A provável história do
Maxixe Gaúcho
Apoio
​Alunos do Curso Capacitação em Dança de
Salão - Foco em Maxixe Gaúcho(2016)
Fonte
Maxixeiros, Grupos Dança, Bandas, Clubes...
Pesquisa e organização
​Giruá Mattos e Henrique Ramos
Orientação
​Cristovão Christianis e Carol Castro
Nossa existência é transitória como as nuvens do outono.
Observar o nascimento e a morte do ser é como olhar
os movimento da dança…(Buda)
Curso de Capacitação em
Danças de Salão
Foco em Maxixe Gaúcho
​Professores:​ ​Cristóvão Christianis e Carolina Castro
Turma : ​1º Turma/2016
Formatura : ​2º Congresso Brasileiro de Maxixe Gaúcho
Canoas - RS
Maxixe Gaúcho
​E lá vamos nós…
Motivados a conhecer onde nasceu nosso amigo Maxixe Gaúcho, estudiosos
dessa dança contagiante do rio grande que se expressa com a sensualidade e a
malícia gaúcha misturadas em uma batida sincopada e envolvente permitindo aos
mais ousados evoluírem nas figurações com diferentes doses de sensualidade.
Uma dança livre e em expansão que está evoluindo no enlace, no
alinhamento corporal e permitindo aos dançarinos expressarem cada vez melhor
com o corpo sua musicalidade sua emoção, seu sentimento. Uma questão no
coração: Qual a história do Maxixe Gaúcho?!
“.. Sirvam nossas Façanhas...” Assim seja.
A provável história do Maxixe Gaúcho
Essa estória de contar a história do Maxixe Gaúcho, também surgiu de uma
forma inusitada e ousada, tanto quanto a sua origem. Essa dança polêmica e
proibida do ponto de vista cultural chegando até mesmo a ferir a moral e aos bons
costumes de uma sociedade tradicionalmente conservadora, entretanto e ao
mesmo tempo, agrada a muitos, assim foi intitulada por muitos de certa forma como
uma dança: Maliciosa, contagiante e sensual.
Contam as testemunhas oculares, que no 1o.congresso Brasileiro do Maxixe
Gaúcho, ocorrido no ano de ​2015 na cidade de ​Tramandaí​, tendo como
organizador Robson Cavalheiro(Baillarium); foi promovida uma reunião dos líderes
de grupos que ensinavam a prática da dança(GM, Swing, EFBF, Rodeio, Sensação,
Pegada, Dirty Dance, SWAT, Esquadrão, Família, Império...) e simpatizaram no
desejo de começar a organizar e capacitar pessoas na dança do Maxixe Gaúcho.
Em ​2016​, a rede 8 tempos que ministra o curso de capacitação em dança de
salão no formato extensão universitária, autorizada pela Faculdade SPEI, na cidade
de Porto Alegre, inicia a oferta no mercado, com um grande diferencial, curso de
capacitação em dança de salão, com foco no Maxixe Gaúcho.
Cristovão Christanis, Henrique Ramos, Giruá Mattos, Valéria Souza, Luiz Steuernagel, Márcio Carvalho, Neiva Battu, Alan
Demarch, Kiki Rodrigues, Alex Alves e Dandara Oliveira.
E assim durante o ano de 2016, no decorrer do curso de capacitação, com a
presença dos líderes dos grupos GM, EFBF, Insanos, Sensação, Tradicionalistas,
estudantes de graduação em danças, Equipe Rodeio, Baillarium e alguns
simpatizantes do gênero, nasceram algumas idéias.
Essa turma estudou e elaborou sob orientação do ministrante com vasta
experiência e reconhecimento no ensino das danças de salão, o que seria definido
como sendo os ​10 passos básicos do Maxixe Gaúcho, e ainda dentro dessa
mesma demanda, faltava algo importante, a história da dança, até hoje contada por
várias pessoas de forma verbal, cada qual do seu jeito de narrar os fatos, e foi
assim de forma eletiva, que eu ​Giruá Mattos e Henrique Ramos​(estudantes das
danças de salão) ​, fomos convidados a organizar ​a 1a. versão da provável história
do Maxixe Gaúcho, ​com narração estruturada e ordem cronológica dos fatos.
A partir desse desfecho, foi elaborado o plano de pesquisa, e definido o
método da mesma e já era chegado a hora de partir para pesquisar nas fontes,
orientados pelos próprios líderes do grupo de capacitação; E assim, foi dado o 1o.
passo para ouvir os depoimentos. Para fins de manter a equidade na pesquisa,
todas as escutas, foram realizadas em dupla, gerando, um melhor comparativo dos
fatos e acontecimentos, para depois, transcrever sua versão e montar o
quebra-cabeça das vertentes.
Foi ​criado um grupo público e também uma página nas redes sociais com
o nome ​Maxixe Gaúcho como forma de tornar a pesquisa transparente e pública e
ao mesmo tempo informativa a todos os interessados pelo tema. E que nos
perdoem muitas pessoas que via fone ou outros meios diretos, contribuíram com
informações valiosas e por isso nunca houve uma postagem da sua imagem nas
redes sociais, no entanto elas também sabem do nosso eterno agradecimento a
elas, e estas mesmas pessoas, sabem da real importância em contribuir
anonimamente para contar uma história que é por si só, domínio público, por isso
um destaque é simplesmente um mero afago nas circunstâncias vividas.
E assim, durante muitos dias, ouvimos muitas histórias das mais diversas
pessoas ligadas a esse meio, e com certeza ainda ouviremos muitas outras, para
fins de enriquecer ainda mais essa dança Gaúcha.
Para entender a história do Maxixe Gaúcho, se faz necessário relatar vários
acontecimentos pré nascimento desse estilo de dança, qual não possui música
própria e no entanto possui conexão de dança com vários estilos musicais o que
para os mais acadêmicos e conservadores parece uma perfeita bagunça, ou seja,
uma dança de improviso.
Seu estilo de dançar na forma enlaçada, bastante coreografado herdado das
muitas fontes, tem por passos básicos na atualidade: O tradicional 2 e 1, o passo
marcado e o passo sambado, considerando em análise cronológica dos fatos, se
percebe no momento que estaríamos vivendo a 6a.geração(pesquisa em curso) na
evolução desta dança.
Para melhor entender essa longa história vamos esboçar uma lista geral de
vertentes:
Pessoas(público em geral), Grupos de dança, Facilitadores, Tradicionalistas,
Clubes, Bandas, Festivais, Concursos, Congressos, Mídias, Rádio, TV, e todos os
seus adjacentes de forma geral. Porque muitos eventos paralelos e ao mesmo
tempo foram os fatores geradores influenciadores dessa nova dança.
Para começarmos essa viagem no tempo, vamos começar com o ano de
1966​, onde na mesma cidade, ​Tramandaí​, durante o 12º Congresso
Tradicionalista Gaúcho, foi decidido organizar a associação de entidades
tradicionalistas constituídas, dando-lhe o nome de Movimento Tradicionalista
Gaúcho, o MTG.
E assim a vanera segue firme em seu compasso e chegou as bodas de ouro
no ano de 2016, presente em mais de 3000 CTG´s(RS, Brasil e Exterior).
Para melhor entender o contexto geral de um movimento cultural popular, se
faz necessário mostrar suas vertentes e sua influências, que neste caso, vamos
chamar carinhosamente de “Caldeirão Cultural”, o qual será apresentado no
decorrer desta empolgante história urbana que nasceu no Rio Grande do Sul e se
alastra pelo Brasil inteiro.
Agora, vamos começar essa viagem. E para começar a narrar os fatos,
vamos falar da origem da palavra “​Maxixe​*​”.
Maxixe*​, (Cucumis anguria), planta da
família das cucurbitáceas, cultivada na América
Central e Nordeste Brasileiro, de caule rasteiro,
folhas com cinco lobos, flores pequenas, bagas
ovóides, amarelo-claras quando maduras, com
numerosos apêndices, semelhantes a espinhos
flexíveis, e pequenas sementes brancas;
Maxixeiro(cultivada desde a antiguidade, nativa
da África).
Maxixe! Por quê? A planta rasteira do Nordeste de origem Afro, que nem
sabe dançar, recebeu esse título polêmico. Por quê?
Maxixe, foi o nome atribuído ao movimento de dança surgida no Brasil por
volta do ano de ​1875 ​e praticado principalmente nas sedes da cidade nova e nos
cabarés da Lapa no Rio de Janeiro. Era uma dança com descendência afro e forte
apelo de sedução. Os pares dançavam enlaçados por pernas e mãos em
movimentos circulares(espécie de pião humano), e quando foi apresentado em
locais nobres, o público não viu com bons olhos essa dança, pois a mesma parecia
ferir a moral e os bons costumes dos conservadores desta época.
Essa maneira de dançar adorada pelo consenso popular, lhe rendeu o título
da dança proibida pelas autoridades policiais, escandalosa pela sociedade e
excomungada pela igreja. E por se infiltrar sem pedir permissão e brotar em um
novo lugar a cada novo dia, assim sendo, seu comportamento cultural foi vinculado
a planta rasteira do Nordeste Brasileiro.
O auge dessa dança foi quando por volta de ​1911 ou 1912, a Europa se
rendeu ao Maxixe, através do dançarino Duque(​Maxixe - A dança excomungada,
Efegê, Jota,1974).
No Brasil, seus praticantes foram perseguidos pela polícia, igreja, sociedade,
até em torno do ano de ​1922. A partir desse período sumiu do cenário, e o Samba
ganhou seu espaço.
No decorrer desta narrativa, vamos unir a palavra ​Maxixe ao nosso atual
Maxixe Gaúcho​.
Agora, por coincidência dos acontecimentos ou não, vamos dar um salto de
100 anos na história e vamos começar, contando o seguinte fato:
No ano de ​1975​, o clube Farrapos, comemorava a inauguração da sua
segunda e atual sede social.
É importante no contexto geral, relembrarmos algumas mudanças de
comportamento no cenário nacional, a partir da década de ​1980​, com o lançamento
comercial da Lambada através de Beto Barbosa e na década de 1990 pelo grupo
Kaoma.
A partir do ano ​1982​, a música sertaneja ganhou nova roupagem(música e
arranjos), com Fio de Cabelo interpretada por Chitãozinho e Xororó.
No ano de ​1985​, nascia o Axé Music, através de Luiz Caldas, com seu
Fricote e Nega do Cabelo duro.
A partir de ​1990​, os compositores mudaram suas fontes de inspiração para
escrever suas letras de músicas, deixando para trás os temas regionais e focaram
na vida urbana. Assim ganhou força a música sertaneja romântica com Zezé di
Camargo e Luciano, e o Forró com Calcinha Preta, Aviões do Forró, entre outros.
As famosas “bandinhas” estilo germânicas, animavam a todo vapor os bailes
populares em todo Rio Grande do Sul.
Daniela Mercury e Ivete Sangalo, ainda no grupo EVA, balançavam as
pessoas em cadeia Nacional no Axé Music.
Nessa mesma época, surgiram novos grupos com novas propostas de
trabalho, entre eles Tchê Barbaridade, Tchê Guri, e os mesmos atenderam em
muito a vontade popular da juventude da capital, tanto a tradicionalista tanto quanto
a popular.
No ano de ​1991​, Sandro Coelho, integrante do Grupo Garotos de Ouro,
percebeu algo novo no trabalho do Ivonir Machado, ao invés do grupo tocar a
Vanera na forma “compasso marcado”, eles executavam uma batida
sincopada(levada sambada), influência de Neguinho Gil e depois seguida por Kiko
Freitas na mesma banda e mais tarde por muitos outros bateristas. Essa batida
diferente foi uma quebra de padrão e também um convite para algo novo no campo
da dança.
E com base da musica da Vanera, que nos lonões de Rodeio, nas invernadas
de CTG´s e nos bailes populares se começava um novo passo básico na forma de
dançar a Vanera. Esse passo não era o popular 2 e 1 ou 2 e 2, era um movimento
descendente, ele era o passo 2 e 2, marcado parado, no lugar, criando
automaticamente um movimento de quadril, o popular bate-coxa ou a famosa
vanera “apertada”.
Vale citar no contexto da pesquisa, a criatividade dos Gaúchos, ao criar duas
danças autênticas, Bugio(Música e dança reconhecida pelo MTG) e Maxixe
Gaúcho(apelo popular).
No ano de ​1995​, o Grupo Tradição(MS), liderado por Michel Teló, chegou
para mostrar seu trabalho que popularizou a Vanera no contexto Nacional, e nesse
mesmo ano no RS, surge o grupo Tchê Garotos, e ainda no mesmo ano, o grupo É
O TCHAN, ensinava suas coreografias para o Brasil inteiro.
No ano de ​1999​, a dança do Maxixe Gaúcho, ja tinha ganhado nome, forma
e força e estava presente na dança em todos os bailes e fandangos no estado RS.
E foi nesse mesmo compasso que o rastilho de pólvora, ateou fogo no salão,
com a chegada do Gaúcho da Fronteira. Ele fez o lançamento do seu trabalho com
projeção Nacional, mostrando a todos o seu Vanerão Sambado e famoso
Forrónerão. O grupo Tradição explodiu em sucesso Nacional popularizando a
Vanera, e no RS, através de um projeto da Zero Hora dominical, a popular nova
onda musical chamada “Tchê Music”, atingia uma espantosa marca na vendagem
de CD´s.
E assim nesse período, o Maxixe Gaúcho era vivido de uma forma sem
precedentes e dançado exaustivamente e euforicamente em todos os lugares por
onde esses grupos musicais se apresentavam. seja nos ambientes populares ou
tradicionais.
Inúmeras “Comitivas” de pessoas se aglomeravam em noites de festas para
dançar e curtir a música das suas bandas ou grupos preferidos. A mais antiga
caravana festiva que se tem notícias até o momento , se chamava Los
Borrachos(​2001​/2003), eles comandavam a festa geral, enquanto em outros
lugares a diversão estava garantida, pelo esforço coletivo dos dançarinos de plantão
na exaustiva tentativa de imitar os passos e requebrados de Faísca e Fumaça, entre
outras referências na época.
O clube Farrapos atento ao movimento cultural e econômico, decidiu no ano
de ​2003​, criar seu próprio grupo de dança chamado Esquadrão Maxixeiro, para
ensinar as pessoas a dançar e também promoveu o 1o. concurso de Maxixe.
Eis que na cidade de Canoas, no ano de ​2004​, um grupo de amigos que
gostava muito de dançar, decidiu criar um grupo de dança chamado Patrulha
Maxixeira(PM), e este grupo escreveu sua história em letras Maiúsculas, de uma
forma ímpar até hoje jamais vista,
Assim sendo os fatos, nos CTG´s, muita confusão se deu, por entender que
aquela dança não fazia parte da tradição Gaúcha, e deveria ser dado um basta final
nessa farra, esta que, perdurou até 2005, e foi proibida definitivamente nos CTG´s.
Em Canoas, no ano de ​2006​, surgiu o grupo SWAT - Elite Maxixeira, com
descendentes da PM, e em ​2007 foi inaugurado o Clube Tradição, atual templo do
Maxixe Gaúcho na região Metropolitana.
O Clube Farrapos, encerrou sua era do Maxixe no ano de ​2009​, e assim
esfriou o mercado dos Maxixeiros.
No ano de ​2011​, os grupos do Tchê Music, encerraram seu ciclo de Vanera
sincopada, vestiram novamente as pilchas tradicionalistas e refizeram suas pazes
com os CTG´s.
A partir do ano ​2012/2013​, o Maxixe ganha novo impulso, através dos
Grupos GM(Canoas), Insanos(Novo Hamburgo), Equipe Rodeio(Porto Alegre),
Swing Maxixeiro(São Leopoldo), Sensação Maxixeira(Gravataí), Equipe Família
Busca Festa(Litoral), Ousadia Maxixeira(Sapucaia do Sul), Estilo
Maxixeiro(Cachoeirinha), entre outros.
No ano de ​2015​, surge uma idéia para inovar e integrar as pessoas dos
grupos de Maxixe, foi realizado na cidade de Tramandaí, o 1o. congresso Brasileiro
de Maxixe Gaúcho.
Agora, em ​2016​, essa dança livre e em expansão, apresenta-se com novo
alinhamento corporal, permitindo aos dançarinos, expressarem importantes
evoluções na sua musicalidade através dos seus corpos com mais emoção e
sentimentos.
Ocorreu nas dependências do Clube Tradição em Canoas, o IV Festival de
Maxixe, tendo por campeões Felipe e Caroline Ferraz, representantes do grupo
Explosão Maxixeira(Litoral).
Nosso colega de curso de capacitação, Marcio Carvalho e sua parceira
Lhuana Assis, também exibiram sua arte e gravaram seu nome na história por se
tornarem campeões no concurso de Maxixe realizado no litoral Catarinense.
O 2o. Congresso Brasileiro de Maxixe Gaúcho, ocorreu na Cidade Capão da
Canoa e apresentou na edição deste ano, convidados especiais de renome da
dança de salão, além dos prestigiados grupos de Maxixeiros do Rio Grande do Sul e
Santa Catarina, os quais se revezaram em ensinamentos e aprendizados com
misturas homogêneas.
Na atualidade, é possível validar a prática das atividades de expansão do
Maxixe Gaúcho, através dos mais de 30 grupos ativos e em pleno exercício,
presentes na Região Metropolitana, interior do estado, Serra e Litoral, e por falar no
litoral, é importante citar que essa dança também caiu no gosto popular dos vizinhos
Catarinenses e Paranaenses.
O ponta pé no trabalho inicial da organização da história desta dança está
realizado, agora, passa a ter seu registro. A partir de ​2017​, muitos outros fatos
estão sendo checados e farão parte deste relatório, contando desde já, com o
interesse e contribuição de todas as pessoas interessadas.
Desde já, nossos mais sinceros agradecimentos a todos que colaboraram
com qualquer tipo de esforço, apoio, orientação e informação neste trabalho.
Deixamos aqui nosso registro, de suma importância: ​Sintam-se todos
convidados a colaborar com esse projeto, será um grande prazer ouvir seu
depoimento e registrar a história que pertence a todos os Gaúchos e Gaúchas, para
que todos vejam e saibam das nossas façanhas.
Um abraço do tamanho do Rio Grande a todos simpatizantes desta arte.

A provável história do maxixe gaúcho

  • 1.
    A provável históriado Maxixe Gaúcho Apoio ​Alunos do Curso Capacitação em Dança de Salão - Foco em Maxixe Gaúcho(2016) Fonte Maxixeiros, Grupos Dança, Bandas, Clubes... Pesquisa e organização ​Giruá Mattos e Henrique Ramos Orientação ​Cristovão Christianis e Carol Castro Nossa existência é transitória como as nuvens do outono. Observar o nascimento e a morte do ser é como olhar os movimento da dança…(Buda)
  • 2.
    Curso de Capacitaçãoem Danças de Salão Foco em Maxixe Gaúcho ​Professores:​ ​Cristóvão Christianis e Carolina Castro Turma : ​1º Turma/2016 Formatura : ​2º Congresso Brasileiro de Maxixe Gaúcho Canoas - RS
  • 3.
    Maxixe Gaúcho ​E lávamos nós… Motivados a conhecer onde nasceu nosso amigo Maxixe Gaúcho, estudiosos dessa dança contagiante do rio grande que se expressa com a sensualidade e a malícia gaúcha misturadas em uma batida sincopada e envolvente permitindo aos mais ousados evoluírem nas figurações com diferentes doses de sensualidade. Uma dança livre e em expansão que está evoluindo no enlace, no alinhamento corporal e permitindo aos dançarinos expressarem cada vez melhor com o corpo sua musicalidade sua emoção, seu sentimento. Uma questão no coração: Qual a história do Maxixe Gaúcho?! “.. Sirvam nossas Façanhas...” Assim seja.
  • 4.
    A provável históriado Maxixe Gaúcho Essa estória de contar a história do Maxixe Gaúcho, também surgiu de uma forma inusitada e ousada, tanto quanto a sua origem. Essa dança polêmica e proibida do ponto de vista cultural chegando até mesmo a ferir a moral e aos bons costumes de uma sociedade tradicionalmente conservadora, entretanto e ao mesmo tempo, agrada a muitos, assim foi intitulada por muitos de certa forma como uma dança: Maliciosa, contagiante e sensual. Contam as testemunhas oculares, que no 1o.congresso Brasileiro do Maxixe Gaúcho, ocorrido no ano de ​2015 na cidade de ​Tramandaí​, tendo como organizador Robson Cavalheiro(Baillarium); foi promovida uma reunião dos líderes de grupos que ensinavam a prática da dança(GM, Swing, EFBF, Rodeio, Sensação, Pegada, Dirty Dance, SWAT, Esquadrão, Família, Império...) e simpatizaram no desejo de começar a organizar e capacitar pessoas na dança do Maxixe Gaúcho. Em ​2016​, a rede 8 tempos que ministra o curso de capacitação em dança de salão no formato extensão universitária, autorizada pela Faculdade SPEI, na cidade de Porto Alegre, inicia a oferta no mercado, com um grande diferencial, curso de capacitação em dança de salão, com foco no Maxixe Gaúcho. Cristovão Christanis, Henrique Ramos, Giruá Mattos, Valéria Souza, Luiz Steuernagel, Márcio Carvalho, Neiva Battu, Alan Demarch, Kiki Rodrigues, Alex Alves e Dandara Oliveira.
  • 5.
    E assim duranteo ano de 2016, no decorrer do curso de capacitação, com a presença dos líderes dos grupos GM, EFBF, Insanos, Sensação, Tradicionalistas, estudantes de graduação em danças, Equipe Rodeio, Baillarium e alguns simpatizantes do gênero, nasceram algumas idéias. Essa turma estudou e elaborou sob orientação do ministrante com vasta experiência e reconhecimento no ensino das danças de salão, o que seria definido como sendo os ​10 passos básicos do Maxixe Gaúcho, e ainda dentro dessa mesma demanda, faltava algo importante, a história da dança, até hoje contada por várias pessoas de forma verbal, cada qual do seu jeito de narrar os fatos, e foi assim de forma eletiva, que eu ​Giruá Mattos e Henrique Ramos​(estudantes das danças de salão) ​, fomos convidados a organizar ​a 1a. versão da provável história do Maxixe Gaúcho, ​com narração estruturada e ordem cronológica dos fatos. A partir desse desfecho, foi elaborado o plano de pesquisa, e definido o método da mesma e já era chegado a hora de partir para pesquisar nas fontes, orientados pelos próprios líderes do grupo de capacitação; E assim, foi dado o 1o. passo para ouvir os depoimentos. Para fins de manter a equidade na pesquisa, todas as escutas, foram realizadas em dupla, gerando, um melhor comparativo dos fatos e acontecimentos, para depois, transcrever sua versão e montar o quebra-cabeça das vertentes. Foi ​criado um grupo público e também uma página nas redes sociais com o nome ​Maxixe Gaúcho como forma de tornar a pesquisa transparente e pública e ao mesmo tempo informativa a todos os interessados pelo tema. E que nos perdoem muitas pessoas que via fone ou outros meios diretos, contribuíram com informações valiosas e por isso nunca houve uma postagem da sua imagem nas redes sociais, no entanto elas também sabem do nosso eterno agradecimento a elas, e estas mesmas pessoas, sabem da real importância em contribuir anonimamente para contar uma história que é por si só, domínio público, por isso um destaque é simplesmente um mero afago nas circunstâncias vividas. E assim, durante muitos dias, ouvimos muitas histórias das mais diversas pessoas ligadas a esse meio, e com certeza ainda ouviremos muitas outras, para fins de enriquecer ainda mais essa dança Gaúcha. Para entender a história do Maxixe Gaúcho, se faz necessário relatar vários acontecimentos pré nascimento desse estilo de dança, qual não possui música própria e no entanto possui conexão de dança com vários estilos musicais o que para os mais acadêmicos e conservadores parece uma perfeita bagunça, ou seja, uma dança de improviso.
  • 6.
    Seu estilo dedançar na forma enlaçada, bastante coreografado herdado das muitas fontes, tem por passos básicos na atualidade: O tradicional 2 e 1, o passo marcado e o passo sambado, considerando em análise cronológica dos fatos, se percebe no momento que estaríamos vivendo a 6a.geração(pesquisa em curso) na evolução desta dança. Para melhor entender essa longa história vamos esboçar uma lista geral de vertentes: Pessoas(público em geral), Grupos de dança, Facilitadores, Tradicionalistas, Clubes, Bandas, Festivais, Concursos, Congressos, Mídias, Rádio, TV, e todos os seus adjacentes de forma geral. Porque muitos eventos paralelos e ao mesmo tempo foram os fatores geradores influenciadores dessa nova dança. Para começarmos essa viagem no tempo, vamos começar com o ano de 1966​, onde na mesma cidade, ​Tramandaí​, durante o 12º Congresso Tradicionalista Gaúcho, foi decidido organizar a associação de entidades tradicionalistas constituídas, dando-lhe o nome de Movimento Tradicionalista Gaúcho, o MTG. E assim a vanera segue firme em seu compasso e chegou as bodas de ouro no ano de 2016, presente em mais de 3000 CTG´s(RS, Brasil e Exterior). Para melhor entender o contexto geral de um movimento cultural popular, se faz necessário mostrar suas vertentes e sua influências, que neste caso, vamos chamar carinhosamente de “Caldeirão Cultural”, o qual será apresentado no decorrer desta empolgante história urbana que nasceu no Rio Grande do Sul e se alastra pelo Brasil inteiro. Agora, vamos começar essa viagem. E para começar a narrar os fatos, vamos falar da origem da palavra “​Maxixe​*​”. Maxixe*​, (Cucumis anguria), planta da família das cucurbitáceas, cultivada na América Central e Nordeste Brasileiro, de caule rasteiro, folhas com cinco lobos, flores pequenas, bagas ovóides, amarelo-claras quando maduras, com numerosos apêndices, semelhantes a espinhos flexíveis, e pequenas sementes brancas; Maxixeiro(cultivada desde a antiguidade, nativa da África).
  • 7.
    Maxixe! Por quê?A planta rasteira do Nordeste de origem Afro, que nem sabe dançar, recebeu esse título polêmico. Por quê? Maxixe, foi o nome atribuído ao movimento de dança surgida no Brasil por volta do ano de ​1875 ​e praticado principalmente nas sedes da cidade nova e nos cabarés da Lapa no Rio de Janeiro. Era uma dança com descendência afro e forte apelo de sedução. Os pares dançavam enlaçados por pernas e mãos em movimentos circulares(espécie de pião humano), e quando foi apresentado em locais nobres, o público não viu com bons olhos essa dança, pois a mesma parecia ferir a moral e os bons costumes dos conservadores desta época. Essa maneira de dançar adorada pelo consenso popular, lhe rendeu o título da dança proibida pelas autoridades policiais, escandalosa pela sociedade e excomungada pela igreja. E por se infiltrar sem pedir permissão e brotar em um novo lugar a cada novo dia, assim sendo, seu comportamento cultural foi vinculado a planta rasteira do Nordeste Brasileiro. O auge dessa dança foi quando por volta de ​1911 ou 1912, a Europa se rendeu ao Maxixe, através do dançarino Duque(​Maxixe - A dança excomungada, Efegê, Jota,1974). No Brasil, seus praticantes foram perseguidos pela polícia, igreja, sociedade, até em torno do ano de ​1922. A partir desse período sumiu do cenário, e o Samba ganhou seu espaço. No decorrer desta narrativa, vamos unir a palavra ​Maxixe ao nosso atual Maxixe Gaúcho​. Agora, por coincidência dos acontecimentos ou não, vamos dar um salto de 100 anos na história e vamos começar, contando o seguinte fato: No ano de ​1975​, o clube Farrapos, comemorava a inauguração da sua segunda e atual sede social. É importante no contexto geral, relembrarmos algumas mudanças de comportamento no cenário nacional, a partir da década de ​1980​, com o lançamento comercial da Lambada através de Beto Barbosa e na década de 1990 pelo grupo Kaoma.
  • 8.
    A partir doano ​1982​, a música sertaneja ganhou nova roupagem(música e arranjos), com Fio de Cabelo interpretada por Chitãozinho e Xororó. No ano de ​1985​, nascia o Axé Music, através de Luiz Caldas, com seu Fricote e Nega do Cabelo duro. A partir de ​1990​, os compositores mudaram suas fontes de inspiração para escrever suas letras de músicas, deixando para trás os temas regionais e focaram na vida urbana. Assim ganhou força a música sertaneja romântica com Zezé di Camargo e Luciano, e o Forró com Calcinha Preta, Aviões do Forró, entre outros. As famosas “bandinhas” estilo germânicas, animavam a todo vapor os bailes populares em todo Rio Grande do Sul. Daniela Mercury e Ivete Sangalo, ainda no grupo EVA, balançavam as pessoas em cadeia Nacional no Axé Music. Nessa mesma época, surgiram novos grupos com novas propostas de trabalho, entre eles Tchê Barbaridade, Tchê Guri, e os mesmos atenderam em muito a vontade popular da juventude da capital, tanto a tradicionalista tanto quanto a popular. No ano de ​1991​, Sandro Coelho, integrante do Grupo Garotos de Ouro, percebeu algo novo no trabalho do Ivonir Machado, ao invés do grupo tocar a Vanera na forma “compasso marcado”, eles executavam uma batida sincopada(levada sambada), influência de Neguinho Gil e depois seguida por Kiko Freitas na mesma banda e mais tarde por muitos outros bateristas. Essa batida diferente foi uma quebra de padrão e também um convite para algo novo no campo da dança. E com base da musica da Vanera, que nos lonões de Rodeio, nas invernadas de CTG´s e nos bailes populares se começava um novo passo básico na forma de dançar a Vanera. Esse passo não era o popular 2 e 1 ou 2 e 2, era um movimento descendente, ele era o passo 2 e 2, marcado parado, no lugar, criando automaticamente um movimento de quadril, o popular bate-coxa ou a famosa vanera “apertada”. Vale citar no contexto da pesquisa, a criatividade dos Gaúchos, ao criar duas danças autênticas, Bugio(Música e dança reconhecida pelo MTG) e Maxixe Gaúcho(apelo popular).
  • 9.
    No ano de​1995​, o Grupo Tradição(MS), liderado por Michel Teló, chegou para mostrar seu trabalho que popularizou a Vanera no contexto Nacional, e nesse mesmo ano no RS, surge o grupo Tchê Garotos, e ainda no mesmo ano, o grupo É O TCHAN, ensinava suas coreografias para o Brasil inteiro. No ano de ​1999​, a dança do Maxixe Gaúcho, ja tinha ganhado nome, forma e força e estava presente na dança em todos os bailes e fandangos no estado RS. E foi nesse mesmo compasso que o rastilho de pólvora, ateou fogo no salão, com a chegada do Gaúcho da Fronteira. Ele fez o lançamento do seu trabalho com projeção Nacional, mostrando a todos o seu Vanerão Sambado e famoso Forrónerão. O grupo Tradição explodiu em sucesso Nacional popularizando a Vanera, e no RS, através de um projeto da Zero Hora dominical, a popular nova onda musical chamada “Tchê Music”, atingia uma espantosa marca na vendagem de CD´s. E assim nesse período, o Maxixe Gaúcho era vivido de uma forma sem precedentes e dançado exaustivamente e euforicamente em todos os lugares por onde esses grupos musicais se apresentavam. seja nos ambientes populares ou tradicionais. Inúmeras “Comitivas” de pessoas se aglomeravam em noites de festas para dançar e curtir a música das suas bandas ou grupos preferidos. A mais antiga caravana festiva que se tem notícias até o momento , se chamava Los Borrachos(​2001​/2003), eles comandavam a festa geral, enquanto em outros lugares a diversão estava garantida, pelo esforço coletivo dos dançarinos de plantão na exaustiva tentativa de imitar os passos e requebrados de Faísca e Fumaça, entre outras referências na época. O clube Farrapos atento ao movimento cultural e econômico, decidiu no ano de ​2003​, criar seu próprio grupo de dança chamado Esquadrão Maxixeiro, para ensinar as pessoas a dançar e também promoveu o 1o. concurso de Maxixe. Eis que na cidade de Canoas, no ano de ​2004​, um grupo de amigos que gostava muito de dançar, decidiu criar um grupo de dança chamado Patrulha Maxixeira(PM), e este grupo escreveu sua história em letras Maiúsculas, de uma forma ímpar até hoje jamais vista, Assim sendo os fatos, nos CTG´s, muita confusão se deu, por entender que aquela dança não fazia parte da tradição Gaúcha, e deveria ser dado um basta final nessa farra, esta que, perdurou até 2005, e foi proibida definitivamente nos CTG´s.
  • 10.
    Em Canoas, noano de ​2006​, surgiu o grupo SWAT - Elite Maxixeira, com descendentes da PM, e em ​2007 foi inaugurado o Clube Tradição, atual templo do Maxixe Gaúcho na região Metropolitana. O Clube Farrapos, encerrou sua era do Maxixe no ano de ​2009​, e assim esfriou o mercado dos Maxixeiros. No ano de ​2011​, os grupos do Tchê Music, encerraram seu ciclo de Vanera sincopada, vestiram novamente as pilchas tradicionalistas e refizeram suas pazes com os CTG´s. A partir do ano ​2012/2013​, o Maxixe ganha novo impulso, através dos Grupos GM(Canoas), Insanos(Novo Hamburgo), Equipe Rodeio(Porto Alegre), Swing Maxixeiro(São Leopoldo), Sensação Maxixeira(Gravataí), Equipe Família Busca Festa(Litoral), Ousadia Maxixeira(Sapucaia do Sul), Estilo Maxixeiro(Cachoeirinha), entre outros. No ano de ​2015​, surge uma idéia para inovar e integrar as pessoas dos grupos de Maxixe, foi realizado na cidade de Tramandaí, o 1o. congresso Brasileiro de Maxixe Gaúcho. Agora, em ​2016​, essa dança livre e em expansão, apresenta-se com novo alinhamento corporal, permitindo aos dançarinos, expressarem importantes evoluções na sua musicalidade através dos seus corpos com mais emoção e sentimentos. Ocorreu nas dependências do Clube Tradição em Canoas, o IV Festival de Maxixe, tendo por campeões Felipe e Caroline Ferraz, representantes do grupo Explosão Maxixeira(Litoral). Nosso colega de curso de capacitação, Marcio Carvalho e sua parceira Lhuana Assis, também exibiram sua arte e gravaram seu nome na história por se tornarem campeões no concurso de Maxixe realizado no litoral Catarinense. O 2o. Congresso Brasileiro de Maxixe Gaúcho, ocorreu na Cidade Capão da Canoa e apresentou na edição deste ano, convidados especiais de renome da dança de salão, além dos prestigiados grupos de Maxixeiros do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os quais se revezaram em ensinamentos e aprendizados com misturas homogêneas.
  • 11.
    Na atualidade, épossível validar a prática das atividades de expansão do Maxixe Gaúcho, através dos mais de 30 grupos ativos e em pleno exercício, presentes na Região Metropolitana, interior do estado, Serra e Litoral, e por falar no litoral, é importante citar que essa dança também caiu no gosto popular dos vizinhos Catarinenses e Paranaenses. O ponta pé no trabalho inicial da organização da história desta dança está realizado, agora, passa a ter seu registro. A partir de ​2017​, muitos outros fatos estão sendo checados e farão parte deste relatório, contando desde já, com o interesse e contribuição de todas as pessoas interessadas. Desde já, nossos mais sinceros agradecimentos a todos que colaboraram com qualquer tipo de esforço, apoio, orientação e informação neste trabalho. Deixamos aqui nosso registro, de suma importância: ​Sintam-se todos convidados a colaborar com esse projeto, será um grande prazer ouvir seu depoimento e registrar a história que pertence a todos os Gaúchos e Gaúchas, para que todos vejam e saibam das nossas façanhas. Um abraço do tamanho do Rio Grande a todos simpatizantes desta arte.