A última tourada

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Livro Infantil, Melissa de Sá - escritora e blogueira, ilustrado por Danilo Amorim, baseado na ideia e na música "A Última Tourada" de Eugênio de Sá, leitura agradável, mais informações www.aultimatourada.com.br

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A última tourada

  1. 1. Ççscrrtyopçr: Arteira ea de
  2. 2. Fiesta-Hc rm¡ ideia e an¡ rurísñ : a “v” -: 'rçit'"“i"; t1 Wc»"rtt1cl›1” J-'i- lui): TN ele Evgêrgir '. #í Revisão: rünrrer; Alvares, &oder-user; Borges, Õarr: ;i›; ¡;. d . ele. ;Vi e . Jessízd Iatrírir: mwnlxlfãíllíñfr. 'u~ada, ttflihbl' 2013 : Bambi-era Produções
  3. 3. Esta é uma história que escutei de um homem numa encruzilhada. Um homem de 7 " 'a olhos mui negros e jeito meio cabreiro, assim -; _ '- L. L meio de lado, se é que você me entende. Ele tinha ' - ' ' . . -I , ' um chapéu grande e falava devagar e ao ñm de cada frase, click, ele estalava os dedos e dizia c», " 1'* C- ' "Pois é, fo1 bem assim mesmo, sab1a? ". 1:/ w *“ 5T '. ' y 1 '- ç-n. .- - 'c' L I : a . - I -â-tg* r' , ñ l. Íj**-, --Ã--. --; . I_ ta. : '-1 . _. t . › . """"'"'""'°""~. it* - e Eu, que não sou boba nem nada, concordava com a cabeça e continuava ouvindo a história daquele homem. Uma história que começava na vila de San Lamento.
  4. 4. Veja bem, ninguém sabe se a vila tinha esse nome porque todo mundo lá vivia se lamentando ou se o fato de a vila ter esse nome é que fazia todo mundo se lamentar. O caso é que em San Lamento as coisas não andavam nada bem. Anos depois dessa história já ter acontecido, eu dei uma passada lá e tudo já estava muito diferente. Mas isso é caso pra outra vez. Nessa vila tinha um casebre, você sabe como, uma casinha pequena e meio caidinha, onde morava um menino e sua mãe. O menino se chamava Luís e usava um chapéu e uma calça meio larga e a mãe se chamava “Mãe”. Isso porque o homem que me contou a história não tinha lá uma memória muito boa.
  5. 5. Luís e a mãe não tinham nada. Na verdade ninguém em San Lamento tinha muita coisa, mas dos que não tinham nada, Luís e a mãe eram os que menos tinham. Além da casa, que como eu já disse era bem caidinha, eles tinham uma panela velha, um caixote, dois palitos e um boi. S
  6. 6. O boi do Luís não era bem um boi, era mais um boizinho. Isso porque ele era pequenininho, fofinho, engraçadinho, bonitinho e gordinho e todas as outras palavras legais que você possa usar com o final “inho” (exceto moinho e redemoinho, que apesar de serem palavras legais, não são adjetivos). O nome dele era Pepe, não porque seus pais tivessem dado esse nome para ele (afinal, seus pais eram bois e bois normalmente se comunicam através de mugidos e não de palavras), mas porque Luís, que não era um boi, tinha lhe dado esse nome. Sabe como é, pessoas costumam dar nomes para seus animais de estimação.
  7. 7. 'a _r ou : mas ; um : L-ifmvw Eau mi. nú:4bnúxo» . N írngv-, pxa c; '›z. ›1n. ,tr. ... ;i Í_3'-. ¡_p| =~ an» , imita 0,111# il_, II'-)_IJ= .I§ llfIfIJ 5m? ñíisugittatiam «Jus _§II_›: .6.I11I mlxflllgilêík, saw : um 4.1usüsu; a,nl| '¡_Í#~HCÍÍÍ. ILI, HI§ÍEÍÍOL, ;um mago» ; um : En: amy. : ; Anular m itkíiouxor» ema ! manu _kom-r os: _aamúx_ sutura Lan: : e an. 1161:¡ : ÍÍQÀIIÀIS ¡nlaxíjan _nfmíia ¡Srnüíítaw íàâiupiiãíon . era vmatã ihng_ul-i_iaa. .. hair-iram ; prvi '. tl'n_to). ütl_ajn_h qu; )¡'1I. tâl| ü: ?iliatxae _Elüallü tan» ijôllliijjjillh_ a
  8. 8. - Filho, chega aqui. Luís chegou, mas chegou devagar, ansioso. A mãe tinha usado aquela voz de mãe que olha para o chão, pensativa, e Luís sabia por experiência própria que coisa boa não costumava sair daquela voz. - É o seguinte: - ela deu um grande suspiro - não tem mais nada no sítio. A plantação morreu, nossa horta esturricou. Até a grama da frente secou e hoje usei o último pedaço de nabo pra fazer uma sopa. Não tem nem o que comer amanhã. Não tem mais nada, filho. O menino engoliu seco e ficou olhando para o teto. Sabia que San Lamento andava mais lamentativa ultimamente, mas de alguma forma, acreditava que a lamentação nunca chegaria ao sítio. Coisa de menino de dez anos. .
  9. 9. ¡gif-PJ! - 1, j_ “= .ifn, _Ifql. ÍÍIiI)_ç[ »grey saint; lYlotr-Írã Í-)J_II_ͧ)_IVÀKÍ', ÍH. .EÍÍSBE. ãíil_l]i_nolfí“ . Íí í= .›J-_fc. I_o. ›:. ~ e~". ?.f= .12.If-.4 ã! :-(! !!âh; : ii» ã 'mr' fito» 111!* “WÊÉ . li-retira fvlíl= vfíííaeltaz . síkêiüsík-«a ~tí _iivgnttti. ãn”iaií_kíí_izil* ttártajàire» *Íflllfljlií'ÍLÉÍlJÃiIÍ' l 4.'ç. t=§¡'. ¡al. . : LÍÍSJ: m.. .9j! t=i_. :.¡. t=1n; a_w« ~, nI, .Lofn, I;i 19133.7_ #- ÍIIÍLÀÍQVIÍHÉVÍEÍVÍÍL ;1íú. =.! s;; e,l _i_Í¡É_Í'_v"-“W§l¡l7,~“l-. fa. ã i vgnrttííf-t; *ví . silva o A- ¡. - r -i íJ_L*. i.ú; ~i] a1», « ! t
  10. 10. .Ella üfàlíiáltik, 'LLa1_ít: :' >-. ›:: a.n; za_n. tá. ¡ti= :t_. .uitízlà . ..r-w muttaifxjíirnl. ,, a.if'ic. ê« .7-I: I_IÍ(Ç. '-I, ;u¡l§= l : .LI. É”I°, ›: 'iàqo; a,iia, ua . -.4,; s,›, u,u, .»*c»~= * 1"; Ç: : Ífgfngziis liliílgqjiifvlil, lñífãta -A mais 2. "clix"íikiüfifluxdru. 'iu 5333!** 5! Lifttau mj¡_¡'j3u, . 'ÂknaL : I 1tàfiia. . f” iarhxaauf* e '75- ! Jliãí l 3111.35 LÊ? im' Fil' iii* ç A : :f (agarra-tai: , angçraggttauaa. 317.6: . ifun_r. ',í§l! Êi. -19;tr-1=. i'
  11. 11. - Então, filho. Leva ele lá pra cidade que tem um moço que vai comprar o boizinho. Já tá tudo acertado. 0 nome dele é Ramirez. Me disseram que ele cuida de um monte de bois. Ele vai te dar dez moedas pelo Pepe e aí vamos poder comprar comida e arrumar o sítio. Luís fez que sim com a cabeça, respirou fundo, mas não aguentou. Atirou-se na saia da mãe, triste, porque ia levar seu amigo embora. A mãe lhe deu um afago na cabeça, tristinha também. Mas era o único jeito. E é bem quando Luís sai para buscar o boi que essa história engrena de vez, que ela acelera, deslancha, deixa de melodrama, para de lenga-lenga e vai para a frente.
  12. 12. - Pepe - falou Luís para o boizinho, naquela voz triste que só meninos de dez anos prestes a vender seu boi favorito têm - a mãe mandou vender você por umas moedas lá na cidade. Disse que não tem outro jeito. Então vou ter que te levar. Espero que a gente ainda possa ser amigo, agora que você vai ser um boi chique lá da cidade. O boizinho soltou um muuuuuuuuuu! bem longo que Luís entendeu ser um sinal de concordância. Entendeu, porque Luís não falava a língua dos bois então só podia imaginar. Luís não amarrou uma corda no pescoço do boizinho. Como eu já disse, eles eram amigos e o boizinho ia aonde o menino ia (de vez em quando parando para comer capim).
  13. 13. huruul - . ¡UJ- p ¡f " * '/31 . mM/ n _ , l' f" ' 'F J/ /¡*l'~il¡'¡^'I›wÍ¡. J' / ”'”"""ll Il' JI" . ..um la N» ' ' u 47,. ” 'L l ml. c§c. ü.n. l'ailo: « tri-Cá 11 tílíhxíja ari! ;lonyçürv _LjlÍtÊi 1%. : íialtklsgito» agiu): :Iã-Inr]”oIo)1:4Í¡_nj. 'a__¡oz. gsm, _gun- ; um 'Ivai 1a' . lhllilugtztjtlílü419!' . Blfíijjilllül ; A9rsu_¡t. ¡a. un› -tníjm annguoilgzníloi. _Qllltggllv , tllltlml «Hofmann nuikníjon aiii* e. : »trâmite a 'guzígjlla ÇÍQJÍQJAQJHÇIUK'ÍS. |151534 «cult an» ílikaíkn the «urinar um); mngílafu; ¡JÍ_Í'-)§'-)_t¡¡a ~ . Blu : Ífvltlfllt ! tua ifallatr' estufa. : ! Jun . ,'n, lol. c;a. lf-tti. r tiínlnjqutílo» Em: : . _-'. §:I. o;o. l1i= ›2¡. .. lima ilfktçw gula “quitar 1101913111610» 'igualar-i mibr-u site . ..ao ôlsíken. -m ¡. lâi. ír““l. llfl; l : palio : ta: 'tr-m arm 04011113101 _plan uíkiiitatr 'nur-W ; a 37-1111* ; Insite até _gnmcnpr nau. : ; ÍÍIÍÇl íla ? P-llililllãl junio». sta alla : forr , tag-JL f: gpw 'Iansã indian' bnoüAítcJ. 'uo› : colhem trai-trail: 11-1.: .Lllltutllltltltlli ; mural eu . Little a: uiltiñlrlljlllj fontktntteatuíjon ou . .nlfoñ. al. 'n. not. Êlilglllf-ÍÍ? ;Tam aangullgauilrv (uma : :ía na ? anita 1131-13. , p
  14. 14. 4st Luis conhecia o caminho pra cidade grande, apesar de nunca ter ido lá. Era uma estrada de pedra, que seguia de um jeito tortuoso, tipo fazendo curvas mesmo. No final da estrada tinha uma grande placa: "Bem-vindo a Tornado Bravo". Luís achou a placa bem impressionante, mas eu, que anos depois fui lá ver essa placa, achei que ela era bastante sem graça. Mas Luís nunca tinha visto uma placa antes e quase pulou de alegria. O boizinho, que nunca tinha visto placas, mas que era mais sensato, fez um muuuuuuuuuuu! de vergonha alheia. 1
  15. 15. A mãe de Luís já tinha contado várias histórias sobre a cidade de Tornado Bravo e os olhos de Luís brilharam ao chegar na praça principal. Mas o brilho durou pouco, isso porque a cidade estava vazia. Deserta. Sem uma alma para contar uma história. Cadê as fitas coloridas? E o turbilhão de gente andando no mercado? E a barulheira sem fim? Não tinha nada. Luís ficou bastante confuso e o boizinho também, apesar de querer disfarçar, comendo seu capim. - Ué, Pepe, como é que a gente vai fazer? Onde é que eu vou achar o Don Ramirez? Se pudesse, o boizinho tinha dado de ombros, mas bois não podem fazer esse tipo de movimento. 15
  16. 16. a çtalltjlignfilílililil! !*1,l3;§, l§1t§)§]J_ _going _artists 'namo l, l,-_<= 'Çl°ona¡n¡á s ~tiiranv; tt. .- ; taniaúiiilmiitilzçàj_ 44 ãleijíttiw llÍ-lujjúí! às. ”°Í('aííl¡l: í' iüiáissliálin Tititi¡ l^<= ›;a: u1_; jrns. , y . c. c v lguitrúní-aga; m a ihítgíiíjfl *fin fo? e. : : Náíifaí . uma ¡. _'c_'¡j__('§r . to ; ,,l_¡o, iÍt: Al. u,lÇi_¡. o% _, f'. ÍI›_~tl›fí'-â~1.=1'-f 'genitais : gr-Jia *bn-iii afins¡ aà-. :íli(_i'~if. çgt. tasiagnmri' . iÍlÚiÍJÍ! À'. ›.íllltláñllil'l§ . ,.K5-¡. .¡í! ›'§i! .!Il¡. l!il¡; ;Nariz -gjngargülçz- "Saíram ; ç 'oílítqà- . unem. ¡lÍlstl! §l. liiillfli' "_! !!= _J31_I. í,¡9r ; lyuaiflk-
  17. 17. -Olha só, Pepe! - gritou Luís levantando e chegando mais perto para ver. Era um cartaz realmente impressionante. Grande e colorido, mostrava um homem todo vestido de vermelho com abotoaduras douradas. Abotoaduras, como vocês sabem, é uma palavra chique para botões muito caros. O homem de vermelho, sorrindo, segurava um longo manto vermelho que era estendido na frente de um boi enorme. O boi parecia no mínimo umas duas vezes maior que o homem de vermelho e parecia estar vindo na direção dele. 17
  18. 18. J 'Í Íi. §.; «~. e;; ¡-gg; i.u, .. rírllitill: diversas: infiéis; Í_! .'-. Í1_§iá2 : na rgj¡¡í¡ã:4;; g¡; _.¡g. *wa <vz'uo_í-: ;= »anti gg_= .;= .,. l.'izojfi; ,gd§bgi çtíiij_ts. uí. k-tc. 14H63? ! tania , iii-tilr* . ibsítifaañl WÇÍ 3' *i. ¡›fv;4'_1_t¡_à_: ¡« stat-ti. ainsi: :m _ruin : :sâ'íêl~: ¡a': a; »trai-ditam íntartsicauu . ⡧51i1;¡1:r>- Íjgbatwss-Fí: : álüatefuoln)iÍklí_lot. ílljjiflíjhl' Çll, 'l, il, tíl_i_lf, il, i jgiãtiàn 11 z . title
  19. 19. ,. -,. ›=›. s<: -«. .-ík! tWLÍEsÍkr-: íaíz Çgli$í$%'! íiiñk' fífiieuitç: : gcrapLr_ _ Q. -r= ›;u.1« : tuílww: .. a : Li: umbw- hl-«ikãõiít-ÃÍSL paira. Titular¡ l'-l_itijínil, ~'f›'í. ljfl, g, , a;n. ilíios< “.91 '.5., I,-›ÍkAÍ. iJÍu; nI; ~. ; Lítíqri l' é $111.: " ' : z: . , , anuiazàasw í| jULIaIQI›'i« ; uu ': a:, <.-»; -i21k-; i.. *diameter ' 3-: 'Íittfittt > _tageiisfzl_ : qnmvníííhtntnftt _ _~ ÍÍi¡'ãÍ-Iá; ¡.¡c'j'oíI' : sua-u 33-. : : :ÇIIÍLÃÍJÍÍÍIÇHÊÊ- ; ;.I-_. t.. n:n. .ur: »Íüaiifa ~: lt. -l. i.itt. l.l§lii. ilílâl›. ?Í. r-›, r;n. ta. n'¡. l'-je , íiievlox/ ix". 'L-: ~_. i
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  22. 22. O segurança olhou de rabo de olho para Pepe, que continuava mascando seu capim lentamente: - Olha, aquilo ali nem é boi, menino. Aquilo ali mais parece um cachorro gordinho. Aqui nós somos profissionais e pedimos bois profissionais. E bois com um currículo bom: natação, academia fitness quatro vezes por semana, banho de pétalas de rosa e tem que falar no mínimo duas línguas de boi. - Mas o Pepe. .. - É um pseudo-boi. Nem parece boi. Nessa hora, o boizinho lançou um olhar ofendido para o guarda: - Quê que é, hein? - falou o homem para o boizinho - Só mandei a real. Pepe soltou um muuuuuuuuuuu tentando ser feroz, mas pareceu só entediado.
  23. 23. :: â-x atuíeiuíkar; :sv: ..n; c_ñ. ,_t¡. '~; nn . _a; n.t? ia. .. lípílàfãiifííftlii» I'll). . _u_ zllillííllilil_ll¡¡ iiláuílíüní gar-a. :sua: :; :¡, ¡=¡]¡*; u'›; s: vas. ›:¡; ¡n. ;¡›; ut«~ . .if, l.! "tl›fíbhlçsll__itif. l, ,_'l, '_lj0_)j_IÇl. t%)jcjcj-: .. zW_l~. am _c; .;¡-'›. -.; -t. .l-. nr-: fr ÍjIÍKâQÍ/ “íõl : :isa : Lrtuíucitkieu ! I-"íaã "ÍÍÍBI, *“Í__'_d. 'l_! :1-l_| __il$ ' " Illífãlôbtfttlc . . . .tâlai: i:íiái§i_iijcw n_ , . .azul N. *íuomgt-iaiüiun fvtai; ujio›íàl' á, n;u, i.'oríniiil, . mai, ;sr-: Lagwciána . Lilly *x , ',
  24. 24. ,Y4-n. !.0ÇÍ= I.r esta! !! . in-jm . .il-vw í= I›'í¡Í. IÍn_. tàlsÊll! f. s:a›. ;u. ›.. -x= ›;4_n. x.= ›.-; a;n. ..ea: . 'i l, ínjnílàiifiiifio t"j'v'“lcíàíj . _ b_ oroiiíjlíkáaici ¡aviiigjti . ~¡.1_u= .¡: ¡.¡a. t›«' 4Ql“"-Í›í: ig_¡tú'. n.iàt, .uiii; i.n“ 1ls1ll"-¡. &L. «%I. ta% MIÂÍÔ. ÍA)ÇJE3.1P-vs-tlllãífltiii! EÇÍÍI. L Lsan; n;-. íi. i.aíi, u. . - : lr-fc. I;-. Insihn_o_u; :;, , _ 'à _g_ll_tgl, l_lzf_i_lj ntwíttay ¡y- -~í§i, ~:. i;í. làii_útn íifnrixartkbat' ° villa¡n; aspirar-xiter, apnirtuxikoi. ..sn1n. rin, q:ul. .1!¡- i “a ilo; íÇíjuajúÍÍiÍ(o« : iii', §¡¡i1í“~ç; u;rà_âi L¡: ¡;¡: ¡;m: ¡;¡§r“ ; fçjsjflnlfttáijsííjàizle . .lf-. lvilísss~ . Í39~7i'! "!! lil' êíl-íaiàs . .A . . . -_ . , çjl_tíi_uttr›' o? .', elÍ; u_u? «) . inerte › 'AÍÍHÍÍIÍÍÍÓÉI dia; iii-roms* §, k=a_. n.i¡ivn; .. ttpnktàígrtuottw; alfn›. ífl_çs: an . gmrigáiiar u; o,›; u,¡; ~q-, ,3u, ;-, s fizera. *gts-Ff A . a * - “àa: í._a. ›.a= ›.n. iítra›: ... aja than. laljuldñ. gps-w ígiÇvi-ldailÍ-'falnfnlr . ijákiãhfjçoivíàíifilüilnftiarijl _ j¡ íkíjgtliíilijà
  25. 25. - Você quer mesmo essas dez moedas, né? - falou esse outro homem, franzindo a cara - Mas é o seguinte, tem duas porteiras: a de dentro e a de fora. Você tem que abrir a porteira de dentro para que o touro entre na arena. Esta porteira aqui de fora é pra não deixar ninguém não-autorizado entrar. Você fica entre as duas. Você entendeu direitinho? - Sou especialista em abrir porteiras, senhor - falou Luís fazendo uma saudação que o boizinho achou particularmente ridícula. - Dez moedas na sua mão, ou em qualquer outra parte de seu corpo que tiver sobrado, ao fim da tourada. Temos um acordo? - Temos! O boizinho mugiu, sinalizou com a cabeça, tentou a todo custo dizer que um trabalho que ao fim poderia resultar na perda de uma mão não poderia ser um trabalho assegurado por qualquer lei trabalhista decente, mas Luís nunca foi bom em entender a língua dos bois, então o boizinho desistiu e voltou a comer capim. 28
  26. 26. Luís chegou perto da porteira, levando Pepe, ficando em sua posição. Era uma porteira comum. Dez moedas para abrir uma porteira? Aquilo é que era trabalho fácil. Olha só, até a tranca era tranca de porteira normal. Facinha de abrir. É, aquele povo da cidade grande tinha mesmo muito dinheiro. .. Dez moedas assim, tão fácil. O menino deu oi para quem estava lá perto, mas todos se afastaram, indo tomar lugar nas arquibancadas ou nos bastidores. Só um dos peões ñcou de longe, rezando um terço. Luís achou aquilo n = --""" tudo esquisito, mas a tourada ia começar, então todo mundo devia estar ansioso. Será que ele ia conseguir 7 4" ll ---"' ~ . /› z r-r " L tourada era legal? Luís nao sabia o que era uma e estava curioso. Será que os bois dançavam? Ou era o . ..q 3,. " , . 7._ 44"' moço de vermelho que dançava? Talvez fosse até um teatro! 26 ver tudo ali de onde estava? Será que essa tal de _'- JL,
  27. 27. Como queria fazer tudo certo, Luís resolveu treinar como abrir a porteira. Tira o pino e põe o pino, tira o pino e põe o pino. - Isso é muito fácil! - exclamou ele, todo sorridente, segurando o pino na mão. E foi nessa hora, entre uma risada feliz e a colocada de pino no lugar, que o touro saiu da porteira. 27
  28. 28. Era o touro do cartaz, mas ele parecia ainda maior. Parecia gigantesco. Era forte e todo marrom, os olhos pequenos eram muito pretos e ele dava umas baforadas de vez em quando. Luís arregalou os olhos. Ai a1' ai a1' ai. O touro saiu da porteira. A¡ ai ai' ai' ai. Como é que ele ia fazer o touro voltar lá para dentro? Aquele touro gigante? Poxa vida. Q
  29. 29. l l_ __ 'L F" : ma›'¡. ›1¡, .~. : 31ml: ílóifííñttirái, íífàihimlí a 'Í_t-; I.a. ¡¡ai; u:a. na; aj¡= ;. i: ›.. ~.4,-ítu: oi ; goi-fa _indir-s -i . inox-r . mtu ; lÍl°l. '-! J392i&« : mui: sua. sfáliíafifit. íf<, -J! .tí-, V?“ Sia-J . r . Itu-J _ ir je; ›,i-jisíl_›°ffiítlalll"_lell l . i . _ . . . até. iuELÊÍSÍÍ-Pfãr. Éàfílíl-. EÍ lí: ¡'-'i“ín. tu: r.« . o 'unit. álnmi1à»1_§iíxuu , .l_Í| .|ÇIÇll¡l' a ~ i! .=t93i*. ~1,! .?i! ü'r. .' 'ifríl ügtujttájç' mtpúttt», .l_"~_ 'J til 'A . . .
  30. 30. i'r. li§ln"íil*«ji'i. lcxn , êfgllifrf » : tn-mà um : start aoí. i;u, I'1-)Çi. (ilói' : ar-tir 'í. lnvã. en; a;igrriíltiiç . ._(agqatiiualgnttausafalésia. *e iii! ! . gr-yu ' JJJÍÍQL , a, : :alii fu L» 5921:' I. . . surtir-alan . il. tfqe_r9_). !iñf. lp_il^(tv'i. @me _quit iiajcgteulügtíeum¡¡infcitíitzúpiü . Hrátléiíêíí . :éhiikibowaáiiiàlíátlitlixl, p_ , Ã , _. . . . . «Àfflgittf -» g! ) '. ”-1I; í3;x. g+: .$191 QüL-; íiáfttg 'âlàisítnfnl : › 'ííagi-. aÇ A 'rigtviiâlilafkttfliã 4 #ill l l . ÍÍÃÊ^-)_QÍÍ'ÂJÍ. !.*_. llklsíj! !P! |Í. Íl9j! í!. «ímpar Livia, ~ f-¡lfi ? í-Lifht eííztLfíiíttr-_xílõi . t' 11H? ” ÚJ. Í_°. ÍOIJÍ. ÍÍ. ÉÉDJQQ_I . ~?_1'v. l_¡l= ~ . gugu ; l_”u. x-, °. -.««
  31. 31. .Livia : Tratam “ . àlíjiilõfíiàf-ÍÍ! ! f! ompñj; cl Walita; .miis; u'r¡ emma-italia: : . ~. .. .gil . - . ãn. rí§lc; » . §'›. a.íni; ›!›. ír: ,n›: : . - *íçn-. t.-sei. _:aatingem: ' “ ' iIol, lft§: Is$-1'àf_g_›§ç_§; 1m- onátjyálííauq ffãgriksí' ; tá parati-i. 'gj-. ta. ;¡_¡= ›_u; nl hum-w» : rtnggrãamtil-z- _Çl_l'-Í. §'Í: ('v'í oúmõi, “inn àtttoixznjnlià. . . . Aitãíàçziaísizünéáíánníáízíiv j: gs», 'fflÍlÍIJÍvl-'J 60.33.'. _rtíltdíifuzgojjlfp »mil ílújgkiüílílíjj. 'uíujti-lijíííli ! Dilà IEL e . gpit_¡¡›¡u . raia¡ . aq. .Íkt : tam: :ir-intra: .matei. :rare.
  32. 32. . , ~~ ~ ii. *,l! .,i7-7"»'. !ltlf: í.f-l› _. . íig-: na "fiel : VÀ-! Íííi-, iír-JÍE* _ ; êiíaltlçii; i?. ítfãloít› _Éʧ#3Í, '9I: -«; ,fiúáriaiís E1Ên›. ¡~. ~i^n. ~v. .n-Lhn: - ; -Ía_. i,u. -.¡i¡«. ›,. ;s. « z; ›;g›°t~an. a;i. e an: 'igÍlt-lsiãfíõiííêl t. ;rã-Liz. su: . . . 4a» -3-1~rt-. 's¡_: aunn, ax_~nl ifvlêí¡ll'l'vf» l " ' : b: "itàtíãe e atingiu. 'àirzfqgxà-; Lw : ¡›; .;r; ..n; ~s; +;ut¡g~1i› _g: a_ns›_. -.Éin. t=. r ãt. fv. l~ã. y_g). ll_s): íj. !§utt -; !I, IÍ! .*= . . :within: ;it-w ttzrsuñ-jbne ntafewf. lg›n›a. líiiik. . -~ Çàl-: iisn-. I : vz-iii <›rst~1_ere›. _uí. ta_! :' é A lr-. tttíkor . n;t(= p!I_. Ífm, : Em neuem: : MiIÇÍ-"i. -« : Vigiar: 1a. n;nnvn; o.-: n_« ' 5:01'# = -isílv-. r ; _e, r-. ›;x;4.~. _n, -1É<s›. u. l _Íl9~fi! l9_). uy. ¡ill= ¡¡ll'l
  33. 33. n 2. . ..sai/ í _V 11/' ii í _Un . sn v n *l É! n- . 4%, * vê_ * v , r nx a nivtJvü_ , l : Lay lj. : ; t7 . 'ñ “ig” -/ ;_m ~ agjttatta 'IJJÇUJ 'àuíl ikn avant! ! ; Mt-nn ã : um 13:61? . tutíhínt n- allan *íttlltun ilIt[I, l%l_lS'_', l%)Íi(ln mIÍ-n-uniucíkonn qua: :ü n- . ;u: ua; n_n1n. us~: il-z um. :um: onorgrn'la. uets. n;ngã_tonn ucmn. .. lfttattíttliw ij: oil-Jg. atum ¡an! ~ . .ñfñon «gi-mta . Mais. on çnllilxon liuíL. 'V' 510?¡ tim 'bailar . âsgjn, natts : IU . ifuàllk. ~ Álçjlíllon [IJÇIJ 31011' Em _pnarvxañ . gpja Lin-HH um ml6li161nf, koNÍ LllÍlii lan ; klktr aüattijrun «uma» _nas ílãlsílsiülk. níllfuntn , sharan ; Pagu-r _gran turn* ; w alla _tmugkn . í.k= .í_to›_n: ;n: u_an. ariatuíttikt, ..um sit: *sem : iii-n . aufuiltülloltlilon «arm ! on batman que . IÉÍN . hum _manila titân; cil-n . nimsáiüattr an Íüujatnt. :gun-tua Fin italian -rugtotüijon cn «uma ; huíkn iaruguon. :M , PJ .
  34. 34. Foi aí que o primeiro sino tocou. O boizinho olhou para trás, empolgado. Luís deu uma risadinha. Pepe sempre ficava elétrico com barulho de sinos. Olha lá ele balançando o rabinho, todo feliz. .. - Aaaaaaaaaaaaaaaai - gritou Luís - Menina, me ajuda a colocar aquele boizão de volta lá dentro da porteira. - Menina nada, meu nome é Anita. - Tá bom, tá bom, Anita. Mas me ajuda com o boizão!
  35. 35. - Eu não vou colocar ele de volta lá dentro não! - Mas assim eu vou perder minhas dez moedas! Ele tem que ir pra tourada. - Não! - gritou Anita, com as bochechas vermelhas de raiva - Eu não vou deixar você colocar o touro lá.
  36. 36. Liga: : í: ;;tí¡›íi. a:(ii¡L _i1 "LI-1r: _n_; i_¡-i. ^l, b,ra; . . fgjljàêf txdijilgí; mu'. ai: 'íiíestí-*zfvi zraraivhs. ío. ta, _u, üftv<' 'ç a ! ífiiijíláigííkl ¡jíaiaínái "íkilíííiíiíjkr '”_§1Í0)_n§'(= ¡ÍJl'i. u &ífinnt qãlrâiülà' w . umIL-. w lui? _UÊÍN íiúplíyvgnijü! : : ~@2›T. -à? u=sssr. -i Aíkas'4ian. _n: sr~. .f Êta: : / 'Íei'ífki_r. f : fi iii' u "VÍ_? :.Í__ÀÍJw : - "Áhñiíi manu» ílátlikià. ill¡ o' u . 531o); , à ' yr* [O l ! Jg
  37. 37. .o ííàh$icíiÍsV f' 19. '(o“I_I; I.íí¡íjÍiL +›“íillÍ= I:: “_iíahtciiilítlítiir . iiÍVílIiÍlüiL. = . hunter 4» t: mau-gt. ;aii-npc _qlüiajÍlilàílltkiê : itália lim, ' s. ” d' g ' ”-›Í¡; ç3;. :"Lr, ígV . Ihüêíalgaí CJVLHIÇIJ _ o o àll-íiíluiraiiitxuor. .íma¡ünj; üjohtânú'â; üitãirf muugtnju, 'i7 “Tinrlíuw 'Çfiuãr . ~.¡: a,nq_¡j¡q› : u.: n_. nl_l. . í¡f-)_¡; ç,I. . . gççtetííç-ç guia; ágil-Te: -'a. u,iÃi'lhl. _r"-›. ›ugnuíftw th: : . .. L.. .;¡«c›: u›, ¡;_4;= .›, ¡:a; u:~ ii: : vga; um: : . ;,¡¡'›; r.. .-J: ' . ,__r<z, fiisíagi; ee Luli-i, idfnírgiríníkaí» : lífíijÍnjíii7' ai: : ; M1519 mítajuxgn j 1¡ Ialcjírílltniíí 'ÍL¡| .ÓÍ. -*IÍ ítiquii ; íãiijij "ígçungazz -"_: i¡›_iLc__; uI^-a "Lufííbr, Jia 'ÇoÊiiri
  38. 38. Eu, que conto essa história, já me fiz essa pergunta várias vezes e até hoje não encontrei resposta. Só encontrei outras pessoas que também não gostam de machucar animais e nós nos tornamos grandes amigos. - Por favor, não leva o touro pra lá. - pediu Anita, com lágrimas nos olhos - A gente podia esconder ele. Assim meu pai não vai saber. .. - Seu pai? O que seu pai tem a ver com isso? - Meu pai é o dono da arena, o Don Ramirez - falou Anita, toda infeliz e morrendo de vergonha por ter um pai que maltratava touros só por diversão - Se ele descobrir que o touro fugiu, vai ficar bravo. Temos que esconder o touro! 38
  39. 39. O segundo sino tocou. Luís começou a suar frio. Pensou na Mãe no sítio e nas dez moedas, mas não podia fazer aquilo. Um dia Pepe seria um boi grande como aquele e ele não queria que as pessoas 1 machucassem Pepe. .. J I Peraí, cadê o Pepe? l . , _ -rI-"' ) - Anita, pega ele! | . ; _L - Pega quem? - perguntou a menina, confusa. "j f¡ - o boizinho! L_J 39
  40. 40. Mas era tarde demais. Pepe, o boizinho tão pequeno que algumas pessoas confundiam com um cachorro grande, entrou na arena da tourada. Os sinos estavam altos e a multidão gritava, mas Luís só conseguia ñcar paralisado. Eles iam machucar seu boizinho, seu Pepe, seu melhor amigo. 40
  41. 41. Luís começou a gritar e Anita também. Os peões da porteira também grítaram, mas por um motivo diferente. O boizinho entrou na arena e Luís ficou paralisado. Existe uma teoria, de que quando estamos em uma situação de perigo ou bastante difícil, vemos tudo em câmera lenta. Existe outra teoria que diz o contrário: que vemos tudo passar rápido demais. Nas duas teorias, a ideia é que não podemos fazer nada para impedir o que está acontecendo diante de nós. Mas Luís, ao ver seu boi entrar na arena, experimentou as duas sensações: tudo corria rápido e devagar ao mesmo tempo. E o pior foi ver o peão, aquele mesmo que estava rezando o terço, entrar na arena também e fechar a porteira. 41
  42. 42. x l Quando conseguiu se controlar, Luís foi até a porteira e se dependurou nela. Anita já estava lá, gritando, mas nenhum dos dois conseguia abrir a coisa. Isso porque os dois homens com pinta de segurança tinham voltado e travado tudo. - O que você fez, moleque? Mas Luís não respondeu, nem ninguém perguntou mais nada. Isso porque o toureiro viu o boizinho e a arena inteira prendeu a respiração. Um bando de pessoas gritando e berrando pode ser algo bastante assustador, mas quando esse mesmo bando de pessoas de repente se cala, algo ainda mais aterrorizante acontece. 42
  43. 43. O coração de todo mundo parou quando o toureiro se aproximou do boizinho. Luís gritou alguma coisa lá da porteira, mas mesmo com todo aquele silêncio, ninguém ouviu. Pepe estava tremendo, provavelmente já ciente que tinha se metido numa bela enrascada por causa de um sino idiota. - Eu não quero ver! - gritou Anita, tapando os olhos com as mãos. Luís também não queria, mas tinha que fazer alguma coisa. Começou a escalar a porteira. Ia buscar seu amigo de qualquer jeito, ninguém ia impedi-lo, nem que ele se machucasse, nem que. .. - Olha lá!
  44. 44. v 111513 ofi. l'n_ioí§§'_íàjjjitx " “íiiüoa Íufojli1ifa_x'i, to'tr ; i_i; u:u, ig¡'u. xa: »àta_k. u inimiga, 41.01% _. .Í. t=. li. tí. .k°. ›i. 'ÍF _.1u, ;'= §:a: njn. íIi' giant* tnmçá-_ii “ililfílgítíítijíulitátil . III' j' : inserir: .áttfiífttúíjü e_ bñh_~ví. l?. Íâw , .=. .'l_9_«~z1_. g.¡' , ; ii; is. u.~. ~;: ;u; tâ^ia. ~ : rw. ..asaiiigauijygàtr! á; k'-. a': :s. n:; u í§l. e:. uíu; u_ . Alla. -g1r: ¡¡¡¡a›íax. _i¡: a:, í;¡. a› 'íliñíílríliL il: : . rtzííaiík-. w í' iík-_1.I. v.›! .=ñ. ts: -nIrHsr-! nl l i . iér Í , , e 7*: IL 1 = ~.. ..LSIÍl-'< satd. “n. rciI. +:. .-. _I! l=. ›
  45. 45. Pepe pareceu tão surpreso quanto o público, que agora gritava de alegria. Uma balbúrdia ensurdecedora da mais pura alegria (daquelas que te faz ter que usar um protetor auricular). O homem que me contou essa história me disse que os meninos gritaram olê e as meninas gritaram olá. Anos depois, averiguei os fatos, e não é que foi isso mesmo! Luís estava meio para dentro e meio para fora da porteira, totalmente chocado. E ñcou mais chocado ainda quando o toureiro fez uma grande reverência para o público, daquelas de encostar o nariz no chão, e saiu da arena. 45
  46. 46. -x (à 1¡ ~ í. =:= “z_§r= ., &anseiam; mui. "cita . ..anti ; sit-ri _ijiiililtoiolí I: ›.a: r-íi+. - . a . fgjIÇÍt-f 'Eloá' : uma um: : : a -nilxqçnr 'i. ío, ›;4.. _,e. r.z_tauij'ta› _grama-iu . àlnitiaaihet-mu. .at-n-; Íàxeíkàilaliiau 'I~1I. ~*s*= ›agiadñãníkoxan. iuoi; t.aiitat; oxas. nt; ait: «~. v. -ratrfii= .nr~* ailinêhs. e» . i:s. r-. -›s. ii. ~s. te_i . u. íiI-›Íi4”i'JIÍ-. .ts: ~ . m.IÍ_1ntv: -;r : talk: ;: ,!! !_¡!5Í,91~ft&ti ; g5
  47. 47. - Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! - gritou Anita, abraçando o boizinho também, que agora estava todo pomposo, se sentindo todo-todo por conta da popularidade recém-adquirida. - É o fim da minha carreira. - falou o toureiro para ninguém em particular enquanto jogava o manto vermelho num canto - Minha mãe me disse que eu levava jeito pra cantor de ópera. Quem sabe agora. - O senhor foi maravilhoso! - exclamou Anita, toda feliz. - Fui, é? - e não é que o toureiro ñcou todo vermelho? - É, acho que fui. 4 7
  48. 48. ailfubijcãl ¡13ç: t¡çs'¡; « a z rom írentc-. nyzaygzr imail_ Í. i.l. ,l: r:íl! '›êlít. ~ t¡InÇiíãi5.~-. -.: - a Ciaiiig u. 15x07: mai! ? t! ! _. 51hs: ; v $533 ami” 'aiiiinajíijajiífí: . ¡, _¡i. (ã+rc': : *imjiuranma í_ÍÍ. |ÍiÍ¡. Íí"'Íi¡ «1ra_Ie_I-. tstl§ -.1j1l. '.ll'l! . ~ íiiilíêftif. í . . 'Jíigííll' sit. ; ; ÊÉt-.1n: e)! .t^. -!. í!' 1x19: . nunk. 161-». ÍIÍUÍÍJ" _: _p, 'o, l=Í_li1I)_ç: pill, . Edita fiióntxíl: ui_ítbs 2 . .mr-. ixíifi. . u, . njiiín a ' (bju: íóílieu: guia. 1m¡ 35%! ? . taxeiliráiar. fia. r:: c:a. ñini. tí .2.›°. í=I; t3Ã/ Íi, $9§ 2¡lt¡ífñí$lgitâtniíis' .
  49. 49. ~ l-iiíjá wi' daljl_'nliigr' e» _graylgiltaiioilI 76's, “gjl, íàlcitll_íq_gfatijií. ggr. ;-, ›,. ~jr-; )s1+-: m' launaIÍ-iraííi-w *pgrmgv-u* irá: : fg¡ s- s' c. .. = z*. ¡¡1:x¡. 'Ma' tinha que ter entrado mas não entrou, estava parado perto da porteira de fora, comendo capim, totalmente alheio ftsjííifs* últimos _É_ . =~'1-'**'*"'7.""V": f, _- -e r” tutti! ) (_f-(0l1l_I_l= l1I(I1-“›. th; ,parir-un 'i-a_'u'is. n_nu: nj íjjqgluíhir' m iqltux-iírot . tauict aaúislfan. qu), sííguail omni. : il nau» _ãalqjtísllc ¡ja! sajníit- aiçiianiiüíkçl a HIIQIÊÍJIlIIIIL. ;trail aicieúnjai usina. ,italian _pjfijjquyflnn 'um m : ijcluylm a os ¡o›IJJr'-)Í1i¡« a; 'íllllllltl'¡#181121! ? ciliar the tirania».
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  51. 51. - O boizinho veio lá de trás, balançando seu rabinho para lá e para cá. O touro, que agora sabemos se chamar Júlio, soltou uma baforada de aprovação e Pepe foi comer capim junto dele. O toureiro acenou, dessa vez com a mão, e abriu a porteira exterior para ir embora. - Mas o que vamos fazer com esse touro agora? - gritou um dos peões - Don Ramirez vai nos matar. Ninguém mais vai querer tourada! - Vou levar o Júlio pro pasto da tia Nana. Ela tem muitos bois lá! Foi então que Luís se lembrou que tinha que ter vendido Pepe. O que ia fazer agora? E o dinheiro do sítio? f?
  52. 52. Só foi nessa que Luís somou dois mais dois e resolveu abrir o saquinho que o toureiro tinha jogado para ele. Lá dentro, exatas dez moedas. De ouro. - Pepe! Pepe! - gritou o menino - Podemos voltar pra casa! O boizinho soltou um longo muuuuuuuuuuuuu que foi acompanhado pelo touro Júlio. Luís e Anita foram até os dois, empolgados, e resolveram ir embora logo, pois Don Ramirez, dono da arena, tinha sido visto xingando e brigando com todo mundo pelo caminho até a porteira.
  53. 53. 7 . . . . , íluwm = .~ o hu: 3h: 'aa“a. ~a(¡a›~'a= . 31-. »mas a aaaaapaaat-. ac aaaaate. :aaaa: ñ'I°-I'¡: '._ , aaaaüa aaa-ara aansavíkar : aaa liaaavlíajliaa, puff: o _aíma _Til _UHRÍÊÍÍÍL 'X1141', _Value I~ . aja, a°-1li'a, aa1r': luuuiuuaa íjagaoílct. Êaalíãal : t: magnata m? m: mail-aim ajamíe* aaaa _nnllqpíllliur "aaaf-l: : 'í-Iu» genital¡ it; mamar mas su: 'AÍIaii-«ñ s» uÍxíkaaaíl-v _afulliiaat : una: íjqaaaifk a uu'- _afíaa “ima, afaaaú: : Iolllatniki _ama E. .à. :uma: 'atum aaaa : aeapnaqa axar. : aamawa: iauikx ü: amu. '. - a ¡anmñxm -nmm mulinz uma fr. ígaaam. , aame ii; aamcíaaaaíae; [na Íliãiaans "'41. qua: 'Ia aaaa ampxaiíaullu» italia inata', Etnias» ma, ,alíaajaaaaraa ir. mgpnlianaíla canalha. ¡aaaaas lJInuIia~ a» mai: 'v : na: ,uma , llllllin m' uualfamvít 'aaaaae , aaañaal an'. ima: am: Éunamafan safanma ? miau ; Jal s, ,mma a : an: intaum: : saaaúgaac, _aaamjaaa añr ê _uucicñvail C Lingua aalaaaaana. animam janaina. s afíaa- ? uam : unir-ua . ..«. ~.: e»'?5'
  54. 54. Pepe não se tornou um touro tão grande quanto Júlio, mas cresceu bastante. Agora ele não é mais confundido com um cachorro grande, o que é bom, uma vez que Pepe não late e nunca teve intenção de latir. Dizem que o menino e seu boizinho podem ser vistos toda tarde nos campos da; .u. San Felizardo (ah, o novo nome de San Lamento). a . Í- Luís solta pipa e Pepe come capim. Agora sim. Click. V¡ Pois é, foi bem isso mesmo, sabia? i l é
  55. 55. Melissa de Sá tem 24 anos é escritora e blogueirzLTem publicado o livro "Noites Negras de Natal e Outras Histórias" (em parceria com Karen Alvares) e con tos publicados nas antologias: *Excalibun histórias de reis, magos e távolas redondas (Editora Draco) *Dias Contados Vol.3 - Contos e histórias sobre o fim do mundo. Além do Mundo Mel, seu blog pessoal (www. mundomel. com. br), administra e posta no Livros de Fantasia A Jar ( www. li vrosdefan tasia. com. br). 'j' i “ É casada e mora em Belo Horizonte, faz mestrado em literatura e é professora de inglês. Nas horas vagas gosta de ler, dançar, assistir filmes e seriados. 27313 : Pomba-era Produções . Melissa de 31'

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