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Cuidado, frágil: Falando sobre atenção ao suicídio
Luciana F. Cescon
Psicóloga – CRP 98.202
Mestre em Ensino em Ciências da Saúde – UNIFESP BS 2015
“Não somos responsáveis pela vida e pela morte uns dos
outros, a vida e a morte de cada homem é dele próprio.
Somos, porém, responsáveis por nossos envolvimentos”.
HILLMAN, 2011 - “Suicídio e alma” p. 94
Maio
2007
Palestra
2013
Unifesp2015
2005 –
2009
Psico
2012
PMS
(NAPS)
1. Suicídio
• Suicídio: ato iniciado e
executado por uma pessoa que
tem a noção (ou forte expectativa)
de que dele pode resultar a morte,
e cujo desfecho fatal é esperado.
 Ideação suicida
Plano suicida
Ato suicida - fatal (suicídio) ou
não (tentativa de suicídio).
• Tema muito complexo, múltiplos
significados e sempre envolvido
por tabus = pacto de silêncio.
Grécia Antiga: suicídio legitimado, se consentido previamente pelas
autoridades. Platão defendia o suicídio quando as circunstâncias
externas tornavam-se intoleráveis ...
Já para Aristóteles, ao se matar, o indivíduo enfraquecia o Estado ...
Roma Antiga: o suicídio não era visto como ofensa moral, nem era
objeto de ações legais. Viver de forma nobre também significava
morrer de forma nobre e no momento certo.
Maior preocupação: como o suicídio afetaria o Estado, especialmente
o Tesouro. Por isso, o ato não era permitido a escravos, soldados ou
criminosos.
Estado Romano totalitário (séc. V): Período de fome, epidemia
e guerras. Baixa natalidade, falta de alimentos e de mão de obra. A
vida de colonos e escravos pertencem ao seu senhor. O suicida
passa a ser culpabilizado.
Idade Média: Suicídio castigado. Corpo arrastado por um cavalo
até uma forca, onde era pendurado com a cabeça para baixo. Mãos
decepadas e enterradas separadamente. Enterros em estrada ou
encruzilhada, nunca no cemitério do povoado.
Santo Agostinho (354-430): a vida é um presente de Deus, desfazer-se
dela é contrariar Sua vontade. Matar-se passou a ser um pecado mortal.
Penas religiosas:
562 – os suicidas não teriam direito à missa.
693 – Até mesmo sobreviventes de uma tentativa de suicídio seriam
excomungados.
São Tomás de Aquino (séc. XIII) : Suicídio como o pior dos pecados.
Pecava-se contra Deus, por duvidar de sua misericórdia; pecava-se
contra a Igreja, por duvidar de
seu papel intercessor.
Espiritualismo: Vale dos Suicidas.
Tabu na maioria das religiões.
(Cena do filme “Amor além da vida”)
Legislação civil acrescenta penas materiais para o suicídio: bens
confiscados pela Coroa, familiares privados da herança.
Fim do século XV: distinção do suicídio como consequência de alienação
mental. Deslocamento do suicídio como pecado para patologia = saúde.
Renascimento - O homem como medida de todas as coisas.
Suicídio: dilema humano.
Debate: reconhecimento da liberdade individual, incluindo-se o direito ao
suicídio.
Termo suicídio: sui = si próprio; caedere: matar - substitui a expressão
“homicídio de si próprio”.
Revolução Industrial – Século XIX
Durkheim (1897): “O suicídio” - Fenômeno social. Classificação de três
tipos de suicídio:
Egoísta: quanto mais estão enfraquecidos os grupos aos quais o
indivíduo pertence (família e religião, por exemplo), mais dependerá
exclusivamente de si mesmo. “Uma vez que se admite que são os
donos de seus destinos, pertence-lhes marcar o seu final”.
Anômico: Anomia – ausência de normas sociais. Quando valores e
regras desmoronam em torno de si, como em crises econômicas ou
eventos difíceis como a viuvez: “Qualquer ruptura de equilíbrio, ainda
que dela resulte um bem-estar maior e uma maior vitalidade, incita à
morte voluntária” .
Altruísta: por lealdade a uma causa. Durkheim cita como exemplos povos
primitivos onde são comuns suicídios de idosos ou doentes;
mulheres que se suicidam devido a morte de seus maridos e servos
que buscam o suicídio pela morte de seus chefes. Nestes casos, “se o
homem se mata não é porque reinvidica esse direito, mas porque tem
esse dever”.
Marx (1846) “Sobre o suicídio”:
“[...] sintoma de uma sociedade
doente, que necessita de uma
transformação radical. [...] Cada
indivíduo está isolado dos demais, é
um entre milhões, numa espécie de
solidão em massa. As pessoas agem
entre si como estranhas, numa
relação de hostilidade mútua: nessa
sociedade de luta e competição
impiedosas, de guerra de todos
contra todos, somente resta ao
indivíduo é ser vítima ou carrasco.
Eis, portanto, o contexto social que
explica o desespero e o suicídio”
(MARX, 2006, p. 15-16)
.Ariès (1975): “História da Morte no Ocidente” - Transformações sobre a
percepção social da morte.
Idade Média: a morte fazia parte do ciclo vital e era aceita como tal.
Culturalmente, a evolução das sociedades ocidentais modernas fez com
que a morte deixasse de ser vista como uma etapa de um processo
natural e passasse a ser combatida por profissionais especializados,
ocorrendo principalmente dentro de hospitais. Morte como fracasso –
dos recursos médicos, de uma vida que deveria estender-se em plenitude
infinitamente.
“Demonstrando algum sinal de tristeza,
peca-se contra a felicidade, que é
posta em questão, e a sociedade
arrisca-se, então, a perder sua razão de
ser “(Aries, p. 89).
Se a morte natural passa a ter esse
peso, que dizer então do suicídio,
que parece questionar com ainda
mais força essa felicidade
idealizada que nossa cultura nos
impele a buscar?
Um pouco de tudo isso e muito mais
está por trás da discussão sobre o
suicídio ...
• OMS: a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no
mundo.
• Na maioria dos países, o suicídio está entre as dez causas mais
comuns de morte na população geral.
• O suicídio atinge todas as faixas etárias e encontra-se, em
muitos países, entre as três principais causas de morte entre
indivíduos de 15 a 44 anos; segunda principal causa de morte
entre indivíduos de 10 a 24 anos.
• Idosos e adolescentes: casos estão aumentando.
Mulheres: mais tentativas de
suicídio.
Fator predisponente: Conflito ou
rompimento de relacionamento.
Método mais utilizado: Não
violento (dose excessiva de
medicamentos).
Homens: mais suicídios consumados.
Fator predisponente: Doença ou perda
importante.
Método mais utilizado: Violento
(enforcamento, arma de fogo,
precipitação de altura.
OMS: 90% dos casos de suicídio poderiam
ser evitados se houvesse uma rede de
atendimento adequado essas pessoas.
Dados do Brasil:
Taxa de mortalidade por suicídios, (4,5/100.000 habitantes) -
considerada baixa. Rio Grande do Sul (9,8/100.000).
 67ª posição na classificação mundial em ocorrências, mas
em números absolutos encontra-se entre os dez países com
mais suicídios.
 Cerca de vinte e cinco suicídios/dia.
 Números subestimados: alguns suicídios são registrados
como acidente ou morte de causa indeterminada.
Estima-se que para cada suicídio, de cinco a dez pessoas
(familiares, amigos) são afetadas social, emocional e
economicamente – “sobreviventes”.
Vídeo : CVV Decisão
Estratégia Nacional para Prevenção do Suicídio (Brasil, 2006)
Objetivo: reduzir taxas de suicídios, tentativas de suicídio e os danos
associados com comportamentos suicidas, como o impacto traumático
do suicídio na família, nas comunidades e na sociedade. Considerando:
Suicídio como grave problema de saúde pública, que afeta toda a
sociedade e que pode ser prevenido;
Importância epidemiológica do registro do suicídio e das tentativas;
Aumento na frequência do comportamento suicida entre jovens entre 15
e 25 anos, de ambos os sexos ...
 Impacto e danos causados pelo suicídio e as tentativas nos indivíduos,
nas famílias, [...] escolas e outras instituições;
 A possibilidade de intervenção nos casos de tentativas de suicídio e
que as mortes por suicídio podem ser evitadas por meio de ações de
promoção e prevenção em todos os níveis de atenção à saúde ...
, 2012).Proposta:
I - desenvolver estratégias de promoção de qualidade de vida, de
educação, de proteção e de recuperação da saúde e de prevenção de
danos;
II - desenvolver estratégias de informação, de comunicação e de
sensibilização da sociedade de que o suicídio é um problema de saúde
pública que pode ser prevenido;
III - organizar linha de cuidados integrais (promoção, prevenção,
tratamento e recuperação) em todos os níveis de atenção ...
IV - identificar a prevalência dos determinantes e condicionantes do
suicídio e tentativas, assim como os fatores protetores e o
desenvolvimento de ações intersetoriais de responsabilidade pública,
sem excluir a responsabilidade de toda a sociedade [...]
Na prática, na maioria dos serviços públicos de
saúde: foco no tratamento medicamentoso.
Observação: não é porque os casos de tentativa de suicídio e
ideação suicida são encaminhados para a Saúde Mental que
podemos dizer que todos se relacionam à transtornos
psiquiátricos.
Hillman (2011, p. 24): “Como qualquer golpe do destino – amor,
tragédia, glória – somente quando é distorcido, quando forma
parte de uma síndrome psicótica é que o suicídio torna-se um
caso para o psiquiatra. Em si mesmo, o suicídio não é nem
síndrome, nem sintoma. [...] o suicídio [...] poderia aparecer, e de
fato aparece, dentro do curso normal de qualquer vida”.
Embora parte significativa dos estudos aponte relações entre o
suicídio e determinadas classificações psiquiátricas (depressão,
transtorno bipolar e borderline aparecem frequentemente como
casos com maior probabilidade de suicídio), acredito que
estamos falando de histórias de vida singulares, que não podem
ser definidas por uma classificação diagnóstica.
Por exemplo: sofrimentos
mentais que tem origem
em fatores externos e bem
concretos, como o
bullying, ou a violência
física, psicológica e/ou
sexual por exemplo. Neste
caso, tratar apenas os
sintomas quase sempre
mostra-se insuficiente.
Soraya Rigo (CFP, 2013, p. 33): “dentro do atual contexto contemporâneo,
em que não é permitido falhar ou errar, muitas crianças e jovens sentem-
se incapazes de atender a esse imperativo de sucesso, se refugiando
numa depressão e, por vezes, se precipitando num ato suicida. O
suicídio, nestes casos, se configura como uma saída do sujeito para se
livrar da angústia provocada por sua incapacidade de atender as
expectativas do Outro”.
Exemplos: Suicídio em jovens estudantes japoneses ...
Questões de gênero ...
... Uma mulher tinha dois empregos, um de dia, outro de noite. O que
ganhava não dava para pagar as contas. Os ônibus que pegava para
chegar até esses empregos eram lotados. Ela vivia num barraco. Aí
procurou o posto de saúde e lhe trataram com antidepressivos. Não
adiantou. Deram-lhe outro medicamento. Nada. Um dia, sem nenhuma
esperança ou recurso, ela tentou suicídio’, conta. A questão é que não
há promoção de saúde, porque isso implicaria se preocupar com
projeto de vida, com perspectiva de vida, com melhoria das condições
de vida. O que há é medicalização da vida’”
Eliane Brum (2013) - “O doping dos
pobres”
“As pessoas estão sendo viciadas
em ansiolíticos nos postos de
saúde, afirma uma psicóloga. São
levadas a acreditar que o remédio
pode acabar com a sua dor, uma
dor que tem causas muito
concretas. Não resolve, claro. Um
exemplo...
“Eu tive uma experiência que marcou assim, a certeza
do desejo do suicídio. Não era uma pessoa psicótica,
não tinha nenhum quadro psicótico, e foi um
desespero social, de não ter mais emprego, de não ter
mais como levar comida pra casa, e essa pessoa
tentou suicídio esfaqueando o abdômen, e foi pra UTI e
assim que ele recobrou a consciência, ele com as
próprias mãos arrebentou os pontos ... Pra ‘retentar’ o
suicídio. Então eu digo que são vários suicídios. [...]
[Era] um homem, um pai de família com desemprego
há muito tempo. É, tem muito a ver [...] com o homem
como provedor, esse papel que ele tem na sociedade,
de prover a família, então [...] perde o sentido, né, ele
não deve se achar mais ninguém, e tenta ser ninguém
dessa forma brusca. [...] Depois ele seguiu o
tratamento e o pessoal da Assistência Social
conseguiu lá uma colocação pra ele e aí ele foi saindo
desse quadro pela questão social, não era uma
questão psiquiátrica em si, né. Acabou sendo.”
- Entrevistada
Portanto, a escuta é um dos
principais fatores de prevenção
ao suicídio.
Um dos serviços mais reconhecidos na prevenção
ao suicídio não é da saúde, mas sim uma
organização sem fins lucrativos: o CVV (Centro de
Valorização da Vida). O CVV acredita que ao
receber ajuda (principalmente ter escuta e
acolhimento para o seu sofrimento), as pessoas
podem reverter a situação ao colocar para fora
seus sentimentos e ideias, alterando, assim, sua
disposição para um ato suicida.
Três características próprias da maioria das pessoas sob risco de
suicídio:
1. Ambivalência: Quase sempre elas querem morrer e viver ao mesmo
tempo.
2. Impulsividade: Como qualquer outro impulso, o de cometer suicídio
pode ser transitório e durar alguns minutos ou horas. Normalmente, é
desencadeado por eventos negativos do dia-a-dia. Acalmando tal crise e
ganhando tempo, pode-se ajudar a diminuir o risco suicida.
3. Rigidez/constrição: A pessoa
passa a pensar de forma
dicotômica: tudo ou nada.
Pode enxergar o suicídio como
única solução e não percebe
outras maneiras de sair do
problema. “Não há mais nada o
que fazer”; “A única coisa que
poderia fazer era me matar” =
“Visão em túnel”.
Google: O assunto mais procurado de 2014, superando inclusive
a Copa do Mundo, foi o ator Robin Williams, morto em agosto,
após ter cometido suicídio.
Sua morte influenciou outras pesquisas na página e até resultou
em um “pico de buscas ligadas a testes de depressão e saúde
mental, nos dias subsequentes à morte dele”.
(Fonte: G1)
Cerimônia do Oscar (2015)
'Quando eu tinha 16 anos, tentei me
matar porque eu me sentia estranho,
me sentia diferente, sem
pertencimento. E agora eu estou
aqui. Gostaria de dedicar esse
momento para aquele garoto lá fora
que se sente estranho ou diferente,
que não se sente encaixado na vida.
Sim, você se encaixa. Continue
estranho. Continue diferente.
Quando chegar a sua vez, e você
permanecer firme, por favor, passe a
mesma mensagem para a pessoa
seguinte".
- Graham Moore, ao receber o Oscar de
melhor roteiro adaptado pelo filme “O jogo
da imitação”.
Mídias sociais
- Grupos de apoio
- Grupos de incentivo ao
suicídio
“Temos um CVV, Centro de
Valorização da Vida. E na internet há
um CVM, Centro de Valorização da
Morte” - Mário Corso em 2008 : Seu
paciente, um adolescente de 16 anos,
planejou a própria morte com a ajuda
de sites na internet e a transmitiu em
tempo real, incentivado por
participantes de um chat. (Publicado
no blog em 15 de julho)
Cyberbullying – Usar meios tecnológicos para humilhar ou constranger
Revenge porno – pornografia de vingança (Vídeo Amanda Todd)
Suicídios anunciado nas redes - “É daqui a pouco que tudo acaba...E tô
com medo mas acho que é tchau pra sempre.” – Julia Rebeca, 17 anos
Vídeo: Daniel
2. Pesquisa
Aproximações e
distanciamentos
de
trabalhadores
de um CAPS na
atenção ao
suicídio
Maio/2013: NAPS
Julho: Especialização em Saúde Pública
Início de 2013: Mestrado Profissional
Objetivo inicial: Protocolo para atender pessoas com ideação
suicida ou tentativa de suicídio.
Levantamento
Triagem agendada.
De maio a dezembro de 2012:
304 casos novos
50 trouxeram na triagem a
queixa de ideação suicida ou
tentativa de suicídio.
De janeiro a dezembro de 2013:
524 casos novos
65 traziam a queixa de ideação
suicida ou tentativa de suicídio.
Destes 115 casos, 47 com
histórico de tentativa de
suicídio.
Principal conduta:
avaliação psiquiátrica e
prescrição de
medicamentos.
-Triagem em junho/2013: Busca espontânea. Homem de 34 anos refere
tristeza e choro. Tentativa de suicídio (veneno de rato) em setembro do ano
anterior. Fez tratamento psiquiátrico e psicoterapia no interior, onde morava.
Está em Santos a trabalho, sua família mora em outra cidade. Agendada
avaliação psiquiátrica para 42 dias depois. Encaminhado para psicoterapia fora
do serviço. Não retornou.
- Triagem em novembro/2013: Mulher de 49 anos. Refere alucinações visuais
e auditivas desde fevereiro, com comando para suicídio desde agosto. Ficou
quatro dias internada após tentativa de suicídio com ingestão de
medicamentos. Mora sozinha. Avaliação psiquiátrica para 17 dias depois. Não
foi agendado outro tipo de atendimento. Em junho de 2013, o psiquiatra reforça
a importância de fazer psicoterapia. No final de 2013, encontrava-se em
acompanhamento psiquiátrico.
- Triagem em dezembro de 2013: Homem de 33 anos. Vem após 30 dias de
internação, devido tentativa de suicídio por ingestão de medicamentos e
enforcamento. Queixa: inquieto, insone, crises de pânico. Avaliação
psiquiátrica agendada para 116 dias depois. Encaminhado para psicoterapia
fora do serviço. Não retornou.
Entrevistas com as técnicas que faziam as triagens dos casos novos.
(2 psicólogas, 1 enfermeira, 1 terapeuta ocupacional e 1 assistente social)
“[...] eu sempre acabei vendo como uma coisa da impotência mesmo
[...] Vejo muito sofrimento, seja o suicídio em si ou na tentativa, né?”
“Pra mim é uma fuga mesmo, a pessoa não consegue encontrar o que
fazer naquela situação e prefere fugir dela”.
“Acho que é uma doença psíquica, né? [...] Aliás, a desesperança, acho
que em si já tem alguma coisa de doença associada, né? Porque a
pessoa não ver uma luz no fim do túnel acho que já é uma coisa
doentia, né?”
“Excetuando o fator da patologia, eu acho que a solidão.”
“São muitos fatores [...] talvez alguns casos um impulso do desespero,
outros casos uma falta de sentido na vida [...] Acho que são vários
suicídios, né? De repente, até a drogadição é um meio de suicídio.
Imagino que seja uma coisa muito ampla. E complexa.” – Entrevistada 5
O que seria importante no atendimento a estes casos
“O quanto a gente tá disponível pra estar junto daquela pessoa [...] se ela
rompeu com isso, não se matou, marcou uma triagem e chegou aqui
pedindo uma ajuda, [...] tem força de vida ali”
“Escuta. [...] Fazer ela refletir o que seria melhor pra ela, né?”
“Assim, o que faz diferença eu acho que é a psicoterapia, né? É isso. Eu
acho que a medicação é uma bengala, num primeiro momento, mas a
medicação não é efetiva”
“[...] seria uma escuta naquele primeiro momento, é tentar arrumar o
médico o mais rápido possível ...”
“Bom, primeiro eu acho importantíssimo que essa pessoa seja assim
monitorada, [...] a gente tem que estar sempre perto [...] acompanhando a
evolução do tratamento dessa pessoa”
Dificuldades na atenção a esses casos
“[...] Não sei, me vem essa sensação mesmo de impotência [...]”
“De saber o quão grave é isso, né? [...] Qual é o risco real”.
“Eu acho que é R.H., viu. Porque as pessoas têm muita boa vontade,
mas não tem pernas pra fazer algumas coisas”
“ [...] a pessoa chega, às vezes é tão corrida essa triagem por ter um
balcão com mais de 30 ou 40 pessoas lá te esperando, [...] você pode
até tentar, né, marcar um médico mais próximo, reagendar algumas
escutas com essa pessoa, mas quantas pessoas não devem chegar
com esse desejo e não se sentem acolhidas ali no momento por ver
aquele balcão cheio, aquela confusão [...] você infelizmente não tá tão
acolhedora naquele momento porque já tá, né, esgotada”
Medicalização do sofrimento
“Eu não sei se é tanta demanda, se é o nosso cansaço também, se não é
a nossa cultura de medicalização, né? [...] precisa anestesiar, senão ele
não vai suportar, né ...”
“[...] eu acho que no primeiro
momento isso [medicação] não é o
mais importante”
“E infelizmente, embora seja o
CAPS, o psicossocial, é médico-
centrado, o norte que nós temos é
esse, e até quando você tenta
oferecer alguma coisa diferente, às
vezes já está culturalmente tão né,
disseminado essa coisa do
médico-centrado que às vezes a
pessoa não aceita a escuta ...”
Entrevistas com psiquiatras do serviço
“[...] Tentativa de suicídio, né, ela é presente na Psiquiatria, então,
principalmente nos pacientes que têm [...] transtorno depressivo [...]
Então, interna-se, pelo menos pra dar uma melhorada, acertar a
medicação, se for o caso, né, começar a esses pensamentos ficarem um
pouco mais leves, [...] pra aí continuar a fazer o tratamento em casa.”
Suicídio como um dos “sintomas”, um “efeito colateral” dos
transtornos mentais.
= Justifica a prescrição de medicamentos.
“Sabemos que quase todos os suicidas tinham uma doença mental,
muitas vezes não diagnosticada, frequentemente não tratada [...] Os
transtornos psiquiátricos mais comuns incluem depressão, transtorno
bipolar, alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas e transtornos
de personalidade e esquizofrenia”.
Cartilha “Suicídio: informando para prevenir” - Associação Brasileira de Psiquiatria e
Conselho Federal de Medicina (2014)
Roda de Conversa – Atenção ao suicídio
 Dados gerais e dados produzidos durante a pesquisa, incluindo falas
das entrevistas
 Caixa de Afecções – Protocolo X Sensibilização
 Sugestões para aprofundar as triagens
 Agendar ao menos um retorno com o usuário
 Desmistificar a ideia de que só o psicólogo pode acompanhar esses
casos
 Proposta de criar grupos de apoio
 Sinalização no prontuário e no livro de registros para “não perder” os
casos
 Equipe efetiva o Espaço de Discussão semanal – Livro de registros
 Problematizar a triagem agendada
Vídeo: Raul Seixas
3. Manejo
É importante investigar ...
Fatores predisponentes
 Tentativa (s) prévia (s) de suicídio
Transtornos psiquiátricos
(principalmente depressão, alcoolismo,
esquizofrenia e certos transtornos de
personalidade)
 Doenças físicas (terminais,
dolorosas, incapacitantes)
 História familiar de suicídio, alcoolismo ou outros transtornos
psiquiátricos
 Estado civil divorciado, viúvo ou solteiro
 Isolamento social
 Desempregado ou aposentado
 Luto ou abuso sexual na infância
 Alta recente de internação psiquiátrica
Estressores
recentes
Separação conjugal;
Luto;
Conflitos familiares;
Mudança de
situação
empregatícia ou
financeira;
Rejeição por parte
de pessoa
significativa;
Vergonha e temor de
ser considerado
culpado por algo.
Fatores ambientais
Fácil acesso a métodos de suicídio
Atenção às frases de alerta.
“Eu preferia estar morto”
“Eu não posso fazer nada”
“Eu não aguento mais”
“Eu sou um perdedor e um
peso pros outros”
“Os outros vão ser mais
felizes sem mim”
4 D: Sentimentos comuns de quem pensa em se matar:
depressão, desesperança, desamparo e desespero.
Mitos
“Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir o paciente a isso.”
– Questionar sobre idéias de suicídio, fazendo-o de modo sensato e
franco, aumenta o vínculo com o paciente. Este se sente acolhido por um
profissional cuidadoso, que se interessa pela extensão de seu
sofrimento.
“Ele está ameaçando suicídio apenas para manipular.”
– A ameaça de suicídio sempre deve ser levada a sério. Chegar a esse
tipo de recurso indica que a pessoa está sofrendo e necessita de ajuda.
“Quem quer se matar, se mata mesmo.”
– Essa ideia pode conduzir ao imobilismo terapêutico, ou ao descuido
no manejo das pessoas sob risco. Não se trata de evitar todos
os suicídios, mas sim os que podem ser evitados.
“Quem quer se matar não avisa.”
– Pelo menos 2/3 das pessoas que tentam ou que se matam haviam
comunicado de alguma maneira sua intenção para amigos, familiares ou
conhecidos.
“O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)”.
– O que dirige a ação auto-inflingida é uma dor psíquica insuportável e
não uma atitude de covardia ou coragem.
“No lugar dele, eu também me mataria.”
– Há sempre o risco de o profissional identificar-se com aspectos de
desamparo e desesperança de seus pacientes, sentindo-se impotente
para a tarefa assistencial. Há também o perigo de se valer de um
julgamento pessoal subjetivo para decidir as ações que fará.
(Prevenção do Suicídio: Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde
Mental – Ministério da Saúde, 2006)
Manejo Clínico
Imediatamente – Manter o paciente seguro
- Impedir que o paciente se mate (inclusive evitando que um paciente em
crise suicida permaneça sozinho na sala de espera, enquanto os pais são
entrevistados no consultório).
- Nos casos de risco iminente de suicídio, recomenda-se a internação
psiquiátrica, ainda que involuntária.
- Afastar meios letais
- Apoio emocional e vigilância
- Incentivar atividades programadas
- Psicofármacos – para diminuir a ansiedade e a impulsividade; para
garantir a noite de sono;
- Identificar pessoas significativas e
obter seu apoio.
- Esclarecimento e apoio aos
familiares.
Botega, 2015. Crise Suicida.
Curto prazo – 1ª. semana
- Facilitar contato (Consultas
frequentes e telefonemas
periódicos)
- Elaborar um plano de
segurança (a seguir)
- Repetir avaliação de risco.
- Discussão clínica e
supervisão
Médio e Longo prazo
- Diagnosticar/tratar
transtornos mentais
- Lidar com estressores
crônicos
- Abordar comportamentos
disfuncionais
- Estimular e encaminhar para
a psicoterapia
- Cuidar da adesão ao
tratamento.
Botega, 2015. Crise Suicida.
- Desenvolver uma aliança terapêutica.
- Qual é o significado do ato para essa pessoa? Explorar alternativas. É
importante que ela possa perceber outras soluções.
-Na medida do possível, colocar pessoas próximas (cônjuge, familiares)
como colaboradores no plano de tratamento.
- Reuniões com a família devem levantar duas questões importantes:
como estão se sentindo e quais são as estratégias a serem adotadas.
Dilemas éticos: para salvar a vida de uma
pessoa faça qualquer coisa. A crise
suicida é uma condição muito grave, em
que a segurança do paciente supera a
confidencialidade. O ideal é ter sua
autorização para comunicar uma pessoa
próxima, com o objetivo de criar uma rede
de proteção. Se a pessoa não concordar,
ainda assim temos que comunicar alguém
próximo sobre o risco de suicídio.
(Botega, 2015)
Estrutura de um plano de segurança (Botega, 2015)
Lista de situações (gatilhos) que costumam desencadear ideação suicida.
Sugestões de como lidar com tais pensamentos e momentos de angústia.
Lembrete para afastar meios que possam ser usados para se autoagredir.
Registro de uma ou mais ‘boas razões para continuar vivo’.
Sugestão de atividades que costumam reduzir a ansiedade.
Pessoas que costumam dar apoio e como acessá-las rapidamente.
Informações sobre como contatar o médico, o psicoterapeuta.
Telefone de centros de crise (CVV) e de serviços médicos de emergência.
Posvenção
-Apoio aos sobreviventes
- Cuidados que favoreçam a expressão
de ideias e sentimentos relacionados ao
trauma e elaboração do luto.
- Pessoas próximas e profissionais de
saúde: choque, tristeza, culpa, raiva ...
falandosobresuicidio.blogspot.com
Vídeo: Enquanto houver
sol - Titãs
Referências
ARIÈS, P. História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias.
Tradução de Priscila Viana de Siqueira. [Ed. Especial]. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2012.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA (ABP). Suicídio: informando
para prevenir. Brasília, CFM/ABP, 2014.
BOTEGA, N. J. Crise Suicida. São Paulo: Artmed, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. 2006. Prevenção do Suicídio: Manual
dirigido a profissionais das equipes de saúde Mental.
______. Portaria no. 1876. Diretrizes Nacionais para Prevenção ao
Suicídio. Publicado em 14 de agosto de 2006.
BRUM, E. O doping dos pobres. In: A menina quebrada. Porto Alegre:
Arquipélago Editorial, 2013. Pp. 39-46.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). O Suicídio e os Desafios
para a Psicologia. Brasília: CFP, 2013.
DURKHEIM, E. O suicídio. São Paulo: Martin Claret, 2003.
HILLMAN, James. Suicídio e Alma. Tradução de Sônia Maria Caiuby
Labate. 4ª. Ed – Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
MARX, Karl. Sobre o suicídio. São Paulo: Boitempo, 2006.
“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao
tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
Jung
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Apresentação cuidado, frágil pdf

  • 1. Cuidado, frágil: Falando sobre atenção ao suicídio Luciana F. Cescon Psicóloga – CRP 98.202 Mestre em Ensino em Ciências da Saúde – UNIFESP BS 2015
  • 2. “Não somos responsáveis pela vida e pela morte uns dos outros, a vida e a morte de cada homem é dele próprio. Somos, porém, responsáveis por nossos envolvimentos”. HILLMAN, 2011 - “Suicídio e alma” p. 94
  • 5. • Suicídio: ato iniciado e executado por uma pessoa que tem a noção (ou forte expectativa) de que dele pode resultar a morte, e cujo desfecho fatal é esperado.  Ideação suicida Plano suicida Ato suicida - fatal (suicídio) ou não (tentativa de suicídio). • Tema muito complexo, múltiplos significados e sempre envolvido por tabus = pacto de silêncio.
  • 6. Grécia Antiga: suicídio legitimado, se consentido previamente pelas autoridades. Platão defendia o suicídio quando as circunstâncias externas tornavam-se intoleráveis ... Já para Aristóteles, ao se matar, o indivíduo enfraquecia o Estado ...
  • 7. Roma Antiga: o suicídio não era visto como ofensa moral, nem era objeto de ações legais. Viver de forma nobre também significava morrer de forma nobre e no momento certo. Maior preocupação: como o suicídio afetaria o Estado, especialmente o Tesouro. Por isso, o ato não era permitido a escravos, soldados ou criminosos. Estado Romano totalitário (séc. V): Período de fome, epidemia e guerras. Baixa natalidade, falta de alimentos e de mão de obra. A vida de colonos e escravos pertencem ao seu senhor. O suicida passa a ser culpabilizado. Idade Média: Suicídio castigado. Corpo arrastado por um cavalo até uma forca, onde era pendurado com a cabeça para baixo. Mãos decepadas e enterradas separadamente. Enterros em estrada ou encruzilhada, nunca no cemitério do povoado.
  • 8. Santo Agostinho (354-430): a vida é um presente de Deus, desfazer-se dela é contrariar Sua vontade. Matar-se passou a ser um pecado mortal. Penas religiosas: 562 – os suicidas não teriam direito à missa. 693 – Até mesmo sobreviventes de uma tentativa de suicídio seriam excomungados. São Tomás de Aquino (séc. XIII) : Suicídio como o pior dos pecados. Pecava-se contra Deus, por duvidar de sua misericórdia; pecava-se contra a Igreja, por duvidar de seu papel intercessor. Espiritualismo: Vale dos Suicidas. Tabu na maioria das religiões. (Cena do filme “Amor além da vida”)
  • 9. Legislação civil acrescenta penas materiais para o suicídio: bens confiscados pela Coroa, familiares privados da herança. Fim do século XV: distinção do suicídio como consequência de alienação mental. Deslocamento do suicídio como pecado para patologia = saúde.
  • 10. Renascimento - O homem como medida de todas as coisas. Suicídio: dilema humano. Debate: reconhecimento da liberdade individual, incluindo-se o direito ao suicídio. Termo suicídio: sui = si próprio; caedere: matar - substitui a expressão “homicídio de si próprio”.
  • 11. Revolução Industrial – Século XIX Durkheim (1897): “O suicídio” - Fenômeno social. Classificação de três tipos de suicídio: Egoísta: quanto mais estão enfraquecidos os grupos aos quais o indivíduo pertence (família e religião, por exemplo), mais dependerá exclusivamente de si mesmo. “Uma vez que se admite que são os donos de seus destinos, pertence-lhes marcar o seu final”. Anômico: Anomia – ausência de normas sociais. Quando valores e regras desmoronam em torno de si, como em crises econômicas ou eventos difíceis como a viuvez: “Qualquer ruptura de equilíbrio, ainda que dela resulte um bem-estar maior e uma maior vitalidade, incita à morte voluntária” . Altruísta: por lealdade a uma causa. Durkheim cita como exemplos povos primitivos onde são comuns suicídios de idosos ou doentes; mulheres que se suicidam devido a morte de seus maridos e servos que buscam o suicídio pela morte de seus chefes. Nestes casos, “se o homem se mata não é porque reinvidica esse direito, mas porque tem esse dever”.
  • 12. Marx (1846) “Sobre o suicídio”: “[...] sintoma de uma sociedade doente, que necessita de uma transformação radical. [...] Cada indivíduo está isolado dos demais, é um entre milhões, numa espécie de solidão em massa. As pessoas agem entre si como estranhas, numa relação de hostilidade mútua: nessa sociedade de luta e competição impiedosas, de guerra de todos contra todos, somente resta ao indivíduo é ser vítima ou carrasco. Eis, portanto, o contexto social que explica o desespero e o suicídio” (MARX, 2006, p. 15-16)
  • 13. .Ariès (1975): “História da Morte no Ocidente” - Transformações sobre a percepção social da morte. Idade Média: a morte fazia parte do ciclo vital e era aceita como tal. Culturalmente, a evolução das sociedades ocidentais modernas fez com que a morte deixasse de ser vista como uma etapa de um processo natural e passasse a ser combatida por profissionais especializados, ocorrendo principalmente dentro de hospitais. Morte como fracasso – dos recursos médicos, de uma vida que deveria estender-se em plenitude infinitamente. “Demonstrando algum sinal de tristeza, peca-se contra a felicidade, que é posta em questão, e a sociedade arrisca-se, então, a perder sua razão de ser “(Aries, p. 89). Se a morte natural passa a ter esse peso, que dizer então do suicídio, que parece questionar com ainda mais força essa felicidade idealizada que nossa cultura nos impele a buscar?
  • 14. Um pouco de tudo isso e muito mais está por trás da discussão sobre o suicídio ...
  • 15. • OMS: a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. • Na maioria dos países, o suicídio está entre as dez causas mais comuns de morte na população geral. • O suicídio atinge todas as faixas etárias e encontra-se, em muitos países, entre as três principais causas de morte entre indivíduos de 15 a 44 anos; segunda principal causa de morte entre indivíduos de 10 a 24 anos. • Idosos e adolescentes: casos estão aumentando.
  • 16. Mulheres: mais tentativas de suicídio. Fator predisponente: Conflito ou rompimento de relacionamento. Método mais utilizado: Não violento (dose excessiva de medicamentos). Homens: mais suicídios consumados. Fator predisponente: Doença ou perda importante. Método mais utilizado: Violento (enforcamento, arma de fogo, precipitação de altura.
  • 17. OMS: 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados se houvesse uma rede de atendimento adequado essas pessoas.
  • 18. Dados do Brasil: Taxa de mortalidade por suicídios, (4,5/100.000 habitantes) - considerada baixa. Rio Grande do Sul (9,8/100.000).  67ª posição na classificação mundial em ocorrências, mas em números absolutos encontra-se entre os dez países com mais suicídios.  Cerca de vinte e cinco suicídios/dia.  Números subestimados: alguns suicídios são registrados como acidente ou morte de causa indeterminada. Estima-se que para cada suicídio, de cinco a dez pessoas (familiares, amigos) são afetadas social, emocional e economicamente – “sobreviventes”. Vídeo : CVV Decisão
  • 19. Estratégia Nacional para Prevenção do Suicídio (Brasil, 2006) Objetivo: reduzir taxas de suicídios, tentativas de suicídio e os danos associados com comportamentos suicidas, como o impacto traumático do suicídio na família, nas comunidades e na sociedade. Considerando: Suicídio como grave problema de saúde pública, que afeta toda a sociedade e que pode ser prevenido; Importância epidemiológica do registro do suicídio e das tentativas; Aumento na frequência do comportamento suicida entre jovens entre 15 e 25 anos, de ambos os sexos ...  Impacto e danos causados pelo suicídio e as tentativas nos indivíduos, nas famílias, [...] escolas e outras instituições;  A possibilidade de intervenção nos casos de tentativas de suicídio e que as mortes por suicídio podem ser evitadas por meio de ações de promoção e prevenção em todos os níveis de atenção à saúde ...
  • 20. , 2012).Proposta: I - desenvolver estratégias de promoção de qualidade de vida, de educação, de proteção e de recuperação da saúde e de prevenção de danos; II - desenvolver estratégias de informação, de comunicação e de sensibilização da sociedade de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido; III - organizar linha de cuidados integrais (promoção, prevenção, tratamento e recuperação) em todos os níveis de atenção ... IV - identificar a prevalência dos determinantes e condicionantes do suicídio e tentativas, assim como os fatores protetores e o desenvolvimento de ações intersetoriais de responsabilidade pública, sem excluir a responsabilidade de toda a sociedade [...] Na prática, na maioria dos serviços públicos de saúde: foco no tratamento medicamentoso.
  • 21. Observação: não é porque os casos de tentativa de suicídio e ideação suicida são encaminhados para a Saúde Mental que podemos dizer que todos se relacionam à transtornos psiquiátricos. Hillman (2011, p. 24): “Como qualquer golpe do destino – amor, tragédia, glória – somente quando é distorcido, quando forma parte de uma síndrome psicótica é que o suicídio torna-se um caso para o psiquiatra. Em si mesmo, o suicídio não é nem síndrome, nem sintoma. [...] o suicídio [...] poderia aparecer, e de fato aparece, dentro do curso normal de qualquer vida”. Embora parte significativa dos estudos aponte relações entre o suicídio e determinadas classificações psiquiátricas (depressão, transtorno bipolar e borderline aparecem frequentemente como casos com maior probabilidade de suicídio), acredito que estamos falando de histórias de vida singulares, que não podem ser definidas por uma classificação diagnóstica.
  • 22. Por exemplo: sofrimentos mentais que tem origem em fatores externos e bem concretos, como o bullying, ou a violência física, psicológica e/ou sexual por exemplo. Neste caso, tratar apenas os sintomas quase sempre mostra-se insuficiente. Soraya Rigo (CFP, 2013, p. 33): “dentro do atual contexto contemporâneo, em que não é permitido falhar ou errar, muitas crianças e jovens sentem- se incapazes de atender a esse imperativo de sucesso, se refugiando numa depressão e, por vezes, se precipitando num ato suicida. O suicídio, nestes casos, se configura como uma saída do sujeito para se livrar da angústia provocada por sua incapacidade de atender as expectativas do Outro”. Exemplos: Suicídio em jovens estudantes japoneses ... Questões de gênero ...
  • 23. ... Uma mulher tinha dois empregos, um de dia, outro de noite. O que ganhava não dava para pagar as contas. Os ônibus que pegava para chegar até esses empregos eram lotados. Ela vivia num barraco. Aí procurou o posto de saúde e lhe trataram com antidepressivos. Não adiantou. Deram-lhe outro medicamento. Nada. Um dia, sem nenhuma esperança ou recurso, ela tentou suicídio’, conta. A questão é que não há promoção de saúde, porque isso implicaria se preocupar com projeto de vida, com perspectiva de vida, com melhoria das condições de vida. O que há é medicalização da vida’” Eliane Brum (2013) - “O doping dos pobres” “As pessoas estão sendo viciadas em ansiolíticos nos postos de saúde, afirma uma psicóloga. São levadas a acreditar que o remédio pode acabar com a sua dor, uma dor que tem causas muito concretas. Não resolve, claro. Um exemplo...
  • 24. “Eu tive uma experiência que marcou assim, a certeza do desejo do suicídio. Não era uma pessoa psicótica, não tinha nenhum quadro psicótico, e foi um desespero social, de não ter mais emprego, de não ter mais como levar comida pra casa, e essa pessoa tentou suicídio esfaqueando o abdômen, e foi pra UTI e assim que ele recobrou a consciência, ele com as próprias mãos arrebentou os pontos ... Pra ‘retentar’ o suicídio. Então eu digo que são vários suicídios. [...] [Era] um homem, um pai de família com desemprego há muito tempo. É, tem muito a ver [...] com o homem como provedor, esse papel que ele tem na sociedade, de prover a família, então [...] perde o sentido, né, ele não deve se achar mais ninguém, e tenta ser ninguém dessa forma brusca. [...] Depois ele seguiu o tratamento e o pessoal da Assistência Social conseguiu lá uma colocação pra ele e aí ele foi saindo desse quadro pela questão social, não era uma questão psiquiátrica em si, né. Acabou sendo.” - Entrevistada
  • 25. Portanto, a escuta é um dos principais fatores de prevenção ao suicídio. Um dos serviços mais reconhecidos na prevenção ao suicídio não é da saúde, mas sim uma organização sem fins lucrativos: o CVV (Centro de Valorização da Vida). O CVV acredita que ao receber ajuda (principalmente ter escuta e acolhimento para o seu sofrimento), as pessoas podem reverter a situação ao colocar para fora seus sentimentos e ideias, alterando, assim, sua disposição para um ato suicida.
  • 26. Três características próprias da maioria das pessoas sob risco de suicídio: 1. Ambivalência: Quase sempre elas querem morrer e viver ao mesmo tempo. 2. Impulsividade: Como qualquer outro impulso, o de cometer suicídio pode ser transitório e durar alguns minutos ou horas. Normalmente, é desencadeado por eventos negativos do dia-a-dia. Acalmando tal crise e ganhando tempo, pode-se ajudar a diminuir o risco suicida. 3. Rigidez/constrição: A pessoa passa a pensar de forma dicotômica: tudo ou nada. Pode enxergar o suicídio como única solução e não percebe outras maneiras de sair do problema. “Não há mais nada o que fazer”; “A única coisa que poderia fazer era me matar” = “Visão em túnel”.
  • 27. Google: O assunto mais procurado de 2014, superando inclusive a Copa do Mundo, foi o ator Robin Williams, morto em agosto, após ter cometido suicídio. Sua morte influenciou outras pesquisas na página e até resultou em um “pico de buscas ligadas a testes de depressão e saúde mental, nos dias subsequentes à morte dele”. (Fonte: G1)
  • 28. Cerimônia do Oscar (2015) 'Quando eu tinha 16 anos, tentei me matar porque eu me sentia estranho, me sentia diferente, sem pertencimento. E agora eu estou aqui. Gostaria de dedicar esse momento para aquele garoto lá fora que se sente estranho ou diferente, que não se sente encaixado na vida. Sim, você se encaixa. Continue estranho. Continue diferente. Quando chegar a sua vez, e você permanecer firme, por favor, passe a mesma mensagem para a pessoa seguinte". - Graham Moore, ao receber o Oscar de melhor roteiro adaptado pelo filme “O jogo da imitação”.
  • 29. Mídias sociais - Grupos de apoio - Grupos de incentivo ao suicídio “Temos um CVV, Centro de Valorização da Vida. E na internet há um CVM, Centro de Valorização da Morte” - Mário Corso em 2008 : Seu paciente, um adolescente de 16 anos, planejou a própria morte com a ajuda de sites na internet e a transmitiu em tempo real, incentivado por participantes de um chat. (Publicado no blog em 15 de julho) Cyberbullying – Usar meios tecnológicos para humilhar ou constranger Revenge porno – pornografia de vingança (Vídeo Amanda Todd) Suicídios anunciado nas redes - “É daqui a pouco que tudo acaba...E tô com medo mas acho que é tchau pra sempre.” – Julia Rebeca, 17 anos Vídeo: Daniel
  • 32. Maio/2013: NAPS Julho: Especialização em Saúde Pública Início de 2013: Mestrado Profissional Objetivo inicial: Protocolo para atender pessoas com ideação suicida ou tentativa de suicídio.
  • 33. Levantamento Triagem agendada. De maio a dezembro de 2012: 304 casos novos 50 trouxeram na triagem a queixa de ideação suicida ou tentativa de suicídio. De janeiro a dezembro de 2013: 524 casos novos 65 traziam a queixa de ideação suicida ou tentativa de suicídio. Destes 115 casos, 47 com histórico de tentativa de suicídio. Principal conduta: avaliação psiquiátrica e prescrição de medicamentos.
  • 34. -Triagem em junho/2013: Busca espontânea. Homem de 34 anos refere tristeza e choro. Tentativa de suicídio (veneno de rato) em setembro do ano anterior. Fez tratamento psiquiátrico e psicoterapia no interior, onde morava. Está em Santos a trabalho, sua família mora em outra cidade. Agendada avaliação psiquiátrica para 42 dias depois. Encaminhado para psicoterapia fora do serviço. Não retornou. - Triagem em novembro/2013: Mulher de 49 anos. Refere alucinações visuais e auditivas desde fevereiro, com comando para suicídio desde agosto. Ficou quatro dias internada após tentativa de suicídio com ingestão de medicamentos. Mora sozinha. Avaliação psiquiátrica para 17 dias depois. Não foi agendado outro tipo de atendimento. Em junho de 2013, o psiquiatra reforça a importância de fazer psicoterapia. No final de 2013, encontrava-se em acompanhamento psiquiátrico. - Triagem em dezembro de 2013: Homem de 33 anos. Vem após 30 dias de internação, devido tentativa de suicídio por ingestão de medicamentos e enforcamento. Queixa: inquieto, insone, crises de pânico. Avaliação psiquiátrica agendada para 116 dias depois. Encaminhado para psicoterapia fora do serviço. Não retornou.
  • 35. Entrevistas com as técnicas que faziam as triagens dos casos novos. (2 psicólogas, 1 enfermeira, 1 terapeuta ocupacional e 1 assistente social) “[...] eu sempre acabei vendo como uma coisa da impotência mesmo [...] Vejo muito sofrimento, seja o suicídio em si ou na tentativa, né?” “Pra mim é uma fuga mesmo, a pessoa não consegue encontrar o que fazer naquela situação e prefere fugir dela”. “Acho que é uma doença psíquica, né? [...] Aliás, a desesperança, acho que em si já tem alguma coisa de doença associada, né? Porque a pessoa não ver uma luz no fim do túnel acho que já é uma coisa doentia, né?” “Excetuando o fator da patologia, eu acho que a solidão.” “São muitos fatores [...] talvez alguns casos um impulso do desespero, outros casos uma falta de sentido na vida [...] Acho que são vários suicídios, né? De repente, até a drogadição é um meio de suicídio. Imagino que seja uma coisa muito ampla. E complexa.” – Entrevistada 5
  • 36. O que seria importante no atendimento a estes casos “O quanto a gente tá disponível pra estar junto daquela pessoa [...] se ela rompeu com isso, não se matou, marcou uma triagem e chegou aqui pedindo uma ajuda, [...] tem força de vida ali” “Escuta. [...] Fazer ela refletir o que seria melhor pra ela, né?” “Assim, o que faz diferença eu acho que é a psicoterapia, né? É isso. Eu acho que a medicação é uma bengala, num primeiro momento, mas a medicação não é efetiva” “[...] seria uma escuta naquele primeiro momento, é tentar arrumar o médico o mais rápido possível ...” “Bom, primeiro eu acho importantíssimo que essa pessoa seja assim monitorada, [...] a gente tem que estar sempre perto [...] acompanhando a evolução do tratamento dessa pessoa”
  • 37. Dificuldades na atenção a esses casos “[...] Não sei, me vem essa sensação mesmo de impotência [...]” “De saber o quão grave é isso, né? [...] Qual é o risco real”. “Eu acho que é R.H., viu. Porque as pessoas têm muita boa vontade, mas não tem pernas pra fazer algumas coisas” “ [...] a pessoa chega, às vezes é tão corrida essa triagem por ter um balcão com mais de 30 ou 40 pessoas lá te esperando, [...] você pode até tentar, né, marcar um médico mais próximo, reagendar algumas escutas com essa pessoa, mas quantas pessoas não devem chegar com esse desejo e não se sentem acolhidas ali no momento por ver aquele balcão cheio, aquela confusão [...] você infelizmente não tá tão acolhedora naquele momento porque já tá, né, esgotada”
  • 38. Medicalização do sofrimento “Eu não sei se é tanta demanda, se é o nosso cansaço também, se não é a nossa cultura de medicalização, né? [...] precisa anestesiar, senão ele não vai suportar, né ...” “[...] eu acho que no primeiro momento isso [medicação] não é o mais importante” “E infelizmente, embora seja o CAPS, o psicossocial, é médico- centrado, o norte que nós temos é esse, e até quando você tenta oferecer alguma coisa diferente, às vezes já está culturalmente tão né, disseminado essa coisa do médico-centrado que às vezes a pessoa não aceita a escuta ...”
  • 39. Entrevistas com psiquiatras do serviço “[...] Tentativa de suicídio, né, ela é presente na Psiquiatria, então, principalmente nos pacientes que têm [...] transtorno depressivo [...] Então, interna-se, pelo menos pra dar uma melhorada, acertar a medicação, se for o caso, né, começar a esses pensamentos ficarem um pouco mais leves, [...] pra aí continuar a fazer o tratamento em casa.” Suicídio como um dos “sintomas”, um “efeito colateral” dos transtornos mentais. = Justifica a prescrição de medicamentos. “Sabemos que quase todos os suicidas tinham uma doença mental, muitas vezes não diagnosticada, frequentemente não tratada [...] Os transtornos psiquiátricos mais comuns incluem depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas e transtornos de personalidade e esquizofrenia”. Cartilha “Suicídio: informando para prevenir” - Associação Brasileira de Psiquiatria e Conselho Federal de Medicina (2014)
  • 40. Roda de Conversa – Atenção ao suicídio  Dados gerais e dados produzidos durante a pesquisa, incluindo falas das entrevistas  Caixa de Afecções – Protocolo X Sensibilização  Sugestões para aprofundar as triagens  Agendar ao menos um retorno com o usuário  Desmistificar a ideia de que só o psicólogo pode acompanhar esses casos  Proposta de criar grupos de apoio  Sinalização no prontuário e no livro de registros para “não perder” os casos  Equipe efetiva o Espaço de Discussão semanal – Livro de registros  Problematizar a triagem agendada Vídeo: Raul Seixas
  • 42. É importante investigar ... Fatores predisponentes  Tentativa (s) prévia (s) de suicídio Transtornos psiquiátricos (principalmente depressão, alcoolismo, esquizofrenia e certos transtornos de personalidade)  Doenças físicas (terminais, dolorosas, incapacitantes)  História familiar de suicídio, alcoolismo ou outros transtornos psiquiátricos  Estado civil divorciado, viúvo ou solteiro  Isolamento social  Desempregado ou aposentado  Luto ou abuso sexual na infância  Alta recente de internação psiquiátrica
  • 43. Estressores recentes Separação conjugal; Luto; Conflitos familiares; Mudança de situação empregatícia ou financeira; Rejeição por parte de pessoa significativa; Vergonha e temor de ser considerado culpado por algo. Fatores ambientais Fácil acesso a métodos de suicídio
  • 44. Atenção às frases de alerta. “Eu preferia estar morto” “Eu não posso fazer nada” “Eu não aguento mais” “Eu sou um perdedor e um peso pros outros” “Os outros vão ser mais felizes sem mim” 4 D: Sentimentos comuns de quem pensa em se matar: depressão, desesperança, desamparo e desespero.
  • 45. Mitos “Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir o paciente a isso.” – Questionar sobre idéias de suicídio, fazendo-o de modo sensato e franco, aumenta o vínculo com o paciente. Este se sente acolhido por um profissional cuidadoso, que se interessa pela extensão de seu sofrimento. “Ele está ameaçando suicídio apenas para manipular.” – A ameaça de suicídio sempre deve ser levada a sério. Chegar a esse tipo de recurso indica que a pessoa está sofrendo e necessita de ajuda.
  • 46. “Quem quer se matar, se mata mesmo.” – Essa ideia pode conduzir ao imobilismo terapêutico, ou ao descuido no manejo das pessoas sob risco. Não se trata de evitar todos os suicídios, mas sim os que podem ser evitados. “Quem quer se matar não avisa.” – Pelo menos 2/3 das pessoas que tentam ou que se matam haviam comunicado de alguma maneira sua intenção para amigos, familiares ou conhecidos. “O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)”. – O que dirige a ação auto-inflingida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem. “No lugar dele, eu também me mataria.” – Há sempre o risco de o profissional identificar-se com aspectos de desamparo e desesperança de seus pacientes, sentindo-se impotente para a tarefa assistencial. Há também o perigo de se valer de um julgamento pessoal subjetivo para decidir as ações que fará. (Prevenção do Suicídio: Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde Mental – Ministério da Saúde, 2006)
  • 47. Manejo Clínico Imediatamente – Manter o paciente seguro - Impedir que o paciente se mate (inclusive evitando que um paciente em crise suicida permaneça sozinho na sala de espera, enquanto os pais são entrevistados no consultório). - Nos casos de risco iminente de suicídio, recomenda-se a internação psiquiátrica, ainda que involuntária. - Afastar meios letais - Apoio emocional e vigilância - Incentivar atividades programadas - Psicofármacos – para diminuir a ansiedade e a impulsividade; para garantir a noite de sono; - Identificar pessoas significativas e obter seu apoio. - Esclarecimento e apoio aos familiares. Botega, 2015. Crise Suicida.
  • 48. Curto prazo – 1ª. semana - Facilitar contato (Consultas frequentes e telefonemas periódicos) - Elaborar um plano de segurança (a seguir) - Repetir avaliação de risco. - Discussão clínica e supervisão Médio e Longo prazo - Diagnosticar/tratar transtornos mentais - Lidar com estressores crônicos - Abordar comportamentos disfuncionais - Estimular e encaminhar para a psicoterapia - Cuidar da adesão ao tratamento. Botega, 2015. Crise Suicida.
  • 49. - Desenvolver uma aliança terapêutica. - Qual é o significado do ato para essa pessoa? Explorar alternativas. É importante que ela possa perceber outras soluções. -Na medida do possível, colocar pessoas próximas (cônjuge, familiares) como colaboradores no plano de tratamento. - Reuniões com a família devem levantar duas questões importantes: como estão se sentindo e quais são as estratégias a serem adotadas. Dilemas éticos: para salvar a vida de uma pessoa faça qualquer coisa. A crise suicida é uma condição muito grave, em que a segurança do paciente supera a confidencialidade. O ideal é ter sua autorização para comunicar uma pessoa próxima, com o objetivo de criar uma rede de proteção. Se a pessoa não concordar, ainda assim temos que comunicar alguém próximo sobre o risco de suicídio. (Botega, 2015)
  • 50. Estrutura de um plano de segurança (Botega, 2015) Lista de situações (gatilhos) que costumam desencadear ideação suicida. Sugestões de como lidar com tais pensamentos e momentos de angústia. Lembrete para afastar meios que possam ser usados para se autoagredir. Registro de uma ou mais ‘boas razões para continuar vivo’. Sugestão de atividades que costumam reduzir a ansiedade. Pessoas que costumam dar apoio e como acessá-las rapidamente. Informações sobre como contatar o médico, o psicoterapeuta. Telefone de centros de crise (CVV) e de serviços médicos de emergência.
  • 51. Posvenção -Apoio aos sobreviventes - Cuidados que favoreçam a expressão de ideias e sentimentos relacionados ao trauma e elaboração do luto. - Pessoas próximas e profissionais de saúde: choque, tristeza, culpa, raiva ...
  • 53. Referências ARIÈS, P. História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias. Tradução de Priscila Viana de Siqueira. [Ed. Especial]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA (ABP). Suicídio: informando para prevenir. Brasília, CFM/ABP, 2014. BOTEGA, N. J. Crise Suicida. São Paulo: Artmed, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. 2006. Prevenção do Suicídio: Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde Mental. ______. Portaria no. 1876. Diretrizes Nacionais para Prevenção ao Suicídio. Publicado em 14 de agosto de 2006. BRUM, E. O doping dos pobres. In: A menina quebrada. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2013. Pp. 39-46. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). O Suicídio e os Desafios para a Psicologia. Brasília: CFP, 2013. DURKHEIM, E. O suicídio. São Paulo: Martin Claret, 2003. HILLMAN, James. Suicídio e Alma. Tradução de Sônia Maria Caiuby Labate. 4ª. Ed – Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. MARX, Karl. Sobre o suicídio. São Paulo: Boitempo, 2006.
  • 54. “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” Jung lucianacescon@yahoo.com.br