Projeto Terapêutico Singular
Projeto Terapêutico Singular
(PTS)
(PTS)
Carlos Alberto Severo Garcia Júnior
O que é?
• O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um
conjunto de propostas de condutas
terapêuticas articuladas, para um sujeito
individual ou coletivo, resultado da discussão
coletiva de uma equipe interdisciplinar, com
apoio matricial se necessário. Geralmente é
dedicado a situações mais complexas.
(BRASIL, 2008)
Conceitos
• É uma variação da discussão de “caso clínico”.
Foi bastante desenvolvido em espaços de
atenção à saúde mental como forma de
propiciar uma atuação integrada da equipe
valorizando outros aspectos, além do
diagnóstico psiquiátrico e da medicação, no
tratamento dos usuários.
(BRASIL, 2008)
Conceitos
“Um movimento de coprodução e de
cogestão do processo terapêutico de
indivíduos ou coletivos, em situações de
vulnerabilidade”
(OLIVEIRA, 2010, p. 94)
Dispositivo PNH
Projeto Esforço temporário para criar um
produto
Terapêutico Tratamento; cuidado
Singular Contexto Único
Dispositivo para disparar processos de mudança nas práticas
de saúde.
Espaços de construção do PTS
Rede de Atenção à Saúde
• Reuniões das Equipes de Saúde da Família
(ESF);
• Reuniões de Matriciamento, Equipe de Saúde
Mental, Núcleo de Saúde da Família (NASF),
Centro de Saúde de Idoso, especialista, entre
outros;
• Atendimento compartilhado;
• Reuniões Intersetoriais (CRAS, Conselho
Tutelar, Consultório de Rua, etc.).
O que deve ser levado em consideração
para a construção de um PTS?
• Deve-se conhecer a pessoa envolvida;
• Delinear ações coerentes ao seu contexto de
vida;
• Envolver discussões em equipe;
• É fundamental a participação de vários atores;
• É necessário identificar as potencialidades e as
vulnerabilidades (orgânicas, psíquicas e
sociais).
Como fazer?
• A metodologia e o arranjo do processo irá
depender das características dos envolvidos.
• Ao longo dos últimos anos foram propostas
algumas pistas de um método, mas entendo
que cada caminho é traçado pelo desafio
posto, pela abertura de indagações, apontando
as metas a serem buscadas.
Metá (atrás, em
seguida, através)
+ hódos
(caminho)
Metodologia (1)
I. Diagnóstico
II. Definição de objetivos
III. Distribuição de tarefas e prazos
IV. Coordenação e negociação
V. Reavaliação
Metodologia (2)
I. Diagnóstico: que deverá conter uma avaliação orgânica,
psicológica e social, que possibilite uma conclusão a respeito dos
riscos e da vulnerabilidade do usuário. Deve tentar captar como o
sujeito singular se produz diante de forças como as doenças, os
desejos e os interesses, assim como também o trabalho, a
cultura, a família e a rede social. Ou seja, tentar entender o que o
sujeito faz de tudo que fizeram dele.
II. Definição de metas: uma vez que a equipe fez os diagnósticos,
ela faz propostas de curto, médio e longo prazo, que serão
negociadas com o sujeito doente pelo membro da equipe que tiver
um vínculo melhor.
III. Divisão de responsabilidades: é importante definir as tarefas de
cada um com clareza.
IV. Reavaliação: momento em que se discutirá a evolução e se farão
as devidas correções de rumo.
Definição de hipóteses
diagnósticas (I)
1. Com a anamnese do caso em questão. Por isso é importante
cada profissional conhecer o caso que será discutido, para
poder contribuir com seu olhar e saberes específicos de sua
formação.
2. Sempre que possível o profissional com maior vínculo com o
indivíduo ou a família deve esclarecer junto a estes suas ideias,
percepções e sentimentos em relação ao problema em questão
e às repercussões em sua vida.
3. Tomada de consciência também das limitações e
potencialidades percebidas pelo sujeito diante dos problemas,
para encontrar caminhos que possam ser utilizados para
estimulá-lo a participar de sua recuperação e cuidado.
Ferramentas Técnicas
Anamnese (do grego ana, trazer de novo
e mnesis, memória) é uma entrevista realizada
pelo profissional de saúde ao seu paciente, que
tem a intenção de ser um ponto inicial
no diagnóstico de uma doença ou patologia. Em
outras palavras, é uma entrevista que busca
relembrar todos os fatos que se relacionam com
a doença e à pessoa doente.
Ferramentas Técnicas
• Genograma é uma representação gráfica utilizada para
evidenciar diferentes arranjos familiares. Entende-se por
arranjo familiar “grupamento de pessoas que convivem
em uma unidade domiciliar, mesmo sem relação de
parentesco” (IBGE, 2006).
Definição de metas (II)
2 (duas) partes:
1. a primeira com a equipe, para ter clareza da proposta
para o usuário ou grupo, protagonista da situação ou
problema;
2. a segunda parte pode ser realizada entre a equipe e o
usuário ou o grupo, visando enveredar esforços para
que a proposta da equipe faça sentido, por isto a
importância de ter um integrante da equipe que tenha
maior vínculo com a situação, pois ele será o interlocutor
privilegiado a dar sequência à pactuação em torno do
PTS.
O profissional coordenador da situação singular
deve levar em conta aspectos que o auxiliem em
seus objetivos, tais como:
• Abrir espaço para as ideias e palavras
do usuário.
• Não tornar o diálogo técnico.
• Não assumir uma postura de
neutralidade.
Divisão de responsabilidades
(III)
• O PTS visa acima de tudo à autonomia do
sujeito sobre suas condições de vida e saúde
por meio da busca de seu protagonismo. Por
isso é essencial que parte das
responsabilidades terapêuticas seja assumida
por ele.
• Oliveira (2007) orienta a construção de um
cronograma de ações com a identificação dos
responsáveis específicos para elas.
• Nesse cronograma de ações é interessante
constar a periodicidade de reavaliação do
caso, considerando o tempo necessário para
produção do efeito desejado, assim como a
tolerância que não signifique riscos ou danos
aos sujeitos, e principalmente que as equipes
não percam a familiaridade com o caso.
Reavaliação (IV)
• Buscando identificar e ajustar a proposta
inicial às novas necessidades e resoluções
atingidas, considerando as hipóteses
anteriormente descartadas na primeira etapa de
construção de hipóteses diagnósticas e também
da proposta de intervenção.
Na Prática: Este deve ser um momento de reconhecimento das
falhas, mas também das conquistas, em que o grupo compartilha da
força de superação e estímulo para vencer novos desafios.
Algumas questões disparadoras que as equipes de
saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação
do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os
usuários
• Quem são as pessoas envolvidas no caso?
• De onde vêm? Onde moram? Como moram? Como se organizam?
• O que elas acham do lugar que moram e da vida que têm?
• Como lidamos com esses modos de ver e de viver?
• Qual a relação entre elas e delas com os profissionais da equipe?
• De que forma o caso surgiu para a equipe?
• Qual é e como vemos a situação envolvida no caso?
• Essa situação é problema para quem?
• Essa situação é problema de quem?
• Por que vejo essa situação como problema?
• Por que discutir esse problema e não outro?
• O que já foi feito pela equipe e por outros serviços nesse caso?
• O que a equipe tem feito com relação ao caso?
• Que estratégia, aposta e ênfase têm sido utilizada para o
enfrentamento do problema?
• Como este(s) usuário(s) tem respondido a essas ações da equipe?
• Como a maneira de agir, de pensar e de se relacionar da equipe pode
ter interferido nessa(s) resposta(s)?
• O que nos mobiliza neste(s) usuário(s)?
• Como estivemos lidando com essas mobilizações até agora?
• O que os outros serviços de saúde têm feito com relação ao caso?
Como avaliamos essas ações?
• A que riscos (individuais, políticos, sociais) acreditamos que essas
pessoas estão expostas?
Algumas questões disparadoras que as equipes de
saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação
do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os
usuários
• Que processos de vulnerabilidade essas pessoas estão vivenciando?
• O que influencia ou determina negativamente a situação (no sentido da
produção de sofrimentos ou de agravos)?
• Como essas pessoas procuram superar essas questões?
• O que protege ou influencia positivamente a situação (no sentido da
diminuição ou superação de sofrimentos ou de agravos)?
• Como essas pessoas buscam redes para ampliar essas possibilidades?
• Como os modos de organizar o serviço de saúde e as maneiras de agir
da equipe podem estar aumentando ou diminuindo vulnerabilidades na
relação com essas pessoas?
• Que necessidades de saúde devem ser respondidas nesse caso?
• O que os usuários consideram como suas necessidades?
• Quais objetivos devem ser alcançados no PTS?
Algumas questões disparadoras que as equipes de
saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação
do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os
usuários
• Quais objetivos os usuários querem alcançar?
• Que hipóteses temos sobre como a problemática se explica e se
soluciona?
• Como o usuário imagina que seu “problema” será solucionado?
• Que ações, responsáveis e prazos serão necessárias no PTS?
• Com quem e como iremos negociar e pactuar essas ações?
• Como o usuário e sua família entendem essas ações?
• Qual o papel do(s) usuário(s) no PTS? O que ele(s) acham de assumir
algumas ações?
• Quem é o melhor profissional para assumir o papel de referência?
• Quando provavelmente será preciso discutir ou reavaliar o PTS?
Algumas questões disparadoras que as equipes de
saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação
do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os
usuários
Atenção!
• Exercitar a capacidade de perceber os limites dos
diversos saberes estruturados diante da singularidade dos
sujeitos e dos desejos destes sujeitos (sujeito não é só
interesse – fazer metas pactuadas, realistas, redução de
danos);
• Avaliar os filtros teóricos nas conversas com pacientes,
possibilitar narrativas;
• Perceber quais temas a equipe teve dificuldade de
conversar / preparação da reunião / lidar com pré-tarefa e
dificuldades inconscientes;
Atenção!
• Autorizar-se a fazer críticas no grupo de forma
construtiva. Lidar com poderes na equipe;
• Autorizar-se a lidar com identificacão/paixão com saber
profissional de forma crítica (núcleo e campo/afetos);
• Autorizar-se a pensar novas possibilidades e caminhos
para a intervencão. Inventar e aceitar a diferença de ser
e de fazer (x lógica burocrático-industrial da linha de
producão “ taylorista'').
Perguntas
coprodução e cogestão
• Em que espaços da gestão (cotidiana) conversa-se
sobre a subjetividade (circulação de afetos na equipe e
entre equipe e usários)?
• O quanto de submissão e medo as nossas práticas
gerenciais e clínicas precisam para funcionar?
• Quando e como podem ser analisados com as equipes
os objetos de trabalho/investimento, os objetivos, os
meios e os resultados das equipes?
• O quanto se avalia os possíveis danos (intrínsecos) das
atividades de saúde?
Vídeos, filmes e Textos
• Vídeo - Experiência do Centro de Saúde do Idoso de Blumenau/SC –
Acesso em: https://www.youtube.com/watch?v=hpO7NPeGBVE
• Vídeo – Trabalho em equipe e o PTS: Clínica Ampliada – Gustavo Tenório.
Acesso em: https://www.youtube.com/watch?v=pMM5B3A3XZY
• Filme – O Escafandro e a Borboleta
• Filme – O óleo de Lorenzo
• Texto - OLIVEIRA, G. N. O projeto Terapêutico e a mudança nos modos de
produzir saúde. São Paulo: Hucitec, 2008.
• Texto - COMTE, M. et al. Redução de Danos e Saúde Mental na
perspectiva da Atenção Básica. Boletim da Saúde, Porto Alegre, v. 8, n. 1,
p. 59-77, 2004. Acesso em:
http://www.esp.rs.gov.br/img2/v18n1_07redu%C3%A7%C3%A3o%20de%2
0danos.pdf
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular.–
2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2008.
CAMPOS, G.W.S. Subjetividade e administração de pessoal: considerações sobre modos de
gerenciar o trabalho em saúde. In: MERHY, E.E., ONOCKO, R. (orgs.). Agir em saúde: um
desafio para o público. São Paulo: Hucitec, 1997, p.197-228.
OLIVEIRA, G.N. O Projeto Terapêutico Singular. Cadernos HumanizaSUS. Vol. 2. Atenção
básica. 2010. p. 93-104
______. Projeto terapêutico como contribuição para a mudança das práticas de saúde.
Dissertação (Mestrado) Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas.
Campinas, SP: 2007. p. 202.
Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Curso de Especialização
Multiprofissional em Saúde da Família. Projeto terapêutico singular [Recurso eletrônico] /
Universidade Federal de Santa Catarina; Fernanda Alves Carvalho de Miranda; Elza Berger
Salema Coelho; Carmem Leontina Ojeda Ocampo Moré. – Florianópolis : Universidade Federal
de Santa Catarina, 2012.
Obrigado!
Carlos Garcia Jr.
Consultor da Política Nacional de Humanização (PNH)
Secretaria de Atenção à Saúde – SAS
Ministério da Saúde
e-mail: carlosgarciajunior@hotmail.com
carlos.junior@saude.gov.br
Tel: (48) 9948 6694

1392720408.pptbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb

  • 1.
    Projeto Terapêutico Singular ProjetoTerapêutico Singular (PTS) (PTS) Carlos Alberto Severo Garcia Júnior
  • 2.
    O que é? •O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar, com apoio matricial se necessário. Geralmente é dedicado a situações mais complexas. (BRASIL, 2008)
  • 3.
    Conceitos • É umavariação da discussão de “caso clínico”. Foi bastante desenvolvido em espaços de atenção à saúde mental como forma de propiciar uma atuação integrada da equipe valorizando outros aspectos, além do diagnóstico psiquiátrico e da medicação, no tratamento dos usuários. (BRASIL, 2008)
  • 4.
    Conceitos “Um movimento decoprodução e de cogestão do processo terapêutico de indivíduos ou coletivos, em situações de vulnerabilidade” (OLIVEIRA, 2010, p. 94)
  • 5.
    Dispositivo PNH Projeto Esforçotemporário para criar um produto Terapêutico Tratamento; cuidado Singular Contexto Único Dispositivo para disparar processos de mudança nas práticas de saúde.
  • 6.
    Espaços de construçãodo PTS Rede de Atenção à Saúde • Reuniões das Equipes de Saúde da Família (ESF); • Reuniões de Matriciamento, Equipe de Saúde Mental, Núcleo de Saúde da Família (NASF), Centro de Saúde de Idoso, especialista, entre outros; • Atendimento compartilhado; • Reuniões Intersetoriais (CRAS, Conselho Tutelar, Consultório de Rua, etc.).
  • 7.
    O que deveser levado em consideração para a construção de um PTS? • Deve-se conhecer a pessoa envolvida; • Delinear ações coerentes ao seu contexto de vida; • Envolver discussões em equipe; • É fundamental a participação de vários atores; • É necessário identificar as potencialidades e as vulnerabilidades (orgânicas, psíquicas e sociais).
  • 8.
    Como fazer? • Ametodologia e o arranjo do processo irá depender das características dos envolvidos. • Ao longo dos últimos anos foram propostas algumas pistas de um método, mas entendo que cada caminho é traçado pelo desafio posto, pela abertura de indagações, apontando as metas a serem buscadas. Metá (atrás, em seguida, através) + hódos (caminho)
  • 9.
    Metodologia (1) I. Diagnóstico II.Definição de objetivos III. Distribuição de tarefas e prazos IV. Coordenação e negociação V. Reavaliação
  • 10.
    Metodologia (2) I. Diagnóstico:que deverá conter uma avaliação orgânica, psicológica e social, que possibilite uma conclusão a respeito dos riscos e da vulnerabilidade do usuário. Deve tentar captar como o sujeito singular se produz diante de forças como as doenças, os desejos e os interesses, assim como também o trabalho, a cultura, a família e a rede social. Ou seja, tentar entender o que o sujeito faz de tudo que fizeram dele. II. Definição de metas: uma vez que a equipe fez os diagnósticos, ela faz propostas de curto, médio e longo prazo, que serão negociadas com o sujeito doente pelo membro da equipe que tiver um vínculo melhor. III. Divisão de responsabilidades: é importante definir as tarefas de cada um com clareza. IV. Reavaliação: momento em que se discutirá a evolução e se farão as devidas correções de rumo.
  • 11.
    Definição de hipóteses diagnósticas(I) 1. Com a anamnese do caso em questão. Por isso é importante cada profissional conhecer o caso que será discutido, para poder contribuir com seu olhar e saberes específicos de sua formação. 2. Sempre que possível o profissional com maior vínculo com o indivíduo ou a família deve esclarecer junto a estes suas ideias, percepções e sentimentos em relação ao problema em questão e às repercussões em sua vida. 3. Tomada de consciência também das limitações e potencialidades percebidas pelo sujeito diante dos problemas, para encontrar caminhos que possam ser utilizados para estimulá-lo a participar de sua recuperação e cuidado.
  • 12.
    Ferramentas Técnicas Anamnese (dogrego ana, trazer de novo e mnesis, memória) é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente, que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de uma doença ou patologia. Em outras palavras, é uma entrevista que busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e à pessoa doente.
  • 13.
    Ferramentas Técnicas • Genogramaé uma representação gráfica utilizada para evidenciar diferentes arranjos familiares. Entende-se por arranjo familiar “grupamento de pessoas que convivem em uma unidade domiciliar, mesmo sem relação de parentesco” (IBGE, 2006).
  • 14.
    Definição de metas(II) 2 (duas) partes: 1. a primeira com a equipe, para ter clareza da proposta para o usuário ou grupo, protagonista da situação ou problema; 2. a segunda parte pode ser realizada entre a equipe e o usuário ou o grupo, visando enveredar esforços para que a proposta da equipe faça sentido, por isto a importância de ter um integrante da equipe que tenha maior vínculo com a situação, pois ele será o interlocutor privilegiado a dar sequência à pactuação em torno do PTS.
  • 15.
    O profissional coordenadorda situação singular deve levar em conta aspectos que o auxiliem em seus objetivos, tais como: • Abrir espaço para as ideias e palavras do usuário. • Não tornar o diálogo técnico. • Não assumir uma postura de neutralidade.
  • 16.
    Divisão de responsabilidades (III) •O PTS visa acima de tudo à autonomia do sujeito sobre suas condições de vida e saúde por meio da busca de seu protagonismo. Por isso é essencial que parte das responsabilidades terapêuticas seja assumida por ele. • Oliveira (2007) orienta a construção de um cronograma de ações com a identificação dos responsáveis específicos para elas.
  • 17.
    • Nesse cronogramade ações é interessante constar a periodicidade de reavaliação do caso, considerando o tempo necessário para produção do efeito desejado, assim como a tolerância que não signifique riscos ou danos aos sujeitos, e principalmente que as equipes não percam a familiaridade com o caso.
  • 18.
    Reavaliação (IV) • Buscandoidentificar e ajustar a proposta inicial às novas necessidades e resoluções atingidas, considerando as hipóteses anteriormente descartadas na primeira etapa de construção de hipóteses diagnósticas e também da proposta de intervenção. Na Prática: Este deve ser um momento de reconhecimento das falhas, mas também das conquistas, em que o grupo compartilha da força de superação e estímulo para vencer novos desafios.
  • 19.
    Algumas questões disparadorasque as equipes de saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os usuários • Quem são as pessoas envolvidas no caso? • De onde vêm? Onde moram? Como moram? Como se organizam? • O que elas acham do lugar que moram e da vida que têm? • Como lidamos com esses modos de ver e de viver? • Qual a relação entre elas e delas com os profissionais da equipe? • De que forma o caso surgiu para a equipe? • Qual é e como vemos a situação envolvida no caso? • Essa situação é problema para quem? • Essa situação é problema de quem? • Por que vejo essa situação como problema? • Por que discutir esse problema e não outro? • O que já foi feito pela equipe e por outros serviços nesse caso?
  • 20.
    • O quea equipe tem feito com relação ao caso? • Que estratégia, aposta e ênfase têm sido utilizada para o enfrentamento do problema? • Como este(s) usuário(s) tem respondido a essas ações da equipe? • Como a maneira de agir, de pensar e de se relacionar da equipe pode ter interferido nessa(s) resposta(s)? • O que nos mobiliza neste(s) usuário(s)? • Como estivemos lidando com essas mobilizações até agora? • O que os outros serviços de saúde têm feito com relação ao caso? Como avaliamos essas ações? • A que riscos (individuais, políticos, sociais) acreditamos que essas pessoas estão expostas? Algumas questões disparadoras que as equipes de saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os usuários
  • 21.
    • Que processosde vulnerabilidade essas pessoas estão vivenciando? • O que influencia ou determina negativamente a situação (no sentido da produção de sofrimentos ou de agravos)? • Como essas pessoas procuram superar essas questões? • O que protege ou influencia positivamente a situação (no sentido da diminuição ou superação de sofrimentos ou de agravos)? • Como essas pessoas buscam redes para ampliar essas possibilidades? • Como os modos de organizar o serviço de saúde e as maneiras de agir da equipe podem estar aumentando ou diminuindo vulnerabilidades na relação com essas pessoas? • Que necessidades de saúde devem ser respondidas nesse caso? • O que os usuários consideram como suas necessidades? • Quais objetivos devem ser alcançados no PTS? Algumas questões disparadoras que as equipes de saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os usuários
  • 22.
    • Quais objetivosos usuários querem alcançar? • Que hipóteses temos sobre como a problemática se explica e se soluciona? • Como o usuário imagina que seu “problema” será solucionado? • Que ações, responsáveis e prazos serão necessárias no PTS? • Com quem e como iremos negociar e pactuar essas ações? • Como o usuário e sua família entendem essas ações? • Qual o papel do(s) usuário(s) no PTS? O que ele(s) acham de assumir algumas ações? • Quem é o melhor profissional para assumir o papel de referência? • Quando provavelmente será preciso discutir ou reavaliar o PTS? Algumas questões disparadoras que as equipes de saúde podem utilizar para começar a praticar a formulação do PTS em grupo e a problematizar a sua relação com os usuários
  • 23.
    Atenção! • Exercitar acapacidade de perceber os limites dos diversos saberes estruturados diante da singularidade dos sujeitos e dos desejos destes sujeitos (sujeito não é só interesse – fazer metas pactuadas, realistas, redução de danos); • Avaliar os filtros teóricos nas conversas com pacientes, possibilitar narrativas; • Perceber quais temas a equipe teve dificuldade de conversar / preparação da reunião / lidar com pré-tarefa e dificuldades inconscientes;
  • 24.
    Atenção! • Autorizar-se afazer críticas no grupo de forma construtiva. Lidar com poderes na equipe; • Autorizar-se a lidar com identificacão/paixão com saber profissional de forma crítica (núcleo e campo/afetos); • Autorizar-se a pensar novas possibilidades e caminhos para a intervencão. Inventar e aceitar a diferença de ser e de fazer (x lógica burocrático-industrial da linha de producão “ taylorista'').
  • 25.
    Perguntas coprodução e cogestão •Em que espaços da gestão (cotidiana) conversa-se sobre a subjetividade (circulação de afetos na equipe e entre equipe e usários)? • O quanto de submissão e medo as nossas práticas gerenciais e clínicas precisam para funcionar? • Quando e como podem ser analisados com as equipes os objetos de trabalho/investimento, os objetivos, os meios e os resultados das equipes? • O quanto se avalia os possíveis danos (intrínsecos) das atividades de saúde?
  • 26.
    Vídeos, filmes eTextos • Vídeo - Experiência do Centro de Saúde do Idoso de Blumenau/SC – Acesso em: https://www.youtube.com/watch?v=hpO7NPeGBVE • Vídeo – Trabalho em equipe e o PTS: Clínica Ampliada – Gustavo Tenório. Acesso em: https://www.youtube.com/watch?v=pMM5B3A3XZY • Filme – O Escafandro e a Borboleta • Filme – O óleo de Lorenzo • Texto - OLIVEIRA, G. N. O projeto Terapêutico e a mudança nos modos de produzir saúde. São Paulo: Hucitec, 2008. • Texto - COMTE, M. et al. Redução de Danos e Saúde Mental na perspectiva da Atenção Básica. Boletim da Saúde, Porto Alegre, v. 8, n. 1, p. 59-77, 2004. Acesso em: http://www.esp.rs.gov.br/img2/v18n1_07redu%C3%A7%C3%A3o%20de%2 0danos.pdf
  • 27.
    Referências BRASIL. Ministério daSaúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular.– 2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2008. CAMPOS, G.W.S. Subjetividade e administração de pessoal: considerações sobre modos de gerenciar o trabalho em saúde. In: MERHY, E.E., ONOCKO, R. (orgs.). Agir em saúde: um desafio para o público. São Paulo: Hucitec, 1997, p.197-228. OLIVEIRA, G.N. O Projeto Terapêutico Singular. Cadernos HumanizaSUS. Vol. 2. Atenção básica. 2010. p. 93-104 ______. Projeto terapêutico como contribuição para a mudança das práticas de saúde. Dissertação (Mestrado) Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas. Campinas, SP: 2007. p. 202. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Curso de Especialização Multiprofissional em Saúde da Família. Projeto terapêutico singular [Recurso eletrônico] / Universidade Federal de Santa Catarina; Fernanda Alves Carvalho de Miranda; Elza Berger Salema Coelho; Carmem Leontina Ojeda Ocampo Moré. – Florianópolis : Universidade Federal de Santa Catarina, 2012.
  • 28.
    Obrigado! Carlos Garcia Jr. Consultorda Política Nacional de Humanização (PNH) Secretaria de Atenção à Saúde – SAS Ministério da Saúde e-mail: carlosgarciajunior@hotmail.com carlos.junior@saude.gov.br Tel: (48) 9948 6694