O mundo antes e depois das
vacinas: a história comprova
que o caminho para a
erradicação de doenças é a
imunização.
• A vacina é considerada por especialistas como uma das
maiores descobertas da ciência. Graças a elas, segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de três milhões
de vidas são poupadas por ano. Mas você sabe como era o
mundo antes das vacinas?
• A expectativa de vida era menor, a saúde das pessoas era
precária e a mortalidade era muito maior, resume o
historiador e educador do Museu Histórico do Instituto
Butantan, Gabriel Orlando.
• No século 19, pouco depois da criação da primeira vacina, a
expectativa de vida mundial não passava de 32 anos.
Atualmente, com imunizantes contra dezenas de doenças
à disposição da população, esse número é de 72,6 anos.
Doenças de ontem e de hoje
A primeira vacina da história foi desenvolvida em 1796 por Edward Jenner e
protegia contra a varíola, uma das doenças mais letais da história.
Ela matou mais de 300 milhões de pessoas no século 20 e foi erradicada em 1
980
. A OMS estima que mais de cinco milhões de vidas são salvas anualmente com a
extinção da doença devido à vacinação, com a economia de mais de US$ 1 bilhão
por ano.
Ao contrário da varíola – um problema já do passado –, o sarampo é um
problema do presente, mesmo que já exista um imunizante seguro e eficaz.
Antes da vacina ser aplicada em massa a partir de 1963, a doença causava cerca
de 2,6 milhões de mortes por ano no mundo. Em 2017, foram 110 mil óbitos no
mundo, a maioria de crianças com menos de cinco anos.
Em 2019, uma queda na cobertura vacinal contra a doença ocasionou um
aumento no número de mortes, que foi de 207 mil mortes, também atingindo
majoritariamente crianças.
• É preciso aprender com o
passado e comparar
como a sociedade era
antes em relação aos
índices de contaminação
de doenças e as taxas de
mortalidade e como é
atualmente, com as
vacinas. “Temos que nos
amparar nas experiências
que as gerações passadas
tiveram com as doenças e
apostar na vacina como o
principal caminho para
evitar sua disseminação
na sociedade”.
• Um dos impactos causados pela revolução biotecnológica
moderna foi uma mudança significativa na maneira como pensamos
e desenvolvemos novas vacinas. Tais mudanças refletem avanços na
descoberta de novos antígenos, adjuvantes, vetores ou sistemas de
entrega. Embora boa parte das vacinas atualmente administradas
em crianças e adultos ainda seja fruto de metodologias desenvolvidas
em meados do século XX, espera-se que os próximos anos tragam um
número cada vez maior de novas vacinas mais seguras e eficazes
geradas a partir de técnicas de manipulação genética e produção
de proteínas recombinantes em sistemas heterólogos. Neste breve
relato, discutiremos alguns aspectos dessa mudança de práticas e
conhecimentos aplicados ao desenvolvimento de vacinas. Em
particular, enfatizaremos pesquisas voltadas para geração de vacinas
terapêuticas para o controle de tumores e sua aplicação
em tumores induzidos pelos vírus do papiloma humano.
• Desde as primeiras vacinas baseadas em patógenos, sejam eles bactérias ou vírus,
atenuados ou inativados, muito reativos e, em alguns casos, pouco eficientes, a
pesquisa vacinal moveu-se na direção de empregar frações cada vez menores desses
patógenos na busca de aumentar a segurança sem comprometimento da eficácia.
Dessa forma, é comum classificarmos as vacinas em três grandes grupos (ou
gerações) em razão das estratégias ou dos conceitos utilizados na preparação do
princípio ativo, os antígenos vacinais. As vacinas de primeira geração representam
aquelas que empregam na sua composição o agente patogênico na sua constituição
completa, mas submetido a tratamentos que levam à inativação ou à atenuação dos
microrganismos. Nessa categoria, também deve ser destacada a estratégia em que
micro-organismos não patogênicos derivados de outros hospedeiros são utilizados
como antígenos para vacinas voltadas para o controle de doenças causadas por
patógenos assemelhados. Essa abordagem é bem exemplificada pelas vacinas da
varíola, baseada em vírus vaccínia isolados de bovinos, e da vacina contra a
tuberculose que também emprega uma bactéria originalmente obtida em bovinos,
o Mycobacterium bovis (BCG). Nesse grupo, destacam-se também as vacinas voltadas
para a prevenção da coqueluche ou pertússis (vacinal celular), as vacinas
contra varíola, poliomielite, sarampo, rubéola, adenovírus, entre outras.
• A segunda geração surgiu com a noção de que, em alguns
patógenos, a proteção vacinal pode ser obtida após
a indução de anticorpos voltados para um único alvo, como
uma toxina, responsável pelos sintomas da doença, ou
açúcares de superfície que permitem ao sistema imune do
hospedeiro neutralizar e eliminar bactérias que de outra
forma se propagariam rapidamente antes de serem notadas
por nossas principais linhas de defesa imunológica. Nesse
grupo, destacam-se vacinas acelulares que empregam
toxoides (toxinas purificadas e inativadas por tratamento
químico), proteínas e polissacarídeos purificados, como
as antitetânica, antidiftérica, hepatite B e as vacinas
voltadas para o controle da meningite meningocócica e
da pneumonia.
• Por fim, a terceira e mais recente geração de
vacinas parte de um conceito inovador que a diferencia de
uma forma radical das outras gerações vacinais. Nessas
vacinais, emprega-se a informação genética do patógeno
responsável pela codificação de proteínas que representem
antígenos relevantes para a proteção. Em geral chamadas
de vacinas de DNA ou gênicas, as vacinas de terceira
geração foram descobertas de forma empírica no começo
da década de 1990 em testes inicialmente voltados para a
pesquisa de terapias genéticas em que se introduzem no
hospedeiro genes que substituirão a informação genética
defeituosa originalmente presente no indivíduo.
• A vacinação é a forma mais eficaz e segura de se adquirir
proteção contra uma doença infecciosa. A vacinação elimina ou
reduz drasticamente o risco de adoecimento ou de manifestações
graves, que podem levar à internação e até mesmo ao óbito. Por
ano, a vacinação evita de dois a três milhões de mortes, segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS).
• Por isso dizemos que:
• a vacinação é tão importante para sua saúde quanto o consumo
de uma dieta saudável e a prática de atividade física;
• estar vacinado(a) pode significar a diferença entre estar vivo(a) e
saudável ou gravemente enfermo(a) ou com sequelas deixadas
por doenças imunopreveníveis;
• as vacinas estão entre os produtos farmacêuticos mais seguros
que existem.
• Quando a pessoa é vacinada, seu organismo detecta a
substância da vacina e produz uma defesa, conhecida como
anticorpos. Esses anticorpos permanecem no organismo e
evitam que a doença ocorra no futuro, ou seja, a pessoa
desenvolve imunidade contra a doença que foi vacinada.
• Elas são compostas de agentes (bacterianos ou virais),
inativados ou vivos atenuados, que fazem com
que nosso organismo ache que está tendo uma infecção.
• Quando um agente indesejado adentra ao nosso
organismo, as células do sistema imune, chamadas
linfócitos, monócitos, neutrófilos, eosinófilos e basófilos,
agem com respostas diferentes, destruindo os corpos
estranhos, impedindo ações malignas e eliminando
possíveis toxinas produzidas por estes.
Como são produzidas e testadas?
• Em primeiro lugar, é necessário identificar o agente causador da doença. A
partir disso, a vacina pode ser produzida a partir dos componentes de um
microrganismo específico ou do próprio agente causador, morto ou atenuado.
• Dessa forma, quando nossas células de defesa – os anticorpos – têm contato
com esse microrganismo, elas imediatamente criam um mecanismo de defesa
para combatê-lo. Assim, a vacina provoca uma reação de proteção e gera uma
“memória” em nosso sistema imunológico, não mais permitindo que o vírus
cause complicações se houver contato com ele.
• Porém, nem sempre o agente causador é responsável por provocar a doença.
Às vezes, a causa é uma toxina produzida por ele, que precisa ser identificada e,
logo depois, desenvolvida uma vacina para combatê-la. Em outros casos, o
problema é a quantidade de vírus existente no hospedeiro, então é necessário
controlar sua multiplicação.
Os pesquisadores têm o dever de buscar a composição ideal da vacina, levando em
consideração sua eficácia em toda a população e a não apresentação de efeitos colaterais
nocivos ao organismo.
Depois do período de testes em laboratório, inicia-se a fase pré-clínica, onde são realizados
testes em animais para que se possa comprovar a eficácia da composição.
Uma vez comprovada a efetividade, inicia-se a fase clínica, que é composta por três etapas:
1. Nesta primeira fase, o objetivo é testar a segurança da vacina. Os testes são aplicados em
pequenos grupos de voluntários de, no máximo, 100 pessoas. Todos eles precisam ser
adultos saudáveis, sem histórico de doenças ou complicações.
2. Na segunda fase de testes, o número de participantes é mais amplo. O objetivo,
novamente, é testar a segurança da vacina e analisar se há o mesmo efeito em grupos
maiores e menos homogêneos.
3. Se a vacina for aprovada nas duas primeiras fases, inicia-se o período para comprovar sua
eficácia, e milhares de pessoas podem ser vacinadas simultaneamente. O monitoramento
segue por muitos anos para a identificação de possíveis efeitos colaterais a longo prazo,
porém eles são raros de acontecer.
As vacinas, muitas vezes, são os mecanismos mais eficazes na prevenção de doenças. Elas
são o resultado de um período intenso de pesquisas, do desenvolvimento e de uma série de
testes para a demonstração de sua eficácia, bem como da autorização de órgãos
fiscalizadores de cada país para que a vacinação, de fato, ocorra em toda a população.
OMS: MOVIMENTO ANTIVACINAS É UMA DAS PRINCIPAIS AMEAÇAS À
SAÚDE
• A Organização Mundial da Saúde (OMS) publica anualmente uma lista das
dez ameaças globais à saúde. Algumas doenças são repetidas ano após ano
e já são comuns nesta lista, como a AIDS e a dengue. Mas a partir de 2019,
surpreendeu o surgimento de um grupo organizado, que não é uma doença,
mas sim uma ameaça social: o movimento antivacinas.
• Segundo a entidade, as vacinas impedem entre dois e três milhões de
mortes por ano. A vacinação não é uma decisão pessoal, é uma
responsabilidade social!
• Devido à gestão lamentável de movimentos como o mencionado, a OMS
aponta que as doenças controladas em todo o mundo voltam a ser uma
ameaça. Um exemplo específico é o sarampo, que viu seus casos
aumentarem em 30%.
• Com o início da pandemia, cientistas do mundo inteiro reuniram esforços para desenvolver uma
vacina eficaz contra a Covid-19. Foi uma das vacinas mais rápidas a serem desenvolvidas e
muitas pessoas se mostraram céticas em relação ao imunizante, muitas vezes se organizando
no movimento antivacina ou antivax.
• Apesar de ter ganho mais espaço durante os últimos anos após o início da pandemia de Covid-
19, a hesitação em relação às vacinas não é recente.
• Alguns líderes religiosos eram contra a prática de imunização, já que acreditavam que a
doença era uma punição divina e não deveria ser tratada nem prevenida. Outros a
consideravam repulsiva, usando jornais e revistas para ironizar a descoberta do médico.
• Alguns dos principais representantes do movimento na época eram Benjamin Moseley e
William Rowley. Moseley chegou a comparar a vacinação à transmissão de doenças
sexualmente transmissíveis (DSTs), considerando a prática asquerosa e referindo que as
pessoas vacinadas poderiam desenvolver características de touro. Além disso, havia a
preocupação de que a vacinação tornasse as pessoas impuras, impossibilitando o seu
desenvolvimento espiritual.
• A prática de vacinação foi se espalhando pelo mundo e em 1813, nos Estados Unidos, foi criada
a Agência Nacional de Vacinas. Com o desenvolvimento de estudos na área, foi comprovado
que a vacinação deveria ser realizada periodicamente, a cada dez anos.
• O impacto da vacinação foi enorme em Londres: na década de 1790, foram registrados 18.447
óbitos causados pela varíola; em 1810, o número baixou para 7.858.
De acordo com a Revista Galileu, é possível identificar quatro
estratégias/argumentos principais utilizadas no movimento:
1.Minimizar a ameaça da doença: mesmo com as altas taxas de letalidade da
varíola, era comum os simpatizantes do movimento antivacina referirem que não
era uma ameaça tão grande à população, já que haviam poucos casos.
2.Declarar que a vacinação causa doenças e/ou é ineficaz: durante o período de
“variolação”, era possível que as pessoas tivessem outras doenças secundárias por
conta da falta de práticas sanitárias na época. Atualmente, esse argumento que a
vacina não funciona ou causa doenças não possui base científica.
3.Afirmar que a vacinação faz parte de uma conspiração: argumentos como
violação das liberdades individuais, abuso de poder por parte do Estado, entre
outros. Na vacinação contra a Covid-19,
temos diversas teorias da conspiração também.
4.Referências às “autoridades” paralelas que legitimam as estratégias acima:
uso de “especialistas” que possuem métodos alternativos para poderem legitimar
o movimento.
Soro e vacina são dois agentes que atuam como imunizadores, entretanto,
são usados em ocasiões diferentes, apesar de terem um objetivo comum que
é proteger nosso corpo contra substâncias estranhas. Os dois produtos são
fabricados a partir de organismos vivos, sendo, portanto, chamados de
imunobiológicos.
Os soros, por sua vez, não promovem uma imunização ativa, uma vez que,
nesses casos, são inoculados anticorpos previamente produzidos em outro
organismo.
No caso dos soros, dizemos que ocorre uma imunização passiva. Eles são
conhecidos principalmente pela sua atuação no tratamento de peçonha de
cobras e aranhas, porém também são produzidos para tratar algumas toxinas
bacterianas e a rejeição de órgãos transplantados (soro antitimocitário). Os
soros são usados em casos em que há necessidade de tratamento rápido, ou
seja, quando não é possível esperar a produção de anticorpos pelo nosso
corpo.
A produção de soro é realizada no corpo de outro ser vivo, que
normalmente é um mamífero de grande porte, como um cavalo. Injeta-
se nesse animal, em doses controladas, o antígeno contra o qual aquele
organismo deve produzir anticorpos. Assim que os anticorpos são
produzidos, parte do sangue do animal é retirada e o plasma separado
para a análise de controle de qualidade. As hemácias, leucócitos e
plaquetas retiradas são colocadas novamente no animal.
O soro, diferentemente da vacina, não possui função preventiva, sendo
usado apenas como forma de cura. Também é importante destacar que
o uso frequente de soros pode causar problemas de saúde, uma vez
que o corpo pode identificar os anticorpos do soro como antígenos e
desencadear a produção de anticorpos contra ele.

BIOTECNOLOGIA E VACINAssssssssssssssS.pptx

  • 1.
    O mundo antese depois das vacinas: a história comprova que o caminho para a erradicação de doenças é a imunização.
  • 2.
    • A vacinaé considerada por especialistas como uma das maiores descobertas da ciência. Graças a elas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de três milhões de vidas são poupadas por ano. Mas você sabe como era o mundo antes das vacinas? • A expectativa de vida era menor, a saúde das pessoas era precária e a mortalidade era muito maior, resume o historiador e educador do Museu Histórico do Instituto Butantan, Gabriel Orlando. • No século 19, pouco depois da criação da primeira vacina, a expectativa de vida mundial não passava de 32 anos. Atualmente, com imunizantes contra dezenas de doenças à disposição da população, esse número é de 72,6 anos.
  • 3.
    Doenças de onteme de hoje A primeira vacina da história foi desenvolvida em 1796 por Edward Jenner e protegia contra a varíola, uma das doenças mais letais da história. Ela matou mais de 300 milhões de pessoas no século 20 e foi erradicada em 1 980 . A OMS estima que mais de cinco milhões de vidas são salvas anualmente com a extinção da doença devido à vacinação, com a economia de mais de US$ 1 bilhão por ano. Ao contrário da varíola – um problema já do passado –, o sarampo é um problema do presente, mesmo que já exista um imunizante seguro e eficaz. Antes da vacina ser aplicada em massa a partir de 1963, a doença causava cerca de 2,6 milhões de mortes por ano no mundo. Em 2017, foram 110 mil óbitos no mundo, a maioria de crianças com menos de cinco anos. Em 2019, uma queda na cobertura vacinal contra a doença ocasionou um aumento no número de mortes, que foi de 207 mil mortes, também atingindo majoritariamente crianças.
  • 4.
    • É precisoaprender com o passado e comparar como a sociedade era antes em relação aos índices de contaminação de doenças e as taxas de mortalidade e como é atualmente, com as vacinas. “Temos que nos amparar nas experiências que as gerações passadas tiveram com as doenças e apostar na vacina como o principal caminho para evitar sua disseminação na sociedade”.
  • 5.
    • Um dosimpactos causados pela revolução biotecnológica moderna foi uma mudança significativa na maneira como pensamos e desenvolvemos novas vacinas. Tais mudanças refletem avanços na descoberta de novos antígenos, adjuvantes, vetores ou sistemas de entrega. Embora boa parte das vacinas atualmente administradas em crianças e adultos ainda seja fruto de metodologias desenvolvidas em meados do século XX, espera-se que os próximos anos tragam um número cada vez maior de novas vacinas mais seguras e eficazes geradas a partir de técnicas de manipulação genética e produção de proteínas recombinantes em sistemas heterólogos. Neste breve relato, discutiremos alguns aspectos dessa mudança de práticas e conhecimentos aplicados ao desenvolvimento de vacinas. Em particular, enfatizaremos pesquisas voltadas para geração de vacinas terapêuticas para o controle de tumores e sua aplicação em tumores induzidos pelos vírus do papiloma humano.
  • 6.
    • Desde asprimeiras vacinas baseadas em patógenos, sejam eles bactérias ou vírus, atenuados ou inativados, muito reativos e, em alguns casos, pouco eficientes, a pesquisa vacinal moveu-se na direção de empregar frações cada vez menores desses patógenos na busca de aumentar a segurança sem comprometimento da eficácia. Dessa forma, é comum classificarmos as vacinas em três grandes grupos (ou gerações) em razão das estratégias ou dos conceitos utilizados na preparação do princípio ativo, os antígenos vacinais. As vacinas de primeira geração representam aquelas que empregam na sua composição o agente patogênico na sua constituição completa, mas submetido a tratamentos que levam à inativação ou à atenuação dos microrganismos. Nessa categoria, também deve ser destacada a estratégia em que micro-organismos não patogênicos derivados de outros hospedeiros são utilizados como antígenos para vacinas voltadas para o controle de doenças causadas por patógenos assemelhados. Essa abordagem é bem exemplificada pelas vacinas da varíola, baseada em vírus vaccínia isolados de bovinos, e da vacina contra a tuberculose que também emprega uma bactéria originalmente obtida em bovinos, o Mycobacterium bovis (BCG). Nesse grupo, destacam-se também as vacinas voltadas para a prevenção da coqueluche ou pertússis (vacinal celular), as vacinas contra varíola, poliomielite, sarampo, rubéola, adenovírus, entre outras.
  • 7.
    • A segundageração surgiu com a noção de que, em alguns patógenos, a proteção vacinal pode ser obtida após a indução de anticorpos voltados para um único alvo, como uma toxina, responsável pelos sintomas da doença, ou açúcares de superfície que permitem ao sistema imune do hospedeiro neutralizar e eliminar bactérias que de outra forma se propagariam rapidamente antes de serem notadas por nossas principais linhas de defesa imunológica. Nesse grupo, destacam-se vacinas acelulares que empregam toxoides (toxinas purificadas e inativadas por tratamento químico), proteínas e polissacarídeos purificados, como as antitetânica, antidiftérica, hepatite B e as vacinas voltadas para o controle da meningite meningocócica e da pneumonia.
  • 8.
    • Por fim,a terceira e mais recente geração de vacinas parte de um conceito inovador que a diferencia de uma forma radical das outras gerações vacinais. Nessas vacinais, emprega-se a informação genética do patógeno responsável pela codificação de proteínas que representem antígenos relevantes para a proteção. Em geral chamadas de vacinas de DNA ou gênicas, as vacinas de terceira geração foram descobertas de forma empírica no começo da década de 1990 em testes inicialmente voltados para a pesquisa de terapias genéticas em que se introduzem no hospedeiro genes que substituirão a informação genética defeituosa originalmente presente no indivíduo.
  • 9.
    • A vacinaçãoé a forma mais eficaz e segura de se adquirir proteção contra uma doença infecciosa. A vacinação elimina ou reduz drasticamente o risco de adoecimento ou de manifestações graves, que podem levar à internação e até mesmo ao óbito. Por ano, a vacinação evita de dois a três milhões de mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). • Por isso dizemos que: • a vacinação é tão importante para sua saúde quanto o consumo de uma dieta saudável e a prática de atividade física; • estar vacinado(a) pode significar a diferença entre estar vivo(a) e saudável ou gravemente enfermo(a) ou com sequelas deixadas por doenças imunopreveníveis; • as vacinas estão entre os produtos farmacêuticos mais seguros que existem.
  • 10.
    • Quando apessoa é vacinada, seu organismo detecta a substância da vacina e produz uma defesa, conhecida como anticorpos. Esses anticorpos permanecem no organismo e evitam que a doença ocorra no futuro, ou seja, a pessoa desenvolve imunidade contra a doença que foi vacinada. • Elas são compostas de agentes (bacterianos ou virais), inativados ou vivos atenuados, que fazem com que nosso organismo ache que está tendo uma infecção. • Quando um agente indesejado adentra ao nosso organismo, as células do sistema imune, chamadas linfócitos, monócitos, neutrófilos, eosinófilos e basófilos, agem com respostas diferentes, destruindo os corpos estranhos, impedindo ações malignas e eliminando possíveis toxinas produzidas por estes.
  • 11.
    Como são produzidase testadas? • Em primeiro lugar, é necessário identificar o agente causador da doença. A partir disso, a vacina pode ser produzida a partir dos componentes de um microrganismo específico ou do próprio agente causador, morto ou atenuado. • Dessa forma, quando nossas células de defesa – os anticorpos – têm contato com esse microrganismo, elas imediatamente criam um mecanismo de defesa para combatê-lo. Assim, a vacina provoca uma reação de proteção e gera uma “memória” em nosso sistema imunológico, não mais permitindo que o vírus cause complicações se houver contato com ele. • Porém, nem sempre o agente causador é responsável por provocar a doença. Às vezes, a causa é uma toxina produzida por ele, que precisa ser identificada e, logo depois, desenvolvida uma vacina para combatê-la. Em outros casos, o problema é a quantidade de vírus existente no hospedeiro, então é necessário controlar sua multiplicação.
  • 12.
    Os pesquisadores têmo dever de buscar a composição ideal da vacina, levando em consideração sua eficácia em toda a população e a não apresentação de efeitos colaterais nocivos ao organismo. Depois do período de testes em laboratório, inicia-se a fase pré-clínica, onde são realizados testes em animais para que se possa comprovar a eficácia da composição. Uma vez comprovada a efetividade, inicia-se a fase clínica, que é composta por três etapas: 1. Nesta primeira fase, o objetivo é testar a segurança da vacina. Os testes são aplicados em pequenos grupos de voluntários de, no máximo, 100 pessoas. Todos eles precisam ser adultos saudáveis, sem histórico de doenças ou complicações. 2. Na segunda fase de testes, o número de participantes é mais amplo. O objetivo, novamente, é testar a segurança da vacina e analisar se há o mesmo efeito em grupos maiores e menos homogêneos. 3. Se a vacina for aprovada nas duas primeiras fases, inicia-se o período para comprovar sua eficácia, e milhares de pessoas podem ser vacinadas simultaneamente. O monitoramento segue por muitos anos para a identificação de possíveis efeitos colaterais a longo prazo, porém eles são raros de acontecer. As vacinas, muitas vezes, são os mecanismos mais eficazes na prevenção de doenças. Elas são o resultado de um período intenso de pesquisas, do desenvolvimento e de uma série de testes para a demonstração de sua eficácia, bem como da autorização de órgãos fiscalizadores de cada país para que a vacinação, de fato, ocorra em toda a população.
  • 13.
    OMS: MOVIMENTO ANTIVACINASÉ UMA DAS PRINCIPAIS AMEAÇAS À SAÚDE • A Organização Mundial da Saúde (OMS) publica anualmente uma lista das dez ameaças globais à saúde. Algumas doenças são repetidas ano após ano e já são comuns nesta lista, como a AIDS e a dengue. Mas a partir de 2019, surpreendeu o surgimento de um grupo organizado, que não é uma doença, mas sim uma ameaça social: o movimento antivacinas. • Segundo a entidade, as vacinas impedem entre dois e três milhões de mortes por ano. A vacinação não é uma decisão pessoal, é uma responsabilidade social! • Devido à gestão lamentável de movimentos como o mencionado, a OMS aponta que as doenças controladas em todo o mundo voltam a ser uma ameaça. Um exemplo específico é o sarampo, que viu seus casos aumentarem em 30%.
  • 14.
    • Com oinício da pandemia, cientistas do mundo inteiro reuniram esforços para desenvolver uma vacina eficaz contra a Covid-19. Foi uma das vacinas mais rápidas a serem desenvolvidas e muitas pessoas se mostraram céticas em relação ao imunizante, muitas vezes se organizando no movimento antivacina ou antivax. • Apesar de ter ganho mais espaço durante os últimos anos após o início da pandemia de Covid- 19, a hesitação em relação às vacinas não é recente. • Alguns líderes religiosos eram contra a prática de imunização, já que acreditavam que a doença era uma punição divina e não deveria ser tratada nem prevenida. Outros a consideravam repulsiva, usando jornais e revistas para ironizar a descoberta do médico. • Alguns dos principais representantes do movimento na época eram Benjamin Moseley e William Rowley. Moseley chegou a comparar a vacinação à transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), considerando a prática asquerosa e referindo que as pessoas vacinadas poderiam desenvolver características de touro. Além disso, havia a preocupação de que a vacinação tornasse as pessoas impuras, impossibilitando o seu desenvolvimento espiritual. • A prática de vacinação foi se espalhando pelo mundo e em 1813, nos Estados Unidos, foi criada a Agência Nacional de Vacinas. Com o desenvolvimento de estudos na área, foi comprovado que a vacinação deveria ser realizada periodicamente, a cada dez anos. • O impacto da vacinação foi enorme em Londres: na década de 1790, foram registrados 18.447 óbitos causados pela varíola; em 1810, o número baixou para 7.858.
  • 15.
    De acordo coma Revista Galileu, é possível identificar quatro estratégias/argumentos principais utilizadas no movimento: 1.Minimizar a ameaça da doença: mesmo com as altas taxas de letalidade da varíola, era comum os simpatizantes do movimento antivacina referirem que não era uma ameaça tão grande à população, já que haviam poucos casos. 2.Declarar que a vacinação causa doenças e/ou é ineficaz: durante o período de “variolação”, era possível que as pessoas tivessem outras doenças secundárias por conta da falta de práticas sanitárias na época. Atualmente, esse argumento que a vacina não funciona ou causa doenças não possui base científica. 3.Afirmar que a vacinação faz parte de uma conspiração: argumentos como violação das liberdades individuais, abuso de poder por parte do Estado, entre outros. Na vacinação contra a Covid-19, temos diversas teorias da conspiração também. 4.Referências às “autoridades” paralelas que legitimam as estratégias acima: uso de “especialistas” que possuem métodos alternativos para poderem legitimar o movimento.
  • 16.
    Soro e vacinasão dois agentes que atuam como imunizadores, entretanto, são usados em ocasiões diferentes, apesar de terem um objetivo comum que é proteger nosso corpo contra substâncias estranhas. Os dois produtos são fabricados a partir de organismos vivos, sendo, portanto, chamados de imunobiológicos. Os soros, por sua vez, não promovem uma imunização ativa, uma vez que, nesses casos, são inoculados anticorpos previamente produzidos em outro organismo. No caso dos soros, dizemos que ocorre uma imunização passiva. Eles são conhecidos principalmente pela sua atuação no tratamento de peçonha de cobras e aranhas, porém também são produzidos para tratar algumas toxinas bacterianas e a rejeição de órgãos transplantados (soro antitimocitário). Os soros são usados em casos em que há necessidade de tratamento rápido, ou seja, quando não é possível esperar a produção de anticorpos pelo nosso corpo.
  • 17.
    A produção desoro é realizada no corpo de outro ser vivo, que normalmente é um mamífero de grande porte, como um cavalo. Injeta- se nesse animal, em doses controladas, o antígeno contra o qual aquele organismo deve produzir anticorpos. Assim que os anticorpos são produzidos, parte do sangue do animal é retirada e o plasma separado para a análise de controle de qualidade. As hemácias, leucócitos e plaquetas retiradas são colocadas novamente no animal. O soro, diferentemente da vacina, não possui função preventiva, sendo usado apenas como forma de cura. Também é importante destacar que o uso frequente de soros pode causar problemas de saúde, uma vez que o corpo pode identificar os anticorpos do soro como antígenos e desencadear a produção de anticorpos contra ele.