Patologia
Classificação morfológica das inflamações
As inflamações se modificam em agudas e crônicas de acordo
com sua duração. Do ponto de vista morfológico, nas agudas
predominam os fenômenos exsudativos, enquanto que nas crônicas
predominam os produtivos. Ocorrem inflamações conseqüentes a
causas físicas, químicas ou biológicas. Entre as causas físicas, umas
das mais importantes são os traumas, as variações de temperatura
(queimaduras e congelamento) e as irradiações. A obstrução do
ducto excretor de uma glândula é uma causa física de inflamação
(pancreatite conseqüente à obstrução do ducto).
Entre as causas químicas, salientamos os ácidos e álcalis fortes,
os gases venenosos ou mesmo alguns produtos biológicos como
toxinas bacterianas ou enzimas. Como exemplos, lembramos a
toxina diftérica ou as enzimas pancreáticas. Entre as causas
biológicas, além dos fungos, bactérias e vírus, devemos nos lembrar
do papel importante que os fenômenos imunitários desempenham
como causa de inflamações.
Critérios de classificação das inflamações
 De acordo com a duração:
Agudas
Crônicas
 De acordo com a causa:
Físicas
Químicas
Biológicas
agressores vivos (fungos, bactérias, vírus, etc).
enzimas e toxinas biológicas.
Imunológicas.
 De acordo com o exsudato:
Serosas
Fribosas
Hemorrágicas
 Tipos especiais:
Úlcera
Abcesso
Inflamações Agudas
As inflamações agudas são classificadas de acordo com as
características do exsudato. Conforme o tipo, a intensidade e a
duração da agressão haverá maior ou menor alteração da
permeabilidade vascular e, como conseqüência, varia a proporção
dos elementos do exsudato. Quando o exsudato é
predominamente constituído por líquido, as inflamações são
denominadas inflamações serosas. As inflamações serosas são
principalmente observadas nas cavidades pré-formadas como a
pleura, o pericárdio, o peritônio e as cavidades articulares.
Nestes casos, o líquido que se acumula contém
macromoléculas (albumina), algumas células, especialmente
neutrófilos e hemácias. Outro exemplo de inflamação serosa são
as bolhas que podem se formar na pele como conseqüência de
agressões leves como queimaduras ou traumatismos. O líquido,
com macromoléculas e poucas células, se acumula logo abaixo da
epiderme ou dissocia a epiderme. Na verdade, as primeiras fases
de quase todas as inflamações são constituídas por acúmulo de
líquido nos interstícios.
Inflamações fibrosas são aquelas em que o exsudato contém
grande quantidade de proteínas plasmáticas, inclusive
fibrinogênio. Este, em contato com o interstício, se polimeriza em
fibrilas de fibrina que se depositam sobre as superfícies serosas e
mucosas. Nas inflamações agudas, de modo geral, forma-se
fibrina que, nos interstícios, favorece a migração dos neutrófilos e
macrófagos. Nestes casos, a fibrina é apenas um e não o
componente dominante do exsudato.
Quando o exsudato contém grande número de neutrófilos, a
inflamação se chama purulenta ou supurativa. Como os
neutrófilos ao fagocitar as bactérias liberam parte de suas enzimas
para os interstícios e, principalmente, como os neutrófilos têm
vida curta, a presença de grande número de neutrófilos resulta na
liberação local de grande quantidade de enzimas líticas, o que
determina a liquefação do centro da área inflamada e dos tecidos
circunvizinhos. A necrose liquefativa resultante da digestão dos
agentes e dos tecidos infectados, como também das próprias
células inflamatórias, chama-se pus e confere o nome de
supurativa ou purulenta à inflamação.
As cavidades cheias de pus resultantes da maioria das
inflamações purulentas são chamadas de abcesso. Um abcesso é
uma coleção localizada de pus e pode ser encontrado em
variadíssimas situações.
Úlcera é uma forma de inflamação caracterizada pela perda de
tecido em uma superfície da pele ou das mucosas. As úlceras
podem ser a conseqüência de traumatismos ou ainda de outros
tipos de agressão como, por exemplo, da ação de toxinas
bacterianas como acontece no intestino, nas infecções por
Shigelas ou ainda pela ação de substâncias químicas como, por
exemplo, um ácido.
Inflamação crônica
A inflamação aguda por ter quatro tipos de evolução: 1-
Resolução: quando a lesão é pequena, ao se eliminar o agressor,
tudo volta à normalidade; como exemplo, um pequeno
traumatismo da mucosa bucal; após horas, nada resta da lesão ou
inflamação; 2- Cicatrização: quando há destruição de tecido o
dano será reparado, sendo a área lesada substituída por uma
cicatriz; como exemplo, uma queimadura na pele; 3- Formação de
abcesso: quando agentes piogênicos se instalam na profundidade
dos tecidos, uma “espinha”, por exemplo; 4- Progressão para
inflamação crônica: isto ocorre quando o agente inflamatório não
é eliminado pelo processo inflamatório agudo.
Quando o agente causador da agressão é inerte ou muito pouco
agressivo, ou ainda quando ele persiste a despeito da inflamação
aguda, a reação inflamatória assume características diferentes.
Em vez de um exsudato rico em líquido, fibrina e neutrófilos,
haverá aumento na proporção de linfócitos, macrófagos,
proliferação de vasos e de fibroblastos, com deposição de
colágeno. Os motivos pelos quais os agentes agressores persistem
na área inflamada são variados. Às vezes eles o fazem por serem
inertes, insolúveis e, portanto, capazes de permanecer nos tecidos
em que pese a ação do exsudato da inflamação. Como exemplo,
podemos citar corpos estranhos como gravetos, fragmentos de
vidro ou de outros materiais insolúveis. Pode ainda o agente
agressor invadir as células do hospedeiro, nelas se instalar e se
reproduzir. É o que acontece em várias doenças infecciosas como
a hanseníase, a turbeculose, a doença de Chagas e viroses.
Inflamação crônica é, portanto, a soma das reações do
organismo como conseqüência da persistência do agente agressor
(biológico, físico, químico, imunológico), que não é eliminado
pelos mecanismos da inflamação aguda. As características mais
marcantes da inflamação crônica são o predomínio de células
mononucleares (linfócitos, macrófagos, plasmócitos) e a
proliferação de fibroblastos e de vasos. As alterações vasculares
da inflamação aguda se caracterizam pelo aumento da
permeabilidade. Nas crônicas, o papel dos vasos é menos
evidente, apesar de ainda muito importante. As inflamações
crônicas são caracterizadas por proliferação, ou seja, por
neoformação vascular.
O Tecido de Granulação
Tanto nas inflamações agudas, quanto nas crônicas, como
também na organização dos infartos e dos trombos, os estímulos à
proliferação de vasos e fibroblastos originam o tecido de
granulação. Este tecido foi descrito na reparação de ferimentos da
pele e se caracteriza pela proliferação de vasos que se dirigem à
área lesada acompanhados de outras células (neutrófilos,
macrófagos, linfócitos, plasmócitos) e de fibroblastos. A medida
que os fagócitos lisam os tecidos necróticos ou a fibrina, os vasos
vão se proliferando em direção à lesão, trazendo com eles o
sangue de que se originam os leucócitos exsudatos. São
acompanhados pelos fibroblastos que sintetizam colágeno.
Progressivamente, a área lesada vai sendo substituída por uma
cicatriz fibrosa. Quando o agente persiste, ocorre equilíbrio entre
a progressão da lesão causada pelo agente e o tecido de
granulação que tenderá a formar uma barreira de tecido fibroso
para isolar o agente dos tecidos do hospedeiro.
Os capilares neoformados do tecido de granulação permitem a
saída de plasma, o que explica seu aspecto suculento. Por sua vez,
quando a lesão é na pele ou em uma mucosa, forma-se crosta de
fibrina na sua superfície, a “casca” das feridas que nada mais é do
que fibrina dessecada recobrindo o fundo da úlcera.
Tecido de granulação é um termo muito antigo, usado por
cirurgiões militares, que descreve o que aparece quando a crosta
de fibrina é retirada do fundo de uma úlcera traumática da pele.
Os “grânulos” correspondem às alças capilares constituídas pelos
capilares neoformados, sendo, portanto vermelhos. A presença do
tecido de granulação era interpretado como de bom prognóstico.
Agente Inerte
Vários tipos de substâncias inertes podem ser introduzidos nos
tecidos, alguns como conseqüência de traumatismos, outros,
como os fios de sutura, através de intervenções cirúrgicas. Uma
vez nos interstícios, ocorre imediatamente uma reação
inflamatória aguda, causada pela lesão tecidual provocada pela
própria penetração do corpo inerte. Esta fase fugaz é logo seguida
pela chegada ao local de macrófagos que se agrupam em volta do
agressor. O corpo estranho acaba sendo envolvido por reação
conhecida como granuloma de corpo estranho.
As inflamações crônicas podem assumir alguns aspectos como
abcesso, úlceras, aderências. As aderências (bridas) são o
resultado de uma inflamação crônica que leva a que vísceras se
liguem umas às outras ou à parede das cavidades naturais. Um
exemplo é a formação de aderência entre a superfície do útero e a
parede abdominal após uma cesárea. Aderências podem ser
benéficas, como acontece quando uma víscera inflamada
(apêndice) adere aos tecidos vizinhos e impede que o processo
inflamatório se estenda.

Classificaçao Morfologica das inflamaçoes.doc

  • 1.
    Patologia Classificação morfológica dasinflamações As inflamações se modificam em agudas e crônicas de acordo com sua duração. Do ponto de vista morfológico, nas agudas predominam os fenômenos exsudativos, enquanto que nas crônicas predominam os produtivos. Ocorrem inflamações conseqüentes a causas físicas, químicas ou biológicas. Entre as causas físicas, umas das mais importantes são os traumas, as variações de temperatura (queimaduras e congelamento) e as irradiações. A obstrução do ducto excretor de uma glândula é uma causa física de inflamação (pancreatite conseqüente à obstrução do ducto). Entre as causas químicas, salientamos os ácidos e álcalis fortes, os gases venenosos ou mesmo alguns produtos biológicos como toxinas bacterianas ou enzimas. Como exemplos, lembramos a toxina diftérica ou as enzimas pancreáticas. Entre as causas biológicas, além dos fungos, bactérias e vírus, devemos nos lembrar do papel importante que os fenômenos imunitários desempenham como causa de inflamações. Critérios de classificação das inflamações  De acordo com a duração: Agudas Crônicas  De acordo com a causa: Físicas Químicas Biológicas agressores vivos (fungos, bactérias, vírus, etc).
  • 2.
    enzimas e toxinasbiológicas. Imunológicas.  De acordo com o exsudato: Serosas Fribosas Hemorrágicas  Tipos especiais: Úlcera Abcesso Inflamações Agudas As inflamações agudas são classificadas de acordo com as características do exsudato. Conforme o tipo, a intensidade e a duração da agressão haverá maior ou menor alteração da permeabilidade vascular e, como conseqüência, varia a proporção dos elementos do exsudato. Quando o exsudato é predominamente constituído por líquido, as inflamações são denominadas inflamações serosas. As inflamações serosas são principalmente observadas nas cavidades pré-formadas como a pleura, o pericárdio, o peritônio e as cavidades articulares. Nestes casos, o líquido que se acumula contém macromoléculas (albumina), algumas células, especialmente neutrófilos e hemácias. Outro exemplo de inflamação serosa são as bolhas que podem se formar na pele como conseqüência de agressões leves como queimaduras ou traumatismos. O líquido, com macromoléculas e poucas células, se acumula logo abaixo da epiderme ou dissocia a epiderme. Na verdade, as primeiras fases de quase todas as inflamações são constituídas por acúmulo de líquido nos interstícios.
  • 3.
    Inflamações fibrosas sãoaquelas em que o exsudato contém grande quantidade de proteínas plasmáticas, inclusive fibrinogênio. Este, em contato com o interstício, se polimeriza em fibrilas de fibrina que se depositam sobre as superfícies serosas e mucosas. Nas inflamações agudas, de modo geral, forma-se fibrina que, nos interstícios, favorece a migração dos neutrófilos e macrófagos. Nestes casos, a fibrina é apenas um e não o componente dominante do exsudato. Quando o exsudato contém grande número de neutrófilos, a inflamação se chama purulenta ou supurativa. Como os neutrófilos ao fagocitar as bactérias liberam parte de suas enzimas para os interstícios e, principalmente, como os neutrófilos têm vida curta, a presença de grande número de neutrófilos resulta na liberação local de grande quantidade de enzimas líticas, o que determina a liquefação do centro da área inflamada e dos tecidos circunvizinhos. A necrose liquefativa resultante da digestão dos agentes e dos tecidos infectados, como também das próprias células inflamatórias, chama-se pus e confere o nome de supurativa ou purulenta à inflamação. As cavidades cheias de pus resultantes da maioria das inflamações purulentas são chamadas de abcesso. Um abcesso é uma coleção localizada de pus e pode ser encontrado em variadíssimas situações. Úlcera é uma forma de inflamação caracterizada pela perda de tecido em uma superfície da pele ou das mucosas. As úlceras podem ser a conseqüência de traumatismos ou ainda de outros tipos de agressão como, por exemplo, da ação de toxinas bacterianas como acontece no intestino, nas infecções por Shigelas ou ainda pela ação de substâncias químicas como, por exemplo, um ácido. Inflamação crônica A inflamação aguda por ter quatro tipos de evolução: 1- Resolução: quando a lesão é pequena, ao se eliminar o agressor,
  • 4.
    tudo volta ànormalidade; como exemplo, um pequeno traumatismo da mucosa bucal; após horas, nada resta da lesão ou inflamação; 2- Cicatrização: quando há destruição de tecido o dano será reparado, sendo a área lesada substituída por uma cicatriz; como exemplo, uma queimadura na pele; 3- Formação de abcesso: quando agentes piogênicos se instalam na profundidade dos tecidos, uma “espinha”, por exemplo; 4- Progressão para inflamação crônica: isto ocorre quando o agente inflamatório não é eliminado pelo processo inflamatório agudo. Quando o agente causador da agressão é inerte ou muito pouco agressivo, ou ainda quando ele persiste a despeito da inflamação aguda, a reação inflamatória assume características diferentes. Em vez de um exsudato rico em líquido, fibrina e neutrófilos, haverá aumento na proporção de linfócitos, macrófagos, proliferação de vasos e de fibroblastos, com deposição de colágeno. Os motivos pelos quais os agentes agressores persistem na área inflamada são variados. Às vezes eles o fazem por serem inertes, insolúveis e, portanto, capazes de permanecer nos tecidos em que pese a ação do exsudato da inflamação. Como exemplo, podemos citar corpos estranhos como gravetos, fragmentos de vidro ou de outros materiais insolúveis. Pode ainda o agente agressor invadir as células do hospedeiro, nelas se instalar e se reproduzir. É o que acontece em várias doenças infecciosas como a hanseníase, a turbeculose, a doença de Chagas e viroses. Inflamação crônica é, portanto, a soma das reações do organismo como conseqüência da persistência do agente agressor (biológico, físico, químico, imunológico), que não é eliminado pelos mecanismos da inflamação aguda. As características mais marcantes da inflamação crônica são o predomínio de células mononucleares (linfócitos, macrófagos, plasmócitos) e a proliferação de fibroblastos e de vasos. As alterações vasculares da inflamação aguda se caracterizam pelo aumento da permeabilidade. Nas crônicas, o papel dos vasos é menos evidente, apesar de ainda muito importante. As inflamações
  • 5.
    crônicas são caracterizadaspor proliferação, ou seja, por neoformação vascular. O Tecido de Granulação Tanto nas inflamações agudas, quanto nas crônicas, como também na organização dos infartos e dos trombos, os estímulos à proliferação de vasos e fibroblastos originam o tecido de granulação. Este tecido foi descrito na reparação de ferimentos da pele e se caracteriza pela proliferação de vasos que se dirigem à área lesada acompanhados de outras células (neutrófilos, macrófagos, linfócitos, plasmócitos) e de fibroblastos. A medida que os fagócitos lisam os tecidos necróticos ou a fibrina, os vasos vão se proliferando em direção à lesão, trazendo com eles o sangue de que se originam os leucócitos exsudatos. São acompanhados pelos fibroblastos que sintetizam colágeno. Progressivamente, a área lesada vai sendo substituída por uma cicatriz fibrosa. Quando o agente persiste, ocorre equilíbrio entre a progressão da lesão causada pelo agente e o tecido de granulação que tenderá a formar uma barreira de tecido fibroso para isolar o agente dos tecidos do hospedeiro. Os capilares neoformados do tecido de granulação permitem a saída de plasma, o que explica seu aspecto suculento. Por sua vez, quando a lesão é na pele ou em uma mucosa, forma-se crosta de fibrina na sua superfície, a “casca” das feridas que nada mais é do que fibrina dessecada recobrindo o fundo da úlcera. Tecido de granulação é um termo muito antigo, usado por cirurgiões militares, que descreve o que aparece quando a crosta de fibrina é retirada do fundo de uma úlcera traumática da pele. Os “grânulos” correspondem às alças capilares constituídas pelos capilares neoformados, sendo, portanto vermelhos. A presença do tecido de granulação era interpretado como de bom prognóstico. Agente Inerte
  • 6.
    Vários tipos desubstâncias inertes podem ser introduzidos nos tecidos, alguns como conseqüência de traumatismos, outros, como os fios de sutura, através de intervenções cirúrgicas. Uma vez nos interstícios, ocorre imediatamente uma reação inflamatória aguda, causada pela lesão tecidual provocada pela própria penetração do corpo inerte. Esta fase fugaz é logo seguida pela chegada ao local de macrófagos que se agrupam em volta do agressor. O corpo estranho acaba sendo envolvido por reação conhecida como granuloma de corpo estranho. As inflamações crônicas podem assumir alguns aspectos como abcesso, úlceras, aderências. As aderências (bridas) são o resultado de uma inflamação crônica que leva a que vísceras se liguem umas às outras ou à parede das cavidades naturais. Um exemplo é a formação de aderência entre a superfície do útero e a parede abdominal após uma cesárea. Aderências podem ser benéficas, como acontece quando uma víscera inflamada (apêndice) adere aos tecidos vizinhos e impede que o processo inflamatório se estenda.