Os nossos Institutos de Pesqui-
sa da Secretaria de Agricultura
e Abastecimento do Estado de
São Paulo – Instituto Agronô-
mico de Campinas (IAC), Insti-
tuto de Zootecnia (IZ), Institu-
to Biológico (IB), Instituto de
Pesca (IP), Instituto de Econo-
mia Agrícola (IEA) e Instituto
de Tecnologia dos Alimentos
(ITAL) – têm mantido intensa
atividade e são muito produti-
vos. Seus estudos, pesquisas e
resultados impactam direta-
mente na produtividade do se-
tor agropecuário paulista e
brasileiro.
Alguns falam de um supos-
to desmonte dos nossos Insti-
tutos, porém, argumentos usa-
dos são falácias e causam de-
sinformação da população. Ao
contrário do que afirmou nes-
te espaço o pesquisador apo-
sentado Raul Soares Moreira
(05/12), o IAC e demais institu-
tos estão em atividade e justifi-
cam plenamente sua existên-
cia. O Estado estimula para
que continuem em crescente
produtividade e, melhor, in-
vestindo bem o dinheiro dos
impostos dos contribuintes.
Como coordenador da
Agência Paulista de Tecnolo-
gia dos Agronegócios (APTA) e
ex-diretor do IAC, tenho gran-
de paixão pelos Institutos da
Secretaria e, lógico, pelo IAC,
onde desenvolvi minha carrei-
ra de pesquisador, assim co-
mo tenho amor por Campi-
nas. Não é diferente com os
atuais diretores do IAC.
Temos um passado glorio-
so a ser provado, um grande
patrimônio da agricultura pau-
lista e brasileira, além de ser
base para o desenvolvimento
de pesquisas de outras institui-
ções. Mas condição para isto é
nos aprimorarmos, estabele-
cermos prioridades. Temos fo-
cado e estabelecemos procedi-
mentos para que parcerias
possam se multiplicar. Com a
escalada tecnológica, ficar pa-
rado no tempo e utilizar mal o
dinheiro público fará com que
percamos o status de referên-
cia na pesquisa.
Sinto-me na obrigação de
corrigir alguns dados divulga-
dos. O dr. Raul Moreira citou
em seu artigo que, em 1978, o
IAC tinha seis vezes a quanti-
dade de pesquisadores que te-
mos hoje, que são 158, portan-
to seriam 936. Nem a CPA,
atualmente APTA, teve este nú-
mero de técnicos. O maior
contingente de pesquisadores
do IAC foi 250 técnicos, em
1994. Atualmente são 158 se-
diados no IAC e 73 nos Polos
Regionais da APTA, ou seja,
são 231 pesquisadores atuan-
do na área de domínio do
IAC. O Centro de Citricultura
que leva o nome do pai do dr.
Raul Moreira, por exemplo,
conta com 17 pesquisadores,
o maior número de sua histó-
ria.
O pessoal de apoio teve
contingente máximo em 1972,
com 2.267 servidores. Em
2002, a criação do Departa-
mento para gestão das unida-
des regionais e Polos (DDD)
absorveu cerca de dois terços.
Reconheço a necessidade de
pesquisadores para algumas
áreas estratégicas, de pessoal
de apoio técnico e administra-
tivo.
Com relação à citação ao
dr. André Tozzelo, ele nunca
foi diretor do IAC. Foi respon-
sável pela transformação da
Seção de Tecnologia Agrícola,
em 1963, em Centro Tropical
de Pesquisa e Tecnologia de
Alimentos, que em 1969 pas-
sou a ser o Instituto de Tecno-
logia de Alimentos (ITAL), sen-
do seu diretor de 1963 a 1971.
Tenho orgulho de dizer
que, no período de 2008 a
2014, foram investidos R$
499,5 milhões nos Institutos
de Pesquisa da APTA, R$ 89,57
milhões oriundos do Tesouro
do Estado e R$ 4 milhões do
Fundo Especial de Despesa. A
competência técnica dos Insti-
tutos atraiu a confiança de ins-
tituições privadas e públicas.
Entre 2008 e 2014, a iniciativa
privada investiu R$ 274,15 mi-
lhões nos Institutos. Agências
de fomento, como a Fapesp e
o CNPq, investiram R$ 95 mi-
lhões. Os recursos federais so-
maram R$ 36,68 milhões. Os
investimentos, em especial,
em equipamentos de campo e
laboratório permitiram a acre-
ditação/ credenciamento de
220 procedimentos laborato-
riais nessas instituições.
O Instituto Agronômico é
impulsionador do Agropolo
Brasil - Campinas, inspirado
no modelo da Agropolis Inter-
national de Montpellier, na
França, ação liderada pelo pre-
feito de Campinas Jonas Doni-
zette, que conhece bem o po-
tencial científico das institui-
ções sediadas em Campinas,
em especial o IAC.
Somente no primeiro se-
mestre de 2015, o IAC lançou
16 cultivares. Entre 2010 e
2014, a média foi de 18 por
ano, totalizando 89. Entre
2000 e 2009, foram 236, com
média de 23 por ano, muito
superior à média de 10 por
ano, desde 1932.
Sabemos da importância
das nossas instituições de pes-
quisa para o desenvolvimento
do Estado e do País. Se nosso
Estado não é mais a liderança
na produção agrícola deve
continuar sendo a liderança
na geração do conhecimento.
A crise econômica não come-
çou agora. Apenas ficaram
mais evidentes os efeitos noci-
vos da desastrada e ideologiza-
da condução da economia bra-
sileira nos últimos anos.
Aos dados estatísticos que
comprovam o aumento do de-
semprego, a alta inflacionária,
a elevação das taxas de juros e
a queda constante do Produto
Interno Bruto, soma-se a insta-
bilidade política marcada por
escândalos de corrupção e fa-
vorecimento governista.
Como se não bastasse a
constatação da inabilidade na
formulação de políticas econô-
micas eficazes, a tentativa de
se reverter este quadro recessi-
vo enfrenta a resistência de in-
tegrantes do próprio governo,
pois consideram que a redu-
ção de gastos públicos não re-
solverá o problema. Ora, sem
equilíbrio fiscal não há econo-
mia que se sustente no longo
prazo e, mesmo assim, adep-
tos de anacrônicas cartilhas
vermelhas insistem em igno-
rar a realidade em nome de
utopias.
Não é por acaso que a capa-
cidade do Brasil em atrair in-
vestimentos externos também
vem sendo questionada devi-
do ao seu risco de inadimplên-
cia. Como consequência, os tí-
tulos brasileiros lançados no
mercado internacional ten-
dem a pagar taxas maiores pa-
ra que consigam captar novos
recursos.
No momento, toda a aten-
ção presidencial está voltada
ao pedido de impeachment
elaborado, inclusive, por um
dos fundadores do PT, o juris-
ta Hélio Bicudo. Essa situação
faz com que os esforços gover-
nistas sejam para se manter
no poder, deixando para se-
gundo plano o futuro econômi-
co do país.
Diferentemente da posição
adotada nos pedidos de im-
peachment que o próprio par-
tido da presidente tomou par-
te contra governantes do pas-
sado, como Fernando Collor,
agora Dilma Rousseff é quem
tem que se defender e a estra-
tégia adotada para a persua-
são pública é o discurso de
que se trata de um golpe políti-
co, ainda que previsto constitu-
cionalmente.
Um dos principais motes
de Hélio Bicudo é o crime de
responsabilidade fiscal, eviden-
ciado nos casos em que houve
o financiamento direto do go-
verno por bancos públicos.
A justificativa da presidente
para o crime fiscal é de que ne-
cessitava desembolsar as trans-
ferências para programas so-
ciais. Mas se faltou dinheiro
para esses pagamentos foi por-
que ele foi gasto em outras coi-
sas, não é mesmo? Assim, não
se trata de uma justificativa vir-
tuosa, porém uma demonstra-
ção de planejamento incorre-
to e uso ineficiente e irrespon-
sável de recursos. Mais uma
vez a relevância orçamentária
vem à tona e corrobora com a
urgência de que esse assunto
não seja tratado como simples
ajuste técnico de planilhas.
O futuro econômico deste
país depende, dentre outras va-
riáveis, da seriedade com que
o orçamento público seja cons-
truído seguindo-se a noção bá-
sica de que só se deve gastar
aquilo que se tem. Que falá-
cias ideológicas e o desculpis-
mo oportunista deixem de ser-
vir de base para crimes fiscais.
Opinião
Dói-me ver o Brasil com tan-
tas mentiras. Eduardo
Cunha, o presidente da Câ-
mara Federal, em chantagem
explícita contra a presidente
Dilma Rousseff, e ela usinan-
do a mesma esparrela contra
ele. São dois em um só: fari-
nha do mesmo saco. São am-
bos incompetentes morais e
por isso devem deixar seus
cargos. Não importa os votos,
mas o que diz a lei escrita na
Constituição.
Roubam sempre os políti-
cos os nossos sonhos mais
simples, uma escola melhor,
um hospital decente, um pro-
jeto de segurança pública
que nos dê um sonho de vol-
tar a pôr cadeiras nas calça-
das, onde mães possam tro-
car receitas com as vizinhas,
aguardando seus homens vol-
tarem do trabalho - alguns
cambaleando de alegria e ou-
tros tantos apaixonados. Ca-
dê este país?
Comentar se Dilma Rous-
seff não pode ser empichada
é fofoca dessa coisa politica-
mente correta das feministas.
Dilma não é mulher; ela é
presidente da República. E
ela deve responder pelos
seus atos que levaram o País
à bancarrota moral e política,
dando ou não pedaladas fis-
cais. O fato é que a Petrobras,
sob seu comando até os dias
de hoje, criou em seu ventre
administrativo uma quadri-
lha que surrupiou bilhões de
dólares dos contribuintes bra-
sileiros. Imposto é uma coisa
esquisita que pagamos: pare-
ce que pertence aos céus, às
almas penadas, ou aos anjos
da guarda, que nada guar-
dam, que não nos protegem
dos demônios que nos as-
sombram com inflação, que-
da no PIB, do emprego e nos
investimentos internacio-
nais.
Os locutores dos jornais te-
levisivos apenas falam disso
ou daquilo, em asséptica in-
formação sobre a realidade
política do País. Falam do
que acontece e nada opinam.
Sexo dos anjos ou borboletas.
Ninguém tem opinião sobre
o que está acontecendo com
o desgoverno federal, com as
mentiras eleitorais da então
candidata Dilma Rousseff,
que, mais que documenta-
das, fez exatamente o contrá-
rio do que afirmara quando
em campanha re-eleitoral.
Dilma mentiu. Dilma sempre
mentiu sobre o seu programa
governo - aliás, esse nunca
existiu, a não ser mentiras
em cima de mentiras.
Há quem diga o que eu di-
go com palavras cruas, embo-
ra patronos intelectuais de-
fendam o PT com argumen-
tos empolados, verbetes aca-
dêmicos, elegantes para o
gáudio dos defensores dos la-
drões da pátria - e eles são ne-
cessários para o entendimen-
to da Justiça, os advogados -
para provar, de uma forma in-
versa do direito natural dos
fatos, que seus clientes são in-
justamente acusados daquilo
que fizeram. Nada entendo
da verborragia do Direito.
Apenas quero justiça. Quem
roubou que pague pelo seu
ato. Quem foi omisso que pa-
gue pela conveniência. E Dil-
ma Rousseff, como ministra
das Minas e Energia, Chefe
da Casa Civil e agora presi-
dente da República era (e
continua sendo) a autoridade
da Petrobras e das demais es-
tatais do país. E ela vem fa-
lhando desde que assumiu
um cargo federal, batendo
continência ao ex-presidente
Lula da Silva, e, agora, à sua
própria ignorância e despre-
paro político.
Dane-se a prisão de Delcí-
dio Amaral, um dos maiores
estelionatários políticos do
PT. Ele é pinto perto do José
Diceu. O fato é que Lula sem-
pre abandona os remadores
do seu barco político quando
uma "marolinha" de escânda-
lo balança ou quando o jati-
nho onde ele viaja às expen-
sas de algum empresário inte-
ressado em verbas do BN-
DES a alguma tirania africa-
na passa por uma turbulên-
cia. Mas ninguém ainda in-
ventou boia ou paraquedas a
almas necessitadas, angustia-
das e atadas a seus próprios
descaminhos republicanos. E
eis o Brasil com 9 milhões de
desempregados, 45 milhões
de inadimplentes e com 40%
da população norte/nordesti-
na sem sequer um vaso sani-
tário. É isso o governo petis-
ta.
E mais não digo para não
encher a paciência do raro lei-
tor que, bem sei, já está can-
sado dessa malandragem po-
lítica. Parlamentarismo e vo-
to distrital seria uma boa solu-
ção para espantar os políti-
cos safados de nossos lares,
das nossas ruas, cidades, esta-
dos e país. Impedimento da
Dilma Rousseff é coisa natu-
ral para quem conhece a Lei
1079 da Constituição Federal.
E é problema dela provar o
contrário. E o problema do
Lula é provar que nada sabia
da ladroagem do José Dirceu,
Delúbio Soares, José Genoí-
no e Vacari Neto, sem contar
com o estranho enriqueci-
mento dos seus filhos e da
sua própria vida milionária
de palestrante.
Não faço juízo de nada.
Apenas aguardo que a Justiça
faça seu trabalho e nos dê es-
perança para que o contradi-
tório seja respeitado. Sem na-
da ouvir além das letras da
lei. E elas berram. E como ber-
ram.
Bom dia.
Virtude falaciosa
O berro da lei
ECONOMIA
Editor: Rui Motta rui@rac.com.br - Editora-assistente: Milene Moreto milene@rac.com.br - Correio do Leitor leitor@rac.com.br
zeza amaral
A realidade do IAC
ORLANDO MELO DE
CASTRO
■ ■ Orlando Melo de Castro é pesquisador,
coordenador da Agência Paulista de
Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da
Secretaria de Agricultura e Abastecimento do
Estado de São Paulo
MARCO
MILANI
dalcio
■ ■ Zeza Amaral é jornalista, escritor e
músico
PESQUISAS
■ ■Marco Milani é economista, pós-doutor
pela Universidade de Salamanca (Espanha),
professor da Unicamp
“Tenho amigos muçulmanos, que são gente muito
boa, mas sabem que há um problema”
Donald Trump, pré-candidato republicano à Casa Branca, propondo a proibição da entrada de muçulmanos nos EUA.opiniao@rac.com.br
A2 CORREIO POPULARA2
Campinas, quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A realidade do IAC

  • 1.
    Os nossos Institutosde Pesqui- sa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo – Instituto Agronô- mico de Campinas (IAC), Insti- tuto de Zootecnia (IZ), Institu- to Biológico (IB), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Econo- mia Agrícola (IEA) e Instituto de Tecnologia dos Alimentos (ITAL) – têm mantido intensa atividade e são muito produti- vos. Seus estudos, pesquisas e resultados impactam direta- mente na produtividade do se- tor agropecuário paulista e brasileiro. Alguns falam de um supos- to desmonte dos nossos Insti- tutos, porém, argumentos usa- dos são falácias e causam de- sinformação da população. Ao contrário do que afirmou nes- te espaço o pesquisador apo- sentado Raul Soares Moreira (05/12), o IAC e demais institu- tos estão em atividade e justifi- cam plenamente sua existên- cia. O Estado estimula para que continuem em crescente produtividade e, melhor, in- vestindo bem o dinheiro dos impostos dos contribuintes. Como coordenador da Agência Paulista de Tecnolo- gia dos Agronegócios (APTA) e ex-diretor do IAC, tenho gran- de paixão pelos Institutos da Secretaria e, lógico, pelo IAC, onde desenvolvi minha carrei- ra de pesquisador, assim co- mo tenho amor por Campi- nas. Não é diferente com os atuais diretores do IAC. Temos um passado glorio- so a ser provado, um grande patrimônio da agricultura pau- lista e brasileira, além de ser base para o desenvolvimento de pesquisas de outras institui- ções. Mas condição para isto é nos aprimorarmos, estabele- cermos prioridades. Temos fo- cado e estabelecemos procedi- mentos para que parcerias possam se multiplicar. Com a escalada tecnológica, ficar pa- rado no tempo e utilizar mal o dinheiro público fará com que percamos o status de referên- cia na pesquisa. Sinto-me na obrigação de corrigir alguns dados divulga- dos. O dr. Raul Moreira citou em seu artigo que, em 1978, o IAC tinha seis vezes a quanti- dade de pesquisadores que te- mos hoje, que são 158, portan- to seriam 936. Nem a CPA, atualmente APTA, teve este nú- mero de técnicos. O maior contingente de pesquisadores do IAC foi 250 técnicos, em 1994. Atualmente são 158 se- diados no IAC e 73 nos Polos Regionais da APTA, ou seja, são 231 pesquisadores atuan- do na área de domínio do IAC. O Centro de Citricultura que leva o nome do pai do dr. Raul Moreira, por exemplo, conta com 17 pesquisadores, o maior número de sua histó- ria. O pessoal de apoio teve contingente máximo em 1972, com 2.267 servidores. Em 2002, a criação do Departa- mento para gestão das unida- des regionais e Polos (DDD) absorveu cerca de dois terços. Reconheço a necessidade de pesquisadores para algumas áreas estratégicas, de pessoal de apoio técnico e administra- tivo. Com relação à citação ao dr. André Tozzelo, ele nunca foi diretor do IAC. Foi respon- sável pela transformação da Seção de Tecnologia Agrícola, em 1963, em Centro Tropical de Pesquisa e Tecnologia de Alimentos, que em 1969 pas- sou a ser o Instituto de Tecno- logia de Alimentos (ITAL), sen- do seu diretor de 1963 a 1971. Tenho orgulho de dizer que, no período de 2008 a 2014, foram investidos R$ 499,5 milhões nos Institutos de Pesquisa da APTA, R$ 89,57 milhões oriundos do Tesouro do Estado e R$ 4 milhões do Fundo Especial de Despesa. A competência técnica dos Insti- tutos atraiu a confiança de ins- tituições privadas e públicas. Entre 2008 e 2014, a iniciativa privada investiu R$ 274,15 mi- lhões nos Institutos. Agências de fomento, como a Fapesp e o CNPq, investiram R$ 95 mi- lhões. Os recursos federais so- maram R$ 36,68 milhões. Os investimentos, em especial, em equipamentos de campo e laboratório permitiram a acre- ditação/ credenciamento de 220 procedimentos laborato- riais nessas instituições. O Instituto Agronômico é impulsionador do Agropolo Brasil - Campinas, inspirado no modelo da Agropolis Inter- national de Montpellier, na França, ação liderada pelo pre- feito de Campinas Jonas Doni- zette, que conhece bem o po- tencial científico das institui- ções sediadas em Campinas, em especial o IAC. Somente no primeiro se- mestre de 2015, o IAC lançou 16 cultivares. Entre 2010 e 2014, a média foi de 18 por ano, totalizando 89. Entre 2000 e 2009, foram 236, com média de 23 por ano, muito superior à média de 10 por ano, desde 1932. Sabemos da importância das nossas instituições de pes- quisa para o desenvolvimento do Estado e do País. Se nosso Estado não é mais a liderança na produção agrícola deve continuar sendo a liderança na geração do conhecimento. A crise econômica não come- çou agora. Apenas ficaram mais evidentes os efeitos noci- vos da desastrada e ideologiza- da condução da economia bra- sileira nos últimos anos. Aos dados estatísticos que comprovam o aumento do de- semprego, a alta inflacionária, a elevação das taxas de juros e a queda constante do Produto Interno Bruto, soma-se a insta- bilidade política marcada por escândalos de corrupção e fa- vorecimento governista. Como se não bastasse a constatação da inabilidade na formulação de políticas econô- micas eficazes, a tentativa de se reverter este quadro recessi- vo enfrenta a resistência de in- tegrantes do próprio governo, pois consideram que a redu- ção de gastos públicos não re- solverá o problema. Ora, sem equilíbrio fiscal não há econo- mia que se sustente no longo prazo e, mesmo assim, adep- tos de anacrônicas cartilhas vermelhas insistem em igno- rar a realidade em nome de utopias. Não é por acaso que a capa- cidade do Brasil em atrair in- vestimentos externos também vem sendo questionada devi- do ao seu risco de inadimplên- cia. Como consequência, os tí- tulos brasileiros lançados no mercado internacional ten- dem a pagar taxas maiores pa- ra que consigam captar novos recursos. No momento, toda a aten- ção presidencial está voltada ao pedido de impeachment elaborado, inclusive, por um dos fundadores do PT, o juris- ta Hélio Bicudo. Essa situação faz com que os esforços gover- nistas sejam para se manter no poder, deixando para se- gundo plano o futuro econômi- co do país. Diferentemente da posição adotada nos pedidos de im- peachment que o próprio par- tido da presidente tomou par- te contra governantes do pas- sado, como Fernando Collor, agora Dilma Rousseff é quem tem que se defender e a estra- tégia adotada para a persua- são pública é o discurso de que se trata de um golpe políti- co, ainda que previsto constitu- cionalmente. Um dos principais motes de Hélio Bicudo é o crime de responsabilidade fiscal, eviden- ciado nos casos em que houve o financiamento direto do go- verno por bancos públicos. A justificativa da presidente para o crime fiscal é de que ne- cessitava desembolsar as trans- ferências para programas so- ciais. Mas se faltou dinheiro para esses pagamentos foi por- que ele foi gasto em outras coi- sas, não é mesmo? Assim, não se trata de uma justificativa vir- tuosa, porém uma demonstra- ção de planejamento incorre- to e uso ineficiente e irrespon- sável de recursos. Mais uma vez a relevância orçamentária vem à tona e corrobora com a urgência de que esse assunto não seja tratado como simples ajuste técnico de planilhas. O futuro econômico deste país depende, dentre outras va- riáveis, da seriedade com que o orçamento público seja cons- truído seguindo-se a noção bá- sica de que só se deve gastar aquilo que se tem. Que falá- cias ideológicas e o desculpis- mo oportunista deixem de ser- vir de base para crimes fiscais. Opinião Dói-me ver o Brasil com tan- tas mentiras. Eduardo Cunha, o presidente da Câ- mara Federal, em chantagem explícita contra a presidente Dilma Rousseff, e ela usinan- do a mesma esparrela contra ele. São dois em um só: fari- nha do mesmo saco. São am- bos incompetentes morais e por isso devem deixar seus cargos. Não importa os votos, mas o que diz a lei escrita na Constituição. Roubam sempre os políti- cos os nossos sonhos mais simples, uma escola melhor, um hospital decente, um pro- jeto de segurança pública que nos dê um sonho de vol- tar a pôr cadeiras nas calça- das, onde mães possam tro- car receitas com as vizinhas, aguardando seus homens vol- tarem do trabalho - alguns cambaleando de alegria e ou- tros tantos apaixonados. Ca- dê este país? Comentar se Dilma Rous- seff não pode ser empichada é fofoca dessa coisa politica- mente correta das feministas. Dilma não é mulher; ela é presidente da República. E ela deve responder pelos seus atos que levaram o País à bancarrota moral e política, dando ou não pedaladas fis- cais. O fato é que a Petrobras, sob seu comando até os dias de hoje, criou em seu ventre administrativo uma quadri- lha que surrupiou bilhões de dólares dos contribuintes bra- sileiros. Imposto é uma coisa esquisita que pagamos: pare- ce que pertence aos céus, às almas penadas, ou aos anjos da guarda, que nada guar- dam, que não nos protegem dos demônios que nos as- sombram com inflação, que- da no PIB, do emprego e nos investimentos internacio- nais. Os locutores dos jornais te- levisivos apenas falam disso ou daquilo, em asséptica in- formação sobre a realidade política do País. Falam do que acontece e nada opinam. Sexo dos anjos ou borboletas. Ninguém tem opinião sobre o que está acontecendo com o desgoverno federal, com as mentiras eleitorais da então candidata Dilma Rousseff, que, mais que documenta- das, fez exatamente o contrá- rio do que afirmara quando em campanha re-eleitoral. Dilma mentiu. Dilma sempre mentiu sobre o seu programa governo - aliás, esse nunca existiu, a não ser mentiras em cima de mentiras. Há quem diga o que eu di- go com palavras cruas, embo- ra patronos intelectuais de- fendam o PT com argumen- tos empolados, verbetes aca- dêmicos, elegantes para o gáudio dos defensores dos la- drões da pátria - e eles são ne- cessários para o entendimen- to da Justiça, os advogados - para provar, de uma forma in- versa do direito natural dos fatos, que seus clientes são in- justamente acusados daquilo que fizeram. Nada entendo da verborragia do Direito. Apenas quero justiça. Quem roubou que pague pelo seu ato. Quem foi omisso que pa- gue pela conveniência. E Dil- ma Rousseff, como ministra das Minas e Energia, Chefe da Casa Civil e agora presi- dente da República era (e continua sendo) a autoridade da Petrobras e das demais es- tatais do país. E ela vem fa- lhando desde que assumiu um cargo federal, batendo continência ao ex-presidente Lula da Silva, e, agora, à sua própria ignorância e despre- paro político. Dane-se a prisão de Delcí- dio Amaral, um dos maiores estelionatários políticos do PT. Ele é pinto perto do José Diceu. O fato é que Lula sem- pre abandona os remadores do seu barco político quando uma "marolinha" de escânda- lo balança ou quando o jati- nho onde ele viaja às expen- sas de algum empresário inte- ressado em verbas do BN- DES a alguma tirania africa- na passa por uma turbulên- cia. Mas ninguém ainda in- ventou boia ou paraquedas a almas necessitadas, angustia- das e atadas a seus próprios descaminhos republicanos. E eis o Brasil com 9 milhões de desempregados, 45 milhões de inadimplentes e com 40% da população norte/nordesti- na sem sequer um vaso sani- tário. É isso o governo petis- ta. E mais não digo para não encher a paciência do raro lei- tor que, bem sei, já está can- sado dessa malandragem po- lítica. Parlamentarismo e vo- to distrital seria uma boa solu- ção para espantar os políti- cos safados de nossos lares, das nossas ruas, cidades, esta- dos e país. Impedimento da Dilma Rousseff é coisa natu- ral para quem conhece a Lei 1079 da Constituição Federal. E é problema dela provar o contrário. E o problema do Lula é provar que nada sabia da ladroagem do José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoí- no e Vacari Neto, sem contar com o estranho enriqueci- mento dos seus filhos e da sua própria vida milionária de palestrante. Não faço juízo de nada. Apenas aguardo que a Justiça faça seu trabalho e nos dê es- perança para que o contradi- tório seja respeitado. Sem na- da ouvir além das letras da lei. E elas berram. E como ber- ram. Bom dia. Virtude falaciosa O berro da lei ECONOMIA Editor: Rui Motta rui@rac.com.br - Editora-assistente: Milene Moreto milene@rac.com.br - Correio do Leitor leitor@rac.com.br zeza amaral A realidade do IAC ORLANDO MELO DE CASTRO ■ ■ Orlando Melo de Castro é pesquisador, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo MARCO MILANI dalcio ■ ■ Zeza Amaral é jornalista, escritor e músico PESQUISAS ■ ■Marco Milani é economista, pós-doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha), professor da Unicamp “Tenho amigos muçulmanos, que são gente muito boa, mas sabem que há um problema” Donald Trump, pré-candidato republicano à Casa Branca, propondo a proibição da entrada de muçulmanos nos EUA.opiniao@rac.com.br A2 CORREIO POPULARA2 Campinas, quinta-feira, 10 de dezembro de 2015