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ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA DEFESA SOCIAL
                        POLÍCIA MILITAR
                   DIRETORIA DE ENSINO – DE
           ACADEMIA CEL MILTON FREIRE DE ANDRADE




                    DEFESA PESSOAL

                      PARTE TEÓRICA




                DEFESA PESSOAL E CIDADANIA:
             UMA AGREGAÇÃO À LUZ DOS DIIREITOS




                         Natal – RN
                        Janeiro / 2006
PAULO ROBERTO DE ALBUQUERQUE COSTA – TEN CEL PM




              DEFESA PESSOAL



         DEFESA PESSOAL E CIDADANIA:
      UMA AGREGAÇÃO À LUZ DOS DIIREITOS




                     Apostila da disciplina Defesa Pessoal para as
                     aulas teóricas do Curso de Formação de
                     Oficiais – CFO/PMRN.




                   Natal – RN
                  Janeiro / 2006
PENSAMENTO
         Nós pedimos com insistência:
      Não digam nunca: isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia.
 Numa época em que reina a confusão.
                 Em que corre sangue.
        Em que se ordena à desordem.
 Em que a humanidade se desumaniza.
 Em que os arbitrários tem força de lei.
        Não diga nunca: isso é normal.

                         Bertolt Brecht
SUMÁRIO


APRESENTAÇÃO ..................................................................................................               06
O INSTRUTOR .......................................................................................................           07
COMENTÁRIOS DO INSTRUTOR .........................................................................                            08
CAPÍTULO 1 – O ALUNO ......................................................................................                   11
CAPÍTULO 2 – A ORIGEM DO PENSAMENTO MARCIAL ..................................                                                13
1. De onde veio a Palavra marcial ...........................................................................                 13
2. Um pouco da História para melhor conhecer a origem das Artes Marciais .........                                            15
3. História das Artes Marciais a serem Estudadas ..................................................                           16
3.1 Origem e Evolução do Jiu Jitsu ..........................................................................                 16
3.2 Na Índia ..............................................................................................................   17
3.3 Na China ............................................................................................................     17
3.4 No Japão ............................................................................................................     17
3.5 No Brasil ............................................................................................................    18
3.6 No Rio de Janeiro ..............................................................................................          18
4. Origem e Evolução do Judô ................................................................................                 19
4.1 Jigoro Kano (1860 – 1938) ................................................................................                19
4.3 Sobre a Fundação do Instituto Kodokan ...........................................................                         20
4.4 A chegada do Judô no Brasil .............................................................................                 21
5. Origem e Evolução do Karatê ..............................................................................                 22
5.1 Os Monges Oriundos da Índia ...........................................................................                   22
5.2 Okinawa – O berço do Karatê Dô ......................................................................                     23
5.3 Gichin Funakoshi – O Pai do Karatê Moderno ...................................................                            27
5.4 Oficialização do Karatê-Dô na educação escolar de Okinawa ..........................                                      29
5.5 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Japão ............................................................                          30
5.6 O missionário do Karatê-Dô Shotokan moderno ...............................................                               30
5.7 A filosofia Budô ..................................................................................................       32
5.8 As conseqüências da guerra no Karatê-Dô .......................................................                           32
5.9 A propagação do Karatê-Dô Shotokan no mundo .............................................                                 34
5.10 Início do Karatê no Brasil .................................................................................             35
5.11 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Rio Grande do Norte ..................................                                     41
CAPÍTULO 3 – Direitos Humanos e Direitos Internacionais Humanitários ......                                                   44
1. Perguntas Chaves ................................................................................................          44
2. Questões Éticas e Legais Relacionadas ao uso da Força e Arma de Fogo –
Armas Letais ............................................................................................................     44
3. O Direito a Vida a Liberdade e a Segurança de todos as Pessoas ....................                                        45
4. Uso da Força para Encarregados da Aplicação da Lei .......................................                                45
5. Princípios Básicos sob o Uso da Força e Arma de Fogo - Arma Letal...............                                          46
5.1 Dispositivos Gerais e Específicos ......................................................................                 47
5.2. Princípios Essenciais ........................................................................................          48
5.3. Qualificação, Treinamento e Aconselhamento .................................................                            48
5.4. Uso de Armas ..................................................................................................         49
5.5 Uso Indevido de Força e Arma de Fogo ...........................................................                         50
5.6. Opções de Uso de Força .................................................................................                50
CAPÍTULO 4 – DO INTERROGATÓRIO JUDICIAL ..............................................                                       51
CAPÍTULO 5 – NOTAS PUBLICADAS NA IMPRENSA .......................................                                            53
CAPÍTULO 6 – AS ARTES MARCIAIS NA SOCIEDADE ATUAL ........................                                                   57
1. A Prática das Artes Marciais ...............................................................................              58
2. O Karatê-Dô na Educação e Saúde da Criança .................................................                              58
CAPÍTULO 7 - DEFESA PESSOAL .......................................................................                          60
1. Que é Defesa Pessoal ........................................................................................             60
2. Ainda sobre Defesa Pessoal ...............................................................................                60
3. Benefícios e Finalidade da Defesa Pessoal ........................................................                        61
CAPITULO 8 – DA AGRESSIVIDADE ...................................................................                            63
1. Agressividade e Violência – um enfoque psicológico .........................................                              63
2. Origem Generalizada ..........................................................................................            63
3. O Ser Humano é Agressivo ................................................................................                 63
4. Tipos de Violência Imposta pela Máquina Estatal e o Sistema Econômico ........                                            65
5. Violência e suas Modalidades .............................................................................                65
6. Ação e Reação ....................................................................................................        66
7. Técnicas para a Dissolução da Violência ............................................................                      67
CAPÍTULO 9 - DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO ..............................................                                       69
1. Lesão Corporal à Luz da Lei ...............................................................................               69
2. Legitima Defesa a Luz da Lei ..............................................................................               71
2.1 Comentários acerca do art 25 CP .....................................................................                    71
2.2 Tenham cuidado ao responder uma agressão ..................................................                              72
2.3 A Legislação reconhece o direito a defesa, mas condene excessos ...............                                          72
3. Emprego da Força ..............................................................................................           73
CAPÍTULO 10 – ABUSO DE AUTORIDADE .........................................................                                  74
CAPÍTULO 11 – DA VIOLENCIA POLICIAL ..........................................................                               76
A Violência Policial Militar no Exercício da Função ................................................                         76
CAPÍTULO 12 – ÉTICA ...........................................................................................              86
   Introdução ............................................................................................................   86
1. Que é Ética ? ......................................................................................................         87
2. Que é Moral ? .....................................................................................................          88
3. Que é Amoral ? ...................................................................................................           88
4. Conduta e Comportamento Humano ...................................................................                           88
5. Influencia Ambiental .............................................................................................           88
6. Controle na Formação da Consciência Ética .......................................................                            89
7. Consciência Ética ................................................................................................           89
8. Vícios Sociais ......................................................................................................        89
9. Conduta do Ser Humano em sua Comunidade e em sua classe ........................                                             90
10. Classes Profissionais .........................................................................................             90
11. Código de Ética .................................................................................................           90
12. O que Consta nesse Código .............................................................................                     91
13. Base Filosófica do Karatê-Dô Shotokan ...........................................................                           92
14. Julgamento da Conduta Ética de Classe ..........................................................                            95
CAPÍTULO 13 – SOBREVIVENCIA POLICIAL .....................................................                                      97
CAPÍTULO 14 AS ARTES MARCIAIS NA SOCIEDADE MODERNA ..................                                                           98
CAPÍTULO 15 – ARTES MARCIAIS COMO ESPORTE .......................................                                               100
CAPÍTULO 16 – DIFERENÇA ENTRE DEFESA PESSOAL E A ARTE
MARCIAL ESPORTE ..............................................................................................                  101
CAPÍTULO 17 – OS TREINAMENTOS ..................................................................                                104
CAPÍTULO 18 – TÉCNICAS DE MANUSEIO COM BASTÃO ...............................                                                   110
1. Bastão (Policial) ...................................................................................................        110
2. Tonfa I ..................................................................................................................   112
3. Tonfa II .................................................................................................................   112
CAPITULO 19 – DEFININDO O QUE REALMENTE É DEFESA PESSOAL .........                                                              114
CAPÍTULO 20 – LEGISLAÇÃO – CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO
FÍSICA – CONFEF E CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA - CREF                                                                   117
CAPÍTULO 21 – AULAS DE DEFESA PESSOAL – PRÁTICA DOJO ..................                                                         117
CONCLUSÃO ..........................................................................................................            118
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................                              119
ANEXOS .................................................................................................................        120
Anexo 1 – Lei 9.696, de 16 de setembro de 1998 ..................................................                               121
Anexo 2 – Resolução nº 013/99 – Registro de não-graduados em Educação
Física no CONFEF REVOGADA ............................................................................                          123
Anexo 3 – Resolução nº 021/00 – Dispõe sobre o registro de pessoas Jurídicas
nos CREFs ..............................................................................................................        125
Anexo 4 – Lei nº 9.981, de 14 de julho de 2000. .....................................................                           127
Anexo 5 – Resolução nº 030/00 – Dispõe sobre os cursos para práticos ...............                                            136
Anexo 6 – Resolução nº 036/00 – Dispões sobre o registro dos não graduados no
CONFEF. .................................................................................................................   137
Anexo 7 – Resolução COFEF nº 045/2002. – Dispões sobre o registro de não
graduados em Educação Física no Sistema CONFEF/CREFs. .............................                                         138
Anexo 8 – Resolução nº 039/01 – Dispões sobre data limite para registro de não
graduados no CONFEF. ..........................................................................................             140
Anexo 9 – Lei Complementar nº 218, de 18 de setembro de 2001.- Autoriza a
instituição de unidade administrativa que especifica na estrutura da Secretaria de
Estado da Defesa Social, e dá outras providencias. ...............................................                          141
- Plano de Matéria de curso de defesa pessoal. .....................................................                        143
- Capa de Avaliação ................................................................................................        148
- Quadro Demonstrativo do Corpo Discente ...........................................................                        149
- Quadro Horário das Instruções .............................................................................
- Termo de Matrícula ................................................................................................       151
- Portaria de Matrículas ............................................................................................       152
- Solicitação de Inscrição em Curso .........................................................................               153
- Plano Didático da Academia de Polícia Militar Cel Milton Freire de Andrade .......                                        154
- A Filosofia do Karatê-Dô ........................................................................................         167
- O Karatê aplicado a Defesa Pessoal .....................................................................                  174
- CURRICULUM VITAE do Ten Cel Albuquerque ...................................................                               179
APRESENTAÇÃO




       Este trabalho é fruto de 25 anos de observações acerca da conduta e visão que policiais
militares têm sobre a aplicação de técnicas de defesa pessoal, visão esta, totalmente
distorcida, fruto da má orientação ao longo dos tempos em seus cursos de formação somada à
falta de acompanhamento da evolução do mundo através dos tempos, fazendo uso deste
mecanismo para, através da técnica e do uso da força, agredir não somente fisicamente, mas,
principalmente, a integridade moral e psicológica do cidadão, negando-lhe os seus direitos,
alegando muitas das vezes para isso, ter feito uso da “legítima defesa”.
       No entanto, objetivando não só transmitir os ensinamentos corretos a respeito da
legalidade de se poder fazer uso das técnicas de defesa pessoal, procuramos, principalmente,
conscientizar estes policiais do direito à cidadania que todos os povos e nações possuem
dentro da legalidade.
       Dentro deste tema, foi necessário interligar a defesa pessoal à cidadania, à luz das leis
vigentes não apenas do Brasil, mas, no mundo.
O INSTRUTOR


                              Ten Cel Albuquerque:
                      UMA VIDA EM PROL DAS ARTES MARCIAIS




                                 Fotografia do Tc Albuquerque
                         Ten Cel Albuquerque - 3º Dan de Karatê Shotokan



            Paulo Roberto de Albuquerque Costa, 3º Dan de Karatê estilo Shotokan / FBK /

IJKA, Pernambucano de nascimento, Norteriograndense de coração, presidente da Federação

Interestadual de Karatê Shotokan do Rio Grande do Norte pelo segundo mandato, proprietário

da Escola de Karatê Shotokan de Natal, com mais de 30 anos de prática de Artes Marciais

(defesa pessoal), dentre elas técnicas de Judô, Aikidô, capoeira e jiu jitsu, sendo especialista

em técnicas de karatê aplicada à defesa pessoal, com vários títulos em campeonatos a nível

estadual e nacional e cursos técnicos com os mais renomados Mestres de Karatê do Brasil e

do Mundo. É instrutor de Defesa Pessoal dos Alunos Oficiais da APM/PMRN desde 1995.
COMENTÁRIOS DO INSTRUTOR


       É visível nos dias atuais a expressiva demanda da sociedade pela prática de Defesa
Pessoal no Brasil. O fenômeno decorre de fatores tais como o crescimento econômico, poder
aquisitivo das pessoas, melhor qualidade de vida e principalmente a insegurança pública que
assola a sociedade moderna brasileira.
       No entanto, cresce o número de academias nos centros urbanos. Neste sentido, cresce
também o número de pessoas que se autodenominam professores ou mestres em artes
marciais, abrindo suas academias e colocando em risco a saúde dos alunos, além de no caso
de artes marciais, servirem de verdadeiras escolas motivadoras de prática de violência.
       Nesse pensamento, é que existe toda uma legislação desportiva e penal no Brasil,
objetivando coibir essa prática clandestina ou irregular.
       No entanto, a Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, pelo motivo do seu
crescimento, perdeu o controle da prática de instrução de defesa pessoal dentro da
Corporação.
       Cada Unidade aplica os ensinamentos de defesa pessoal e artes marciais sem nenhum
tipo de acompanhamento, sem critérios e sem se preocupar com os resultados advindo dessa
instrução.
       Nesse sentido, o objetivo deste comentário é mostrar a necessidade de se analisar e
discutir a prática de defesa pessoal na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, mostrando as
suas irregularidades e sua impotencialidade diante de tal situação, chegando a causar
comentários negativos no ambiente desportivo entre dirigentes de organizações e
principalmente entre os verdadeiros professores de educação física e defesa pessoal.


              ANÁLISE CRÍTICA DA PRÁTICA DE DEFESA PESSOAL NA PMRN


       Inicialmente, verifica-se claramente a não valorização da prática de defesa pessoal na
Policia Militar do Estado do Rio Grande do Norte.

       Outrossim, verifica-se também a falta de conhecimento aprofundado a respeito do tema
prática de técnicas de defesa pessoal, ou seja, a falta de pessoas devidamente qualificada que
possa debater o assunto tecnicamente e dentro da ótica da legislação desportiva vigente no
Brasil na atualidade. Por essa falta a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, vem errando a
cada dia em não dar o valor devido a essa prática na Corporação. Sua importância no contexto
da formação educacional e o lapidamento do caráter não só do recruta iniciante, mas,
principalmente, do policial tido como antigo na Polícia Militar.
A prática da violência policial no Brasil e no mundo, vem sendo tratada também com a
prática Planejada bem monitorada de defesa pessoal e artes marciais em geral. Nos países do
primeiro mundo são construídos centros de treinamentos completamente equipados com todo
o tipo de material necessário para o desenvolvimento das aulas, tamanha é a importância
dispensada, pois, sabem do percentual de ajuda ao combate da violência através do equilíbrio
entre a teoria (filosofia Budô) e a prática (mecânica).
       Na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, não existe um setor exclusivamente para
cuidar apenas da prática da defesa pessoal e artes marciais, preferindo que cada Unidade
cuide dessa instrução a seu mero prazer. Sem o conhecimento da forma de como está se
desenvolvendo essa prática, principalmente por quem a ministra. Sabemos que o Conselho
Federal de Educação física (CONFEF) juntamente com os Conselhos Regionais (CREFEs)
vem fechando o cerco a todas as entidades e órgãos civis e militares do Brasil, com o objetivo
de fechar os locais de treinamentos de prática de educação física e artes marciais em geral
que não se encontram perfeitamente enquadrado dentro da Lei Federal nº 9.696, preferindo
passar por constrangimento junto a opinião pública do que dar melhor atenção a necessidade,
qualidade e legalidade dos trabalhos desenvolvidos com a prática da defesa pessoal na
Corporação, colocando a frente pessoas qualificadas para coordenar através de um setor
próprio, colaborando com a diminuição da prática de violência policial através do esporte
(competições), da defesa pessoal científica e de artes marciais bem orientadas.




         NECESSIDADE DE UM DEPARTAMENTO DE DEFESA PESSOAL NA PMRN


       As más orientações repassadas nas aulas teóricas/prática de Defesa Pessoal aos
policiais militares, colaboram com a prática da violência policial nas ocorrências que
necessitam do emprego da força por parte dos agentes encarregados da manutenção da
ordem pública.


       Todas as Policias do mundo possuem nas suas estruturas organizacional um setor que
cuida especificamente da área de Defesa Pessoal como um todo; estes Setores,
Departamentos ou Centros, já são uma realidade hoje no Brasil. Podemos citar por exemplo,
dentre outras, a Policia Militar do Estado de São Paulo que tem um Centro de Treinamento de
Defesa Pessoal, que trabalha em parceria com órgãos da área desportiva do Governo, que
planeja, coordena e disciplina as atividades de Defesa Pessoal e Artes Marciais naquela
organização policial militar.
Nesta perspectiva, surge a necessidade urgente da criação e ativação de um
Departamento de Defesa Pessoal para a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, com o
objetivo de conduzir essa área tão importante nos dias atuais para uma organização policial e
a sociedade em geral, não permitindo que aberrações venham a ocorrer isoladamente
causando prejuízo a Corporação, sendo ela mesma a responsável direta pelo problema.


       Nesse pensamento, pesquisar a prática de Defesa Pessoal desenvolvida na Polícia
Militar do Rio Grande do Norte, em particular nas Unidades da Grande Natal, seus reflexos no
contexto educacional, social e operacional, a qualificação e regulamentação dos instrutores
com fulcro na legislação desportiva em vigor no país, é necessário a criação e ativação de um
Departamento de Defesa Pessoal, com a responsabilidade de planejar e coordenar todas as
atividades na área de Defesa Pessoal e Artes Marciais na Instituição Policial Militar do Rio
Grande do Norte.



                                                            Ten Cel PM Albuquerque 3º Dan
                                                                        Instrutor de Defesa Pessoal
CAPÍTULO 1


                                    O ALUNO


      O aluno - Enraizado como um dos mais primitivos instintos da vida
animal, vemos como o homem necessita de uma atenção maior do que o
restante dos seres vivos para nascer, crescer, desenvolver-se e, finalmente,
morrer. Em todas e em cada destas etapas o aprendizado é constante, ainda
que a ordem de importância se veja mais acentuada nas primeiras fases.
      O aprendizado através da família, da sociedade e de própria experiência
e personalidade joga um papel decisivo na formação integral da pessoa. A
natureza, na maioria dos casos, influi na escolha do caminho a seguir em
casos de dúvida.
      Se quiséssemos analisar os motivos que levam o homem à prática de
uma arte marcial na sociedade moderna, veríamos que seria preciso uma
investigação de psicologia social de longo alcance para podermos ter dados
confiáveis e objetivos. No entanto, a experiência demonstra que, na maioria
das vezes, estes motivos podem ser englobados em três grupos: formativos,
recreativo e criativo, apesar de que sendo mais preciosos, nos damos conta
que estes grupos ficam reduzidos a um apenas, que tem suas raízes na
necessidade primária do homem de se relacionar e comunicar com seus
semelhantes. Este relacionamento, por sua vez, está condicionado à idade, ao
sexo e à personalidade tanto do educador quanto do educando.
      O esotérico e enigmático mundo das artes marciais e a relação do aluno
com o professor adquirem transcendental importância. O respeito, a confiança
e a estima que se professam são mútuas, chegando a alcançar níveis próprios
de um alto grau de maturidade característico de uma sociedade hierárquica e
humana, que forma a pedra angular sobre a qual está assentada a prática da
arte marcial ou defesa pessoal.
      Numa escola de artes marciais o aluno tem uma função dupla, facilitada
pelos diferentes graus de conhecimento refletidos na cor da faixa: uma de
aprendizado através dos graus superiores, outra de docência para com os
graus inferiores, por sentir-se incorporado como peça válida de uma corrente
de conhecimentos, na qual recebe e dá simultaneamente, enriquecendo-se no
constante fluir do aprendizado:


      a) Emprego da Força
      b) Emprego da força física
c) Arte Marcial
d) Defesa Pessoal
e) Abuso de autoridade
f)   Legitima Defesa
g) Equipamentos não letais
h) Equipamentos letais
CAPÍTULO 2

                        A ORIGEM DO PENSAMENTO MARCIAL



1. DE ONDE VEIO A PALAVRA MARCIAL?


       Segundo LACEY (1999), o Homem é uma raça que evoluiu de organismos unicelulares
para o seu estado mias elevado por meio de uma série de transformações biológicas ocorridas
a milhões de anos, onde muitos acreditam que o ser humano tinha vida marítima, uma
pequena célula, que deu origem a uma outra forma de vida, e com o passar dos anos, foi
tomando nova forma de vida até chegar no homem.
       NICHOLAS (1999), afirma que Antropólogos acreditam que o homem tem sua origem
em macacos antropóides, ou que este foi derivado de um ancestral antropóide em comum, que
ao longo de milhões de anos evoluiu, mudando de forma até chegar no seu estado mais
elevado, o homem, o que segundo eles, explica a existência do homem das cavernas, que
seria uma das fases da evolução do homem.
       Mas entre as diversas teorias sugeridas pelos Antropólogos evolucionistas, nenhuma
delas possui comprovação aceita pela maioria dos estudiosos da antropologia, existem sim
muitos casos isolados, mas que não oferecem nada de real, e além disso não há descobertas
cientificas ou arqueológico para dar sustentação a nenhuma destas teorias.
       Afirmam alguns cientistas que aproximadamente há 5 milhões de anos, surgia o homem
sobre o planeta Terra, tendo provavelmente como berço o continente africano. Tinha início o
longo, sangrento e, por vezes, glorioso caminhar da História.
       Os estudiosos tradicionais dividiam a evolução humana em dois períodos: a Pré-
História, caracterizada pela ausência de escrita, e a História propriamente dita, quando se
formaram as primeiras civilizações. Essa divisão é bastante simplista e conceitualmente errada,
pois, sendo o homem um agente histórico por definição, seu aparecimento e suas primeiras
atividades já caracterizam uma realidade que, efetivamente, pode ser denominada de
“histórica”. Além disso, os antigos historiadores definiam a Pré-História pelo critério da
carência: ausência de Estado, falta de sofisticação tecnológica, economia estritamente de
subsistência e desconhecimento da escrita. Em suma, comunidades selvagens e, por
conseguinte, desprovidas de História. Essa visão nos parece preconceituosa, pois parte do
conceito de que o processo civilizatório só teve início quando nasceram as estruturas e os
valores que a nossa cultura, neles baseada, define como tais. Também a Pré-História é dividida
em períodos: o Paleolítico, o Mesolítico e a Idade dos Metais, desdobrada em período do
Bronze e o do Ferro.
       As idéias gerais da teoria da evolução das espécies sofreram, aos poucos, alterações e
aperfeiçoamentos. Todavia, as bases do evolucionismo subsistem até hoje e o nome de Darwin
(Charles Darwin, naturalista inglês (1809-1882), à sua doutrina.) ficou ligado a uma das mais
notáveis concepções do espírito humano.
       Acreditamos que desde o primeiro golpe desferido com um osso em direção a um objeto
ou ser vivo originou os golpes de espada que hoje aperfeiçoados, denotam a perfeição da
técnica atual em relação às suas origens.
       É inevitável não estabelecermos a origem do pensamento marcial às guerras. Daí o fato
de ser chamado de artes marciais, que remonta a origem do deus marte, ou o deus da guerra.
       Explicarei melhor:


MITOLOGIA (Aurélio Buarque de Holanda):

                      s. f. 1. Descrição geral dos mitos. 2. Estudo dos mitos. 3. História
                      dos mistérios, cerimônias e culto com que os pagãos reverenciavam
                      os seus deuses e heróis.

MITO (Aurélio Buarque de Holanda):


                      s. m. 1. Fábula que relata a história dos deuses, semideuses e heróis
                      da Antiguidade pagã. 2. Interpretação primitiva e ingênua do mundo
                      e de sua origem. 3. Coisa inacreditável. 4. Enigma. 5. Utopia. 6.
                      Pessoa ou coisa incompreensível.


       Marte (Ares), deus sanguinário e detestado pelos imortais, nunca teve grande
importância entre as populações helênicas. Em numerosas localidades, parece até haver sido
inteiramente desconhecido, e se o seu culto conservou na Lacônia importância maior que
alhures, deve-se à rudeza dos habitantes de tal país. Foi somente entre os romanos que Marte
adquiriu importância verdadeira e permanente; o tipo de Palas conformava-se muito mais ao
gênio grego. Com efeito, Palas é a inteligência guerreira, ao passo que Marte nada mais é do
que a personificação da carnificina. Ávido de matar, pouco lhe importa saber de que lado está a
justiça e cuida apenas de tornar mais furiosa a luta.
       O deus da guerra e da violência aparece-nos sempre em atitude de repouso. Tem, por
vezes, numa das mãos a Vitória, como Júpiter ou Minerva. Vemo-lo com tal aspecto numa
famosa estátua da Villa Albani. Uma linda pedra gravada mostra Marte segurando com uma
das mãos a Vitória e com a outra a oliveira, símbolo da paz proporcionada pela vitória. A
maioria das vezes usa um capacete e empunha uma lança ou gládio. Aparece, assim, em
várias medalhas, mas as estátuas que o representam isoladamente não são demasiadamente
comuns entre os gregos. Entretanto, a bela estátua do Louvre, conhecida pelo nome de Aquiles
Borghese passa hoje por ser um Marte. Explica-se o elo que usa num dos pés pelo hábito de
certos povos, e notadamente os lacedemônios, de agrilhoarem o deus da guerra.
Parece ter sido o escultor Alcameno de Atenas quem fixou o tipo de Marte, tal qual
surge habitualmente nos monumentos artísticos. Os atributos habituais do deus são o lobo, o
escudo e a lança com alguns troféus. Uma medalha cunhada na época de Seotímio Severo
nos mostra Marte com uma lança, um escudo e uma escada para o ataque. Sob tal aspecto,
Marte recebe o epíteto de Teichosipletes (o que sacode as muralhas).
       Resumindo, no que conhecemos por história, Bodhidharma é o pai das artes Marciais.
Dizem na China que, quando o homem de Nenderthal utilizou-se pela primeira vez de um
osso ou de uma pedra para melhorar suas qualidade na luta, surgiu o KUNG FU. Pois bem,
iremos abordar um pouco de história para melhor conhecer a origem das Artes Marciais.




2. UM POUCO DA HISTÓRIA PARA MELHOR CONHECER A ORIGEM DAS ARTES
MARCIAIS


       Existem grandes obras elaboradas, por filósofos de comprovada idoneidade que
mencionam na China, a prática do Kung Fu, muitos milhares de anos antes de Cristo. No
entanto, existem ainda, muita discordância a respeito de sua origem.
       Ali pelo ano de 525 da era Cristã, atravessou a fronteira Chinesa, vindo da Índia, pelo
"Caminho da Sêda", o 28º patriarca do Budismo que se chamava Bodhisatva Avalokitesvara
Bodhidharma, (mais conhecido na China por Ta Mo), esse monge constatou a diversificação
dos dogmas do Budismo Chinês e, em busca da Iluminação, ingressou no Templo Shao-Lin, na
província de Honan e, pôs-se a meditar durante nove anos frente a um muro.
       Terminando o período de meditação, tomado por um acesso de mística, Bodhidharma
recodificou o sistema ginástico denominado Kung Fu, filosoficamente comparou-o aos
movimentos dos animais e uni-o a um característico "modus vivendi" estreitamente unido a
natureza. Na mesma época, revolucionou o pensamento budico (recatado) universal,
redescobrindo a meditação como forma de redescobrimento do homem. (Em crônicas
posteriores abordaremos o aspecto filosófico).
       Mais ou menos mil anos após a morte de Bodhidharma, o Império Chinês foi invadido
pelos bárbaros do norte, conhecidos como Manchus. A antiga dinastia dos Ming foi derrubada
e seus oficiais esconderam-se no templo Shao-Lin.
       A fuga dos Oficiais Ming para o templo Shao-Lin representou papel importante na
historia do Kung Fu, lá praticadas, foram aperfeiçoadas e ganharam um caráter mais bélico e
marcial. Adaptando-se inclusive, à utilização de diversos tipos de armas. Porém, por esse
motivo o templo Shao-Lin foi destruído e, embora tenha sido reconstruído em outro local, foi
novamente destruído, provocando a disseminação dessa luta através de toda a China.
       No que se refere a Bodhidharma, como sempre acontece com as lendas, tornou-se
impossível separar fato de ficção. As datas são incertas. De fato, eu conheço pelo menos um
erudito budista que duvida que Bodhidharma tenha existido. Mas correndo o risco de escrever
sobre um homem que nunca existiu, eu esbocei uma biografia, baseada nos registros mais
recentes e algumas suposições, para fornecer um cenário para os sermões a ele atribuídos.
       Bodhidharma nasceu em torno do ano 440 em Kanchi, capital do reino sulista indiano de
Pallawa. Ele era um brâmane de nascimento e o terceiro filho do Rei Simhavarman. Quando
ele era jovem, ele converteu-se ao budismo, e mais tarde o Dharma lhe foi ensinado por
Prajnatara, de Magadha, que foi convidado pelo seu pai. Magadha era o antigo centro do
budismo. Também foi Prajnatara quem disse para Bodhidharma ir para China. Uma vez que a
tradicional rota terrestre estava bloqueada pelos hunos, e uma vez que Pallawa tinha laços
comerciais por todo Sudeste Asiático, Bodhidharma partiu de navio de um porto nas
proximidades, Mahaballipuram. Depois de contornar a costa da Índia e a Península da Malásia
por três anos, ele finalmente chegou ao sul da China ao redor do ano 475.
       Nessa época o país estava dividido pelas dinastias Wei do norte e Liu Sung. Essa
divisão da China numa série de dinastias nortistas e sulistas começou no início do Séc. III e
continuou até o país ser reunificado sob a dinastia Sui no fim do Séc. VI. Foi durante esse
período de divisão e conflito que o budismo indiano transformou-se em budismo chinês, com os
nortistas de mente militarista enfatizando meditação e mágica e os intelectuais sulistas
preferindo discussão filosófica e a compreensão intuitiva de princípios.
       Quando Bodhidharma chegou à China, no fim do Séc. V, haviam aproximadamente 2
mil templos budistas e 36 mil clérigos no sul. Ao norte, um recenseamento em 477 contou 6,5
mil templos e aproximadamente 80 mil clérigos. Menos de 50 anos mais tarde, outro
recenseamento feito ao norte aumentou esses números para 30 mil templos e 2 milhões de
clérigos, ou cerca de 5% da população. Sem dúvida, isso incluía muitas pessoas que estavam
tentando evitar impostos ou recrutamento ou que procuravam a proteção da igreja por outras
razões não religiosas, mas claramente o budismo estava espalhando-se pelas pessoas
comuns ao norte do Rio Yangtze. No sul, permaneceu muito confinado à elite educada até o
Séc. VI.
       Muitas são as lendas que permeiam as origens dos pensamentos relacionados às artes
de guerra. Desde que as origens da religião “shinto” se estabeleceram o Japão como filhos de
deus, muito se fala a respeito das artes marciais japonesas, mas até onde tudo é verdade ou
frutos da mitologia criada pelo homem?


3. HISTÓRIA DAS ARTES MARCIAIS A SEREM ESTUDADAS


3.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DO JIU-JITSU

       O Jiu-Jitsu foi criado na Índia, aproximadamente a 2.000 anos antes de Cristo, numa
pequena e pacata vila interiorana sem recursos para confecção de armas ou grandes sistemas
de defesa, observando as posições em que, de um "meio suave", seria possível aos seus
habitantes desequilibrar, derrubar e defender-se de seus ofensores. Após uma invasão de
tropas chinesas à Índia, foi levado para a região do rio Meckong e usado por lavradores para
defenderem-se de salteadores e andarilhos hostis. Eventualmente, foi introduzido no Japão e lá
foi aperfeiçoado adicionando-se torções de articulações, estrangulamentos, imobilizações e
alavancas, o que tornou o Jiu-Jitsu mais eficiente numa luta de corpo-a-corpo e na defesa
pessoal. Com o início da entrada da cultura ocidental no Japão, foi solicitado a Jigoro Kano,
excelente atleta de jiu-jitsu, que desenvolvesse uma modalidade que assemelhasse com o jiu-
jitsu e que não deixasse transparecer as técnicas eficientes e secretas da nobre arte; Jigoro
Kano, então, desenvolveu o Judô, baseado em projeções e imobilizações com bastante
finalizações, muito assemelhado ao princípio do jiu-jitsu em sua fase chinesa. O Jiu-Jitsu foi
introduzido no Brasil em 1920 por ESAI MAEDA, cônsul japonês no Pará.



3.2 Na Índia


       Segundo os antigos e o conhecimento verbal, esta arte (Jiu-Jitsu), teria se iniciado na
antiga Índia. Em especial pelos monges. Segundo os princípios religiosos os monges não
podiam usar de agressividade e sim desvencilhar de um súbito ataque ou mesmo imobilizar o
assaltante em suas peregrinações pelo mundo afora.


3.3 Na China


       A China pôr sua vez caracterizou o Jiu-Jitsu como prática bélica, pois esta civilização
desenvolveu um grande número de estilos de artes marciais. O Jiu-Jitsu era praticado com um
kimono curto de mãos livres, além da luta corporal, tinha grande importância no desarmamento.
Sua prática chega no auge na época dos “Reinos Combatentes” e na unificação da China por “
Chin Shih Huang Ti".


3.4 No Japão


       O Jiu-Jitsu chega ao Japão no séc.II depois de Cristo, advindo da China. Muitas foram
as correntes que transmitiram esta arte ao país do " Sol Nascente", inclusive, existem
inúmeras lendas nipônicas relacionadas à criação e artes marciais. A história registrada em
1.600, afirma que um monge chinês "Chen Gen Pin" teria ensinado três Samurais, a cada qual
ensinara uma especialização a saber: Atemi, torções e projeções. E estes difundidos a todo o
japão, ou mesmo se fundindo com outras escolas de jiu-jitsu. No Japão Feudal se utilizam
inúmeros nomes relacionados com o Jiu-Jitsu, alguns se divergiam em fundamentos técnicos
outros eram extremamente semelhantes; Aikijitsu, Tai Jitsu, Yawara, Kempô, e mesmo o termo
Jiu-Jitsu se dividia entre estilos como: Kito ryu, Shito Ryu, Tejin e outros. É nesta época, onde a
forte divisão da calsse social japonesa enaltecia a nobreza dos Samurais que o Jiu-Jitsu se
desenvolve a fundo. Os pequenos nipônicos aperfeiçoam a arte de lutar, onde poderiam decidir
a vida ou a morte de um guerreiro em disputa. Era então o Jiu-Jitsu, uma prática obrigatória
aos jovens que futuramente seriam "Samurais" ao lado da esgrima, literatura, pintura,
cavalaria e outros.


3.5 No Brasil


       Carlos Gracie, que fora treinado por Mitsuo Maeda passa pôr Minas Gerais e em Belo
Horizonte ministra algumas aulas num hotel da região. Em seguida vem para São Paulo e no
bairro das Perdizes monta uma academia. Sem o sucesso desejado se instala no Rio de
Janeiro e na Capital começa a ensinar, e também a seus irmãos: George, Gastão, Hélio e
Oswaldo. Hélio Gracie passa a ser o grande nome e difusor do Jiu-Jitsu. Já instalado no Rio,
forma inúmeros discipulos. George Gracie foi um desbravador, viajou por todo o Brasil, no
entanto, estimulou muito o Jiu-Jitsu em São Paulo, tendo como alunos: Otávio de Almeida,
Nahum Rabay, Candoca, Osvaldo Carnivalle , Romeu Bertho e muitos outros. Alguns
continuam na ativa. No Rio de Janeiro mais especificadamente na zona oeste, o mestre “Fada”
foi notoriamente um dos baluartes do Jiu-Jitsu, tendo grande número de formados. Enquanto
isso, na mesma época de Mitsuo Maeda, outros japoneses continuaram difundindo o Jiu-Jitsu.
“Geo Omori” por exemplo, aceitava desafios no picadeiro do circo “queirolhos” e foi ele também
quem fundou a primeira Academia do Brasil, em São Paulo no Frontão do Braz na Rua: Rangel
Pestana , no ano de 1925 ( Segundo o historiador Inezil Penna). Os irmãos Ono vieram ao
Brasil na década de 30 advindos de um renomado mestre de Jiu-Jitsu do Japão. Aqui no Brasil
formaram muitos alunos mas acabaram por adotar a prática do Judô. Takeo Yuano muito
conceituado por sua exímia técnica, viajou por todo o Brasil e ensinou Jiu-Jitsu em cidades
como São Paulo e principalmente em minas Gerais, onde lecionou e até estimulou a criação da
Federação local.


3.6 No Rio de Janeiro

       Conhecida como a “Meca” do Jiu-Jitsu, por ter concentrado praticamente toda a Família
Gracie.Os grandes nomes da família Gracie depois de Hélio foram: Carlson e Rolls Gracie.
Atualmente Rickson Gracie é reconhecido como o melhor lutador do mundo! A primeira
organização do Brasil, foi a fundação da Federação Carioca, formada por Hélio e continuada
por Robson Gracie. Atualmente existe a Confederação Brasileira e Mundial, comandadas por
Carlos Gracie Júnior.
4. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO JUDÔ
4.1 O JUDÔ
       O Judô de hoje é baseado no velho Jiu Jitsu. Das técnicas deste último, reexaminadas,
apuradas, sistematizadas e ajuntadas a um ideal, deriva o Judô.
       O início do desenvolvimento histórico do combate corporal se perde na noite dos
tempos. A luta, inclusive por necessidade e sobrevivência, nasceu com o homem e, a esse
respeito, os documentos remontam os tempos mitológicos.
       Um manuscrito muito antigo, o Takanogawi, relata que os “deuses” Kashima e Kadori
mantinham poderes sobre os seus súditos graças às suas habilidades de ataque e defesa.
       A Crônica Antiga do Japão (Nihon Shoki), escrita por ordem imperial no ano de 720 de
nossa era, menciona a existência de certos golpes de habilidade e destreza, não apenas
utilizados nos combates corporais mas também, como complemento da força física, espiritual e
mental, relatando uma história mitológica na qual um dos competidores, agarrando o
adversário pela mão, o joga ao solo, como se lançasse uma folha.
       Segundo alguns historiadores japoneses, o mais antigo relato de um combate corporal
ocorreu em 230 aC, na presença do imperador Suinin. Taimano Kehaya, um lutador insolente
foi rapidamente nocauteado por um terrível cultor do combate sem armas, Nomino Sukune.
Naquele tempo não havia regras e combate padronizadas. As lutas poderiam desenvolver-se
até a morte de um dos competidores.
       As técnicas de ataque e defesa utilizadas guardam muita semelhança com os golpes do
sumô e do antigo ju-jitsu.



4.2 Jigoro Kano (1860-1938)

       Jigoro Kano nasceu no Japão em 28 de outubro de 1860 (fim da dinastia Tokugawa) em
Mikagemachi, Condado de Huko, Distrito de Hyogo. Era o terceiro filho de Jirosaku Mareshiba
Kano, alto funcionáro da Marinha Imperial. Com onze anos transferiu-se para Kioto para
estudar o idioma inglês, tornou-se professor e tradutor dessa língua. chegando inclusive a
montar em Tókio sua própria escola, o Kobunkan.
       Quem lhe ensinou os primeiros passos no Jiu-Jitsu foi o professor Teinosuke Yagui. Aos
dezessete anos matriculou-se na Escola Tenchin Shinyo Ryou sendo seus professores os
mestres Hachinosuke Fukuda e Masotono Iso, logo foi a estudar na famosa escola Kito Ryou
com o Mestre Tsunetoshi Iikugo. Em 1882, ano de sua formatura em Filosofia, Economia e
Ciências Políticas pela Universidade Imperial de Tókio, Jigoro Kano fundou sua escola o
Kodokan no templo budista Eisho onde começa a ensinar o novo esporte criado por ele: o
Judô. Seu primeiro aluno foi Tsunejiro Tomita.
       A cultura do Dr. Jigoro Kano lhe possibilitou ascender a altos postos no ensino, no
esporte e no governo de seu país. Foi Professor, Vice-presidente e Reitor do Colégio dos
Nobres, Adido do Ministro da Casa Imperial, Conselheiro do Ministro da Educação Nacional,
Diretor da Escola Normal Superior e ainda, Secretário da Educação Nacional. Fundou
sociedades e institutos para jovens e também o primeiro clube de beisebol do Japão. Editou
revistas, viajou para Europa e América do Norte em missão cultural. Foi ainda Diretor da
Educação Primária, Presidente do Centro de Estudos das Artes Marciais (Botukukai) e o
primeiro japonês a pertencer ao Comitê Olímpico Internacional, alem de Presidente da
Federação Desportiva do Japão. Em 1920 passou a dedicar-se exclusivamente ao Judô, ainda
como membro da Câmara Alta, Professor Honorário da Escola Normal Superior de Tóquio e
Conselheiro do Gabinete Japonês de Educação Física. Foi o introdutor da Educação Física no
plano educacional do Japão.
       O Dr Jigoro Kano morreu no dia 4 de maio de 1938, com 77 anos de idade quando
voltava da Assembléia Geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos, postumamente foi-
lhe outorgado o Segundo Grau na Escala Imperial Japonesa. Foi o único a obter 12. Dan. O Dr.
Jigoro Kano é conhecido mundialmente como um grande educador.


4.3 Sobre a Fundação do Instituto Kodokan

       O prof. Kano estabeleceu o Instituto Kodokan em 1882, época em que o dojô (local de
treino) tinha apenas 12 tatamis e o número de alunos era nove. O ju-jitsu foi substituído pelo
judô pela razão de que enquanto "jitsu" significa técnica o "do" significa caminho, este último
podendo ter dois significados: o de um caminho em que você anda e passa e o de uma
maneira de viver.
       Como meio de ensino, no Kodokan, Jigoro Kano adotou o randori, kata e métodos
catequéticos, adicionando educação física ao treinamento intelectual e à cultura moral. A
harmonia desses três aspectos de educação constituem a educação ideal pela qual o judô será
ensinado.
       Ao redor do ano 20 da era Meiji (1887), o judô tinha dominado o ju-jitsu, que foi varrido
de vários países. O princípio do "JU", do judô, passou a significar o mesmo que na frase
"gentileza é mais importante que obstinação".
       Assim a teoria do "JU", que é gentileza, suavidade, pretende utilizar a força do oponente
sem agir contra ela, podendo ser aplicada não somente na competição mas também aos
aspectos humanos.
       O prof. Kano disse em 1910 que a teoria da cultivação da energia tratava de adotar um
método para melhorar a habilidade mental e física pelo armazenamento de ambas quanto for
possível. Ele disse que o seu bom uso é cultivar e usar a energia humana para o bem e que a
teoria pode ser adquiri-la através do treinamento de judô, podendo ainda ser ampliada para
todos os aspectos da vida. Antes de se expandir, o conceito de judô do professor veio a formar
dois grandes guias: o melhor uso da energia individual e o bem estar mútuo. Com estes
princípios o judô expandiu-se no próprio Japão e no exterior. Com esta base, o prof. Kano
deixou como ensinamento que através do treinamento a pessoa deve se disciplinar, cultivar o
seu corpo e espírito através das técnicas de ataque e defesa, fazendo engrandecer a essência
do caminho. O melhor uso da energia e o bem estar mútuo são uma versão resumida dos
ensinamentos de Jigoro Kano, que definiu como objetivo último do judô construir a perfeição de
uma pessoa e beneficiar o mundo.


4.4 A Chegada do Judô no Brasil


       Em 1904, Koma ao lado de Sanshiro Satake, saiu do Japão. Seguiram então para os
Estados Unidos, México, Cuba, Honduras, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru
(onde conheceram Laku, mestre em ju-jitsu que dava aulas para a polícia peruana), Chile, onde
mantiveram contato com outro lutador, (Okura), Argentina (foram apresentados a Shimitsu) e
Uruguai. Ao lado da troupe que a eles se juntou nos países sul-americanos, Koma exibiu-se
pela primeira vez no Brasil em Porto Alegre. Seguiram depois para o Rio de Janeiro, São
Paulo, Salvador, Recife, São Luís, Belém (em outubro de 1915) e finalmente Manaus, no dia 18
de dezembro do mesmo ano. A passagem pelas cidades brasileiras foi marcada apenas por
rápidas apresentações. Por sua elegância e semblante sempre triste, Mitsuyo Maeda ganhou o
apelido de Conde Koma durante o período que ficou no México. A primeira apresentação do
grupo japonês em Manaus, intermediado pelo empresário Otávio Pires Júnior, em 20 de
dezembro de 1915, aconteceu no teatro Politeama. Foram apresentadas técnicas de torções,
defesas de agarrões, chaves de articulação, demonstração com armas japonesas e desafio ao
público. Com o sucesso dos espetáculos, os desafios contra os membros da equipe
multiplicaram.
       Entre os desafiantes, boxeadores como Adolfo Corbiniano, de Barbados, e lutadores de
luta livre romana como o árabe Nagib Asef e Severino Sales. Na época Manaus vivia o "boom"
da borracha e com isso as lutas eram recheadas de apostas milionárias, feitas pelos barões
dos seringais. De 4 a 8 de janeiro de 1916, foi realizado o primeiro Campeonato de Ju-jitsu
amazonense.
       O campeão geral foi Satake. Conde Koma não lutou desta vez, ficando apenas com a
organização do evento. No dia seguinte (09/01/1916), o Conde, ao lado de Okura e Shimitsu,
embarcou para Liverpool, na Inglaterra, onde permaneceram até 1917. Enquanto a dupla
permaneceu no Reino Unido, Satake e Laku seguiram lecionando ju-jitsu japonês aos
amazonenses no Atlético Rio Negro. E os mestres orientais continuaram vencendo combates a
que eram desafiados. Até que em novembro de 1916, o lutador italiano Alfredi Leconti,
empresariado por Gastão Gracie, então sócio no American Circus com os Irmãos Queirollo,
chegou a Manaus para mais um desafio. Sataki que estava adoentado cedeu seu lugar para
Laku, sendo este derrotado por Leconti. Sataki, em recuperação, seria o próximo adversário do
italiano, mas devido a brigas geradas por ocasião do combate entre Laku e o desafiante, o
delegado Bráulio Pinto resolve proibir outras lutas na capital.
       Em 1917, de volta ao Brasil, mais especificamente em Belém, e tendo ao lado sua
companheira, a inglesa May Iris Maeda, Conde Koma ingressa no American Circus onde
conhece finalmente Gatão Gracie. Em novembro de 1919, o Conde retorna a Manaus, agora
na condição de desafiante de seu amigo Satake. Foi então que aconteceu a única derrota de
Koma em toda sua carreira. Na biografia anterior diziam que ele nunca havia sido derrotado.
       Então ele volta para Belém e em 1920, já com a crise da borracha, é desfeito o
American Circus. Com isso, Mitsuo Maeda embarca novamente para a Inglaterra. Em 1922,
regressa como agente de imigração, trabalhando pela Companhia Industrial Amazonense e
começa a ensinar judô aos belenenses na Vila Bolonha. No mesmo ano, seu ex-companheiro
Satake embarca para a Europa e nunca mais se tem notícias do grande mestre.Conde Koma
continuou em Belém, falecendo em julho de 1941. Carlos e Hélio Gracie, filhos de Gastão
seguiram atuando no ju-jitsu, modalidade que aprenderam com Koma no circo do pai.




5. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO KARATÊ


5.1 Os monges oriundos da índia


       A história do Karatê perde-se no tempo. Formas de defesa pessoal que
usavam os próprios membros como armas, foram vistas em muitos lugares do
mundo em épocas bem distantes. A teoria mais aceita hoje sobre sua origem é
a de que um monge – Daruma – vindo da Índia para a China teria trazido os
ensinamentos de uma luta ao Mosteiro Shaolin.
       Na China, sob a orientação de Dharma (Bodhidharma), e como os monges
passavam muitas horas em meditação, permaneciam muitas horas imóveis, o
que aliado aos meios de subsistência, faziam com que os monges se tornassem
mais volúveis às doenças.
       Então, Dharma, iniciou com estes monges a prática de uma atividade
física, com o intuito de lhes estabelecer a força física e espiritual. Foi assim
que nascia o Kempô e passado pouco tempo, pelas suas técnicas bastante
eficazes, estes monges eram temidos principalmente pelos salteadores de
estradas da época.
       No século XIV, o Kempô foi introduzido em Okinawa. Lá se desenvolveu
desmembrando-se em três escolas importantes, sendo elas: a Shuri-Tê, na
cidade de Shuri, antiga capital onde a realeza e os nobres viviam; a Naha-Tê,
na cidade de Naha e a Tomari-Tê na cidade de Kume.
Mais     tarde,    no   século    XIX,    esta    prática   sofre    algumas    alterações
técnicas, introduzidas por Matsumura, e passa a ser                    designada por Karatê.
Este trabalho foi continuado por Itosu Anko, Ginchin Funakoshi, Mabuni,
Nakayama, Asai e tantos outros que continuam a desenvolver o Karatê e criam
novos estilos
       Ginchin Funakoshi, após uma apresentação pública de Karatê no Japão,
em 1922, passa a ser considerado o grande renovador desta arte marcial, uma
vez que foi o primeiro a conciliar o Karatê com os aspéctos físicos do
desenvolvimento humano.




5.2 Okinawa – O berço do karatê-dô


       Denominado pelos chineses de “Ryu Ryu”, estende-se por mais de 800
Km, um vasto grupo de ilhas desde o promontório de Kogoshima (extremo sul
do Japão) até a ilha de Taiwan (formosa).
       Do centro desta grande ilha, de vários tamanhos, esparsas como poeira
salpicando o mar, entre os arquipélagos menores Yiaciama e Myato, destaca-
se Okinawa com 1.500 Km 2 , ocupando, sozinha, 53 % da superfície do Ryu
Ryu.
       “Oki”, oceano ou grande, “Nawa”, cadeia, corrente ou corda – em japonês
– essa ilha tem uma centena de quilômetros de comprimento para uma largura
de 30 a apenas 4 quilômetros – quando se pode ver o Mar da China a oeste e o
Oceano Pacífico a leste. Seu aspecto é realmente o de uma corda nodosa
flutuante.
       Ao Norte, montanhas verdes e rugosas ou vulcânicas, belas encostas de
corais, baías de águas límpidas e praias brancas e muito sol. Ao sul na parte
mais baixa, campos de arroz, plantações de nananeiras e cana-de-açúcar e por
todo o litoral pequenos pontos de pesca e pequenas aldeias.
       É enganosa a tranqüilidade aparente do local. O inverno é ameno, o
verão é terrível, sol forte e chuvas trazidas pelas “monções” (vento típico e
periódico     do    sul   e    sudeste   asiático)      quase   sempre      acompanhadas      por
devastadores tufões.
       A     vida   em    Okinawa       sempre    foi   rude.   Para   se    adaptar    ao   meio
naturalmente hostil e extrair seu alimento de um solo fino e impróprio ao
cultivo, o habitante de Okinawa precisou forjar a vontade, a tenacidade e a
engenhosidade – qualidade que teria que ter ainda em dobro em face de
sucessivos invasores que pretendiam subjugá-lo, a todo custo.
O instinto de sobrevivência faria surgir recursos de resistência, técnicas
de combate a mãos nuas (ancestrais do Karatê) ou com armas improvisadas
(ancestrais do KoBudo – Sai, Bo, Nuchako, Kama, Tonfa, Chimbe, Tekko, etc).
Pescadores e agricultores de índole talvez pacífica conheceram uma história
tumultuada sobretudo pela opressão dos poderosos chineses e japoneses. Pela
preservação da própria individualidade e hostis a toda tentativa de integração,
geração, acabaram por forjar a alma do povo okinawense, como uma Segunda
natureza.
      Hoje ainda, embora território japonês, Okinawa se sente muito diferente
do restante do Japão.


      De todas as etnias que vieram se fundir em Okinawa, o elemento
puramente japonês foi provavelmente o último, introduzido a partir do século 14
– época em que a casta militar nipônica pretendia subjugar a ilha.
      A situação geográfica fez com que o local sofresse, em todas as épocas,
a influência de uma grande variedade de culturas, principalmente de seus
vizinhos mais poderosos: China e Japão. Rota de comércio japonês, chinês,
filipino ou malásio; ponto de escala e objeto de cobiça dos navios piratas vindo
de todos os horizontes; entrada estratégica de toda região adjacente. Okinawa
acumulou, por muito tempo – aliada a seu sofrimento de resistência – toda uma
bagagem cultural e artística rica e fecunda.
      Até o século 13, pouco se sabe sobre a história de Okinawa. A ilha
encontrava-se retalhada por clãs rivais que se enfrentavam continuamente.
      A figura de Shuten ou Shoto (senhor de Urasor) emerge como provável
primeiro rei de Okinawa e que construiu um sistema de defesa fortificado do
qual ainda restam vestígios. Esse fato histórico ainda marca o início da
ascensão de uma de uma classe guerreira de nativos que iria se firmando e se
individualizando.
      No século 14, relações comerciais seguidas estabeleceram-se com a
China, a Coréia, o Japão e, mais além, com Java e Sumatra.
      Sabe-se   que   em   1372,   o   rei   Okinawense   Satto   prestou   voto   de
obediência ao Império chinês Ming (1468-1644), ao qual passou a pagar
tributo. Em 1429, a ilha foi unificada pelo rei Sho Hanshu que, pela primeira
vez soube reunir as velhas províncias de Chuzan, Hokuzan e Nazan. Era a
época em que as grandes aldeias de Naha e de Shuri se tornavam cidades
comerciais prósperas, entrepostos de todos os pontos os produtos do sudeste
asiático e onde se acotovelavam japoneses, chines, indianos, malásios, thais e
árabes. É também nessa época que a China da Dinastia Ming, enviou
importante grupo de artesãos e artistas – mencionados em antigos documentos
como “As 36 Famílias”. Entre esses chineses, sem dúvida, encontravam-se
indivíduos que tinham conhecimento tas técnicas de Boxe Chinês. São os
primeiros vestígios de Shaolin Zu Kempo ou Chun-Fa importados” por Okinawa.
      Mas   nada   permite   afirmar   que   essa   arte   tenha   oficialmente   sido
introduzida na ilha por verdadeiros mestres. Esse primeiro impacto, ainda
superficial, deu-se provavelmente na pequena cidade de Kumemura onde
estava instalada a parte essencial do grupo de imigrantes chineses.
      Enfim, uma Quarta cidade, Tomari, passou a crescer e mais tarde a se
constituir no centro de um estilo próprio de Karatê (Shuri e Tomari hoje estão
incorporadas à cidade de Naha).


      Nessa época da história de Okinawa, situa-se um elemento capital que
iria decidir sobre a orientação das Artes Marciais já conhecidas na ilha: a
promulgação de um édito que proibia o uso, o porte ou a conservação de armas
de qualquer natureza. Foram estas recolhidas em praça pública e estocadas
em entrepostos severamente guardados, no intuito de desencorajar a menor
tentativa de revolta. Atribui-se a promulgação da ordem ao rei Sho Hashi
(1421-1439). A história é imprecisa neste ponto.
      Em vez de, no entanto, se desistimularem, os oprimidos okinawenses
viram no fato um motivo a mais para desenvolverem técnicas de combate
apoiadas nas próprias mãos e em elementos de Chu-Fa (trazidos pelos
chineses) ou a se bastarem com os instrumentos de uso doméstico de que
dispunham, os quais seriam convertidos em novas armas (origem do Ko-Budo).
      No início do século 17, o Japão saía de mais uma terrível guerra civil
cujo vecedor foi o clã dos Tokugawa e o vencido o clã dos Satsuma, dirigida
pela família Shimasu. O novo Shugun mostrou-se hábil em desviar o furor dos
Satsuma, derrotados mas não destruídos, para a ilha de Ryu-Ryu; maneira
astuciosa de livrar-se do inimigo e ao mesmo tempo           estabelecer o controle
japonês sobre uma ilha até então submissa à China (e talvez não pensasse
também em preparar nova invasão à Corréia, pelo sul).
      Precisamente ao dia 5 de abril de 1609, os Satsumas se atiram sobre
Okinawa – que estava estão com meio milhão de habitantes – com uma frota a
desembarcar 3 mil guerreiros. Okinawa caiu sob o julgo do clã invasor e assim
ficou até o ano de 1879, data em que a ilha se tornou território japonês,
incorporada ao Império de Matsu-Hito.
      Logo depois desta ocupação surgiram as primeiras ordens de Ichina
Shimazu. A mais importante delas reforçava as descrições antigas; ficava
proibidas, pela Segunda vez, a posse de todo tipo de arma e qualquer prática
de caráter marcial. Ainda mais: os invasores japoneses confiscaram todos os
objetos e utensílios de ferro e desativaram as fundições. Pretendem alguns
historiadores que, este fato ocorreu também por falta do minério por parte dos
Satsumas rechaçados da metrópole.
       Problemas elementares de subsistência não tardaram a surgir. Conta a
história ou a lenda, que finalmente os nativos obtiveram do conquistador o
direito de cada aldeia possuir, a disposição, uma única faca, presa a grosa
corrente na praça central, guardada por dois soldados.
       É certo que novamente os Okinaenses reagiram ao édito de Shimazu com forte espírito
de resistência e vontade de sobrepujar a desvantagem imposta. Uma verdadeira eclosão de
táticas e técnicas individuais de ataque e defesa fora a imposta; uma verdadeira eclosão de
táticas e técnicas individuais de ataque e defesa fora a resposta. O século 17 completava o
nascimento do To-De ou Okinawa-Tê, ancestral do Karatê. “To” designava “China” e, por
extensão de sentido, “continente”, “Te” significa “técnicas” em Okinawense e mais tarde
significaria “mão” pelo idioma japonês.
       A dominante das técnicas de combate a mão nuas era indiscutivelmente
chinesa (ainda que, com o passar do tempo, se mesclasse com influência de
outras) e reportava-se, no. essencial, à arte Shaolin – seus mais variáveis
aspectos como os estilos dos animais, a ênfase à respiração e à força mental,
a eficácia dos golpes desferidos nos pontos vitais do corpo. Em suma, as
mesmas diretrizes do Kung-Fu.
       Este    último     aspecto    emergiria    bem    mais    tarde,   para   tornar-se
preponderante no século 19, seguindo assim com um pouco de atraso a mesma
evolução conhecida pelo conjunto de Artes Marciais japonesas que evoluíram
do Bugei (técnica de guerra) para o Budo (via da arte marcial).
       A proibição de Shimazu, outra conseqüência inesperada, despertou não
somente inusitado interesse pelas técnicas de combate como generalizou uma
prática até então restrita a pequenas minorias. Foi a época de treinamentos
enfurecidos em lugares secretos, geralmente à noite e longe dos lugares
habitados, como nos rochedos, à beira mar, entre os discípulos de confiança.
Este ambiente de “conspiração” continuaria praticamente até o final do século
19,   uma     constante    no   Okinawa-Te.      Com    receio   de   serem   descobertos
praticando a arte marcial proibida, os okinawenses optaram por não deixar
registros escritos, e sim, por um ensino seletivo através da transmissão oral,
assim como pelas “representações de técnicas letais, zelosamente oculto as
em movimentos aparentemente inócuos (a mesma idéia fundamental que se
encontra nos Katas)”.
O Okinawa-Te revivia, assim, a tradição dos monges do mosteiro Shaolin,
que eram perseguidos pelo policiamento imperial. Tecnicamente sabe-se bem
pouco desse período obscuro do Karatê, exeto que pés e mãos (pontas dos
dedos, antebraço, cotovelos, joelhos) tornaram-se armas eficientes e rápidas,
capaz de substituir as lâminas banidas. Não havia lugar para estética e,
também, não se pode dizer que os estilos já haviam se individualizados
naquela época. É mais sensato situar no século 18 a formação de três estilos
básicos de Okinawa-Te: Shuri-Te – denominações provenientes dos nomes das
cidades nas quais eram praticados. Também não se pode afirmar que já se
praticavam alguns Katas – embora algumas fontes citem o Passai (antigo Kata
praticado desde o século 14) e o Koshiki-Naihanti (antiga forma do Tekki), cuja
posição em “cavaleiro de ferro” se adequaria bem às necessidades dos
habitantes da ilha de treinar sobre rochedos.
         Em Okinawa houve uma verdadeira osmose (mistura) entre homens e
seus meios.
         Nesta época aperfeiçoavam-se as técnicas do Ti-Gua (ancestrais do
Kobu-Do), denominação que se dava ao treinamento desenvolvido a partis do
uso de instrumentos agrícolas ou pesqueiros, utilizados na vida cotidiana e que
não eram de natureza a inquietar o policiamento japonês de ocupação. Essas
técnicas se desenvolveram em nível de massa.
         Okinawa-Te e Kubu-Do constituíram-se em um marco da civilização, pois
foi a mensagem deixada por um povo oprimido, mas sempre motivado pela
feroz vontade de independência.
         Pouco a pouco, homens mais dotados emergiram dos vários grupos de
praticantes, e se tornaram mestres, codificaram seus sistemas de ensino com
conteúdos objetivos e subjetivos, que viriam a adaptar-se a todas as épocas e
situações futuras (guerras, escolas, universidades, prática desportiva).


5.3 Gichin Funakoshi – O pai do karatê-dô moderno


         Ginchin Funakoshi nasceu em 1868, no distrito de Yamakawacho, em
Churi, sede administrativa de Okinawa e faleceu em 1957, aos 89 anos em
Tókio.
         Filho de família tradicional, desde muito cedo se entregou aos estudos.
Tornou-se poeta, estudou Confúcio e gozava de prestígio como perito calígrafo.
Casado, foi professor de escola primária em Okinawa.
         Começou a praticar Karatê em Okinawa com o mestre Yasutsune Azato,
um homem alto e dinâmico que tinha batido muitos homens na sua época e,
insuperável na arte do Karatê em toda a Okinawa, além disso, primava na arte
de equitação, esgrima, e do manejo do arco. Treinou, também, com outros
grandes mestres, tais como: mestre Ki, que, Kiyuna, que usando a mão sem
proteção, podia retirar a casca de uma árvore viva numa questão de momentos;
mestre Toonno de Naha, um dos eruditos confucianos mais conhecidos da ilha;
mestre Niigaki, cujo extraordinário bom senso impressionou-o profundamente.
Mestre Matsumura, um dos karatekas mais notáveis e Yasutsume Itosu,
também, um dos mestres mais respeitados naquela época.
      De   físico   pouco   avantajado,   Ginchin   Funakoshi   sofreu   muito   nos
treinamentos. Treinou muito Kata Tekki (Naihanchi) que durante muito tempo
foi a base da arte. Desenvolveu força golpeando o makiwara e treinando com
chinelo de ferro.
      Sempre foi costume que o aluno treinasse com um único mestre e nunca
o deixasse, mas mestre Azato pensava que não deveria ser assim, razão pela
qual enviava seu alunos para treinar com outros mestres. Com isso Funakoshi
teve a oportunidade de treinar com os mestres já mencionados.
      Ansioso de perfeição, sua imagem refletia o mais completo Budoka e seu
ideal era conseguir todo bem resultante da prática do Okinawa-Te.
      Funakoshi passava todo o seu tempo livre treinando na casa do seu
mestre, e só ia à casa para trocar de roupa. Devido às suas saídas noturnas
para treinar, muita gente pensava que visitava bordel. Mas, um dia, passou
sobre a cidade uma forte ventania, e viram Funakoshi subindo num telhado e
praticando a força de suas bases (posições). Chegaram a pensar simplesmente
que estava louco. Nunca adivinhariam que este homem, professor pobre cuja
mulher trabalhava numa granja para angariar dinheiro para a família, seria um
artista marcial respeitado mundialmente.
      Além de mestre de Karatê-Dô, era como já vimos, exímio poeta e quando
escrevia os seus poemas usava o pseudônimo de Shoto, que quer significa
ondas de pinheiro. Ele usava este nome porque a cidade nativa de Shuri, local
do seu nascimento, era rodeada por colinas com florestas de pinheiro Ryu Ryu
e vegetação subtropical. Entre elas estava o monte Toroa. A palavra Toroa
significa “cauda de tigre” e era particularmente adequada porque a montanha
era estreita e tão densamente arborizada que realmente tinha a aparência de
uma cauda de tigre quando vista de longe. Quando dispunha de tempo,
costumava caminhar pelo monte Toroa, às vezes à noite quando a lua era cheia
ou quando o céu estava tão claro que se podia ficar sob uma cobertura de
estrelas. Nestas ocasiões, podia-se ouvir o farfalhar dos pinheiros e sentir o
profundo e impenetrável mistério que está na raiz de toda a vida.
Em 1922, escreveu o seu primeiro livro, ou seja, “KyuRyu Kempo: Karatê,
e nele fez a seguinte introdução: “Na profundidade das sombras da cultura
humana oculta-se sementes de destruição, exatamente do mesmo modo a
chuva e o trovão seguem na esteira do tempo bom. A história é o relato da
ascensão e queda das nações. A mudança é a ordem do céu e da terra; a
espada e a caneta são tão inseparáveis quanto as duas rodas de uma
carruagem. Assim, o homem deve abraçar os dois campos se quer ser
considerado    um   homem    de   realizações.   Se   ele    for   demasiadamente
complacente, acreditando que o tempo bom durará para sempre, um dia será
pego   desprevenido   por   terríveis   tempestades   e     enchentes.   Assim,   é
importantíssimo que nos preparemos a cada dia para qualquer emergência
inesperada.”
       Em 1935, escreveu os seu segundo livro: “Karatê-Dô Kyuohan”. Neste ele
deu ênfase nas técnicas de vários tipos de Kata.
       Apesar de uma grande habilidade e boa reputação, a vida de Ginchin
Funakoshi não era nada fácil. Naquela época ele tinha uma família para
manter, e os professores não eram bem pagos. Na época ele foi designado
diretor da Shobukai das Artes Marciais de Okinawa.
       Em 1936, foi fundado o primeiro Dojo oficial de Karatê, pelo Comitê
Nacional e, devido aos feitos de mestre Funakoshi foi batizado com o nome de
Shoto-Kan. Daí surgiu o nome de uma escola (estilo) que até hoje é cultivada
em várias partes do mundo, a Shotokan, ou seja, Shoto, pseudônimo de
Funakoshi, mais Kan, escola, formando Escola de Funakoshi.
       O Karatê que conhecemos hoje foi aperfeiçoado através de mais de
sessenta anos pelo mestre Ginchin Funakoshi. Portanto, ele é considerado o
pai do Karatê moderno.


5.4 Oficialização do Karatê-Dô na educação escolar de Okinawa


    No começo deste século, mais precisamente em 1902, durante a visita de
Shintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da prefeitura da cidade de
Kagoshima, à escola de Funakoshi em Okinawa, foi feito uma demonstração de
Karatê. Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador.
Ogawa ficou tão impressionado que escreveu um relatório ao Ministro da
Educação elogiando as virtudes da arte. Foi então que o treinamento de Karatê
passou a ser oficialmente autorizado nas escolas. Até então o Karatê só era
praticado de portas fechadas, mas isso não significava que fosse um segredo.
As casas em Okinawa eram muito próximas uma das outras, e tudo que era
feito numa casa era conhecido pelas outras adjacentes. Enquanto muitos
autores pregam o Karatê como sendo um segredo àquela época, ele não era
tão secreto assim (do mesmo modo que os Estados Unidos nunca penetrou no
Camboja durante a guerra do Vietinã).
    Contra os pedidos de muitos dos mestres mais antigos de Karatê, que eram
a favor de manter tudo em segredo, Funakoshi trouxe o Karatê, com a ajuda de
Itosu, até o sistema de escolas públicas. Logo, crianças estavam aprendendo
Kata como parte das aulas de educação física. A redescoberta da herança
étnica em Okinawa era moda, então as aulas de Karatê em Okinawa eram
vistas como uma coisa legal.


5.5 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Japão


     O Imperador japonês Hihoshito, em visita à Okinawa, 1921, na qualidade
de príncipe herdeiro, presenciou uma demonstração de Karatê e ficou tão
favoravelmente impressionado, que incluiu este evento em seu informe de
governo.
     No ano seguinte, o Ministério Japonês de Educação enviou uma carta ao
governo de Okinawa solicitando que mandassem uma delegação esportiva de
artes marciais ao Japão, onde ocorreria um festival de educação física
patrocinada pelo mesmo. Ginchin Funakoshi foi escolhido para dirigir essa
delegação. Alguns contestaram essa escolha, pois nesta época, Funakoshi já
estava com 50 anos de idade e eles julgavam que seria mais sensato o envio
de alguém com maior vigor físico. Na verdade, havia bons motivos para essa
escolha: sua vasta cultura, seu reconhecimento sobre o Japão adquirido em
viagens anteriores, sua sensibilidade poética, e principalmente seu grande
domínio técnico do Karatê.
     Em assim sendo, ficou para nós a lição de que, em uma idade em que a
maioria das pessoas pensa em aposentar-se, para Funakoshi havia chegado a
aventura mais importante de sua vida.




5.6 O missionário do Karatê-Dô Shotokan moderno


     Chegando ao Japão, Ginchin Funakoshi, que foi contratado para ficar
somente algumas semanas, foi alargando sua estadia, pois suas palavras e
demonstrações surpreenderam tanto que criou à sua volta um grande número
de admiradores que não o deixavam regressar a Okinawa. Entre eles estava
Jigoro Kano, fundador do Judô moderno, o qual, além de dar-lhe hospedagem,
cedeu-lhe uma grande sala do Kodokan para que ensinasse Karatê. A vida de
professor de escola havia terminado e ao mesmo tempo nascia                o primeiro
professor de Karatê do Japão.
      Sempre sabendo ser seletivo, Funakoshi, que queria que sua arte fosse
tão conhecida e respeitada como o Judô e o Kendo, procurou ensinar seu
sistema principalmente a médicos, advogados e estudantes universitários. Em
pouco tempo o Karatê ganhou grande fama, com isso vário mestres de Okinawa
também imigraram para o Japão, entre eles: KENWA Mamuni trouxe o Shoty-
Ryu, Chijun Miyiagi o Goju-Ryu. Só Funakoshi é que não deu nome ao estilo
que praticava.
      Em 1924, foi escolhido para ministrar aulas de Karatê na Universidade de
Keio. Seus ensinamentos foram recebidos com verdadeiro entusiasmo pelos
estudantes. Alguns alunos de Funakoshi levaram suas palavras e técnicas para
fora da Universidade. Desta maneira, o mestre chegou a supervisionar cinco
clubes em Tókyo. No fim de 1939, ele financia a abertura do “Shotokan”, seu
primeiro Dojo. Contam alguns que não foi Funakoshi que deu o nome ao lugar,
e sim seus alunos, que diziam que treinavam na Escola (Kan) de Shoto
(pseudônimo      de   Funakoshi),   para   poderem   ser   diferenciados   dos   outros
sistemas.
Finalmente, a sorte começa a sorrir para o Shotokan e seu criador. Já havia um
Dojo e clubes nas Universidades, seu filho Yamagushi (Gigo) ajudava-o a
ensinar e compartilhava as responsabilidades da Shoto-Kai, associação que
criou para unificar a arte.
      A guerra chegou, e o Karatê teve uma grande paralisação na sua
divulgação. Um dos seus melhores alunos, Takeshi Shimoda, faleceu e, pouco
tempo depois também falece seu filho com tuberculose.
      Ao terminar a guerra, o mestre já não ensinava, e seu Dojo estava quase
que totalmente destruído. Todas as artes marciais praticadas no Japão foram
proibidas por aproximadamente três anos pela força de ocupação.
      Mas Funakoshi conseguira algo muito importante: o Karatê foi aceito e
passado a fazer parte do Budô japonês.
5.7 A filosofia Budô


        O que significa Budô? Vejamos: BU - quer dizer “guerreiro”, “samurai”;
DÔ - que dizer “caminho”, o caminho do samurai. O principal objetivo dos
guerreiros era vencer as guerras. Rigoroso preparo físico, técnico e mental era
necessário, enfatizando ao que transcendia a matéria, afastando-os assim os
desejos mais comuns.
        Várias artes marciais faziam parte do Budô, embora tivessem técnicas
diferentes, como o Judô, Karatê-Dô, Sumô, Aikidô e outras. Como arte marcial
o Karatê se faz respeitar através das seguintes imposições, tais como: as mãos
e os pés do adversário não podem tocar o seu corpo; as técnicas defensivas
devem ser traumatizastes; se o inimigo cortar a sua carne, deve quebrar-lhe os
ossos e se ele quebrar-lhe os ossos, você deve matá-lo.
        Segundo registros existentes, conta-se que o samurai transcende a “vida”
e a “morte”, pois ele executa qualquer tarefa determinada, custe o que custar,
esquecendo-se de si mesmo. Daí o rigor nos exercícios, a fim de conseguir
unificar corpo e mente. Aqueles temidos guerreiros tinham como princípios
básicos manter a mente tranqüila para, em qualquer situação, não perder a
autoconfiança e ser sobretudo, útil à coletividade, cumprindo desta maneira
sua missão e influenciando para que os outros, também, o fizessem.
        O Budô é também, o caminho das artes marciais cujas técnicas são
usadas para desenvolver o espírito, a mente e o corpo. Na prática, o respeito e
as boas maneiras são fundamentais. Há o cumprimento de respeito ao entrar e
sair do Dojo (local de prática) e no início e ao término da prática. Este
procedimento, junto com a ajuda do professor, inspira amizade e compreensão.
Assim, instintivamente, hábitos sociais apropriados são desenvolvidos entre
todos    os   praticantes     e    professores,     através    da     liberdade     controlada   de
energias do dia-a-dia. Evita-se assim, agressões perigosas desnecessárias ao
próximo, desenvolvendo o espírito de cooperativismo.
        A   filosofia   do    Budô    se   traduz    também         pela    busca    constante   do
aperfeiçoamento, autocontrole e na contribuição pessoal para a harmonização
do meio onde se está inserido.
        A filosofia do Budô sempre deu muita importância à percepção a à
sensibilidade,     uma       vez   que     as   técnicas      que    nela    se     baseia,   visam
essencialmente à conquista da estabilidade e da autoconfiança, através de
treino rigoroso e vida disciplinada; ao desenvolvimento da intuição, no sentido
de perceber o ataque do adversário antes mesmo do início do seu movimento e
da capacidade de analisa o adversário, para prevenir-se contra supressas e à
formação de hábito de saúde, como o uso da meditação Zen e a respiração
com o diafragma.
         A famosa expressão do mestre Funakoshi quando disse: “Karatê Ni Sente
Nashi”, explica claramente o objetivo do Karatê, ou seja, conter, controlar o
espírito de agressão. O Karatê se caracteriza por procedimentos de respeito e
de etiqueta.




5.8 As consequências da guerra no Karatê-Dô


         Finalmente o Japão cometeu um grande erro. O bombardeio das forças
navais americanas em Pearl Harbor a 7 de dezembro de 1941 foi algo além da
conta.     Numa   tentativa    de     prevenir      que   as   embarcações     americanas
bloqueassem a importação japonesa de matéria prima, os japoneses tentaram
remover a frota americana e varrer a influência ocidental do próprio Oceano
Pacífico. O plano era bombardear os navios de guerra e os portas aviões que
estavam no território do Hawaii. Isto deixaria a força da América no Pacífico
tão fraca que a nação iria pedir paz para prevenir a invasão do Hawaii e do
Alasca. Infelizmente, o pequeno Japão não tinha os recurso, força humana, ou
a capacidade industrial dos Estados Unidos. Com uma mão nas costa, os
americanos destruíram completamente os japoneses na Ásia e no Pacífico.
         Uma das vítimas dos ataques aéreos foi o Shotokan Karatê Dojo que
havia sido construído em 1939. Com a América exercendo pressão em
Okinawa, a esposa de Ginchin Funakoshi finalmente iria deixar a ilha e juntar-
se a ele em Kyushu no sul do Japão. Eles ficaram lá até 1947.
         Os americanos destruíram tudo que estava em seu caminho. As ilhas
foram bombardeadas do ar, todas as cidades queimadas até o fim, as colinas
crivadas de balas pelos cruzadores de guerra da costa, e então as tropas
varreram através da ilha, cercando todo o mundo que estivesse vivo. A era
dourada do Karatê em Okinawa tinha acabado. Todas as artes militares haviam
sido banidas rapidamente pelas forças ocupantes americanas.
         Primeira uma, depois outra bomba atômica explodiram sobre as cidades
de   Hiroshima    e     Nagassaki.    Três   dias    depois,   bombardeiros    americanos
sobrevoaram Tókyu em tal quantidade que chegaram a cobrir o sol. Tókyu foi
bombardeada com dispositivos incendiários. Descobrindo que o governo do
Japão estava aponto de cometer um suicídio virtual sobre a imagem do
Imperador,     cartas    secretas    passadas    para     os   japoneses   garantindo   sua
segurança se eles assinassem sua “rendição incondicional”. O Japão estava
acabado, a Guerra do Pacífico também, mas o pesadelo de Funakoshi ainda
havia de acabar.
     Então, Gigo (também conhecido como Yoshitaka, dependendo como se
pronunciava os caracteres do seu nome), filho de Funakoshi, um promissor
jovem mestre de Karatê-Dô no seu próprio direito, aquele que Funakoshi estava
contando para substituí-lo como instrutor do Shotokan, pegou tuberculose em
1945 e morre enquanto teimosamente recusava-se a comer a ração americana
dada ao povo faminto.
     Funakoshi     e   sua   esposa   tentaram   viver   em   Kyoshu,   uma   área
predominantemente rural, sob ocupação americana no Japão. Mas, em 1947,
ela morre, deixando Funakoshi retornar a Tókyo para encontrar seus alunos de
Karatê Que ainda viviam. Depois que a guerra havia acabado, as artes
militares haviam sido completamente banidas. Entretanto, alguns dos alunos de
Funakoshi tiveram sucesso em convencer as autoridades que o Karatê era um
esporte inofensivo. As autoridades americanas concederam, mas por causa que
naquela época eles não tinham idéia do que Karatê fosse. Também, alguns
homens estavam interessados em aprender as artes militares secretas do
Japão, então as proibições foram eliminadas completamente em 1948.
     Em maio de 1949, os alunos de Funakoshi mevem-se para organizar
todos os clubes de Karatê universitários e privados numa simples organização,
e eles a chanaram de Kihon Karatê Kyokay. Eles nomearam Funakoshi seu
instrutor chefe. Em 1955, um dos alunos de Funakoshi consegue arranjar um
Dojo para a NKK.




5.9 A propagação do Karatê-Dô Shotokan no mundo


     A primeira idade de ouro do Karatê, como tem sido chamada, ocorreu por
volta de 1940, quando quase todas as importantes universidades do Japão
tinham em seus clubes de Karatê. Nos primeiros anos do pós-guerra, ele sofreu
um declínio, mas hoje, graças ao entusiasmo dos que defendem o Karatê-Dô,
ele é praticado mais amplamente do que nunca, difundindo-se para muitos
outros países no mundo inteiro, criando uma Segunda idade de ouro.
     Após a 2ª Grande Guerra, eram freqüentes as solicitações as solicitações
das Forças Aliadas estacionadas no Japão para assistir a exibições das artes
marciais. Peritos em Judô, Kempô e Karatê-Dô formaram grupos que visitavam
as bases militares duas ou três vezes por semana com a finalidade de
demonstrar suas respectivas artes. Conta-se que era grande o interesse dos
membros das forças armadas pelo Karatê, uma arte que estavam vendo pela
primeira vez em suas vidas.
        Em 1952, o Comando Aéreo Estratégico da Força Aérea dos Estados
Unidos enviou um grupo de jovens e de oficiais ao Japão para estudar o Judô,
o Aikidô e o Karatê-Dô. O objetivo era treinar instrutores de educação física e,
durante os meses em que estiveram no Japão, eles seguiram um programa
rígido, estudando e praticando intensivamente. O Mestre Nakaima, um dos
discípulos de Ginchin Funakoshi, era o líder dos homens que ensinavam o
Karatê-Dô Shotokan, considerava isso um grande passo adiante para esta arte.
Por mais de uma dezena de anos depois, dois ou três grupos continuaram indo
ao Japão todos os anos.
        Esse programa de treinamento foi altamente considerado e começaram a
vir grupos de outros países, além dos Estados Unidos. Vários outros países
também solicitaram que fossem enviados instrutores de Karatê-Dô Shotokan
para que se pudesse treinar em maior número de instrutores. Essa, sem
dúvida, foi uma influência que ajudou a torna popular o Karatê-Dô Shotokan em
todo o mundo.
        O Karatê-Dô é, como sempre foi, uma arte de defesa pessoal e uma
forma     saudável     de    exercícios        físicos;    mas,     com   o   aumento    de     sua
popularidade, cresceu muito o interesse pela realização de disputas, como
aconteceu com o Kempô e o Judô. Na sua maioria, devido aos esforços dos
entusiastas mais jovens, onde, o primeiro campeonato de Karatê-Dô de todo o
Japão foi realizado em outubro de 1957. Ele foi promovido pela Associação
Japonesa de Karatê e, no mês seguinte, a Federação dos Estudantes de Karatê
de todo o Japão promoveu um campeonato diante de uma audiência de milhões
de   pessoas.      Além     de     serem       estes      eventos    memoráveis,     esses      dois
campeonatos despertaram um interesse maior ainda pela arte marcial em todo
o país.
        Hoje eles são realizados anualmente numa escala cada vez maior. E num
grande número de países, competições semelhantes estão sendo realizadas.
No   topo    de   todos     eles   está    o    Campeonato          Mundial   de   Karatê-Dô.    As
competições e a disseminação do Karatê no exterior são os progressos mais
significativos dos anos posteriores à 2ª Grande Guerra.


5.10 Início do Karatê no Brasil

        Como o Judô, o Karatê também chegou ao Brasil com os primeiros imigrantes
japoneses no ano de 1908 e se instalou primeiro em São Paulo, principalmente nas cidades do
interior. Foi introduzido através das colônias japonesas nas cidades de Biguá, Pedro de Toledo,
Bastos, Maria e Garça, além do litoral e da capital paulista. Durante vários anos, os imigrantes
japoneses ensinaram a "arte da mão vazia" aos jovens japoneses e aos poucos brasileiros que
se interessavam.

“MARCO INICIAL DO KARATÊ NO BRASIL” - MESTRE SADAMU URIU

           “Buscar nas tradições do passado, inspiração para a evolução no futuro”
                                                                      Mestre Sadamu Uriu 8º Dan

       O karatê, arte marcial japonesa, é praticado por pessoas de todas as idades em todas
as regiões do Brasil. Entre os seus admiradores e praticantes estão profissionais liberais,
professores, estudantes, empresários, donas-de-casa e pessoas com as mais diversas
ocupações. Podem ser encontradas nas academias e competições de karatê crianças,
adolescentes, adultos e idosos, de ambos os sexos.


       De todos é possível ouvir comentários e histórias sobre a influência positiva que
o karatê teve e tem em suas vidas. Não faltam casos de crianças muito tímidas
excessivamente agressivas que encontraram no karatê uma referência para a busca do
equilíbrio. São freqüentes os exemplos de pessoas que começaram a praticar o karatê já
na maturidade e nele encontraram uma fonte para a manutenção ou recuperação de
algumas características de sua juventude.
    Sem que muitos saibam, existe uma pessoa que teve e tem grande influência na vida
de todos eles, o Shihan (Mestre) Sadamu Uriu, que completa 78 anos neste ano de 2006.
Vindo como imigrante do Japão em 1959, Mestre Uriu foi um dos introdutores do karatê
no Brasil e sua história se confunde com a do próprio karatê brasileiro.
    Nas linhas seguintes encontra-se um pouco da história desse Grande Mestre,
acompanhado de parte da história do karatê no Brasil. Esse conhecimento deve servir de
estímulo adicional para todos os praticantes e admiradores do karatê.
    Sadamu Uriu nasceu em 20 de setembro de 1929 no Japão, em Fukuoka-Ken, na ilha
de Kyushu, na região sul do Japão, situada a aproximadamente 1500 quilômetros de
Tóquio. A região, naquela época essencialmente agrícola, hoje tem suas atividades
econômicas concentradas na mineração, siderurgia e construção naval.
    Desde o nascimento, mestre Uriu parecia destinado a ter sua vida associada às artes
marciais. Seu pai, Seizaburo Uriu, além de agricultor era praticantes de judô. Sua mãe,
Tsuwako Uriu, teve cinco filhos, três homens e duas mulheres, todos ainda vivos, sendo
Sadamu Uriu o quarto a nascer. Seus dois irmãos homens eram faixas-pretas de Kendo
(luta com espadas) e participaram da Segunda guerra Mundial. Um deles era oficial do
exército e o outro policial de um grupo de elite.
    Sadamu Uriu começou a estudar aos sete anos de idade e cursou o ensino
fundamental e médio, equivalentes ao 1º e 2º graus brasileiros na própria ilha de Kyushu,
nas escolas Dairi-Sho e Mojishogio. Esta formação escolar no Japão tinha a duração de
dez anos e durante o 2º grau Mestre Uriu praticou Kendo.
    Nesta época o Japão sofreu os efeitos da Segunda Guerra Mundial e os jovens
tinham que contribuir para o esforço de guerra. Em 1945, aos 16 anos, Sadamu Uriu foi
para a Escola de Formação de Pilotos da Marinha. O final da guerra impediu que ele
fosse enviado para a frente de combate.
    Em 1951, aos 22 anos, Sadamu Uriu foi para a Universidade Takushoku, em Tóquio,
onde já estudava um de seus irmãos. Lá, além de se formar em Economia, iniciou o seu
treinamento em Karatê. Naquela época, no Japão, era nas faculdades que se iniciava o
aprendizado do Karatê, ao contrário da prática atual, em que mesmo crianças iniciam o
seu treinamento em academias especializadas. Seu professor foi o famoso Mestre
Nakayama, que por sua vez fora discípulo do lendário Mestre Gichin Funakoshi,
fundador do estilo Shotokan de Karatê e seu divulgador em todo o mundo.
    Nessa época havia treinamento de Karatê, mas não existiam graduações por faixa
nem competições, que só surgiram após a criação, em 1954, da Nihon Karate Kyokai
(atualmente Japan Karatê Association – JKA). Mestre Uriu graduou-se em karatê (faixa-
preta) pela JKA.
    Na Universidade Takushoku praticaram Karatê com Mestre Nakayama três outros
mestres importantes do Karatê, que acabaram também vindo para locais diversos no
Brasil: Higashino, no Distrito Federal, Tanaka, no Rio de Janeiro e Sagara, em São Paulo.
    Formado em Economia, Sadamu Uriu deparou-se com a extrema dificuldade de
conseguir emprego, decorrente da destruição de parte importante da economia japonesa
durante a guerra. Ele chegou a pensar em imigrar para a Indonésia, seguindo seu amigo
Habu, que hoje é professor universitário lá. Mas o mesmo Habu lhe falou sobre o Brasil e
as possibilidades de trabalho aqui, acabando por convencê-lo a tentar a vida em nosso
país.
    Assim, em 30 de dezembro de 1958, Mestre Uriu embarca, sem nenhum
acompanhante, no navio Maru para o Brasil, um navio do governo japonês destinado
para pessoas que desejassem emigrar para o Brasil. Nessa época, o governo japonês
mantinha contatos com japoneses já estabelecidos no Brasil e que precisassem de mão-
de-obra.
    A viagem dura 45 dias e Sadamu Uriu desembarca no porto de Santos/SP, dirigindo-
se em seguida para Pindamonhangaba/SP, para trabalhar na atividade agrícola na
fazenda de Yoshio Igarashi. Lá ele permanece três meses e conhece D. Aurora, uma das
filhas do Sr. Yoshio, que viria, mais tarde, a ser sua esposa.
    De Pindamonhangaba/SP, Sadamu Uriu vai para a capital, São Paulo, para trabalhar
na fábrica da Toyota, primeiro na linha de montagem e depois na área administrativa. O
então presidente da Toyota, Sr. Kiyoyasu Koide, que o contrata também formara-se na
Universidade Takushoku. O mais curioso, e um sinal adicional de que a vida de Sadamu
Uriu estava definitivamente associada às artes marciais, é que o presidente era faixa-
preta de 5º Dan de Judô e acabaria sendo seu padrinho de casamento.
    Na Toyota, Sadamu Uriu permanece dois anos, 1960 e 1961, tendo como colega de
trabalho, outro mestre importante do Karatê, Yasutaka Tanaka, que deixara o Japão um
mês depois de Uriu e, através da troca de cartas, viera se juntar a ele no trabalho na
agricultura. A amizade que uniu esses dois mestres atravessou o mar e o tempo e
permanece até os dias de hoje.
    Já estabelecido em São Paulo, Sadamu Uriu começa a se reunir com alguns de seus
ex-colegas da faculdade de Takushoku no Japão, também imigrantes, para treinar karatê.
Entre eles estavam os mestres Tetsuma Higashino, Yasutaka Tanaka e Juichi Sagara.
Naquela época não havia ainda a intenção de abrir academias para ensinar o karatê.
Atualmente, Uriu e Tanaka vivem no Rio de Janeiro e Sagara em São Paulo, tendo
Higashino falecido em 1987.
    Em 1961 Lirton Monassa (falecido em 2000) procurou Uriu e Tanaka em São Paulo
para que se transferissem para Rio de Janeiro para ensinar o karatê, o que eles fazem
em 1962, quando passam a lecionar na academia Kobukan, no bairro de Botafogo/RJ.
    É também em 1962, no dia 29 de setembro, que Sadamu Uriu, nesta época residindo
em Duque de Caxias/RJ, se casa com a Sra. Aurora Uriu. Deste casamento nascem dois
filhos, Cezar e Cid, ambos praticantes de karatê desde a infância. Cid Uriu é atualmente
engenheiro da Petrobrás, trabalhando na base de extração de petróleo da cidade de
Macaé, situada no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Cezar Uriu é engenheiro
mecânico, empresário e faixa-preta de 5º Dan, ocupando atualmente a presidência da
Confederação Brasileira de Karatê Shotokan (CBKS), fundada por Mestre Sadamu Uriu
em 1994.
    Após o início em 1962 na academia Kobukan, Mestre Uriu passa, em 1963, a lecionar
karatê três vezes por semana no Tijuca Atlético Clube, para um grupo de 30 alunos.
Nessa época, apareceram para assistir a um treino os tenentes Pacheco e Valporto, que
impressionados com a técnica do karatê convidaram Mestre Uriu para fazer uma
demonstração no Batalhão de Infantaria-Paraquedista.
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  • 1. ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA DEFESA SOCIAL POLÍCIA MILITAR DIRETORIA DE ENSINO – DE ACADEMIA CEL MILTON FREIRE DE ANDRADE DEFESA PESSOAL PARTE TEÓRICA DEFESA PESSOAL E CIDADANIA: UMA AGREGAÇÃO À LUZ DOS DIIREITOS Natal – RN Janeiro / 2006
  • 2. PAULO ROBERTO DE ALBUQUERQUE COSTA – TEN CEL PM DEFESA PESSOAL DEFESA PESSOAL E CIDADANIA: UMA AGREGAÇÃO À LUZ DOS DIIREITOS Apostila da disciplina Defesa Pessoal para as aulas teóricas do Curso de Formação de Oficiais – CFO/PMRN. Natal – RN Janeiro / 2006
  • 3. PENSAMENTO Nós pedimos com insistência: Não digam nunca: isso é natural! Diante dos acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão. Em que corre sangue. Em que se ordena à desordem. Em que a humanidade se desumaniza. Em que os arbitrários tem força de lei. Não diga nunca: isso é normal. Bertolt Brecht
  • 4. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .................................................................................................. 06 O INSTRUTOR ....................................................................................................... 07 COMENTÁRIOS DO INSTRUTOR ......................................................................... 08 CAPÍTULO 1 – O ALUNO ...................................................................................... 11 CAPÍTULO 2 – A ORIGEM DO PENSAMENTO MARCIAL .................................. 13 1. De onde veio a Palavra marcial ........................................................................... 13 2. Um pouco da História para melhor conhecer a origem das Artes Marciais ......... 15 3. História das Artes Marciais a serem Estudadas .................................................. 16 3.1 Origem e Evolução do Jiu Jitsu .......................................................................... 16 3.2 Na Índia .............................................................................................................. 17 3.3 Na China ............................................................................................................ 17 3.4 No Japão ............................................................................................................ 17 3.5 No Brasil ............................................................................................................ 18 3.6 No Rio de Janeiro .............................................................................................. 18 4. Origem e Evolução do Judô ................................................................................ 19 4.1 Jigoro Kano (1860 – 1938) ................................................................................ 19 4.3 Sobre a Fundação do Instituto Kodokan ........................................................... 20 4.4 A chegada do Judô no Brasil ............................................................................. 21 5. Origem e Evolução do Karatê .............................................................................. 22 5.1 Os Monges Oriundos da Índia ........................................................................... 22 5.2 Okinawa – O berço do Karatê Dô ...................................................................... 23 5.3 Gichin Funakoshi – O Pai do Karatê Moderno ................................................... 27 5.4 Oficialização do Karatê-Dô na educação escolar de Okinawa .......................... 29 5.5 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Japão ............................................................ 30 5.6 O missionário do Karatê-Dô Shotokan moderno ............................................... 30 5.7 A filosofia Budô .................................................................................................. 32 5.8 As conseqüências da guerra no Karatê-Dô ....................................................... 32 5.9 A propagação do Karatê-Dô Shotokan no mundo ............................................. 34 5.10 Início do Karatê no Brasil ................................................................................. 35 5.11 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Rio Grande do Norte .................................. 41 CAPÍTULO 3 – Direitos Humanos e Direitos Internacionais Humanitários ...... 44 1. Perguntas Chaves ................................................................................................ 44 2. Questões Éticas e Legais Relacionadas ao uso da Força e Arma de Fogo – Armas Letais ............................................................................................................ 44 3. O Direito a Vida a Liberdade e a Segurança de todos as Pessoas .................... 45
  • 5. 4. Uso da Força para Encarregados da Aplicação da Lei ....................................... 45 5. Princípios Básicos sob o Uso da Força e Arma de Fogo - Arma Letal............... 46 5.1 Dispositivos Gerais e Específicos ...................................................................... 47 5.2. Princípios Essenciais ........................................................................................ 48 5.3. Qualificação, Treinamento e Aconselhamento ................................................. 48 5.4. Uso de Armas .................................................................................................. 49 5.5 Uso Indevido de Força e Arma de Fogo ........................................................... 50 5.6. Opções de Uso de Força ................................................................................. 50 CAPÍTULO 4 – DO INTERROGATÓRIO JUDICIAL .............................................. 51 CAPÍTULO 5 – NOTAS PUBLICADAS NA IMPRENSA ....................................... 53 CAPÍTULO 6 – AS ARTES MARCIAIS NA SOCIEDADE ATUAL ........................ 57 1. A Prática das Artes Marciais ............................................................................... 58 2. O Karatê-Dô na Educação e Saúde da Criança ................................................. 58 CAPÍTULO 7 - DEFESA PESSOAL ....................................................................... 60 1. Que é Defesa Pessoal ........................................................................................ 60 2. Ainda sobre Defesa Pessoal ............................................................................... 60 3. Benefícios e Finalidade da Defesa Pessoal ........................................................ 61 CAPITULO 8 – DA AGRESSIVIDADE ................................................................... 63 1. Agressividade e Violência – um enfoque psicológico ......................................... 63 2. Origem Generalizada .......................................................................................... 63 3. O Ser Humano é Agressivo ................................................................................ 63 4. Tipos de Violência Imposta pela Máquina Estatal e o Sistema Econômico ........ 65 5. Violência e suas Modalidades ............................................................................. 65 6. Ação e Reação .................................................................................................... 66 7. Técnicas para a Dissolução da Violência ............................................................ 67 CAPÍTULO 9 - DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO .............................................. 69 1. Lesão Corporal à Luz da Lei ............................................................................... 69 2. Legitima Defesa a Luz da Lei .............................................................................. 71 2.1 Comentários acerca do art 25 CP ..................................................................... 71 2.2 Tenham cuidado ao responder uma agressão .................................................. 72 2.3 A Legislação reconhece o direito a defesa, mas condene excessos ............... 72 3. Emprego da Força .............................................................................................. 73 CAPÍTULO 10 – ABUSO DE AUTORIDADE ......................................................... 74 CAPÍTULO 11 – DA VIOLENCIA POLICIAL .......................................................... 76 A Violência Policial Militar no Exercício da Função ................................................ 76 CAPÍTULO 12 – ÉTICA ........................................................................................... 86 Introdução ............................................................................................................ 86
  • 6. 1. Que é Ética ? ...................................................................................................... 87 2. Que é Moral ? ..................................................................................................... 88 3. Que é Amoral ? ................................................................................................... 88 4. Conduta e Comportamento Humano ................................................................... 88 5. Influencia Ambiental ............................................................................................. 88 6. Controle na Formação da Consciência Ética ....................................................... 89 7. Consciência Ética ................................................................................................ 89 8. Vícios Sociais ...................................................................................................... 89 9. Conduta do Ser Humano em sua Comunidade e em sua classe ........................ 90 10. Classes Profissionais ......................................................................................... 90 11. Código de Ética ................................................................................................. 90 12. O que Consta nesse Código ............................................................................. 91 13. Base Filosófica do Karatê-Dô Shotokan ........................................................... 92 14. Julgamento da Conduta Ética de Classe .......................................................... 95 CAPÍTULO 13 – SOBREVIVENCIA POLICIAL ..................................................... 97 CAPÍTULO 14 AS ARTES MARCIAIS NA SOCIEDADE MODERNA .................. 98 CAPÍTULO 15 – ARTES MARCIAIS COMO ESPORTE ....................................... 100 CAPÍTULO 16 – DIFERENÇA ENTRE DEFESA PESSOAL E A ARTE MARCIAL ESPORTE .............................................................................................. 101 CAPÍTULO 17 – OS TREINAMENTOS .................................................................. 104 CAPÍTULO 18 – TÉCNICAS DE MANUSEIO COM BASTÃO ............................... 110 1. Bastão (Policial) ................................................................................................... 110 2. Tonfa I .................................................................................................................. 112 3. Tonfa II ................................................................................................................. 112 CAPITULO 19 – DEFININDO O QUE REALMENTE É DEFESA PESSOAL ......... 114 CAPÍTULO 20 – LEGISLAÇÃO – CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA – CONFEF E CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA - CREF 117 CAPÍTULO 21 – AULAS DE DEFESA PESSOAL – PRÁTICA DOJO .................. 117 CONCLUSÃO .......................................................................................................... 118 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 119 ANEXOS ................................................................................................................. 120 Anexo 1 – Lei 9.696, de 16 de setembro de 1998 .................................................. 121 Anexo 2 – Resolução nº 013/99 – Registro de não-graduados em Educação Física no CONFEF REVOGADA ............................................................................ 123 Anexo 3 – Resolução nº 021/00 – Dispõe sobre o registro de pessoas Jurídicas nos CREFs .............................................................................................................. 125 Anexo 4 – Lei nº 9.981, de 14 de julho de 2000. ..................................................... 127 Anexo 5 – Resolução nº 030/00 – Dispõe sobre os cursos para práticos ............... 136
  • 7. Anexo 6 – Resolução nº 036/00 – Dispões sobre o registro dos não graduados no CONFEF. ................................................................................................................. 137 Anexo 7 – Resolução COFEF nº 045/2002. – Dispões sobre o registro de não graduados em Educação Física no Sistema CONFEF/CREFs. ............................. 138 Anexo 8 – Resolução nº 039/01 – Dispões sobre data limite para registro de não graduados no CONFEF. .......................................................................................... 140 Anexo 9 – Lei Complementar nº 218, de 18 de setembro de 2001.- Autoriza a instituição de unidade administrativa que especifica na estrutura da Secretaria de Estado da Defesa Social, e dá outras providencias. ............................................... 141 - Plano de Matéria de curso de defesa pessoal. ..................................................... 143 - Capa de Avaliação ................................................................................................ 148 - Quadro Demonstrativo do Corpo Discente ........................................................... 149 - Quadro Horário das Instruções ............................................................................. - Termo de Matrícula ................................................................................................ 151 - Portaria de Matrículas ............................................................................................ 152 - Solicitação de Inscrição em Curso ......................................................................... 153 - Plano Didático da Academia de Polícia Militar Cel Milton Freire de Andrade ....... 154 - A Filosofia do Karatê-Dô ........................................................................................ 167 - O Karatê aplicado a Defesa Pessoal ..................................................................... 174 - CURRICULUM VITAE do Ten Cel Albuquerque ................................................... 179
  • 8. APRESENTAÇÃO Este trabalho é fruto de 25 anos de observações acerca da conduta e visão que policiais militares têm sobre a aplicação de técnicas de defesa pessoal, visão esta, totalmente distorcida, fruto da má orientação ao longo dos tempos em seus cursos de formação somada à falta de acompanhamento da evolução do mundo através dos tempos, fazendo uso deste mecanismo para, através da técnica e do uso da força, agredir não somente fisicamente, mas, principalmente, a integridade moral e psicológica do cidadão, negando-lhe os seus direitos, alegando muitas das vezes para isso, ter feito uso da “legítima defesa”. No entanto, objetivando não só transmitir os ensinamentos corretos a respeito da legalidade de se poder fazer uso das técnicas de defesa pessoal, procuramos, principalmente, conscientizar estes policiais do direito à cidadania que todos os povos e nações possuem dentro da legalidade. Dentro deste tema, foi necessário interligar a defesa pessoal à cidadania, à luz das leis vigentes não apenas do Brasil, mas, no mundo.
  • 9. O INSTRUTOR Ten Cel Albuquerque: UMA VIDA EM PROL DAS ARTES MARCIAIS Fotografia do Tc Albuquerque Ten Cel Albuquerque - 3º Dan de Karatê Shotokan Paulo Roberto de Albuquerque Costa, 3º Dan de Karatê estilo Shotokan / FBK / IJKA, Pernambucano de nascimento, Norteriograndense de coração, presidente da Federação Interestadual de Karatê Shotokan do Rio Grande do Norte pelo segundo mandato, proprietário da Escola de Karatê Shotokan de Natal, com mais de 30 anos de prática de Artes Marciais (defesa pessoal), dentre elas técnicas de Judô, Aikidô, capoeira e jiu jitsu, sendo especialista em técnicas de karatê aplicada à defesa pessoal, com vários títulos em campeonatos a nível estadual e nacional e cursos técnicos com os mais renomados Mestres de Karatê do Brasil e do Mundo. É instrutor de Defesa Pessoal dos Alunos Oficiais da APM/PMRN desde 1995.
  • 10. COMENTÁRIOS DO INSTRUTOR É visível nos dias atuais a expressiva demanda da sociedade pela prática de Defesa Pessoal no Brasil. O fenômeno decorre de fatores tais como o crescimento econômico, poder aquisitivo das pessoas, melhor qualidade de vida e principalmente a insegurança pública que assola a sociedade moderna brasileira. No entanto, cresce o número de academias nos centros urbanos. Neste sentido, cresce também o número de pessoas que se autodenominam professores ou mestres em artes marciais, abrindo suas academias e colocando em risco a saúde dos alunos, além de no caso de artes marciais, servirem de verdadeiras escolas motivadoras de prática de violência. Nesse pensamento, é que existe toda uma legislação desportiva e penal no Brasil, objetivando coibir essa prática clandestina ou irregular. No entanto, a Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, pelo motivo do seu crescimento, perdeu o controle da prática de instrução de defesa pessoal dentro da Corporação. Cada Unidade aplica os ensinamentos de defesa pessoal e artes marciais sem nenhum tipo de acompanhamento, sem critérios e sem se preocupar com os resultados advindo dessa instrução. Nesse sentido, o objetivo deste comentário é mostrar a necessidade de se analisar e discutir a prática de defesa pessoal na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, mostrando as suas irregularidades e sua impotencialidade diante de tal situação, chegando a causar comentários negativos no ambiente desportivo entre dirigentes de organizações e principalmente entre os verdadeiros professores de educação física e defesa pessoal. ANÁLISE CRÍTICA DA PRÁTICA DE DEFESA PESSOAL NA PMRN Inicialmente, verifica-se claramente a não valorização da prática de defesa pessoal na Policia Militar do Estado do Rio Grande do Norte. Outrossim, verifica-se também a falta de conhecimento aprofundado a respeito do tema prática de técnicas de defesa pessoal, ou seja, a falta de pessoas devidamente qualificada que possa debater o assunto tecnicamente e dentro da ótica da legislação desportiva vigente no Brasil na atualidade. Por essa falta a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, vem errando a cada dia em não dar o valor devido a essa prática na Corporação. Sua importância no contexto da formação educacional e o lapidamento do caráter não só do recruta iniciante, mas, principalmente, do policial tido como antigo na Polícia Militar.
  • 11. A prática da violência policial no Brasil e no mundo, vem sendo tratada também com a prática Planejada bem monitorada de defesa pessoal e artes marciais em geral. Nos países do primeiro mundo são construídos centros de treinamentos completamente equipados com todo o tipo de material necessário para o desenvolvimento das aulas, tamanha é a importância dispensada, pois, sabem do percentual de ajuda ao combate da violência através do equilíbrio entre a teoria (filosofia Budô) e a prática (mecânica). Na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, não existe um setor exclusivamente para cuidar apenas da prática da defesa pessoal e artes marciais, preferindo que cada Unidade cuide dessa instrução a seu mero prazer. Sem o conhecimento da forma de como está se desenvolvendo essa prática, principalmente por quem a ministra. Sabemos que o Conselho Federal de Educação física (CONFEF) juntamente com os Conselhos Regionais (CREFEs) vem fechando o cerco a todas as entidades e órgãos civis e militares do Brasil, com o objetivo de fechar os locais de treinamentos de prática de educação física e artes marciais em geral que não se encontram perfeitamente enquadrado dentro da Lei Federal nº 9.696, preferindo passar por constrangimento junto a opinião pública do que dar melhor atenção a necessidade, qualidade e legalidade dos trabalhos desenvolvidos com a prática da defesa pessoal na Corporação, colocando a frente pessoas qualificadas para coordenar através de um setor próprio, colaborando com a diminuição da prática de violência policial através do esporte (competições), da defesa pessoal científica e de artes marciais bem orientadas. NECESSIDADE DE UM DEPARTAMENTO DE DEFESA PESSOAL NA PMRN As más orientações repassadas nas aulas teóricas/prática de Defesa Pessoal aos policiais militares, colaboram com a prática da violência policial nas ocorrências que necessitam do emprego da força por parte dos agentes encarregados da manutenção da ordem pública. Todas as Policias do mundo possuem nas suas estruturas organizacional um setor que cuida especificamente da área de Defesa Pessoal como um todo; estes Setores, Departamentos ou Centros, já são uma realidade hoje no Brasil. Podemos citar por exemplo, dentre outras, a Policia Militar do Estado de São Paulo que tem um Centro de Treinamento de Defesa Pessoal, que trabalha em parceria com órgãos da área desportiva do Governo, que planeja, coordena e disciplina as atividades de Defesa Pessoal e Artes Marciais naquela organização policial militar.
  • 12. Nesta perspectiva, surge a necessidade urgente da criação e ativação de um Departamento de Defesa Pessoal para a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, com o objetivo de conduzir essa área tão importante nos dias atuais para uma organização policial e a sociedade em geral, não permitindo que aberrações venham a ocorrer isoladamente causando prejuízo a Corporação, sendo ela mesma a responsável direta pelo problema. Nesse pensamento, pesquisar a prática de Defesa Pessoal desenvolvida na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em particular nas Unidades da Grande Natal, seus reflexos no contexto educacional, social e operacional, a qualificação e regulamentação dos instrutores com fulcro na legislação desportiva em vigor no país, é necessário a criação e ativação de um Departamento de Defesa Pessoal, com a responsabilidade de planejar e coordenar todas as atividades na área de Defesa Pessoal e Artes Marciais na Instituição Policial Militar do Rio Grande do Norte. Ten Cel PM Albuquerque 3º Dan Instrutor de Defesa Pessoal
  • 13. CAPÍTULO 1 O ALUNO O aluno - Enraizado como um dos mais primitivos instintos da vida animal, vemos como o homem necessita de uma atenção maior do que o restante dos seres vivos para nascer, crescer, desenvolver-se e, finalmente, morrer. Em todas e em cada destas etapas o aprendizado é constante, ainda que a ordem de importância se veja mais acentuada nas primeiras fases. O aprendizado através da família, da sociedade e de própria experiência e personalidade joga um papel decisivo na formação integral da pessoa. A natureza, na maioria dos casos, influi na escolha do caminho a seguir em casos de dúvida. Se quiséssemos analisar os motivos que levam o homem à prática de uma arte marcial na sociedade moderna, veríamos que seria preciso uma investigação de psicologia social de longo alcance para podermos ter dados confiáveis e objetivos. No entanto, a experiência demonstra que, na maioria das vezes, estes motivos podem ser englobados em três grupos: formativos, recreativo e criativo, apesar de que sendo mais preciosos, nos damos conta que estes grupos ficam reduzidos a um apenas, que tem suas raízes na necessidade primária do homem de se relacionar e comunicar com seus semelhantes. Este relacionamento, por sua vez, está condicionado à idade, ao sexo e à personalidade tanto do educador quanto do educando. O esotérico e enigmático mundo das artes marciais e a relação do aluno com o professor adquirem transcendental importância. O respeito, a confiança e a estima que se professam são mútuas, chegando a alcançar níveis próprios de um alto grau de maturidade característico de uma sociedade hierárquica e humana, que forma a pedra angular sobre a qual está assentada a prática da arte marcial ou defesa pessoal. Numa escola de artes marciais o aluno tem uma função dupla, facilitada pelos diferentes graus de conhecimento refletidos na cor da faixa: uma de aprendizado através dos graus superiores, outra de docência para com os graus inferiores, por sentir-se incorporado como peça válida de uma corrente de conhecimentos, na qual recebe e dá simultaneamente, enriquecendo-se no constante fluir do aprendizado: a) Emprego da Força b) Emprego da força física
  • 14. c) Arte Marcial d) Defesa Pessoal e) Abuso de autoridade f) Legitima Defesa g) Equipamentos não letais h) Equipamentos letais
  • 15. CAPÍTULO 2 A ORIGEM DO PENSAMENTO MARCIAL 1. DE ONDE VEIO A PALAVRA MARCIAL? Segundo LACEY (1999), o Homem é uma raça que evoluiu de organismos unicelulares para o seu estado mias elevado por meio de uma série de transformações biológicas ocorridas a milhões de anos, onde muitos acreditam que o ser humano tinha vida marítima, uma pequena célula, que deu origem a uma outra forma de vida, e com o passar dos anos, foi tomando nova forma de vida até chegar no homem. NICHOLAS (1999), afirma que Antropólogos acreditam que o homem tem sua origem em macacos antropóides, ou que este foi derivado de um ancestral antropóide em comum, que ao longo de milhões de anos evoluiu, mudando de forma até chegar no seu estado mais elevado, o homem, o que segundo eles, explica a existência do homem das cavernas, que seria uma das fases da evolução do homem. Mas entre as diversas teorias sugeridas pelos Antropólogos evolucionistas, nenhuma delas possui comprovação aceita pela maioria dos estudiosos da antropologia, existem sim muitos casos isolados, mas que não oferecem nada de real, e além disso não há descobertas cientificas ou arqueológico para dar sustentação a nenhuma destas teorias. Afirmam alguns cientistas que aproximadamente há 5 milhões de anos, surgia o homem sobre o planeta Terra, tendo provavelmente como berço o continente africano. Tinha início o longo, sangrento e, por vezes, glorioso caminhar da História. Os estudiosos tradicionais dividiam a evolução humana em dois períodos: a Pré- História, caracterizada pela ausência de escrita, e a História propriamente dita, quando se formaram as primeiras civilizações. Essa divisão é bastante simplista e conceitualmente errada, pois, sendo o homem um agente histórico por definição, seu aparecimento e suas primeiras atividades já caracterizam uma realidade que, efetivamente, pode ser denominada de “histórica”. Além disso, os antigos historiadores definiam a Pré-História pelo critério da carência: ausência de Estado, falta de sofisticação tecnológica, economia estritamente de subsistência e desconhecimento da escrita. Em suma, comunidades selvagens e, por conseguinte, desprovidas de História. Essa visão nos parece preconceituosa, pois parte do conceito de que o processo civilizatório só teve início quando nasceram as estruturas e os valores que a nossa cultura, neles baseada, define como tais. Também a Pré-História é dividida em períodos: o Paleolítico, o Mesolítico e a Idade dos Metais, desdobrada em período do Bronze e o do Ferro. As idéias gerais da teoria da evolução das espécies sofreram, aos poucos, alterações e aperfeiçoamentos. Todavia, as bases do evolucionismo subsistem até hoje e o nome de Darwin
  • 16. (Charles Darwin, naturalista inglês (1809-1882), à sua doutrina.) ficou ligado a uma das mais notáveis concepções do espírito humano. Acreditamos que desde o primeiro golpe desferido com um osso em direção a um objeto ou ser vivo originou os golpes de espada que hoje aperfeiçoados, denotam a perfeição da técnica atual em relação às suas origens. É inevitável não estabelecermos a origem do pensamento marcial às guerras. Daí o fato de ser chamado de artes marciais, que remonta a origem do deus marte, ou o deus da guerra. Explicarei melhor: MITOLOGIA (Aurélio Buarque de Holanda): s. f. 1. Descrição geral dos mitos. 2. Estudo dos mitos. 3. História dos mistérios, cerimônias e culto com que os pagãos reverenciavam os seus deuses e heróis. MITO (Aurélio Buarque de Holanda): s. m. 1. Fábula que relata a história dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade pagã. 2. Interpretação primitiva e ingênua do mundo e de sua origem. 3. Coisa inacreditável. 4. Enigma. 5. Utopia. 6. Pessoa ou coisa incompreensível. Marte (Ares), deus sanguinário e detestado pelos imortais, nunca teve grande importância entre as populações helênicas. Em numerosas localidades, parece até haver sido inteiramente desconhecido, e se o seu culto conservou na Lacônia importância maior que alhures, deve-se à rudeza dos habitantes de tal país. Foi somente entre os romanos que Marte adquiriu importância verdadeira e permanente; o tipo de Palas conformava-se muito mais ao gênio grego. Com efeito, Palas é a inteligência guerreira, ao passo que Marte nada mais é do que a personificação da carnificina. Ávido de matar, pouco lhe importa saber de que lado está a justiça e cuida apenas de tornar mais furiosa a luta. O deus da guerra e da violência aparece-nos sempre em atitude de repouso. Tem, por vezes, numa das mãos a Vitória, como Júpiter ou Minerva. Vemo-lo com tal aspecto numa famosa estátua da Villa Albani. Uma linda pedra gravada mostra Marte segurando com uma das mãos a Vitória e com a outra a oliveira, símbolo da paz proporcionada pela vitória. A maioria das vezes usa um capacete e empunha uma lança ou gládio. Aparece, assim, em várias medalhas, mas as estátuas que o representam isoladamente não são demasiadamente comuns entre os gregos. Entretanto, a bela estátua do Louvre, conhecida pelo nome de Aquiles Borghese passa hoje por ser um Marte. Explica-se o elo que usa num dos pés pelo hábito de certos povos, e notadamente os lacedemônios, de agrilhoarem o deus da guerra.
  • 17. Parece ter sido o escultor Alcameno de Atenas quem fixou o tipo de Marte, tal qual surge habitualmente nos monumentos artísticos. Os atributos habituais do deus são o lobo, o escudo e a lança com alguns troféus. Uma medalha cunhada na época de Seotímio Severo nos mostra Marte com uma lança, um escudo e uma escada para o ataque. Sob tal aspecto, Marte recebe o epíteto de Teichosipletes (o que sacode as muralhas). Resumindo, no que conhecemos por história, Bodhidharma é o pai das artes Marciais. Dizem na China que, quando o homem de Nenderthal utilizou-se pela primeira vez de um osso ou de uma pedra para melhorar suas qualidade na luta, surgiu o KUNG FU. Pois bem, iremos abordar um pouco de história para melhor conhecer a origem das Artes Marciais. 2. UM POUCO DA HISTÓRIA PARA MELHOR CONHECER A ORIGEM DAS ARTES MARCIAIS Existem grandes obras elaboradas, por filósofos de comprovada idoneidade que mencionam na China, a prática do Kung Fu, muitos milhares de anos antes de Cristo. No entanto, existem ainda, muita discordância a respeito de sua origem. Ali pelo ano de 525 da era Cristã, atravessou a fronteira Chinesa, vindo da Índia, pelo "Caminho da Sêda", o 28º patriarca do Budismo que se chamava Bodhisatva Avalokitesvara Bodhidharma, (mais conhecido na China por Ta Mo), esse monge constatou a diversificação dos dogmas do Budismo Chinês e, em busca da Iluminação, ingressou no Templo Shao-Lin, na província de Honan e, pôs-se a meditar durante nove anos frente a um muro. Terminando o período de meditação, tomado por um acesso de mística, Bodhidharma recodificou o sistema ginástico denominado Kung Fu, filosoficamente comparou-o aos movimentos dos animais e uni-o a um característico "modus vivendi" estreitamente unido a natureza. Na mesma época, revolucionou o pensamento budico (recatado) universal, redescobrindo a meditação como forma de redescobrimento do homem. (Em crônicas posteriores abordaremos o aspecto filosófico). Mais ou menos mil anos após a morte de Bodhidharma, o Império Chinês foi invadido pelos bárbaros do norte, conhecidos como Manchus. A antiga dinastia dos Ming foi derrubada e seus oficiais esconderam-se no templo Shao-Lin. A fuga dos Oficiais Ming para o templo Shao-Lin representou papel importante na historia do Kung Fu, lá praticadas, foram aperfeiçoadas e ganharam um caráter mais bélico e marcial. Adaptando-se inclusive, à utilização de diversos tipos de armas. Porém, por esse motivo o templo Shao-Lin foi destruído e, embora tenha sido reconstruído em outro local, foi novamente destruído, provocando a disseminação dessa luta através de toda a China. No que se refere a Bodhidharma, como sempre acontece com as lendas, tornou-se impossível separar fato de ficção. As datas são incertas. De fato, eu conheço pelo menos um
  • 18. erudito budista que duvida que Bodhidharma tenha existido. Mas correndo o risco de escrever sobre um homem que nunca existiu, eu esbocei uma biografia, baseada nos registros mais recentes e algumas suposições, para fornecer um cenário para os sermões a ele atribuídos. Bodhidharma nasceu em torno do ano 440 em Kanchi, capital do reino sulista indiano de Pallawa. Ele era um brâmane de nascimento e o terceiro filho do Rei Simhavarman. Quando ele era jovem, ele converteu-se ao budismo, e mais tarde o Dharma lhe foi ensinado por Prajnatara, de Magadha, que foi convidado pelo seu pai. Magadha era o antigo centro do budismo. Também foi Prajnatara quem disse para Bodhidharma ir para China. Uma vez que a tradicional rota terrestre estava bloqueada pelos hunos, e uma vez que Pallawa tinha laços comerciais por todo Sudeste Asiático, Bodhidharma partiu de navio de um porto nas proximidades, Mahaballipuram. Depois de contornar a costa da Índia e a Península da Malásia por três anos, ele finalmente chegou ao sul da China ao redor do ano 475. Nessa época o país estava dividido pelas dinastias Wei do norte e Liu Sung. Essa divisão da China numa série de dinastias nortistas e sulistas começou no início do Séc. III e continuou até o país ser reunificado sob a dinastia Sui no fim do Séc. VI. Foi durante esse período de divisão e conflito que o budismo indiano transformou-se em budismo chinês, com os nortistas de mente militarista enfatizando meditação e mágica e os intelectuais sulistas preferindo discussão filosófica e a compreensão intuitiva de princípios. Quando Bodhidharma chegou à China, no fim do Séc. V, haviam aproximadamente 2 mil templos budistas e 36 mil clérigos no sul. Ao norte, um recenseamento em 477 contou 6,5 mil templos e aproximadamente 80 mil clérigos. Menos de 50 anos mais tarde, outro recenseamento feito ao norte aumentou esses números para 30 mil templos e 2 milhões de clérigos, ou cerca de 5% da população. Sem dúvida, isso incluía muitas pessoas que estavam tentando evitar impostos ou recrutamento ou que procuravam a proteção da igreja por outras razões não religiosas, mas claramente o budismo estava espalhando-se pelas pessoas comuns ao norte do Rio Yangtze. No sul, permaneceu muito confinado à elite educada até o Séc. VI. Muitas são as lendas que permeiam as origens dos pensamentos relacionados às artes de guerra. Desde que as origens da religião “shinto” se estabeleceram o Japão como filhos de deus, muito se fala a respeito das artes marciais japonesas, mas até onde tudo é verdade ou frutos da mitologia criada pelo homem? 3. HISTÓRIA DAS ARTES MARCIAIS A SEREM ESTUDADAS 3.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DO JIU-JITSU O Jiu-Jitsu foi criado na Índia, aproximadamente a 2.000 anos antes de Cristo, numa pequena e pacata vila interiorana sem recursos para confecção de armas ou grandes sistemas
  • 19. de defesa, observando as posições em que, de um "meio suave", seria possível aos seus habitantes desequilibrar, derrubar e defender-se de seus ofensores. Após uma invasão de tropas chinesas à Índia, foi levado para a região do rio Meckong e usado por lavradores para defenderem-se de salteadores e andarilhos hostis. Eventualmente, foi introduzido no Japão e lá foi aperfeiçoado adicionando-se torções de articulações, estrangulamentos, imobilizações e alavancas, o que tornou o Jiu-Jitsu mais eficiente numa luta de corpo-a-corpo e na defesa pessoal. Com o início da entrada da cultura ocidental no Japão, foi solicitado a Jigoro Kano, excelente atleta de jiu-jitsu, que desenvolvesse uma modalidade que assemelhasse com o jiu- jitsu e que não deixasse transparecer as técnicas eficientes e secretas da nobre arte; Jigoro Kano, então, desenvolveu o Judô, baseado em projeções e imobilizações com bastante finalizações, muito assemelhado ao princípio do jiu-jitsu em sua fase chinesa. O Jiu-Jitsu foi introduzido no Brasil em 1920 por ESAI MAEDA, cônsul japonês no Pará. 3.2 Na Índia Segundo os antigos e o conhecimento verbal, esta arte (Jiu-Jitsu), teria se iniciado na antiga Índia. Em especial pelos monges. Segundo os princípios religiosos os monges não podiam usar de agressividade e sim desvencilhar de um súbito ataque ou mesmo imobilizar o assaltante em suas peregrinações pelo mundo afora. 3.3 Na China A China pôr sua vez caracterizou o Jiu-Jitsu como prática bélica, pois esta civilização desenvolveu um grande número de estilos de artes marciais. O Jiu-Jitsu era praticado com um kimono curto de mãos livres, além da luta corporal, tinha grande importância no desarmamento. Sua prática chega no auge na época dos “Reinos Combatentes” e na unificação da China por “ Chin Shih Huang Ti". 3.4 No Japão O Jiu-Jitsu chega ao Japão no séc.II depois de Cristo, advindo da China. Muitas foram as correntes que transmitiram esta arte ao país do " Sol Nascente", inclusive, existem inúmeras lendas nipônicas relacionadas à criação e artes marciais. A história registrada em 1.600, afirma que um monge chinês "Chen Gen Pin" teria ensinado três Samurais, a cada qual ensinara uma especialização a saber: Atemi, torções e projeções. E estes difundidos a todo o japão, ou mesmo se fundindo com outras escolas de jiu-jitsu. No Japão Feudal se utilizam inúmeros nomes relacionados com o Jiu-Jitsu, alguns se divergiam em fundamentos técnicos
  • 20. outros eram extremamente semelhantes; Aikijitsu, Tai Jitsu, Yawara, Kempô, e mesmo o termo Jiu-Jitsu se dividia entre estilos como: Kito ryu, Shito Ryu, Tejin e outros. É nesta época, onde a forte divisão da calsse social japonesa enaltecia a nobreza dos Samurais que o Jiu-Jitsu se desenvolve a fundo. Os pequenos nipônicos aperfeiçoam a arte de lutar, onde poderiam decidir a vida ou a morte de um guerreiro em disputa. Era então o Jiu-Jitsu, uma prática obrigatória aos jovens que futuramente seriam "Samurais" ao lado da esgrima, literatura, pintura, cavalaria e outros. 3.5 No Brasil Carlos Gracie, que fora treinado por Mitsuo Maeda passa pôr Minas Gerais e em Belo Horizonte ministra algumas aulas num hotel da região. Em seguida vem para São Paulo e no bairro das Perdizes monta uma academia. Sem o sucesso desejado se instala no Rio de Janeiro e na Capital começa a ensinar, e também a seus irmãos: George, Gastão, Hélio e Oswaldo. Hélio Gracie passa a ser o grande nome e difusor do Jiu-Jitsu. Já instalado no Rio, forma inúmeros discipulos. George Gracie foi um desbravador, viajou por todo o Brasil, no entanto, estimulou muito o Jiu-Jitsu em São Paulo, tendo como alunos: Otávio de Almeida, Nahum Rabay, Candoca, Osvaldo Carnivalle , Romeu Bertho e muitos outros. Alguns continuam na ativa. No Rio de Janeiro mais especificadamente na zona oeste, o mestre “Fada” foi notoriamente um dos baluartes do Jiu-Jitsu, tendo grande número de formados. Enquanto isso, na mesma época de Mitsuo Maeda, outros japoneses continuaram difundindo o Jiu-Jitsu. “Geo Omori” por exemplo, aceitava desafios no picadeiro do circo “queirolhos” e foi ele também quem fundou a primeira Academia do Brasil, em São Paulo no Frontão do Braz na Rua: Rangel Pestana , no ano de 1925 ( Segundo o historiador Inezil Penna). Os irmãos Ono vieram ao Brasil na década de 30 advindos de um renomado mestre de Jiu-Jitsu do Japão. Aqui no Brasil formaram muitos alunos mas acabaram por adotar a prática do Judô. Takeo Yuano muito conceituado por sua exímia técnica, viajou por todo o Brasil e ensinou Jiu-Jitsu em cidades como São Paulo e principalmente em minas Gerais, onde lecionou e até estimulou a criação da Federação local. 3.6 No Rio de Janeiro Conhecida como a “Meca” do Jiu-Jitsu, por ter concentrado praticamente toda a Família Gracie.Os grandes nomes da família Gracie depois de Hélio foram: Carlson e Rolls Gracie. Atualmente Rickson Gracie é reconhecido como o melhor lutador do mundo! A primeira organização do Brasil, foi a fundação da Federação Carioca, formada por Hélio e continuada por Robson Gracie. Atualmente existe a Confederação Brasileira e Mundial, comandadas por Carlos Gracie Júnior.
  • 21. 4. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO JUDÔ 4.1 O JUDÔ O Judô de hoje é baseado no velho Jiu Jitsu. Das técnicas deste último, reexaminadas, apuradas, sistematizadas e ajuntadas a um ideal, deriva o Judô. O início do desenvolvimento histórico do combate corporal se perde na noite dos tempos. A luta, inclusive por necessidade e sobrevivência, nasceu com o homem e, a esse respeito, os documentos remontam os tempos mitológicos. Um manuscrito muito antigo, o Takanogawi, relata que os “deuses” Kashima e Kadori mantinham poderes sobre os seus súditos graças às suas habilidades de ataque e defesa. A Crônica Antiga do Japão (Nihon Shoki), escrita por ordem imperial no ano de 720 de nossa era, menciona a existência de certos golpes de habilidade e destreza, não apenas utilizados nos combates corporais mas também, como complemento da força física, espiritual e mental, relatando uma história mitológica na qual um dos competidores, agarrando o adversário pela mão, o joga ao solo, como se lançasse uma folha. Segundo alguns historiadores japoneses, o mais antigo relato de um combate corporal ocorreu em 230 aC, na presença do imperador Suinin. Taimano Kehaya, um lutador insolente foi rapidamente nocauteado por um terrível cultor do combate sem armas, Nomino Sukune. Naquele tempo não havia regras e combate padronizadas. As lutas poderiam desenvolver-se até a morte de um dos competidores. As técnicas de ataque e defesa utilizadas guardam muita semelhança com os golpes do sumô e do antigo ju-jitsu. 4.2 Jigoro Kano (1860-1938) Jigoro Kano nasceu no Japão em 28 de outubro de 1860 (fim da dinastia Tokugawa) em Mikagemachi, Condado de Huko, Distrito de Hyogo. Era o terceiro filho de Jirosaku Mareshiba Kano, alto funcionáro da Marinha Imperial. Com onze anos transferiu-se para Kioto para estudar o idioma inglês, tornou-se professor e tradutor dessa língua. chegando inclusive a montar em Tókio sua própria escola, o Kobunkan. Quem lhe ensinou os primeiros passos no Jiu-Jitsu foi o professor Teinosuke Yagui. Aos dezessete anos matriculou-se na Escola Tenchin Shinyo Ryou sendo seus professores os mestres Hachinosuke Fukuda e Masotono Iso, logo foi a estudar na famosa escola Kito Ryou com o Mestre Tsunetoshi Iikugo. Em 1882, ano de sua formatura em Filosofia, Economia e Ciências Políticas pela Universidade Imperial de Tókio, Jigoro Kano fundou sua escola o Kodokan no templo budista Eisho onde começa a ensinar o novo esporte criado por ele: o Judô. Seu primeiro aluno foi Tsunejiro Tomita. A cultura do Dr. Jigoro Kano lhe possibilitou ascender a altos postos no ensino, no esporte e no governo de seu país. Foi Professor, Vice-presidente e Reitor do Colégio dos
  • 22. Nobres, Adido do Ministro da Casa Imperial, Conselheiro do Ministro da Educação Nacional, Diretor da Escola Normal Superior e ainda, Secretário da Educação Nacional. Fundou sociedades e institutos para jovens e também o primeiro clube de beisebol do Japão. Editou revistas, viajou para Europa e América do Norte em missão cultural. Foi ainda Diretor da Educação Primária, Presidente do Centro de Estudos das Artes Marciais (Botukukai) e o primeiro japonês a pertencer ao Comitê Olímpico Internacional, alem de Presidente da Federação Desportiva do Japão. Em 1920 passou a dedicar-se exclusivamente ao Judô, ainda como membro da Câmara Alta, Professor Honorário da Escola Normal Superior de Tóquio e Conselheiro do Gabinete Japonês de Educação Física. Foi o introdutor da Educação Física no plano educacional do Japão. O Dr Jigoro Kano morreu no dia 4 de maio de 1938, com 77 anos de idade quando voltava da Assembléia Geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos, postumamente foi- lhe outorgado o Segundo Grau na Escala Imperial Japonesa. Foi o único a obter 12. Dan. O Dr. Jigoro Kano é conhecido mundialmente como um grande educador. 4.3 Sobre a Fundação do Instituto Kodokan O prof. Kano estabeleceu o Instituto Kodokan em 1882, época em que o dojô (local de treino) tinha apenas 12 tatamis e o número de alunos era nove. O ju-jitsu foi substituído pelo judô pela razão de que enquanto "jitsu" significa técnica o "do" significa caminho, este último podendo ter dois significados: o de um caminho em que você anda e passa e o de uma maneira de viver. Como meio de ensino, no Kodokan, Jigoro Kano adotou o randori, kata e métodos catequéticos, adicionando educação física ao treinamento intelectual e à cultura moral. A harmonia desses três aspectos de educação constituem a educação ideal pela qual o judô será ensinado. Ao redor do ano 20 da era Meiji (1887), o judô tinha dominado o ju-jitsu, que foi varrido de vários países. O princípio do "JU", do judô, passou a significar o mesmo que na frase "gentileza é mais importante que obstinação". Assim a teoria do "JU", que é gentileza, suavidade, pretende utilizar a força do oponente sem agir contra ela, podendo ser aplicada não somente na competição mas também aos aspectos humanos. O prof. Kano disse em 1910 que a teoria da cultivação da energia tratava de adotar um método para melhorar a habilidade mental e física pelo armazenamento de ambas quanto for possível. Ele disse que o seu bom uso é cultivar e usar a energia humana para o bem e que a teoria pode ser adquiri-la através do treinamento de judô, podendo ainda ser ampliada para todos os aspectos da vida. Antes de se expandir, o conceito de judô do professor veio a formar dois grandes guias: o melhor uso da energia individual e o bem estar mútuo. Com estes princípios o judô expandiu-se no próprio Japão e no exterior. Com esta base, o prof. Kano
  • 23. deixou como ensinamento que através do treinamento a pessoa deve se disciplinar, cultivar o seu corpo e espírito através das técnicas de ataque e defesa, fazendo engrandecer a essência do caminho. O melhor uso da energia e o bem estar mútuo são uma versão resumida dos ensinamentos de Jigoro Kano, que definiu como objetivo último do judô construir a perfeição de uma pessoa e beneficiar o mundo. 4.4 A Chegada do Judô no Brasil Em 1904, Koma ao lado de Sanshiro Satake, saiu do Japão. Seguiram então para os Estados Unidos, México, Cuba, Honduras, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru (onde conheceram Laku, mestre em ju-jitsu que dava aulas para a polícia peruana), Chile, onde mantiveram contato com outro lutador, (Okura), Argentina (foram apresentados a Shimitsu) e Uruguai. Ao lado da troupe que a eles se juntou nos países sul-americanos, Koma exibiu-se pela primeira vez no Brasil em Porto Alegre. Seguiram depois para o Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, São Luís, Belém (em outubro de 1915) e finalmente Manaus, no dia 18 de dezembro do mesmo ano. A passagem pelas cidades brasileiras foi marcada apenas por rápidas apresentações. Por sua elegância e semblante sempre triste, Mitsuyo Maeda ganhou o apelido de Conde Koma durante o período que ficou no México. A primeira apresentação do grupo japonês em Manaus, intermediado pelo empresário Otávio Pires Júnior, em 20 de dezembro de 1915, aconteceu no teatro Politeama. Foram apresentadas técnicas de torções, defesas de agarrões, chaves de articulação, demonstração com armas japonesas e desafio ao público. Com o sucesso dos espetáculos, os desafios contra os membros da equipe multiplicaram. Entre os desafiantes, boxeadores como Adolfo Corbiniano, de Barbados, e lutadores de luta livre romana como o árabe Nagib Asef e Severino Sales. Na época Manaus vivia o "boom" da borracha e com isso as lutas eram recheadas de apostas milionárias, feitas pelos barões dos seringais. De 4 a 8 de janeiro de 1916, foi realizado o primeiro Campeonato de Ju-jitsu amazonense. O campeão geral foi Satake. Conde Koma não lutou desta vez, ficando apenas com a organização do evento. No dia seguinte (09/01/1916), o Conde, ao lado de Okura e Shimitsu, embarcou para Liverpool, na Inglaterra, onde permaneceram até 1917. Enquanto a dupla permaneceu no Reino Unido, Satake e Laku seguiram lecionando ju-jitsu japonês aos amazonenses no Atlético Rio Negro. E os mestres orientais continuaram vencendo combates a que eram desafiados. Até que em novembro de 1916, o lutador italiano Alfredi Leconti, empresariado por Gastão Gracie, então sócio no American Circus com os Irmãos Queirollo, chegou a Manaus para mais um desafio. Sataki que estava adoentado cedeu seu lugar para Laku, sendo este derrotado por Leconti. Sataki, em recuperação, seria o próximo adversário do
  • 24. italiano, mas devido a brigas geradas por ocasião do combate entre Laku e o desafiante, o delegado Bráulio Pinto resolve proibir outras lutas na capital. Em 1917, de volta ao Brasil, mais especificamente em Belém, e tendo ao lado sua companheira, a inglesa May Iris Maeda, Conde Koma ingressa no American Circus onde conhece finalmente Gatão Gracie. Em novembro de 1919, o Conde retorna a Manaus, agora na condição de desafiante de seu amigo Satake. Foi então que aconteceu a única derrota de Koma em toda sua carreira. Na biografia anterior diziam que ele nunca havia sido derrotado. Então ele volta para Belém e em 1920, já com a crise da borracha, é desfeito o American Circus. Com isso, Mitsuo Maeda embarca novamente para a Inglaterra. Em 1922, regressa como agente de imigração, trabalhando pela Companhia Industrial Amazonense e começa a ensinar judô aos belenenses na Vila Bolonha. No mesmo ano, seu ex-companheiro Satake embarca para a Europa e nunca mais se tem notícias do grande mestre.Conde Koma continuou em Belém, falecendo em julho de 1941. Carlos e Hélio Gracie, filhos de Gastão seguiram atuando no ju-jitsu, modalidade que aprenderam com Koma no circo do pai. 5. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO KARATÊ 5.1 Os monges oriundos da índia A história do Karatê perde-se no tempo. Formas de defesa pessoal que usavam os próprios membros como armas, foram vistas em muitos lugares do mundo em épocas bem distantes. A teoria mais aceita hoje sobre sua origem é a de que um monge – Daruma – vindo da Índia para a China teria trazido os ensinamentos de uma luta ao Mosteiro Shaolin. Na China, sob a orientação de Dharma (Bodhidharma), e como os monges passavam muitas horas em meditação, permaneciam muitas horas imóveis, o que aliado aos meios de subsistência, faziam com que os monges se tornassem mais volúveis às doenças. Então, Dharma, iniciou com estes monges a prática de uma atividade física, com o intuito de lhes estabelecer a força física e espiritual. Foi assim que nascia o Kempô e passado pouco tempo, pelas suas técnicas bastante eficazes, estes monges eram temidos principalmente pelos salteadores de estradas da época. No século XIV, o Kempô foi introduzido em Okinawa. Lá se desenvolveu desmembrando-se em três escolas importantes, sendo elas: a Shuri-Tê, na cidade de Shuri, antiga capital onde a realeza e os nobres viviam; a Naha-Tê, na cidade de Naha e a Tomari-Tê na cidade de Kume.
  • 25. Mais tarde, no século XIX, esta prática sofre algumas alterações técnicas, introduzidas por Matsumura, e passa a ser designada por Karatê. Este trabalho foi continuado por Itosu Anko, Ginchin Funakoshi, Mabuni, Nakayama, Asai e tantos outros que continuam a desenvolver o Karatê e criam novos estilos Ginchin Funakoshi, após uma apresentação pública de Karatê no Japão, em 1922, passa a ser considerado o grande renovador desta arte marcial, uma vez que foi o primeiro a conciliar o Karatê com os aspéctos físicos do desenvolvimento humano. 5.2 Okinawa – O berço do karatê-dô Denominado pelos chineses de “Ryu Ryu”, estende-se por mais de 800 Km, um vasto grupo de ilhas desde o promontório de Kogoshima (extremo sul do Japão) até a ilha de Taiwan (formosa). Do centro desta grande ilha, de vários tamanhos, esparsas como poeira salpicando o mar, entre os arquipélagos menores Yiaciama e Myato, destaca- se Okinawa com 1.500 Km 2 , ocupando, sozinha, 53 % da superfície do Ryu Ryu. “Oki”, oceano ou grande, “Nawa”, cadeia, corrente ou corda – em japonês – essa ilha tem uma centena de quilômetros de comprimento para uma largura de 30 a apenas 4 quilômetros – quando se pode ver o Mar da China a oeste e o Oceano Pacífico a leste. Seu aspecto é realmente o de uma corda nodosa flutuante. Ao Norte, montanhas verdes e rugosas ou vulcânicas, belas encostas de corais, baías de águas límpidas e praias brancas e muito sol. Ao sul na parte mais baixa, campos de arroz, plantações de nananeiras e cana-de-açúcar e por todo o litoral pequenos pontos de pesca e pequenas aldeias. É enganosa a tranqüilidade aparente do local. O inverno é ameno, o verão é terrível, sol forte e chuvas trazidas pelas “monções” (vento típico e periódico do sul e sudeste asiático) quase sempre acompanhadas por devastadores tufões. A vida em Okinawa sempre foi rude. Para se adaptar ao meio naturalmente hostil e extrair seu alimento de um solo fino e impróprio ao cultivo, o habitante de Okinawa precisou forjar a vontade, a tenacidade e a engenhosidade – qualidade que teria que ter ainda em dobro em face de sucessivos invasores que pretendiam subjugá-lo, a todo custo.
  • 26. O instinto de sobrevivência faria surgir recursos de resistência, técnicas de combate a mãos nuas (ancestrais do Karatê) ou com armas improvisadas (ancestrais do KoBudo – Sai, Bo, Nuchako, Kama, Tonfa, Chimbe, Tekko, etc). Pescadores e agricultores de índole talvez pacífica conheceram uma história tumultuada sobretudo pela opressão dos poderosos chineses e japoneses. Pela preservação da própria individualidade e hostis a toda tentativa de integração, geração, acabaram por forjar a alma do povo okinawense, como uma Segunda natureza. Hoje ainda, embora território japonês, Okinawa se sente muito diferente do restante do Japão. De todas as etnias que vieram se fundir em Okinawa, o elemento puramente japonês foi provavelmente o último, introduzido a partir do século 14 – época em que a casta militar nipônica pretendia subjugar a ilha. A situação geográfica fez com que o local sofresse, em todas as épocas, a influência de uma grande variedade de culturas, principalmente de seus vizinhos mais poderosos: China e Japão. Rota de comércio japonês, chinês, filipino ou malásio; ponto de escala e objeto de cobiça dos navios piratas vindo de todos os horizontes; entrada estratégica de toda região adjacente. Okinawa acumulou, por muito tempo – aliada a seu sofrimento de resistência – toda uma bagagem cultural e artística rica e fecunda. Até o século 13, pouco se sabe sobre a história de Okinawa. A ilha encontrava-se retalhada por clãs rivais que se enfrentavam continuamente. A figura de Shuten ou Shoto (senhor de Urasor) emerge como provável primeiro rei de Okinawa e que construiu um sistema de defesa fortificado do qual ainda restam vestígios. Esse fato histórico ainda marca o início da ascensão de uma de uma classe guerreira de nativos que iria se firmando e se individualizando. No século 14, relações comerciais seguidas estabeleceram-se com a China, a Coréia, o Japão e, mais além, com Java e Sumatra. Sabe-se que em 1372, o rei Okinawense Satto prestou voto de obediência ao Império chinês Ming (1468-1644), ao qual passou a pagar tributo. Em 1429, a ilha foi unificada pelo rei Sho Hanshu que, pela primeira vez soube reunir as velhas províncias de Chuzan, Hokuzan e Nazan. Era a época em que as grandes aldeias de Naha e de Shuri se tornavam cidades comerciais prósperas, entrepostos de todos os pontos os produtos do sudeste asiático e onde se acotovelavam japoneses, chines, indianos, malásios, thais e árabes. É também nessa época que a China da Dinastia Ming, enviou
  • 27. importante grupo de artesãos e artistas – mencionados em antigos documentos como “As 36 Famílias”. Entre esses chineses, sem dúvida, encontravam-se indivíduos que tinham conhecimento tas técnicas de Boxe Chinês. São os primeiros vestígios de Shaolin Zu Kempo ou Chun-Fa importados” por Okinawa. Mas nada permite afirmar que essa arte tenha oficialmente sido introduzida na ilha por verdadeiros mestres. Esse primeiro impacto, ainda superficial, deu-se provavelmente na pequena cidade de Kumemura onde estava instalada a parte essencial do grupo de imigrantes chineses. Enfim, uma Quarta cidade, Tomari, passou a crescer e mais tarde a se constituir no centro de um estilo próprio de Karatê (Shuri e Tomari hoje estão incorporadas à cidade de Naha). Nessa época da história de Okinawa, situa-se um elemento capital que iria decidir sobre a orientação das Artes Marciais já conhecidas na ilha: a promulgação de um édito que proibia o uso, o porte ou a conservação de armas de qualquer natureza. Foram estas recolhidas em praça pública e estocadas em entrepostos severamente guardados, no intuito de desencorajar a menor tentativa de revolta. Atribui-se a promulgação da ordem ao rei Sho Hashi (1421-1439). A história é imprecisa neste ponto. Em vez de, no entanto, se desistimularem, os oprimidos okinawenses viram no fato um motivo a mais para desenvolverem técnicas de combate apoiadas nas próprias mãos e em elementos de Chu-Fa (trazidos pelos chineses) ou a se bastarem com os instrumentos de uso doméstico de que dispunham, os quais seriam convertidos em novas armas (origem do Ko-Budo). No início do século 17, o Japão saía de mais uma terrível guerra civil cujo vecedor foi o clã dos Tokugawa e o vencido o clã dos Satsuma, dirigida pela família Shimasu. O novo Shugun mostrou-se hábil em desviar o furor dos Satsuma, derrotados mas não destruídos, para a ilha de Ryu-Ryu; maneira astuciosa de livrar-se do inimigo e ao mesmo tempo estabelecer o controle japonês sobre uma ilha até então submissa à China (e talvez não pensasse também em preparar nova invasão à Corréia, pelo sul). Precisamente ao dia 5 de abril de 1609, os Satsumas se atiram sobre Okinawa – que estava estão com meio milhão de habitantes – com uma frota a desembarcar 3 mil guerreiros. Okinawa caiu sob o julgo do clã invasor e assim ficou até o ano de 1879, data em que a ilha se tornou território japonês, incorporada ao Império de Matsu-Hito. Logo depois desta ocupação surgiram as primeiras ordens de Ichina Shimazu. A mais importante delas reforçava as descrições antigas; ficava
  • 28. proibidas, pela Segunda vez, a posse de todo tipo de arma e qualquer prática de caráter marcial. Ainda mais: os invasores japoneses confiscaram todos os objetos e utensílios de ferro e desativaram as fundições. Pretendem alguns historiadores que, este fato ocorreu também por falta do minério por parte dos Satsumas rechaçados da metrópole. Problemas elementares de subsistência não tardaram a surgir. Conta a história ou a lenda, que finalmente os nativos obtiveram do conquistador o direito de cada aldeia possuir, a disposição, uma única faca, presa a grosa corrente na praça central, guardada por dois soldados. É certo que novamente os Okinaenses reagiram ao édito de Shimazu com forte espírito de resistência e vontade de sobrepujar a desvantagem imposta. Uma verdadeira eclosão de táticas e técnicas individuais de ataque e defesa fora a imposta; uma verdadeira eclosão de táticas e técnicas individuais de ataque e defesa fora a resposta. O século 17 completava o nascimento do To-De ou Okinawa-Tê, ancestral do Karatê. “To” designava “China” e, por extensão de sentido, “continente”, “Te” significa “técnicas” em Okinawense e mais tarde significaria “mão” pelo idioma japonês. A dominante das técnicas de combate a mão nuas era indiscutivelmente chinesa (ainda que, com o passar do tempo, se mesclasse com influência de outras) e reportava-se, no. essencial, à arte Shaolin – seus mais variáveis aspectos como os estilos dos animais, a ênfase à respiração e à força mental, a eficácia dos golpes desferidos nos pontos vitais do corpo. Em suma, as mesmas diretrizes do Kung-Fu. Este último aspecto emergiria bem mais tarde, para tornar-se preponderante no século 19, seguindo assim com um pouco de atraso a mesma evolução conhecida pelo conjunto de Artes Marciais japonesas que evoluíram do Bugei (técnica de guerra) para o Budo (via da arte marcial). A proibição de Shimazu, outra conseqüência inesperada, despertou não somente inusitado interesse pelas técnicas de combate como generalizou uma prática até então restrita a pequenas minorias. Foi a época de treinamentos enfurecidos em lugares secretos, geralmente à noite e longe dos lugares habitados, como nos rochedos, à beira mar, entre os discípulos de confiança. Este ambiente de “conspiração” continuaria praticamente até o final do século 19, uma constante no Okinawa-Te. Com receio de serem descobertos praticando a arte marcial proibida, os okinawenses optaram por não deixar registros escritos, e sim, por um ensino seletivo através da transmissão oral, assim como pelas “representações de técnicas letais, zelosamente oculto as em movimentos aparentemente inócuos (a mesma idéia fundamental que se encontra nos Katas)”.
  • 29. O Okinawa-Te revivia, assim, a tradição dos monges do mosteiro Shaolin, que eram perseguidos pelo policiamento imperial. Tecnicamente sabe-se bem pouco desse período obscuro do Karatê, exeto que pés e mãos (pontas dos dedos, antebraço, cotovelos, joelhos) tornaram-se armas eficientes e rápidas, capaz de substituir as lâminas banidas. Não havia lugar para estética e, também, não se pode dizer que os estilos já haviam se individualizados naquela época. É mais sensato situar no século 18 a formação de três estilos básicos de Okinawa-Te: Shuri-Te – denominações provenientes dos nomes das cidades nas quais eram praticados. Também não se pode afirmar que já se praticavam alguns Katas – embora algumas fontes citem o Passai (antigo Kata praticado desde o século 14) e o Koshiki-Naihanti (antiga forma do Tekki), cuja posição em “cavaleiro de ferro” se adequaria bem às necessidades dos habitantes da ilha de treinar sobre rochedos. Em Okinawa houve uma verdadeira osmose (mistura) entre homens e seus meios. Nesta época aperfeiçoavam-se as técnicas do Ti-Gua (ancestrais do Kobu-Do), denominação que se dava ao treinamento desenvolvido a partis do uso de instrumentos agrícolas ou pesqueiros, utilizados na vida cotidiana e que não eram de natureza a inquietar o policiamento japonês de ocupação. Essas técnicas se desenvolveram em nível de massa. Okinawa-Te e Kubu-Do constituíram-se em um marco da civilização, pois foi a mensagem deixada por um povo oprimido, mas sempre motivado pela feroz vontade de independência. Pouco a pouco, homens mais dotados emergiram dos vários grupos de praticantes, e se tornaram mestres, codificaram seus sistemas de ensino com conteúdos objetivos e subjetivos, que viriam a adaptar-se a todas as épocas e situações futuras (guerras, escolas, universidades, prática desportiva). 5.3 Gichin Funakoshi – O pai do karatê-dô moderno Ginchin Funakoshi nasceu em 1868, no distrito de Yamakawacho, em Churi, sede administrativa de Okinawa e faleceu em 1957, aos 89 anos em Tókio. Filho de família tradicional, desde muito cedo se entregou aos estudos. Tornou-se poeta, estudou Confúcio e gozava de prestígio como perito calígrafo. Casado, foi professor de escola primária em Okinawa. Começou a praticar Karatê em Okinawa com o mestre Yasutsune Azato, um homem alto e dinâmico que tinha batido muitos homens na sua época e,
  • 30. insuperável na arte do Karatê em toda a Okinawa, além disso, primava na arte de equitação, esgrima, e do manejo do arco. Treinou, também, com outros grandes mestres, tais como: mestre Ki, que, Kiyuna, que usando a mão sem proteção, podia retirar a casca de uma árvore viva numa questão de momentos; mestre Toonno de Naha, um dos eruditos confucianos mais conhecidos da ilha; mestre Niigaki, cujo extraordinário bom senso impressionou-o profundamente. Mestre Matsumura, um dos karatekas mais notáveis e Yasutsume Itosu, também, um dos mestres mais respeitados naquela época. De físico pouco avantajado, Ginchin Funakoshi sofreu muito nos treinamentos. Treinou muito Kata Tekki (Naihanchi) que durante muito tempo foi a base da arte. Desenvolveu força golpeando o makiwara e treinando com chinelo de ferro. Sempre foi costume que o aluno treinasse com um único mestre e nunca o deixasse, mas mestre Azato pensava que não deveria ser assim, razão pela qual enviava seu alunos para treinar com outros mestres. Com isso Funakoshi teve a oportunidade de treinar com os mestres já mencionados. Ansioso de perfeição, sua imagem refletia o mais completo Budoka e seu ideal era conseguir todo bem resultante da prática do Okinawa-Te. Funakoshi passava todo o seu tempo livre treinando na casa do seu mestre, e só ia à casa para trocar de roupa. Devido às suas saídas noturnas para treinar, muita gente pensava que visitava bordel. Mas, um dia, passou sobre a cidade uma forte ventania, e viram Funakoshi subindo num telhado e praticando a força de suas bases (posições). Chegaram a pensar simplesmente que estava louco. Nunca adivinhariam que este homem, professor pobre cuja mulher trabalhava numa granja para angariar dinheiro para a família, seria um artista marcial respeitado mundialmente. Além de mestre de Karatê-Dô, era como já vimos, exímio poeta e quando escrevia os seus poemas usava o pseudônimo de Shoto, que quer significa ondas de pinheiro. Ele usava este nome porque a cidade nativa de Shuri, local do seu nascimento, era rodeada por colinas com florestas de pinheiro Ryu Ryu e vegetação subtropical. Entre elas estava o monte Toroa. A palavra Toroa significa “cauda de tigre” e era particularmente adequada porque a montanha era estreita e tão densamente arborizada que realmente tinha a aparência de uma cauda de tigre quando vista de longe. Quando dispunha de tempo, costumava caminhar pelo monte Toroa, às vezes à noite quando a lua era cheia ou quando o céu estava tão claro que se podia ficar sob uma cobertura de estrelas. Nestas ocasiões, podia-se ouvir o farfalhar dos pinheiros e sentir o profundo e impenetrável mistério que está na raiz de toda a vida.
  • 31. Em 1922, escreveu o seu primeiro livro, ou seja, “KyuRyu Kempo: Karatê, e nele fez a seguinte introdução: “Na profundidade das sombras da cultura humana oculta-se sementes de destruição, exatamente do mesmo modo a chuva e o trovão seguem na esteira do tempo bom. A história é o relato da ascensão e queda das nações. A mudança é a ordem do céu e da terra; a espada e a caneta são tão inseparáveis quanto as duas rodas de uma carruagem. Assim, o homem deve abraçar os dois campos se quer ser considerado um homem de realizações. Se ele for demasiadamente complacente, acreditando que o tempo bom durará para sempre, um dia será pego desprevenido por terríveis tempestades e enchentes. Assim, é importantíssimo que nos preparemos a cada dia para qualquer emergência inesperada.” Em 1935, escreveu os seu segundo livro: “Karatê-Dô Kyuohan”. Neste ele deu ênfase nas técnicas de vários tipos de Kata. Apesar de uma grande habilidade e boa reputação, a vida de Ginchin Funakoshi não era nada fácil. Naquela época ele tinha uma família para manter, e os professores não eram bem pagos. Na época ele foi designado diretor da Shobukai das Artes Marciais de Okinawa. Em 1936, foi fundado o primeiro Dojo oficial de Karatê, pelo Comitê Nacional e, devido aos feitos de mestre Funakoshi foi batizado com o nome de Shoto-Kan. Daí surgiu o nome de uma escola (estilo) que até hoje é cultivada em várias partes do mundo, a Shotokan, ou seja, Shoto, pseudônimo de Funakoshi, mais Kan, escola, formando Escola de Funakoshi. O Karatê que conhecemos hoje foi aperfeiçoado através de mais de sessenta anos pelo mestre Ginchin Funakoshi. Portanto, ele é considerado o pai do Karatê moderno. 5.4 Oficialização do Karatê-Dô na educação escolar de Okinawa No começo deste século, mais precisamente em 1902, durante a visita de Shintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da prefeitura da cidade de Kagoshima, à escola de Funakoshi em Okinawa, foi feito uma demonstração de Karatê. Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador. Ogawa ficou tão impressionado que escreveu um relatório ao Ministro da Educação elogiando as virtudes da arte. Foi então que o treinamento de Karatê passou a ser oficialmente autorizado nas escolas. Até então o Karatê só era praticado de portas fechadas, mas isso não significava que fosse um segredo.
  • 32. As casas em Okinawa eram muito próximas uma das outras, e tudo que era feito numa casa era conhecido pelas outras adjacentes. Enquanto muitos autores pregam o Karatê como sendo um segredo àquela época, ele não era tão secreto assim (do mesmo modo que os Estados Unidos nunca penetrou no Camboja durante a guerra do Vietinã). Contra os pedidos de muitos dos mestres mais antigos de Karatê, que eram a favor de manter tudo em segredo, Funakoshi trouxe o Karatê, com a ajuda de Itosu, até o sistema de escolas públicas. Logo, crianças estavam aprendendo Kata como parte das aulas de educação física. A redescoberta da herança étnica em Okinawa era moda, então as aulas de Karatê em Okinawa eram vistas como uma coisa legal. 5.5 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Japão O Imperador japonês Hihoshito, em visita à Okinawa, 1921, na qualidade de príncipe herdeiro, presenciou uma demonstração de Karatê e ficou tão favoravelmente impressionado, que incluiu este evento em seu informe de governo. No ano seguinte, o Ministério Japonês de Educação enviou uma carta ao governo de Okinawa solicitando que mandassem uma delegação esportiva de artes marciais ao Japão, onde ocorreria um festival de educação física patrocinada pelo mesmo. Ginchin Funakoshi foi escolhido para dirigir essa delegação. Alguns contestaram essa escolha, pois nesta época, Funakoshi já estava com 50 anos de idade e eles julgavam que seria mais sensato o envio de alguém com maior vigor físico. Na verdade, havia bons motivos para essa escolha: sua vasta cultura, seu reconhecimento sobre o Japão adquirido em viagens anteriores, sua sensibilidade poética, e principalmente seu grande domínio técnico do Karatê. Em assim sendo, ficou para nós a lição de que, em uma idade em que a maioria das pessoas pensa em aposentar-se, para Funakoshi havia chegado a aventura mais importante de sua vida. 5.6 O missionário do Karatê-Dô Shotokan moderno Chegando ao Japão, Ginchin Funakoshi, que foi contratado para ficar somente algumas semanas, foi alargando sua estadia, pois suas palavras e demonstrações surpreenderam tanto que criou à sua volta um grande número
  • 33. de admiradores que não o deixavam regressar a Okinawa. Entre eles estava Jigoro Kano, fundador do Judô moderno, o qual, além de dar-lhe hospedagem, cedeu-lhe uma grande sala do Kodokan para que ensinasse Karatê. A vida de professor de escola havia terminado e ao mesmo tempo nascia o primeiro professor de Karatê do Japão. Sempre sabendo ser seletivo, Funakoshi, que queria que sua arte fosse tão conhecida e respeitada como o Judô e o Kendo, procurou ensinar seu sistema principalmente a médicos, advogados e estudantes universitários. Em pouco tempo o Karatê ganhou grande fama, com isso vário mestres de Okinawa também imigraram para o Japão, entre eles: KENWA Mamuni trouxe o Shoty- Ryu, Chijun Miyiagi o Goju-Ryu. Só Funakoshi é que não deu nome ao estilo que praticava. Em 1924, foi escolhido para ministrar aulas de Karatê na Universidade de Keio. Seus ensinamentos foram recebidos com verdadeiro entusiasmo pelos estudantes. Alguns alunos de Funakoshi levaram suas palavras e técnicas para fora da Universidade. Desta maneira, o mestre chegou a supervisionar cinco clubes em Tókyo. No fim de 1939, ele financia a abertura do “Shotokan”, seu primeiro Dojo. Contam alguns que não foi Funakoshi que deu o nome ao lugar, e sim seus alunos, que diziam que treinavam na Escola (Kan) de Shoto (pseudônimo de Funakoshi), para poderem ser diferenciados dos outros sistemas. Finalmente, a sorte começa a sorrir para o Shotokan e seu criador. Já havia um Dojo e clubes nas Universidades, seu filho Yamagushi (Gigo) ajudava-o a ensinar e compartilhava as responsabilidades da Shoto-Kai, associação que criou para unificar a arte. A guerra chegou, e o Karatê teve uma grande paralisação na sua divulgação. Um dos seus melhores alunos, Takeshi Shimoda, faleceu e, pouco tempo depois também falece seu filho com tuberculose. Ao terminar a guerra, o mestre já não ensinava, e seu Dojo estava quase que totalmente destruído. Todas as artes marciais praticadas no Japão foram proibidas por aproximadamente três anos pela força de ocupação. Mas Funakoshi conseguira algo muito importante: o Karatê foi aceito e passado a fazer parte do Budô japonês.
  • 34. 5.7 A filosofia Budô O que significa Budô? Vejamos: BU - quer dizer “guerreiro”, “samurai”; DÔ - que dizer “caminho”, o caminho do samurai. O principal objetivo dos guerreiros era vencer as guerras. Rigoroso preparo físico, técnico e mental era necessário, enfatizando ao que transcendia a matéria, afastando-os assim os desejos mais comuns. Várias artes marciais faziam parte do Budô, embora tivessem técnicas diferentes, como o Judô, Karatê-Dô, Sumô, Aikidô e outras. Como arte marcial o Karatê se faz respeitar através das seguintes imposições, tais como: as mãos e os pés do adversário não podem tocar o seu corpo; as técnicas defensivas devem ser traumatizastes; se o inimigo cortar a sua carne, deve quebrar-lhe os ossos e se ele quebrar-lhe os ossos, você deve matá-lo. Segundo registros existentes, conta-se que o samurai transcende a “vida” e a “morte”, pois ele executa qualquer tarefa determinada, custe o que custar, esquecendo-se de si mesmo. Daí o rigor nos exercícios, a fim de conseguir unificar corpo e mente. Aqueles temidos guerreiros tinham como princípios básicos manter a mente tranqüila para, em qualquer situação, não perder a autoconfiança e ser sobretudo, útil à coletividade, cumprindo desta maneira sua missão e influenciando para que os outros, também, o fizessem. O Budô é também, o caminho das artes marciais cujas técnicas são usadas para desenvolver o espírito, a mente e o corpo. Na prática, o respeito e as boas maneiras são fundamentais. Há o cumprimento de respeito ao entrar e sair do Dojo (local de prática) e no início e ao término da prática. Este procedimento, junto com a ajuda do professor, inspira amizade e compreensão. Assim, instintivamente, hábitos sociais apropriados são desenvolvidos entre todos os praticantes e professores, através da liberdade controlada de energias do dia-a-dia. Evita-se assim, agressões perigosas desnecessárias ao próximo, desenvolvendo o espírito de cooperativismo. A filosofia do Budô se traduz também pela busca constante do aperfeiçoamento, autocontrole e na contribuição pessoal para a harmonização do meio onde se está inserido. A filosofia do Budô sempre deu muita importância à percepção a à sensibilidade, uma vez que as técnicas que nela se baseia, visam essencialmente à conquista da estabilidade e da autoconfiança, através de treino rigoroso e vida disciplinada; ao desenvolvimento da intuição, no sentido de perceber o ataque do adversário antes mesmo do início do seu movimento e da capacidade de analisa o adversário, para prevenir-se contra supressas e à
  • 35. formação de hábito de saúde, como o uso da meditação Zen e a respiração com o diafragma. A famosa expressão do mestre Funakoshi quando disse: “Karatê Ni Sente Nashi”, explica claramente o objetivo do Karatê, ou seja, conter, controlar o espírito de agressão. O Karatê se caracteriza por procedimentos de respeito e de etiqueta. 5.8 As consequências da guerra no Karatê-Dô Finalmente o Japão cometeu um grande erro. O bombardeio das forças navais americanas em Pearl Harbor a 7 de dezembro de 1941 foi algo além da conta. Numa tentativa de prevenir que as embarcações americanas bloqueassem a importação japonesa de matéria prima, os japoneses tentaram remover a frota americana e varrer a influência ocidental do próprio Oceano Pacífico. O plano era bombardear os navios de guerra e os portas aviões que estavam no território do Hawaii. Isto deixaria a força da América no Pacífico tão fraca que a nação iria pedir paz para prevenir a invasão do Hawaii e do Alasca. Infelizmente, o pequeno Japão não tinha os recurso, força humana, ou a capacidade industrial dos Estados Unidos. Com uma mão nas costa, os americanos destruíram completamente os japoneses na Ásia e no Pacífico. Uma das vítimas dos ataques aéreos foi o Shotokan Karatê Dojo que havia sido construído em 1939. Com a América exercendo pressão em Okinawa, a esposa de Ginchin Funakoshi finalmente iria deixar a ilha e juntar- se a ele em Kyushu no sul do Japão. Eles ficaram lá até 1947. Os americanos destruíram tudo que estava em seu caminho. As ilhas foram bombardeadas do ar, todas as cidades queimadas até o fim, as colinas crivadas de balas pelos cruzadores de guerra da costa, e então as tropas varreram através da ilha, cercando todo o mundo que estivesse vivo. A era dourada do Karatê em Okinawa tinha acabado. Todas as artes militares haviam sido banidas rapidamente pelas forças ocupantes americanas. Primeira uma, depois outra bomba atômica explodiram sobre as cidades de Hiroshima e Nagassaki. Três dias depois, bombardeiros americanos sobrevoaram Tókyu em tal quantidade que chegaram a cobrir o sol. Tókyu foi bombardeada com dispositivos incendiários. Descobrindo que o governo do Japão estava aponto de cometer um suicídio virtual sobre a imagem do Imperador, cartas secretas passadas para os japoneses garantindo sua segurança se eles assinassem sua “rendição incondicional”. O Japão estava
  • 36. acabado, a Guerra do Pacífico também, mas o pesadelo de Funakoshi ainda havia de acabar. Então, Gigo (também conhecido como Yoshitaka, dependendo como se pronunciava os caracteres do seu nome), filho de Funakoshi, um promissor jovem mestre de Karatê-Dô no seu próprio direito, aquele que Funakoshi estava contando para substituí-lo como instrutor do Shotokan, pegou tuberculose em 1945 e morre enquanto teimosamente recusava-se a comer a ração americana dada ao povo faminto. Funakoshi e sua esposa tentaram viver em Kyoshu, uma área predominantemente rural, sob ocupação americana no Japão. Mas, em 1947, ela morre, deixando Funakoshi retornar a Tókyo para encontrar seus alunos de Karatê Que ainda viviam. Depois que a guerra havia acabado, as artes militares haviam sido completamente banidas. Entretanto, alguns dos alunos de Funakoshi tiveram sucesso em convencer as autoridades que o Karatê era um esporte inofensivo. As autoridades americanas concederam, mas por causa que naquela época eles não tinham idéia do que Karatê fosse. Também, alguns homens estavam interessados em aprender as artes militares secretas do Japão, então as proibições foram eliminadas completamente em 1948. Em maio de 1949, os alunos de Funakoshi mevem-se para organizar todos os clubes de Karatê universitários e privados numa simples organização, e eles a chanaram de Kihon Karatê Kyokay. Eles nomearam Funakoshi seu instrutor chefe. Em 1955, um dos alunos de Funakoshi consegue arranjar um Dojo para a NKK. 5.9 A propagação do Karatê-Dô Shotokan no mundo A primeira idade de ouro do Karatê, como tem sido chamada, ocorreu por volta de 1940, quando quase todas as importantes universidades do Japão tinham em seus clubes de Karatê. Nos primeiros anos do pós-guerra, ele sofreu um declínio, mas hoje, graças ao entusiasmo dos que defendem o Karatê-Dô, ele é praticado mais amplamente do que nunca, difundindo-se para muitos outros países no mundo inteiro, criando uma Segunda idade de ouro. Após a 2ª Grande Guerra, eram freqüentes as solicitações as solicitações das Forças Aliadas estacionadas no Japão para assistir a exibições das artes marciais. Peritos em Judô, Kempô e Karatê-Dô formaram grupos que visitavam as bases militares duas ou três vezes por semana com a finalidade de demonstrar suas respectivas artes. Conta-se que era grande o interesse dos
  • 37. membros das forças armadas pelo Karatê, uma arte que estavam vendo pela primeira vez em suas vidas. Em 1952, o Comando Aéreo Estratégico da Força Aérea dos Estados Unidos enviou um grupo de jovens e de oficiais ao Japão para estudar o Judô, o Aikidô e o Karatê-Dô. O objetivo era treinar instrutores de educação física e, durante os meses em que estiveram no Japão, eles seguiram um programa rígido, estudando e praticando intensivamente. O Mestre Nakaima, um dos discípulos de Ginchin Funakoshi, era o líder dos homens que ensinavam o Karatê-Dô Shotokan, considerava isso um grande passo adiante para esta arte. Por mais de uma dezena de anos depois, dois ou três grupos continuaram indo ao Japão todos os anos. Esse programa de treinamento foi altamente considerado e começaram a vir grupos de outros países, além dos Estados Unidos. Vários outros países também solicitaram que fossem enviados instrutores de Karatê-Dô Shotokan para que se pudesse treinar em maior número de instrutores. Essa, sem dúvida, foi uma influência que ajudou a torna popular o Karatê-Dô Shotokan em todo o mundo. O Karatê-Dô é, como sempre foi, uma arte de defesa pessoal e uma forma saudável de exercícios físicos; mas, com o aumento de sua popularidade, cresceu muito o interesse pela realização de disputas, como aconteceu com o Kempô e o Judô. Na sua maioria, devido aos esforços dos entusiastas mais jovens, onde, o primeiro campeonato de Karatê-Dô de todo o Japão foi realizado em outubro de 1957. Ele foi promovido pela Associação Japonesa de Karatê e, no mês seguinte, a Federação dos Estudantes de Karatê de todo o Japão promoveu um campeonato diante de uma audiência de milhões de pessoas. Além de serem estes eventos memoráveis, esses dois campeonatos despertaram um interesse maior ainda pela arte marcial em todo o país. Hoje eles são realizados anualmente numa escala cada vez maior. E num grande número de países, competições semelhantes estão sendo realizadas. No topo de todos eles está o Campeonato Mundial de Karatê-Dô. As competições e a disseminação do Karatê no exterior são os progressos mais significativos dos anos posteriores à 2ª Grande Guerra. 5.10 Início do Karatê no Brasil Como o Judô, o Karatê também chegou ao Brasil com os primeiros imigrantes japoneses no ano de 1908 e se instalou primeiro em São Paulo, principalmente nas cidades do
  • 38. interior. Foi introduzido através das colônias japonesas nas cidades de Biguá, Pedro de Toledo, Bastos, Maria e Garça, além do litoral e da capital paulista. Durante vários anos, os imigrantes japoneses ensinaram a "arte da mão vazia" aos jovens japoneses e aos poucos brasileiros que se interessavam. “MARCO INICIAL DO KARATÊ NO BRASIL” - MESTRE SADAMU URIU “Buscar nas tradições do passado, inspiração para a evolução no futuro” Mestre Sadamu Uriu 8º Dan O karatê, arte marcial japonesa, é praticado por pessoas de todas as idades em todas as regiões do Brasil. Entre os seus admiradores e praticantes estão profissionais liberais, professores, estudantes, empresários, donas-de-casa e pessoas com as mais diversas ocupações. Podem ser encontradas nas academias e competições de karatê crianças, adolescentes, adultos e idosos, de ambos os sexos. De todos é possível ouvir comentários e histórias sobre a influência positiva que o karatê teve e tem em suas vidas. Não faltam casos de crianças muito tímidas excessivamente agressivas que encontraram no karatê uma referência para a busca do equilíbrio. São freqüentes os exemplos de pessoas que começaram a praticar o karatê já na maturidade e nele encontraram uma fonte para a manutenção ou recuperação de algumas características de sua juventude. Sem que muitos saibam, existe uma pessoa que teve e tem grande influência na vida de todos eles, o Shihan (Mestre) Sadamu Uriu, que completa 78 anos neste ano de 2006. Vindo como imigrante do Japão em 1959, Mestre Uriu foi um dos introdutores do karatê no Brasil e sua história se confunde com a do próprio karatê brasileiro. Nas linhas seguintes encontra-se um pouco da história desse Grande Mestre, acompanhado de parte da história do karatê no Brasil. Esse conhecimento deve servir de estímulo adicional para todos os praticantes e admiradores do karatê. Sadamu Uriu nasceu em 20 de setembro de 1929 no Japão, em Fukuoka-Ken, na ilha de Kyushu, na região sul do Japão, situada a aproximadamente 1500 quilômetros de Tóquio. A região, naquela época essencialmente agrícola, hoje tem suas atividades econômicas concentradas na mineração, siderurgia e construção naval. Desde o nascimento, mestre Uriu parecia destinado a ter sua vida associada às artes marciais. Seu pai, Seizaburo Uriu, além de agricultor era praticantes de judô. Sua mãe, Tsuwako Uriu, teve cinco filhos, três homens e duas mulheres, todos ainda vivos, sendo Sadamu Uriu o quarto a nascer. Seus dois irmãos homens eram faixas-pretas de Kendo (luta com espadas) e participaram da Segunda guerra Mundial. Um deles era oficial do exército e o outro policial de um grupo de elite. Sadamu Uriu começou a estudar aos sete anos de idade e cursou o ensino fundamental e médio, equivalentes ao 1º e 2º graus brasileiros na própria ilha de Kyushu, nas escolas Dairi-Sho e Mojishogio. Esta formação escolar no Japão tinha a duração de dez anos e durante o 2º grau Mestre Uriu praticou Kendo. Nesta época o Japão sofreu os efeitos da Segunda Guerra Mundial e os jovens tinham que contribuir para o esforço de guerra. Em 1945, aos 16 anos, Sadamu Uriu foi para a Escola de Formação de Pilotos da Marinha. O final da guerra impediu que ele fosse enviado para a frente de combate. Em 1951, aos 22 anos, Sadamu Uriu foi para a Universidade Takushoku, em Tóquio, onde já estudava um de seus irmãos. Lá, além de se formar em Economia, iniciou o seu treinamento em Karatê. Naquela época, no Japão, era nas faculdades que se iniciava o aprendizado do Karatê, ao contrário da prática atual, em que mesmo crianças iniciam o seu treinamento em academias especializadas. Seu professor foi o famoso Mestre
  • 39. Nakayama, que por sua vez fora discípulo do lendário Mestre Gichin Funakoshi, fundador do estilo Shotokan de Karatê e seu divulgador em todo o mundo. Nessa época havia treinamento de Karatê, mas não existiam graduações por faixa nem competições, que só surgiram após a criação, em 1954, da Nihon Karate Kyokai (atualmente Japan Karatê Association – JKA). Mestre Uriu graduou-se em karatê (faixa- preta) pela JKA. Na Universidade Takushoku praticaram Karatê com Mestre Nakayama três outros mestres importantes do Karatê, que acabaram também vindo para locais diversos no Brasil: Higashino, no Distrito Federal, Tanaka, no Rio de Janeiro e Sagara, em São Paulo. Formado em Economia, Sadamu Uriu deparou-se com a extrema dificuldade de conseguir emprego, decorrente da destruição de parte importante da economia japonesa durante a guerra. Ele chegou a pensar em imigrar para a Indonésia, seguindo seu amigo Habu, que hoje é professor universitário lá. Mas o mesmo Habu lhe falou sobre o Brasil e as possibilidades de trabalho aqui, acabando por convencê-lo a tentar a vida em nosso país. Assim, em 30 de dezembro de 1958, Mestre Uriu embarca, sem nenhum acompanhante, no navio Maru para o Brasil, um navio do governo japonês destinado para pessoas que desejassem emigrar para o Brasil. Nessa época, o governo japonês mantinha contatos com japoneses já estabelecidos no Brasil e que precisassem de mão- de-obra. A viagem dura 45 dias e Sadamu Uriu desembarca no porto de Santos/SP, dirigindo- se em seguida para Pindamonhangaba/SP, para trabalhar na atividade agrícola na fazenda de Yoshio Igarashi. Lá ele permanece três meses e conhece D. Aurora, uma das filhas do Sr. Yoshio, que viria, mais tarde, a ser sua esposa. De Pindamonhangaba/SP, Sadamu Uriu vai para a capital, São Paulo, para trabalhar na fábrica da Toyota, primeiro na linha de montagem e depois na área administrativa. O então presidente da Toyota, Sr. Kiyoyasu Koide, que o contrata também formara-se na Universidade Takushoku. O mais curioso, e um sinal adicional de que a vida de Sadamu Uriu estava definitivamente associada às artes marciais, é que o presidente era faixa- preta de 5º Dan de Judô e acabaria sendo seu padrinho de casamento. Na Toyota, Sadamu Uriu permanece dois anos, 1960 e 1961, tendo como colega de trabalho, outro mestre importante do Karatê, Yasutaka Tanaka, que deixara o Japão um mês depois de Uriu e, através da troca de cartas, viera se juntar a ele no trabalho na agricultura. A amizade que uniu esses dois mestres atravessou o mar e o tempo e permanece até os dias de hoje. Já estabelecido em São Paulo, Sadamu Uriu começa a se reunir com alguns de seus ex-colegas da faculdade de Takushoku no Japão, também imigrantes, para treinar karatê. Entre eles estavam os mestres Tetsuma Higashino, Yasutaka Tanaka e Juichi Sagara. Naquela época não havia ainda a intenção de abrir academias para ensinar o karatê. Atualmente, Uriu e Tanaka vivem no Rio de Janeiro e Sagara em São Paulo, tendo Higashino falecido em 1987. Em 1961 Lirton Monassa (falecido em 2000) procurou Uriu e Tanaka em São Paulo para que se transferissem para Rio de Janeiro para ensinar o karatê, o que eles fazem em 1962, quando passam a lecionar na academia Kobukan, no bairro de Botafogo/RJ. É também em 1962, no dia 29 de setembro, que Sadamu Uriu, nesta época residindo em Duque de Caxias/RJ, se casa com a Sra. Aurora Uriu. Deste casamento nascem dois filhos, Cezar e Cid, ambos praticantes de karatê desde a infância. Cid Uriu é atualmente engenheiro da Petrobrás, trabalhando na base de extração de petróleo da cidade de Macaé, situada no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Cezar Uriu é engenheiro mecânico, empresário e faixa-preta de 5º Dan, ocupando atualmente a presidência da Confederação Brasileira de Karatê Shotokan (CBKS), fundada por Mestre Sadamu Uriu em 1994. Após o início em 1962 na academia Kobukan, Mestre Uriu passa, em 1963, a lecionar karatê três vezes por semana no Tijuca Atlético Clube, para um grupo de 30 alunos. Nessa época, apareceram para assistir a um treino os tenentes Pacheco e Valporto, que impressionados com a técnica do karatê convidaram Mestre Uriu para fazer uma demonstração no Batalhão de Infantaria-Paraquedista.