O agendamento, as
interacções entre
jornalistas e fontes de
informação e o
jornalismo ambiental
Jorge Pedro Sousa
Universidade Fernando Pessoa e CIMJ
jorgepedrosousa@hotmail.com
Objectivos
 Rever a pesquisa sobre agendamento aplicada
ao jornalismo ambiental;
 Rever a pesquisa sobre as interacções entre
fontes e jornalistas no campo do jornalismo
ambiental;
 Construir uma reflexão sobre o papel do
jornalismo ambiental nas sociedades
contemporâneas e as possibilidades de
melhorar esta especialização jornalística.
Um pressuposto: o
ambiente é notícia…
 Porquê?
– Experiência de problemas ambientais concretos e
reais pelos cidadãos;
– Expansão da cultura ambientalista, da qual
emergiram várias forças sociais e políticas e a
partir da qual se construíram, inclusivamente,
políticas governamentais “verdes”;
– Lugar na mídia que essas interacções propiciaram
contribuiu, retroactivamente, para que se desse
maior importância ao ambiente.
Os problemas ambientais,
amplificados pelos meios de
comunicação, desceram aos fóruns
público e político, o que lhes
garante uma dimensão social que
extravasa a dimensão natural, ou
seja, bio-físico-química, dos
mesmos.
Sousa, 2008
Campos principais de pesquisa
sobre jornalismo e ambiente
 Influência das mensagens mediáticas
nos conhecimentos, atitudes,
orientação, crenças, sentimentos e
comportamentos das pessoas face ao
ambiente.
– Exemplo: Holbert, Kwak e Shah (2003)
mostraram que as notícias ambientais e os
documentários da natureza emitidos pela
televisão contribuem para a adopção de
comportamentos pró-ambientais.
Campos principais de pesquisa
sobre jornalismo e ambiente
 Estudo das mensagens mediáticas ambientais, das
narrativas que usam e dos enquadramentos que
sugerem e suas possíveis consequências.
– Exemplo 1: Griffin e Dunwoody (1997) descobriram
que, no caso estudado, os enquadramentos
sugeridos para os riscos ambientais pelos políticos
foram mais usados do que aqueles que foram
sugeridos por cientistas.
– Exemplo 2: Outros estudos descobriram que, em
matéria ambiental, os jornalistas tendem a cobrir,
essencialmente, as catástrofes ambientais, num
tom negativo e exagerando os riscos (Shanahan e
McComas, 1997; Shanahan e McComas, 1999;
Gorney, 1992)
Campos principais de pesquisa
sobre jornalismo e ambiente
 Interacções entre as fontes de informação e
os jornalistas e sua influência na construção
das notícias ambientais.
– Exemplo: Pereira Rosa (2006) mostrou que a
associação ambientalista portuguesa Quercus se
tornou uma fonte rotineira dos jornalistas graças à
cientificidade dos seus relatórios ambientais e à
capacidade que demonstra em traduzir em
linguagem simples o jargão técnico-científico
desses relatórios.
Campos principais de pesquisa
sobre jornalismo e ambiente
 Estudos sobre a influência do jornalismo na
inscrição de temas ambientais nas várias
agendas.
– Exemplo 1: Ader (1995), por exemplo, observou
que as notícias sobre a poluição influenciam a
saliência que o tema “poluição” adquire na agenda
pública .
– Exemplo 2: Brother et al. (1991), por sua vez,
estabeleceram relações entre as notícias
ambientais e o conhecimento público acerca das
questões ambientais e da atitude das pessoas para
com o ambiente.
O que nos
mostram as
pesquisas sobre
agendamento?
O processo de agendamento
(Rogers, Dearing e Bregman, 1988)
Gatekeepers,
media
influentes,
acontecimentos
noticiosos
espectaculares
Indicadores do mundo real da importância de uma questão
ou acontecimento
Experiência pessoal, conversação interpessoal e conversação
interpessoal entre as elites e outros indivíduos
Agenda
mediática
Agenda
pública
Agenda
política
O processo de agendamento
(Traquina, 2000)
Experiência
directa
e
conversas
interpessoais
Acontecimentos do mundo real
Acções de outros agentes sociais
Agenda
pública
Agenda
jornalística
Agenda das
agendas
políticas
Campo
político
Campo
jornalístico
O poder do jornalismo…
 Agendar directamente temas que são
objecto de debate público e político, em
especial quando subsistem necessidades de
“orientação”
 Modelar as cognições da realidade
 Agendar enquadramentos (as interpretações
dos assuntos) nas várias agendas
 Fomentar o desenvolvimento de correntes
de opinião
O poder do jornalismo…
 Influenciar a governação, o debate político e
a luta política
 Influenciar cognições, atitudes e
comportamentos
 Estabelecer os padrões de “avaliação do
desempenho” dos líderes políticos e sociais
 Influenciar a hierarquização dos temas nas
agendas pública e política
No que respeita ao ambiente há
correlação entre as agendas
mediática e pública.
Estebán, 2000
O jornalismo tem, então, o
poder de influenciar as
agendas. Mas, no que
respeita ao ambiente, que
uso faz desse poder?
O que nos diz a pesquisa empírica
sobre agendamento, jornalismo e
ambiente
 As interpretações que circulam
publicamente sobre o ambiente decorrem
das interpretações publicitadas pela mídia
(Gamson e Modigliani, 1989).
 Os atributos das questões ambientais
considerados importantes pelo público
correspondem aos que são destacados na
cobertura jornalística (Cohen, 1993).
O que nos diz a pesquisa empírica
sobre agendamento, jornalismo e
ambiente
 Perales e García (1999: 151) afirmam que
as acções e propostas ambientalistas
alimentam a comunicação social, mas esta
também promove a importância do
ambientalismo.
 Os ambientalistas promovem a ascensão de
determinados acontecimentos e
problemáticas ambientais à categoria de
notícias (Molotch e Lester, 1975).
O que nos diz a pesquisa empírica
sobre agendamento, jornalismo e
ambiente
 O protagonismo das preocupações
ambientais na agenda pública e na agenda
política obriga a mídia a cobrir o assunto por
sua própria iniciativa (McCormick, 1989).
 As crises ambientais são midiagénicas,
tendo-se tornado no principal modelador da
consciência ambiental (Suhonen, 1993;
Molotch e Lester, 1975).
O que nos diz a pesquisa empírica
sobre agendamento, jornalismo e
ambiente
 É através da mídia que as pessoas tomam
conhecimento dos problemas ambientais, pois na
maioria das vezes não têm experiência directa dos
mesmos (Véron, 1981).
 A orquestração provocada pelo agendamento entre
os veículos torna semelhantes os enquadramentos
dados aos problemas ambientais, o que facilita a
transposição desses enquadramentos para a
agenda pública (McCombs e Bell, 1995).
O que nos diz a pesquisa empírica
sobre agendamento, jornalismo e
ambiente
 É A mídia dramatiza e empola os problemas
ambientais, pelo que o real estado do
ambiente é melhor do que a imagem que a
mídia dele projecta (Hansen, 1993).
 Através da preocupação ambiental que
causa no público, a mídia condiciona a
acção do Governo (Garraud, 1979).
O que nos diz a pesquisa empírica
sobre agendamento, jornalismo e
ambiente
 Quais os factores que facilitam o
agendamento público de problemas
ambientais cobertos pela mídia?
– Quantidade da cobertura (Friedman et al., 1993);
– Orquestração (Anderson, 1997);
– Permanência da cobertura (Salwen, 1988).
– Discussão política sobre o ambiente (Anderson,
1997).
O que nos diz a pesquisa empírica
sobre agendamento, jornalismo e
ambiente
 Os critérios de noticiabilidade e os
padrões de acesso ao campo
jornalístico conspiram para que a
atenção ao ambiente seja cíclica
(Pereira Rosa, 2006; Schmidt,
2003; Parrat, 2006…)
Quando é que o ambiente é
notícia?
Quando é que o ambiente é
notícia?
Quando é que o ambiente é
notícia?
Quando é que o ambiente é
notícia?
Quando é que o ambiente é
notícia?
Quando é que o ambiente é
notícia?
Sendo seguro afirmar a receptividade dos
cidadãos aos temas ambientais, até porque
estes muitas vezes estão relacionados com a
sobrevivência e a qualidade de vida das
pessoas, então o jornalismo tem importantes
responsabilidades na difusão de uma
informação rigorosa e o mais independente e
balanceada possível sobre essas questões,
pois a construção das agendas pública e
política é influenciada pelos conteúdos
veiculados pelos meios jornalísticos.
Sousa, 2008
Um outro problema: a interacção entre
jornalistas e fontes no domínio ambiental –
Resultados da pesquisa empírica
 Os jornalistas tendem a não se sintonizar com as
posições ambientais das “fontes oficiais” (Neuzil e
Kovarik, 1996).
 Estudos diferentes sobre o recurso a “fontes oficiais”
em notícias ambientais deram resultados diferentes:
– Predominam as fontes oficiais (Hansen, 1990).
– Predominam as fontes ambientalistas (Kitzinger e Reilly,
2002).
– Há grande diversidade de fontes (Schmidt, 2003).
Um outro problema: a interacção entre
jornalistas e fontes no domínio ambiental –
Resultados da pesquisa empírica
 A diversidade de fontes, lutando pelo acesso
à mídia e pela definição de sentido para os
problemas ambientais, e a diversidade de
coberturas asseguram que ao cidadão
chegam várias perspectivas sobre os
problemas ambientais (Nimmo, 1985).
 Os meios jornalísticos mais balanceados nas
fontes e mais rigorosos e contextuais
tendem a ser recompensados pelo público e
reconhecidos pelos pares (Dejten e
Fitzgerald, 1995).
Um outro problema: a interacção entre
jornalistas e fontes no domínio ambiental –
Resultados da pesquisa empírica
 As definições dadas para os problemas
ambientais pelas fontes oficiais ou
outras nem sempre são
compartilhadas pelo público (Smith,
1993).
 As fontes das notícias ambientais nem
sempre são as mais competentes
(Anderson, 1993).
Um outro problema: a interacção entre
jornalistas e fontes no domínio ambiental –
Resultados da pesquisa empírica
 As fontes podem dizer não o que
realmente pensam mas o que pensam
que a entidade contratante quer que
elas digam (Bueno, 2007).
 As fontes interessadas acompanham a
cobertura e vão-se sintonizando com
ela (Burgess e Harrison, 1993).
Um terceiro factor a ponderar:
as notícias ambientais
 Centram-se em questões ético-políticas, evitando as questões
técnico-científicas (Thales de Andrade, 2003; Schmidt, 2003).
 Podendo ser balanceadas, nem sempre são rigorosas:
 Problemas ambientais podem ser empolados e dramatizados
(Mormont e Dasnoy, 1993);
 Têm dificuldade em traduzir com rigor o cientifiquês (Schmidt,
2003);
 São pouco contextuais, não correlacionando os problemas
ambientais com outros, como os problemas de saúde (Motta et al.,
2006);
 Acentuam a dimensão económica das questões ambientais (“o
ambiente é mercadoria”), em detrimento de outras dimensões
(equilíbrio ecológico, saúde e bem-estar, sobrevivência do homem…)
(Motta et al., 2006; Abreu, 2006).
Propostas
 Criar nos meios jornalísticos
secções/editorias fixas e estáveis
dedicadas ao ambiente
 Possibilitar a especialização jornalística
em ambiente
 Usar o jornalismo para a eco-
alfabetização
Propostas
 Fabricar informação que respeite o
rigor científico, evitando cair na eco-
militância
 Descodificar o ecologês e o
cientifiquês, tornando-os jornalês
 Zelar pela independência jornalística e
pelo balanceamento face a todas as
fontes interessadas em enquadrar as
coberturas dos temas ambientais
Propostas
 Ouvir os especialistas mas também as
populações afectadas pelos problemas
ambientais
 Para informar sobre ambiente não é
preciso enfadar
 Obrigar os políticos a prestar contas
perante o “tribunal da opinião pública”
no que respeita aos problemas
ambientais
Propostas
 Oferecer informação de proximidade
sobre problemas ambientais
 Oferecer informação útil sobre
ambiente
 Oferecer, ao informar, alternativas de
atitudes e comportamentos que o
receptor possa assumir para contribuir
pessoalmente para a resolução dos
problemas ambientais
Propostas
 Situar os problemas ambientais nos
seus contextos
Em suma, a responsabilidade primeira do
jornalismo, ontem como hoje, na área do
ambiente ou noutra, continua a ser a de
informar com integridade, honestidade, rigor e
independência, interessando os cidadãos nas
notícias sem os enfadar. A criticada metáfora
da “busca da verdade”, enraizada no ethos
profissional, continua a ser um bom padrão de
orientação jornalística, no campo do
jornalismo ambiental ou noutros campos
jornalísticos, já que é uma metáfora
sintonizada com a necessidade de os discursos
jornalísticos corresponderem tanto quanto
possível à realidade, entendida como conjunto
de factos extradiscursivos.
Sousa, 2008

Agendamento, fontes e jornalismo ambiental.ppt

  • 1.
    O agendamento, as interacçõesentre jornalistas e fontes de informação e o jornalismo ambiental Jorge Pedro Sousa Universidade Fernando Pessoa e CIMJ jorgepedrosousa@hotmail.com
  • 2.
    Objectivos  Rever apesquisa sobre agendamento aplicada ao jornalismo ambiental;  Rever a pesquisa sobre as interacções entre fontes e jornalistas no campo do jornalismo ambiental;  Construir uma reflexão sobre o papel do jornalismo ambiental nas sociedades contemporâneas e as possibilidades de melhorar esta especialização jornalística.
  • 3.
    Um pressuposto: o ambienteé notícia…  Porquê? – Experiência de problemas ambientais concretos e reais pelos cidadãos; – Expansão da cultura ambientalista, da qual emergiram várias forças sociais e políticas e a partir da qual se construíram, inclusivamente, políticas governamentais “verdes”; – Lugar na mídia que essas interacções propiciaram contribuiu, retroactivamente, para que se desse maior importância ao ambiente.
  • 4.
    Os problemas ambientais, amplificadospelos meios de comunicação, desceram aos fóruns público e político, o que lhes garante uma dimensão social que extravasa a dimensão natural, ou seja, bio-físico-química, dos mesmos. Sousa, 2008
  • 5.
    Campos principais depesquisa sobre jornalismo e ambiente  Influência das mensagens mediáticas nos conhecimentos, atitudes, orientação, crenças, sentimentos e comportamentos das pessoas face ao ambiente. – Exemplo: Holbert, Kwak e Shah (2003) mostraram que as notícias ambientais e os documentários da natureza emitidos pela televisão contribuem para a adopção de comportamentos pró-ambientais.
  • 6.
    Campos principais depesquisa sobre jornalismo e ambiente  Estudo das mensagens mediáticas ambientais, das narrativas que usam e dos enquadramentos que sugerem e suas possíveis consequências. – Exemplo 1: Griffin e Dunwoody (1997) descobriram que, no caso estudado, os enquadramentos sugeridos para os riscos ambientais pelos políticos foram mais usados do que aqueles que foram sugeridos por cientistas. – Exemplo 2: Outros estudos descobriram que, em matéria ambiental, os jornalistas tendem a cobrir, essencialmente, as catástrofes ambientais, num tom negativo e exagerando os riscos (Shanahan e McComas, 1997; Shanahan e McComas, 1999; Gorney, 1992)
  • 7.
    Campos principais depesquisa sobre jornalismo e ambiente  Interacções entre as fontes de informação e os jornalistas e sua influência na construção das notícias ambientais. – Exemplo: Pereira Rosa (2006) mostrou que a associação ambientalista portuguesa Quercus se tornou uma fonte rotineira dos jornalistas graças à cientificidade dos seus relatórios ambientais e à capacidade que demonstra em traduzir em linguagem simples o jargão técnico-científico desses relatórios.
  • 8.
    Campos principais depesquisa sobre jornalismo e ambiente  Estudos sobre a influência do jornalismo na inscrição de temas ambientais nas várias agendas. – Exemplo 1: Ader (1995), por exemplo, observou que as notícias sobre a poluição influenciam a saliência que o tema “poluição” adquire na agenda pública . – Exemplo 2: Brother et al. (1991), por sua vez, estabeleceram relações entre as notícias ambientais e o conhecimento público acerca das questões ambientais e da atitude das pessoas para com o ambiente.
  • 9.
    O que nos mostramas pesquisas sobre agendamento?
  • 10.
    O processo deagendamento (Rogers, Dearing e Bregman, 1988) Gatekeepers, media influentes, acontecimentos noticiosos espectaculares Indicadores do mundo real da importância de uma questão ou acontecimento Experiência pessoal, conversação interpessoal e conversação interpessoal entre as elites e outros indivíduos Agenda mediática Agenda pública Agenda política
  • 11.
    O processo deagendamento (Traquina, 2000) Experiência directa e conversas interpessoais Acontecimentos do mundo real Acções de outros agentes sociais Agenda pública Agenda jornalística Agenda das agendas políticas Campo político Campo jornalístico
  • 12.
    O poder dojornalismo…  Agendar directamente temas que são objecto de debate público e político, em especial quando subsistem necessidades de “orientação”  Modelar as cognições da realidade  Agendar enquadramentos (as interpretações dos assuntos) nas várias agendas  Fomentar o desenvolvimento de correntes de opinião
  • 13.
    O poder dojornalismo…  Influenciar a governação, o debate político e a luta política  Influenciar cognições, atitudes e comportamentos  Estabelecer os padrões de “avaliação do desempenho” dos líderes políticos e sociais  Influenciar a hierarquização dos temas nas agendas pública e política
  • 14.
    No que respeitaao ambiente há correlação entre as agendas mediática e pública. Estebán, 2000
  • 15.
    O jornalismo tem,então, o poder de influenciar as agendas. Mas, no que respeita ao ambiente, que uso faz desse poder?
  • 16.
    O que nosdiz a pesquisa empírica sobre agendamento, jornalismo e ambiente  As interpretações que circulam publicamente sobre o ambiente decorrem das interpretações publicitadas pela mídia (Gamson e Modigliani, 1989).  Os atributos das questões ambientais considerados importantes pelo público correspondem aos que são destacados na cobertura jornalística (Cohen, 1993).
  • 17.
    O que nosdiz a pesquisa empírica sobre agendamento, jornalismo e ambiente  Perales e García (1999: 151) afirmam que as acções e propostas ambientalistas alimentam a comunicação social, mas esta também promove a importância do ambientalismo.  Os ambientalistas promovem a ascensão de determinados acontecimentos e problemáticas ambientais à categoria de notícias (Molotch e Lester, 1975).
  • 18.
    O que nosdiz a pesquisa empírica sobre agendamento, jornalismo e ambiente  O protagonismo das preocupações ambientais na agenda pública e na agenda política obriga a mídia a cobrir o assunto por sua própria iniciativa (McCormick, 1989).  As crises ambientais são midiagénicas, tendo-se tornado no principal modelador da consciência ambiental (Suhonen, 1993; Molotch e Lester, 1975).
  • 19.
    O que nosdiz a pesquisa empírica sobre agendamento, jornalismo e ambiente  É através da mídia que as pessoas tomam conhecimento dos problemas ambientais, pois na maioria das vezes não têm experiência directa dos mesmos (Véron, 1981).  A orquestração provocada pelo agendamento entre os veículos torna semelhantes os enquadramentos dados aos problemas ambientais, o que facilita a transposição desses enquadramentos para a agenda pública (McCombs e Bell, 1995).
  • 20.
    O que nosdiz a pesquisa empírica sobre agendamento, jornalismo e ambiente  É A mídia dramatiza e empola os problemas ambientais, pelo que o real estado do ambiente é melhor do que a imagem que a mídia dele projecta (Hansen, 1993).  Através da preocupação ambiental que causa no público, a mídia condiciona a acção do Governo (Garraud, 1979).
  • 21.
    O que nosdiz a pesquisa empírica sobre agendamento, jornalismo e ambiente  Quais os factores que facilitam o agendamento público de problemas ambientais cobertos pela mídia? – Quantidade da cobertura (Friedman et al., 1993); – Orquestração (Anderson, 1997); – Permanência da cobertura (Salwen, 1988). – Discussão política sobre o ambiente (Anderson, 1997).
  • 22.
    O que nosdiz a pesquisa empírica sobre agendamento, jornalismo e ambiente  Os critérios de noticiabilidade e os padrões de acesso ao campo jornalístico conspiram para que a atenção ao ambiente seja cíclica (Pereira Rosa, 2006; Schmidt, 2003; Parrat, 2006…)
  • 23.
    Quando é queo ambiente é notícia?
  • 24.
    Quando é queo ambiente é notícia?
  • 25.
    Quando é queo ambiente é notícia?
  • 26.
    Quando é queo ambiente é notícia?
  • 27.
    Quando é queo ambiente é notícia?
  • 28.
    Quando é queo ambiente é notícia?
  • 29.
    Sendo seguro afirmara receptividade dos cidadãos aos temas ambientais, até porque estes muitas vezes estão relacionados com a sobrevivência e a qualidade de vida das pessoas, então o jornalismo tem importantes responsabilidades na difusão de uma informação rigorosa e o mais independente e balanceada possível sobre essas questões, pois a construção das agendas pública e política é influenciada pelos conteúdos veiculados pelos meios jornalísticos. Sousa, 2008
  • 30.
    Um outro problema:a interacção entre jornalistas e fontes no domínio ambiental – Resultados da pesquisa empírica  Os jornalistas tendem a não se sintonizar com as posições ambientais das “fontes oficiais” (Neuzil e Kovarik, 1996).  Estudos diferentes sobre o recurso a “fontes oficiais” em notícias ambientais deram resultados diferentes: – Predominam as fontes oficiais (Hansen, 1990). – Predominam as fontes ambientalistas (Kitzinger e Reilly, 2002). – Há grande diversidade de fontes (Schmidt, 2003).
  • 31.
    Um outro problema:a interacção entre jornalistas e fontes no domínio ambiental – Resultados da pesquisa empírica  A diversidade de fontes, lutando pelo acesso à mídia e pela definição de sentido para os problemas ambientais, e a diversidade de coberturas asseguram que ao cidadão chegam várias perspectivas sobre os problemas ambientais (Nimmo, 1985).  Os meios jornalísticos mais balanceados nas fontes e mais rigorosos e contextuais tendem a ser recompensados pelo público e reconhecidos pelos pares (Dejten e Fitzgerald, 1995).
  • 32.
    Um outro problema:a interacção entre jornalistas e fontes no domínio ambiental – Resultados da pesquisa empírica  As definições dadas para os problemas ambientais pelas fontes oficiais ou outras nem sempre são compartilhadas pelo público (Smith, 1993).  As fontes das notícias ambientais nem sempre são as mais competentes (Anderson, 1993).
  • 33.
    Um outro problema:a interacção entre jornalistas e fontes no domínio ambiental – Resultados da pesquisa empírica  As fontes podem dizer não o que realmente pensam mas o que pensam que a entidade contratante quer que elas digam (Bueno, 2007).  As fontes interessadas acompanham a cobertura e vão-se sintonizando com ela (Burgess e Harrison, 1993).
  • 34.
    Um terceiro factora ponderar: as notícias ambientais  Centram-se em questões ético-políticas, evitando as questões técnico-científicas (Thales de Andrade, 2003; Schmidt, 2003).  Podendo ser balanceadas, nem sempre são rigorosas:  Problemas ambientais podem ser empolados e dramatizados (Mormont e Dasnoy, 1993);  Têm dificuldade em traduzir com rigor o cientifiquês (Schmidt, 2003);  São pouco contextuais, não correlacionando os problemas ambientais com outros, como os problemas de saúde (Motta et al., 2006);  Acentuam a dimensão económica das questões ambientais (“o ambiente é mercadoria”), em detrimento de outras dimensões (equilíbrio ecológico, saúde e bem-estar, sobrevivência do homem…) (Motta et al., 2006; Abreu, 2006).
  • 35.
    Propostas  Criar nosmeios jornalísticos secções/editorias fixas e estáveis dedicadas ao ambiente  Possibilitar a especialização jornalística em ambiente  Usar o jornalismo para a eco- alfabetização
  • 36.
    Propostas  Fabricar informaçãoque respeite o rigor científico, evitando cair na eco- militância  Descodificar o ecologês e o cientifiquês, tornando-os jornalês  Zelar pela independência jornalística e pelo balanceamento face a todas as fontes interessadas em enquadrar as coberturas dos temas ambientais
  • 37.
    Propostas  Ouvir osespecialistas mas também as populações afectadas pelos problemas ambientais  Para informar sobre ambiente não é preciso enfadar  Obrigar os políticos a prestar contas perante o “tribunal da opinião pública” no que respeita aos problemas ambientais
  • 38.
    Propostas  Oferecer informaçãode proximidade sobre problemas ambientais  Oferecer informação útil sobre ambiente  Oferecer, ao informar, alternativas de atitudes e comportamentos que o receptor possa assumir para contribuir pessoalmente para a resolução dos problemas ambientais
  • 39.
    Propostas  Situar osproblemas ambientais nos seus contextos
  • 40.
    Em suma, aresponsabilidade primeira do jornalismo, ontem como hoje, na área do ambiente ou noutra, continua a ser a de informar com integridade, honestidade, rigor e independência, interessando os cidadãos nas notícias sem os enfadar. A criticada metáfora da “busca da verdade”, enraizada no ethos profissional, continua a ser um bom padrão de orientação jornalística, no campo do jornalismo ambiental ou noutros campos jornalísticos, já que é uma metáfora sintonizada com a necessidade de os discursos jornalísticos corresponderem tanto quanto possível à realidade, entendida como conjunto de factos extradiscursivos. Sousa, 2008