Mito e sagrado

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Mito e sagrado

  1. 1. Prof. Dr. Marcos Ferreira Santos Livre-Docente em “Cultura & Educação” Professor de Mitologia Comparada Faculdade de Educação - USP Mito & Sagrado as transformações de Eros
  2. 2. O mundo meu é pequeno, Senhor. Tem um rio e um pouco de árvores. Nossa casa foi feita de costas para o rio. Formigas recortam roseiras da avó. Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas. Seu olho exagera o azul. Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves. Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os besouros pensam que estão no incêndio. Quando um rio está começando um peixe, Ele me coisa Ele me rã Ele me árvore. De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos. Manoel de Barros
  3. 3. <ul><li>www.fe.usp.br </li></ul><ul><li>www.marculus.net </li></ul>Contatos laboratório experimental de arte-educação & cultura
  4. 4. www.marculus.net
  5. 5. Orient-ação [email_address] telefax: (11) 3815-0232
  6. 6. Algumas publicações:
  7. 7. Algumas publicações:
  8. 8. www.mec.gov.br Algumas publicações:
  9. 9. Algumas publicações: Arqueofilia : o vestigium na prática arqueológica e junguiana Terra Brasilis: pré-história e arqueologia da psique Marcos Callia e Marcos Fleury de Oliveira (orgs.) www.paulus.com.br
  10. 10. www.editorialfundamentos.es Mitohermenéutica de la creación: arte, proceso identitário y ancestralidad” Algumas publicações: Creación y Posibilidad, Aplicaciones del arte en la integración social           Marián López Fernández-Cao (org.)
  11. 11. www.editorazouk.com.br Crepusculário : Conferencias sobre mitohermenêutica e educação em Euskadi
  12. 12. Conferências em: <ul><li>Universidad de Deusto (Bilbao) </li></ul><ul><li>Euskal Herriko Uniberstitatea (Universidad del País Vasco) </li></ul><ul><li>Zenbat Gara – centro de cultura y lengua euskara </li></ul>
  13. 13. Onde se escondem nossas matrizes de pensamento e alma?
  14. 14. Mito e Sagrado <ul><li>O mito é uma narrativa em que a vivência de um outro modo de ser nos abre uma possibilidade de contato com o Sagrado, realizando-me e realizando-O . </li></ul>
  15. 15. griot
  16. 16. A palavra-alma é mais forte que a morte Ângelo Kretan (1944-1980)
  17. 17. Algumas noções básicas… mitohermenêutica como estilo reflexivo e como método: as circulações do sentido na paisagem e a jornada interpretativa (Ferreira Santos)
  18. 18. Cultura universo da criação, transmissão, apropriação e interpretação dos bens simbólicos e suas relações
  19. 19. Símbolo Forma (Bild) Sentido (Sinn) engendramento
  20. 20. Tempo condensado <ul><li>Não linear </li></ul><ul><li>Não circular </li></ul><ul><li>Espiral </li></ul>
  21. 21. <ul><li>“ Teus anos não vão nem vêm. Eles subsistem simultaneamente (simul stant)” </li></ul><ul><li>Agostinho </li></ul>
  22. 22. Paixão pelo que é ancestral, primevo, arquetipal e que se revela, gradativamente, na proporção da profundização da busca. Arqueofilia:
  23. 23. Lumina profundis... (mitohermenêutica) <ul><li>olhar que leva luz àquilo que vê </li></ul><ul><li>luz suficiente para tão somente ver (≠ aufklärung - ilustração ) </li></ul><ul><li>olhar em profundidade </li></ul><ul><li>sob a superficialidade aparente </li></ul><ul><li>profundizar até a potência… </li></ul>
  24. 24. Estilo mitohermenêutico... <ul><li>O trabalho filosófico de interpretação simbólica, de cunho antropológico, que pretende compreender as obras da cultura e das artes a partir dos vestígios ( vestigium) - traços míticos e arquetipais (ancestrais) - captados através do arranjo narrativo de suas imagens e símbolos. </li></ul>Pintura rupestre na Serra da Capivara
  25. 25. “ O mytho é aqui compreendido como a narrativa dinâmica de imagens e símbolos que orientam a ação na articulação do passado ( arché ) e do presente vivido em direção ao devir ( télos )... Ferreira Santos, 1998 “ Práticas crepusculares: mytho, ciência e educação…”
  26. 26. <ul><li>o rigor necessário à reflexão e investigação (inclusive como metodologia acadêmica) ao </li></ul><ul><li>vigor do mundo vivido ( lebenswelt) </li></ul><ul><li>sendo matizado pela formação e trajetória íntimas de cada hermeneuta. </li></ul>Tal estilo tenta articular:
  27. 27. Walter Benjamin <ul><li>“ À diferença da informação, o relato não se preocupa em transmitir o puro em si do acontecimento, ele o incorpora na própria vida daquele que conta, para comunicá-lo como sua própria experiência àquele que escuta. Dessa maneira o narrador nele deixa seu traço, como a mão do artesão no vaso de argila.” </li></ul>
  28. 28. O estilo mitohermenêutico... <ul><li>Portanto, não é a pura aplicação de uma técnica, mas antes de qualquer coisa, tem como desafio principal: </li></ul><ul><li>a compreensão de si mesmo como ponto de partida, meio e fim de toda jornada interpretativa </li></ul>
  29. 29. Paul Ricoeur (1913-2005)
  30. 30. o olhar do geógrafo, o espírito do viajante e a criação do romancista ( Paul Ricoeur ) Habitar a paisagem…
  31. 31. “ caminante, no hay camino... se hace camino al andar golpe a golpe, verso a verso...” Antonio Machado Jornada interpretativa
  32. 32. um percurso formativo de busca de sentido, centramento e plenitude existencial que se dá no processo de realização de si-mesmo e que me permite uma determinada leitura provisória do mundo... O que é a Jornada Interpretativa ?
  33. 36. Qual a finalidade ? - busca dinâmica de sentidos para a existência
  34. 37. Abordagens em mitologia: <ul><li>Abordagens evemeristas </li></ul><ul><li>( desde el imperio romano…) </li></ul><ul><li>Abordagens funcionalistas </li></ul><ul><li>(Sir J. Frazer, L. Lévy-Brühl) </li></ul><ul><li>Abordagens psicanalistas </li></ul><ul><li>(S. Freud, J. Lacan, M. Klein) </li></ul><ul><li>Abordagens estruturalistas </li></ul><ul><li>(C. Lévy-Strauss) </li></ul><ul><li>Abordagens fenomenológicas </li></ul><ul><li>(M. Griaule, G. Bachelard, G. Dumézil, Mircea Eliade, </li></ul><ul><li>R. Bastide, G. Gusdorf) </li></ul><ul><li>Abordagens simbólicas </li></ul><ul><li>(R. Guénon, C.G. Jung, J. Hillman, R. Caillois, H. Corbin, </li></ul><ul><li>P. Solié, Ch. Maurron, J. Campbell, A. Ortiz-Osés, </li></ul><ul><li>L. Garagalza, A. Verjait, G. Durand) </li></ul><ul><li>Abordagens antropolíticas </li></ul><ul><li>(P. Tacussel, G. Balandier, J-P. Sironneau, M. Maffesoli) </li></ul>
  35. 38. Antropologia Filosófica: de Cassirer aos pensadores do Círculo de Eranos
  36. 39. Ernst Cassirer (1874-1945) <ul><li>Re-leitura de Kant </li></ul><ul><li>O que é o homem? </li></ul><ul><li>Homo symbolicus </li></ul><ul><li>Filosofia de las formas simbólicas: </li></ul><ul><li>Arte, historia, mito, religião, ciência, linguagem </li></ul>
  37. 40. Círculo de Eranos
  38. 41. <ul><li>Ascona , Suiza, de 1933 a 1988 com a publicação de 57 volumes ( Eranos Jahrbuch ) </li></ul><ul><li>Iniciado por R. Otto y C. G. Jung </li></ul><ul><li>Discutiu intensamente as questões relacionadas a mitologia comparada, antropologia cultural e hermenêutica simbólica a partir das reflexões colocadas por Ernst Cassirer em seu &quot;Filosofia das Formas Simbólicas&quot; . </li></ul>
  39. 42. <ul><li>Como espaço interdisciplinar de investigação, participaram pensadores como: </li></ul><ul><li>Karl Kerènyi, Mircea Eliade, Gilbert Durand, F. Geisen, D. Hayard, Joseph Campbell ( mitologia ); </li></ul><ul><li>Erich Neumann, Marie Louise von Franz e James Hillman ( psicologia ); </li></ul><ul><li>P.Radin, Jean Servier e D. Zahan ( antropologia ); </li></ul><ul><li>Th. von Üexküll, H. Pleisner y A. Portmann ( antropo-biologia e etologia ); </li></ul><ul><li>Herbert Read e Michel Guiomar ( estética ); </li></ul><ul><li>V. Pauli, E. Schrödinger, Bernouilli e M. Knoll ( ciência ); </li></ul><ul><li>H. Zimmer e G. Tucci ( hinduísmo ); </li></ul><ul><li>R. e H. Wilhelm, D. Suzuki e T. Izutsu ( taoísmo e budismo ); </li></ul><ul><li>G. Scholem ( judaísmo ); </li></ul><ul><li>J. Danielou ( cristianismo primitivo ); </li></ul><ul><li>Henry Corbin ( orientalismo islâmico ) e </li></ul><ul><li>Andrés Ortiz-Osés ( mitologia vasca ) entre outros </li></ul>
  40. 43. Joseph Campbell (1904-1987)
  41. 44. &quot;Não buscamos no mito um sentido para a vida, mas o mito é a própria experiência de estar vivo&quot; . <ul><ul><li>Campbell , </li></ul></ul><ul><ul><li>O Poder do Mito , 1988 </li></ul></ul>
  42. 45. <ul><ul><li>&quot;Mitologia é a música. É a música da imaginação, inspirada nas energias do corpo. </li></ul></ul><ul><ul><li>Uma vez um mestre zen parou diante de seus discípulos, para proferir um sermão. No instante em que ia abrir a boca, um pássaro cantou. E ele disse: 'O Sermão já foi proferido' .&quot; </li></ul></ul><ul><ul><li>Campbell , </li></ul></ul><ul><ul><li>O Poder do Mito , 1988 </li></ul></ul>
  43. 46. “ onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo.” Campbell , O Poder do Mito , 1988
  44. 47. partida realização retorno A Sa ga do Heró i Campb ell , O Pode r do Mito , 1988
  45. 48. “ Esta é sua alma”  Campbell, O Poder do Mito , 1988
  46. 49. Centramento “ Selbst ” 
  47. 50. Percurso formativo
  48. 51. <ul><li>Sagrado </li></ul><ul><li>Homo religiosus </li></ul><ul><li>Mysterium tremendum et fascinans </li></ul><ul><li>Hierofania e teofania </li></ul><ul><li>Sacralização </li></ul><ul><li>Consagração </li></ul><ul><li>Pertença </li></ul><ul><li>Profano </li></ul><ul><li>Ser trágico </li></ul><ul><li>Realidade objetivada </li></ul><ul><li>Experiência sensória </li></ul><ul><li>Dessacralização </li></ul><ul><li>Individualização </li></ul><ul><li>Liberdade </li></ul>Duas modalidades de Ser
  49. 52. <ul><li>“ O homem moderno a-religioso reconhece-se unicamente sujeito agente da História e recusa todo apelo à transcendência (...) faz-se a si próprio (...) o Sagrado é o obstáculo por excelência diante da sua liberdade. Só será verdadeiramente livre no momento em que tiver matado o último Deus” </li></ul>Mircea Eliade
  50. 53. “ Isto não é privilégio do mundo cristão (...) Sócrates condenado à cicuta, Giordano Bruno queimado, Descartes forçado à expatriar-se na Holanda, Spinoza excluído da sinagoga, eis os testemunhos das perseguições e dos suplícios que os representantes da religião infligiram a estes filósofos” Berdyaev, 1936
  51. 54. Persona (máscara) Prosopon (  ) (aquele que afronta com sua presença) per sonare (que ressoa)
  52. 55. <ul><li>Facticidade </li></ul><ul><li>do Mundo </li></ul><ul><li>objetivação – </li></ul><ul><li>resistência – </li></ul><ul><li>intimações do meio - </li></ul><ul><li>Possibilidade de </li></ul><ul><li>transcendencia </li></ul><ul><li>subjetividade – </li></ul><ul><li>voluntade – </li></ul><ul><li>pulsões - </li></ul>pessoa
  53. 56. “ A pessoa é inseparável da dor e do sofrimento. Sua realização é dolorosa (...) A luta pela realização da pessoa é uma luta heróica. O heroísmo é por excelência um ato pessoal. A pessoa está ligada à liberdade: Sem liberdade, não há pessoa. E a realização da pessoa não é outra coisa que a conquista da liberdade interior, de uma liberdade onde o homem é doravante desengajado de toda determinação vinda de fora. Mas, a liberdade engendra dor e sofrimento. O trágico da vida é na liberdade.” Berdyaev, (Cinq meditations…1936)
  54. 57. “ amor, pela memória e pela criação” (Berdyaev, 1936). Remedios Varo, “ Ruptura”, 1955
  55. 58. Jacob Böehme (1575-1624) , O filósofo sapateiro remendão-ambulante, sec. XVII <ul><li>Ungrund </li></ul><ul><li>Cognitio matutina (aurora) </li></ul><ul><li>Unitas multiplex </li></ul><ul><li>Dialética do mundo do fogo, da luz e das trevas </li></ul>“ a altura a que pode chegar o amor , tem a dimensão de Deus; consegue elevar-te até te fazeres tão alto como Deus mesmo; unindo-te a Ele. Tua grandeza será tanta como a de Deus; há uma expansão do coração enamorado que é impossível expressar. Amplia a tua alma até fazê-la alcançar o tamanho da criação inteira”
  56. 59. “ Morro, e contudo não morre em mim O ardor de meu amor por Ti, E Teu Amor, meu único objetivo, Tampouco alivia a febre de minh’alma (...) Volto-me para Ti em meu apelo, E busco em Ti meu repouso derradeiro; A Ti dirijo meu enfático lamento, Tu que habitas meu secreto pensamento (...) Dhu ‘l-Nun, O Egípcio, (poeta místico sufi, circa 861 d.C) Remedios Varo
  57. 60. Nikolay Aleksandovich Berdyaev (1874-1948) Emmanuel Mounier (1905-1950) Gabriel Marcel, Jean Lacroix, Paul Ricoeur, Jacques Maritain, Charles du Bos, Massignon, Henry Corbin, Étienne Gilson, André Philip, Olivier Lacombe, Georges Izard, Jean Hugo, P. Van der Meer Personalismo… existencialismo antropológico
  58. 61. “ A vitória sobre a morte é ao mesmo tempo a aceitação mesma do mistério da morte: é uma atitude antinômica. De outro lado, a realização da pessoa é a realização da comunhão, na vida social e na vida cósmica, o ultrapassamento deste isolamento intrínseco à morte. É que, precisamente, a realização da comunhão não conhece a morte. O amor é mais forte que a morte.” (Berdyaev, 1936) Frida Kahlo
  59. 62. “ Há em mim uma forte predisposição à melancolia (...) Esta melancolia cresceu em mim num período muito desgraçado de minha vida. Lydia adoeceu gravemente de paralisia dos músculos da garganta, o que dificultava mais sua capacidade de falar e tomar alimento. Suportou com resignação esta enfermidade atroz. Suas forças foram minguando. No final de setembro de 1945 Lidia morreu. Foi um dos acontecimentos mais dolorosos de minha vida e ao mesmo tempo um dos que mais me afetaram em minha vida interior (...) A morte não é somente um extremo mal, senão que há também luz nela. Na morte há revelação do amor. Só na morte se dá a maior intensidade do amor. Este se volta particularmente ardente e dirigido à eternidade. A comunicação espiritual não só continua, senão que se faz mais especialmente densa e intensa (...) Vivi a morte de Lydia, participei em sua morte, e cheguei a perceber que a morte era menos horrível, descobri nela algo que se parece com um nascimento.” (Berdyaev, 1957).
  60. 63. <ul><li>“ a criação poética já é uma maneira de transcender” </li></ul><ul><li>(Berdyaev, 1936). </li></ul>Remedios Varo, “ Nacer de nuevo”, 1960
  61. 64. Ritos agrários <ul><li>Feminino </li></ul><ul><li>Eleusis </li></ul><ul><li>Nanã </li></ul><ul><li>Teniaguá </li></ul><ul><li>Masculino </li></ul><ul><li>Orpheu </li></ul><ul><li>Obatalá </li></ul><ul><li>Tupã </li></ul><ul><li>Hermes </li></ul><ul><li>Oshumaré </li></ul><ul><li>Poty </li></ul>Plenitude
  62. 65. Planta ou sola do pé, Pegada de homem ou animal, Sinal, impressão, marca pela pressão de um corpo, instante, momento, resto, fragmento, lugar... Vestigium... Vestigo : Seguir o rastro de... Ir a procura... Descobrir, encontrar...
  63. 66. Drama vegetal: destinação da semente....
  64. 67. iniciação mysterium morte simbólica renascimento
  65. 68. Percurso mítico <ul><li>Catábase (descida) </li></ul><ul><li>Morte/Amor (transformação) </li></ul><ul><li>Anábase (subida) </li></ul><ul><li>Diasparágmos (dia-bolos) – fragmentação </li></ul><ul><li>Synbolon (sin-bolos) - religação </li></ul>
  66. 70. As parcas Penélope
  67. 72. Fios da tecelã....
  68. 75. Amplificação…
  69. 76. Eros <ul><li>himeros </li></ul><ul><li>antheros </li></ul><ul><li>póthos </li></ul>eros e psiché
  70. 77. himeros
  71. 78. hieródulas
  72. 79. hetairas
  73. 80. hetairas
  74. 81. antheros Cláudia Sperb “Arqueologia do amor”
  75. 82. póthos
  76. 83. quíron “ tutto è santo !”
  77. 84. <ul><li>képos (o jardim) </li></ul><ul><li>clinamen (desvio) </li></ul><ul><li>philia (a amizade como bem supremo) - frátria </li></ul><ul><li>pharmakón (prazer e partilha) </li></ul><ul><li>Cultivo de outros tempos na escuridão do tempo presente </li></ul>Epicuro (3 a.C) (sob invasão macedônica )
  78. 85. <ul><li>“ Acostuma-te à idéia de que a morte nada significa para nós. Pois o bem e o mal não são mais que sensações, e a morte é apenas a privação de sensação (...) </li></ul><ul><li>É tolo quem diz temer a morte, não porque esta será dolorosa quando chegar, mas porque dolorosa é a sua expectativa (...) </li></ul><ul><li>O sábio, assim como no caso do alimento, ele não escolhe, de forma alguma, a maior porção, mas antes a mais deliciosa, aqui também ele procura desfrutar não o período mais longo de tempo, mas o mais agradável.” </li></ul><ul><li>(Epicuro, Carta a Menoeceus ) </li></ul>
  79. 86. Um képos russo e personalista... A Frátria do jardim...
  80. 87. mitologias pampeanas prof. dr. marcos ferreira santos livre-docente em cultura & educação professor de mitologia da faculdade de educação - usp
  81. 88. “ (...) seus olhos saudaram a árvore como se ela fosse uma amiga íntima. Uma lagartixa passou correndo à sua frente e sumiu-se por entre as macegas. Ana pensou em cobra (…) Fez avançar o busto, baixou a cabeça e mirou-se no espelho da água. Foi como se estivesse enxergando outra pessoa.” Érico Veríssimo “O tempo e o vento – O Continente”
  82. 89. Vasilha funerária guarani com técnicas de mumificação
  83. 90. “ De longe vinha agora o som da flauta de Pedro (…) queria pensar em noutra coisa, mas não conseguia. E o pior era que sentia os bicos dos seios (só o contato com o vestido dava-lhe arrepios) e o sexo como três focos ardentes. Sabia o que aquilo significava (…) pensamentos que ficariam dentro de sua cabeça e de seu corpo, para sempre escondidos (…) pensou nos beijos úmidos do índio colados à flauta de taquara. Os beiços de Pedro nos seus seios. Aquela música saía do corpo de Pedro e entrava no corpo dela…” Érico Veríssimo “O tempo e o vento – O Continente”
  84. 91. “ Eu sou a princesa moura encantada, trazida de outras terras por sobre um mar que os meus nunca sulcaram… Vim, e Anhangá-pitã transformou-me em teiniaguá de cabeça luminosa, que outros chamam o – carbúnculo – e temem e desejam, porque eu sou a rosa dos tesouros escondidos dentro da casca do mundo.” João Simões Lopes Neto “Lendas do Sul”
  85. 92. (…) Uma noite ela quis misturar o mel do seu sustento com o vinho do santo sacrifício; e fui, busquei no altar o copo de ouro consagrado, todo lavorado de palmas e resplendores; e trouxe-o, transbordante, transbordando… de boca para boca, por lábios incendiados o passamos… e embebedados caímos, abraçados. ” João Simões Lopes Neto “Lendas do Sul”
  86. 93. “ Tu, não; tu não me procuraste ganoso… e eu subi ao teu encontro; e me bem trataste pondo água na guampa e trazendo mel fino para o meu sustento (…) a teniaguá que sabe dos tesouros, sou eu, mas sou também princesa moura… sou jovem… sou formosa…, o meu corpo é rijo e não tocado!... E estava escrito que tu serias o meu par. Serás o meu par… se a cruz do teu rosário me não esconjurar… (…) quando quebrado o encantamento, do sangue de nós ambos nascer uma nova gente, guapa e sábia, que nunca mais será vencida (…) ……………… Aquele par, juntado e tangido pelo Destino, que é o senhor de todos nós, aquele par novo, de mão dadas como namorados, deu costas ao seu desterro (….) Anhangá-pitã, também, desde aí, não foi mais visto. Dizem que, desgostoso, anda escondido, por não haver tomado bem tenência que a teniaguá era mulher…” João Simões Lopes Neto “Lendas do Sul”
  87. 94. mouro
  88. 95. “ só o silêncio do casarão, o vento nas vidraças e o tempo passando… - Bem dizia minha avó – resmunga dona Bibiana, cerrando os olhos – Noite de vento, noite dos mortos. ‘ Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando’, costumava dizer Ana Terra.” Érico Veríssimo “O tempo e o vento – O Continente”
  89. 96. “ (…) la mujer mapuche encarna a si el contrapunto de opuestos: tejido-plata, fibra-metal, negro-blanco, oscuridad-luz. El negro brilloso del tejido es el sentido de fuerza, poder y estabilidad sobre el que se asienta el blanco luminoso de la vida y la espiritualidad. En este contexto la mujer mapuche se nos presenta como un ser significante, ícono cosmovisional en el que convergen cuantidad de contenidos referidos al ser femenino: mujer, en el plano de la mapu , y luna en el plano de la wenu-mapu , la tierra de arriba.” Ana María Llamazares Carlos Martínez Sarasola yTeresa Pereda “Los que movían el metal: metamorfosis de la luz en la platería mapuche”
  90. 97. madu lopes , pelotas/rs
  91. 99. Ancestralidade: Se aprende na escola?...
  92. 100. Traço, de que sou herdeiro, que é constitutivo do meu processo identitário e que permanece para além da minha própria existência… O que é ancestralidade ?...
  93. 101. Karl Jaspers situación-límite die Grenzsituation
  94. 103. Religação e re-leitura… <ul><li>Nas situações-limites (K. Jaspers), </li></ul><ul><li>nas quais temos nossa própria sobrevivência em risco, a ancestralidade nos abre e nos apresenta possibilidades de religação com o nosso tecido social originário: nos religa aos nossos. </li></ul>
  95. 104. <ul><li>Desta religação, possibilitada pela vivência limítrofe, temos uma outra maneira de ver o próprio mundo e a nós mesmos em uma re-leitura das coisas, relegere , em que transformamos nosso olhar, nossas atitudes e nossas relações. </li></ul>
  96. 105. <ul><li>Estas duas possibilidades religantes: </li></ul><ul><li>religare e </li></ul><ul><li>relegere , </li></ul><ul><li>abrem a dimensão religiosa (no sentido mais nobre do termo) de nosso contato com a ancestralidade </li></ul>Mario Cespedes
  97. 106. Endividamento … <ul><li>A herança ancestral é muito maior e mais durável (a grande duração histórica) do que minha existência (pequena duração). </li></ul><ul><li>Esta herança coletiva pertence ao gupo comunitário ao que, por sua vez, eu pertenço e me ultapassa. </li></ul><ul><li>Desta maneira, temos com esta ancestralidade uma relação de endividamento (Paul Ricoeur) na medida em que nós somos o futuro que este passado tinha e cabe à nós atualizar suas energias mobilizadoas. </li></ul><ul><li>Em suma, nossa dívida com a ancestralidade é que temos que ser nós mesmos . </li></ul>
  98. 107. “ Mas os mistérios da vida divina não podem se exprimir senão pela linguagem interior da experiência espiritual, por uma linguagem de vida e não aquela da natureza objetiva da razão. Veremos, então, que a linguagem da experiência espiritual é inevitavelmente simbólica, que é sempre uma questão de acontecimentos , de encontros , de destinação” Espírito e Liberdade , 1933 Nikolay Aleksandrovich Berdyaev (1874-1948) um anarquista religioso
  99. 108. <ul><li>“ importante não é a casa onde habitamos. </li></ul><ul><li>Mas, onde, </li></ul><ul><li>em nós , </li></ul><ul><li>a casa habita.” </li></ul><ul><li>Mia Couto, 2003 </li></ul><ul><li>“ Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra” </li></ul>
  100. 109. <ul><li>“ Pi’a” = “pequena parte do coração” </li></ul><ul><li>“ Pe’ã” = aquilo que é cortado em partes; “ filho ” </li></ul><ul><li>modo ancestral de ser ( ñande rekó ) </li></ul><ul><li>os nomes vêm da região celeste, acessíveis em sonho aos pais e que o pajé ( che ramõe ) reconhece, ao batizá-los quando já maiores </li></ul><ul><li>“ poty ” = florir </li></ul><ul><li>a pequena e bela epifania da luz no drama vegetal dos ciclos. </li></ul>
  101. 110. Espiralidade…
  102. 111. Mitologias do Brasil afro-ameríndio
  103. 112. mediações simbólicas <ul><li>uma utopia </li></ul><ul><li>uma ética </li></ul><ul><li>um desejo </li></ul><ul><li>constitui uma paisagem da alma </li></ul><ul><li>assume um endividamento </li></ul><ul><li>vive uma frátria </li></ul><ul><li>através da topofilia </li></ul><ul><li>através da ancestralidade </li></ul><ul><li>através da philia </li></ul>
  104. 113. <ul><li>“ quando a terra se converte em um altar, a vida transforma-se em uma reza ” </li></ul><ul><li>Mia Couto, 2003 </li></ul>
  105. 114. “ A gnosis matutina que nos inspira é uma oposição radical, tanto à unidimensionalidade cientificista como à unidimensionalidade teológica que é o fanatismo.” Durand, 1995 “A fé do sapateiro” Gustave Moreau
  106. 115. “ Auditório para questões delicadas”, Guto Lacaz (Brasil)
  107. 116. <ul><li>Se a palavra-alma é sagrada e dizê-la já é canto, o mito pessoal não seria o meu próprio canto ? </li></ul>
  108. 117. Na tradição dos mistérios órficos… Orfeu desce ao Hades e busca a Eurídice… Gustave Moreau
  109. 118. Uma apologia do canto ...
  110. 119. Tantas veces me mataron, tantas veces me morí, Sin embargo estoy aquí resucitando. Pero si estoy a la desgracia y la mano con puñal por qué mató tan mal, y seguí cantando. Cantando al sol como la cigarra después de un año bajo la tierra, igual que sobreviviente que vuelve de la guerra. Tantas veces me borraron, tantas desparecí, a mi propio entierro fui sola y llorando; hice un nudo en el pañuelo pero me olvidé después que no era la única vez y seguí cantando. Tantas veces te mataron, tantas resucitarás, cuántas noches pasarás desesperando. Y a la hora del naufragio y la de la oscuridad alguien te rescatará para ir cantando. Como la Cigarra (María Elena Walsh)
  111. 120. <ul><li>O silêncio… </li></ul><ul><li>De onde a palavra provém e para onde volta… </li></ul><ul><li>Faz parte da disciplina espiritual… </li></ul>

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