O Consílio dos Deuses no Olimpo




                    Língua Portuguesa
                    Alexandra Ferreira
                           9º E
Já no meio da crise andavam,

Os carros devagar circulavam,

A política subdesenvolvida reinava.

Velhotes desanimados sentados nos bancos,

Mulheres e homens recém-licenciados
desempregados,

Salários de empregados a serem cortados.

E as eleições consagradas

Até tiveram de ser antecipadas!
Quando os deuses no Olimpo luminoso,

Onde permanecia o último governo não corrupto,

Se ajuntaram em consílio glorioso

Sobre as cousas presentes e futuras,

E decidiram a economia portuguesa.
De avião os humanos vieram todos acomodados

Atravessando a França,

Todos convocados pelo primeiro que de
cobarde

Já não se livra da fama,

O senhor das Forças Armadas.
Deixam o regimento apagado

Porque das duas uma:

Ou são muito brilhantes

Ou são tão rígidos

Que apagam as almas

Da População endividada.

Considerados os senhores da mala

Temidos e respeitados por todos

Igualmente desacreditados

Pelos mais sábios e honestos.

O seu pensamento tem poder

O poder de deixar os cofres vazios,

E pais de família desempregados.
Estava o chefe da Troika ali sentado,

No Ministério Público, num assento

Majestoso mas vazio de ouro.

Com gesto alto, severo e soberano

Do rosto inspirava um ar autoritário

Que política tornara característica

Com uã caneta cheia de tinta para assinar

E oficializar, na mente de muitos, a ruína.
No grande escritório, estavam todos sentados,

Enquanto o Sir Filósofo regateava o défice

E o empréstimo do seu lugar lá no fundo,

Apesar da eloquência,

A vergonha encolhia o seu ego.

Andava alto há demasiado tempo.

E inevitavelmente acabou por cair.
Com o seu tom de voz masculina

Ou feminina, o que vós quiserdes,

Praguejava a oposição.

Sabia que o seu reinado tinha de acabar

Rapidamente, o dele… não do clube em geral.
De repente, uma voz se elevou para dizer:

‘’Eternos moradores da sede da bancarrota,

Cada casa pior que a minha

Me degrada a alma:

Como podem não ter o que eu tenho?!

Do estrangeiro não tirais o pensamento,

Pois a emigração é tradição.

Deveis ter-vos apercebido

Que o vosso fado já não canta,

Nem paga assiduamente os impostos.

Pode ser que um dia a guitarra portuguesa

Volte a ser tocada pelas mãos

Tortas e enrugadas do passado.’’
Com 10 milhões de habitantes, há mais de 20 anos,

50% privados de tudo

E os outros 50 a manterem o mesmo

Na cadeira do poder.

Das duas uma: ou mudam o poder ou não reclamam.

Os descobrimentos, o alcançado no 25 de Abril…

Tudo desapareceu.

E do topo, eles viam o país a cair a pique

Sem mexerem sequer uma palha.
Deixámos para trás o Euro 2004,

A taça e os milhões gastos

Nos estádios pouco ou nada usados.

Os gregos, os irlandeses, que já chegaram ao fundo,

E já receberam o fundo,

Esqueçam-nos!

Agora é a vez de sermos nós a pagar.
Num rompante, o senhor das cenouras explodiu

Despejando as suas palavras.

Fez valer a sua opinião,

Enquanto a oposição ganhava confiança.

Bombas eram disparadas por todos os partidos,

Críticas… (ai que se fosse comigo eu corava!)

Insinuações jorravam como água

Depois de uma tremenda tempestade.
‘’E o burro sou eu?!

Eu é que durante seis anos andei a guardar papel em casa?

Eu é que enterrei o país?! NÃO!’’

O primeiro cansou-se de ouvir tudo aquilo:

‘’Que dizeis? Eu?!

Eu sou um santo,

Sou o rosto das energias renováveis’’
O prato de loiça levantou-se

E intimidou todos os talheres:

‘’Respeitem-se e levantem o país!’’

O silêncio desvaneceu-se,

Quando a porta disse que queria ajuda para abrir.

‘’Vamos à ajuda, não adiem!’’

FMI – Fim Muito Inesperado,

O fim das dívidas que vai deixar o pessoal

Pelos cantos à fome e sem papel.
Entretanto o senhor que presidia o consílio,

O das forças armadas, decidiu pela internacionalização,

Dando o consílio por terminado.
Ficha técnica:

  Autora – Alexandra Ferreira, 9º E

  Disciplina – Língua Portuguesa

  Professora – Sara Castela

  Produção – O Ciclista 2011

2011 08-13 - o consílio dos deuses no olimpo

  • 1.
    O Consílio dosDeuses no Olimpo Língua Portuguesa Alexandra Ferreira 9º E
  • 2.
    Já no meioda crise andavam, Os carros devagar circulavam, A política subdesenvolvida reinava. Velhotes desanimados sentados nos bancos, Mulheres e homens recém-licenciados desempregados, Salários de empregados a serem cortados. E as eleições consagradas Até tiveram de ser antecipadas!
  • 3.
    Quando os deusesno Olimpo luminoso, Onde permanecia o último governo não corrupto, Se ajuntaram em consílio glorioso Sobre as cousas presentes e futuras, E decidiram a economia portuguesa.
  • 4.
    De avião oshumanos vieram todos acomodados Atravessando a França, Todos convocados pelo primeiro que de cobarde Já não se livra da fama, O senhor das Forças Armadas.
  • 5.
    Deixam o regimentoapagado Porque das duas uma: Ou são muito brilhantes Ou são tão rígidos Que apagam as almas Da População endividada. Considerados os senhores da mala Temidos e respeitados por todos Igualmente desacreditados Pelos mais sábios e honestos. O seu pensamento tem poder O poder de deixar os cofres vazios, E pais de família desempregados.
  • 6.
    Estava o chefeda Troika ali sentado, No Ministério Público, num assento Majestoso mas vazio de ouro. Com gesto alto, severo e soberano Do rosto inspirava um ar autoritário Que política tornara característica Com uã caneta cheia de tinta para assinar E oficializar, na mente de muitos, a ruína.
  • 7.
    No grande escritório,estavam todos sentados, Enquanto o Sir Filósofo regateava o défice E o empréstimo do seu lugar lá no fundo, Apesar da eloquência, A vergonha encolhia o seu ego. Andava alto há demasiado tempo. E inevitavelmente acabou por cair.
  • 8.
    Com o seutom de voz masculina Ou feminina, o que vós quiserdes, Praguejava a oposição. Sabia que o seu reinado tinha de acabar Rapidamente, o dele… não do clube em geral.
  • 9.
    De repente, umavoz se elevou para dizer: ‘’Eternos moradores da sede da bancarrota, Cada casa pior que a minha Me degrada a alma: Como podem não ter o que eu tenho?! Do estrangeiro não tirais o pensamento, Pois a emigração é tradição. Deveis ter-vos apercebido Que o vosso fado já não canta, Nem paga assiduamente os impostos. Pode ser que um dia a guitarra portuguesa Volte a ser tocada pelas mãos Tortas e enrugadas do passado.’’
  • 10.
    Com 10 milhõesde habitantes, há mais de 20 anos, 50% privados de tudo E os outros 50 a manterem o mesmo Na cadeira do poder. Das duas uma: ou mudam o poder ou não reclamam. Os descobrimentos, o alcançado no 25 de Abril… Tudo desapareceu. E do topo, eles viam o país a cair a pique Sem mexerem sequer uma palha.
  • 11.
    Deixámos para tráso Euro 2004, A taça e os milhões gastos Nos estádios pouco ou nada usados. Os gregos, os irlandeses, que já chegaram ao fundo, E já receberam o fundo, Esqueçam-nos! Agora é a vez de sermos nós a pagar.
  • 12.
    Num rompante, osenhor das cenouras explodiu Despejando as suas palavras. Fez valer a sua opinião, Enquanto a oposição ganhava confiança. Bombas eram disparadas por todos os partidos, Críticas… (ai que se fosse comigo eu corava!) Insinuações jorravam como água Depois de uma tremenda tempestade.
  • 13.
    ‘’E o burrosou eu?! Eu é que durante seis anos andei a guardar papel em casa? Eu é que enterrei o país?! NÃO!’’ O primeiro cansou-se de ouvir tudo aquilo: ‘’Que dizeis? Eu?! Eu sou um santo, Sou o rosto das energias renováveis’’
  • 14.
    O prato deloiça levantou-se E intimidou todos os talheres: ‘’Respeitem-se e levantem o país!’’ O silêncio desvaneceu-se, Quando a porta disse que queria ajuda para abrir. ‘’Vamos à ajuda, não adiem!’’ FMI – Fim Muito Inesperado, O fim das dívidas que vai deixar o pessoal Pelos cantos à fome e sem papel.
  • 15.
    Entretanto o senhorque presidia o consílio, O das forças armadas, decidiu pela internacionalização, Dando o consílio por terminado.
  • 16.
    Ficha técnica: Autora – Alexandra Ferreira, 9º E Disciplina – Língua Portuguesa Professora – Sara Castela Produção – O Ciclista 2011