor-
tante que seja garantido o sigilo das
informações prestadas pela família
ao profissional do PAIF.  Estas infor-
mações estarão registradas, a mão,
em formulário e deverão chegar, de
forma sigilosa, até o profissional que
as lançará no Sistema.
O SICON  permite que o município
ou DF, no nível central, visualize to-
das as famílias em descumprimen-
to, para as quais houve interrupção
temporária dos efeitos do descum-
primento, que estão em acompa-
nhamento. Desde que atendida ou
acompanhada pelo PAIF ou PAEFI,
essa ferramenta permite ainda que a
família tenha sua segurança de ren-
da afiançada, mesmo que esteja em
descumprimento de condicionalida-
des, contribuindo para a superação
das dificuldades que a impedem de
cumprir as condicionalidades.
Explicando melhor, nos casos atinen-
tes à Proteção Básica, a equipe de
18	 A decisão sobre quem deve inserir
informação no SICON deverá ser tomada pelo
gestor municipal, que deverá garantir a estrutura
necessária (equipamentos, recursos humanos) e a
definição de fluxos e procedimentos.
referência do CRAS, após receber as
informações territorializadas, deve
fazer um estudo social e verificar
se o descumprimento de condicio-
nalidades materializa a ocorrência
de situações de vulnerabilidade e
risco social, traçando estratégias de
atendimento condizentes com as se-
guranças afiançadas pela política de
assistência social (Protocolo de Ges-
tão Integrada Art 21, §1°), bem como
de encaminhamento para outros
setores, ou para Proteção Especial,
sempre que necessário. Devem ser
atendidas ou acompanhadas pela
Proteção Social Básica as famílias
cujo motivo de descumprimento de
condicionalidades, de pelo menos
um de seus membros, seja “gravidez
na adolescência” e, “negligência dos
pais ou responsáveis em relação à
criança ou ao adolescente”.
O Protocolo ainda enfatiza que nos
casos de descumprimento de condi-
cionalidades sem motivo informado
pela educação, tão logo as causas do
descumprimento sejam identifica-
das, a equipe do CRAS deve informar
ao órgão gestor da Assistência Social,
para registro no SICON19
, para que
tome as providências cabíveis, por
nível de proteção social adequado
(Protocolo de Gestão Integrada Art.	
21, § 2°). Se o motivo do descumpri-
19	  Na maior parte dos municípios, em que o
Cadastro Único e a gestão do Bolsa Família estão
sob responsabilidade da Secretaria de Assistência
Social, o Secretário Municipal ou do DF (ou quem
ele designar) definirá o responsável por fazer o
registro no SICON, podendo ser o profissional
responsável pelo PBF no município ou os próprios
técnicos (ou outro profissional) do CRAS.
41
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
mento se referir a outras políticas se-
toriais, a equipe do CRAS, na pessoa
do coordenador, deverá comunicar o
órgão gestor da área específica (Art.
24, § único).
Concluindo, o(s) profissional(is) res-
ponsá-vel(is) pelo acompanhamento
das famílias em descumprimento de
condicionalidades, deverão registrar
no SICON  (ou encaminhar informa-
ção para registro) todas as famílias
para as quais se fez opção pela in-
terrupção temporária dos efeitos do
descumprimento de condicionalida-
des sobre o benefício (Art. 11, IX). A
interrupção visa conceder o tempo
necessário para que as situações de
vulnerabilidade e risco sociais, que
impedem ou dificultam o acesso das
famílias aos direitos de educação,
saúde e assistência social, previstos
pela Constituição Federal, sejam su-
peradas, num esforço conjunto entre
poder público e família.
Este esforço, no campo da assis-
tência social, se traduz na inserção
dessa família em processo de acom-
panhamento e ou atendimento e re-
gistro no SICON, pelo menos a cada
seis meses, até que a família volte a
cumprir as condicionalidades, quan-
do deverá ser analisada a pertinên-
cia do seu desligamento do acompa-
nhamento do PAIF.
Ressalta-se mais uma vez que o re-
gistro do acompanhamento familiar
no SICON não substitui o registro do
acompanhamento familiar, de forma
detalhada, em prontuário, que deve
ser mantido no CRAS, para todas as
famílias acompanhadas; nem a cons-
trução do Plano de Acompanhamen-
to Familiar (ver meta 1). A Interrupção
Temporária dos Efeitos do Descum-
primento de Condicionalidades, que
motiva o preenchimento do SICON,
constitui-se numa medida que os
técnicos devem lançar mão sempre
que a considerarem importante, no
processo de acompanhamento, para
a garantia dos direitos das famílias.
Caso os técnicos do CRAS não aces-
sem o SICON, será necessário que
encaminhem com regularidade a
ser definida pela Secretaria Muni-
cipal ou do DF, informações que,
após encaminhadas ao órgão cen-
tral, deverão ser registradas no SI-
CON, por profissional designado
para esta função, com cuidado para
não perder prazos importantes,
que possam representar prejuí-
zos para as famílias beneficiárias
de transferência de renda do PBF.
O acompanhamento prioritário das
famílias em descumprimento de
condicionalidades do PBF somente
compõe o rol de atividades do PAIF
se há uma intencionalidade por par-
te da equipe de referência do CRAS
em atender tal público com prece-
dência – por meio de busca ativa e
planejamento das ações a serem
empregadas no acompanhamento,
de acordo com a situação vivenciada
pela família, bem como pelo tipo de
efeito já aplicado, conforme previs-
to no Protocolo de Gestão Integrada.
Para tanto, os CRAS (e CREAS) de-
pendem da disponibilização siste-
mática de informações, por parte do
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
42
município ou DF, territorializadas,
sobre as famílias em descumpri-
mento de condicionalidades, moti-
vos, e se em advertência, bloqueio,
1ª suspensão ou 2ª suspensão.
A senha de acesso ao SICON deve
ser fornecida pelo gestor municipal
do PBF, tanto para técnicos da Secre-
taria de Assistência Social, quanto
para o coordenador e técnicos do
CRAS, se for o caso. A definição de
quem deve ter acesso é do Secretá-
rio Municipal de Assistência Social,
ou quem ele designar.
Adisponibilizaçãodeinformaçõesaos
CRAS (e CREAS), pela Secretaria, bem
como análise do retorno de informa-
ções das unidades de proteção básica
(e especial), coloca o desafio, para os
gestores, de incrementar a vigilância
social do município ou DF, de forma
a possibilitar a identificação das famí-
lias que deverão ser acompanhadas
(ou atendidas) pela proteção básica;
o conhecimento das necessidades
de serviços nos territórios dos CRAS
e da ocorrência de vulnerabilidades
e riscos em âmbito municipal ou Dis-
trital.   Faz-se ainda necessário esta-
belecer diretrizes que fortaleçam a
articulação em rede no(s) território(s)
e garantir a capacitação das equipes
para que incluam as famílias que ne-
cessitam, nos serviços do SUAS, con-
tribuindo para a consolidação de uma
rede de proteção social.
No caso da variável relativa ao acom-
panhamento prioritário das famílias
em descumprimento de condicio-
nalidades do PBF foi investigada a
possível interferência do “uso de lis-
tagens de beneficiários do Programa
Bolsa Família”; “acesso ao SICON”;
“acesso a computador com internet
no CRAS”; “existência de coordena-
dor”; e quantitativo de Recursos Hu-
manos, por meio da variável “número
de profissionais de nível superior”.  
Conforme se observa na Tabela 04 a
seguir, dos 1.541 CRAS que não rea-
lizam o acompanhamento prioritário
das famílias em descumprimento de
condicionalidades do PBF, 1.167 (cerca
de 76%) possuem o quantitativo de
técnicos de nível superior previsto para
o período anual 2010/2011.  No caso
dos 374 CRAS que não dispõem do
quantitativo de técnicos exigido, faz-se
necessário adequar o quanto antes, de
forma a garantir condições básicas para
o cumprimento dessa meta.
Por outro lado, constata-se que
65,8% dos CRAS que não cumprem
esta meta não possuem coordenador.
Essa situação é preocupante, haja
vista a relevância do coordenador do
CRAS no processo de gestão articu-
lada entre transferência de renda e
serviços. Na orientação inicial sobre
esta meta fica clara a importância
do papel de gestão, tanto das Se-
cretarias quanto dos CRAS, para seu
cumprimento. Neste sentido, nos ca-
sos em que não há coordenador de-
signado, é importante que o gestor
municipal (ou do DF) seja orientado
a designar um coordenador; definir
fluxos para que a gestão articulada
entre serviços e transferência de
renda funcione; e que o coordenador
43
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
seja capacitado, o que pode (e deve)
ser feito com apoio técnico da equi-
pe do estado.  
Nos dois casos aqui analisados (CRAS
sem quantitativo de técnicos de ní-
vel superior exigido e sem coorde-
nador designado), faz-se necessário
elaborar Plano de Providências para
que medidas mais definitivas sejam
adotadas, de constituição da equipe
de referência do CRAS, inclusive com
designação de coordenador, caso a
meta ainda não tenha sido cumprida.
No entanto, o cumprimento desta
meta depende de outras variáveis,
além da equipe técnica e de sua ca-
pacitação, relacionadas à implanta-
ção do Protocolo de Gestão. Neste
sentido, é interessante constatar que,
embora 72% dos CRAS que não cum-
prem essa meta possuam computa-
dor com acesso a internet no CRAS,
81,7% não possuem ou não utilizam
as listagens das famílias em descum-
primento e 77,7% não possuem aces-
so ao SICON. Primeiramente, há que
se chamar atenção para a qualidade
da rede que dá acesso à internet que,
em muitos casos, é precária. Além dis-
so, os dados evidenciam que o fato
de um CRAS ter computador e acesso
a internet não significa que ele tenha
acesso online aos aplicativos, visto
que cerca de 78% dos CRAS não têm
acesso ao SICON.  
Tabela 04 – CRAS que não realizam acompanhamento prioritário das
famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF
Situação
Número de
CRAS
Percentual
Não realiza acompanhamento prioritário das famílias em
descumprimento de condicionalidade do PBF e
1.541 100%
Realiza acompanhamento de famílias em descumprimento de
condicionalidades
830 53,9
Não realiza acompanhamento de famílias em descumprimento de
condicionalidades
711 46,1
Utiliza listagens 282 18,3
Não possui ou não utiliza listagens 1.259 81,7
Tem acesso ao SICON para consulta/pesquisa 343 22,3
Não tem acesso ao SICON 1.198 77,7
Possui computador com acesso à internet 1.110 72,0
Não possui computador com acesso à internet 431 28,0
Possui coordenador 527 34,2
Não possui coordenador 1.014 65,8
Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 1.167 75,7
Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 374 24,3
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
44
Outro dado que chama atenção é
que cerca de 82% dos CRAS não re-
cebem, ou não utilizam as listagens
das famílias em descumprimento.
Nos casos em que as condições para
a implantação do Protocolo não es-
tejam dadas, será necessário orientar
o gestor municipal (ou do DF) para
que institua procedimentos que ga-
rantam que a informação territoriali-
zada (no caso de municípios que têm
mais de um CRAS), sobre famílias em
descumprimento, cheguem às mãos
do coordenador do CRAS, com regu-
laridade; e que este seja orientado a
coordenar o processo de busca ativa
das famílias mais vulneráveis; fazen-
do com que a equipe técnica dê os
retornos necessários sobre famílias
em acompanhamento para a equipe
responsável pelo preenchimento do
SICON. Esse processo terá de ser or-
ganizado para que a gestão articula-
da entre serviços e transferência de
renda se efetive em todos os muni-
cípios brasileiros. Trata-se, portanto,
de instituir os elementos fundamen-
tais para que o Protocolo de Gestão
Integrada20
seja implantado.  
O estado precisa orientar o gestor
sobre necessidade de organizar a
gestão de serviços e transferência de
renda e deve assessorar o município,
caso seja do seu interesse, a organi-
zar os processos, com instituição de
fluxos de informação e procedimen-
tos entre a Secretaria de Assistência
Social e os CRAS; bem como de leitu-
20	 Conforme previsto nos artigos 7º e 21 do
referido Protocolo.
ra e planejamento de ações do PAIF,
a partir das informações recebidas,
pelo coordenador do CRAS. Uma vez
mais, cabe destacar a importância
de estruturação de uma área de Vi-
gilância Social no âmbito da gestão
municipal e do DF, de forma a criar
competências para organizar os
processos de produção e gestão da
informação, com vistas ao planeja-
mento das ações junto às famílias do
território.
Para que o Estado possa contribuir
efetivamente neste processo, é fun-
damental que conheça e domine o
Protocolo de Gestão Integrada; se
coloque ao lado do município para
superação das dificuldades, assu-
mindo as tarefas de apoio técnico e
financeiro, quando couber.  
5. Acompanhamento 
prioritário a famílias 
com beneficiários do BPC
e benefícios eventuais 
(2010/2011)
O acompanhamento prioritário das
famílias com beneficiários do BPC e
de benefícios eventuais é uma im-
portante ação do PAIF, pois amplia as
formas de proteção social do SUAS a
estas famílias, a partir do pressuposto
de que o acesso a benefícios contribui
para a superação de situações de vul-
nerabilidade, mas a efetiva superação  
destas requer também a inserção dos
beneficiários nos serviços socioas-
sistenciais e, ou em outras políticas
45
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
setoriais, de modo a proporcionar o
fortalecimento dos laços familiares e
comunitários, bem como o acesso das
famílias a outros direitos.
O acompanhamento das famílias com
beneficiários do BPC pressupõe reco-
nhecê-los como segmentos popula-
cionais com graus de risco e vulnera-
bilidade social variados, considerando
as características do ciclo de vida do
idoso, da deficiência e do grau de in-
capacidade da pessoa com deficiên-
cia, bem como as características das
famílias e da região onde vivem.
No caso das famílias com pessoas
com deficiência beneficiárias do BPC,
o acompanhamento familiar do PAIF
constitui, em muitos casos, a possibi-
lidade de se trabalhar e superar bar-
reiras e preconceitos (com a família e
comunidades); e de assegurar a inclu-
são social e inserção das pessoas em
situação de isolamento nos serviços
do SUAS e de outras políticas públi-
cas.  Nestes casos, a busca ativa (ver
meta 8) e a visita domiciliar (ver meta
3) constituem o primeiro contato
qualificado com essas famílias, o que,
após elaboração do estudo social,
decorre uma avaliação, junto com a
família, sobre sua inserção em acom-
panhamento (coletivo ou particulari-
zado) ou nos atendimentos do PAIF.
O PAIF se apresenta, assim, inicial-
mente, como o principal serviço a ser
ofertado a essas famílias, em muitos
casos por meio do acompanhamen-
to familiar no âmbito do SUAS, que
deve seguir as orientações gerais,
constantes do Protocolo de Gestão
Integrada e da Meta 1.
Particular atenção deve ser dada às
famílias das crianças e adolescen-
tes beneficiários do BPC que estão
fora da escola. A fim de promover o
acesso à escola, ao convívio familiar
e comunitário e aos demais direitos
desse segmento populacional, foi
criado o Programa BPC na Escola21
com o objetivo de promover a eleva-
ção da qualidade de vida e dignida-
de de crianças e adolescentes com
deficiência e beneficiários do BPC. O
programa é voltado prioritariamente
para os beneficiários de 0 a 18 anos,
garantindo-lhes o acesso e a perma-
nência na escola, bem como acesso a
outros direitos, o que, em muitos ca-
sos, depende do trabalho inicial do
PAIF com as famílias ou da ação do
coordenador do CRAS, na integração
com serviços de outros setores.
O Programa BPC na Escola, envol-
ve as políticas de assistência social,
educação, saúde e direitos huma-
nos, de modo a criar condições para
o desenvolvimento da autonomia,
participação social e emancipação
da pessoa com deficiência. Uma de
suas principais ações é a identifica-
ção de barreiras que impedem ou di-
ficultam o acesso à educação regular
21	 O Programa, criado pela Portaria
Interministerial nº18, de 24 de abril de 2007,é
uma ação intersetorial envolvendo as áreas de
assistência social, educação, saúde e direitos
humanos, com gestão compartilhada entre a união,
e os   municípios, estados e Distrito Federal que
fizeram adesão.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
46
e que impactam no acesso a outros
serviços. O questionário de identifica-
ção de barreiras para o acesso e per-
manência na escola é um instrumento
de gestão importante, que deve ser
disponibilizado às equipes dos CRAS
(ou CREAS) de municípios e DF que fi-
zeram adesão ao Programa22
.
Nem toda família com criança e ado-
lescente beneficiário do BPC será
acompanhada pelo PAIF, visto que
algumas poderão ser atendidas. Ou-
tras serão acompanhadas ou atendi-
das pelo PAEFI. A definição de quais
serão encaminhadas para a proteção
básica ou especial se dá com base
na identificação das barreiras, que
constam do Questionário BPC na Es-
cola, e depende da estruturação da
Vigilância Social, nas Secretarias dos
municípios, DF e Estados.
Dentre as barreiras identificadas, de-
vem ser foco de ação de acompanha-
mento ou atendimento pelo PAIF:
-- Ausência de iniciativa da família para
estimular o convívio sociofamiliar
-- Ausência de iniciativa da família para
estimular o acesso à escola
-- Ausência de iniciativa da família para
estimular a permanência na escola
-- Dificuldade dos beneficiários em
acessar a rede de serviços
-- Dificuldade da família em acessar a
rede de serviços
22	 Os municípios que não realizaram a referida
adesão, poderão fazê-lo a partir da disponibilização
do Sistema BPC na Escola, pelo MDS.
-- Ausência de acompanhante para le-
var o beneficiário até a escola
-- Ausência de cuidadores familiares
	
O acompanhamento (ou atendimen-
to) a essas famílias depende de uma
acolhida adequada, do desenho de
um Plano de Acompanhamento da
Família; mas também de uma atitude
determinada da Secretaria Municipal
ou do DF, visto que a acessibilidade
é garantida por meio de capacitação
dos técnicos e coordenadores; ade-
quação das estruturas físicas; dispo-
nibilização de materiais e criação de
condições objetivas para desloca-
mento dos beneficiários, bem como
da acessibilidade aos serviços dos
demais setores.  
Também é preciso adotar estratégias
com vistas ao acompanhamento de
famílias com idosos beneficiários
do BPC, em especial as que se en-
contram em situação de maior vul-
nerabilidade social, e prever apoio à
família no acesso aos direitos desses
membros (serviços socioassisten-
ciais e de saúde, cultura e lazer e
educação), de forma a garantir seus
direitos, promover o desenvolvimen-
to de suas capacidades e contribuir
para a prevenção de violências e ou-
tras formas de violação de direitos.
Nos casos em que houver isolamen-
to social do beneficiário, o CRAS
deve encaminhar a família para o
Serviço de Proteção Básica no Domi-
cílio, previsto na Tipificação Nacio-
nal de Serviços Socioassistenciais.
47
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Nos casos em que houver violação
de direitos, as famílias devem ser
referenciadas, pelo CRAS, ao CREAS,
e serem acompanhadas pelo PAEFI.
A relação de beneficiários do BPC,
disponibilizada pela Secretaria Na-
cional de Assistência Social – SNAS,
no sítio do MDS, constitui um instru-
mento de planejamento estratégico
do Distrito Federal e dos Municípios
para a oferta de serviços socioas-
sistenciais, visando o acompanha-
mento dos beneficiários do BPC e
de suas famílias. Para auxiliar nesse
processo, o SUASWEB disponibiliza
o acesso, por parte dos gestores, ao
cadastro dos beneficiários do BPC
por município/DF de três formas:
por espécie (pessoa com deficiência
ou idoso), por concessão e por faixa
etária. (link:http://aplicacoes.mds.
gov.br/suasnob/pesquisarBpcFaixa.
action).
A Secretaria de Assistência Social (ou
congênere), por meio de sua equipe
de Vigilância Social ou de gestão do
SUAS, deverá acessar e organizar es-
sas informações de forma territoria-
lizada e enviar para cada CRAS (ou
CREAS) a listagem dos beneficiários
do BPC de sua área de abrangência
(a partir do CEP dos bairros que com-
põem os territórios), conforme artigo
26 do Protocolo de Gestão Integrada
e, sempre que possível, por barreira
identificada.
Com esses dados em mãos, a equipe
de referência do CRAS deve organi-
zar um processo de busca ativa des-
se público, de modo a conhecer suas
vulnerabilidades e planejar ações
para seu atendimento/acompanha-
mento. A busca ativa nem sempre se
traduz em visita domiciliar23
.  Diver-
sas estratégias devem ser utilizadas
para se atingir o objetivo de alcançar
estas famílias, como por exemplo, di-
vulgação dos serviços ofertados nos
CRAS utilizando variadas mídias; en-
vio de correspondências às famílias,
convidando-as para uma primeira
acolhida no CRAS; divulgação de lis-
tas em locais estratégicos, ou ainda
contando com apoio de outras uni-
dades e políticas públicas.
Ressalta-se que para muitos pro-
fissionais dos CRAS o atendimento/
acompanhamento dos beneficiários
com deficiência do BPC é novo e de-
safiador. Portanto antes do início da
busca ativa será necessário que a
equipe seja organizada e preparada
para desenvolver este trabalho, rea-
lizando estudos, leituras, discussões,
oficinas sobre o tema da deficiência,
considerando sua transversalidade
em todas as ações e serviços no âm-
bito do CRAS. Há necessidade de se
conhecer e avaliar a especificidade
de questões que envolvem o aten-
dimento à diversidade de demandas
das pessoas com deficiência, desta-
cando o trabalho em rede e articula-
ção com as demais políticas setoriais
para garantir a segurança de renda,
o convívio familiar e comunitário, e
com vistas a agregar condições e va-
23	 Para mais informações sobre busca ativa, ver
Meta 8.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
48
lores necessários à autonomia des-
ses indivíduos, conforme preconiza a
PNAS e a NOB/SUAS.
O gestor municipal ou do DF deve-
rá ainda envidar esforços para in-
serir todos os beneficiários do BPC
no Cadastro Único (CadÚnico), con-
forme previsto na Portaria MDS nº
706/2010. Estratégias mais amplas
que garantam o cadastramento po-
dem ser organizadas, pelas Secreta-
rias Municipais e do DF, por meio do
cruzamento de informações (o que
pode contar com apoio do Estado),
que devem chegar ao CRAS, de for-
ma a assegurar que sempre que a
equipe do PAIF atender ou acompa-
nhar uma família com beneficiário do
BPC que não esteja no Cadastro, seja
com ela marcada agenda para cadas-
tramento. Este registro possibilitará
um conhecimento mais aprofundado
do beneficiário e de seus familiares;
a realização de diagnóstico das si-
tuações de risco e vulnerabilidade
social; a inclusão na rede de serviços
socioassistenciais e de outras políti-
cas sociais; além de servir como base
de dados para o processo de revisão
bienal do benefício. Assim, o CRAS,
sempre que fizer acolhimento de
um beneficiário do BPC, encaminhar
uma pessoa com perfil de acesso ao
BPC (ver meta 6), inserir uma famí-
lia com beneficiário no acompanha-
mento do PAIF ou fizer atendimento
desta família, deve verificar a neces-
sidade de encaminhá-la para inclu-
são no CadÚnico.
Há, portanto, um trabalho impor-
tante por parte da Secretaria de As-
sistência, de verificar quais benefi-
ciários já estão ou não inseridos no
CadÚnico. Sempre que listagens de
beneficiários do BPC (por barreiras
identificadas) forem encaminhadas
para CRAS ou CREAS, a informação
sobre inserção no CadÚnico deve
ser fornecida.   Desta forma, as
equipes responsáveis pelo acom-
panhamento familiar podem reali-
zar o encaminhamento, a partir do
primeiro contato estabelecido com
a família. A Secretaria, por meio do
serviço de Vigilância Social poderá
definir um cronograma para garan-
tir que todos os beneficiários do
BPC sejam inseridos no CadÚnico,
e devem monitorar e avaliar o pro-
cesso. A própria Secretaria pode es-
tabelecer processos de busca ativa
desses beneficiários, de forma a as-
segurar o cumprimento da referida
Portaria. Os CRAS e CREAS deverão
ser envolvidos no processo, por
meio de seus coordenadores.
No que se refere aos benefícios
eventuais24
, salienta-se que inte-
24	 Conforme Decreto nº 6307de 14 de dezembro
de /2007, cabe aos municípios e DF, segundo
estabelecido na Lei Orgânica da Assistência Social
(LOAS), em seus art. 14 e 15, destinar recursos
financeiros para o custeio do pagamento dos
auxílios natalidade e funeral, mediante critérios
estabelecidos pelos Conselhos de Assistência
Social, do DF e dos Municípios. Os estados também
têm a responsabilidade na efetivação desse direito
ao destinar recursos financeiros aos municípios,
a título de participação no custeio do pagamento
dos auxílios natalidade e funeral, mediante
critérios estabelecidos pelos Conselhos Estaduais
de Assistência Social, de acordo com o disposto no
art. 13.
49
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
gram organicamente as garantias
do SUAS, com fundamentação nos
princípios de cidadania e dos di-
reitos sociais e humanos. Para que
os benefícios eventuais sejam efe-
tivados como direito social devem
ser prestados e integrados à rede
de serviços socioassistenciais com
agilidade e presteza, primando-se
pela qualidade independentemente
da situação financeira do usuário.
Nessa direção a Secretaria de As-
sistência Social do município ou DF
deverá encaminhar, periodicamente
aos CRAS, listagens de beneficiários
dos benefícios eventuais, de modo
que as equipes dos CRAS possam
desenvolver ações que possibilitem
a essas famílias acesso à rede de
proteção social do território, sem-
pre que couber.
No caso de municípios e DF que fize-
ram opção pela oferta de benefícios
eventuais no CRAS, a concessão de-
verá se orientar pelas diretrizes ema-
nadas da Secretaria Municipal (ou do
DF), que deve ter critérios de acesso
transparentes e que possam ser ex-
plicitados para qualquer usuário do
CRAS. Neste caso, há que se prever,
para essa finalidade, profissional(ais)
para além da equipe técnica de re-
ferência do CRAS e espaço físico es-
pecífico, de forma a não prejudicar a
oferta do PAIF no CRAS.
Neste sentido, os benefícios even-
tuais podem configurar-se como
elementos potencializadores da
proteção ofertada pelos serviços de
natureza básica ou especial, contri-
buindo, desta forma, com o forta-
lecimento das potencialidades de
indivíduos e familiares, dos vínculos
familiares e da convivência e partici-
pação comunitária.
Operacionalizar, no âmbito da Prote-
ção Básica, o acompanhamento prio-
ritário às famílias com beneficiários
do BPC (conforme barreiras identifi-
cadas) e as que recebem benefícios
eventuais pressupõe a gestão arti-
culada entre serviços e benefícios,
o que é uma atribuição da Secretaria
Municipal (ou do DF) de Assistência
Social, conforme normatizado no
Protocolo de Gestão Integrada – que
estabelece responsabilidades e pro-
cedimentos, padrão de organização
e repasse de informação sobre as fa-
mílias referenciadas aos CRAS e CRE-
AS (art. 14) e já descrito na Meta 4.
O acompanhamento prioritário das
famílias com beneficiários do BPC e
que recebem (ou receberam) bene-
fícios eventuais somente compõe o
rol de atividades do PAIF se há uma
intencionalidade por parte da equipe
de referência do CRAS em atender tal
público com precedência – por meio
de busca ativa e planejamento das
ações de acompanhamento, de acor-
do com a situação vivenciada pela fa-
mília. Também é condição para esta
ação, que a Secretaria Municipal (ou
do DF) tenha organizado os fluxos,
procedimentos e definido responsa-
bilidades sobre a disponibilização de
informações para os CRAS e recep-
ção de informações sobre acompa-
nhamento e encaminhamentos rea-
lizados, de forma regular; bem como
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
50
definido as ofertas acessíveis, espe-
cialmente às pessoas com deficiência
e idosas. Sem isso, a equipe do CRAS
não tem como fazer os encaminha-
mentos para a rede socioassistencial
ou de outros setores.
Com relação ao não alcance desta
variável investigou-se a possível in-
terferência do número de profissio-
nais de nível superior; a existência de
coordenador; e o uso de listagens de
beneficiários. Os dados são apresen-
tados na Tabela 05.
Observa-se que 3.772 CRAS não re-
alizam acompanhamento prioritário
a famílias com beneficiários BPC e
de benefícios eventuais. Como esta
meta deverá ser cumprida até o últi-
mo dia do preenchimento do Censo
SUAS/CRAS 2011, os municípios e
DF que ainda não cumprem deverão
se organizar para garantir o acompa-
nhamento dessas famílias no âmbito
da proteção básica, promovendo a
inclusão de membros em situação de
maior vulnerabilidade, em serviços
do SUAS, prevenindo seu isolamento
e encaminhando para outros setores,
sempre que necessário.  Do total de
CRAS que não cumprem esta meta,
43,6% informaram não possuir a lis-
ta dos beneficiários do BPC de seu
território e 61,2% informaram não
possuir coordenador, duas variáveis
fundamentais para seu cumprimento.
No caso dos CRAS que não cumprem
a meta por não disporem da lista ter-
ritorializada, com informações sobre
os beneficiários do BPC e de benefí-
cios eventuais, cabe uma orientação
ao gestor municipal ou do DF, por par-
te da equipe do Estado, e apoio técni-
co para que a Secretaria organize as
informações disponíveis e defina flu-
xos, responsabilidades e procedimen-
tos que garantam seu cumprimento;
bem como definição de como será a
ação de acompanhamento deste pú-
blico (desde a acolhida até inserção
no acompanhamento); a coordenação
deste processo no CRAS e na Secreta-
Tabela 05 – CRAS que não realizam acompanhamento prioritário a
famílias com beneficiários BPC e benefícios eventuais
Situação Número de CRAS Percentual
Não realiza acompanhamento prioritário a famílias com
beneficiários BPC e benefícios eventuais e
3.772 100%
Não possui ou não utiliza listagens 1.645 43,6%
Possui coordenador 1.465 38,8%
Não possui coordenador 2.307 61,2%
Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 3.004 79,6%
Não possui quantitativo de técnicos de nível superior
exigido
768 20,4%
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
51
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
ria; a elaboração do Plano de Acom-
panhamento das Famílias; registro no
Prontuário da Família; definição dos
serviços que complementam o traba-
lho com famílias e inserem membros
mais vulneráveis; definição de fluxos
de encaminhamento; capacitação dos
profissionais para garantir a acessibi-
lidade; aquisição de materiais e de
equipamentos; e adequações de es-
paço físico, necessários para a inclu-
são destes usuários.  Em última ins-
tância, trata-se de criar as condições
para a efetiva implantação do Proto-
colo de Gestão Integrada entre servi-
ços e benefícios, no âmbito do SUAS.
Neste sentido, o estado deve orien-
tar o gestor quanto ao papel primor-
dial da gestão municipal (e do DF) na
garantia do acesso dos beneficiários
do BPC e suas famílias ao PAIF, con-
siderando seus perfis e a situação de
vulnerabilidade e risco social em que
se encontram. Deve ainda ser ressal-
tada a importância do planejamento
das medidas necessárias para garan-
tir o acesso, estabelecendo fluxos,
procedimentos e responsabilidades
entre a Secretaria de Assistência So-
cial e os CRAS, como forma de garan-
tir que cheguem, às unidades, infor-
mações territorializadas, permitindo
o planejamento de ações do PAIF.  
No caso dos CRAS que não cumprem
esta meta e para os quais ainda não
foi designado um coordenador, será
necessário orientar os gestores mu-
nicipais (e do DF), para a necessida-
de de se cumprir, o mais rápido pos-
sível, esta meta.  Sem coordenador
com perfil e qualificado para essa
ação, dificilmente se garante seu
cumprimento.  
Finalmente, ressaltamos que 20,4%
dosCRASquenãocumpremestameta
não dispõem do quantitativo exigido
de técnicos de nível superior.  Os mu-
nicípios e DF que se encontram nesta
situação, precisam fazer adequação o
quanto antes (e prever em Plano de
Providências, caso não tenham ainda
solucionado a questão do RH exigido
para o período 2009/2010), de forma
a garantir que o acompanhamento a
essas famílias se efetive.  Os municí-
pios e DF deverão se organizar para
garantir, no caso destes últimos CRAS,
que a equipe seja composta, de for-
ma a garantir que esta atividade seja
realizada até o último dia do preen-
chimento do Censo SUAS/CRAS 2011.  
Os Estados e MDS deverão dar o apoio
necessário para que seja cumprido no
prazo pactuado nacionalmente.
Sugere-se ainda que o gestor pro-
mova articulação com os conselhos
de políticas, conselhos de direitos e
Ministério Público para que o contro-
le e a defesa dos direitos dos bene-
ficiários do BPC e de seus familiares
sejam assegurados.
As duas metas (números 6 e 7),
apresentadas a seguir, referem-se à
atribuição da equipe de referência
dos CRAS de realizar encaminha-
mento ou orientação das famílias
para acesso a benefícios e trans-
ferência de renda, sempre que es-
tiverem nos critérios. A gestão ar-
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
52
ticulada entre serviços, benefícios
e transferência de renda compre-
ende, conforme normatiza o Proto-
colo de Gestão Integrada, além do
acompanhamento prioritário das
famílias beneficiárias (e dos bene-
ficiários, no caso dos benefícios e
BPC), a identificação e encaminha-
mento para acesso à renda, daque-
les que têm direito.   Essa é uma
atribuição dos técnicos do PAIF, no
desenvolvimento do trabalho so-
cial com as famílias referenciadas
ao CRAS, mas também do coorde-
nador, que é responsável por asse-
gurar a implantação do Protocolo
de Gestão Integrada, no território
de abrangência do CRAS.  Como se
poderá observar, o cumprimento
destas duas metas depende, so-
bretudo, da organização e coorde-
nação da gestão articulada, o que
é de responsabilidade do gestor
municipal ou do DF.
6. Orientação/
acompanhamento para 
inserção no BPC (2009/2010)
Consiste no processo de orientação
ao usuário (e sua família), visando
o direcionamento para as agências
do Instituto Nacional do Seguro So-
cial (INSS) e acompanhamento das
famílias que possuem algum de
seus membros que atendem o per-
fil de inserção no BPC, com priori-
dade para as famílias do Plano
Brasil sem Miséria, com o objetivo
de promover o acesso aos direitos
e a conquista da cidadania destes
membros e suas famílias.
A participação do Distrito Federal e
dos Municípios no processo de habi-
litação ao BPC consiste na oferta de
informações e orientações quanto
aos seus critérios, objetivos e dinâ-
mica, na disposição de serviços que
facilitem o acesso a documentos e
formulários necessários ao seu re-
querimento e na garantia do acesso
aos trâmites institucionais do seu
requerimento junto ao Instituto Na-
cional do Seguro Social (INSS). Para
tal, faz-se necessária uma boa articu-
lação com o INSS, para obtenção de
maior qualidade na operacionaliza-
ção do BPC, oferecendo segurança e
conforto para os requerentes.
A efetividade desse processo depen-
de de um investimento do gestor de
assistência social (ou congênere) no
estabelecimento de fluxos de en-
caminhamentos e informações no
âmbito do SUAS com as agências do
Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS), o que deve ser assegurado
no nível central, com participação da
Vigilância Social.  Faz-se necessário
definir o fluxo de encaminhamento
para INSS, bem como de retorno da
informação do INSS para Secretaria;
e da freqüência com que a Secretaria
irá informar o CRAS sobre acesso do
referido usuário ao benefício. O co-
ordenador do CRAS será responsável
por fazer cumprir o fluxo, no âmbito
do território, assegurando que os
técnicos estejam bem informados e
que contribuam para o seu aprimo-
53
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
ramento. O retorno da informação
sobre inserção no benefício, para a
equipe do CRAS, responsável pelo
acompanhamento (ou atendimento)
da família, é de fundamental impor-
tância.
Nem toda família encaminha-
da para acesso ao benefício será
acompanhada. Deverão ser acom-
panhadas, com prioridade, as que
apresentem situações indicadas na
Meta 5. Para mais informações so-
bre acompanhamento, ver Meta 1.
Somente é possível afirmar que há
um processo de orientação/acompa-
nhamento para inserção de famílias
no BPC, se já houve o estabeleci-
mento de fluxos entre a Secretaria
de Assistência Social (ou congênere)
e as agências do INSS; se o coorde-
nador do CRAS conhece e alimenta
esse fluxo; e, ainda, se o serviço de
Vigilância Social garante que essa
meta seja cumprida, avaliando a re-
lação entre encaminhamentos feitos
ao INSS e benefícios gerados, repas-
sando tal informação ao CRAS.
Dada a centralidade da gestão arti-
culada benefícios e serviços, para
cumprimento desta meta, buscou-se
averiguar a possível interferência do
número de profissionais de nível su-
perior e existência de coordenador no
CRAS, sobre o não cumprimento. Um
total de 338 CRAS não cumpre esta
meta, como se observa na Tabela 06.
Com relação aos CRAS que não rea-
lizam orientação/acompanhamento
para inserção de famílias no BPC,
mais uma vez é possível observar a
relação entre a inexistência de co-
ordenador e o não cumprimento da
meta, afinal, dos 338 CRAS nesta si-
tuação 67,2% não possuem coorde-
nador, ator estratégico para a gestão
do território, articulação e coordena-
ção de processos para acesso a di-
reitos, e interlocutor privilegiado do
CRAS com a Secretaria Municipal (ou
do DF). Neste sentido, os municípios
ou DF que ainda não designaram co-
ordenador de CRAS deverão fazê-lo
o quanto antes, ou prever esta desig-
nação em Plano de Providências.   
O quantitativo de técnicos parece
não ter influência na realização da
atividade uma vez que a maioria dos
CRAS (74,6%) cumpre a exigência
do período anual vigente. No entan-
Tabela 06 – CRAS que não realizam orientação/companhamento para
inserção de famílias no BPC
Situação Número de CRAS Percentual
Não realiza orientação/ acompanhamento para inserção
de famílias no BPC e 338 100%
Possui coordenador                                                                                     111                                             32,8%
Não possui coordenador                                                                             227                                             67,2%
Possui quantitativo exigido de técnicos de nível superior                 252                                             74,6%
Não possui quantitativo exigido de técnicos de nível superior           86                                             25,4%
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
54
to, para os municípios cujos CRAS se
encontrem entre os 25,4% que não
cumprem esta meta e não dispõem
do quantitativo de técnicos de ní-
vel superior exigido, será necessário
ajustar a dimensão recursos huma-
nos, ou prever adequação em Plano
de Providências, visto que o acúmulo
de funções e, ou a não observância
da carga horária exigida, de fun-
cionamento dos CRAS, com equipe
completa, pode ter impacto direto
no não cumprimento desta meta.
Nessa meta, o envolvimento da ges-
tão local na organização do proces-
so de trabalho é fundamental para
o seu cumprimento, conforme se
viu. O estado deve orientar o ges-
tor quanto à necessidade de articu-
lação com o Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS), visando o esta-
belecimento de fluxos de informa-
ções e de encaminhamentos entre a
Secretaria de Assistência Social e o
INSS, para obter maior qualidade na
operacionalização do BPC.
Portanto é necessário que o estado
oriente o gestor sobre a importância
da capacitação dos profissionais dos
CRAS quanto aos critérios para habi-
litação do BPC; local de acesso a do-
cumentos e formulários necessários
ao requerimento e seus trâmites jun-
to ao INSS, tornando-os aptos a pres-
tar informações e orientações ade-
quadas para inserção de famílias no
benefício.  Esse atendimento do PAIF
constitui um importante processo na
promoção do acesso aos direitos.
Com o cumprimento desta e da pró-
xima meta, juntamente com as me-
tas 4 e 5, as Secretarias Municipais
e do DF criam condições para a im-
plantação do Protocolo de Gestão
Integrada, articulando serviços de
proteção básica, benefícios e trans-
ferência de renda.
7. Encaminhamento para 
inserção de famílias 
no Cadastro Único de 
Programas Sociais -
CadÚnico (2009/2010)
Consiste no encaminhamento das
famílias para inserção no CadÚnico,
seja porque todas as famílias refe-
renciadas ao CRAS devem ser cadas-
tradas; porque houve identificação
de famílias que não estão no Cadas-
tro e que fazem jus à transferência
de renda assegurada pelo Programa
Bolsa Família (PBF); ou por outros
programas (estaduais, do DF e,ou
municipais); ou ainda porque são be-
neficiárias do BPC e ainda não cons-
tam do CadÚnico (ver meta 5).
Com vistas a contribuir para o regis-
tro do número de famílias atendi-
das e organização das informações
registradas, bem como para a arti-
culação/integração entre serviços,
benefícios e transferência de renda,
de forma territorializada, recomen-
da-se a inserção, no CadÚnico, de
todas as famílias atendidas no PAIF,
de forma a registrar o NIS (Número
de Identificação Social) no prontu-
ário da família, bem como facilitaro
acesso a outras políticas sociais.
55
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Como em 97% dos municípios bra-
sileiros o Cadastro Único é operado
pela Secretaria de Assistência Social,
o cumprimento desta meta depende
de um investimento do gestor muni-
cipal de assistência social (ou congê-
nere) no estabelecimento de fluxos
de encaminhamentos entre o CRAS e
as unidades (ou locais) responsáveis
pelo cadastramento, no município
(ou DF). Também é preciso que se-
jam previstos retorno das informa-
ções ao CRAS, de forma organizada,
sobre o acesso das famílias à renda,
ou inclusão no CadÚnico (neste caso
com indicação do NIS, para que seja
registrado no prontuário da família),
o que pode ser feito definindo-se
quais informações devem retornar
ao CRAS, com que periodicidade e
quem será responsável por encami-
nhar a informação, o que pode variar
em cada município (ou DF), a depen-
der de sua estrutura administrativa.
Somente é possível afirmar que há
um processo de encaminhamen-
to para inserção no CadÚnico, se já
houve o estabelecimento de fluxos
entre o CRAS e instâncias responsá-
veis pelo cadastramento e pela or-
ganização estratégica de dados (que
devem chegar aos CRAS e retornar
ao nível central), sob coordenação
da Secretaria Municipal ou do DF, e
se o coordenador do CRAS avalia,
com regularidade, esse processo,
contribuindo para seu aprimora-
mento, junto ao órgão central. Trata-
se, portanto, da implantação, na sua
totalidade, do Protocolo de Gestão
Integrada entre serviços e transfe-
rência de renda.
Nos casos em que o Cadastro Único é
operado no CRAS, ou mesmo quando
as atualizações cadastrais são feitas
no CRAS, torna-se necessário dispor
de espaço físico e de recursos hu-
manos suficientes, específicos para
essa finalidade.  Os técnicos de nível
superior da equipe de referência do
CRAS não podem assumir essa atri-
buição, sob pena de deixarem de re-
alizar as atividades fundamentais do
PAIF, conforme já explicitado.
No entanto, é bastante interessante
que os técnicos tenham acesso às
informações do CadÚnico. Desta for-
ma, eles, que são responsáveis pelo
acompanhamento e atendimento do
PAIF, podem sempre se certificar das
famílias que precisam fazer atualiza-
ção cadastral, devem ser cadastradas
(quando ainda não o foram), ou enca-
minhadas para acesso à renda.  Além
disso, várias informações disponíveis
no cadastro servem como elemen-
tos importantes para conhecimento
da família por parte do técnico.   Se
o técnico não acessa informações do
CadÚnico, há que se verificar a pos-
sibilidade destas informações serem
encaminhadas ao CRAS e anexadas
aos prontuários, de forma a evitar
duplicidade de informações a serem
prestadas pelas famílias e racionalizar
o tempo dedicado ao atendimento.
No caso dos CRAS que não reali-
zam encaminhamento para inserção
de famílias no CadÚnico, propõe-
-se analisar, com base nos dados
da Tabela 07, a possível interfe-
rência do quantitativo de Recursos
Humanos(número de profissionais de
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
56
nível superior); da existência de coor-
denador; do acesso ao sistema CadÚ-
nico; e se o cadastramento dos bene-
ficiários é realizado no próprio CRAS.
Dentre os 295 CRAS que não reali-
zam encaminhamento para inserção
no CadÚnico, observa-se que mais
da metade (60,3%) possui acesso
ao sistema para inserção de dados
ou consulta/pesquisa. Já dentre os
178 CRAS que não cumprem esta
meta, mas acessam o CadÚnico, 125
(70,2%) procedem ao cadastramen-
to das famílias na própria Unidade.
Nestes casos, o não encaminhamen-
to para inserção no CadÚnico não
configura pendência, podendo o
estado considerar esta meta como
cumprida, desde que o(s) técnico(s)
responsável(eis) pelo cadastramento
não seja(m) integrante(s) da equipe
responsável pelo desenvolvimento
do PAIF.O acesso ao sistema, pelas
equipes do CRAS, apenas para con-
sulta ou pesquisa não garante, por
si, o encaminhamento para inserção
no CadÚnico. Ou seja, além de con-
sultar e pesquisar, é necessário que
a articulação entre serviços e trans-
ferência de renda seja assegurada,
por meio de definição de fluxos e
responsabilidades, conforme se viu.
Nos casos em que os CRAS não fa-
zem encaminhamentos e não fazem
o cadastramento das famílias no re-
ferido sistema, cabe ao estado pro-
ceder à orientação técnica e apoiar
o município na organização dos flu-
xos, responsabilidades e procedi-
mentos, para o que torna-se impres-
cindível a presença do coordenador
do CRAS. Neste sentido, observa-se
que 67,5% das unidades que não
atingiram a meta não possuem um
profissional designado para a fun-
ção de coordenador. Providências
deverão ser tomadas, de forma a ga-
rantir que essa condição, essencial
Tabela 07 – CRAS que não realizam encaminhamento para inserção de
Famílias no CadÚnico
Situação
Número de
CRAS
Percentual
Não realiza encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico e 295 100%
Possui coordenador 96 32,5
Não possui coordenador 199 67,5
Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 236 80,0
Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 59 20,0
Possui acesso ao sistema (CadÚnico) para inserção de dados ou para
consulta/pesquisa
*178 60,3
Não possui acesso ao sistema (CadÚnico) 117 39,7
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
*Observação: Dentre os 178 CRAS que não realizam encaminhamento para inserção de famílias no
CadÚnico e possuem acesso ao sistema para inserção de dados ou para consulta/pesquisa, 70,2% (125) CRAS
realizam cadastramento ou atualização cadastral do CadÚnico.
57
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
ao cumprimento desta meta, seja
assegurada.
Embora apenas 20% dos CRAS que
não cumprem esta meta não tenham
o número exigido de profissionais de
nível superior, nestes casos há que
se orientar o gestor para a necessi-
dade de compor a equipe, de forma
a garantir que esta atividade seja in-
corporada como rotina, nos CRAS, o
que deve ser objeto de orientação
por parte do estado e de busca de
soluções urgentes, por parte destes
municípios (ou DF), cabendo elabo-
ração de Plano de Providências e de
Plano de Apoio, para cumprimento
da meta.
As duas próximas metas (números
8 e 9) referem-se a atividades de
gestão do CRAS e, portanto, são
altamente dependentes da exis-
tência do coordenador do CRAS, e
também da definição clara de dire-
trizes, responsabilidades, fluxos e
procedimentos por parte da Secre-
taria Municipal ou do DF, o que tem
incidência direta sobre a gestão da
proteção básica do SUAS.
8. Realizar busca ativa 
(2009/2010)
A busca ativa constitui uma das
ações de gestão territorial da prote-
ção básica do CRAS. Tem por objeti-
vo promover a atuação preventiva,
disponibilizar serviços próximos do
local de moradia das famílias, iden-
tificar famílias no perfil e sem acesso
a benefícios ou transferência de ren-
da, identificar famílias não inseridas
no CadÚnico, racionalizar as ofertas
e traduzir o referenciamento dos
serviços ao CRAS em ação concreta,
tornando a principal unidade pública
de proteção básica, uma referência
para a população local.  
A busca ativa é uma atividade estra-
tégica do SUAS. Deve, portanto, ser
coordenada pela Secretaria Munici-
pal (ou do DF) e ser tratada em reu-
niões regulares com participação dos
coordenadores de CRAS, conforme se
verá adiante. No âmbito do Plano Bra-
sil sem Miséria, a atividade de busca
ativa será potencializada por meio de
parcerias com outras políticas seto-
riais e apoio da sociedade civil. Para
tal, a Prefeitura Municipal ou Gover-
no do DF deverá conferir ao gestor
da política de assistência social a
coordenação da busca ativa, definir
fluxos intersetoriais e procedimentos
de tratamento das informações, com-
petências e responsabilidades dos
atores envolvidos, bem como equipar
o órgão gestor de Assistência Social
(responsável pela coordenação) com
recursos humanos e materiais para
execução exitosa de tal tarefa.
No nível local, refere-se à procura in-
tencional, realizada pela equipe de
referência do CRAS, das ocorrências
que influenciam o modo de vida da
população em determinado territó-
rio. Tem como objetivo identificar as
situações de vulnerabilidade e risco
social, ampliar o conhecimento e a
compreensão da realidade social,
para além dos estudos e estatísticas.  
Contribui para o conhecimento da
dinâmica do cotidiano das popula-
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
58
ções (a realidade vivida pela família,
sua cultura e valores, as relações que
estabelece no território e fora dele);
os apoios e recursos existentes, seus
vínculos sociais.  
No CRAS, tal atividade pode ser efe-
tuada por meio do deslocamento da
equipe no território; troca de infor-
mações com os atores sociais locais;
articulação com a rede socioassisten-
cial (meta 9) e de outros setores; ou
mesmo por meio de consulta às listas
dos beneficiários de renda (famílias e
indivíduos) ou de benefício eventual,
bem como de programas sociais, den-
tre eles famílias de crianças, adoles-
centes, jovens e idosos atendidos nos
serviços de proteção básica, sempre
que identificada necessidade.
O planejamento e organização das
informações territorializadas, oriun-
das da busca ativa, são de respon-
sabilidade do coordenador do CRAS,
bem como seu uso para definir ações
estratégicas, urgentes, preventivas e
de rotina da Unidade. Se por um lado
o coordenador do CRAS é essencial
à realização da busca ativa no terri-
tório de abrangência, por outro ele é
apenas parte do processo, cuja res-
ponsabilidade maior é da Secretaria
Municipal ou do DF, de Assistência
Social (ou congênere).  Nos municí-
pios onde a Vigilância Social esteja
estruturada, será a responsável pela
análise das informações estratégicas
e encaminhamento das mesmas para
CRAS e CREAS, bem como para re-
cepção dos retornos de informações
essenciais à atividade da vigilância.  
Onde não está estruturada, reco-
menda-se que seja criada nas áreas
de planejamento ou gestão do SUAS.  
Portanto, a ação de busca ativa rea-
lizada pela equipe de referência do
CRAS, contribui, na sua esfera de atu-
ação, para a Vigilância Social do mu-
nicípio (ou DF). O gestor é responsá-
vel por garantir que sejam definidos
procedimentos e fluxos regulares de
informações que serão encaminha-
dos para a Secretaria e vice-versa.  
Reuniões regulares da equipe central
com coordenadores dos CRAS visam
organizar e aprimorar processos que
devem ser implantados em todos
os CRAS de um mesmo município.
Por sua vez, o coordenador de cada
CRAS tem responsabilidade, junto à
sua equipe de técnicos, de garantir
que a busca ativa seja uma atividade
planejada e estratégica, avaliar sua
execução e contribuir, junto ao nível
central, para seu aprimoramento.
A busca ativa, cuja responsabilida-
de de coordenação no território de
abrangência do CRAS, é do coorde-
nador, é materializada pela ação dos
técnicos de referência do CRAS, mais
especificamente pelos técnicos de
nível superior, responsáveis pelo PAIF.  
Identificadas as situações de vulnera-
bilidade, risco e potencialidade social
do território, são gerados registros de
informação e dados que possibilitam
a ação preventiva e a priorização do
acesso dos mais vulneráveis aos ser-
viços e benefícios de assistência so-
cial, e que subsidiam a vigilância so-
cial do município. Da mesma forma,
59
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
a Vigilância alimenta as equipes dos
CRAS, estabelecendo relação com o
departamento (setor ou coordena-
ção) de proteção básica que, por sua
vez, é responsável pela coordenação
dos CRAS. A busca ativa é, portanto,
componente fundamental ao desen-
volvimento do PAIF.
A realização de busca ativa somen-
te é efetiva se ocorre de modo pla-
nejado e regular, sob a responsabi-
lidade do coordenador do CRAS. É
ainda uma atividade importante da
Vigilância Social do município, DF e
Estados. Não deve ser considerada
uma atividade se ocorre esporadi-
camente ou como resposta a uma
demanda pontual da Secretaria
Municipal de Assistência Social ou
congênere.
Com relação ao não alcance da meta
“realizar busca ativa”, o que foi identi-
ficado em apenas 157 CRAS, buscou-
se averiguar a possível interferência
do quantitativo de Recursos Huma-
nos, (número de profissionais de nível
superior); da existência de coordena-
dor; do uso de listagens de famílias
inscritas no Cadastro Único de seu
território de atuação; e da existência
de veículo para locomoção da equipe,
conforme dados da Tabela 08.
Dentre as prováveis variáveis que
contribuem para prejudicar a reali-
zação de busca ativa, mais uma vez
chama atenção a inexistência de
coordenador responsável pela ges-
tão do território, visto que 62,4%
dos CRAS que não cumprem essa
meta não designaram coordenador
e 20,4% dos CRAS não possuem o
quantitativo exigido de técnicos de
nível superior.
Adicionalmente, 40% dos CRAS que
não cumprem esta meta não possuem
a listagem de famílias cadastradas no
CadÚnico, o que prejudica a realiza-
ção da busca ativa como atividade es-
tratégica nos territórios.  Assim como
para outras metas já apresentadas,
o cumprimento desta depende de
informações que sejam encaminha-
das com regularidade para os CRAS,
deve ser coordenada pela Secretaria
Tabela 08 – CRAS que não realizam busca ativa
Situação	 Número de CRAS	 Percentual
Não realiza busca ativa e	 157	 100%
Possui coordenador	 59	 37,6
Não possui coordenador	 98	 62,4
Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido	 125	 79,6
Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido	 32	 20,4
Possui listagem de famílias inscritas no Cadastro Único de 	
Programas Sociais do seu território de atuação	 94	 59,9
Não possui listagem de famílias inscritas no Cadastro Único de 	
Programas Sociais do seu território de atuação	 63	 40,1
Possui veículo	 129	 82,2
Não possui veículo	 28	 17,8
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
60
Municipal (ou do DF) e depende da
organização de gestão, que envolva
os coordenadores dos CRAS.   Estes
últimos, por sua vez, deverão analisar
as informações recebidas e planejar,
junto com a equipe técnica, as ações
de busca ativa, bem como encami-
nhar, para a Secretaria, aquelas que
forem julgadas estratégicas.
Para alcance desta meta é fundamen-
tal que os estados orientem o gestor
a indicar um técnico de nível supe-
rior para exercer a função de coorde-
nador do CRAS, a compor a equipe
de técnicos de nível superior confor-
me exigências e sobre a importância
de implantar a Vigilância Social, que
deve coordenar a busca ativa em
todo o município (ou em suas regio-
nais, no caso de metrópoles ou gran-
des cidades).  Nos casos em que não
for possível, no curto prazo, cumprir
esta meta, deve-se orientar o gestor
e o Conselho de Assistência Social
para a necessidade de elaboração de
Plano de Providências.
Outro ponto relevante no processo
de orientação aos municípios, e que
pode ter um impacto imediato para
o alcance desta meta, diz respeito
à concepção da atividade de bus-
ca ativa. Embora não seja possível
mensurar a interferência do grau de
entendimento dos técnicos por meio
dos dados do Censo CRAS, pode-se
pressupor que alguns profissionais
estejam compreendendo a busca ati-
va de forma restrita, relacionando-a
apenas a atividades externas,como
visitas domiciliares, por exemplo. É
fundamental esclarecer que exis-
tem diversas formas de realizar esta
atividade, inclusive por meio de di-
vulgação dos serviços ofertados nos
CRAS,devendo-se estimular a utiliza-
ção de variadas mídias; envio de cor-
respondências; divulgação de listas
em locais estratégicos, cartazes, fol-
ders, etc, ou ainda por meio do apoio
de outras unidades, equipes e políti-
cas públicas.
Resta destacar que a grande maio-
ria dos CRAS que não alcançam a
meta de busca ativa possui veículo
(82,2%), o que corresponde a 129
de um total de 157 CRAS, conforme
se pode constatar pela tabela 09,
não indicando ser este um problema
para o cumprimento dessa meta.  No
entanto, é importante que o estado
observe se o veículo é exclusivo ou
compartilhado com a Secretaria ou
outro equipamento público, e como
ele está sendo utilizado. Dentre os 28
CRAS que não cumprem esta meta e
não possuem veículo (17,8%), a maior
parte (89,3%) está localizada em mu-
nicípios de pequeno porte I, o que pa-
rece ser mais uma questão relaciona-
da à falta de compreensão do papel
da busca ativa no SUAS.  Amenos que
o município seja essencialmente rural
ou com grande espalhamento territo-
rial, o cumprimento desta meta não
depende de veículo, sendo possível o
deslocamento da equipe a pé, ou por
outros meios, mais adequados.
Nessa direção, quando o território dos
CRAS de municípios de pequeno por-
te abranger comunidades rurais ou
61
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
comunidades de difícil acesso, e que
a estratégia de busca ativa mais indi-
cada seja a realização de visitas do-
miciliares, é importante que o estado
oriente os gestores municipais para
a importância de organizar um cro-
nograma de utilização de veículo(s)
da Secretaria Municipal, adequado
às demandas do território do CRAS
e, nos casos em que for necessário,
providenciar aquisição de veículo(s).
É interessante também que o estado
desenvolva linhas de financiamento
para aquisição de veículo, nos casos
em que este seja o maior empecilho.  
No caso dos municípios de maior por-
te, o veículo parece essencial ao cum-
primento desta meta.
9. Realizar atividade de 
gestão do território,
articulando a rede de 
Proteção Social Básica 
(2010/2011)
A gestão territorial da proteção básica
responde ao princípio de descentra-
lização do SUAS e tem por objetivo
promover a atuação preventiva, dis-
ponibilizar serviços próximo do local
de moradia das famílias, racionalizar
as ofertas e traduzir o referencia-
mento dos serviços ao CRAS em ação
concreta, tornando a principal unida-
de pública de proteção básica uma
referência para a população local.  
Essa atividade é fundamental para a
constituição de uma rede de proteção
básica do SUAS no território.
A responsabilidade pela gestão da
proteção social básica é da Secre-
taria Municipal (ou do DF) de Assis-
tência Social, ou congênere. Porém,
conforme explicitado anteriormente,
a gestão territorial, que deve estar
em consonância com as diretrizes
estabelecidas pelo órgão gestor, é
responsabilidade do coordenador do
CRAS, que deve contar com o auxílio
dos demais componentes da equipe
de referência.
Dentre as ações de gestão territorial da
proteção social básica, destacam-se:
Tabela 09 - CRAS que não realiza busca ativa, segundo existência ou não de
veículo, por porte de município
(Porte 2007)
Possui veículo Não possui veículo TOTAL
N % N %  
Pequeno I 52 40,3 25 89,3 77
Pequeno II 34 26,4 2 7,1 36
Médio 9 7,0 ---- ---- 9
Grande 28 21,7 ---- ---- 28
Metrópole 6 4,6 1 3,6 7
TOTAL 129 100,0 28 100,0 157
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
62
1. Articulação da rede socioassisten-
cial de proteção social básica referen-
ciada ao CRAS (caso haja rede) e dos
serviços nele ofertados (caso haja);
2. Promoção da articulação interse-
torial (ver comentários finais), e
3. Busca ativa (já descrita no item 8).  
A articulação da rede de proteção
social básica referenciada ao CRAS,
prevista nesta meta, é uma atividade
eminentemente de gestão e consis-
te no estabelecimento de contatos,
alianças, fluxos de informações e
encaminhamentos entre o CRAS e as
demais unidades de proteção social
básica do território. Visa promover
o acesso dos usuários do PAIF aos
demais serviços socioassistenciais
de proteção básica e ainda possi-
bilita que a família de usuário(s) de
serviço(s) da rede local tenha asse-
gurado seu acompanhamento, pelo
PAIF, caso se encontre em situação
de maior vulnerabilidade ou risco
social.  Neste sentido, o papel do co-
ordenador do CRAS é fundamental,
como articulador da rede, para pro-
vocar a compreensão de que as va-
gas são públicas e destinam-se às fa-
mílias que necessitam; mas também
pelo seu importante papel de orga-
nizar os fluxos, responsabilidades e
procedimentos entre CRAS e outras
unidades (públicas e privadas) de
proteção básica do território, de for-
ma a garantir que as famílias encami-
nhadas sejam inseridas nos serviços.  
Para tanto, é importante que o CRAS
disponha de informações sobre a ca-
pacidade de atendimento de cada
unidade do território, das vagas ocu-
padas e ainda não ocupadas.
A articulação da rede de proteção bá-
sica é ainda condição para que todos
os serviços de convivência ofertados
pela proteção básica, no território de
abrangência dos CRAS, sejam a ele
referenciados.   Estar referenciado
significa, de acordo com o Caderno
CRAS25
, que os serviços “devem re-
ceber orientações emanadas do po-
der público, alinhadas às normativas
do SUAS e estabelecer compromissos
e relações, participar da definição de
fluxos e procedimentos que reconhe-
çam a centralidade do trabalho com
famílias no território e contribuir para
a alimentação dos sistemas da Rede-
SUAS (e outros)”.
O referenciamento dos serviços de
proteção básica ao CRAS visa, so-
bretudo, tornar factível a articulação
do PAIF com os demais serviços.  Por
esse motivo, as orientações técnicas
da proteção básica sobre serviços
afirmam que um técnico do CRAS deve
ser referência para serviços prestados
no território ou no próprio CRAS. Não
se quer com isso dizer que o técnico
deve se deslocar para prestar serviços
de convivência, ou que deva ser res-
ponsável pelo planejamento das ativi-
dades do serviço, ou pela capacitação
dos orientadores sociais26
, mas que
ele deve manter reuniões regulares
com os responsáveis pelos serviços
ofertados no território, receber men-
salmente a lista de frequência aos
25	 Orientações Técnicas Centro de Referência
de Assistência Social – CRAS, p 22. 2009
26	 O planejamento de atividades dos serviços e
capacitação dos orientadores sociais é atribuição
dos Estados, municípios e DF.
63
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
serviços e discutir as ausências mais
frequentes, com o orientador social
(responsável pelos diversos serviços
de convivência e fortalecimento de
vínculos), de forma a identificar fa-
mílias que necessitem do apoio do
estado e do acompanhamento pelo
PAIF. Ou seja, visa-se assegurar o
compartilhamento entre os técnicos
(do PAIF e dos serviços), de informa-
ções estratégicas para a proteção à
família e garantia dos direitos dos
seus membros. Amplia-se, assim, a
capacidade protetiva das famílias,
por meio da responsabilização do
estado e do trabalho articulado entre
instituições responsáveis pela oferta
dos serviços de proteção básica.
Trata-se, portanto, de atividade es-
sencial à gestão do território, que dá
sustentabilidade à premissa de que
os serviços de proteção básica são
complementares ao trabalho social
com famílias, visto que a inserção
de membros mais vulneráveis nos
mesmos é garantida a todos que
deles necessitam. Expressa ainda
a centralidade do CRAS, e uma das
funções primordiais, de gestão da
principal unidade pública da prote-
ção social básica, para a efetivação
da proteção às famílias, prevista
pelo PAIF, e para a organização do
SUAS como Sistema.
Somente é possível afirmar que se
realiza atividades de gestão do ter-
ritório, articulando a rede de PSB, se
já houve a institucionalização dos
fluxos de usuários e de informações
entre o CRAS e a rede socioassis-
tencial do território, pela Secretaria
Municipal ou do DF; se há reuniões
periódicas do coordenador do CRAS
com coordenadores das demais uni-
dades de proteção básica; inserção
de pessoas que mais necessitam nos
serviços de proteção básica, a par-
tir do trabalho social com famílias;
acompanhamento, pelos técnicos de
nível superior, por meio de contatos
com os orientadores sociais, da fre-
qüência aos serviços, com identifi-
cação de vulnerabilidades e riscos;
bem como realização regular e pla-
nejada de busca ativa.
No caso dos 4.138 CRAS que afirma-
ram ter serviços de proteção básica,
mas não realizar atividades de gestão
do território, articulando a rede de
proteção social básica, investiga-se a
possível a interferência da existência
ou não de um técnico de nível supe-
rior ocupando função de coordenador
do CRAS, o quantitativo de recursos
humanos de nível superior; e alguma
articulação com unidades públicas e
conveniadas de proteção social bási-
ca, a partir dos dados apresentados
na Tabela 10, a seguir.
Primeiramente, cabe mostrar o tama-
nho do desafio relacionado à gestão
articulada dos serviços de proteção
básica, nos território dos CRAS, vis-
to que municípios (e DF), com apoio
dos Estados e do MDS, têm até o úl-
timo dia do preenchimento do Cen-
so SUAS/CRAS 2011, para fazer com
que 4.138 CRAS cumpram esta meta.  
Com relação ao total de CRAS que
não realiza a articulação de servi-
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
64
ços de proteção básica no territó-
rio, destaca-se que em 62,9% há
ausência do coordenador. Como
esta é uma atividade de gestão do
CRAS, a existência do coordenador
é condição para seu cumprimento.  
É importante ainda problematizar
uma possível falta de entendimen-
to conceitual sobre o que constitui
esta atividade, uma vez que 97,7%
dos CRAS que não a realizam afir-
mam possuir alguma articulação
com unidades públicas da rede
de proteção social básica e outros
88% informaram ter alguma articu-
lação com unidades conveniadas da
rede de proteção social básica. No
entanto, nestes territórios, pode ser
que a articulação seja mais informal
do que institucional.  
Com o intuito de aprofundar essa dis-
cussão cabe aos Estados a orientação
quanto à necessidade de organização
da rede socioassistencial e o apoio
para a capacitação dos profissionais,
entre outros. Já as Secretarias Muni-
cipais (e do DF) devem estabelecer
fluxos institucionalizados, garantir em
termo de convênio, quando se tratar
de unidades conveniadas , definir di-
retrizes para as reuniões periódicas do
CRAS e da rede, e capacitar coordena-
dor e técnicos. No âmbito dos CRAS,
é preciso que o coordenador assuma
essa responsabilidade como uma de
suas atividades cotidianas, buscando
estratégias que viabilizem a articula-
ção da rede de proteção social básica
no território de abrangência do CRAS,
tais como realização de oficinas e reu-
niões, de modo a operacionalizar os
fluxos, aprimorar os processos e apro-
fundar a compreensão da matricialida-
de sociofamiliar do SUAS.
Tabela 10 – CRAS que não executam atividades de gestão do território
Situação Número de CRAS Percentual
Não executa Atividades de gestão do território e 4.138 100%
Possui Coordenador                                                                                                   1.536                                37,1
Não possui Coordenador                                                                                           2.602                               62,9
Possui alguma articulação com unidades públicas da rede 	
de Proteção Social Básica                                                                                         4.042                               97,7
Não possui nenhuma articulação com unidades públicas da 	
rede de Proteção Social Básica                                                                                     96                                 2,3
Possui alguma articulação com unidades conveniadas da 	
Rede de Proteção Social Básica                                                                                3.640                               88,0
Não possui nenhuma articulação com unidades conveniadas 	
da Rede de Proteção Social Básica                                                                              498                               12,0
Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
65
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
10. Esclarecimentos finais
1)   Embora a articulação intersetorial
componha as ações de gestão do territó-
rio, no processo de pactuação nacional
não foi prevista como meta de desen-
volvimento dos CRAS, por não estar sob
a governabilidade exclusiva da política
de Assistência Social. Para que seja ga-
rantida, é necessário um papel ativo do
poder executivo municipal ou do DF,
como articulador político entre as diver-
sas secretarias que atuam nos territórios
dos CRAS, de forma a priorizar, estimular
e criar condições para a articulação in-
tersetorial local (no território). O gestor
de assistência social pode, no entanto,
influir para que seja definida a priorida-
de de articulação das ações no território
de abrangência do CRAS. A articulação
intersetorial deve envolver escolas, pos-
tos de saúde, unidades de formação
profissional, representantes da área de
infra-estrutura, habitação, esporte, lazer
e cultura, dentre outros e é essencial à
garantiadaproteçãointegralàsfamílias.
A intersetorialidade se materializa por
meio da criação de espaços de comu-
nicação, do aumento da capacidade de
negociação e da disponibilidade em se
trabalhar com conflitos. Sua efetividade
depende de um investimento dos muni-
cípios e DF, na promoção da intersetoria-
lidade local, bem como da capacidade
em estabelecer e coordenar fluxos de
demandas e informações entre as orga-
nizações e atores sociais envolvidos. A
promoção da articulação intersetorial,
no território de abrangência do CRAS, é
uma ação coletiva, compartilhada e in-
tegrada a objetivos e possibilidades de
outras áreas, tendo por escopo garantir
a integralidade do atendimento aos seg-
mentos sociais em situação de vulnera-
bilidade e risco social.
2)   A referência e contrarreferência
dos usuários no SUAS também não
está prevista em metas.  É, no entan-
to, condição para a garantia do direito
de acesso e permanência dos usuários
nos serviços e benefícios de assistên-
cia social.  Efetiva-se por meio da defi-
nição de fluxos e procedimentos entre
CRAS e CREAS e, portanto, é altamente
dependente da existência de coorde-
nador nestas unidades.  No entanto,
depende também da articulação entre
proteção básica e especial, nas secre-
tarias municipais e do DF que dispo-
nham de CRAS e CREAS; e entre muni-
cípios, ou destes com estados, sempre
que o CREAS for regional.  Para que o
referenciamento dos usuários ao SUAS
seja efetivo, será necessário garantir,
no processo de consolidação do SUAS,
que todo CRAS possa se reportar a um
CREAS e um CREAS possa se reportar a
um ou mais CRAS, de forma a garantir
que cada usuário (família) esteja refe-
renciado a um CRAS ou a um CREAS
(no caso de violação de direitos ou si-
tuação de risco social).  Neste segundo
caso, transitoriamente a responsabili-
dade pela proteção a essa família (ou
indivíduo, enquanto não se identifica
a família) é do CREAS, até que a família
seja contrarreferenciada ao CRAS.
A seguir serão apresentadas as metas
de desenvolvimento dos CRAS da di-
mensão “horário de funcionamento”, e
que são fundamentais para a garantia
da oferta do PAIF para a população re-
ferenciada ao CRAS.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
66
Conforme previsto nas “Orientações
Técnicas Centro de Referência da As-
sistência Social- CRAS”, página 59,
assim como o espaço físico, o horário
de funcionamento dos CRAS deve
ser compatível com os serviços ofer-
tados e adequado ao atendimento
de todos aqueles que o demanda-
rem, maximizando a possibilidade
de acesso dos usuários aos seus di-
reitos socioassistenciais.
Sendo assim, para refletir tais carac-
terísticas, o CRAS deve funcionar, no
mínimo, cinco dias por semana e oito
horas por dia, totalizando 40 horas
semanais. Deve ainda contar com a
equipe de referência completa, rea-
lizando atividades próprias do PAIF,
durante todo o período funciona-
mento. Isto quer dizer, por exemplo,
que se em 2010/2011, para municí-
pios de Pequeno Porte I e II são exi-
gidos 02 técnicos de nível superior,
ambos devem estar disponíveis para
atendimento (interno ou externo ao
CRAS) 05 dias por semana durante as
08 horas diárias. Caso a carga horária
de trabalho de um profissional seja
inferior a 40 horas, outro profissional
deverá ser integrado à equipe de re-
ferência, de forma que durante todo
o período de funcionamento, o CRAS
possua equipe conforme exigência.  
Para o período anual 2009/2010,
a Comissão Intergestores Tripartite
(CIT) pactuou duas metas para a di-
mensão “horário de funcionamento”,
que deveriam ter sido cumpridas até
outubro de 2010 e que, na lógica das
metas cumulativas a cada período
anual, se mantêm para os períodos
seguintes (no entanto, como cumpri-
das).  São elas:
(A)	Funcionamento (do CRAS) igual
ou superior a 5 dias por semana.
(B)	 Funcionamento (do CRAS) igual
ou superior a 8 horas por dia.   
Para facilitar o acesso e participação
dos usuários, os horários de atendi-
mento nos CRAS são flexíveis, ou seja,
as unidades podem funcionar em pe-
ríodo noturno e/ou finais de semana.
Dados Gerais
De uma maneira geral, conforme ex-
presso no Gráfico 01 a seguir, os resul-
tados relativos à Dimensão Horário de
Funcionamento são bastante positivos,
visto que 97% dos CRAS registrados
no Censo SUAS/CRAS 2010 cumprem
as duas metas estipuladas.
Como forma de identificar se existe
influência de déficit de recursos hu-
manos nos 3% das unidades (231
CRAS) que não atingiram a meta
prevista, realizou-se um cruzamento
com o quantitativo de técnicos de
nível superior. Identificou-se desta
forma que 19% (45 CRAS) têm déficit
de profissionais de nível superior, em
Dimensão Horário de Funcionamento
Coordenação-Geral de Serviços Socioassistenciais a Famílias
67
Volume	1
Orientações	Técnicas	,		metas	de	Desenvolvimento	dos	CRAS
Período	2010/2011
relação	às	exigências	para	o	período	
anual	2010/2011.
uma	 solução	 para	 o	 quantitativo	 de	
profi	ssionais	deve	ser	dada	o	quanto	
antes,	sendo	a	realização	de	concursos	
públicos	a	orientação	ideal	para	regu-
larização	 da	 situação.	 Caso	 não	 seja	
possível,	de	forma	emergencial,	o	es-
tado	pode	orientar	o	gestor	para	que	
realize	 contratação	 temporária	 me-
diante	 seleção	 pública27
.	 Além	 disso,	
os	técnicos	estaduais	devem	orientar	
o	gestor	para	que	as	equipes	dos	CRAS	
estejam	completas	durante	todo	o	pe-
ríodo	de	funcionamento	da	unidade.
Dado	que	mais	da	metade	dos	CRAS	
que	não	atendem	às	metas	previstas	
para	Horário	de	Funcionamento	pos-
suem	 recursos	 humanos	 exigidos,	
a	 solução	 para	 cumprimento	 desta	
meta	pode	depender,	sobretudo,	da	
organização	 de	 carga	 horária	 dos	
funcionários	 e,	 eventualmente,	 da	
necessidade	 de	 disponibilização	 de	
27	 	Para	mais	informações,	ver	Dimensão	
Recursos	Humanos,	neste	documento.
quantitativo	 superior	 de	 técnicos	
para	 equipe	 de	 referência,	 quando	
a	 carga	 horária	 dos	 trabalhadores	
for	 inferior	 a	 40	 horas.	 	 Para	 tanto,	
é	 necessário	 que	 os	 gestores	 esta-
duais	 orientem	 os	 gestores	 munici-
pais,	e	que	estes	últimos	tomem	as	
providências	 cabíveis	 para	 que	 se	
faça	 cumprir	 a	 meta	 nacionalmente	
pactuada.	Outra	prática	que	tem	sido	
observada	é	que	um	mesmo	técnico	
é	funcionário	de	mais	de	um	CRAS,	
ou	de	CRAS	de	mais	de	um	municí-
pio,	situação	que	exige	rápida	solu-
ção	e	adequação.
Outras	 orientações	 relacionadas	 à	
dimensão	 Recursos Humanos	 po-
dem	 ser	 encontradas	 no	 próximo	
item	 deste	 documento,	 cujo	 foco	 é	
o	cumprimento	do	disposto	na	nor-
ma	Operacional	Básica	de	Recursos	
Humanos	 do	 SuAS	 (nOB-RH/SuAS).		
As	 metas	 de	 desenvolvimento	 do	
CRAS,	relacionadas	a	esta	dimensão,	
estão	 previstas	 na	 Resolução	 CiT	
nº05/2010,	e	podem	ser	identifi	ca-
das	no	Anexo	1	deste	documento.	
Gráfico 01- Resultado Geral da Dimensão Horário de funcionamento
Fonte:	Censo	SuAS/CRAS	2010
Percentual	de	CRAS	que	atingem	ou	não	as	metas	de	Desenvolvimento	
dos	CRAS	nos	períodos	2009/2010	e	2010/2011
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
68
O que orienta a dimensão de Recur-
sos Humanos no âmbito do SUAS é a
concepção da Política de Assistência
Social, contida na Constituição Fede-
ral (CF/1988), na Lei Orgânica de As-
sistência Social (LOAS/1993), na Po-
lítica Nacional de Assistência Social
(PNAS/2004), na Norma Operacional
Básica do Suas (NOB SUAS/2005) e
na Norma Operacional Básica de Re-
cursos Humanos do SUAS (NOB-RH/
SUAS/2006).
Em relação aos Centros de Referên-
cia da Assistência Social (CRAS) é
importante, também, a publicação
Orientações Técnicas: Centro de Re-
ferência de Assistência Social – CRAS
(Ministério do Desenvolvimento So-
cial e Combate à Fome. – 1. ed. – Bra-
sília: Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, 2009), es-
pecialmente o capítulo que apresen-
ta a composição, perfil e atribuição
da equipe de referência no CRAS.
Conforme expresso na Políti-
ca Nacional de Assistência Social
(PNAS/2004) e referendado pela
Norma Operacional Básica de Re-
cursos Humanos do SUAS (NOB-RH/
SUAS/2006), a Política de Recursos
Humanos é um dos eixos fundamen-
tais do Sistema Único de Assistência
Social (SUAS). Neste sentido, “(...)
Para a implementação do SUAS, e para
se alcançar os objetivos previstos na
PNAS/2004, é necessário tratar a ges-
tão do trabalho como uma questão
estratégica. A qualidade dos serviços
socioassistenciais disponibilizados à
sociedade depende da estruturação
do trabalho, da qualificação e valori-
zação dos trabalhadores atuantes no
SUAS28
.”
Os serviços socioassistenciais são
previstos no artigo 23 da Lei Orgâni-
ca da Assistência Social (LOAS) como
atividades continuadas que visam
a melhoria de vida da população e
cujas ações, voltadas para as neces-
sidades básicas, observem os obje-
tivos e diretrizes previstos nessa lei.
A NOB-RH/SUAS ao instituir as equi-
pes de referência reafirma a con-
cepção que a proteção social se
materializa com a oferta de serviços
socioassistenciais de caráter plane-
jado e continuado visando efetivar
direitos sociais.
As Equipes de Referência “são aque-
las constituídas por servidores efeti-
vos, responsáveis pela organização
e oferta de serviços, programas, pro-
jetos e benefícios de proteção social
básica e especial, levando-se em con-
sideração o número de famílias e indi-
víduos referenciados, o tipo de atendi-
mento e as aquisições que devem ser
garantidas aos usuários”. No que se
refere aos Centros de Referência da
28	  NOB-RH/SUAS, 2006. p. 15.
Dimensão Recursos Humanos
Coordenação-Geral de Implementação e Acompanhamento da Política de RH do SUAS
69
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Assistência Social (CRAS), a NOB-RH prevê, para todos os portes de muni-
cípios, um coordenador com nível superior, concursado ou comissionado.
Além deste, a equipe de referência deve dispor de servidores efetivos
conforme quadro a seguir:
O caderno Orientações Técnicas do
CRAS define que famílias referen-
ciadas são aquelas que vivem no
território de abrangência do CRAS
e que a capacidade de atendimen-
to anual é estimada com base na
proporção do número de famílias
referenciadas. Portanto, o número
de famílias que vivem no território
constitui parâmetro para a capaci-
dade de atendimento do CRAS.
Municípios
Famílias
referenciadas
Capacidade de
atendimento anual
Equipe de Referência Coordenador
Pequeno
Porte I
Até 2.500
famílias
500 famílias
02 técnicos com nível
superior, sendo um
assistente social e outro
preferencialmente
psicólogo.
02 técnicos com nível
médio.
As equipes de
referência
do CRAS
devem contar
sempre com um
coordenador com
nível superior,
concursado,
com experiência
em trabalhos
comunitários
e gestão de
programas,
projetos, serviços
e/ou benefícios
socioassistenciais
Pequeno
Porte II
Até 3.500
famílias 750 famílias
03 técnicos com nível
superior, sendo dois
assistentes sociais e
preferencialmente um
psicólogo.
03 técnicos com nível
médio.
Médio,
Grande,
Metrópole
e DF
A cada 5.000
famílias
1.000 famílias
04 técnicos com nível
superior, sendo dois
assistentes sociais,
um psicólogo e um
profissional que compõe
o SUAS.
04 técnicos com nível
médio.
Reafirma também o entendimen-
to que a equipe de referência nor-
matizada pela NOB-RH/SUAS trata
do padrão estabelecido para cada
CRAS levando-se em consideração
o número de famílias e indivíduos
referenciados. Sendo o PAIF o princi-
pal serviço da proteção social básica,
de oferta exclusiva e obrigatória nos
CRAS, e tendo em vista a possibilida-
de de oferta de outros serviços neste
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
70
equipamento estatal, sem que haja
prejuízo às atividades do PAIF, é ne-
cessária inclusão de novos profissio-
nais à equipe de referência.
A NOB-RH/SUAS determina que
toda a equipe de referência do
CRAS seja composta por servidores
efetivos, ou seja, aqueles servido-
res que ingressaram nos cargos me-
diante concurso público de provas
ou de provas e títulos, conforme
previsão constitucional, em virtude
da função pública que exercem nos
territórios.
A equipe de referência e o coorde-
nador compõem, portanto o con-
junto de agentes públicos do Esta-
do que materializam a política de
assistência social por meio da ação
planejada, qualificada e continuada.
O coordenador do CRAS é a referên-
cia estatal no território, com atribui-
ções e responsabilidades tais como
assinar documentos públicos; fazer
a gestão do equipamento; acom-
panhar e avaliar as atividades nele
planejadas e desenvolvidas pela
equipe de referência; coordenar e
articular a rede socioassistencial do
seu território; visando consolidar e
subsidiar com informações preci-
sas o gestor municipal; além de ser
uma referência para a comunidade e
usuários dos serviços.
A NOB-RH/SUAS prevê, ainda, em
relação à Gestão do Trabalho, a res-
ponsabilidade do órgão gestor des-
tinar recursos financeiros para essa
área, incluindo a previsão de recur-
sos para a realização de concurso
público, com o objetivo de contratar
e manter o quadro de pessoal ne-
cessário para a gestão e execução
dos serviços socioassistenciais.
É no Plano de Assistência Social que
os gestores devem incluir as ações
da área da gestão do trabalho e de-
finir, no orçamento, os recursos e as
ações orçamentárias para essa área,
mantendo vinculação com os ins-
trumentos de planejamento público
(Plano Plurianual - PPA, Lei de Dire-
trizes Orçamentárias – LDO e Lei or-
çamentária Anual – LOA).
As normativas no âmbito do SUAS,
acima mencionadas, reafirmam que
a contratação de recursos huma-
nos deve se orientar pelas normas
da Administração Pública, previstas
na Constituição Federal de 1988
(CF/88), em seu art. 37, incisos de
I à IX. O inciso II prevê a realização
de concurso público e o inciso IX, a
contratação por determinado perí-
odo, para cobrir necessidades tem-
porárias de excepcional interesse
público. No § 2º indica que “a não
observância do disposto nos incisos
II e III implicará a nulidade do ato e a
punição da autoridade responsável,
nos termos da lei”:
Art. 37. A administração pública
direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de lega-
lidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também,
ao seguinte: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de
1998).
71
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
II  - a investidura em cargo ou em-
prego público depende de aprova-
ção prévia em concurso público de
provas ou de provas e títulos, de
acordo com a natureza e a complexi-
dade do cargo ou emprego, na forma
prevista em lei, ressalvadas as nome-
ações para cargo em comissão decla-
rado em lei de livre nomeação e exo-
neração; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998).
IX - a lei estabelecerá os casos
de contratação por tempo de-
terminado para atender a ne-
cessidade temporária de ex-
cepcional interesse público.	
O mencionado inciso IX do art. 37 da
Constituição Federal estabelece a ex-
ceção pela qual pode haver contrata-
ção por prazo determinado, mas, para
tanto, exige que se encontrem pre-
sentes dois requisitos: a) a previsão
expressa em lei; e, b) a real existência
de “necessidade temporária de ex-
cepcional interesse público”. Obser-
vado esses requisitos, o município
deve tomar todas as medidas legais
cabíveis para a publicação de edital
de seleção pública simplificada para
contratação por tempo determinado.
Além da possibilidade de aplicar o
que está previsto constitucionalmen-
te, os gestores dos municípios, que
executam o Projovem Adolescente,
devem adotar o que prevê a Portaria
nº 171, de 26 de maio de 2009, no
artigo 36, que autoriza a utilização
dos recursos repassados, por meio do
Piso Básico Variável, para remunera-
ção dos servidores públicos efetivos,
de nível médio ou superior, para com-
por a equipe de referência do serviço
da proteção social básica do SUAS:
-- Art. 36. Os recursos repassados para o
custeio do Projovem Adolescente - Ser-
viço Socioeducativo, por meio do Piso
Básico Variável, poderão ser destinados
à remuneração dos servidores públicos
de nível médio ou superior que consti-
tuem a equipe de referência necessária
à execução do serviço socioeducativo.
Parágrafo único. Para os fins do dispos-
to no caput, considera- se:
-- I  - remuneração: o total de paga-
mentos devidos ao servidor público,
em decorrência do efetivo exercício
em cargo, emprego ou função, in-
tegrantes da estrutura, quadro ou
tabela de servidores do Distrito Fe-
deral ou município, conforme o caso,
inclusive os encargos sociais;
-- II  - efetivo exercício: atuação efe-
tiva no desempenho das atividades
relacionadas à execução do serviço
socioeducativo, associada à sua re-
gular vinculação contratual, tem-
porária ou estatutária, com o ente
governamental que o remunera, não
sendo descaracterizado por even-
tuais afastamentos temporários
previstos em lei, com ônus para o
empregador, que não impliquem rom-
pimento da relação jurídica existente.	
	
As orientações relacionadas à di-
mensão estrutura física serão apre-
sentadas a seguir e constituem con-
dição fundamental para a garantia
da oferta do PAIF, um serviço pú-
blico de proteção básica tipificado
por meio da Resolução CIT nº109,
de 11 de novembro de 2009.  A es-
trutura física é reflexo da concep-
ção de trabalho social com famílias
e deve ser expressão do direito das
famílias ao acesso a serviços de
qualidade.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
72
A dimensão estrutura física será
apresentada em três itens. O primei-
ro explicita as metas de desenvolvi-
mento dos CRAS, relacionando-as às
orientações técnicas da proteção bá-
sica, expressas em duas publicações,
cuja leitura é fundamental, visto
que complementam e aprofundam
as informações aqui sintetizadas.  
O segundo item disponibiliza infor-
mações sobre compartilhamento de
espaço físico. O terceiro é uma nota
do Fundo Nacional de Assistência
Social, sobre utilização dos recursos
transferidos pela SNAS, aos fundos
municipais e do DF, para oferta de
serviços, no que tange a dimensão
estrutura física.
a) Metas de Desenvolvimento
dos CRAS
Coordenação-Geral de Serviços Socioassisten-
ciais a Famílias
Conforme vimos, a unidade pública
estatal, descentralizada da política de
assistência social, CRAS, é responsá-
vel por organizar a oferta dos serviços
de proteção social básica do Sistema
Único de Assistência Social (SUAS),
nas áreas de vulnerabilidade e risco
social dos municípios. Sua capilarida-
de nos territórios faz desta unidade a
principal porta de entrada do SUAS.  É
importante, portanto que seu espa-
ço físico expresse tanto a concepção
da Política Nacional de Assistência
Social (PNAS/2004) como também a
cultura e padrões identitários locais.
Em outras palavras:
“O CRAS não deve ser compreendido
simplesmente como uma edificação.
A disposição dos espaços e sua
organização refletem a concepção
sobre trabalho social com famílias
adotada pelos municípios.Assim, são
fatores que influenciam a estrutura
e o funcionamento do CRAS: as
rotinas e metodologias adotadas;
as características do território e
da população a ser atendida; a
importância dada à participação
das famílias no planejamento e
avaliação dos serviços prestados e
ações desenvolvidas; a incidência
de determinadas vulnerabilidades
no território; os recursos materiais e
equipamentos disponíveis; o papel
desempenhado pela equipe de
referência e sua concepção sobre
famílias etc29
.”
29	    Orientações Técnicas Centro de Referencia
de Assistência Social – CRAS, p.47. Este material
encontra-se disponível em: http://mds.gov.
br/assistenciasocial/protecaobasica/cras/
documentos/orientacoes-tecnicas-centro-de-
referencias-de-assistencia-social-cras-1-1.pdf .
dimensão estrutura física
73
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Esta visão atende à premissa de
que o CRAS é o locus no qual os
direitos socioassistenciais são
assegurados, ou seja, deve ser
passível de fácil identificação e
reconhecimento, pela popula-
ção, enquanto unidade pública
que possibilita acesso a direi-
tos.  Por este motivo salienta-se,
como uma das metas de desen-
volvimento do CRAS, do período
2008/2009, a instalação de placa
de identificação, em modelo pa-
drão, que pode ser acessada no
site do MDS30
.  
Além das atividades de gestão
territorial, todo gestor deverá
zelar para garantir um ambiente
agradável e adequado para re-
alização das atividades do PAIF
e outros serviços ofertados no
CRAS. Ou seja, todos os ambien-
tes devem ser limpos, iluminados,
ventilados, conservados e devem
garantir privacidade a profissio-
nais e usuários.
Os documentos “Orientações Téc-
nicas para o Centro de Referência
da Assistência Social – CRAS” e “A
Melhoria da Estrutura Física para o
Aprimoramento dos Serviços. Orien-
tações para gestores e projetistas
municipais” estabelecem parâme-
tros fundamentais no que tange
aos espaços físicos dessa unidade.
A quantidade e a metragem dos es-
30	 Link: http://www.mds.gov.br/saladeimprensa/
marcas.
paços ficam condicionadas à rela-
ção entre famílias referenciadas ao
CRAS e a sua capacidade de aten-
dimento anual31
.
A seguir apresentamos os espaços
que todo CRAS deve dispor, confor-
me definido nas publicações citadas
no parágrafo anterior, associando-os
às metas de desenvolvimento dos
CRAS, contidas na Resolução CIT
nº05/2010 (Anexo 1):
-- Recepção: é o local destinado ao
acolhimento e informação das fa-
mílias que chegam ao CRAS, ou seja,
não é apenas o local destinado à es-
pera.  Esta é uma meta de desenvolvi-
mento do CRAS, relativa ao período
2009/2010.
-- Sala de atendimento: espaço desti-
nado ao acompanhamento ou atendi-
mento particularizado de famílias (e
indivíduos).  Esta sala, independente-
mente do tamanho, deve assegurar o
sigilo das informações trocadas, en-
tre técnicos e usuários.
-- Sala de uso coletivo: destinada
31	 “A Melhoria da Estrutura Física para o
Aprimoramento dos Serviços. Orientações para
gestores e projetistas municipais”; página 29.
Neste documento são apresentados modelos de
plantas e sugestões de soluções e adaptações
para o gestor municipal, e deve ser fonte
de estudo e consulta periódica.  Encontra-
se disponível em:   http://www.mds.gov.br/
gestaodainformacao/biblioteca/secretaria-
nacional-de-assistencia-social-snas/cadernos/
cras-a-melhoria-da-estrutura-fisica-para-o-
aprimoramento-dos-servicos-2013-orientacoes-
para-gestores-e-projetistas-municipais/
cras-a-melhoria-da-estrutura-fisica-para-o-
aprimoramento-dos-servicos-o-orientacoes-para-
gestores-e-projetistas-municipais.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
74
à realização de atividades coleti-
vas, que permite uso múltiplo e oti-
mizado, para atividades em grupo
do PAIF (acompanhamento), ofici-
nas com famílias, palestras, reuni-
ões, exposições, apresentações, etc.  	
Estas duas salas constituem uma meta
de desenvolvimento dos CRAS, do pe-
ríodo 2008/2009, traduzida como “pos-
suir duas salas, sendo pelo menos uma
com capacidade superior a 15 pessoas”.  
Juntas, são essenciais para garantir o
acompanhamento e atendimento pró-
prios do PAIF.
-- Banheiros: a meta de “ter banheiro”
no CRAS foi estipulada para o período
2008/2009.   Segundo as orientações
técnicas, é recomendável a existência
de dois banheiros (feminino e mascu-
lino), garantindo a acessibilidade para
pessoas com deficiência.
-- Sala administrativa (meta 2011/2012,
portanto, do próximo período): desti-
nada ao coordenador e profissionais
do CRAS, para atividades de registro
de informações, produção de dados,
arquivo de documentos, alimentação
de sistemas de informação, reuniões
de equipe, etc.
-- Copa (não incluída nas metas, mas
constante das orientações): destinada
ao preparo de lanches oferecidos aos
usuários, bem como para o uso da equi-
pe de referência do CRAS.
É imprescindível que os espaços
que compõem os CRAS garantam
acessibilidade aos seus usuários. O
documento “A Melhoria da Estrutu-
ra Física para o Aprimoramento dos
Serviços”, propõe a adoção do “con-
ceito contemporâneo de ‘acessibilida-
de’ (que) transcende o favorecimento
à autonomia de acesso a pessoas
com deficiência, abrangendo, mais
amplamente, todas as pessoas que fo-
gem ao arquétipo de homem/mulher
adulto(a). Isto significa, por exemplo,
que as “criança” ou “idosos”, públicos
freqüentes nos CRAS, também de-
mandam condições de acessibilidade
próprias”, o que implica na garantia
de um espaço de uso “equitativo,
versátil, natural, intuitivo e seguro,
(propiciando a) redução do esforço fí-
sico e da informação perceptível para
todos”32
.
Não obstante a adoção deste ‘dese-
nho universal’, os CRAS devem estar
adequados às normativas relacio-
nadas à garantia de acessibilidade.
Dentre os principais instrumentos
reguladores destacam-se: Decreto
nº 5.296/04, que regulamenta as leis
nº 10.048/200 e nº10.098/2000 e a
norma técnica ABNT NBR 9050: 2004.
Visando criar condições para que os
municípios e DF adequem gradativa-
mente os espaços físicos dos CRAS,
para garantir acessibilidade, no perí-
odo anual vigente (2010/2011), to-
dos deverão “possuir rota acessível
para pessoas idosas e com deficiên-
cia, aos principais acessos do CRAS:
recepção, sala de atendimento e sala
de uso coletivo”, no ano de 2011.
32	 BRASIL. Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome. A Melhoria da Estrutura
Física para o Aprimoramento dos Serviços”. 1 ed.
Brasília: MDS, 2009; Página 40.
75
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
O não cumprimento dos requisi-
tos estabelecidos para os períodos
anuais anteriores, relativamente à
dimensão estrutura física implica na
necessidade de elaboração de Plano
de Providências por municípios e DF
e de Plano de Apoio por estados (ou
MDS). Os prazos para tal, são defini-
dos no artigo 10 da Resolução CIT
nº08/2010, exceto nos casos em
que o município tenha superado, o
que deverá ser informado ao Estado,
acompanhado de comprovação.  Vá-
rios estados têm apoiado municípios,
por meio do financiamento de cons-
trução e reforma.  Sugere-se que as
metas de desenvolvimento dos CRAS,
na dimensão estrutura física, sejam
traduzidas em critérios a serem ado-
tados para financiamento de constru-
ção e reformas, por parte dos Estados
(e MDS), visto que seu cumprimento
é responsabilidade de todos os entes.  
Os CRAS que ainda não possuem rota
acessível aos principais espaços exi-
gidos nos períodos anuais anteriores,
devem ser objeto de todo esforço por
parte dos gestores municipais, do DF
e estaduais, no sentido do alcance
das metas previstas até o último dia
de preenchimento do Censo CRAS
2011, não sendo necessária a elabo-
ração de Plano de Providências. Su-
gere-se, ainda, leitura do último item
desta dimensão, sobre utilização de
recursos de pisos, para reformas.
Garantidos os recursos humanos e os
espaços exigidos para oferta do PAIF,
os CRAS podem ofertar outros servi-
ços de Proteção Social Básica. Para
tanto, deve-se observar o disposto
na Tipificação Nacional dos Serviços
Socioassistenciais e normativa(s)
específica(s) de cada serviço, sobre
espaços necessários.
Há que se chamar atenção também
para a meta 2010/2011, de que to-
dos os CRAS “possuam computador”.  
Para compreensão da importância
dos computadores nos CRAS, reco-
menda-se leitura da dimensão “ativi-
dades realizadas”.
Conforme disposto na resolução CIT
nº 06, de 01 de julho de 2008,e nas
“Orientações Técnicas - Centro de Re-
ferência da Assistencia Social” não é
permitido que os CRAS compartilhem
seuespaçofísicocomONGs/Entidade,
Associação Comunitária e ainda com
outras estruturas administrativas, tais
como secretarias municipais, esta-
duais, prefeituras, entre outras. Isso
quer dizer que os CRAS não podem
funcionar nestes espaços e, quando
funcionam, não podem ser conside-
rados CRAS. Duas metas (em desta-
que) foram estipuladas para o período
2008/2009 e desde 2010 o MDS não
cofinancia CRAS que compartilhem
espaços em prédios que o descaracte-
rizem como unidade pública.
Conforme disposto na Tipificação
Nacional dos Serviços Socioassisten-
ciais, a oferta do PAIF cabe ao CRAS e,
exclusivamente à esfera estatal. Nes-
te sentido, é vetado que o CRAS fun-
cione em imóvel compartilhado com
associações comunitárias ou ONG’s,
sob pena do não cumprimento da
premissa de oferta estatal do PAIF.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
76
Além disso, em consonância com o
previsto nas Orientações Técnicas
do Centro de Referência de Assistên-
cia Social – CRAS, as funções desta
unidade pública local não devem ser
confundidas com as do órgão ges-
tor da política de assistência social
(ou outro qualquer). Ao CRAS cabe
a oferta do PAIF e a organização,
articulação e coordenação da rede
socioassistencial de seu território.
Ou seja, o CRAS materializa a des-
centralização dos serviços, prevista
em Lei (LOAS) e na PNAS.   Por sua
vez, ao órgão gestor cabe a organi-
zação e gestão do SUAS no âmbito
do município. O funcionamento do
CRAS em estruturas administrativas,
ainda que relativas à assistência so-
cial, induz a equívocos quanto às
responsabilidades específicas das
equipes de referência, ao possibili-
tar que essas assumam tarefas que
não lhe são próprias, prejudicando
a garantia da oferta dos serviços e
o referenciamento dos usuários,
descumprindo o princípio da des-
centralização e territorialização dos
serviços.
Excetuado o funcionamento de
CRAS em prédios que o descarac-
terizam como unidade pública, ou o
confundem com unidades adminis-
trativas da(s) Secretaria(s), o tópico
seguinte apresenta esclarecimentos
adicionais sobre as condições em
que se admite compartilhamento
de espaços, quando o CRAS funcio-
na no mesmo prédio, junto com um
ou mais serviços públicos (a exem-
plo da Praça dos Esportes e Cultu-
ra – Plano de Aceleração do Cresci-
mento II - PAC II).  Embora não sejam
contempladas nas metas de desen-
volvimento do CRAS, considerou-se
oportuno abordá-las neste docu-
mento, por seu caráter complemen-
tar às orientações relativas a esta
dimensão.  
B) Espaços passíveis de
compartilhamento
Coordenação-Geral de Serviços Socioassisten-
ciaisa Famílias
Embora o CRAS seja um equipamen-
to estatal, os espaços físicos nem
sempre são de propriedade das pre-
feituras municipais. Muito embora a
propriedade seja um elemento im-
portante para a execução dos servi-
ços, é possível que a implantação de
CRAS se dê em imóveis cedidos ou
alugados.
Diante das dificuldades, dos muni-
cípios e DF, de disponibilidade ou
aquisição de imóveis para implan-
tação do CRAS, muitos gestores op-
tam por implantar CRAS em imóvel
compartilhado. Considerando tal
realidade, e garantidas as restrições
previstas em Resolução da CIT, des-
tacadas no item anterior, considera-
-se que determinados espaços nas
edificações onde funcionam os
CRAS sejam passíveis de comparti-
lhamento, desde que resguardadas
as seguintes premissas:
-- primazia da oferta do PAIF. Ou seja,
a identidade do equipamento enquan-
to lócus da execução do principal
77
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
serviço da proteção básica deve ser
preservada, observando a exclusivi-
dade de uso dos seguintes espaços:
recepção, sala de atendimento indi-
vidual (garantindo sigilo no atendi-
mento), sala da coordenação e sala
multiuso (ou sala para atendimento
das famílias em grupo e para reali-
zação de oficinas, palestras, dentre
outros);
-- garantia de identificação do equi-
pamento, ou seja, a identidade do
CRAS deve ser garantida por meio
de placa padrão e sinalização estra-
tegicamente posicionadas nas áreas
externas do imóvel, nos locais de
fácil visualização para a população
usuária.
São passíveis de compartilhamento
os seguintes espaços, sempre que
o CRAS funcionar junto com outros
equipamentos (ou serviços) públi-
cos, em uma mesma edificação:
A)  Entrada, desde que resguardada
a existência de recepção exclusiva
para o CRAS (adequado, sobretudo
para edifícios com diferentes servi-
ços em diferentes andares ou para
CRAS instalados em construções de
grandes dimensões).
B)	 Banheiros, desde que respeita-
dos os cálculos de capacidade, bem
como as especificidades relativas à
acessibilidade, previstos no docu-
mento “A Melhoria da Estrutura Fí-
sica para o Aprimoramento dos Ser-
viços: Orientações para gestores e
projetistas municipais”.
D)   Almoxarifado, desde que este
possua condições para acondicio-
namento em separado dos itens
pertencentes a cada serviço, com
clara identificação daquilo que se
refere ao CRAS, preferencialmente
em armários com chave33
.
D)  Copa, desde que haja capacidade
de suporte às atividades realizadas
no CRAS. Segundo o documento já
citado, uma copa de 5m² destina-se
exclusivamente às atividades do
PAIF. Se o CRAS compartilha edifi-
cação com serviços de outras polí-
ticas públicas, poderá compartilhar
a copa, desde que seu espaço físico
seja proporcional ao quantitativo
de pessoas atendidas em todos os
serviços.
E)   Salas de multiuso e auditórios,
desde que seja estabelecida agenda
compartilhada para a utilização do
espaço, ou seja, resguardando-se a
primazia da oferta do PAIF.
F)  Áreas externas, desde que o trân-
sito de públicos distintos não preju-
dique o desenvolvimento das ações
do PAIF e de gestão do CRAS.
A seguir e como último item desta
dimensão, apresenta-se orientações
técnicas sobre utilização de recursos
transferidos pelo Fundo Nacional de
Assistência Social, aos fundos muni-
cipais e do DF, para oferta de servi-
ços, no que tange a dimensão estru-
tura física.
33	 Conforme disposto no documento “A
Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento
dos Serviços. Orientações para gestores e
projetistas municipais” (páginas: 35-36) -2009, em
geral encontra-se nos CRAS dois tipos principais
de almoxarifado: voltado para alocar produtos
alimentícios (quando as unidades oferecem
alimentação a públicos determinados), ou voltado
para alocar materiais pedagógicos e de suporte para
as atividades coletivas. O documento apresenta a
sugestão de que a organização destes espaços leve
em consideração demandas locais, podendo ser
planejado em consórcio com a sala multiuso.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
78
C) Aplicação dos recursos
do cofinanciamento federal,
repassados pelo Fundo
Nacional de Assistência Social
– FNAS aos fundos municipais,
do DF e estaduais de assistência
social, quanto à Dimensão
Estrutura Física
Fundo Nacional de Assistência Social
Trata-se de orientação técnica acerca
da aplicação dos recursos repassados
do Fundo Nacional de Assistência
Social – FNAS aos fundos estaduais
e municipais de assistência social no
que tange a dimensão estrutura física.
A Lei nº 8.742, de 7 de Dezembro de
1993 – Lei Orgânica da Assistência
Social - LOAS, instituiu o FNAS com
o  intuito de proporcionar recursos e
meios de financiar as ações da Polí-
tica de Assistência Social, elencadas
na referida Lei como benefícios, ser-
viços, programas e projetos.
Observa-se que o Decreto nº 1.605,
de 25 de agosto de 1995, que regu-
lamenta o FNAS, em seu art. 5º enu-
mera as hipóteses de aplicação dos
recursos, conforme transcrito abaixo:
Art. 5º Os recursos do Fundo Nacio-
nal de Assistência Social - FNAS se-
rão aplicados:
I - no pagamento do benefício de pres-
tação continuada, previsto nos arts.
20; 38 e 39 da Lei nº 8.742, de 1993;
 II - no apoio técnico e financeiro aos
serviços e programas de assistência
social aprovados pelo Conselho Na-
cional de Assistência Social - CNAS,
obedecidas as prioridades estabele-
cidas no parágrafo único do art. 23
da Lei nº 8.742, de 1993;
 III - para atender, em conjunto com
os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios as ações assistenciais de
caráter de emergência;
  IV - na capacitação de recursos
humanos e no desenvolvimento de
estudos e pesquisas relativos à área
de assistência social.
Parágrafo único. Excepcionalmente,
o Presidente da República poderá
autorizar a aplicação de recursos
do Fundo Nacional de Assistência
Social na realização direta, por par-
te da União, de serviços e programas
de assistência social aprovados pelo
Conselho Nacional de Assistência
Social - CNAS. (grifo nosso)
Aduz-se da leitura do colacionado
art. 5º que os recursos repassados
do FNAS aos fundos estaduais e
municipais destinam-se a financiar
as ações de assistência social e, es-
pecificamente proporcionar o apoio
técnico e financeiro aos serviços
e programas de assistência social
aprovado pelo Conselho Nacional de
Assistência Social – CNAS.
O conjunto de ações, atenções, be-
nefícios e auxílios socioassistenciais
realizam-se a partir dos parâmetros
definidos pela Política Nacional de
Assistência Social – PNAS, aprova-
da pela Resolução nº 145, de 15
de outubro de 2004, do CNAS, que
hierarquizou a proteção social a ser
afiançada aos cidadãos brasileiros
em proteção social básica e prote-
ção social especial de média e alta
complexidade.
79
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
A Norma Operacional Básica do Siste-
ma Único de Assistência Social – NO-
BSUAS, aprovada pela Resolução nº
130, de 15 de julho de 2005, do CNAS,
no item destinado a proteção social,
conceitua as proteções básica e espe-
cial, conforme colacionado abaixo:
(...) A proteção social básica tem
como objetivos prevenir situações
de riscos, por meio do desenvolvi-
mento de potencialidades, aquisi-
ções e o fortalecimento de vínculos
familiares e comunitários. Destina-
se à população que vive em situação
de vulnerabilidade social, decor-
rente da pobreza, privação (ausência
de renda, precário ou nulo acesso
aos serviços públicos, dentre ou-
tros) e/ou fragilização de vínculos
afetivos – relacionais e de pertenci-
mento social.
A proteção social especial tem por
objetivo prover atenções socioas-
sistenciais a famílias e indivíduos
que se encontram em situação de
risco pessoal e social, por decor-
rência de abandono, maus tratos e/
ou psíquicos, abuso sexual, uso de
substâncias psicoativas, cumprimen-
to de medidas socioeducativas, situ-
ação de rua, situação de trabalho
infantil, entre outras. (...)
Na sequência, observa-se que o CNAS
aprovou a Tipificação Nacional dos
Serviços Socioassistenciais por meio
da Resolução nº 109, de 11 de no-
vembro de 2009, que relacionou e ti-
pificou por nível de complexidade os
serviços socioassistenciais ofertados
no âmbito do SUAS, conforme transcri-
to abaixo:
	 (...)
I – Serviços de Proteção Social Bá-
sica:
a)  Serviço de Proteção e Atendimen-
to Integral à Família – PAIF;
B)  Serviço de Convivência e Fortale-
cimento de Vínculos;
C)   Serviço de Proteção Social Bá-
sica no domicilio para pessoas com
deficiência e idosas.
II – Serviços de Proteção Social Es-
pecial de Média Complexidade:
A)   Serviços de Proteção e Atendi-
mento Especializado a Famílias e In-
divíduos – PAEFI;
B)  Serviço Especializado de Aborda-
gem Social;
C)   Serviço de Proteção Social a
Adolescentes em cumprimento de
Medida Socioeducativa de Liberdade
Assistida – LA, e de Prestação de Ser-
viços à Comunidade – PSC;
D)   Serviço de Proteção Social Es-
pecial para Pessoas com Deficiência,
Idosas e suas Famílias;
E)  Serviço Especializado para Pesso-
as em Situação de Rua;
III – Serviços de Proteção Social Es-
pecial de Alta Complexidade:
A)  Serviço de Acolhimento Institu-
cional, nas seguintes modalidades:
- abrigo institucional;
- casa-lar;
- casa de passagem;
- residência inclusiva.
	 b) Serviço de Acolhimento em Re-
pública;
	 c) Serviço de Acolhimento em Famí-
lia Acolhedora:
	 d) Serviço de Proteção em Situa-
ções de Calamidades Públicas e de
Emergências.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
80
Assim, observa-se que a Resolução
em comento concretizou a previsão
do art. 5º, II, do Decreto nº 1.605,
de 1995, no sentido de estabelecer
os serviços nos quais os recursos do
cofinanciamento federal deverão ser
aplicados e, ainda, traz em seu texto
o detalhamento das provisões ne-
cessárias à execução de cada serviço
socioassistencial, tais como o recur-
so material necessário e o ambiente
físico apropriado.
Isto posto, cumpre esclarecer que o
ambiente físico é o locus no qual os
direitos socioassistenciais são as-
segurados, assim é imprescindível
observar que a infra-estrutura e o
ambiente físico correspondam aos
requisitos mínimos para a adequada
oferta dos serviços socioassistenciais.
Os equipamentos responsáveis por
garantir e organizar a oferta dos ser-
viços socioassistencias nas áreas de
vulnerabilidade e risco social dos
Municípios e Distrito Federal são o
Centro de Referência da Assistência
Social – CRAS e o Centro de Refe-
rência Especializado da Assistência
Social – CREAS, sendo a localização
destes equipamentos fator determi-
nante para que viabilize, de forma
descentralizada, o acesso aos direi-
tos socioassistenciais.
Ocorre que parte dos Municípios e
Distrito Federal ao desenvolverem o
planejamento da oferta dos CRAS e
CREAS esbarram na realidade exis-
tente nas áreas de maior incidência
de situações de vulnerabilidade e
risco social, qual seja: a inexistência
de imóvel de propriedade do muni-
cípio, escassa oferta de imóveis ou
terrenos que possam ser adquiridos
pela gestão municipal para esta fina-
lidade. Restando, assim, como única
alternativa para promover a implan-
tação dos equipamentos públicos
recorrer ao aluguel de imóveis.
Diante do acima exposto e observan-
do que as ações socioassistenciais são
definidas como continuadas, na forma
do Decreto nº 5.085, de 19 de maio
de 2004, e, portanto não são passí-
veis de sofrer qualquer interrupção ou
descontinuidade vislumbra-se a pos-
sibilidade de utilização dos recursos
do cofinanciamento federal das ações
socioassistenciais no pagamento do
aluguel do imóvel destinado exclusi-
vamente a instalar o CRAS ou CREAS
para que atendam a finalidade e im-
portância a que se destinam.
A respeito da adequada infra-es-
trutura dos equipamentos públicos
responsáveis pela oferta dos servi-
ços socioassistenciais, o Tribunal de
Contas da União – TCU recomendou
a inúmeras Prefeituras que as ins-
talações do CRAS disponham de
meios de acessibilidade para pesso-
as idosas e com deficiência (Acórdão
n.º176/2010-Plenário).
Tratando-se da questão suscitada
observa-se que a Constituição Fe-
deral estabelece, em seu artigo 1.º,
inciso III, que a República Federati-
va do Brasil tem como fundamento
básico a “dignidade da pessoa hu-
mana”. Da mesma forma, em seu art.
244, dispõe que:
81
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Art. 244. A lei disporá sobre a adap-
tação dos logradouros, dos edifí-
cios de uso público e dos veículos
de transporte coletivo atualmente
existentes a fim de garantir acesso
adequado às pessoas portadoras de
deficiência, conforme o disposto no
artigo 227, § 2º”.
A Lei nº 10.098, de 19 de Dezembro de
2000, estabelece normas gerais e crité-
rios básicos para a promoção da acessi-
bilidade das pessoas portadoras de de-
ficiência ou com mobilidade reduzida,
mediante a supressão de barreiras e de
obstáculos nas vias e espaços públicos,
no mobiliário urbano, na construção
e reforma de edifícios, nos meios de
transporte e de comunicação.
Essa Lei, cujas normas gerais se apli-
cam a todos os entes da Federação, foi
regulamentada pelo Decreto nº 5.296,
de 2 de dezembro de 2004, que, por
sua vez, se reporta a Normas Técnicas
da Associação Brasileira de Normas
Técnicas – ABNT.
Observa-se também a preocupação
com a acessibilidade na Lei n.º 10.741,
de 1 de outubro de 2003, Estatuto do
Idoso,queemseuart.10,§1.º, I,estabe-
lece ser direito fundamental do idoso o
direito de ir, vir e estar nos logradouros
públicos e espaços comunitários.
Isto posto, aduz-se que a Administra-
ção deve proceder no sentido de ga-
rantir a acessibilidade à pessoa com
deficiência e ao idoso nos equipa-
mentos públicos da assistência social
observando as normas da ABNT, tendo
em vista importância das atividades
desempenhadas nesses equipamen-
tos e a necessidade de acesso sem
restrição a todos que necessitam se
faz necessário.
Assim, não se tem dúvidas, que a aces-
sibilidade é indispensável nos equipa-
mentos públicos da assistência social,
contudo a utilização dos recursos do
cofinanciamento federal na adapta-
ção destes imóveis às normas técnicas
da ABNT limita-se ao enquadramento
como despesa de custeio classificada
pela Lei nº 4.320, de 17 de março de
1964, em seu art. 12, §1º, como ”as
dotações para manutenção de serviços
anteriormentecriados,inclusiveasdes-
tinadas a atender a obras de conserva-
ção e adaptação de bens imóveis”.
Portanto, desde que não haja amplia-
ção da obra, a adaptação de bens imó-
veis às normas de acessibilidade, que
é obrigação da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, nos termos da
Constituição Federal, enquadra-se
como despesa de custeio, sendo pos-
sível a utilização dos recursos recebi-
dos do FNAS, desde que aplicados em
imóveis próprios.
Por fim, pelas razões acima expostas,
conclui-se que os recursos repassados
do FNAS aos fundos municipais, do DF
e estaduais de assistência social, es-
pecificamente no que tange a dimen-
são espaço físico, poderão ser utili-
zados nas reformas para adaptação
dos equipamentos públicos da as-
sistência social às normas técnicas
de acessibilidade da ABNT e, tam-
bém no pagamento do aluguel do
imóvel destinado exclusivamente
a instalar ou manter em funciona-
mento os CRAS e CREAS.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
82
Anexo 1
SECRETARIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
COMISSÃO INTERGESTORES TRIPARTITE
RESOLUÇÃO nº 5, DE 3 DE MAIO DE 2010
A Comissão Intergestores Tripartite - CIT, de acordo com as competências esta-
belecidas em seu Regimento Interno e na Norma Operacional Básica do Siste-
ma Único da Assistência Social - NOB/SUAS (2005), aprovada pela Resolução
n° 130, de 15 de julho de 2005, do Conselho Nacional de Assistência Social
- CNAS, e:
Considerando que a NOB SUAS/2005 define a responsabilidade dos três entes
federados na gestão compartilhada dos serviços socioassistenciais de prote-
ção social básica, e;
Considerando que o atual Monitoramento SUAS - Censo CRAS, a partir da ver-
são disponibilizada no ano de 2009, passa a ser denominado “Monitoramen-
to SUAS - Censo SUAS/CRAS”, por englobar tanto o Censo CRAS - Centro de
Referência de Assistência Social como o Censo CREAS - Centro de Referência
Especializado de Assistência Social, e;
Considerando a criação do Índice de Desenvolvimento dos CRAS/IDCRAS, um
indicador sintético, gerado a partir da avaliação do grau de desenvolvimento
de cada CRAS (pode ser: insuficiente, regular, suficiente ou superior) em cada
uma das quatro dimensões (atividades realizadas, funcionamento, recursos hu-
manos e estrutura física), que adota como referência normativas da Proteção
Básica do SUAS, e;
Considerando os resultados do Censo CRAS 2008, apresentados no Encontro
Nacional de Monitoramento do SUAS - Sistema Único de Assistência Social, no
ano de 2009, ocorrido nos dias 3 a 5 de junho de 2009, em Brasília, que indi-
cou a existência de unidades de CRAS cadastradas no Censo CRAS 2008, com
grau insuficiente em pelo menos uma dimensão que compõe o indicador sin-
tético do IDCRAS, e;
Considerando a Resolução CIT nº6, de 1º de julho de 2008, que aprovou o pro-
cesso de acompanhamento das situações identificadas como insatisfatórias na
implementação do Programa de Atenção Integral a Família (PAIF) nos Centros
de Referência de Assistência Social (CRAS), e;
Considerando a necessidade de que todas as unidades de CRAS atinjam grada-
tivamente o grau suficiente em todas as dimensões que compõem o Indicador
Sintético CRAS (o IDCRAS) para garantia de um atendimento satisfatório aos
usuários do SUAS, e;
83
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Considerando a necessidade de contribuir para o planejamento, por parte de
todos os entes federados, de ações para enfrentamento das dificuldades de-
tectadas pelos municípios e DF, na implantação dos CRAS,
resolve:
Art.1º Instituir, de forma pactuada, as metas de desenvolvimento dos CRAS por
períodos anuais, visando sua gradativa adaptação aos padrões normativos es-
tabelecidos pelo SUAS, com início em 2008 e término em 2013.
Parágrafo 1º As metas de desenvolvimento dos CRAS, por período anual, de
que trata o caput deste artigo, se encontram descritas no Anexo.
Parágrafo 2º Cada período anual se inicia no primeiro dia após o encerramento
do Censo SUAS/CRAS de um ano e se encerra no último dia do preenchimento
do Censo do ano subsequente.
Parágrafo 3º São cinco os períodos anuais a que se refere o caput deste artigo:
2008/2009, 2009/2010, 2010/2011, 2011/2012 e 2012/2013.
Parágrafo 4º As metas instituídas para o período anual 2008/2009 consistem
nas situações identificadas como insatisfatórias conforme Resolução CIT nº 6,
de 2008.
Art.2º Encerrado o período de preenchimento do Censo SUAS/CRAS, quando
finaliza um período anual, o MDS se responsabilizará por gerar, no mínimo, as
seguintes informações:
I - Relação dos CRAS, por município, que tem desafios para atingir as metas
estipuladas para o período anual que se inicia;
II - Relação dos CRAS, por município, que alcançaram as metas previstas para o
período anual que se encerrou;
III - Relação dos CRAS, por município, que não alcançaram as metas previstas
para o período anual que se encerrou.
Art. 3º As informações de que trata o Art. 2º e os incisos deverão ser divulgadas
para todos os entes federados conforme responsabilidades de cada ente.
Art.4º Os procedimentos e responsabilidades relativas aos casos de não alcan-
ce das metas anuais para o desenvolvimento dos CRAS serão estabelecidos por
pactuação nacional e publicados em resolução da CIT.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
84
Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
VALERIA MARIA DE MASSARANI GONELLI
P/Secretaria Nacional de Assistência Social
Substituta
EUTALIA BARBOSA RODRIGUES
P/Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Assistência Social
IEDA MARIA NOBRE DE CASTRO
P/Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social
85
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
ANEXO (da Resolução nº 5/2010)
Metas de desenvolvimento para os CRAS, por período anual
Período Anual 2008/2009
RECURSOSHUMANOS
Pequeno Porte I:
a) possuir, no mínimo, 1 técnico de nível superior compondo a equipe de referência
Pequeno Porte II:
a) possuir, no mínimo, 1 técnico de nível superior compondo a equipe de referência
Portes Médios, Grande, Metrópole:	
a) Possuir, no mínimo, 2 técnicos de nível superior compondo a equipe de referência
ESTRUTURA
FISICA
a) Possuir no mínimo 2 Salas (salas de atendimento ou administrativa)
b) Possuir banheiro
c) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade
d) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária
e) Possuir Placa de identificação em modelo padrão
HORÁRIODE	
FUNCIONAMENTO
ATIVIDSADESREALIZADAS
a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana  
b) Funcionamento igual ou superior a 6 horas por dia;
c) Realizar acompanhamento de famílias;
d) Realizar visitas domiciliares
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
86
Período Anual 2009/2010
RECURSOSHUMANOS
Pequeno Porte I:
a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social. E possuir 1
técnico com, no mínimo, nível médio;
b) Dentre os 2 técnicos de nível superior designar 1 (um) para função de
coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Ou possuir
um terceiro técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador
(estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário).
Pequeno Porte II:
a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social. E possuir 1
técnico com, no mínimo, nível médio;
b) Dentre os 2 técnicos de nível superior designar 1 (um) para função de
coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Ou possuir
um terceiro técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador
(estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário).
Portes Médios, Grande, Metrópole:a
a) Possuir 3 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social. E possuir 1
técnico com, no mínimo, nível médio;
b) Dentre os 3 técnicos de nível superior designar 1 (um) para função de
coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Ou possuir
um quarto técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador
(estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário).
ESTRUTURAFISICA
a) Possuir 2 Salas, sendo pelo menos uma com capacidade superior a 15 pessoas
b) Possuir banheiro
c) Possuir recepção
d) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade
e) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária
f) Possuir Placa de identificação em modelo padrão
HORÁRIODEFUNCIONAMENTO
EATIVIDSADESREALIZADAS
a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana  
b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia;
c) Realizar acompanhamento de famílias;
d) Realizar visitas domiciliares
e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de
condicionalidades do PBF
f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias
g) Realizar busca ativa
h) Orientação/acompanhamento para inserção de famílias no BPC
i)Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
87
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
Período Anual 2010/2011
RECURSOSHUMANOS
Pequeno Porte I:
a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e,
preferencialmente, 1 psicólogo. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio;
(Quantidade e Perfil NOB-RH)
b) Dentre os 2 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de
coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um terceiro técnico
de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou
comissionado)
Pequeno Porte II:
a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e,
preferencialmente, 1 psicólogo. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível
médio. Dentre os 2 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de
coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um terceiro técnico
de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou
comissionado).
Portes Médios, Grande, Metrópole:
a) Possuir, 4 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais, 1 psicólogo  
e um profissional que compõe o SUAS. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível
médio;
b) Dentre os 4 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de
coordenador(estatutário ou comissionado). Ou possuir um quinto técnico
de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou
comissionado).
ESTRUTURAFISICA
a) Possuir 2 Salas, sendo pelo menos uma com capacidade superior a 15 pessoas
b) Possuir banheiro
c) Possuir recepção
d)Possuir rota acessível para pessoas idosas e com deficiência aos principais
acessos do CRAS: recepção, sala de atendimento e sala de uso coletivo
e) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade
f) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária
g) Possuir Placa de identificação em modelo padrão
h) Possuir computador
HORÁRIODEFUNCIONAMENTO
EATIVIDSADESREALIZADAS
a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana  
b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia;
c) Realizar acompanhamento de famílias;
d) Realizar visitas domiciliares
e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de
condicionalidades do PBF
f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias
g) Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios
eventuais
h) Realizar Atividades de gestão do Território, articulando a rede de proteção
social básica
i) Realizar busca ativa
j) Orientação/acompanhamento para inserção de famílias no BPC
k)Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
OBS: Os tópicos que aparecem em destaque neste período são metas agregadas, em 2010/2011, às demais
metas já estipuladas para os períodos anteriores. Visam tornar mais fácil para o município, DF e Esta-
dos, identificar quais se agregam neste período anual vigente.
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
88
Período Anual 2011/2012
RECURSOSHUMANOS
Pequeno Porte I:
a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e outro
preferencialmente psicólogo. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio
(Quantidade e Perfil NOB-RH);
b) Dentre os 2 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de
coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um terceiro técnico
de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou
comissionado).
Pequeno Porte II:
a) Possuir 3 técnicos de nível superior, sendo  2 assistentes sociais e outro
preferencialmente psicólogo. E possuir 3 técnicos com, no mínimo, nível médio.
(Quantidade e Perfil NOB-RH);
b) Dentre os 3 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de
coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um quarto técnico de nível
superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado).
Portes Médios, Grande, Metrópole:
a) Possuir 4 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais, 1 psicólogo e 1
profissional que compõe o SUAS. E possuir 4 técnicos com, no mínimo, nível médio.
(Quantidade e Perfil NOB-RH);
b) Dentre os 4 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de
coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um quinto técnico de nível
superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado).
ESTRUTURAFISICA
a) Possuir 2 Salas, pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas
b) Possuir banheiro
c) Possuir recepção
d) Possuir rota acessível para pessoas idosas e com deficiência aos principais
acessos do CRAS: recepção, sala de atendimento, sala de uso coletivo e banheiros
e) Possuir sala administrativa
f) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade
g) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária
h) Possuir Placa de identificação em modelo padrão
i) Possuir computador
HORÁRIODEFUNCIONAMENTO
EATIVIDSADESREALIZADAS
a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana
b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia;
c) Realizar acompanhamento de famílias;
d) Realizar visitas domiciliares
e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de
condicionalidades do PBF
f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias
g) Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios
eventuais
h) Realizar Atividades de gestão do Território, articulando a rede de proteção
social básica
i) Orientação/acompanhamento para inserção no BPC
j) Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
g) Realizar busca ativa
h) Orientação/acompanhamento para inserção de famílias no BPC
i)	 Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
89
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
	
Período Anual 2012/2013
RECURSOSHUMANOS
Pequeno Porte I:
a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e outro
preferencialmente psicólogo; E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio
(Quantidade e Perfil NOB-RH + 01 profissional);
b) Possuir 01 (um) coordenador de nível superior em função exclusiva, (estatutário
ou comissionado).
Pequeno Porte II:
a) Possuir 3 técnicos de nível superior, sendo  2 assistentes sociais e outro
preferencialmente psicólogo; E possuir 3 técnicos com, no mínimo, nível médio.
(Quantidade e Perfil NOB-RH + 01 profissional);
b) Possuir 01 (um) coordenador em função exclusiva, (estatutário ou comissionado).
Portes Médios, Grande, Metrópole:
a) Possuir 4 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais, 1 psicólogo
e 1 profissional que compõe o SUAS; e 4 técnicos com, no mínimo, nível médio.
(Quantidade e Perfil NOB-RH+ 01 profissional);
b) Possuir 01 (um) coordenador em função exclusiva, (estatutário ou comissionado).
ESTRUTURAFÍSICA
a) Possuir 2 Salas, pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas
b) Possuir banheiro com condições de acessibilidade para pessoas idosas e com
deficiência, em conformidade com as normas da ABNT
c) Possuir recepção
d) Possuir rota acessível para pessoas idosas e com deficiência aos principais acessos
do CRAS: recepção, sala de atendimento, sala de uso coletivo e banheiros
e) Possuir sala administrativa
f) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade
g) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária
i) Possuir Placa de identificação em modelo padrão
j) Estar informatizado com computadores e acesso a internet
HORÁRIODEFUNCIONAMENTO
EATIVIDSADESREALIZADAS
a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana  
b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia;
c) Realizar acompanhamento de famílias;
d) Realizar visitas domiciliares
e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de
condicionalidades do PBF
f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias
g) Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios
eventuais
h) Realizar Atividades de gestão do Território, articulando a rede de proteção social
básica
i)Realizar busca ativa
j) Orientação/acompanhamento para inserção no BPC
k) Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
Volume 1
Orientações Técnicas,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
90
	 Associação Brasileira de Normas
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91
Volume 1
Orientações Técnicas ,  Metas de Desenvolvimento dos CRAS
Período 2010/2011
BRASIL. Estatuto da Criança e do Ado-
lescente: Lei 8.069/90, de 13 de Julho de
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BRASIL. Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome. Norma Opera-
cional Básica do Sistema Único de Assis-
tência Social (NOB-SUAS). Brasília: MDS,
2005 (Resolução nº130 do Conselho Na-
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BRASIL. Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome. Norma Ope-
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Social e Combate à Fome. Política Nacio-
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disponível no site do MDS: http://www.
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BRASIL. Portaria Interministerial nº 18,
de 24/04/07
WWW.MDS.GOV.BR
0800 707 2003

Cras que temos cras que queremos

  • 1.
    O CRAS QUETEMOS O CRAS QUE QUEREMOS Volume 1 Orientações Técnicas | Metas de Desenvolvimento dos CRAS | Período 2010/2011
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    expedIente Presidenta da República Federativa do Brasil | Dilma Rousseff Vice-Presidente da República Federativa do Brasil | michel Temer ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome | Tereza Campello Secretário Executivo | Rômulo Paes de Sousa Secretário Executivo Adjunto | marcelo Cardona Secretária nacional de Assistência Social | Denise Colin Secretária nacional de Segurança Alimentar e nutricional | maYa Takagi Secretário nacional de Renda de Cidadania | Tiago Falcão Secretário de Avaliação e Gestão da informação | Paulo Jannuzzi Secretária Extraordinária de Superação da Extrema Pobreza | Ana Fonseca secretArIA nAcIonAl deAssIstêncIA socIAl Secretária Adjunta | Valéria Gonelli Diretora de Proteção Social Básica | Aidê Cançado Almeida Diretora de Proteção Social Especial | Telma maranho Gomes Diretora de Gestão do Sistema Único de Assistência Social | Simone Albuquerque Diretora de Benefícios Assistenciais | maria José de Freitas Diretora da Rede Socioassistencial Privada do SuAS | Carolina Gabas Stuchi Diretor Executivo do Fundo nacional de Assistência Social | Antonio José Gonçalves Henriques orgAnIzAção Aide Cançado Almeida maria do Socorro Fernandes Tabosa mota Keli Rodrigues de Andrade Priscilla maia de Andrade Cristiana Gonçalves de Oliveira Simone Albuquerque elABorAção Bruna DʼAvila de Andrade Clara Carolina de Sa Cristiana Gonçalves de Oliveira Dulcelena Alves Vaz martins ElYria Bonetti Yoshida Credidio José Ferreira da Crus Karoline Aires Ferreira Keli Rodrigues de Andrade maria do Socorro Fernandes Tabosa mota Priscilla maia de Andrade Rosario de maria Costa Ferreira Selaide Rowe Camargo Coordenação Editorial | monica Rodrigues e marcelo Rocha Bibliotecária | Tatiane de Oliveira Dias Equipe | Thaise Leandro, Romário Roma Silva e Tomás nascimento Projeto Gráfico e Diagramação | Kátia Rovana Ozório revIsão Aidê Cançado Almeida Denise Colin maria José de Freitas Simone Albuquerque colABorAção JoYce Camargo Rodrigues Lidia Cristina Silva Barbosa Luis Otavio Pires Farias monica Aparecida Rodrigues Thaísa Alves Rodrigues Thiago Silvino Rocha Oliveira
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    Apresentação 6 Introdução 8 DimensãoAtividades Realizadas 13 Dados Gerais da Dimensão Atividades Realizadas 15 1. Realizar acompanhamento de famílias (2008/2009) 17 Acompanhamento familiar em grupo 21 Acompanhamento particularizado 23 2. Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias (2009/2010) 29 3. Realizar visitas domiciliares (2008/2009) 35 4. Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do Programa Bolsa Família (PBF) – (2009/2010) 38 5. Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios eventuais (2010/2011) 44 6. Orientação/acompanhamento para inserção no BPC (2009/2010) 52 7. Encaminhamento para inserção de famílias no Cadastro Único para Programas Sociais - CadÚnico (2009/2010) 54 8. Realizar busca ativa (2009/2010) 57 9. Realizar atividade de gestão do território, articulando a rede de Proteção Social Básica (2010/2011) 61 Esclarecimentos finais 65
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    Dimensão Horário deFuncionamento 66 Dados Gerais 66 Dimensão Recursos Humanos 68 Dimensão ESTRUTURA FÍSICA 72 a) Metas de Desenvolvimento dos CRAS 72 b) Espaços passíveis de compartilhamento 76 c) Aplicação dos recursos do cofinanciamento federal, repassados pelo Fundo Nacional de Assistência Social – FNAS aos fundos municipais, do DF e estaduais de assistência social, quanto à Dimensão Estrutura Física 78 Anexo 1 82 Referências Bibliográficas 90
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 6 O Sistema Único de Assistência So- cial (SUAS), amplamente comemo- rado no dia 8 de junho de 2011, quando da aprovação do PL SUAS no Congresso Nacional, foi criado por determinação inicial do governo fe- deral, com o propósito de fazer cum- prir deliberação da Conferência Na- cional de 2003. Foi materializado, há cerca de 6 anos, na Política Nacio- nal (2004) e instituído por meio da Norma Operacional Básica do SUAS (2005). O enorme esforço para sua implantação, que contou com ex- pressivo apoio dos entes federados, se reflete nos percentuais elevadís- simos (99,5%) de adesão ao SUAS, por parte dos municípios e DF e de todos os estados. Apenas 151 muni- cípios ainda não possuem o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), unidade pública da proteção social básica no âmbito local. Essa nova concepção da assistência social, organizada em Sistema Único, pretende superar a ação fragmen- tada e segmentada; direcionar sua organização em torno da matriciali- dade sociofamiliar, e descentralizar serviços, ofertando-os em locais próximos da moradia das famílias. O olhar do profissional se volta, assim, para a família e para os seus mem- bros, em um dado território, espaço onde se manifestam as vulnerabi- lidades e riscos, por meio de fenô- menos complexos e multifacetados, que podem incidir diferentemente sobre as famílias e, em alguns casos, mais especialmente sobre um de seus membros. Ao longo destes anos, a política de assistência social se consolidou, or- ganizou, e vem se preparando para uma fase de valorização da quali- dade dos serviços prestados, o que depende da melhoria da gestão. No caso da proteção básica, algumas conquistas merecem destaque: a realização da transição dos servi- ços de educação infantil para o se- tor responsável; a definição de seus serviços, por meio da Tipificação Na- cional; a publicação de cadernos de orientação para técnicos e gestores; a instituição de processos de expan- são qualificada das unidades públi- cas e a responsabilidade de acom- panhamento e monitoramento dos serviços por parte dos Estados. A instituição do Censo SUAS foi de- terminante para a existência de uma linha de base para identificação da instituição e do aprimoramento dos CRAS. Em seguida, a definição de um indicador do CRAS, em parceria com o Departamento de Gestão do SUAS (DGSUAS) e da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação apresentação
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    7 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 (SAGI), contribuiu para a avaliação da evolução do indicador, nesta sé- rie histórica, o que culminou com a definição de metas de desenvolvi- mento dos CRAS, escalonadas para os próximos anos, com o objetivo de induzir os processos de planejamen- to por parte dos entes federados, de forma a assegurar a oferta do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) segundo os padrões normativos do SUAS. Neste sentido, o documento que ora apresentamos é bastante pertinente e tem o intuito de colaborar para a qualificação do PAIF, além de reforçar a compreensão de que a oferta de serviços depende de planejamento, organização e gestão. Nesta esteira, chama-se atenção para a principal ferramenta do SUAS, os recursos hu- manos, que precisam ser alocados nas funções segundo seu perfil, de forma a assegurar que sejam valo- rizados, capacitados e orientados. Esta publicação favorece, portanto, uma melhor apreensão das metas de desenvolvimento dos CRAS que, por sua vez, contribuem para a evolução do Índice de Desenvolvimento dos CRAS em todo o Brasil. A organização do SUAS torna-se im- prescindível para o enfrentamento dos novos desafios que se colocam para os próximos quatro anos. Neste contexto, contar com CRAS de quali- dade é condição necessária, embora não suficiente, para que a assistên- cia social protagonize um lugar cen- tral no Plano Brasil sem Miséria. Por meio da busca ativa, da organização de sua estrutura de gestão do SUAS (na Secretaria, no CRAS e CREAS), da oferta de serviços socioassistenciais para as famílias mais vulneráveis e pobres e do encaminhamento para outros serviços, trata-se de colocar em rota um projeto ambicioso, que desafia as políticas setoriais a se articularem nos municípios e nos territórios, fazendo chegar serviços a milhões de brasileiros que deles necessitam. Uma tarefa de tal enver- gadura apresenta desafios grandes para uma área que se encontra em processo de constituição. Aos trabalhadores do SUAS, conse- lheiros e membros das comissões de pactuação, dedicamos este docu- mento, que pretende ser o primeiro de uma série “O CRAS que temos, o CRAS que queremos”, inaugurada com esta temática tão importante e oportuna, das Metas de Desenvolvi- mento dos CRAS. Denise Ratmann Arruda Colin Secretária Nacional de Assistência Social
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 8 A instituição do processo de avalia- ção periódica das unidades CRAS e CREAS (Centro de Referência de Assis- tência Social e Centro de Referência Especializado de Assistência Social, respectivamente) - denominada Mo- nitoramento SUAS1 - constituiu ação fundamental para a consolidação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o que marca o início de uma nova fase do Sistema, ao permitir o acompanhamento contínuo da opera- cionalização de serviços no âmbito da Política Púbica de Assistência Social. No ano de 2007, as informações do Monitoramento SUAS/Censo CRAS indicou a Linha de Base dos CRAS, possibilitando a identificação das si- tuações consideradas “insatisfatórias para o desenvolvimento de CRAS” (Resolução da Comissão Intergesto- res Tripartite/CIT nº 1/2007). Neste contexto, com o intuito de apoiar os Municípios e Distrito Federal (DF) que apresentaram situações insatisfató- rias, foi estabelecido o “processo de acompanhamento da implementação do PAIF nos CRAS, pela União e Esta- dos” (Resolução CIT n° 06/2008). Com vistas a possibilitar o monitora- mento da principal unidade pública de proteção básica do SUAS, e permi- tir conhecer a evolução da situação dos CRAS, por meio de indicadores, a Secretaria Nacional de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI), em apoio à Secretaria Nacional de Assis- tência Social (SNAS), elaborou o Índi- ce de Desenvolvimento dos CRAS – ID CRAS, que foi discutido em encontro nacional de Monitoramento do SUAS, com Estados, Distrito Federal (DF) e representantes do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Assis- tência Social (FONSEAS), Colegiado Nacional dos Gestores Municipais de Assistência Social (CONGEMAS) e da direção dos Colegiados Estaduais de Gestores Municipais de Assistência Social (Coegemas), no ano de 2008, aprimorado e, em seguida, adotado. O referido indicador é o resultado da combinação de quatro Indicadores Dimensionais, a saber: Atividades Re- alizadas, Horário de Funcionamento, Recursos Humanos e Estrutura Física. Para cada dimensão, há quatro graus de desenvolvimento (insuficiente, re- gular, suficiente ou superior), cujas variáveis, verificáveis anualmente no Censo SUAS, indicam o grau de cum- primento das normativas do SUAS para aquela dimensão. O ID CRAS constitui-se, portanto, na combina- ção dos graus de desenvolvimento dimensionais, cujo resultado é ex- presso em um Indicador Sintético, que por sua vez apresenta10 está- gios de desenvolvimento dos CRAS (varia de 1 a 10, sendo 10 o índice de um CRAS cujas 4 dimensões são superiores). introdução 1 Resoluções nº 1 de 18/04/07; nº05 de 06/12/07; nº 6 de 01/07/08 e nº 07 de 19/08/08, da Comissão Intergestores Tripartite –CIT.
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    9 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 O amadurecimento do processo de acompanhamento dos CRAS por meio dos dados obtidos no Cen- so SUAS/CRAS, assim como o bom resultado do processo de acompa- nhamento, realizado por Estados e União, das situações consideradas insatisfatórias para o desenvolvi- mento de CRAS, revelou a importân- cia do estabelecimento de compro- missos pactuados nacionalmente para a melhoria contínua dos CRAS, visando sua adequação gradativa aos padrões normativos do SUAS. Desta forma, no ano de 2010, por meio de pactuação nacional (Re- solução CIT n° 5/2010), instituiu- -se as “Metas de Desenvolvimento dos CRAS por Período Anual”. Para o cumprimento das metas, que são cumulativas, progressivas e or- ganizadas por dimensões2 , foram definidos cinco períodos anuais: 2008/2009, 2009/2010, 2010/ 2011, 2011/2012, e 2012/2013. Cada período se inicia no primeiro dia após o encerramento do Censo SUAS/CRAS de um ano e finaliza no último dia de preenchimento do re- ferido Censo do ano subsequente. As Metas de Desenvolvimento con- solidam o processo de melhoria do principal serviço de proteção básica, corroborando para a evolução do Ín- dice de Desenvolvimento dos CRAS, na medida em que impulsionam o planejamento dos entes federados para o desenvolvimento das ações de acompanhamento e assessoria técnica dos estados aos municípios; do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) ao DF e aos Estados; e dos municípios à sua rede, culminando com o cumpri- mento das normativas para a oferta do Serviço de Proteção e Atendimen- to Integral às Famílias (PAIF) e organi- zação dos outros serviços de prote- ção básica nos territórios dos CRAS. Portanto, ao instituir as metas de for- ma pactuada, todos os entes se com- prometem com o seu cumprimento, o que torna seu alcance responsabi- lidade de todos. O SUAS ganha as- sim qualidade e se consolida como direito de milhões de brasileiros que necessitam dos seus serviços. Os fluxos, procedimentos e responsa- bilidades de cada ente, em decorrên- cia dos cenários encontrados após a verificação do alcance ou não das me- tas anuais, bem como do processo de acompanhamento e apoio técnico (e financeiro quando couber), pelos en- tes federados, para a gestão e oferta dos serviços do SUAS nos municípios brasileiros (também prevista no Pac- to de Aprimoramento da Gestão dos Estados), foram definidos na Resolu- ção CIT nº 08/2010. O conhecimento, 2 As dimensões são as mesmas do ID CRAS: Recursos Humanos, Estrutura Física, Atividades Realizadas e Horário de Funcionamento. No caso da dimensão recursos humanos, elas são ainda instituídas por porte de município, visando cumprir o disposto na NOB-RH do SUAS.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 10 domínio e aplicação da referida Re- solução, por parte de todos os atores envolvidos, torna-se imprescindível. Tendo como uma de suas premissas a prevenção de situações inadequadas que venham a prejudicar e/ou inviabi- lizar a oferta dos serviços, programas, ações e benefícios de assistência so- cial, torna-se premente o protago- nismo dos Estados no apoio técnico aos municípios, responsáveis pela oferta dos serviços. Entende-se des- ta forma que, ao preconizar ações de acompanhamento preventivo e pro- ativo, a Resolução CIT nº 08/2010 refere-se ao apoio técnico tanto para melhoria da gestão municipal, quan- to para capacitação dos profissionais que executam o serviço, o que exi- ge grandes esforços no sentido de analisar dados, organizar e planejar ações, devendo as equipes estaduais dispor de tempo para realização de estudos, e sendo necessário investir na sua formação técnica. Uma das formas de viabilizar a orga- nização do processo de acompanha- mento aos municípios reside na uti- lização dos dados disponibilizados em aplicativos do MDS, disponíveis no site, tal como o link: Monitora- mento SUAS – Censo Suas – ferramen- tas – Indicadores do SUAS. Ter um panorama claro de quais metas esti- puladas para um determinado perío- do não foram alcançadas é de suma importância, pois este “resultado” pode ser determinado por diferentes variáveis que compõem as metas. Em muitos casos o alcance das me- tas previstas para um determinado período pode ter resolução simples, como, por exemplo, nos casos em que é necessário instalar placa de identificação do CRAS; ou definir um coordenador para o CRAS, ou ainda nas situações em que a principal ne- cessidade é organização da gestão e capacitação (para viabilização do PAIF, da busca ativa e articulação dos serviços de proteção básica no terri- tório do CRAS). Resumidamente, segundo as orien- tações da Resolução CIT n° 08/2010, caso as metas de desenvolvimento do período anual que se encerrou não sejam alcançadas para um ou mais CRAS, o município deverá, no ano vigente, elaborar um Plano de Providências, definindo ações para superação das dificuldades encon- tradas, indicando responsáveis e pra- zos para seu cumprimento. Nestes casos caberá aos Estados (e ao MDS no que tange ao Distrito Federal) a elaboração de Plano de Apoio, que consiste em instrumento de plane- jamento do apoio técnico e, quando for o caso, de apoio financeiro, para a superação das dificuldades muni- cipais (e do DF) de gestão e execu- ção dos serviços socioassistenciais, consideradas as ações previstas (ou a serem previstas) no(s) Plano(s) de Providências. A efetividade do Plano de Apoio, elaborado pelos Estados (e MDS), em decorrência da elabo- ração de Plano de Providências por parte dos municípios (e do DF), ou da identificação de necessidades dos municípios, depende de um bom
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    11 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 diagnóstico do porque do não cum- primento das metas de desenvolvi- mento dos CRAS. A análise do Censo CRAS 2010 indi- cou um número significativo de CRAS que não atingiram as metas estipu- ladas para o período 2009/2010, que se encerrou em 24 de outubro de 2010. Nestes casos, cada municí- pio (ou DF) deverá elaborar Plano de Providências, incluindo nele todos os CRAS cujas metas pactuadas não tenham sido cumpridas até o mo- mento. Contudo, é importante com- preender que tão importante quanto elaborar Planos de Providência é de- senvolver estratégias para o cumpri- mento, até o último dia do preenchi- mento do Censo SUAS/CRAS 2011, das metas estipuladas para o perío- do 2010/2011. Isto implicará na re- dução do quantitativo de Planos de Providências a serem elaborados no ano de 2012, após a análise do Cen- so CRAS 2011. Fica claro desta forma, quão impor- tante é o desenvolvimento de ações proativas pelos estados (e MDS), contribuindo para a antecipação de problemas, para a identificação e divulgação de boas experiências e soluções que deram certo, auxilian- do os municípios a alcançarem as metas dentro dos períodos estipula- dos pela Resolução CIT n°05/2010. Em resumo, o não cumprimento das metas no período estipulado reper- cute também em maior volume de trabalho para os estados (e MDS), que deverão se organizar para apoiar os municípios (e DF) na elaboração, análise dos planos de providências e elaboração do(s) plano(s) de apoio. Nisto reside um dos desafios do SUAS, prioritário neste momento, de fortalecer o apoio técnico e financei- ro, dos Estados aos municípios (e do MDS ao DF e Estados). A tarefa estratégica de acompanhar o cumprimento das normativas do SUAS e das metas nacionalmente pactuadas, de forma a assegurar a qualidade dos serviços prestados é atribuída ao controle social, em cada nível de governo. Assim, sempre que necessário, a elaboração de Plano de Providencias (municípios e DF) e Plano de Apoio (Estados e MDS), bem como seu desenvolvimento e análise para concessão de prazos adicionais e cumprimento configura importan- te tarefa dos Conselhos Municipais, Distritais e Estaduais de Assistência Social e para as instâncias de pactu- ação (Comissões Intergestoras Bipar- tite – CIB; e Tripartite – CIT). Com o presente documento, o MDS pretende apoiar tecnicamente os gestores e técnicos dos estados, para que possam exercer seu papel no apoio aos municípios, bem como, os gestores e técnicos do DF e municí- pios para assessorar as equipes dos CRAS, visando o alcance das Metas de Desenvolvimento dos CRAS pre- vistas até 2011. Destina-se também aos Conselhos de Assistência Social, que cumprem o importante papel de controle social, contribuindo com subsídios técnicos para acompa-
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 12 nhamento da implantação e conso- lidação dos CRAS, bem como para aprovação e acompanhamento do desenvolvimento, sempre que cou- ber, de plano de providências (para municípios e DF), e plano de apoio (no caso dos Estados e MDS). Serão detalhadas cada uma das di- mensões para as quais foram defini- das Metas de Desenvolvimento do CRAS, esclarecendo sua importância para a oferta com qualidade do PAIF, para a gestão articulada entre bene- fícios e serviços e para a articulação dos serviços de proteção básica nos territórios dos CRAS. Dadas as par- ticularidades de cada dimensão, a abordagem de cada uma delas será diferenciada. Entendendo que as atividades de- senvolvidas constituem a essência dos CRAS, optou-se por iniciar este documento pela análise da dimen- são Atividades Realizadas. Para tanto, serão apresentadas orientações ge- rais, tendo por base as normativas do SUAS, além de algumas análises com base em cruzamento de variáveis (recursos humanos e espaço físico, por exemplo) do Censo SUAS 2010, com o intuito de identificar sua in- fluência no não alcance das metas, e ainda algumas sugestões de ações emergenciais, para garantia da oferta dos serviços durante o período de execução do plano de providências. Em seguida, será apresentada a di- mensão Horário de Funcionamento, que, após apresentação das ativi- dades que cada CRAS deve realizar, apontam para a necessidade de o CRAS funcionar por, no mínimo, 40 horas semanais conforme previsto em orientações e para a qual tam- bém será observada a influência do quantitativo de profissionais de nível superior no não alcance das metas. Na sequência, será abordada a di- mensão Recursos Humanos, central para a oferta do principal serviço de proteção básica (PAIF) e para a gestão do território do CRAS. Trata- -se de orientações acerca das nor- mativas do SUAS, que pretendem contribuir para o planejamento de ações e cumprimento das metas pre- vistas para o período anual em curso (2010/2011). Finalmente, e em consonância com as atividades a serem realizadas, apresenta-se a dimensão Estrutura Física, que será composta por três tó- picos: a) metas de desenvolvimento dos CRAS; b) espaços passíveis de compartilhamento e c) aplicação dos recursos do cofinanciamento federal para o PAIF. Espera-se desta forma contribuir para a organização do processo de gestão da informação sobre alcan- ce ou não das metas previstas para o período 2009/2010 e desafios identificados para 2010/2011, para o acompanhamento dos estados aos Municípios e do MDS ao DF, bem como subsidiar os conselhos na tare- fa de assegurar a qualidade dos ser- viços. Tenham todos uma boa leitura e um ótimo trabalho!
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    13 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 O cumprimento das metas que com- põem a dimensão “Atividades Re- alizadas” pode parecer à primeira vista simples, dependente apenas de orientações, mas há várias ativi- dades do Serviço de Atendimento e Proteção Integral às Famílias (PAIF) que dependem de fluxos estabeleci- dos de referência e contrarreferência do usuário no sistema3 , de articula- ção do PAIF com demais serviços de proteção básica; de equipe e espaço físico conforme exigências; da exis- tência de um coordenador do CRAS; de equipes capacitadas; de informa- ções e dados que sejam disponibili- zados periodicamente ao CRAS, de gestão articulada entre serviços e benefícios; de equipamentos (como automóvel, computador). O não cumprimento de uma mesma meta pode ter diferentes motivações e é especialmente isso que preten- demos mostrar. Sendo assim, o mu- nicípio e Distrito Federal (DF) devem analisar a situação de cada CRAS, ten- do sempre como horizonte as metas a serem cumpridas em cada período anual, e já iniciar seu processo de adequação. Os estados, por sua vez, necessitarão analisar informações contidas no gerente http://aplicaco- es.mds.gov.br/sagi/patamar_cras, de forma a identificar as metas a serem cumpridas até o último dia do pre- enchimento do Censo SUAS/CRAS 20114 , organizar os municípios por desafios, apoiá-los técnica e, ou fi- nanceiramente, realizar visitas in loco, capacitação e orientação e, sempre que necessário, acompanhar a ela- boração dos Planos de Providências, obedecendo os prazos estipulados na Resolução CIT 08/2010. O mesmo deverá ser feito pelo MDS, em relação ao DF. Com o intuito de contribuir para a reflexão sobre possíveis motivos de não cumprimento e diferentes es- tratégias que deverão ser propostas para superação, será apresentada aqui uma análise quantitativa dos dados relativos às variáveis que com- põem a dimensão “atividades reali- zadas”, obtidos no Censo SUAS/CRAS 2010, estabelecendo relação com outros dados disponíveis no Censo, buscando identificar possíveis mo- tivos que dificultaram o alcance das metas previstas para os períodos anuais 2008/2009 e 2009/2010; bem como dos que possam se cons- tituir em dificuldades para alcance das metas no período 2010/2011. 3 Ver item 2 dos “esclarecimentos finais” da dimensão “Atividades Realizadas”. 4 Censo que coleta informações anuais sobre o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com vistas ao seu monitoramento. Contém questionários sobre gestão, controle social, CRAS e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS). As informações prestadas são de responsabilidade dos municípios, DF e estados. dimensão atividades realizadas Coordenação-Geral de Serviços Socioassistenciais a Famílias
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 14 Com base nos resultados encontrados, serão acrescidas algumas orientações no sentido de auxiliar os municípios na superação das dificuldades identi- ficadas e apresentadas sugestões de ações de caráter emergencial, durante a vigência de Planos de Providência (quando couber), para garantia de re- alização de atividades fundamentais ao PAIF, evitando assim privar a popu- lação de atendimentos necessários. As orientações pretendem ainda contri- buir com as equipes estaduais, para o cumprimento de sua responsabilidade de apoio técnico aos municípios para alcance das metas nacionalmente pac- tuadas, e que garantem a qualidade dos serviços prestados aos usuários da assistência social. As atividades constituem a essên- cia do CRAS, pois materializam suas principais funções, quais sejam: gestão do território e oferta do PAIF, principal serviço de Proteção Social Básica, que deve ser ofertado obriga- toriamente no CRAS. As atividades devem ser regulares, com periodicidade definida de acor- do com planejamento prévio das ações do PAIF, de modo a responder às especificidades dos territórios, com foco no cumprimento da atua- ção protetiva, proativa e preventiva próprias deste serviço. Para tanto, destaca-se como ações fundamen- tais a realização da busca ativa e a inserção de famílias e indivíduos no Cadastro Único de Programas So- ciais, que são determinantes para alcance das demais metas e cujo de- talhamento se encontra, respectiva- mente nas metas 8 e 7. Da mesma forma que para as demais dimensões, as metas da dimensão Atividades Realizadas foram escalo- nadas ao longo dos anos, de forma cumulativa5 e constituem importan- tes desafios, conforme se verá adian- te. Ao instituir estas metas, busca-se dar concretude às atividades essen- ciais ao PAIF e à gestão do território. A ordem de apresentação das me- tas relativas às atividades obedece a uma lógica mais didática do que temporal (data de cumprimento da meta). Pretende-se, assim, reafirmar a matricialidade sociofamiliar, pre- conizada pela Política Nacional de Assistência Social (PNAS), na prote- ção básica, evidenciando a centrali- dade do acompanhamento familiar no PAIF. Em seguida abordamos uma ação coletiva (oficina com famílias), que pode ser combinada com o acompanhamento, mas que se cons- titui em atendimento do PAIF, que reforça o caráter de prevenção da proteção básica e de informação/dis- cussão sobre os direitos sociais. Na sequência, apresenta-se a meta de realização de visita domiciliar, o que exige uma organização do processo de trabalho e a busca das famílias em situação de maior vulnerabilidade, incluindo aquelas que necessitam ser inseridas no acompanhamento ou em algum atendimento. 5 Como se pode constatar no Anexo 1.
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    15 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Após, portanto, compreendermos a essência do trabalho social com as famílias, apresenta-se duas metas re- lacionadas à prioridade de acesso às famílias em situação de maior vulne- rabilidade social, dentre as quais se in- cluem famílias beneficiárias de trans- ferência de renda em risco de perder o direito à renda (descumprimento de condicionalidades do PBF), as famílias de beneficiários do Benefício de Pres- tação Continuada (BPC) e do benefício eventual. Duas outras metas de de- senvolvimento dos CRAS só se viabi- lizam se forem estabelecidos fluxos, responsabilidades e procedimentos, por parte da Secretaria de cada mu- nicípio ou DF, que garantam encami- nhamento para acesso de indivíduos e famílias dentro dos critérios, aos bene- fícios e transferência de renda. Em seguida, serão apresentadas duas metas de gestão do CRAS, cujo cum- primento é necessário para que a pro- teção integral às famílias seja assegu- rada. Há ainda duas considerações finais, que buscam abordar elemen- tos essenciais do papel CRAS para o funcionamento do Sistema, não ins- tituídos por meio de metas. Em resu- mo, a organização dada a esta parte do documento pretende evidenciar que as metas não poderão ser cum- pridas isoladamente. À medida que são cumpridas, de forma planejada e regular, dão consistência ao PAIF, à matricialidade sociofamiliar e à terri- torialização, fundamentos do SUAS. Cabe ainda esclarecer que para cada meta será indicado o período anual em que deve ser cumprida ou deve- ria ter sido cumprida. As metas que se referem ao período 2008/2009 coincidem com as situações conside- radas insatisfatórias, definidas na Re- solução CIT nº 06/2008, que deram origem às Metas de Desenvolvimento dos CRAS. Como a resolução que ins- tituiu as metas é de 2010 e elas são cumulativas, aquelas previstas para o período 2008/2009deveriam ter sido cumpridas, juntamente com as metas do período 2009/2010, até 24 de outubro de 2010. Os cruzamentos de dados, com vis- tas a identificar possíveis variáveis que possam dificultar cumprimento de uma meta, sempre que se refere a recursos humanos baseou-se no pa- râmetro estabelecido para o período anual vigente (2010/2011), que ain- da não equivale à exigência da Nor- ma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB RH)6 . Mais do que constituir única refe- rência, os cruzamentos de dados do Censo SUAS 2010 aqui propostos pretendem estimular os municípios, DF e, sobretudo os Estados a prati- carem metodologias análogas que qualifiquem a leitura das informações disponíveis, incluindo outras variá- veis relacionadas ao não cumprimen- to de uma meta, de forma a dispor de um diagnóstico realista, que possa qualificar o apoio técnico aos muni- 6 Para informações sobre metas por período anual, ver Anexo a este documento: “Metas de Desenvolvimento dos CRAS por período anual”.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 16 cípios e DF para alcance das metas, qualifi cação dos serviços e organiza- ção da proteção básica do SuAS. Dados Gerais da Dimensão Atividades Realizadas Os dados gerais sobre o alcance ou não das metas relativas às atividades realizadas indicam que a incorporação das variáveis “Acompanhamento prio- ritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios eventuais” e “Realizar atividades de gestão do território, arti- culando a rede de proteção social bá- sica”, no período vigente 2010/2011, teve grande impacto em termos de desafios. Em 2009/2010, 66,3% dos CRAS atingiram as metas previstas nes- ta dimensão, porém em 2010/2011 este percentual caiu para 17,69%, conforme aponta o Gráfico 01. De forma geral, podemos afirmar que o cumprimento das metas previstas para o período anual em curso está diretamente relacionado à capacida- de de gestão, à clareza de objetivos do PAIF e à inserção da pessoa com deficiência nos serviços de proteção básica do SUAS. no entanto, o cumprimento das metas estipuladas para o período 2009/2010 também apresenta de- safi os aos municípios e DF, que me- recem apoio, respectivamente, dos estados e do mDS. O texto que segue faz considerações sobre cada meta de desenvolvimen- to do CRAS, da dimensão Atividades Realizadas, com comentários gerais acerca do possível apoio técnico para superação dos desafi os postos à qua- lifi cação do principal serviço de pro- teção básica para as famílias. Gráfico 01: Resultado Geral da Dimensão Atividades Realizadas base do Censo SUAS/CRAS 2010 Percentual de CRAS que atingem ou não as metas de Desenvolvimento dos CRAS nos períodos 2009/2010 e 2010/2011
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    17 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Atividades (Metas de Desenvolvimento dos CRAS) 1. Realizar acompanhamento de famílias (2008/2009) O acompanhamento familiar no âmbito do SUAS é definido como o “conjunto de intervenções desenvol- vidas em serviços continuados, com objetivos estabelecidos, que possibi- litam à família acesso a um espaço onde possa refletir sobre sua realida- de, construir novos projetos de vida e transformar suas relações – sejam elas familiares ou comunitárias”7. Trata-se de um processo de caráter continuado e planejado, por período de tempo determinado, no qual há, a partir de vulnerabilidades, deman- das e potencialidades apresentadas pelas famílias, a definição dos obje- tivos a serem alcançados, realizada de forma conjunta entre os profissio- nais e famílias. Tem como finalidade enfrentar as situações de vulnerabi- lidade social, prevenir a ocorrência de riscos e, ou violações de direitos, identificar e estimular as potencia- lidades das famílias e territórios, afiançar as seguranças de assistência social e promover o acesso das famí- lias e seus membros a direitos. 7 BRASIL. Comissão Intergestores Tripartite. Artigo 20 do Protocolo de Gestão Integrada de Serviços, Benefícios e Transferências de Renda no âmbito do Sistema Único de Assistência Social - SUAS (Resolução Nº 07, de 10 de setembro de 2009). Brasília, MDS: 2009. Destaca-se que o acompanhamento familiar é um processo intrinseca- mente ligado tanto às especificida- des da família, quanto do território - os territórios expressam as formas de relacionamento social predominan- tes, que por sua vez são diretamente influenciados pelos contextos social, cultural e econômico do território. É no território que se evidenciam as contradições da realidade: os confli- tos e desigualdades que perpassam e re-significam as relações familiares e comunitárias. Desse modo, o pro- fissional responsável pelo acompa- nhamento familiar deve fazer uma leitura do território de vivência da família a ser acompanhada (inclusi- ve a partir dos dados da vigilância social do município), buscando com- preender quais as características, ris- cos, vulnerabilidades e potencialida- des presentes no território impactam (ou podem impactar) na vida familiar, e cotejar com a leitura das próprias famílias, sobre o território. O acompanhamento familiar é um processo tecnicamente qualificado, executado por profissionais de nível superior, com base em pressupostos éticos, diretrizes teórico-metodoló- gicas8 , conhecimento do território e das famílias que ali residem e, no PAIF, pode ser: a) particularizado, se 8 A equipe de referência do CRAS deverá utilizara o conjunto de conhecimentos específicos de suas respectivas áreas de formação, respeitando as atribuições constantes da regulamentação e dos princípios éticos de cada profissão. Ressalta-se, adicionalmente, que o SUAS prevê a interdisciplinariedade como modo de atuação profissional.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 18 destinado a somente uma família ou b) em grupo, se dirigido a um grupo de famílias que vivenciam situações de vulnerabilidade ou têm necessi- dades similares. O acompanhamento no âmbito do PAIF é destinado às famílias que apresentam situações de vulnera- bilidades que requerem a proteção de assistência social para garantia de seus direitos socioassistenciais, acesso aos direitos sociais e amplia- ção de sua capacidade protetiva, de- mandando, para isso, uma atenção diferenciada, um olhar mais atento dos profissionais do CRAS, pois essas situações vivenciadas, caso não so- fram rápida intervenção profissional e acesso a serviços, podem tornar-se risco social e, ou violação de direitos. Uma vez inseridas no acompanha- mento, objetiva-se ainda contribuir para o alcance de maiores graus de autonomia, para a capacidade de vocalização das demandas e neces- sidades, para o apoio profissional às famílias que demandam e para o de- senho de projetos de vida. Como regra geral e em decorrência da situação de vulnerabilidade, de- vem ser priorizadas no acompanha- mento do PAIF: -- Famílias contrarreferenciadas ao CRAS, pelo Centro de Referência Espe- cializado de Assistência Social (CREAS), após trabalho realizado pelo PAEFI (Serviço de Proteção e Acompanhamen- to Especializado de Famílias e Indivídu- os, da Proteção Social Especial). -- Famílias com beneficiários do Bene- fício de Prestação Continuada (BPC) de até 18 anos, fora da escola (ver meta 5); -- Famílias cujo descumprimento de condicionalidades do Programa Bolsa Família (PBF) decorre de situações de vulnerabilidade social (ver meta 4); -- Famílias do Plano Brasil sem Miséria (famílias com renda mensal per capita inferior a R$70,00); e -- Demais famílias que, segundo ava- liação dos profissionais, requerem processo de acompanhamento familiar para desenvolvimento de capacidades, acesso a direitos, proteção de um ou mais de seus membros, bem como supe- ração das situações de vulnerabilida- de vivenciadas. Assim, precede o processo de acom- panhamento das famílias: a busca ativa (ver meta 8), no território de abrangência do CRAS, das famílias em situação de vulnerabilidade social, a mobilização para seu comparecimen- to no CRAS ou a visita domiciliar por um profissional, acolhida – particu- larizada e/ou em grupo, de modo a identificar quais famílias necessitam, e desejam participar do processo de acompanhamento familiar. O acompanhamento familiar se ma- terializa a partir da inserção da(s) família(s), após análise prévia da situ- ação de vulnerabilidade vivenciada, em decorrência de um acordo entre a(s) família(s) e o(s) profissional(is), a partir do interesse demonstrado pela(s) família(s) em fazer um per- curso, sob responsabilidade de um profissional que compõe a equipe de
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    19 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 referência do CRAS, responsável pela oferta do PAIF, a fim de ter garanti- das as seguranças afiançadas pela política de assistência social, o aces- so a outras ações do PAIF, a serviços socioassistenciais e, ou a outros ser- viços setoriais. Este profissional tem necessariamente, no mínimo nível superior completo. O acompanhamento familiar ini- cia-se após decisão conjunta da(s) família(s) e do(s)profissional(is) so- bre necessidade, desde que a família esteja de acordo e esclarecida sobre compromissos que ambas as partes assumem. Após esta escolha, é reali- zado um estudo social da família, no qual esta define (junto com profis- sional), e a partir de suas demandas, vulnerabilidades e potencialidades, bem como de sua disponibilidade e preferência, o modo de acompanha- mento a ser utilizado: se em grupo ou particularizado; bem como os objetivos que se quer atingir com o acompanhamento. O acompanhamento familiar de- manda a construção de um Plano de Acompanhamento Familiar, no qual consta um planejamento detalhado do processo de acompanhamento a ser realizado, tendo em vista os ob- jetivos a serem alcançados. No Plano são registrados os encontros (quan- tos, duração, horário); o percurso proposto; as intervenções a serem realizadas com as famílias reunidas em grupo (para o acompanhamento familiar em grupo), as ações (coleti- vas ou particularizadas do PAIF) de interesse de cada família, a periodi- cidade das mediações com os pro- fissionais que as acompanham e, no decorrer do acompanhamento, o gra- dual cumprimento dos objetivos es- tabelecidos, as respostas dadas pelo poder público, as adequações que o processo de acompanhamento pode requerer, a efetividade da interven- ção, as aquisições alcançadas, etc. As mediações são momentos privile- giados para os profissionais, em con- junto com a(s) família(s), avaliarem se as ofertas de serviços de assistên- cia social têm tido o efeito desejado e se atendem às expectativas das famílias, bem como se as respostas aos encaminhamentos realizados para os serviços setoriais foram efe- tivas, ou ainda se o acesso à docu- mentação civil ou acesso à renda foi garantido (para os que apresentam critérios de acesso ao PBF, BPC, be- nefícios eventuais ou outros progra- mas de transferência de renda mu- nicipais/estaduais). As informações sistematizadas após as mediações devem ser discutidas no CRAS, com o coordenador, e encaminhadas para o nível central, que coordena e faz ges- tão do acompanhamento do acesso a serviços (e direitos). Sendo assim, em última instância, o acesso a ser- viços não é de responsabilidade do CRAS, mas do nível central. O processo de acompanhamento fami- liar requer a realização de intervenções com as famílias reunidas em grupo (no caso de acompanhamento familiar em grupo) e, sempre que identificada ne-
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 20 Trabalho Social com Famílias no âmbito do PAIF Atendimento às Famílias Acompanhamento Familiar Inserção do grupo familiar, um ou mais de seus membros, em alguma(s) ação(ões) do PAIF Conjunto de intervenções desenvolvidas com uma ou mais famílias, de forma continuada, com objetivos estabelecidos, que pressupõe: -- Plano de Acompanhamento Familiar -- Mediações Periódicas -- Inserção em ações do PAIF -- Alcance gradativo de aquisições e superação das vulnerabilidades vivenciadas Atendimentos Particularizados Atendimentos Coletivos Acompanhamento Familiar Particularizado Acompanhamento Familiar em Grupos Acolhida Ações Particularizadas Encaminhamentos: -- CadÚnico (atualização, cadastramento no CadÚnico e acesso ao PBF) -- Serviços da PSB e PAEFI (CREAS) -- Serviços de outros Setores -- Acolhida em grupo. -- Oficinas com Famílias -- Ações Comunitárias Foco em somente uma família Foco em um grupo de famílias que vivenciam vulnerabilidades ou têm demandas similares cessidade ou interesse, inserção das fa- mílias em “combinações” de ações do PAIF que, por sua vez, podem ser par- ticularizadas ou coletivas, dependendo da disponibilidade dos membros das famílias e suas demandas. O acompanhamento não é um pro- cesso que visa avaliar a(s) família(s), sua organização interna, seus modos de vida, sua dinâmica de funciona- mento. Ao contrário, é uma atuação do serviço socioassistencial com foco na garantia das seguranças afiançadas pela política de assistên- cia social e na promoção do acesso das famílias aos seus direitos, com vistas ao fortalecimento da capaci- dade protetiva da família, a partir das respostas do Estado para sua prote- ção social. O acompanhamento familiar exige, portanto, um olhar singular para as composições bastante heterogêneas de famílias, uma abordagem adequada e não preconceituosa dos novos arran- jos, bem como reconhecerem o papel do Estado no fortalecimento destas fa- mílias e na oferta de serviços que am- pliem sua capacidade protetiva. O diagrama que segue detalha as duas formas de inserção de famílias no PAIF (atendimento e acompa- nhamento), de maneira a esclarecer a diferença entre elas e subsidiar a identificação das famílias que neces- sitam de acompanhamento ou aque- las para as quais o atendimento é su- ficiente. Considera-se atendimento a ação imediata de prestação ou oferta de atenção às famílias pelo PAIF, por
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    21 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 meio da acolhida, ação particulari- zada, ação comunitária, oficina com famílias e encaminhamento. Sendo o atendimento necessariamente a in- clusão no serviço, é a partir dele que há identificação da necessidade de iniciar o processo de acompanhamen- to familiar. São atendidos todos os indivíduos ou famílias que participam de alguma ação do PAIF. Considera-se que: -- Ação Particularizada: refere-se ao atendimento prestado pela equipe téc- nica do CRAS às famílias – algum(ns) membro(s) ou todo o grupo familiar, após a acolhida, de modo individuali- zado. Esse tipo de atendimento deve ser realizado em casos extraordiná- rios e objetiva conhecer a dinâmica familiar de modo aprofundado e pres- tar um atendimento mais específico às famílias, como nos casos de suspeita de situações de violação de direitos, conhecimento e enfrentamento das causas de descumprimentos reitera- dos de condicionalidades do PBF, be- neficiários do BPC de 0 a 18 anos fora da escola em situação de isolamento e demais situações que pressupõem sigi- lo de informações e que podem gerar encaminhamento para a Proteção So- cial Especial ou para o Sistema de Ga- rantia de Direitos. O técnico também pode optar pela ação particularizada, a pedido da família. -- Encaminhamento: consiste no pro- cesso de orientação e direcionamento das famílias ou algum de seus mem- bros para inserção em serviços socio- assistenciais (ver meta 9 e item 2 do es- clarecimento final), acesso a serviços setoriais (ver item 1 do esclarecimen- to final), benefícios assistenciais (en- caminhamento para BPC, ver meta 6) e programas de transferência de renda (ver meta 7) e para inserção ou atua- lização do Cadastro Único. Tem por objetivo a promoção do acesso aos di- reitos e a conquista da cidadania. -- Oficina com famílias: ver meta 2. -- Ação Comunitária: consiste no de- senvolvimento de atividades de cará- ter coletivo, voltado para a dinami- zação das relações no território. Tem por objetivos promover a comunica- ção comunitária, a mobilização social e o protagonismo da comunidade; bem como fortalecer os vínculos entre as diversas famílias do território, desen- volver a sociabilidade, o sentimento de coletividade e a organização co- munitária – por meio, principalmente, do estimulo à participação cidadã. As palestras, campanhas socioeducativas e eventos comunitários são os exem- plos mais comuns de ações comunitá- rias do PAIF. A seguir detalham-se as situações de vulnerabilidade e as características do acompanhamento familiar em grupo e do acompanhamento familiar parti- cularizado, de forma a subsidiar a re- flexão das equipes sobre as diferentes situações que ensejam a opção por uma ou outra forma de acompanhamento familiar no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Acompanhamento familiar em grupo O processo de acompanhamento fa- miliar em grupo é indicado para res-
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 22 ponder situações de vulnerabilida- des vivenciadas pelas famílias com forte incidência no território. Neste sentido, faz-se necessário realizar um bom diagnóstico socioterritorial – conhecer suas vulnerabilidades e potencialidades e sua incidência, de modo a constituir grupos de fa- mílias com afinidades, necessidades e características similares, de forma a efetivar seu acompanhamento, tornando-o um processo de compar- tilhamento de experiências entre os participantes, de reflexão sobre a re- alidade, de acesso à informação so- bre direitos e construção de projetos de vida que possibilitem ampliação dos direitos sociais. Essa forma de acompanhamento fa- miliar prevê: a) o desenvolvimento de encontros com as famílias reuni- das em grupo, por meio de um ou mais representantes, sob a coorde- nação de um técnico de nível su- perior da equipe de referência do CRAS; b) a elaboração de um Plano de Acompanhamento Familiar, no qual constarão os objetivos comuns e específicos a serem alcançados pelos participantes, bem como o desenvolvimento do processo de acompanhamento; c) a realização de mediações periódicas com os téc- nicos, para monitoramento e ava- liação do processo de acompanha- mento, efetividade da intervenção, ampliação da capacidade protetiva e estabelecimento de novos com- promissos, quando for o caso; d) in- serção em ações do PAIF, conforme necessidades. Acredita-se que o acompanhamen- to familiar em grupo contribui para resultados mais efetivos, pois, ao mobilizar um grupo de famílias, propicia-se a troca de vivências que tornam esse acompanhamento uma experiência de empoderamento das famílias e, consequentemente, do território, pois promove o aumento da capacidade das famílias de voca- lizar suas demandas, produzir con- sensos, de aceitar a diferença e de negociar conflitos de modo não vio- lento, a identificação e consolidação de redes de apoio social, a constru- ção de projetos comunitários, pro- duzindo processos de protagonis- mo e autonomia da população e de responsabilização do poder público por uma rede de proteção social e garantia de direitos. Para se efetivar o acompanhamento em grupo, os profissionais devem voltar seu olhar para as famílias e os indivíduos. Portanto, tanto as dimensões individuais (de cada família) quanto as do grupo (que constituem identidades coletivas) devem ser consideradas e trabalha- das. O grupo não deve ter relevância maior ou menor do que as pessoas que o compõem. Ou seja, é preci- so relacionar o objetivo do trabalho em grupo com as necessidades dos seus participantes. Sugestões de situações de vulnera- bilidades que requerem a proteção de assistência social para garantia de seus direitos, nas quais deve ser priorizado o acompanhamento fami-
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    23 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 liar em grupo, conforme decisão do profissional e famílias9 : • Dentre as famílias beneficiárias de programa de transferência de ren- da e dos benefícios assistenciais: -- Famílias em situação de descumpri- mento de condicionalidades do PBF, cujos motivos ensejem acompanha- mento do PAIF, conforme prioridades pactuadas10 (ver meta 4); -- Famílias com membros de 0 a 18 anos fora da escola, cujo programa BPC na Escola identificou barreiras ao acesso à escola, que demandam acompanha- mento do PAIF (ver meta5)11 ; -- Famílias do Plano Brasil sem Miséria. • Famílias contrarreferenciadas ao CRAS, pelo CREAS após desliga- mento do PAEFI (ou, onde não hou- ver, pela Proteção Especial) com: 9 As situações de vulnerabilidade elencadas são apenas sugestões para a organização do acompanhamento familiar. Somente a avaliação dos profissionais em conjunto com as famílias da incidência e da complexidade de situações de vulnerabilidade e das condições objetivas de cada família, deve determinar se o processo de acompanhamento familiar será realizado de modo particularizado ou em grupo. 10 Constantes do parágrafo 1º, do Art. 19 e do parágrafo único do Artigo 20, do Protocolo de Gestão Integrada de Serviços, Benefícios e Transferências de Renda no âmbito do SUAS. 11 São barreiras de acesso à escola que ensejam acompanhamento familiar em grupos, pela proteção básica: a) ausência de iniciativa da família para estimular o acesso à escola; b) ausência de iniciativa da família para estimular o convívio sociofamiliar;c) dificuldade do beneficiário em acessar a rede de serviços; e d) dificuldade da família em acessar a rede de serviços. -- criança e/ou adolescente retirado do trabalho infantil ou com integrante egresso de situações análogas a traba- lho escravo; -- criança/adolescente egresso de abri- go, casa-lar ou família acolhedora; e -- integrante retirado de situação de rua. • Famílias pertencentes aos povos e comunidades tradicionais (in- dígenas, quilombolas, ciganos e outros); • Famílias vivendo em territórios com conflitos fundiários (indíge- nas, quilombolas, extrativistas, dentre outros) ou vivendo em contextos de extrema violência (áreas com forte presença do cri- me organizado, tráfico de drogas, dentre outros); • Famílias recém-retiradas de seu território de origem, em função da implementação de empreen- dimentos com impactos ambien- tais e sociais; ou que vivem em áreas com risco de deslizamento ou ainda em áreas atingidas por calamidades públicas; • Famílias com vínculos fragilizados entre pais e filhos de 0 a 6 anos; ou famílias monoparentais, com filhos ou dependentes, com frágil ou nulo acesso a serviços socioas- sistenciais e setoriais de apoio; • Famílias com criança(s) e ou adolescente(s) que fica(m) sozinho(s) em casa ou sob o
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 24 cuidado de outras crianças/ado- lescentes; ou passa(m) muito tempo na rua, devido à ausência de serviços socioassistenciais, de educação, cultura, lazer e de apoio à família; • Famílias com jovens de 15 a 17 anos, com defasagem escolar ou fora da escola, com frágil ou nulo acesso a serviços socioassisten- ciais e setoriais de apoio; • Famílias que não conseguem ga- rantir a segurança alimentar de seus membros ou com adoles- cente grávida com precárias con- dições para prover seu sustento; • Famílias com um ou mais inte- grante desaparecido(s), fale- -cido(s), interno(s) ou egresso(s) do sistema prisional, com espe- cial atenção às internas gestan- tes e nutrizes; • Famílias ou indivíduos com vi- vência de discriminação (étnico- -raciais e culturais, etárias, de gênero, por orientação sexual, por deficiência e outras); • Famílias que atendem os cri- térios dos programas de trans- ferência de renda e benefícios assistenciais, mas que ainda não foram contempladas; e famílias com integrantes sem a devida documentação civil.  Acompanhamento particularizado O acompanhamento particulariza- do deve ser proposto às famílias em situações de vulnerabilidades, em condições desfavoráveis para acompanhamento em grupo: seja porque a família demanda uma atenção rápida, por risco de retor- nar à situação de extrema pobreza ou recair em risco social; nos casos em que a família tem dificuldades de se deslocar até o CRAS (quando, por exemplo, há pessoa que neces- sita de cuidados); por necessidade de proteção a algum de seus mem- bros; quando a família não se sente a vontade para participar do acom- panhamento em grupo (sente-se in- timidada e envergonhada); quando a situação demanda sigilo; ou quan- do seus horários são incompatíveis com o do(s) grupo(s). O acompanhamento familiar parti- cularizado prevê: a) a elaboração de um Plano de Acompanhamento Fa- miliar, no qual constarão os objeti- vos a serem alcançados pela família, bem como o desenvolvimento do processo de acompanhamento; b) a realização de mediações periódicas com os técnicos, para monitoramen- to e avaliação do processo de acom- panhamento, efetividade da inter- venção, ampliação da capacidade protetiva da família e definição de novos compromissos, quando for o caso; e c) inserção em ações do PAIF, conforme necessidades.
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    25 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Sugestões de situações de vulnera- bilidades que requerem a proteção de assistência social para garantia de seus direitos nas quais deve ser priorizado o acompanhamento parti- cularizado, conforme decisão do pro- fissional e famílias12 : • Dentre as famílias beneficiá- rias de programa de transfe- rência de renda e dos benefí- cios assistenciais: -- Famílias em situação de descumpri- mento de condicionalidades do PBF, em “suspensão do benefício por dois meses” 13 , cujos motivos ensejem acom- panhamento do PAIF (ver meta 4); -- Famílias com membros de 0 a 18 anos fora da escola, cujo programa BPC na Escola identificou barreiras ao acesso a escola que demandam acompanha- mento do PAIF (ver meta 5)14 . • Famílias contrarreferenciadas ao CRAS, pelo CREAS após desliga- mento do PAEFI (ou, onde não hou- ver, pela Proteção Especial) com: -- Adolescente egresso de medida de internação ou de medida socioeduca- tiva em meio aberto; -- Episódio pregresso de uma ou múl- tiplas formas de violência ou egresso 12 Idem nota 4. 13 Conforme parágrafo 1º do Art. 19 e parágrafo único do Artigo 20, do Protocolo de Gestão Integrada de Serviços, Benefícios e Transferências de Renda no âmbito do SUAS. 14 São barreiras de acesso à escola que ensejam acompanhamento familiar particularizado da Proteção Básica: a) ausência de acompanhamento para levar o beneficiário até a escola, e b) ausência de cuidadores familiares. de medidas aplicadas em decorrência destes episódios (violência doméstica; abuso e exploração sexual, violência física ou psicológica contra criança/ adolescente; violência contra a mu- lher; tráfico de seres humanos; etc.); -- Integrante com história de uso abu- sivo de álcool e outras drogas. •  Famílias com algum membro que vive em isolamento; • Família com denúncia de negli- gência a algum de seus membros. Ressalta-se que o acompanhamen- to familiar realiza uma intervenção técnica qualificada com objetivos determinados, cuja efetividade de- pende diretamente do compromis- so do profissional responsável pelo acompanhamento familiar, do coor- denador do CRAS, do gestor munici- pal de assistência e do prefeito, na garantia dos direitos das famílias. Isto é, é preciso que o prefeito defina, junto com as secretarias setoriais dos municípios, as articulações capazes de assegurar o acesso das famílias a serviços setoriais; que o gestor mu- nicipal de assistência social reforce o serviço de vigilância social; assegure que as informações disponíveis sobre as famílias cheguem com regulari- dade e de forma territorializada aos CRAS (assegurando a integração en- tre benefícios, transferências de ren- da e serviços) e comprometa-se em qualificar continuamente a oferta dos serviços socioassistencias; o coorde- nador realize a gestão territorial da rede socioassistencial e assegure que
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 26 a equipe de referência do CRAS tenha uma atitude proativa na identificação das famílias que serão inseridas no acompanhamento das famílias; e que o profissional de nível superior do CRAS utilize seu arcabouço teórico- -metodológico e técnico-político de modo a propiciar às famílias um aten- dimento efetivo e de qualidade15 . Nessa direção, pode-se afirmar que somente se realiza o acompanha- mento familiar quando as famílias e os profissionais definem conjunta- menteosobjetivosaserematingidos, as aquisições a serem alcançadas e o percurso a ser trilhado para acesso a direitos e superação de situações de vulnerabilidade vivenciadas, cons- truindo um Plano de Acompanha- mento Familiar, realizando media- ções periódicas com profissionais e com inserção planejada em ações do PAIF, se verificada a necessidade. Buscou-se, no caso do não cumpri- mento da variável “acompanhamen- to de famílias”, identificar possíveis interferências do número de profis- sionais de nível superior; a existência de coordenador e também da estru- tura física (duas salas, sendo pelo me- 15 Destaca-se que o Incentivo de Gestão Descentralizada Municipal (IGDM) será destinado ao aprimoramento da gestão do SUAS, bem como ao aprimoramento da gestão dos serviços socioassistenciais. Para o cálculo do IGDM será considerado a evolução do o IDCRAS, além de outros indicadores. Quanto melhor os resultados dos indicadores analisados, maior o percentual de IGD será repassado ao município. Assim, quanto mais o município alcançar as metas de desenvolvimento do CRAS, melhor será seu ID CRAS, e consequentemente, seu IGD. nos uma com capacidade superior a 15 pessoas), entendendo que tanto no acompanhamento particularizado quanto no acompanhamento em gru- po, há que se contar com estes espa- ços, embora a existência de pelo me- nos uma destas salas permita que a atividade seja exercida, mesmo que parcialmente, até que a solução de- finitiva seja alcançada. A existência da sala menor é importante porque garante a realização do acompanha- mento particularizado, do estudo social e entrevistas individuais, sem- pre que necessário, ou mesmo dos atendimentos particularizados (que venham a ser necessários ao longo do processo de acompanhamento). Já as salas coletivas são fundamen- tais para que o acompanhamento em grupo ganhe centralidade no CRAS. Fica claro, assim, que para o exercí- cio pleno desta atividade são neces- sários profissionais de nível superior bem preparados, capacitados e em quantitativo suficiente, e que o CRAS disponha de espaços apropriados. Observa-se, conforme tabela 01, a seguir, que 116 CRAS não realizam o acompanhamento de famílias, ativi- dade fundamental e central do PAIF. Dentre os 116 CRAS que não reali- zam acompanhamento de famílias, um quantitativo elevado (71,6%) não possui coordenador, profissio- nal com funções de organização da gestão do serviço como, por exem- plo, análise de dados e informações sobre as famílias residentes no terri- tório; definição de critérios de prio-
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    27 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 rização de usuários no atendimento; planejamento, junto com técnicos do PAIF, do atendimento e acompanha- mento às famílias; discussão regular dos acompanhamentos e resultados obtidos; distribuição de tarefas e atri- buições entre os técnicos; organiza- ção do processo de trabalho e enca- minhamento regular de informações e dados para o nível central, participa- ção de reuniões regulares com equi- pe da Secretaria, para garantir que as atividades essenciais do CRAS sejam realizadas e que seja assegurada ca- pacitação para a equipe do CRAS. É fundamental, portanto, que a equi- pe do Estado aborde esta questão com o gestor municipal, orientando- -o sobre a necessidade de indicação de um técnico de nível superior, com vínculo estatutário ou comissionado, com perfil descrito nas Orientações Técnicas para o CRAS16 , para exercer a função de coordenador. 16 BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Orientações Técnicas: Centro de Referência de Assistência Social – CRAS. 1 ed. Brasília: MDS, 2009. Observa-se que a maioria dos CRAS que não realizam o acompanhamen- to familiar, 77,6% possui no mínimo duas salas, sendo pelo menos uma delas com capacidade superior a 15 pessoas17 . Conforme vimos, quando os CRAS não dispuserem de espaço fí- sico para realizar o acompanhamento das famílias em grupos (22,4%), uma solução emergencial é iniciar esta ati- vidade por meio do acompanhamen- to particularizado, até que o espaço físico seja adequado. Nestes casos, deve-se priorizar as famílias para as quais é adequado o acompanhamento particularizado, elaborando o Plano de Acompanhamento em comum acordo com a família, prevendo responsabili- dades das duas partes. Pode-se, adi- cionalmente e como alternativa tem- porária, articular um cronograma de ações com outro equipamento público do território, que disponha de espaço para atividades em grupo, até que o espaço físico seja adequado. 17 Mais especificamente, 95,7% dos CRAS possuem salas para até 15 pessoas e 80,2% possuem salas para mais de 15 pessoas. Tabela 01 – CRAS que não realizam acompanhamento de famílias Situação Número de CRAS Percentual Não realiza acompanhamento de famílias e 116 100% Possui coordenador 33 28,4 Não possui coordenador 83 71,6 Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 81 69,8 Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 35 30,2 Possui 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas 90 77,6 Não alcança a meta: possuir 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas 26 22,4 Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 28 Para todos os CRAS que não dispo- nham do espaço físico necessário, há que se reforçar junto ao gestor municipal a necessidade de ade- quação da estrutura física e de ela- boração de Plano de Providências, que deverá prever tanto a solução definitiva quanto a(s) solução(ões) temporária(s) para o cumprimento desta meta. Da mesma forma, cabe ao Estado elaborar Plano de Apoio, para o que poderá desenvolver linhas de apoio financeiro para reforma e construção de CRAS, especialmente para aqueles que funcionam em es- paços alugados e,ou com piores indi- cadores na dimensão estrutura física. A maioria dos CRAS que não alcançam esta meta (69,8%) também possui o quantitativo necessário de profissio- nais de nível superior. Neste caso, é importante problematizar, que, em- bora os CRAS possuam o quantitativo de profissionais, estes podem estar exercendo outras funções que não aquelas próprias do PAIF (como por exemplo: cadastramento ou atuali- zação cadastral de beneficiários do Programa Bolsa Família; oficinas de inclusão produtiva; desenvolvimento dos serviços de convivência e forta- lecimento de vínculos, dente outros), o que acaba prejudicando a oferta do serviço. O estado deve estar atento a esta questão, e orientar tecnica- mente os profissionais e gestores sobre o papel da equipe técnica dos CRAS, em especial a dos técnicos de nível superior, cuja função primordial é ofertar o PAIF, e que muitas vezes têm assumido outras atividades, ou acumulado funções, em detrimento da sua principal atribuição, que deve ser assegurada desde já. O coordena- dor do CRAS, por sua vez, deverá zelar para que a equipe técnica de referên- cia do CRAS assuma suas funções. A adequação do quantitativo de pro- fissionais também deve ser abordada com o gestor municipal, atentando para o prazo estipulado na Resolução CIT 05/2010 (Anexo 1). No caso dos CRAS que apresentam problemas relativos a Recursos Hu- manos e Estrutura Física, sugere-se ainda a leitura das demais Orienta- ções que compõem este documento. Como o cumprimento desta meta constitui a centralidade do PAIF, su- gere-se que os estados organizem processos de capacitação e formação continuada da equipe de referência dos CRAS sobre trabalho social com famílias, para o que se torna central abordar uma reflexão sobre o concei- to de família: seus deveres e direitos; a família no contexto da política de assistência social; o significado de território para a proteção social do SUAS, dentre outros, preparando os profissionais para que exerçam de forma adequada sua função. A meta que será apresentada a se- guir, “realizar oficinas/grupos de convivência com famílias”, deveria ter sido cumprida no período anual que se encerrou em 2010 e é uma ação coletiva do PAIF fundamental para o cumprimento de seus objeti- vos, em especial fortalecimento dos
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    29 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 laços comunitários, o acesso a direi- tos, o protagonismo e a participação social. Também constitui importante atividade complementar ao acompa- nhamento familiar. 2. Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias (2009/2010) A presente meta faz referência à re- alização de oficinas/grupos de convi- vência com famílias. De modo a auxi- liar na compreensão dessa ação, será utilizada somente a denominação “oficina”, evitando assim causar en- tendimento equivocado dessa ação, evitando confundi-la com o acompa- nhamento familiar em grupo (meta 1). Oficinas com famílias são compreen- didas como encontros previamente organizados, com objetivos de curto prazo a serem atingidos, com um con- junto de famílias, por meio de seus responsáveis ou outros representan- tes, sob a condução de técnicos de nível superior do CRAS, com o intui- to de suscitar uma reflexão sobre um tema de interesse das famílias, sobre vulnerabilidades e riscos ou poten- cialidades identificados no território, contribuindo para o alcance de aqui- sições, em especial o fortalecimento dos laços comunitários, o acesso a di- reitos, o protagonismo, a participação social e para a prevenção a riscos. As oficinas com famílias favorecem o processo de problematização e reflexão crítica de questões muitas vezes cristalizadas, naturalizadas e individualizadas, possibilita o enten- dimento de que os problemas viven- ciados particularmente ou por uma família são problemas que atingem outros indivíduos e outras famílias; contextualiza situações de vulnera- bilidade e risco; e assegura a reflexão sobre direitos sociais, possibilitando uma nova compreensão e interação com a realidade vivida, negando-se a condição de passividade, favore- cendo processos de mudança e de desenvolvimento do protagonismo e da autonomia e prevenindo a ocor- rência de situações de risco social. As oficinas constituem, assim, uma ação socioeducativa, na medida em que contribuem para a construção de novos conhecimentos; favorecem o diálogo e o convívio com as diferen- ças; problematizam as incidências de risco e vulnerabilidade no território, estimulam a capacidade de parti- cipação, comunicação, negociação, tomada de decisões, estabelecem espaços de difusão de informação e reconhecem o papel de transforma- ção social dos sujeitos. Destaca-se também que a realização de oficinas constitui importante instru- mento de conhecimento das vulnerabi- lidades e potencialidades do território, pois incentiva a expressão de saberes e percepções da população sobre seu lo- cal de vivência, subsidiando o processo de vigilância social do território. Assim, ao mesmo passo que possibilita ao Serviço aprofundar seu conhecimento sobre o território, também propicia às famílias a reflexão sobre o mesmo.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 30 O que são e como acessar nossos direitos (civis, políticos, sociais, culturais, econômicos, ambientais): 1) Direito à transferência de renda (programa Bolsa Família e outros programas de transferência de renda) e benefícios assistenciais (BPC e Benefícios Eventuais): promoção de discussões e reflexões sobre os direitos e deveres de quem recebe tais benefícios, critérios de acesso, onde acessá-los, importância e dificuldades para o cumprimento das condicionalidades, serviços disponibilizados no terri- tório, encaminhamentos necessários, importância da atualização cadastral, que unidade procurar para esta finalidade, dentre outros. 2) Direito a Documentação Civil Básica (certidão de nascimento, CPF, RG, títu- lo eleitoral): importância da documentação para o acesso a outros direitos, dificuldades enfrentadas para ter acesso à documentação, encaminhamento ao CRAS de pessoas sem documentação que venham a ser identificadas no ter- ritório, etc. 3) Direito a cultura e lazer: discussão e reflexão sobre a importância do aces- so a serviços de cultura e lazer para o bem estar da população e prevenção de violência no território; realização de atividades culturais e de promoção e valorização da cultura local; resgate dos valores culturais do território, etc. 4) Direitos das crianças e adolescentes: discutir as legislações de proteção a esse público e riscos mais recorrentes no território, tais como trabalho infantil, violência doméstica, atos infracionais cometidos por adolescentes, uso de drogas, exploração e abuso sexual. Promover a reflexão sobre como garantir esses direitos – as responsabilidades da família, da comunidade e do Estado. Identificação das características do território na oferta de serviços para crianças e adolescentes, onde acessar serviços de proteção relacio- nados às situações de risco. Como identificar situações de risco e prevenir, ações que podem ser desenvolvidas no território de forma a prevenir, etc. 5) Direito das Mulheres: promover a reflexão sobre o isolamento social das mulheres, a feminização da pobreza, violência contra mulheres, a sobrecarga das mulheres na divisão das responsabilidades familiares, etc. Identificar ca- racterísticas do território e do município que geram estratégias de superação do isolamento, conhecer histórias de mulheres que influenciam a vida das fa- mílias, ou que tenham sido importantes para o município. 6) Direitos das pessoas idosas: discutir o estatuto do idoso e promover a reflexão sobre os direitos e os cuidados necessários à pessoa idosa, a aces- sibilidade aos serviços, direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). 7) Direitos das pessoas com deficiência: promover a reflexão sobre os direi- tos e os cuidados necessários com a pessoa com deficiência, acessibilidade e inclusão nos serviços disponíveis no território, identificação de necessida- des e de situações que impeçam seu isolamento social. 8) Direito a alimentação e nutrição adequada: promover a reflexão sobre as di- ficuldades enfrentadas para o usufruto do direito constitucional à alimenta- ção em qualidade e quantidade adequada às necessidades nutricionais, bem como traçar estratégias para a superação destas dificuldades. O direito do acesso aos programas de transferência de renda para os que estão nos critérios. São sugestões de temas a serem desenvolvidos em oficinas com famílias:
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    31 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 As oficinas devem compor o quadro de ações do PAIF de forma regular, assumindo cada semana, quinzena ou mês um tema comum ou diferente a ser trabalhado, conforme demanda do território e planejamento do Ser- viço. Uma oficina pode dar origem a uma ação coletiva, como campanha, palestra, assim como pode contri- buir para identificar uma família que deve ser acompanhada ou uma famí- lia que necessita de um atendimento particularizado. Os desafios da vida em família 1) Os direitos das famílias, sua função protetiva e deveres do estado e das famílias, as formas de comunicação, as formas de resolução de conflitos, os papéis desempenhados pelos membros e a democratização do ambiente familiar (divisão de tarefas, responsabilidades, etc). 2) As especificidades do ciclo vital dos membros das famílias, as formas de convívio intergeracional – construção dos vínculos protetivos e resolução de conflitos intergeracionais, as ofertas existentes no território que garan- tem a proteção dos membros mais vulneráveis das famílias. 3) Cuidar de quem cuida: proporcionar a troca de experiências, expectativas e receios vivenciados pelos familiares cuidadores de pessoas com deficiência, pessoas idosas ou pessoas com doenças crônicas dependentes, a importância da inclusão social dessas pessoas, as redes sociais existentes e avaliação da necessidade de serviços no domicílio, planejamento de ações no território que promovam inclusão social. 4) O uso de álcool e, ou outras drogas na família: como prevenir, estratégias de enfrentamento do vício, serviços disponíveis no território e no município, alternativas de convívio no território para a juventude, crianças e adoles- centes, a importância da ampliação dos espaços de circulação dos jovens, etc. A vida no território: superando vulnerabilidades e identificando potencialidades 1) Território – construção humana: Discutir o conceito de território, provo- car o conhecimento do território de vivência das famílias, sua história, ca- racterísticas, e como o território impacta na condição de vida das famílias; necessidades de serviços, etc. 2) Território – problemas e soluções: elaboração de estratégias para identifi- car e fortalecer suas potencialidades, bem como para mobilizar as famílias na superação das vulnerabilidades enfrentadas. Somente é possível afirmar que se realiza oficinas/grupos de convivên- cia com famílias se essa ação com- puser de modo regular e planejado o rol de ações do PAIF, com a finali- dade de fortalecer os laços familiares e comunitários, promover o acesso a direitos, o protagonismo e a partici- pação social e prevenir a ocorrência de situações de risco. Se as ofici- nas realizada(s) não tiver(em) sido planejada(s) ou não tiver(em) objeti- vos a serem alcançados, não se pode afirmar que essa ação foi realizada.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 32 Investiga-se a possível relação do não alcance desta meta com as se- guintes variáveis do Censo SUAS/ CRAS 2010: quantitativo de Recur- sos Humanos (número de profissio- nais de nível superior), existência de coordenador no CRAS; existência de materiais pedagógicos, esportivos e culturais; espaços físicos disponíveis (possuir 2 Salas, sendo pelo menos uma com capacidade superior a 15 pessoas), e oferta de serviços de con- vivência e fortalecimento de vínculos no CRAS. Identificou-se, conforme tabela 02, que 653 CRAS não realizam oficinas com famílias, embora seja esta uma das ações centrais do PAIF, visto que possibilita o desenvolvimento da sociabilidade e pertença, contribuin- do para o fortalecimento dos laços Tabela 02 – CRAS que não realizam oficinas/grupos de convivência com famílias Situação Quantidade de CRAS Percentual Não realiza oficinas/grupos de convivência com famílias e 653 100% Possui coordenador 241 36,9 Não possui coordenador 412 63,1 Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 501 76,7 Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 152 23,3 Possui materiais pedagógicos, culturais e esportivos disponíveis 331 50,7 Não possui materiais pedagógicos, culturais e esportivos disponíveis 322 49,3 Possui 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas 488 74,7 Não alcançou a meta: possuir 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas 165 25,3 OBS.: Dentre os 488 CRAS que não realizam oficinas e atingem uma das metas da dimensão estrutura física (possuir 2 salas, sendo pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas), 58,2% (284) realizam outro(s) Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010 comunitários, o acesso a direitos, o protagonismo, a participação social e para a prevenção a riscos. Dentre os CRAS que não realizam ofi- cinas observa-se que mais da meta- de (63,1%) não possui coordenador, profissional responsável pela gestão do PAIF. Para o atendimento de famí- lias no CRAS, faz-se necessário orga- nizar a oferta de ações coletivas e particularizadas, o que depende do conhecimento do território, das in- cidências de vulnerabilidades e ris- cos e do desenho das estratégias de prevenção que serão desenvolvidas com as famílias, dentre elas as ofici- nas. Esta organização depende de planejamento, monitoramento e ava- liação, sendo, portanto, imprescindí- vel a presença de um coordenador. É importante, para o cumprimento da
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    33 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 meta, que o estado esclareça o ges- tor municipal sobre a necessidade da indicação imediata de um dos técni- cos de nível superior, que atenda aos critérios de vínculos estabelecidos para este período anual e com perfil compatível, para a função de coor- denador desta unidade pública. Do contrário, cabe a elaboração de Pla- no de Providências. Por outro lado, conforme observação constante da tabela 02, 58,2% dos CRAS também ofertam, em suas de- pendências, serviço(s) de convivên- cia e fortalecimento de vínculos, dos quais266 (54,5%) possuem apenas uma sala com capacidade superior a 15 pessoas, o que pode estar criando demanda concorrente pelo espaço fí- sico. É importante que o estado esteja atento ao fato de que os CRAS podem ofertar outros serviços de proteção básica, mas apenas quando esteja ga- rantida a oferta com qualidade do PAIF, conforme estabelecido nas normativas do SUAS. Nos casos em que houver compartilhamento de salas entre PAIF e outros serviços de proteção básica, o estado deverá orientar o gestor e o co- ordenador do CRAS para organizar cro- nogramas de atividades, garantindo es- paço para oferta dos serviços sem que haja qualquer tipo de prejuízo ao PAIF. Dependendo das variáveis envolvidas no cumprimento desta meta, será ne- cessárioelaborarPlanodeProvidências que garanta o ajuste da oferta do PAIF e dos serviços de convivência, mesmo que estes últimos tenham de ser deslo- cados para outro espaço físico, no terri- tório do CRAS. Fica ainda evidenciado que o não al- cance dessa meta não está fortemente relacionado à ausência de espaço físi- co,jáque74,7%dosCRASpossuemno mínimo duas salas, sendo pelo menos uma delas com capacidade superior a 15 pessoas. No entanto, para aqueles CRAS em que a atividade não é reali- zada por falta de sala para mais de 15 pessoas, há que se prever solução para que a meta seja cumprida. O local para o desenvolvimento das oficinas é de grande relevância, visto que ele passa a ser referência para as famílias, o “ponto de encontro”. O espaço físico precisa ser adequado, refletindo um ambiente acolhedor e favorável às trocas, interação e con- vivência de seus participantes. Suge- re-se, entretanto que, caso o motivo do não cumprimento desta meta seja a não existência de sala com capa- cidade para 15 ou mais pessoas no CRAS, seja temporariamente identifi- cado espaço próximo, em outra uni- dade pública do território, ou encon- tradas alternativas mais adequadas a cada realidade, de forma que esta ação seja garantida aos usuários do SUAS. Ressalta-se, porém, que a utilização de espaços fora do CRAS devem ser uma alternativa emergencial, pois a utilização prolongada abre margem para descontinuidade das ativida- des. Portanto, essa utilização deverá ser prevista como emergencial no Plano de Providências, sendo obri- gatório também prever prazos para a solução definitiva.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 34 Verifica-se que 76,7% dos CRAS que não realizam oficinas têm o quan- titativo de técnicos de nível supe- rior conforme estabelecido para o período vigente. Porém, o estado deve alertar os gestores municipais para o fato de que os CRAS têm de funcionar com as equipes técnicas completas, por 40 horas semanais. Além disso, as equipes podem estar sobrecarregadas, executando outras atividades que não estejam direta- mente relacionadas às suas funções. Se isto estiver ocorrendo, certamen- te haverá prejuízo para a realização das atividades do PAIF, o que pode estar impactando na não realização das oficinas. Neste caso, faz-se ne- cessário orientar o gestor municipal (e do DF) sobre a garantia imediata da oferta do atendimento às famí- lias pelo PAIF; bem como avaliação da necessidade de um quantitativo maior de técnicos de forma a garantir a oferta dos serviços de convivência (sempre que os técnicos de nível su- perior estiverem sendo desviados de sua função para ofertar serviços de convivência no CRAS ou fora dele) e/ ou de outras atividades que os técni- cos estejam assumindo (atualização cadastral, por exemplo). Nos CRAS nos quais esta meta não vem sendo cumprida por falta de re- cursos humanos, é necessário que o estado discuta essa prioridade com o gestor municipal, esclarecendo sobre a importância do cumprimen- to desta meta de desenvolvimento dos CRAS, bem como necessidade de elaboração de Plano de Providên- cias, sempre que não for possível cumprir imediatamente a meta. Finalmente, constata-se que 49,3% dos CRAS que não realizam esta ação não possuem materiais pedagógicos, culturais e esportivos. Este pode ser um dos fatores que também limitam o desenvolvimento desta ação cole- tiva de atendimento às famílias. Vale ressaltar a necessidade de o estado orientar o gestor municipal e o coor- denador do CRAS, sobre que mate- riais são adequados a esta atividade e informar quais recursos podem ser utilizados para essa finalidade, consideradas as fontes de finan- ciamento de cada CRAS. Os saldos em conta de recursos destinados aos serviços de proteção básica, na forma dos pisos de proteção básica (cofinanciamento do MDS), também poderão ser utilizados para esse fim, excetuando-se os saldos do Projo- vem Adolescente, que só podem ser aplicados no próprio serviço. Infor- mações referentes à utilização de recursos do cofinanciamento federal poderão ser obtidas na Nota Técnica “Orientações referentes à aplicação e reprogramação dos recursos finan- ceiros repassados pelo Fundo Nacio- nal de Assistência Social”, disponível no site do MDS: http://www.mds.gov. br/assistenciasocial. Sugere-se ainda que o estado orien- te as equipes dos CRAS quanto à im- portância e complexidade do desen- volvimento de oficinas com famílias. Como a preparação das oficinas de- manda planejamento, estudo de te-
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    35 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 mas, pesquisa das técnicas a serem utilizadas, articulação com outros profissionais que possam contribuir para qualificar os conteúdos a serem desenvolvidos, a capacitação e for- mação continuada dos técnicos de nível superior e coordenadores do CRAS devem ser asseguradas, com todo o suporte técnico necessário para que esta seja uma construção coletiva. A meta seguinte, que se refere à re- alização de visitas domiciliares, é es- tratégica para localização de famílias em situação de maior vulnerabilida- de social, ou que tenham dificulda- des de acessar o CRAS. É elemento importante para o trabalho social com famílias referenciadas ao CRAS, para o acesso a serviços e benefícios, e conaduna-se com a concepção de que a equipe do CRAS deve se deslo- car até os usuários mais vulneráveis. 3. Realizar visitas domiciliares (2008/2009) A visita domiciliar constitui pro- cedimento que compõe algumas ações do PAIF, com destaque para a acolhida e para a ação particu- larizada (com uma família ou com alguns membros de uma mesma família). A visita domiciliar deve ser realiza- da com o consentimento da família. Sugere-se, para facilitar o desenvol- vimento do processo de comunica- ção, o estabelecimento, sempre que possível, de um contato prévio entre os profissionais e a família e o agen- damento da visita domiciliar. É utilizada para o atendimento às famílias em sua unidade domiciliar, em situações específicas, nas quais a família, em especial o responsável familiar, apresente dificuldades em comparecer ao CRAS, por vulnerabi- lidades diversas. Tem, portanto, im- portância grande, na medida em que a equipe de referência do CRAS des- loca-se para chegar até um possível usuário, identificado pela equipe por algum motivo, significando, em vá- rios casos, a possibilidade de a famí- lia acessar os serviços do SUAS e ter seus direitos garantidos. As visitas domiciliares podem ainda ser utiliza- das como estratégia de aprofunda- mento de intervenções que não são possíveis em grupo, de vinculação da família ao PAIF e para mobilizar redes sociais de apoio à família. Ao se locomoverem até o domicí- lio das famílias, é possibilitado aos técnicos conhecer a realidade dos territórios, as formas de convivência comunitária, arranjos familiares - rol de informações muito importantes para adequar as ações do PAIF para o alcance do seu caráter preventivo, proativo, protetivo e garantidor de direitos. A visita domiciliar deve compor o quadro de atividades regulares do PAIF, fazer sentido no conjunto das ofertas e ser sistematicamente pla- nejada.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 36 No caso da variável “realização de visitas domiciliares”, buscou-se identificar possíveis interferências do quantitativo de Recursos Huma- nos (número de profissionais de nível superior), a existência de transporte (existência de veículo no CRAS - ex- clusivo ou não), e a existência de co- ordenador, elementos fundamentais desta atividade. Conforme dados da tabela 352 CRAS não cumprem a meta de realizar vi- sitas domiciliares, atividade funda- mental para acompanhamento de casos nos quais há impossibilidade de locomoção de algum membro da família. A inexistência de veículo não se mostrou uma variável recorrente a ponto de indicar uma possível cor- relação com a não realização de visitas domiciliares (nem mesmo nos municípios de médio e grande porte), visto que 76,9% dos CRAS que não realizam visitas domicilia- res possuem veículo. Há, no entan- to, que se verificar, nestes casos, se o veículo está disponível para uso da equipe técnica do CRAS. Para os 23,1% de CRAS que não reali- zam visita domiciliar e não possuem veículo, há que se verificar se a não existência do veículo tem sido o principal motivo do não cumpri- mento desta meta. Caso sim, cabe orientação ao gestor municipal, e definição, em Plano de Providên- cias, de estratégias que assegurem que de imediato esta atividade seja iniciada (por exemplo, por utilização de veículo(s)disponível(is) na secre- taria municipal de assistência social, com previsão de escala(s) para o(s) CRAS), mas também que uma solu- ção definitiva seja prevista. Nas lo- calidades onde não for necessário uso de veículo, outras alternativas de deslocamento das equipes po- derão ser encontradas, de forma a se garantir o acesso das equipes, às famílias que necessitam da prote- ção do Estado. Dentre os CRAS que não realizam vi- sitas domiciliares, cerca de 40% não possuem o quantitativo, exigido para Tabela 03 – CRAS que não realizam visitas domiciliares Situação Número de CRAS Percentual Não realiza visitas domiciliares e 52 100% Possui veículo 40 76,9 Não possui veículo 12 23,1 Possui coordenador 19 36,5 Não possui coordenador 33 63,5 Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 31 59,6 Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 21 40,4 Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    37 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 o período 2010/2011, de técnicos de nível superior. Esta é uma situa- ção que exige que o estado oriente o gestor para a alcance das metas de recursos humanos, ou para a ela- boração de Plano de Providências, onde o município deverá prever um prazo para compor a equipe técnica, de acordo com as metas previstas na Resolução CIT nº 05/10. Cerca de 60% de CRAS que não re- alizam visita domiciliar atendem o quantitativo exigido de RH. Nestes casos, há que se verificar se o CRAS tem coordenador. Caso sim, cabe questionar se a equipe está ocupa- da com outras funções que a des- viam desta tarefa; se não dispõe de informações (e dados) estratégicos para realizar as visitas; ou não com- preende a necessidade de realização destas visitas. Muitos CRAS ainda trabalham de modo reativo, ou seja, em reação à busca das famílias pelo serviço. Um dos desafios da prote- ção básica é fazer compreender aos coordenadores e equipes de CRAS, bem como gestores municipais, so- bre a importância das visitas domici- liares como instrumento de inclusão da população vulnerável potencial- mente usuária da Assistência Social. Uma variável relevante, que parece impactar muito na não realização de visitas domiciliares, é a inexistência do coordenador. Afinal, dentre suas funções está a de gerir as informa- ções do território, definindo e pro- gramando, junto com a equipe, quais famílias deverão receber visitas do- miciliares, seja nas ações de acompa- nhamento familiar, de atendimento das famílias, ou de busca ativa. Dos CRAS que informaram não realizar essa meta, 63,5% não possuem co- ordenador. Portanto, para seu cum- primento, é necessário que o estado oriente o gestor, para que designe e capacite, o mais rápido possível, um dos técnicos de nível superior para exercer a função de coordenador. Qualquer que seja o motivo do não cumprimento desta meta de desen- volvimento do CRAS parece perti- nente que o estado invista em ca- pacitação, formação continuada e orientação técnica para superação do descumprimento de normativa. No caso dos CRAS que não recebem regularmente informações que auxi- liem nas decisões relativas à realiza- ção das visitas domiciliares, é impor- tante capacitar os gestores, diretores e equipes das Secretarias Municipais para que organizem a disponibiliza- ção de informações estratégicas para que as equipes dos CRAS possam planejar esta atividade, sempre que necessário. As duas próximas metas (números 4 e 5) referem-se a públicos que de- vem ser prioritariamente inseridos no acompanhamento de famílias, sempre que identificada necessida- de ou interesse. Como são públicos prioritários, é importante que se dis- ponha de informações sistemáticas no CRAS, sobre estas famílias, que deverão ser contatadas pela equipe técnica de nível superior do CRAS,
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 38 sempre que necessário, por meio da busca ativa (ver meta 8), que pode se materializar inclusive por meio de vi- sita domiciliar. Para tanto, será neces- sário que as Secretarias Municipais (e do DF) garantam, sob sua coordena- ção, a gestão articulada de serviços, benefícios e transferência de renda, de forma a viabilizar a localização da- quelas famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade ou risco social, para que lhes sejam garantidos os direitos sociais e de forma a con- tribuir para organizar o trabalho das equipes dos CRAS. Os municípios e DF devem se atentar para as diferenças na regularidade de envio de informações para os CRAS, em se tratando de famílias benefici- árias de transferência de renda ou de beneficiários do BPC, bem como para os procedimentos a serem adotados, em cada caso, conforme previsto no Protocolo de Gestão Integrada, refle- tindo, portanto, diferentes estraté- gias a serem adotadas pelas equipes de referência do CRAS. Para auxiliar o cumprimento destas metas, sugere-se que o município organize, na gestão da Secretaria, a área de Vigilância Social, designando a esta a responsabilidade de gerir o fluxo de informações entre o órgão gestor e os CRAS. A área de Vigilân- cia Social deve assegurar aos CRAS o acesso às listagens territorializadas (nomes e endereços de beneficiá- rios BPC, do Bolsa Família, inclusive das famílias em descumprimento de condicionalidades, e do Plano Brasil sem Miséria,) necessárias para pla- nejar a priorização de atendimento, acompanhamento e de busca ativa. Deve, ainda, orientar acerca da ne- cessidade de ações de busca ativa e coletar informações junto aos CRAS e, quando for o caso, inseri-las nos sistemas de informação necessários (por exemplo, o Sistema de Condi- cionalidades - SICON), de forma a observar e analisar as ofertas e ações das unidades, vis-a-vis as necessida- des do território. 4. Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do Programa Bolsa Família (PBF) – (2009/2010) O acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de con- dicionalidades do PBF é uma impor- tante ação do PAIF, na medida em que a identificação dos motivos de des- cumprimento pode desvelar situações reveladoras do alto grau de vulnera- bilidade das famílias. As condiciona- lidades visam o reforço do direito de acesso às políticas de saúde, educação e assistência social, possibilitam pro- mover a melhoria das condições de vida da família beneficiária e reforçam a responsabilização do poder público na garantia de oferta desses serviços. O adequado monitoramento do des- cumprimento de condicionalidades torna-se fundamental para a localiza- ção das famílias, bem como para iden-
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    39 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 tificação de riscos e vulnerabilidades que dificultam o seu acesso aos servi- ços sociais a que têm direito. A atividade de acompanhar as famí- lias em descumprimento de condicio- nalidades, por meio do PAIF, não deve ser imposta, mas sim construída em conjunto com a família, com vistas à superação dos fatores que geraram o descumprimento de condicionali- dades. Algumas famílias requererão acompanhamento particularizado, outras acompanhamento em grupo, já outras demandarão atendimento (ver meta 1). O acompanhamento familiar vol- tado a esse público deve seguir as orientações gerais que tratam do acompanhamento familiar no âmbi- to do SUAS. O Protocolo de Gestão Integrada (Art 20, § único) afirma que o acompanhamento “às famílias do PBF e PETI que estão em “suspensão do benefício por dois meses” deverão ter caráter mais particularizado, ten- do seu acesso garantido por meio de busca ativa, de modo a assegurar o direito das crianças, adolescentes e jo- vens, bem como a segurança de renda da família. As demais famílias deverão ser acompanhadas por meio de ativi- dades de caráter mais coletivo.” Com o intuito de apoiar os municí- pios, DF e estados nesse processo, o Protocolo de Gestão Integrada pre- vê que o MDS deverá disponibilizar informações sobre as famílias em descumprimento de condicionalida- des (do Programa Bolsa Família e do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil/PETI), o que foi cumprido por meio do SICON e outros sistemas da RedeSUAS. De acordo com o protocolo, cabe ao Estado analisar e sistematizar infor- mações recebidas e outros dados dis- poníveis, e apoiar os municípios no desenvolvimento de estratégias para prevenção e enfrentamento de situa- ções de vulnerabilidade e risco social. Os municípios e DF devem, por sua vez, garantir que as informações ter- ritorializadas cheguem aos CRAS (ou CREAS), com a regularidade necessá- ria, de forma a enriquecer o conhe- cimento do território de abrangência do CRAS e possibilitar a localização destas famílias (por busca ativa ou visita domiciliar). Todo processo de acompanhamento familiar deverá ser registrado, pelo técnico, no Prontuário da Família. Sempre que se tratar de famílias em descumprimento de condicionali- dades em “suspensão do benefício por dois meses”, cujos motivos en- sejem acompanhamento pelo PAIF, e o técnico responsável pelo acom- panhamento considerar pertinente a interrupção temporária dos efeitos do descumprimento de condicionali- dades do PBF, deve-se assegurar que este registro (posicionamento favo- rável do técnico à interrupção) seja inserido no Módulo de Acompanha- mento Familiar do SICON. A inserção da informação no sistema pode ser realizada pelo gestor do PBF, (que se-
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 40 rão registradas em formulário, a mão e depois registradas no Sistema); ou diretamente pelo profissional que realiza o acompanhamento familiar, desde que tenha acesso ao sistema para inserção de dados18 . No caso dos CRAS que não acessam o SICON e que a inserção da informação será feita por outro profissional que não o técnico responsável pelo acompa- nhamento da família, é muito impor- tante que seja garantido o sigilo das informações prestadas pela família ao profissional do PAIF. Estas infor- mações estarão registradas, a mão, em formulário e deverão chegar, de forma sigilosa, até o profissional que as lançará no Sistema. O SICON permite que o município ou DF, no nível central, visualize to- das as famílias em descumprimen- to, para as quais houve interrupção temporária dos efeitos do descum- primento, que estão em acompa- nhamento. Desde que atendida ou acompanhada pelo PAIF ou PAEFI, essa ferramenta permite ainda que a família tenha sua segurança de ren- da afiançada, mesmo que esteja em descumprimento de condicionalida- des, contribuindo para a superação das dificuldades que a impedem de cumprir as condicionalidades. Explicando melhor, nos casos atinen- tes à Proteção Básica, a equipe de 18 A decisão sobre quem deve inserir informação no SICON deverá ser tomada pelo gestor municipal, que deverá garantir a estrutura necessária (equipamentos, recursos humanos) e a definição de fluxos e procedimentos. referência do CRAS, após receber as informações territorializadas, deve fazer um estudo social e verificar se o descumprimento de condicio- nalidades materializa a ocorrência de situações de vulnerabilidade e risco social, traçando estratégias de atendimento condizentes com as se- guranças afiançadas pela política de assistência social (Protocolo de Ges- tão Integrada Art 21, §1°), bem como de encaminhamento para outros setores, ou para Proteção Especial, sempre que necessário. Devem ser atendidas ou acompanhadas pela Proteção Social Básica as famílias cujo motivo de descumprimento de condicionalidades, de pelo menos um de seus membros, seja “gravidez na adolescência” e, “negligência dos pais ou responsáveis em relação à criança ou ao adolescente”. O Protocolo ainda enfatiza que nos casos de descumprimento de condi- cionalidades sem motivo informado pela educação, tão logo as causas do descumprimento sejam identifica- das, a equipe do CRAS deve informar ao órgão gestor da Assistência Social, para registro no SICON19 , para que tome as providências cabíveis, por nível de proteção social adequado (Protocolo de Gestão Integrada Art. 21, § 2°). Se o motivo do descumpri- 19 Na maior parte dos municípios, em que o Cadastro Único e a gestão do Bolsa Família estão sob responsabilidade da Secretaria de Assistência Social, o Secretário Municipal ou do DF (ou quem ele designar) definirá o responsável por fazer o registro no SICON, podendo ser o profissional responsável pelo PBF no município ou os próprios técnicos (ou outro profissional) do CRAS.
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    41 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 mento se referir a outras políticas se- toriais, a equipe do CRAS, na pessoa do coordenador, deverá comunicar o órgão gestor da área específica (Art. 24, § único). Concluindo, o(s) profissional(is) res- ponsá-vel(is) pelo acompanhamento das famílias em descumprimento de condicionalidades, deverão registrar no SICON (ou encaminhar informa- ção para registro) todas as famílias para as quais se fez opção pela in- terrupção temporária dos efeitos do descumprimento de condicionalida- des sobre o benefício (Art. 11, IX). A interrupção visa conceder o tempo necessário para que as situações de vulnerabilidade e risco sociais, que impedem ou dificultam o acesso das famílias aos direitos de educação, saúde e assistência social, previstos pela Constituição Federal, sejam su- peradas, num esforço conjunto entre poder público e família. Este esforço, no campo da assis- tência social, se traduz na inserção dessa família em processo de acom- panhamento e ou atendimento e re- gistro no SICON, pelo menos a cada seis meses, até que a família volte a cumprir as condicionalidades, quan- do deverá ser analisada a pertinên- cia do seu desligamento do acompa- nhamento do PAIF. Ressalta-se mais uma vez que o re- gistro do acompanhamento familiar no SICON não substitui o registro do acompanhamento familiar, de forma detalhada, em prontuário, que deve ser mantido no CRAS, para todas as famílias acompanhadas; nem a cons- trução do Plano de Acompanhamen- to Familiar (ver meta 1). A Interrupção Temporária dos Efeitos do Descum- primento de Condicionalidades, que motiva o preenchimento do SICON, constitui-se numa medida que os técnicos devem lançar mão sempre que a considerarem importante, no processo de acompanhamento, para a garantia dos direitos das famílias. Caso os técnicos do CRAS não aces- sem o SICON, será necessário que encaminhem com regularidade a ser definida pela Secretaria Muni- cipal ou do DF, informações que, após encaminhadas ao órgão cen- tral, deverão ser registradas no SI- CON, por profissional designado para esta função, com cuidado para não perder prazos importantes, que possam representar prejuí- zos para as famílias beneficiárias de transferência de renda do PBF. O acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF somente compõe o rol de atividades do PAIF se há uma intencionalidade por par- te da equipe de referência do CRAS em atender tal público com prece- dência – por meio de busca ativa e planejamento das ações a serem empregadas no acompanhamento, de acordo com a situação vivenciada pela família, bem como pelo tipo de efeito já aplicado, conforme previs- to no Protocolo de Gestão Integrada. Para tanto, os CRAS (e CREAS) de- pendem da disponibilização siste- mática de informações, por parte do
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 42 município ou DF, territorializadas, sobre as famílias em descumpri- mento de condicionalidades, moti- vos, e se em advertência, bloqueio, 1ª suspensão ou 2ª suspensão. A senha de acesso ao SICON deve ser fornecida pelo gestor municipal do PBF, tanto para técnicos da Secre- taria de Assistência Social, quanto para o coordenador e técnicos do CRAS, se for o caso. A definição de quem deve ter acesso é do Secretá- rio Municipal de Assistência Social, ou quem ele designar. Adisponibilizaçãodeinformaçõesaos CRAS (e CREAS), pela Secretaria, bem como análise do retorno de informa- ções das unidades de proteção básica (e especial), coloca o desafio, para os gestores, de incrementar a vigilância social do município ou DF, de forma a possibilitar a identificação das famí- lias que deverão ser acompanhadas (ou atendidas) pela proteção básica; o conhecimento das necessidades de serviços nos territórios dos CRAS e da ocorrência de vulnerabilidades e riscos em âmbito municipal ou Dis- trital. Faz-se ainda necessário esta- belecer diretrizes que fortaleçam a articulação em rede no(s) território(s) e garantir a capacitação das equipes para que incluam as famílias que ne- cessitam, nos serviços do SUAS, con- tribuindo para a consolidação de uma rede de proteção social. No caso da variável relativa ao acom- panhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicio- nalidades do PBF foi investigada a possível interferência do “uso de lis- tagens de beneficiários do Programa Bolsa Família”; “acesso ao SICON”; “acesso a computador com internet no CRAS”; “existência de coordena- dor”; e quantitativo de Recursos Hu- manos, por meio da variável “número de profissionais de nível superior”. Conforme se observa na Tabela 04 a seguir, dos 1.541 CRAS que não rea- lizam o acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF, 1.167 (cerca de 76%) possuem o quantitativo de técnicos de nível superior previsto para o período anual 2010/2011. No caso dos 374 CRAS que não dispõem do quantitativo de técnicos exigido, faz-se necessário adequar o quanto antes, de forma a garantir condições básicas para o cumprimento dessa meta. Por outro lado, constata-se que 65,8% dos CRAS que não cumprem esta meta não possuem coordenador. Essa situação é preocupante, haja vista a relevância do coordenador do CRAS no processo de gestão articu- lada entre transferência de renda e serviços. Na orientação inicial sobre esta meta fica clara a importância do papel de gestão, tanto das Se- cretarias quanto dos CRAS, para seu cumprimento. Neste sentido, nos ca- sos em que não há coordenador de- signado, é importante que o gestor municipal (ou do DF) seja orientado a designar um coordenador; definir fluxos para que a gestão articulada entre serviços e transferência de renda funcione; e que o coordenador
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    43 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 seja capacitado, o que pode (e deve) ser feito com apoio técnico da equi- pe do estado. Nos dois casos aqui analisados (CRAS sem quantitativo de técnicos de ní- vel superior exigido e sem coorde- nador designado), faz-se necessário elaborar Plano de Providências para que medidas mais definitivas sejam adotadas, de constituição da equipe de referência do CRAS, inclusive com designação de coordenador, caso a meta ainda não tenha sido cumprida. No entanto, o cumprimento desta meta depende de outras variáveis, além da equipe técnica e de sua ca- pacitação, relacionadas à implanta- ção do Protocolo de Gestão. Neste sentido, é interessante constatar que, embora 72% dos CRAS que não cum- prem essa meta possuam computa- dor com acesso a internet no CRAS, 81,7% não possuem ou não utilizam as listagens das famílias em descum- primento e 77,7% não possuem aces- so ao SICON. Primeiramente, há que se chamar atenção para a qualidade da rede que dá acesso à internet que, em muitos casos, é precária. Além dis- so, os dados evidenciam que o fato de um CRAS ter computador e acesso a internet não significa que ele tenha acesso online aos aplicativos, visto que cerca de 78% dos CRAS não têm acesso ao SICON. Tabela 04 – CRAS que não realizam acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF Situação Número de CRAS Percentual Não realiza acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidade do PBF e 1.541 100% Realiza acompanhamento de famílias em descumprimento de condicionalidades 830 53,9 Não realiza acompanhamento de famílias em descumprimento de condicionalidades 711 46,1 Utiliza listagens 282 18,3 Não possui ou não utiliza listagens 1.259 81,7 Tem acesso ao SICON para consulta/pesquisa 343 22,3 Não tem acesso ao SICON 1.198 77,7 Possui computador com acesso à internet 1.110 72,0 Não possui computador com acesso à internet 431 28,0 Possui coordenador 527 34,2 Não possui coordenador 1.014 65,8 Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 1.167 75,7 Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 374 24,3 Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 44 Outro dado que chama atenção é que cerca de 82% dos CRAS não re- cebem, ou não utilizam as listagens das famílias em descumprimento. Nos casos em que as condições para a implantação do Protocolo não es- tejam dadas, será necessário orientar o gestor municipal (ou do DF) para que institua procedimentos que ga- rantam que a informação territoriali- zada (no caso de municípios que têm mais de um CRAS), sobre famílias em descumprimento, cheguem às mãos do coordenador do CRAS, com regu- laridade; e que este seja orientado a coordenar o processo de busca ativa das famílias mais vulneráveis; fazen- do com que a equipe técnica dê os retornos necessários sobre famílias em acompanhamento para a equipe responsável pelo preenchimento do SICON. Esse processo terá de ser or- ganizado para que a gestão articula- da entre serviços e transferência de renda se efetive em todos os muni- cípios brasileiros. Trata-se, portanto, de instituir os elementos fundamen- tais para que o Protocolo de Gestão Integrada20 seja implantado. O estado precisa orientar o gestor sobre necessidade de organizar a gestão de serviços e transferência de renda e deve assessorar o município, caso seja do seu interesse, a organi- zar os processos, com instituição de fluxos de informação e procedimen- tos entre a Secretaria de Assistência Social e os CRAS; bem como de leitu- 20 Conforme previsto nos artigos 7º e 21 do referido Protocolo. ra e planejamento de ações do PAIF, a partir das informações recebidas, pelo coordenador do CRAS. Uma vez mais, cabe destacar a importância de estruturação de uma área de Vi- gilância Social no âmbito da gestão municipal e do DF, de forma a criar competências para organizar os processos de produção e gestão da informação, com vistas ao planeja- mento das ações junto às famílias do território. Para que o Estado possa contribuir efetivamente neste processo, é fun- damental que conheça e domine o Protocolo de Gestão Integrada; se coloque ao lado do município para superação das dificuldades, assu- mindo as tarefas de apoio técnico e financeiro, quando couber. 5. Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios eventuais (2010/2011) O acompanhamento prioritário das famílias com beneficiários do BPC e de benefícios eventuais é uma im- portante ação do PAIF, pois amplia as formas de proteção social do SUAS a estas famílias, a partir do pressuposto de que o acesso a benefícios contribui para a superação de situações de vul- nerabilidade, mas a efetiva superação destas requer também a inserção dos beneficiários nos serviços socioas- sistenciais e, ou em outras políticas
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    45 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 setoriais, de modo a proporcionar o fortalecimento dos laços familiares e comunitários, bem como o acesso das famílias a outros direitos. O acompanhamento das famílias com beneficiários do BPC pressupõe reco- nhecê-los como segmentos popula- cionais com graus de risco e vulnera- bilidade social variados, considerando as características do ciclo de vida do idoso, da deficiência e do grau de in- capacidade da pessoa com deficiên- cia, bem como as características das famílias e da região onde vivem. No caso das famílias com pessoas com deficiência beneficiárias do BPC, o acompanhamento familiar do PAIF constitui, em muitos casos, a possibi- lidade de se trabalhar e superar bar- reiras e preconceitos (com a família e comunidades); e de assegurar a inclu- são social e inserção das pessoas em situação de isolamento nos serviços do SUAS e de outras políticas públi- cas. Nestes casos, a busca ativa (ver meta 8) e a visita domiciliar (ver meta 3) constituem o primeiro contato qualificado com essas famílias, o que, após elaboração do estudo social, decorre uma avaliação, junto com a família, sobre sua inserção em acom- panhamento (coletivo ou particulari- zado) ou nos atendimentos do PAIF. O PAIF se apresenta, assim, inicial- mente, como o principal serviço a ser ofertado a essas famílias, em muitos casos por meio do acompanhamen- to familiar no âmbito do SUAS, que deve seguir as orientações gerais, constantes do Protocolo de Gestão Integrada e da Meta 1. Particular atenção deve ser dada às famílias das crianças e adolescen- tes beneficiários do BPC que estão fora da escola. A fim de promover o acesso à escola, ao convívio familiar e comunitário e aos demais direitos desse segmento populacional, foi criado o Programa BPC na Escola21 com o objetivo de promover a eleva- ção da qualidade de vida e dignida- de de crianças e adolescentes com deficiência e beneficiários do BPC. O programa é voltado prioritariamente para os beneficiários de 0 a 18 anos, garantindo-lhes o acesso e a perma- nência na escola, bem como acesso a outros direitos, o que, em muitos ca- sos, depende do trabalho inicial do PAIF com as famílias ou da ação do coordenador do CRAS, na integração com serviços de outros setores. O Programa BPC na Escola, envol- ve as políticas de assistência social, educação, saúde e direitos huma- nos, de modo a criar condições para o desenvolvimento da autonomia, participação social e emancipação da pessoa com deficiência. Uma de suas principais ações é a identifica- ção de barreiras que impedem ou di- ficultam o acesso à educação regular 21 O Programa, criado pela Portaria Interministerial nº18, de 24 de abril de 2007,é uma ação intersetorial envolvendo as áreas de assistência social, educação, saúde e direitos humanos, com gestão compartilhada entre a união, e os municípios, estados e Distrito Federal que fizeram adesão.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 46 e que impactam no acesso a outros serviços. O questionário de identifica- ção de barreiras para o acesso e per- manência na escola é um instrumento de gestão importante, que deve ser disponibilizado às equipes dos CRAS (ou CREAS) de municípios e DF que fi- zeram adesão ao Programa22 . Nem toda família com criança e ado- lescente beneficiário do BPC será acompanhada pelo PAIF, visto que algumas poderão ser atendidas. Ou- tras serão acompanhadas ou atendi- das pelo PAEFI. A definição de quais serão encaminhadas para a proteção básica ou especial se dá com base na identificação das barreiras, que constam do Questionário BPC na Es- cola, e depende da estruturação da Vigilância Social, nas Secretarias dos municípios, DF e Estados. Dentre as barreiras identificadas, de- vem ser foco de ação de acompanha- mento ou atendimento pelo PAIF: -- Ausência de iniciativa da família para estimular o convívio sociofamiliar -- Ausência de iniciativa da família para estimular o acesso à escola -- Ausência de iniciativa da família para estimular a permanência na escola -- Dificuldade dos beneficiários em acessar a rede de serviços -- Dificuldade da família em acessar a rede de serviços 22 Os municípios que não realizaram a referida adesão, poderão fazê-lo a partir da disponibilização do Sistema BPC na Escola, pelo MDS. -- Ausência de acompanhante para le- var o beneficiário até a escola -- Ausência de cuidadores familiares O acompanhamento (ou atendimen- to) a essas famílias depende de uma acolhida adequada, do desenho de um Plano de Acompanhamento da Família; mas também de uma atitude determinada da Secretaria Municipal ou do DF, visto que a acessibilidade é garantida por meio de capacitação dos técnicos e coordenadores; ade- quação das estruturas físicas; dispo- nibilização de materiais e criação de condições objetivas para desloca- mento dos beneficiários, bem como da acessibilidade aos serviços dos demais setores. Também é preciso adotar estratégias com vistas ao acompanhamento de famílias com idosos beneficiários do BPC, em especial as que se en- contram em situação de maior vul- nerabilidade social, e prever apoio à família no acesso aos direitos desses membros (serviços socioassisten- ciais e de saúde, cultura e lazer e educação), de forma a garantir seus direitos, promover o desenvolvimen- to de suas capacidades e contribuir para a prevenção de violências e ou- tras formas de violação de direitos. Nos casos em que houver isolamen- to social do beneficiário, o CRAS deve encaminhar a família para o Serviço de Proteção Básica no Domi- cílio, previsto na Tipificação Nacio- nal de Serviços Socioassistenciais.
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    47 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Nos casos em que houver violação de direitos, as famílias devem ser referenciadas, pelo CRAS, ao CREAS, e serem acompanhadas pelo PAEFI. A relação de beneficiários do BPC, disponibilizada pela Secretaria Na- cional de Assistência Social – SNAS, no sítio do MDS, constitui um instru- mento de planejamento estratégico do Distrito Federal e dos Municípios para a oferta de serviços socioas- sistenciais, visando o acompanha- mento dos beneficiários do BPC e de suas famílias. Para auxiliar nesse processo, o SUASWEB disponibiliza o acesso, por parte dos gestores, ao cadastro dos beneficiários do BPC por município/DF de três formas: por espécie (pessoa com deficiência ou idoso), por concessão e por faixa etária. (link:http://aplicacoes.mds. gov.br/suasnob/pesquisarBpcFaixa. action). A Secretaria de Assistência Social (ou congênere), por meio de sua equipe de Vigilância Social ou de gestão do SUAS, deverá acessar e organizar es- sas informações de forma territoria- lizada e enviar para cada CRAS (ou CREAS) a listagem dos beneficiários do BPC de sua área de abrangência (a partir do CEP dos bairros que com- põem os territórios), conforme artigo 26 do Protocolo de Gestão Integrada e, sempre que possível, por barreira identificada. Com esses dados em mãos, a equipe de referência do CRAS deve organi- zar um processo de busca ativa des- se público, de modo a conhecer suas vulnerabilidades e planejar ações para seu atendimento/acompanha- mento. A busca ativa nem sempre se traduz em visita domiciliar23 . Diver- sas estratégias devem ser utilizadas para se atingir o objetivo de alcançar estas famílias, como por exemplo, di- vulgação dos serviços ofertados nos CRAS utilizando variadas mídias; en- vio de correspondências às famílias, convidando-as para uma primeira acolhida no CRAS; divulgação de lis- tas em locais estratégicos, ou ainda contando com apoio de outras uni- dades e políticas públicas. Ressalta-se que para muitos pro- fissionais dos CRAS o atendimento/ acompanhamento dos beneficiários com deficiência do BPC é novo e de- safiador. Portanto antes do início da busca ativa será necessário que a equipe seja organizada e preparada para desenvolver este trabalho, rea- lizando estudos, leituras, discussões, oficinas sobre o tema da deficiência, considerando sua transversalidade em todas as ações e serviços no âm- bito do CRAS. Há necessidade de se conhecer e avaliar a especificidade de questões que envolvem o aten- dimento à diversidade de demandas das pessoas com deficiência, desta- cando o trabalho em rede e articula- ção com as demais políticas setoriais para garantir a segurança de renda, o convívio familiar e comunitário, e com vistas a agregar condições e va- 23 Para mais informações sobre busca ativa, ver Meta 8.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 48 lores necessários à autonomia des- ses indivíduos, conforme preconiza a PNAS e a NOB/SUAS. O gestor municipal ou do DF deve- rá ainda envidar esforços para in- serir todos os beneficiários do BPC no Cadastro Único (CadÚnico), con- forme previsto na Portaria MDS nº 706/2010. Estratégias mais amplas que garantam o cadastramento po- dem ser organizadas, pelas Secreta- rias Municipais e do DF, por meio do cruzamento de informações (o que pode contar com apoio do Estado), que devem chegar ao CRAS, de for- ma a assegurar que sempre que a equipe do PAIF atender ou acompa- nhar uma família com beneficiário do BPC que não esteja no Cadastro, seja com ela marcada agenda para cadas- tramento. Este registro possibilitará um conhecimento mais aprofundado do beneficiário e de seus familiares; a realização de diagnóstico das si- tuações de risco e vulnerabilidade social; a inclusão na rede de serviços socioassistenciais e de outras políti- cas sociais; além de servir como base de dados para o processo de revisão bienal do benefício. Assim, o CRAS, sempre que fizer acolhimento de um beneficiário do BPC, encaminhar uma pessoa com perfil de acesso ao BPC (ver meta 6), inserir uma famí- lia com beneficiário no acompanha- mento do PAIF ou fizer atendimento desta família, deve verificar a neces- sidade de encaminhá-la para inclu- são no CadÚnico. Há, portanto, um trabalho impor- tante por parte da Secretaria de As- sistência, de verificar quais benefi- ciários já estão ou não inseridos no CadÚnico. Sempre que listagens de beneficiários do BPC (por barreiras identificadas) forem encaminhadas para CRAS ou CREAS, a informação sobre inserção no CadÚnico deve ser fornecida. Desta forma, as equipes responsáveis pelo acom- panhamento familiar podem reali- zar o encaminhamento, a partir do primeiro contato estabelecido com a família. A Secretaria, por meio do serviço de Vigilância Social poderá definir um cronograma para garan- tir que todos os beneficiários do BPC sejam inseridos no CadÚnico, e devem monitorar e avaliar o pro- cesso. A própria Secretaria pode es- tabelecer processos de busca ativa desses beneficiários, de forma a as- segurar o cumprimento da referida Portaria. Os CRAS e CREAS deverão ser envolvidos no processo, por meio de seus coordenadores. No que se refere aos benefícios eventuais24 , salienta-se que inte- 24 Conforme Decreto nº 6307de 14 de dezembro de /2007, cabe aos municípios e DF, segundo estabelecido na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), em seus art. 14 e 15, destinar recursos financeiros para o custeio do pagamento dos auxílios natalidade e funeral, mediante critérios estabelecidos pelos Conselhos de Assistência Social, do DF e dos Municípios. Os estados também têm a responsabilidade na efetivação desse direito ao destinar recursos financeiros aos municípios, a título de participação no custeio do pagamento dos auxílios natalidade e funeral, mediante critérios estabelecidos pelos Conselhos Estaduais de Assistência Social, de acordo com o disposto no art. 13.
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    49 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 gram organicamente as garantias do SUAS, com fundamentação nos princípios de cidadania e dos di- reitos sociais e humanos. Para que os benefícios eventuais sejam efe- tivados como direito social devem ser prestados e integrados à rede de serviços socioassistenciais com agilidade e presteza, primando-se pela qualidade independentemente da situação financeira do usuário. Nessa direção a Secretaria de As- sistência Social do município ou DF deverá encaminhar, periodicamente aos CRAS, listagens de beneficiários dos benefícios eventuais, de modo que as equipes dos CRAS possam desenvolver ações que possibilitem a essas famílias acesso à rede de proteção social do território, sem- pre que couber. No caso de municípios e DF que fize- ram opção pela oferta de benefícios eventuais no CRAS, a concessão de- verá se orientar pelas diretrizes ema- nadas da Secretaria Municipal (ou do DF), que deve ter critérios de acesso transparentes e que possam ser ex- plicitados para qualquer usuário do CRAS. Neste caso, há que se prever, para essa finalidade, profissional(ais) para além da equipe técnica de re- ferência do CRAS e espaço físico es- pecífico, de forma a não prejudicar a oferta do PAIF no CRAS. Neste sentido, os benefícios even- tuais podem configurar-se como elementos potencializadores da proteção ofertada pelos serviços de natureza básica ou especial, contri- buindo, desta forma, com o forta- lecimento das potencialidades de indivíduos e familiares, dos vínculos familiares e da convivência e partici- pação comunitária. Operacionalizar, no âmbito da Prote- ção Básica, o acompanhamento prio- ritário às famílias com beneficiários do BPC (conforme barreiras identifi- cadas) e as que recebem benefícios eventuais pressupõe a gestão arti- culada entre serviços e benefícios, o que é uma atribuição da Secretaria Municipal (ou do DF) de Assistência Social, conforme normatizado no Protocolo de Gestão Integrada – que estabelece responsabilidades e pro- cedimentos, padrão de organização e repasse de informação sobre as fa- mílias referenciadas aos CRAS e CRE- AS (art. 14) e já descrito na Meta 4. O acompanhamento prioritário das famílias com beneficiários do BPC e que recebem (ou receberam) bene- fícios eventuais somente compõe o rol de atividades do PAIF se há uma intencionalidade por parte da equipe de referência do CRAS em atender tal público com precedência – por meio de busca ativa e planejamento das ações de acompanhamento, de acor- do com a situação vivenciada pela fa- mília. Também é condição para esta ação, que a Secretaria Municipal (ou do DF) tenha organizado os fluxos, procedimentos e definido responsa- bilidades sobre a disponibilização de informações para os CRAS e recep- ção de informações sobre acompa- nhamento e encaminhamentos rea- lizados, de forma regular; bem como
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 50 definido as ofertas acessíveis, espe- cialmente às pessoas com deficiência e idosas. Sem isso, a equipe do CRAS não tem como fazer os encaminha- mentos para a rede socioassistencial ou de outros setores. Com relação ao não alcance desta variável investigou-se a possível in- terferência do número de profissio- nais de nível superior; a existência de coordenador; e o uso de listagens de beneficiários. Os dados são apresen- tados na Tabela 05. Observa-se que 3.772 CRAS não re- alizam acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários BPC e de benefícios eventuais. Como esta meta deverá ser cumprida até o últi- mo dia do preenchimento do Censo SUAS/CRAS 2011, os municípios e DF que ainda não cumprem deverão se organizar para garantir o acompa- nhamento dessas famílias no âmbito da proteção básica, promovendo a inclusão de membros em situação de maior vulnerabilidade, em serviços do SUAS, prevenindo seu isolamento e encaminhando para outros setores, sempre que necessário. Do total de CRAS que não cumprem esta meta, 43,6% informaram não possuir a lis- ta dos beneficiários do BPC de seu território e 61,2% informaram não possuir coordenador, duas variáveis fundamentais para seu cumprimento. No caso dos CRAS que não cumprem a meta por não disporem da lista ter- ritorializada, com informações sobre os beneficiários do BPC e de benefí- cios eventuais, cabe uma orientação ao gestor municipal ou do DF, por par- te da equipe do Estado, e apoio técni- co para que a Secretaria organize as informações disponíveis e defina flu- xos, responsabilidades e procedimen- tos que garantam seu cumprimento; bem como definição de como será a ação de acompanhamento deste pú- blico (desde a acolhida até inserção no acompanhamento); a coordenação deste processo no CRAS e na Secreta- Tabela 05 – CRAS que não realizam acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários BPC e benefícios eventuais Situação Número de CRAS Percentual Não realiza acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários BPC e benefícios eventuais e 3.772 100% Não possui ou não utiliza listagens 1.645 43,6% Possui coordenador 1.465 38,8% Não possui coordenador 2.307 61,2% Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 3.004 79,6% Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 768 20,4% Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    51 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 ria; a elaboração do Plano de Acom- panhamento das Famílias; registro no Prontuário da Família; definição dos serviços que complementam o traba- lho com famílias e inserem membros mais vulneráveis; definição de fluxos de encaminhamento; capacitação dos profissionais para garantir a acessibi- lidade; aquisição de materiais e de equipamentos; e adequações de es- paço físico, necessários para a inclu- são destes usuários. Em última ins- tância, trata-se de criar as condições para a efetiva implantação do Proto- colo de Gestão Integrada entre servi- ços e benefícios, no âmbito do SUAS. Neste sentido, o estado deve orien- tar o gestor quanto ao papel primor- dial da gestão municipal (e do DF) na garantia do acesso dos beneficiários do BPC e suas famílias ao PAIF, con- siderando seus perfis e a situação de vulnerabilidade e risco social em que se encontram. Deve ainda ser ressal- tada a importância do planejamento das medidas necessárias para garan- tir o acesso, estabelecendo fluxos, procedimentos e responsabilidades entre a Secretaria de Assistência So- cial e os CRAS, como forma de garan- tir que cheguem, às unidades, infor- mações territorializadas, permitindo o planejamento de ações do PAIF. No caso dos CRAS que não cumprem esta meta e para os quais ainda não foi designado um coordenador, será necessário orientar os gestores mu- nicipais (e do DF), para a necessida- de de se cumprir, o mais rápido pos- sível, esta meta. Sem coordenador com perfil e qualificado para essa ação, dificilmente se garante seu cumprimento. Finalmente, ressaltamos que 20,4% dosCRASquenãocumpremestameta não dispõem do quantitativo exigido de técnicos de nível superior. Os mu- nicípios e DF que se encontram nesta situação, precisam fazer adequação o quanto antes (e prever em Plano de Providências, caso não tenham ainda solucionado a questão do RH exigido para o período 2009/2010), de forma a garantir que o acompanhamento a essas famílias se efetive. Os municí- pios e DF deverão se organizar para garantir, no caso destes últimos CRAS, que a equipe seja composta, de for- ma a garantir que esta atividade seja realizada até o último dia do preen- chimento do Censo SUAS/CRAS 2011. Os Estados e MDS deverão dar o apoio necessário para que seja cumprido no prazo pactuado nacionalmente. Sugere-se ainda que o gestor pro- mova articulação com os conselhos de políticas, conselhos de direitos e Ministério Público para que o contro- le e a defesa dos direitos dos bene- ficiários do BPC e de seus familiares sejam assegurados. As duas metas (números 6 e 7), apresentadas a seguir, referem-se à atribuição da equipe de referência dos CRAS de realizar encaminha- mento ou orientação das famílias para acesso a benefícios e trans- ferência de renda, sempre que es- tiverem nos critérios. A gestão ar-
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 52 ticulada entre serviços, benefícios e transferência de renda compre- ende, conforme normatiza o Proto- colo de Gestão Integrada, além do acompanhamento prioritário das famílias beneficiárias (e dos bene- ficiários, no caso dos benefícios e BPC), a identificação e encaminha- mento para acesso à renda, daque- les que têm direito. Essa é uma atribuição dos técnicos do PAIF, no desenvolvimento do trabalho so- cial com as famílias referenciadas ao CRAS, mas também do coorde- nador, que é responsável por asse- gurar a implantação do Protocolo de Gestão Integrada, no território de abrangência do CRAS. Como se poderá observar, o cumprimento destas duas metas depende, so- bretudo, da organização e coorde- nação da gestão articulada, o que é de responsabilidade do gestor municipal ou do DF. 6. Orientação/ acompanhamento para inserção no BPC (2009/2010) Consiste no processo de orientação ao usuário (e sua família), visando o direcionamento para as agências do Instituto Nacional do Seguro So- cial (INSS) e acompanhamento das famílias que possuem algum de seus membros que atendem o per- fil de inserção no BPC, com priori- dade para as famílias do Plano Brasil sem Miséria, com o objetivo de promover o acesso aos direitos e a conquista da cidadania destes membros e suas famílias. A participação do Distrito Federal e dos Municípios no processo de habi- litação ao BPC consiste na oferta de informações e orientações quanto aos seus critérios, objetivos e dinâ- mica, na disposição de serviços que facilitem o acesso a documentos e formulários necessários ao seu re- querimento e na garantia do acesso aos trâmites institucionais do seu requerimento junto ao Instituto Na- cional do Seguro Social (INSS). Para tal, faz-se necessária uma boa articu- lação com o INSS, para obtenção de maior qualidade na operacionaliza- ção do BPC, oferecendo segurança e conforto para os requerentes. A efetividade desse processo depen- de de um investimento do gestor de assistência social (ou congênere) no estabelecimento de fluxos de en- caminhamentos e informações no âmbito do SUAS com as agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que deve ser assegurado no nível central, com participação da Vigilância Social. Faz-se necessário definir o fluxo de encaminhamento para INSS, bem como de retorno da informação do INSS para Secretaria; e da freqüência com que a Secretaria irá informar o CRAS sobre acesso do referido usuário ao benefício. O co- ordenador do CRAS será responsável por fazer cumprir o fluxo, no âmbito do território, assegurando que os técnicos estejam bem informados e que contribuam para o seu aprimo-
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    53 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 ramento. O retorno da informação sobre inserção no benefício, para a equipe do CRAS, responsável pelo acompanhamento (ou atendimento) da família, é de fundamental impor- tância. Nem toda família encaminha- da para acesso ao benefício será acompanhada. Deverão ser acom- panhadas, com prioridade, as que apresentem situações indicadas na Meta 5. Para mais informações so- bre acompanhamento, ver Meta 1. Somente é possível afirmar que há um processo de orientação/acompa- nhamento para inserção de famílias no BPC, se já houve o estabeleci- mento de fluxos entre a Secretaria de Assistência Social (ou congênere) e as agências do INSS; se o coorde- nador do CRAS conhece e alimenta esse fluxo; e, ainda, se o serviço de Vigilância Social garante que essa meta seja cumprida, avaliando a re- lação entre encaminhamentos feitos ao INSS e benefícios gerados, repas- sando tal informação ao CRAS. Dada a centralidade da gestão arti- culada benefícios e serviços, para cumprimento desta meta, buscou-se averiguar a possível interferência do número de profissionais de nível su- perior e existência de coordenador no CRAS, sobre o não cumprimento. Um total de 338 CRAS não cumpre esta meta, como se observa na Tabela 06. Com relação aos CRAS que não rea- lizam orientação/acompanhamento para inserção de famílias no BPC, mais uma vez é possível observar a relação entre a inexistência de co- ordenador e o não cumprimento da meta, afinal, dos 338 CRAS nesta si- tuação 67,2% não possuem coorde- nador, ator estratégico para a gestão do território, articulação e coordena- ção de processos para acesso a di- reitos, e interlocutor privilegiado do CRAS com a Secretaria Municipal (ou do DF). Neste sentido, os municípios ou DF que ainda não designaram co- ordenador de CRAS deverão fazê-lo o quanto antes, ou prever esta desig- nação em Plano de Providências. O quantitativo de técnicos parece não ter influência na realização da atividade uma vez que a maioria dos CRAS (74,6%) cumpre a exigência do período anual vigente. No entan- Tabela 06 – CRAS que não realizam orientação/companhamento para inserção de famílias no BPC Situação Número de CRAS Percentual Não realiza orientação/ acompanhamento para inserção de famílias no BPC e 338 100% Possui coordenador 111 32,8% Não possui coordenador 227 67,2% Possui quantitativo exigido de técnicos de nível superior 252 74,6% Não possui quantitativo exigido de técnicos de nível superior 86 25,4% Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 54 to, para os municípios cujos CRAS se encontrem entre os 25,4% que não cumprem esta meta e não dispõem do quantitativo de técnicos de ní- vel superior exigido, será necessário ajustar a dimensão recursos huma- nos, ou prever adequação em Plano de Providências, visto que o acúmulo de funções e, ou a não observância da carga horária exigida, de fun- cionamento dos CRAS, com equipe completa, pode ter impacto direto no não cumprimento desta meta. Nessa meta, o envolvimento da ges- tão local na organização do proces- so de trabalho é fundamental para o seu cumprimento, conforme se viu. O estado deve orientar o ges- tor quanto à necessidade de articu- lação com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), visando o esta- belecimento de fluxos de informa- ções e de encaminhamentos entre a Secretaria de Assistência Social e o INSS, para obter maior qualidade na operacionalização do BPC. Portanto é necessário que o estado oriente o gestor sobre a importância da capacitação dos profissionais dos CRAS quanto aos critérios para habi- litação do BPC; local de acesso a do- cumentos e formulários necessários ao requerimento e seus trâmites jun- to ao INSS, tornando-os aptos a pres- tar informações e orientações ade- quadas para inserção de famílias no benefício. Esse atendimento do PAIF constitui um importante processo na promoção do acesso aos direitos. Com o cumprimento desta e da pró- xima meta, juntamente com as me- tas 4 e 5, as Secretarias Municipais e do DF criam condições para a im- plantação do Protocolo de Gestão Integrada, articulando serviços de proteção básica, benefícios e trans- ferência de renda. 7. Encaminhamento para inserção de famílias no Cadastro Único de Programas Sociais - CadÚnico (2009/2010) Consiste no encaminhamento das famílias para inserção no CadÚnico, seja porque todas as famílias refe- renciadas ao CRAS devem ser cadas- tradas; porque houve identificação de famílias que não estão no Cadas- tro e que fazem jus à transferência de renda assegurada pelo Programa Bolsa Família (PBF); ou por outros programas (estaduais, do DF e,ou municipais); ou ainda porque são be- neficiárias do BPC e ainda não cons- tam do CadÚnico (ver meta 5). Com vistas a contribuir para o regis- tro do número de famílias atendi- das e organização das informações registradas, bem como para a arti- culação/integração entre serviços, benefícios e transferência de renda, de forma territorializada, recomen- da-se a inserção, no CadÚnico, de todas as famílias atendidas no PAIF, de forma a registrar o NIS (Número de Identificação Social) no prontu- ário da família, bem como facilitaro acesso a outras políticas sociais.
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    55 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Como em 97% dos municípios bra- sileiros o Cadastro Único é operado pela Secretaria de Assistência Social, o cumprimento desta meta depende de um investimento do gestor muni- cipal de assistência social (ou congê- nere) no estabelecimento de fluxos de encaminhamentos entre o CRAS e as unidades (ou locais) responsáveis pelo cadastramento, no município (ou DF). Também é preciso que se- jam previstos retorno das informa- ções ao CRAS, de forma organizada, sobre o acesso das famílias à renda, ou inclusão no CadÚnico (neste caso com indicação do NIS, para que seja registrado no prontuário da família), o que pode ser feito definindo-se quais informações devem retornar ao CRAS, com que periodicidade e quem será responsável por encami- nhar a informação, o que pode variar em cada município (ou DF), a depen- der de sua estrutura administrativa. Somente é possível afirmar que há um processo de encaminhamen- to para inserção no CadÚnico, se já houve o estabelecimento de fluxos entre o CRAS e instâncias responsá- veis pelo cadastramento e pela or- ganização estratégica de dados (que devem chegar aos CRAS e retornar ao nível central), sob coordenação da Secretaria Municipal ou do DF, e se o coordenador do CRAS avalia, com regularidade, esse processo, contribuindo para seu aprimora- mento, junto ao órgão central. Trata- se, portanto, da implantação, na sua totalidade, do Protocolo de Gestão Integrada entre serviços e transfe- rência de renda. Nos casos em que o Cadastro Único é operado no CRAS, ou mesmo quando as atualizações cadastrais são feitas no CRAS, torna-se necessário dispor de espaço físico e de recursos hu- manos suficientes, específicos para essa finalidade. Os técnicos de nível superior da equipe de referência do CRAS não podem assumir essa atri- buição, sob pena de deixarem de re- alizar as atividades fundamentais do PAIF, conforme já explicitado. No entanto, é bastante interessante que os técnicos tenham acesso às informações do CadÚnico. Desta for- ma, eles, que são responsáveis pelo acompanhamento e atendimento do PAIF, podem sempre se certificar das famílias que precisam fazer atualiza- ção cadastral, devem ser cadastradas (quando ainda não o foram), ou enca- minhadas para acesso à renda. Além disso, várias informações disponíveis no cadastro servem como elemen- tos importantes para conhecimento da família por parte do técnico. Se o técnico não acessa informações do CadÚnico, há que se verificar a pos- sibilidade destas informações serem encaminhadas ao CRAS e anexadas aos prontuários, de forma a evitar duplicidade de informações a serem prestadas pelas famílias e racionalizar o tempo dedicado ao atendimento. No caso dos CRAS que não reali- zam encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico, propõe- -se analisar, com base nos dados da Tabela 07, a possível interfe- rência do quantitativo de Recursos Humanos(número de profissionais de
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 56 nível superior); da existência de coor- denador; do acesso ao sistema CadÚ- nico; e se o cadastramento dos bene- ficiários é realizado no próprio CRAS. Dentre os 295 CRAS que não reali- zam encaminhamento para inserção no CadÚnico, observa-se que mais da metade (60,3%) possui acesso ao sistema para inserção de dados ou consulta/pesquisa. Já dentre os 178 CRAS que não cumprem esta meta, mas acessam o CadÚnico, 125 (70,2%) procedem ao cadastramen- to das famílias na própria Unidade. Nestes casos, o não encaminhamen- to para inserção no CadÚnico não configura pendência, podendo o estado considerar esta meta como cumprida, desde que o(s) técnico(s) responsável(eis) pelo cadastramento não seja(m) integrante(s) da equipe responsável pelo desenvolvimento do PAIF.O acesso ao sistema, pelas equipes do CRAS, apenas para con- sulta ou pesquisa não garante, por si, o encaminhamento para inserção no CadÚnico. Ou seja, além de con- sultar e pesquisar, é necessário que a articulação entre serviços e trans- ferência de renda seja assegurada, por meio de definição de fluxos e responsabilidades, conforme se viu. Nos casos em que os CRAS não fa- zem encaminhamentos e não fazem o cadastramento das famílias no re- ferido sistema, cabe ao estado pro- ceder à orientação técnica e apoiar o município na organização dos flu- xos, responsabilidades e procedi- mentos, para o que torna-se impres- cindível a presença do coordenador do CRAS. Neste sentido, observa-se que 67,5% das unidades que não atingiram a meta não possuem um profissional designado para a fun- ção de coordenador. Providências deverão ser tomadas, de forma a ga- rantir que essa condição, essencial Tabela 07 – CRAS que não realizam encaminhamento para inserção de Famílias no CadÚnico Situação Número de CRAS Percentual Não realiza encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico e 295 100% Possui coordenador 96 32,5 Não possui coordenador 199 67,5 Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 236 80,0 Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 59 20,0 Possui acesso ao sistema (CadÚnico) para inserção de dados ou para consulta/pesquisa *178 60,3 Não possui acesso ao sistema (CadÚnico) 117 39,7 Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010 *Observação: Dentre os 178 CRAS que não realizam encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico e possuem acesso ao sistema para inserção de dados ou para consulta/pesquisa, 70,2% (125) CRAS realizam cadastramento ou atualização cadastral do CadÚnico.
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    57 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 ao cumprimento desta meta, seja assegurada. Embora apenas 20% dos CRAS que não cumprem esta meta não tenham o número exigido de profissionais de nível superior, nestes casos há que se orientar o gestor para a necessi- dade de compor a equipe, de forma a garantir que esta atividade seja in- corporada como rotina, nos CRAS, o que deve ser objeto de orientação por parte do estado e de busca de soluções urgentes, por parte destes municípios (ou DF), cabendo elabo- ração de Plano de Providências e de Plano de Apoio, para cumprimento da meta. As duas próximas metas (números 8 e 9) referem-se a atividades de gestão do CRAS e, portanto, são altamente dependentes da exis- tência do coordenador do CRAS, e também da definição clara de dire- trizes, responsabilidades, fluxos e procedimentos por parte da Secre- taria Municipal ou do DF, o que tem incidência direta sobre a gestão da proteção básica do SUAS. 8. Realizar busca ativa (2009/2010) A busca ativa constitui uma das ações de gestão territorial da prote- ção básica do CRAS. Tem por objeti- vo promover a atuação preventiva, disponibilizar serviços próximos do local de moradia das famílias, iden- tificar famílias no perfil e sem acesso a benefícios ou transferência de ren- da, identificar famílias não inseridas no CadÚnico, racionalizar as ofertas e traduzir o referenciamento dos serviços ao CRAS em ação concreta, tornando a principal unidade pública de proteção básica, uma referência para a população local. A busca ativa é uma atividade estra- tégica do SUAS. Deve, portanto, ser coordenada pela Secretaria Munici- pal (ou do DF) e ser tratada em reu- niões regulares com participação dos coordenadores de CRAS, conforme se verá adiante. No âmbito do Plano Bra- sil sem Miséria, a atividade de busca ativa será potencializada por meio de parcerias com outras políticas seto- riais e apoio da sociedade civil. Para tal, a Prefeitura Municipal ou Gover- no do DF deverá conferir ao gestor da política de assistência social a coordenação da busca ativa, definir fluxos intersetoriais e procedimentos de tratamento das informações, com- petências e responsabilidades dos atores envolvidos, bem como equipar o órgão gestor de Assistência Social (responsável pela coordenação) com recursos humanos e materiais para execução exitosa de tal tarefa. No nível local, refere-se à procura in- tencional, realizada pela equipe de referência do CRAS, das ocorrências que influenciam o modo de vida da população em determinado territó- rio. Tem como objetivo identificar as situações de vulnerabilidade e risco social, ampliar o conhecimento e a compreensão da realidade social, para além dos estudos e estatísticas. Contribui para o conhecimento da dinâmica do cotidiano das popula-
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 58 ções (a realidade vivida pela família, sua cultura e valores, as relações que estabelece no território e fora dele); os apoios e recursos existentes, seus vínculos sociais. No CRAS, tal atividade pode ser efe- tuada por meio do deslocamento da equipe no território; troca de infor- mações com os atores sociais locais; articulação com a rede socioassisten- cial (meta 9) e de outros setores; ou mesmo por meio de consulta às listas dos beneficiários de renda (famílias e indivíduos) ou de benefício eventual, bem como de programas sociais, den- tre eles famílias de crianças, adoles- centes, jovens e idosos atendidos nos serviços de proteção básica, sempre que identificada necessidade. O planejamento e organização das informações territorializadas, oriun- das da busca ativa, são de respon- sabilidade do coordenador do CRAS, bem como seu uso para definir ações estratégicas, urgentes, preventivas e de rotina da Unidade. Se por um lado o coordenador do CRAS é essencial à realização da busca ativa no terri- tório de abrangência, por outro ele é apenas parte do processo, cuja res- ponsabilidade maior é da Secretaria Municipal ou do DF, de Assistência Social (ou congênere). Nos municí- pios onde a Vigilância Social esteja estruturada, será a responsável pela análise das informações estratégicas e encaminhamento das mesmas para CRAS e CREAS, bem como para re- cepção dos retornos de informações essenciais à atividade da vigilância. Onde não está estruturada, reco- menda-se que seja criada nas áreas de planejamento ou gestão do SUAS. Portanto, a ação de busca ativa rea- lizada pela equipe de referência do CRAS, contribui, na sua esfera de atu- ação, para a Vigilância Social do mu- nicípio (ou DF). O gestor é responsá- vel por garantir que sejam definidos procedimentos e fluxos regulares de informações que serão encaminha- dos para a Secretaria e vice-versa. Reuniões regulares da equipe central com coordenadores dos CRAS visam organizar e aprimorar processos que devem ser implantados em todos os CRAS de um mesmo município. Por sua vez, o coordenador de cada CRAS tem responsabilidade, junto à sua equipe de técnicos, de garantir que a busca ativa seja uma atividade planejada e estratégica, avaliar sua execução e contribuir, junto ao nível central, para seu aprimoramento. A busca ativa, cuja responsabilida- de de coordenação no território de abrangência do CRAS, é do coorde- nador, é materializada pela ação dos técnicos de referência do CRAS, mais especificamente pelos técnicos de nível superior, responsáveis pelo PAIF. Identificadas as situações de vulnera- bilidade, risco e potencialidade social do território, são gerados registros de informação e dados que possibilitam a ação preventiva e a priorização do acesso dos mais vulneráveis aos ser- viços e benefícios de assistência so- cial, e que subsidiam a vigilância so- cial do município. Da mesma forma,
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    59 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 a Vigilância alimenta as equipes dos CRAS, estabelecendo relação com o departamento (setor ou coordena- ção) de proteção básica que, por sua vez, é responsável pela coordenação dos CRAS. A busca ativa é, portanto, componente fundamental ao desen- volvimento do PAIF. A realização de busca ativa somen- te é efetiva se ocorre de modo pla- nejado e regular, sob a responsabi- lidade do coordenador do CRAS. É ainda uma atividade importante da Vigilância Social do município, DF e Estados. Não deve ser considerada uma atividade se ocorre esporadi- camente ou como resposta a uma demanda pontual da Secretaria Municipal de Assistência Social ou congênere. Com relação ao não alcance da meta “realizar busca ativa”, o que foi identi- ficado em apenas 157 CRAS, buscou- se averiguar a possível interferência do quantitativo de Recursos Huma- nos, (número de profissionais de nível superior); da existência de coordena- dor; do uso de listagens de famílias inscritas no Cadastro Único de seu território de atuação; e da existência de veículo para locomoção da equipe, conforme dados da Tabela 08. Dentre as prováveis variáveis que contribuem para prejudicar a reali- zação de busca ativa, mais uma vez chama atenção a inexistência de coordenador responsável pela ges- tão do território, visto que 62,4% dos CRAS que não cumprem essa meta não designaram coordenador e 20,4% dos CRAS não possuem o quantitativo exigido de técnicos de nível superior. Adicionalmente, 40% dos CRAS que não cumprem esta meta não possuem a listagem de famílias cadastradas no CadÚnico, o que prejudica a realiza- ção da busca ativa como atividade es- tratégica nos territórios. Assim como para outras metas já apresentadas, o cumprimento desta depende de informações que sejam encaminha- das com regularidade para os CRAS, deve ser coordenada pela Secretaria Tabela 08 – CRAS que não realizam busca ativa Situação Número de CRAS Percentual Não realiza busca ativa e 157 100% Possui coordenador 59 37,6 Não possui coordenador 98 62,4 Possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 125 79,6 Não possui quantitativo de técnicos de nível superior exigido 32 20,4 Possui listagem de famílias inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do seu território de atuação 94 59,9 Não possui listagem de famílias inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do seu território de atuação 63 40,1 Possui veículo 129 82,2 Não possui veículo 28 17,8 Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 60 Municipal (ou do DF) e depende da organização de gestão, que envolva os coordenadores dos CRAS. Estes últimos, por sua vez, deverão analisar as informações recebidas e planejar, junto com a equipe técnica, as ações de busca ativa, bem como encami- nhar, para a Secretaria, aquelas que forem julgadas estratégicas. Para alcance desta meta é fundamen- tal que os estados orientem o gestor a indicar um técnico de nível supe- rior para exercer a função de coorde- nador do CRAS, a compor a equipe de técnicos de nível superior confor- me exigências e sobre a importância de implantar a Vigilância Social, que deve coordenar a busca ativa em todo o município (ou em suas regio- nais, no caso de metrópoles ou gran- des cidades). Nos casos em que não for possível, no curto prazo, cumprir esta meta, deve-se orientar o gestor e o Conselho de Assistência Social para a necessidade de elaboração de Plano de Providências. Outro ponto relevante no processo de orientação aos municípios, e que pode ter um impacto imediato para o alcance desta meta, diz respeito à concepção da atividade de bus- ca ativa. Embora não seja possível mensurar a interferência do grau de entendimento dos técnicos por meio dos dados do Censo CRAS, pode-se pressupor que alguns profissionais estejam compreendendo a busca ati- va de forma restrita, relacionando-a apenas a atividades externas,como visitas domiciliares, por exemplo. É fundamental esclarecer que exis- tem diversas formas de realizar esta atividade, inclusive por meio de di- vulgação dos serviços ofertados nos CRAS,devendo-se estimular a utiliza- ção de variadas mídias; envio de cor- respondências; divulgação de listas em locais estratégicos, cartazes, fol- ders, etc, ou ainda por meio do apoio de outras unidades, equipes e políti- cas públicas. Resta destacar que a grande maio- ria dos CRAS que não alcançam a meta de busca ativa possui veículo (82,2%), o que corresponde a 129 de um total de 157 CRAS, conforme se pode constatar pela tabela 09, não indicando ser este um problema para o cumprimento dessa meta. No entanto, é importante que o estado observe se o veículo é exclusivo ou compartilhado com a Secretaria ou outro equipamento público, e como ele está sendo utilizado. Dentre os 28 CRAS que não cumprem esta meta e não possuem veículo (17,8%), a maior parte (89,3%) está localizada em mu- nicípios de pequeno porte I, o que pa- rece ser mais uma questão relaciona- da à falta de compreensão do papel da busca ativa no SUAS. Amenos que o município seja essencialmente rural ou com grande espalhamento territo- rial, o cumprimento desta meta não depende de veículo, sendo possível o deslocamento da equipe a pé, ou por outros meios, mais adequados. Nessa direção, quando o território dos CRAS de municípios de pequeno por- te abranger comunidades rurais ou
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    61 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 comunidades de difícil acesso, e que a estratégia de busca ativa mais indi- cada seja a realização de visitas do- miciliares, é importante que o estado oriente os gestores municipais para a importância de organizar um cro- nograma de utilização de veículo(s) da Secretaria Municipal, adequado às demandas do território do CRAS e, nos casos em que for necessário, providenciar aquisição de veículo(s). É interessante também que o estado desenvolva linhas de financiamento para aquisição de veículo, nos casos em que este seja o maior empecilho. No caso dos municípios de maior por- te, o veículo parece essencial ao cum- primento desta meta. 9. Realizar atividade de gestão do território, articulando a rede de Proteção Social Básica (2010/2011) A gestão territorial da proteção básica responde ao princípio de descentra- lização do SUAS e tem por objetivo promover a atuação preventiva, dis- ponibilizar serviços próximo do local de moradia das famílias, racionalizar as ofertas e traduzir o referencia- mento dos serviços ao CRAS em ação concreta, tornando a principal unida- de pública de proteção básica uma referência para a população local. Essa atividade é fundamental para a constituição de uma rede de proteção básica do SUAS no território. A responsabilidade pela gestão da proteção social básica é da Secre- taria Municipal (ou do DF) de Assis- tência Social, ou congênere. Porém, conforme explicitado anteriormente, a gestão territorial, que deve estar em consonância com as diretrizes estabelecidas pelo órgão gestor, é responsabilidade do coordenador do CRAS, que deve contar com o auxílio dos demais componentes da equipe de referência. Dentre as ações de gestão territorial da proteção social básica, destacam-se: Tabela 09 - CRAS que não realiza busca ativa, segundo existência ou não de veículo, por porte de município (Porte 2007) Possui veículo Não possui veículo TOTAL N % N %   Pequeno I 52 40,3 25 89,3 77 Pequeno II 34 26,4 2 7,1 36 Médio 9 7,0 ---- ---- 9 Grande 28 21,7 ---- ---- 28 Metrópole 6 4,6 1 3,6 7 TOTAL 129 100,0 28 100,0 157 Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 62 1. Articulação da rede socioassisten- cial de proteção social básica referen- ciada ao CRAS (caso haja rede) e dos serviços nele ofertados (caso haja); 2. Promoção da articulação interse- torial (ver comentários finais), e 3. Busca ativa (já descrita no item 8). A articulação da rede de proteção social básica referenciada ao CRAS, prevista nesta meta, é uma atividade eminentemente de gestão e consis- te no estabelecimento de contatos, alianças, fluxos de informações e encaminhamentos entre o CRAS e as demais unidades de proteção social básica do território. Visa promover o acesso dos usuários do PAIF aos demais serviços socioassistenciais de proteção básica e ainda possi- bilita que a família de usuário(s) de serviço(s) da rede local tenha asse- gurado seu acompanhamento, pelo PAIF, caso se encontre em situação de maior vulnerabilidade ou risco social. Neste sentido, o papel do co- ordenador do CRAS é fundamental, como articulador da rede, para pro- vocar a compreensão de que as va- gas são públicas e destinam-se às fa- mílias que necessitam; mas também pelo seu importante papel de orga- nizar os fluxos, responsabilidades e procedimentos entre CRAS e outras unidades (públicas e privadas) de proteção básica do território, de for- ma a garantir que as famílias encami- nhadas sejam inseridas nos serviços. Para tanto, é importante que o CRAS disponha de informações sobre a ca- pacidade de atendimento de cada unidade do território, das vagas ocu- padas e ainda não ocupadas. A articulação da rede de proteção bá- sica é ainda condição para que todos os serviços de convivência ofertados pela proteção básica, no território de abrangência dos CRAS, sejam a ele referenciados. Estar referenciado significa, de acordo com o Caderno CRAS25 , que os serviços “devem re- ceber orientações emanadas do po- der público, alinhadas às normativas do SUAS e estabelecer compromissos e relações, participar da definição de fluxos e procedimentos que reconhe- çam a centralidade do trabalho com famílias no território e contribuir para a alimentação dos sistemas da Rede- SUAS (e outros)”. O referenciamento dos serviços de proteção básica ao CRAS visa, so- bretudo, tornar factível a articulação do PAIF com os demais serviços. Por esse motivo, as orientações técnicas da proteção básica sobre serviços afirmam que um técnico do CRAS deve ser referência para serviços prestados no território ou no próprio CRAS. Não se quer com isso dizer que o técnico deve se deslocar para prestar serviços de convivência, ou que deva ser res- ponsável pelo planejamento das ativi- dades do serviço, ou pela capacitação dos orientadores sociais26 , mas que ele deve manter reuniões regulares com os responsáveis pelos serviços ofertados no território, receber men- salmente a lista de frequência aos 25 Orientações Técnicas Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, p 22. 2009 26 O planejamento de atividades dos serviços e capacitação dos orientadores sociais é atribuição dos Estados, municípios e DF.
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    63 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 serviços e discutir as ausências mais frequentes, com o orientador social (responsável pelos diversos serviços de convivência e fortalecimento de vínculos), de forma a identificar fa- mílias que necessitem do apoio do estado e do acompanhamento pelo PAIF. Ou seja, visa-se assegurar o compartilhamento entre os técnicos (do PAIF e dos serviços), de informa- ções estratégicas para a proteção à família e garantia dos direitos dos seus membros. Amplia-se, assim, a capacidade protetiva das famílias, por meio da responsabilização do estado e do trabalho articulado entre instituições responsáveis pela oferta dos serviços de proteção básica. Trata-se, portanto, de atividade es- sencial à gestão do território, que dá sustentabilidade à premissa de que os serviços de proteção básica são complementares ao trabalho social com famílias, visto que a inserção de membros mais vulneráveis nos mesmos é garantida a todos que deles necessitam. Expressa ainda a centralidade do CRAS, e uma das funções primordiais, de gestão da principal unidade pública da prote- ção social básica, para a efetivação da proteção às famílias, prevista pelo PAIF, e para a organização do SUAS como Sistema. Somente é possível afirmar que se realiza atividades de gestão do ter- ritório, articulando a rede de PSB, se já houve a institucionalização dos fluxos de usuários e de informações entre o CRAS e a rede socioassis- tencial do território, pela Secretaria Municipal ou do DF; se há reuniões periódicas do coordenador do CRAS com coordenadores das demais uni- dades de proteção básica; inserção de pessoas que mais necessitam nos serviços de proteção básica, a par- tir do trabalho social com famílias; acompanhamento, pelos técnicos de nível superior, por meio de contatos com os orientadores sociais, da fre- qüência aos serviços, com identifi- cação de vulnerabilidades e riscos; bem como realização regular e pla- nejada de busca ativa. No caso dos 4.138 CRAS que afirma- ram ter serviços de proteção básica, mas não realizar atividades de gestão do território, articulando a rede de proteção social básica, investiga-se a possível a interferência da existência ou não de um técnico de nível supe- rior ocupando função de coordenador do CRAS, o quantitativo de recursos humanos de nível superior; e alguma articulação com unidades públicas e conveniadas de proteção social bási- ca, a partir dos dados apresentados na Tabela 10, a seguir. Primeiramente, cabe mostrar o tama- nho do desafio relacionado à gestão articulada dos serviços de proteção básica, nos território dos CRAS, vis- to que municípios (e DF), com apoio dos Estados e do MDS, têm até o úl- timo dia do preenchimento do Cen- so SUAS/CRAS 2011, para fazer com que 4.138 CRAS cumpram esta meta. Com relação ao total de CRAS que não realiza a articulação de servi-
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 64 ços de proteção básica no territó- rio, destaca-se que em 62,9% há ausência do coordenador. Como esta é uma atividade de gestão do CRAS, a existência do coordenador é condição para seu cumprimento. É importante ainda problematizar uma possível falta de entendimen- to conceitual sobre o que constitui esta atividade, uma vez que 97,7% dos CRAS que não a realizam afir- mam possuir alguma articulação com unidades públicas da rede de proteção social básica e outros 88% informaram ter alguma articu- lação com unidades conveniadas da rede de proteção social básica. No entanto, nestes territórios, pode ser que a articulação seja mais informal do que institucional. Com o intuito de aprofundar essa dis- cussão cabe aos Estados a orientação quanto à necessidade de organização da rede socioassistencial e o apoio para a capacitação dos profissionais, entre outros. Já as Secretarias Muni- cipais (e do DF) devem estabelecer fluxos institucionalizados, garantir em termo de convênio, quando se tratar de unidades conveniadas , definir di- retrizes para as reuniões periódicas do CRAS e da rede, e capacitar coordena- dor e técnicos. No âmbito dos CRAS, é preciso que o coordenador assuma essa responsabilidade como uma de suas atividades cotidianas, buscando estratégias que viabilizem a articula- ção da rede de proteção social básica no território de abrangência do CRAS, tais como realização de oficinas e reu- niões, de modo a operacionalizar os fluxos, aprimorar os processos e apro- fundar a compreensão da matricialida- de sociofamiliar do SUAS. Tabela 10 – CRAS que não executam atividades de gestão do território Situação Número de CRAS Percentual Não executa Atividades de gestão do território e 4.138 100% Possui Coordenador 1.536 37,1 Não possui Coordenador 2.602 62,9 Possui alguma articulação com unidades públicas da rede de Proteção Social Básica 4.042 97,7 Não possui nenhuma articulação com unidades públicas da rede de Proteção Social Básica 96 2,3 Possui alguma articulação com unidades conveniadas da Rede de Proteção Social Básica 3.640 88,0 Não possui nenhuma articulação com unidades conveniadas da Rede de Proteção Social Básica 498 12,0 Fonte: Censo SUAS/CRAS 2010
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    65 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 10. Esclarecimentos finais 1) Embora a articulação intersetorial componha as ações de gestão do territó- rio, no processo de pactuação nacional não foi prevista como meta de desen- volvimento dos CRAS, por não estar sob a governabilidade exclusiva da política de Assistência Social. Para que seja ga- rantida, é necessário um papel ativo do poder executivo municipal ou do DF, como articulador político entre as diver- sas secretarias que atuam nos territórios dos CRAS, de forma a priorizar, estimular e criar condições para a articulação in- tersetorial local (no território). O gestor de assistência social pode, no entanto, influir para que seja definida a priorida- de de articulação das ações no território de abrangência do CRAS. A articulação intersetorial deve envolver escolas, pos- tos de saúde, unidades de formação profissional, representantes da área de infra-estrutura, habitação, esporte, lazer e cultura, dentre outros e é essencial à garantiadaproteçãointegralàsfamílias. A intersetorialidade se materializa por meio da criação de espaços de comu- nicação, do aumento da capacidade de negociação e da disponibilidade em se trabalhar com conflitos. Sua efetividade depende de um investimento dos muni- cípios e DF, na promoção da intersetoria- lidade local, bem como da capacidade em estabelecer e coordenar fluxos de demandas e informações entre as orga- nizações e atores sociais envolvidos. A promoção da articulação intersetorial, no território de abrangência do CRAS, é uma ação coletiva, compartilhada e in- tegrada a objetivos e possibilidades de outras áreas, tendo por escopo garantir a integralidade do atendimento aos seg- mentos sociais em situação de vulnera- bilidade e risco social. 2) A referência e contrarreferência dos usuários no SUAS também não está prevista em metas. É, no entan- to, condição para a garantia do direito de acesso e permanência dos usuários nos serviços e benefícios de assistên- cia social. Efetiva-se por meio da defi- nição de fluxos e procedimentos entre CRAS e CREAS e, portanto, é altamente dependente da existência de coorde- nador nestas unidades. No entanto, depende também da articulação entre proteção básica e especial, nas secre- tarias municipais e do DF que dispo- nham de CRAS e CREAS; e entre muni- cípios, ou destes com estados, sempre que o CREAS for regional. Para que o referenciamento dos usuários ao SUAS seja efetivo, será necessário garantir, no processo de consolidação do SUAS, que todo CRAS possa se reportar a um CREAS e um CREAS possa se reportar a um ou mais CRAS, de forma a garantir que cada usuário (família) esteja refe- renciado a um CRAS ou a um CREAS (no caso de violação de direitos ou si- tuação de risco social). Neste segundo caso, transitoriamente a responsabili- dade pela proteção a essa família (ou indivíduo, enquanto não se identifica a família) é do CREAS, até que a família seja contrarreferenciada ao CRAS. A seguir serão apresentadas as metas de desenvolvimento dos CRAS da di- mensão “horário de funcionamento”, e que são fundamentais para a garantia da oferta do PAIF para a população re- ferenciada ao CRAS.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 66 Conforme previsto nas “Orientações Técnicas Centro de Referência da As- sistência Social- CRAS”, página 59, assim como o espaço físico, o horário de funcionamento dos CRAS deve ser compatível com os serviços ofer- tados e adequado ao atendimento de todos aqueles que o demanda- rem, maximizando a possibilidade de acesso dos usuários aos seus di- reitos socioassistenciais. Sendo assim, para refletir tais carac- terísticas, o CRAS deve funcionar, no mínimo, cinco dias por semana e oito horas por dia, totalizando 40 horas semanais. Deve ainda contar com a equipe de referência completa, rea- lizando atividades próprias do PAIF, durante todo o período funciona- mento. Isto quer dizer, por exemplo, que se em 2010/2011, para municí- pios de Pequeno Porte I e II são exi- gidos 02 técnicos de nível superior, ambos devem estar disponíveis para atendimento (interno ou externo ao CRAS) 05 dias por semana durante as 08 horas diárias. Caso a carga horária de trabalho de um profissional seja inferior a 40 horas, outro profissional deverá ser integrado à equipe de re- ferência, de forma que durante todo o período de funcionamento, o CRAS possua equipe conforme exigência. Para o período anual 2009/2010, a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) pactuou duas metas para a di- mensão “horário de funcionamento”, que deveriam ter sido cumpridas até outubro de 2010 e que, na lógica das metas cumulativas a cada período anual, se mantêm para os períodos seguintes (no entanto, como cumpri- das). São elas: (A) Funcionamento (do CRAS) igual ou superior a 5 dias por semana. (B) Funcionamento (do CRAS) igual ou superior a 8 horas por dia. Para facilitar o acesso e participação dos usuários, os horários de atendi- mento nos CRAS são flexíveis, ou seja, as unidades podem funcionar em pe- ríodo noturno e/ou finais de semana. Dados Gerais De uma maneira geral, conforme ex- presso no Gráfico 01 a seguir, os resul- tados relativos à Dimensão Horário de Funcionamento são bastante positivos, visto que 97% dos CRAS registrados no Censo SUAS/CRAS 2010 cumprem as duas metas estipuladas. Como forma de identificar se existe influência de déficit de recursos hu- manos nos 3% das unidades (231 CRAS) que não atingiram a meta prevista, realizou-se um cruzamento com o quantitativo de técnicos de nível superior. Identificou-se desta forma que 19% (45 CRAS) têm déficit de profissionais de nível superior, em Dimensão Horário de Funcionamento Coordenação-Geral de Serviços Socioassistenciais a Famílias
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    67 Volume 1 Orientações Técnicas , metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 relação às exigências para o período anual 2010/2011. uma solução para o quantitativo de profi ssionais deve ser dada o quanto antes, sendo a realização de concursos públicos a orientação ideal para regu- larização da situação. Caso não seja possível, de forma emergencial, o es- tado pode orientar o gestor para que realize contratação temporária me- diante seleção pública27 . Além disso, os técnicos estaduais devem orientar o gestor para que as equipes dos CRAS estejam completas durante todo o pe- ríodo de funcionamento da unidade. Dado que mais da metade dos CRAS que não atendem às metas previstas para Horário de Funcionamento pos- suem recursos humanos exigidos, a solução para cumprimento desta meta pode depender, sobretudo, da organização de carga horária dos funcionários e, eventualmente, da necessidade de disponibilização de 27 Para mais informações, ver Dimensão Recursos Humanos, neste documento. quantitativo superior de técnicos para equipe de referência, quando a carga horária dos trabalhadores for inferior a 40 horas. Para tanto, é necessário que os gestores esta- duais orientem os gestores munici- pais, e que estes últimos tomem as providências cabíveis para que se faça cumprir a meta nacionalmente pactuada. Outra prática que tem sido observada é que um mesmo técnico é funcionário de mais de um CRAS, ou de CRAS de mais de um municí- pio, situação que exige rápida solu- ção e adequação. Outras orientações relacionadas à dimensão Recursos Humanos po- dem ser encontradas no próximo item deste documento, cujo foco é o cumprimento do disposto na nor- ma Operacional Básica de Recursos Humanos do SuAS (nOB-RH/SuAS). As metas de desenvolvimento do CRAS, relacionadas a esta dimensão, estão previstas na Resolução CiT nº05/2010, e podem ser identifi ca- das no Anexo 1 deste documento. Gráfico 01- Resultado Geral da Dimensão Horário de funcionamento Fonte: Censo SuAS/CRAS 2010 Percentual de CRAS que atingem ou não as metas de Desenvolvimento dos CRAS nos períodos 2009/2010 e 2010/2011
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 68 O que orienta a dimensão de Recur- sos Humanos no âmbito do SUAS é a concepção da Política de Assistência Social, contida na Constituição Fede- ral (CF/1988), na Lei Orgânica de As- sistência Social (LOAS/1993), na Po- lítica Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), na Norma Operacional Básica do Suas (NOB SUAS/2005) e na Norma Operacional Básica de Re- cursos Humanos do SUAS (NOB-RH/ SUAS/2006). Em relação aos Centros de Referên- cia da Assistência Social (CRAS) é importante, também, a publicação Orientações Técnicas: Centro de Re- ferência de Assistência Social – CRAS (Ministério do Desenvolvimento So- cial e Combate à Fome. – 1. ed. – Bra- sília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2009), es- pecialmente o capítulo que apresen- ta a composição, perfil e atribuição da equipe de referência no CRAS. Conforme expresso na Políti- ca Nacional de Assistência Social (PNAS/2004) e referendado pela Norma Operacional Básica de Re- cursos Humanos do SUAS (NOB-RH/ SUAS/2006), a Política de Recursos Humanos é um dos eixos fundamen- tais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Neste sentido, “(...) Para a implementação do SUAS, e para se alcançar os objetivos previstos na PNAS/2004, é necessário tratar a ges- tão do trabalho como uma questão estratégica. A qualidade dos serviços socioassistenciais disponibilizados à sociedade depende da estruturação do trabalho, da qualificação e valori- zação dos trabalhadores atuantes no SUAS28 .” Os serviços socioassistenciais são previstos no artigo 23 da Lei Orgâni- ca da Assistência Social (LOAS) como atividades continuadas que visam a melhoria de vida da população e cujas ações, voltadas para as neces- sidades básicas, observem os obje- tivos e diretrizes previstos nessa lei. A NOB-RH/SUAS ao instituir as equi- pes de referência reafirma a con- cepção que a proteção social se materializa com a oferta de serviços socioassistenciais de caráter plane- jado e continuado visando efetivar direitos sociais. As Equipes de Referência “são aque- las constituídas por servidores efeti- vos, responsáveis pela organização e oferta de serviços, programas, pro- jetos e benefícios de proteção social básica e especial, levando-se em con- sideração o número de famílias e indi- víduos referenciados, o tipo de atendi- mento e as aquisições que devem ser garantidas aos usuários”. No que se refere aos Centros de Referência da 28 NOB-RH/SUAS, 2006. p. 15. Dimensão Recursos Humanos Coordenação-Geral de Implementação e Acompanhamento da Política de RH do SUAS
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    69 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Assistência Social (CRAS), a NOB-RH prevê, para todos os portes de muni- cípios, um coordenador com nível superior, concursado ou comissionado. Além deste, a equipe de referência deve dispor de servidores efetivos conforme quadro a seguir: O caderno Orientações Técnicas do CRAS define que famílias referen- ciadas são aquelas que vivem no território de abrangência do CRAS e que a capacidade de atendimen- to anual é estimada com base na proporção do número de famílias referenciadas. Portanto, o número de famílias que vivem no território constitui parâmetro para a capaci- dade de atendimento do CRAS. Municípios Famílias referenciadas Capacidade de atendimento anual Equipe de Referência Coordenador Pequeno Porte I Até 2.500 famílias 500 famílias 02 técnicos com nível superior, sendo um assistente social e outro preferencialmente psicólogo. 02 técnicos com nível médio. As equipes de referência do CRAS devem contar sempre com um coordenador com nível superior, concursado, com experiência em trabalhos comunitários e gestão de programas, projetos, serviços e/ou benefícios socioassistenciais Pequeno Porte II Até 3.500 famílias 750 famílias 03 técnicos com nível superior, sendo dois assistentes sociais e preferencialmente um psicólogo. 03 técnicos com nível médio. Médio, Grande, Metrópole e DF A cada 5.000 famílias 1.000 famílias 04 técnicos com nível superior, sendo dois assistentes sociais, um psicólogo e um profissional que compõe o SUAS. 04 técnicos com nível médio. Reafirma também o entendimen- to que a equipe de referência nor- matizada pela NOB-RH/SUAS trata do padrão estabelecido para cada CRAS levando-se em consideração o número de famílias e indivíduos referenciados. Sendo o PAIF o princi- pal serviço da proteção social básica, de oferta exclusiva e obrigatória nos CRAS, e tendo em vista a possibilida- de de oferta de outros serviços neste
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 70 equipamento estatal, sem que haja prejuízo às atividades do PAIF, é ne- cessária inclusão de novos profissio- nais à equipe de referência. A NOB-RH/SUAS determina que toda a equipe de referência do CRAS seja composta por servidores efetivos, ou seja, aqueles servido- res que ingressaram nos cargos me- diante concurso público de provas ou de provas e títulos, conforme previsão constitucional, em virtude da função pública que exercem nos territórios. A equipe de referência e o coorde- nador compõem, portanto o con- junto de agentes públicos do Esta- do que materializam a política de assistência social por meio da ação planejada, qualificada e continuada. O coordenador do CRAS é a referên- cia estatal no território, com atribui- ções e responsabilidades tais como assinar documentos públicos; fazer a gestão do equipamento; acom- panhar e avaliar as atividades nele planejadas e desenvolvidas pela equipe de referência; coordenar e articular a rede socioassistencial do seu território; visando consolidar e subsidiar com informações preci- sas o gestor municipal; além de ser uma referência para a comunidade e usuários dos serviços. A NOB-RH/SUAS prevê, ainda, em relação à Gestão do Trabalho, a res- ponsabilidade do órgão gestor des- tinar recursos financeiros para essa área, incluindo a previsão de recur- sos para a realização de concurso público, com o objetivo de contratar e manter o quadro de pessoal ne- cessário para a gestão e execução dos serviços socioassistenciais. É no Plano de Assistência Social que os gestores devem incluir as ações da área da gestão do trabalho e de- finir, no orçamento, os recursos e as ações orçamentárias para essa área, mantendo vinculação com os ins- trumentos de planejamento público (Plano Plurianual - PPA, Lei de Dire- trizes Orçamentárias – LDO e Lei or- çamentária Anual – LOA). As normativas no âmbito do SUAS, acima mencionadas, reafirmam que a contratação de recursos huma- nos deve se orientar pelas normas da Administração Pública, previstas na Constituição Federal de 1988 (CF/88), em seu art. 37, incisos de I à IX. O inciso II prevê a realização de concurso público e o inciso IX, a contratação por determinado perí- odo, para cobrir necessidades tem- porárias de excepcional interesse público. No § 2º indica que “a não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei”: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de lega- lidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
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    71 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 II - a investidura em cargo ou em- prego público depende de aprova- ção prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexi- dade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nome- ações para cargo em comissão decla- rado em lei de livre nomeação e exo- neração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo de- terminado para atender a ne- cessidade temporária de ex- cepcional interesse público. O mencionado inciso IX do art. 37 da Constituição Federal estabelece a ex- ceção pela qual pode haver contrata- ção por prazo determinado, mas, para tanto, exige que se encontrem pre- sentes dois requisitos: a) a previsão expressa em lei; e, b) a real existência de “necessidade temporária de ex- cepcional interesse público”. Obser- vado esses requisitos, o município deve tomar todas as medidas legais cabíveis para a publicação de edital de seleção pública simplificada para contratação por tempo determinado. Além da possibilidade de aplicar o que está previsto constitucionalmen- te, os gestores dos municípios, que executam o Projovem Adolescente, devem adotar o que prevê a Portaria nº 171, de 26 de maio de 2009, no artigo 36, que autoriza a utilização dos recursos repassados, por meio do Piso Básico Variável, para remunera- ção dos servidores públicos efetivos, de nível médio ou superior, para com- por a equipe de referência do serviço da proteção social básica do SUAS: -- Art. 36. Os recursos repassados para o custeio do Projovem Adolescente - Ser- viço Socioeducativo, por meio do Piso Básico Variável, poderão ser destinados à remuneração dos servidores públicos de nível médio ou superior que consti- tuem a equipe de referência necessária à execução do serviço socioeducativo. Parágrafo único. Para os fins do dispos- to no caput, considera- se: -- I - remuneração: o total de paga- mentos devidos ao servidor público, em decorrência do efetivo exercício em cargo, emprego ou função, in- tegrantes da estrutura, quadro ou tabela de servidores do Distrito Fe- deral ou município, conforme o caso, inclusive os encargos sociais; -- II - efetivo exercício: atuação efe- tiva no desempenho das atividades relacionadas à execução do serviço socioeducativo, associada à sua re- gular vinculação contratual, tem- porária ou estatutária, com o ente governamental que o remunera, não sendo descaracterizado por even- tuais afastamentos temporários previstos em lei, com ônus para o empregador, que não impliquem rom- pimento da relação jurídica existente. As orientações relacionadas à di- mensão estrutura física serão apre- sentadas a seguir e constituem con- dição fundamental para a garantia da oferta do PAIF, um serviço pú- blico de proteção básica tipificado por meio da Resolução CIT nº109, de 11 de novembro de 2009. A es- trutura física é reflexo da concep- ção de trabalho social com famílias e deve ser expressão do direito das famílias ao acesso a serviços de qualidade.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 72 A dimensão estrutura física será apresentada em três itens. O primei- ro explicita as metas de desenvolvi- mento dos CRAS, relacionando-as às orientações técnicas da proteção bá- sica, expressas em duas publicações, cuja leitura é fundamental, visto que complementam e aprofundam as informações aqui sintetizadas. O segundo item disponibiliza infor- mações sobre compartilhamento de espaço físico. O terceiro é uma nota do Fundo Nacional de Assistência Social, sobre utilização dos recursos transferidos pela SNAS, aos fundos municipais e do DF, para oferta de serviços, no que tange a dimensão estrutura física. a) Metas de Desenvolvimento dos CRAS Coordenação-Geral de Serviços Socioassisten- ciais a Famílias Conforme vimos, a unidade pública estatal, descentralizada da política de assistência social, CRAS, é responsá- vel por organizar a oferta dos serviços de proteção social básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), nas áreas de vulnerabilidade e risco social dos municípios. Sua capilarida- de nos territórios faz desta unidade a principal porta de entrada do SUAS. É importante, portanto que seu espa- ço físico expresse tanto a concepção da Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004) como também a cultura e padrões identitários locais. Em outras palavras: “O CRAS não deve ser compreendido simplesmente como uma edificação. A disposição dos espaços e sua organização refletem a concepção sobre trabalho social com famílias adotada pelos municípios.Assim, são fatores que influenciam a estrutura e o funcionamento do CRAS: as rotinas e metodologias adotadas; as características do território e da população a ser atendida; a importância dada à participação das famílias no planejamento e avaliação dos serviços prestados e ações desenvolvidas; a incidência de determinadas vulnerabilidades no território; os recursos materiais e equipamentos disponíveis; o papel desempenhado pela equipe de referência e sua concepção sobre famílias etc29 .” 29 Orientações Técnicas Centro de Referencia de Assistência Social – CRAS, p.47. Este material encontra-se disponível em: http://mds.gov. br/assistenciasocial/protecaobasica/cras/ documentos/orientacoes-tecnicas-centro-de- referencias-de-assistencia-social-cras-1-1.pdf . dimensão estrutura física
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    73 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Esta visão atende à premissa de que o CRAS é o locus no qual os direitos socioassistenciais são assegurados, ou seja, deve ser passível de fácil identificação e reconhecimento, pela popula- ção, enquanto unidade pública que possibilita acesso a direi- tos. Por este motivo salienta-se, como uma das metas de desen- volvimento do CRAS, do período 2008/2009, a instalação de placa de identificação, em modelo pa- drão, que pode ser acessada no site do MDS30 . Além das atividades de gestão territorial, todo gestor deverá zelar para garantir um ambiente agradável e adequado para re- alização das atividades do PAIF e outros serviços ofertados no CRAS. Ou seja, todos os ambien- tes devem ser limpos, iluminados, ventilados, conservados e devem garantir privacidade a profissio- nais e usuários. Os documentos “Orientações Téc- nicas para o Centro de Referência da Assistência Social – CRAS” e “A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços. Orien- tações para gestores e projetistas municipais” estabelecem parâme- tros fundamentais no que tange aos espaços físicos dessa unidade. A quantidade e a metragem dos es- 30 Link: http://www.mds.gov.br/saladeimprensa/ marcas. paços ficam condicionadas à rela- ção entre famílias referenciadas ao CRAS e a sua capacidade de aten- dimento anual31 . A seguir apresentamos os espaços que todo CRAS deve dispor, confor- me definido nas publicações citadas no parágrafo anterior, associando-os às metas de desenvolvimento dos CRAS, contidas na Resolução CIT nº05/2010 (Anexo 1): -- Recepção: é o local destinado ao acolhimento e informação das fa- mílias que chegam ao CRAS, ou seja, não é apenas o local destinado à es- pera. Esta é uma meta de desenvolvi- mento do CRAS, relativa ao período 2009/2010. -- Sala de atendimento: espaço desti- nado ao acompanhamento ou atendi- mento particularizado de famílias (e indivíduos). Esta sala, independente- mente do tamanho, deve assegurar o sigilo das informações trocadas, en- tre técnicos e usuários. -- Sala de uso coletivo: destinada 31 “A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços. Orientações para gestores e projetistas municipais”; página 29. Neste documento são apresentados modelos de plantas e sugestões de soluções e adaptações para o gestor municipal, e deve ser fonte de estudo e consulta periódica. Encontra- se disponível em: http://www.mds.gov.br/ gestaodainformacao/biblioteca/secretaria- nacional-de-assistencia-social-snas/cadernos/ cras-a-melhoria-da-estrutura-fisica-para-o- aprimoramento-dos-servicos-2013-orientacoes- para-gestores-e-projetistas-municipais/ cras-a-melhoria-da-estrutura-fisica-para-o- aprimoramento-dos-servicos-o-orientacoes-para- gestores-e-projetistas-municipais.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 74 à realização de atividades coleti- vas, que permite uso múltiplo e oti- mizado, para atividades em grupo do PAIF (acompanhamento), ofici- nas com famílias, palestras, reuni- ões, exposições, apresentações, etc. Estas duas salas constituem uma meta de desenvolvimento dos CRAS, do pe- ríodo 2008/2009, traduzida como “pos- suir duas salas, sendo pelo menos uma com capacidade superior a 15 pessoas”. Juntas, são essenciais para garantir o acompanhamento e atendimento pró- prios do PAIF. -- Banheiros: a meta de “ter banheiro” no CRAS foi estipulada para o período 2008/2009. Segundo as orientações técnicas, é recomendável a existência de dois banheiros (feminino e mascu- lino), garantindo a acessibilidade para pessoas com deficiência. -- Sala administrativa (meta 2011/2012, portanto, do próximo período): desti- nada ao coordenador e profissionais do CRAS, para atividades de registro de informações, produção de dados, arquivo de documentos, alimentação de sistemas de informação, reuniões de equipe, etc. -- Copa (não incluída nas metas, mas constante das orientações): destinada ao preparo de lanches oferecidos aos usuários, bem como para o uso da equi- pe de referência do CRAS. É imprescindível que os espaços que compõem os CRAS garantam acessibilidade aos seus usuários. O documento “A Melhoria da Estrutu- ra Física para o Aprimoramento dos Serviços”, propõe a adoção do “con- ceito contemporâneo de ‘acessibilida- de’ (que) transcende o favorecimento à autonomia de acesso a pessoas com deficiência, abrangendo, mais amplamente, todas as pessoas que fo- gem ao arquétipo de homem/mulher adulto(a). Isto significa, por exemplo, que as “criança” ou “idosos”, públicos freqüentes nos CRAS, também de- mandam condições de acessibilidade próprias”, o que implica na garantia de um espaço de uso “equitativo, versátil, natural, intuitivo e seguro, (propiciando a) redução do esforço fí- sico e da informação perceptível para todos”32 . Não obstante a adoção deste ‘dese- nho universal’, os CRAS devem estar adequados às normativas relacio- nadas à garantia de acessibilidade. Dentre os principais instrumentos reguladores destacam-se: Decreto nº 5.296/04, que regulamenta as leis nº 10.048/200 e nº10.098/2000 e a norma técnica ABNT NBR 9050: 2004. Visando criar condições para que os municípios e DF adequem gradativa- mente os espaços físicos dos CRAS, para garantir acessibilidade, no perí- odo anual vigente (2010/2011), to- dos deverão “possuir rota acessível para pessoas idosas e com deficiên- cia, aos principais acessos do CRAS: recepção, sala de atendimento e sala de uso coletivo”, no ano de 2011. 32 BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços”. 1 ed. Brasília: MDS, 2009; Página 40.
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    75 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 O não cumprimento dos requisi- tos estabelecidos para os períodos anuais anteriores, relativamente à dimensão estrutura física implica na necessidade de elaboração de Plano de Providências por municípios e DF e de Plano de Apoio por estados (ou MDS). Os prazos para tal, são defini- dos no artigo 10 da Resolução CIT nº08/2010, exceto nos casos em que o município tenha superado, o que deverá ser informado ao Estado, acompanhado de comprovação. Vá- rios estados têm apoiado municípios, por meio do financiamento de cons- trução e reforma. Sugere-se que as metas de desenvolvimento dos CRAS, na dimensão estrutura física, sejam traduzidas em critérios a serem ado- tados para financiamento de constru- ção e reformas, por parte dos Estados (e MDS), visto que seu cumprimento é responsabilidade de todos os entes. Os CRAS que ainda não possuem rota acessível aos principais espaços exi- gidos nos períodos anuais anteriores, devem ser objeto de todo esforço por parte dos gestores municipais, do DF e estaduais, no sentido do alcance das metas previstas até o último dia de preenchimento do Censo CRAS 2011, não sendo necessária a elabo- ração de Plano de Providências. Su- gere-se, ainda, leitura do último item desta dimensão, sobre utilização de recursos de pisos, para reformas. Garantidos os recursos humanos e os espaços exigidos para oferta do PAIF, os CRAS podem ofertar outros servi- ços de Proteção Social Básica. Para tanto, deve-se observar o disposto na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais e normativa(s) específica(s) de cada serviço, sobre espaços necessários. Há que se chamar atenção também para a meta 2010/2011, de que to- dos os CRAS “possuam computador”. Para compreensão da importância dos computadores nos CRAS, reco- menda-se leitura da dimensão “ativi- dades realizadas”. Conforme disposto na resolução CIT nº 06, de 01 de julho de 2008,e nas “Orientações Técnicas - Centro de Re- ferência da Assistencia Social” não é permitido que os CRAS compartilhem seuespaçofísicocomONGs/Entidade, Associação Comunitária e ainda com outras estruturas administrativas, tais como secretarias municipais, esta- duais, prefeituras, entre outras. Isso quer dizer que os CRAS não podem funcionar nestes espaços e, quando funcionam, não podem ser conside- rados CRAS. Duas metas (em desta- que) foram estipuladas para o período 2008/2009 e desde 2010 o MDS não cofinancia CRAS que compartilhem espaços em prédios que o descaracte- rizem como unidade pública. Conforme disposto na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassisten- ciais, a oferta do PAIF cabe ao CRAS e, exclusivamente à esfera estatal. Nes- te sentido, é vetado que o CRAS fun- cione em imóvel compartilhado com associações comunitárias ou ONG’s, sob pena do não cumprimento da premissa de oferta estatal do PAIF.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 76 Além disso, em consonância com o previsto nas Orientações Técnicas do Centro de Referência de Assistên- cia Social – CRAS, as funções desta unidade pública local não devem ser confundidas com as do órgão ges- tor da política de assistência social (ou outro qualquer). Ao CRAS cabe a oferta do PAIF e a organização, articulação e coordenação da rede socioassistencial de seu território. Ou seja, o CRAS materializa a des- centralização dos serviços, prevista em Lei (LOAS) e na PNAS. Por sua vez, ao órgão gestor cabe a organi- zação e gestão do SUAS no âmbito do município. O funcionamento do CRAS em estruturas administrativas, ainda que relativas à assistência so- cial, induz a equívocos quanto às responsabilidades específicas das equipes de referência, ao possibili- tar que essas assumam tarefas que não lhe são próprias, prejudicando a garantia da oferta dos serviços e o referenciamento dos usuários, descumprindo o princípio da des- centralização e territorialização dos serviços. Excetuado o funcionamento de CRAS em prédios que o descarac- terizam como unidade pública, ou o confundem com unidades adminis- trativas da(s) Secretaria(s), o tópico seguinte apresenta esclarecimentos adicionais sobre as condições em que se admite compartilhamento de espaços, quando o CRAS funcio- na no mesmo prédio, junto com um ou mais serviços públicos (a exem- plo da Praça dos Esportes e Cultu- ra – Plano de Aceleração do Cresci- mento II - PAC II). Embora não sejam contempladas nas metas de desen- volvimento do CRAS, considerou-se oportuno abordá-las neste docu- mento, por seu caráter complemen- tar às orientações relativas a esta dimensão. B) Espaços passíveis de compartilhamento Coordenação-Geral de Serviços Socioassisten- ciaisa Famílias Embora o CRAS seja um equipamen- to estatal, os espaços físicos nem sempre são de propriedade das pre- feituras municipais. Muito embora a propriedade seja um elemento im- portante para a execução dos servi- ços, é possível que a implantação de CRAS se dê em imóveis cedidos ou alugados. Diante das dificuldades, dos muni- cípios e DF, de disponibilidade ou aquisição de imóveis para implan- tação do CRAS, muitos gestores op- tam por implantar CRAS em imóvel compartilhado. Considerando tal realidade, e garantidas as restrições previstas em Resolução da CIT, des- tacadas no item anterior, considera- -se que determinados espaços nas edificações onde funcionam os CRAS sejam passíveis de comparti- lhamento, desde que resguardadas as seguintes premissas: -- primazia da oferta do PAIF. Ou seja, a identidade do equipamento enquan- to lócus da execução do principal
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    77 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 serviço da proteção básica deve ser preservada, observando a exclusivi- dade de uso dos seguintes espaços: recepção, sala de atendimento indi- vidual (garantindo sigilo no atendi- mento), sala da coordenação e sala multiuso (ou sala para atendimento das famílias em grupo e para reali- zação de oficinas, palestras, dentre outros); -- garantia de identificação do equi- pamento, ou seja, a identidade do CRAS deve ser garantida por meio de placa padrão e sinalização estra- tegicamente posicionadas nas áreas externas do imóvel, nos locais de fácil visualização para a população usuária. São passíveis de compartilhamento os seguintes espaços, sempre que o CRAS funcionar junto com outros equipamentos (ou serviços) públi- cos, em uma mesma edificação: A) Entrada, desde que resguardada a existência de recepção exclusiva para o CRAS (adequado, sobretudo para edifícios com diferentes servi- ços em diferentes andares ou para CRAS instalados em construções de grandes dimensões). B) Banheiros, desde que respeita- dos os cálculos de capacidade, bem como as especificidades relativas à acessibilidade, previstos no docu- mento “A Melhoria da Estrutura Fí- sica para o Aprimoramento dos Ser- viços: Orientações para gestores e projetistas municipais”. D) Almoxarifado, desde que este possua condições para acondicio- namento em separado dos itens pertencentes a cada serviço, com clara identificação daquilo que se refere ao CRAS, preferencialmente em armários com chave33 . D) Copa, desde que haja capacidade de suporte às atividades realizadas no CRAS. Segundo o documento já citado, uma copa de 5m² destina-se exclusivamente às atividades do PAIF. Se o CRAS compartilha edifi- cação com serviços de outras polí- ticas públicas, poderá compartilhar a copa, desde que seu espaço físico seja proporcional ao quantitativo de pessoas atendidas em todos os serviços. E) Salas de multiuso e auditórios, desde que seja estabelecida agenda compartilhada para a utilização do espaço, ou seja, resguardando-se a primazia da oferta do PAIF. F) Áreas externas, desde que o trân- sito de públicos distintos não preju- dique o desenvolvimento das ações do PAIF e de gestão do CRAS. A seguir e como último item desta dimensão, apresenta-se orientações técnicas sobre utilização de recursos transferidos pelo Fundo Nacional de Assistência Social, aos fundos muni- cipais e do DF, para oferta de servi- ços, no que tange a dimensão estru- tura física. 33 Conforme disposto no documento “A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços. Orientações para gestores e projetistas municipais” (páginas: 35-36) -2009, em geral encontra-se nos CRAS dois tipos principais de almoxarifado: voltado para alocar produtos alimentícios (quando as unidades oferecem alimentação a públicos determinados), ou voltado para alocar materiais pedagógicos e de suporte para as atividades coletivas. O documento apresenta a sugestão de que a organização destes espaços leve em consideração demandas locais, podendo ser planejado em consórcio com a sala multiuso.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 78 C) Aplicação dos recursos do cofinanciamento federal, repassados pelo Fundo Nacional de Assistência Social – FNAS aos fundos municipais, do DF e estaduais de assistência social, quanto à Dimensão Estrutura Física Fundo Nacional de Assistência Social Trata-se de orientação técnica acerca da aplicação dos recursos repassados do Fundo Nacional de Assistência Social – FNAS aos fundos estaduais e municipais de assistência social no que tange a dimensão estrutura física. A Lei nº 8.742, de 7 de Dezembro de 1993 – Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS, instituiu o FNAS com o intuito de proporcionar recursos e meios de financiar as ações da Polí- tica de Assistência Social, elencadas na referida Lei como benefícios, ser- viços, programas e projetos. Observa-se que o Decreto nº 1.605, de 25 de agosto de 1995, que regu- lamenta o FNAS, em seu art. 5º enu- mera as hipóteses de aplicação dos recursos, conforme transcrito abaixo: Art. 5º Os recursos do Fundo Nacio- nal de Assistência Social - FNAS se- rão aplicados: I - no pagamento do benefício de pres- tação continuada, previsto nos arts. 20; 38 e 39 da Lei nº 8.742, de 1993;  II - no apoio técnico e financeiro aos serviços e programas de assistência social aprovados pelo Conselho Na- cional de Assistência Social - CNAS, obedecidas as prioridades estabele- cidas no parágrafo único do art. 23 da Lei nº 8.742, de 1993;  III - para atender, em conjunto com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios as ações assistenciais de caráter de emergência;   IV - na capacitação de recursos humanos e no desenvolvimento de estudos e pesquisas relativos à área de assistência social. Parágrafo único. Excepcionalmente, o Presidente da República poderá autorizar a aplicação de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social na realização direta, por par- te da União, de serviços e programas de assistência social aprovados pelo Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. (grifo nosso) Aduz-se da leitura do colacionado art. 5º que os recursos repassados do FNAS aos fundos estaduais e municipais destinam-se a financiar as ações de assistência social e, es- pecificamente proporcionar o apoio técnico e financeiro aos serviços e programas de assistência social aprovado pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. O conjunto de ações, atenções, be- nefícios e auxílios socioassistenciais realizam-se a partir dos parâmetros definidos pela Política Nacional de Assistência Social – PNAS, aprova- da pela Resolução nº 145, de 15 de outubro de 2004, do CNAS, que hierarquizou a proteção social a ser afiançada aos cidadãos brasileiros em proteção social básica e prote- ção social especial de média e alta complexidade.
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    79 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 A Norma Operacional Básica do Siste- ma Único de Assistência Social – NO- BSUAS, aprovada pela Resolução nº 130, de 15 de julho de 2005, do CNAS, no item destinado a proteção social, conceitua as proteções básica e espe- cial, conforme colacionado abaixo: (...) A proteção social básica tem como objetivos prevenir situações de riscos, por meio do desenvolvi- mento de potencialidades, aquisi- ções e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Destina- se à população que vive em situação de vulnerabilidade social, decor- rente da pobreza, privação (ausência de renda, precário ou nulo acesso aos serviços públicos, dentre ou- tros) e/ou fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de pertenci- mento social. A proteção social especial tem por objetivo prover atenções socioas- sistenciais a famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal e social, por decor- rência de abandono, maus tratos e/ ou psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias psicoativas, cumprimen- to de medidas socioeducativas, situ- ação de rua, situação de trabalho infantil, entre outras. (...) Na sequência, observa-se que o CNAS aprovou a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais por meio da Resolução nº 109, de 11 de no- vembro de 2009, que relacionou e ti- pificou por nível de complexidade os serviços socioassistenciais ofertados no âmbito do SUAS, conforme transcri- to abaixo: (...) I – Serviços de Proteção Social Bá- sica: a) Serviço de Proteção e Atendimen- to Integral à Família – PAIF; B) Serviço de Convivência e Fortale- cimento de Vínculos; C) Serviço de Proteção Social Bá- sica no domicilio para pessoas com deficiência e idosas. II – Serviços de Proteção Social Es- pecial de Média Complexidade: A) Serviços de Proteção e Atendi- mento Especializado a Famílias e In- divíduos – PAEFI; B) Serviço Especializado de Aborda- gem Social; C) Serviço de Proteção Social a Adolescentes em cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida – LA, e de Prestação de Ser- viços à Comunidade – PSC; D) Serviço de Proteção Social Es- pecial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias; E) Serviço Especializado para Pesso- as em Situação de Rua; III – Serviços de Proteção Social Es- pecial de Alta Complexidade: A) Serviço de Acolhimento Institu- cional, nas seguintes modalidades: - abrigo institucional; - casa-lar; - casa de passagem; - residência inclusiva. b) Serviço de Acolhimento em Re- pública; c) Serviço de Acolhimento em Famí- lia Acolhedora: d) Serviço de Proteção em Situa- ções de Calamidades Públicas e de Emergências.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 80 Assim, observa-se que a Resolução em comento concretizou a previsão do art. 5º, II, do Decreto nº 1.605, de 1995, no sentido de estabelecer os serviços nos quais os recursos do cofinanciamento federal deverão ser aplicados e, ainda, traz em seu texto o detalhamento das provisões ne- cessárias à execução de cada serviço socioassistencial, tais como o recur- so material necessário e o ambiente físico apropriado. Isto posto, cumpre esclarecer que o ambiente físico é o locus no qual os direitos socioassistenciais são as- segurados, assim é imprescindível observar que a infra-estrutura e o ambiente físico correspondam aos requisitos mínimos para a adequada oferta dos serviços socioassistenciais. Os equipamentos responsáveis por garantir e organizar a oferta dos ser- viços socioassistencias nas áreas de vulnerabilidade e risco social dos Municípios e Distrito Federal são o Centro de Referência da Assistência Social – CRAS e o Centro de Refe- rência Especializado da Assistência Social – CREAS, sendo a localização destes equipamentos fator determi- nante para que viabilize, de forma descentralizada, o acesso aos direi- tos socioassistenciais. Ocorre que parte dos Municípios e Distrito Federal ao desenvolverem o planejamento da oferta dos CRAS e CREAS esbarram na realidade exis- tente nas áreas de maior incidência de situações de vulnerabilidade e risco social, qual seja: a inexistência de imóvel de propriedade do muni- cípio, escassa oferta de imóveis ou terrenos que possam ser adquiridos pela gestão municipal para esta fina- lidade. Restando, assim, como única alternativa para promover a implan- tação dos equipamentos públicos recorrer ao aluguel de imóveis. Diante do acima exposto e observan- do que as ações socioassistenciais são definidas como continuadas, na forma do Decreto nº 5.085, de 19 de maio de 2004, e, portanto não são passí- veis de sofrer qualquer interrupção ou descontinuidade vislumbra-se a pos- sibilidade de utilização dos recursos do cofinanciamento federal das ações socioassistenciais no pagamento do aluguel do imóvel destinado exclusi- vamente a instalar o CRAS ou CREAS para que atendam a finalidade e im- portância a que se destinam. A respeito da adequada infra-es- trutura dos equipamentos públicos responsáveis pela oferta dos servi- ços socioassistenciais, o Tribunal de Contas da União – TCU recomendou a inúmeras Prefeituras que as ins- talações do CRAS disponham de meios de acessibilidade para pesso- as idosas e com deficiência (Acórdão n.º176/2010-Plenário). Tratando-se da questão suscitada observa-se que a Constituição Fe- deral estabelece, em seu artigo 1.º, inciso III, que a República Federati- va do Brasil tem como fundamento básico a “dignidade da pessoa hu- mana”. Da mesma forma, em seu art. 244, dispõe que:
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    81 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Art. 244. A lei disporá sobre a adap- tação dos logradouros, dos edifí- cios de uso público e dos veículos de transporte coletivo atualmente existentes a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência, conforme o disposto no artigo 227, § 2º”. A Lei nº 10.098, de 19 de Dezembro de 2000, estabelece normas gerais e crité- rios básicos para a promoção da acessi- bilidade das pessoas portadoras de de- ficiência ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios, nos meios de transporte e de comunicação. Essa Lei, cujas normas gerais se apli- cam a todos os entes da Federação, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, que, por sua vez, se reporta a Normas Técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Observa-se também a preocupação com a acessibilidade na Lei n.º 10.741, de 1 de outubro de 2003, Estatuto do Idoso,queemseuart.10,§1.º, I,estabe- lece ser direito fundamental do idoso o direito de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários. Isto posto, aduz-se que a Administra- ção deve proceder no sentido de ga- rantir a acessibilidade à pessoa com deficiência e ao idoso nos equipa- mentos públicos da assistência social observando as normas da ABNT, tendo em vista importância das atividades desempenhadas nesses equipamen- tos e a necessidade de acesso sem restrição a todos que necessitam se faz necessário. Assim, não se tem dúvidas, que a aces- sibilidade é indispensável nos equipa- mentos públicos da assistência social, contudo a utilização dos recursos do cofinanciamento federal na adapta- ção destes imóveis às normas técnicas da ABNT limita-se ao enquadramento como despesa de custeio classificada pela Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, em seu art. 12, §1º, como ”as dotações para manutenção de serviços anteriormentecriados,inclusiveasdes- tinadas a atender a obras de conserva- ção e adaptação de bens imóveis”. Portanto, desde que não haja amplia- ção da obra, a adaptação de bens imó- veis às normas de acessibilidade, que é obrigação da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos da Constituição Federal, enquadra-se como despesa de custeio, sendo pos- sível a utilização dos recursos recebi- dos do FNAS, desde que aplicados em imóveis próprios. Por fim, pelas razões acima expostas, conclui-se que os recursos repassados do FNAS aos fundos municipais, do DF e estaduais de assistência social, es- pecificamente no que tange a dimen- são espaço físico, poderão ser utili- zados nas reformas para adaptação dos equipamentos públicos da as- sistência social às normas técnicas de acessibilidade da ABNT e, tam- bém no pagamento do aluguel do imóvel destinado exclusivamente a instalar ou manter em funciona- mento os CRAS e CREAS.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 82 Anexo 1 SECRETARIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL COMISSÃO INTERGESTORES TRIPARTITE RESOLUÇÃO nº 5, DE 3 DE MAIO DE 2010 A Comissão Intergestores Tripartite - CIT, de acordo com as competências esta- belecidas em seu Regimento Interno e na Norma Operacional Básica do Siste- ma Único da Assistência Social - NOB/SUAS (2005), aprovada pela Resolução n° 130, de 15 de julho de 2005, do Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, e: Considerando que a NOB SUAS/2005 define a responsabilidade dos três entes federados na gestão compartilhada dos serviços socioassistenciais de prote- ção social básica, e; Considerando que o atual Monitoramento SUAS - Censo CRAS, a partir da ver- são disponibilizada no ano de 2009, passa a ser denominado “Monitoramen- to SUAS - Censo SUAS/CRAS”, por englobar tanto o Censo CRAS - Centro de Referência de Assistência Social como o Censo CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social, e; Considerando a criação do Índice de Desenvolvimento dos CRAS/IDCRAS, um indicador sintético, gerado a partir da avaliação do grau de desenvolvimento de cada CRAS (pode ser: insuficiente, regular, suficiente ou superior) em cada uma das quatro dimensões (atividades realizadas, funcionamento, recursos hu- manos e estrutura física), que adota como referência normativas da Proteção Básica do SUAS, e; Considerando os resultados do Censo CRAS 2008, apresentados no Encontro Nacional de Monitoramento do SUAS - Sistema Único de Assistência Social, no ano de 2009, ocorrido nos dias 3 a 5 de junho de 2009, em Brasília, que indi- cou a existência de unidades de CRAS cadastradas no Censo CRAS 2008, com grau insuficiente em pelo menos uma dimensão que compõe o indicador sin- tético do IDCRAS, e; Considerando a Resolução CIT nº6, de 1º de julho de 2008, que aprovou o pro- cesso de acompanhamento das situações identificadas como insatisfatórias na implementação do Programa de Atenção Integral a Família (PAIF) nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), e; Considerando a necessidade de que todas as unidades de CRAS atinjam grada- tivamente o grau suficiente em todas as dimensões que compõem o Indicador Sintético CRAS (o IDCRAS) para garantia de um atendimento satisfatório aos usuários do SUAS, e;
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    83 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Considerando a necessidade de contribuir para o planejamento, por parte de todos os entes federados, de ações para enfrentamento das dificuldades de- tectadas pelos municípios e DF, na implantação dos CRAS, resolve: Art.1º Instituir, de forma pactuada, as metas de desenvolvimento dos CRAS por períodos anuais, visando sua gradativa adaptação aos padrões normativos es- tabelecidos pelo SUAS, com início em 2008 e término em 2013. Parágrafo 1º As metas de desenvolvimento dos CRAS, por período anual, de que trata o caput deste artigo, se encontram descritas no Anexo. Parágrafo 2º Cada período anual se inicia no primeiro dia após o encerramento do Censo SUAS/CRAS de um ano e se encerra no último dia do preenchimento do Censo do ano subsequente. Parágrafo 3º São cinco os períodos anuais a que se refere o caput deste artigo: 2008/2009, 2009/2010, 2010/2011, 2011/2012 e 2012/2013. Parágrafo 4º As metas instituídas para o período anual 2008/2009 consistem nas situações identificadas como insatisfatórias conforme Resolução CIT nº 6, de 2008. Art.2º Encerrado o período de preenchimento do Censo SUAS/CRAS, quando finaliza um período anual, o MDS se responsabilizará por gerar, no mínimo, as seguintes informações: I - Relação dos CRAS, por município, que tem desafios para atingir as metas estipuladas para o período anual que se inicia; II - Relação dos CRAS, por município, que alcançaram as metas previstas para o período anual que se encerrou; III - Relação dos CRAS, por município, que não alcançaram as metas previstas para o período anual que se encerrou. Art. 3º As informações de que trata o Art. 2º e os incisos deverão ser divulgadas para todos os entes federados conforme responsabilidades de cada ente. Art.4º Os procedimentos e responsabilidades relativas aos casos de não alcan- ce das metas anuais para o desenvolvimento dos CRAS serão estabelecidos por pactuação nacional e publicados em resolução da CIT.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 84 Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. VALERIA MARIA DE MASSARANI GONELLI P/Secretaria Nacional de Assistência Social Substituta EUTALIA BARBOSA RODRIGUES P/Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Assistência Social IEDA MARIA NOBRE DE CASTRO P/Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social
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    85 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 ANEXO (da Resolução nº 5/2010) Metas de desenvolvimento para os CRAS, por período anual Período Anual 2008/2009 RECURSOSHUMANOS Pequeno Porte I: a) possuir, no mínimo, 1 técnico de nível superior compondo a equipe de referência Pequeno Porte II: a) possuir, no mínimo, 1 técnico de nível superior compondo a equipe de referência Portes Médios, Grande, Metrópole: a) Possuir, no mínimo, 2 técnicos de nível superior compondo a equipe de referência ESTRUTURA FISICA a) Possuir no mínimo 2 Salas (salas de atendimento ou administrativa) b) Possuir banheiro c) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade d) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária e) Possuir Placa de identificação em modelo padrão HORÁRIODE FUNCIONAMENTO ATIVIDSADESREALIZADAS a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana b) Funcionamento igual ou superior a 6 horas por dia; c) Realizar acompanhamento de famílias; d) Realizar visitas domiciliares
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 86 Período Anual 2009/2010 RECURSOSHUMANOS Pequeno Porte I: a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social. E possuir 1 técnico com, no mínimo, nível médio; b) Dentre os 2 técnicos de nível superior designar 1 (um) para função de coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Ou possuir um terceiro técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Pequeno Porte II: a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social. E possuir 1 técnico com, no mínimo, nível médio; b) Dentre os 2 técnicos de nível superior designar 1 (um) para função de coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Ou possuir um terceiro técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Portes Médios, Grande, Metrópole:a a) Possuir 3 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social. E possuir 1 técnico com, no mínimo, nível médio; b) Dentre os 3 técnicos de nível superior designar 1 (um) para função de coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). Ou possuir um quarto técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário, comissionado, CLT ou contrato temporário). ESTRUTURAFISICA a) Possuir 2 Salas, sendo pelo menos uma com capacidade superior a 15 pessoas b) Possuir banheiro c) Possuir recepção d) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade e) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária f) Possuir Placa de identificação em modelo padrão HORÁRIODEFUNCIONAMENTO EATIVIDSADESREALIZADAS a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia; c) Realizar acompanhamento de famílias; d) Realizar visitas domiciliares e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias g) Realizar busca ativa h) Orientação/acompanhamento para inserção de famílias no BPC i)Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
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    87 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Período Anual 2010/2011 RECURSOSHUMANOS Pequeno Porte I: a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e, preferencialmente, 1 psicólogo. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio; (Quantidade e Perfil NOB-RH) b) Dentre os 2 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um terceiro técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado) Pequeno Porte II: a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e, preferencialmente, 1 psicólogo. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio. Dentre os 2 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um terceiro técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado). Portes Médios, Grande, Metrópole: a) Possuir, 4 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais, 1 psicólogo e um profissional que compõe o SUAS. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio; b) Dentre os 4 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de coordenador(estatutário ou comissionado). Ou possuir um quinto técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado). ESTRUTURAFISICA a) Possuir 2 Salas, sendo pelo menos uma com capacidade superior a 15 pessoas b) Possuir banheiro c) Possuir recepção d)Possuir rota acessível para pessoas idosas e com deficiência aos principais acessos do CRAS: recepção, sala de atendimento e sala de uso coletivo e) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade f) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária g) Possuir Placa de identificação em modelo padrão h) Possuir computador HORÁRIODEFUNCIONAMENTO EATIVIDSADESREALIZADAS a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia; c) Realizar acompanhamento de famílias; d) Realizar visitas domiciliares e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias g) Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios eventuais h) Realizar Atividades de gestão do Território, articulando a rede de proteção social básica i) Realizar busca ativa j) Orientação/acompanhamento para inserção de famílias no BPC k)Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico OBS: Os tópicos que aparecem em destaque neste período são metas agregadas, em 2010/2011, às demais metas já estipuladas para os períodos anteriores. Visam tornar mais fácil para o município, DF e Esta- dos, identificar quais se agregam neste período anual vigente.
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 88 Período Anual 2011/2012 RECURSOSHUMANOS Pequeno Porte I: a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e outro preferencialmente psicólogo. E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio (Quantidade e Perfil NOB-RH); b) Dentre os 2 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um terceiro técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado). Pequeno Porte II: a) Possuir 3 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais e outro preferencialmente psicólogo. E possuir 3 técnicos com, no mínimo, nível médio. (Quantidade e Perfil NOB-RH); b) Dentre os 3 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um quarto técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado). Portes Médios, Grande, Metrópole: a) Possuir 4 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais, 1 psicólogo e 1 profissional que compõe o SUAS. E possuir 4 técnicos com, no mínimo, nível médio. (Quantidade e Perfil NOB-RH); b) Dentre os 4 técnicos de nível superior, designar 1 (um) para a função de coordenador (estatutário ou comissionado). Ou possuir um quinto técnico de nível superior com função exclusiva de coordenador (estatutário ou comissionado). ESTRUTURAFISICA a) Possuir 2 Salas, pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas b) Possuir banheiro c) Possuir recepção d) Possuir rota acessível para pessoas idosas e com deficiência aos principais acessos do CRAS: recepção, sala de atendimento, sala de uso coletivo e banheiros e) Possuir sala administrativa f) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade g) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária h) Possuir Placa de identificação em modelo padrão i) Possuir computador HORÁRIODEFUNCIONAMENTO EATIVIDSADESREALIZADAS a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia; c) Realizar acompanhamento de famílias; d) Realizar visitas domiciliares e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias g) Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios eventuais h) Realizar Atividades de gestão do Território, articulando a rede de proteção social básica i) Orientação/acompanhamento para inserção no BPC j) Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico g) Realizar busca ativa h) Orientação/acompanhamento para inserção de famílias no BPC i) Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
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    89 Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 Período Anual 2012/2013 RECURSOSHUMANOS Pequeno Porte I: a) Possuir 2 técnicos de nível superior, sendo 1 assistente social e outro preferencialmente psicólogo; E possuir 2 técnicos com, no mínimo, nível médio (Quantidade e Perfil NOB-RH + 01 profissional); b) Possuir 01 (um) coordenador de nível superior em função exclusiva, (estatutário ou comissionado). Pequeno Porte II: a) Possuir 3 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais e outro preferencialmente psicólogo; E possuir 3 técnicos com, no mínimo, nível médio. (Quantidade e Perfil NOB-RH + 01 profissional); b) Possuir 01 (um) coordenador em função exclusiva, (estatutário ou comissionado). Portes Médios, Grande, Metrópole: a) Possuir 4 técnicos de nível superior, sendo 2 assistentes sociais, 1 psicólogo e 1 profissional que compõe o SUAS; e 4 técnicos com, no mínimo, nível médio. (Quantidade e Perfil NOB-RH+ 01 profissional); b) Possuir 01 (um) coordenador em função exclusiva, (estatutário ou comissionado). ESTRUTURAFÍSICA a) Possuir 2 Salas, pelo menos 1 com capacidade superior a 15 pessoas b) Possuir banheiro com condições de acessibilidade para pessoas idosas e com deficiência, em conformidade com as normas da ABNT c) Possuir recepção d) Possuir rota acessível para pessoas idosas e com deficiência aos principais acessos do CRAS: recepção, sala de atendimento, sala de uso coletivo e banheiros e) Possuir sala administrativa f) Espaço Físico não Compartilhado com ONGs/Entidade g) Espaço Físico não Compartilhado com Associação Comunitária i) Possuir Placa de identificação em modelo padrão j) Estar informatizado com computadores e acesso a internet HORÁRIODEFUNCIONAMENTO EATIVIDSADESREALIZADAS a) Funcionamento igual ou superior a 5 dias por semana b) Funcionamento igual ou superior a 8 horas por dia; c) Realizar acompanhamento de famílias; d) Realizar visitas domiciliares e) Acompanhamento prioritário das famílias em descumprimento de condicionalidades do PBF f) Realizar oficinas/grupos de convivência com famílias g) Acompanhamento prioritário a famílias com beneficiários do BPC e benefícios eventuais h) Realizar Atividades de gestão do Território, articulando a rede de proteção social básica i)Realizar busca ativa j) Orientação/acompanhamento para inserção no BPC k) Encaminhamento para inserção de famílias no CadÚnico
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    Volume 1 Orientações Técnicas, Metas de Desenvolvimento dos CRAS Período 2010/2011 90 Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 9050: 2004. www. abnt.org.br. _______CASTRO, Flavio José Rodrigues de. CRAS: a melhoria da estrutura físi- ca para o aprimoramento dos serviços: orientação para gestores e projetistas municipais – Brasília, DF: MDS, Secretaria Nacional de Assistencia Social, 2009. 56p. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A Melhoria da Estrutura Física para o Aprimoramento dos Serviços”. 1 ed. Brasília: MDS, 2009; Página 40. BRASIL. Comissão Intergestores Tripar- tite. Protocolo de Gestão Integrada de Serviços, Benefícios e Transferências de Renda no âmbito do Sistema Único de Assistência Social - SUAS (Resolução Nº 07, de 10 de setembro de 2009). Brasília, MDS: 2009. BRASIL. Comissão Intergestores Triparti- te. Resolução nº 01 de 18/04/07. BRASIL. Comissão Intergestores Triparti- te. Resolução nº05 de 06/12/07. BRASIL. Comissão Intergestores Triparti- te. Resolução nº 06 de 01/07/08. BRASIL. Comissão Intergestores Triparti- te. Resolução nº 07 de 19/08/08. BRASIL. Comissão Intergestores Triparti- te. Resolução n° 05 de 03/05/10. BRASIL. Comissão Intergestores Triparti- te. Resolução n° 08 de 14/07/10. BRASIL. Conselho Nacional de Assistên- cia Social. Tipificação Nacional de Ser- viços Socioassistenciais (Resolução Nº 109, de 11 de novembro de 2009). Brasí- lia, MDS: 2009. BRASIL. Constituição da República Fede- rativa do Brasil. Brasília: Senado Fede- ral, 1988 BRASIL. Decreto nº 1.605, de 25/08/95. BRASIL. Decreto n° 3.877, de 24/07/01. BRASIL. Decreto nº 5.085, de 19/05/04 BRASIL. Decreto n° 5.209, de 17/09/04. BRASIL. Decreto n°5.296, de 02/12/04. BRASIL. Decreto n°6.214, de 26/09/2007. BRASIL. Decreto nº 6.307, de 14/12/07. BRASIL. Decreto n° 6.564, de 12/09/2008. Referências Bibliográficas
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