CINZAS DE DEJETOS DE SUÍNOS COMO ADIÇÃO EM PRODUTOS À BASE DE 
CIMENTO 
L.S. MARTELLO1, C.E.F. CASADO2, H. SAVASTANO JÚNIOR3 
RESUMO: A deposição de dejetos de suínos no solo, de forma aleatória e continuada, tem acarretado 
conseqüências graves ao ambiente. Portanto, torna-se importante o desenvolvimento de maior número 
de pesquisas sobre a utilização adequada e novas alternativas para o uso desse resíduo. O objetivo 
desse trabalho foi investigar a cinza dos dejetos de suínos como material pozolânico e o potencial de 
sua utilização como substituto parcial do cimento. Os trabalhos foram divididos em duas fases. A 
primeira foi composta pela obtenção e caracterização das cinzas e a segunda pela análise da argamassa 
resultante, por meio da sua resistência à compressão (RC), absorção de água (AA), densidade (DS) e 
porosidade aparente (PA), realizados após 28 dias de cura imersa. Foram moldados 12 corpos-de-prova 
(CPs) cilíndricos, com 0, 10, 20 e 30% de cinzas em substituição ao cimento com três repetições 
para cada nível. A RC apresentou um efeito quadrático (p<0,01) em função dos níveis de cinzas, com 
redução a partir de 20% de substituição. Também foi observado um efeito quadrático entre níveis de 
cinza e AA, DS e PA (p<0,01). AA e PA aumentaram à medida que se elevou o nível de adição de 
cinzas, enquanto a DS reduziu a partir de 10% de substituição. Os resultados indicam que a cinza de 
dejetos de suínos não possui pozolanicidade, mas sugerem seu uso como material inerte (“filler”). 
PALAVRAS CHAVES: cimento alternativo, construção sustentável, reciclagem de resíduos. 
ASHES FROM INCINERATION OF SWINE DEJECTS AS ADDICTION IN CEMENT 
BASED MATERIALS 
ABSTRACT: The continuos deposition of swine dejects on soil has become a serious environmental 
problem. Therefore, more studies concerning to the correct use and new alternative to residues use 
became important. The objective of this work was to investigate the incinerated ashes from dejects 
swine as an eventual pozzolanic material and its potential use as a partial substitute of cement. This 
studies were divided in two phases. The first phase was composed by production and characterization 
of ashes and the second one by the evaluation of the resultant mortar and its compression strength 
(CS), water absorption (WA), bulk density (BD) and apparent void volume (AV), after 28 days of cure 
by immersion. Twelve hardened specimens were prepared with 0, 10, 20 and 30% ashes by mass of 
cement and with three repetitions for each level. The CS presented a quadratic effect (p<0,01) with ash 
levels, decreasing for 20% addition and upper. A quadratic effect (p<0,01) between ash levels and 
WA, BD and AV was observed. WA and AV increased with the increase of ash levels and BD 
decreased with the addition of 10% of ash over. The results obtained on this work showed that swine 
dejects ash has no pozzolanic activity but could be interpreted as a filler effect in the produced 
mortars. 
KEYWORDS: alternative cement, sustainable construction, wastes recycling. 
INTRODUÇÃO: O dejeto do suíno tem sido motivo de preocupação dos pesquisadores e 
ambientalistas, sobretudo em regiões de grande concentração da suinocultura com métodos de 
produção intensiva. A deposição aleatória e continuada desses dejetos no solo gera problemas 
ambientais, o que tem ocorrido em regiões do Sul do Brasil, como Santa Catarina. Países como 
1 Mestranda da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo, Bolsista Capes, C.P.23, 13635-900 
Pirassununga, SP, fone 19 3565 4176, fax 19 3565 4114, lumarte@uol.com.br. 
2 Engenheiro de Materiais, Técnico de Nível Superior, FZEA/EP USP, 13635-900 Pirassununga, SP. 
3 Professor Associado, Bolsista PQ CNPq, FZEA USP, 13635-900 Pirassununga, SP.
Bélgica e Holanda estão tomando medidas restritivas à deposição desses dejetos no solo 
(SEGANFREDO, 2000). É necessário o desenvolvimento de maior número de pesquisas sobre a 
utilização adequada desses dejetos, bem como novas alternativas para o seu uso. Nesse sentido, 
destacam-se as indústrias de cimento e concreto, as quais têm procurado cada vez mais utilizar 
materiais inertes ou com atividade pozolânica em suas linhas de produção. Ao substituírem parte do 
cimento, essas pozolanas geram, além de economia de energia, a diminuição da poluição produzida 
durante a fabricação do cimento Portland, pela menor emissão de dióxido de carbono (JOHN, 2000). 
Vários subprodutos industriais e agrícolas apresentam características pozolânicas, com destaque para 
as cinzas volantes provenientes da queima do carvão em usinas termoelétricas. FERREIRA et al. 
(1997) enfatizaram a utilização da cinza da casca de arroz como substituto parcial do cimento 
Portland, como adição mineral em concretos e na fabricação de outros tipos de material de construção. 
Vários trabalhos demonstraram o potencial de utilização desse material (GUEDERT, 1989; FARIAS, 
1990; ISAIA, 1995; PRUDÊNCIO JR., 1996). GEYER et al. (2000) demonstraram que a utilização da 
cinza de lodo altamente poluente proveniente de esgoto urbano, pode ser uma alternativa segura e 
econômica, em substituição parcial de até 20% do cimento Portland. Dessa forma, o objetivo deste 
trabalho foi investigar a cinza dos dejetos de suínos como material pozolânico, bem como o potencial 
de sua utilização como substituto parcial do cimento. 
METODOLOGIA: Os trabalhos foram divididos em duas fases. A primeira foi composta pela 
obtenção e caracterização das cinzas e a segunda pela análise dos ensaios mecânicos e físicos. Na 
primeira, coletaram-se os dejetos da lagoa de decantação presente no setor de suinocultura do Campus 
USP em Pirassununga. Em seguida, os dejetos foram desidratados na estufa a 105oC. A queima foi 
programada para aumentar 10oC/min até atingir 800oC, permanecendo nessa temperatura por 30 
minutos. O resfriamento foi gradativo, natural, até a temperatura baixar a 500oC. A seguir o material 
foi rapidamente resfriado. A moagem do material incinerado foi feita em um almofariz. Procedeu-se a 
análise granulométrica da cinza, tendo sido caracterizada com dimensão máxima de 0,30 mm, com 
mais de 92% do material passante pela malha #0,15 mm. Também se realizou o exame de difração de 
raios-X da cinza. Na segunda fase foram moldados 12 corpos-de-prova (CPs) cilíndricos, com 0, 10, 
20 e 30% de cinzas em substituição ao cimento (quatro tratamentos) com três repetições para cada 
nível. Para a moldagem dos CPs, seguiu-se a metodologia da Associação Brasileira de Normas e 
Técnicas (ABNT), NBR 5751. A relação água/aglomerante utilizada foi de 45%. Areia natural com 
módulo de finura de 2,12 e dimensão máxima de 2,4 mm foi utilizada como agregado miúdo (NBR- 
7217). Foram calculados os índices de consistência e massa específica de cada mistura. Após 28 dias 
de cura imersa, foram realizados os ensaios físicos e mecânicos, de acordo com a NBR 7215. Para os 
ensaios de resistência à compressão, utilizou-se a prensa Emic DL 30000, com velocidade de 
carregamento igual a 5 mm/min e monitoramento pelo programa computacional M-Test, versão 
1.01/96. A célula de carga empregada foi de 300 kN. A análise estatística foi realizada por meio do 
programa SAS (1990). 
RESULTADOS E DISCUSSÕES: Os resultados obtidos na primeira fase se encontram na Tabela 1. 
O teste de difração de raios-X das cinzas identificou o quartzo (SiO2) como o material mais abundante, 
provavelmente proveniente de minerais presentes nos dejetos e oriundos da lagoa de decantação. Os 
resultados médios do ensaio mecânico de resistência à compressão estão apresentados na Figura 1. 
Observa-se que os corpos-de-prova moldados com adição de 10% de cinzas de dejetos de suínos 
tiveram aumento de 2,3% na resistência à compressão em comparação aos controles (35,08 e 34,25 
MPa, respectivamente). Houve decréscimo na resistência à compressão a partir de 20% de substituição 
de parte do cimento pelas cinzas (31,86 e 24,28 MPa para 20 e 30%, respectivamente). Comparados 
com os resultados do controle, observa-se que a adição de 20% de cinzas apresentou resistência 7% 
menor e a de 30% de cinzas reduziu a resistência em 29%. GEYER et al. (2000), em trabalho com 
adição de cinzas de lodo de esgoto urbano em substituição parcial ao cimento, observou aumento de 
20% nos resultados de resistência à compressão de concreto com a adição de até 20% de cinzas, 
comparado com as amostras sem cinza. Os valores relatados por eles foram 14,7, 17,8 e 17,7 para 0, 
10 e 20% de cinza, respectivamente. Por outro lado, FERREIRA et al. (1997), trabalhando com cinzas
de casca de arroz em substituição ao cimento, em nível de 10%, encontraram valores de resistência à 
compressão em torno de 35 MPa, após 28 dias de cura. Ainda segundo os autores, essa adição de 10% 
de cinza de casca de arroz resultou aumento de 27% na resistência à compressão do concreto em 
comparação ao controle. As Figuras 2, 3 e 4 apresentam os resultados dos ensaios físicos, os quais 
apresentaram efeito quadrático (p<0,01) para as três características avaliadas. Houve aumento da 
absorção de água, a partir do grupo controle, sendo o maior valor registrado para 20% de cinzas. Na 
Figura 3, observa-se o comportamento da densidade dos materiais analisados. A adição de 10% de 
cinzas aumentou a densidade do material, com posterior redução para os níveis de 20 e 30%. 
Observam-se, na Figura 4, os resultados da porosidade aparente dos materiais. A partir do grupo 
controle, a porosidade aparente aumentou até o nível de 20%, e apresentou tendência de estabilização 
para o teor de 30% de cinza. Esses resultados indicaram que a adição de até 10% de cinzas de suínos 
pode não apresentar problemas de empacotamento, podendo ser verificado pelo aumento da densidade 
até esse nível. Segundo PANDOLFELLI et al. (2000), um fator que pode alterar a condição de 
empacotamento das partículas é a sua morfologia (forma). À medida que se aumenta a concentração 
de partículas não esféricas, a estrutura de empacotamento é destruída e ocorre a diminuição da 
densidade, o que resulta maior porosidade. Por fim, a morfologia das partículas está intrinsecamente 
relacionada com a moagem do material, o que sugere estudos adicionais a respeito, principalmente 
com relação ao tipo de equipamento utilizado e tempo de moagem. 
CONCLUSÕES: Os resultados obtidos neste trabalho indicam que a cinza de dejetos de suínos 
coletados na lagoa de decantação não possui atividade pozolânica, tendo apresentado alto teor de sílica 
na forma cristalina. Porém, sugerem que a adição de até 10% de cinzas em substituição ao cimento 
pode ser utilizada como material inerte de enchimento. Entretanto a utilização desse resíduo necessita 
estudos adicionais relacionados à metodologia de coleta dos dejetos, ao tempo e temperatura de 
queima, tipo e tempo de moagem da cinza. 
Tabela 1. Resultados obtidos nos diversos níveis de substituição do cimento pelas cinzas. 
Características avaliadas % de cinzas na mistura 
0 10 20 30 
Índice de consistência (mm) 258,8 215,96 204,86 214,4 
Massa específica (g/cm3) 2,23 2,21 2,19 2,05 
y = 8.4420 + 2.1998x - 0.4275 x2 
R2 = 0.7431 
12.0 
11.0 
10.0 
9.0 
8.0 
0 10 20 30 
Cinzas (%) 
Absorção de Água 
(% em massa) 
40 
35 
30 
25 
Figura 1. Efeito dos níveis de cinza em 
substituição parcial ao cimento 
sobre a resistência à compressão 
(MPA). 
Figura 2. Efeito dos níveis de cinza em 
substituição parcial ao cimento 
sobre a absorção de água. 
y = 34.238 + 0.2993x - 0.021x2 
R2 = 0.9999 
20 
0 10 Cinzas (%) 20 30 
Resistência à Compressão 
(MPa)
y = 2.0262 + 0.0321x - 0.0156 x2 
y = 17.0958 + 4.7867x - 1.0295x2 
R2 = 0.5212 
R2 = 0.778 
25.0 
2.1 
2.1 
22.5 
2.0 
20.0 
2.0 
17.5 
1.9 
15.0 
0 10 20 30 
0 10 Cinzas (%)20 30 
Porosidade Aparente 
(% em volume) 
Cinzas (%) 
Densidade 
(g/cm3) 
Figura 3. Efeito dos níveis de cinza em 
substituição parcial ao cimento 
sobre a densidade. 
y = 17.0958 + 4.7867x - 1.0295x2 
R2 = 0.778 
25.0 
22.5 
20.0 
17.5 
15.0 
0 10 Cinzas (%)20 30 
Porosidade Aparente 
(% em volume) 
Figura 4. Efeito dos níveis de cinza em 
substituição parcial ao cimento 
sobre a porosidade aparente. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-7217. Agregados Determinação da 
composição granulométrica. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-5751. Materiais Pozolânicos - 
Determinação da atividade pozolânica – Índice de atividade pozolânica com cal. Rio de Janeiro: 
ABNT, 1992. 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-7215. Cimento Portland Determinação da 
resistência à compressão. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. 
FARIAS, J. A. Cimento para alvenaria utilizando cinza de casca de arroz. Porto Alegre, 1990. 
Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal do 
Rio Grande do Sul. 
FERREIRA, A. A.; SILVEIRA, A. A.; DAL MOLIN, D.C.C. A cinza da casca de arroz: 
possibilidades de utilização como insumo na produção de materiais de construção. In: I 
ENCONTRO NACIONAL SOBRE EDIFICAÇÕES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS, 
1997, Canela. Anais..., Assoc. Nac. de Tec. do Ambiente Construído: Canela, 1997. p. 293-298. 
GEYER, A. L. B., MOLIN, D. D, CONSOLI, N. C. Recycling of sewage sludge from treatment plants 
of Porto Alegre city, Brazil, and its use as a addition in concrete. In: INTERNATIONAL CONF. 
SUSTAINABLE CONSTRUCTION INTO THE NEXT MILLENNIUM: 
ENVIRONMENTALLY FRIENDLY AND INNOVATIVE CEMENT BASED MATERIALS, 
2000, João Pessoa. Proceedings…, Universidade Federal da Paraíba/The University of Sheffield: 
João Pessoa, 2000. p. 464-473. 
GUEDERT, L. O. Estudo da viabilidade técnica e econômica do aproveitamento da cinza de casca de 
arroz com material pozolânico. Florianópolis, 1989. Dissertação (Mestrado) - Programa de pós-graduação 
em Engenharia de Produção e Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina. 
ISAIA, G. C. Efeito de misturas binárias e ternárias de pozolanas em concreto de elevado 
desempenho: um estudo de durabilidade com vistas à corrosão da armadura. São Paulo, 1995. Tese 
(Doutorado) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. 
JOHN, V.M. Reciclagem de resíduos na construção civil. São Paulo, 2000. Tese (Livre-Docência) - 
Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. 
PANDOLFELLI, V.C.; OLIVEIRA, R. I.; STUDART, A. R. et al. Dispersão e empacotamento de 
partículas – Princípios e aplicações em processamento cerâmico. São Paulo: Fazendo Arte, 
2000. 224 p. 
PRUDÊNCIO JÚNIOR, L. R.; SANTOS, S. Influência do grau de moagem na pozolanicidade da 
cinza da casca de arroz. In: WORKSHOP RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS 
COMO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL, São Paulo. Anais..., 1996, p 53-62. 
SAS/STAT User’s Guide, Version 6, 4 ed., v.2, Cary, North Carolina: SAS Intitute Inc. 
SEGANFREDO, M. A. Equação de dejetos. EMBRAPA-CNPSA (Informe Técnico), 2000. 3p.

Cinzas dejetos suinos

  • 1.
    CINZAS DE DEJETOSDE SUÍNOS COMO ADIÇÃO EM PRODUTOS À BASE DE CIMENTO L.S. MARTELLO1, C.E.F. CASADO2, H. SAVASTANO JÚNIOR3 RESUMO: A deposição de dejetos de suínos no solo, de forma aleatória e continuada, tem acarretado conseqüências graves ao ambiente. Portanto, torna-se importante o desenvolvimento de maior número de pesquisas sobre a utilização adequada e novas alternativas para o uso desse resíduo. O objetivo desse trabalho foi investigar a cinza dos dejetos de suínos como material pozolânico e o potencial de sua utilização como substituto parcial do cimento. Os trabalhos foram divididos em duas fases. A primeira foi composta pela obtenção e caracterização das cinzas e a segunda pela análise da argamassa resultante, por meio da sua resistência à compressão (RC), absorção de água (AA), densidade (DS) e porosidade aparente (PA), realizados após 28 dias de cura imersa. Foram moldados 12 corpos-de-prova (CPs) cilíndricos, com 0, 10, 20 e 30% de cinzas em substituição ao cimento com três repetições para cada nível. A RC apresentou um efeito quadrático (p<0,01) em função dos níveis de cinzas, com redução a partir de 20% de substituição. Também foi observado um efeito quadrático entre níveis de cinza e AA, DS e PA (p<0,01). AA e PA aumentaram à medida que se elevou o nível de adição de cinzas, enquanto a DS reduziu a partir de 10% de substituição. Os resultados indicam que a cinza de dejetos de suínos não possui pozolanicidade, mas sugerem seu uso como material inerte (“filler”). PALAVRAS CHAVES: cimento alternativo, construção sustentável, reciclagem de resíduos. ASHES FROM INCINERATION OF SWINE DEJECTS AS ADDICTION IN CEMENT BASED MATERIALS ABSTRACT: The continuos deposition of swine dejects on soil has become a serious environmental problem. Therefore, more studies concerning to the correct use and new alternative to residues use became important. The objective of this work was to investigate the incinerated ashes from dejects swine as an eventual pozzolanic material and its potential use as a partial substitute of cement. This studies were divided in two phases. The first phase was composed by production and characterization of ashes and the second one by the evaluation of the resultant mortar and its compression strength (CS), water absorption (WA), bulk density (BD) and apparent void volume (AV), after 28 days of cure by immersion. Twelve hardened specimens were prepared with 0, 10, 20 and 30% ashes by mass of cement and with three repetitions for each level. The CS presented a quadratic effect (p<0,01) with ash levels, decreasing for 20% addition and upper. A quadratic effect (p<0,01) between ash levels and WA, BD and AV was observed. WA and AV increased with the increase of ash levels and BD decreased with the addition of 10% of ash over. The results obtained on this work showed that swine dejects ash has no pozzolanic activity but could be interpreted as a filler effect in the produced mortars. KEYWORDS: alternative cement, sustainable construction, wastes recycling. INTRODUÇÃO: O dejeto do suíno tem sido motivo de preocupação dos pesquisadores e ambientalistas, sobretudo em regiões de grande concentração da suinocultura com métodos de produção intensiva. A deposição aleatória e continuada desses dejetos no solo gera problemas ambientais, o que tem ocorrido em regiões do Sul do Brasil, como Santa Catarina. Países como 1 Mestranda da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo, Bolsista Capes, C.P.23, 13635-900 Pirassununga, SP, fone 19 3565 4176, fax 19 3565 4114, lumarte@uol.com.br. 2 Engenheiro de Materiais, Técnico de Nível Superior, FZEA/EP USP, 13635-900 Pirassununga, SP. 3 Professor Associado, Bolsista PQ CNPq, FZEA USP, 13635-900 Pirassununga, SP.
  • 2.
    Bélgica e Holandaestão tomando medidas restritivas à deposição desses dejetos no solo (SEGANFREDO, 2000). É necessário o desenvolvimento de maior número de pesquisas sobre a utilização adequada desses dejetos, bem como novas alternativas para o seu uso. Nesse sentido, destacam-se as indústrias de cimento e concreto, as quais têm procurado cada vez mais utilizar materiais inertes ou com atividade pozolânica em suas linhas de produção. Ao substituírem parte do cimento, essas pozolanas geram, além de economia de energia, a diminuição da poluição produzida durante a fabricação do cimento Portland, pela menor emissão de dióxido de carbono (JOHN, 2000). Vários subprodutos industriais e agrícolas apresentam características pozolânicas, com destaque para as cinzas volantes provenientes da queima do carvão em usinas termoelétricas. FERREIRA et al. (1997) enfatizaram a utilização da cinza da casca de arroz como substituto parcial do cimento Portland, como adição mineral em concretos e na fabricação de outros tipos de material de construção. Vários trabalhos demonstraram o potencial de utilização desse material (GUEDERT, 1989; FARIAS, 1990; ISAIA, 1995; PRUDÊNCIO JR., 1996). GEYER et al. (2000) demonstraram que a utilização da cinza de lodo altamente poluente proveniente de esgoto urbano, pode ser uma alternativa segura e econômica, em substituição parcial de até 20% do cimento Portland. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi investigar a cinza dos dejetos de suínos como material pozolânico, bem como o potencial de sua utilização como substituto parcial do cimento. METODOLOGIA: Os trabalhos foram divididos em duas fases. A primeira foi composta pela obtenção e caracterização das cinzas e a segunda pela análise dos ensaios mecânicos e físicos. Na primeira, coletaram-se os dejetos da lagoa de decantação presente no setor de suinocultura do Campus USP em Pirassununga. Em seguida, os dejetos foram desidratados na estufa a 105oC. A queima foi programada para aumentar 10oC/min até atingir 800oC, permanecendo nessa temperatura por 30 minutos. O resfriamento foi gradativo, natural, até a temperatura baixar a 500oC. A seguir o material foi rapidamente resfriado. A moagem do material incinerado foi feita em um almofariz. Procedeu-se a análise granulométrica da cinza, tendo sido caracterizada com dimensão máxima de 0,30 mm, com mais de 92% do material passante pela malha #0,15 mm. Também se realizou o exame de difração de raios-X da cinza. Na segunda fase foram moldados 12 corpos-de-prova (CPs) cilíndricos, com 0, 10, 20 e 30% de cinzas em substituição ao cimento (quatro tratamentos) com três repetições para cada nível. Para a moldagem dos CPs, seguiu-se a metodologia da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), NBR 5751. A relação água/aglomerante utilizada foi de 45%. Areia natural com módulo de finura de 2,12 e dimensão máxima de 2,4 mm foi utilizada como agregado miúdo (NBR- 7217). Foram calculados os índices de consistência e massa específica de cada mistura. Após 28 dias de cura imersa, foram realizados os ensaios físicos e mecânicos, de acordo com a NBR 7215. Para os ensaios de resistência à compressão, utilizou-se a prensa Emic DL 30000, com velocidade de carregamento igual a 5 mm/min e monitoramento pelo programa computacional M-Test, versão 1.01/96. A célula de carga empregada foi de 300 kN. A análise estatística foi realizada por meio do programa SAS (1990). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Os resultados obtidos na primeira fase se encontram na Tabela 1. O teste de difração de raios-X das cinzas identificou o quartzo (SiO2) como o material mais abundante, provavelmente proveniente de minerais presentes nos dejetos e oriundos da lagoa de decantação. Os resultados médios do ensaio mecânico de resistência à compressão estão apresentados na Figura 1. Observa-se que os corpos-de-prova moldados com adição de 10% de cinzas de dejetos de suínos tiveram aumento de 2,3% na resistência à compressão em comparação aos controles (35,08 e 34,25 MPa, respectivamente). Houve decréscimo na resistência à compressão a partir de 20% de substituição de parte do cimento pelas cinzas (31,86 e 24,28 MPa para 20 e 30%, respectivamente). Comparados com os resultados do controle, observa-se que a adição de 20% de cinzas apresentou resistência 7% menor e a de 30% de cinzas reduziu a resistência em 29%. GEYER et al. (2000), em trabalho com adição de cinzas de lodo de esgoto urbano em substituição parcial ao cimento, observou aumento de 20% nos resultados de resistência à compressão de concreto com a adição de até 20% de cinzas, comparado com as amostras sem cinza. Os valores relatados por eles foram 14,7, 17,8 e 17,7 para 0, 10 e 20% de cinza, respectivamente. Por outro lado, FERREIRA et al. (1997), trabalhando com cinzas
  • 3.
    de casca dearroz em substituição ao cimento, em nível de 10%, encontraram valores de resistência à compressão em torno de 35 MPa, após 28 dias de cura. Ainda segundo os autores, essa adição de 10% de cinza de casca de arroz resultou aumento de 27% na resistência à compressão do concreto em comparação ao controle. As Figuras 2, 3 e 4 apresentam os resultados dos ensaios físicos, os quais apresentaram efeito quadrático (p<0,01) para as três características avaliadas. Houve aumento da absorção de água, a partir do grupo controle, sendo o maior valor registrado para 20% de cinzas. Na Figura 3, observa-se o comportamento da densidade dos materiais analisados. A adição de 10% de cinzas aumentou a densidade do material, com posterior redução para os níveis de 20 e 30%. Observam-se, na Figura 4, os resultados da porosidade aparente dos materiais. A partir do grupo controle, a porosidade aparente aumentou até o nível de 20%, e apresentou tendência de estabilização para o teor de 30% de cinza. Esses resultados indicaram que a adição de até 10% de cinzas de suínos pode não apresentar problemas de empacotamento, podendo ser verificado pelo aumento da densidade até esse nível. Segundo PANDOLFELLI et al. (2000), um fator que pode alterar a condição de empacotamento das partículas é a sua morfologia (forma). À medida que se aumenta a concentração de partículas não esféricas, a estrutura de empacotamento é destruída e ocorre a diminuição da densidade, o que resulta maior porosidade. Por fim, a morfologia das partículas está intrinsecamente relacionada com a moagem do material, o que sugere estudos adicionais a respeito, principalmente com relação ao tipo de equipamento utilizado e tempo de moagem. CONCLUSÕES: Os resultados obtidos neste trabalho indicam que a cinza de dejetos de suínos coletados na lagoa de decantação não possui atividade pozolânica, tendo apresentado alto teor de sílica na forma cristalina. Porém, sugerem que a adição de até 10% de cinzas em substituição ao cimento pode ser utilizada como material inerte de enchimento. Entretanto a utilização desse resíduo necessita estudos adicionais relacionados à metodologia de coleta dos dejetos, ao tempo e temperatura de queima, tipo e tempo de moagem da cinza. Tabela 1. Resultados obtidos nos diversos níveis de substituição do cimento pelas cinzas. Características avaliadas % de cinzas na mistura 0 10 20 30 Índice de consistência (mm) 258,8 215,96 204,86 214,4 Massa específica (g/cm3) 2,23 2,21 2,19 2,05 y = 8.4420 + 2.1998x - 0.4275 x2 R2 = 0.7431 12.0 11.0 10.0 9.0 8.0 0 10 20 30 Cinzas (%) Absorção de Água (% em massa) 40 35 30 25 Figura 1. Efeito dos níveis de cinza em substituição parcial ao cimento sobre a resistência à compressão (MPA). Figura 2. Efeito dos níveis de cinza em substituição parcial ao cimento sobre a absorção de água. y = 34.238 + 0.2993x - 0.021x2 R2 = 0.9999 20 0 10 Cinzas (%) 20 30 Resistência à Compressão (MPa)
  • 4.
    y = 2.0262+ 0.0321x - 0.0156 x2 y = 17.0958 + 4.7867x - 1.0295x2 R2 = 0.5212 R2 = 0.778 25.0 2.1 2.1 22.5 2.0 20.0 2.0 17.5 1.9 15.0 0 10 20 30 0 10 Cinzas (%)20 30 Porosidade Aparente (% em volume) Cinzas (%) Densidade (g/cm3) Figura 3. Efeito dos níveis de cinza em substituição parcial ao cimento sobre a densidade. y = 17.0958 + 4.7867x - 1.0295x2 R2 = 0.778 25.0 22.5 20.0 17.5 15.0 0 10 Cinzas (%)20 30 Porosidade Aparente (% em volume) Figura 4. Efeito dos níveis de cinza em substituição parcial ao cimento sobre a porosidade aparente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-7217. Agregados Determinação da composição granulométrica. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-5751. Materiais Pozolânicos - Determinação da atividade pozolânica – Índice de atividade pozolânica com cal. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR-7215. Cimento Portland Determinação da resistência à compressão. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. FARIAS, J. A. Cimento para alvenaria utilizando cinza de casca de arroz. Porto Alegre, 1990. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. FERREIRA, A. A.; SILVEIRA, A. A.; DAL MOLIN, D.C.C. A cinza da casca de arroz: possibilidades de utilização como insumo na produção de materiais de construção. In: I ENCONTRO NACIONAL SOBRE EDIFICAÇÕES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS, 1997, Canela. Anais..., Assoc. Nac. de Tec. do Ambiente Construído: Canela, 1997. p. 293-298. GEYER, A. L. B., MOLIN, D. D, CONSOLI, N. C. Recycling of sewage sludge from treatment plants of Porto Alegre city, Brazil, and its use as a addition in concrete. In: INTERNATIONAL CONF. SUSTAINABLE CONSTRUCTION INTO THE NEXT MILLENNIUM: ENVIRONMENTALLY FRIENDLY AND INNOVATIVE CEMENT BASED MATERIALS, 2000, João Pessoa. Proceedings…, Universidade Federal da Paraíba/The University of Sheffield: João Pessoa, 2000. p. 464-473. GUEDERT, L. O. Estudo da viabilidade técnica e econômica do aproveitamento da cinza de casca de arroz com material pozolânico. Florianópolis, 1989. Dissertação (Mestrado) - Programa de pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina. ISAIA, G. C. Efeito de misturas binárias e ternárias de pozolanas em concreto de elevado desempenho: um estudo de durabilidade com vistas à corrosão da armadura. São Paulo, 1995. Tese (Doutorado) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. JOHN, V.M. Reciclagem de resíduos na construção civil. São Paulo, 2000. Tese (Livre-Docência) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. PANDOLFELLI, V.C.; OLIVEIRA, R. I.; STUDART, A. R. et al. Dispersão e empacotamento de partículas – Princípios e aplicações em processamento cerâmico. São Paulo: Fazendo Arte, 2000. 224 p. PRUDÊNCIO JÚNIOR, L. R.; SANTOS, S. Influência do grau de moagem na pozolanicidade da cinza da casca de arroz. In: WORKSHOP RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS COMO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL, São Paulo. Anais..., 1996, p 53-62. SAS/STAT User’s Guide, Version 6, 4 ed., v.2, Cary, North Carolina: SAS Intitute Inc. SEGANFREDO, M. A. Equação de dejetos. EMBRAPA-CNPSA (Informe Técnico), 2000. 3p.