Fernando Carlucci
Sociologia
Marxista do Brasil
Cronograma
Formação do Brasil Contemporâneo
Interpretação Marxista do Brasil
Subdesenvolvimento do Brasil
Ausência de Projeto Nacional
Nova República
Caio Prado Jr.
Caio Prado Jr.
Questão Central
Qual o sentido do Brasil?
Qual o sentido da História
Brasileira?
O Brasil não é um país atrasado em função da herança
portuguesa.
Sérgio Buarque de Hollanda
O Brasil é um país atrasado em função de sua entrada
no capitalismo
Crítica
Tese Central
A nossa história é única e precisa
de novas ferramentas de
compreensão
Faz sentido pensar a história do Brasil de acordo com a dialética histórica marxista?
O Brasil tem a conformação de classe descrita por Marx?
O Brasil tem um feudalismo na sociedade colonial?
Anacronismo
Escravidão Feudalismo Capitalismo
Capitalismo
O Brasil Colônia é Atual
“Não completamos ainda hoje a nossa evolução da
economia colonial para a nacional”
Os últimos 300 anos definem o que é o Brasil
hoje? Sim, a fisionomia socioeconômica do Brasil
ainda sente de modo forte o legado da Escravidão.
Com a Escravidão não houve formação de
uma classe urbana Burguesa
Trabalhar no Brasil não é sinônimo de vender livremente sua força de trabalho.
Descapitalização da população trabalhadora
Ausência de um mercado de trabalho constituído
Desvalorização do Trabalho
Livre iniciativa coagida pela lógica do mercado externo
Ausência de uma burguesia nacional com função revolucionária
Ausência de uma classe trabalhadora com potencial revolucionário.
Somos uma colônia de Extração
ORGÂNICO INORGÂNICO
Senhores de
Engenho
Proprietários
Escravos
Pequenos
agricultores
Jesuítas
Ausência de uma burguesia
desenvolvimentista
Não fomos uma colônia de povoamento.
Brasil é uma Colônia de Extração
Formou-se uma elite agrária voltada para mercado
externo
Povoamento Orgânico x Inorgânico
Elemento Orgânico: Ligado ao Extrativismo
Elemento Inorgânico: Não Ligado ao
Extrativismo
Estrutura, Funcionamento e
Evolução
Grande Propriedade Monocultora
Fornecimento de Matéria Prima
para o mercado externo
Ciclos Econômicos
Estrutura
Funcionamento
Evolução
Quem somos?
Somos um povo subalterno na ordem capitalista e
ainda vivemos sob os resquícios desse período.
Florestan Fernandes
Questão Central
Por que o Brasil é um país pobre e
desigual?
Método Marxista
Uso da dialética histórica materialista
Crítica à tese da ausência de urbanização e de classe
revolucionária
Tese Central
O Brasil é um país dependente.
O Brasil é um país caracterizado por ser capitalismo dependente:
“forma periférica e dependente do capitalismo monopolista (o
que associa inexorável e inextrincavelmente as formas
‘nacionais’ e ‘estrangeiras’ do capital financeiro)”
Em tese repete-se a dualidade subserviência da colônia contra o
monopólio metropolitano, porém com uma dinâmica de classe
diferente, onde a burguesia nacional se opõe a uma classe
trabalhadora atrofiada.
A Situação Brasileira no Capitalismo
Aliança de Burguesias
“De fato, a economia capitalista dependente
está sujeita, como um todo, a uma depleção
permanente de suas riquezas (existentes
ou potencialmente acumuláveis), o que
exclui a monopolização do excedente
econômico por seus agentes privilegiados.
Na realidade, porém, a depleção de
riquezas se processa à custa dos setores
assalariados e destituídos da população,
submetidos a mecanismos permanentes de
sobre apropriação e sobre expropriação
capitalistas”
Ele mostra as conexões de classes
hegemônicas nos marcos internos dos
estados nação. A articulação entre os
grupos “de fora para dentro” (dos centros
capitalistas hegemônicos para as
economias capitalistas dependentes) e “de
dentro para fora” (da periferia para os
centros hegemônicos) é o que constitui o
cerne dessa dominação. O brilhante
sociólogo crê
̂ que “um não se fortalece
sem ou contra o outro”
Destruição da Democracia
A sociedade de classes engendrada pelo capitalismo na periferia é
incompatível com a universalidade dos direitos humanos: ela desemboca em
uma democracia restrita e em um Estado autocrático-burguês, pelos quais a
transformação capitalista se completa apenas em beneficio de uma reduzida
classe de privilegiados e dos interesses estrangeiros com os quais ela se
articula institucionalmente.
Por um lado, “o problema não é que existam duas ‘burguesias’, mas uma
hegemonia burguesa duplamente composta, graças à qual interesses
burgueses internos e externos se fundem, funcionando estrutural e
dinamicamente de forma interdependente e articulada. Esta associação cria a
inviabilidade da América Latina sob o capitalismo, porque é ela que origina,
preserva e legitima um padrão de mudança social que continuamente
reorganiza a dependência, a expoliação, a miséria e as iniquidades sociais, que
tornam a revolução nacional uma improbabilidade histórica”
Florestan Fernandes é crítico de Gilberto Freyre. Ele
afirma que a tese da democracia racial é uma forma
de tolerância convencionalizada com raízes cristãs. O
cristianismo da formação cultural brasileira não
tolera a exclusão, dada a universalidade inerente
expressa pelo amor de Deus aos seus filhos.
Contudo, por outro lado, existe no brasileiro uma
herança escravista e social perversa que se
expressa continuamente por meio de
mecanismos de poder do Estado. Sua ideia é
identificar uma pratica de racismo tipicamente
brasileira, que esconde e escamoteia a
discriminação. O racismo estrutural se manifesta
através de instituições que policiam, inibem,
retardam a vida do negro. Essas instituições agem
de maneira legal na contenção da revolta, no atraso
educacional e no bloqueio geográfico e politico
dessas pessoas.
Crítica á Democracia Racial
"Não existe democracia racial efetiva, onde o
intercâmbio entre indivíduos pertencentes a 'raças'
distintas começa e termina no plano da tolerância
convencionalizada. Esta pode satisfazer as exigências
do bom-tom, de um discutível espírito cristão e da
necessidade prática de 'manter cada um no seu lugar.
Contudo, ela não aproxima realmente os homens senão
na base da mera coexistência no mesmo espaço social
e, onde isso chega a acontecer, da convivência
restritiva, regulada por um código que consagra a
desigualdade, disfarçando-a e justificando-a acima dos
princípios de integração da ordem social democrática".
Florestan Fernandes, 1960
Crítica á Democracia Racial

22-caio-prado-junior-e-florestan-fernandes.pptx

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    Cronograma Formação do BrasilContemporâneo Interpretação Marxista do Brasil Subdesenvolvimento do Brasil Ausência de Projeto Nacional Nova República
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    Caio Prado Jr. QuestãoCentral Qual o sentido do Brasil? Qual o sentido da História Brasileira?
  • 5.
    O Brasil nãoé um país atrasado em função da herança portuguesa. Sérgio Buarque de Hollanda O Brasil é um país atrasado em função de sua entrada no capitalismo Crítica Tese Central
  • 6.
    A nossa históriaé única e precisa de novas ferramentas de compreensão Faz sentido pensar a história do Brasil de acordo com a dialética histórica marxista? O Brasil tem a conformação de classe descrita por Marx? O Brasil tem um feudalismo na sociedade colonial? Anacronismo Escravidão Feudalismo Capitalismo Capitalismo
  • 7.
    O Brasil Colôniaé Atual “Não completamos ainda hoje a nossa evolução da economia colonial para a nacional” Os últimos 300 anos definem o que é o Brasil hoje? Sim, a fisionomia socioeconômica do Brasil ainda sente de modo forte o legado da Escravidão.
  • 8.
    Com a Escravidãonão houve formação de uma classe urbana Burguesa Trabalhar no Brasil não é sinônimo de vender livremente sua força de trabalho. Descapitalização da população trabalhadora Ausência de um mercado de trabalho constituído Desvalorização do Trabalho Livre iniciativa coagida pela lógica do mercado externo Ausência de uma burguesia nacional com função revolucionária Ausência de uma classe trabalhadora com potencial revolucionário.
  • 9.
    Somos uma colôniade Extração ORGÂNICO INORGÂNICO Senhores de Engenho Proprietários Escravos Pequenos agricultores Jesuítas Ausência de uma burguesia desenvolvimentista Não fomos uma colônia de povoamento. Brasil é uma Colônia de Extração Formou-se uma elite agrária voltada para mercado externo Povoamento Orgânico x Inorgânico Elemento Orgânico: Ligado ao Extrativismo Elemento Inorgânico: Não Ligado ao Extrativismo
  • 10.
    Estrutura, Funcionamento e Evolução GrandePropriedade Monocultora Fornecimento de Matéria Prima para o mercado externo Ciclos Econômicos Estrutura Funcionamento Evolução
  • 11.
    Quem somos? Somos umpovo subalterno na ordem capitalista e ainda vivemos sob os resquícios desse período.
  • 12.
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    Questão Central Por queo Brasil é um país pobre e desigual?
  • 14.
    Método Marxista Uso dadialética histórica materialista Crítica à tese da ausência de urbanização e de classe revolucionária
  • 15.
    Tese Central O Brasilé um país dependente. O Brasil é um país caracterizado por ser capitalismo dependente: “forma periférica e dependente do capitalismo monopolista (o que associa inexorável e inextrincavelmente as formas ‘nacionais’ e ‘estrangeiras’ do capital financeiro)” Em tese repete-se a dualidade subserviência da colônia contra o monopólio metropolitano, porém com uma dinâmica de classe diferente, onde a burguesia nacional se opõe a uma classe trabalhadora atrofiada. A Situação Brasileira no Capitalismo
  • 16.
    Aliança de Burguesias “Defato, a economia capitalista dependente está sujeita, como um todo, a uma depleção permanente de suas riquezas (existentes ou potencialmente acumuláveis), o que exclui a monopolização do excedente econômico por seus agentes privilegiados. Na realidade, porém, a depleção de riquezas se processa à custa dos setores assalariados e destituídos da população, submetidos a mecanismos permanentes de sobre apropriação e sobre expropriação capitalistas” Ele mostra as conexões de classes hegemônicas nos marcos internos dos estados nação. A articulação entre os grupos “de fora para dentro” (dos centros capitalistas hegemônicos para as economias capitalistas dependentes) e “de dentro para fora” (da periferia para os centros hegemônicos) é o que constitui o cerne dessa dominação. O brilhante sociólogo crê ̂ que “um não se fortalece sem ou contra o outro”
  • 17.
    Destruição da Democracia Asociedade de classes engendrada pelo capitalismo na periferia é incompatível com a universalidade dos direitos humanos: ela desemboca em uma democracia restrita e em um Estado autocrático-burguês, pelos quais a transformação capitalista se completa apenas em beneficio de uma reduzida classe de privilegiados e dos interesses estrangeiros com os quais ela se articula institucionalmente. Por um lado, “o problema não é que existam duas ‘burguesias’, mas uma hegemonia burguesa duplamente composta, graças à qual interesses burgueses internos e externos se fundem, funcionando estrutural e dinamicamente de forma interdependente e articulada. Esta associação cria a inviabilidade da América Latina sob o capitalismo, porque é ela que origina, preserva e legitima um padrão de mudança social que continuamente reorganiza a dependência, a expoliação, a miséria e as iniquidades sociais, que tornam a revolução nacional uma improbabilidade histórica”
  • 18.
    Florestan Fernandes écrítico de Gilberto Freyre. Ele afirma que a tese da democracia racial é uma forma de tolerância convencionalizada com raízes cristãs. O cristianismo da formação cultural brasileira não tolera a exclusão, dada a universalidade inerente expressa pelo amor de Deus aos seus filhos. Contudo, por outro lado, existe no brasileiro uma herança escravista e social perversa que se expressa continuamente por meio de mecanismos de poder do Estado. Sua ideia é identificar uma pratica de racismo tipicamente brasileira, que esconde e escamoteia a discriminação. O racismo estrutural se manifesta através de instituições que policiam, inibem, retardam a vida do negro. Essas instituições agem de maneira legal na contenção da revolta, no atraso educacional e no bloqueio geográfico e politico dessas pessoas. Crítica á Democracia Racial
  • 19.
    "Não existe democraciaracial efetiva, onde o intercâmbio entre indivíduos pertencentes a 'raças' distintas começa e termina no plano da tolerância convencionalizada. Esta pode satisfazer as exigências do bom-tom, de um discutível espírito cristão e da necessidade prática de 'manter cada um no seu lugar. Contudo, ela não aproxima realmente os homens senão na base da mera coexistência no mesmo espaço social e, onde isso chega a acontecer, da convivência restritiva, regulada por um código que consagra a desigualdade, disfarçando-a e justificando-a acima dos princípios de integração da ordem social democrática". Florestan Fernandes, 1960 Crítica á Democracia Racial