Entrevista
CARLOTACAFIERO
DAREDAÇÃO
Emicida vê a vida como se esti-
vesse atrás de uma câmera. Ele
monta um roteiro na cabeça,
escolhe os personagens, distri-
buiospapéisegritaação.Mui-
tas das cenas que vive e imagi-
na não se traduzem em filmes,
mas em rap. Ou, como gosta de
afirmar, “música brasileira
contemporânea”. De fato, é o
que ele apresenta em seu pri-
meiroálbumoficialOGlorioso
RetornodeQuemNuncaEste-
veAqui,pelopróprioseloLabo-
ratórioFantasma.
Emicida viria hoje a Santos,
para lançar o álbum em um
eventocancelado ontemnaCa-
pital Disco – que contaria com
as apresentações das bandas
Conexão Baixada e Chimar-
ruts. A assessoria de imprensa
do artista informou que seu
empresárioestánegociandono-
va data com a casa. Os valores
dos ingressos serão devolvidos
na segunda-feira, a partir das
14horas,nabilheteriadaCapi-
tal Disco (Av. Francisco Gli-
cério,206,tel.3228-7507).
Assim como o rapper Criolo
extrapolou o formato “falado”
do rythm and poetry, este jo-
vemcantorecompositordeSão
Paulodemonstragrandeversa-
tilidade em suas composições
que,mesmofortementeenraiza-
das no hip hop, alcançam o
samba, o maracatu, o rock e o
funk. Diversidade que aparece
também na escolha dos artistas
queparticipamdodisco:apoeta
e atriz Elisa Lucinda, Tulipa
Ruiz,Pitty,QuintetoemBranco
e Preto, Wilson das Neves e MC
Guimê. “Acho que eu não pode-
ria criar um gueto e me colocar
comooúnicomensageirodaver-
dadedentrodamúsicabrasilei-
ra hoje”,comentou Emicida,em
entrevistaparaATribuna.Leia
maisabaixo.
O que mudou desde quando
lançou a mixtape (CD caseiro)
ParaquemMordeuumCachor-
ro Por Comida Até que Che-
gueiLonge,em2009?
Tive oportunidade de adquirir
maisconhecimentonessesúlti-
mos anos. Pude viajar, conhe-
cer o mundo, ter acesso a coi-
sas, livros e discos que gostaria
de ter tido antes. Tudo isso in-
fluenciou muito na minha for-
maçãocomoser humano.Fora
isso, saí de uma correria como
artista independente que que-
ria mostrar seu trabalho para
mais pessoas, e me tornei refe-
rência para artistas que esta-
vam e estão na mesma correria
que eu. Tudo isso causou um
turbilhão gigantesco na minha
cabeça. Mas uma coisa que
sempre norteou o meu cami-
nho é que eu não tive nunca a
ambição de ser famoso. Eu
mantenho os pés no chão por-
que o meu grande foco está em
fazermúsicaepoesia.
O seu público também
mudou?
Amadureceu comigo. A gente
se encontrou no meio dessa
estrada, pensando da mesma
maneira, com um raciocínio
até meio adolescente, e hoje
consegue entender que músi-
ca é uma ponte. Temos uma
ligação espiritual, porque a
gentetemnecessidadedecon-
tar e ouvir histórias, e as pes-
soassesentemlisonjeadaspor-
que elas vão parar dentro des-
sashistórias.
Sua relação com o hip hop
continuaamesma?
Continuo fortalecendo as ba-
ses do hip hop, porque foi ele
que me trouxe até aqui e eu
nunca posso me desconectar.
O hip hop me ensinou a levan-
tar a cabeça, a me orgulhar da
minha cor e do lugar de onde
venho. É muito importante ca-
davezqueeuvenderfinanceira-
mente ou me expor na mídia
propagaressesvalores.
Porque você considera este o
seuprimeiroálbumoficial?
Em 2009, eu não me achava
na condição de lançar um ál-
bum porque, com a mixtape,
eu só queria colocar minha
poesia na rua e o formato con-
templava isso porque é mais
barato,maisrápidodeserpro-
duzido e abastece o mercado
segmentado que é o do rap. O
que aconteceu é que o plano B
virou o plano A e alcançou
pessoas de outros veículos e
abriu um milhão de portas.
Virei um artista conhecido
sem ter um álbum oficial. Mas
agora que lancei o álbum, não
significaquenãovoumaislan-
çar mixtape. Eu gosto muito
do formato, porque me deso-
briga de todo ano ter um novo
disco. As músicas vão nascen-
do e eu posso dar vazão à elas.
Mas se eu quiser lapidar algu-
ma coisa, vou guardá-la para
um novo disco. O grande lan-
ce é a velocidade de produção
da mixtape. Posso fazê-la
numfinaldesemana.
Quanto tempo levou para fa-
zeroálbum?
Levou seis meses de produ-
ção direta, mas o trabalho de
organizar todas as ideias le-
vou três anos.
Ficou do jeito que você
queria?
Esse álbum é o dos meus so-
nhos. É meu projeto de vida. O
sonho da casa própria. Porque
eu sonhava em fazer isso desde
quecomeceiafazermúsica.
Você fala como se tivesse de-
morado para conquistar as
coisas, mas não tem nem 30
anosdeidade.
Mas eu tenho a alma velha. Eu
digoqueeusouumvelhode80
anosnocorpode28.
De onde vem essa experiência
acumulada?
Muito por conta das referên-
cias que eu tenho. Leio muito,
sobretudo os autores que fa-
lam sobre o nosso País, como
Darcy Ribeiro e Florestan Fer-
nandes. Cheguei até eles por
causadohiphop.Tambémgos-
to do Eduardo Galeano e de
vários outros escritores da
América Latina. Tudo isso fez
eu me sentir parte de um todo.
Tive oportunidade de passar
umtempocom índios ecom os
quilombolas. Acho que essas
outras filosofias de vida foram
importantes para eu entender
que, por mais que eu faça bem
o que eu faço, isso não me faz,
enquanto ser humano, ser su-
perioranenhumoutro.
Você também é um leitor
contumaz de histórias em
quadrinhos?
Issoaíéumvício.Gastodinhei-
ro com HQs de um jeito que
eu não poderia. Mas nada dis-
so é um desperdício, pois os
quadrinhos me abriram mui-
tas portas para a percepção de
outras coisas.
Fale sobre sua experiência
comodesigner.
Eu me formei em design gráfi-
co há oito anos, na escola Arte
São Paulo, mas eu nunca exer-
ci seriamente. Fiz algumas
ilustrações para livros. Traba-
lhei com cartão de visitas. Na
verdade, meu sonho era ser
desenhista de histórias em
quadrinhos. Aí a música to-
mou a proporção que tomou.
Eu estudei design porque não
conseguia fazer as pessoas da
minha família entenderem
que desenhar quadrinhos po-
deria ser um emprego. Então,
design eles entendiam como
emprego, porque eu dizia que
faziadesenhoindustrial.
Vocêcontinuadesenhando?
Estou desenhando frenetica-
mente. Eu gostaria de escre-
ver, de lançar um livro e uma
história em quadrinhos mais
para frente. No final das con-
tas, acho que as artes estão
interligadas. Os desenhos in-
fluenciam a forma de eu fazer
música, assim como a música
medávontadededesenhar.
Como foi o trabalho do produ-
torFelipeVassão?
Conheço o Felipão há dez
anos. Ele foi meu mestre no
estúdio,ondemeensinoumui-
ta coisa quando eu era estagiá-
rio dele. Ele abriu minha cabe-
ça para músicas que até então
eunão buscava com facilidade,
pois tinha aversão ao mercado
grande da música pop. Então,
foi natural ele produzir o meu
primeiro álbum, que tinha
uma facilidade gigantesca de
virar uma coletânea, porque
tem muitas viagens diferentes,
vai do samba para o maracatu
e o rock, e tudo isso poderia
nãoseconectar.
Qual foi o maior desafio de
realizaresteálbum?
O grande desafio de fazer um
álbum no século 21, quando
as pessoas consomem música
de maneira desconexa, é
mantê-las numa mesma at-
mosfera por aproximadamen-
te uma hora. Levá-las para
um determinado estado de
espírito. Fazer música é con-
tar histórias, e isso vem desde
a cultura africana, que foi sen-
do passada de geração para
geração pelo fato de a gente
não ter tido oportunidade de
contar a nossa história em
livros e filmes.
Você tinha um conceito para o
álbum?
O disco passeia por diversos
estados de espírito, como se
fosse um dia na vida de uma
pessoa. Duas coisas que eu
quis desenhar muito bem
no disco são os estados de
luta e alegria. Alegria de
ter força para lutar é uma
coisa que está bem dese-
nhada no disco. As músi-
cas parecem um roteiro de
cinema, tem até o moci-
nhoeamocinha.
O que é ser um sonhador
naprática?
A gente nunca deve dei-
xar de sonhar. E isso é a
coisa mais fácil de aconte-
cer. Minha filha não foi
tocada pela maldade do
mundo. Ela acredita em
um milhão de coisas boas
ainda. Coisas nas quais
eu tinha deixado de acre-
ditar, e ser pai virou essa
chave dentro de mim. Es-
tou querendo iniciar ou-
tras coisas e estou focado
em estudar. Pois a me-
lhor maneira de manter a
relevância é ser um eter-
no aprendiz.
O que está estudando?
Os meus projetos são bem
malucos,sabe?Estouestu-
dando violão e plantando
minha comida. Moro nu-
ma casa maior e tenho es-
paço para isso. Tem um
cara que admiro muito, o
Nelson Mandela, que du-
rante os anos em que ficou
preso na ilha Robben, de-
senvolveu uma relação
com a terra e com a horta,
e isso o fez refletir e apren-
der a lidar com as pessoas.
É uma coisa que só se
aprende com a terra, e eu
não quero me desconectar
dela,porque é isso quedei-
xa o mundo cada vez mais
doente. Se você cuida das
plantas você também cui-
dadaspessoas.
“Fazer música é contar histórias”
“
Amelhormaneira
demantera
relevânciaéser
umeternoaprendiz”
Emicida.
Cantorecompositorderap
ENIOCESAR/DIVULGAÇÃO
“
Leio
os
autores
quefalam
sobreo
nossoPaís,
comoDarcy
Ribeiroe
Florestan
Fernandes”
Sexta-feira 22 ATRIBUNA
BomPrograma D-5novembro de2013 www.atribuna.com.br

A tribuna emicida22

  • 1.
    Entrevista CARLOTACAFIERO DAREDAÇÃO Emicida vê avida como se esti- vesse atrás de uma câmera. Ele monta um roteiro na cabeça, escolhe os personagens, distri- buiospapéisegritaação.Mui- tas das cenas que vive e imagi- na não se traduzem em filmes, mas em rap. Ou, como gosta de afirmar, “música brasileira contemporânea”. De fato, é o que ele apresenta em seu pri- meiroálbumoficialOGlorioso RetornodeQuemNuncaEste- veAqui,pelopróprioseloLabo- ratórioFantasma. Emicida viria hoje a Santos, para lançar o álbum em um eventocancelado ontemnaCa- pital Disco – que contaria com as apresentações das bandas Conexão Baixada e Chimar- ruts. A assessoria de imprensa do artista informou que seu empresárioestánegociandono- va data com a casa. Os valores dos ingressos serão devolvidos na segunda-feira, a partir das 14horas,nabilheteriadaCapi- tal Disco (Av. Francisco Gli- cério,206,tel.3228-7507). Assim como o rapper Criolo extrapolou o formato “falado” do rythm and poetry, este jo- vemcantorecompositordeSão Paulodemonstragrandeversa- tilidade em suas composições que,mesmofortementeenraiza- das no hip hop, alcançam o samba, o maracatu, o rock e o funk. Diversidade que aparece também na escolha dos artistas queparticipamdodisco:apoeta e atriz Elisa Lucinda, Tulipa Ruiz,Pitty,QuintetoemBranco e Preto, Wilson das Neves e MC Guimê. “Acho que eu não pode- ria criar um gueto e me colocar comooúnicomensageirodaver- dadedentrodamúsicabrasilei- ra hoje”,comentou Emicida,em entrevistaparaATribuna.Leia maisabaixo. O que mudou desde quando lançou a mixtape (CD caseiro) ParaquemMordeuumCachor- ro Por Comida Até que Che- gueiLonge,em2009? Tive oportunidade de adquirir maisconhecimentonessesúlti- mos anos. Pude viajar, conhe- cer o mundo, ter acesso a coi- sas, livros e discos que gostaria de ter tido antes. Tudo isso in- fluenciou muito na minha for- maçãocomoser humano.Fora isso, saí de uma correria como artista independente que que- ria mostrar seu trabalho para mais pessoas, e me tornei refe- rência para artistas que esta- vam e estão na mesma correria que eu. Tudo isso causou um turbilhão gigantesco na minha cabeça. Mas uma coisa que sempre norteou o meu cami- nho é que eu não tive nunca a ambição de ser famoso. Eu mantenho os pés no chão por- que o meu grande foco está em fazermúsicaepoesia. O seu público também mudou? Amadureceu comigo. A gente se encontrou no meio dessa estrada, pensando da mesma maneira, com um raciocínio até meio adolescente, e hoje consegue entender que músi- ca é uma ponte. Temos uma ligação espiritual, porque a gentetemnecessidadedecon- tar e ouvir histórias, e as pes- soassesentemlisonjeadaspor- que elas vão parar dentro des- sashistórias. Sua relação com o hip hop continuaamesma? Continuo fortalecendo as ba- ses do hip hop, porque foi ele que me trouxe até aqui e eu nunca posso me desconectar. O hip hop me ensinou a levan- tar a cabeça, a me orgulhar da minha cor e do lugar de onde venho. É muito importante ca- davezqueeuvenderfinanceira- mente ou me expor na mídia propagaressesvalores. Porque você considera este o seuprimeiroálbumoficial? Em 2009, eu não me achava na condição de lançar um ál- bum porque, com a mixtape, eu só queria colocar minha poesia na rua e o formato con- templava isso porque é mais barato,maisrápidodeserpro- duzido e abastece o mercado segmentado que é o do rap. O que aconteceu é que o plano B virou o plano A e alcançou pessoas de outros veículos e abriu um milhão de portas. Virei um artista conhecido sem ter um álbum oficial. Mas agora que lancei o álbum, não significaquenãovoumaislan- çar mixtape. Eu gosto muito do formato, porque me deso- briga de todo ano ter um novo disco. As músicas vão nascen- do e eu posso dar vazão à elas. Mas se eu quiser lapidar algu- ma coisa, vou guardá-la para um novo disco. O grande lan- ce é a velocidade de produção da mixtape. Posso fazê-la numfinaldesemana. Quanto tempo levou para fa- zeroálbum? Levou seis meses de produ- ção direta, mas o trabalho de organizar todas as ideias le- vou três anos. Ficou do jeito que você queria? Esse álbum é o dos meus so- nhos. É meu projeto de vida. O sonho da casa própria. Porque eu sonhava em fazer isso desde quecomeceiafazermúsica. Você fala como se tivesse de- morado para conquistar as coisas, mas não tem nem 30 anosdeidade. Mas eu tenho a alma velha. Eu digoqueeusouumvelhode80 anosnocorpode28. De onde vem essa experiência acumulada? Muito por conta das referên- cias que eu tenho. Leio muito, sobretudo os autores que fa- lam sobre o nosso País, como Darcy Ribeiro e Florestan Fer- nandes. Cheguei até eles por causadohiphop.Tambémgos- to do Eduardo Galeano e de vários outros escritores da América Latina. Tudo isso fez eu me sentir parte de um todo. Tive oportunidade de passar umtempocom índios ecom os quilombolas. Acho que essas outras filosofias de vida foram importantes para eu entender que, por mais que eu faça bem o que eu faço, isso não me faz, enquanto ser humano, ser su- perioranenhumoutro. Você também é um leitor contumaz de histórias em quadrinhos? Issoaíéumvício.Gastodinhei- ro com HQs de um jeito que eu não poderia. Mas nada dis- so é um desperdício, pois os quadrinhos me abriram mui- tas portas para a percepção de outras coisas. Fale sobre sua experiência comodesigner. Eu me formei em design gráfi- co há oito anos, na escola Arte São Paulo, mas eu nunca exer- ci seriamente. Fiz algumas ilustrações para livros. Traba- lhei com cartão de visitas. Na verdade, meu sonho era ser desenhista de histórias em quadrinhos. Aí a música to- mou a proporção que tomou. Eu estudei design porque não conseguia fazer as pessoas da minha família entenderem que desenhar quadrinhos po- deria ser um emprego. Então, design eles entendiam como emprego, porque eu dizia que faziadesenhoindustrial. Vocêcontinuadesenhando? Estou desenhando frenetica- mente. Eu gostaria de escre- ver, de lançar um livro e uma história em quadrinhos mais para frente. No final das con- tas, acho que as artes estão interligadas. Os desenhos in- fluenciam a forma de eu fazer música, assim como a música medávontadededesenhar. Como foi o trabalho do produ- torFelipeVassão? Conheço o Felipão há dez anos. Ele foi meu mestre no estúdio,ondemeensinoumui- ta coisa quando eu era estagiá- rio dele. Ele abriu minha cabe- ça para músicas que até então eunão buscava com facilidade, pois tinha aversão ao mercado grande da música pop. Então, foi natural ele produzir o meu primeiro álbum, que tinha uma facilidade gigantesca de virar uma coletânea, porque tem muitas viagens diferentes, vai do samba para o maracatu e o rock, e tudo isso poderia nãoseconectar. Qual foi o maior desafio de realizaresteálbum? O grande desafio de fazer um álbum no século 21, quando as pessoas consomem música de maneira desconexa, é mantê-las numa mesma at- mosfera por aproximadamen- te uma hora. Levá-las para um determinado estado de espírito. Fazer música é con- tar histórias, e isso vem desde a cultura africana, que foi sen- do passada de geração para geração pelo fato de a gente não ter tido oportunidade de contar a nossa história em livros e filmes. Você tinha um conceito para o álbum? O disco passeia por diversos estados de espírito, como se fosse um dia na vida de uma pessoa. Duas coisas que eu quis desenhar muito bem no disco são os estados de luta e alegria. Alegria de ter força para lutar é uma coisa que está bem dese- nhada no disco. As músi- cas parecem um roteiro de cinema, tem até o moci- nhoeamocinha. O que é ser um sonhador naprática? A gente nunca deve dei- xar de sonhar. E isso é a coisa mais fácil de aconte- cer. Minha filha não foi tocada pela maldade do mundo. Ela acredita em um milhão de coisas boas ainda. Coisas nas quais eu tinha deixado de acre- ditar, e ser pai virou essa chave dentro de mim. Es- tou querendo iniciar ou- tras coisas e estou focado em estudar. Pois a me- lhor maneira de manter a relevância é ser um eter- no aprendiz. O que está estudando? Os meus projetos são bem malucos,sabe?Estouestu- dando violão e plantando minha comida. Moro nu- ma casa maior e tenho es- paço para isso. Tem um cara que admiro muito, o Nelson Mandela, que du- rante os anos em que ficou preso na ilha Robben, de- senvolveu uma relação com a terra e com a horta, e isso o fez refletir e apren- der a lidar com as pessoas. É uma coisa que só se aprende com a terra, e eu não quero me desconectar dela,porque é isso quedei- xa o mundo cada vez mais doente. Se você cuida das plantas você também cui- dadaspessoas. “Fazer música é contar histórias” “ Amelhormaneira demantera relevânciaéser umeternoaprendiz” Emicida. Cantorecompositorderap ENIOCESAR/DIVULGAÇÃO “ Leio os autores quefalam sobreo nossoPaís, comoDarcy Ribeiroe Florestan Fernandes” Sexta-feira 22 ATRIBUNA BomPrograma D-5novembro de2013 www.atribuna.com.br