Alguns poemas dispersos e uma
                                              parede só para mim




                                        Intervenção nos espaços do Museu de Arte
                                        Contemporânea do Funchal em diálogo com
                                        a exposição rotativa




MUSEU DE ARTE COMTEMPORÂNEA
FORTALEZA DE SÃO TIAGO - FUNCHAL


design gráfico: Márcia de Sousa
Ficha Técnica


Museu de Arte Contemporânea - Fortaleza de São Tiago
Região Autónoma da Madeira
Secretaria Regional da Educação e Cultura
Direcção Regional dos Assuntos Culturais
Direcção: José Manuel de Freitas Sainz- Trueva
Texto: Isabel Santa Clara
Secretariado: Inácia Vanda Rodrigues / Márcia de Sousa
Montagem: Teresa Jardim, Graça Berimbau, Domingas Pita,
                                                                            Teresa Jardim           11
Teresa Mafalda Gonçalves
Apoio à montagem: Agostinho de Andrade /Reginaldo
Gonçalves / Idalina Silva / Candida Pinto
                                                             Museu de Arte Contemporânea do Funchal
MAC                                                                            Fortaleza de São Tiago

Rua do Portão de São Tiago, 2050-260 Funchal
Tel: +351 291 213340 / Fax: +351 291 213348
e-mail: mac.funchal@sapo.pt ou mac.funchal@gmail.com
http://www.culturede.com/pt/museus/arte_contemporanea/li                                18 de Maio de 2011
                                                                              Dia Internacional dos Museus
sta.aspx
http://www.macfunchal.blogspot.com

                               Funchal, 18 de Maio de 2011
Agradecimentos:


Isabel Santa Clara, Graça Berimbau, Domingas Pita,
Teresa Mafalda Gonçalves, Nazaré Gonçalves
1981 – “Exposição Colectiva de Pintura e Escultura”, Ilhatur, Rua da
       Carreira, Funchal.
     –“Encontro Funchal em Lisboa”, Lisboa.
     –“Estudio Experimental de Desenho” (orientação do Professor Lagoa
       Henriques), Museu de Arte Sacra, Funchal.
     –“ 2ª Exposição Escolar ”, Galeria do ISAPM, Funchal.
1976 –“Poesia 76”, exposição de poesia ilustrada, átrio da CMF, Funchal.


Em poesia, entre outras participações, faz parte do CD editado pela Rádio
TSF, O canto dos poetas madeirenses; editou Anjos de Areia, DRAC, Funchal,
1993 e Jogos Radicais, Assírio e Alvim, Lisboa, 2010




                                                                             Eu vivo aqui no desenho mais alto da Ilha; continua a dar-
                                                                             me em cada manhã a revelação das mãos (excertos do
                                                                             livro Jogos Radicais. Desenho a grafite sobre madeira;
                                                                             espelho e 44 resmas de papel A4; vinil sobre parede).
                                                                             Pormenor da montagem
Alguns poemas dispersos e uma                       – “Artistas Madeirenses em Coimbra”, Galeria Cinco, Coimbra
                                                        parede só para mim               1987 – “dezassete Graus Oeste”, Galeria Altamira, Lisboa e, Galeria
                                                                                              Quetzal - “Marca-Madeira 87”, Funchal.
        Toda esta exposição de Teresa Jardim se organiza em torno do diálogo com              –Co-coordenação e participação na “I Mostra da Circul´Arte -
                                                                                              Associação de Artistas Plásticos da Madeira, mostra integrada na
peças da colecção do Museu de Arte Contemporânea do Funchal, seleccionadas e
                                                                                              Marca-Madeira 87”, Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal.
expostas segundo critérios dos próprios responsáveis pelo Museu. Por outras palavras,         –“III Prémio Vespeira”, Montijo.
as suas peças partem de um facto consumado, interferindo e dialogando com ele.           1986– “Nove Novos”, Galeria da SRTC, Machico, Madeira.
Se algumas delas são recuperadas de anteriores mostras, outras foram especificamente          –“Semana da Madeira em Coimbra”, Coimbra.
                                                                                         1985 –“II Prémio Vespeira”, Montijo.
(apetece dizer site-specificamente) criadas para esta circunstância, ou surgem
                                                                                              –“Seis Novos Artistas Plásticos”, Galeria da SRTC, Funchal.
espacializadas de outro modo, como acontece com os poemas. Estamos, pois, perante             –“Encontro Madeira-Açores”, org. DRAC/Madeira e ISAPM,
uma leitura muito pessoal tanto do espaço do Museu como das obras expostas, feita             Academia das Artes, Ponta Delgada, Açores.
                                                                                              –“I Bienal dos Açores e Atlântico”, Ponta Delgada, Açores.
por alguém que tem vindo a trabalhar, de diversas maneiras, a transversalidade entre
                                                                                              –“Fotografia & Design”, Galeria do ISAPM, Funchal.
palavras e imagens.
                                                                                              –“Panorâmica”, Galeria do Casino Estoril.
        A poesia escapa ao livro e corre pelas paredes, num outro face a face com o      1983 –“24 Artistas Madeirenses nos Açores”, Ponta Delgada, Açores.
leitor. Assim exposto, destituído da protecção da página e da capa, o texto adquire           –“Exposição 83”, Galeria do Museu de Arte Sacra, Funchal.
                                                                                         1982 –“Salão de Artes Plásticas”, Dia da Cidade do Funchal, Teatro
uma força interpelativa. São vários os processos utilizados para escrever o texto, ora
                                                                                              Baltazar Dias, Funchal.
os caracteres emergem como um intervalo nos gestos do desenho, ora são escritos               –“Exposição Colectiva de Artes Plásticas”, org. Ilhatur, Pátio da
a cheio. São as palavras em néon, no entanto, que exploram de modo ainda mais                 Rua da Carreira, Funchal.
evidente essa flutuação entre legibilidade e a visibilidade das palavras.
1996 – Co-organização e participação em “Ilhas de Babel”, Galeria da                      O jogo com o espaço, com a matéria, com as coisas, é por vezes
       SRTC, Funchal.
                                                                                desconcertante, como acontece na zona da capela em que, ao mar desmaterializado
1993 – Organização e participação em “Escada de Jacob”, com Lígia
                                                                                do andar de baixo, corresponde um céu inscrito no cimento tangível e opaco. Uma
       Gontardo, Domingas Pita e Eduardo de Freitas, Casa Museu
       Frederico de Freitas, Funchal.                                           substância feita para a imobilidade e a sedentarização, vertida na portabilidade de
1991 –“Olhares Atlânticos”, Bi blioteca Nacional, Lisboa.                       uma mala. É a mesma atitude, afinal, com que nos deparamos muitas vezes nos
     –“Diálogos”, colectiva com Guilhermina da Luz, Graça Berimbau,
                                                                                poemas, já desde os Anjos de Areia: o oxímoro, a transfiguração do literal, a ironia
       Domingas Pita, Filipa Venâncio, e Mafalda Gonçalves, Galeria da
       CMPS, Porto Santo.                                                       acre. Para além da mala, a tábua de engomar e as cadeiras são objectos desviados
1990 –Co-coordenação e participação em “Ideias & Argumentos”, Colectiva         da quotidiana banalidade, da domesticidade, apresentados em situação de tensão
       da Circul´Arte - Associação de Artistas Plásticos da Madeira, Funchal.   com a palavra. A cor, usada com parcimónia, também participa desta estratégia
     –“Formação Designer”, org. Instituto Superior de Artes Plásticas da
                                                                                desviante, como mostram os rostos obsessivamente repetidos e padronizados que
       Madeira, Galeria SRTC, Funchal.
1989 – “WOAUH”, Galeria da SRTC, Funchal.                                       revestem as peças Pele e Amor, lembrando que nem sempre o cor-de-rosa é o que
     –Co-coordenação e participação na “II Mostra da Circul´Arte -              parece.
       Associação de Artistas Plásticos da Madeira”, Teatro Municipal
                                                                                          Uma outra atitude recorrente em Teresa Jardim é o desnudar do acto criativo,
       Baltazar Dias, Funchal.
     –“II Mostra de Poesia Ilustrada”, Teatro Municipal Baltazar Dias,          neste caso é conseguido pelo work in progress a que se pode assistir, já que a
       Funchal                                                                  elaboração de uma das peças se vai desenrolando já na presença dos visitantes. De
1988 –Co-coordenação e participação na representação de artistas no             certo modo, esta atitude complementa outras achegas anteriores, que falam
       stand da Circul´Arte, Fórum de Arte Contemporânea, Lisboa.
                                                                                bastidores do poema, e da sua gestação.
     – “Insinuações & Propostas”, Colectiva da Circul’Arte, Teatro Baltazar
       Dias, Funchal.
2000 - “20 Anos de Artes Plásticas na Madeira”, MAC, Casa da Cultura
                                                           de Santa Cruz, Madeira
                                                           - “Marca Madeira /2000”, pela Galeria da SRTC, Madeira Tecnopolo,
                                                           Funchal
                                                      1999 –“1º Concurso Regional de Artes Plásticas, Casa das Mudas onde
                                                             obteve Menção Honrosa.
                                                           –“Um Retrato para Fernando Pessoa”, org. Associação Fernando
                                                             Pessoa, Porto.
                                                           –“20 Anos de Artes Plásticas na Madeira, Museu de Arte
                                                             Contemporânea, Funchal.
                                                           –“O Lugar da Ilha”, Museu de Arte Contemporânea, Funchal.
                                                           –“Ao Largo das Ilhas”, Galeria Arco 8, parceria da DRAC/Circul´Arte,
                                                             Ponta Delgada, Açores.
                                                      1998 –Co-realização e participação em “Os Passos do Tempo”, Casa das
                                                             Mudas, Calheta.
                                                           – “Primeiro Prémio do Concurso de pintura e Escultura”, Galeria
                                                             Inquisição.
                                                      1997 – “A Casa, a Terra, o Céu - Lisboa Contemporânea”, Galeria Altamira,
                                                             Lisboa.
                                                           –“FAC 97 - Feira de Arte Contemporânea”, Fil, Lisboa.
                                                           –“Acreditar”, Exposição Colectiva de Artes Plásticas, Galeria da SRTC,
                                                             Funchal
Poema (tecitura com livros de poesia; luz de néon).
Pormenor da montagem                                       –“Marca-Madeira 97”, participação pela Galeria Edicarte e Galeria
                                                             da SRTC, Funchal.
2007 –“Semear ainda Compensa?”, exposição com Domingas Pita, Casa              Assim, temos a instalação Poema, aqui presente, em que a palavra escrita a néon se
     da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, Madeira.                  ergue, como um título, sobre livros atados sinapticamente uns os outros construindo
     – Natal Ilha, Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos,                                                                           1
                                                                               uma paisagem mental para as palavras ; mais virada para o tempo de pousio, lembremos
     Madeira
2006 - “Stock Paiting” Casa Museu Universo de Memórias, Funchal                a performance durante a inauguração de Hortus Deliciarum, em que Teresa Jardim
2005 - “casas próximas”, exposição com Domingas Pita e Miguel Ângelo           ficou em repouso sobre o piano, com folhas em branco espalhadas em volta, num
       Martins, Espaço Magnólia, Funchal.                                      sono/ sonho que marca o tempo de intervalo entre duas fases de laboração.
                                                                                                                                                                                                           2


       – Concertos de Primavera, Jardim Botânico e Museu da
                                                                                             O título Alguns poemas dispersos e uma parede só para mim aponta uma
       Electricidade - Casa da Luz, Funchal.
2004 –“Lonarte – Arte na rua”, projecto de poesia de Teresa Jardim             dicotomia esclarecedora, a da dispersão/concentração que atravessa, em jeito de
       intitulada “Jardins do Mar Suspensos”, com ilustrações de Domingas      pulsação, este e outros momentos do trabalho de Teresa Jardim. Nessa parede só
       Pita e Teresa Jardim impressas em faixas de lona; promoção da
                                                                               para ela (qual o indispensável room of one’s own) há uma paisagem escrita devagar,
       Casa das Mudas - Casa da Cultura da Calheta, Calheta, Madeira.
                                                                               que me lembra a reflexão de Perejaume, no seu livro La obra y el miedo: as formas
     –“20 Olhares sobre o corpo em movimento”, Museu da Electricidade
       - Casa da Luz, Funchal.                                                 actuais de paisagismo parecem ter incorporado o tempo como mais um elemento
     –“Ilustração da Obra de John dos Passos”, Centro Cultural John dos        territorial. Por outras palavras, não se trata já de representar uma paisagem vista,
       Passos, Ponta do Sol, Madeira.
                                                                               mas de evocar uma paisagem vivida. E de um tempo, pessoal e intransmissível, mas
     – II Feira Transregional de Economia Solidária, Las Palmas, Canárias
2002 – Co-organização e participação em “Duas Dúzias e Meia de Postais         nem por isso menos partilhável, dão conta os gestos e os percursos que invadiram
       (um olhar feminino em torno do Natal)”, Atelier de artistas, Funchal.   a paisagem física e mental deste Museu.
2001 – Co-organização e participação em “Galeria em Grande – Exposição
       Colectiva de Pequeno Formato”, Galeria da SRTC, Funchal.

                                                                                                                                                                           Isabel Santa Clara

                                                                               1-Apresentada pela primeira vez em 2007, na Casa da Cultura de Câmara de Lobos, integrada na exposição Semear ainda compensa?.

                                                                               2 - Hortus Deliciarum, Salão Nobre do Teatro Municipal do Funchal, Abril de 2010.
Teresa Jardim

                                                          Teresa Maria Gonçalves Jardim é licenciada em Artes Plásticas/Pintura e
                                                          em Design de Projectação Gráfica. É professora de Artes Visuais, da Escola
                                                          Secundária de Francisco Franco.


                                                          Exposições individuais:
                                                          2001 – “eu vivo aqui”, Galeria da SRTC, Funchal.
                                                          1997 – “Jogos de Adivinhação”, Galeria da SRTC, Funchal.
                                                          1984 – “porque te amo”, Galeria do ISAPM, Funchal.
                                                          Co-organizou e/ou participou, desde 1976, em mais de meia centena de
                                                          exposições colectivas, das quais destaca:
                                                          2010 – “Hortus Deliciarum”, com Alice Sousa, Carmen e J. Manuel
                                                               Gomes, Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal.
                                                          2009 – “Viagem ao Coração dos Pássaros”, Casa da Cultura de Câmara de
                                                               Lobos, Câmara de Lobos, Madeira.
                                                               – “Conceito Estreito 2”, Centro Cívico do Estreito de Câmara de
                                                               Lobos, Câmara de Lobos.
                                                          2008 –“Horizonte Móvel – Artes Plásticas na Madeira 1960-2008”, Museu
                                                               de Arte Contemporânea, Fortaleza de São Tiago, Funchal.
                                                               –“Conceito Estreito”, Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara
                                                               de Lobos, Madeira.
                                                               – “Omeninodasuamãe”, Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara
                                                               de Lobos, Madeira
Memória (luz de néon, espelho e fotografia sobre tela).
As palavras caem do céu                                                                     Não dei a volta

                                                                                            Não dei a volta à chave
A explicação
                                                                                            o poema abriu
é simples: as palavras caem do céu

da boca                                                                                     o nosso quarto
pequenos milagres                                                                           escuro, o osso da cabeça
que esqueço nas escarpas
                                                                                            dura
da pele

se escrevo rumores, a sombra projectada                                                     palavras em pele
do sangue
                                                                                            e osso.




                                     A pele (pintura a acrílico e luz de néon sobre tela;                              O céu e o mar (objecto/mala e palavra sulcada em
                                     poema recortado em vinil – As palavras caem do céu).                              cimento).
Sais de prata

Rede de malha
fina espessura de palavras, o espelho
redondo, o jarrão de flores


o sorriso de sais de prata ensaiado
vezes sem conta, nas fotografias demoradas
no estúdio da Photographia Vicentes


o tempo distendido das Ilhas, diz-se


braço de anzóis
que mais tarde ou mais cedo descobrirás
sobre os meus ombros
                                             poemas: Sais de prata, Biografia adiada, (tapume com
                                             sacos de plástico e papel amachucado dentro; poemas
                                             recortados em vinil).

Alguns poemas dispersos e uma parede só para mim...

  • 1.
    Alguns poemas dispersose uma parede só para mim Intervenção nos espaços do Museu de Arte Contemporânea do Funchal em diálogo com a exposição rotativa MUSEU DE ARTE COMTEMPORÂNEA FORTALEZA DE SÃO TIAGO - FUNCHAL design gráfico: Márcia de Sousa
  • 2.
    Ficha Técnica Museu deArte Contemporânea - Fortaleza de São Tiago Região Autónoma da Madeira Secretaria Regional da Educação e Cultura Direcção Regional dos Assuntos Culturais Direcção: José Manuel de Freitas Sainz- Trueva Texto: Isabel Santa Clara Secretariado: Inácia Vanda Rodrigues / Márcia de Sousa Montagem: Teresa Jardim, Graça Berimbau, Domingas Pita, Teresa Jardim 11 Teresa Mafalda Gonçalves Apoio à montagem: Agostinho de Andrade /Reginaldo Gonçalves / Idalina Silva / Candida Pinto Museu de Arte Contemporânea do Funchal MAC Fortaleza de São Tiago Rua do Portão de São Tiago, 2050-260 Funchal Tel: +351 291 213340 / Fax: +351 291 213348 e-mail: mac.funchal@sapo.pt ou mac.funchal@gmail.com http://www.culturede.com/pt/museus/arte_contemporanea/li 18 de Maio de 2011 Dia Internacional dos Museus sta.aspx http://www.macfunchal.blogspot.com Funchal, 18 de Maio de 2011
  • 3.
    Agradecimentos: Isabel Santa Clara,Graça Berimbau, Domingas Pita, Teresa Mafalda Gonçalves, Nazaré Gonçalves
  • 4.
    1981 – “ExposiçãoColectiva de Pintura e Escultura”, Ilhatur, Rua da Carreira, Funchal. –“Encontro Funchal em Lisboa”, Lisboa. –“Estudio Experimental de Desenho” (orientação do Professor Lagoa Henriques), Museu de Arte Sacra, Funchal. –“ 2ª Exposição Escolar ”, Galeria do ISAPM, Funchal. 1976 –“Poesia 76”, exposição de poesia ilustrada, átrio da CMF, Funchal. Em poesia, entre outras participações, faz parte do CD editado pela Rádio TSF, O canto dos poetas madeirenses; editou Anjos de Areia, DRAC, Funchal, 1993 e Jogos Radicais, Assírio e Alvim, Lisboa, 2010 Eu vivo aqui no desenho mais alto da Ilha; continua a dar- me em cada manhã a revelação das mãos (excertos do livro Jogos Radicais. Desenho a grafite sobre madeira; espelho e 44 resmas de papel A4; vinil sobre parede). Pormenor da montagem
  • 5.
    Alguns poemas dispersose uma – “Artistas Madeirenses em Coimbra”, Galeria Cinco, Coimbra parede só para mim 1987 – “dezassete Graus Oeste”, Galeria Altamira, Lisboa e, Galeria Quetzal - “Marca-Madeira 87”, Funchal. Toda esta exposição de Teresa Jardim se organiza em torno do diálogo com –Co-coordenação e participação na “I Mostra da Circul´Arte - Associação de Artistas Plásticos da Madeira, mostra integrada na peças da colecção do Museu de Arte Contemporânea do Funchal, seleccionadas e Marca-Madeira 87”, Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal. expostas segundo critérios dos próprios responsáveis pelo Museu. Por outras palavras, –“III Prémio Vespeira”, Montijo. as suas peças partem de um facto consumado, interferindo e dialogando com ele. 1986– “Nove Novos”, Galeria da SRTC, Machico, Madeira. Se algumas delas são recuperadas de anteriores mostras, outras foram especificamente –“Semana da Madeira em Coimbra”, Coimbra. 1985 –“II Prémio Vespeira”, Montijo. (apetece dizer site-specificamente) criadas para esta circunstância, ou surgem –“Seis Novos Artistas Plásticos”, Galeria da SRTC, Funchal. espacializadas de outro modo, como acontece com os poemas. Estamos, pois, perante –“Encontro Madeira-Açores”, org. DRAC/Madeira e ISAPM, uma leitura muito pessoal tanto do espaço do Museu como das obras expostas, feita Academia das Artes, Ponta Delgada, Açores. –“I Bienal dos Açores e Atlântico”, Ponta Delgada, Açores. por alguém que tem vindo a trabalhar, de diversas maneiras, a transversalidade entre –“Fotografia & Design”, Galeria do ISAPM, Funchal. palavras e imagens. –“Panorâmica”, Galeria do Casino Estoril. A poesia escapa ao livro e corre pelas paredes, num outro face a face com o 1983 –“24 Artistas Madeirenses nos Açores”, Ponta Delgada, Açores. leitor. Assim exposto, destituído da protecção da página e da capa, o texto adquire –“Exposição 83”, Galeria do Museu de Arte Sacra, Funchal. 1982 –“Salão de Artes Plásticas”, Dia da Cidade do Funchal, Teatro uma força interpelativa. São vários os processos utilizados para escrever o texto, ora Baltazar Dias, Funchal. os caracteres emergem como um intervalo nos gestos do desenho, ora são escritos –“Exposição Colectiva de Artes Plásticas”, org. Ilhatur, Pátio da a cheio. São as palavras em néon, no entanto, que exploram de modo ainda mais Rua da Carreira, Funchal. evidente essa flutuação entre legibilidade e a visibilidade das palavras.
  • 6.
    1996 – Co-organizaçãoe participação em “Ilhas de Babel”, Galeria da O jogo com o espaço, com a matéria, com as coisas, é por vezes SRTC, Funchal. desconcertante, como acontece na zona da capela em que, ao mar desmaterializado 1993 – Organização e participação em “Escada de Jacob”, com Lígia do andar de baixo, corresponde um céu inscrito no cimento tangível e opaco. Uma Gontardo, Domingas Pita e Eduardo de Freitas, Casa Museu Frederico de Freitas, Funchal. substância feita para a imobilidade e a sedentarização, vertida na portabilidade de 1991 –“Olhares Atlânticos”, Bi blioteca Nacional, Lisboa. uma mala. É a mesma atitude, afinal, com que nos deparamos muitas vezes nos –“Diálogos”, colectiva com Guilhermina da Luz, Graça Berimbau, poemas, já desde os Anjos de Areia: o oxímoro, a transfiguração do literal, a ironia Domingas Pita, Filipa Venâncio, e Mafalda Gonçalves, Galeria da CMPS, Porto Santo. acre. Para além da mala, a tábua de engomar e as cadeiras são objectos desviados 1990 –Co-coordenação e participação em “Ideias & Argumentos”, Colectiva da quotidiana banalidade, da domesticidade, apresentados em situação de tensão da Circul´Arte - Associação de Artistas Plásticos da Madeira, Funchal. com a palavra. A cor, usada com parcimónia, também participa desta estratégia –“Formação Designer”, org. Instituto Superior de Artes Plásticas da desviante, como mostram os rostos obsessivamente repetidos e padronizados que Madeira, Galeria SRTC, Funchal. 1989 – “WOAUH”, Galeria da SRTC, Funchal. revestem as peças Pele e Amor, lembrando que nem sempre o cor-de-rosa é o que –Co-coordenação e participação na “II Mostra da Circul´Arte - parece. Associação de Artistas Plásticos da Madeira”, Teatro Municipal Uma outra atitude recorrente em Teresa Jardim é o desnudar do acto criativo, Baltazar Dias, Funchal. –“II Mostra de Poesia Ilustrada”, Teatro Municipal Baltazar Dias, neste caso é conseguido pelo work in progress a que se pode assistir, já que a Funchal elaboração de uma das peças se vai desenrolando já na presença dos visitantes. De 1988 –Co-coordenação e participação na representação de artistas no certo modo, esta atitude complementa outras achegas anteriores, que falam stand da Circul´Arte, Fórum de Arte Contemporânea, Lisboa. bastidores do poema, e da sua gestação. – “Insinuações & Propostas”, Colectiva da Circul’Arte, Teatro Baltazar Dias, Funchal.
  • 7.
    2000 - “20Anos de Artes Plásticas na Madeira”, MAC, Casa da Cultura de Santa Cruz, Madeira - “Marca Madeira /2000”, pela Galeria da SRTC, Madeira Tecnopolo, Funchal 1999 –“1º Concurso Regional de Artes Plásticas, Casa das Mudas onde obteve Menção Honrosa. –“Um Retrato para Fernando Pessoa”, org. Associação Fernando Pessoa, Porto. –“20 Anos de Artes Plásticas na Madeira, Museu de Arte Contemporânea, Funchal. –“O Lugar da Ilha”, Museu de Arte Contemporânea, Funchal. –“Ao Largo das Ilhas”, Galeria Arco 8, parceria da DRAC/Circul´Arte, Ponta Delgada, Açores. 1998 –Co-realização e participação em “Os Passos do Tempo”, Casa das Mudas, Calheta. – “Primeiro Prémio do Concurso de pintura e Escultura”, Galeria Inquisição. 1997 – “A Casa, a Terra, o Céu - Lisboa Contemporânea”, Galeria Altamira, Lisboa. –“FAC 97 - Feira de Arte Contemporânea”, Fil, Lisboa. –“Acreditar”, Exposição Colectiva de Artes Plásticas, Galeria da SRTC, Funchal Poema (tecitura com livros de poesia; luz de néon). Pormenor da montagem –“Marca-Madeira 97”, participação pela Galeria Edicarte e Galeria da SRTC, Funchal.
  • 8.
    2007 –“Semear aindaCompensa?”, exposição com Domingas Pita, Casa Assim, temos a instalação Poema, aqui presente, em que a palavra escrita a néon se da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, Madeira. ergue, como um título, sobre livros atados sinapticamente uns os outros construindo – Natal Ilha, Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, 1 uma paisagem mental para as palavras ; mais virada para o tempo de pousio, lembremos Madeira 2006 - “Stock Paiting” Casa Museu Universo de Memórias, Funchal a performance durante a inauguração de Hortus Deliciarum, em que Teresa Jardim 2005 - “casas próximas”, exposição com Domingas Pita e Miguel Ângelo ficou em repouso sobre o piano, com folhas em branco espalhadas em volta, num Martins, Espaço Magnólia, Funchal. sono/ sonho que marca o tempo de intervalo entre duas fases de laboração. 2 – Concertos de Primavera, Jardim Botânico e Museu da O título Alguns poemas dispersos e uma parede só para mim aponta uma Electricidade - Casa da Luz, Funchal. 2004 –“Lonarte – Arte na rua”, projecto de poesia de Teresa Jardim dicotomia esclarecedora, a da dispersão/concentração que atravessa, em jeito de intitulada “Jardins do Mar Suspensos”, com ilustrações de Domingas pulsação, este e outros momentos do trabalho de Teresa Jardim. Nessa parede só Pita e Teresa Jardim impressas em faixas de lona; promoção da para ela (qual o indispensável room of one’s own) há uma paisagem escrita devagar, Casa das Mudas - Casa da Cultura da Calheta, Calheta, Madeira. que me lembra a reflexão de Perejaume, no seu livro La obra y el miedo: as formas –“20 Olhares sobre o corpo em movimento”, Museu da Electricidade - Casa da Luz, Funchal. actuais de paisagismo parecem ter incorporado o tempo como mais um elemento –“Ilustração da Obra de John dos Passos”, Centro Cultural John dos territorial. Por outras palavras, não se trata já de representar uma paisagem vista, Passos, Ponta do Sol, Madeira. mas de evocar uma paisagem vivida. E de um tempo, pessoal e intransmissível, mas – II Feira Transregional de Economia Solidária, Las Palmas, Canárias 2002 – Co-organização e participação em “Duas Dúzias e Meia de Postais nem por isso menos partilhável, dão conta os gestos e os percursos que invadiram (um olhar feminino em torno do Natal)”, Atelier de artistas, Funchal. a paisagem física e mental deste Museu. 2001 – Co-organização e participação em “Galeria em Grande – Exposição Colectiva de Pequeno Formato”, Galeria da SRTC, Funchal. Isabel Santa Clara 1-Apresentada pela primeira vez em 2007, na Casa da Cultura de Câmara de Lobos, integrada na exposição Semear ainda compensa?. 2 - Hortus Deliciarum, Salão Nobre do Teatro Municipal do Funchal, Abril de 2010.
  • 9.
    Teresa Jardim Teresa Maria Gonçalves Jardim é licenciada em Artes Plásticas/Pintura e em Design de Projectação Gráfica. É professora de Artes Visuais, da Escola Secundária de Francisco Franco. Exposições individuais: 2001 – “eu vivo aqui”, Galeria da SRTC, Funchal. 1997 – “Jogos de Adivinhação”, Galeria da SRTC, Funchal. 1984 – “porque te amo”, Galeria do ISAPM, Funchal. Co-organizou e/ou participou, desde 1976, em mais de meia centena de exposições colectivas, das quais destaca: 2010 – “Hortus Deliciarum”, com Alice Sousa, Carmen e J. Manuel Gomes, Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal. 2009 – “Viagem ao Coração dos Pássaros”, Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, Madeira. – “Conceito Estreito 2”, Centro Cívico do Estreito de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos. 2008 –“Horizonte Móvel – Artes Plásticas na Madeira 1960-2008”, Museu de Arte Contemporânea, Fortaleza de São Tiago, Funchal. –“Conceito Estreito”, Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, Madeira. – “Omeninodasuamãe”, Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, Madeira Memória (luz de néon, espelho e fotografia sobre tela).
  • 10.
    As palavras caemdo céu Não dei a volta Não dei a volta à chave A explicação o poema abriu é simples: as palavras caem do céu da boca o nosso quarto pequenos milagres escuro, o osso da cabeça que esqueço nas escarpas dura da pele se escrevo rumores, a sombra projectada palavras em pele do sangue e osso. A pele (pintura a acrílico e luz de néon sobre tela; O céu e o mar (objecto/mala e palavra sulcada em poema recortado em vinil – As palavras caem do céu). cimento).
  • 11.
    Sais de prata Redede malha fina espessura de palavras, o espelho redondo, o jarrão de flores o sorriso de sais de prata ensaiado vezes sem conta, nas fotografias demoradas no estúdio da Photographia Vicentes o tempo distendido das Ilhas, diz-se braço de anzóis que mais tarde ou mais cedo descobrirás sobre os meus ombros poemas: Sais de prata, Biografia adiada, (tapume com sacos de plástico e papel amachucado dentro; poemas recortados em vinil).