Texto9 P7

519 visualizações

Publicada em

Publicada em: Tecnologia
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Texto9 P7

  1. 1. Constelar Astrologia :: Mitologia e Literatura - O mito da Moira Page 1 of 4 Um olhar brasileiro em Astrologia Edição 90 :: Dezembro/2005 :: Segunda-feira, 15/06/2009 - 23h01 Busca temática: MITOLOGIA E LITERATURA Selecione um assunto O mito da Moira Índices por autor: Eugenia Maria Magnavita Galeffi |A-B|C-D|E-F| |G-L|M-Q|R-Z| Início do artigo | Parte 2 Explore por edição: O tema da Moira no Paradiso Terrestre 1998 - 2000 | 2001 - 2002 2003 - 2004 | 2005 - 2006 Em Il Paradiso Terrestre o tema da Moira se 2007 - 2009 | metamorfoseia em várias aparições: ora País & Mundo | Cotidiano | Opine! | como tradição arcaizante das mulheres Dicas & Eventos | vestidas de preto que caracterizam a condição feminina no contexto insular; ora como os cartazes fúnebres que atapetam os muros das cidadezinhas, a fim de que aqueles que se foram sejam a cada minuto Cursos via internet com inscrição aberta lembrados; ora como o monumento aos início: 9 de junho caídos de Dogali, batalha histórica em defesa da cidade de Agrigento (foto), com Página de inscrição cuja inscrição o romance se abre; ora como a "cialoma", cantilena que acompanha a matança do atum e que se assemelha a uma trenódia grega; ora como a morte Aspectos 3 funesta de dois dos filhos de Don Gaetano, proprietário de Villa Ibla: Nunzio, que ao Um material único em língua descobrir a verdadeira situação de filho ilegítimo, mata o irmão Luccio e se enforca portuguesa, com a em seguida; ora no contraste estarrecedor entre a situação privilegiada dos usuários chave da interpretação dos do paradisíaco hotel Villa Ibla, com piscina e parque verdíssimo, e a condição dos aspectos menores ou habitantes da casbah que faziam filas quilométricas para encher suas vasilhas de raros. água, distribuída por duas horas a cada quinze dias, quadro agravado pela seca que Mais detalhes >> | assolava a região; ora no pisoteamento de uma criança durante a procissão de San Inscrições >> Calò, cuja multidão, no afã de ver o milagre da multiplicação dos pães, corre desenfreada, causando o acidente; na morte de Don Diego, pároco que procura Trânsitos, o mapa desvendar o segredo da carta do Diabo, lenda que paira sobre a mítica cidade de em movimento Agrigento. Enfim, a Moira se contextualiza no destino pessoal de Vanni Corvaia, que Uma base sólida para entender a qualidade sucumbe ao tentar resolver o velho problema hídrico de Agrigento. Havia a hipótese única de cada de que debaixo da cidade existissem lençóis freáticos no Hipogeu do Purgatório. momento da vida e seus desafios de Vanni, sozinho, e sem estar devidamente preparado, resolve embrenhar-se labirinto crescimento. adentro, justamente após o dilúvio que se abatera sobre a cidade castigada pela seca havia meses. O protagonista é atraído cegamente pela fatídica Moira, em busca Mais detalhes >> | Inscrições >> de uma solução para a sua vida. Ao perceber que ficara preso no Hipogeu do Purgatório, pois a chuva provocara o fechamento da passagem, tenta pronunciar o Trânsitos de nome de Penélope, aquela que lhe dedicara momentos de doçura e prazer no Vale Saturno: lidando dos Templos, mas é Perséfone, a rainha do Hades, a deusa dos Infernos, que lhe sai com o poder dos lábios. Reconhece ter armado sua própria sepultura e se compara ao tolo atum Estes trânsitos podem restringir ou que se deixa atrair para a câmara da morte. libertar. A questão é como lidarmos com eles. Na religião grega, o paraíso destinava-se a raros heróis que por feitos extraordinários transformavam-se em semi-deuses. Todos os mortais destinavam- Mais detalhes >> | se, após a morte, a uma existência obscura no Reino do Hades, das Sombras. Inscrições >> No romance em questão, o personagem perde sua mãe ao nascer. Sabemos que quanto a esse aspecto "as Moiras influem sobre o nascimento de forma favorável ou desfavorável" [7]. Por outro lado, sua mãe manifestara sempre um desejo de morte, Cursos via internet com inscrição aberta de fato, nunca conseguira sustentar a própria criação: "...tinha medo da gravidez e início: 23 de junho queria morrer... E tinha morrido" [8]. Esse fato imprime na personalidade de Vanni Página de inscrição Corvaia melancolia, tristeza e desorientação, e principalmente uma grande fraqueza: "a necessidade de encontrar uma segurança originária, sua mãe, que nunca Planetas Pessoais em Signos e Casas Como funcionam Mercúrio, o fator de conhecera e à qual queria de novo unir-se" [9]. Também uma ausência de vontade, aprendizagem; Vênus, o fator afetivo; e para criar, para empreender um novo destino: "era um arquiteto falido". Em Marte, o fator de ação. contrapartida, essa fraqueza de Vanni se opõe ao espírito empreendedor do seu pai Mais detalhes >> | Inscrições >> Pietro Corvaia. Interpretação, Método Clássico Il Paradiso Terrestre é uma narrativa estruturada segundo o modelo baixo-imitativo A Teoria das Determinações, que constitui http://www.constelar.com.br/constelar/90_dezembro05/moira2.php 15/6/2009
  2. 2. Constelar Astrologia :: Mitologia e Literatura - O mito da Moira Page 2 of 4 uma espécie de retomado de Aristóteles por Frye, cuja temática sugere uma iniciação fracassada do "gramática" da Astrologia, ponto de vista da elevação espiritual. compreendida a partir de um clássico Os símbolos referentes à tradição religiosa, mais precisamente, àqueles relacionados genial: o francês Jean-Baptiste Morin, com a mitologia grega, e mesmo com o cristianismo, estão amplamente conectados maior astrólogo do com o destino de Vanni. A urdidura da trama está completa, o fio da vida de Vanni século XVII. Corvaia é cortado pela implacável Átropos, a inflexível Moira. Mais detalhes >> | Inscrições >> A figura da Moira em Sergio Campailla é bastante fatalista e isso deve-se à Astrologia e grecidade genética existente no autor Recursos Humanos assim como no habitante da ilha. Em uma O mais importante fator de sucesso nas entrevista, ele diz que no seu romance organizações é o "existe uma presença significativa da capital humano. O Moira, que é um signo de destino". Ele se desafio é produzir, mas sem trair o reconhece na tradição meridional, próprio mapa. especificamente siciliana, "que é a Mais detalhes >> | conseqüência de uma história milenar" da Inscrições >> qual se sente filho e expressão, tanto do ponto de vista histórico quanto do ponto Novidades em As Moiras na visão do pintor Juan Medina, de vista familiar. Diz sentir e mapas do Brasil nascido em Santo Domingo, República compreender através da sensibilidade " a Dominicana, e atual diretor da Escola de experiência do homem da ilha que fica Um link direto Belas Artes daquele país. separado, que faz um esforço para para os vinte pertencer, para integrar-se" o que mapas mais recentes considera "uma espécie de destino". Continua dizendo que "na cultura siciliana, Joaquim Nabuco (Joaquim Aurélio mediterrânea, ou de origem grega, desenvolveu-se um fatalismo", que na sua obra é Barreto Nabuco de Araújo) um tema recorrente e fundamental. No seu caso específico esta fatalidade vem Mônica Waldvogel sempre com uma 'joie de vivre'. Finaliza dizendo: "Eu sou um siciliano, sou um Olavo de Carvalho (Olavo Luís Pimentel trágico". de Carvalho) Castro Alves (Antônio Frederico de Em comparação à concepção da Moira em Ésquilo, através das suas tragédias, Castro Alves) podemos dizer que a figura da Moira existente na obra de Campailla é muito mais Adélia Prado (Adélia Luzia Prado Freitas) arcaica do que a do próprio poeta eleusino, que se apresenta mais atual em certos Graciliano Ramos (Graciliano Ramos de aspectos. Vejamos em que medida. Oliveira) Sérgio Buarque de Holanda O tema da Moira em Ésquilo Em Ésquilo há um forte idealismo no sentido de acreditar que um dia a Justiça (Díke) e a ordem suprema triunfarão, pois se o papel da Moira é regularizar o que foi além da medida (Métron), uma vez estabelecido o equilíbrio, a Moira agirá suavemente. Em outras palavras, quanto menor for o Pecado (Hamarthía), menor será o Erro (Ate) e a Vingança (Nêmesis) só agirá de acordo com a situação. Segundo Ésquilo, o antídoto contra a Moira seria a Temperança (Sofrosýne), pois somente esta pode estar em consonância com a Lei Suprema do Universo, que é, em outras palavras, o Divino. Em suas tragédias, Ésquilo nos demonstra uma certa evolução do pensamento mítico do seu tempo, pois certamente tinha conhecimento da ligação entre consciência e inconsciência da Moira, ou seja, entre determinismo e livre-arbítrio. No Prometeu Acorrentado o conceito de Moira era quase cego, assim como nos Sete Contra Tebas, onde o determinismo impera. Já nos Persas podemos dizer que há uma ligeira evolução do livre-arbítrio. Xerxes não estava consciente da sua hýbris, mas tendo visto o exemplo da morte de Dario, seu pai, na Batalha de Maratona, achou-se no direito de continuar a luta, apesar de ter sido admoestado para não fazê-lo, pois acreditava-se mais poderoso do que os deuses ao atravessar o Bósforo, sendo derrotado de maneira humilhante pelos helenos. Na Oréstia parte-se Ésquilo (525 a.C. - 456 a.C.) - Dramaturgo grego, de um conceito maior de determinismo que vai deu à tragédia sua forma diminuindo em escala decrescente até chegar ao de livre- definitiva, introduzindo a arbítrio. Orestes, consciente do seu erro, mesmo se a figura de um antagonista e este foi forçado pelo oráculo, tem a dimensão da própria http://www.constelar.com.br/constelar/90_dezembro05/moira2.php 15/6/2009
  3. 3. Constelar Astrologia :: Mitologia e Literatura - O mito da Moira Page 3 of 4 reduzindo a importância do culpa e, após a expiação, através da dor, redime-se e, de coro. Sua obra tem um tomfato, é absolvido. Não só o julgamento no Areópago em dramático impressionante,que Palas Athena dá o voto do desempate beneficiando mais arcaico do que em Orestes, liberando-o da culpa do crime de Sófocles ou Eurípedes, e consagüineidade, ou melhor, de matricídio, como pleno de imagens também a transformação das Erínias (Fúrias) em simbólicas. De sua vasta Eumênides (Benfazejas), mostram que o criador da obra restaram apenas sete tragédia idealizava um mundo melhor, resolvido nos seus peças completas. conflitos, balanceado pelo equilíbrio da Justiça, podendo transmutar, assim, a atuação da Moira. Em outras palavras, o poeta eleusino interpretou diversamente a implacabilidade do Destino, dando-lhe uma certa flexibilidade. Ésquilo, desse modo, realiza uma transfiguração da concepção da inexorabilidade da fatalidade, melhor dizendo, do próprio determinismo, que consiste em elevar o destino à categoria de Justiça, e pode ser identificado, simbolicamente com a era de Zeus, incorporada nos ideais da pólis democrática. De fato, ele nos desvela, na sua obra, um livre arbítrio que depende da responsabilidade ou da consciência de cidadania dos membros da pólis, consciência essa que exige um respeito às leis das tradições. Ele age como se estivesse profetizando a relação de harmonia com o destino através da ação consciente do Homem. A Moira em Ésquilo assume um papel totalmente novo para a época, pois a solução achada por este para o julgamento de Orestes no Areópago, não só entre os deuses, mas também entre os homens, faz com que aquele conceito antigo de determinismo venha a ser transformado, pois, na sua obra, a mácula pode ser purificada ou diminuida através da dor; o sofrimento é, pois, a chave para a redenção da culpa. Este pode aplacar a Moira e o livre-arbítrio substitui-se ao cego determinismo [10]. Em Campailla, como podemos constatar, a Moira é ainda sinônimo de Fatalidade. Arraigada nos costumes ancestrais do povo siciliano está a Moira campaillana, a Moira primitiva e tautológica, ainda a Moira Ananké (Necessidade). Vanni Corvaia precisava passar pelo labirinto e fazer a iniciação para poder ascender espiritualmente, mas não estava preparado e o acesso lhe fora vedado. Preso ainda ao determinismo instintivo, reconheceu ter agido como o atum, que inconscientemente é atraído para a câmara da morte. Constatou ter chegado até ali por suas próprias mãos. Pensou na nobre origem materna e lhe restou um consolo: "Era um arquiteto e morria dentro de uma grande construção, digna de Dédalo, arquiteto de Minos, digna de Feaz, arquiteto de Terão, digna de Imhotep, arquiteto de Zoser" [11]. Tateando no chão, encontrou um seixo e, em vez do epitáfio que lhe viera à mente, escreveu "Aiamola", grito de imolação entoado pelos pescadores ao cantarem a "cialoma". Sergio Campailla continua demonstrando que sua veia artística não se esgotou, pelo contrário, ela está, mais do que nunca, rica de mitos e símbolos, seja que trate do mito da Moira, sempre presente em sua obra, seja que trate de labirintos e figuras mitológicas (Domani domani, romance ambientado em Roma e Interno, con gruppo, conto claustrofóbico que se passa nas catacumbas romanas de Santa Inês), seja que trate do mito da diáspora (Romanzo americano). Vanni Corvaia, adolescente ainda na sua primeira obra narrativa, o longo conto Una stagione in Sicília fez-se homem em Il Paradiso Terrestre, mas não suficientemente maduro para enfrentar o labirinto. Mas quem sabe se no seu próximo romance Campailla encontra um personagem enraizado e unificado com o seu próprio Eu? Seria um resgate de Vanni do labirinto. Eu, pessoalmente, achei o meu "centro" nos passos de Vanni. Não por acaso Campailla, na dedicatória do seu romance a mim, disse que a Moira nos tinha ligado no Paradiso Terrestre. Ele, com seu personagem, me ajudou no meu processo de compreensão interna, quem sabe, eu de algum modo possa ajudar o próximo personagem a se encontrar? Esta é, pois, a questão. Só o tempo o dirá, ou melhor, a Moira. NOTAS [7] A. Magris, op. cit., p. 48. [8] S. Campailla. Il Paradiso Terrestre. Milano: Rusconi, 1988, p. 384. A tradução é nossa. [9] Ibidem, p. 286. http://www.constelar.com.br/constelar/90_dezembro05/moira2.php 15/6/2009
  4. 4. Constelar Astrologia :: Mitologia e Literatura - O mito da Moira Page 4 of 4 [10] Cf. E.M. Galeffi.. O papel da Moira na tragédia esquiliana. In Representações da Antiguidade. III Congresso Nacional de Estuidos clássicos - IX Reunião da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos, GT 11. Rio de Janeiro, SBEC/ Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, 1995. p. 39-40. [11] S. Campailla, op. cit., p. 568. BIBLIOGRAFIA CAMPAILLA, Sergio. Abitare il Labirinto in Motivo, Archetipo, Parola. Per una tipologia del mito in letteratura. A cura di Cristiana Lardo. Roma: Vecchiarelli, 1998. CAMPAILLA, Sergio. CAMPAILLA, Sergio. Il Paradiso Terrestre. Milano: Rusconi, 1988. ÉSQUILO, SÓFOCLES, EURÍPEDES e ARISTÓFANES. Teatro Grego. Seleção, intr., notas e trad. Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix. FRYE, Northrop. Anatomia della Critica. Trad. di Paolo Rosa-Clot e Sandro Stratta. Torino: Einaudi, 1969. GALEFFI. Eugenia Maria. O papel da Moira na tragédia esquiliana. In Representações da Antiguidade. III Congresso Nacional de Estudos clássicos - IX Reunião da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos, GT 11. Rio de Janeiro: SBEC/ Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, 1995. HESÍODO, Teogonia. A origem dos deuses. Trad. Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1991. HORTA, Guida Nedda B. Parreiras. A luz da Hélade. Rio de Janeiro: Ed. J. Di Giorgio, 1980. MAGNAVITA, Flavio. A essência do drama em Ésquilo. Salvador, Bahia: 1961. MAGRIS, Aldo. L'Idea del Destino nel Pensiero Antico. Trieste: Del Bianco, vol. I, 1984, vol. II, 1985. PLATÃO. A República. 7ª ed. São Paulo, Atena Editora. UNTERSTEINER, Mario. La Fisiologia del Mito. Milano: Fratelli Bocca, 1946. Saiba mais sobre Eugenia Maria Magnavita Galeffi. | Topo | Anterior | Próxima | Edição atual de Constelar | Atalhos de Constelar 90 - dezembro/2005 | Voltar à capa desta edição | O batismo cristão dos deuses pagãos | Designações astrológicas | Nenhum nome é casual? | Um exercício de aproximação | O mito da Moira | As Moiras na mitologia grega | A Moira em Sergio Campailla e em Ésquilo | 25 anos sem John Lennon | O mapa do nascimento e o mapa da morte | Cadastre seu e-mail e receba em primeira mão os avisos de atualização do site! 2009, Terra do Juremá Comunicação Ltda. Direitos autorais protegidos. Reprodução proibida sem autorização dos autores. http://www.constelar.com.br/constelar/90_dezembro05/moira2.php 15/6/2009

×