Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares
Direção de Serviços Região Alentejo
Agrupamento de Escolas de Alcácer do Sal
Filosofia 11º Ano
Ano letivo - 2024/2025
Apresentação
Karl Popper e o problema da evolução da ciência
Módulo: IV – O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica
Sub-unidade: 2.3. A racionalidade científica e a questão da objetividade.
Objetivos específicos: - Clarificar o problema da evolução da ciência e da objetividade do conhecimento.
- Explicitar a perspectiva de Popper.
- Esclarecer o papel da eliminação do erro e seleção das teorias mais aptas na evolução da
ciência.
- Esclarecer o conceito de progresso do conhecimento e aproximação à verdade na
evolução da ciência.
Karl Popper - Epistemólogo
- Nasceu em 1902 em Viena, Áustria (origem judaica).
- Estudou Filosofia, fez o doutoramento em 1928.
- Em 1937, com a ameaça do nazismo, emigrou para a Nova
Zelândia, onde continuou a dar aulas.
- Lecionou também em Inglaterra.
- Faleceu em 1994, em Londres.
Problema da evolução da ciência
∎ Tendo em conta a dificuldade de acesso ao conhecimento objetivo.
- Podemos considerar que há uma evolução científica?
- Como se dá a evolução na ciência?
- Podemos considerar que há objetividade na ciência?
→ Vamos começar por analisar um texto de Popper acerca destes problemas.
A investigação científica
∎ Toda a investigação científica começa e termina com a identificação de
problemas.
- Para tentar resolver os problemas desenvolvem-se hipóteses (conjeturas),
que vão ser submetidas a testes, experimentações que procuram provar a sua
falsidade (fragilidades, problemas, erros).
- Só é possível provar a falsidade de uma hipótese ou teoria (Falsificacionismo),
nunca é possível provar a sua veracidade.
A investigação científica
∎ Se uma hipótese resiste às contínuas tentativas de falsificação é considerada
corroborada, não é considerada comprovada.
- Uma hipótese corroborada acabará por não resistir a um dos testes, e terá de
ser melhorada ou substituída, isto dará origem a um novo problema,
relativamente ao qual surgirão novas hipóteses.
- O exercício da investigação científica consiste na repetição deste processo
circular.
Processo circular da investigação científica
P1 → H → E → P2
↓ ↓ ↓ ↓
Problema Hipótese que Experiências Novo
inicial resolve que eliminam problema
P1 as hipóteses
A diferença entre P1 e P2 traduz o progresso científico
2.3.2.1- Eliminação do erro e seleção das teorias mais aptas.
∎ O esquema anterior mostra-nos como se desenvolve a ciência:
→ O problema surge com a identificação de um erro numa teoria.
→ A hipótese desenvolvida vai centrar-se na eliminação desse erro, de forma a
produzir uma teoria que não cometa o erro identificado.
→ A hipótese que tenta uma nova explicação (que não cometa o erro anteriormente
identificado) vai ser submetida a experimentações que procuram identificar as
fragilidades dessa nova hipótese, através de tentativas de refutação.
→ As hipóteses que se convertem em teorias corroboradas, são as mais resistentes
aos erros anteriormente cometidos e que explicam melhor do que as anteriores.
2.3.2.2- Progresso do conhecimento e aproximação à verdade.
∎ A seleção das teorias mais aptas para explicar a realidade resulta num progresso
da ciência em direção à verdade e à objetividade:
→ A ciência não é detentora da verdade, mas aproxima-se cada vez mais da verdade,
à medida que desenvolve teorias melhores do que as anteriores.
→ O facto de se identificarem erros nas teorias já representa um avanço na ciência,
quando identificamos o erro ficamos a saber mais do que sabíamos anteriormente.
→ O processo de identificação de erros e desenvolvimento de hipóteses que
explicam a realidade sem cometer esses erros é um progresso em direção à verdade.
Evolução científica
∎ A evolução científica consiste no facto das teorias novas conseguirem resolver
os mesmos problemas que as teorias antigas, mas serem também capazes de
resolver problemas que as teorias antigas não resolviam:
Conservadora - continua a resolver os problemas que as teorias
anteriores conseguiam resolver.
Ciência
Revolucionária - consegue resolver problemas que as teorias
anteriores não conseguiam resolver
Evolução científica
- O facto da ciência se revelar simultaneamente conservadora e revolucionária
revela progresso, evolução na ciência: mantém as conquistas anteriores e
adiciona novas conquistas.
- O critério que permite considerar o progresso não é a verdade das teorias, pois
as teorias são apenas conjeturas temporárias. É a aproximação à verdade que
serve de critério para garantir o progresso da ciência, pois as teorias novas
mostram-se melhores, mais completas, mais próximas da verdade do que as
anteriores.
Objetividade na ciência
∎ A objetividade científica resulta necessariamente do rigor científico:
- toda a análise deve ser feita de modo a garantir conclusões aceitáveis;
⇢ importância do raciocínio dedutivo (a lógica garante a objetividade).
- as hipóteses devem ser testadas de forma a procurar erros que devem ser
resolvidos; ⇢ importância do falsificacionismo (um método adequado garante a
objetividade).
- O rigor na aplicação dos instrumentos científicos garante que todo o processo
científico conduz à objetividade (a técnica garante rigor na análise).
Objetividade na ciência
∎ A objetividade encontra-se na racionalidade crítica intersubjetiva:
- resulta da cooperação e competição na formulação e avaliação das hipóteses.
- resulta de um trabalho argumentativo intersubjetivo, apesar de cada cientista,
no seu trabalho individual, estar numa posição subjetiva.
- é a junção das várias subjetividades que permitem uma maior aproximação à
objetividade, com o contributo da perspetiva individual de cada cientista,
acrescentando progressivamente pequenas peças do “puzzle objetivo”.
Objetividade na ciência
∎ A objetividade não é alcançada, mas há uma contínua aproximação a esta:
- através do progresso científico há uma contínua aproximação à objetividade.
- o respeito pela lógica e o recurso à técnica permitem uma maior aproximação à
objetividade.
- o cientista individual nunca consegue alcançar a objetividade, mas o seu
pequeno contributo, num contexto intersubjetivo, acrescenta pequenos
pormenores que ajudam a ciência a aproximar-se continuamente da objetividade.
→ O progresso científico é uma contínua aproximação à objetividade.

2.3.2 - Popper e o problema da evolução científica.pdf

  • 1.
    Direção Geral dosEstabelecimentos Escolares Direção de Serviços Região Alentejo Agrupamento de Escolas de Alcácer do Sal Filosofia 11º Ano Ano letivo - 2024/2025 Apresentação Karl Popper e o problema da evolução da ciência Módulo: IV – O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica Sub-unidade: 2.3. A racionalidade científica e a questão da objetividade. Objetivos específicos: - Clarificar o problema da evolução da ciência e da objetividade do conhecimento. - Explicitar a perspectiva de Popper. - Esclarecer o papel da eliminação do erro e seleção das teorias mais aptas na evolução da ciência. - Esclarecer o conceito de progresso do conhecimento e aproximação à verdade na evolução da ciência.
  • 2.
    Karl Popper -Epistemólogo - Nasceu em 1902 em Viena, Áustria (origem judaica). - Estudou Filosofia, fez o doutoramento em 1928. - Em 1937, com a ameaça do nazismo, emigrou para a Nova Zelândia, onde continuou a dar aulas. - Lecionou também em Inglaterra. - Faleceu em 1994, em Londres.
  • 3.
    Problema da evoluçãoda ciência ∎ Tendo em conta a dificuldade de acesso ao conhecimento objetivo. - Podemos considerar que há uma evolução científica? - Como se dá a evolução na ciência? - Podemos considerar que há objetividade na ciência? → Vamos começar por analisar um texto de Popper acerca destes problemas.
  • 4.
    A investigação científica ∎Toda a investigação científica começa e termina com a identificação de problemas. - Para tentar resolver os problemas desenvolvem-se hipóteses (conjeturas), que vão ser submetidas a testes, experimentações que procuram provar a sua falsidade (fragilidades, problemas, erros). - Só é possível provar a falsidade de uma hipótese ou teoria (Falsificacionismo), nunca é possível provar a sua veracidade.
  • 5.
    A investigação científica ∎Se uma hipótese resiste às contínuas tentativas de falsificação é considerada corroborada, não é considerada comprovada. - Uma hipótese corroborada acabará por não resistir a um dos testes, e terá de ser melhorada ou substituída, isto dará origem a um novo problema, relativamente ao qual surgirão novas hipóteses. - O exercício da investigação científica consiste na repetição deste processo circular.
  • 6.
    Processo circular dainvestigação científica P1 → H → E → P2 ↓ ↓ ↓ ↓ Problema Hipótese que Experiências Novo inicial resolve que eliminam problema P1 as hipóteses A diferença entre P1 e P2 traduz o progresso científico
  • 7.
    2.3.2.1- Eliminação doerro e seleção das teorias mais aptas. ∎ O esquema anterior mostra-nos como se desenvolve a ciência: → O problema surge com a identificação de um erro numa teoria. → A hipótese desenvolvida vai centrar-se na eliminação desse erro, de forma a produzir uma teoria que não cometa o erro identificado. → A hipótese que tenta uma nova explicação (que não cometa o erro anteriormente identificado) vai ser submetida a experimentações que procuram identificar as fragilidades dessa nova hipótese, através de tentativas de refutação. → As hipóteses que se convertem em teorias corroboradas, são as mais resistentes aos erros anteriormente cometidos e que explicam melhor do que as anteriores.
  • 8.
    2.3.2.2- Progresso doconhecimento e aproximação à verdade. ∎ A seleção das teorias mais aptas para explicar a realidade resulta num progresso da ciência em direção à verdade e à objetividade: → A ciência não é detentora da verdade, mas aproxima-se cada vez mais da verdade, à medida que desenvolve teorias melhores do que as anteriores. → O facto de se identificarem erros nas teorias já representa um avanço na ciência, quando identificamos o erro ficamos a saber mais do que sabíamos anteriormente. → O processo de identificação de erros e desenvolvimento de hipóteses que explicam a realidade sem cometer esses erros é um progresso em direção à verdade.
  • 9.
    Evolução científica ∎ Aevolução científica consiste no facto das teorias novas conseguirem resolver os mesmos problemas que as teorias antigas, mas serem também capazes de resolver problemas que as teorias antigas não resolviam: Conservadora - continua a resolver os problemas que as teorias anteriores conseguiam resolver. Ciência Revolucionária - consegue resolver problemas que as teorias anteriores não conseguiam resolver
  • 10.
    Evolução científica - Ofacto da ciência se revelar simultaneamente conservadora e revolucionária revela progresso, evolução na ciência: mantém as conquistas anteriores e adiciona novas conquistas. - O critério que permite considerar o progresso não é a verdade das teorias, pois as teorias são apenas conjeturas temporárias. É a aproximação à verdade que serve de critério para garantir o progresso da ciência, pois as teorias novas mostram-se melhores, mais completas, mais próximas da verdade do que as anteriores.
  • 11.
    Objetividade na ciência ∎A objetividade científica resulta necessariamente do rigor científico: - toda a análise deve ser feita de modo a garantir conclusões aceitáveis; ⇢ importância do raciocínio dedutivo (a lógica garante a objetividade). - as hipóteses devem ser testadas de forma a procurar erros que devem ser resolvidos; ⇢ importância do falsificacionismo (um método adequado garante a objetividade). - O rigor na aplicação dos instrumentos científicos garante que todo o processo científico conduz à objetividade (a técnica garante rigor na análise).
  • 12.
    Objetividade na ciência ∎A objetividade encontra-se na racionalidade crítica intersubjetiva: - resulta da cooperação e competição na formulação e avaliação das hipóteses. - resulta de um trabalho argumentativo intersubjetivo, apesar de cada cientista, no seu trabalho individual, estar numa posição subjetiva. - é a junção das várias subjetividades que permitem uma maior aproximação à objetividade, com o contributo da perspetiva individual de cada cientista, acrescentando progressivamente pequenas peças do “puzzle objetivo”.
  • 13.
    Objetividade na ciência ∎A objetividade não é alcançada, mas há uma contínua aproximação a esta: - através do progresso científico há uma contínua aproximação à objetividade. - o respeito pela lógica e o recurso à técnica permitem uma maior aproximação à objetividade. - o cientista individual nunca consegue alcançar a objetividade, mas o seu pequeno contributo, num contexto intersubjetivo, acrescenta pequenos pormenores que ajudam a ciência a aproximar-se continuamente da objetividade. → O progresso científico é uma contínua aproximação à objetividade.