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KitKatClub, Berlin

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Assigned by Status Magazine, Brazil.
Kit Kat Club on Wikipedia:
"The Kit Kat Club is said to attract patrons from all over Europe and other parts of the world because of its music selection (techno and trance music) and its sexually uninhibited parties."

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KitKatClub, Berlin

  1. 1. TOP SECRET 078 abril 2011 maio 2011 abril 79 079 ONDE AS MENINAS SÃO NOSSA REPORTAGEM PASSOU UMA NOITE NO KITKATCLUB, A BALADA MAIS LIBERAL DE BERLIM, ONDE O DRESS CODE É USAR ROUPAS DE BAIXO, O SEXO É LIBERADO E A MÚSICA TEM FAMA DE BOA, SE É QUE ALGUÉM VAI LÁ PARA DANÇAR BONITAS por Carolina Guerra, de Berlim fotos Dante Busquet E MALVA- DAS
  2. 2. 080 abril 2011 abril 2011 081 “É... BOM, A MINHA COMPANHEIRA PRETENDE FICAR DE TOP E CALCINHA E EU, DE CUECA BOXER” ANTES DE FUNDAR O KITKAT, O AUSTRÍACO SIMON THAUR (FOTO) COSTUMAVA VISITAR BARES E FICAVA NU JUNTO COM A NAMORADA. O INTUITO ERA VER A REAÇÃO DAS PESSOAS entrar e se vestindo para sair. Há uma multidão de mulheres com lingeriesEm uma madrugada termômetros de sábado, a la dominatrix. Outras usam fantasias com tiras de couro cobrindo todo o corpo do alto de sandálias com salto agulha. O fetiche está por todos osno rigoroso inverno de Berlim no qual os lados: enfermeiras, bailarinas, homens sem camisa, de cueca, e até pessoasmarcam cinco graus negativos, uma tenda vermelha, completamente nuas. As idades variam. Há garotas com cara de univer-levemente ofuscada pela neblina, passa despercebida sitárias, jovens na casa dos 30 anos e até os com mais de 50 anos. Chegapor quem não sabe para onde vai. Eu e meu companheiro a minha hora de tirar a roupa. Para tentar me sentir à vontade, planejeialemão, que topou ver de perto uma das discotecas mais algo um pouco mais conservador do que os trajes que eu usaria em umafamosas e liberais da cidade, cruzamos a tenda e encontramos praia no Brasil. Mesmo assim, nos primeiros minutos, fui acometida poruma porta fechada. Um homem aparece após a primeira batida. um leve desconforto por estar exposta. Sentamos no bar. O barman, que usa dois chifres no lugar onde deveriam estar seus mamilos (um aparato – “Estamos no lugar certo?”, pergunta meu descartável, segundo ele), nos serve uma taça de vinho. Logo me sentiamigo. apenas mais uma na multidão. –“Depende do que vocês estão procurando”, O clima é tranquilo, tudo muito à vontade e, apesar de algumas fantasiasresponde o homem postado na porta. curiosas, ninguém ri de ninguém. As pessoas que estão lá, em sua maioria, –“Procuramos pelo KitKatClub”. procuram dançar e se divertir. Poucos parecem marinheiros de primeira –“Sim, é aqui. Mas o que vocês têm para mos- viagem. Uma garota jovem, dona de uma voz suave,trar? Algum traje em couro? Látex? Uma fantasia nos aborda. Pergunta se queremos comprar chi-ou algo criativo? Não aceitamos jeans nem tênis”, cotes. “Tenho de vários tipos e causam diferentesdiz o homem olhando nossas roupas de inverno. reações. Eu mesma os faço com borracha reciclada de pneus de bicicleta. Além de divertidos, tambémde top e calcinha e eu, de cueca boxer”. apoiam a sustentabilidade.” Não estamos interessados. Mas –“Hum... Não sei. Vou checar se vocês podem a moça deixa seu e-mail, caso mudemos de ideia.entrar”. Resolvemos então olhar a pista de dança. O trance psicodélico rola solto Uma mulher sai à porta, nos observa da cabeça em dois ambientes. No primeiro, maior, há duas barras para pole dance, sempre ocupadas por tipos que gostam de fazer um show improvisado. Ali,10 euros por cabeça. Logo na recepção, um qua- de um lado, duas morenas de calcinha e sutiã dançam de um jeito lascivo,dro de arte erótica de uma Virgem Maria com os rodopiam, se esfregam na barra e por vezes se beijam. Já do outro lado, umseios à mostra nos dá o tom do que vamos encon- travesti com seus 50 anos, de cabelos loiros e longos, e um biquíni minúsculotrar. No salão mais à frente, vemos uma Santa também faz a sua exibição. O nome da festa, é bom lembrar, é CarneBallCeia em forma de suruba generalizada. O local, Bizarre. Já a segunda pista, metade do tamanho da primeira, concentra um - grande número de homens. Provavelmente porque é lá que está a entradapelaria, um vaivém de gente tirando roupa para para uma sala não tão escura, onde os gays se aglomeram e se permitem
  3. 3. 082 abril 2011 abril 2011 083 O KITKAT É UM LUGAR ONDE AS PESSOAS GOSTAM DE SE MOSTRAR E VER OS OUTROS. HÁ DESDE PESSOAS QUE VÃO FANTASIADAS ATÉ AS QUE FICAM NUASfazer o que bem entendem. Apesar da rigidez do de dois anos em um apartamento em Zurique, na Suíça, que era umahomem da porta, havia também algumas pessoas espécie de comunidade hippie, onde o sexo em grupo era rotina. “Foide tênis e calça jeans, outras de terno (teve um uma época em que testei muitos valores, como o ciúme”, conta. Emque arriscou um smoking e passou) e garotasde vestidos bem normais. É possível que sejamconhecidas do dono, o austríaco Simon Thaur. as que acontecem hoje no KitKat e realizou pequenos testes de reação O idealizador do KitKatClub é um excêntrico de público com sua namorada. Eles iam a bares e restaurantes comunspor excelência. Nascido em um pequeno vila-rejo na região do Tirol, deixou a Áustria aos 17 das vezes foi muito positivo. Nunca tive muitos problemas com isso.”anos para conhecer o mundo. Seu sonho era ser Logo no começo, o KitKat teve de mudar de local, já que seu primeiromúsico, mas virou pornógrafo, astrólogo, diretor endereço era no distrito de Tempelhof, onde os moradores estranharam o novo vizinho – moderno demais para os padrões do lugar. Depois deConheceu muitos países da Europa, Ásia e África. algumas mudanças, o KitKat hoje está pousado no distrito de Mitte, naNos tempos difíceis, chegou a tocar guitarra nas região central e perto de outras discotecas como Tresor, que ajudaramruas para sobreviver – como fez em suas passagens a compor a história da cena techno que se desenvolveu em Berlim nos DIZEMO MELHOR DIApela Grécia e pelo Japão. “Nunca trabalhei emminha vida. Sempre tenho alguma ideia e a coloco meu clube. Mas acho que eles estão ocupados demais para se importarem prática”, conta ele, em um inglês carregado com o que fazemos.”de sotaque alemão. Não é difícil encontrá-lo noKitKat. Trata-se de um tipo entre 40 e 50 anos, que quiser, mas mantenha a comunicação”. A QUE SÁBADO Émagro, cabelo raspado. Na noite em que o vi, es- margem de interpretações para a frase é grande.tava sem camisa, fumando um cigarro enquanto A discoteca acaba sendo um lugar no qual as pessoas se permitem realizar PARA IR AO KITKAT Econversava com conhecidos. Thaur foi à Índia suas fantasias. Lá, elas querem se mostrar e ver os outros. O exibicionismomais de cinco vezes e, entre uma visita e outra, é parte importante do jogo. Não há prostitutas e tampouco é um clube de DEPOIS DAS DUAS DA MANHÃdesenvolveu um método próprio de mapa astral. swing. Claro, tudo isso pode acontecer, dependendo do que e de quem É QUANDO A NOITE COMEÇA A ESQUENTAR“O problema de muitas pessoas acontece quando se encontra por lá. As palavras-chave, porém, estão mais para liberdadeUrano está em Áries. É uma energia muito forte e ausência de julgamento. Apesar de o sexo ser liberado, não vi ninguémque pede por transformação”, diz Thaur. Ele dizter cinco livros escritos, mas não publicados, sobre mais pesadas que as de hoje, assim como dizem que sábado é o melhor dia para ir ao KitKat e depois da duas da manhã é quando a noite começa a esquentar. Eu, como repórter, vi um mundo que não era o meu. Entrei,todos eles um tanto artísticos, por assim dizer. olhei, dancei e até me diverti. Mas quando achei que deu a hora, discre- Outra de suas aventuras inclui uma estadia tamente, peguei meus casacos na chapelaria e saí.

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