Universidade do Porto
         Faculdade de Ciências do Desporto e
                    de Educação Física




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE
         INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL




                            Dissertação apresentada com vista à
                            obtenção do Grau de Mestre em Ciências do
                            Desporto – Área de especialização em
                            Desporto para Crianças e Jovens de acordo
                            com o Decreto-lei n.º 216/92, de 13 de
                            Outubro, Capítulo II, Artigo 5º, pontos 1. e 2.
                            e Capítulo III, Artigo 17º, ponto 1.




    Orientador: Professor Catedrático António Teixeira Marques
  Co-orientação Professor Doutor Júlio Manuel Garganta da Silva
                  Mário Jorge Moisés Nogueira


                           Porto, 2005
Ficha de Catalogação




                                       Ficha de Catalogação


Nogueira, M. (2005). Análise da estrutura do treino, no escalão de iniciados e
juvenis, em Futebol. Dissertação para provas de Mestrado no ramo de Ciências
do Desporto. FCDEF-UP, Edição do autor.




Palavras-chave: FUTEBOL, ESTRUTURA DO TREINO, CRIANÇAS E
JOVENS, EXERCÍCIOS DE TREINO, CONTEÚDOS DE TREINO, MÉTODOS
DE TREINO.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
Dedicatória




        Dedicatória:
                           À Sandra,
                           Pelo incentivo, compreensão, amor e amizade.
                           Aos meus pais, irmã e avós,
                           Porque a eles devo tudo o que sou.
                          À família,
                           Pela união, força e confiança transmitida.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
Agradecimentos




                                      Agradecimentos


Ao meu orientador de Mestrado, Professor Doutor António Teixeira Marques,
pela amizade, pela sua incomensurável disponibilidade e pelo infinito apoio que
me prestou. Agradeço também a cedência de bibliografia e a partilha do seu
conhecimento, que em muito me ajudou.

Um enorme obrigado ao Professor Doutor Júlio Garganta, pela disponibilidade
demonstrada, no esclarecimento de dúvidas, na indicação de bibliografia e pelo
interesse demonstrado no estudo.

O meu agradecimento aos Professores pertencentes ao gabinete de Futebol,
pelo inefável empenho e ajuda na procura e cedência dos dossiers necessários
para o estudo.

O meu sincero obrigado à Marisa Silva Gomes, pela interminável procura dos
dossiers necessários, para a realização do estudo. E aos treinadores, que
tiveram a amabilidade de os ceder, contribuindo desta forma para que este
projecto se pode-se realizar e concluir.

À Diana, Sérgio e Padrinhos, pelo seu empenho na cooperação de tarefas
realizadas acerca do nosso estudo.

À minha irmã, ao Henry, Rui e Miguel, pela ajuda prestada nas questões
informáticas

À Sandra, pelo carinho, empenho e incentivo constante, por todo o apoio
prestado.

Ao longo destes dois anos tenho a agradecer a todos os amigos do Curso de
Mestrado, pelo companheirismo.

Para não ser injusto e não esquecer de ninguém, a todos aqueles que me
ajudaram através das suas sugestões, dúvidas e críticas. Agradeço também
toda a contribuição para que este trabalho se tornasse mais claro e completo.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                I
Agradecimentos




A todos os Professores e Funcionários da Faculdade de Ciências do Desporto
e de Educação Física, por me surpreenderem com o seu profissionalismo,
orgulhando-me de ter realizado o Mestrado nesta Instituição.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL               II
Índice Geral




Índice Geral


Agradecimentos …………………………………………………………………………………...                                                                                                                   I

Índice Geral ………………………………………………………………………………………...                                                                                                                   III

Índice de Figuras ………………………………………………………………………………….                                                                                                                  V

Índice de Quadros…………………………………………………………………………………                                                                                                                   VII

Resumo …………………………………………………………………………………………….                                                                                                                        XI

Abstract …………………………………………………………………………………………….                                                                                                                      XIII

Résumé …………………………………………………………………………………………….                                                                                                                        XV

Abreviaturas ……………………………………………………………………………………….                                                                                                                    XVII

I – INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………………………...                                                                                                               1
  1.1 Propósito e Problema do Estudo ………………………………………. ..…. ……………………….                                                                                               1
  1.2 Estrutura do Estudo......................................................................................................................                     3
II – REVISÃO DA LITERATURA …………………………………………................................................                                                                         5
  2.1. O Futebol ………………………....................................................................................................                                      5
     2.1.1 Futebol, sua Natureza e sua Essência.....................................................................................................                6
     2.1.2 Futebol, um Jogo de Oposição/ Cooperação, um Jogo Táctico...............................................................                                 7
     2.1.3.Prespectivas para o Ensino e Treino do Futebol enquanto JDC..............................................................                               11
     2.1.4 Referências Fundamentais para o Ensino do Futebol..............................................................................                         18
            2.1.4.1 Condicionantes Estruturais e Fundamentais.................................................................................                     18
            2.1.4.2 Dimensão do Terreno de Jogo e Número de Jogadores...............................................................                               18
            2.1.4.3 Duração do Jogo............................................................................................................................    19
            2.1.4.4 Controlo da Bola............................................................................................................................   21
            2.1.4.5 Frequência de Concretização........................................................................................................            21
            2.1.4.6 Colocação de Alvos.......................................................................................................................      22
  2.2 Treino com Jovens.......................................................................................................................                     22
     2.2.1 O Treinador de Crianças e Jovens...........................................................................................................             24
     2.2.2 Etapas de Preparação..............................................................................................................................      26
     2.2.3 Fases Sensíveis de Treinabilidade……………………………………………………………………………..                                                                                        30
  2.3 Exigências Físicas e Fisiológicas do Jogo de Futebol.................................................................                                        31
     2.3.1 Importância do Treino Aeróbio em Futebol..............................................................................................                  33
     2.3.2 Importância do Treino Anaeróbio em Futebol..........................................................................................                    35
  2.4 Estrutura do Treino para Crianças e Jovens................................................................................                                   36
     2.4.1 Meios de Treino, Preparação Geral vs. Preparação Específica...............................................................                              37
     2.4.2 A Preparação Geral, na Formação Desportiva dos Jovens Futebolistas…………………………………...                                                                      40
     2.4.3 O Exercício no Processo de Treino..........................................................................................................             41
     2.4.4 Especificidade do Exercícios de Treino em Futebol.................................................................................                      44
     2.5.5 Taxionomia dos Exercícios de Treino…...................................................................................................                 47
     2.4.6 Estrutura da Carga de Treino....................................................................................................................        55
     2.4.7 Carga de Treino e Competição em Crianças e Jovens nos Desportos Colectivos………………………..                                                                   55
     2.4.8 Conteúdos de Treino e sua Importância no Treino de Crianças e Jovens…………………………...........                                                               57




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                                                                                      III
Índice Geral




III – Metodologia...................................................................................................................................                61
   3.1. Objectivos………………………………………………………………………………………………..                                                                                                            61
      3.1.1 Objectivos Geral ………………………………………………………………………………………………….                                                                                                 61
      3.1.2 Objectivo Específico................…………………………………………………………………………………..                                                                                   61
      3.1.3 Hipóteses Orientadoras do Estudo.................................................. ………………………………………..                                                    61
   3.2 Categorizarão da Amostra………………......................................................................................                                         62
   3.3 Método de Pesquisa …………………………………………………………………………………….                                                                                                         63
      3.3.1 Procedimentos e Instrumentos de Pesquisa…………………………………………………………………...                                                                                    64
      3.3.2 Caracterização e Definição das Variáveis……………………………………………………………………...                                                                                   64
             3.3.2.1 Exercícios de Treino......................................................................................................................     65
             3.3.2.2 Carga de Treino.............................................................................................................................   65
             3.3.2.3.Método de Treino...........................................................................................................................    66
             3.3.2.4 Conteúdos de Treino.....................................................................................................................       66
   3.4 Procedimentos estatístico............................................................................................................                        69
IV – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS …………………………………………...                                                                                                    71
   4.1. Exercícios de Treino....................................................................................................................                    71
   4.2. Cargas de Treino ……………………………………………………………………………………….                                                                                                         73
      4.2.1 Carga de Treino para cada Conteúdo de Treino......................................................................................                      73
      4.2.2 Carga de Treino para o Desenvolvimento das Capacidades Motoras ……………………………………..                                                                         77
   4.3 Métodos de Treino........................................................................................................................                    79
      4.3.1 Metodologia de desenvolvimento das capacidades motoras condicionais ………………………………...                                                                     79
      4.3.2 Exercícios Complementares/Fundamentais.............................................................................................                     81
      4.3.3 Exercícios Complementares (com ou sem oposição)..............................................................................                           82
      4.3.4 Exercícios Fundamentais.........................................................................................................................        84
   4.4 Conteúdos de Treino....................................................................................................................                      85
      4.4.1 Conteúdos de treino desenvolvidos a partir dos EPG..............................................................................                        85
      4.4.2 Conteúdos desenvolvidos através dos EEPG..........................................................................................                      88
      4.4.3 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase I..................................................................................                        92
      4.4.4 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase II.................................................................................                        94
      4.4.5 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase III................................................................................                        95
V – CONCLUSÕES ………………………………………………………………………………...................                                                                                                    97
VI – RECOMENDAÇÕES PARA A PRÁTICA, NO TREINO DE JOVENS FUTEBOLISTAS…………                                                                                             101
   6.1 Recomendações específicas aos resultados do nosso estudo ……………………………………                                                                                      101
   6.2 Recomendações Gerais ………………………………………………………………………………..                                                                                                        102
VII – SUGESTÕES……………………………………………………………………………………………...                                                                                                               105
VIII – BIBLIOGRAFIA ……………………………………………………………………………...................                                                                                                107
IX – ANEXOS …………………………………………………………………………………….....................                                                                                                   109




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                                                                                       IV
Índice de Figuras




                                           Índice de Figuras

Figura II – 1. Princípios gerais da acção do jogo (adap. de Cerezo, 2000) ……………………………….                              9
Figura II – 2. Estrutura do Futebol a partir do seu objectivo (adap. de Cerezo, 2000).............................   10
Figura II – 3. O Futebol como actividade motora complexa (adap. de Cerezo, 2001; Monbaerts, 1998)                    13
Figura II – 4. Cadeia acontecimental do comportamento Táctico/técnico do jogador no jogo (adap.
               Bunker & Thorpe, 1992) ………………………………………………………………………….                                                  15
Figura II – 5. Cadeia acontecimental do comportamento Táctico/técnico do jogador no jogo (adap
               Garganta & Pinto, 1998) ………………………………………………………………………….                                                 16
Figura II – 6. Conteúdos do conhecimento em desportos colectivos (adap. de Malglaive, 1990;
               Gréhaigne & Godbout, 1995) …………………………………………………………………….                                                17




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                                        V
Índice de Quadros




                                           Índice de Quadros

Quadro II – 1. Grandes objectivos do treino e da preparação desportiva /adap. de Marques, (1985)………………               27
Quadro II – 2. Modelo das fases sensíveis de treinabilidade durante a infância e a juventude (adap. de Martin,
               1999) ………………………………………………………………………………………………………….                                                       30
Quadro II – 3. Preparação geral e preparação especial nas etapas de preparação desportiva em Futebol,
                 (Adap. Marques, 1989) ………………………………………………………………………………….                                              38
Quadro II – 4. Preparação geral e preparação especial nas etapas de preparação Desportiva (adap. de
                 Marques, (1989) ………………………………………………………………………………………….                                                 38
Quadro II – 5. Síntese da classificação dos exercícios realizado por vários autores (adap. de Bragada, 2000).....    48
Quadro II – 6. Grelha taxionómica de classificação dos exercícios de treino (Castelo, 2003) ………………………                53
Quadro II – 7. Valores, médias de treino (número de sessões, dias de treino no ano e frequência de treino),
               competições (oficiais e de preparação) e proporção entre unidades de treino/competição (Adap.
               de Marques e col., 2000); Santos, 2001); Pinto e col., 2001) ………………………………………….                        56
Quadro II – 8. Valores de treino para: n.º sessões, média de horas por semana, duração média, horas por
               época e total de unidades (Pinto e col., 2003) ………………………………………………………….                                56
Quadro II – 9. Carga de treino e competição: n.º de competições oficiais, não oficiais e relação
                 treino/competição (Pinto e col., 2003)...……………………………………………………………….                                  56
Quadro II – 10. Número de dias de preparação e frequência de treino (adap. de Marques e col., 2000; Marques,
               1993; Martin, 1999; Santos, 2001; Pinto e col.2001) ……………………………………………………                              57
Quadro II – 11. Características da carga de cada conteúdo do treino nos dois grupos de idades: valores médios
               em minutos durante uma sessão de treino padrão, valor total em minutos e valore percentuais
               durante uma temporada desportiva (adap. Marques e col,. 2000) …………………………………….                         59
Quadro III – 1. Principais características da amostra. ……………………………………………………………………                                    62
Quadro III – 2 Caracterização das equipas pertencentes ao estudo, número de treinos, razão
               treino/competições ………………………………………………………………………………………..                                                63
Quadro IV – 1. Utilização de meios de treino e tempo total de treino: valores médios (minutos) numa sessão de
               treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………                     71
Quadro IV – 2. Utilização de meios de treino e tempo total de treino para o escalão de iniciado e juvenis:
                 valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante
                 um ano de preparação ………………………………………………………………………………….                                               72
Quadro IV – 3. Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico:
               valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante
               um ano de preparação………………………………………………………………………………………                                                 73
Quadro IV – 4. Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico, para
               o escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
               (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………………………………..                              74
Quadro IV – 5. Percentagem da distribuição dos conteúdos de treino no basquetebol (adaptado de Pinto e col.,
               2001; Pinto e col., 2003) ……………………………………………………………………………………                                            75




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                                        VII
Índice de Quadros




Quadro IV – 6. Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão
              etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino,
              somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………                      77
Quadro IV – 7. Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão
              de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e
              percentagem durante um ano de preparação ……………………………………………………………                                  78
Quadro IV – 8 Características da carga de treino para cada conteúdo de treino: valores médios (minutos) numa
              sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação (Adaptado
              de Santos, 2001) …………………………………………………………………………………………….                                             79
Quadro IV – 9 Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão
              etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino,
              somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………                      79
Quadro IV – 10 Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no
                 escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
                 (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………...………………………….                       80
Quadro IV – 11 Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no
                 escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de
                 treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………...             81
Quadro IV – 12 Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no
                 escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
                 (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………….                         82
Quadro IV – 13 Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição)
                 no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino,
                 somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………                    82
Quadro IV – 14 Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição)
                 no escalão no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de
                 treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………...             83
Quadro IV – 15 Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III)
                 no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino,
                 somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………                    84
Quadro IV – 16 Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III)
                 no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
                 (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………..                        85
Quadro IV – 17 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                 exercícios de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos)
                 numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ….       86




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                                   VIII
Índice de Quadros




Quadro IV – 18 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                exercícios específicos de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios
                (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de
                preparação ……………………………………………………………………………………………….                                               89
Quadro IV – 19 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase I no escalão de iniciados e
                juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem
                durante um ano de preparação …………………………………………………………………………                                      92
Quadro IV – 20 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase II no escalão de iniciados e
                juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem
                durante um ano de preparação …………………………………………………………………………                                      94
Quadro IV – 21 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase III no escalão de iniciados e
                juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem
                durante um ano de preparação …………………………………………………………………………                                      95




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                                  IX
Resumo




                                            RESUMO

A inexistência de uma base teórica para o trabalho dos treinadores de crianças e
jovens leva a que este seja, de certa forma, empírico. O seu processo de treino é, na
maior parte das vezes, desconhecido pelos metodólogos do treino, devendo-se,
muitas vezes, à falta de documentos teóricos ou à indisponibilidade dos mesmos
serem examinados (Marques, 1999).
O objectivo desta investigação é caracterizar a estrutura do treino em Futebol no
escalão de iniciados e juvenis, procurando saber se existem diferenças na
estruturação do treino entre ambos.
Para a realização deste estudo, foram analisadas 625 unidades de treino de jovens
jogadores de Futebol do sexo masculino. Para tal, foram revistos seis dossiers, dos
quais três pertencem a equipas do escalão de iniciados, e os restantes a três equipas
do escalão de juvenis.
Procedeu-se a uma pesquisa documental, em torno dos dossiers de treino do centro
de treino de Futebol da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da
Universidade do Porto (FCDEF-UP). O estudo estatístico, realizado com o SPSS 10.0,
incluiu uma análise de frequências, das medidas descritivas, tais como as médias,
desvios-padrão e percentagens, e um T-test para comparação de escalões etários.
Concluiu-se que a estruturação do treino do escalão de iniciados difere da dos juvenis,
tendo-se verificado diferenças significativas, basicamente em todos os focos de
análise do nosso estudo. Os treinadores de futebol dos escalões de iniciados e juvenis
dão prioridade aos aspectos técnico / tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos
aspectos técnicos (8%). A resistência é a capacidade motora que mais se desenvolve
(19%), seguindo-se a força (8%) a flexibilidade (8%), sendo a velocidade (3%) e a
coordenação (2%) as que menos se desenvolvem. Os treinadores das faixas etárias
em estudo desenvolvem as capacidades motoras condicionais dos seus atletas de
uma forma separada das questões técnico e técnico/tácticas.




Palavras-chave: FUTEBOL, ESTRUTURA DO TREINO, CRIANÇAS E JOVENS,
EXERCÍCIOS, CONTEÚDOS E MÉTODOS DE TREINO.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL        XI
Abstract




                                             Abstract

The inexistence of a theoretical basis for the children and young's trainers' work makes
it, in a certain way, empiric. Their training process is, to a large extent, unknown to the
training methodologists, due, a lot of times, to the lack of theoretical documents or to
the unavailability of the same ones to be examined (Marques, 1999).
This investigations’ aim is to characterize the Soccer training structure in both initiate
and juvenile step, to assert if there are differences in their training structures.
In order to accomplish this study, 625 training units of young male Soccer players', of
the former steps, were analyzed. Therefore six dossiers, concerning three teams of the
initiate step and three of the juvenile step, were reviewed.
We carried out a documental research, regarding training dossiers of the center of
Soccer training of FCDEF-UP. The statistical study, accomplished with SPSS 10.0,
included an analysis of frequencies, of descriptive measures, such as averages,
standard-deviation and percentages, and a t-test for comparison of age steps.
In short we may conclude that the training structure of the initiate step differs of the
juvenile one, having acknowledged significant differences, basically in all of the sample
analysis of our study. Soccer trainers of the initiate and juvenile steps give priority to
technician / tactical (51%) and physical (41%) aspects over technical aspects (8%).
Resistance is the motor capacity most improved by them (19%), followed by force
(8%), flexibility (8%), being speed (3%) and coordination (2%) the least improved ones.
The trainers of the focused age groups develop conditional motor capacities separate
from technician subjects.




KEY-WORDS: SOCCER, TRAINING STRUCTURE, CHILDREN AND YOUNG




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL             XIII
Résumé




                                             Résumé

L’absence d’un support théorique pour le travail des entraîneurs des enfants (12-14
ans) et des jeunes (14-16 ans), le rend, d’une certaine façon, empirique.
Leur méthode d’entraînement est, dans la plupart des fois, inconnue des experts
d’entraînement, parce que, les documents ne sont pas disponibles.
L´objectif de cette investigation est caractériser la structure de l’entraînement du
football dans les classes des enfants et des jeunes, et de vérifier s’il existe des
différences entre eux.
Pour la réalisation de cette étude c’était analysé 625 unités d’entraînement des jeunes
joueurs du football du sexe masculin. Dance ce but nous avon revu 6 dossiers, dont 3
concernant le grupe des enfants et les autres le grupe des jeunes.
Nous avon fait une recherche documentaire sur les dossiers d’entraînement de la
FCDEF-UP. L’étude statistique, réalisé avec le SPSS 10.0, inclu une analyse des
fréquences, des mesures descriptives, telles que les moyennes, les écarts type et les
pourcentages, et un T-test pour la comparaison de groupes d’âge.
Nous avon conclu que la structuration de l’entraînement de la classe des enfants est
différente de celle de la classe des jeunes. Nous avons vérifié des différences
significatives presque dans tous les points analysés dans notre étude.
Les entraîneurs de football des classes des enfants et des jeunes accordent plus de
priorité aux aspects technique/tactiques et physiques, qu’aux aspects techniques. La
résistance est la capacité motrice plus développée étant suivie por la force et la
flexibilité. La vitesse et la coordination ce présentent comme moins développées. Les
entraîneurs développent plutôt les capacités motrices conditionnelles de ses athlètes
d’une façon séparée des aspectes techniques ou technique/tactiques.




Mots-clefs: FOOTBALL, STRUCTURE DE L’ENTRAINEMENT, ENFANTS ET
JEUNES.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL       XV
Abreviaturas




                                         Abreviaturas

EPG – Exercícios de preparação geral
EEPG – Exercícios específicos de preparação geral
EEP – Exercícios específicos de preparação
CMC – Capacidades motoras condicionais
JDC – Jogos Desportivos Colectivos




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL          XVII
Introdução




      I.       INTRODUÇÃO

      1.1 PROPÓSITO E PROBLEMA DO ESTUDO

O presente estudo, corresponde à Dissertação de Mestrado em Ciências do
Desporto, variante Desporto para Crianças e Jovens, a apresentar na
Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do
Porto, elaborada sob a orientação do Professor Catedrático António Teixeira
Marques e co – orientado pelo Professor Doutor Júlio Manuel Garganta da
Silva.

O assunto versa caracterizar a estrutura do treino em Futebol no escalão de
iniciados e juvenis, procurando saber se existem diferenças na estruturação do
treino entre os escalões de iniciados e juvenis.

Castelo (2002), define treino como um processo pedagógico que tem como
objectivo o desenvolvimento das capacidades técnico / tácticas, físicas e
psicológicas do praticante e, ou equipa no âmbito das competições específicas,
através da prática metódica e planificada do exercício, de acordo com
princípios e regras científicas alicerçadas no conhecimento científico.

Para o treino de crianças e jovens, exige-se a definição de objectivos de
natureza formativa e educativa, o que obriga a equacionar a metodologia de
treino e preparação dos jovens como um processo pedagógico, onde as
características dos jovens atletas em formação têm de ser respeitadas (Pinto,
2003). A preparação desportiva dos mais jovens deverá entender o processo
de maturação numa perspectiva individual, com diferenças intersexuais e
interindividuais, condicionando de forma decisiva, a formação desportiva
(Marques e col., 2000)

Pinto (2003), refere que o processo de formação é composto por um conjunto
de etapas / estádios, pelos quais o atleta vai passando e onde supostamente
irá        desenvolver    diversas      capacidades         (físicas,     técnicas,   tácticas   e
psicológicas). Por tal, os treinadores de formação deveriam confrontar-se, no
momento inicial de planeamento da época desportiva, com um conjunto de
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 1
Introdução




questões centrais (O quê? Como? Quando?), cujas respostas estruturadas
auxiliariam a modelar as suas intervenções, de uma forma mais ajustada ao
desenvolvimento harmonioso dos jovens e a uma formação desportiva
orientada para o sucesso.

O mesmo autor, salienta que na realidade muitos dos treinadores de crianças e
jovens intervêm no treino de uma forma não sustentada por um planeamento
de base cuidado, mas sim por um conjunto de pretensões empíricas
decorrentes de um défice da base conceptual.

A inexistência de uma base teórica para o trabalho dos treinadores de crianças
e jovens, leva a que este seja de certa forma empírico. O seu processo de
treino é, na maior parte das vezes, desconhecido pelos metodólogos do treino,
devendo-se muitas vezes à falta de documentos teóricos ou à indisponibilidade
dos mesmos serem examinados (Marques, 1999).

Embora se fale muito no treino de Futebol, e também já se fale sobre o treino
de jovens, até ao momento, ninguém se preocupou em saber o que é feito com
os nossos jovens ao nível do treino. A estrutura e os conteúdos de treino de
crianças e jovens não são ainda bem conhecidos (Marques, 1989; Marques
1990; Marques 1991; Marques, 1993).

Marques e col. (2000), sustentam que a comparação entre os modelos de
referência para o treino nestas fases de idade com os dados empíricos
disponíveis, poderão ser extremamente importantes para uma melhor
compreensão da estrutura essencial do processo de treino de crianças e
jovens.

Assim, é nossa pretensão que, através da realização deste estudo se possa
compreender qual a estrutura do treino utilizada pelos treinadores de iniciados
e juvenis em Futebol, para que a possamos interpretar, descrever e comparar,
procurando contribuir para a evolução da metodologia de treino nos escalões
de formação em Futebol.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        2
Introdução




    1.2 ESTRUTURAÇÃO DO ESTUDO

Iniciaremos o nosso estudo com o primeiro capítulo que apresenta de forma
sucinta a investigação, situando a problemática da estruturação do treino nos
escalões de formação em futebol, assim como o caminho que esta
investigação irá seguir.

No segundo capítulo, faremos uma revisão da literatura acerca dos aspectos
relacionados com o tema em questão. Caracterizaremos o Futebol como
modalidade desportiva colectiva, o treino com crianças e jovens, as exigências
físicas e fisiológicas do jogo de Futebol, e por fim, a estrutura do treino em
crianças e jovens.

No terceiro capítulo, referiremos a metodologia utilizada para a realização do
estudo, onde descrevemos o objectivo geral, os objectivos específicos e as
hipóteses orientadoras da investigação. Procederemos à caracterização da
amostra, à descrição do método de pesquisa, e à transcrição dos
procedimentos estatísticos utilizados.

No quarto capítulo apresentaremos os resultados e a respectiva discussão.

No quinto capítulo apresentaremos as conclusões.

No sexto capítulo mencionaremos umas breves recomendações para a prática,
no treino de jovens Futebolistas.

No sétimo capítulo serão sugeridos possíveis prolongamentos ao nosso
estudo.

No oitavo capítulo apresentaremos a bibliografia utilizada para a realização
deste estudo.

No nono e último capítulo apresentaremos os anexos que consideramos
necessários.


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        3
Revisão da Literatura




II. REVISÃO DA LITERATURA

2.1 O FUTEBOL

O futebol ocupa um lugar importante no contexto desportivo contemporâneo,
dado que, na sua expressão multitudinária, não é apenas um espectáculo
desportivo, mas também um meio de educação física e desportiva, e um
campo de aplicação da ciência (Garganta, 2002).

O mesmo autor, refere que no decurso da sua existência, esta modalidade tem
sido ensinada, treinada e investigada, à luz de diferentes perspectivas, as quais
deixam perceber concepções diversas a propósito do conteúdo do jogo e das
características que o ensino e o treino devem assumir, na procura da eficácia.

O desenrolar do jogo de Futebol encerra um conjunto diversificado de
situações momentâneas do jogo que por si só, representam uma sucessão de
acontecimentos imprevisíveis. Os jogadores perante as situações – problema
que lhes sucedem no decorrer do jogo, têm de tomar decisões certas no meio
de uma grande imprevisibilidade.

Perante isto, é necessário que o processo de intervenção (treino) decorra cada
vez mais da reflexão metódica e organizada da análise competitiva do
conteúdo do jogo, ajustando-se e adaptando-se a essa realidade. Este
contexto, orienta irremediavelmente a forma de encarar a prática, não sendo
esta reduzida à “simples” alternância entre a carga (esforço) e descanso
(regeneração). Daí a necessidade desta assentar numa base teórica – prática
formulada e fundamentada a partir da análise do seu conteúdo, pois só assim,
podemos intervir eficientemente nessa realidade competitiva. De forma a
elaborar uma actividade metodológica – sistemática e diferenciada, e definir
igualmente os fundamentos pedagógicos do seu ensino (Castelo, 1994).




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        2.1.1 FUTEBOL, SUA NATUREZA E SUA ESSÊNCIA

Cada jogo desportivo, definido pelas suas regras, possui uma lógica interna
bem precisa, que irá influenciar e coordenar os comportamentos dos seus
intervenientes (Tavares, 2002).

O futebol pertence a um grupo de modalidades desportivas, que se
caracterizam por revelarem características próprias e comuns, habitualmente
designadas por jogos desportivos colectivos (JDC). Sem diminuir a importância
das restantes características, a relação de oposição entre os elementos das
duas equipas em confronto e a relação de cooperação entre os elementos da
mesma equipa, ocorridas num contexto aleatório, é o que traduz a essência do
jogo de futebol (Garganta e Pinto, 1998). Castelo (1996) afirma que o futebol é
um jogo desportivo colectivo, no qual os intervenientes estão agrupados em
duas equipas numa relação de adversidade – rivalidade desportiva, numa luta
incessante pela conquista da posse de bola (respeitando as leis do jogo), com
o objectivo de a introduzir o maior número de vezes na baliza adversária e
evitar o inverso, com vista à obtenção da vitória. Para que se atinja essa
finalidade, o futebol possui uma dinâmica própria, um conteúdo que se define
como essência de jogo. Esta essência moldada pelas leis do jogo, dá origem a
uma série de atitudes e comportamentos técnico / tácticos mais ou menos
estereotipados.

Trata-se de uma actividade desportiva que ocorre em contextos nos quais os
elementos que se defrontam disputam objectivos comuns, lutando para gerir
em proveito próprio, o tempo e o espaço, e realizando acções reversíveis de
sinal contrário (ataque versus defesa) alicerçadas em relações de oposição
versus cooperação. Por tal, o futebol caracteriza-se por ser uma actividade fértil
em acontecimentos que ocorrem em contextos permanentemente variáveis de
oposição e cooperação, e cuja frequência, ordem cronológica e complexidade
não podem ser pré determinadas (Garganta, 2002b).

Garganta & Pinto (1998), referem que a ocorrência de determinada acção do
jogo, mesmo a mais elementar, como uma corrida ou salto, num dado

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momento poderá ser mais ou menos pertinente, em função das configurações
que o jogo apresenta nesse preciso momento, conferindo à dimensão
estratégico – táctica uma importância capital.

Garganta (2002b) sustenta que a essência estratégico – táctica deste tipo de
modalidades (jogos desportivos) decorre de um quadro de referências que
contempla:

        -    O tipo de forças (conflituidade) entre os efectivos que se defrontam;

        -    A variabilidade, a imprevisibilidade e aleatoriedade do contexto em
             que as acções do jogo decorrem;

        -    As características das habilidades motoras para agir num contexto
             específico.

        2.1.2 FUTEBOL, UM JOGO DE OPOSIÇÃO / COOPERAÇÃO, UM JOGO TÁCTICO

Losa e Castillo (2000), referem que o futebol possuiu uma estrutura e
funcionalidade muito complexa e absolutamente distinta dos desportos onde
predomina a técnica. O futebol pertence ao grupo dos desportos de
cooperação / oposição, a técnica é somente um dos seis parâmetros que
configuram a lógica interna do mesmo (regras, técnica, espaço, tempo,
comunicação e estratégia). A execução técnica do possuidor da bola, vai ser
directamente influenciada por factores como a situação espacial da bola, dos
companheiros e dos adversários. Acções marcadas por a incerteza, que por
consequência reportam o futebol a um desporto onde a percepção e a tomada
de decisão são no mínimo de igual importância à execução.

O jogo de futebol exige que os seus praticantes possuam uma adequada
capacidade de decisão, que precede e implica uma ajustada leitura de jogo
(Garganta & Pinto, 1998). Somente após uma correcta leitura de jogo, se
poderá materializar a acção através dos atributos técnicos. Os mesmos autores
afirmam que os factores de execução técnica são sempre determinados por um
contexto táctico. Pois face ao jogo, o problema primeiro é de natureza táctica,


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isto é, o praticante deve saber o que fazer, para poder resolver o problema
subsequente, o como fazer, seleccionando e utilizando a resposta motora mais
adequada (Garganta, 2002a).

O futebol como desporto colectivo caracteriza-se por ser um confronto entre
duas equipas, que em competição são constituídas por onze elementos, o que
perfaz a quantia de vinte e dois elementos a interagirem ao mesmo tempo, o
que torna mais complexa a leitura de jogo. As acções dos jogadores deverão
ser conjugadas mediante os seus companheiros e adversários, é um jogo de
cooperação/oposição pois implica uma constante comunicação entre os
membros da mesma equipa e uma contra comunicação entre adversários. “Ao
observarmos um jogo de Futebol minimamente organizado, mesmo que ambas
as equipas em confronto não se distingam pela cor ou padrão do equipamento,
é possível, passado algum tempo, identificar os elementos constituintes de
cada uma delas. Esta possibilidade resulta do facto de que a referida relação
de oposição/cooperação, para ser sustentável e eficaz, reclama dos jogadores
comportamentos congruentes com as sucessivas situações do jogo, de acordo
com os respectivos objectivos de sinal contrário de cada uma das equipas”
(Garganta, 2002). Obrigando desta forma a que os seus intervenientes
cooperem de uma forma congruente e harmoniosa nas distintas fases de jogo
(ataque, defesa), procurando desenvolver as acções de jogo mais adequadas
às situações de momento, acções essas, que irão ser influenciadas pelas
mudanças que se produzem em torno do mesmo, da bola, dos companheiros e
adversários.

Cerezo (2000) define os princípios gerais da acção de jogo em função da
equipa possuir ou não, a bola (Figura II-1).




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                                         Princípios Gerais da acção de jogo




                              Ataque                                             Defesa


                                                          Transição
              Manutenção da posse de bola                                  Recuperar a posse de bola




           Progressão com bola na direcção                                Impedir a progressão da bola
                       da baliza adversária                                  na direcção da baliza




             Procura do desequilibro defensivo                             Proteger a baliza evitando
                    com o intuito de finalizar                                    o golo
Figura II-1: Princípios gerais da acção do jogo (adap. de Cerezo, 2000)



Os jogadores deverão organizar-se para realizar as acções de jogo mais
adequadas, face à fase de jogo em que se encontram, influenciada pela posse
ou não de bola. Tendo como objectivo a obtenção do golo nos momentos em
que possuem a bola, e evitar que a equipa adversária obtenha a posse de bola,
afastando desta forma a possibilidade de sofrer um golo.

O Futebol, poderá definir-se quanto à sua estrutura, como um desporto
colectivo onde se produz uma interacção motriz entre os participantes, como
consequência da presença de companheiros e adversários, utilizando um
espaço comum (standard) e com uma participação simultânea mediante uma
cooperação/oposição. (Cerezo, 2000)




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                                         PRÁTICA DE FUTEBOL




           Objectivo: realizar movimentos, esforços e acções em sequências variáveis e
           intermitentes para que a bola chegue à sua meta (golo) e/ou evitar o inverso




             Interacção motriz                                                       Utilização do
                                                                                       Espaço


       Presença de companheiros e                                                  Comum (Standard)
               Adversários                                                              Incerto



                                                  PARTICIPAÇÃO



                                                 Simultânea
                                            Cooperação/oposição
                                            (desporto sociomotriz)



                        ANÁLISE FUNCIONAL COMO DESPORTO DE EQUIPA

Figura II-2: Estrutura do Futebol a partir do seu objectivo (adap. Cerezo, 2000)


O futebol é um jogo de equipa, um jogo em que as acções individuais devem
ser totalmente congruentes com a participação simultânea dos companheiros e
adversários. O desempenho motor, a técnica, é condicionada pelo momento,
pelo adversário, pelos companheiros, e se quisermos ser mais específicos,
pelas condições climatéricas, pelo resultado, etc. O futebol é essencialmente
um jogo táctico, um jogo de momentos felizes e de momentos menos felizes
onde a decisão tomada por um jogador, numa fracção de segundo, pode levar
uma equipa “à glória” ou não.




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        2.1.3 PERSPECTIVAS PARA O ENSINO E TREINO DO FUTEBOL ENQUANTO JOGO
DESPORTIVO COLECTIVO (JDC)

Desde os anos 60, que a didáctica dos jogos desportivos repousa numa análise
formal e mecanicista. Os processos de ensino e treino têm consistido em fazer
adquirir aos praticantes sucessões de gestos técnicos, empregando-se muito
tempo no ensino da técnica e muito pouco, ou nenhum no ensino do jogo
propriamente dito (Gréhaigne & Guillon, 1992).

O ensino e treino dos JDC, obedeceram inicialmente a uma metodologia de
eminência técnica a partir do domínio dos Skills motores, antes da
aprendizagem, da compreensão e gestão do envolvimento do jogo (Gréhaigne
& Godbout, 1995), resultado das influências dos desportos individuais, até
então, mais avançados nas suas concepções de ensino e treino.

Alguns autores começaram a questionar este método, por enfatizar a
aprendizagem das habilidades técnicas antes da compreensão do jogo.
Garganta (1997) questiona-o referindo que, um jogador considerado bom
tecnicamente sem a oposição de adversários, poderá não o ser quando
colocado em situação de jogo com oposição. Pois os praticantes sujeitos à
aplicação do modelo técnico de ensino dos jogos desportivos, revelam um
poder de iniciativa limitado e um escasso conhecimento do jogo, pois existe
pouca transferência da aprendizagem técnica para situação real de jogo.

Queiroz (1986) refere que, enquanto para uns, o jogo é a soma das funções
técnicas e tácticas parciais, cujo domínio (parcelar) permite atingir o êxito
global, para outros, o jogo não pode ser separado nas suas várias
componentes. Englobando-se nesta última perspectiva, defende ainda a
constituição da indivisibilidade das componentes como o princípio metodológico
fundamental do ensino e treino do jogo.

O Futebol exige dos praticantes uma adequada capacidade de decisão, que irá
decorrer de uma ajustada leitura de jogo. No momento de materializar a acção,




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torna-se necessário utilizar uma gama de recursos motores específicos,
genericamente designados por técnica (Garganta & Pinto, 1998).

Os mesmos autores afirmam que no futebol, os factores de execução,
designados por técnica, são sempre determinados por um contexto táctico,
levando a que a verdadeira dimensão da técnica repouse na sua utilidade para
servir a inteligência e a capacidade de decisão táctica dos jogadores e das
equipas no jogo.

No entanto, no treino, por vezes é privilegiada a dimensão eficiência (forma de
realização) da habilidade, independentemente das dimensões eficácia
(finalidade) e adaptação, isto é, do ajustamento das soluções e respostas ao
contexto (Graça, 1994). Esta perspectiva ensina o modo de fazer (técnica)
separado das razões (táctica), Bunker & Thorpe (1982) constataram que,
quando a técnica é abordada através de situações que ocorrem à margem dos
requisitos tácticos, ela adquire um transfere diminuto para o jogo.

No decurso de um jogo surgem tarefas motoras de grande complexidade para
cuja resolução não existe um modelo de execução fixo (Faria & Tavares, 1992).

Mombaerts (1998); Cerezo (2001) consideram o futebol como uma actividade
motora complexa, uma actividade de regulação externa, em que os seus
intervenientes deverão realizar as acções após uma análise prévia da situação
(Figura II-3).

Segundo os mesmos autores, um jogador quando se depara com uma situação
decorrente do jogo (com ou sem bola, com um adversário directo ou indirecto)
deverá pôr em prática a sua habilidade motriz, para resolver o problema
momentâneo com que se depara, através:

    -   Do seu mecanismo perceptivo, que poderá informar sobre os estímulos
        presentes (companheiros, adversários, bola...), sobre as relações
        espaço – temporais (distâncias dos jogadores, bola; ritmo de execução,
        etc.). O jogador deverá observar, para obter a informação mais correcta,
        da situação momentânea;

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    -     Do seu mecanismo de decisão, planeio mental sobre o que se poderá
          fazer numa dada situação, análise ou antecipação de uma situação para
          a solucionar. Mombaerts (1998), salienta a importância de os jogadores
          desenvolverem a inteligência de jogo mediante a capacidade de
          estabelecerem estratégias motoras, pondo-as em prática através da sua
          táctica individual e colectiva. O autor considera este mecanismo
          fundamental e determinante para esta modalidade desportiva;

    -     Do seu mecanismo de execução, resposta motriz para resolver a
          situação de jogo, sendo necessário utilizar as capacidades motoras,
          assim como, as habilidades técnicas.


                                         Habilidade para resolver um
                                              problema do jogo



                                                    Requer



                                               Mecanismo
     O que se passa?                           Perceptivo        Observar           Informação da situação

                               Estímulos, Relações Espaciais e Temporais




                                            Mecanismo de
                                              decisão
        O que fazer?                                             Analisar/decidir      Resposta adequada

                                     Capacidades Cognitivas: Táctica




        Como fazer?                         Mecanismo deRe      Solução da situação         Resposta motriz
                                             execução

                               Estímulos, Relações Espaciais e Temporais
                                                                                Objectivo


                       Obter um comportamento óptimo em competição, através da
                       utilização de todas as capacidades e habilidades individuais
                       actuando colectivamente.

FiguraII-3: O Futebol como uma actividade motora complexa. (adap. de Cerezo, 2001; Monbaerts, 1998)



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Revisão da Literatura




“Nesta perspectiva, numa partida de futebol afigura-se mais importante saber
gerir regras de funcionamento, ou princípios de acção do que utilizar técnicas
estereotipadas ou esquemas tácticos rígidos e pré-determinados. O bom
jogador ajusta-se não apenas à situação que vê mas também àquilo que prevê,
decidindo em função das probabilidades de evolução do jogo” (Garganta &
Pinto, 1998; Garganta 2002a). Fuentes e col.(1998), sustentam a necessidade
de se trabalhar mais os mecanismos de percepção e decisão, do que os
mecanismos específicos de execução, pois consideram preponderante, nas
etapas de formação, que os praticantes aprendam a observar e a perceber o
que se sucede à sua volta, de forma a que analisem adequadamente as
situações que surgem em jogo, podendo desta forma responder com eficácia.
Em função da experiência que os praticantes adquirem com o treino e sua
criatividade, estas respostas poderão vir a ser cada vez mais adequadas e
originais.

Bunkers & Thorpe (1982) propõem um modelo que, proporciona uma maior
consciência táctica do jogo, uma vez que integra os padrões de decisão
característicos da actividade (Figura II-4).




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                                                        (1) Jogo



                      (2) Apreciação                                                (6) Acção Motora




                                                       APRENDIZ




                      (3) Consciência                                                (5) Habilidade
                          táctica                                                       motora


                                                      (4) Decisões:


                                                 O que fazer? Como fazer?



Figura II-4 – Cadeia Acontecimental do Comportamento Táctico-Técnico do Jogador no Jogo. (Bunker & Thorpe, 1992)




Nos JDC a dimensão táctica ocupa o núcleo da estrutura de rendimento
(Konzag, 1991; Faria & Tavares, 1992; Gréhaigne, 1992), pelo que a função
principal dos demais factores, sejam eles de natureza técnica, física ou
psíquica, é a de cooperar no sentido de facultarem o acesso a desempenhos
tácticos de nível cada vez mais elevado.

É fundamental iniciar-se a aprendizagem, valorizando estes aspectos, ou seja,
toda a acção técnica deve ter um fim táctico, se tal não acontecer o treino
poderá ser inconsequente.

De acordo com as afirmações anteriores, torna-se lógico que o ensino e o
treino em futebol não deverão restringir-se a aspectos biomecânicos, ao gesto
em si, mas atender sobretudo às imposições da sua adequação às situações
do jogo (Garganta & Pinto, 1998).




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                                                                                                             15
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                                                  Jogo



               Apreensão do                                                       Acção
                   jogo
                                                                                  Motora




                Capacidade                                                      Habilidade
                  táctica                                                         motora


                                                 Decisões:


                                               O que fazer?

Figura II-5 - Cadeia Acontecimental do Comportamento Táctico / Técnico do Jogador no Jogo (Garganta & Pinto, 1998)


Todas as acções técnicas, para que sejam eficazes necessitam, para além de
uma execução correcta, da sua execução no “timing” certo, se tal não ocorrer,
a acção técnica irá perder a sua importância.

A técnica é importante? Mesquita, (1997) argumenta que, o ensino dos JDC é
uma competência que está obrigatoriamente dependente da mestria das
técnicas do jogo. Ser portador de uma boa técnica permite ao jogador ficar
liberto para ler o jogo e consequente decidir melhor, prevalecendo na relação
com a bola, o controlo quinestésico em detrimento do visual, o jogador
tecnicamente evoluído fica liberto para analisar as situações de jogo e,
consequentemente, poder optar pelas melhores soluções. Mas, a técnica só
revela a sua importância quando aplicada oportunamente, isto é, quando
ocorre uma execução técnica, tacticamente correcta.

A aprendizagem dos procedimentos técnicos constitui apenas uma parte dos
pressupostos necessários para que, em situação de jogo, os praticantes sejam
capazes de resolver os problemas que o contexto específico lhes coloca.
Desde os primeiros momentos da aprendizagem, importa que os praticantes
assimilem um conjunto de princípios que vão do modo como cada um se
relaciona com o móbil do jogo (bola), até à forma de comunicar com os colegas



ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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Revisão da Literatura




e contra-comunicar com os adversários, passando pela noção de ocupação
racional do espaço de jogo (Garganta & Pinto, 1998).

Malglaive (1990) e Gréhaigne & Godbout (1995), sustentam que o sistema de
conhecimento, nos desportos colectivos, decorre de regras de acção, regras de
organização e capacidades motoras (Figura II-6).



                             Regras de acção                        Regras de gestão e
                                                                    organização do jogo




                                               Organização colectiva
                                                     e individual




                                                   Capacidades
                                                      motoras


Figura II-6- Conteúdos do Conhecimento em Desportos Colectivos. (Malglaive, 1990 ; Gréhaigne & Godbout, 1995)


As regras de acção são orientações básicas acerca do conhecimento táctico do
jogo, que definem as condições a respeitar e os elementos a ter em conta para
que a acção seja eficaz (Gréhaigne & Guillon, 1991). As regras de organização
do jogo, estão relacionadas com a lógica da actividade, nomeadamente com a
dimensão da área de jogo, com a repartição dos jogadores no terreno, com a
distribuição de papéis e alguns preceitos simples de organização que podem
permitir a elaboração de estratégias. As capacidades motoras, englobam a
actividade perceptiva e decisional do jogador, bem como os aspectos da
execução motora propriamente dita.

A evolução do Futebol terá necessariamente de apostar, de forma inequívoca,
no entendimento e no ensino do jogo (Garganta & Pinto 1998), estando os
treinadores obrigados, em todos os níveis de ensino e treino do jogo, a
procurar formas e métodos que promovam jogadores que pensem e raciocinem
em cada uma das acções em que intervêm (Greco, 1988). É necessário que o
jogador compreenda a lógica interna do jogo, os princípios gerais e específicos

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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que regem o seu comportamento, e seja capaz de os aplicar de forma
inteligente, depois de uma análise prévia da situação de jogo (Cárdenas, 2000).

        2.1.4 REFERÊNCIAS FUNDAMENTAIS PARA O ENSINO DO FUTEBOL

Actualmente, a perspectiva de ensino e treino mais emergente é aquela que a
partir de uma análise do jogo e da sua estrutura, apresenta o ensino e treino de
uma forma mais global, com uma dimensão mais complexa e mais próxima da
realidade do jogo. Esta visão emergiu no sentido de superar a tendência
dominante de corte analítico, mecanicista e técnico, apoiando-se na psicologia
cognitiva e nos modelos de execução (Garganta, 1994)

Esta concepção de treino integral tem como ponto de partida o Futebol
enquanto jogo, no qual os problemas fundamentais dos jogadores são, por um
lado a adaptação das suas condutas em relação de oposição (jogar contra
adversários), e por outro a adaptação das suas condutas à relação de
colaboração (jogar com os companheiros) (Mombaerts, 1998).

                 2.1.4.1 CONDICIONANTES ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS


Se compararmos o Futebol, no plano estrutural, com outros denominados
grandes jogos desportivos colectivos (Andebol, Basquetebol e Voleibol),
constatamos algumas diferenças extensivas ao plano funcional, que nos
permitem retirar ilações importantes para a orientação do processo de
ensino/treino deste jogo (Garganta & Pinto, 1998):

                 2.1.4.2 DIMENSÃO DO TERRENO DE JOGO E NÚMERO DE JOGADORES


Quanto maior for o espaço de jogo mais elevado terá de ser a capacidade para
o cobrir, mental e fisicamente. Deste modo, uma educação mental sistemática
torna o jogador capaz de utilizar, de uma forma inteligente o conhecimento
adquirido, através das suas características psicomotoras (Mahlo, 1980).

Sabe-se que um campo de Futebol de onze é um espaço muito grande,
correspondendo aproximadamente à superfície de 10 campos de Andebol, 20
campos de Basquetebol e 50 campos de Voleibol (Bauer & Ueberle, 1988 cit.

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Garganta & Pinto, 1998). Para além disso, o número de jogadores a referenciar
num jogo, condiciona a complexidade inerente à percepção das situações
(leitura do jogo).

O desenvolvimento da progressiva extensão do campo perceptivo (da visão
centrada na bola, à visão centrada no jogo) é um dos aspectos mais
importantes a que se deve atender na formação, na medida em que o jogo de
Futebol reclama uma atitude táctica permanente.

A capacidade de raciocinar tacticamente, mediante as variadas e imprevistas
situações-problema a que o jogo submete os atletas, tem de ser desenvolvida
no treino, isto é, aumentar e consolidar a capacidade de controlo cinestésico
sobre a execução do movimento quando em posse de bola, capacitando-os
para utilizarem a visão para as funções de leitura do jogo (jogar de cabeça
levantada). Para que tal possa ocorrer Guterman (1996) refere que, será
necessário a construção de noções de jogo segundo processos altamente
participativos, uma vez que, jogar nas condições regulamentares da
competição formal, leva a que essa participação possa vir a ser bastante
reduzida.

Esta é uma das muitas razões pelas quais se torna aconselhável que, nas
fases iniciais quando o praticante tem dificuldade em controlar a bola, o jogo
seja aprendido num espaço mais reduzido e com um menor número de
jogadores (5 ou 7 jogadores, por exemplo), tornando os exercícios mais
adaptados às reais dificuldades do jogador, podendo o assim aumentar a
aprendizagem do mesmo (Queiroz, 1986).

                          2.1.4.3 DURAÇÃO DO JOGO


O jogador de Futebol deve estar capacitado para responder eficazmente às
situações, agindo duma forma rápida e coordenada e repetindo essas acções
ao longo do jogo.

De notar, por exemplo, que, para equipas seniores, do tempo estabelecido para
uma partida de Futebol de onze (90 minutos), o tempo de jogo efectivo é de

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apenas 50 minutos. Durante este tempo, cada equipa poderá estar na posse da
bola, em média, 25 minutos e cada jogador entre 30 segundos (defesas
centrais) e um máximo de 3 minutos (para os condutores de jogo). Durante
todo o restante tempo os jogadores seleccionam informações, analisam-nas e
tomam decisões (Bauer & Ueberle, 1988 cit. por Garganta & Pinto, 1998);
Gréhaigne, 1992).

A aprendizagem adequada destes aspectos passa pela utilização de técnicas e
de procedimentos de ensino que provoquem um confronto do aluno com
problemas, para os quais ele vai procurar solução. Esta metodologia procura
enfrentar o jogador com situações práticas, nas quais a lógica do movimento
seja entendida de uma forma progressiva, para que quando lhe seja
apresentado o problema, na sua globalidade, tenha possibilidades de o superar
com êxito (Mombaerts, 1998; Cerezo, 2001).

O ensino do Futebol visa a formação de jogadores inteligentes, tornando-os
capazes de actuar e tomar decisões em função da leitura das diferentes
situações que o jogo lhes oferece (Mangas, 1999). Deste modo o pensamento
táctico é um pressuposto a desenvolver desde a aprendizagem do jogo (Thorpe
& Bunker, 1982).

Esta constatação implica que seja estabelecida uma relação entre a técnica e a
táctica em favor desta e que se atribua uma grande importância ao jogo sem
bola. Esta necessidade é evidente quando se verifica a existência de jogadores
que nos testes técnicos obtêm a máxima pontuação, onde a sua capacidade de
drible perante um obstáculo imóvel, os seus malabarismos, as suas fintas são
tecnicamente perfeitas, mas perante a aplicação no terreno de jogo não tem a
mesma eficácia, quando faz um drible bem, mas fora de tempo, quando remata
através de uma execução correcta, mas na direcção do guarda-redes (Fradua
Uriondo, 1997).




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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                          2.1.4.4 CONTROLO DA BOLA


O Futebol, o Andebol e o Basquetebol, são jogos de território comum e
participação simultânea, em que existe luta directa pela posse da bola. No
entanto, as possibilidades de assegurar o controlo da bola são teoricamente
maiores para os jogadores de Andebol e de Basquetebol do que para os
praticantes de Futebol. A utilização das mãos (no Andebol e no Basquetebol)
permite agarrar a bola e assim melhor a proteger e controlar, bem como dar-lhe
a direcção desejada.

A aprendizagem do jogo de Futebol implica a construção da mestria da relação
com a bola, em função das exigências tácticas do jogo. A limitação específica
desta aprendizagem passa pela necessidade do praticante de Futebol ter que
jogar a bola quase exclusivamente com os membros inferiores, estando estes
simultaneamente implicados no equilíbrio do corpo e nos deslocamentos.
Acresce o facto do jogo se desenvolver, predominantemente, num plano baixo,
o que concorre para dificultar a disponibilização da visão para efectuar a
"leitura do jogo".

“Ler” o jogo é seguramente uma tarefa difícil de conseguir com pleno sucesso
pela quantidade e complexidade dos factores a que está sujeito. É no entanto
uma tarefa de extrema importância para o jogador e determinante para o
sucesso das competências que lhe estão atribuídas. (Martins, 1999).

Neste contexto, quando um jogador erra frequentemente determinada resposta
motora, torna-se importante identificar se tal decorre duma leitura deficiente da
situação (mecanismo perceptivo e de decisão mental), ou se deriva da sua
ineficiência técnica ou física para responder a tal situação.

                 2.1.4.5 FREQUÊNCIA DE CONCRETIZAÇÃO


Em equipas de jogadores de elite, em média, no Andebol consegue-se um golo
em cada dois minutos; nos jogos de Basquetebol e de Voleibol consegue-se
concretizar pontos em cada minuto. A relação entre as acções de ataque e
êxitos quantificáveis é aproximadamente nestas modalidades de 2 para 1,

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                                                                                                  21
Revisão da Literatura




enquanto que no Futebol é apenas de 50 para 1. Isto permite que, não
raramente no Futebol, equipas de nível inferior possam conseguir bons
resultados frente a equipas de elevado nível, o que dificilmente acontece
noutros desportos de equipa.

Estas constatações não devem conduzir a uma diminuição da importância
atribuída à finalização no ensino/treino do Futebol. Bem pelo contrário, dever-
se-á propiciar a criação de um grande e variado número de ocasiões de
finalização, quando não o praticante perde de vista o objectivo central do jogo
(o golo) e centra a sua actuação ao nível do jogo de transição, provocando um
desequilíbrio entre jogo indirecto e jogo directo.

                 2.1.4.6 COLOCAÇÃO DE ALVOS


No Futebol, tal como no Andebol, e duma forma diversa do que acontece no
Basquetebol e no Voleibol, a colocação dos alvos (balizas) na vertical, faz
"variar" a sua largura aparente, em função da posição (ângulo) em que estão a
ser visualizadas pelo jogador (Gréhaigne, 1992). Esta indicação reveste-se de
grande importância na construção do pensamento táctico do principiante, na
medida em que permite interiorizar as noções de conquista/defesa do eixo do
terreno, de jogo directo e indirecto, e de abertura/fecho de ângulos de remate.

2.2 TREINO COM CRIANÇAS E JOVENS

Sobre o treino com crianças e jovens e sua participação desportiva, muito se
tem escrito em vários artigos e muito se tem dito em conferências sobre o
tema. A polémica entre os especialistas na matéria existe e subsiste,
envolvendo sobretudo, as consequências para a saúde criando controvérsia
sobre a participação de crianças e jovens no desporto de rendimento (Marques
e Oliveira, 2002). Polémica que levanta reflexões, essencialmente sobre, quais
deverão ser as configurações e contornos da actividade de treino e competição
em crianças e jovens, elevando a problemática, ao motivar divergências
concernentes às melhores estratégias de actuação (Marques e Oliveira, 2002).
Esta problemática que se levanta, que desenvolve teorias implicando
convergências e divergências entre os especialistas, não é um “problema” é
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  22
Revisão da Literatura




ciência. O verdadeiro problema reside no facto da teoria e pratica, na maioria
dos casos, ainda estarem extremamente distantes para o que seria desejável.
Isto é, tudo que se escreve e se diz sobre o tema é, por vezes ou quase
sempre, tão depressa aplaudido e louvado, como esquecido por aqueles que
deveriam por toda a teoria em prática.

Os problemas surgem quando, o treino e a participação competitiva de crianças
e jovens tende a reproduzir e a adaptar os conhecimentos e formas de
organização do desporto de alto rendimento (com algumas adaptações
indispensáveis) (Marques, 1997); (Proença, 1998). Quando a valorização e
reconhecimento social dos mais jovens, através dos resultados competitivos, é
tanto maior quanto menores são as hipóteses de êxito do clube, nas
competições seniores (Proença, 1998). Quando para muitos treinadores,
dirigentes e pais, a vitória nas competições continua a ser o objectivo principal,
onde a procura do rendimento imediato impõe estratégias de treino que
produzem resultados a curto prazo, mas comprometem os resultados futuros e
frustram as expectativas de crianças e jovens, subvertendo toda a lógica da
formação (Marques, 1997).

Estes erros estão associados na maioria dos casos à especialização precoce e
ao abandono prematuro da prática desportiva. Erros cometidos em nome de
interesses inconfessados, por falta de preparação pedagógica e científica,
jamais poderão ser tolerados nos dias de hoje, pois os conhecimentos
científicos sobre a optimização dos pressupostos do rendimento e sobre o
desenvolvimento do indivíduo nas fases evolutivas mostram claramente que
nada se justifica para tal. A não ser a ignorância ou interesses reprováveis
(Marques, 1991). Por tal “não se peçam vitórias aos treinadores dos mais
jovens. No desporto, como em tudo, o tempo de formação é de preparação”
(Marques & Oliveira, 2002 pp65).

Marques (1997); Marques, (1991) sustenta que a preparação desportiva de
crianças e jovens não pode estar subordinada a interesses pessoais,
científicos, materiais e financeiros, ou a outros interesses, que, valorizando
exclusivamente o rendimento, poderão tornar a criança num instrumento de
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  23
Revisão da Literatura




preocupações que, para além de serem gravosas para os mesmos poderão
hipotecar o seu futuro desportivo.

Marques, (1991) refere que a preparação desportiva poderá ser um
pressuposto fundamental para o desenvolvimento harmonioso da criança e
também para a criação de condições para a optimização do rendimento
desportivo, desde que:

    -   Se realize em articulação com a escola;

    -   Seja enquadrada pelos melhores professores de desporto ou técnicos
        desportivos;

    -   Tenha como referência axial a saúde física e mental da criança, o
        respeito pela sua individualidade biológica, e a observância das
        particularidades de cada especialidade desportiva.

O treino e a competição devem situar-se num quadro estrito de respeito pela
educação, formação e defesa dos interesses dos jovens atletas (Marques,
1999)

        2.2.1 O TREINADOR DE CRIANÇAS E JOVENS

Treinar crianças e jovens é tudo menos uma tarefa fácil, pois trata-se de um
processo complexo de gerir, o que exige treinadores bem preparados. Não se
trata apenas de utilizar metodologias de treino que se coadunem com
experiências vividas como atletas ou plagiar o treino dos seniores. O processo
de formação que se prolonga por vários anos, para que tenha um requerimento
eficaz das mais valias pedagógicas, de extrema importância para o
desenvolvimento dos jovens e do desporto, requer e exige não apenas
treinadores qualificados no plano técnico – científico, como treinadores com
uma particular sensibilidade para as questões pedagógicas (Marques, 2002).

Marques, (2002) sustenta que para se ser treinador de crianças e jovens
existem três condições essenciais:


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                                                                                                  24
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    -    Gostar do desporto em questão;

    -    Gostar de trabalhar com crianças e jovens;

    -    Estar preparado para um trabalho exigente, demorado e cujos
         resultados não são “visíveis” e vão aproveitar a terceiros.

         Lee, (1999) refere que, compete ao treinador:

    -    Ensinar as técnicas e organizar sessões de treino de acordo com o nível
         de cada atleta;

    -    Proporcionar bastante tempo de prática;

    -    Definir objectivos individuais para cada jovem;

    -    Corrigir os erros e explicar de forma clara a forma de os ultrapassar;

    -    Apreciar as crianças pelo modo como evoluem e não por comparação
         com os outros.

O treinador deverá proporcionar aos seus atletas uma formação completa, o
que significa que o mesmo tem, para além de tarefas desportivas estritas,
responsabilidades pedagógicas pelo presente e futuro das crianças que lhes
são confiadas. Tal exige conhecimentos sobre o desenvolvimento motor,
biológico, psíquico e social das crianças e jovens, mas também capacidade de
integração desses conhecimentos nas propostas da prática. Assim sendo a
formação desportiva exige técnicos qualificados (Marques, 1991;Marques,
1999).

O treinador terá de ter em mente que, os grandes resultados desportivos
dificilmente irão surgir à mercê de um trabalho a curto prazo, que a preparação
dos atletas é um processo longo, demorado e complexo, sendo necessário
contemplar diferentes etapas, subordinadas aos grandes objectivos do treino e
da preparação desportiva (Marques, 1985). Somente assim poderão surgir
campeões, na vida e no desporto.


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        2.2.2 ETAPAS DE PREPARAÇÃO

A preparação de um atleta para que mais tarde possa vir a ter expectativas de
rendimento elevado, é um processo a longo prazo. Um processo que
contempla várias etapas, das quais umas estão directamente relacionadas com
o rendimento e as restantes com ele indirectamente relacionadas, sendo
“causa” ou “consequência” do mesmo (Marques, 1985).

Etapas essas que deverão subsistir e se subdividir, não apenas por meros
aspectos organizativos mas sim por aspectos profundamente ligados às
ciências biológicas, médicas, humanas, sociais... que se coadunem com as
etapas do desenvolvimento ontogénico do ser humano ao mesmo tempo que
subordinam e integram os grandes objectivos do treino e da preparação
desportiva (Marques, 1985).

O autor subdivide as etapas de preparação de um atleta em: (Quadro II-1)

                 -        Etapa de preparação preliminar;

                 -        Etapa de especialização inicial ou de base;

                 -        Etapa de especialização aprofundada;

                 -        Etapa de performances maximais;

                 -        Etapa de manutenção das performances;

                 -        Etapa de manutenção do nível geral de treino.




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Quadro II-1 – Grandes objectivos do treino e da preparação desportiva. (adap. de Marques, 1985)
                    Referências                              Orientações metodológicas
      Etapas                              Objectivos                                          Suas justificações
                     prováveis                                       dominantes

                                                                                               Rápida maturação do
                                                                                                 sistema nervoso:
                                                             Dominância de uma formação
                                        Criação dos                                            desenvolvimento da
                                                             geral-muitipla e diversificada.
                                      fundamentos da                                             rede sináptica e
   De preparação    7/8 aos 11/12                                Desenvolvimento das
                                    prestação desportiva.                                          mielinização.
     preliminar         anos                                capacidades desportivas gerais.
                                    Optimização dos pré-                                       Evolução mais lenta
                                                               Incidência de trabalho em
                                     requisitos motores                                        das outras estruturas
                                                                        volume.
                                                                                                    biológicas.



                                                                                                   Período Pré-
                                                              Selecção inicial e inicio da
                                                                                                   pubertário e
                                                                    especialização.
                                                                                                pubertário. Rápido
                                                                 Desenvolvimento das
                                     Desenvolvimento e                                         desenvolvimento de
                                                             capacidades motoras gerais.
                                    aperfeiçoamento dos                                         certas estruturas (
                                                            Prática de uma 2ª modalidade.
         De                           fundamentos da                                              morfológicas –
                                                             Desenvolvimento gradual das
   especialização   11/12 aos 14    prestação. Introdução                                            ósseas)
                                                                 capacidades motoras
    inicial ou de       anos         de elementos que                                           acompanhada de
                                                              específicas. Predominância
        base                          condicionam de                                             uma forma mais
                                                              ainda do treino geral e em
                                       forma directa o                                         lenta das estruturas
                                                             volume. Inicio da participação
                                        rendimento.                                                 orgânicas
                                                             em competições (11/13anos).
                                                                                                  (metabolismo
                                                              Competições simplificadas,
                                                                                                   anaeróbio) e
                                                             número reduzido, espaçadas.
                                                                                                    muscular.

                                                                 Selecção intermédia.
                                                            Desenvolvimento sistemático e
                                     Aprofundamento e          com cargas progressivas             Progressiva
                                      direccionamento         (volume e intensidade) das           maturação e
                                     mais específico da          capacidades motoras             consolidação de
                                       preparação no        determinante do rendimento de       todas as estruturas
         De
                      15 aos 18          sentido do            uma forma directa. Maior           (com particular
   especialização
                        anos          desenvolvimento       incidência do treino específico,       incidência as
    aprofundada
                                       acelerado dos        individualização progressiva do        orgânicas e
                                          factores             treino e das competições.           musculares)
                                      determinantes do       Aumento da participação em         relacionadas como
                                        rendimento.           competições considerável.            rendimento.
                                                                Primeiras competições
                                                             internacionais (na fase final).


Martin et al. (2001), refere-se ao processo de treino a longo prazo subjugando-
o a três etapas, que constituem três níveis de treino:

    -    Formação geral básica;



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                                                                                                                      27
Revisão da Literatura




    -     Treino de jovens:

             •   Treino dos fundamentos;

             •   Treino de consolidação;

             •   Treino de integração.

        - Treino de alto rendimento.

O autor divide a formação desportiva em duas fases ou etapas fundamentais, a
primeira, formação geral, tem como objectivos melhorar de uma forma
diversificada o estado geral de rendimento desportivo e despertar um interesse
estável pela a actividade desportiva (mediante o conhecimento mais preciso de
uma modalidade) através de uma participação desportiva variada. A segunda,
treino com jovens, tem como principais objectivos, a melhoria a longo prazo do
estado de rendimento próprio de uma modalidade, até atingir o nível ideal para
que possa vir a integrar futuramente o treino de alto rendimento, estabilizar os
níveis de motivação dos atletas para a obtenção de um bom rendimento na
modalidade e participar eficazmente em competições dentro da categoria
correspondente a idade dos mesmos. Martin et al (2001) estabelece como
objectivos directores para cada secção de treino de jovens:

    1- Treino de fundamentos:

    -     Alcançar um bom estado de rendimento geral – multilateral;

    -     Desenvolver capacidades básicas próprias da modalidade e aprender as
          técnicas motrizes fundamentais da mesma;

    -     Conhecer e experimentar diversos métodos de treino específicos da
          modalidade;

    -     Participar com êxito em campeonatos nacionais.




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                                                                                                  28
Revisão da Literatura




    -

    1- Treino de consolidação:

    -   Elevar o estado de rendimento próprio da modalidade;

    -   Dominar técnicas importantes da modalidade;

    -   Conhecer métodos de treino específicos da modalidade,

    -   Estabilizar a motivação para o rendimento dentro da modalidade;

    -   Participar com êxito em campeonatos nacionais.

    2- Treino de integração

    -   Elevar novamente o estado de rendimento físico próprio da modalidade;

    -   Dominar com virtuosidade o repertório técnico específico da modalidade;

    -   Tolerar as cargas de treino necessárias aos distintos ciclos de treino;

    -   Participar com êxito em campeonatos nacionais e internacionais das
        categorias de idades superiores, dentro do escalão jovem.

Do treinador de crianças e jovens é exigido conhecimento científico sobre o
desenvolvimento das mesmas, baseando-se em conhecimentos que derivam
das ciências biológicas, médicas, humanas, sociais etc., conhecimentos sobre
o desenvolvimento ontogénico do ser humano e um profundo conhecimento
sobre a modalidade. Só assim o treinador poderá responder as questões como:
Quando, como e porquê o desenvolvimento de determinadas capacidades e
conteúdos?         Que       estratégias        serão      mais       apropriadas    para       tais
desenvolvimentos? etc.




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                                                                                                  29
Revisão da Literatura




         2.2.3 FASE SENSÍVEIS DE TREINABILIDADE

Martin, (1999) define fases sensíveis de treino como períodos limitados de
tempo na vida dos indivíduos, em que eles respondem de forma mais intensa
do que noutros períodos, a determinados estímulos do ambiente exterior.

O autor em questão, propõe um modelo de fases sensíveis de treinabilidade
durante a infância e a juventude (Quadro II-2), baseando-se na observação da
prática do treino e nos resultados de investigações nas ciências do desporto.

Quadro II-2 – Modelo das fases sensíveis de treinabilidade durante a infância e a juventude (adap. de Martin, 1999).
                                                  Crianças                                     Jovens
        Capacidades
                                      6/7-9/10              10/12-12/13            13/14-14/15         14/15-16/18

Aprendizagem das técnicas da
                                          ***                    ****                  _                    _
          modalidade

           Reacção                        ****                    _                    _                    _

            Ritmo                         ****                   ****                  _                    _

           Equilíbrio                     ****                   ****                  _                    _

          Orientação                      ***                     _                   ***                  ****

         Diferenciação                    ****                   ****                  _                    _

          Velocidade                      ****                   ****                  _                    _

        Força Máxima                       _                      _                   ****                 ****

         Força Veloz                      ***                    ****                  _                    _

     Resistência Aeróbia                  ***                    ***                  ***                  ***

    Resistência Anaeróbia                  _                      **                  ***                  ****


Martin (1999) refere que o momento ideal para a aprendizagem das técnicas
tem a sua primeira fase sensível entre os 8/9 anos, considerando esta a melhor
fase para o efeito, a segunda fase sensível ocorre durante a adolescência
12/13 anos, pois ocorre uma associação entre a técnica e a força onde poderá
ocorrer uma melhoria da performance mecânica dos movimentos.

O autor sugere os 7 anos e os 9 /10 anos, como os melhores para o
desenvolvimento das capacidades coordenativas.




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                                                                                                                       30
Revisão da Literatura




Todas as formas de expressão da velocidade, têm a sua fase sensível durante
a infância, particularmente entre os 6/7 anos e os 9/10 anos (Martin, 1999). O
autor refere que, “no treino de crianças, a orientação de base deverá ser
prioritariamente para a aprendizagem e treino das diferentes manifestações da
velocidade”

Martin, (1999) considera a puberdade uma fase sensível, extremamente
importante para o treino da força máxima e da força resistente, devido ao
aumento destas capacidades neste período. Já a força veloz tem a sua fase
sensível entre 8/9 anos de idade.

A resistência aeróbia é treinável em todos os períodos, não se podendo, neste
caso falar de fases sensíveis de treino (Martin, 1999)

Já a resistência anaeróbia o autor salienta que esta capacidade se encontra
em constante transformação, sendo que o seu aumento se dá com a
maturidade dos pré-requisitos enzimáticos.

2.3 EXIGÊNCIAS FÍSICAS E FISIOLÓGICAS DO JOGO DE FUTEBOL

O Futebol caracteriza-se por ser um desporto que requer a execução de
acções motoras de forma intermitente, com e sem bola, que variam
aleatoriamente de jogo para jogo, pois são determinadas pelas particularidades
de movimentação táctica exigidas em cada competição impondo aos
praticantes uma elevada intensidade de esforço (Bangsbo, 1993).

Soares (1998) refere que, as exigências do futebol podem ser classificadas em
termos de capacidades técnicas, tácticas, psicológicas e físicas. O autor
salienta que no entanto todos estes factores estão interligados, sendo de fácil
constatação o facto de um jogador mal preparado fisicamente estar mais
susceptível a erros de ordem técnica, por fadiga periférica, e de ordem táctica,
como provável origem na fadiga central. Daí a necessidade de se conhecer
com exactidão as exigências físicas impostas pela competição. Pois segundo o
mesmo autor, só a partir do conhecimento do esforço específico dos jogadores,



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                                                                                                  31
Revisão da Literatura




no plano táctico e estratégico da equipa, se podem programar treinos
correspondentes às suas necessidades.

As exigências energéticas – funcionais do jogo de Futebol, têm vindo a ser
avaliadas, a partir da actividade desenvolvida pelos jogadores durante a
competição (Garganta, 1999).

Os investigadores na tentativa de configurar o perfil energético – funcional do
jogo de Futebol, nas várias solicitações que este impõe aos jogadores, têm
traçado vários caminhos, Garganta (1999) refere que de acordo com a
literatura os mais explorados são:

    -   A caracterização de indicadores externos: distâncias percorridas,
        duração, frequência, tipo de intensidade dos deslocamentos produzidos,
        repartição dos esforços e pausas;

    -    A caracterização de indicadores internos: frequência cardíaca, lactato
        sanguíneo e consumo máximo de oxigénio.

Através de vários estudos realizados nesta matéria foi se chegando a alguns
valores de referência, que se poderão revelar de extrema utilidade para a
estruturação do treino em Futebol.

Segundo Garganta (1999), um jogador de Futebol percorre em média, entre 7 a
12 km por jogo. Sendo que os jogadores em média realizam corridas a uma
intensidade sub – máximal em distâncias entre 5 a 15 metros (Rebelo, 1993).

Ekblom (1986) sugere que a maior diferença entre equipas de níveis distintos
não é a distância que os jogadores percorrem, mas a percentagem que o
fazem a grande intensidade.

Estes são alguns indicadores externos que os especialistas conseguiram
encontrar nos seus estudos. Quanto aos indicadores internos também se foram
realizando alguns estudos onde se chegaram a conclusões importantes.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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Ao longo do jogo de Futebol, a frequência cardíaca situa-se à volta de 85% da
frequência cardíaca máxima (Bruyn-Prevost e Thilens, 1983 cit. Garganta,
1999; Ekblom, 1986), registando-se valores que poderão variar entre 160 bpm
e 180 btm (Bruyn-Prevost e Thilens, 1983 cit. Garganta, 1999).

Segundo Ekblom (1986) a intensidade média de uma partida de futebol
corresponde a 75-80% do Vo2 max (consumo máximo de oxigénio), estes
valores indicam que o metabolismo aeróbio no jogo de Futebol, é mais
importante do que o metabolismo anaeróbio (Maréchal, 1996).

A concentração de lactato sanguíneo segundo Bangsbo (1993), apresenta
valores variáveis de jogador para jogador, encontrando-se no entanto uma
concentração média de 4 a 7 mmol/l, no entanto em diferentes fases do jogo,
mediante a intensidade do mesmo, poderão vir a encontrar-se concentrações
de 11 a 15 mmol/l.

         2.3.1 IMPORTÂNCIA DO TREINO AERÓBIO EM FUTEBOL

Grant e Mc Milan (2001), justificam a importância de uma adequada
preparação aeróbia nos jogadores de futebol, pela elevada duração do jogo,
exigindo que os mesmos percorram 8 a 14 Km, a uma intensidade média de
cerca de 75% do seu Vo2 máximo. Tendo o sistema aeróbio uma contribuição,
de cerca de 90 % do total de energia requerida no jogo.

Segundo Bangsbo (1996), o treino aeróbio permite o aumento do Vo2 máx., o
que possibilita ao futebolista, realizar exercícios de alta intensidade, durante
um período mais prolongado de tempo, permitindo um elevado consumo de
oxigénio durante o jogo.

O treino aeróbio permite o aumento da utilização de gorduras, poupando as
reservas de glicogénio, de extrema importância para os esforços intensos,
promovendo assim o atraso da fadiga (Reylly, 1990; Soares e Rebelo, 1993).

Bangsbo (1994, 1996, 1999) refere como objectivos gerais do treino aeróbio, o
aumento da capacidade do jogador manter um ritmo de trabalho elevado


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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durante o decorrer do jogo, e a minimização do decréscimo técnico e das
falhas de concentração, provocadas pela fadiga no final do jogo.

O autor define, os seguintes objectivos específicos do treino aeróbio em
Futebol:

    -   Melhorar a capacidade do sistema cardiovascular no transporte de O2,
        de modo que uma maior percentagem de energia necessária para o
        exercício intenso possa ser fornecida de modo aeróbio, permitindo ao
        futebolista realizar exercícios intensos durante mais tempo;

    -   Melhorar a capacidade dos músculos utilizarem O2 e assim oxidarem as
        gorduras durante períodos de exercícios prolongados, poupando desta
        forma as reservas de glicogénio muscular, permitindo a realização de
        exercícios intensos durante o jogo;

    -   Aumentar a capacidade de recuperação após um exercício de alta
        intensidade, diminuindo o tempo de recuperação do jogador para a
        realização de um novo esforço.

O autor divide o treino aeróbio em três categorias:

    -   Treino de recuperação: envolve a realização de actividades ligeiras,
        como corrida lenta ou jogos de baixa intensidade, situações que
        permitam que o jogador recupere rapidamente, sendo adequado utilizar
        este tipo de exercícios no dia seguinte ao jogo, após treinos
        desgastantes, ou períodos em que tenha muitas sessões de treino e
        jogos frequentes, sendo esta a forma de se evitar situações de
        sobretreino;

    -    Treino aeróbio de baixa intensidade: visa o aumento da capilarização e
        do potencial oxidativo do músculo, intervindo desta forma mais a nível
        periférico (Bangsbo, 1996). A consequente utilização de substratos leva
        ao aumento da resistência aeróbia, permitindo desta forma ao futebolista
        realizar os esforços durante mais tempo (Bangsbo, 1994; Bangsbo,


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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        1996), permitindo ainda que o jogador recupere com mais facilidade a
        exercícios de alta intensidade (Bangsbo, 1994);

    -   Treino aeróbio de alta intensidade: também designado por treino da
        potência aeróbia, visa a melhoria dos factores centrais, estando
        estritamente relacionado com o aumento do VO2 máx (Bangsbo, 1996).
        Este tipo de exercícios contribuem para o aumento da capacidade do
        Futebolista realizar exercícios de alta intensidade durante períodos de
        tempo prolongados (Bangsbo, 1994; Bangsbo, 1996).

Bangsbo (1994;1996; 1999) considera que o treino aeróbio deverá ser
realizado fundamentalmente com bola. Para que este tipo de treino tenha um
efeito benéfico na capacidade de trabalho aeróbio de um jogador, numa
actividade que deverá ter a duração de 15 a 90 minutos.

         2.3.2 IMPORTÂNCIA DO TREINO AENAERÓBIO EM FUTEBOL

O treino anaeróbio origina o aumento da actividade da creatina quínase e das
enzimas glicolíticas, aumentando a taxa de produção de energia pela via
anaeróbia (Bangsbo, 1996). Melhorando a sincronização entre o sistema
nervoso e os músculos, e aumenta a capacidade de produção e remoção de
lactato (Bangsbo, 1994).

Bangsbo (1994, 1996, 1999) refere, como objectivo geral do treino anaeróbio,
desenvolver a capacidade de realizar repetidamente exercício de alta
intensidade, considerando, como objectivos específicos:

    -   Melhorar a capacidade de produzir potência rapidamente, de modo a
        melhorar o rendimento das actividades intensas do jogo;

    -   Melhora a capacidade de produzir energia continuamente através da via
        anaeróbia, permitindo ao futebolista realizar exercícios de alta
        intensidade durante longos períodos de tempo;

    -   Melhorar a capacidade de recuperar após um período de exercício
        intenso.

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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O autor, divide o treino anaeróbio, em treino de velocidade e treino de
resistência de velocidade. Sendo o treino de velocidade fundamental para o
atleta se impor às frequentes acções intensas e de curta duração do jogo,
estando desta forma a solicitar o metabolismo anaeróbio aláctico de alta
intensidade, o treino de resistência de velocidade, permite dar melhor resposta
nos períodos mais longos de alta intensidade, sendo a energia necessária
produzida principalmente pelo sistema anaeróbio láctico.

O treino anaeróbio deve ser realizado de modo intervalado, devido à elevada
intensidade dos exercícios (Bangsbo 1994; 1996; 1999).

O autor salienta, a importância de se treinar as categorias da resistência
anaeróbia, da forma mais aproximada possível da realidade do jogo, isto é
maioritariamente realizado através de exercícios com bola.

2.4 ESTRUTURA DO TREINO PARA CRIANÇAS E JOVENS

O processo de formação é composto por um conjunto de etapas/estádios nas
quais o atleta poderá assimilar, desenvolver e consolidar diversas capacidades
(físicas, técnicas, tácticas e psicológicas). Estas componentes ou factores de
treino, adquirem uma determinada estrutura (substância e método) e dinâmica
(temporalidade) durante todo o processo de treino. Os treinadores da
formação, deverão confrontar-se no início de cada época desportiva, com um
conjunto de questões centrais (O quê? Como? Quando?). Responder a estas
questões deverá ser o objectivo de cada treinador de formação, modelando
assim as suas intervenções no treino às reais necessidades dos seus atletas,
contribuindo para um desenvolvimento e preparação desportiva adequada para
uma formação harmoniosa dos seus discípulos (Pinto et al., 2003). Os autores
antecedentes sabem que, nem sempre na prática isto se verifica, afirmando
que “frequentemente, a intervenção do treinador no treino dos mais jovens não
é sustentada por um planeamento de base cuidado, mas sim por um conjunto
de pretensões empíricas decorrentes de um défice da base conceptual”, tal
facto compromete a formação das crianças e jovens envolvidas no processo.



ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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São vários os artigos científicos que alertam sobre a importância da qualidade
e eficiência do treino com crianças e jovens. No entanto, continua a saber-se
muito pouco acerca de qual deverá ser a estruturação e organização do treino
em crianças e jovens (Marques, 1989; Marques, 1991; Marques, 1993;
Marques, Marques 1999; Marques e col., 2000). Este facto deve-se em muito, à
abstinência e a inadequada utilização das bases teóricas na estruturação e
organização do treino por parte dos treinadores (Marques 1999; Marques e
col., 2000).

É importante salientar que o treino de criança e jovens, é pouco conhecido a
nível metodológico, porque os documentos de registro, se existem, na sua
maioria são de difícil análise (Marques e col., 2000), o que dificulta em muito o
trabalho dos investigadores. Contudo, realizaram-se alguns estudos científicos
no nosso país em desportos colectivos (Marques e col. (2000); Pinto e col.
(2001); Pinto e col. (2003); Santos (2001); Furriel (2002) que procuram
responder a questões que têm sido o foco de discussão entre os especialistas
(Marques e col., 2000). Discussões essas, que se centram em torno de
problemas como, qual deverá ser a estrutura e dinâmica da carga, quais os
meios, métodos e conteúdos de treino mais apropriados para o longo processo
de formação dos atletas. Procurando através da análise dos dossiers,
comparar os modelos de treino propostos pelos especialistas para as idades
em questão, referenciados na literatura da especialidade, com o que na
realidade se faz durante um plano anual de treinos. Desejando desta forma que
o conhecimento sobre a estrutura do treino em crianças e jovens se torne uma
realidade (Marques e col., 2000).

        2.4.1 MEIOS DE TREINO, PREPARAÇÃO GERAL VS. PREPARAÇÃO ESPECÍFICA

Os meios de treino revelaram-se ao longo do tempo, um tema bastante
interessante, mas também extremamente controverso entre os principais
especialistas da área do treino. Facto que se deve às diferentes posições
defendidas pelos mesmos quanto à importância que se deverá dar no treino,
aos meios de treino gerais e específicos. (Marques, 1989; Marques, 1990;
Marques, 1991; Marques e col., 2000). Surgiram desta forma duas teorias
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  37
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contraditórias, por um lado uma que defendia a necessidade de não se
descontextualizar o treino dos mais jovens de problemas relevantes da
competição. Os defensores desta teoria argumentavam que as possibilidades
do organismo eram limitadas, sendo sustentada e recomendada uma rápida
especialização. Contrapondo a teoria anterior, desenvolvia-se a teoria da
formação multilateral, com o principio director do treino, no estádio de treino de
base, regia-se pedagogicamente pela directiva de que o treino deveria incluir
formas de actividade diversificadas, pois a formação desportiva multilateral era
considerada determinante para o processo de desenvolvimento e maturação
dos jovens atletas, o que não iria suceder com um treino estritamente
especializado (Marques, 1999).

Embora exista uma certa contraposição no que concerne à importância que se
deverá dar aos meios de treino de preparação geral e específicos, a maioria
dos autores defendem a tese de que, no início da preparação desportiva se
deverá dar uma maior importância aos meios de treino de preparação geral do
que aos meios de preparação especial. Importância, que deverá diminuir com o
aumento da idade e da especialização desportiva, por tal, a preparação geral
deverá ser tanto mais elevada quanto mais próximo se estiver da fase inicial de
preparação desportiva, essa importância tenderá a diminuir de uma forma mais
lenta à medida que o processo se aproxima da sua fase terminal (Marques,
1989; Marques e col., 2000).

Quadro II-3: Preparação Geral e Preparação Especial nas etapas de Preparação Desportiva em Futebol, Tschiene, in
Prodente (1983). Adaptado de Marques, (1989).
   Meio de Preparação                8-10 anos                  10-12 anos             Início Idade Rendimento

      Prep. Geral (%)                     35                          30                            25

    Prep. Especial (%)                    65                          70                            75




Quadro II-4: Preparação Geral e Preparação Especial nas etapas de Preparação Desportiva. Futebol, Stiehler et al.
(1988). Adaptado de Marques, (1989).
   Etapas de Preparação             Idades (anos)                P. Geral (%)               P. Especial (%)

      Treino de Base                    10-14                         50-30                        50-70

   Treino de Construção                 15-18                          39                            61

      Treino Evoluído                   18-20                          15                            85




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                    38
Revisão da Literatura




Torna-se inequívoca a importância da preparação geral no treino de crianças e
jovens, essencialmente no início da formação desportiva onde se deverá
procurar que através do treino, os praticantes adquiram os requisitos
necessários para que possam ter êxito nas restantes etapas de formação
desportiva. Marques e Oliveira (2001) sustentam que anterior à aquisição de
toda a estrutura complexa dos gestos e das acções desportivas deverá estar
uma cultura motora não especializada, constituída por um repertório de gestos
motores e comportamentos motores que se caracterizam por serem mais
simples, sem o qual não se evoluirá de forma eficiente e estável, no
aprofundamento do rendimento desportivo. Trata-se do reconhecimento por
parte dos especialistas que a forma desportiva não se faz na dependência
estrita, sistemática e exclusiva dos fundamentos da cultura da futura actividade
especializada. Aceitam-se como válidos os princípios da especialização
crescente, onde modelos mais avançados do desporto deverão funcionar como
elementos estruturantes da formação dos jovens desportistas.

As duas teorias “extremistas”, rápida especialização e formação multilateral,
cremos que deram origem a uma posição mais equilibrada e mais adaptada ao
processo de formação desportiva dos mais jovens, pois sustenta uma
orientação no sentido de um esforço da unidade entre o treino geral e o treino
especial, sendo esta orientação condicionada por uma maior especialização do
treino multilateral. Revelando-se não ser recomendável, no início da
especialização, recorrer a uma formação multilateral independente do desporto,
pois a formação multilateral deverá ser determinada pela estrutura do
rendimento (Marques, 1999).

Assim sendo, a rácio entre o treino geral e o treino especial deverá ter em
consideração os seguintes aspectos (Marques e col., 2000; Marques, 1999):

    -   As exigências de cada desporto em concreto;

    -   As características de cada fase de ontogénese;




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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    -   A necessidade de valorização ou de compensação de componentes
        particulares;

    -   As alterações do estado de treino no percurso da formação desportiva.

    2.4.2 A PREPARAÇÃO GERAL                   NA    FORMAÇÃO DESPORTIVA           DOS    JOVENS
    FUTEBOLISTAS

Num estudo recente realizado por Marques e col. (2000), sobre a estrutura do
treino de jovens atletas Portugueses, os autores concluem que é muito
provável que os treinadores estejam a dar uma prematura e excessiva
importância aos meios de treino específicos nas fases de preparação
desportiva iniciais. Onde os resultados do estudo revelam que, na faixa etária
dos 10-12 anos, a razão entre a preparação geral e especifica é de 1: 2,3.

É importante que os mais jovens durante a sua formação desportiva obtenham
o máximo de experiências motoras que lhes garanta um repertório motor rico,
assim como, um bom desenvolvimento das suas capacidades físicas e
psicossociais para que possam de futuro poder ter êxito no desporto de
rendimento. No futebol assim como nos restantes jogos desportivos colectivos,
por ser uma prática desportiva que consente uma variedade de gestos e
solicitações bem mais rica que a dos desportos baseados em estruturas
gestuais e motoras, cíclicas, estreitas e fechadas, deverá obter-se a
especialização num momento mais tardio. Garantindo desta forma melhores
bases para a especialização futura (Marques, 1999).

São vários os autores (Bompa, 1986; Queiroz 1986) que consideram que na
idade dos máximos rendimentos, a estagnação ou uma reduzida elevação do
rendimento e o aparecimento de lesões, se poderão dever em grande parte, ao
facto de no processo de treino se aplicarem poucos exercícios de carácter
geral. Trata-se de um problema que carece aos treinadores resolver uma vez
que, a cada vez mais reduzida actividade motora nos períodos pré-escolar e
escolar, afecta particularmente o normal desenvolvimento de pressupostos




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  40
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coordenativos que constituem um suporte essencial da capacidade de
prestação desportiva (Marques, 1999).

Cabe aos treinadores a responsabilidade de estruturar e organizar todo o
processo de treino, utilizando um conjunto de exercícios, pois estes são os
meios fundamentais que estes possuem para definir, direccionar e modificar o
processo de formação e desenvolvimento dos jogadores (Castelo, 1996).
Queiroz (1986); Castelo (1996), consideram o exercício como uma estrutura de
base de todo o processo responsável pela elevação do rendimento do jogador
e da equipa e, como tal, uma parte significativa do rendimento global, e
naturalmente do sucesso obtido no treino, depende directamente da qualidade
e, em ultima instância, da eficácia do próprio exercício.

        2.4.3 O EXERCÍCIO NO PROCESSO DE TREINO

“A noção de treino na linguagem corrente emprega-se nos mais diversos
domínios e mais frequentemente designa um processo, que pelo exercício, visa
atingir um nível mais ou menos elevado segundo os objectivos que se tem em
vista” (Weineck 1986).

“A unidade elementar do processo de treino é o exercício. Este é destinado ao
desenvolvimento de uma qualidade. É o modo de relação entre os diferentes
exercícios que constitui a estrutura da sessão (Platonov, 1988) ”.

Matveiev (2001), generaliza ao afirmar que “o termo exercício de treino em
teoria e metodologia do desporto costuma denominar-se a reprodução regulada
das acções racionais (por separado ou em conjunto), que se regulamenta por
princípios de consecução do efeito e da actividade preparatória. O efeito do
exercício pode expressar-se em certas condições no ensino dos modos
racionais     de     execução       das     acções      e    no    seu     aperfeiçoamento,       no
desenvolvimento das propriedades físicas e psíquicas do indivíduo, que se
expressam na realização das acções, e no aumento, conservação e
recuperação do nível de capacidade para actuar”.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                   41
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Segundo Garganta (2002), o exercício no processo de treino, procura induzir,
nos praticantes, os modelos de comportamentos desejados, no sentido de
esses permitirem materializar a concepção de jogo preconizada.

Já Castelo et al. (2000), sustentam que o exercício deve ser encarado como o
meio fundamental para todo o processo de treino, tendo o professor / treinador
o poder de definir, orientar e modificar o processo de formação e
desenvolvimento, ou seja, de transformação do(s) praticantes(s), sem o qual
não é possível que estes respondam de forma adequada e eficaz às exigências
que a competição em si encontra.

Para os especialistas na matéria, tais como, Weineck (1986), Bompa (1990),
Teodorescu (1984, 1987), Matveiv (1977), o exercício de treino é o meio
prioritário e operacional de preparação dos praticantes e das equipas,
consubstanciando as adaptações físicas, técnicas, tácticas, psicológicas e
sociológicas fundamentais para a consecução de um elevado desempenho
quando em confronto directo (Castelo et al., 2000).

Para Bompa (1983) citado por Queiróz (1986), o exercício é, na estrutura do
treino, “um acto motor sistematicamente repetido, representando o principal
meio de execução do treino, tendo em vista a elevação do rendimento”.

Teodoresco (1984), Queiroz (1986), Castelo (2003), consideram que o
exercício é o principal meio de preparação dos jogadores e das equipas.

Castelo (2003), refere que o aspecto nuclear de qualquer processo de
planificação e organização na preparação competitiva dos jogadores ou das
equipas, nos seus diferentes níveis temporais (a curto, médio e longo prazo) e
nos      seus       diferentes       níveis      de      aperfeiçoamento        (aprendizagem,
desenvolvimento e especialização) é alicerçado na prática sistemática de um
conjunto (mais ou menos alargado) de exercícios de treino de carácter
dinâmico e inovador cuja estrutura determina muito concretamente a:

             1.     Orientação da actividade do jogador e da equipa numa direcção
                    cujos objectivos são válidos e preestabelecidos.

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
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             2.     Concepção          de     conteúdos         de     treino         que     conciliem
                    convenientemente o nível do jogador com lógica interna do jogo
                    de futebol.

             3.     Aplicação de formas de treino apropriadas relativamente à
                    contextualização das situações competitivas.

             4.     Elaboração coerente dos níveis de prestação a atingir pelo
                    jogador ou pela equipa em cada momento da sua preparação
                    desportiva.

             5.     Criação de elevados níveis de motivação que suportem o
                    interesse, o empenho e a vontade do jogador em percorrer
                    “caminhos” e “suportar” tarefas que se constituem à partida
                    como construções hipotéticas (mesmo quando estas já foram
                    anteriormente           testadas)      as     quais         não    garantem          a
                    eficácia/eficiência de forma a impedir o insucesso, ou por outras
                    palavras, garantir sempre o sucesso que desse processo
                    poderá resultar.

Naturalmente o sucesso obtido em treino e em competição está em relação
directa com a eficácia do próprio exercício (Castelo et al., 1998).

Harre (1981) citado por Queiroz (1986), considera que os exercícios são o meio
mais importante para a elevação dos rendimentos desportivos. Estes têm de
responder às metas e tarefas do processo de treino e não devem ser elegidos
e aplicados sem ordem. A utilidade de um exercício no treino desportivo resulta
exclusivamente do seu aproveitamento para o desenvolvimento do rendimento.

Para Teodoresco (1984), o exercício deve reproduzir, parcial ou integralmente,
o conteúdo e a estrutura do jogo, que consiste em acções individuais e
colectivas entre jogador, companheiros, bola, campo de jogo, equipamentos
regulamentares e – especialmente – o objectivo a atacar (baliza). A presença
destes factores (ou apenas de uma parte deles) e a sua sucessão determina
estruturas diversas do sistema de relações individuais e colectivas de

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colaboração e de antagonismo, dando ao mesmo tempo especificidade e
identidade ao exercício considerado. Para Dietrich (1979) e Teissie (1969), os
exercícios só adquirem significado para os jogadores, se considerarmos o jogo
de futebol na sua totalidade.

O exercício é, em última análise, a estrutura de base de todo o processo
responsável pela elevação, mantimento e redução do rendimento dos
praticantes. Naturalmente, o sucesso obtido em treino e em competições está
em relação directa com a eficácia do próprio exercício (Castelo, 2003).

Os exercícios de treino devem conter a essência do jogo, em que cada
exercício proposto, deve reproduzir fielmente a operacionalização das
características do jogo formal, dimensionando as componentes físicas,
técnicas, tácticas, de decisão, sistematizando os comportamentos dos
jogadores em jogo (Vasques, 2003).

        2.4.4 ESPECIFICIDADE DO EXERCÍCIO DE TREINO EM FUTEBOL

O treino em futebol muitas vezes é repartido em preparação física e
preparação técnico táctica, onde a preparação física engloba a metodologia do
atletismo (Gregson e Drust, 2000) e a parte técnico / táctica engloba situações
de jogo, não se considerando muitas das vezes os efeitos energéticos que
essas situações poderão produzir nos atletas (Chanon, 1994).

O Jogo não se deve dividir em diversas componentes, ou poderá se correr o
risco de se desvirtuar a sua natureza fundamental (Queiroz, 1986). Pois apesar
de em termos didácticos se poderem considerar as componentes física,
técnica, táctica e psicológica no treino, o mesmo deverá ser abordado
globalmente, através de formas jogadas (Ferreira e Queiroz, 1982).
Teodoresco (1983), salienta a importância da criação de exercícios que
produzam parcial ou integralmente o conteúdo e a estrutura do jogo, isto
significa que o treino deverá incluir preferencialmente situações fundamentais
do jogo (Nunes e Gomes – Pereira, 2001).




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Os últimos desenvolvimentos na teoria do treino apontam para uma crescente
especificidade, ou seja, para uma maior aproximação dos conteúdos e métodos
de preparação às exigências da competição (Seirul-lo, 1987; Tschiene, 1990;
Thiesse, 1995; Silva, 1998; Verkonshanskij, 2001; Bezerra, 2001).

No desporto moderno, a especialização segue uma via de profundo
aperfeiçoamento, regra geral, numa única espécie escolhida de exercícios
competitivos ou num pequeno número de espécies muito próximas, quer em
provas entre dois adversários quer em provas entre conjuntos (como
modalidades desportivas) (Matvéiv, 1991). O mesmo autor sustenta que “os
exercícios competitivos da modalidade escolhida desempenham um papel
extremamente importante no treino, porque sem eles, é impossível reconstituir
os requisitos específicos que cada modalidade impõe ao atleta e estimular,
assim, a consecução de um determinado nível de treino”.

“A funcionalidade específica dos diferentes sistemas orgânicos do praticante
traduzidas pelas suas prestações desportivas, são condicionadas por pressões
adaptativas específicas, determinadas por exercícios específicos os quais, por
sua vez implicam a existência de um treino específico” (Castelo, 2002).

Carvalhal (2002), define especificidade como uma palavra polissémica, em que
para muitos, especificidade é, após uma caracterização das exigências do jogo
de futebol nos aspectos físicos, treinar essa componente específica
isoladamente, para outros é, após a observação do jogo, quantificar as acções
técnicas: remates, passes, etc., treinar estes aspectos específicos de forma
isolada e garantir uma adaptação. Definindo-a como um efeito coordenador de
todo o trabalho. A especificidade não pode ser considerada como um fim em si
própria, mas sim, como pressuposto fundamental na conceptualização e
estruturação dos exercícios de treino cujo o desenvolvimento suportará no
futuro, modelos de treino distintos que reproduzem total ou parcialmente, para
cada modalidade desportiva em diferentes dimensões (por exemplo: técnico,
técnico-tácticos, de ambiente, etc), construídos à semelhança (isomórfica ou
analógica) da realidade competitiva (Castelo, 2002).


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O princípio da especificidade refere que os programas motores revelam
particularidades singulares e que a sua adaptação é específica e está ligada à
tarefa ou actividade realizada (McGwon, 1991). Por isso, os exercícios de
treino devem procurar uma elevada transferência das acções seleccionadas
para o jogo (McGwon, 1991; Garganta, 1998 e 1999a). Pelo contrário, a não
especificidade do exercício de treino pode condicionar a transferência dos
programas motores adequados para o jogo, bem como aumentar a dificuldade
de melhorias posteriores a esse nível (Castelo, 2000).

“O exercício de treino é específico quando consubstancia uma estrutura
(objectivo, conteúdo, forma) que no seu conjunto provoca adaptações de base
que estão na origem da elevação do rendimento dos jogadores e das equipas”
(Castelo, 1996).

O treino, ou situações de treino, só são verdadeiramente específicos quando
houver uma permanente e constante relação entre as componentes técnicas-
tácticas individuais e colectivas, psico-cognitivas, físicas e coordenativas, em
correlação permanente com o modelo de jogo adoptado e respectivos
princípios que lhe dão corpo (Vasques, 2003).

O treino para ser específico deve simular numa determinada dimensão (macro
ou micro) os princípios do modelo de jogo adoptado, Oliveira (1991) define que
“só se poderá chamar especificidade à especificidade se houver uma
permanente e constante relação entre as componentes psico-cognitivas,
tácticas-técnicas, físicas e coordenativas, em correlação permanente com o
modelo de jogo adoptado e respectivos princípios que lhe dão corpo”.

O exercício deve-se identificar o mais possível com o tipo de jogo pretendido
pelo treinador componentes técnica e táctica – por outro lado, ele deve
contemplar as capacidades físicas – velocidade, força, resistência e
flexibilidade específicas do futebol – subjacentes ao desenvolvimento do
mesmo (Bezerra, 2001).




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Esta nova filosofia de treino contempla a necessidade de se criarem exercícios
que reproduzam as condições de variabilidade do jogo (Queiroz, 1986), para
que exista uma grande identificação com o modelo de jogo pretendido pelo
treinador, contemplando as capacidades físicas a ele subjacentes (Bezerra,
2001), onde o desenvolvimento das capacidades físicas deverá ser realizado
através de formas jogadas num ambiente próximo do da competição (Ferreira e
Queiroz, 1982; Nunes e Gomes – Pereira, 2001).

Bangsbo (1994) salienta a dificuldade em organizar estes tipos de exercícios,
pois requerem a disponibilização de mais tempo na sua organização e mais
imaginação, assim como, a precedente avaliação para verificação do
cumprimento dos objectivos do exercício. Tornando mais simples para o
treinador o desenvolvimento físico separado das situações técnico tácticas.

Embora seja mais complexa a organização deste tipo de exercícios, as
vantagens são bastantes, para que se possa abdicar dos mesmos e utilizar a
metodologia tradicional, segundo Gregson e Drust (2000) as vantagens são as
seguintes:

    -   Adaptações musculares específicas às solicitações da competição;

    -   Maior disponibilidade de tempo para desenvolver outros aspectos de
        performance física que necessitam de treino mais específico (força,
        potência e flexibilidade),

    -   Aumento da motivação dos jogadores no treino.

        2.4.5 TAXONOMIA DOS EXERCÍCIOS DE TREINO

A classificação dos exercícios de treino é determinante para todo o processo
de treino. Por tal, foram vários os especialistas do treino que sentiram a
necessidade de os classificar. Muitos autores procuram classificar os exercícios
de treino, de uma forma variada e para várias modalidades com respectivas
adaptações.



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Numa tentativa de uniformização, Bragada (2000), tenta adaptar as
classificações já existentes, numa classificação mais simples, de fácil
compreensão e aplicabilidade em todas as modalidades desportivas, tendo em
conta as três componentes do treino: condicional, técnica e táctica. Desta
forma o autor pretende uma classificação racional e funcional, na qual os
exercícios se associam aos fins e objectivos do treino, no contexto que
realmente os justifica – o da respectiva modalidade. Tendo por base três
critérios de referência:

    -   O exercício específico da competição (modalidade);

    -   Forma interna: características particulares do sistema neuromuscular e
        metabólico;

    -   A forma externa: sequência dos movimentos.

O mesmo autor classifica os exercícios como:

             a) Competitivos – prática das competições, em condições reais ou
                 simuladas;

             b) Específicos – formas externas muito similares à sequência de
                 movimentos competitivos, mas que apresentam desvios nas
                 características da carga e/ou apenas abordam alguns elementos
                 ou combinações complexas da competição. Podem privilegiar
                 aspectos condicionais, coordenativos ou tácticos;

             c) Dirigidos – solicitam os grupos musculares responsáveis pelo
                 rendimento competitivo, e/ou as capacidades coordenativas que
                 lhe estão na base.

             d) Gerais – todos os restantes não compreendidos nas situações

O quadro que se segue representa uma síntese de Bragada, (2000), da
classificação de exercícios de treino realizada por vários autores especialistas
na matéria.

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Quadro II-5: Síntese de vários autores com Classificação de Exercícios de Treino Bragada (2000).
     Autor                   Critério                     Classificação                     Caracterização
                                              1. Desenvolvimento físico geral;
                                                   1.1. Exercícios sem cargas      1. Preparação física Geral:
                                                 adicionais (calisthenics) – de    condicional e coordenativa.
                                                         acção indirecta;          2. Desenvolvimento e preparação
                                                 1.2. Exercícios baseados em       específica e aprendizagem de
    Bompa             Estrutura e forma do          jogos relacionados com a       habilidades técnicas específicas
     (1994)                  exercício                     modalidade.             da modalidade.
                                              2.Específicos de desenvolvimento 3. Elementos e variantes de
                                              de      capacidades      biomotoras tarefas específicas da modalidade
                                              (exercícios de acção directa).       (ou simulação da competição ou
                                              3. Exercícios seleccionados de de algumas componentes).
                                              determinado desporto.
                       Especificidade do
                                                                                   1.     Formação       física     geral
                      exercício e potencial
                                                                                   (multilateral) e para activação dos
                     de treino (semelhança    1.Preparação geral condicional.
  Verjoshanski                                                                     processos de recuperação.
                        externa; tipo de      2.    Preparação      condicional
     (1990)                                                                        2.    Aumento      do      nível   de
                     contracção muscular;     específica.
                                                                                   capacidade        específica       do
                        mecanismos de
                                                                                   organismo.
                     produção de energia.
                                                                                   1. Bases para a especialização
                                                                                   progressiva    (melhoria     das
                                                                                   capacidades    (e   habilidades)
                                                                                   técnicas e tácticas; e factores
                                                                                   psicológicos)
                          Finalidade          1.Desenvolvimento geral.
    Weineck                                                                        2. Construídos a partir dos
                          Economia            2. Exercícios especiais.
  (1986 e 1988)                                                                    anteriores     (melhoria      de
                           Eficácia           3. Exercícios de competição.
                                                                                   rendimento)
                                                                                   3. Complexos, em relação directa
                                                                                   com a modalidade (afinação da
                                                                                   totalidade    do     rendimento
                                                                                   desportivo).
                                                                                   1.        Acções       completas
                                                                                   (combinadas e/ou complexas)
                                                                                   1.1.     Condições    reais    da
                                                                                   competição
                                                                                   1.2. Simulação da competição ou
                                                                                   de acções da competição
                                                                                   2.    Elementos    das     acções
                                              1.Competitivos                       competitivas, suas variantes e
                                                  1.1. Propriamente ditos          acções semelhantes na forma e
                                                  1.2. Formas de treino de exrc.   capacidade solicitadas. Criação
                      Semelhança com a
     Matvéiv                                      Competitivos                     de pré-requisitos do domínio da
                         modalidade
     (1986)                                    2. Preparação especial              técnica.
                        (competição)
                                                  2.1. Preliminares                2.1. Domínio dos gestos técnicos.
                                                  2.2. De Desenvolvimento          2.2.     Desenvolvimento      das
                                               3. Preparação geral                 capacidades físicas.
                                                                                   3. Preparação geral (multilateral)
                                                                                   do atleta; Formação de aptidões
                                                                                   de suporte e auxiliares do
                                                                                   rendimento.
                                                                                   Meio      de     educação      de
                                                                                   capacidades.
                                                                                   Factor de repouso activo.

Especificamente para o futebol, alguns autores especialistas na matéria
realizaram a sua classificação tendo em conta as classificações realizadas por
outros autores adaptando-as à modalidade em questão.

Queiroz (1986), definiu a seguinte classificação de exercícios tendo em
atenção um conjunto de reflexões de outros autores, no domínio específico do
treino de futebol:


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                      49
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    1. Os Exercícios fundamentais: são todas as formas de jogo que incluem
         a finalização como estrutura elementar fundamental; ou seja são todos
         os exercícios em que, qualquer que seja a forma, a estrutura e a
         organização da actividade, a finalização (obtenção de golo), representa,
         no domínio das tarefas definidas, a meta fundamental a atingir. Este tipo
         de exercícios contempla três formas fundamentais distintas:

        i.    Forma Fundamental I – ataque sem oposição sobre uma baliza;

       ii.     Forma Fundamental II – ataque contra defesa sobre uma baliza;

       iii.    Forma Fundamental III – ataque contra defesa sobre duas balizas.

    2. Os Exercícios complementares: são todos aqueles em que, qualquer
         que seja a forma ou a estrutura organizadora da actividade, não incluem
         como estrutura de base fundamental a finalização; estes exercícios
         podem ser ainda caracterizados pelas:

        i.    Formas integradas – são exercícios que incluem elementos de dois
              ou mais factores de preparação;

       ii.    Formas separadas – são aqueles que incluem elementos de um
              factor de preparação e se desenvolvem fora das condições de jogo.

Corbeau (1989), perspectivando o ensino e o treino de Futebol através de uma
forte ligação ao jogo, propõe uma classificação com quatro tipos de exercícios:

                  1. Exercícios simples – são executados sem oposição e
                       permitem abordar os gestos técnicos simples;

                  2. Exercícios intermediários – são realizados numa zona do
                       terreno precisa e constituem-se pela soma de dois ou mais
                       exercícios simples, tendo como objectivo um encadeamento
                       técnico mais próximo do jogo;

                  3. Exercícios complexos – são formas de trabalho que se
                       aproximam das condições reais do jogo e prevêem a
                       presença de adversários;


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  50
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                  4. Jogo de Aplicação – o jogo é omnipresente e apresenta
                       uma maior similaridade com o jogo formal.

Para Godik e Popov (1993) os exercícios de treino para os futebolistas dividem-
se em:

             1. Exercícios        especializados,          cuja     sua     aplicação      influencia
                simultaneamente           todos      os    aspectos        da     preparação       dos
                futebolistas;

             2. Exercícios não especializados, através dos quais dos quais é
                possível       desenvolver        algumas         capacidades        motoras       dos
                futebolistas. Os mesmos autores propõem ainda uma subdivisão
                para os exercícios especializados: i) Situacionais, que pretendem
                imitar as situações reais do jogo e, por isso, caracterizam-se por
                um maior efeito de treino, sobretudo se criam e materializam
                situações de finalização;

                ii) standard, cuja execução não requer soluções de problemas
             tácticos.

Castelo (2003), faz a classificação dos exercícios de treino em função da sua
especificidade. Numa avaliação preliminar e essencial o autor estabelece dois
grandes tipos de exercícios de treino: (1) os de preparação específica e, (2)
os de preparação geral. Definindo no entanto dois grandes tipos de exercícios:

    -   os exercícios de preparação específica são conceptualizados na base
        de uma estrutura e de uma natureza, que estabelece uma relação de
        correspondência dinâmica cujas: (1) atitudes, (2) comportamentos
        motores, (3) regime de funcionamento orgânico do praticante e, (4)
        o respeito pelos regulamentos, devem ser similares ou idênticos aos
        contextos competitivos que cada modalidade desportiva em si encerra.

    -   os     exercícios       de     preparação         geral     que     são     caracterizados,
        contrariamente aos exercícios de preparação específica, por não


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                      51
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        apresentarem semelhanças com os contextos situacionais que derivam
        da competição do jogo de futebol.

Partindo deste pressuposto Castelo (2003) estabeleceu um edifício taxonómico
dos exercícios de treino consubstanciando à partida, três níveis fundamentais:

             1. Os exercícios de preparação geral;

             2. Os exercícios específicos de preparação geral;

             3. Os exercícios específicos de preparação.

A partir dos três níveis fundamentais considerados, procede à sua
caracterização, apontando critérios de diferenciação para:

       •    (1) Os exercícios de preparação geral – na prática são todos os
            exercícios que, para o exemplo estabelecido (jogos desportivos) não
            incluem a utilização da bola, como centro de decisão mental e acção
            motora do praticante;

       •     (2) Os exercícios específicos de preparação geral – são todos os
            exercícios realizados em contextos situacionais “rudimentares”
            relativamente às condições objectivas em que se realiza a competição
            desportiva de uma dada modalidade. (…) Uma relação primordial do
            praticante com a bola sendo este elemento determinante da sua
            acção conjunta com um reduzido número de companheiros e
            adversários. (…) Estes exercícios não envolvem a concretização do
            objectivo fundamental do jogo, no caso do futebol o golo da baliza

       •    (3) Os exercícios específicos de preparação – devem construir-se
            como núcleo central da preparação dos praticantes. Só com
            exercícios que derivam da contextualidade situacional do jogo é que é
            possível manter a “tensão dramática” do próprio jogo. Logo os
            exercícios específicos de preparação devem ser construídos de forma
            que os praticantes sintam que estes derivam verdadeiramente da
            lógica estrutural da modalidade desportiva que escolheram.


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  52
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A proposta de grelha taxionómica de Castelo (2003) (Quadro, II-6), dos
exercícios de treino, tem como critério de classificação um elemento
fundamental do jogo, na mudança das escolhas e objectivos tácticos
momentâneos de cada equipa – A Bola.

Quadro II-7 – Grelha Taxionómica de Classificação dos Exercícios de Treino (Castelo, 2003)
                           Grelha Taxionómica Proposta por Castelo (2003)
                               de Classificação dos Exercícios de Treino

                                                             “são todos os exercícios que não incluem a utilização da
         1.   Exercícios de Preparação Geral                 bola, como centro de decisão mental e acção motora do
                                                             jogador”

1. A. Exercícios de corrida contínua ou variável
1. B. Exercícios que procuram aumentarem a taxa de produção de força. (…) São construídos na base das diferentes
      formas de manifestação da força. (Exemplo: abdominais, Flexões/extensões de braços)
1. C. Exercícios de velocidade. (…) Procuram melhorar as diferentes formas básicas de manifestação da
      velocidade…” (Exemplo: velocidade de reacção, capacidade de aceleração, velocidade em distância curta, …)
1. D. Exercícios que procuram melhorar ou manter os níveis de flexibilidade.”


                                                             “Estabelecem a relação do praticante com a bola mas
         2.   Exercícios Específicos de Preparação
                                                             não envolvem a concretização do objectivo fundamental
              Geral
                                                             do jogo, isto é (…) o golo na baliza adversária.”

2. A. Situações de treino das acções técnicas individuais. Através de circuitos técnicos em que cada jogador com a
sua bola executa um conjunto de estações técnicas específicas, diferenciadas pelo programa motor e pela sua
velocidade de execução.
2. B. Situações de treino das acções técnicas em grupo. (a dois, três, quatro, etc.), através das quais as acções de
passe são realizadas com diferentes trajectórias, situações de duelo, 1x1, 2x2…
2. C. Exercícios de posse de bola. Organizados para dois grupos de jogadores.

2. D. Exercícios para potenciar a acção técnica de um ou mais jogadores. “… São organizados para que um ou mais
praticantes terem de receber constante e permanentemente a bola por forma, por um lado, a pressioná-lo na sua
decisão, e por outro lado, constituírem-se como alvos em que os seus companheiros terão continuamente que
solicitar.”

2. E. Exercícios de dominante técnico – lúdico – recreativa (Exemplo: ténis – futebol, meiínho, …)


                                                             “…devem ser construídos para que os jogadores sintam
         3.   Exercícios Específicos de Preparação           que estes derivam verdadeiramente da lógica estrutural
                                                             da modalidade desportiva…”




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                    53
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Quadro II-7 – Grelha Taxionómica de Classificação dos Exercícios de Treino (Castelo, 2003) (Cont.)
                          Grelha Taxionómica Proposta por Castelo (2003)
                         de Classificação dos Exercícios de Treino (Cont.)

3. A. No primeiro nível, os exercícios específicos de treino caracterizam-se pela acção ofensiva de um ou mais
atacantes que desenvolvem as suas acções até finalizarem (…) sem haver oposição de defesas. (…) Constroem-se
sobre uma baliza (…) com um ou mais atacantes e sem oposição defensiva. (a sua fórmula base varia de 1x0+GR
…até 10x0+GR).

3. B. No segundo nível, caracterizam-se pela acção ofensiva de um ou mais atacantes que desenvolvem as suas
acções até finalizarem (…) com oposição de defesas, que estarão em igualdade, inferioridade ou superioridade
numérica. (…) Constroem-se sobre uma baliza (…) com um ou mais atacantes e com oposição defensiva. (a sua
fórmula base varia de 1x1+GR … até 10x10+GR)

3.C. No terceiro nível, caracterizam-se pelo facto de quem ataca poder perder a posse da bola e por essa razão ter de
defender a sua baliza (…) pois irá sofrer o ataque de quem estava a defender. (…) Constroem-se sobre duas balizas
em que os jogadores têm de desenvolver permanentemente atitudes e comportamentos técnicos / tácticos de cariz
ofensivo e defensivo. (a sua fórmula base varia de GR+1x1+GR … até GR+10x10*GR).

         3.C1. Jogos Treino

3. D. Situações de bola parada (esquemas tácticos)




Ramos (2003), propõe uma taxionomia próxima à do Castelo (2002),
considerando-a a partir de critérios para as categorias dos exercícios que serão
considerados em:

              a) Exercícios essenciais, onde inclui o elemento essencial do jogo
                   “atirar à baliza / defender a baliza”;

              b) Exercícios Complementares:

    -    Exercícios complementares especiais com oposição, não tem como
         finalidade (próxima, nem última) “atirar à baliza/defender a baliza”, são
         realizados com a bola, mas as acções são realizadas “em condições de
         adversidade”, com oposição de objectivos do(s) adversário(s);

    -     Exercícios complementares especiais sem oposição, não têm como
         finalidade (próxima, nem última) “atirar à baliza/defender a baliza”, são
         realizados com bola, e as acções são realizadas livres de adversário (s).

              c) Exercícios gerais “não incluem bola”.



ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                  54
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        2.4.6 ESTRUTURA DA CARGA DE TREINO

Marques et al. (2000), afirmam ainda não ser possível nos tempos que
decorrem construir um modelo teórico sobre a dinâmica da carga no processo
de treino, que contribua de uma forma positiva, para o longo percurso de
desenvolvimento e formação dos atletas. No entanto, os autores em questão
aceitam como principal orientação para o processo de treino, no que concerne
à gestão organização e estruturação da dinâmica das cargas, o aumento
progressivo das componentes da carga (volume, intensidade, frequência e
densidade). Entre os especialistas na matéria é relativamente consensual o
princípio que se rege pelo aumento da carga de treino através do volume, no
entanto, este aumento está condicionado pelas obrigações escolares dos
atletas, sendo assim essencial melhorar, progressivamente a eficácia das
cargas de treino utilizadas, conseguindo para um mesmo tempo de treino uma
melhor qualidade (Marques e col., 2000).

        2.4.7 CARGA        DE   TREINO     E   COMPETIÇÃO        EM   CRIANÇAS   E   JOVENS     NOS

DESPORTOS COLECTIVOS

No que concerne à carga de treino e competições anuais para crianças e
jovens nos desportos colectivos, estudos recentes realizados no nosso país
(Quadros II-8, II-9 e II-10), demonstram que o número de cargas de treino e
competição aumentam segundo o escalão etário, o que é sustentado pela
literatura da especialidade (Marques e col., 2000; Pinto e col., 2001; Pinto e
col., (2003), sendo esta realidade apoiada pelo principio da do aumento
sistemático da carga (Pinto e col. 2003). No entanto, os valores encontrados,
em comparação com estudos realizados noutros países, são inferiores (Quadro
II-11), o que leva Marques e col. (2000) a afirmarem que os jovens
Portugueses na faixa etária 13-15 anos, poderão estar a treinar menos do que
o que deveriam.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                   55
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Quadro II-8: Valores médios de treino (número de sessões, dias de treino no ano e frequência de treino), competições
(oficiais e de preparação) e proporção entre unidades de treino / competições (adapt. de Marques e col., 2000; Santos,
(2001; Pinto e col., 2001)
                              Treino                          Competições
 Escalão                                                                                   Proporção
              Unidades/                                              Não                                       Autor
  Etário                   Dias/ano Frequência Oficiais                      Total     Treino/competição
                  ano                                              oficiais

 10 / 12         81.7         229.7        2.5            25.5      5.8      31.2                2.6:1          Marques
                                                                                                                  e col.
 13 / 15         93.4         232.1        2.8            20.5      3.7      24.3                3.8:1           (2000)
 12 / 14        104.6         264.6        2.75           20.6       5       25.6                3.6:1           Santos
 15 / 19        136.3          271         3.49            30       6.3      36.3                3.8:1           (2001)
                                                                                                                 Pinto e
 12 /14         116.14     279.43          3.00           23.29    7.00      25.29               4.88:1            col.
                                                                                                                 (2001)




Quadro II-9: Valores de treino para: n.º sessões, média de horas por semana, duração média, horas por época e total
de unidades (Pinto e col., 2003)
Época/escalão     Sessões/semana          Horas/semana         Duração treino      Horas/ano      Total     Autor

    88/89/
                         3.2                  5.24                  98.32                204.4            126
   Iniciados

    89/90/
                         3.5                  5.66                  96.96                226.4            140
   Iniciados                                                                                                     Pinto e
                                                                                                                    col.
    90/91
                          4                      7.2                107.4                263.1            147    (2003)
   Cadetes

    94/95
                         4.2                     7.6                118.6                298.5            151
   Cadetes




Quadro II-10: Carga de treino e competição: n.º de competições oficiais, não oficiais e relação treino/competição
(Pinto e col., 2003)
                                           Competições
 Época/escalão                                                                       Relação treino/ comp.        Autor
                         Oficiais          Não oficiais            Total

      88/89
                              34                  6                 40                      3.15:1
    Iniciados

      89/90
                              27                  7                 34                      4.12:1
    Iniciados                                                                                                   Pinto et

      90/91                                                                                                     al. (2003)
                              38                  4                 42                       3.5:1
    Cadetes

      94/95
                              44                  5                 49                       3.1:1
    Cadetes


Já pinto et al. (2003), quanto ao que a literatura indica como valores de
referência para os escalões estudados pelos mesmos, consideram que estes
revelam uma descontextualização evidente, essencialmente quando se
comparam com propostas oriundas de realidades desportivas diferentes

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                           56
Revisão da Literatura




(teorias ligadas aos desportos individuais e a níveis de exigência desportivos
elevados). Os valores encontrados por Pinto et al. (2001) e Santos (2001) são
ligeiramente superiores aos encontrados por Marques (1993) e Marques et al.
(2000), no entanto os valores encontrados pelos estudos referidos, realizados
no nosso país, são inferiores aos propostos pelos especialistas estrangeiros
(Quadro II-11).

Quadro II-11: numero de dias de preparação e frequência de treino (adap. de Marques e col. 2000; Marques, 1993;
Martin, 1999; Santos, 2001; Pinto e col., 2001).
           Autor                     Escalão etário            Dias de preparação           Frequência de treino

Grosser et al. (1986) cit por           9-12                        240-270                         3-6

   Marques e col. (2000)                13-14                         300                          5-10

                                        10-12                         291                           2.8
      Marques (1993)
                                        13-15                         285                           2.5

                                        10-12                         315                           2-4
       Martin (1999)
                                        13-15                         315                           4-6

                                        10-12                         230                           2-5
   Marques e col. (2000)
                                        13-15                         232                           2-8

                                        12 -14                        265                           2.8
       Santos (2001)
                                        15-19                         271                           3.5

    Pinto e col. (2001)                 12-14                         279                           3.0




         2.4.8 CONTEÚDOS DE TREINO E SUA IMPORTÂNCIA NO TREINO DE CRIANÇAS E
JOVENS

Marques e col. (2000), no seu estudo (Quadro II-2), caracterizaram a carga de
treino para cada conteúdo de treino, verificando que os treinadores
Portugueses dão mais importância a certos conteúdos em detrimento de
outros. Os autores verificaram, que os conteúdos de treino que desempenham
uma maior importância na estruturação do treino para estas idades (10-12
anos; 13-15 anos) têm a seguinte ordenação: táctica, técnica, resistência de
longa duração, endurance muscular e flexibilidade. Denotando-se a prioridade
dada pelos treinadores, aos aspectos da táctica e da técnica algo que é
defendido por Martin (1999) ao sustentar que, para estas idades os treinadores
ao desenvolverem os sistemas de informação e neuro – motores, isto é, os

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                   57
Revisão da Literatura




aspectos da técnica e da táctica estão a revelar uma estratégia orientada para
a qualidade nos conteúdos de treino. Assim como importantes capacidades
motoras como a resistência de longa duração, a flexibilidade e a resistência
muscular, estão a ser desenvolvidas nesta fase de desenvolvimento do
processo de treino.

No entanto, os autores referenciados, nos resultados do estudo em questão
encontraram valores que contrariam essa qualidade de treino, ao denotarem
que as capacidades de velocidade desempenham um papel de relevância
menor (5% do tempo total de treino), capacidade motora considerada por
Martin (1999) de extrema importância para formação motora e desportiva dos
jovens atletas do grupo de idades de 10-12 anos. Assim como a força rápida
que igualmente lhe é atribuída uma importância reduzida.

Marques e col. (2000), no seu estudo também verificaram que no grupo de
idades 13-15 anos, os resultados são bastante reduzidos para o que Martin
(1999) sugere no treino da força máxima (0%), da resistência de curta (0%) e
média duração (0,79%). Os autores consideram que menos de 1% do treino
total durante uma temporada completa, corresponde a diminutas exigências de
qualidade no treino.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  58
Revisão da Literatura




Quadro II-12: Características da carga de cada conteúdo do treino nos dois grupos de idades: valores médios em
minutos durante uma sessão de treino padrão, valor total em minutos e valores percentuais durante uma temporada
desportiva (adapt. de Marques e col., 2000)
                                          Grupo de Idades 10-12                     Grupo de Idades 13-15
     Conteúdos do Treino
                                 Média ± Dp      T.Total          %         Média ± Dp      T.Total         %

    Resistência Muscular          5.5±6.1        603.5         6.43         3.7±5.4*       494.0         4.67

        Força Rápida              0.2±1.3        31.6          0.20         0.5±3.0*       102.4         0.69

Resistência de Longa Duração      6.2±7.5        637.2         7.26         6.1±8.1        728.8         7.07

Resistência de Média Duração      0.5±2.7        11.1          0.55         0.6±2.5        184.6         0.79

Resistência de Curta Duração      0.1±0.8        10.0          0.07         0.0±0.0*         0           0.00

   Velocidade de Reacção          2.2±4.2        212.1         2.55         0.5±2.7*       74.6          0.63

   Velocidade de Execução         0.6±2.4        144.7         0.69         0.1±0.5*       16.0          0.06

 Velocidade de Deslocamento       2.0±4.9        338.6         2.31         0.7±3.1*       63.3          0.92

  Resistência de Velocidade       0.1±0.6        15.0          0.05         0.2±2.3        108.7         0.29

         Flexibilidade            3.5±5.0        442.1         4.00         5.0±5.1*       672.4         6.27

        Coordenação               2.8±5.2        522.0         3.41         1.9±6.2*       274.9         2.41

           Técnica               25.4±19.9      2427.3         29.90       27.1±19.2      2632.7         34.47

           Táctica               35.9±20.8      2991.5         42.58      32.7±22.4*      3236.8         41.71

     Tempo total de treino       86.1±9.8       7242.9         100.0      79.0±18.1*      7449.2         100.0




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                  59
Metodologia




III. METODOLOGIA

3.1 OBJECTIVOS

         3.1.1 OBJECTIVO GERAL

O objectivo principal deste estudo é conhecer qual a estrutura do treino no
futebol, nos escalões de iniciados e juvenis, perceber as diferenças essenciais
entre as estratégias de formação utilizadas nos dois escalões e compará-las
com os modelos de referência.

        3.1.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

Para que o objectivo deste estudo se concretize, é pretendido atingir os
seguintes objectivos específicos:

        - Caracterizar a estrutura do treino nos dois escalões.

        - Verificar e identificar as principais diferenças da estruturação do treino
entre o escalão de iniciados e juvenis, comparando essa estruturação com o
que a literatura sugere para estas idades no que se refere: (1) aos exercícios
de treino – gerais ou específicos – utilizados; (2) aos conteúdos de treino
valorizados na formação – físicos, técnicos, técnico/tácticos; (3) aos métodos
de treino privilegiados para cumprir as estratégias de formação.

        3.1.3 HIPÓTESES ORIENTADORAS DO ESTUDO

Em função dos objectivos definidos para a realização do nosso estudo,
delimitámos quatro hipóteses orientadoras. Estas, devido à orientação
metodológica do estudo, não estão vocacionadas à confirmação ou negação da
sua veracidade, tendo como principal objectivo a contribuição para uma melhor
definição e clarificação das vias a serem seguidas pela pesquisa.

        HIPÓTESE 1 – A estruturação do treino do escalão de iniciados difere
da estruturação do treino do escalão de juvenis.

        HIPÓTESE 2 – O aumento da especificidade do treino é proporcional ao
aumento da idade dos atletas.
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        61
Metodologia




         HIPÓTESE 3 – Os treinadores de iniciados e juvenis de Futebol dão
prioridade ao desenvolvimento dos aspectos técnicos e técnico/tácticos em
detrimento dos aspectos físicos.

         HIPÓTESE 4 – As capacidades motoras desenvolvem-se através de
uma exercitação conjugada com as habilidades técnico e técnico/tácticas,
acompanhando as novas tendências de treino em Futebol.

3.2 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA

O Quadro que se segue, caracteriza a amostra do nosso estudo.

Quadro III-1: Principais características da amostra
                                                  Unidades de Treino
            Escalão Etário                                                      Equipas
                                                        Total

          12-14 (Iniciados)                             334                       3

           14-16 (Juvenis)                              291                       3

                Total                                   625                       6


Para a realização deste estudo, foram analisadas 625 unidades de treino de
jovens jogadores de Futebol do sexo masculino. Para tal, foram revistos seis
dossiers, dos quais três pertencem a equipas do escalão de iniciados, e os
restantes a três equipas do escalão de juvenis.

O quadro III – 2, tem por objectivo a descrição das equipas que constituem a
amostra do nosso estudo, através da quantificação do número de treinos e
competições formais realizados durante um período anual de treino, assim
como, a razão entre o número de treinos e o número de competições.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  62
Metodologia



Quadro III-2: Caracterização das equipas pertencentes ao estudo, número de treinos, número de competições, razão
treino/competições
                                                     Iniciados

             Equipas                   n.º de Treinos             n.º de Competições    Razão Treino/Competição

         Equipa A (02/03)                    98                          28                       3,5/1

         Equipa B (02/03)                   117                          38                       3,0/1

         Equipa C (02/03)                   119                          29                       4,1/1

  Total / média razão trein./comp           334                          95                       3,5/1

                                                        Juvenis

           Clube/Época                 n.º de Treinos             n.º de Competições    Razão Treino/Competição

         Equipa D (02/03)                   135                          38                       3,6/1

         Equipa E (03/04)                    71                          24                       3,0/1

         Equipa F (03/04)                    85                          22                       3,7/1

  Total / média razão trein./comp.          291                          84                       3,5/1


As equipas que deram origem às sessões de treino por nós analisadas,
pertencem na sua maioria à Associação de Futebol do Porto, excepto a Equipa
D, que pertence à Associação de Futebol de Aveiro.

O número de treinos e competições, varia entre as equipas analisadas,
verificando-se que as equipas do escalão de iniciados têm um número de
treinos (334) e competições (95) superiores aos juvenis (treinos - 291,
competições - 84). A equipa de iniciados que mais treina é a Equipa C, tendo
uma razão de treino / competições de 4,1/1, a equipa de juvenis que mais
treina é a Equipa F, pois a razão treino / competições é de 3,7/1.

As Equipas A, B, C e D pertencem aos centros de treino da Faculdade de
Desporto e Educação Física do Porto, da Universidade do Porto, da época
2002 / 2003. As Equipas E e F pertencem aos centros de treino da mesma
Faculdade, mas da época 2003 / 2004

3.3 MÉTODO DE PESQUISA

O nosso estudo tem como pretensão, a caracterização da estrutura de treino
utilizada na preparação de jovens futebolistas portugueses (iniciados e juvenis),
comparando-a com o que a literatura sugere. Trata-se de uma pesquisa de
natureza exploratória e descritiva.


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                               63
Metodologia




        3.3.1 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS DE PESQUISA

Os procedimentos utilizados para a realização deste estudo, baseiam-se no
método de análise documental (Schnabel et al. 1987) e são do tipo descritivo –
comparativo, permitindo-nos traçar as orientações seguidas na organização e
estruturação do treino, no escalão de iniciados e juvenis em futebol.

Procedeu-se a uma pesquisa documental, em torno dos dossiers de treino do
centro de treino de Futebol da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação
Física da Universidade do Porto (FCDEF-UP).

Os dossiers incluem os planos de preparação, que os alunos do 4º ano da
licenciatura de Desporto e Educação Física da FCDEF-UP, da opção de
futebol, realizaram, ao terem a seu cargo uma determinada equipa, e por tal, a
responsabilidade de todo o planeamento, estruturação e organização do treino
dessa mesma equipa.

Os dossiers são, um instrumento auxiliar do treinador, para toda a organização
do processo de treino, não um documento preparado para a realização de
estudos científicos. Somente foi possível a realização de um trabalho criterioso
de detecção, recolha e tratamento de informação, devido aos documentos em
análise se apresentarem estruturados e organizados de acordo com as normas
de orientação precisas, formuladas nos Estudos do Centros Experimentais de
Treino Desportivo da FCDEF-UP (Marques, 1982)

        3.3.2 CATEGORIZAÇÃO E DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS

Para a realização do nosso estudo, foram objecto de análise nos dossiers de
treino, as cargas de treino, os métodos de treino e os conteúdos de treino
desenvolvidos através dos distintos exercícios de treino (exercícios de
preparação geral (E.P.G.), exercícios específicos de preparação geral
(E.E.P.G.), exercícios específicos de preparação (E.E.P.)). A grande parte da
categorização e definição das variáveis do estudo, têm como base empírica a
classificação dos exercícios de treino de Queiroz (1986) e Castelo (2003).




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        64
Metodologia




          3.3.2.1 EXERCÍCIOS DE TREINO

Os exercícios de treino foram subdivididos nas seguintes categorias de análise:

             a. Exercícios de preparação geral: exercícios de treino que não
                 incluem a utilização da bola, como centro de decisão mental e
                 acção motora do jogador.

             b. Exercícios específicos de preparação: Exercícios de treino que
                 estabelecem a relação do jogador com a bola, mas não envolvem
                 a concretização do objectivo fundamental do jogo, isto é, do golo
                 na baliza adversária.

             c. Exercícios de treino que estabelecem a relação do jogador com a
                 bola e a concretização objectivo fundamental do jogo – golo na
                 baliza adversária.

          3.3.2.2 CARGA DE TREINO

Para análise desta categoria, foi verificado o volume de treino (tempo total e
parcial de treino em minutos e percentagens) para os seguintes conteúdos de
treino:

    -     Desenvolvimento das capacidades motoras: Resistência (aeróbia e
          anaeróbia; Força (resistente, rápida/explosiva, máxima); Velocidade
          (reacção, execução, deslocamento, resistente); Flexibilidade (activa e
          passiva); Coordenação (capacidade de reacção, capacidade rítmica,
          capacidade de equilíbrio, capacidade de diferenciação);

    -     Técnica: aperfeiçoamento de um determinado gesto técnico ou gestos
          técnicos (passe, recepção, remate, etc.)

    -     Técnico / Táctica: desenvolvimento de conjunto de movimentos (gestos
          técnicos, demarcações, etc.) adaptados às situações tácticas (ataque
          organizado, contra ataque, etc.), de acordo com o modelo de jogo
          adoptado pelo treinador.


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        65
Metodologia




    3.3.2.3 MÉTODOS DE TREINO

Em relação aos métodos de treino optámos por verificar:

        a. Desenvolvimento das capacidades motoras condicionais (resistência,
             força, velocidade) através de:

    -   Exercícios sem posse de bola: através dos E.P.G.

    -   Exercícios com posse de bola: através dos E.E.P.G. e E.E.P.

        b. Desenvolvimento dos conteúdos de treino através de exercícios:

    -   Complementares (E.C.): todos os exercícios que não incluem como
        estrutura de base fundamental a finalização, subdivididos nas seguintes
        subcategorias         de    análise:      exercícios      sem      oposição    adversária;
        exercícios com a oposição adversária.

    -   Fundamentais (E.F.): todos os exercícios que englobam as formas de
        jogo, que por sua vez, incluam a finalização como estrutura elementar
        fundamental, subdivididos em três formas fundamentais: Fase I – ataque
        sem oposição sobre uma baliza; Fase II – ataque contra defesa sobre
        uma baliza; Fase III – ataque contra defesa sobre duas balizas.

    3.3.2.4 CONTEÚDOS DE TREINO

No concerne aos conteúdos de treino, foi nossa opção, verificar:

        a. Os conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.P.G:

    -   Capacidades motoras condicionais: resistência aeróbia, resistência
        anaeróbia; força resistente, força rápida / explosiva, força máxima;
        velocidade de reacção, velocidade de deslocamento, velocidade
        resistente; flexibilidade activa, flexibilidade passiva.

    -   Capacidades coordenativas: capacidade de reacção, capacidade de
        ritmo,     capacidade         de    equilíbrio,      capacidade         de   diferenciação,
        capacidade de orientação.

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  66
Metodologia




        b. Os conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P.G./ E.C:
             resistência específica (desenvolvimento desta capacidade aliada a
             uma determinante técnica ou técnico / táctica); força específica
             (desenvolvimento desta capacidade aliada a uma determinante
             técnica ou técnico / táctica); velocidade específica (desenvolvimento
             desta capacidade aliada a uma determinante técnica ou técnico /
             táctica); técnica; técnico / táctica. Desenvolvimento esse que poderá
             ser efectuado utilizando:

    -   Exercícios sem oposição

    -   Exercícios de oposição com igualdade numérica

    -   Exercícios de oposição com superioridade numérica no ataque

    -   Exercícios de oposição com superioridade numérica na defesa

        c. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase I:
             análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.).
             Utilizando a seguinte estruturação de exercícios:

    -   1x0+gr: acção ofensiva com um atacante, sem oposição defensiva, que
        desenvolve as suas acções sobre uma baliza com o objectivo de
        finalizar;

    -   2x0+gr:       acção       ofensiva       de     dois     atacantes,     sem   oposição,
        desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito de
        finalizarem;

    -   3x0+gr: acção ofensiva de três atacantes, sem oposição, desenvolvendo
        as suas acções sobre uma baliza com o intuito de finalizarem;

    -   Mais de 3x0+gr: acção ofensiva com mais de três atacantes, sem
        oposição, desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito
        de finalizarem.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                              67
Metodologia




        d. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase II:
        análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.).
        Utilizando a seguinte estruturação de exercícios:

    -   Exercício com superioridade numérica no ataque: acção ofensiva de
        dois ou mais atacantes, com oposição defensiva, sendo que existe
        sempre superioridade no ataque no desenvolvimento das acções
        ofensivas sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização.

    -   Exercício com igualdade numérica: acção ofensiva de um ou mais
        elementos, com oposição, caracterizando-se por no desenvolvimentos
        das acções ofensivas haver igual número de atacantes e defensores
        sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização;

    -   Exercício com superioridade numérica na defesa: acção ofensiva de um
        ou mais elementos, com oposição defensiva, caracterizando-se por no
        desenvolvimento das acções ofensivas haver sempre inferioridade
        numérica do ataque sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização.

        e. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase III:
        análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.).
        Utilizando a seguinte estruturação de exercícios:

    -   Jogo reduzido: formas jogadas, onde o número de jogadores é reduzido
        em comparação com o jogo formal, assim como as dimensões do
        terreno e balizas, no entanto as regras do jogo são idênticas (ex. 2x2,
        3x3, etc.);

    -   Jogo reduzido e condicionado: formas jogadas, onde o numero de
        jogadores é reduzido em comparação com o jogo formal, assim como as
        dimensões do terreno e balizas, nesta situação as regras do jogo são
        condicionadas aos objectivos dos treinadores (máximo dois toques na
        bola, só podem finalizar de pois da bola ter passado por todos, etc.)
        onde também poderá não existir igualdade numérica (3x2, etc.);




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        68
Metodologia




    -   Jogo formal: situação de 11x11, com as regras e dimensões idênticas às
        da competição.

    -   Jogo formal condicionado: situação de 11x11, onde as regras do jogo
        são condicionadas aos objectivos dos treinadores (máximo dois toques
        na bola, só podem finalizar de pois da bola ter passado por todos, jogar
        num espaço mais reduzido, em meio campo 11x11, etc.) onde também
        poderá não existir igualdade numérica (3x2, etc.);

3.4. PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS

O estudo estatístico, realizado com o SPSS 10.0, incluiu uma análise de
frequências, das medidas descritivas, tais como as médias, desvios-padrão e
percentagens, e um T-test para comparação de escalões etários.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        69
Apresentação e Discussão dos Resultados




IV. Apresentação e Discussão dos Resultados

4.1 EXERCÍCIOS DE TREINO

O quadro que se segue demonstra o nível de utilização dos vários exercícios
de treino (E.P.G, E.E.P.G e os E.E.P) por parte dos treinadores de futebol no
escalão de iniciados e juvenis, pertencentes à amostra em estudo.

Quadro IV-1: Utilização de exercícios de treino e tempo total de treino: valores médios (minutos) numa sessão de
             treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação.
       Exercícios de Treino                  Média ± Dp                   Soma                       %

      Ex. de Preparação Geral               23,2±16,1                   14472                     28,0

       Ex. esp. de prep. Geral              19,3±15,7                  12042,8                    23,2

       Ex. esp. de Preparação               40,4±22,4                  25236,2                    48,8

       Tempo Total de Treino                82,8±20,9                   51751                     100


Verifica-se através destes dados que os treinadores na faixa etária dos 12 aos
16 anos, correspondente aos escalões de formação de iniciados e juvenis, dão
mais importância aos exercícios específicos de preparação (49%) em
detrimento dos exercícios específicos de preparação geral (23%) e dos
exercícios de preparação geral (28%). Algo que não é surpreendente, uma vez
que Marques e col., (2000) num estudo realizado em Portugal sobre a estrutura
do treino de jovens atletas em jogos desportivos colectivos, obtiveram
resultados semelhantes.

Denota-se que os treinadores das faixas etárias em questão dão bastante
importância à preparação geral (EPG e EEPG), contemplando-a nos treinos
dos seus atletas. A soma dos exercícios de preparação geral, num período
anual de treino do nosso estudo revela que, nos iniciados o treino é subdividido
em (50,1 %) preparação geral e (49,9 %) preparação específica, nos juvenis
(52,5%) preparação geral e (47,7%) preparação específica. Estes valores
demonstram que, os treinadores em questão dão bastante importância aos
exercícios de preparação geral, algo que é apoiado pela literatura da
especialidade, pois anterior à aquisição de toda a estrutura complexa dos
gestos e das acções desportivas deverá estar uma cultura motora não
especializada,          constituída       por     um      repertório       de     gestos       motores        e
comportamentos motores que se caracterizam por serem mais simples, sem o

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                             71
Apresentação e Discussão dos Resultados




qual não se evoluirá de forma eficiente e estável, no aprofundamento do
rendimento desportivo (Marques e Oliveira, 2001).

No quadro IV-2, podemos observar os resultados referentes, à média em
minutos de treino e percentagens de treino utilizados, numa unidade de treino
tipo para cada escalão etário.

Quadro IV-2: Utilização de exercícios de treino e tempo total de treino para os escalões de iniciado e juvenis: valores
              médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de
              preparação.
                                                             Iniciados (12-14)                  Juvenis (14-16)
              Exercícios de Treino
                                                        Média ± Dp             %           Média ± Dp             %

          Exercício de Preparação Geral                   25,8±18,8           30,2          20,0±11,7*          25,2

        Ex. Específico de Preparação Geral                17,1±14,9           19,9          21,7±16,2*          27,3

        Exercício Específico de Preparação                42,8±22,9           49,9          37,6±21,5*          47,4

               Tempo Total de Treino                      85,8±24,3           100           79,4±15,5*          100

*Estatisticamente significativo p< 0,05.


Ao analisarmos os resultados do quadro, verificamos que em consonância com
os resultados de Marques e col. (2000), num estudo realizado em Portugal
sobre a estrutura do treino em jogos desportivos colectivos (Futebol;
Basquetebol; Andebol; Voleibol), se bem que para faixas etária distintas 10-12
e 13-15 anos, o grupo etário mais jovem tem uma média de minutos de treino
superior (85,8±24,3) ao grupo etário de idade mais avançada (79,4±15,5)
(p<0,05).

Denota-se que no escalão de iniciados (25,8±18,8) é dada mais importância
aos exercícios de preparação geral do que no escalão juvenil (20,0±11,7) (p
<0,05), tal é suportado pela literatura. No que se refere aos exercícios
específicos de preparação geral verifica-se que no escalão de juvenis
(21,7±16,2), este tipo de exercícios são mais utilizados para a preparação dos
atletas do que no escalão de iniciados (17,1±14,9) (p <0,05), o que está de
acordo com o que os especialistas defendem uma vez que sugerem que o nível
de especificidade do treino deverá ser proporcional ao aumento da idade. Tal
não se verifica nos exercícios específicos de preparação, pois os iniciados no
nosso estudo têm uma média de minutos de treino (42,8±22,9) superior ao
escalão juvenil (37,6±21,5) (p <0,05).

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                   72
Apresentação e Discussão dos Resultados




Ao analisarmos o quadro (IV-2), verificamos que no escalão de juvenis os
EEPG tem uma utilização ligeiramente superior (27,3%) em relação aos EPG
(25,2%). Tal é defendido pela literatura, pois autores como (Teodoresco, 1983;
Nunes e Gomes – Pereira, 2001), salientam a importância da criação de
exercícios que reproduzam parcial ou integralmente o conteúdo e a estrutura
do jogo. Bezerra (2001) refere que as capacidades físicas devem ser
desenvolvidas através de formas jogadas num ambiente próximo da
competição (Ferreira e Queiroz, 1992; Nunes e Gomes – Pereira, 2001).

4.2 CARGAS DE TREINO

          4.2.1 CARGA DE TREINO PARA CADA CONTEÚDO DE TREINO

O quadro IV-3, procura demonstrar qual a importância dada pelos treinadores
da faixa etária em estudo, ao desenvolvimento dos aspectos físicos, técnicos e
técnico tácticos durante um período anual de treinos.

Quadro IV-3: Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico: valores
            médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de
            preparação.
           Conteúdos de Treino                     Média ± Dp               Soma                      %

           Desenvolvimento Físico                    34,0±21,0               21244,2                  41,1

          Desenvolvimento Técnico                    6,6±10,2                4128,2                   8,0

      Desenvolvimento Técnico/Táctico                42,2±22,1               26378,5                  50,9

           Tempo Total de Treino                     82,8±20,9                51751                   100


O quadro IV-3, demonstra que os treinadores nestas idades dão prioridade aos
aspectos técnico / tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos aspectos
técnicos (8%). Estes valores contrastam com os valores encontrados por Pinto
e col. (2001), estudo realizado em Portugal, sobre a análise da carga de treino
e competição em Basquetebol no escalão de iniciados (12/14 anos), Santos
(2001), estudo baseado numa análise das estruturas do treino e escalões de
formação (12/14 e 15/19 anos) em Basquetebol, Pinto e col. (2003), num
estudo de caso, sobre o planeamento do treino de jovens Basquetebolistas,
onde foi realizada uma análise das cargas de treino, em dois escalões
diferenciados (12/14 e 15/16 anos), de um treinador de referência e Marques e
col. (2000) num estudo realizado em Portugal sobre a estrutura do treino em
jogos desportivos colectivos (Futebol; Basquetebol; Andebol; Voleibol) nos

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                               73
Apresentação e Discussão dos Resultados




escalões de formação (10/12 e 13/15 anos), denotando-se que, os treinadores
de futebol para o escalão etário em estudo dão bastante importância às
questões técnico / tácticas, o que não difere dos resultados encontrados nos
estudos referenciados. No entanto no que concerne aos aspectos físicos os
nossos valores são bastante superiores. Já no que diz respeito ao
desenvolvimento técnico de uma forma isolada, os nossos valores são muito
inferiores aos encontrados pelos autores citados.

O quadro IV-4, é referente à prioridade dada pelos treinadores ao
desenvolvimento dos conteúdos em discussão, podendo verificar-se através
dele, os valores médios da carga para os diferentes conteúdos de treino, assim
como, as percentagens referentes a um período anual de desenvolvimento
para uma sessão de treino padrão em futebol, em ambos os grupos etários.
Através da sua análise, poderemos compreender melhor as diferenças
existentes entre o nosso estudo e os estudos referenciados.

Quadro IV-4: Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico, para o
             escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e
             percentagem durante um ano de preparação.
                                                           Iniciados (12-14)               Juvenis (14-16)
             Conteúdos de Treino
                                                       Média ± Dp            %          Média ± Dp           %

              Desenvolvimento Físico                   34,7±23,2           40,4          33,2±18,2         41,8

             Desenvolvimento Técnico                    7,6±11,4           8,9            5,5±8,6           6,9

         Desenvolvimento Técnico/Táctico               43,5±23,0           50,7          40,7±20,9         51,3

               Tempo Total de Treino                   85,8±24,3           100          79,4±15,5*          100

*Estatisticamente significativo p< 0,05.


Ao     analisarmos            o     quadro,    verificamos         que     não      existem          diferenças
estatisticamente significativas (P <0,05) entre o escalão de iniciados e juvenis
no que diz respeito às prioridades de treino para o desenvolvimento físico,
técnico e técnico / táctico.

Comparando os valores da nossa amostra com os valores encontrados por
Pinto e col. (2001), estudo realizado em Portugal, sobre a análise da carga de
treino e competição em Basquetebol no escalão de iniciados (12/14 anos),
assim como os encontrados por Santos (2001), estudo baseado numa análise
das estruturas do treino e escalões de formação (12/14 e 15/19 anos) em
Basquetebol e (Pinto e col. (2003), num estudo de caso, sobre o planeamento
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                               74
Apresentação e Discussão dos Resultados




do treino de jovens Basquetebolistas, onde foi realizada uma análise das
cargas de treino, em dois escalões diferenciados (12/14 e 15/16 anos), de um
treinador de referência (Quadro IV-5), denotamos que os treinadores
pertencentes ao nosso estudo dão muito mais realce ao desenvolvimento físico
(40%) e pouca importância ao desenvolvimento técnico (9%), que pelo
contrário é o que mais se desenvolve nos estudos de Pinto e col. (2001) e
Santos (2001), quanto ao desenvolvimento técnico / táctico o resultado do
nossos estudo é ligeiramente superior (51%).

Quadro IV-5: Percentagem da distribuição dos conteúdos de treino no basquetebol ( adaptado de Pinto e col., 2001;
             Pinto e col., 2003).
                      Desenvolvimento       Desenvolvimento         Desenvolvimento
 Escalão Etário                                                                                    Autor
                             Físico             Técnico                 Táctico

     13 / 14               30%                    50%                      20%
                                                                                                Betrán (1996)
     15 / 16               35%                    40%                      25%

     12 / 14                5%                    48%                      47%
                                                                                                Santos (2001)
     15 / 19                4%                    38%                      59%

     12 / 14               16%                    45%                      40%                Pinto e col. (2001)

     12 / 14                7%                    45%                      48%
                                                                                              Pinto e col. (2003)
     15 / 16                7%                    33%                      59%


No escalão de juvenis (14-16), os nossos resultados, no desenvolvimento
técnico / táctico (51%), aproximam-se dos resultados de Santos (2001) e de
Pinto e col. (2003), mas mais uma vez, no que diz respeito ao desenvolvimento
técnico (7%) os nossos resultados são inferiores, mas bastante superiores no
desenvolvimento físico (42%).

Também Marques e col. (2000), num estudo realizado em Portugal sobre a
estrutura do treino em jogos desportivos colectivos (Futebol; Basquetebol;
Andebol; Voleibol) nos escalões de formação (10/12 e 13/15 anos), realçaram a
prioridade dada pelos treinadores às questões tácticas e técnicas, aos sistemas
de informação e neuro - motores. O que segundo Martin (1999), se trata de
uma estratégia orientada para a qualidade de treino, para fase de
desenvolvimento dos atletas correspondente à faixa etária em questão no
nosso estudo.

Estes resultados poderão justificar-se, pela metodologia utilizada no nosso
estudo, que poderá ter sido diferente à dos estudos referenciados. Uma vez
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                75
Apresentação e Discussão dos Resultados




que por nós foi considerado, como desenvolvimento técnico, o aperfeiçoamento
de um determinado gesto técnico ou gestos técnico (passe, recepção, remate,
etc.) que a dado momento os treinadores tenham demonstrado interesse em
desenvolver nos seus atletas, através dos exercícios complementares e
fundamentais por nós considerados. Como desenvolvimento técnico / táctico,
quando os treinadores demonstrassem pretensões que os seus atletas
desenvolvessem a capacidade de, mediante uma determinada situação táctica
(ataque organizado, contra ataque, circulação de bola, pressão zonal, etc.),
optar por uma conjuntura de movimentos (gestos técnicos, demarcações, etc.)
adaptados ao modelo de jogo idealizado pelos treinadores, através dos
exercícios complementares e fundamentais por nós considerados.

Ao mesmo tempo, na tentativa de acompanhar as novas tendências do treino,
defendida por autores como Rui Faria e Carlos Carvalhal, que se contrapõem a
periodização “convencional” para o Futebol, defendendo a periodização táctica,
que tem por princípios o desenvolvimento físico mediante situações técnico /
tácticas, isto é, um desenvolvimento físico adaptado às exigências do modelo
de jogo adoptado pelo treinador. Mas também pelo facto dos autores, Santos
(2001), Pinto e col.(2001) e Pinto e col.(2003), nos seus estudos realçarem a
sua dificuldade no processo de recolha de dados, ao não contemplarem o
desenvolvimento físico integrado,             desenvolvimento físico associado a uma
componente técnico / táctica, nos seus estudos e por os treinadores nem
sempre definirem como objectivo esse mesmo tipo de treino. Por tal, optamos
por verificar o desenvolvimento das capacidades condicionais (resistência,
força, velocidade.) de uma forma específica, associada às componentes
técnicas, ou técnico / tácticas através dos exercícios complementares e
fundamentais considerados no nosso estudo.

Consideramos que os resultados do nosso estudo, neste aspecto, estão de
acordo com o que os autores consideram e apelam de “qualidade de treino”,
uma vez que nos estudos por nós consultados, os valores da vertente física
revelaram-se bastante reduzidos (Quadro IV-5), tal não se verifica no nosso
estudo. No que diz respeito aos baixos valores da componente técnica do
nosso estudo, poderá ser entendido como uma boa opção de treino, uma vez

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 76
Apresentação e Discussão dos Resultados




que a técnica no Futebol deverá ser entendida como um conjunto de acções
motoras especializadas que permitam resolver as tarefas do jogo, a principal
função da técnica reside na sua utilidade para servir a inteligência e a
capacidade de decisão táctica dos intervenientes do jogo. O ensino e treino da
técnica em futebol não deverá restringir-se aos gestos em si, à vertente
biomecânica do movimento, mas sim atender sobretudo às imposições da sua
adaptação inteligente às situações de jogo (Garganta, 1997; Garganta, 2001;
Garganta 2002).

         4.2.2 CARGA         DE   TREINO      PARA O      DESENVOLVIMENTO             DAS    CAPACIDADES
MOTORAS

O Quadro IV-6, referencia o desenvolvimento das capacidades motoras em
Futebol na faixa etária do 12 aos 16 anos, através dos valores médios da carga
para os diferentes conteúdos de treino, assim como as percentagens referentes
a um período anual, para uma sessão de treino tipo.

Quadro IV-6: Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão etário
              dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos)
              e percentagem durante um ano de preparação.
                 Conteúdos                           Média ± Dp              Soma                   %

       Desenvolvimento da Resistência               15,8±12,5               9870,3                 19,1

          Desenvolvimento da Força                   6,9±11,4               4309,0                  8,3

       Desenvolvimento da Velocidade                 2,6±6,3                1662,2                  3,1

      Desenvolvimento da Flexibilidade               6,8±5,0                4226,2                  8,2

        Desenvolvimento Coordenativo                 1,3±2,7                796,5                   1,6


Verifica-se através da análise do quadro, que a resistência é a capacidade
motora que mais se desenvolve (19%), seguindo-se a força (8%) e a
flexibilidade (8%), sendo a velocidade (3%) e a coordenação (2%) o que menos
se desenvolve na faixa etária dos 12 aos 16 anos em Futebol.

O nosso estudo, revela que a resistência, a força e a flexibilidade estão a ser
desenvolvidos nesta fase do processo de desenvolvimento dos atletas, o que
revela uma estratégia orientada para a qualidade de treino por parte dos
treinadores, estes resultados são coincidentes com os resultados encontrados
por Marques e col. (2000), no entanto, assim como nos resultados encontrados
por Marques e col. (2000) a velocidade e coordenação no nosso estudo tiveram

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                             77
Apresentação e Discussão dos Resultados




pouca relevância, capacidades que são de extrema importância serem
desenvolvidas nestas idades. Martin (1991), citado por Marques (2000)
sustenta que um incremento contínuo dos níveis de aprendizagem e de
coordenação, assim como, um maior ênfase no desenvolvimento das
capacidades de velocidade e de força rápida, são conteúdos de treino
preponderantes para uma optimização de performance no futuro.

O quadro que se segue procura demonstrar se existem diferenças entre o
treino de iniciados e juvenis no desenvolvimento das capacidades motoras.

Quadro IV-7: Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão de
             iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e
             percentagem durante um ano de preparação.
                                                      Iniciados (12-14)               Juvenis (14-16)
                 Conteúdos
                                                  Média ± Dp            %        Média ± Dp           %

        Desenvolvimento da Resistência           18,1±12,8        21,1%         13,2±11,7*        16,6%

           Desenvolvimento da Força               5,4±8,9          6,3%         8,6±13,5*         10,8%

        Desenvolvimento da Velocidade             3,1±6,8          3,6%          2,2±5,6           2,8%

       Desenvolvimento da Flexibilidade           5,8±4,8          6,6%          7,9±4,9*          9,9%

        Desenvolvimento Coordenativo              1,6±2,9          1,8%          0,9±2,4*          1,1%

*Estatisticamente significativo p< 0,05.


Através da análise do quadro, verificamos que existem diferenças significativas
(p <0,05) no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades motoras
entre o escalão de iniciados e juvenis, pois o treino dos iniciados revela um
desenvolvimento superior da resistência e coordenação, já o treino dos juvenis
dá mais importância ao desenvolvimento da força e flexibilidade. Ao contrário
dos resultados de Santos (2001), estudo baseado numa análise das estruturas
do treino e escalões de formação (12/14 e 15/19 anos) em Basquetebol, os
resultados do nosso estudo demonstram que o escalão etário mais baixo
desenvolve mais a resistência do que o escalão etário de mais idade. No que
diz respeito ao desenvolvimento da força assim como nos resultados
encontrados por Santos (2001), o escalão etário de idade mais avançada
desenvolve mais esta capacidade do que o escalão etário de idade mais baixa.
Tanto no desenvolvimento coordenativo como no desenvolvimento da
flexibilidade os nossos resultados são contrários aos de Santos (2001).



ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                          78
Apresentação e Discussão dos Resultados




É importante realçar, que de uma forma geral, os nossos resultados revelam
que os treinadores de Futebol dão grande realce ao desenvolvimento das
capacidades motoras quando em comparação com os estudos por nós
consultados. Sendo exemplo disso a comparação dos nossos resultados com
os resultados encontrados por Santos (2001) (Quadro IV-8), se bem que para
modalidades diferentes mas ambas desportos colectivos.

Quadro IV-8: Características da carga de treino para cada conteúdo de treino: valores médios (minutos) numa sessão
             de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação (Adaptado de Santos,
             2001).
                                                              12-14                             14-19
                 Conteúdos
                                                     Média ± Dp           %           Média ± Dp           %

       Desenvolvimento da Resistência               0,09±0,96          0,12          0,36±1,66           0,40

          Desenvolvimento da Força                  0,72±0,75          0,80          2,41±5,21           2,70

       Desenvolvimento da Velocidade                0,76±0,96          0,84          0,28±1,31           0,30

       Desenvolvimento da Flexibilidade             2,68±1,07          3,13          0,21±1,74           0,21

        Desenvolvimento Coordenativo                 0,0±0,0             0           0,01±0,14           0,01


No entanto, cremos que os resultados da nossa amostra de uma forma geral,
se revelam positivos, mas a nosso ver, requerem uma análise mais específica
sendo necessário verificar o nível de desenvolvimento das diferentes formas de
expressão das capacidades motoras em questão, algo que se poderá verificar
no ponto 4.4.1 da análise e discussão dos resultados do nosso estudo.

4.3 MÉTODOS DE TREINO

          4.3.1 METODOLOGIA               DE   DESENVOLVIMENTO          DAS    CAPACIDADES MOTORAS
          CONDICIONAIS

O quadro que se segue, tem por objectivo demonstrar de que forma os
treinadores de Futebol no escalão etário dos 12 aos 16 anos, desenvolvem as
capacidades motoras condicionais (C.M.C)

Quadro IV-9: Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão etário
             dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e
             percentagem durante um ano de preparação.
                  Método de Treino                            Média ± Dp            Soma                %

        Des. Cap. motoras através de ex. s/ bola                23,2±16,1             14472             28,0

        Des. Cap. motoras através de ex. c/ bola                10,8±11,5             6772,2            13,0


O quadro demonstra que os treinadores, nestas idades, tendem a desenvolver
mais as capacidades motoras condicionais dos seus atletas de uma forma
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                79
Apresentação e Discussão dos Resultados




separada das questões técnicas e tácticas, pois a utilização de exercícios sem
posse de bola (28%) no seu desenvolvimento é superior à utilização de
exercícios com posse de bola (13%). O que a nosso ver é compreensível, uma
vez que a literatura aponta para que a especificidade do treino aumente com o
aumento da idade, por tal o desenvolvimento mais específico das capacidades
motoras condicionais deverá aumentar de uma forma gradual, à medida que a
idade dos atletas aumenta.

No entanto, Gomes – Pereira (2001); Bangsbo (1994), defendem o
desenvolvimento das capacidades motoras aliadas aos gestos técnicos e
técnico / tácticos. Os autores consideram que o desenvolvimento físico deve
ser adaptado às exigências do modelo de jogo idealizado pelo treinador, isto é
adaptado à competição, tal não se verifica no nosso estudo, pois a
percentagem do desenvolvimento físico sem bola é inferior ao desenvolvimento
físico com bola.

O facto dos treinadores geralmente utilizarem mais o desenvolvimento físico
separado das questões técnico e técnico / tácticas, poderá justificar-se
segundo (Bangsbo, 1994), pela dificuldade em organizar-se este tipo de
exercícios, pois requerem a disponibilização de mais tempo na sua
organização e mais imaginação, assim como, a precedente avaliação para a
verificação do cumprimento do exercício, tornando-se mais simples para o
treinador o desenvolvimento físico separado das situações técnico e técnico /
tácticas.

O Quadro IV-10, descreve a opção metodológica de treino para o
desenvolvimento das capacidades motoras condicionais dos iniciados e
juvenis.

Quadro IV-10: Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão de
              iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e
              percentagem durante um ano de preparação.
                                                           Iniciados (12-14)            Juvenis (14-16)
                 Método de Treino
                                                       Média ± Dp            %       Média ± Dp         %

       Des. Cap. motoras através de ex. s/ bola         25,8±18,8         30,1        20,0±11,7*      25,2

       Des. Cap. motoras através de ex. c/ bola          8,8±9,8          10,2        13,1±12,8*      16,5

*Estatisticamente significativo p< 0,05.


ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                          80
Apresentação e Discussão dos Resultados




O quadro demonstra que os treinadores dos juvenis desenvolvem mais as
capacidades motoras condicionais, através de exercícios com posse de bola
(17%) do que os iniciados (10%) (p <0,05), estes por sua vez, desenvolvem
mais as capacidades motoras condicionais através de exercícios sem posse de
bola (p <0,05), isto é, sem associar o desenvolvimento das mesmas com
situações técnicas e tácticas. Mais uma vez, os resultados estão de acordo
com o princípio da especialização crescente dos exercícios de treino (Marques
e col. 2000).

         4.3.2 EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES / FUNDAMENTAIS

O quadro seguinte retracta, através da média e desvio padrão, da soma e
percentagens, para uma sessão de treino padrão durante um período anual de
treino, quais os exercícios treino preferencialmente utilizados pelos treinadores
nestas idades.

Quadro IV-11: Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão
              etário dos 12 aos 16 anos em Futebol : valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
              (minutos) e percentagem durante um ano de preparação.
            Método de Treino                      Média ± Dp              Soma                     %

        Exercícios Complementares                19,3±15,7               12042,8                 23,3

         Exercícios Fundamentais                 40,4±22,4               25236,2                 48,8


Através da análise do quadro, denota-se que os treinadores da faixa etária dos
12 aos 16 anos em futebol, utilizam preferencialmente exercícios fundamentais
(49%) em detrimento dos exercícios complementares (23%). Verificando-se
que os mesmos, optam ou dão mais importância, aos exercícios que
estruturalmente têm a finalização como objectivo (exercícios fundamentais),
deixando para segundo plano os exercícios que não tem finalização (exercícios
complementares), que normalmente servem para isolar ou canalizar a
concentração dos atletas para o desenvolvimento de determinada situação
física, técnica ou técnico / táctica, não tendo como objectivo a finalização, isto é
o objectivo do jogo.

O Quadro IV-12, compara a utilização dos exercícios complementares e
fundamentais, por parte dos treinadores de iniciados e juvenis.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                           81
Apresentação e Discussão dos Resultados



Quadro IV-12: Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão de
              iniciados e juvenis : valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e
              percentagem durante um ano de preparação.
                                                        Iniciados (12-14)                 Juvenis (14-16)
                  Conteúdos
                                                   Média ± Dp             %         Média ± Dp            %

          Exercícios Complementares                    17,1±14,9         19,9%       21,7±16,2*        27,3%

           Exercícios Fundamentais                     42,8±22,9         49,9%       37,6±21,5*        47,4%

*Estatisticamente significativo p< 0,05


Através da análise do quadro, é nos demonstrado, que os iniciados utilizam
mais exercícios fundamentais do que os juvenis (p <0,05). Os juvenis por sua
vez utilizam mais exercícios complementares do que os iniciados (p <0,05). Ao
analisarmos estes tendo em conta o princípio da especialização crescente, não
se encontram de acordo com a lei, no entanto, essa diferença embora
significativa não é elevada, para que se possa afirmar de forma peremptória,
que está errado os treinadores dos juvenis utilizarem mais exercícios
complementares do que os iniciados e vice-versa.

           4.3.3 EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES (COM OU SEM OPOSIÇÃO)

O Quadro IV-13, procura demonstrar de que forma é que os treinadores
utilizam os exercícios complementares, através da média e desvio padrão, da
soma e percentagens, para uma sessão de treino tipo, de um período anual de
treino.

Quadro IV-13: Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no
               escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
               (minutos) e percentagem durante um ano de preparação.
          Ex. complementares - Método                   Média ± Dp            Soma                %

                Ex. comp. s/ oposição                         9,9±11,7             6197,8             12,0

                Ex. comp. c/ oposição                         9,4±12,0             5845,1             11,4


Ao analisarmos o quadro, deparamos que no treino de futebol no escalão de
iniciados         e      juvenis,         utiliza-se      metodologicamente              mais      exercícios
complementares               sem          oposição       de        adversários      do      que    exercícios
complementares com oposição, no entanto, essa diferença é pequena (0,6%).
Estes resultados demonstram que os treinadores de Futebol da faixa etária em
estudo, quando utilizam os exercícios complementares que se caracterizam por
não terem finalização, optam por não utilizarem a oposição adversária. Têm
preferência por exercícios pouco complexos para os atletas e para os
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                               82
Apresentação e Discussão dos Resultados




treinadores, isto é, de mais fácil execução para os atletas e de simples controlo
para o treinador. No entanto embora os exercícios tenham as vantagens
referidas, segundo alguns autores especialistas na matéria (Mesquita, 2000;
Garganta 2002) têm fraca aplicabilidade prática, quando se pretende
desenvolver aspectos técnicos ou técnico / tácticos, pois, através deste tipo de
exercícios, os atletas desenvolvem sobretudo o seu controlo quinestésico, em
detrimento de outras importantes capacidades, como o controlo visual.
Mesquita (2000) sustenta, que no treino dos jogos desportivos colectivos se
deve contemplar probabilidades de ocorrência das situações – problema
específicas da competição, o que não acontece neste tipo de exercícios
(exercícios complementares sem oposição), pois em competição dificilmente
não existe a oposição de adversários.

Os exercícios complementares sem oposição, poderão no entanto, ser
extremamente úteis para desenvolvimento específico das capacidades motoras
condicionais, por tal, não poderemos julgar a opção dos treinadores em
utilizarem estes tipos de exercícios, sem antes sabermos o que vai ser
desenvolvido. Algo que se poderá verificar mais à frente no quadro IV – 18, do
ponto 4.4.2, referente à utilização de exercícios específicos de preparação
geral que são também denominados por exercícios complementares.

O quadro que se segue, distingue as opções metodológicas dos treinadores de
iniciados e juvenis a quando da utilização de exercícios complementares.

Quadro IV-14: Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no
              escalão no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
              (minutos) e percentagem durante um ano de preparação.
                                                        Iniciados (12-14)                 Juvenis (14-16)
        Exercícios Complementares
                                                   Média ± Dp             %         Média ± Dp            %

                 Sem oposição                       11,6±13,1          13,5          8,0±9,4*            10,1

                 Com oposição                        5,5±9,8            6,4         13,7±12,8*           17,2

*Estatisticamente significativo p< 0,05


Os treinadores de iniciados utilizam mais exercícios complementares sem
oposição de adversários (14%) do que os treinadores dos juvenis (10%) (p
<0,05), inversamente os treinadores de juvenis têm uma utilização superior de



ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                83
Apresentação e Discussão dos Resultados




exercícios complementares com oposição (17%) em relação aos treinadores
dos iniciados (6%).

Os resultados, a nosso ver estão de acordo com o principio da especialização
crescente (Marques e col., 2000), pois os exercícios mais complexos são mais
utilizados pelos treinadores dos juvenis, por sua vez, os exercícios que
teoricamente são menos complexos, têm um grau de utilização superior por
parte dos treinadores dos iniciados.

Os exercícios fundamentais são os mais utilizados pelos treinadores de futebol
da faixa etária dos 12 aos 16 anos (ver Quadros, IV-11 e IV-12), resta saber de
que forma é que os treinadores pretendem desenvolver as capacidades dos
seus atletas através destes exercícios. Queirós (1987) e Castelo (2002)
subdividem os exercícios fundamentais em três fases distintas, com um grau
de complexidade crescente (exercícios fundamentais de fase I, fase II e fase
III).

         4.3.4 EXERCÍCIOS FUNDAMENTAIS (FASE I, II, III)

Os quadros que se seguem (Quadros IV-15 e IV-16) procuram demonstrar, que
tipo de exercícios fundamentais mais se utiliza nesta faixa etária e se existem
diferenças estruturais entre os treinadores de iniciados e juvenis, na escolha
destes exercícios.

Quadro IV-15: Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no
               escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório
               (minutos) e percentagem durante um ano de preparação.
          Ex. Fundamentais - Método                   Média ± Dp              Soma                  %

        Exercícios Fundamentais Fase I                 6,1±10,1               3835,5               7,4

        Exercícios Fundamentais Fase II                6,5±11,7               4043,9               7,8

        Exercícios Fundamentais Fase III               27,8±24,6             17356,8               33,6


Os treinadores de Futebol da faixa etária dos 12-16 anos, quando utilizam
exercícios fundamentais (exercícios com finalização), optam por utilizar mais
exercícios fundamentais de fase III (34%), seguindo-se os de fase II (8%) e por
fim os de fase I (7%).

Através da análise destes resultados, verificamos que os treinadores em causa,
optam por utilizar os exercícios de fase III, que são mais complexos que os
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                            84
Apresentação e Discussão dos Resultados




restantes e que estruturalmente obrigam a que os atletas em posse de bola
procurem a finalização e quando perdem a posse da mesma, evitem a
finalização na sua baliza (jogo reduzido, jogo reduzido e condicionado, jogo
formal, jogo forma condicionado) (Queiroz, 1987; Castelo, 2002). A nosso ver,
é uma opção de treino bastante válida uma vez que são os exercícios que
estruturalmente mais se assemelham com a competição.

Quadro IV-16: Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no
             escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e
             percentagem durante um ano de preparação.
                                                       Iniciados (12-14)                  Juvenis (14-16)
         Exercícios Fundamentais
                                                    Média ± Dp           %          Média ± Dp             %

        Exercícios Fundamentais Fase I              5,8±10,2           6,8%           6,5±10,0           8,2%

        Exercícios Fundamentais Fase II              4,8±9,9           5,6%           8,3±13,2*          10,4%

       Exercícios Fundamentais Fase III             32,1±25,8         37,4%          22,8±22,1*          28,7%

*Estatisticamente significativo p< 0,05


Através da análise do quadro, verifica-se que os treinadores dos iniciados
utilizam menos exercícios fundamentais de fase II (6%) do que os juvenis
(10%) (p <0,05), os treinadores de iniciados utilizam mais os exercícios
fundamentais de fase III (37%) do que os treinadores de juvenis (29%) (p
<0,05). Estes resultados, não estão de acordo com o princípio da
especialização crescente dos exercícios de treino (Marques e col., 2000), pois
os treinadores dos iniciados utilizam mais exercícios de fase III, que são os
mais complexos, do que os treinadores dos juvenis.

4.4 CONTEÚDOS DE TREINO

           4.4.1 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.P.G

O Quadro IV-17, é referente ao desenvolvimento das capacidades motoras
através dos exercícios de preparação geral, distinguindo esse desenvolvimento
por escalões.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                85
Apresentação e Discussão dos Resultados



Quadro IV-17: Características da carga de treino, para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
             exercícios de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa
             sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação.
                                         Exercícios de Preparação Geral

                                          12-14 (Iniciados)                                  14-16 (Juvenis)
Conteúdos de Treino
                             Média ± Dp          Soma            %               Média ± Dp         Soma         %

 Resistência Aeró.            10,7±9,1           3583,5         12,5              3,9±5,4*          1135,0       4,9

 Resistência Anae.             0,7±2,7           245,0           0,8               0,5±2,4           135,0       0,6

 Força Resistente              3,4±4,8           1126,5          4,0               4,0±3,1          1151,5       5,0

 Força Rap./ Expl.             1,6±5,7           541,0           1,9               1,5±4,4           425,0       1,9

   Força Máxima                0,0±0,0             0,0           0,0               0,0±0,0            0,0        0,0

 Velocidade Reacç              0,4±1,9           123,0           0,5               0,5±2,2           135,0       0,6
                                   -2                                  -2
 Velocidade Exec.           3,1x10 ±0,4           10,5         3,6x10              0,0±0,0            0,0        0,0

 Velocidade Deslo.             1,3±4,2           429,2           1,5               1,0±2,9           282,5       1,3
                                                                                      -2                                -2
 Velocidade Resis.             0,3±2,1           114,5           0,3            4,1x10 ±0,5*         12,0      5,2x10

   Flexibili. Acti.            1,2±2,0           386,5           1,4               1,0±1,6           299,5       1,2

  Flexibili. Pass.             4,6±4,0           1534,8          5,4              6,9±4,9*          2005,5       8,7

 Cap. Reac. Coord.             0,0±0,0             0,0           0,0               0,0±0,0            0,0        0,0

 Cap. Rítm. Coord.             1,6±2,9           537,5           1,9              0,7±1,7*           216,5       1,0

 Cap. Equil. Coord             0,0±0,0             0,0           0,0               0,0±0,0            0,0        0,0
                                   -2                                  -2
 Cap. Orien. Coord          1,5x10 ±0,2            5,0         1,7x10              0,0±0,0            0,0        0,0

 Cap. Difer. Coord             0,0±0,0             0,0           0,0              0,1±0,9*           37,5        0,1

*Estatisticamente significativo p< 0,05


Através           da   análise          do    quadro          verifica-se       que        existem       diferenças
estatisticamente significativas (p <0,05) no desenvolvimento da resistência
aeróbia através de exercícios de preparação geral entre o escalão de iniciados
(13%) e juvenis (5%), denotando-se que os iniciados desenvolvem mais esta
capacidade condicional através deste tipo de exercícios. Martin (1999), refere
que a resistência aeróbia é uma capacidade que deve ser desenvolvida em
todas as idades ou períodos, infância e juventude, o que confere uma grande
importância ao desenvolvimento desta capacidade. O facto dos treinadores dos
juvenis, desenvolverem menos esta capacidade condicional através dos
exercícios em questão, poderá explicar-se pelo facto de optarem por
desenvolver a resistência aeróbia, através de exercícios mais específicos
(exercícios específicos de preparação geral ou exercícios específicos de
preparação), uma vez que, embora desenvolvam menos a resistência do que
os treinadores dos iniciados (ver Quadro IV-7), utilizam maioritariamente

ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                   86
Apresentação e Discussão dos Resultados




exercícios com posse de bola para o desenvolvimento da mesma (ver Quadro
IV-10). Estes factos poderão justificar a diferença dos resultados, no entanto,
requerem uma análise mais específica que se poderá realizar com a
observação quadros, IV-18, IV-19, IV-20 e IV-21.

Podemos constatar, que o desenvolvimento da resistência aeróbia é o que
mais se trabalha através deste tipo de exercícios, nas idades dos 12 aos 16
anos, seguindo-se a flexibilidade passiva, em que o desenvolvimento difere
estatisticamente (p <0,05) nos escalões em estudo, denotando-se um
desenvolvimento superior por parte dos juvenis (9%) em relação ao escalão de
iniciados (5%). A força resistente, a força rápida / explosiva, a capacidade
rítmica coordenativa, onde existem diferenças significativas entre os escalões
testados (p <0,05) pois o escalão de iniciados (2%) desenvolve mais esta
capacidade do que o escalão de juvenis (1%), A velocidade de deslocamento e
por fim a flexibilidade activa. Estes resultados revelam uma estratégia orientada
para a qualidade de treino por parte dos treinadores (Martin, 1999) e são
idênticos aos do estudo realizado por Marques e col. (2000), no que diz
respeito à resistência aeróbia e à flexibilidade.

As restantes capacidades motoras têm um desenvolvimento muito reduzido ou
nulo, destacando-se diferenças estatisticamente significativas (p<0,05) entre o
escalão de iniciados e juvenis, onde os iniciados (0,3%) desenvolvem mais a
velocidade resistente do que os juvenis sendo o seu                             desenvolvimento
praticamente nulo neste escalão (5,2x10-2% ). Contudo os juvenis desenvolvem
mais a capacidade de diferenciação coordenativa (0,1%) pois os iniciados não
desenvolvem este tipo de coordenação.

Podemos constatar que a velocidade tem um desenvolvimento ligeiramente
superior no escalão de iniciados, do que no escalão de juvenis, o que está de
acordo com o que Martin (1999) sustenta, embora essa diferença só seja
estatisticamente significativa numa forma de expressão desta capacidade.
Estes resultados são coincidentes com os estudos realizados por Marques e
col. (2000); Pinto e col. (2001), onde igualmente se verifica um fraco
desenvolvimento das formas de expressão da velocidade, considerado por
Martin (1999) muito importante para a formação motora dos jovens atletas, dos
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 87
Apresentação e Discussão dos Resultados




10 aos 13 anos. Deste modo, podemos realçar a existência de um baixo
desenvolvimento das várias formas de expressão da velocidade em Futebol, no
escalão de iniciados através dos exercícios de preparação geral.

Segundo Martin (1999) o desenvolvimento da resistência aeróbia, é muito
importante dos 14 aos 18 anos, no entanto, os nossos resultados demonstram
que não lhe foi dada a devida importância, ao revelarem baixos valores de
desenvolvimento no escalão de juvenis, através dos exercícios em questão.

Destaca-se um desenvolvimento nulo em ambos os escalões da força máxima,
da capacidade de reacção coordenativa e da capacidade de equilíbrio
coordenativo. No que se refere à capacidade de reacção coordenativa, os
resultados estão de acordo com o que Martin (1999) defende, uma vez que
este refere que, esta capacidade coordenativa tem a sua fase sensível de
desenvolvimento na faixa etária dos 6 aos 10 anos de idade, por tal, não
engloba as faixas etárias em estudo. Já no que diz respeito à capacidade de
equilíbrio coordenativo, os nossos resultados não estão de acordo com o que
autor sustenta, uma vez que, o mesmo refere que é importante desenvolver
esta capacidade dos 10 anos aos 13 anos de idade, o que corresponde ao
escalão etário dos iniciados. A força máxima, segundo Martin (1999) tem a sua
grande expressão dos 13 aos 19 anos, por tal, deveria ter sido desenvolvida
pelo escalão juvenil.

Estes dados, demonstram algumas orientações para a qualidade do treino por
parte dos treinadores, assim como, um baixo desenvolvimento de outras
capacidades, que são extremamente importantes para a formação dos atletas.

        4.4.2 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DO E.E.P.G

Os quadros que se seguem, permitem-nos uma análise mais específica pois
demonstram        o    desenvolvimento         dos    diferentes     conteúdos       (resistência
específica, força específica, velocidade específica, técnica e técnico/táctica),
através dos meios específicos de preparação geral e dos meios específicos de
preparação (fase I, fase II e Fase III).



ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 88
Apresentação e Discussão dos Resultados



       Quadro IV-18: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                     exercícios específicos de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos)
                     numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação.
                                  Exercícios Específicos de Preparação Geral / Complementares

                                                              12-14 (Iniciados)                         14-16 (Juvenis)
                             Conteúdos
                                                   Média ± Dp          Soma       %        Média ± Dp         Soma          %

                                Sem oposição         5,4±8,3           1814,0     6,3       4,7±6,4          1363,2         5,9
Resis

                   Espe




                              C/op.igualdad. n.º     0,2±1,2            59,0      0,2       0,5±2,1*          147,8         0,6

                               C/op sup. ataque      1,4±5,0           485,0      1,6       3,7±6,8*         1068,8         4,6
                                                                                                 -2                                -2
                                Sem oposição         0,2±1,6           70,00      0,2      5,2x10 ±05          15,0       6,5x10
                   Espe
Forç




                              C/op.igualdad. n.º     0,0±0,0             0,0      0,0       0,2±1,7*           60,0         0,2

                               C/op sup. ataque      0,0±0,0             0,0      0,0        02±1,9            55,0         0,2
                                                         -2
                                Sem oposição       9,0x10 ±1,2          30,0      0,1       0,4±2,5*          130,0         0,5
Veloc

                   Espe




                                                                                                 -2                                -2
                              C/op.igualdad. n.º     0,0±0,0             0,0      0,0     5,2x10 ±0,9          15,0       6,5x10
                                                         -2
                               C/op sup. ataque    9,7x10 ±0,9          32,5      0,1       0,0±0,0*           0,0          0,0

                                Sem oposição         5,4±9,4           1803,5     6,3       2,7±6,1*          790,5         3,4
           Técni




                                                                                                 -2                                -2
                              C/op.igualdad. n.º     0,0±0,0             0,0      0,0     6,4x10 ±0,9          18,8       8,0x10
                                                         -2
                               C/op sup. ataque    9,7x10 ±1,1          32,5      0,1        0,2±2,0           45,0         0,2
                                                                                                -2
                                Sem oposição         0,5±2,5           156,5      0,6     8,6x10 ±1,1*         25,0         0,1

                              C/op.igualdad. n.º     3,1±7,9           1035,8     3,6       1,4±5,0*          400,0         1,8
Tecnic./

                   Táctica




                               C/op sup. ataque      0,6±3,5           205,0      0,7       7,2±10,8*        2097,8         9,1

                               C/op. sup defesa      0,0±0,0             0,0      0,0       0,3±1,7*           87,2         0,4

       *Estatisticamente significativo p< 0,05


       Através da análise do quadro, verifica-se que o desenvolvimento da resistência
       de forma específica é superior no escalão de juvenis em relação ao
       desenvolvimento efectuado pelo escalão de iniciados, o que está de acordo
       com o princípio especialização crescente dos exercícios de treino (Marques e
       col., 2000). Denota-se que os treinadores de ambos os escalões têm
       preferência por desenvolver esta capacidade motora condicional, de forma
       específica, através dos exercícios específicos de preparação geral, utilizando
       exercícios complementares sem oposição, sendo provável que os mesmos
       pretendam desenvolver esta mesma capacidade a uma intensidade mais baixa.
       A ordem de preferência de utilização segue-se com, os exercícios
       complementares com oposição e superioridade no ataque, e por fim, os
       exercícios complementares com oposição e igualdade numérica.



       ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                              89
Apresentação e Discussão dos Resultados




Através dos exercícios em análise, existem diferenças significativas (p <0,05)
no desenvolvimento da resistência específica, entre iniciados e juvenis, pois os
treinadores dos juvenis optam por utilizar mais exercícios complementares com
oposição e igualdade numérica (0,6%) do que os treinadores de iniciados
(0,2%). O mesmo acontece no caso dos exercícios complementares com
oposição e superioridade no ataque, em que os treinadores dos juvenis
apresentam uma utilização de 4,6% em relação aos treinadores dos iniciados
(1,6%), para o desenvolvimento da capacidade motora em questão, de forma
específica.

A capacidade motora que mais se desenvolve de forma específica através
destes exercícios é a resistência. A força específica e a velocidade específica
têm um desenvolvimento bastante reduzido. Para além da resistência
específica, o que mais se desenvolve através destes exercícios são as
questões técnico / tácticas, onde existem diferenças estatisticamente
significativas (p <0,05) entre o escalão de iniciados e juvenis.

Nas opções de treino para o desenvolvimento técnico / táctico, os treinadores
de iniciados utilizam mais exercícios complementares sem oposição (0,6%) do
que os treinadores do escalão de juvenis (0,1%) e exercícios complementares
com oposição e igualdade numérica (3,6%). Já os treinadores de juvenis,
optam mais pelos exercícios com oposição, dos quais se destacam os que têm
superioridade no ataque (9,1%), onde os iniciados têm uma utilização menor
(0,7%). Estes resultados estão de acordo com o princípio da especificidade
crescente dos exercícios de treino (Marques e col. (2000).

No que diz respeito ao desenvolvimento da técnica, verifica-se que os
treinadores dos escalões representados no nosso estudo, quando pretendem
desenvolver ou apurar uma situação técnica, optam por faze-lo através de
exercícios complementares sem a oposição de adversários, conotando-lhe um
desenvolvimento mais analítico, por tal, considerado menos apropriado pela
literatura (Mesquita, 2000; Garganta, 2002). Estes autores defendem que esse
desenvolvimento deverá ser realizado de uma forma mais aberta, onde os
atletas possam desenvolver a capacidade de decidir qual o gesto técnico mais
apropriado para a situação com que se deparam. No entanto, este tema é
ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 90
Apresentação e Discussão dos Resultados




bastante complexo, e bastante polémico, por tal, requer uma análise mais
específica que permita afirmar se esta metodologia está certa ou errada, algo
que não é objectivo do nosso estudo. Contudo, as diferenças estaticamente
significativas (p <0,05) entre o escalão de iniciados (0,3%) e juvenis (3,4%),
estão de o acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios
de treino, realçado por (Marques e col. (2000).

No que diz respeito à duvida levantada no ponto 4.3.3 do nosso estudo, em
relação à importância da utilização de exercícios complementares sem
oposição na estrutura do treino de futebol, quando nos questionávamos qual
seria o objectivo dos treinadores em utilizar este tipo de exercícios, podemos
verificar através da análise dos resultados do quadro, que os treinadores
utilizam estes exercícios, para desenvolverem essencialmente a resistência
específica dos seus atletas. Estes exercícios revelam-se muito importantes pois
têm como objectivo, o desenvolvimento de conteúdos específicos da
modalidade desportiva, através de uma relação primordial do praticante com a
bola, promovendo um desenvolvimento físico ajustado às características da
modalidade (Castelo, 2002). Logo a utilização deste tipo de exercícios revela-
se importante na estrutura do treino de Futebol, para os escalões etários em
estudo.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 91
Apresentação e Discussão dos Resultados




                                 4.4.3 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.E.P / FASE I

       Quadro IV-19: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                     exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase I no escalão de iniciados e juvenis:
                     valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano
                     de preparação.
                                  Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase I

                                                              12-14 (Iniciados)                                14-16 (Juvenis)
                               Conteúdos
                                                  Média ± Dp          Soma           %             Média ± Dp        Soma           %

                                     1x0+gr         0,1±1,4            35,0         0,1              0,0±0,0          0,0          0,0
Resis

                     Espe




                                                                                                         -2                                -2
                                     3x0+gr         0,0±00             0,0          0,0           1,7x10 ±0,3         5,0        2,1 x10
                                                        -2                                -2
                                 Mais de 3x0+gr   5,7 x10 ±0,8         19,0       6,6 x10            0,0±0,0          0,0          0,0

                                     1x0+gr         0,1±1,4            40,0         0,1             1,1±3,4*         309,0         1,4
                     Espe
Forç




                                                                                                         -2                                -2
                                     2x0+gr         0,0±0,0            0,0          0,0           5,2 x10 ±0,9        15,0       6,5 x10
                                                                                                         -2                                -2
                                 Mais de 3x0+gr     0,1±1,4            35,0         0,1           3,4 x10 ±0,6        10,0       4,3 x10
                                                                                                         -2                                -2
                                     1x0+gr         0,5±3,7           175,0         0,6           5,2 x10 ±09*        15,0       6,5 x10
V.

                     E.




                                                        -2                                -2
                                     2x0+gr       3,0 x10 ±0,5         10,0       3,5 x10            0,1±1,4          35,0         0,1

                                     1x0+gr         0,7±3,2           227,5         0,8              0,5±2,6         157,0         0,6

                                     2x0+gr         0,3±2,1           112,5         0,3              0,6±3,4         170,0         0,8
           Técnica




                                     3x0+gr         0,4±2,3           117,5         0,5             0,4±2,4*         129,0         0,5
                                                        -2                                -2
                                 Mais de 3x0+gr   8,2 x10 ±0,9         27,5       9,6 x10            0,4±2,8         123,0         0,5
                                                        -2                                -2
                                     1x0+gr       3,0 x10 ±0,5         10,0       3,5 x10            0,1±1,1          31,0         0,1

                                     2x0+gr         0,4±2,6           132,5         0,5              0,4±2,8         106,0         0,5
Tecnic./

                     Táctica




                                     3x0+gr         0,7±3,5           242,5         0,8             0,1±1,4*          32,5         0,1

                                 Mais de 3x0+gr     2,3±6,6           755,0         2,7              2,6±6,2         759,0         3,3

       *Estatisticamente significativo p< 0,05


       Através da análise do quadro, denota-se um decréscimo bastante elevado do
       desenvolvimento da resistência específica através dos exercícios específicos
       de preparação, fase I, quando em comparação com desenvolvimento da
       mesma através dos exercícios específicos de preparação geral. A força
       específica mantêm o seu desenvolvimento baixo, excepto no treino de juvenis
       onde os seus treinadores optam por desenvolvê-la através dos exercícios
       fundamentais de fase I, numa estrutura em que, o portador da posse de bola
       sem ter oposição de um defesa, nem a ajuda dos companheiros, tem por
       objectivo a finalização (1x0+gr). Sendo esta a forma através da qual mais se
       desenvolve a força específica no nosso estudo. O que demonstra que os
       treinadores de juvenis, têm preferencia por desenvolverem a força específica
       dos seus atletas através de um exercício de finalização, isto é, desenvolvem a
       ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                                     92
Apresentação e Discussão dos Resultados




força dos seus jovens atletas, de forma adaptada às exigências físicas da
situação técnico / táctica em questão.

Este resultado está de acordo com o que a literatura aponta como correcto,
uma     vez     que     existem      diferenças      estatisticamente           significativas   no
desenvolvimento da capacidade em questão entre os iniciados (0,1%) e juvenis
(1,4%), estando de acordo com o princípio da especificidade crescente dos
exercícios de treino (Marques e col. 2000), e com o que Martin (1999) sustenta,
ao referir que é importante a força ser desenvolvida na faixa etária pertencente
ao escalão de juvenis.

O desenvolvimento da velocidade específica, embora se revele mais baixo
através deste tipo de exercícios, quando em comparação com os exercícios
específicos de preparação geral, verifica-se que os treinadores de iniciados
optam por desenvolver esta capacidade através de exercícios de finalização,
que estruturalmente se caracterizam por, o jogador em posse de bola não ter a
oposição de adversário, excepto o guarda redes, nem a ajuda de companheiros
(1x0+gr) (0,6%), sendo esta diferença estatisticamente significativa, quando em
comparação com o nível de utilização destes exercícios por parte dos
treinadores dos juvenis (0,065%), para o desenvolvimento da capacidade em
questão.

O desenvolvimento técnico / táctico, através deste tipo destes exercícios,
revela-se inferior quando em comparação com os exercícios específicos de
preparação geral. Destacando-se, no entanto, a preferência dos treinadores por
desenvolverem este conteúdo de treino, através de situações em que o jogador
em posse de bola tem mais de três companheiros para finalizar sem a oposição
de adversários, excepto o guarda-redes (mais de 3x0+gr).




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 93
Apresentação e Discussão dos Resultados




                  4.4.4 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.E.P / FASE II

 Quadro IV-20: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
               exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase II no escalão de iniciados e juvenis:
               valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano
               de preparação.
                            Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase II

                                                      12-14 (Iniciados)                               14-16 (Juvenis)
                  Conteúdos
                                           Média ± Dp        Soma            %           Média ± Dp          Soma          %
                                                                                               -2                               -2
                   Sup. n.º no ataque       0,0±0,0            0,0          0,0          3,4 x10 ±0,6        10,0       4,2 x10
R.

             E.




                                                -2                                 -2
                    Igualdade numér.    3,0 x10 ±0,5           10         3,5 x10          0,0±0,0            0,0         0,0

                   Sup. n.º no ataque       0,0±0,0            0,0          0,0            0,8±2,5*          228,0        1,0
             E.
F.




                    Igualdade numér.        0,0±0,0            0,0          0,0            0,8±2,5*          228,0        1,0
                                                -2                                 -2
                   Sup. n.º no ataque   7,5 x10 ±1,0          25,0        8,7 x10          0,0±0,0            0,0         0,0
V.

             E.




                                                                                               -2                               -2
                    Igualdade numér.        0,2±1,6           65,0          0,2          2,7 x10 ±0,5         8,0       3,4 x10
                                                -2                                 -2
                   Sup. n.º no ataque   6,0 x10 ±1,1          20,0        7,0 x10          0,2±1,4           57,0         0,2
     T.




                                                -2                                 -2
                    Igualdade numér.    6,0 x10 ±1,1          20,0        7,0 x10          0,4±2,0*          102,0        0,5

                   Sup. n.º no ataque       1,8±5,9           597,5         2,1            3,4±7,6*          981,9        4,3
     T./Ta




                    Igualdade numér.        2,6±7,5           885,0         3,0            2,8±7,8           806,5        3,5

 *Estatisticamente significativo p< 0,05


 Através da análise do quadro, verifica-se que os treinadores de iniciados e
 juvenis, através dos exercícios específicos de preparação de fase II, que são
 exercícios que estruturalmente obrigam os atletas a tentar finalizar com
 oposição defensiva podendo ou não ter a ajuda de companheiros, onde os
 treinadores poderão optar por criar situações de igualdade numérica, ou
 superioridade numérica, não desenvolvem ou quase não desenvolvem, a
 resistência específica, a força específica, a velocidade específica e a técnica,
 através dos exercícios específicos de preparação fundamentais de fase II.
 Denotando-se que os treinadores optam por utilizarem este tipo de exercícios
 para desenvolverem as qualidades técnico / tácticas dos seus atletas,
 destacando-se                  diferenças      estatisticamente                  significativas        (p    <0,05)       no
 desenvolvimento do conteúdo em questão, entre os iniciados e juvenis,
 verificando-se que, os treinadores de juvenis tem uma utilização superior deste
 tipo de exercícios, estruturalmente organizados com superioridade no ataque
 (4,3%) do que os treinadores de iniciados (2,1%). Estes resultados não estão
 de acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios de treino
 (Marques e col. 2000), pois teoricamente a realização de um exercício em
 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                            94
Apresentação e Discussão dos Resultados




       superioridade numérica, deverá ter um nível de exigência inferior, ao de um
       realizado com igualdade numérica (Queirós, 1986).

                           4.4.5 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DO E.E.P / FASE III

       Quadro IV-21: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos
                     exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase III no escalão de iniciados e juvenis:
                     valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano
                     de preparação.
                                  Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase III

                                                                 12-14 (Iniciados)                                 14-16 (Juvenis)
                          Conteúdos
                                                    Média ± Dp          Soma            %             Média ± Dp         Soma           %
                                                                                                            -2                                -2
                             Jogo reduzido            0,1±1,2            35,0          0,1           6,9 x10 ±1,2         20,0       8,7 x10
Resis

                Espe




                                                                                                            -2                                -2
                            J. reduzido condi.        0,0±0,0            0,0           0,0           5,2 x10 ±0,9         15,0       6,5 x10

                            J. formal condici.        0,0±0,0            0,0           0,0              0,2±2,3            65          0,2

                                         A Força Específica não se desenvolveu através destes tipo de exercícios

                                                           -2                                 -2
                            J. reduzido condi.     4,5 x10 ±0,8          15,0        5,2 x10            0,0±0,0           0,0          0,0
V.

                E.




                            J. reduzido condi.        0,3±3,3           110,0          0,3              0,0±0,0           0,0          0,0
           T.




                            J. formal condici.        0,2±2,7            65,0          0,2              0,0±0,0           0,0          0,0

                             Jogo reduzido           12,8±7,6          2592,2          14,9            3,4±9,1*          998,0         4,3

                            J. reduzido condi.       5,5±11,7          1847,0          6,4            10,6±14,6*         3074,5        13,4
Tecnic./

                Táctica




                              Jogo Formal            14,5±29,7         4857,0          16,9            7,9±19,1*         2065,0        9,9

                            J. formal condici.        3,6±8,3          1212,0          4,2             1,3±5,5*          386,0         1,6

       *Estatisticamente significativo p< 0,05


       Ao analisarmos os resultados do quadro, verificamos que em consonância com
       os Quadros IV-19 e IV-20, correspondentes aos exercícios específicos de
       preparação, o desenvolvimento dos conteúdos de treino, resistência específica,
       força específica, velocidade específica e técnicos, têm um desenvolvimento
       praticamente nulo ao contrário dos conteúdos técnico / tácticos, que por sua
       vez têm um desenvolvimento superior, através dos exercícios específicos de
       preparação, assumindo os valores mais expressivos de desenvolvimento
       através dos exercícios fundamentais de fase III, que se caracterizam por o
       jogador ou equipa em posse de bola poder finalizar, mas na perda da posse da
       mesma, terem a obrigação de evitar a finalização na sua baliza (Castelo, 2002),
       sendo estes os exercícios que mais se assemelham com a competição.




       ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                                                         95
Apresentação e Discussão dos Resultados




Existem       diferenças       estatisticamente         significativas      (p     <0,05),      no
desenvolvimento técnico / táctico, através dos exercícios específicos de
preparação / fundamentais de fase III, onde os treinadores dos iniciados têm
uma utilização superior deste tipo de exercícios através de jogos reduzidos
(14,9%) em relação aos juvenis (4,3%). Em conta partida, estes utilizam mais
os jogos reduzidos e condicionados (13,4%) do que iniciados (6,4%), já os
treinadores dos iniciados tem uma utilização superior do jogo formal (16,9%)
em comparação com os treinadores dos juvenis (9,9%) e igualmente uma
utilização superior de jogos reduzidos e condicionados (4,2%) onde os juvenis
tem uma utilização inferior (1,6%)

Estes resultados não estão de acordo com o princípio da especificidade
crescente dos exercícios de treino (Marques e col. 2000), uma vez que se
verifica que, os treinadores dos iniciados, têm uma utilização superior de jogos
formais e jogos formais condicionados, em relação à utilização deste tipo de
exercícios, por parte dos treinadores de juvenis. Segundo Queiroz, (1986) este
tipo de exercícios (formais, formais condicionados) são mais complexos,
quando em comparação com os jogos reduzidos, onde, o menor número de
jogadores (adversários e companheiros) e as menores dimensões do terreno
de jogo, os tornam menos complexos, e por isso, mais adaptados à
aprendizagem.

Cremos que, o facto dos treinadores de iniciados e juvenis, optarem por
desenvolverem os conteúdos técnico / tácticos, através dos exercícios
fundamentais de fase III, revela uma estratégia direccionada para a qualidade
do treino, uma vez que este tipo de exercícios são os que mais se aproximam
da realidade competitiva.




ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                 96
Conclusões




        V-     Conclusões

As conclusões do nosso estudo, procurarão cumprir com os objectivos traçados
para a sua realização. Seguindo para tal, as hipóteses orientadoras que nos
propusemos a verificar.

Conclui-se que a estruturação do treino do escalão de iniciados, difere da
estruturação        dos      juvenis.     Verificando-se         diferenças      estatisticamente
significativas, basicamente em todos os focos de análise do nosso estudo,
excepto nas prioridades de treino para o desenvolvimento físico, técnico e
técnico / táctico onde não se registam diferenças estatisticamente significativas
(P <0,05).

Ao verificarmos as diferenças de estruturação do treino entre os escalões em
análise, concluímos que algumas apontam para a qualidade de treino ao
cumprirem o princípio da especialização crescente dos exercícios de treino,
sendo exemplos disso:

    -    O facto dos iniciados utilizarem mais E.P.G do que os juvenis, que por
         sua vez utilizam mais E.E.P.G;

    -    Os juvenis desenvolverem mais as capacidades motoras condicionais,
         através de exercícios com posse de bola do que os iniciados, sendo este
         tipo de desenvolvimento mais específico do que os exercícios que não
         utilizam a posse de bola;

    -    Os treinadores de iniciados utilizarem mais exercícios complementares
         sem oposição de adversários do que os treinadores de juvenis;

    -    O escalão de juvenis ter um desenvolvimento superior da resistência
         especifica e da força específica em comparação com o desenvolvimento
         específico destas capacidades efectuado no escalão de iniciados;

    -    O desenvolvimento da técnica através de exercícios sem posse de bola,
         ser superior no escalão de iniciados do que no escalão de juvenis;



TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                97
Conclusões




No entanto, algumas dessas diferenças não apontam para a qualidade do
treino, sendo exemplo disso:

    -   A utilização superior por parte dos iniciados de E.E.P em relação à
        utilização dos juvenis;

    -   Os treinadores dos iniciados utilizarem mais os exercícios fundamentais
        de Fase III do que os treinadores dos juvenis;

    -   Os treinadores dos juvenis utilizam mais exercícios com superioridade
        no ataque, no desenvolvimento técnico / táctico, através dos exercícios
        de Fase II do que os treinadores dos iniciados;

    -   Os treinadores dos iniciados terem uma utilização superior de jogos
        formais e dos jogos formais condicionados, através dos exercícios
        fundamentais de Fase III, em relação aos treinadores do escalão de
        juvenis.

Conclui-se que os treinadores de futebol do escalão de iniciados e juvenis,
pertencentes à amostra em estudo, dão prioridade aos aspectos técnico /
tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos aspectos técnicos (8%).
Consideramos que estes resultados, apontam para a qualidade de treino, uma
vez que, os valores da vertente física se revelaram altos. Por sua vez, os
valores baixos da técnica, revelam que esta está a ser desenvolvida
conjuntamente com as situações tácticas.

Podemos concluir que a resistência é a capacidade motora que mais se
desenvolve (19%), seguindo-se a força (8%) a flexibilidade (8%), sendo a
velocidade (3%) e a coordenação (2%) as que menos se desenvolvem na faixa
etária dos 12 aos 16 anos em Futebol.

Pode-se constatar, que os treinadores das faixas etárias em estudo
desenvolvem mais as capacidades motoras condicionais dos seus atletas de
uma forma separada das questões técnico e técnico/tácticas, uma vez que a
utilização de exercícios sem posse de bola (28%) é superior à utilização de
exercícios com posse de bola (13%).

TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                        98
Conclusões




Verifica-se que os treinadores dos iniciados e juvenis utilizam mais os
exercícios fundamentais (49%) em detrimento dos exercícios complementares
(23%).

Os resultados permitem-nos concluir que, a resistência aeróbia e flexibilidade
passiva estão a ser bem desenvolvidas, através dos E.P.G, no treino dos
escalões em estudo, contribuindo desta forma para a qualidade do treino, no
entanto, o baixo desenvolvimento de algumas capacidades motoras estão a
contribuir negativamente para a referida qualidade, pois a resistência anaeróbia
tem um baixo desenvolvimento no escalão de juvenis, a força máxima tem um
desenvolvimento nulo nos dois escalões e a velocidade tem um fraco
desenvolvimento, para o que seria desejado, no escalão de iniciados.

Conclui-se que os treinadores de iniciados e juvenis optam por desenvolver a
resistência de uma forma específica, através dos E.E.P.G. A resistência
específica é o que mais se desenvolve através deste tipo de exercícios,
seguindo-se as questões técnico/tácticas.

Verifica-se que os treinadores de juvenis, ao desenvolverem a força específica
optam por o fazer, através dos E.E.P/ Fase I, numa estrutura de 1x0+gr.

Os treinadores em estudo, através dos E.E.P./ Fase II o que mais desenvolvem
são     as     questões       técnico/tácticas,        revelando-se         valores   baixos   de
desenvolvimento para os restantes conteúdos de treino analisados.

Podemos concluir que os treinadores de iniciados e juvenis, optam por
utilizarem os E.E.P para o desenvolvimento técnico/táctico, assumindo os seus
valores mais expressivos de desenvolvimento através dos exercícios
fundamentais de Fase III.




TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                99
Recomendações




VI – Recomendações para a prática, no treino de jovens Futebolistas

6.1 RECOMENDAÇÕES ESPECÍFICAS AOS RESULTADOS DO NOSSO ESTUDO

Em consonância com os resultados do nosso estudo, parece-nos importante
realçar o que se afigura preponderante modificar no planeamento do treino, no
escalão de iniciados e juvenis, no sentido de beneficiar a qualidade do mesmo.
Para tal, os treinadores deverão:

        -          Dar     importância        ao     desenvolvimento             da   velocidade    e
                   coordenação, sendo a velocidade importante desenvolver no
                   escalão de iniciados, assim como, o desenvolvimento do
                   equilíbrio coordenativo;

        -          Dar ênfase ao desenvolvimento da força máxima no escalão de
                   juvenis;

        -          Aumentar a capacidade anaeróbia dos atletas que se encontram
                   no escalão juvenil;

        -          Planear o desenvolvimento das capacidades motoras associado
                   a situações técnicas ou técnico / tácticas. Um desenvolvimento
                   adaptado às exigências da competição;

        -          Desenvolver as capacidades técnicas dos seus atletas, através
                   de exercícios específicos de preparação (EEP), com oposição
                   de adversários, conotando-lhes um desenvolvimento eficaz e
                   adaptado à realidade competitiva do jogo, especialmente no
                   escalão de iniciados por englobar uma faixa etária cujo o seu
                   desenvolvimento se revela preponderante.




TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                   101
Recomendações




6.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS

Após a realização deste estudo, esperando que este possa vir a contribuir para
o desenvolvimento científico da metodologia do treino em Futebol, parece-nos
pertinente fazer referência, a algumas recomendações para o treino de jovens
futebolistas, dos 12 aos 16 anos de idade.

O Futebol é um jogo eminentemente táctico, toda a execução do atleta vai
estar condicionada a uma situação táctica, a resolução das situações tácticas,
dependem da tomada de decisão do atleta, das capacidades motoras
necessárias à sua resolução e do gesto técnico mais apropriado.

O treino serve, ou deverá servir, para que a resolução das situações tácticas
sejam eficazes em jogo, mais do que isso, o treino com crianças e jovens
deverá ter objectivos formativos, objectivos que deverão ser definidos a longo
prazo, tendo em conta as etapas de formação e as fases sensíveis de
desenvolvimento.

O treinador deve planear o treino, respeitando as etapas em que os atletas se
encontram e segundo a sua forma de ver o jogo, o seu modelo de jogo, que por
sua vez deverá ser transmitido, ensinado e entendido pelos seus atletas.

Os exercícios apropriados para tal, parecem-nos ser os que mais se
assemelham com a competição. Não cremos com isto dizer que o treino só
deverá incluir o jogo formal, mas sim, que deverá incluir fragmentos ou
pequenas partes desse mesmo jogo como, a finalização, a transição defesa-
ataque / ataque-defesa, pressão, etc., que o treinador pretenda desenvolver ou
consolidar nos seus atletas. Para tal existe uma grande gama de exercícios,
dos quais destacamos, os exercícios complementares com bola e os exercícios
fundamentais de Fase I, II e III, que poderão, se bem utilizados, servir para que
o treino encaminhe a equipa e o processo formativo para o sucesso.

A selecção dos exercícios deverá ser extremamente cuidadosa, para que os
mesmos consigam objectivar as pretensões do treinador. O treinador deve
explicar os objectivos do exercício de uma forma simples e objectiva, de forma
a que não surjam dúvidas entre os atletas. O facto dos atletas compreenderem
TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                          102
Recomendações




os variados exercícios que o treinador lhes propõe, permitirá a estes o
entendimento sobre o modelo de jogo do treinador e consequentemente a sua
interpretação em jogo.

O desenvolvimento cognitivo do atleta revela-se preponderante, saber o porquê
da realização deste ou daquele exercício, e dentro do exercício qual a sua
função e o objectivo a atingir, parece-nos o melhor caminho a seguir.

Assim como o desenvolvimento técnico, o desenvolvimento físico deverá estar
associado       a     uma      situação       táctica,     tornando-se           desta   forma    um
desenvolvimento adaptado às exigências do jogo. Por tal os treinadores
deverão incrementar as capacidades motoras dos seus atletas através de
exercícios com bola.

Todos os treinadores, incluindo os da formação, deverão procurar que os
exercícios seleccionados para o treino sejam o mais específicos possíveis, não
só os que têm objectivos técnico / tácticos mas também os que têm por
objectivo o desenvolvimento físico, para que estes reproduzam as capacidades
físicas (velocidade, força, resistência, flexibilidade e coordenação) específicas
do futebol. Assim o desenvolvimento das capacidades físicas, deverá ser
realizado através de exercícios que representem formas jogadas semelhantes
à competição.

A nosso ver os treinadores de Futebol dos escalões de formação, iniciados e
juvenis, devem:

        -           Definir o modelo de jogo, a partir do qual, deve emergir todo o
                    planeamento de treino (técnico, técnico / táctico, físico e
                    psicológico);

        -           Fazer com que os seus atletas compreendam o modelo de jogo,
                    através do qual vão desenvolver todas as suas capacidades
                    (técnico, técnico / táctico, físico e psicológico), originando que
                    estes se sintam parte integrante do mesmo, facilitando desta
                    forma a sua interpretação em competição;


TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                  103
Recomendações




        -          Utilizar exercícios com bola o mais específicos possíveis;

        -          Respeitar as etapas de preparação em que os seus atletas estão
                   inseridos,        iniciados        (especialização            inicial),      juvenis
                   (especialização aprofundada);

        -          Ter em conta as fases sensíveis de treinabilidade dos seus
                   atletas (períodos de tempo na vida em que os atletas respondem
                   de    forma      mais     intensa      a    determinados         estímulos).      O
                   desenvolvimento           das      capacidades          motoras           deve   ser
                   homogéneo,         isto    é,    todas     as    capacidades         devem       ser
                   desenvolvidas, no entanto: aos iniciados devem dar especial
                   atenção ao desenvolvimento das aprendizagens técnicas, às
                   capacidades coordenativas (ritmo, equilíbrio e diferenciação), à
                   velocidade, força veloz e resistência aeróbia; aos juvenis devem
                   dar ênfase ao desenvolvimento da força máxima, da resistência
                   anaeróbia e da resistência aeróbia.




TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
                                                                                                    104
Sugestões




        VII – Sugestões


Após a finalização deste estudo, surgem algumas sugestões para a elaboração
de futuros trabalhos no âmbito desta temática, tais como:

• A análise da estrutura do treino, dos escalões de formação, de uma equipa
com tradição na formação, comparando a estruturação da mesma, com uma
equipa que teoricamente tenha menos tradição, ou de nível inferior, tentando
verificar desta forma quais as principais diferenças, se é que elas existem,
entre a estruturação do treino de uma e da outra equipa.

• Acompanhar os treinos, de um ou mais escalões de formação, de uma ou
mais equipas, fazendo o registro no local, isto é, fazendo uma observação
directa e registo directo de toda a estruturação do treino, podendo-se comparar
as diferenças, entre escalões, entre equipas ou entre os períodos de
preparação (ex. período preparatório vs. período competitivo).

• Comparar a estruturação do treino entre um escalão de formação e uma
equipa sénior, tentando verificar das diferenças estruturais do treino entre o
escalão de formação e o escalão sénior.




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ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                           115
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ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL                          116

19226

  • 1.
    Universidade do Porto Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL Dissertação apresentada com vista à obtenção do Grau de Mestre em Ciências do Desporto – Área de especialização em Desporto para Crianças e Jovens de acordo com o Decreto-lei n.º 216/92, de 13 de Outubro, Capítulo II, Artigo 5º, pontos 1. e 2. e Capítulo III, Artigo 17º, ponto 1. Orientador: Professor Catedrático António Teixeira Marques Co-orientação Professor Doutor Júlio Manuel Garganta da Silva Mário Jorge Moisés Nogueira Porto, 2005
  • 2.
    Ficha de Catalogação Ficha de Catalogação Nogueira, M. (2005). Análise da estrutura do treino, no escalão de iniciados e juvenis, em Futebol. Dissertação para provas de Mestrado no ramo de Ciências do Desporto. FCDEF-UP, Edição do autor. Palavras-chave: FUTEBOL, ESTRUTURA DO TREINO, CRIANÇAS E JOVENS, EXERCÍCIOS DE TREINO, CONTEÚDOS DE TREINO, MÉTODOS DE TREINO. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
  • 3.
    Dedicatória Dedicatória: À Sandra, Pelo incentivo, compreensão, amor e amizade. Aos meus pais, irmã e avós, Porque a eles devo tudo o que sou. À família, Pela união, força e confiança transmitida. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
  • 4.
    Agradecimentos Agradecimentos Ao meu orientador de Mestrado, Professor Doutor António Teixeira Marques, pela amizade, pela sua incomensurável disponibilidade e pelo infinito apoio que me prestou. Agradeço também a cedência de bibliografia e a partilha do seu conhecimento, que em muito me ajudou. Um enorme obrigado ao Professor Doutor Júlio Garganta, pela disponibilidade demonstrada, no esclarecimento de dúvidas, na indicação de bibliografia e pelo interesse demonstrado no estudo. O meu agradecimento aos Professores pertencentes ao gabinete de Futebol, pelo inefável empenho e ajuda na procura e cedência dos dossiers necessários para o estudo. O meu sincero obrigado à Marisa Silva Gomes, pela interminável procura dos dossiers necessários, para a realização do estudo. E aos treinadores, que tiveram a amabilidade de os ceder, contribuindo desta forma para que este projecto se pode-se realizar e concluir. À Diana, Sérgio e Padrinhos, pelo seu empenho na cooperação de tarefas realizadas acerca do nosso estudo. À minha irmã, ao Henry, Rui e Miguel, pela ajuda prestada nas questões informáticas À Sandra, pelo carinho, empenho e incentivo constante, por todo o apoio prestado. Ao longo destes dois anos tenho a agradecer a todos os amigos do Curso de Mestrado, pelo companheirismo. Para não ser injusto e não esquecer de ninguém, a todos aqueles que me ajudaram através das suas sugestões, dúvidas e críticas. Agradeço também toda a contribuição para que este trabalho se tornasse mais claro e completo. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL I
  • 5.
    Agradecimentos A todos osProfessores e Funcionários da Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, por me surpreenderem com o seu profissionalismo, orgulhando-me de ter realizado o Mestrado nesta Instituição. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL II
  • 6.
    Índice Geral Índice Geral Agradecimentos…………………………………………………………………………………... I Índice Geral ………………………………………………………………………………………... III Índice de Figuras …………………………………………………………………………………. V Índice de Quadros………………………………………………………………………………… VII Resumo ……………………………………………………………………………………………. XI Abstract ……………………………………………………………………………………………. XIII Résumé ……………………………………………………………………………………………. XV Abreviaturas ………………………………………………………………………………………. XVII I – INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………………………... 1 1.1 Propósito e Problema do Estudo ………………………………………. ..…. ………………………. 1 1.2 Estrutura do Estudo...................................................................................................................... 3 II – REVISÃO DA LITERATURA …………………………………………................................................ 5 2.1. O Futebol ……………………….................................................................................................... 5 2.1.1 Futebol, sua Natureza e sua Essência..................................................................................................... 6 2.1.2 Futebol, um Jogo de Oposição/ Cooperação, um Jogo Táctico............................................................... 7 2.1.3.Prespectivas para o Ensino e Treino do Futebol enquanto JDC.............................................................. 11 2.1.4 Referências Fundamentais para o Ensino do Futebol.............................................................................. 18 2.1.4.1 Condicionantes Estruturais e Fundamentais................................................................................. 18 2.1.4.2 Dimensão do Terreno de Jogo e Número de Jogadores............................................................... 18 2.1.4.3 Duração do Jogo............................................................................................................................ 19 2.1.4.4 Controlo da Bola............................................................................................................................ 21 2.1.4.5 Frequência de Concretização........................................................................................................ 21 2.1.4.6 Colocação de Alvos....................................................................................................................... 22 2.2 Treino com Jovens....................................................................................................................... 22 2.2.1 O Treinador de Crianças e Jovens........................................................................................................... 24 2.2.2 Etapas de Preparação.............................................................................................................................. 26 2.2.3 Fases Sensíveis de Treinabilidade…………………………………………………………………………….. 30 2.3 Exigências Físicas e Fisiológicas do Jogo de Futebol................................................................. 31 2.3.1 Importância do Treino Aeróbio em Futebol.............................................................................................. 33 2.3.2 Importância do Treino Anaeróbio em Futebol.......................................................................................... 35 2.4 Estrutura do Treino para Crianças e Jovens................................................................................ 36 2.4.1 Meios de Treino, Preparação Geral vs. Preparação Específica............................................................... 37 2.4.2 A Preparação Geral, na Formação Desportiva dos Jovens Futebolistas…………………………………... 40 2.4.3 O Exercício no Processo de Treino.......................................................................................................... 41 2.4.4 Especificidade do Exercícios de Treino em Futebol................................................................................. 44 2.5.5 Taxionomia dos Exercícios de Treino…................................................................................................... 47 2.4.6 Estrutura da Carga de Treino.................................................................................................................... 55 2.4.7 Carga de Treino e Competição em Crianças e Jovens nos Desportos Colectivos……………………….. 55 2.4.8 Conteúdos de Treino e sua Importância no Treino de Crianças e Jovens…………………………........... 57 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL III
  • 7.
    Índice Geral III –Metodologia................................................................................................................................... 61 3.1. Objectivos……………………………………………………………………………………………….. 61 3.1.1 Objectivos Geral …………………………………………………………………………………………………. 61 3.1.2 Objectivo Específico................………………………………………………………………………………….. 61 3.1.3 Hipóteses Orientadoras do Estudo.................................................. ……………………………………….. 61 3.2 Categorizarão da Amostra………………...................................................................................... 62 3.3 Método de Pesquisa ……………………………………………………………………………………. 63 3.3.1 Procedimentos e Instrumentos de Pesquisa…………………………………………………………………... 64 3.3.2 Caracterização e Definição das Variáveis……………………………………………………………………... 64 3.3.2.1 Exercícios de Treino...................................................................................................................... 65 3.3.2.2 Carga de Treino............................................................................................................................. 65 3.3.2.3.Método de Treino........................................................................................................................... 66 3.3.2.4 Conteúdos de Treino..................................................................................................................... 66 3.4 Procedimentos estatístico............................................................................................................ 69 IV – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS …………………………………………... 71 4.1. Exercícios de Treino.................................................................................................................... 71 4.2. Cargas de Treino ………………………………………………………………………………………. 73 4.2.1 Carga de Treino para cada Conteúdo de Treino...................................................................................... 73 4.2.2 Carga de Treino para o Desenvolvimento das Capacidades Motoras …………………………………….. 77 4.3 Métodos de Treino........................................................................................................................ 79 4.3.1 Metodologia de desenvolvimento das capacidades motoras condicionais ………………………………... 79 4.3.2 Exercícios Complementares/Fundamentais............................................................................................. 81 4.3.3 Exercícios Complementares (com ou sem oposição).............................................................................. 82 4.3.4 Exercícios Fundamentais......................................................................................................................... 84 4.4 Conteúdos de Treino.................................................................................................................... 85 4.4.1 Conteúdos de treino desenvolvidos a partir dos EPG.............................................................................. 85 4.4.2 Conteúdos desenvolvidos através dos EEPG.......................................................................................... 88 4.4.3 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase I.................................................................................. 92 4.4.4 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase II................................................................................. 94 4.4.5 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase III................................................................................ 95 V – CONCLUSÕES ………………………………………………………………………………................... 97 VI – RECOMENDAÇÕES PARA A PRÁTICA, NO TREINO DE JOVENS FUTEBOLISTAS………… 101 6.1 Recomendações específicas aos resultados do nosso estudo …………………………………… 101 6.2 Recomendações Gerais ……………………………………………………………………………….. 102 VII – SUGESTÕES……………………………………………………………………………………………... 105 VIII – BIBLIOGRAFIA ……………………………………………………………………………................... 107 IX – ANEXOS ……………………………………………………………………………………..................... 109 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL IV
  • 8.
    Índice de Figuras Índice de Figuras Figura II – 1. Princípios gerais da acção do jogo (adap. de Cerezo, 2000) ………………………………. 9 Figura II – 2. Estrutura do Futebol a partir do seu objectivo (adap. de Cerezo, 2000)............................. 10 Figura II – 3. O Futebol como actividade motora complexa (adap. de Cerezo, 2001; Monbaerts, 1998) 13 Figura II – 4. Cadeia acontecimental do comportamento Táctico/técnico do jogador no jogo (adap. Bunker & Thorpe, 1992) …………………………………………………………………………. 15 Figura II – 5. Cadeia acontecimental do comportamento Táctico/técnico do jogador no jogo (adap Garganta & Pinto, 1998) …………………………………………………………………………. 16 Figura II – 6. Conteúdos do conhecimento em desportos colectivos (adap. de Malglaive, 1990; Gréhaigne & Godbout, 1995) ……………………………………………………………………. 17 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL V
  • 10.
    Índice de Quadros Índice de Quadros Quadro II – 1. Grandes objectivos do treino e da preparação desportiva /adap. de Marques, (1985)……………… 27 Quadro II – 2. Modelo das fases sensíveis de treinabilidade durante a infância e a juventude (adap. de Martin, 1999) …………………………………………………………………………………………………………. 30 Quadro II – 3. Preparação geral e preparação especial nas etapas de preparação desportiva em Futebol, (Adap. Marques, 1989) …………………………………………………………………………………. 38 Quadro II – 4. Preparação geral e preparação especial nas etapas de preparação Desportiva (adap. de Marques, (1989) …………………………………………………………………………………………. 38 Quadro II – 5. Síntese da classificação dos exercícios realizado por vários autores (adap. de Bragada, 2000)..... 48 Quadro II – 6. Grelha taxionómica de classificação dos exercícios de treino (Castelo, 2003) ……………………… 53 Quadro II – 7. Valores, médias de treino (número de sessões, dias de treino no ano e frequência de treino), competições (oficiais e de preparação) e proporção entre unidades de treino/competição (Adap. de Marques e col., 2000); Santos, 2001); Pinto e col., 2001) …………………………………………. 56 Quadro II – 8. Valores de treino para: n.º sessões, média de horas por semana, duração média, horas por época e total de unidades (Pinto e col., 2003) …………………………………………………………. 56 Quadro II – 9. Carga de treino e competição: n.º de competições oficiais, não oficiais e relação treino/competição (Pinto e col., 2003)...………………………………………………………………. 56 Quadro II – 10. Número de dias de preparação e frequência de treino (adap. de Marques e col., 2000; Marques, 1993; Martin, 1999; Santos, 2001; Pinto e col.2001) …………………………………………………… 57 Quadro II – 11. Características da carga de cada conteúdo do treino nos dois grupos de idades: valores médios em minutos durante uma sessão de treino padrão, valor total em minutos e valore percentuais durante uma temporada desportiva (adap. Marques e col,. 2000) ……………………………………. 59 Quadro III – 1. Principais características da amostra. …………………………………………………………………… 62 Quadro III – 2 Caracterização das equipas pertencentes ao estudo, número de treinos, razão treino/competições ……………………………………………………………………………………….. 63 Quadro IV – 1. Utilização de meios de treino e tempo total de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………… 71 Quadro IV – 2. Utilização de meios de treino e tempo total de treino para o escalão de iniciado e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………………………………………………. 72 Quadro IV – 3. Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação……………………………………………………………………………………… 73 Quadro IV – 4. Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico, para o escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………….. 74 Quadro IV – 5. Percentagem da distribuição dos conteúdos de treino no basquetebol (adaptado de Pinto e col., 2001; Pinto e col., 2003) …………………………………………………………………………………… 75 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL VII
  • 11.
    Índice de Quadros QuadroIV – 6. Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………… 77 Quadro IV – 7. Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………………………… 78 Quadro IV – 8 Características da carga de treino para cada conteúdo de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação (Adaptado de Santos, 2001) ……………………………………………………………………………………………. 79 Quadro IV – 9 Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………… 79 Quadro IV – 10 Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………...…………………………. 80 Quadro IV – 11 Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………... 81 Quadro IV – 12 Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………. 82 Quadro IV – 13 Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………………… 82 Quadro IV – 14 Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………... 83 Quadro IV – 15 Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………………… 84 Quadro IV – 16 Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………….. 85 Quadro IV – 17 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …. 86 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL VIII
  • 12.
    Índice de Quadros QuadroIV – 18 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………………………………. 89 Quadro IV – 19 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase I no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………… 92 Quadro IV – 20 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase II no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………… 94 Quadro IV – 21 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase III no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………… 95 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL IX
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    Resumo RESUMO A inexistência de uma base teórica para o trabalho dos treinadores de crianças e jovens leva a que este seja, de certa forma, empírico. O seu processo de treino é, na maior parte das vezes, desconhecido pelos metodólogos do treino, devendo-se, muitas vezes, à falta de documentos teóricos ou à indisponibilidade dos mesmos serem examinados (Marques, 1999). O objectivo desta investigação é caracterizar a estrutura do treino em Futebol no escalão de iniciados e juvenis, procurando saber se existem diferenças na estruturação do treino entre ambos. Para a realização deste estudo, foram analisadas 625 unidades de treino de jovens jogadores de Futebol do sexo masculino. Para tal, foram revistos seis dossiers, dos quais três pertencem a equipas do escalão de iniciados, e os restantes a três equipas do escalão de juvenis. Procedeu-se a uma pesquisa documental, em torno dos dossiers de treino do centro de treino de Futebol da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto (FCDEF-UP). O estudo estatístico, realizado com o SPSS 10.0, incluiu uma análise de frequências, das medidas descritivas, tais como as médias, desvios-padrão e percentagens, e um T-test para comparação de escalões etários. Concluiu-se que a estruturação do treino do escalão de iniciados difere da dos juvenis, tendo-se verificado diferenças significativas, basicamente em todos os focos de análise do nosso estudo. Os treinadores de futebol dos escalões de iniciados e juvenis dão prioridade aos aspectos técnico / tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos aspectos técnicos (8%). A resistência é a capacidade motora que mais se desenvolve (19%), seguindo-se a força (8%) a flexibilidade (8%), sendo a velocidade (3%) e a coordenação (2%) as que menos se desenvolvem. Os treinadores das faixas etárias em estudo desenvolvem as capacidades motoras condicionais dos seus atletas de uma forma separada das questões técnico e técnico/tácticas. Palavras-chave: FUTEBOL, ESTRUTURA DO TREINO, CRIANÇAS E JOVENS, EXERCÍCIOS, CONTEÚDOS E MÉTODOS DE TREINO. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XI
  • 16.
    Abstract Abstract The inexistence of a theoretical basis for the children and young's trainers' work makes it, in a certain way, empiric. Their training process is, to a large extent, unknown to the training methodologists, due, a lot of times, to the lack of theoretical documents or to the unavailability of the same ones to be examined (Marques, 1999). This investigations’ aim is to characterize the Soccer training structure in both initiate and juvenile step, to assert if there are differences in their training structures. In order to accomplish this study, 625 training units of young male Soccer players', of the former steps, were analyzed. Therefore six dossiers, concerning three teams of the initiate step and three of the juvenile step, were reviewed. We carried out a documental research, regarding training dossiers of the center of Soccer training of FCDEF-UP. The statistical study, accomplished with SPSS 10.0, included an analysis of frequencies, of descriptive measures, such as averages, standard-deviation and percentages, and a t-test for comparison of age steps. In short we may conclude that the training structure of the initiate step differs of the juvenile one, having acknowledged significant differences, basically in all of the sample analysis of our study. Soccer trainers of the initiate and juvenile steps give priority to technician / tactical (51%) and physical (41%) aspects over technical aspects (8%). Resistance is the motor capacity most improved by them (19%), followed by force (8%), flexibility (8%), being speed (3%) and coordination (2%) the least improved ones. The trainers of the focused age groups develop conditional motor capacities separate from technician subjects. KEY-WORDS: SOCCER, TRAINING STRUCTURE, CHILDREN AND YOUNG ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XIII
  • 18.
    Résumé Résumé L’absence d’un support théorique pour le travail des entraîneurs des enfants (12-14 ans) et des jeunes (14-16 ans), le rend, d’une certaine façon, empirique. Leur méthode d’entraînement est, dans la plupart des fois, inconnue des experts d’entraînement, parce que, les documents ne sont pas disponibles. L´objectif de cette investigation est caractériser la structure de l’entraînement du football dans les classes des enfants et des jeunes, et de vérifier s’il existe des différences entre eux. Pour la réalisation de cette étude c’était analysé 625 unités d’entraînement des jeunes joueurs du football du sexe masculin. Dance ce but nous avon revu 6 dossiers, dont 3 concernant le grupe des enfants et les autres le grupe des jeunes. Nous avon fait une recherche documentaire sur les dossiers d’entraînement de la FCDEF-UP. L’étude statistique, réalisé avec le SPSS 10.0, inclu une analyse des fréquences, des mesures descriptives, telles que les moyennes, les écarts type et les pourcentages, et un T-test pour la comparaison de groupes d’âge. Nous avon conclu que la structuration de l’entraînement de la classe des enfants est différente de celle de la classe des jeunes. Nous avons vérifié des différences significatives presque dans tous les points analysés dans notre étude. Les entraîneurs de football des classes des enfants et des jeunes accordent plus de priorité aux aspects technique/tactiques et physiques, qu’aux aspects techniques. La résistance est la capacité motrice plus développée étant suivie por la force et la flexibilité. La vitesse et la coordination ce présentent comme moins développées. Les entraîneurs développent plutôt les capacités motrices conditionnelles de ses athlètes d’une façon séparée des aspectes techniques ou technique/tactiques. Mots-clefs: FOOTBALL, STRUCTURE DE L’ENTRAINEMENT, ENFANTS ET JEUNES. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XV
  • 20.
    Abreviaturas Abreviaturas EPG – Exercícios de preparação geral EEPG – Exercícios específicos de preparação geral EEP – Exercícios específicos de preparação CMC – Capacidades motoras condicionais JDC – Jogos Desportivos Colectivos ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XVII
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    Introdução I. INTRODUÇÃO 1.1 PROPÓSITO E PROBLEMA DO ESTUDO O presente estudo, corresponde à Dissertação de Mestrado em Ciências do Desporto, variante Desporto para Crianças e Jovens, a apresentar na Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, elaborada sob a orientação do Professor Catedrático António Teixeira Marques e co – orientado pelo Professor Doutor Júlio Manuel Garganta da Silva. O assunto versa caracterizar a estrutura do treino em Futebol no escalão de iniciados e juvenis, procurando saber se existem diferenças na estruturação do treino entre os escalões de iniciados e juvenis. Castelo (2002), define treino como um processo pedagógico que tem como objectivo o desenvolvimento das capacidades técnico / tácticas, físicas e psicológicas do praticante e, ou equipa no âmbito das competições específicas, através da prática metódica e planificada do exercício, de acordo com princípios e regras científicas alicerçadas no conhecimento científico. Para o treino de crianças e jovens, exige-se a definição de objectivos de natureza formativa e educativa, o que obriga a equacionar a metodologia de treino e preparação dos jovens como um processo pedagógico, onde as características dos jovens atletas em formação têm de ser respeitadas (Pinto, 2003). A preparação desportiva dos mais jovens deverá entender o processo de maturação numa perspectiva individual, com diferenças intersexuais e interindividuais, condicionando de forma decisiva, a formação desportiva (Marques e col., 2000) Pinto (2003), refere que o processo de formação é composto por um conjunto de etapas / estádios, pelos quais o atleta vai passando e onde supostamente irá desenvolver diversas capacidades (físicas, técnicas, tácticas e psicológicas). Por tal, os treinadores de formação deveriam confrontar-se, no momento inicial de planeamento da época desportiva, com um conjunto de ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 1
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    Introdução questões centrais (Oquê? Como? Quando?), cujas respostas estruturadas auxiliariam a modelar as suas intervenções, de uma forma mais ajustada ao desenvolvimento harmonioso dos jovens e a uma formação desportiva orientada para o sucesso. O mesmo autor, salienta que na realidade muitos dos treinadores de crianças e jovens intervêm no treino de uma forma não sustentada por um planeamento de base cuidado, mas sim por um conjunto de pretensões empíricas decorrentes de um défice da base conceptual. A inexistência de uma base teórica para o trabalho dos treinadores de crianças e jovens, leva a que este seja de certa forma empírico. O seu processo de treino é, na maior parte das vezes, desconhecido pelos metodólogos do treino, devendo-se muitas vezes à falta de documentos teóricos ou à indisponibilidade dos mesmos serem examinados (Marques, 1999). Embora se fale muito no treino de Futebol, e também já se fale sobre o treino de jovens, até ao momento, ninguém se preocupou em saber o que é feito com os nossos jovens ao nível do treino. A estrutura e os conteúdos de treino de crianças e jovens não são ainda bem conhecidos (Marques, 1989; Marques 1990; Marques 1991; Marques, 1993). Marques e col. (2000), sustentam que a comparação entre os modelos de referência para o treino nestas fases de idade com os dados empíricos disponíveis, poderão ser extremamente importantes para uma melhor compreensão da estrutura essencial do processo de treino de crianças e jovens. Assim, é nossa pretensão que, através da realização deste estudo se possa compreender qual a estrutura do treino utilizada pelos treinadores de iniciados e juvenis em Futebol, para que a possamos interpretar, descrever e comparar, procurando contribuir para a evolução da metodologia de treino nos escalões de formação em Futebol. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 2
  • 23.
    Introdução 1.2 ESTRUTURAÇÃO DO ESTUDO Iniciaremos o nosso estudo com o primeiro capítulo que apresenta de forma sucinta a investigação, situando a problemática da estruturação do treino nos escalões de formação em futebol, assim como o caminho que esta investigação irá seguir. No segundo capítulo, faremos uma revisão da literatura acerca dos aspectos relacionados com o tema em questão. Caracterizaremos o Futebol como modalidade desportiva colectiva, o treino com crianças e jovens, as exigências físicas e fisiológicas do jogo de Futebol, e por fim, a estrutura do treino em crianças e jovens. No terceiro capítulo, referiremos a metodologia utilizada para a realização do estudo, onde descrevemos o objectivo geral, os objectivos específicos e as hipóteses orientadoras da investigação. Procederemos à caracterização da amostra, à descrição do método de pesquisa, e à transcrição dos procedimentos estatísticos utilizados. No quarto capítulo apresentaremos os resultados e a respectiva discussão. No quinto capítulo apresentaremos as conclusões. No sexto capítulo mencionaremos umas breves recomendações para a prática, no treino de jovens Futebolistas. No sétimo capítulo serão sugeridos possíveis prolongamentos ao nosso estudo. No oitavo capítulo apresentaremos a bibliografia utilizada para a realização deste estudo. No nono e último capítulo apresentaremos os anexos que consideramos necessários. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 3
  • 24.
    Revisão da Literatura II.REVISÃO DA LITERATURA 2.1 O FUTEBOL O futebol ocupa um lugar importante no contexto desportivo contemporâneo, dado que, na sua expressão multitudinária, não é apenas um espectáculo desportivo, mas também um meio de educação física e desportiva, e um campo de aplicação da ciência (Garganta, 2002). O mesmo autor, refere que no decurso da sua existência, esta modalidade tem sido ensinada, treinada e investigada, à luz de diferentes perspectivas, as quais deixam perceber concepções diversas a propósito do conteúdo do jogo e das características que o ensino e o treino devem assumir, na procura da eficácia. O desenrolar do jogo de Futebol encerra um conjunto diversificado de situações momentâneas do jogo que por si só, representam uma sucessão de acontecimentos imprevisíveis. Os jogadores perante as situações – problema que lhes sucedem no decorrer do jogo, têm de tomar decisões certas no meio de uma grande imprevisibilidade. Perante isto, é necessário que o processo de intervenção (treino) decorra cada vez mais da reflexão metódica e organizada da análise competitiva do conteúdo do jogo, ajustando-se e adaptando-se a essa realidade. Este contexto, orienta irremediavelmente a forma de encarar a prática, não sendo esta reduzida à “simples” alternância entre a carga (esforço) e descanso (regeneração). Daí a necessidade desta assentar numa base teórica – prática formulada e fundamentada a partir da análise do seu conteúdo, pois só assim, podemos intervir eficientemente nessa realidade competitiva. De forma a elaborar uma actividade metodológica – sistemática e diferenciada, e definir igualmente os fundamentos pedagógicos do seu ensino (Castelo, 1994). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 5
  • 25.
    Revisão da Literatura 2.1.1 FUTEBOL, SUA NATUREZA E SUA ESSÊNCIA Cada jogo desportivo, definido pelas suas regras, possui uma lógica interna bem precisa, que irá influenciar e coordenar os comportamentos dos seus intervenientes (Tavares, 2002). O futebol pertence a um grupo de modalidades desportivas, que se caracterizam por revelarem características próprias e comuns, habitualmente designadas por jogos desportivos colectivos (JDC). Sem diminuir a importância das restantes características, a relação de oposição entre os elementos das duas equipas em confronto e a relação de cooperação entre os elementos da mesma equipa, ocorridas num contexto aleatório, é o que traduz a essência do jogo de futebol (Garganta e Pinto, 1998). Castelo (1996) afirma que o futebol é um jogo desportivo colectivo, no qual os intervenientes estão agrupados em duas equipas numa relação de adversidade – rivalidade desportiva, numa luta incessante pela conquista da posse de bola (respeitando as leis do jogo), com o objectivo de a introduzir o maior número de vezes na baliza adversária e evitar o inverso, com vista à obtenção da vitória. Para que se atinja essa finalidade, o futebol possui uma dinâmica própria, um conteúdo que se define como essência de jogo. Esta essência moldada pelas leis do jogo, dá origem a uma série de atitudes e comportamentos técnico / tácticos mais ou menos estereotipados. Trata-se de uma actividade desportiva que ocorre em contextos nos quais os elementos que se defrontam disputam objectivos comuns, lutando para gerir em proveito próprio, o tempo e o espaço, e realizando acções reversíveis de sinal contrário (ataque versus defesa) alicerçadas em relações de oposição versus cooperação. Por tal, o futebol caracteriza-se por ser uma actividade fértil em acontecimentos que ocorrem em contextos permanentemente variáveis de oposição e cooperação, e cuja frequência, ordem cronológica e complexidade não podem ser pré determinadas (Garganta, 2002b). Garganta & Pinto (1998), referem que a ocorrência de determinada acção do jogo, mesmo a mais elementar, como uma corrida ou salto, num dado ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 6
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    Revisão da Literatura momentopoderá ser mais ou menos pertinente, em função das configurações que o jogo apresenta nesse preciso momento, conferindo à dimensão estratégico – táctica uma importância capital. Garganta (2002b) sustenta que a essência estratégico – táctica deste tipo de modalidades (jogos desportivos) decorre de um quadro de referências que contempla: - O tipo de forças (conflituidade) entre os efectivos que se defrontam; - A variabilidade, a imprevisibilidade e aleatoriedade do contexto em que as acções do jogo decorrem; - As características das habilidades motoras para agir num contexto específico. 2.1.2 FUTEBOL, UM JOGO DE OPOSIÇÃO / COOPERAÇÃO, UM JOGO TÁCTICO Losa e Castillo (2000), referem que o futebol possuiu uma estrutura e funcionalidade muito complexa e absolutamente distinta dos desportos onde predomina a técnica. O futebol pertence ao grupo dos desportos de cooperação / oposição, a técnica é somente um dos seis parâmetros que configuram a lógica interna do mesmo (regras, técnica, espaço, tempo, comunicação e estratégia). A execução técnica do possuidor da bola, vai ser directamente influenciada por factores como a situação espacial da bola, dos companheiros e dos adversários. Acções marcadas por a incerteza, que por consequência reportam o futebol a um desporto onde a percepção e a tomada de decisão são no mínimo de igual importância à execução. O jogo de futebol exige que os seus praticantes possuam uma adequada capacidade de decisão, que precede e implica uma ajustada leitura de jogo (Garganta & Pinto, 1998). Somente após uma correcta leitura de jogo, se poderá materializar a acção através dos atributos técnicos. Os mesmos autores afirmam que os factores de execução técnica são sempre determinados por um contexto táctico. Pois face ao jogo, o problema primeiro é de natureza táctica, ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 7
  • 27.
    Revisão da Literatura istoé, o praticante deve saber o que fazer, para poder resolver o problema subsequente, o como fazer, seleccionando e utilizando a resposta motora mais adequada (Garganta, 2002a). O futebol como desporto colectivo caracteriza-se por ser um confronto entre duas equipas, que em competição são constituídas por onze elementos, o que perfaz a quantia de vinte e dois elementos a interagirem ao mesmo tempo, o que torna mais complexa a leitura de jogo. As acções dos jogadores deverão ser conjugadas mediante os seus companheiros e adversários, é um jogo de cooperação/oposição pois implica uma constante comunicação entre os membros da mesma equipa e uma contra comunicação entre adversários. “Ao observarmos um jogo de Futebol minimamente organizado, mesmo que ambas as equipas em confronto não se distingam pela cor ou padrão do equipamento, é possível, passado algum tempo, identificar os elementos constituintes de cada uma delas. Esta possibilidade resulta do facto de que a referida relação de oposição/cooperação, para ser sustentável e eficaz, reclama dos jogadores comportamentos congruentes com as sucessivas situações do jogo, de acordo com os respectivos objectivos de sinal contrário de cada uma das equipas” (Garganta, 2002). Obrigando desta forma a que os seus intervenientes cooperem de uma forma congruente e harmoniosa nas distintas fases de jogo (ataque, defesa), procurando desenvolver as acções de jogo mais adequadas às situações de momento, acções essas, que irão ser influenciadas pelas mudanças que se produzem em torno do mesmo, da bola, dos companheiros e adversários. Cerezo (2000) define os princípios gerais da acção de jogo em função da equipa possuir ou não, a bola (Figura II-1). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 8
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    Revisão da Literatura Princípios Gerais da acção de jogo Ataque Defesa Transição Manutenção da posse de bola Recuperar a posse de bola Progressão com bola na direcção Impedir a progressão da bola da baliza adversária na direcção da baliza Procura do desequilibro defensivo Proteger a baliza evitando com o intuito de finalizar o golo Figura II-1: Princípios gerais da acção do jogo (adap. de Cerezo, 2000) Os jogadores deverão organizar-se para realizar as acções de jogo mais adequadas, face à fase de jogo em que se encontram, influenciada pela posse ou não de bola. Tendo como objectivo a obtenção do golo nos momentos em que possuem a bola, e evitar que a equipa adversária obtenha a posse de bola, afastando desta forma a possibilidade de sofrer um golo. O Futebol, poderá definir-se quanto à sua estrutura, como um desporto colectivo onde se produz uma interacção motriz entre os participantes, como consequência da presença de companheiros e adversários, utilizando um espaço comum (standard) e com uma participação simultânea mediante uma cooperação/oposição. (Cerezo, 2000) ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 9
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    Revisão da Literatura PRÁTICA DE FUTEBOL Objectivo: realizar movimentos, esforços e acções em sequências variáveis e intermitentes para que a bola chegue à sua meta (golo) e/ou evitar o inverso Interacção motriz Utilização do Espaço Presença de companheiros e Comum (Standard) Adversários Incerto PARTICIPAÇÃO Simultânea Cooperação/oposição (desporto sociomotriz) ANÁLISE FUNCIONAL COMO DESPORTO DE EQUIPA Figura II-2: Estrutura do Futebol a partir do seu objectivo (adap. Cerezo, 2000) O futebol é um jogo de equipa, um jogo em que as acções individuais devem ser totalmente congruentes com a participação simultânea dos companheiros e adversários. O desempenho motor, a técnica, é condicionada pelo momento, pelo adversário, pelos companheiros, e se quisermos ser mais específicos, pelas condições climatéricas, pelo resultado, etc. O futebol é essencialmente um jogo táctico, um jogo de momentos felizes e de momentos menos felizes onde a decisão tomada por um jogador, numa fracção de segundo, pode levar uma equipa “à glória” ou não. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 10
  • 30.
    Revisão da Literatura 2.1.3 PERSPECTIVAS PARA O ENSINO E TREINO DO FUTEBOL ENQUANTO JOGO DESPORTIVO COLECTIVO (JDC) Desde os anos 60, que a didáctica dos jogos desportivos repousa numa análise formal e mecanicista. Os processos de ensino e treino têm consistido em fazer adquirir aos praticantes sucessões de gestos técnicos, empregando-se muito tempo no ensino da técnica e muito pouco, ou nenhum no ensino do jogo propriamente dito (Gréhaigne & Guillon, 1992). O ensino e treino dos JDC, obedeceram inicialmente a uma metodologia de eminência técnica a partir do domínio dos Skills motores, antes da aprendizagem, da compreensão e gestão do envolvimento do jogo (Gréhaigne & Godbout, 1995), resultado das influências dos desportos individuais, até então, mais avançados nas suas concepções de ensino e treino. Alguns autores começaram a questionar este método, por enfatizar a aprendizagem das habilidades técnicas antes da compreensão do jogo. Garganta (1997) questiona-o referindo que, um jogador considerado bom tecnicamente sem a oposição de adversários, poderá não o ser quando colocado em situação de jogo com oposição. Pois os praticantes sujeitos à aplicação do modelo técnico de ensino dos jogos desportivos, revelam um poder de iniciativa limitado e um escasso conhecimento do jogo, pois existe pouca transferência da aprendizagem técnica para situação real de jogo. Queiroz (1986) refere que, enquanto para uns, o jogo é a soma das funções técnicas e tácticas parciais, cujo domínio (parcelar) permite atingir o êxito global, para outros, o jogo não pode ser separado nas suas várias componentes. Englobando-se nesta última perspectiva, defende ainda a constituição da indivisibilidade das componentes como o princípio metodológico fundamental do ensino e treino do jogo. O Futebol exige dos praticantes uma adequada capacidade de decisão, que irá decorrer de uma ajustada leitura de jogo. No momento de materializar a acção, ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 11
  • 31.
    Revisão da Literatura torna-senecessário utilizar uma gama de recursos motores específicos, genericamente designados por técnica (Garganta & Pinto, 1998). Os mesmos autores afirmam que no futebol, os factores de execução, designados por técnica, são sempre determinados por um contexto táctico, levando a que a verdadeira dimensão da técnica repouse na sua utilidade para servir a inteligência e a capacidade de decisão táctica dos jogadores e das equipas no jogo. No entanto, no treino, por vezes é privilegiada a dimensão eficiência (forma de realização) da habilidade, independentemente das dimensões eficácia (finalidade) e adaptação, isto é, do ajustamento das soluções e respostas ao contexto (Graça, 1994). Esta perspectiva ensina o modo de fazer (técnica) separado das razões (táctica), Bunker & Thorpe (1982) constataram que, quando a técnica é abordada através de situações que ocorrem à margem dos requisitos tácticos, ela adquire um transfere diminuto para o jogo. No decurso de um jogo surgem tarefas motoras de grande complexidade para cuja resolução não existe um modelo de execução fixo (Faria & Tavares, 1992). Mombaerts (1998); Cerezo (2001) consideram o futebol como uma actividade motora complexa, uma actividade de regulação externa, em que os seus intervenientes deverão realizar as acções após uma análise prévia da situação (Figura II-3). Segundo os mesmos autores, um jogador quando se depara com uma situação decorrente do jogo (com ou sem bola, com um adversário directo ou indirecto) deverá pôr em prática a sua habilidade motriz, para resolver o problema momentâneo com que se depara, através: - Do seu mecanismo perceptivo, que poderá informar sobre os estímulos presentes (companheiros, adversários, bola...), sobre as relações espaço – temporais (distâncias dos jogadores, bola; ritmo de execução, etc.). O jogador deverá observar, para obter a informação mais correcta, da situação momentânea; ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 12
  • 32.
    Revisão da Literatura - Do seu mecanismo de decisão, planeio mental sobre o que se poderá fazer numa dada situação, análise ou antecipação de uma situação para a solucionar. Mombaerts (1998), salienta a importância de os jogadores desenvolverem a inteligência de jogo mediante a capacidade de estabelecerem estratégias motoras, pondo-as em prática através da sua táctica individual e colectiva. O autor considera este mecanismo fundamental e determinante para esta modalidade desportiva; - Do seu mecanismo de execução, resposta motriz para resolver a situação de jogo, sendo necessário utilizar as capacidades motoras, assim como, as habilidades técnicas. Habilidade para resolver um problema do jogo Requer Mecanismo O que se passa? Perceptivo Observar Informação da situação Estímulos, Relações Espaciais e Temporais Mecanismo de decisão O que fazer? Analisar/decidir Resposta adequada Capacidades Cognitivas: Táctica Como fazer? Mecanismo deRe Solução da situação Resposta motriz execução Estímulos, Relações Espaciais e Temporais Objectivo Obter um comportamento óptimo em competição, através da utilização de todas as capacidades e habilidades individuais actuando colectivamente. FiguraII-3: O Futebol como uma actividade motora complexa. (adap. de Cerezo, 2001; Monbaerts, 1998) ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 13
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    Revisão da Literatura “Nestaperspectiva, numa partida de futebol afigura-se mais importante saber gerir regras de funcionamento, ou princípios de acção do que utilizar técnicas estereotipadas ou esquemas tácticos rígidos e pré-determinados. O bom jogador ajusta-se não apenas à situação que vê mas também àquilo que prevê, decidindo em função das probabilidades de evolução do jogo” (Garganta & Pinto, 1998; Garganta 2002a). Fuentes e col.(1998), sustentam a necessidade de se trabalhar mais os mecanismos de percepção e decisão, do que os mecanismos específicos de execução, pois consideram preponderante, nas etapas de formação, que os praticantes aprendam a observar e a perceber o que se sucede à sua volta, de forma a que analisem adequadamente as situações que surgem em jogo, podendo desta forma responder com eficácia. Em função da experiência que os praticantes adquirem com o treino e sua criatividade, estas respostas poderão vir a ser cada vez mais adequadas e originais. Bunkers & Thorpe (1982) propõem um modelo que, proporciona uma maior consciência táctica do jogo, uma vez que integra os padrões de decisão característicos da actividade (Figura II-4). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 14
  • 34.
    Revisão da Literatura (1) Jogo (2) Apreciação (6) Acção Motora APRENDIZ (3) Consciência (5) Habilidade táctica motora (4) Decisões: O que fazer? Como fazer? Figura II-4 – Cadeia Acontecimental do Comportamento Táctico-Técnico do Jogador no Jogo. (Bunker & Thorpe, 1992) Nos JDC a dimensão táctica ocupa o núcleo da estrutura de rendimento (Konzag, 1991; Faria & Tavares, 1992; Gréhaigne, 1992), pelo que a função principal dos demais factores, sejam eles de natureza técnica, física ou psíquica, é a de cooperar no sentido de facultarem o acesso a desempenhos tácticos de nível cada vez mais elevado. É fundamental iniciar-se a aprendizagem, valorizando estes aspectos, ou seja, toda a acção técnica deve ter um fim táctico, se tal não acontecer o treino poderá ser inconsequente. De acordo com as afirmações anteriores, torna-se lógico que o ensino e o treino em futebol não deverão restringir-se a aspectos biomecânicos, ao gesto em si, mas atender sobretudo às imposições da sua adequação às situações do jogo (Garganta & Pinto, 1998). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 15
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    Revisão da Literatura Jogo Apreensão do Acção jogo Motora Capacidade Habilidade táctica motora Decisões: O que fazer? Figura II-5 - Cadeia Acontecimental do Comportamento Táctico / Técnico do Jogador no Jogo (Garganta & Pinto, 1998) Todas as acções técnicas, para que sejam eficazes necessitam, para além de uma execução correcta, da sua execução no “timing” certo, se tal não ocorrer, a acção técnica irá perder a sua importância. A técnica é importante? Mesquita, (1997) argumenta que, o ensino dos JDC é uma competência que está obrigatoriamente dependente da mestria das técnicas do jogo. Ser portador de uma boa técnica permite ao jogador ficar liberto para ler o jogo e consequente decidir melhor, prevalecendo na relação com a bola, o controlo quinestésico em detrimento do visual, o jogador tecnicamente evoluído fica liberto para analisar as situações de jogo e, consequentemente, poder optar pelas melhores soluções. Mas, a técnica só revela a sua importância quando aplicada oportunamente, isto é, quando ocorre uma execução técnica, tacticamente correcta. A aprendizagem dos procedimentos técnicos constitui apenas uma parte dos pressupostos necessários para que, em situação de jogo, os praticantes sejam capazes de resolver os problemas que o contexto específico lhes coloca. Desde os primeiros momentos da aprendizagem, importa que os praticantes assimilem um conjunto de princípios que vão do modo como cada um se relaciona com o móbil do jogo (bola), até à forma de comunicar com os colegas ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 16
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    Revisão da Literatura econtra-comunicar com os adversários, passando pela noção de ocupação racional do espaço de jogo (Garganta & Pinto, 1998). Malglaive (1990) e Gréhaigne & Godbout (1995), sustentam que o sistema de conhecimento, nos desportos colectivos, decorre de regras de acção, regras de organização e capacidades motoras (Figura II-6). Regras de acção Regras de gestão e organização do jogo Organização colectiva e individual Capacidades motoras Figura II-6- Conteúdos do Conhecimento em Desportos Colectivos. (Malglaive, 1990 ; Gréhaigne & Godbout, 1995) As regras de acção são orientações básicas acerca do conhecimento táctico do jogo, que definem as condições a respeitar e os elementos a ter em conta para que a acção seja eficaz (Gréhaigne & Guillon, 1991). As regras de organização do jogo, estão relacionadas com a lógica da actividade, nomeadamente com a dimensão da área de jogo, com a repartição dos jogadores no terreno, com a distribuição de papéis e alguns preceitos simples de organização que podem permitir a elaboração de estratégias. As capacidades motoras, englobam a actividade perceptiva e decisional do jogador, bem como os aspectos da execução motora propriamente dita. A evolução do Futebol terá necessariamente de apostar, de forma inequívoca, no entendimento e no ensino do jogo (Garganta & Pinto 1998), estando os treinadores obrigados, em todos os níveis de ensino e treino do jogo, a procurar formas e métodos que promovam jogadores que pensem e raciocinem em cada uma das acções em que intervêm (Greco, 1988). É necessário que o jogador compreenda a lógica interna do jogo, os princípios gerais e específicos ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 17
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    Revisão da Literatura queregem o seu comportamento, e seja capaz de os aplicar de forma inteligente, depois de uma análise prévia da situação de jogo (Cárdenas, 2000). 2.1.4 REFERÊNCIAS FUNDAMENTAIS PARA O ENSINO DO FUTEBOL Actualmente, a perspectiva de ensino e treino mais emergente é aquela que a partir de uma análise do jogo e da sua estrutura, apresenta o ensino e treino de uma forma mais global, com uma dimensão mais complexa e mais próxima da realidade do jogo. Esta visão emergiu no sentido de superar a tendência dominante de corte analítico, mecanicista e técnico, apoiando-se na psicologia cognitiva e nos modelos de execução (Garganta, 1994) Esta concepção de treino integral tem como ponto de partida o Futebol enquanto jogo, no qual os problemas fundamentais dos jogadores são, por um lado a adaptação das suas condutas em relação de oposição (jogar contra adversários), e por outro a adaptação das suas condutas à relação de colaboração (jogar com os companheiros) (Mombaerts, 1998). 2.1.4.1 CONDICIONANTES ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS Se compararmos o Futebol, no plano estrutural, com outros denominados grandes jogos desportivos colectivos (Andebol, Basquetebol e Voleibol), constatamos algumas diferenças extensivas ao plano funcional, que nos permitem retirar ilações importantes para a orientação do processo de ensino/treino deste jogo (Garganta & Pinto, 1998): 2.1.4.2 DIMENSÃO DO TERRENO DE JOGO E NÚMERO DE JOGADORES Quanto maior for o espaço de jogo mais elevado terá de ser a capacidade para o cobrir, mental e fisicamente. Deste modo, uma educação mental sistemática torna o jogador capaz de utilizar, de uma forma inteligente o conhecimento adquirido, através das suas características psicomotoras (Mahlo, 1980). Sabe-se que um campo de Futebol de onze é um espaço muito grande, correspondendo aproximadamente à superfície de 10 campos de Andebol, 20 campos de Basquetebol e 50 campos de Voleibol (Bauer & Ueberle, 1988 cit. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 18
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    Revisão da Literatura Garganta& Pinto, 1998). Para além disso, o número de jogadores a referenciar num jogo, condiciona a complexidade inerente à percepção das situações (leitura do jogo). O desenvolvimento da progressiva extensão do campo perceptivo (da visão centrada na bola, à visão centrada no jogo) é um dos aspectos mais importantes a que se deve atender na formação, na medida em que o jogo de Futebol reclama uma atitude táctica permanente. A capacidade de raciocinar tacticamente, mediante as variadas e imprevistas situações-problema a que o jogo submete os atletas, tem de ser desenvolvida no treino, isto é, aumentar e consolidar a capacidade de controlo cinestésico sobre a execução do movimento quando em posse de bola, capacitando-os para utilizarem a visão para as funções de leitura do jogo (jogar de cabeça levantada). Para que tal possa ocorrer Guterman (1996) refere que, será necessário a construção de noções de jogo segundo processos altamente participativos, uma vez que, jogar nas condições regulamentares da competição formal, leva a que essa participação possa vir a ser bastante reduzida. Esta é uma das muitas razões pelas quais se torna aconselhável que, nas fases iniciais quando o praticante tem dificuldade em controlar a bola, o jogo seja aprendido num espaço mais reduzido e com um menor número de jogadores (5 ou 7 jogadores, por exemplo), tornando os exercícios mais adaptados às reais dificuldades do jogador, podendo o assim aumentar a aprendizagem do mesmo (Queiroz, 1986). 2.1.4.3 DURAÇÃO DO JOGO O jogador de Futebol deve estar capacitado para responder eficazmente às situações, agindo duma forma rápida e coordenada e repetindo essas acções ao longo do jogo. De notar, por exemplo, que, para equipas seniores, do tempo estabelecido para uma partida de Futebol de onze (90 minutos), o tempo de jogo efectivo é de ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 19
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    Revisão da Literatura apenas50 minutos. Durante este tempo, cada equipa poderá estar na posse da bola, em média, 25 minutos e cada jogador entre 30 segundos (defesas centrais) e um máximo de 3 minutos (para os condutores de jogo). Durante todo o restante tempo os jogadores seleccionam informações, analisam-nas e tomam decisões (Bauer & Ueberle, 1988 cit. por Garganta & Pinto, 1998); Gréhaigne, 1992). A aprendizagem adequada destes aspectos passa pela utilização de técnicas e de procedimentos de ensino que provoquem um confronto do aluno com problemas, para os quais ele vai procurar solução. Esta metodologia procura enfrentar o jogador com situações práticas, nas quais a lógica do movimento seja entendida de uma forma progressiva, para que quando lhe seja apresentado o problema, na sua globalidade, tenha possibilidades de o superar com êxito (Mombaerts, 1998; Cerezo, 2001). O ensino do Futebol visa a formação de jogadores inteligentes, tornando-os capazes de actuar e tomar decisões em função da leitura das diferentes situações que o jogo lhes oferece (Mangas, 1999). Deste modo o pensamento táctico é um pressuposto a desenvolver desde a aprendizagem do jogo (Thorpe & Bunker, 1982). Esta constatação implica que seja estabelecida uma relação entre a técnica e a táctica em favor desta e que se atribua uma grande importância ao jogo sem bola. Esta necessidade é evidente quando se verifica a existência de jogadores que nos testes técnicos obtêm a máxima pontuação, onde a sua capacidade de drible perante um obstáculo imóvel, os seus malabarismos, as suas fintas são tecnicamente perfeitas, mas perante a aplicação no terreno de jogo não tem a mesma eficácia, quando faz um drible bem, mas fora de tempo, quando remata através de uma execução correcta, mas na direcção do guarda-redes (Fradua Uriondo, 1997). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 20
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    Revisão da Literatura 2.1.4.4 CONTROLO DA BOLA O Futebol, o Andebol e o Basquetebol, são jogos de território comum e participação simultânea, em que existe luta directa pela posse da bola. No entanto, as possibilidades de assegurar o controlo da bola são teoricamente maiores para os jogadores de Andebol e de Basquetebol do que para os praticantes de Futebol. A utilização das mãos (no Andebol e no Basquetebol) permite agarrar a bola e assim melhor a proteger e controlar, bem como dar-lhe a direcção desejada. A aprendizagem do jogo de Futebol implica a construção da mestria da relação com a bola, em função das exigências tácticas do jogo. A limitação específica desta aprendizagem passa pela necessidade do praticante de Futebol ter que jogar a bola quase exclusivamente com os membros inferiores, estando estes simultaneamente implicados no equilíbrio do corpo e nos deslocamentos. Acresce o facto do jogo se desenvolver, predominantemente, num plano baixo, o que concorre para dificultar a disponibilização da visão para efectuar a "leitura do jogo". “Ler” o jogo é seguramente uma tarefa difícil de conseguir com pleno sucesso pela quantidade e complexidade dos factores a que está sujeito. É no entanto uma tarefa de extrema importância para o jogador e determinante para o sucesso das competências que lhe estão atribuídas. (Martins, 1999). Neste contexto, quando um jogador erra frequentemente determinada resposta motora, torna-se importante identificar se tal decorre duma leitura deficiente da situação (mecanismo perceptivo e de decisão mental), ou se deriva da sua ineficiência técnica ou física para responder a tal situação. 2.1.4.5 FREQUÊNCIA DE CONCRETIZAÇÃO Em equipas de jogadores de elite, em média, no Andebol consegue-se um golo em cada dois minutos; nos jogos de Basquetebol e de Voleibol consegue-se concretizar pontos em cada minuto. A relação entre as acções de ataque e êxitos quantificáveis é aproximadamente nestas modalidades de 2 para 1, ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 21
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    Revisão da Literatura enquantoque no Futebol é apenas de 50 para 1. Isto permite que, não raramente no Futebol, equipas de nível inferior possam conseguir bons resultados frente a equipas de elevado nível, o que dificilmente acontece noutros desportos de equipa. Estas constatações não devem conduzir a uma diminuição da importância atribuída à finalização no ensino/treino do Futebol. Bem pelo contrário, dever- se-á propiciar a criação de um grande e variado número de ocasiões de finalização, quando não o praticante perde de vista o objectivo central do jogo (o golo) e centra a sua actuação ao nível do jogo de transição, provocando um desequilíbrio entre jogo indirecto e jogo directo. 2.1.4.6 COLOCAÇÃO DE ALVOS No Futebol, tal como no Andebol, e duma forma diversa do que acontece no Basquetebol e no Voleibol, a colocação dos alvos (balizas) na vertical, faz "variar" a sua largura aparente, em função da posição (ângulo) em que estão a ser visualizadas pelo jogador (Gréhaigne, 1992). Esta indicação reveste-se de grande importância na construção do pensamento táctico do principiante, na medida em que permite interiorizar as noções de conquista/defesa do eixo do terreno, de jogo directo e indirecto, e de abertura/fecho de ângulos de remate. 2.2 TREINO COM CRIANÇAS E JOVENS Sobre o treino com crianças e jovens e sua participação desportiva, muito se tem escrito em vários artigos e muito se tem dito em conferências sobre o tema. A polémica entre os especialistas na matéria existe e subsiste, envolvendo sobretudo, as consequências para a saúde criando controvérsia sobre a participação de crianças e jovens no desporto de rendimento (Marques e Oliveira, 2002). Polémica que levanta reflexões, essencialmente sobre, quais deverão ser as configurações e contornos da actividade de treino e competição em crianças e jovens, elevando a problemática, ao motivar divergências concernentes às melhores estratégias de actuação (Marques e Oliveira, 2002). Esta problemática que se levanta, que desenvolve teorias implicando convergências e divergências entre os especialistas, não é um “problema” é ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 22
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    Revisão da Literatura ciência.O verdadeiro problema reside no facto da teoria e pratica, na maioria dos casos, ainda estarem extremamente distantes para o que seria desejável. Isto é, tudo que se escreve e se diz sobre o tema é, por vezes ou quase sempre, tão depressa aplaudido e louvado, como esquecido por aqueles que deveriam por toda a teoria em prática. Os problemas surgem quando, o treino e a participação competitiva de crianças e jovens tende a reproduzir e a adaptar os conhecimentos e formas de organização do desporto de alto rendimento (com algumas adaptações indispensáveis) (Marques, 1997); (Proença, 1998). Quando a valorização e reconhecimento social dos mais jovens, através dos resultados competitivos, é tanto maior quanto menores são as hipóteses de êxito do clube, nas competições seniores (Proença, 1998). Quando para muitos treinadores, dirigentes e pais, a vitória nas competições continua a ser o objectivo principal, onde a procura do rendimento imediato impõe estratégias de treino que produzem resultados a curto prazo, mas comprometem os resultados futuros e frustram as expectativas de crianças e jovens, subvertendo toda a lógica da formação (Marques, 1997). Estes erros estão associados na maioria dos casos à especialização precoce e ao abandono prematuro da prática desportiva. Erros cometidos em nome de interesses inconfessados, por falta de preparação pedagógica e científica, jamais poderão ser tolerados nos dias de hoje, pois os conhecimentos científicos sobre a optimização dos pressupostos do rendimento e sobre o desenvolvimento do indivíduo nas fases evolutivas mostram claramente que nada se justifica para tal. A não ser a ignorância ou interesses reprováveis (Marques, 1991). Por tal “não se peçam vitórias aos treinadores dos mais jovens. No desporto, como em tudo, o tempo de formação é de preparação” (Marques & Oliveira, 2002 pp65). Marques (1997); Marques, (1991) sustenta que a preparação desportiva de crianças e jovens não pode estar subordinada a interesses pessoais, científicos, materiais e financeiros, ou a outros interesses, que, valorizando exclusivamente o rendimento, poderão tornar a criança num instrumento de ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 23
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    Revisão da Literatura preocupaçõesque, para além de serem gravosas para os mesmos poderão hipotecar o seu futuro desportivo. Marques, (1991) refere que a preparação desportiva poderá ser um pressuposto fundamental para o desenvolvimento harmonioso da criança e também para a criação de condições para a optimização do rendimento desportivo, desde que: - Se realize em articulação com a escola; - Seja enquadrada pelos melhores professores de desporto ou técnicos desportivos; - Tenha como referência axial a saúde física e mental da criança, o respeito pela sua individualidade biológica, e a observância das particularidades de cada especialidade desportiva. O treino e a competição devem situar-se num quadro estrito de respeito pela educação, formação e defesa dos interesses dos jovens atletas (Marques, 1999) 2.2.1 O TREINADOR DE CRIANÇAS E JOVENS Treinar crianças e jovens é tudo menos uma tarefa fácil, pois trata-se de um processo complexo de gerir, o que exige treinadores bem preparados. Não se trata apenas de utilizar metodologias de treino que se coadunem com experiências vividas como atletas ou plagiar o treino dos seniores. O processo de formação que se prolonga por vários anos, para que tenha um requerimento eficaz das mais valias pedagógicas, de extrema importância para o desenvolvimento dos jovens e do desporto, requer e exige não apenas treinadores qualificados no plano técnico – científico, como treinadores com uma particular sensibilidade para as questões pedagógicas (Marques, 2002). Marques, (2002) sustenta que para se ser treinador de crianças e jovens existem três condições essenciais: ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 24
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    Revisão da Literatura - Gostar do desporto em questão; - Gostar de trabalhar com crianças e jovens; - Estar preparado para um trabalho exigente, demorado e cujos resultados não são “visíveis” e vão aproveitar a terceiros. Lee, (1999) refere que, compete ao treinador: - Ensinar as técnicas e organizar sessões de treino de acordo com o nível de cada atleta; - Proporcionar bastante tempo de prática; - Definir objectivos individuais para cada jovem; - Corrigir os erros e explicar de forma clara a forma de os ultrapassar; - Apreciar as crianças pelo modo como evoluem e não por comparação com os outros. O treinador deverá proporcionar aos seus atletas uma formação completa, o que significa que o mesmo tem, para além de tarefas desportivas estritas, responsabilidades pedagógicas pelo presente e futuro das crianças que lhes são confiadas. Tal exige conhecimentos sobre o desenvolvimento motor, biológico, psíquico e social das crianças e jovens, mas também capacidade de integração desses conhecimentos nas propostas da prática. Assim sendo a formação desportiva exige técnicos qualificados (Marques, 1991;Marques, 1999). O treinador terá de ter em mente que, os grandes resultados desportivos dificilmente irão surgir à mercê de um trabalho a curto prazo, que a preparação dos atletas é um processo longo, demorado e complexo, sendo necessário contemplar diferentes etapas, subordinadas aos grandes objectivos do treino e da preparação desportiva (Marques, 1985). Somente assim poderão surgir campeões, na vida e no desporto. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 25
  • 45.
    Revisão da Literatura 2.2.2 ETAPAS DE PREPARAÇÃO A preparação de um atleta para que mais tarde possa vir a ter expectativas de rendimento elevado, é um processo a longo prazo. Um processo que contempla várias etapas, das quais umas estão directamente relacionadas com o rendimento e as restantes com ele indirectamente relacionadas, sendo “causa” ou “consequência” do mesmo (Marques, 1985). Etapas essas que deverão subsistir e se subdividir, não apenas por meros aspectos organizativos mas sim por aspectos profundamente ligados às ciências biológicas, médicas, humanas, sociais... que se coadunem com as etapas do desenvolvimento ontogénico do ser humano ao mesmo tempo que subordinam e integram os grandes objectivos do treino e da preparação desportiva (Marques, 1985). O autor subdivide as etapas de preparação de um atleta em: (Quadro II-1) - Etapa de preparação preliminar; - Etapa de especialização inicial ou de base; - Etapa de especialização aprofundada; - Etapa de performances maximais; - Etapa de manutenção das performances; - Etapa de manutenção do nível geral de treino. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 26
  • 46.
    Revisão da Literatura QuadroII-1 – Grandes objectivos do treino e da preparação desportiva. (adap. de Marques, 1985) Referências Orientações metodológicas Etapas Objectivos Suas justificações prováveis dominantes Rápida maturação do sistema nervoso: Dominância de uma formação Criação dos desenvolvimento da geral-muitipla e diversificada. fundamentos da rede sináptica e De preparação 7/8 aos 11/12 Desenvolvimento das prestação desportiva. mielinização. preliminar anos capacidades desportivas gerais. Optimização dos pré- Evolução mais lenta Incidência de trabalho em requisitos motores das outras estruturas volume. biológicas. Período Pré- Selecção inicial e inicio da pubertário e especialização. pubertário. Rápido Desenvolvimento das Desenvolvimento e desenvolvimento de capacidades motoras gerais. aperfeiçoamento dos certas estruturas ( Prática de uma 2ª modalidade. De fundamentos da morfológicas – Desenvolvimento gradual das especialização 11/12 aos 14 prestação. Introdução ósseas) capacidades motoras inicial ou de anos de elementos que acompanhada de específicas. Predominância base condicionam de uma forma mais ainda do treino geral e em forma directa o lenta das estruturas volume. Inicio da participação rendimento. orgânicas em competições (11/13anos). (metabolismo Competições simplificadas, anaeróbio) e número reduzido, espaçadas. muscular. Selecção intermédia. Desenvolvimento sistemático e Aprofundamento e com cargas progressivas Progressiva direccionamento (volume e intensidade) das maturação e mais específico da capacidades motoras consolidação de preparação no determinante do rendimento de todas as estruturas De 15 aos 18 sentido do uma forma directa. Maior (com particular especialização anos desenvolvimento incidência do treino específico, incidência as aprofundada acelerado dos individualização progressiva do orgânicas e factores treino e das competições. musculares) determinantes do Aumento da participação em relacionadas como rendimento. competições considerável. rendimento. Primeiras competições internacionais (na fase final). Martin et al. (2001), refere-se ao processo de treino a longo prazo subjugando- o a três etapas, que constituem três níveis de treino: - Formação geral básica; ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 27
  • 47.
    Revisão da Literatura - Treino de jovens: • Treino dos fundamentos; • Treino de consolidação; • Treino de integração. - Treino de alto rendimento. O autor divide a formação desportiva em duas fases ou etapas fundamentais, a primeira, formação geral, tem como objectivos melhorar de uma forma diversificada o estado geral de rendimento desportivo e despertar um interesse estável pela a actividade desportiva (mediante o conhecimento mais preciso de uma modalidade) através de uma participação desportiva variada. A segunda, treino com jovens, tem como principais objectivos, a melhoria a longo prazo do estado de rendimento próprio de uma modalidade, até atingir o nível ideal para que possa vir a integrar futuramente o treino de alto rendimento, estabilizar os níveis de motivação dos atletas para a obtenção de um bom rendimento na modalidade e participar eficazmente em competições dentro da categoria correspondente a idade dos mesmos. Martin et al (2001) estabelece como objectivos directores para cada secção de treino de jovens: 1- Treino de fundamentos: - Alcançar um bom estado de rendimento geral – multilateral; - Desenvolver capacidades básicas próprias da modalidade e aprender as técnicas motrizes fundamentais da mesma; - Conhecer e experimentar diversos métodos de treino específicos da modalidade; - Participar com êxito em campeonatos nacionais. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 28
  • 48.
    Revisão da Literatura - 1- Treino de consolidação: - Elevar o estado de rendimento próprio da modalidade; - Dominar técnicas importantes da modalidade; - Conhecer métodos de treino específicos da modalidade, - Estabilizar a motivação para o rendimento dentro da modalidade; - Participar com êxito em campeonatos nacionais. 2- Treino de integração - Elevar novamente o estado de rendimento físico próprio da modalidade; - Dominar com virtuosidade o repertório técnico específico da modalidade; - Tolerar as cargas de treino necessárias aos distintos ciclos de treino; - Participar com êxito em campeonatos nacionais e internacionais das categorias de idades superiores, dentro do escalão jovem. Do treinador de crianças e jovens é exigido conhecimento científico sobre o desenvolvimento das mesmas, baseando-se em conhecimentos que derivam das ciências biológicas, médicas, humanas, sociais etc., conhecimentos sobre o desenvolvimento ontogénico do ser humano e um profundo conhecimento sobre a modalidade. Só assim o treinador poderá responder as questões como: Quando, como e porquê o desenvolvimento de determinadas capacidades e conteúdos? Que estratégias serão mais apropriadas para tais desenvolvimentos? etc. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 29
  • 49.
    Revisão da Literatura 2.2.3 FASE SENSÍVEIS DE TREINABILIDADE Martin, (1999) define fases sensíveis de treino como períodos limitados de tempo na vida dos indivíduos, em que eles respondem de forma mais intensa do que noutros períodos, a determinados estímulos do ambiente exterior. O autor em questão, propõe um modelo de fases sensíveis de treinabilidade durante a infância e a juventude (Quadro II-2), baseando-se na observação da prática do treino e nos resultados de investigações nas ciências do desporto. Quadro II-2 – Modelo das fases sensíveis de treinabilidade durante a infância e a juventude (adap. de Martin, 1999). Crianças Jovens Capacidades 6/7-9/10 10/12-12/13 13/14-14/15 14/15-16/18 Aprendizagem das técnicas da *** **** _ _ modalidade Reacção **** _ _ _ Ritmo **** **** _ _ Equilíbrio **** **** _ _ Orientação *** _ *** **** Diferenciação **** **** _ _ Velocidade **** **** _ _ Força Máxima _ _ **** **** Força Veloz *** **** _ _ Resistência Aeróbia *** *** *** *** Resistência Anaeróbia _ ** *** **** Martin (1999) refere que o momento ideal para a aprendizagem das técnicas tem a sua primeira fase sensível entre os 8/9 anos, considerando esta a melhor fase para o efeito, a segunda fase sensível ocorre durante a adolescência 12/13 anos, pois ocorre uma associação entre a técnica e a força onde poderá ocorrer uma melhoria da performance mecânica dos movimentos. O autor sugere os 7 anos e os 9 /10 anos, como os melhores para o desenvolvimento das capacidades coordenativas. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 30
  • 50.
    Revisão da Literatura Todasas formas de expressão da velocidade, têm a sua fase sensível durante a infância, particularmente entre os 6/7 anos e os 9/10 anos (Martin, 1999). O autor refere que, “no treino de crianças, a orientação de base deverá ser prioritariamente para a aprendizagem e treino das diferentes manifestações da velocidade” Martin, (1999) considera a puberdade uma fase sensível, extremamente importante para o treino da força máxima e da força resistente, devido ao aumento destas capacidades neste período. Já a força veloz tem a sua fase sensível entre 8/9 anos de idade. A resistência aeróbia é treinável em todos os períodos, não se podendo, neste caso falar de fases sensíveis de treino (Martin, 1999) Já a resistência anaeróbia o autor salienta que esta capacidade se encontra em constante transformação, sendo que o seu aumento se dá com a maturidade dos pré-requisitos enzimáticos. 2.3 EXIGÊNCIAS FÍSICAS E FISIOLÓGICAS DO JOGO DE FUTEBOL O Futebol caracteriza-se por ser um desporto que requer a execução de acções motoras de forma intermitente, com e sem bola, que variam aleatoriamente de jogo para jogo, pois são determinadas pelas particularidades de movimentação táctica exigidas em cada competição impondo aos praticantes uma elevada intensidade de esforço (Bangsbo, 1993). Soares (1998) refere que, as exigências do futebol podem ser classificadas em termos de capacidades técnicas, tácticas, psicológicas e físicas. O autor salienta que no entanto todos estes factores estão interligados, sendo de fácil constatação o facto de um jogador mal preparado fisicamente estar mais susceptível a erros de ordem técnica, por fadiga periférica, e de ordem táctica, como provável origem na fadiga central. Daí a necessidade de se conhecer com exactidão as exigências físicas impostas pela competição. Pois segundo o mesmo autor, só a partir do conhecimento do esforço específico dos jogadores, ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 31
  • 51.
    Revisão da Literatura noplano táctico e estratégico da equipa, se podem programar treinos correspondentes às suas necessidades. As exigências energéticas – funcionais do jogo de Futebol, têm vindo a ser avaliadas, a partir da actividade desenvolvida pelos jogadores durante a competição (Garganta, 1999). Os investigadores na tentativa de configurar o perfil energético – funcional do jogo de Futebol, nas várias solicitações que este impõe aos jogadores, têm traçado vários caminhos, Garganta (1999) refere que de acordo com a literatura os mais explorados são: - A caracterização de indicadores externos: distâncias percorridas, duração, frequência, tipo de intensidade dos deslocamentos produzidos, repartição dos esforços e pausas; - A caracterização de indicadores internos: frequência cardíaca, lactato sanguíneo e consumo máximo de oxigénio. Através de vários estudos realizados nesta matéria foi se chegando a alguns valores de referência, que se poderão revelar de extrema utilidade para a estruturação do treino em Futebol. Segundo Garganta (1999), um jogador de Futebol percorre em média, entre 7 a 12 km por jogo. Sendo que os jogadores em média realizam corridas a uma intensidade sub – máximal em distâncias entre 5 a 15 metros (Rebelo, 1993). Ekblom (1986) sugere que a maior diferença entre equipas de níveis distintos não é a distância que os jogadores percorrem, mas a percentagem que o fazem a grande intensidade. Estes são alguns indicadores externos que os especialistas conseguiram encontrar nos seus estudos. Quanto aos indicadores internos também se foram realizando alguns estudos onde se chegaram a conclusões importantes. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 32
  • 52.
    Revisão da Literatura Aolongo do jogo de Futebol, a frequência cardíaca situa-se à volta de 85% da frequência cardíaca máxima (Bruyn-Prevost e Thilens, 1983 cit. Garganta, 1999; Ekblom, 1986), registando-se valores que poderão variar entre 160 bpm e 180 btm (Bruyn-Prevost e Thilens, 1983 cit. Garganta, 1999). Segundo Ekblom (1986) a intensidade média de uma partida de futebol corresponde a 75-80% do Vo2 max (consumo máximo de oxigénio), estes valores indicam que o metabolismo aeróbio no jogo de Futebol, é mais importante do que o metabolismo anaeróbio (Maréchal, 1996). A concentração de lactato sanguíneo segundo Bangsbo (1993), apresenta valores variáveis de jogador para jogador, encontrando-se no entanto uma concentração média de 4 a 7 mmol/l, no entanto em diferentes fases do jogo, mediante a intensidade do mesmo, poderão vir a encontrar-se concentrações de 11 a 15 mmol/l. 2.3.1 IMPORTÂNCIA DO TREINO AERÓBIO EM FUTEBOL Grant e Mc Milan (2001), justificam a importância de uma adequada preparação aeróbia nos jogadores de futebol, pela elevada duração do jogo, exigindo que os mesmos percorram 8 a 14 Km, a uma intensidade média de cerca de 75% do seu Vo2 máximo. Tendo o sistema aeróbio uma contribuição, de cerca de 90 % do total de energia requerida no jogo. Segundo Bangsbo (1996), o treino aeróbio permite o aumento do Vo2 máx., o que possibilita ao futebolista, realizar exercícios de alta intensidade, durante um período mais prolongado de tempo, permitindo um elevado consumo de oxigénio durante o jogo. O treino aeróbio permite o aumento da utilização de gorduras, poupando as reservas de glicogénio, de extrema importância para os esforços intensos, promovendo assim o atraso da fadiga (Reylly, 1990; Soares e Rebelo, 1993). Bangsbo (1994, 1996, 1999) refere como objectivos gerais do treino aeróbio, o aumento da capacidade do jogador manter um ritmo de trabalho elevado ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 33
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    Revisão da Literatura duranteo decorrer do jogo, e a minimização do decréscimo técnico e das falhas de concentração, provocadas pela fadiga no final do jogo. O autor define, os seguintes objectivos específicos do treino aeróbio em Futebol: - Melhorar a capacidade do sistema cardiovascular no transporte de O2, de modo que uma maior percentagem de energia necessária para o exercício intenso possa ser fornecida de modo aeróbio, permitindo ao futebolista realizar exercícios intensos durante mais tempo; - Melhorar a capacidade dos músculos utilizarem O2 e assim oxidarem as gorduras durante períodos de exercícios prolongados, poupando desta forma as reservas de glicogénio muscular, permitindo a realização de exercícios intensos durante o jogo; - Aumentar a capacidade de recuperação após um exercício de alta intensidade, diminuindo o tempo de recuperação do jogador para a realização de um novo esforço. O autor divide o treino aeróbio em três categorias: - Treino de recuperação: envolve a realização de actividades ligeiras, como corrida lenta ou jogos de baixa intensidade, situações que permitam que o jogador recupere rapidamente, sendo adequado utilizar este tipo de exercícios no dia seguinte ao jogo, após treinos desgastantes, ou períodos em que tenha muitas sessões de treino e jogos frequentes, sendo esta a forma de se evitar situações de sobretreino; - Treino aeróbio de baixa intensidade: visa o aumento da capilarização e do potencial oxidativo do músculo, intervindo desta forma mais a nível periférico (Bangsbo, 1996). A consequente utilização de substratos leva ao aumento da resistência aeróbia, permitindo desta forma ao futebolista realizar os esforços durante mais tempo (Bangsbo, 1994; Bangsbo, ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 34
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    Revisão da Literatura 1996), permitindo ainda que o jogador recupere com mais facilidade a exercícios de alta intensidade (Bangsbo, 1994); - Treino aeróbio de alta intensidade: também designado por treino da potência aeróbia, visa a melhoria dos factores centrais, estando estritamente relacionado com o aumento do VO2 máx (Bangsbo, 1996). Este tipo de exercícios contribuem para o aumento da capacidade do Futebolista realizar exercícios de alta intensidade durante períodos de tempo prolongados (Bangsbo, 1994; Bangsbo, 1996). Bangsbo (1994;1996; 1999) considera que o treino aeróbio deverá ser realizado fundamentalmente com bola. Para que este tipo de treino tenha um efeito benéfico na capacidade de trabalho aeróbio de um jogador, numa actividade que deverá ter a duração de 15 a 90 minutos. 2.3.2 IMPORTÂNCIA DO TREINO AENAERÓBIO EM FUTEBOL O treino anaeróbio origina o aumento da actividade da creatina quínase e das enzimas glicolíticas, aumentando a taxa de produção de energia pela via anaeróbia (Bangsbo, 1996). Melhorando a sincronização entre o sistema nervoso e os músculos, e aumenta a capacidade de produção e remoção de lactato (Bangsbo, 1994). Bangsbo (1994, 1996, 1999) refere, como objectivo geral do treino anaeróbio, desenvolver a capacidade de realizar repetidamente exercício de alta intensidade, considerando, como objectivos específicos: - Melhorar a capacidade de produzir potência rapidamente, de modo a melhorar o rendimento das actividades intensas do jogo; - Melhora a capacidade de produzir energia continuamente através da via anaeróbia, permitindo ao futebolista realizar exercícios de alta intensidade durante longos períodos de tempo; - Melhorar a capacidade de recuperar após um período de exercício intenso. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 35
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    Revisão da Literatura Oautor, divide o treino anaeróbio, em treino de velocidade e treino de resistência de velocidade. Sendo o treino de velocidade fundamental para o atleta se impor às frequentes acções intensas e de curta duração do jogo, estando desta forma a solicitar o metabolismo anaeróbio aláctico de alta intensidade, o treino de resistência de velocidade, permite dar melhor resposta nos períodos mais longos de alta intensidade, sendo a energia necessária produzida principalmente pelo sistema anaeróbio láctico. O treino anaeróbio deve ser realizado de modo intervalado, devido à elevada intensidade dos exercícios (Bangsbo 1994; 1996; 1999). O autor salienta, a importância de se treinar as categorias da resistência anaeróbia, da forma mais aproximada possível da realidade do jogo, isto é maioritariamente realizado através de exercícios com bola. 2.4 ESTRUTURA DO TREINO PARA CRIANÇAS E JOVENS O processo de formação é composto por um conjunto de etapas/estádios nas quais o atleta poderá assimilar, desenvolver e consolidar diversas capacidades (físicas, técnicas, tácticas e psicológicas). Estas componentes ou factores de treino, adquirem uma determinada estrutura (substância e método) e dinâmica (temporalidade) durante todo o processo de treino. Os treinadores da formação, deverão confrontar-se no início de cada época desportiva, com um conjunto de questões centrais (O quê? Como? Quando?). Responder a estas questões deverá ser o objectivo de cada treinador de formação, modelando assim as suas intervenções no treino às reais necessidades dos seus atletas, contribuindo para um desenvolvimento e preparação desportiva adequada para uma formação harmoniosa dos seus discípulos (Pinto et al., 2003). Os autores antecedentes sabem que, nem sempre na prática isto se verifica, afirmando que “frequentemente, a intervenção do treinador no treino dos mais jovens não é sustentada por um planeamento de base cuidado, mas sim por um conjunto de pretensões empíricas decorrentes de um défice da base conceptual”, tal facto compromete a formação das crianças e jovens envolvidas no processo. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 36
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    Revisão da Literatura Sãovários os artigos científicos que alertam sobre a importância da qualidade e eficiência do treino com crianças e jovens. No entanto, continua a saber-se muito pouco acerca de qual deverá ser a estruturação e organização do treino em crianças e jovens (Marques, 1989; Marques, 1991; Marques, 1993; Marques, Marques 1999; Marques e col., 2000). Este facto deve-se em muito, à abstinência e a inadequada utilização das bases teóricas na estruturação e organização do treino por parte dos treinadores (Marques 1999; Marques e col., 2000). É importante salientar que o treino de criança e jovens, é pouco conhecido a nível metodológico, porque os documentos de registro, se existem, na sua maioria são de difícil análise (Marques e col., 2000), o que dificulta em muito o trabalho dos investigadores. Contudo, realizaram-se alguns estudos científicos no nosso país em desportos colectivos (Marques e col. (2000); Pinto e col. (2001); Pinto e col. (2003); Santos (2001); Furriel (2002) que procuram responder a questões que têm sido o foco de discussão entre os especialistas (Marques e col., 2000). Discussões essas, que se centram em torno de problemas como, qual deverá ser a estrutura e dinâmica da carga, quais os meios, métodos e conteúdos de treino mais apropriados para o longo processo de formação dos atletas. Procurando através da análise dos dossiers, comparar os modelos de treino propostos pelos especialistas para as idades em questão, referenciados na literatura da especialidade, com o que na realidade se faz durante um plano anual de treinos. Desejando desta forma que o conhecimento sobre a estrutura do treino em crianças e jovens se torne uma realidade (Marques e col., 2000). 2.4.1 MEIOS DE TREINO, PREPARAÇÃO GERAL VS. PREPARAÇÃO ESPECÍFICA Os meios de treino revelaram-se ao longo do tempo, um tema bastante interessante, mas também extremamente controverso entre os principais especialistas da área do treino. Facto que se deve às diferentes posições defendidas pelos mesmos quanto à importância que se deverá dar no treino, aos meios de treino gerais e específicos. (Marques, 1989; Marques, 1990; Marques, 1991; Marques e col., 2000). Surgiram desta forma duas teorias ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 37
  • 57.
    Revisão da Literatura contraditórias,por um lado uma que defendia a necessidade de não se descontextualizar o treino dos mais jovens de problemas relevantes da competição. Os defensores desta teoria argumentavam que as possibilidades do organismo eram limitadas, sendo sustentada e recomendada uma rápida especialização. Contrapondo a teoria anterior, desenvolvia-se a teoria da formação multilateral, com o principio director do treino, no estádio de treino de base, regia-se pedagogicamente pela directiva de que o treino deveria incluir formas de actividade diversificadas, pois a formação desportiva multilateral era considerada determinante para o processo de desenvolvimento e maturação dos jovens atletas, o que não iria suceder com um treino estritamente especializado (Marques, 1999). Embora exista uma certa contraposição no que concerne à importância que se deverá dar aos meios de treino de preparação geral e específicos, a maioria dos autores defendem a tese de que, no início da preparação desportiva se deverá dar uma maior importância aos meios de treino de preparação geral do que aos meios de preparação especial. Importância, que deverá diminuir com o aumento da idade e da especialização desportiva, por tal, a preparação geral deverá ser tanto mais elevada quanto mais próximo se estiver da fase inicial de preparação desportiva, essa importância tenderá a diminuir de uma forma mais lenta à medida que o processo se aproxima da sua fase terminal (Marques, 1989; Marques e col., 2000). Quadro II-3: Preparação Geral e Preparação Especial nas etapas de Preparação Desportiva em Futebol, Tschiene, in Prodente (1983). Adaptado de Marques, (1989). Meio de Preparação 8-10 anos 10-12 anos Início Idade Rendimento Prep. Geral (%) 35 30 25 Prep. Especial (%) 65 70 75 Quadro II-4: Preparação Geral e Preparação Especial nas etapas de Preparação Desportiva. Futebol, Stiehler et al. (1988). Adaptado de Marques, (1989). Etapas de Preparação Idades (anos) P. Geral (%) P. Especial (%) Treino de Base 10-14 50-30 50-70 Treino de Construção 15-18 39 61 Treino Evoluído 18-20 15 85 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 38
  • 58.
    Revisão da Literatura Torna-seinequívoca a importância da preparação geral no treino de crianças e jovens, essencialmente no início da formação desportiva onde se deverá procurar que através do treino, os praticantes adquiram os requisitos necessários para que possam ter êxito nas restantes etapas de formação desportiva. Marques e Oliveira (2001) sustentam que anterior à aquisição de toda a estrutura complexa dos gestos e das acções desportivas deverá estar uma cultura motora não especializada, constituída por um repertório de gestos motores e comportamentos motores que se caracterizam por serem mais simples, sem o qual não se evoluirá de forma eficiente e estável, no aprofundamento do rendimento desportivo. Trata-se do reconhecimento por parte dos especialistas que a forma desportiva não se faz na dependência estrita, sistemática e exclusiva dos fundamentos da cultura da futura actividade especializada. Aceitam-se como válidos os princípios da especialização crescente, onde modelos mais avançados do desporto deverão funcionar como elementos estruturantes da formação dos jovens desportistas. As duas teorias “extremistas”, rápida especialização e formação multilateral, cremos que deram origem a uma posição mais equilibrada e mais adaptada ao processo de formação desportiva dos mais jovens, pois sustenta uma orientação no sentido de um esforço da unidade entre o treino geral e o treino especial, sendo esta orientação condicionada por uma maior especialização do treino multilateral. Revelando-se não ser recomendável, no início da especialização, recorrer a uma formação multilateral independente do desporto, pois a formação multilateral deverá ser determinada pela estrutura do rendimento (Marques, 1999). Assim sendo, a rácio entre o treino geral e o treino especial deverá ter em consideração os seguintes aspectos (Marques e col., 2000; Marques, 1999): - As exigências de cada desporto em concreto; - As características de cada fase de ontogénese; ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 39
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    Revisão da Literatura - A necessidade de valorização ou de compensação de componentes particulares; - As alterações do estado de treino no percurso da formação desportiva. 2.4.2 A PREPARAÇÃO GERAL NA FORMAÇÃO DESPORTIVA DOS JOVENS FUTEBOLISTAS Num estudo recente realizado por Marques e col. (2000), sobre a estrutura do treino de jovens atletas Portugueses, os autores concluem que é muito provável que os treinadores estejam a dar uma prematura e excessiva importância aos meios de treino específicos nas fases de preparação desportiva iniciais. Onde os resultados do estudo revelam que, na faixa etária dos 10-12 anos, a razão entre a preparação geral e especifica é de 1: 2,3. É importante que os mais jovens durante a sua formação desportiva obtenham o máximo de experiências motoras que lhes garanta um repertório motor rico, assim como, um bom desenvolvimento das suas capacidades físicas e psicossociais para que possam de futuro poder ter êxito no desporto de rendimento. No futebol assim como nos restantes jogos desportivos colectivos, por ser uma prática desportiva que consente uma variedade de gestos e solicitações bem mais rica que a dos desportos baseados em estruturas gestuais e motoras, cíclicas, estreitas e fechadas, deverá obter-se a especialização num momento mais tardio. Garantindo desta forma melhores bases para a especialização futura (Marques, 1999). São vários os autores (Bompa, 1986; Queiroz 1986) que consideram que na idade dos máximos rendimentos, a estagnação ou uma reduzida elevação do rendimento e o aparecimento de lesões, se poderão dever em grande parte, ao facto de no processo de treino se aplicarem poucos exercícios de carácter geral. Trata-se de um problema que carece aos treinadores resolver uma vez que, a cada vez mais reduzida actividade motora nos períodos pré-escolar e escolar, afecta particularmente o normal desenvolvimento de pressupostos ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 40
  • 60.
    Revisão da Literatura coordenativosque constituem um suporte essencial da capacidade de prestação desportiva (Marques, 1999). Cabe aos treinadores a responsabilidade de estruturar e organizar todo o processo de treino, utilizando um conjunto de exercícios, pois estes são os meios fundamentais que estes possuem para definir, direccionar e modificar o processo de formação e desenvolvimento dos jogadores (Castelo, 1996). Queiroz (1986); Castelo (1996), consideram o exercício como uma estrutura de base de todo o processo responsável pela elevação do rendimento do jogador e da equipa e, como tal, uma parte significativa do rendimento global, e naturalmente do sucesso obtido no treino, depende directamente da qualidade e, em ultima instância, da eficácia do próprio exercício. 2.4.3 O EXERCÍCIO NO PROCESSO DE TREINO “A noção de treino na linguagem corrente emprega-se nos mais diversos domínios e mais frequentemente designa um processo, que pelo exercício, visa atingir um nível mais ou menos elevado segundo os objectivos que se tem em vista” (Weineck 1986). “A unidade elementar do processo de treino é o exercício. Este é destinado ao desenvolvimento de uma qualidade. É o modo de relação entre os diferentes exercícios que constitui a estrutura da sessão (Platonov, 1988) ”. Matveiev (2001), generaliza ao afirmar que “o termo exercício de treino em teoria e metodologia do desporto costuma denominar-se a reprodução regulada das acções racionais (por separado ou em conjunto), que se regulamenta por princípios de consecução do efeito e da actividade preparatória. O efeito do exercício pode expressar-se em certas condições no ensino dos modos racionais de execução das acções e no seu aperfeiçoamento, no desenvolvimento das propriedades físicas e psíquicas do indivíduo, que se expressam na realização das acções, e no aumento, conservação e recuperação do nível de capacidade para actuar”. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 41
  • 61.
    Revisão da Literatura SegundoGarganta (2002), o exercício no processo de treino, procura induzir, nos praticantes, os modelos de comportamentos desejados, no sentido de esses permitirem materializar a concepção de jogo preconizada. Já Castelo et al. (2000), sustentam que o exercício deve ser encarado como o meio fundamental para todo o processo de treino, tendo o professor / treinador o poder de definir, orientar e modificar o processo de formação e desenvolvimento, ou seja, de transformação do(s) praticantes(s), sem o qual não é possível que estes respondam de forma adequada e eficaz às exigências que a competição em si encontra. Para os especialistas na matéria, tais como, Weineck (1986), Bompa (1990), Teodorescu (1984, 1987), Matveiv (1977), o exercício de treino é o meio prioritário e operacional de preparação dos praticantes e das equipas, consubstanciando as adaptações físicas, técnicas, tácticas, psicológicas e sociológicas fundamentais para a consecução de um elevado desempenho quando em confronto directo (Castelo et al., 2000). Para Bompa (1983) citado por Queiróz (1986), o exercício é, na estrutura do treino, “um acto motor sistematicamente repetido, representando o principal meio de execução do treino, tendo em vista a elevação do rendimento”. Teodoresco (1984), Queiroz (1986), Castelo (2003), consideram que o exercício é o principal meio de preparação dos jogadores e das equipas. Castelo (2003), refere que o aspecto nuclear de qualquer processo de planificação e organização na preparação competitiva dos jogadores ou das equipas, nos seus diferentes níveis temporais (a curto, médio e longo prazo) e nos seus diferentes níveis de aperfeiçoamento (aprendizagem, desenvolvimento e especialização) é alicerçado na prática sistemática de um conjunto (mais ou menos alargado) de exercícios de treino de carácter dinâmico e inovador cuja estrutura determina muito concretamente a: 1. Orientação da actividade do jogador e da equipa numa direcção cujos objectivos são válidos e preestabelecidos. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 42
  • 62.
    Revisão da Literatura 2. Concepção de conteúdos de treino que conciliem convenientemente o nível do jogador com lógica interna do jogo de futebol. 3. Aplicação de formas de treino apropriadas relativamente à contextualização das situações competitivas. 4. Elaboração coerente dos níveis de prestação a atingir pelo jogador ou pela equipa em cada momento da sua preparação desportiva. 5. Criação de elevados níveis de motivação que suportem o interesse, o empenho e a vontade do jogador em percorrer “caminhos” e “suportar” tarefas que se constituem à partida como construções hipotéticas (mesmo quando estas já foram anteriormente testadas) as quais não garantem a eficácia/eficiência de forma a impedir o insucesso, ou por outras palavras, garantir sempre o sucesso que desse processo poderá resultar. Naturalmente o sucesso obtido em treino e em competição está em relação directa com a eficácia do próprio exercício (Castelo et al., 1998). Harre (1981) citado por Queiroz (1986), considera que os exercícios são o meio mais importante para a elevação dos rendimentos desportivos. Estes têm de responder às metas e tarefas do processo de treino e não devem ser elegidos e aplicados sem ordem. A utilidade de um exercício no treino desportivo resulta exclusivamente do seu aproveitamento para o desenvolvimento do rendimento. Para Teodoresco (1984), o exercício deve reproduzir, parcial ou integralmente, o conteúdo e a estrutura do jogo, que consiste em acções individuais e colectivas entre jogador, companheiros, bola, campo de jogo, equipamentos regulamentares e – especialmente – o objectivo a atacar (baliza). A presença destes factores (ou apenas de uma parte deles) e a sua sucessão determina estruturas diversas do sistema de relações individuais e colectivas de ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 43
  • 63.
    Revisão da Literatura colaboraçãoe de antagonismo, dando ao mesmo tempo especificidade e identidade ao exercício considerado. Para Dietrich (1979) e Teissie (1969), os exercícios só adquirem significado para os jogadores, se considerarmos o jogo de futebol na sua totalidade. O exercício é, em última análise, a estrutura de base de todo o processo responsável pela elevação, mantimento e redução do rendimento dos praticantes. Naturalmente, o sucesso obtido em treino e em competições está em relação directa com a eficácia do próprio exercício (Castelo, 2003). Os exercícios de treino devem conter a essência do jogo, em que cada exercício proposto, deve reproduzir fielmente a operacionalização das características do jogo formal, dimensionando as componentes físicas, técnicas, tácticas, de decisão, sistematizando os comportamentos dos jogadores em jogo (Vasques, 2003). 2.4.4 ESPECIFICIDADE DO EXERCÍCIO DE TREINO EM FUTEBOL O treino em futebol muitas vezes é repartido em preparação física e preparação técnico táctica, onde a preparação física engloba a metodologia do atletismo (Gregson e Drust, 2000) e a parte técnico / táctica engloba situações de jogo, não se considerando muitas das vezes os efeitos energéticos que essas situações poderão produzir nos atletas (Chanon, 1994). O Jogo não se deve dividir em diversas componentes, ou poderá se correr o risco de se desvirtuar a sua natureza fundamental (Queiroz, 1986). Pois apesar de em termos didácticos se poderem considerar as componentes física, técnica, táctica e psicológica no treino, o mesmo deverá ser abordado globalmente, através de formas jogadas (Ferreira e Queiroz, 1982). Teodoresco (1983), salienta a importância da criação de exercícios que produzam parcial ou integralmente o conteúdo e a estrutura do jogo, isto significa que o treino deverá incluir preferencialmente situações fundamentais do jogo (Nunes e Gomes – Pereira, 2001). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 44
  • 64.
    Revisão da Literatura Osúltimos desenvolvimentos na teoria do treino apontam para uma crescente especificidade, ou seja, para uma maior aproximação dos conteúdos e métodos de preparação às exigências da competição (Seirul-lo, 1987; Tschiene, 1990; Thiesse, 1995; Silva, 1998; Verkonshanskij, 2001; Bezerra, 2001). No desporto moderno, a especialização segue uma via de profundo aperfeiçoamento, regra geral, numa única espécie escolhida de exercícios competitivos ou num pequeno número de espécies muito próximas, quer em provas entre dois adversários quer em provas entre conjuntos (como modalidades desportivas) (Matvéiv, 1991). O mesmo autor sustenta que “os exercícios competitivos da modalidade escolhida desempenham um papel extremamente importante no treino, porque sem eles, é impossível reconstituir os requisitos específicos que cada modalidade impõe ao atleta e estimular, assim, a consecução de um determinado nível de treino”. “A funcionalidade específica dos diferentes sistemas orgânicos do praticante traduzidas pelas suas prestações desportivas, são condicionadas por pressões adaptativas específicas, determinadas por exercícios específicos os quais, por sua vez implicam a existência de um treino específico” (Castelo, 2002). Carvalhal (2002), define especificidade como uma palavra polissémica, em que para muitos, especificidade é, após uma caracterização das exigências do jogo de futebol nos aspectos físicos, treinar essa componente específica isoladamente, para outros é, após a observação do jogo, quantificar as acções técnicas: remates, passes, etc., treinar estes aspectos específicos de forma isolada e garantir uma adaptação. Definindo-a como um efeito coordenador de todo o trabalho. A especificidade não pode ser considerada como um fim em si própria, mas sim, como pressuposto fundamental na conceptualização e estruturação dos exercícios de treino cujo o desenvolvimento suportará no futuro, modelos de treino distintos que reproduzem total ou parcialmente, para cada modalidade desportiva em diferentes dimensões (por exemplo: técnico, técnico-tácticos, de ambiente, etc), construídos à semelhança (isomórfica ou analógica) da realidade competitiva (Castelo, 2002). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 45
  • 65.
    Revisão da Literatura Oprincípio da especificidade refere que os programas motores revelam particularidades singulares e que a sua adaptação é específica e está ligada à tarefa ou actividade realizada (McGwon, 1991). Por isso, os exercícios de treino devem procurar uma elevada transferência das acções seleccionadas para o jogo (McGwon, 1991; Garganta, 1998 e 1999a). Pelo contrário, a não especificidade do exercício de treino pode condicionar a transferência dos programas motores adequados para o jogo, bem como aumentar a dificuldade de melhorias posteriores a esse nível (Castelo, 2000). “O exercício de treino é específico quando consubstancia uma estrutura (objectivo, conteúdo, forma) que no seu conjunto provoca adaptações de base que estão na origem da elevação do rendimento dos jogadores e das equipas” (Castelo, 1996). O treino, ou situações de treino, só são verdadeiramente específicos quando houver uma permanente e constante relação entre as componentes técnicas- tácticas individuais e colectivas, psico-cognitivas, físicas e coordenativas, em correlação permanente com o modelo de jogo adoptado e respectivos princípios que lhe dão corpo (Vasques, 2003). O treino para ser específico deve simular numa determinada dimensão (macro ou micro) os princípios do modelo de jogo adoptado, Oliveira (1991) define que “só se poderá chamar especificidade à especificidade se houver uma permanente e constante relação entre as componentes psico-cognitivas, tácticas-técnicas, físicas e coordenativas, em correlação permanente com o modelo de jogo adoptado e respectivos princípios que lhe dão corpo”. O exercício deve-se identificar o mais possível com o tipo de jogo pretendido pelo treinador componentes técnica e táctica – por outro lado, ele deve contemplar as capacidades físicas – velocidade, força, resistência e flexibilidade específicas do futebol – subjacentes ao desenvolvimento do mesmo (Bezerra, 2001). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 46
  • 66.
    Revisão da Literatura Estanova filosofia de treino contempla a necessidade de se criarem exercícios que reproduzam as condições de variabilidade do jogo (Queiroz, 1986), para que exista uma grande identificação com o modelo de jogo pretendido pelo treinador, contemplando as capacidades físicas a ele subjacentes (Bezerra, 2001), onde o desenvolvimento das capacidades físicas deverá ser realizado através de formas jogadas num ambiente próximo do da competição (Ferreira e Queiroz, 1982; Nunes e Gomes – Pereira, 2001). Bangsbo (1994) salienta a dificuldade em organizar estes tipos de exercícios, pois requerem a disponibilização de mais tempo na sua organização e mais imaginação, assim como, a precedente avaliação para verificação do cumprimento dos objectivos do exercício. Tornando mais simples para o treinador o desenvolvimento físico separado das situações técnico tácticas. Embora seja mais complexa a organização deste tipo de exercícios, as vantagens são bastantes, para que se possa abdicar dos mesmos e utilizar a metodologia tradicional, segundo Gregson e Drust (2000) as vantagens são as seguintes: - Adaptações musculares específicas às solicitações da competição; - Maior disponibilidade de tempo para desenvolver outros aspectos de performance física que necessitam de treino mais específico (força, potência e flexibilidade), - Aumento da motivação dos jogadores no treino. 2.4.5 TAXONOMIA DOS EXERCÍCIOS DE TREINO A classificação dos exercícios de treino é determinante para todo o processo de treino. Por tal, foram vários os especialistas do treino que sentiram a necessidade de os classificar. Muitos autores procuram classificar os exercícios de treino, de uma forma variada e para várias modalidades com respectivas adaptações. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 47
  • 67.
    Revisão da Literatura Numatentativa de uniformização, Bragada (2000), tenta adaptar as classificações já existentes, numa classificação mais simples, de fácil compreensão e aplicabilidade em todas as modalidades desportivas, tendo em conta as três componentes do treino: condicional, técnica e táctica. Desta forma o autor pretende uma classificação racional e funcional, na qual os exercícios se associam aos fins e objectivos do treino, no contexto que realmente os justifica – o da respectiva modalidade. Tendo por base três critérios de referência: - O exercício específico da competição (modalidade); - Forma interna: características particulares do sistema neuromuscular e metabólico; - A forma externa: sequência dos movimentos. O mesmo autor classifica os exercícios como: a) Competitivos – prática das competições, em condições reais ou simuladas; b) Específicos – formas externas muito similares à sequência de movimentos competitivos, mas que apresentam desvios nas características da carga e/ou apenas abordam alguns elementos ou combinações complexas da competição. Podem privilegiar aspectos condicionais, coordenativos ou tácticos; c) Dirigidos – solicitam os grupos musculares responsáveis pelo rendimento competitivo, e/ou as capacidades coordenativas que lhe estão na base. d) Gerais – todos os restantes não compreendidos nas situações O quadro que se segue representa uma síntese de Bragada, (2000), da classificação de exercícios de treino realizada por vários autores especialistas na matéria. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 48
  • 68.
    Revisão da Literatura QuadroII-5: Síntese de vários autores com Classificação de Exercícios de Treino Bragada (2000). Autor Critério Classificação Caracterização 1. Desenvolvimento físico geral; 1.1. Exercícios sem cargas 1. Preparação física Geral: adicionais (calisthenics) – de condicional e coordenativa. acção indirecta; 2. Desenvolvimento e preparação 1.2. Exercícios baseados em específica e aprendizagem de Bompa Estrutura e forma do jogos relacionados com a habilidades técnicas específicas (1994) exercício modalidade. da modalidade. 2.Específicos de desenvolvimento 3. Elementos e variantes de de capacidades biomotoras tarefas específicas da modalidade (exercícios de acção directa). (ou simulação da competição ou 3. Exercícios seleccionados de de algumas componentes). determinado desporto. Especificidade do 1. Formação física geral exercício e potencial (multilateral) e para activação dos de treino (semelhança 1.Preparação geral condicional. Verjoshanski processos de recuperação. externa; tipo de 2. Preparação condicional (1990) 2. Aumento do nível de contracção muscular; específica. capacidade específica do mecanismos de organismo. produção de energia. 1. Bases para a especialização progressiva (melhoria das capacidades (e habilidades) técnicas e tácticas; e factores psicológicos) Finalidade 1.Desenvolvimento geral. Weineck 2. Construídos a partir dos Economia 2. Exercícios especiais. (1986 e 1988) anteriores (melhoria de Eficácia 3. Exercícios de competição. rendimento) 3. Complexos, em relação directa com a modalidade (afinação da totalidade do rendimento desportivo). 1. Acções completas (combinadas e/ou complexas) 1.1. Condições reais da competição 1.2. Simulação da competição ou de acções da competição 2. Elementos das acções 1.Competitivos competitivas, suas variantes e 1.1. Propriamente ditos acções semelhantes na forma e 1.2. Formas de treino de exrc. capacidade solicitadas. Criação Semelhança com a Matvéiv Competitivos de pré-requisitos do domínio da modalidade (1986) 2. Preparação especial técnica. (competição) 2.1. Preliminares 2.1. Domínio dos gestos técnicos. 2.2. De Desenvolvimento 2.2. Desenvolvimento das 3. Preparação geral capacidades físicas. 3. Preparação geral (multilateral) do atleta; Formação de aptidões de suporte e auxiliares do rendimento. Meio de educação de capacidades. Factor de repouso activo. Especificamente para o futebol, alguns autores especialistas na matéria realizaram a sua classificação tendo em conta as classificações realizadas por outros autores adaptando-as à modalidade em questão. Queiroz (1986), definiu a seguinte classificação de exercícios tendo em atenção um conjunto de reflexões de outros autores, no domínio específico do treino de futebol: ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 49
  • 69.
    Revisão da Literatura 1. Os Exercícios fundamentais: são todas as formas de jogo que incluem a finalização como estrutura elementar fundamental; ou seja são todos os exercícios em que, qualquer que seja a forma, a estrutura e a organização da actividade, a finalização (obtenção de golo), representa, no domínio das tarefas definidas, a meta fundamental a atingir. Este tipo de exercícios contempla três formas fundamentais distintas: i. Forma Fundamental I – ataque sem oposição sobre uma baliza; ii. Forma Fundamental II – ataque contra defesa sobre uma baliza; iii. Forma Fundamental III – ataque contra defesa sobre duas balizas. 2. Os Exercícios complementares: são todos aqueles em que, qualquer que seja a forma ou a estrutura organizadora da actividade, não incluem como estrutura de base fundamental a finalização; estes exercícios podem ser ainda caracterizados pelas: i. Formas integradas – são exercícios que incluem elementos de dois ou mais factores de preparação; ii. Formas separadas – são aqueles que incluem elementos de um factor de preparação e se desenvolvem fora das condições de jogo. Corbeau (1989), perspectivando o ensino e o treino de Futebol através de uma forte ligação ao jogo, propõe uma classificação com quatro tipos de exercícios: 1. Exercícios simples – são executados sem oposição e permitem abordar os gestos técnicos simples; 2. Exercícios intermediários – são realizados numa zona do terreno precisa e constituem-se pela soma de dois ou mais exercícios simples, tendo como objectivo um encadeamento técnico mais próximo do jogo; 3. Exercícios complexos – são formas de trabalho que se aproximam das condições reais do jogo e prevêem a presença de adversários; ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 50
  • 70.
    Revisão da Literatura 4. Jogo de Aplicação – o jogo é omnipresente e apresenta uma maior similaridade com o jogo formal. Para Godik e Popov (1993) os exercícios de treino para os futebolistas dividem- se em: 1. Exercícios especializados, cuja sua aplicação influencia simultaneamente todos os aspectos da preparação dos futebolistas; 2. Exercícios não especializados, através dos quais dos quais é possível desenvolver algumas capacidades motoras dos futebolistas. Os mesmos autores propõem ainda uma subdivisão para os exercícios especializados: i) Situacionais, que pretendem imitar as situações reais do jogo e, por isso, caracterizam-se por um maior efeito de treino, sobretudo se criam e materializam situações de finalização; ii) standard, cuja execução não requer soluções de problemas tácticos. Castelo (2003), faz a classificação dos exercícios de treino em função da sua especificidade. Numa avaliação preliminar e essencial o autor estabelece dois grandes tipos de exercícios de treino: (1) os de preparação específica e, (2) os de preparação geral. Definindo no entanto dois grandes tipos de exercícios: - os exercícios de preparação específica são conceptualizados na base de uma estrutura e de uma natureza, que estabelece uma relação de correspondência dinâmica cujas: (1) atitudes, (2) comportamentos motores, (3) regime de funcionamento orgânico do praticante e, (4) o respeito pelos regulamentos, devem ser similares ou idênticos aos contextos competitivos que cada modalidade desportiva em si encerra. - os exercícios de preparação geral que são caracterizados, contrariamente aos exercícios de preparação específica, por não ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 51
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    Revisão da Literatura apresentarem semelhanças com os contextos situacionais que derivam da competição do jogo de futebol. Partindo deste pressuposto Castelo (2003) estabeleceu um edifício taxonómico dos exercícios de treino consubstanciando à partida, três níveis fundamentais: 1. Os exercícios de preparação geral; 2. Os exercícios específicos de preparação geral; 3. Os exercícios específicos de preparação. A partir dos três níveis fundamentais considerados, procede à sua caracterização, apontando critérios de diferenciação para: • (1) Os exercícios de preparação geral – na prática são todos os exercícios que, para o exemplo estabelecido (jogos desportivos) não incluem a utilização da bola, como centro de decisão mental e acção motora do praticante; • (2) Os exercícios específicos de preparação geral – são todos os exercícios realizados em contextos situacionais “rudimentares” relativamente às condições objectivas em que se realiza a competição desportiva de uma dada modalidade. (…) Uma relação primordial do praticante com a bola sendo este elemento determinante da sua acção conjunta com um reduzido número de companheiros e adversários. (…) Estes exercícios não envolvem a concretização do objectivo fundamental do jogo, no caso do futebol o golo da baliza • (3) Os exercícios específicos de preparação – devem construir-se como núcleo central da preparação dos praticantes. Só com exercícios que derivam da contextualidade situacional do jogo é que é possível manter a “tensão dramática” do próprio jogo. Logo os exercícios específicos de preparação devem ser construídos de forma que os praticantes sintam que estes derivam verdadeiramente da lógica estrutural da modalidade desportiva que escolheram. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 52
  • 72.
    Revisão da Literatura Aproposta de grelha taxionómica de Castelo (2003) (Quadro, II-6), dos exercícios de treino, tem como critério de classificação um elemento fundamental do jogo, na mudança das escolhas e objectivos tácticos momentâneos de cada equipa – A Bola. Quadro II-7 – Grelha Taxionómica de Classificação dos Exercícios de Treino (Castelo, 2003) Grelha Taxionómica Proposta por Castelo (2003) de Classificação dos Exercícios de Treino “são todos os exercícios que não incluem a utilização da 1. Exercícios de Preparação Geral bola, como centro de decisão mental e acção motora do jogador” 1. A. Exercícios de corrida contínua ou variável 1. B. Exercícios que procuram aumentarem a taxa de produção de força. (…) São construídos na base das diferentes formas de manifestação da força. (Exemplo: abdominais, Flexões/extensões de braços) 1. C. Exercícios de velocidade. (…) Procuram melhorar as diferentes formas básicas de manifestação da velocidade…” (Exemplo: velocidade de reacção, capacidade de aceleração, velocidade em distância curta, …) 1. D. Exercícios que procuram melhorar ou manter os níveis de flexibilidade.” “Estabelecem a relação do praticante com a bola mas 2. Exercícios Específicos de Preparação não envolvem a concretização do objectivo fundamental Geral do jogo, isto é (…) o golo na baliza adversária.” 2. A. Situações de treino das acções técnicas individuais. Através de circuitos técnicos em que cada jogador com a sua bola executa um conjunto de estações técnicas específicas, diferenciadas pelo programa motor e pela sua velocidade de execução. 2. B. Situações de treino das acções técnicas em grupo. (a dois, três, quatro, etc.), através das quais as acções de passe são realizadas com diferentes trajectórias, situações de duelo, 1x1, 2x2… 2. C. Exercícios de posse de bola. Organizados para dois grupos de jogadores. 2. D. Exercícios para potenciar a acção técnica de um ou mais jogadores. “… São organizados para que um ou mais praticantes terem de receber constante e permanentemente a bola por forma, por um lado, a pressioná-lo na sua decisão, e por outro lado, constituírem-se como alvos em que os seus companheiros terão continuamente que solicitar.” 2. E. Exercícios de dominante técnico – lúdico – recreativa (Exemplo: ténis – futebol, meiínho, …) “…devem ser construídos para que os jogadores sintam 3. Exercícios Específicos de Preparação que estes derivam verdadeiramente da lógica estrutural da modalidade desportiva…” ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 53
  • 73.
    Revisão da Literatura QuadroII-7 – Grelha Taxionómica de Classificação dos Exercícios de Treino (Castelo, 2003) (Cont.) Grelha Taxionómica Proposta por Castelo (2003) de Classificação dos Exercícios de Treino (Cont.) 3. A. No primeiro nível, os exercícios específicos de treino caracterizam-se pela acção ofensiva de um ou mais atacantes que desenvolvem as suas acções até finalizarem (…) sem haver oposição de defesas. (…) Constroem-se sobre uma baliza (…) com um ou mais atacantes e sem oposição defensiva. (a sua fórmula base varia de 1x0+GR …até 10x0+GR). 3. B. No segundo nível, caracterizam-se pela acção ofensiva de um ou mais atacantes que desenvolvem as suas acções até finalizarem (…) com oposição de defesas, que estarão em igualdade, inferioridade ou superioridade numérica. (…) Constroem-se sobre uma baliza (…) com um ou mais atacantes e com oposição defensiva. (a sua fórmula base varia de 1x1+GR … até 10x10+GR) 3.C. No terceiro nível, caracterizam-se pelo facto de quem ataca poder perder a posse da bola e por essa razão ter de defender a sua baliza (…) pois irá sofrer o ataque de quem estava a defender. (…) Constroem-se sobre duas balizas em que os jogadores têm de desenvolver permanentemente atitudes e comportamentos técnicos / tácticos de cariz ofensivo e defensivo. (a sua fórmula base varia de GR+1x1+GR … até GR+10x10*GR). 3.C1. Jogos Treino 3. D. Situações de bola parada (esquemas tácticos) Ramos (2003), propõe uma taxionomia próxima à do Castelo (2002), considerando-a a partir de critérios para as categorias dos exercícios que serão considerados em: a) Exercícios essenciais, onde inclui o elemento essencial do jogo “atirar à baliza / defender a baliza”; b) Exercícios Complementares: - Exercícios complementares especiais com oposição, não tem como finalidade (próxima, nem última) “atirar à baliza/defender a baliza”, são realizados com a bola, mas as acções são realizadas “em condições de adversidade”, com oposição de objectivos do(s) adversário(s); - Exercícios complementares especiais sem oposição, não têm como finalidade (próxima, nem última) “atirar à baliza/defender a baliza”, são realizados com bola, e as acções são realizadas livres de adversário (s). c) Exercícios gerais “não incluem bola”. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 54
  • 74.
    Revisão da Literatura 2.4.6 ESTRUTURA DA CARGA DE TREINO Marques et al. (2000), afirmam ainda não ser possível nos tempos que decorrem construir um modelo teórico sobre a dinâmica da carga no processo de treino, que contribua de uma forma positiva, para o longo percurso de desenvolvimento e formação dos atletas. No entanto, os autores em questão aceitam como principal orientação para o processo de treino, no que concerne à gestão organização e estruturação da dinâmica das cargas, o aumento progressivo das componentes da carga (volume, intensidade, frequência e densidade). Entre os especialistas na matéria é relativamente consensual o princípio que se rege pelo aumento da carga de treino através do volume, no entanto, este aumento está condicionado pelas obrigações escolares dos atletas, sendo assim essencial melhorar, progressivamente a eficácia das cargas de treino utilizadas, conseguindo para um mesmo tempo de treino uma melhor qualidade (Marques e col., 2000). 2.4.7 CARGA DE TREINO E COMPETIÇÃO EM CRIANÇAS E JOVENS NOS DESPORTOS COLECTIVOS No que concerne à carga de treino e competições anuais para crianças e jovens nos desportos colectivos, estudos recentes realizados no nosso país (Quadros II-8, II-9 e II-10), demonstram que o número de cargas de treino e competição aumentam segundo o escalão etário, o que é sustentado pela literatura da especialidade (Marques e col., 2000; Pinto e col., 2001; Pinto e col., (2003), sendo esta realidade apoiada pelo principio da do aumento sistemático da carga (Pinto e col. 2003). No entanto, os valores encontrados, em comparação com estudos realizados noutros países, são inferiores (Quadro II-11), o que leva Marques e col. (2000) a afirmarem que os jovens Portugueses na faixa etária 13-15 anos, poderão estar a treinar menos do que o que deveriam. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 55
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    Revisão da Literatura QuadroII-8: Valores médios de treino (número de sessões, dias de treino no ano e frequência de treino), competições (oficiais e de preparação) e proporção entre unidades de treino / competições (adapt. de Marques e col., 2000; Santos, (2001; Pinto e col., 2001) Treino Competições Escalão Proporção Unidades/ Não Autor Etário Dias/ano Frequência Oficiais Total Treino/competição ano oficiais 10 / 12 81.7 229.7 2.5 25.5 5.8 31.2 2.6:1 Marques e col. 13 / 15 93.4 232.1 2.8 20.5 3.7 24.3 3.8:1 (2000) 12 / 14 104.6 264.6 2.75 20.6 5 25.6 3.6:1 Santos 15 / 19 136.3 271 3.49 30 6.3 36.3 3.8:1 (2001) Pinto e 12 /14 116.14 279.43 3.00 23.29 7.00 25.29 4.88:1 col. (2001) Quadro II-9: Valores de treino para: n.º sessões, média de horas por semana, duração média, horas por época e total de unidades (Pinto e col., 2003) Época/escalão Sessões/semana Horas/semana Duração treino Horas/ano Total Autor 88/89/ 3.2 5.24 98.32 204.4 126 Iniciados 89/90/ 3.5 5.66 96.96 226.4 140 Iniciados Pinto e col. 90/91 4 7.2 107.4 263.1 147 (2003) Cadetes 94/95 4.2 7.6 118.6 298.5 151 Cadetes Quadro II-10: Carga de treino e competição: n.º de competições oficiais, não oficiais e relação treino/competição (Pinto e col., 2003) Competições Época/escalão Relação treino/ comp. Autor Oficiais Não oficiais Total 88/89 34 6 40 3.15:1 Iniciados 89/90 27 7 34 4.12:1 Iniciados Pinto et 90/91 al. (2003) 38 4 42 3.5:1 Cadetes 94/95 44 5 49 3.1:1 Cadetes Já pinto et al. (2003), quanto ao que a literatura indica como valores de referência para os escalões estudados pelos mesmos, consideram que estes revelam uma descontextualização evidente, essencialmente quando se comparam com propostas oriundas de realidades desportivas diferentes ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 56
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    Revisão da Literatura (teoriasligadas aos desportos individuais e a níveis de exigência desportivos elevados). Os valores encontrados por Pinto et al. (2001) e Santos (2001) são ligeiramente superiores aos encontrados por Marques (1993) e Marques et al. (2000), no entanto os valores encontrados pelos estudos referidos, realizados no nosso país, são inferiores aos propostos pelos especialistas estrangeiros (Quadro II-11). Quadro II-11: numero de dias de preparação e frequência de treino (adap. de Marques e col. 2000; Marques, 1993; Martin, 1999; Santos, 2001; Pinto e col., 2001). Autor Escalão etário Dias de preparação Frequência de treino Grosser et al. (1986) cit por 9-12 240-270 3-6 Marques e col. (2000) 13-14 300 5-10 10-12 291 2.8 Marques (1993) 13-15 285 2.5 10-12 315 2-4 Martin (1999) 13-15 315 4-6 10-12 230 2-5 Marques e col. (2000) 13-15 232 2-8 12 -14 265 2.8 Santos (2001) 15-19 271 3.5 Pinto e col. (2001) 12-14 279 3.0 2.4.8 CONTEÚDOS DE TREINO E SUA IMPORTÂNCIA NO TREINO DE CRIANÇAS E JOVENS Marques e col. (2000), no seu estudo (Quadro II-2), caracterizaram a carga de treino para cada conteúdo de treino, verificando que os treinadores Portugueses dão mais importância a certos conteúdos em detrimento de outros. Os autores verificaram, que os conteúdos de treino que desempenham uma maior importância na estruturação do treino para estas idades (10-12 anos; 13-15 anos) têm a seguinte ordenação: táctica, técnica, resistência de longa duração, endurance muscular e flexibilidade. Denotando-se a prioridade dada pelos treinadores, aos aspectos da táctica e da técnica algo que é defendido por Martin (1999) ao sustentar que, para estas idades os treinadores ao desenvolverem os sistemas de informação e neuro – motores, isto é, os ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 57
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    Revisão da Literatura aspectosda técnica e da táctica estão a revelar uma estratégia orientada para a qualidade nos conteúdos de treino. Assim como importantes capacidades motoras como a resistência de longa duração, a flexibilidade e a resistência muscular, estão a ser desenvolvidas nesta fase de desenvolvimento do processo de treino. No entanto, os autores referenciados, nos resultados do estudo em questão encontraram valores que contrariam essa qualidade de treino, ao denotarem que as capacidades de velocidade desempenham um papel de relevância menor (5% do tempo total de treino), capacidade motora considerada por Martin (1999) de extrema importância para formação motora e desportiva dos jovens atletas do grupo de idades de 10-12 anos. Assim como a força rápida que igualmente lhe é atribuída uma importância reduzida. Marques e col. (2000), no seu estudo também verificaram que no grupo de idades 13-15 anos, os resultados são bastante reduzidos para o que Martin (1999) sugere no treino da força máxima (0%), da resistência de curta (0%) e média duração (0,79%). Os autores consideram que menos de 1% do treino total durante uma temporada completa, corresponde a diminutas exigências de qualidade no treino. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 58
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    Revisão da Literatura QuadroII-12: Características da carga de cada conteúdo do treino nos dois grupos de idades: valores médios em minutos durante uma sessão de treino padrão, valor total em minutos e valores percentuais durante uma temporada desportiva (adapt. de Marques e col., 2000) Grupo de Idades 10-12 Grupo de Idades 13-15 Conteúdos do Treino Média ± Dp T.Total % Média ± Dp T.Total % Resistência Muscular 5.5±6.1 603.5 6.43 3.7±5.4* 494.0 4.67 Força Rápida 0.2±1.3 31.6 0.20 0.5±3.0* 102.4 0.69 Resistência de Longa Duração 6.2±7.5 637.2 7.26 6.1±8.1 728.8 7.07 Resistência de Média Duração 0.5±2.7 11.1 0.55 0.6±2.5 184.6 0.79 Resistência de Curta Duração 0.1±0.8 10.0 0.07 0.0±0.0* 0 0.00 Velocidade de Reacção 2.2±4.2 212.1 2.55 0.5±2.7* 74.6 0.63 Velocidade de Execução 0.6±2.4 144.7 0.69 0.1±0.5* 16.0 0.06 Velocidade de Deslocamento 2.0±4.9 338.6 2.31 0.7±3.1* 63.3 0.92 Resistência de Velocidade 0.1±0.6 15.0 0.05 0.2±2.3 108.7 0.29 Flexibilidade 3.5±5.0 442.1 4.00 5.0±5.1* 672.4 6.27 Coordenação 2.8±5.2 522.0 3.41 1.9±6.2* 274.9 2.41 Técnica 25.4±19.9 2427.3 29.90 27.1±19.2 2632.7 34.47 Táctica 35.9±20.8 2991.5 42.58 32.7±22.4* 3236.8 41.71 Tempo total de treino 86.1±9.8 7242.9 100.0 79.0±18.1* 7449.2 100.0 ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 59
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    Metodologia III. METODOLOGIA 3.1 OBJECTIVOS 3.1.1 OBJECTIVO GERAL O objectivo principal deste estudo é conhecer qual a estrutura do treino no futebol, nos escalões de iniciados e juvenis, perceber as diferenças essenciais entre as estratégias de formação utilizadas nos dois escalões e compará-las com os modelos de referência. 3.1.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS Para que o objectivo deste estudo se concretize, é pretendido atingir os seguintes objectivos específicos: - Caracterizar a estrutura do treino nos dois escalões. - Verificar e identificar as principais diferenças da estruturação do treino entre o escalão de iniciados e juvenis, comparando essa estruturação com o que a literatura sugere para estas idades no que se refere: (1) aos exercícios de treino – gerais ou específicos – utilizados; (2) aos conteúdos de treino valorizados na formação – físicos, técnicos, técnico/tácticos; (3) aos métodos de treino privilegiados para cumprir as estratégias de formação. 3.1.3 HIPÓTESES ORIENTADORAS DO ESTUDO Em função dos objectivos definidos para a realização do nosso estudo, delimitámos quatro hipóteses orientadoras. Estas, devido à orientação metodológica do estudo, não estão vocacionadas à confirmação ou negação da sua veracidade, tendo como principal objectivo a contribuição para uma melhor definição e clarificação das vias a serem seguidas pela pesquisa. HIPÓTESE 1 – A estruturação do treino do escalão de iniciados difere da estruturação do treino do escalão de juvenis. HIPÓTESE 2 – O aumento da especificidade do treino é proporcional ao aumento da idade dos atletas. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 61
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    Metodologia HIPÓTESE 3 – Os treinadores de iniciados e juvenis de Futebol dão prioridade ao desenvolvimento dos aspectos técnicos e técnico/tácticos em detrimento dos aspectos físicos. HIPÓTESE 4 – As capacidades motoras desenvolvem-se através de uma exercitação conjugada com as habilidades técnico e técnico/tácticas, acompanhando as novas tendências de treino em Futebol. 3.2 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA O Quadro que se segue, caracteriza a amostra do nosso estudo. Quadro III-1: Principais características da amostra Unidades de Treino Escalão Etário Equipas Total 12-14 (Iniciados) 334 3 14-16 (Juvenis) 291 3 Total 625 6 Para a realização deste estudo, foram analisadas 625 unidades de treino de jovens jogadores de Futebol do sexo masculino. Para tal, foram revistos seis dossiers, dos quais três pertencem a equipas do escalão de iniciados, e os restantes a três equipas do escalão de juvenis. O quadro III – 2, tem por objectivo a descrição das equipas que constituem a amostra do nosso estudo, através da quantificação do número de treinos e competições formais realizados durante um período anual de treino, assim como, a razão entre o número de treinos e o número de competições. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 62
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    Metodologia Quadro III-2: Caracterizaçãodas equipas pertencentes ao estudo, número de treinos, número de competições, razão treino/competições Iniciados Equipas n.º de Treinos n.º de Competições Razão Treino/Competição Equipa A (02/03) 98 28 3,5/1 Equipa B (02/03) 117 38 3,0/1 Equipa C (02/03) 119 29 4,1/1 Total / média razão trein./comp 334 95 3,5/1 Juvenis Clube/Época n.º de Treinos n.º de Competições Razão Treino/Competição Equipa D (02/03) 135 38 3,6/1 Equipa E (03/04) 71 24 3,0/1 Equipa F (03/04) 85 22 3,7/1 Total / média razão trein./comp. 291 84 3,5/1 As equipas que deram origem às sessões de treino por nós analisadas, pertencem na sua maioria à Associação de Futebol do Porto, excepto a Equipa D, que pertence à Associação de Futebol de Aveiro. O número de treinos e competições, varia entre as equipas analisadas, verificando-se que as equipas do escalão de iniciados têm um número de treinos (334) e competições (95) superiores aos juvenis (treinos - 291, competições - 84). A equipa de iniciados que mais treina é a Equipa C, tendo uma razão de treino / competições de 4,1/1, a equipa de juvenis que mais treina é a Equipa F, pois a razão treino / competições é de 3,7/1. As Equipas A, B, C e D pertencem aos centros de treino da Faculdade de Desporto e Educação Física do Porto, da Universidade do Porto, da época 2002 / 2003. As Equipas E e F pertencem aos centros de treino da mesma Faculdade, mas da época 2003 / 2004 3.3 MÉTODO DE PESQUISA O nosso estudo tem como pretensão, a caracterização da estrutura de treino utilizada na preparação de jovens futebolistas portugueses (iniciados e juvenis), comparando-a com o que a literatura sugere. Trata-se de uma pesquisa de natureza exploratória e descritiva. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 63
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    Metodologia 3.3.1 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS DE PESQUISA Os procedimentos utilizados para a realização deste estudo, baseiam-se no método de análise documental (Schnabel et al. 1987) e são do tipo descritivo – comparativo, permitindo-nos traçar as orientações seguidas na organização e estruturação do treino, no escalão de iniciados e juvenis em futebol. Procedeu-se a uma pesquisa documental, em torno dos dossiers de treino do centro de treino de Futebol da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto (FCDEF-UP). Os dossiers incluem os planos de preparação, que os alunos do 4º ano da licenciatura de Desporto e Educação Física da FCDEF-UP, da opção de futebol, realizaram, ao terem a seu cargo uma determinada equipa, e por tal, a responsabilidade de todo o planeamento, estruturação e organização do treino dessa mesma equipa. Os dossiers são, um instrumento auxiliar do treinador, para toda a organização do processo de treino, não um documento preparado para a realização de estudos científicos. Somente foi possível a realização de um trabalho criterioso de detecção, recolha e tratamento de informação, devido aos documentos em análise se apresentarem estruturados e organizados de acordo com as normas de orientação precisas, formuladas nos Estudos do Centros Experimentais de Treino Desportivo da FCDEF-UP (Marques, 1982) 3.3.2 CATEGORIZAÇÃO E DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS Para a realização do nosso estudo, foram objecto de análise nos dossiers de treino, as cargas de treino, os métodos de treino e os conteúdos de treino desenvolvidos através dos distintos exercícios de treino (exercícios de preparação geral (E.P.G.), exercícios específicos de preparação geral (E.E.P.G.), exercícios específicos de preparação (E.E.P.)). A grande parte da categorização e definição das variáveis do estudo, têm como base empírica a classificação dos exercícios de treino de Queiroz (1986) e Castelo (2003). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 64
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    Metodologia 3.3.2.1 EXERCÍCIOS DE TREINO Os exercícios de treino foram subdivididos nas seguintes categorias de análise: a. Exercícios de preparação geral: exercícios de treino que não incluem a utilização da bola, como centro de decisão mental e acção motora do jogador. b. Exercícios específicos de preparação: Exercícios de treino que estabelecem a relação do jogador com a bola, mas não envolvem a concretização do objectivo fundamental do jogo, isto é, do golo na baliza adversária. c. Exercícios de treino que estabelecem a relação do jogador com a bola e a concretização objectivo fundamental do jogo – golo na baliza adversária. 3.3.2.2 CARGA DE TREINO Para análise desta categoria, foi verificado o volume de treino (tempo total e parcial de treino em minutos e percentagens) para os seguintes conteúdos de treino: - Desenvolvimento das capacidades motoras: Resistência (aeróbia e anaeróbia; Força (resistente, rápida/explosiva, máxima); Velocidade (reacção, execução, deslocamento, resistente); Flexibilidade (activa e passiva); Coordenação (capacidade de reacção, capacidade rítmica, capacidade de equilíbrio, capacidade de diferenciação); - Técnica: aperfeiçoamento de um determinado gesto técnico ou gestos técnicos (passe, recepção, remate, etc.) - Técnico / Táctica: desenvolvimento de conjunto de movimentos (gestos técnicos, demarcações, etc.) adaptados às situações tácticas (ataque organizado, contra ataque, etc.), de acordo com o modelo de jogo adoptado pelo treinador. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 65
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    Metodologia 3.3.2.3 MÉTODOS DE TREINO Em relação aos métodos de treino optámos por verificar: a. Desenvolvimento das capacidades motoras condicionais (resistência, força, velocidade) através de: - Exercícios sem posse de bola: através dos E.P.G. - Exercícios com posse de bola: através dos E.E.P.G. e E.E.P. b. Desenvolvimento dos conteúdos de treino através de exercícios: - Complementares (E.C.): todos os exercícios que não incluem como estrutura de base fundamental a finalização, subdivididos nas seguintes subcategorias de análise: exercícios sem oposição adversária; exercícios com a oposição adversária. - Fundamentais (E.F.): todos os exercícios que englobam as formas de jogo, que por sua vez, incluam a finalização como estrutura elementar fundamental, subdivididos em três formas fundamentais: Fase I – ataque sem oposição sobre uma baliza; Fase II – ataque contra defesa sobre uma baliza; Fase III – ataque contra defesa sobre duas balizas. 3.3.2.4 CONTEÚDOS DE TREINO No concerne aos conteúdos de treino, foi nossa opção, verificar: a. Os conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.P.G: - Capacidades motoras condicionais: resistência aeróbia, resistência anaeróbia; força resistente, força rápida / explosiva, força máxima; velocidade de reacção, velocidade de deslocamento, velocidade resistente; flexibilidade activa, flexibilidade passiva. - Capacidades coordenativas: capacidade de reacção, capacidade de ritmo, capacidade de equilíbrio, capacidade de diferenciação, capacidade de orientação. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 66
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    Metodologia b. Os conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P.G./ E.C: resistência específica (desenvolvimento desta capacidade aliada a uma determinante técnica ou técnico / táctica); força específica (desenvolvimento desta capacidade aliada a uma determinante técnica ou técnico / táctica); velocidade específica (desenvolvimento desta capacidade aliada a uma determinante técnica ou técnico / táctica); técnica; técnico / táctica. Desenvolvimento esse que poderá ser efectuado utilizando: - Exercícios sem oposição - Exercícios de oposição com igualdade numérica - Exercícios de oposição com superioridade numérica no ataque - Exercícios de oposição com superioridade numérica na defesa c. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase I: análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.). Utilizando a seguinte estruturação de exercícios: - 1x0+gr: acção ofensiva com um atacante, sem oposição defensiva, que desenvolve as suas acções sobre uma baliza com o objectivo de finalizar; - 2x0+gr: acção ofensiva de dois atacantes, sem oposição, desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito de finalizarem; - 3x0+gr: acção ofensiva de três atacantes, sem oposição, desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito de finalizarem; - Mais de 3x0+gr: acção ofensiva com mais de três atacantes, sem oposição, desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito de finalizarem. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 67
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    Metodologia d. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase II: análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.). Utilizando a seguinte estruturação de exercícios: - Exercício com superioridade numérica no ataque: acção ofensiva de dois ou mais atacantes, com oposição defensiva, sendo que existe sempre superioridade no ataque no desenvolvimento das acções ofensivas sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização. - Exercício com igualdade numérica: acção ofensiva de um ou mais elementos, com oposição, caracterizando-se por no desenvolvimentos das acções ofensivas haver igual número de atacantes e defensores sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização; - Exercício com superioridade numérica na defesa: acção ofensiva de um ou mais elementos, com oposição defensiva, caracterizando-se por no desenvolvimento das acções ofensivas haver sempre inferioridade numérica do ataque sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização. e. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase III: análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.). Utilizando a seguinte estruturação de exercícios: - Jogo reduzido: formas jogadas, onde o número de jogadores é reduzido em comparação com o jogo formal, assim como as dimensões do terreno e balizas, no entanto as regras do jogo são idênticas (ex. 2x2, 3x3, etc.); - Jogo reduzido e condicionado: formas jogadas, onde o numero de jogadores é reduzido em comparação com o jogo formal, assim como as dimensões do terreno e balizas, nesta situação as regras do jogo são condicionadas aos objectivos dos treinadores (máximo dois toques na bola, só podem finalizar de pois da bola ter passado por todos, etc.) onde também poderá não existir igualdade numérica (3x2, etc.); ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 68
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    Metodologia - Jogo formal: situação de 11x11, com as regras e dimensões idênticas às da competição. - Jogo formal condicionado: situação de 11x11, onde as regras do jogo são condicionadas aos objectivos dos treinadores (máximo dois toques na bola, só podem finalizar de pois da bola ter passado por todos, jogar num espaço mais reduzido, em meio campo 11x11, etc.) onde também poderá não existir igualdade numérica (3x2, etc.); 3.4. PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS O estudo estatístico, realizado com o SPSS 10.0, incluiu uma análise de frequências, das medidas descritivas, tais como as médias, desvios-padrão e percentagens, e um T-test para comparação de escalões etários. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 69
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    Apresentação e Discussãodos Resultados IV. Apresentação e Discussão dos Resultados 4.1 EXERCÍCIOS DE TREINO O quadro que se segue demonstra o nível de utilização dos vários exercícios de treino (E.P.G, E.E.P.G e os E.E.P) por parte dos treinadores de futebol no escalão de iniciados e juvenis, pertencentes à amostra em estudo. Quadro IV-1: Utilização de exercícios de treino e tempo total de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios de Treino Média ± Dp Soma % Ex. de Preparação Geral 23,2±16,1 14472 28,0 Ex. esp. de prep. Geral 19,3±15,7 12042,8 23,2 Ex. esp. de Preparação 40,4±22,4 25236,2 48,8 Tempo Total de Treino 82,8±20,9 51751 100 Verifica-se através destes dados que os treinadores na faixa etária dos 12 aos 16 anos, correspondente aos escalões de formação de iniciados e juvenis, dão mais importância aos exercícios específicos de preparação (49%) em detrimento dos exercícios específicos de preparação geral (23%) e dos exercícios de preparação geral (28%). Algo que não é surpreendente, uma vez que Marques e col., (2000) num estudo realizado em Portugal sobre a estrutura do treino de jovens atletas em jogos desportivos colectivos, obtiveram resultados semelhantes. Denota-se que os treinadores das faixas etárias em questão dão bastante importância à preparação geral (EPG e EEPG), contemplando-a nos treinos dos seus atletas. A soma dos exercícios de preparação geral, num período anual de treino do nosso estudo revela que, nos iniciados o treino é subdividido em (50,1 %) preparação geral e (49,9 %) preparação específica, nos juvenis (52,5%) preparação geral e (47,7%) preparação específica. Estes valores demonstram que, os treinadores em questão dão bastante importância aos exercícios de preparação geral, algo que é apoiado pela literatura da especialidade, pois anterior à aquisição de toda a estrutura complexa dos gestos e das acções desportivas deverá estar uma cultura motora não especializada, constituída por um repertório de gestos motores e comportamentos motores que se caracterizam por serem mais simples, sem o ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 71
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    Apresentação e Discussãodos Resultados qual não se evoluirá de forma eficiente e estável, no aprofundamento do rendimento desportivo (Marques e Oliveira, 2001). No quadro IV-2, podemos observar os resultados referentes, à média em minutos de treino e percentagens de treino utilizados, numa unidade de treino tipo para cada escalão etário. Quadro IV-2: Utilização de exercícios de treino e tempo total de treino para os escalões de iniciado e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Exercícios de Treino Média ± Dp % Média ± Dp % Exercício de Preparação Geral 25,8±18,8 30,2 20,0±11,7* 25,2 Ex. Específico de Preparação Geral 17,1±14,9 19,9 21,7±16,2* 27,3 Exercício Específico de Preparação 42,8±22,9 49,9 37,6±21,5* 47,4 Tempo Total de Treino 85,8±24,3 100 79,4±15,5* 100 *Estatisticamente significativo p< 0,05. Ao analisarmos os resultados do quadro, verificamos que em consonância com os resultados de Marques e col. (2000), num estudo realizado em Portugal sobre a estrutura do treino em jogos desportivos colectivos (Futebol; Basquetebol; Andebol; Voleibol), se bem que para faixas etária distintas 10-12 e 13-15 anos, o grupo etário mais jovem tem uma média de minutos de treino superior (85,8±24,3) ao grupo etário de idade mais avançada (79,4±15,5) (p<0,05). Denota-se que no escalão de iniciados (25,8±18,8) é dada mais importância aos exercícios de preparação geral do que no escalão juvenil (20,0±11,7) (p <0,05), tal é suportado pela literatura. No que se refere aos exercícios específicos de preparação geral verifica-se que no escalão de juvenis (21,7±16,2), este tipo de exercícios são mais utilizados para a preparação dos atletas do que no escalão de iniciados (17,1±14,9) (p <0,05), o que está de acordo com o que os especialistas defendem uma vez que sugerem que o nível de especificidade do treino deverá ser proporcional ao aumento da idade. Tal não se verifica nos exercícios específicos de preparação, pois os iniciados no nosso estudo têm uma média de minutos de treino (42,8±22,9) superior ao escalão juvenil (37,6±21,5) (p <0,05). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 72
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    Apresentação e Discussãodos Resultados Ao analisarmos o quadro (IV-2), verificamos que no escalão de juvenis os EEPG tem uma utilização ligeiramente superior (27,3%) em relação aos EPG (25,2%). Tal é defendido pela literatura, pois autores como (Teodoresco, 1983; Nunes e Gomes – Pereira, 2001), salientam a importância da criação de exercícios que reproduzam parcial ou integralmente o conteúdo e a estrutura do jogo. Bezerra (2001) refere que as capacidades físicas devem ser desenvolvidas através de formas jogadas num ambiente próximo da competição (Ferreira e Queiroz, 1992; Nunes e Gomes – Pereira, 2001). 4.2 CARGAS DE TREINO 4.2.1 CARGA DE TREINO PARA CADA CONTEÚDO DE TREINO O quadro IV-3, procura demonstrar qual a importância dada pelos treinadores da faixa etária em estudo, ao desenvolvimento dos aspectos físicos, técnicos e técnico tácticos durante um período anual de treinos. Quadro IV-3: Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Conteúdos de Treino Média ± Dp Soma % Desenvolvimento Físico 34,0±21,0 21244,2 41,1 Desenvolvimento Técnico 6,6±10,2 4128,2 8,0 Desenvolvimento Técnico/Táctico 42,2±22,1 26378,5 50,9 Tempo Total de Treino 82,8±20,9 51751 100 O quadro IV-3, demonstra que os treinadores nestas idades dão prioridade aos aspectos técnico / tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos aspectos técnicos (8%). Estes valores contrastam com os valores encontrados por Pinto e col. (2001), estudo realizado em Portugal, sobre a análise da carga de treino e competição em Basquetebol no escalão de iniciados (12/14 anos), Santos (2001), estudo baseado numa análise das estruturas do treino e escalões de formação (12/14 e 15/19 anos) em Basquetebol, Pinto e col. (2003), num estudo de caso, sobre o planeamento do treino de jovens Basquetebolistas, onde foi realizada uma análise das cargas de treino, em dois escalões diferenciados (12/14 e 15/16 anos), de um treinador de referência e Marques e col. (2000) num estudo realizado em Portugal sobre a estrutura do treino em jogos desportivos colectivos (Futebol; Basquetebol; Andebol; Voleibol) nos ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 73
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    Apresentação e Discussãodos Resultados escalões de formação (10/12 e 13/15 anos), denotando-se que, os treinadores de futebol para o escalão etário em estudo dão bastante importância às questões técnico / tácticas, o que não difere dos resultados encontrados nos estudos referenciados. No entanto no que concerne aos aspectos físicos os nossos valores são bastante superiores. Já no que diz respeito ao desenvolvimento técnico de uma forma isolada, os nossos valores são muito inferiores aos encontrados pelos autores citados. O quadro IV-4, é referente à prioridade dada pelos treinadores ao desenvolvimento dos conteúdos em discussão, podendo verificar-se através dele, os valores médios da carga para os diferentes conteúdos de treino, assim como, as percentagens referentes a um período anual de desenvolvimento para uma sessão de treino padrão em futebol, em ambos os grupos etários. Através da sua análise, poderemos compreender melhor as diferenças existentes entre o nosso estudo e os estudos referenciados. Quadro IV-4: Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico, para o escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Conteúdos de Treino Média ± Dp % Média ± Dp % Desenvolvimento Físico 34,7±23,2 40,4 33,2±18,2 41,8 Desenvolvimento Técnico 7,6±11,4 8,9 5,5±8,6 6,9 Desenvolvimento Técnico/Táctico 43,5±23,0 50,7 40,7±20,9 51,3 Tempo Total de Treino 85,8±24,3 100 79,4±15,5* 100 *Estatisticamente significativo p< 0,05. Ao analisarmos o quadro, verificamos que não existem diferenças estatisticamente significativas (P <0,05) entre o escalão de iniciados e juvenis no que diz respeito às prioridades de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico. Comparando os valores da nossa amostra com os valores encontrados por Pinto e col. (2001), estudo realizado em Portugal, sobre a análise da carga de treino e competição em Basquetebol no escalão de iniciados (12/14 anos), assim como os encontrados por Santos (2001), estudo baseado numa análise das estruturas do treino e escalões de formação (12/14 e 15/19 anos) em Basquetebol e (Pinto e col. (2003), num estudo de caso, sobre o planeamento ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 74
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    Apresentação e Discussãodos Resultados do treino de jovens Basquetebolistas, onde foi realizada uma análise das cargas de treino, em dois escalões diferenciados (12/14 e 15/16 anos), de um treinador de referência (Quadro IV-5), denotamos que os treinadores pertencentes ao nosso estudo dão muito mais realce ao desenvolvimento físico (40%) e pouca importância ao desenvolvimento técnico (9%), que pelo contrário é o que mais se desenvolve nos estudos de Pinto e col. (2001) e Santos (2001), quanto ao desenvolvimento técnico / táctico o resultado do nossos estudo é ligeiramente superior (51%). Quadro IV-5: Percentagem da distribuição dos conteúdos de treino no basquetebol ( adaptado de Pinto e col., 2001; Pinto e col., 2003). Desenvolvimento Desenvolvimento Desenvolvimento Escalão Etário Autor Físico Técnico Táctico 13 / 14 30% 50% 20% Betrán (1996) 15 / 16 35% 40% 25% 12 / 14 5% 48% 47% Santos (2001) 15 / 19 4% 38% 59% 12 / 14 16% 45% 40% Pinto e col. (2001) 12 / 14 7% 45% 48% Pinto e col. (2003) 15 / 16 7% 33% 59% No escalão de juvenis (14-16), os nossos resultados, no desenvolvimento técnico / táctico (51%), aproximam-se dos resultados de Santos (2001) e de Pinto e col. (2003), mas mais uma vez, no que diz respeito ao desenvolvimento técnico (7%) os nossos resultados são inferiores, mas bastante superiores no desenvolvimento físico (42%). Também Marques e col. (2000), num estudo realizado em Portugal sobre a estrutura do treino em jogos desportivos colectivos (Futebol; Basquetebol; Andebol; Voleibol) nos escalões de formação (10/12 e 13/15 anos), realçaram a prioridade dada pelos treinadores às questões tácticas e técnicas, aos sistemas de informação e neuro - motores. O que segundo Martin (1999), se trata de uma estratégia orientada para a qualidade de treino, para fase de desenvolvimento dos atletas correspondente à faixa etária em questão no nosso estudo. Estes resultados poderão justificar-se, pela metodologia utilizada no nosso estudo, que poderá ter sido diferente à dos estudos referenciados. Uma vez ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 75
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    Apresentação e Discussãodos Resultados que por nós foi considerado, como desenvolvimento técnico, o aperfeiçoamento de um determinado gesto técnico ou gestos técnico (passe, recepção, remate, etc.) que a dado momento os treinadores tenham demonstrado interesse em desenvolver nos seus atletas, através dos exercícios complementares e fundamentais por nós considerados. Como desenvolvimento técnico / táctico, quando os treinadores demonstrassem pretensões que os seus atletas desenvolvessem a capacidade de, mediante uma determinada situação táctica (ataque organizado, contra ataque, circulação de bola, pressão zonal, etc.), optar por uma conjuntura de movimentos (gestos técnicos, demarcações, etc.) adaptados ao modelo de jogo idealizado pelos treinadores, através dos exercícios complementares e fundamentais por nós considerados. Ao mesmo tempo, na tentativa de acompanhar as novas tendências do treino, defendida por autores como Rui Faria e Carlos Carvalhal, que se contrapõem a periodização “convencional” para o Futebol, defendendo a periodização táctica, que tem por princípios o desenvolvimento físico mediante situações técnico / tácticas, isto é, um desenvolvimento físico adaptado às exigências do modelo de jogo adoptado pelo treinador. Mas também pelo facto dos autores, Santos (2001), Pinto e col.(2001) e Pinto e col.(2003), nos seus estudos realçarem a sua dificuldade no processo de recolha de dados, ao não contemplarem o desenvolvimento físico integrado, desenvolvimento físico associado a uma componente técnico / táctica, nos seus estudos e por os treinadores nem sempre definirem como objectivo esse mesmo tipo de treino. Por tal, optamos por verificar o desenvolvimento das capacidades condicionais (resistência, força, velocidade.) de uma forma específica, associada às componentes técnicas, ou técnico / tácticas através dos exercícios complementares e fundamentais considerados no nosso estudo. Consideramos que os resultados do nosso estudo, neste aspecto, estão de acordo com o que os autores consideram e apelam de “qualidade de treino”, uma vez que nos estudos por nós consultados, os valores da vertente física revelaram-se bastante reduzidos (Quadro IV-5), tal não se verifica no nosso estudo. No que diz respeito aos baixos valores da componente técnica do nosso estudo, poderá ser entendido como uma boa opção de treino, uma vez ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 76
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    Apresentação e Discussãodos Resultados que a técnica no Futebol deverá ser entendida como um conjunto de acções motoras especializadas que permitam resolver as tarefas do jogo, a principal função da técnica reside na sua utilidade para servir a inteligência e a capacidade de decisão táctica dos intervenientes do jogo. O ensino e treino da técnica em futebol não deverá restringir-se aos gestos em si, à vertente biomecânica do movimento, mas sim atender sobretudo às imposições da sua adaptação inteligente às situações de jogo (Garganta, 1997; Garganta, 2001; Garganta 2002). 4.2.2 CARGA DE TREINO PARA O DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES MOTORAS O Quadro IV-6, referencia o desenvolvimento das capacidades motoras em Futebol na faixa etária do 12 aos 16 anos, através dos valores médios da carga para os diferentes conteúdos de treino, assim como as percentagens referentes a um período anual, para uma sessão de treino tipo. Quadro IV-6: Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Conteúdos Média ± Dp Soma % Desenvolvimento da Resistência 15,8±12,5 9870,3 19,1 Desenvolvimento da Força 6,9±11,4 4309,0 8,3 Desenvolvimento da Velocidade 2,6±6,3 1662,2 3,1 Desenvolvimento da Flexibilidade 6,8±5,0 4226,2 8,2 Desenvolvimento Coordenativo 1,3±2,7 796,5 1,6 Verifica-se através da análise do quadro, que a resistência é a capacidade motora que mais se desenvolve (19%), seguindo-se a força (8%) e a flexibilidade (8%), sendo a velocidade (3%) e a coordenação (2%) o que menos se desenvolve na faixa etária dos 12 aos 16 anos em Futebol. O nosso estudo, revela que a resistência, a força e a flexibilidade estão a ser desenvolvidos nesta fase do processo de desenvolvimento dos atletas, o que revela uma estratégia orientada para a qualidade de treino por parte dos treinadores, estes resultados são coincidentes com os resultados encontrados por Marques e col. (2000), no entanto, assim como nos resultados encontrados por Marques e col. (2000) a velocidade e coordenação no nosso estudo tiveram ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 77
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    Apresentação e Discussãodos Resultados pouca relevância, capacidades que são de extrema importância serem desenvolvidas nestas idades. Martin (1991), citado por Marques (2000) sustenta que um incremento contínuo dos níveis de aprendizagem e de coordenação, assim como, um maior ênfase no desenvolvimento das capacidades de velocidade e de força rápida, são conteúdos de treino preponderantes para uma optimização de performance no futuro. O quadro que se segue procura demonstrar se existem diferenças entre o treino de iniciados e juvenis no desenvolvimento das capacidades motoras. Quadro IV-7: Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Conteúdos Média ± Dp % Média ± Dp % Desenvolvimento da Resistência 18,1±12,8 21,1% 13,2±11,7* 16,6% Desenvolvimento da Força 5,4±8,9 6,3% 8,6±13,5* 10,8% Desenvolvimento da Velocidade 3,1±6,8 3,6% 2,2±5,6 2,8% Desenvolvimento da Flexibilidade 5,8±4,8 6,6% 7,9±4,9* 9,9% Desenvolvimento Coordenativo 1,6±2,9 1,8% 0,9±2,4* 1,1% *Estatisticamente significativo p< 0,05. Através da análise do quadro, verificamos que existem diferenças significativas (p <0,05) no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades motoras entre o escalão de iniciados e juvenis, pois o treino dos iniciados revela um desenvolvimento superior da resistência e coordenação, já o treino dos juvenis dá mais importância ao desenvolvimento da força e flexibilidade. Ao contrário dos resultados de Santos (2001), estudo baseado numa análise das estruturas do treino e escalões de formação (12/14 e 15/19 anos) em Basquetebol, os resultados do nosso estudo demonstram que o escalão etário mais baixo desenvolve mais a resistência do que o escalão etário de mais idade. No que diz respeito ao desenvolvimento da força assim como nos resultados encontrados por Santos (2001), o escalão etário de idade mais avançada desenvolve mais esta capacidade do que o escalão etário de idade mais baixa. Tanto no desenvolvimento coordenativo como no desenvolvimento da flexibilidade os nossos resultados são contrários aos de Santos (2001). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 78
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    Apresentação e Discussãodos Resultados É importante realçar, que de uma forma geral, os nossos resultados revelam que os treinadores de Futebol dão grande realce ao desenvolvimento das capacidades motoras quando em comparação com os estudos por nós consultados. Sendo exemplo disso a comparação dos nossos resultados com os resultados encontrados por Santos (2001) (Quadro IV-8), se bem que para modalidades diferentes mas ambas desportos colectivos. Quadro IV-8: Características da carga de treino para cada conteúdo de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação (Adaptado de Santos, 2001). 12-14 14-19 Conteúdos Média ± Dp % Média ± Dp % Desenvolvimento da Resistência 0,09±0,96 0,12 0,36±1,66 0,40 Desenvolvimento da Força 0,72±0,75 0,80 2,41±5,21 2,70 Desenvolvimento da Velocidade 0,76±0,96 0,84 0,28±1,31 0,30 Desenvolvimento da Flexibilidade 2,68±1,07 3,13 0,21±1,74 0,21 Desenvolvimento Coordenativo 0,0±0,0 0 0,01±0,14 0,01 No entanto, cremos que os resultados da nossa amostra de uma forma geral, se revelam positivos, mas a nosso ver, requerem uma análise mais específica sendo necessário verificar o nível de desenvolvimento das diferentes formas de expressão das capacidades motoras em questão, algo que se poderá verificar no ponto 4.4.1 da análise e discussão dos resultados do nosso estudo. 4.3 MÉTODOS DE TREINO 4.3.1 METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES MOTORAS CONDICIONAIS O quadro que se segue, tem por objectivo demonstrar de que forma os treinadores de Futebol no escalão etário dos 12 aos 16 anos, desenvolvem as capacidades motoras condicionais (C.M.C) Quadro IV-9: Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Método de Treino Média ± Dp Soma % Des. Cap. motoras através de ex. s/ bola 23,2±16,1 14472 28,0 Des. Cap. motoras através de ex. c/ bola 10,8±11,5 6772,2 13,0 O quadro demonstra que os treinadores, nestas idades, tendem a desenvolver mais as capacidades motoras condicionais dos seus atletas de uma forma ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 79
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    Apresentação e Discussãodos Resultados separada das questões técnicas e tácticas, pois a utilização de exercícios sem posse de bola (28%) no seu desenvolvimento é superior à utilização de exercícios com posse de bola (13%). O que a nosso ver é compreensível, uma vez que a literatura aponta para que a especificidade do treino aumente com o aumento da idade, por tal o desenvolvimento mais específico das capacidades motoras condicionais deverá aumentar de uma forma gradual, à medida que a idade dos atletas aumenta. No entanto, Gomes – Pereira (2001); Bangsbo (1994), defendem o desenvolvimento das capacidades motoras aliadas aos gestos técnicos e técnico / tácticos. Os autores consideram que o desenvolvimento físico deve ser adaptado às exigências do modelo de jogo idealizado pelo treinador, isto é adaptado à competição, tal não se verifica no nosso estudo, pois a percentagem do desenvolvimento físico sem bola é inferior ao desenvolvimento físico com bola. O facto dos treinadores geralmente utilizarem mais o desenvolvimento físico separado das questões técnico e técnico / tácticas, poderá justificar-se segundo (Bangsbo, 1994), pela dificuldade em organizar-se este tipo de exercícios, pois requerem a disponibilização de mais tempo na sua organização e mais imaginação, assim como, a precedente avaliação para a verificação do cumprimento do exercício, tornando-se mais simples para o treinador o desenvolvimento físico separado das situações técnico e técnico / tácticas. O Quadro IV-10, descreve a opção metodológica de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais dos iniciados e juvenis. Quadro IV-10: Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Método de Treino Média ± Dp % Média ± Dp % Des. Cap. motoras através de ex. s/ bola 25,8±18,8 30,1 20,0±11,7* 25,2 Des. Cap. motoras através de ex. c/ bola 8,8±9,8 10,2 13,1±12,8* 16,5 *Estatisticamente significativo p< 0,05. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 80
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    Apresentação e Discussãodos Resultados O quadro demonstra que os treinadores dos juvenis desenvolvem mais as capacidades motoras condicionais, através de exercícios com posse de bola (17%) do que os iniciados (10%) (p <0,05), estes por sua vez, desenvolvem mais as capacidades motoras condicionais através de exercícios sem posse de bola (p <0,05), isto é, sem associar o desenvolvimento das mesmas com situações técnicas e tácticas. Mais uma vez, os resultados estão de acordo com o princípio da especialização crescente dos exercícios de treino (Marques e col. 2000). 4.3.2 EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES / FUNDAMENTAIS O quadro seguinte retracta, através da média e desvio padrão, da soma e percentagens, para uma sessão de treino padrão durante um período anual de treino, quais os exercícios treino preferencialmente utilizados pelos treinadores nestas idades. Quadro IV-11: Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol : valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Método de Treino Média ± Dp Soma % Exercícios Complementares 19,3±15,7 12042,8 23,3 Exercícios Fundamentais 40,4±22,4 25236,2 48,8 Através da análise do quadro, denota-se que os treinadores da faixa etária dos 12 aos 16 anos em futebol, utilizam preferencialmente exercícios fundamentais (49%) em detrimento dos exercícios complementares (23%). Verificando-se que os mesmos, optam ou dão mais importância, aos exercícios que estruturalmente têm a finalização como objectivo (exercícios fundamentais), deixando para segundo plano os exercícios que não tem finalização (exercícios complementares), que normalmente servem para isolar ou canalizar a concentração dos atletas para o desenvolvimento de determinada situação física, técnica ou técnico / táctica, não tendo como objectivo a finalização, isto é o objectivo do jogo. O Quadro IV-12, compara a utilização dos exercícios complementares e fundamentais, por parte dos treinadores de iniciados e juvenis. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 81
  • 99.
    Apresentação e Discussãodos Resultados Quadro IV-12: Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão de iniciados e juvenis : valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Conteúdos Média ± Dp % Média ± Dp % Exercícios Complementares 17,1±14,9 19,9% 21,7±16,2* 27,3% Exercícios Fundamentais 42,8±22,9 49,9% 37,6±21,5* 47,4% *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, é nos demonstrado, que os iniciados utilizam mais exercícios fundamentais do que os juvenis (p <0,05). Os juvenis por sua vez utilizam mais exercícios complementares do que os iniciados (p <0,05). Ao analisarmos estes tendo em conta o princípio da especialização crescente, não se encontram de acordo com a lei, no entanto, essa diferença embora significativa não é elevada, para que se possa afirmar de forma peremptória, que está errado os treinadores dos juvenis utilizarem mais exercícios complementares do que os iniciados e vice-versa. 4.3.3 EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES (COM OU SEM OPOSIÇÃO) O Quadro IV-13, procura demonstrar de que forma é que os treinadores utilizam os exercícios complementares, através da média e desvio padrão, da soma e percentagens, para uma sessão de treino tipo, de um período anual de treino. Quadro IV-13: Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Ex. complementares - Método Média ± Dp Soma % Ex. comp. s/ oposição 9,9±11,7 6197,8 12,0 Ex. comp. c/ oposição 9,4±12,0 5845,1 11,4 Ao analisarmos o quadro, deparamos que no treino de futebol no escalão de iniciados e juvenis, utiliza-se metodologicamente mais exercícios complementares sem oposição de adversários do que exercícios complementares com oposição, no entanto, essa diferença é pequena (0,6%). Estes resultados demonstram que os treinadores de Futebol da faixa etária em estudo, quando utilizam os exercícios complementares que se caracterizam por não terem finalização, optam por não utilizarem a oposição adversária. Têm preferência por exercícios pouco complexos para os atletas e para os ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 82
  • 100.
    Apresentação e Discussãodos Resultados treinadores, isto é, de mais fácil execução para os atletas e de simples controlo para o treinador. No entanto embora os exercícios tenham as vantagens referidas, segundo alguns autores especialistas na matéria (Mesquita, 2000; Garganta 2002) têm fraca aplicabilidade prática, quando se pretende desenvolver aspectos técnicos ou técnico / tácticos, pois, através deste tipo de exercícios, os atletas desenvolvem sobretudo o seu controlo quinestésico, em detrimento de outras importantes capacidades, como o controlo visual. Mesquita (2000) sustenta, que no treino dos jogos desportivos colectivos se deve contemplar probabilidades de ocorrência das situações – problema específicas da competição, o que não acontece neste tipo de exercícios (exercícios complementares sem oposição), pois em competição dificilmente não existe a oposição de adversários. Os exercícios complementares sem oposição, poderão no entanto, ser extremamente úteis para desenvolvimento específico das capacidades motoras condicionais, por tal, não poderemos julgar a opção dos treinadores em utilizarem estes tipos de exercícios, sem antes sabermos o que vai ser desenvolvido. Algo que se poderá verificar mais à frente no quadro IV – 18, do ponto 4.4.2, referente à utilização de exercícios específicos de preparação geral que são também denominados por exercícios complementares. O quadro que se segue, distingue as opções metodológicas dos treinadores de iniciados e juvenis a quando da utilização de exercícios complementares. Quadro IV-14: Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Exercícios Complementares Média ± Dp % Média ± Dp % Sem oposição 11,6±13,1 13,5 8,0±9,4* 10,1 Com oposição 5,5±9,8 6,4 13,7±12,8* 17,2 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Os treinadores de iniciados utilizam mais exercícios complementares sem oposição de adversários (14%) do que os treinadores dos juvenis (10%) (p <0,05), inversamente os treinadores de juvenis têm uma utilização superior de ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 83
  • 101.
    Apresentação e Discussãodos Resultados exercícios complementares com oposição (17%) em relação aos treinadores dos iniciados (6%). Os resultados, a nosso ver estão de acordo com o principio da especialização crescente (Marques e col., 2000), pois os exercícios mais complexos são mais utilizados pelos treinadores dos juvenis, por sua vez, os exercícios que teoricamente são menos complexos, têm um grau de utilização superior por parte dos treinadores dos iniciados. Os exercícios fundamentais são os mais utilizados pelos treinadores de futebol da faixa etária dos 12 aos 16 anos (ver Quadros, IV-11 e IV-12), resta saber de que forma é que os treinadores pretendem desenvolver as capacidades dos seus atletas através destes exercícios. Queirós (1987) e Castelo (2002) subdividem os exercícios fundamentais em três fases distintas, com um grau de complexidade crescente (exercícios fundamentais de fase I, fase II e fase III). 4.3.4 EXERCÍCIOS FUNDAMENTAIS (FASE I, II, III) Os quadros que se seguem (Quadros IV-15 e IV-16) procuram demonstrar, que tipo de exercícios fundamentais mais se utiliza nesta faixa etária e se existem diferenças estruturais entre os treinadores de iniciados e juvenis, na escolha destes exercícios. Quadro IV-15: Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Ex. Fundamentais - Método Média ± Dp Soma % Exercícios Fundamentais Fase I 6,1±10,1 3835,5 7,4 Exercícios Fundamentais Fase II 6,5±11,7 4043,9 7,8 Exercícios Fundamentais Fase III 27,8±24,6 17356,8 33,6 Os treinadores de Futebol da faixa etária dos 12-16 anos, quando utilizam exercícios fundamentais (exercícios com finalização), optam por utilizar mais exercícios fundamentais de fase III (34%), seguindo-se os de fase II (8%) e por fim os de fase I (7%). Através da análise destes resultados, verificamos que os treinadores em causa, optam por utilizar os exercícios de fase III, que são mais complexos que os ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 84
  • 102.
    Apresentação e Discussãodos Resultados restantes e que estruturalmente obrigam a que os atletas em posse de bola procurem a finalização e quando perdem a posse da mesma, evitem a finalização na sua baliza (jogo reduzido, jogo reduzido e condicionado, jogo formal, jogo forma condicionado) (Queiroz, 1987; Castelo, 2002). A nosso ver, é uma opção de treino bastante válida uma vez que são os exercícios que estruturalmente mais se assemelham com a competição. Quadro IV-16: Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Exercícios Fundamentais Média ± Dp % Média ± Dp % Exercícios Fundamentais Fase I 5,8±10,2 6,8% 6,5±10,0 8,2% Exercícios Fundamentais Fase II 4,8±9,9 5,6% 8,3±13,2* 10,4% Exercícios Fundamentais Fase III 32,1±25,8 37,4% 22,8±22,1* 28,7% *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, verifica-se que os treinadores dos iniciados utilizam menos exercícios fundamentais de fase II (6%) do que os juvenis (10%) (p <0,05), os treinadores de iniciados utilizam mais os exercícios fundamentais de fase III (37%) do que os treinadores de juvenis (29%) (p <0,05). Estes resultados, não estão de acordo com o princípio da especialização crescente dos exercícios de treino (Marques e col., 2000), pois os treinadores dos iniciados utilizam mais exercícios de fase III, que são os mais complexos, do que os treinadores dos juvenis. 4.4 CONTEÚDOS DE TREINO 4.4.1 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.P.G O Quadro IV-17, é referente ao desenvolvimento das capacidades motoras através dos exercícios de preparação geral, distinguindo esse desenvolvimento por escalões. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 85
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    Apresentação e Discussãodos Resultados Quadro IV-17: Características da carga de treino, para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios de Preparação Geral 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos de Treino Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % Resistência Aeró. 10,7±9,1 3583,5 12,5 3,9±5,4* 1135,0 4,9 Resistência Anae. 0,7±2,7 245,0 0,8 0,5±2,4 135,0 0,6 Força Resistente 3,4±4,8 1126,5 4,0 4,0±3,1 1151,5 5,0 Força Rap./ Expl. 1,6±5,7 541,0 1,9 1,5±4,4 425,0 1,9 Força Máxima 0,0±0,0 0,0 0,0 0,0±0,0 0,0 0,0 Velocidade Reacç 0,4±1,9 123,0 0,5 0,5±2,2 135,0 0,6 -2 -2 Velocidade Exec. 3,1x10 ±0,4 10,5 3,6x10 0,0±0,0 0,0 0,0 Velocidade Deslo. 1,3±4,2 429,2 1,5 1,0±2,9 282,5 1,3 -2 -2 Velocidade Resis. 0,3±2,1 114,5 0,3 4,1x10 ±0,5* 12,0 5,2x10 Flexibili. Acti. 1,2±2,0 386,5 1,4 1,0±1,6 299,5 1,2 Flexibili. Pass. 4,6±4,0 1534,8 5,4 6,9±4,9* 2005,5 8,7 Cap. Reac. Coord. 0,0±0,0 0,0 0,0 0,0±0,0 0,0 0,0 Cap. Rítm. Coord. 1,6±2,9 537,5 1,9 0,7±1,7* 216,5 1,0 Cap. Equil. Coord 0,0±0,0 0,0 0,0 0,0±0,0 0,0 0,0 -2 -2 Cap. Orien. Coord 1,5x10 ±0,2 5,0 1,7x10 0,0±0,0 0,0 0,0 Cap. Difer. Coord 0,0±0,0 0,0 0,0 0,1±0,9* 37,5 0,1 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro verifica-se que existem diferenças estatisticamente significativas (p <0,05) no desenvolvimento da resistência aeróbia através de exercícios de preparação geral entre o escalão de iniciados (13%) e juvenis (5%), denotando-se que os iniciados desenvolvem mais esta capacidade condicional através deste tipo de exercícios. Martin (1999), refere que a resistência aeróbia é uma capacidade que deve ser desenvolvida em todas as idades ou períodos, infância e juventude, o que confere uma grande importância ao desenvolvimento desta capacidade. O facto dos treinadores dos juvenis, desenvolverem menos esta capacidade condicional através dos exercícios em questão, poderá explicar-se pelo facto de optarem por desenvolver a resistência aeróbia, através de exercícios mais específicos (exercícios específicos de preparação geral ou exercícios específicos de preparação), uma vez que, embora desenvolvam menos a resistência do que os treinadores dos iniciados (ver Quadro IV-7), utilizam maioritariamente ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 86
  • 104.
    Apresentação e Discussãodos Resultados exercícios com posse de bola para o desenvolvimento da mesma (ver Quadro IV-10). Estes factos poderão justificar a diferença dos resultados, no entanto, requerem uma análise mais específica que se poderá realizar com a observação quadros, IV-18, IV-19, IV-20 e IV-21. Podemos constatar, que o desenvolvimento da resistência aeróbia é o que mais se trabalha através deste tipo de exercícios, nas idades dos 12 aos 16 anos, seguindo-se a flexibilidade passiva, em que o desenvolvimento difere estatisticamente (p <0,05) nos escalões em estudo, denotando-se um desenvolvimento superior por parte dos juvenis (9%) em relação ao escalão de iniciados (5%). A força resistente, a força rápida / explosiva, a capacidade rítmica coordenativa, onde existem diferenças significativas entre os escalões testados (p <0,05) pois o escalão de iniciados (2%) desenvolve mais esta capacidade do que o escalão de juvenis (1%), A velocidade de deslocamento e por fim a flexibilidade activa. Estes resultados revelam uma estratégia orientada para a qualidade de treino por parte dos treinadores (Martin, 1999) e são idênticos aos do estudo realizado por Marques e col. (2000), no que diz respeito à resistência aeróbia e à flexibilidade. As restantes capacidades motoras têm um desenvolvimento muito reduzido ou nulo, destacando-se diferenças estatisticamente significativas (p<0,05) entre o escalão de iniciados e juvenis, onde os iniciados (0,3%) desenvolvem mais a velocidade resistente do que os juvenis sendo o seu desenvolvimento praticamente nulo neste escalão (5,2x10-2% ). Contudo os juvenis desenvolvem mais a capacidade de diferenciação coordenativa (0,1%) pois os iniciados não desenvolvem este tipo de coordenação. Podemos constatar que a velocidade tem um desenvolvimento ligeiramente superior no escalão de iniciados, do que no escalão de juvenis, o que está de acordo com o que Martin (1999) sustenta, embora essa diferença só seja estatisticamente significativa numa forma de expressão desta capacidade. Estes resultados são coincidentes com os estudos realizados por Marques e col. (2000); Pinto e col. (2001), onde igualmente se verifica um fraco desenvolvimento das formas de expressão da velocidade, considerado por Martin (1999) muito importante para a formação motora dos jovens atletas, dos ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 87
  • 105.
    Apresentação e Discussãodos Resultados 10 aos 13 anos. Deste modo, podemos realçar a existência de um baixo desenvolvimento das várias formas de expressão da velocidade em Futebol, no escalão de iniciados através dos exercícios de preparação geral. Segundo Martin (1999) o desenvolvimento da resistência aeróbia, é muito importante dos 14 aos 18 anos, no entanto, os nossos resultados demonstram que não lhe foi dada a devida importância, ao revelarem baixos valores de desenvolvimento no escalão de juvenis, através dos exercícios em questão. Destaca-se um desenvolvimento nulo em ambos os escalões da força máxima, da capacidade de reacção coordenativa e da capacidade de equilíbrio coordenativo. No que se refere à capacidade de reacção coordenativa, os resultados estão de acordo com o que Martin (1999) defende, uma vez que este refere que, esta capacidade coordenativa tem a sua fase sensível de desenvolvimento na faixa etária dos 6 aos 10 anos de idade, por tal, não engloba as faixas etárias em estudo. Já no que diz respeito à capacidade de equilíbrio coordenativo, os nossos resultados não estão de acordo com o que autor sustenta, uma vez que, o mesmo refere que é importante desenvolver esta capacidade dos 10 anos aos 13 anos de idade, o que corresponde ao escalão etário dos iniciados. A força máxima, segundo Martin (1999) tem a sua grande expressão dos 13 aos 19 anos, por tal, deveria ter sido desenvolvida pelo escalão juvenil. Estes dados, demonstram algumas orientações para a qualidade do treino por parte dos treinadores, assim como, um baixo desenvolvimento de outras capacidades, que são extremamente importantes para a formação dos atletas. 4.4.2 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DO E.E.P.G Os quadros que se seguem, permitem-nos uma análise mais específica pois demonstram o desenvolvimento dos diferentes conteúdos (resistência específica, força específica, velocidade específica, técnica e técnico/táctica), através dos meios específicos de preparação geral e dos meios específicos de preparação (fase I, fase II e Fase III). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 88
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    Apresentação e Discussãodos Resultados Quadro IV-18: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação Geral / Complementares 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % Sem oposição 5,4±8,3 1814,0 6,3 4,7±6,4 1363,2 5,9 Resis Espe C/op.igualdad. n.º 0,2±1,2 59,0 0,2 0,5±2,1* 147,8 0,6 C/op sup. ataque 1,4±5,0 485,0 1,6 3,7±6,8* 1068,8 4,6 -2 -2 Sem oposição 0,2±1,6 70,00 0,2 5,2x10 ±05 15,0 6,5x10 Espe Forç C/op.igualdad. n.º 0,0±0,0 0,0 0,0 0,2±1,7* 60,0 0,2 C/op sup. ataque 0,0±0,0 0,0 0,0 02±1,9 55,0 0,2 -2 Sem oposição 9,0x10 ±1,2 30,0 0,1 0,4±2,5* 130,0 0,5 Veloc Espe -2 -2 C/op.igualdad. n.º 0,0±0,0 0,0 0,0 5,2x10 ±0,9 15,0 6,5x10 -2 C/op sup. ataque 9,7x10 ±0,9 32,5 0,1 0,0±0,0* 0,0 0,0 Sem oposição 5,4±9,4 1803,5 6,3 2,7±6,1* 790,5 3,4 Técni -2 -2 C/op.igualdad. n.º 0,0±0,0 0,0 0,0 6,4x10 ±0,9 18,8 8,0x10 -2 C/op sup. ataque 9,7x10 ±1,1 32,5 0,1 0,2±2,0 45,0 0,2 -2 Sem oposição 0,5±2,5 156,5 0,6 8,6x10 ±1,1* 25,0 0,1 C/op.igualdad. n.º 3,1±7,9 1035,8 3,6 1,4±5,0* 400,0 1,8 Tecnic./ Táctica C/op sup. ataque 0,6±3,5 205,0 0,7 7,2±10,8* 2097,8 9,1 C/op. sup defesa 0,0±0,0 0,0 0,0 0,3±1,7* 87,2 0,4 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, verifica-se que o desenvolvimento da resistência de forma específica é superior no escalão de juvenis em relação ao desenvolvimento efectuado pelo escalão de iniciados, o que está de acordo com o princípio especialização crescente dos exercícios de treino (Marques e col., 2000). Denota-se que os treinadores de ambos os escalões têm preferência por desenvolver esta capacidade motora condicional, de forma específica, através dos exercícios específicos de preparação geral, utilizando exercícios complementares sem oposição, sendo provável que os mesmos pretendam desenvolver esta mesma capacidade a uma intensidade mais baixa. A ordem de preferência de utilização segue-se com, os exercícios complementares com oposição e superioridade no ataque, e por fim, os exercícios complementares com oposição e igualdade numérica. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 89
  • 107.
    Apresentação e Discussãodos Resultados Através dos exercícios em análise, existem diferenças significativas (p <0,05) no desenvolvimento da resistência específica, entre iniciados e juvenis, pois os treinadores dos juvenis optam por utilizar mais exercícios complementares com oposição e igualdade numérica (0,6%) do que os treinadores de iniciados (0,2%). O mesmo acontece no caso dos exercícios complementares com oposição e superioridade no ataque, em que os treinadores dos juvenis apresentam uma utilização de 4,6% em relação aos treinadores dos iniciados (1,6%), para o desenvolvimento da capacidade motora em questão, de forma específica. A capacidade motora que mais se desenvolve de forma específica através destes exercícios é a resistência. A força específica e a velocidade específica têm um desenvolvimento bastante reduzido. Para além da resistência específica, o que mais se desenvolve através destes exercícios são as questões técnico / tácticas, onde existem diferenças estatisticamente significativas (p <0,05) entre o escalão de iniciados e juvenis. Nas opções de treino para o desenvolvimento técnico / táctico, os treinadores de iniciados utilizam mais exercícios complementares sem oposição (0,6%) do que os treinadores do escalão de juvenis (0,1%) e exercícios complementares com oposição e igualdade numérica (3,6%). Já os treinadores de juvenis, optam mais pelos exercícios com oposição, dos quais se destacam os que têm superioridade no ataque (9,1%), onde os iniciados têm uma utilização menor (0,7%). Estes resultados estão de acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios de treino (Marques e col. (2000). No que diz respeito ao desenvolvimento da técnica, verifica-se que os treinadores dos escalões representados no nosso estudo, quando pretendem desenvolver ou apurar uma situação técnica, optam por faze-lo através de exercícios complementares sem a oposição de adversários, conotando-lhe um desenvolvimento mais analítico, por tal, considerado menos apropriado pela literatura (Mesquita, 2000; Garganta, 2002). Estes autores defendem que esse desenvolvimento deverá ser realizado de uma forma mais aberta, onde os atletas possam desenvolver a capacidade de decidir qual o gesto técnico mais apropriado para a situação com que se deparam. No entanto, este tema é ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 90
  • 108.
    Apresentação e Discussãodos Resultados bastante complexo, e bastante polémico, por tal, requer uma análise mais específica que permita afirmar se esta metodologia está certa ou errada, algo que não é objectivo do nosso estudo. Contudo, as diferenças estaticamente significativas (p <0,05) entre o escalão de iniciados (0,3%) e juvenis (3,4%), estão de o acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios de treino, realçado por (Marques e col. (2000). No que diz respeito à duvida levantada no ponto 4.3.3 do nosso estudo, em relação à importância da utilização de exercícios complementares sem oposição na estrutura do treino de futebol, quando nos questionávamos qual seria o objectivo dos treinadores em utilizar este tipo de exercícios, podemos verificar através da análise dos resultados do quadro, que os treinadores utilizam estes exercícios, para desenvolverem essencialmente a resistência específica dos seus atletas. Estes exercícios revelam-se muito importantes pois têm como objectivo, o desenvolvimento de conteúdos específicos da modalidade desportiva, através de uma relação primordial do praticante com a bola, promovendo um desenvolvimento físico ajustado às características da modalidade (Castelo, 2002). Logo a utilização deste tipo de exercícios revela- se importante na estrutura do treino de Futebol, para os escalões etários em estudo. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 91
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    Apresentação e Discussãodos Resultados 4.4.3 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.E.P / FASE I Quadro IV-19: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase I no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase I 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % 1x0+gr 0,1±1,4 35,0 0,1 0,0±0,0 0,0 0,0 Resis Espe -2 -2 3x0+gr 0,0±00 0,0 0,0 1,7x10 ±0,3 5,0 2,1 x10 -2 -2 Mais de 3x0+gr 5,7 x10 ±0,8 19,0 6,6 x10 0,0±0,0 0,0 0,0 1x0+gr 0,1±1,4 40,0 0,1 1,1±3,4* 309,0 1,4 Espe Forç -2 -2 2x0+gr 0,0±0,0 0,0 0,0 5,2 x10 ±0,9 15,0 6,5 x10 -2 -2 Mais de 3x0+gr 0,1±1,4 35,0 0,1 3,4 x10 ±0,6 10,0 4,3 x10 -2 -2 1x0+gr 0,5±3,7 175,0 0,6 5,2 x10 ±09* 15,0 6,5 x10 V. E. -2 -2 2x0+gr 3,0 x10 ±0,5 10,0 3,5 x10 0,1±1,4 35,0 0,1 1x0+gr 0,7±3,2 227,5 0,8 0,5±2,6 157,0 0,6 2x0+gr 0,3±2,1 112,5 0,3 0,6±3,4 170,0 0,8 Técnica 3x0+gr 0,4±2,3 117,5 0,5 0,4±2,4* 129,0 0,5 -2 -2 Mais de 3x0+gr 8,2 x10 ±0,9 27,5 9,6 x10 0,4±2,8 123,0 0,5 -2 -2 1x0+gr 3,0 x10 ±0,5 10,0 3,5 x10 0,1±1,1 31,0 0,1 2x0+gr 0,4±2,6 132,5 0,5 0,4±2,8 106,0 0,5 Tecnic./ Táctica 3x0+gr 0,7±3,5 242,5 0,8 0,1±1,4* 32,5 0,1 Mais de 3x0+gr 2,3±6,6 755,0 2,7 2,6±6,2 759,0 3,3 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, denota-se um decréscimo bastante elevado do desenvolvimento da resistência específica através dos exercícios específicos de preparação, fase I, quando em comparação com desenvolvimento da mesma através dos exercícios específicos de preparação geral. A força específica mantêm o seu desenvolvimento baixo, excepto no treino de juvenis onde os seus treinadores optam por desenvolvê-la através dos exercícios fundamentais de fase I, numa estrutura em que, o portador da posse de bola sem ter oposição de um defesa, nem a ajuda dos companheiros, tem por objectivo a finalização (1x0+gr). Sendo esta a forma através da qual mais se desenvolve a força específica no nosso estudo. O que demonstra que os treinadores de juvenis, têm preferencia por desenvolverem a força específica dos seus atletas através de um exercício de finalização, isto é, desenvolvem a ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 92
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    Apresentação e Discussãodos Resultados força dos seus jovens atletas, de forma adaptada às exigências físicas da situação técnico / táctica em questão. Este resultado está de acordo com o que a literatura aponta como correcto, uma vez que existem diferenças estatisticamente significativas no desenvolvimento da capacidade em questão entre os iniciados (0,1%) e juvenis (1,4%), estando de acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios de treino (Marques e col. 2000), e com o que Martin (1999) sustenta, ao referir que é importante a força ser desenvolvida na faixa etária pertencente ao escalão de juvenis. O desenvolvimento da velocidade específica, embora se revele mais baixo através deste tipo de exercícios, quando em comparação com os exercícios específicos de preparação geral, verifica-se que os treinadores de iniciados optam por desenvolver esta capacidade através de exercícios de finalização, que estruturalmente se caracterizam por, o jogador em posse de bola não ter a oposição de adversário, excepto o guarda redes, nem a ajuda de companheiros (1x0+gr) (0,6%), sendo esta diferença estatisticamente significativa, quando em comparação com o nível de utilização destes exercícios por parte dos treinadores dos juvenis (0,065%), para o desenvolvimento da capacidade em questão. O desenvolvimento técnico / táctico, através deste tipo destes exercícios, revela-se inferior quando em comparação com os exercícios específicos de preparação geral. Destacando-se, no entanto, a preferência dos treinadores por desenvolverem este conteúdo de treino, através de situações em que o jogador em posse de bola tem mais de três companheiros para finalizar sem a oposição de adversários, excepto o guarda-redes (mais de 3x0+gr). ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 93
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    Apresentação e Discussãodos Resultados 4.4.4 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.E.P / FASE II Quadro IV-20: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase II no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase II 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % -2 -2 Sup. n.º no ataque 0,0±0,0 0,0 0,0 3,4 x10 ±0,6 10,0 4,2 x10 R. E. -2 -2 Igualdade numér. 3,0 x10 ±0,5 10 3,5 x10 0,0±0,0 0,0 0,0 Sup. n.º no ataque 0,0±0,0 0,0 0,0 0,8±2,5* 228,0 1,0 E. F. Igualdade numér. 0,0±0,0 0,0 0,0 0,8±2,5* 228,0 1,0 -2 -2 Sup. n.º no ataque 7,5 x10 ±1,0 25,0 8,7 x10 0,0±0,0 0,0 0,0 V. E. -2 -2 Igualdade numér. 0,2±1,6 65,0 0,2 2,7 x10 ±0,5 8,0 3,4 x10 -2 -2 Sup. n.º no ataque 6,0 x10 ±1,1 20,0 7,0 x10 0,2±1,4 57,0 0,2 T. -2 -2 Igualdade numér. 6,0 x10 ±1,1 20,0 7,0 x10 0,4±2,0* 102,0 0,5 Sup. n.º no ataque 1,8±5,9 597,5 2,1 3,4±7,6* 981,9 4,3 T./Ta Igualdade numér. 2,6±7,5 885,0 3,0 2,8±7,8 806,5 3,5 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, verifica-se que os treinadores de iniciados e juvenis, através dos exercícios específicos de preparação de fase II, que são exercícios que estruturalmente obrigam os atletas a tentar finalizar com oposição defensiva podendo ou não ter a ajuda de companheiros, onde os treinadores poderão optar por criar situações de igualdade numérica, ou superioridade numérica, não desenvolvem ou quase não desenvolvem, a resistência específica, a força específica, a velocidade específica e a técnica, através dos exercícios específicos de preparação fundamentais de fase II. Denotando-se que os treinadores optam por utilizarem este tipo de exercícios para desenvolverem as qualidades técnico / tácticas dos seus atletas, destacando-se diferenças estatisticamente significativas (p <0,05) no desenvolvimento do conteúdo em questão, entre os iniciados e juvenis, verificando-se que, os treinadores de juvenis tem uma utilização superior deste tipo de exercícios, estruturalmente organizados com superioridade no ataque (4,3%) do que os treinadores de iniciados (2,1%). Estes resultados não estão de acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios de treino (Marques e col. 2000), pois teoricamente a realização de um exercício em ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 94
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    Apresentação e Discussãodos Resultados superioridade numérica, deverá ter um nível de exigência inferior, ao de um realizado com igualdade numérica (Queirós, 1986). 4.4.5 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DO E.E.P / FASE III Quadro IV-21: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase III no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase III 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % -2 -2 Jogo reduzido 0,1±1,2 35,0 0,1 6,9 x10 ±1,2 20,0 8,7 x10 Resis Espe -2 -2 J. reduzido condi. 0,0±0,0 0,0 0,0 5,2 x10 ±0,9 15,0 6,5 x10 J. formal condici. 0,0±0,0 0,0 0,0 0,2±2,3 65 0,2 A Força Específica não se desenvolveu através destes tipo de exercícios -2 -2 J. reduzido condi. 4,5 x10 ±0,8 15,0 5,2 x10 0,0±0,0 0,0 0,0 V. E. J. reduzido condi. 0,3±3,3 110,0 0,3 0,0±0,0 0,0 0,0 T. J. formal condici. 0,2±2,7 65,0 0,2 0,0±0,0 0,0 0,0 Jogo reduzido 12,8±7,6 2592,2 14,9 3,4±9,1* 998,0 4,3 J. reduzido condi. 5,5±11,7 1847,0 6,4 10,6±14,6* 3074,5 13,4 Tecnic./ Táctica Jogo Formal 14,5±29,7 4857,0 16,9 7,9±19,1* 2065,0 9,9 J. formal condici. 3,6±8,3 1212,0 4,2 1,3±5,5* 386,0 1,6 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Ao analisarmos os resultados do quadro, verificamos que em consonância com os Quadros IV-19 e IV-20, correspondentes aos exercícios específicos de preparação, o desenvolvimento dos conteúdos de treino, resistência específica, força específica, velocidade específica e técnicos, têm um desenvolvimento praticamente nulo ao contrário dos conteúdos técnico / tácticos, que por sua vez têm um desenvolvimento superior, através dos exercícios específicos de preparação, assumindo os valores mais expressivos de desenvolvimento através dos exercícios fundamentais de fase III, que se caracterizam por o jogador ou equipa em posse de bola poder finalizar, mas na perda da posse da mesma, terem a obrigação de evitar a finalização na sua baliza (Castelo, 2002), sendo estes os exercícios que mais se assemelham com a competição. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 95
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    Apresentação e Discussãodos Resultados Existem diferenças estatisticamente significativas (p <0,05), no desenvolvimento técnico / táctico, através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase III, onde os treinadores dos iniciados têm uma utilização superior deste tipo de exercícios através de jogos reduzidos (14,9%) em relação aos juvenis (4,3%). Em conta partida, estes utilizam mais os jogos reduzidos e condicionados (13,4%) do que iniciados (6,4%), já os treinadores dos iniciados tem uma utilização superior do jogo formal (16,9%) em comparação com os treinadores dos juvenis (9,9%) e igualmente uma utilização superior de jogos reduzidos e condicionados (4,2%) onde os juvenis tem uma utilização inferior (1,6%) Estes resultados não estão de acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios de treino (Marques e col. 2000), uma vez que se verifica que, os treinadores dos iniciados, têm uma utilização superior de jogos formais e jogos formais condicionados, em relação à utilização deste tipo de exercícios, por parte dos treinadores de juvenis. Segundo Queiroz, (1986) este tipo de exercícios (formais, formais condicionados) são mais complexos, quando em comparação com os jogos reduzidos, onde, o menor número de jogadores (adversários e companheiros) e as menores dimensões do terreno de jogo, os tornam menos complexos, e por isso, mais adaptados à aprendizagem. Cremos que, o facto dos treinadores de iniciados e juvenis, optarem por desenvolverem os conteúdos técnico / tácticos, através dos exercícios fundamentais de fase III, revela uma estratégia direccionada para a qualidade do treino, uma vez que este tipo de exercícios são os que mais se aproximam da realidade competitiva. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 96
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    Conclusões V- Conclusões As conclusões do nosso estudo, procurarão cumprir com os objectivos traçados para a sua realização. Seguindo para tal, as hipóteses orientadoras que nos propusemos a verificar. Conclui-se que a estruturação do treino do escalão de iniciados, difere da estruturação dos juvenis. Verificando-se diferenças estatisticamente significativas, basicamente em todos os focos de análise do nosso estudo, excepto nas prioridades de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico onde não se registam diferenças estatisticamente significativas (P <0,05). Ao verificarmos as diferenças de estruturação do treino entre os escalões em análise, concluímos que algumas apontam para a qualidade de treino ao cumprirem o princípio da especialização crescente dos exercícios de treino, sendo exemplos disso: - O facto dos iniciados utilizarem mais E.P.G do que os juvenis, que por sua vez utilizam mais E.E.P.G; - Os juvenis desenvolverem mais as capacidades motoras condicionais, através de exercícios com posse de bola do que os iniciados, sendo este tipo de desenvolvimento mais específico do que os exercícios que não utilizam a posse de bola; - Os treinadores de iniciados utilizarem mais exercícios complementares sem oposição de adversários do que os treinadores de juvenis; - O escalão de juvenis ter um desenvolvimento superior da resistência especifica e da força específica em comparação com o desenvolvimento específico destas capacidades efectuado no escalão de iniciados; - O desenvolvimento da técnica através de exercícios sem posse de bola, ser superior no escalão de iniciados do que no escalão de juvenis; TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 97
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    Conclusões No entanto, algumasdessas diferenças não apontam para a qualidade do treino, sendo exemplo disso: - A utilização superior por parte dos iniciados de E.E.P em relação à utilização dos juvenis; - Os treinadores dos iniciados utilizarem mais os exercícios fundamentais de Fase III do que os treinadores dos juvenis; - Os treinadores dos juvenis utilizam mais exercícios com superioridade no ataque, no desenvolvimento técnico / táctico, através dos exercícios de Fase II do que os treinadores dos iniciados; - Os treinadores dos iniciados terem uma utilização superior de jogos formais e dos jogos formais condicionados, através dos exercícios fundamentais de Fase III, em relação aos treinadores do escalão de juvenis. Conclui-se que os treinadores de futebol do escalão de iniciados e juvenis, pertencentes à amostra em estudo, dão prioridade aos aspectos técnico / tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos aspectos técnicos (8%). Consideramos que estes resultados, apontam para a qualidade de treino, uma vez que, os valores da vertente física se revelaram altos. Por sua vez, os valores baixos da técnica, revelam que esta está a ser desenvolvida conjuntamente com as situações tácticas. Podemos concluir que a resistência é a capacidade motora que mais se desenvolve (19%), seguindo-se a força (8%) a flexibilidade (8%), sendo a velocidade (3%) e a coordenação (2%) as que menos se desenvolvem na faixa etária dos 12 aos 16 anos em Futebol. Pode-se constatar, que os treinadores das faixas etárias em estudo desenvolvem mais as capacidades motoras condicionais dos seus atletas de uma forma separada das questões técnico e técnico/tácticas, uma vez que a utilização de exercícios sem posse de bola (28%) é superior à utilização de exercícios com posse de bola (13%). TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 98
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    Conclusões Verifica-se que ostreinadores dos iniciados e juvenis utilizam mais os exercícios fundamentais (49%) em detrimento dos exercícios complementares (23%). Os resultados permitem-nos concluir que, a resistência aeróbia e flexibilidade passiva estão a ser bem desenvolvidas, através dos E.P.G, no treino dos escalões em estudo, contribuindo desta forma para a qualidade do treino, no entanto, o baixo desenvolvimento de algumas capacidades motoras estão a contribuir negativamente para a referida qualidade, pois a resistência anaeróbia tem um baixo desenvolvimento no escalão de juvenis, a força máxima tem um desenvolvimento nulo nos dois escalões e a velocidade tem um fraco desenvolvimento, para o que seria desejado, no escalão de iniciados. Conclui-se que os treinadores de iniciados e juvenis optam por desenvolver a resistência de uma forma específica, através dos E.E.P.G. A resistência específica é o que mais se desenvolve através deste tipo de exercícios, seguindo-se as questões técnico/tácticas. Verifica-se que os treinadores de juvenis, ao desenvolverem a força específica optam por o fazer, através dos E.E.P/ Fase I, numa estrutura de 1x0+gr. Os treinadores em estudo, através dos E.E.P./ Fase II o que mais desenvolvem são as questões técnico/tácticas, revelando-se valores baixos de desenvolvimento para os restantes conteúdos de treino analisados. Podemos concluir que os treinadores de iniciados e juvenis, optam por utilizarem os E.E.P para o desenvolvimento técnico/táctico, assumindo os seus valores mais expressivos de desenvolvimento através dos exercícios fundamentais de Fase III. TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 99
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    Recomendações VI – Recomendaçõespara a prática, no treino de jovens Futebolistas 6.1 RECOMENDAÇÕES ESPECÍFICAS AOS RESULTADOS DO NOSSO ESTUDO Em consonância com os resultados do nosso estudo, parece-nos importante realçar o que se afigura preponderante modificar no planeamento do treino, no escalão de iniciados e juvenis, no sentido de beneficiar a qualidade do mesmo. Para tal, os treinadores deverão: - Dar importância ao desenvolvimento da velocidade e coordenação, sendo a velocidade importante desenvolver no escalão de iniciados, assim como, o desenvolvimento do equilíbrio coordenativo; - Dar ênfase ao desenvolvimento da força máxima no escalão de juvenis; - Aumentar a capacidade anaeróbia dos atletas que se encontram no escalão juvenil; - Planear o desenvolvimento das capacidades motoras associado a situações técnicas ou técnico / tácticas. Um desenvolvimento adaptado às exigências da competição; - Desenvolver as capacidades técnicas dos seus atletas, através de exercícios específicos de preparação (EEP), com oposição de adversários, conotando-lhes um desenvolvimento eficaz e adaptado à realidade competitiva do jogo, especialmente no escalão de iniciados por englobar uma faixa etária cujo o seu desenvolvimento se revela preponderante. TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 101
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    Recomendações 6.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS Apósa realização deste estudo, esperando que este possa vir a contribuir para o desenvolvimento científico da metodologia do treino em Futebol, parece-nos pertinente fazer referência, a algumas recomendações para o treino de jovens futebolistas, dos 12 aos 16 anos de idade. O Futebol é um jogo eminentemente táctico, toda a execução do atleta vai estar condicionada a uma situação táctica, a resolução das situações tácticas, dependem da tomada de decisão do atleta, das capacidades motoras necessárias à sua resolução e do gesto técnico mais apropriado. O treino serve, ou deverá servir, para que a resolução das situações tácticas sejam eficazes em jogo, mais do que isso, o treino com crianças e jovens deverá ter objectivos formativos, objectivos que deverão ser definidos a longo prazo, tendo em conta as etapas de formação e as fases sensíveis de desenvolvimento. O treinador deve planear o treino, respeitando as etapas em que os atletas se encontram e segundo a sua forma de ver o jogo, o seu modelo de jogo, que por sua vez deverá ser transmitido, ensinado e entendido pelos seus atletas. Os exercícios apropriados para tal, parecem-nos ser os que mais se assemelham com a competição. Não cremos com isto dizer que o treino só deverá incluir o jogo formal, mas sim, que deverá incluir fragmentos ou pequenas partes desse mesmo jogo como, a finalização, a transição defesa- ataque / ataque-defesa, pressão, etc., que o treinador pretenda desenvolver ou consolidar nos seus atletas. Para tal existe uma grande gama de exercícios, dos quais destacamos, os exercícios complementares com bola e os exercícios fundamentais de Fase I, II e III, que poderão, se bem utilizados, servir para que o treino encaminhe a equipa e o processo formativo para o sucesso. A selecção dos exercícios deverá ser extremamente cuidadosa, para que os mesmos consigam objectivar as pretensões do treinador. O treinador deve explicar os objectivos do exercício de uma forma simples e objectiva, de forma a que não surjam dúvidas entre os atletas. O facto dos atletas compreenderem TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 102
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    Recomendações os variados exercíciosque o treinador lhes propõe, permitirá a estes o entendimento sobre o modelo de jogo do treinador e consequentemente a sua interpretação em jogo. O desenvolvimento cognitivo do atleta revela-se preponderante, saber o porquê da realização deste ou daquele exercício, e dentro do exercício qual a sua função e o objectivo a atingir, parece-nos o melhor caminho a seguir. Assim como o desenvolvimento técnico, o desenvolvimento físico deverá estar associado a uma situação táctica, tornando-se desta forma um desenvolvimento adaptado às exigências do jogo. Por tal os treinadores deverão incrementar as capacidades motoras dos seus atletas através de exercícios com bola. Todos os treinadores, incluindo os da formação, deverão procurar que os exercícios seleccionados para o treino sejam o mais específicos possíveis, não só os que têm objectivos técnico / tácticos mas também os que têm por objectivo o desenvolvimento físico, para que estes reproduzam as capacidades físicas (velocidade, força, resistência, flexibilidade e coordenação) específicas do futebol. Assim o desenvolvimento das capacidades físicas, deverá ser realizado através de exercícios que representem formas jogadas semelhantes à competição. A nosso ver os treinadores de Futebol dos escalões de formação, iniciados e juvenis, devem: - Definir o modelo de jogo, a partir do qual, deve emergir todo o planeamento de treino (técnico, técnico / táctico, físico e psicológico); - Fazer com que os seus atletas compreendam o modelo de jogo, através do qual vão desenvolver todas as suas capacidades (técnico, técnico / táctico, físico e psicológico), originando que estes se sintam parte integrante do mesmo, facilitando desta forma a sua interpretação em competição; TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 103
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    Recomendações - Utilizar exercícios com bola o mais específicos possíveis; - Respeitar as etapas de preparação em que os seus atletas estão inseridos, iniciados (especialização inicial), juvenis (especialização aprofundada); - Ter em conta as fases sensíveis de treinabilidade dos seus atletas (períodos de tempo na vida em que os atletas respondem de forma mais intensa a determinados estímulos). O desenvolvimento das capacidades motoras deve ser homogéneo, isto é, todas as capacidades devem ser desenvolvidas, no entanto: aos iniciados devem dar especial atenção ao desenvolvimento das aprendizagens técnicas, às capacidades coordenativas (ritmo, equilíbrio e diferenciação), à velocidade, força veloz e resistência aeróbia; aos juvenis devem dar ênfase ao desenvolvimento da força máxima, da resistência anaeróbia e da resistência aeróbia. TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 104
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    Sugestões VII – Sugestões Após a finalização deste estudo, surgem algumas sugestões para a elaboração de futuros trabalhos no âmbito desta temática, tais como: • A análise da estrutura do treino, dos escalões de formação, de uma equipa com tradição na formação, comparando a estruturação da mesma, com uma equipa que teoricamente tenha menos tradição, ou de nível inferior, tentando verificar desta forma quais as principais diferenças, se é que elas existem, entre a estruturação do treino de uma e da outra equipa. • Acompanhar os treinos, de um ou mais escalões de formação, de uma ou mais equipas, fazendo o registro no local, isto é, fazendo uma observação directa e registo directo de toda a estruturação do treino, podendo-se comparar as diferenças, entre escalões, entre equipas ou entre os períodos de preparação (ex. período preparatório vs. período competitivo). • Comparar a estruturação do treino entre um escalão de formação e uma equipa sénior, tentando verificar das diferenças estruturais do treino entre o escalão de formação e o escalão sénior. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 105
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    Bibliografia VIII – Referências Bibliográficas ADELINO, J; VIEIRA, J. COELHO, O. (1999), Treino de Jovens – O que todos precisam de saber! Secretaria de Estado do Desporto. Centro de Estudos e Formação Desportiva. AGUILLÀ, G.; PÉREZ, G.; SOLANAS, A & RENOM, J. (1990): Aproximación a una propussta de aprendizaje de los elementos tácticos individuales en los deportes de equipo. Apunts: Educació Física i Esportes, nº 24: 59-68 AL-HAZZAA, H. M., AL-REFAEE, S. A., SULAIMAN, M. A., AL-HERBISH, A. S., & CHUKWUEMEKA, A. C. (1996). Maximal cardiorespiratory responses of adolescent athletes to treadmill running and arm ergometry: Swimmers vs soccer players. Medicine and Science in Exercise and Sports, 28 (5) ARAÚJO, D. (1997). O Treino da capacidade de decisão – Revista Treino Desportivo. Novembro, pp: 11 – 22. ARAÚJO, J. (1983). Iniciação aos Desportos Colectivos – 1ª parte. Sete Metros. Revista técnica de Andebol nº 5. Abril/Maio: 7-12. ARAÚJO, J. (1985). Manual do treinador do desporto profissional. Campo das Letras. Porto. BANGSBO, J (1993). The physiology of soccer – with special reference to intense intermittent exercise. August krogh institute. University of copenhagen. Denmark. BANGSBO, J. (1994) : Fitness Trainning in Footbal – a Science Approach. HO+Storm. Bagsvaerd. Denmark. BANGSBO, J. (1996). Physiology of intermittent activity in football. In Reilly, T.;Bangsbo, J. E Hughes, M. (eds), Science and Football III, pp. 43-53. E&FN Spon. London. BANGSBO, J. (1999). Preparacíon fisica. In B. Ekblom e M.P. Rodriguez (eds), Manual de las ciencias de entrenamiento – fútbol, pp. 135-149. Tradução de J.P. Umbert. Editorial Paidotribo. Barcelona. BAR-OR, O. (1983). Pediatric sports medicine for the practitioner (comprehensive manual in pediatrics). New York: Springer-Verlag . BAYER, C. (1994). O ensino dos desportos colectivos. Dinalivro. Lisboa BEZERRA, P. (2001): Pertinência do exercício de treino no futebol – Revista Treino Desporivo. Setembro, pp. 23-27. BOMPA, T. (1994), Theory and Methodology of Training - The Key to Athletic Performance, 3ª Edição, Ed. Orietta Cacina. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 107
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