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Conto de Natal

                                             Faltavam duas semanas para o Natal e o gelo
                                       cobria os telhados das casas, os carros e os jardins.

                                             Laura, cansada, agarrava-se ao corrimão gélido,
                                       enquanto olhava em seu redor. As pessoas olhavam
                                       para as suas roupas rasgadas, sujas e gastas como se
                                       nunca tivessem visto uma criança.

                                             O estômago doía-lhe de tanta fome que sentia,
                                       pois aqueles olhos doces já não viam um pedaço de
                                       pão há muito…

      As pessoas saíam às ruas entusiasmadas com as compras que teriam de fazer e
continuavam a afastar-se dela como se tivesse uma doença contagiosa.

      D. Odete saiu à rua com o filho Miguel puxado por uma mão enquanto na outra trazia
uma lista de compras e prendas.

      - E agora mãe, onde vamos? - perguntou Miguel.

      - A loja da senhora Rosinha, tem coisas baratas e bonitas! – respondeu D. Odete
convicta de que não podia gastar muito.

      Quando entraram na loja, a senhora Rosinha saudou-as enquanto a mãe analisava quais
as meias mais baratas.

      Já um bocado farta de não encontrar nada bonito que não custasse menos de cinquenta
cêntimos, agarrou numas meias feias, número quarenta para mulher e outas, número
quarenta para homem e dirigiu-se ao balcão.

      - Mãe, tenho fome! – Miguel dizia isto enquanto tocava na barriga vazia.

      - Calma, já estamos a ir! – a D. Odete também já tinha fome, mas teve de vir, de manhã,
para não se encontrar com a sogra, mais tarde.

       Laura continuava a andar à espera de encontrar alguma moeda caída no chão ou então
teria de voltar para a tutoria, onde Elisa, uma rapariga acusada de matar a mãe à facada, a
torturava perdidamente mas, pelo menos, lá, ela comia alguma coisa.

       D. Odete tinha ido buscar pão à padaria do senhor Manuel e, quando saiu da pequena
loja, chateou-se com o filho por este estar coberto de lama e água.

      Laura continuava a andar mas, desta vez, ninguém se afastava dela, as pessoas já nem
ligavam, simplesmente ignoravam-na tanto que muita gente vinha contra ela sem se
desculpar.
D. Odete continuava a ralhar com Miguel e quando chegaram à porta da casa e pararam,
de novo, para mais um ralhete, Laura aproximou-se, discretamente, e como ambos estavam
distraídos nem repararam na presença da rapariga que, num impulso, agarrou no pão que
permanecia numa saca plástica transparente.

          - Ei! Menina, vou fazer queixa de ti! – ameaçou a D. Odete.

          Mas Miguel já tinha Laura presa com as mãos atrás das costas.

          D. Odete mandou-os entrar.

          - Tu, senta-te! E apontou o dedo à menina.

          - E tu, vai-te despir – ordenou ao filho.

          Laura sentou-se, meio tímida, no sofá velho, mas limpo que se situava na sala decorada
a azul.

          - Então… Como te chamas menina? - D. Odete não se sentia à vontade com a miúda.

          - Laura, eu peço desculpa por aquilo de há bocado…- disse medrosa.

          - Então e o que é que aconteceu aos teus país?

      - Os meus pais morreram há muito e depois eu fui para uma tutoria, mas fugi porque
não gostava de lá estar.

          - E agora, para onde vais? Se quiseres ficar aqui, tudo bem…

          - A sério?! Obrigada.

      Faltavam duas semanas para o Natal e Laura ajudou D. Odete e Miguel a decorarem
tudo, até que chegou o grande dia.

          Jantaram, abriram as prendas e divertiram-se como uma verdadeira família!



Inês Alves Nº 7 6º E

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  • 1. Conto de Natal Faltavam duas semanas para o Natal e o gelo cobria os telhados das casas, os carros e os jardins. Laura, cansada, agarrava-se ao corrimão gélido, enquanto olhava em seu redor. As pessoas olhavam para as suas roupas rasgadas, sujas e gastas como se nunca tivessem visto uma criança. O estômago doía-lhe de tanta fome que sentia, pois aqueles olhos doces já não viam um pedaço de pão há muito… As pessoas saíam às ruas entusiasmadas com as compras que teriam de fazer e continuavam a afastar-se dela como se tivesse uma doença contagiosa. D. Odete saiu à rua com o filho Miguel puxado por uma mão enquanto na outra trazia uma lista de compras e prendas. - E agora mãe, onde vamos? - perguntou Miguel. - A loja da senhora Rosinha, tem coisas baratas e bonitas! – respondeu D. Odete convicta de que não podia gastar muito. Quando entraram na loja, a senhora Rosinha saudou-as enquanto a mãe analisava quais as meias mais baratas. Já um bocado farta de não encontrar nada bonito que não custasse menos de cinquenta cêntimos, agarrou numas meias feias, número quarenta para mulher e outas, número quarenta para homem e dirigiu-se ao balcão. - Mãe, tenho fome! – Miguel dizia isto enquanto tocava na barriga vazia. - Calma, já estamos a ir! – a D. Odete também já tinha fome, mas teve de vir, de manhã, para não se encontrar com a sogra, mais tarde. Laura continuava a andar à espera de encontrar alguma moeda caída no chão ou então teria de voltar para a tutoria, onde Elisa, uma rapariga acusada de matar a mãe à facada, a torturava perdidamente mas, pelo menos, lá, ela comia alguma coisa. D. Odete tinha ido buscar pão à padaria do senhor Manuel e, quando saiu da pequena loja, chateou-se com o filho por este estar coberto de lama e água. Laura continuava a andar mas, desta vez, ninguém se afastava dela, as pessoas já nem ligavam, simplesmente ignoravam-na tanto que muita gente vinha contra ela sem se desculpar.
  • 2. D. Odete continuava a ralhar com Miguel e quando chegaram à porta da casa e pararam, de novo, para mais um ralhete, Laura aproximou-se, discretamente, e como ambos estavam distraídos nem repararam na presença da rapariga que, num impulso, agarrou no pão que permanecia numa saca plástica transparente. - Ei! Menina, vou fazer queixa de ti! – ameaçou a D. Odete. Mas Miguel já tinha Laura presa com as mãos atrás das costas. D. Odete mandou-os entrar. - Tu, senta-te! E apontou o dedo à menina. - E tu, vai-te despir – ordenou ao filho. Laura sentou-se, meio tímida, no sofá velho, mas limpo que se situava na sala decorada a azul. - Então… Como te chamas menina? - D. Odete não se sentia à vontade com a miúda. - Laura, eu peço desculpa por aquilo de há bocado…- disse medrosa. - Então e o que é que aconteceu aos teus país? - Os meus pais morreram há muito e depois eu fui para uma tutoria, mas fugi porque não gostava de lá estar. - E agora, para onde vais? Se quiseres ficar aqui, tudo bem… - A sério?! Obrigada. Faltavam duas semanas para o Natal e Laura ajudou D. Odete e Miguel a decorarem tudo, até que chegou o grande dia. Jantaram, abriram as prendas e divertiram-se como uma verdadeira família! Inês Alves Nº 7 6º E