Fasc 05

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Fasc 05

  1. 1. 1615Sistemas demonitoramentoclimáticosVicente de Paula Silva FilhoUniversidadeAbertadoNordesteeEnsinoaDistânciasãomarcasregistradasdaFundaçãoDemócritoRocha.Éproibidaaduplicaçãooureproduçãodestefascículo.CópianãoautorizadaéCrime.www.fdr.com.br/mudancasclimaticas
  2. 2. 162Sistemas de Monitoramento ClimáticoVicente de Paula Silva FilhoIntroduçãoVivemos em um ambiente, para o qual estamos tão bem adaptados que, mesmocom as oscilações normais das condições de tempo e clima, praticamente não per-cebemos sua existência. As condições de tempo e clima de uma determinada regiãosão de fundamental importância para a manutenção da vida. Alterações nas condi-ções normais de tempo ou clima de uma região podem causar efeitos tão danososquanto a exterminação da vida, seja ela de qual tipo for.As condições climáticas de uma região podem mudar ao longo do tempo de-pendendo de uma série de fatores. O principal desses fatores é a forma como anatureza se apresenta, incluindo a composição da terra, a distribuição de água eterra na superfície terrestre, a composição da atmosfera, o movimento de rotaçãoda Terra e o movimento da Terra em relação aos outros corpos celestes, no espaço.Alterações sobre estes fatores induzem à alterações no clima terrestre.A situação atual do movimento celestial é o resultado de um equilíbrio que vemse estabelecendo ao longo dos milênios e cujas alterações não devem acontecer deforma significativa no tempo da vida humana na Terra. Não se deve esperar varia-ções climáticas como consequências de mudanças nas estruturas celestiais.Parte das causas das mudanças climáticas é natural e não depende do homem.Entre elas podemos citar a quantidade de energia solar que atingindo o topo de nossaatmosfera, apresenta uma variação com o tempo em sua intensidade. Alterações dacomposição das águas e do ar podem ser causadas por oscilações (mudanças) natu-rais, como uma erupção vulcânica, por exemplo. As mudanças naturais já acontecemdesde que a Terra existe e vão continuar acontecendo, sem que se possa fazer muitopara evitá-las. Essas mudanças não devem ser motivo de muita preocupação.A composição das águas que temos disponível e do ar que respiramos, poroutro lado, também pode ser alterada pela ação do homem. Estas são as alteraçõespreocupantes. A população terrestre aumenta o seu tamanho de forma exponencialao longo do tempo. A população do planeta levou um milhão de anos para chegara três bilhões de habitantes e apenas quarenta anos para dobrar esse número.A previsão é de que em 2050 deverá atingir nove bilhões de habitantes. Todasessas pessoas precisam se alimentar e viver. Para isso, fazem uso dos recursos natu-rais e da indústria de transformação. A utilização dos recursos naturais disponíveise da indústria de transformação demanda alterações drásticas no meio ambiente eproporciona a geração de dejetos (lixo) que são liberados para o ambiente e, porserem estranhos a este, são considerados poluentes.
  3. 3. 163À medida que a população aumenta, a poluição também aumenta. Assim, a com-posição das águas e do ar é alterada, inevitavelmente alterando o clima. Sendo uma açãodo homem, esta alteração pode ser minimizada. A minimização dessas ações ajuda naconservação do meio ambiente para que se possa ter, no futuro, uma vida mais saudável.Em relação ao clima, é necessário que se possa conhecê-lo para que suas mu-danças possam ser detectadas (como posso perceber uma mudança, se não co-nheço a situação original?). Este texto procura abordar, de maneira simplificada, oconhecimento do clima, com suas características peculiares, e seu monitoramento,visando uma maior conscientização, e consequente engajamento nas questões cli-máticas e ambientais, como forma de aumentar a capacidade da sociedade emmanter boas condições ambientais para si própria.A meteorologiaA meteorologia é a ciência que estuda os fenômenos atmosféricos. Em sua semân-tica, o termo meteorologia pode ser dividido em duas partes, ou seja, meteoro +logia, que somadas encerram o seu significado. Meteoro é tudo aquilo que natu-ralmente se encontra inserido no ar atmosférico. O sufixo logia significa “estudode”. Meteorologia é então o estudo de todas as coisas que compõem a atmosfera enaturalmente nela se encontram.O comportamento da atmosfera é uma resposta aos impulsos que lhe são im-postos pelo meio ambiente. Isto faz com que todo o meio que influencie o compor-tamento da atmosfera também seja objeto de estudo da meteorologia. Desta formaas relações da atmosfera com sua superfície inferior tais como mares, oceanos, rios,solo nu, florestas, bosques, campos, cidades e qualquer outra superfície que se pos-
  4. 4. 164sa imaginar, assim como o espaço exterior, incluindo as influências da radiação e amecânica celeste, são também objeto de estudo por parte da meteorologia.As diferenças localizadas que podem ser percebidas na atmosfera são chamadasde fenômenos meteorológicos. Os fenômenos meteorológicos podem ser divididos emescalas de espaço e de tempo. Embora existam situações onde se possa observar o con-trário, as escalas de espaço e tempo dos fenômenos meteorológicos possuem um altograu de correlação direta. Um fenômeno que cubra uma grande região, normalmentetem um tempo de vida maior que um fenômeno que cubra uma área pequena, quenormalmente tem um ciclo de vida bem curto.Esses fenômenos podem cobrir desde áreas tão grandes quanto continentes ouoceanos – milhares de quilômetros, como as massas de ar e o fenômeno El Niño, entreoutros, até áreas bem pequenas quanto centímetros, como é o caso da turbulência.A caracterização da condição meteorológica da atmosfera se dá através da aná-lise dos parâmetros que possibilitam sua quantificação. As variáveismeteorológicas (ou parâmetros meteorológicos - aqueles que per-mitem a percepção das condições do comportamento da atmosfe-ra) mais importantes e usuais são a temperatura, o vento, a pres-são, a umidade, a nebulosidade, a precipitação e a radiação.As medidas destas variáveis, associadas aos fenômenos me-teorológicos que estiverem atuando no momento, determinamas condições de tempo em determinado momento, na região emquestão (Tempo, neste caso, com letra maiúscula, não é aqueleque se mede com um relógio).O que seria então o Tempo? Tempo é a condição da atmos-fera em determinado momento. Estas condições podem ser medi-das através das variáveis meteorológicas de Tempo citadas acima.Pode-se então dizer que determinado lugar está frio (temperaturamais baixa que o normal) ou que esteve ventando, etc. Exemplosde condições de Tempo seriam:“Impressionante, choveu muito em Fortaleza no Natal”, “Ai,que calor... Essa noite está muito quente!”, “No céu não tinha umanuvem sequer”, “Nevou pra caramba quando estive em Barilocheno ano passado”, etc.O que causa o Clima?O Clima, por sua vez, é o conjunto de todas as condições meteo-rológicas (de Tempo) que tenham ocorrido em determinado lugar.O Clima é caracterizado por aquilo que normalmente aconteceem termos de condições atmosféricas. Como exemplo de condi-ções climáticas, poderíamos dizer:“Impressionante, cho-veu muito em Fortale-za no Natal”, “Ai, quecalor... Essa noite estámuito quente!”, “Nocéu não tinha uma nu-vem sequer”, “Nevoupra caramba quandoestive em Bariloche noano passado”, etc.“O Ceará é a terra doSol” - Fazendo umaalusão ao fato de queo Ceará apresentapoucos e curtos perí-odos com chuva, “EmCabaceiras, na Paraí-ba, chove menos que400mm por ano. Eitalugarzinho seco!”, “Sevocê for para o RioGrande do Sul em ju-lho, lembre-se de levarmuito agasalho”, etc.
  5. 5. 165“O Ceará é a terra do Sol” - Fazendo uma alusão ao fato de que o Ceará apre-senta poucos e curtos períodos com chuva, “Em Cabaceiras, na Paraíba, chovemenos que 400mm por ano. Eita lugarzinho seco!”, “Se você for para o Rio Grandedo Sul em julho, lembre-se de levar muito agasalho”, etc.Os Parâmetros Climáticos são os mesmos Parâmetros Meteorológicos (variáveismeteorológicas), só que estimados na média e variações em torno de suas médias.Em termos climatológicos, é preciso se esperar um tempo para que todas as condi-ções meteorológicas, relativas ao local, possam acontecer, para juntas caracteriza-rem o Clima. Estatisticamente, este tempo seria de 30 anos. O conjunto de todasas condições de Tempo que ocorreram em determinado local determina então oClima do local e constitui a chamada “Normal Climatológica”.Apesar de se entender que para a obtenção de uma normal climatológica, são ne-cessários 30 anos de dados coletados, entende-se também que um período de tempomenor pode fornecer uma ideia bastante razoável das condições de Clima da região.Neste contexto, é importante entender que, dependendo do conjunto de dados quefor usado para determinar o Clima da região, pequenas diferenças podem ser encontra-das quando da comparação de conjuntos de dados diferentes. A análise de conjuntos dedados diferentes ao longo do tempo, é que caracteriza as Mudanças Climáticas.Em uma escala de tempo menor, meses, por exemplo, pode-se determinar va-riações médias nas condições de Tempo que são consideradas Variações Climáticas.É o caso das previsões de Clima que são feitas para curtos períodos de tempo. Porexemplo, podemos dizer: “Durante o período da quadra chuvosa do ano passadono Ceará, choveu tanto que fez todos os açudes sangrarem”, “Esse ano foi muitoseco. Quase todos os agricultores perderam suas roças”.Assim como na meteorologia, a climatologia também possui suas escalas detempo de espaço e de finalidade, sofrendo com isto subdivisões. Isto pode ser ob-servado nas descrições publicadas por J. O. Ayoade em 2004.Áreas da ClimatologiaClimatologia regional: é a descrição dos climas em áreas selecionadas da Terra.Climatologia sinótica: é o estudo do tempo e do clima em uma área com relação ao padrãode circulação atmosférica predominante.Climatologia física: envolve a investigação do comportamento dos elementos do Tempo ouprocessos atmosféricos em termos de princípios físicos.Climatologia dinâmica: enfatiza os movimentos atmosféricos em várias escalas, particularmen-te na circulação geral da atmosfera.Climatologia aplicada: enfatiza a aplicação do conhecimento e dos princípios climatológicosnas soluções dos problemas que afetam a humanidade.Climatologia histórica: é o resultado do desenvolvimento dos climas através dos tempos.Subdivisões da climatologia
  6. 6. 166Macroclimatologia: relacionada com os aspectos dos climas de amplas áreas da Terra e com osmovimentos atmosféricos em larga escala que afetam o clima.Mesoclimatologia: preocupada com o estudo do clima em áreas relativamente pequenas,entre 10 e 100 quilômetros de largura (por exemplo, o estudo do clima urbano e dos sistemasclimáticos).Microclimatologia: preocupada com o estudo do clima próximo a superfície de áreas muitopequenas, com menos de 100 metros de extensão.Visando possibilitar o melhor entendimento é fornecido agora um conjuntode definições que descrevem as principais variáveis meteorológicas/climatológicas,segundo o Glossário de Meteorologia publicado em 1959 por R. E. Huschke.Temperatura: grau de calor ou frio, como medido em determinada escala, pormeio de um dos vários tipos de termômetros existentes. Medida da energia cinéticatranslacional (de deslocamento) e/ou de vibração das moléculas de determinadocorpo (sólido, líquido ou gasoso).Vento: movimento do ar em relação à superfície da terra. A componente vertical dodeslocamento do ar é normalmente muito pequena e o vento é considerado apenaso movimento do ar na horizontal. Em meteorologia e climatologia, são importantesa direção e a velocidade do vento.Pressão: é normalmente definida como sendo a intensidade de uma força igual-mente dividida por determinada área superficial. No caso da atmosfera, essa força écausada pela soma dos choques das moléculas que compõem o ar, em determinadoinstante, sobre a superfície em questão.Umidade: medida da quantidade de vapor d´água existente no ar.Nebulosidade: nível de cobertura do céu pelas nuvens.Precipitação: partículas de água, naturalmente geradas, líquidas ou sólidas, que se en-contrem em queda na atmosfera. Para fins meteorológicos, a porção destas partículasque interessa é a que consegue atingir o solo, porque assim são normalmente medidas.Radiação: forma de transmissão de energia através de ondas eletromagnéticas.Sistemas meteorológicos importantesCirculação Global da AtmosferaDevido à forma esférica da Terra e de seus movimentos em relação à abóbada ce-leste, a energia proveniente do Sol é absorvida em maior quantidade nas regiõestropicais. Observa-se que nessas regiões a energia proveniente do Sol incide demaneira aproximadamente perpendicular.Um deslocamento em direção aos polos proporciona que o ângulo de incidênciada radiação solar com o plano da superfície terrestre aumente, e uma mesma quanti-dade de energia incidente seja absorvida por uma área cada vez maior, ou seja, menosenergia por unidade de área é absorvida pela superfície. Consequentemente, as regiõestropicais da Terra são mais quentes que as demais regiões, sobretudo as regiões polares.
  7. 7. 167O aquecimento diferenciado entre o Equador e os polos terrestresfaz com que a atmosfera se ponha em movimento. Esse movimento sedá pelo fato de que o ar mais quente expande-se e se torna mais levetendendo a subir, enquanto o ar mais frio contrai-se, tornando-se maispesado e tende a descer. A expansão do ar nas regiões equatoriais geraum cinturão de baixas pressões (B) enquanto nos polos, a contração doar gera centros de altas pressões (A).Em uma situação teórica, proposta por Hadley no século XVIII, o arnas regiões tropicais, por ser mais quente, seria elevado, e nas regiõespolares, por ser mais frio, afundaria, gerando uma Célula de Circula-ção em cada hemisfério. Esta situação hipotética pode ser visualizadana figura 1.Mas a Terra não está parada e o movimento de rotação em tornodo seu próprio eixo faz com que sua atmosfera apresente um mo-vimento de circulação médio, não com apenas uma, mas, com trêscélulas em cada hemisfério. A situação média da circulação globalda atmosfera pode ser observada na figura 2, que apresenta as trêscélulas médias desta circulação.A célula 1, conhecida por Célula Tropical ou Célula de Hadley é a maisimportante e está localizada nas baixas latitudes, próximas à linha doEquador. Nesta célula, o movimento do ar próximo à superfície é emdireção ao Equador. Este movimento do ar é conhecido pelo nomede “ventos alísios”.O ar na região equatorial é aquecido e sobe. Nos níveissuperiores da atmosfera, o ar que subiu é desviado em direçãoaos polos. Ao atingir os limites da região tropical, nos chama-dos trópicos de Câncer e de Capricórnio, o ar desce para re-tornar em direção ao Equador. Esta circulação forma a célulaconvectiva que domina o clima tropical e subtropical.A célula 2 está localizada nas latitudes médias e éconhecida por Célula de Ferrel, em homenagem ao cien-tista que a estudou durante o século XIX. É uma célula decirculação atmosférica média nas latitudes médias. Nestacélula, o ar move-se para os polos e para o leste junto àsuperfície e no sentido do Equador e para oeste nos níveismais altos. É o resultado da observação média do movimen-to causado pelas frentes frias e quentes que ocorrem princi-palmente nestas regiões.A célula 3, terceira e última célula no modelo de circulação mé-dia da atmosfera, é a Célula Polar. Nesta célula, sobre a linha imagináriado ciclo polar, acompanhando o movimento da célula de Ferrel, o ar sobe,Fig.1Fig.2
  8. 8. 168diverge, e desloca-se para os polos. Uma vez sobre os polos, o ar mais frio e pesadodesce, formando as altas pressões polares. À superfície, o ar diverge para o exteriorda região de alta pressão. Os ventos de superfície na célula polar são de oeste, istoprincipalmente devido ao movimento de rotação da Terra.O modelo de três células é muito bom para facilitar o entendimento geral da circula-ção atmosférica, mas na realidade existem muitos fatores que influenciam o movimentoda atmosfera em sua circulação geral e o resultado real é muito mais complicado.Devido ao efeito da força de Coriolis, para a direita do movimento no hemisférioNorte e para a esquerda do movimento no hemisfério Sul, o movimento nas três célulasé alterado. Surgem então, três ventos característicos à superfície.Os ventos alísios nos Trópicos, os ventos predominantes de oeste nas latitudesmédias e os ventos polares de leste. Além disto, observa-se também a região decalmaria equatorial e as chamadas latitudes de cavalos, assim denominadas pelofato de que durante a época das grandes navegações, às vezes o vento era tão fraconestas latitudes que se fazia necessário atirar os cavalos ao mar para diminuir a cargae por falta de alimento para eles.A zona de calmarias equatorial localiza-se nas regiões próximas ao Equador, ondeos ventos alísios de ambos os hemisférios se encontram. Esta é também a região ondese pode encontrar a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que será comentadamais adiante. As “latitudes de cavalos” estão localizadas na região entre aquela dosventos alísios e a dos ventos predominantes de oeste. Nesta região os ventos são, emgeral, calmos ou fracos.O modelo de três células também pode ser analisado do ponto de vista do cam-po de pressão associado à circulação geral da atmosfera. Este é caracterizado porcinturões alternados de alta e baixa pressão. Identificam-se claramente ao longo daslinhas de latitude (paralelas à linha do Equador) três faixas de pressão, além das regi-ões polares, com estas características. São elas a zona de baixas equatorial, a zona dealtas subtropical, a zona de baixas subpolar e a região de alta polar. Estas característi-cas podem ser observadas na figura 3. Nesta figura podem-se observar os principaispadrões da circulação média e as características superficiais a ela associadas.A zona de baixas equatorial é composta por um cinturão de baixas pressões asso-ciado ao movimento ascendente. O ar quente ascendente sobre a região equatorial éque causa a baixa pressão desta região. Com o movimento ascendente há a formaçãode nuvens, o que caracteriza a ZCIT, e esta região torna-se abundante em precipitação.A zona de altas subtropical acontece devido ao ramo descendente da Célulade Halley nas latitudes dos cavalos. Nestas latitudes subtropicais o vento enfraque-ce e o ar desce (subsidência) criando áreas de alta pressão com céu limpo e poucaprecipitação, denominada de Anticiclones Subtropicais. A subsidência do ar quese tornou seco após precipitação na ZCIT e quente devido à própria subsidência,faz com que haja pouca precipitação e torna-se a responsável pela ocorrência dosdesertos que existem ao longo destas latitudes.
  9. 9. 169A zona de baixas subpolar não aparece muito bem definida nas cartas sinóti-cas por constituir-se de um cinturão de baixas pressões associado à passagem dasfrentes polares. Este cinturão também é conhecido por Depressão Subpolar. É umaregião onde ocorrem precipitações ao longo de todo o ano e apresenta com clarezaas quatro estações do ano.A região de alta polar, também conhecida por região do Anticiclone Polar, éassim denominada por conter o ar polar que é frio e denso. É nessas regiões ondese encontram as mais baixas temperaturas ao nível da superfície da Terra.As diferenças de temperatura existentes entre as regiões tropicais e polaresfazem com que a circulação global da atmosfera proporcione a existência de umfluxo de calor em direção aos polos. Este fluxo contribui para a diminuição dessadiferença com as temperaturas nas regiões equatoriais tornando-se mais amenas enas regiões polares, menos congelantes. Os oceanos e mares também têm sua pró-pria circulação e contribuem para o transporte de energia das regiões equatoriaispara as regiões polares.É por isso que existem as correntes oceânicas quentes e as correntes oceânicasfrias. Correntes oceânicas quentes são aquelas cujo sentido geral é em direção aospolos e as correntes oceânicas frias são aquelas que fluem no sentido inverso. Otransporte de energia das regiões equatoriais para as regiões polares pela atmosfera,contribui com 60% do total de energia transportada, e pelos oceanos e mares, con-tribuem com os 40% restantes.Isso faz com que o balanço de energia radioativa entre a superfície da Terrae o espaço seja diferenciado nestas regiões. Nas regiões equatoriais há um saldopositivo com maior ganho do que perdas de energia radioativa; já nas regiões po-lares este saldo é negativo com maior perda do que ganho de energia radioativa. Éesta diferenciação que proporciona o equilíbrio no balanço radioativo entre a Terracomo um todo, e o seu meio exterior.
  10. 10. 170Como já foi dito, existem muitos fatores que influenciam o movimento da at-mosfera em sua circulação geral, de tal forma que o modelo de três células torna-semuito simplificado, servindo para a obtenção de uma visão geral e suavizada docomportamento da circulação atmosférica.Na verdade, as características da superfície da Terra, incluindo a composição des-proporcional de terra e água nos dois hemisférios, a não uniformidade da superfície daTerra, seu relevo, e o aquecimento diferenciado devido aos contrastes solo/oceano, al-teram sobremaneira este modelo ideal, tornando-o bem mais complicado. Além disso,a circulação pode desenvolver vórtices que também modificam esta circulação ideal.Do ponto de vista sazonal (ao longo do ano), o Sol não “permanece circulandosobre o Equador”, mas apresenta um movimento aparente devido à inclinação doeixo de rotação da Terra em relação a sua órbita ao redor do Sol, entre 23,5odelatitude norte e 23,5ode latitude sul, durante o ano. Isto também altera o compor-tamento da circulação global da atmosfera ao longo do ano.Em vez da situação idealizada verificam-se, de fato, a existência de sistemas debaixas e altas pressões semipermanentes, classificados dessa forma porque variamem intensidade e localização ao longo do ano. Para exemplificar este fato, podemoscitar alguns sistemas que ocorrem durante o inverno do hemisfério norte:Anticiclones Polares sobre a Sibéria e o CanadáAnticiclone no Pacífico e nos Açores (partes do sistema de altas pressões subtropicaldeslocado para os polos durante o inverno do hemisfério Norte); Depressões sobreas Aleutas e Islândia.E no verão do hemisfério Norte:• O anticiclone dos Açores intensifica-se sobre todo o Atlântico Norte.• Anticiclone do Pacifico também se intensifica sobre todo o Pacífico Norte.• Anticiclones polares são substituídos por depressões.• Formam-se depressões de origem térmica sobre a parte Sul da Ásia.Zona de Convergência Intertropical (ZCIT)A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é o sistema de maior importância paraa região Nordeste do Brasil. Ela é a responsável por aproximadamente 70% da chuvaque ali precipita. Este sistema é formado pela confluência dos ventos alísios que, aose encontrarem próximos à linha do Equador, diminuem sua velocidade horizontal (ovento) e forçam à ocorrência de um movimento do ar, no sentido de baixo para cima.Devido à grande quantidade de energia solar incidente, esta é uma região comtemperatura e umidade elevadas. À medida que o ar é elevado, formam-se grandesnuvens de desenvolvimento vertical que proporcionam a ocorrência de fortes preci-pitações. Este sistema procura localizar-se sobre as regiões mais quentes, sobretudoaquelas sobre os oceanos.
  11. 11. 171Devido ao movimento aparente do Sol, migrando entre as latitudes de 23,5onorte e 23,5osul, a ZCIT migra para Norte a partir de julho e para Sul a partir dejaneiro. É após janeiro, quando a ZCIT se localiza sobre a região Nordeste do Brasilque se tem ali a quadra chuvosa. A abundância de precipitação proporcionadapela passagem da ZCIT pelas regiões tropicais e a grande quantidade de energiadisponível, favorecem a evolução de uma vegetação superior. As florestas tropi-cais encontram-se localizadas nesta faixa de latitudes.Massas de arO que caracteriza uma massa de ar são as descontinuidades horizontais existentes nas va-riáveis meteorológicas, principalmente a temperatura e a umidade. O ar apresenta comocaracterística própria, uma grande dificuldade de conduzir energia e de se misturar com oar no seu entorno, principalmente se o volume de ar considerado for muito grande.Em seu movimento de rotação, e contribuindo para a circulação geral da at-mosfera, a Terra faz com que grandes volumes de ar frio e mais denso sejam arre-messados em direção ao Equador e esses pacotes, chamados massas de ar, demo-ram vários dias seguindo naquela direção. À medida que se deslocam em direçãoao Equador terrestre, as massas de ar atravessam regiões com características meteo-rológicas diferentes e vão incorporando estas características.As massas de ar podem ser classificadas em função de suas origens. Se seu localoriginal for o mar, então ela é considerada “oceânica” e deve conter um nível deumidade bastante elevado. Se sua origem for a terra, ela é considerada “continen-tal” e deve conter um ar muito seco.Se a massa de ar tem origem nas regiões próximas aos polos, ela é denominadade massa polar e apresenta temperaturas bem baixas quando comparadas às de outrasregiões. Se ela vem de regiões próximas à linha do Equador, então essa é uma massa dear “equatorial” que é caracterizada por apresentar temperaturas bastante elevadas. Asmassas de ar são definidas pela combinação das características de umidade e tempera-tura, o que pode fornecer uma boa indicação de qual seja sua origem.Superfícies frontaisAs massas de ar, em seus deslocamentos sobre a superfície da Terra, vão atravessan-do regiões que, antes delas penetrarem, apresentavam condições de Tempo bemdiferentes daquelas que passaram a apresentar depois que a passagem da massade ar se iniciou. Essa mudança de condições de Tempo normalmente acontecede forma muito rápida sendo caracterizada por uma queda na pressão, por fortesvariações na temperatura, na velocidade e direção do vento e na umidade, e sãocausadas pelos fortes gradientes (variações bruscas) que são gerados como funçãodo contraste entre as condições meteorológicas das duas massas de ar.Na superfície, pode-se observar uma região em forma de linha que acompanhatoda a borda da massa de ar que avança e é conhecida por “frente”. As frentes po-dem ser divididas em três tipos:
  12. 12. 172• Frente fria, quando a temperatura da massa que avança é inferior à da que seencontrava no local onde ela penetrou.• Frente quente quando acontece o contrário.• Frente estacionária quando as massas não apresentam deslocamentos em relaçãoà superfície.As frentes são mais comumente encontradas nas regiões temperadas onde sãoresponsáveis pela maior parte da precipitação que ali ocorre. Durante as passa-gens das frentes frias predominam as precipitações tempestuosas, inclusive coma ocorrência de relâmpagos e trovões. Já durante a passagem das frentes quentespredominam os chuviscos. As frentes frias deslocam-se bem mais rápidas que asfrentes quentes e normalmente dirigem-se em direções opostas. As frentes polareslocalizam-se entre os ventos predominantes de oeste e os ventos polares de leste.Sistemas moduladores do climaAlém do efeito estufa, da camada de ozônio, da circulação global da atmosferaincluindo a ZCIT, da circulação oceânica global e das massas de ar com suas frentesassociadas, existem ainda outros fatores que são moduladores do Clima. Um modu-lador do clima é aquele que determina como e com qual intensidade as oscilaçõesclimáticas acontecem. Dentre eles podemos citar:Manchas solaresO Sol, composto basicamente de hidrogênio, é um astro celeste que está cons-tantemente em estado de consumação própria. Devido sua constituição física etemperatura, funciona como se fosse uma bomba atômica em ação contínua queproporciona a liberação de fenomenais quantidades de energia para o espaço. Aenergia do Sol vem da transformação de sua massa em energia, de acordo com asleis propostas por Einstein.Como função do campo magnético solar, a liberação da energia por parte doSol, não é uniforme em sua superfície. Existem regiões que apresentam atividadesmais intensas que outras. As regiões de menor atividade na superfície solar são cha-madas de “manchas solares”. Em algumas regiões de sua superfície, a atividade solaré tão intensa que bilhões de toneladas de sua massa são lançadas, quase instanta-neamente para cima, afetando o campo magnético solar, que por sua vez, afeta ocampo magnético da Terra.Em sua dinâmica o Sol apresenta períodos de maior ou menor atividade. O pe-ríodo de oscilação na atividade solar é da ordem de 10 anos, como consequência, aquantidade de energia solar que chega a Terra, varia com essa mesma periodicida-de. O clima global apresenta então uma oscilação decenal como função da variaçãona quantidade de energia disponível para o movimento da atmosfera. A intensidadenestas oscilações também apresenta variações que, neste caso, são irregulares emuito difíceis de prever.
  13. 13. 173Sistemas de brasaComo já foi visto, a maior parte da energia proveniente do Sol consegue atravessara atmosfera e é utilizada para aquecer a superfície terrestre. A atmosfera é entãoaquecida por baixo. Devido às suas características próprias, o aquecimento da su-perfície terrestre pela energia proveniente do Sol não é uniforme. Diferenças detemperatura na superfície fazem com que parcelas de ar adjacentes comportem-sediferentemente em função do seu aquecimento por parte da superfície.O ar mais aquecido fica mais leve e tende a subir. O ar menos aquecido ficamais pesado e tende a descer. Quando há na horizontal, uma diferença de tempe-ratura, o ar sobre a região como um todo tende a formar o que chamamos de célulade circulação, subindo onde estiver mais quente e descendo onde estiver mais frio.É o que acontece ao longo das costas oceânicas e da borda de grandes lagos.A capacidade térmica da água é bem maior que a da terra. Isto faz com que aterra aqueça mais que a água, para uma mesma quantidade de energia. Assim asamplitudes térmicas sobre os continentes são consideravelmente maiores do queaquelas sobre os oceanos. Durante o dia, a temperatura da superfície da terra seeleva mais rapidamente que a temperatura da superfície do mar. Com a temperatu-ra mais alta sobre a terra, o ar que estiver sobre ela, também fica mais aquecido doque aquele que está sobre o mar e é forçado a subir.O ar que está sobre o mar é forçado então a seguir em direção ao continente paraocupar o lugar que estava sendo ocupado pelo ar que foi elevado. Acima, sobre o con-tinente, o ar é forçado a desviar-se para a região sobre o mar, já que o ar que estava aliafundou e seguiu em direção ao continente. Como nestas condições a direção predo-minante do vento à superfície é em direção ao continente. Isso acontece com maiorintensidade no final da tarde quando se pode observar o máximo da brisa marítima.À noite, e particularmente já próximo do raiar do Sol, o processo se inverte. Aterra esfria mais rapidamente do que o mar, e o ar sobre ela ficando mais pesado,tende a afundar e fluir em direção ao mar. O ar que está sobre o mar, cuja tempe-ratura agora é mais elevada que a do ar que se encontra sobre a terra, é forçado asubir e, chegando a níveis mais altos, desviar-se em direção ao continente.Nestas condições o vento sopra da terra para o mar e é conhecido por brisa ter-restre ou terral. Este mesmo efeito aparece, porém em menores dimensões, nas bordasdos grandes lagos. Se o lago é artificial, então uma modificação do microclima teriaacontecido porque antes ele não existia e não existiam as brisas relacionadas ao lago.Temperatura da Superfície do Mar (TSM)O Sol aquece mais as águas que se encontram na região tropical que em outras regi-ões da superfície terrestre. A água do mar é um meio fluido e, devido à conformaçãoda Terra com sua distribuição irregular de água e terra, e suas relações com o am-biente celeste, as águas oceânicas estão sempre em movimento. Os deslocamentosconstantes das águas do mar por longas distâncias definem as correntes oceânicas.
  14. 14. 174Dependendo de sua origem, uma corrente oceânica pode ser considerada quenteou fria. Águas mais quentes propiciam ao movimento vertical do ar, de baixo para cima.Sobre as águas mais frias, o movimento predominante do ar é de cima para baixo.Movimentos verticais do ar, de baixo para cima, favorecem a formação de nu-vens e precipitação. Os movimentos verticais do ar, de cima para baixo, são ini-bidores da formação de nuvens. Sendo assim, há uma tendência da atmosfera àformação de sistemas convectivos sobre as regiões oceânicas que apresentem águasmais quentes que outras no seu entorno.Dipolo do AtlânticoEm uma visão mais ampla, pode-se observar que a temperatura média da superfí-cie do mar sobre o Oceano Atlântico Norte é um pouco maior que a temperaturamédia da superfície do mar sobre o Oceano Atlântico Sul. Este fato explica porqueo posicionamento médio da Zona de Convergência Intertropical é de 5º de latitudenorte, e que, na maior parte do ano as oscilações desse posicionamento acontecemmais sobre o Hemisfério Norte que no Hemisfério Sul.A temperatura da superfície do mar também tem suas oscilações. Estas oscila-ções são função das oscilações na quantidade de energia proveniente do Sol, nascorrentes oceânicas, no próprio comportamento da atmosfera em longos períodos,e em vários outros fatores que nem são ainda bem conhecidos.Devido a essas oscilações, existem anos em que a temperatura da superfíciedo mar sobre o Atlântico Norte é maior que sua própria média, caracterizando umdesvio positivo, enquanto a temperatura da superfície do mar sobre o Atlântico Sulé inferior à sua própria média, caracterizando um desvio negativo.Nestas condições, em média, o ar tende a subir sobre as regiões do OceanoAtlântico Norte e descer sobre as regiões do Oceano Atlântico Sul. Isto pode serobservado com o posicionamento da ZCIT sobre o Oceano Atlântico Norte. A situ-ação contrária também pode acontecer e são essas as oportunidades em que temosgrandes precipitações sobre a região Nordeste do Brasil.Esse movimento meridional do posicionamento da ZCIT é decorrente da variação datemperatura da superfície do mar que, por se tratar de uma divisão entre norte e sul, foiidentificado como um dipolo e denominado de “Dipolo do Atlântico”. Quando o Dipolodo Atlântico encontra-se positivo (desvio da temperatura no Atlântico Norte menos o des-vio da temperatura no Atlântico Sul, maior que zero), há uma tendência a menos chuvasobre a região norte do Nordeste do Brasil. Quando o Dipolo encontra-se invertido, essatendência é de uma maior quantidade de chuva na região norte do Nordeste brasileiro.Oscilação SulA temperatura das águas dos mares diminui com a profundidade. Isto acontecebasicamente por duas razões. A primeira é que apenas as camadas superiores sãoaquecidas diretamente pelo Sol, já que a energia solar não consegue penetrar em
  15. 15. 175profundidade nos oceanos. Não menos importante, porque águas mais quentesencontram-se mais dilatadas e sendo mais leves, procuram as camadas superiores.Por outro lado, nas regiões equatoriais predominam os ventos alísios. Como jáfoi visto os ventos alísios sopram de leste para oeste. Em contato com a água do mar,os ventos alísios acabam arrastando as águas superficiais (mais quentes) do lado lestepara o lado oeste da bacia oceânica gerando uma polarização em sua temperatura.Quando as águas superficiais, mais quentes, são afastadas da costa de um con-tinente, as águas inferiores, mais frias afloram, em um fenômeno chamado de res-surgência, e a temperatura superficial das águas mostram-se inferiores.O fenômeno de ressurgência, amplia a polarização do campo de temperaturada bacia do oceano na região equatorial. Este efeito é particularmente importantena bacia do Oceano Pacífico porque, em função de sua intensidade, afeta o climaem várias regiões globais, inclusive na região Nordeste do Brasil.A diferença de temperatura da superfície do mar entre os lados leste e oeste da baciado Oceano Pacífico aumenta e diminui dependendo da intensidade dos ventos alísios.Estes, por sua vez, reagem a essa diferença de temperatura, aumentando juntamente comela. Oscilações ao longo do ano podem ser observadas na intensidade dessa diferença detemperatura, como função do movimento aparente do Sol entre os dois hemisférios e suaconjugação com os outros fatores das dinâmicas do oceano e da atmosfera.A intensidade da polarização do campo de temperatura da superfície do marda bacia do Oceano Pacífico também varia de um ano para outro. Esta variação édecorrente da conjugação de uma série de fatores, incluindo a quantidade de ener-gia proveniente do Sol, oscilações nas correntes oceânicas e na circulação geral daprópria atmosfera. Esta variação é conhecida por “Oscilação Sul”.Quando a diferença de temperatura diminui, como consequência do enfra-quecimento dos ventos alísios, a temperatura das águas próximas à costa do Peruapresenta-se mais quente que o normal. Este fato, devido à proximidade da épocanatalina, foi batizado pelos pescadores de “El Niño”, numa alusão ao menino Jesus.Nos anos em que os ventos alísios se apresentam mais fortes, o efeito da res-surgência é maior e a pesca é abundante na costa do Peru. Os episódios de maiorressurgência foram batizados de “La Niña”, para completar o ciclo.A ocorrência dos fenômenos El Niño e La Niña são de grande importância para oclima em várias regiões do globo, inclusive para a região Nordeste do Brasil. Em anosde La Niña, com as temperaturas mais altas na porção oeste da bacia, e mais baixasna porção leste, existe uma tendência média para a ocorrência de uma circulação emseu sentido leste-oeste, com o ar predominantemente subindo sobre a Indonésia quefica do lado oeste, e descendo sobre a costa do Peru, no lado oposto.O ramo descendente desta circulação sobre a região da costa do Peru gera ou-tra circulação sobre a Amazônia com um ramo ascendente sobre a região Nordestedo Brasil. Nestes anos a precipitação sobre a região da Indonésia é frequentementetorrencial e a qualidade da quadra chuvosa no Nordeste do Brasil é consideradamelhor, pelo incremento nas precipitações.
  16. 16. 176A situação contrária acontece nos anos de El Niño, quando a diferença de tem-peratura entre os lados leste e oeste da bacia do Oceano Pacífico diminui. Os anosde El Niño são caracterizados por propiciar invernos com pouca chuva para a regiãoNordeste e muita chuva para a região Sul do Brasil.O clima mundialO clima na Terra é caracterizado por uma estratificação, no sentido norte-sul, dasvariáveis climatológicas. Em geral, partindo-se da região equatorial em direção aospolos, observa-se uma faixa relativamente larga com temperaturas e umidades altas,onde está localizada a ZCIT. Os ventos nessa região são relativamente fracos e as pre-cipitações são elevadas. Em seguida, verifica-se a ocorrência dos ventos alísios que sãorelativamente fortes e sopram no sentido de sudeste para noroeste no Hemisfério Sul.As temperaturas e umidades ainda são altas nessa região. Na altura da latitudede 30º o vento enfraquece e é onde são encontradas as latitudes de cavalos. Astemperaturas nessa região são amenas, a umidade é relativamente baixa e a precipi-tação é escassa. Continuando a jornada, surge uma faixa de ventos que tem direçãooposta àquela apresentada pelos ventos alísios, e que existe como consequência doramo inferior da Célula de Ferrel.As temperaturas nessa camada são amenas e a umidade é crescente. Próximo àlatitude de 60º, acontece o encontro da Célula de Ferrel com a borda da região dasaltas polares. Nesta faixa o vento volta a enfraquecer e a umidade sendo elevada,é motivo da ocorrência de uma quantidade razoável de precipitação. Dentro daalta polar, as temperaturas e a umidade são bem baixas e as precipitações, quandoocorrem, são basicamente de neve.As características do clima apresentadas representam o comportamento de umaatmosfera média. Na realidade, estas características são alteradas pela conformaçãoda distribuição de terra e água na superfície do planeta e pelas correntes oceânicas.A presença dos oceanos afeta o clima pela adição de umidade ao ar e pela troca deenergia entre sua superfície e as camadas mais baixas da atmosfera.Quando a água da superfície do mar está mais quente que o ar, o fluxo decalor é da água para o ar; quando o ar está mais quente que a água, o contrárioacontece. Grande parte da energia transferida do mar para a atmosfera é na formade calor latente. É que a água para poder evaporar consome energia diretamente dasuperfície de onde está sendo liberada. Ao condensar no ar, formando as nuvens, aenergia acumulada no vapor d´água é liberada.A continentalidade faz com que o ar se torne mais seco porque a umidade éretirada quando acontecem as precipitações. Além disso, as taxas de evaporaçãosobre os continentes são inferiores àquelas sobre o mar. Quanto maior a superfíciedo mar ou do continente, mais esses efeitos se acentuam.Os climas no mundo são bastante diversificados e decorrentes dos movimentosdas variadas massas de ar, da localização geográfica e da latitude, entre outros. Paraclassificar um clima, devemos considerar a temperatura, a umidade, as massas de
  17. 17. 177ar, a pressão atmosférica, correntes marítimas e ventos, entre muitas outras caracte-rísticas que são predominantes no local a ser considerado.Pode-se classificar o clima global em uma divisão com vários tipos diferentes,sendo os principais:Equatorial: é quente e úmido, apresentando temperaturas médias acima de 25oCe índices pluviométricos anuais acima de 2.000 mm.Tropical: apresenta temperaturas variando entre 20oC no inverno e 25oC no verão,com duas estações bem definidas, uma seca e outra chuvosa.Subtropical: possui temperaturas médias entre 15oC e 20oC no verão, e no inverno asmédias variam entre 0oC e 10oC, as chuvas nesse tipo de clima são bem distribuídas.Oceânico: em geral o oceano funciona como moderador do clima; assim, sobre osoceanos e mares, os invernos são menos rigorosos.Continental: por praticamente não receber influência dos oceanos, possui um in-verno mais rigoroso.Mediterrâneo: possui invernos chuvosos e verões quentes, com quatro estaçõesbem definidas.Desértico: as temperaturas médias anuais variam entre 20oC e 30oC, os índices deprecipitação não ultrapassam 250 mm ao ano.Semiárido: é caracterizado pelas altas temperaturas que podem chegar a 32oC, osíndices pluviométricos registram precipitações inferiores a 600 mm anuais e chuvasirregulares.Frio (subpolar): dependendo da região, apresenta índices pluviométricos anuaisvariando entre 200 mm e 1.000 mm, características de um inverno negativo e verãocom temperaturas por volta de 10oC.Frio de montanha: a temperatura determinada pela altitude, quanto mais alto maisfrio, mesmo em regiões tropicais.Polar: caracteriza-se por longos invernos e verões secos e curtos, as temperaturasanuais são sempre abaixo de zero, e a presença de neve e gelo são marcantes.O clima no BrasilO Brasil é um país de dimensões continentais e ocupa uma extensa faixa latitudinal.Sua extensão territorial vai desde os 5ode latitude Norte até 34ode latitude Sul, sendocortado em sua porção norte pela linha do Equador e ao sul pelo Trópico de Capricór-nio. Por outro lado, sua extensão longitudinal vai desde os 35ooeste até os 75ooeste.É banhado no leste, desde o Oiapoque na fronteira com a Guiana Francesa, aoChuí, no extremo sul – fronteira com o Uruguai, pelo Oceano Atlântico. Do ladooeste, faz fronteira com quase todos os países da America do Sul, sendo que parao clima, o importante é a presença da Cordilheira dos Andes que corta de Norte aSul a maioria desses países.Suas dimensões extremas, a diversidade de formas de relevo, a altitude e di-nâmica das correntes e massas de ar, possibilitam a ocorrência de uma grande di-versidade de climas. Em sua maior parte, o Brasil está localizado na zona de baixaslatitudes, chamada de zona intertropical, nas quais prevalecem os climas quentes eúmidos, com temperaturas médias em torno de 20oC.
  18. 18. 178A amplitude térmica de um clima é tanto menor quanto maior for a proximida-de de onde se esteja em relação à linha do Equador. A localização do Brasil faz comque a amplitude térmica do seu clima, ou seja, diferenças entre as temperaturasmínimas e máximas no decorrer do ano seja baixa.A classificação mais utilizada para os diferentes tipos de clima do Brasil asseme-lha-se a criada pelo estudioso Arthur Strahler, que se baseia na origem, natureza emovimentação das correntes e massas de ar. De acordo com essa classificação, ostipos de clima do Brasil são os seguintes:Clima Equatorial Úmido: encontra-se na região da Amazônia. As temperaturassão elevadas durante quase todo o ano. Chuvas em grande quantidade, com índicepluviométrico acima de 2500 mm anuais.Clima Tropical: temperaturas elevadas (média anual por volta de 20° C), presençade umidade e índice de chuvas de médio a elevado.Clima Tropical de altitude: umcomplemento do clima Tropicalocorre, principalmente, nas regi-ões serranas do Espírito Santo, Riode Janeiro e Serra da Mantiqueira.As temperaturas médias variam de15oC a 21oC. As chuvas de ve-rão são intensas e no inverno sofrea influência das massas de ar friasvindas pelo Oceano Atlântico. Podeapresentar geadas no inverno.Clima Tropical Semiárido: presen-te, principalmente, no sertão nor-destino, caracteriza-se pela baixaumidade e pouquíssima quantida-de de chuvas. As temperaturas sãoaltas durante quase todo o ano.Clima Litorâneo Úmido: presente,principalmente, nas regiões litorâne-as do Sudeste, apresenta grande in-fluência da umidade vinda do Oce-ano Atlântico. As temperaturas sãoelevadas no verão (podendo atingiraté 40° C) e amenas no inverno (mé-dia de 20oC). Em função da umidade trazida pelo oceano, costuma chover muitonestas áreas.Clima Subtropical Úmido: presente na região sul dos estados de São Paulo e MatoGrosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por verõesAdaptado do Atlas Geográfico Escolar / M. E. Simielli (Simielli, 2007)
  19. 19. 179quentes e úmidos e invernos frios e secos. Chove muito nos meses de novembro amarço. O índice pluviométrico anual é de, aproximadamente, 2.000 mm. As tem-peraturas médias ficam em torno de 20oC. Recebe influência, principalmente noinverno, das massas de ar frias vindas da Antártida.Em especial, as massas de ar que interferem mais diretamente no Brasil, segundo oAnuário Estatístico do Brasil, do IBGE, são a Equatorial, tanto Continental como Atlânti-ca; a Tropical, também Continental e Atlântica; e a Polar Atlântica, proporcionando asdiferenciações climáticas.Nessa direção, são verificados no país desde climas superúmidos quentes, prove-nientes das massas equatoriais, como é o caso de grande parte da região amazônica,até climas semiáridos muito fortes, próprios do sertão nordestino. O clima de uma dadaregião é condicionado por diversos fatores, dentre eles temperatura, chuvas, umidadedo ar, ventos e pressão atmosférica, os quais, por sua vez, são condicionados por fatorescomo altitude, latitude, condições de relevo, vegetação e continentalidade.O Clima na Região Nordeste do BrasilA caracterização climática da região Nordeste é um pouco complexa, já que sofrea influência de vários sistemas climatológicos. Em termos de larga escala, a regiãoNordeste do Brasil sofre a influência de dois sistemas importantes: o Dipolo doAtlântico, juntamente com a ZCIT e o Sistema de Oscilação Sul, com os fenômenosEl Niño e La Niña.Como visto anteriormente, o movimento aparente do Sol faz com que as águassuperficiais do Oceano Atlântico Sul apresentem, nos primeiros meses do ano, tempe-raturas maiores que aquelas que se encontra nas águas superficiais do Oceano AtlânticoNorte. Isto faz com que a Zona de Convergência Intertropical se desloque para a nossaregião, causando a ocorrência da chamada “quadra chuvosa” da porção norte da regiãoNordeste do Brasil. Em sua posição mais ao sul, a ZCIT provoca chuvas do verão aooutono atingindo até o estado de Pernambuco, nas imediações do Raso da Catarina.Como há uma variabilidade interanual grande no campo de temperatura do Di-polo do Atlântico, a variabilidade no posicionamento da ZCIT também é alta e aqualidade da quadra chuvosa da região norte do Nordeste do Brasil torna-se muito in-constante. Os fenômenos El Niño e La Niña, como explicado anteriormente, tambémafetam significantemente a qualidade do período chuvoso no Nordeste do Brasil.Ao deslocarem-se em direção ao Equador, as massas de ar frias que atravessamos estados do Sul do país induzem à formação de ondas atmosféricas que chegandoà região Nordeste do Brasil, proporcionam a ocorrência de chuvas, principalmenteem sua porção mais ao sul.Durante o período primavera/verão, estes sistemas trazem chuvas frontais epós-frontais pelas áreas litorâneas até o sul da Bahia. Durante o inverno, estes sis-temas tornam-se mais intensos e atingem até o litoral de Pernambuco, enquanto osertão permanece sob ação da alta tropical.
  20. 20. 180As ondas de leste por sua vez, são mais frequentes no inverno e normalmen-te provocam chuvas abundantes no litoral, raramente alcançando as escarpas doPlanalto da Borborema (800 m) e da Chapada Diamantina (1.200 m). Finalmente,o sistema de correntes de oeste, trazidas pelas linhas de Instabilidade Tropical (IT),ocorrem desde o final da primavera até o início do outono, raramente alcançandoos estados do Piauí e Maranhão.Em relação ao regime térmico, suas temperaturas são elevadas, com médiasanuais entre 20oC e 28oC, tendo sido observado máximas em torno de 40oC nosul do Maranhão e Piauí. Os meses de inverno, principalmente junho e julho, apre-sentam mínimas entre 12oC e 16oC no litoral, e inferiores nos planaltos, tendo sidoverificado 1oC na Chapada da Diamantina após a passagem de uma frente polar.A pluviosidade na região é complexa e fonte de preocupação, sendo que seustotais anuais variam de 2.000 mm até valores inferiores a 400 mm no Raso da Cata-rina, entre Bahia e Pernambuco, e na depressão de Patos na Paraíba.De forma geral, a precipitação média anual na região Nordeste é inferior a1.000 mm, sendo que em Cabaceiras, interior da Paraíba, foi registrado o menor ín-dice pluviométrico anual já observado no Brasil, 278 mm/ano. Além disso, no sertãodessa região, o período chuvoso é normalmente de apenas dois meses no ano, po-dendo em alguns anos até não existir, ocasionando as denominadas secas regionais.Alterações significativas no clima terrestreO clima na Terra é o resultado de um equilíbrio que se estabelece desde a sua origem,no balanço radioativo entre o nosso planeta e o espaço - cuja principal fonte de ener-gia é o Sol; na composição físico-química da atmosfera e dos oceanos; no transportede energia por parte da atmosfera e dos mares e oceanos da região equatorial ter-restre em direção aos polos, e nas consequentes circulações atmosférica e oceânica.Oscilações naturais do clima acontecem como função de oscilações naturais nosparâmetros citados e não são motivo para preocupações. A presença da raça huma-na na Terra oferece um grande potencial para que mudanças não naturais no climaterrestre aconteçam. Essas possíveis mudanças aconteceriam devido a alterações an-trópicas significativas na composição físico-química do ar e das águas como um todo.Algumas oscilações climáticas significativas e suas consequências têm sido ob-servadas em várias regiões terrestres e atribuídas à alterações antrópicas do ar e daságuas. De uma maneira geral, têm-se observado que os sistemas meteorológicosque apresentam maior potencial a danos têm acontecido com maior frequência eintensidade, como os exemplos citados a seguir.• Invernos mais intensos.• Períodos de estiagem mais prolongados.• Tempestades mais intensas com alagamentos e destruição devido às correntezascausadas pelo escoamento da água da inundação.
  21. 21. 181• Deslizamento de terra nas encostas.• Ocorrência de nevascas onde nunca antes havia sido registrado.• Degelo antecipado nas calotas polares.• Ocorrência de tornados e furacões onde ainda não havia registro.• Furacões e tornados com intensidades maiores que a média daqueles aos quais jáse estava acostumado.O aumento no nível médio do mar também tem sido observadoMuitas outras alterações climáticas que estão a cada instante sendo noticiadasna mídia e que vão surgindo de maneira relativamente lenta e gradualmente seestabelecem, com tendências constantes à intensificação.No Brasil tem-se registrado casos de furacões e de tornados ocorrendo na re-gião Sul e de tempestades severas correndo principalmente nas regiões Sudeste eNordeste do país, todos com grandes prejuízos econômicos e sócioambientais. Afrequência de ocorrência de condições extremas de baixa umidade tem aumentadona região do Planalto Central do Brasil. As massas de ar provenientes da Argentinaapresentam maior intensidade, frequentemente provocando friagens intensas nasregiões próximas aos Andes e na Floresta Amazônica.As alterações climáticas ocorridas devido à influência do homem são motivode grandes preocupações porque tendem só a aumentar com potencial de efeitosmuito desastrosos. Por esta razão o clima precisa ser adequadamente monitoradoe estudado. Espera-se com isso que indícios de como resolver este grande dilema,ou até mesmo soluções, possam ser encontrados evitando-se a degradação e con-sequente falência de nosso meio ambiente.Equipamentos meteorológicosEquipamentos convencionais: são ditos convencionais aqueles equipamentosque não apresentam sistemas eletrônicos em sua estrutura e são usados, sobre-tudo, nas medidas dos parâmetros meteorológicos observados à superfície. Estetipo de equipamento, apesar de estar tornando-se obsoleto, ainda é amplamenteutilizado. A continuidade em sua utilização é devida basicamente a sua robusteze às longas séries de dados que têm gerado. Entende-se que a substituição de umequipamento com elemento sensível diferente daquele que estava operando, gerauma série de dados distinta da que já existia. Os equipamentos convencionais sãoconfiáveis, normalmente muito duráveis e de fácil manutenção e operação. Apesardestas vantagens, este tipo de equipamento necessita da presença constante de umobservador que faz as leituras e registra manualmente os valores lidos. A tarefa doobservador, além de ser trabalhosa, é normalmente fonte de erros que são causadospela imprecisão nos registros e até por negligência.Equipamentos eletrônicos: normalmente mais sensíveis e mais frágeis que os con-vencionais, são usados nas estações automáticas que podem armazenar e/ou transmi-
  22. 22. 182tir os dados coletados para uma central. Apresentam a grande vantagem de poderemfornecer ao meteorologista, mesmo a grandes distâncias e de maneira automática, oconhecimento da condição do tempo no exato momento em que esta esteja aconte-cendo. As estações meteorológicas automáticas são compostas basicamente por umconjunto de sensores, um microcomputador, uma unidade de memória e um siste-ma para a transmissão dos dados. Os sensores captam as condições instantâneas daatmosfera, o microcomputador gerencia a coleta e o armazenamento dos dados naunidade de memória, e o sistema de transmissão envia os dados a uma central.O fornecimento de energia para este tipo de estação é normalmente feito porbaterias que podem ser recarregadas através de painéis solares e tornam estas es-tações autônomas. Uma estação meteorológica autônoma pode ser instalada emlugares muito remotos e lá permanecerem transmitindo seus dados por longos pe-ríodos de tempo. A transmissão dos dados de uma estação automática para umacentral pode ocorrer através de equipamentos de rádio, de telefone, inclusive atelefonia celular, e via satélite. A transmissão via satélite é em geral menos dispen-diosa, mas não permite o acompanhamento em tempo real porque depende dohorário da passagem do satélite.Estações meteorológicas: como o próprio nome já diz, estações meteorológicasconvencionais são aquelas que utilizam equipamentos convencionais e as automá-ticas são aquelas que automaticamente coletam, armazenam e, em alguns casos,transmitem os dados referentes às condições atmosféricas do local onde se encon-tram instaladas, para uma central. Dependendo dos sensores instalados, uma esta-ção pode ser classificada quanto ao tipo. As estações pluviométricas, muito comuns,possuem apenas o pluviômetro como sensor. Dependendo da utilização teremosoutros tipos de estação. Estações agrometeorológicas têm o propósito de fornecersubsídios à agricultura, possuindo sensores que medem também as condições desolo, como umidade e temperatura.Estações hidrológicas, além de possibilitar a medida da precipitação, tambémmedem os níveis de rios e/ou de açudes. As estações aeronáuticas servem para aten-der às necessidades da aviação e estão focadas principalmente nos sistemas mete-orológicos que afetam a qualidade do voo. Radares e sistemas de radiossondagemsão comuns nesse tipo de estação meteorológica. As estações sinóticas, estandoinseridas em uma rede de estações, têm a finalidade principal de fornecer subsídiospara a previsão de Tempo.As estações de ar superior são aquelas que possuem os sondadores atmosféricos.Tipos de estações meteorológicas especiais também existem como função de sua fina-lidade. Todas estas estações, à medida que ampliam suas séries de dados, tornam-seestações climatológicas, já que tornam possível a caracterização do clima através dautilização dos dados coletados.Radares: são equipamentos que funcionam baseados no princípio do eco. O radaremite pulsos eletromagnéticos que, ao viajarem pelo espaço, podem encontrar obs-
  23. 23. 183táculos e sofrerem reflexões. Parte das reflexões volta na forma de eco em direção aoradar e é detectada por este. Conhecendo-se a velocidade de deslocamento dos pulsoseletromagnéticos no ar, o tempo gasto para o retorno do eco vai determinar a quedistância o alvo se encontra da antena emissor-receptora. No caso da atmosfera, a in-tensidade do sinal que voltar vai determinar a intensidade do fenômeno meteorológico.Os radares meteorológicos operam com energia eletromagnética em compri-mentos de onda dos quais dependem sua finalidade. Este comprimento de onda éproporcional ao tamanho das gotas que se quer detectar. Para as gotículas menoresque compõem as nuvens usa-se radiação em comprimentos de onda menores. Paragotas maiores, como as gotas de chuva, comprimentos de onda um pouco maioressão usados. Os radares têm se tornado ferramentas fortes pela capacidade de detec-tar, além da localização e intensidade, a velocidade de deslocamento dos fenôme-nos meteorológicos. Esta detecção acontece através do chamado “efeito Doppler”.Quando um pulso eletromagnético é atirado em direção a um objeto que seencontra em movimento, o comprimento da onda refletida é modificado. Torna-semenor quando o objeto se desloca em direção à antena que emitiu o pulso, e maiorquando o sentido do deslocamento é o inverso. A diferença nos comprimentos deonda do pulso emitido e do pulso recebido na forma de eco determina a veloci-dade de deslocamento do sistema. É importante observar que este fato só podeser considerado para o movimento para perto ou para longe da antena. Para umamelhor precisão nos valores obtidos, seria necessária a utilização de dois radarestrabalhando conjuntamente.Equipamentos para a coleta de dados no ar superior: as estações automáticas econvencionais coletam dados das condições da atmosfera no nível da superfície.Entretanto, o conhecimento do comportamento da atmosfera nas camadas maisacima é igualmente importante para o meteorologista. Vários equipamentos podemser usados no sentido de contribuir para o conhecimento do comportamento daatmosfera em suas camadas superiores. Um desses equipamentos é a radiossonda.Os sistemas de radiossonda são bastante utilizados e compostos basicamentepor duas partes: uma miniestação meteorológica que, sendo liberada presa a umbalão, transmite os dados coletados enquanto ascende na atmosfera. As radiosson-das fornecem então os perfis, com a altura, das variáveis meteorológicas.Enquanto qualquer variável meteorológica pode ser observada em uma estaçãode superfície, as estações de radiossondagens operam com poucas destas variáveis.Em uma radiossondagem são coletados os dados de pressão, temperatura, umida-de, direção e velocidade do vento. Os valores da direção e da velocidade do ventoem uma radiossondagem com balão são obtidos medindo-se a diferença na locali-zação do balão em diferentes instantes de seu movimento errático.O período total de uma radiossondagem é de aproximadamente uma hora e écomputado desde o momento em que o balão com a sonda é liberado, até o mo-mento que, por atingir camadas com pressões muito baixas, o balão estoura.
  24. 24. 184As radiossondagens podem ser feitas mais rapidamente com o auxílio de fo-guetes. O tempo de duração de uma sondagem com foguete é da ordem de algunspoucos minutos. O mesmo tipo de sensor é usado nestas radiossondagens, mas osvalores do vento não podem ser obtidos porque os foguetes não respondem fide-dignamente às variações no campo do vento.Sensores acústicos: os sensores acústicos funcionam com o mesmo princípio dossistemas de radar. Entretanto neste caso, assim como no caso dos morcegos, utili-zam ondas sonoras. Este tipo de sensor é conhecido pelo nome de SODAR (Son-dador Acústico da Atmosfera). No caso do SODAR, um pulso sonoro é emitido nosentido vertical, e interage com as partículas da atmosfera, seu eco é analisado. Sãoregistrados a duração, a intensidade e o tempo que o eco demora em atingir o sen-sor. Assim, é possível determinar a que altura e com que intensidade o fenômenometeorológico está acontecendo.Lidares: também possuem o mesmo princípio dos radares, mas nesse caso, emitempulsos de energia eletromagnética com comprimentos de onda muito pequenos,que é o caso dos raios lasers, ao invés de pulsos sonoros. Similarmente são regis-trados a duração, a intensidade e o tempo que a parte do laser refletida de voltademora em atingir o sensor,.Aviões: podem ser usados para coletar dados relativos às condições do ar nos váriosníveis da atmosfera. Sensores são montados na parte de fora dos aviões meteoroló-gicos e as informações coletadas podem ser processadas nos sistemas computacio-nais levados a bordo. Os dados são armazenados para posterior análise.Satélites: os satélites artificiais deslocam-se sobre a superfície terrestre a alturasonde o ar é extremamente rarefeito. A essas alturas, a quantidade de moléculasexistente é tão pequena que sua presença é desconsiderada e o vácuo (ausênciade matéria) é assumido. Este tipo de ambiente permite que praticamente não hajaatrito e/ou arrasto e o satélite pode continuar livremente seu movimento orbital.O que mantêm um satélite orbitando é o equilíbrio entre as forças de gravidade ecentrífuga, que atuam sobre ele.A força de gravidade atrai o satélite para a superfície da Terra e a força centrífuga oimpulsiona em direção ao espaço. De acordo com a primeira lei de Newton, matéria atraimatéria na razão direta de suas massas e na razão inversa da distância que as separa. Issoquer dizer que a força de gravidade na Terra diminui à medida que a altura aumenta.Por outro lado, em um movimento circular, a força centrífuga será tanto maiorquanto maior for a velocidade tangencial de deslocamento do corpo em movimen-to. Assim, a velocidade de deslocamento de um satélite em relação à superfície daTerra será menor quanto maior for a altura de sua órbita. Desta forma, é possívelestabelecer a velocidade da órbita de um satélite como função de sua altura.Os satélites mais baixos apresentam velocidades maiores e circulam a Terramais vezes que os satélites mais altos. Os satélites considerados de órbita baixapossuem uma altura de operação da ordem de 600 km e dão aproximadamentequatro voltas na Terra no período de um dia. À medida que se aumenta a altura de
  25. 25. 185um satélite e sua velocidade diminui, pode-se chegar a uma altura onde ele gastaráexatamente um dia para dar uma volta ao redor da Terra. A esta altura, se o satéliteestiver orbitando na direção da linha do Equador e no mesmo sentido de rotaçãoda Terra, sua velocidade será tal que permanecerá geoestacionário, ou seja, paradoem relação à superfície da terra.Por estarem imersos no vácuo, os sensores de um satélite funcionam à base deradiação. Seus equipamentos são elaborados de tal forma que podem detectar aradiação em faixas de comprimento de onda que possibilitam a observação de vá-rias características superficiais e da atmosfera da Terra. Sabe-se que a matéria reagediferentemente à radiação incidente sobre ela, como função de sua composição.Assim, se se pretende detectar certo tipo de matéria, um sensor que seja capazde registrar a radiação no comprimento de onda que interage ou é emitido poraquela matéria, é desenvolvido. Desta forma é possível uma observação ampla doque existe ou ocorre no sistema Terra-Atmosfera e a detecção de diferentes tiposde substâncias como água, minerais e diferentes tipos de vegetação na superfícieda Terra, assim como de componentes específicos ou fenômenos meteorológicosacontecendo na atmosfera.Os sensores dos satélites podem ser divididos em ativos e passivos. Os sensoresativos emitem pulsos radioativos e registram o reflexo do sinal emitido. Os sensorespassivos apenas registram a energia radioativa que os atinge. Os sensores a bordodos satélites meteorológicos são em sua grande maioria passivos. Em termos deondas curtas, são usados para observar a Terra na faixa do visível. Em termos deondas longas, trabalham com várias faixas de comprimentos de onda que interagemcom o vapor e gotas de água. A combinação de alguns desses sensores possibilitaa obtenção de perfis atmosféricos que podem ser calibrados através dos dados dassondagens com balões ou foguetes. Os sensores ativos, quando estão disponíveis,funcionam à base dos raios lasers.Sistemas de monitoramento do climaGenericamente, um sistema para o monitoramento do clima deve ser compostopelas redes de coleta de dados, por um banco de dados e por uma central deprocessamento. Por rede de coleta de dados entende-se o conjunto das estaçõesmeteorológicas localizadas no campo, todos os equipamentos de sondagem do arsuperior, os satélites, e a transmissão dos dados até a estação central. O banco dedados é a central para onde convergem e onde ficam armazenados todos os dadoscoletados no campo.Em um passado não muito distante, os dados coletados no campo encontra-vam-se na forma de gráficos e valores impressos em papel. Com o tempo, caso nãohouvesse armazenamento adequado, boa parte desse material era perdido devi-do à depreciação do meio que os continham. O processamento dos dados nessascondições era muito dispendioso, tanto em termos de tempo quanto em termosfinanceiros, e estava sujeito a erros, já que sofria a interferência direta dos técnicos.
  26. 26. 186Atualmente os sistemas são automatizados e normalmente os dados fluem di-retamente das estações localizadas no campo para os computadores centrais. Antesde ocuparem definitivamente seus espaços nos bancos de dados, as informaçõesgeradas no campo precisam ser analisadas para possibilitar a eliminação dos errosque eventualmente venham a conter.A central de processamento, também conhecida por central de análise e previ-são das condições de tempo e de clima, é o ambiente onde trabalham os técnicosde informática e de meteorologia que processam os dados para a obtenção dosprodutos meteorológicos. A automação dos sistemas de coleta de dados meteoroló-gicos possibilita que estes estejam disponíveis diretamente nos computadores que,com o auxílio dos programas adequados, permitem o diagnóstico e o prognósticodas condições de Tempo e do Clima.A meteorologia e a climatologia no mundoA meteorologia e o clima não têm fronteiras. Um sistema meteorológico ou umaregião climática podem estar atuando em dois ou mais países ao mesmo tempo. Aatmosfera é um meio fluido cujos componentes se deslocam para onde a física daatmosfera os conduz, sem respeitar fronteiras. Mesmo os fenômenos atmosféricosmais localizados dependem do comportamento da atmosfera em suas vizinhanças.Para que seja possível o trato da meteorologia e do clima sob estas condições,é necessário que existam acordos entre os países que possibilitem a troca de infor-mações. A linguagem da meteorologia deve ser comum para que a comunicação seproceda de maneira adequada. À medida que as trocas de informações se tornammais volumosas e complexas, faz-se necessária a elaboração de regras que evitem aocorrência de desentendimentos entre os interessados.Com o objetivo de suprir estas necessidades, a Organização das Nações Unidas(ONU), criou a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O estudo da climato-logia obedece a critérios recomendados pela OMM que, a partir de dezembro de1951, é reconhecida como um órgão das Nações Unidas. As atividades científicase técnicas da OMM são classificadas em Observação do Tempo Mundial (OTM),Programas de Pesquisa da OMM, Programa da OMM a respeito da interação dohomem em seu meio ambiente e Programas de Cooperação Técnica da OMM(SILVA, 2006).Atualmente a OMM congrega mais de 130 países e, mediante regras especí-ficas, os dados atmosféricos coletados nas redes oficiais de cada um deles são dis-ponibilizados em uma única rede internacional, para que todos os países membrospossam utilizar. Entre as regras estipuladas pela OMM, existe uma que determinaque a coleta dos dados aconteça ao mesmo tempo, em horários específicos que sãochamados de horários sinóticos.No Brasil, os horários sinóticos ocorrem de três em três horas, a partir da zerohora do dia. À medida que o tempo passa, a rede internacional de dados de Tempoe Clima vai se modernizando e se completando para que, num futuro próximo, pos-
  27. 27. 187sa abranger de forma detalhada todas as partes do globo. Inclusos nos dados dessarede podem ser encontrados dados coletados em navios e boias que transmitem ainformação referente ao comportamento da atmosfera sobre os oceanos.Órgãos de Meteorologia e Climatologiano BrasilÓrgãos de abrangência nacionalO órgão responsável pelo monitoramento do Clima no Brasil é o Instituto Nacionalde Meteorologia (INMET). Com sua sede principal localizada em Brasília, no Pla-nalto Central do Brasil, o INMET possui sedes regionais, chamadas de distritos, emonitora o Clima dos estados e das regiões, com uma visão global. Como pode serobservado em seu sitio na internet (http://www.inmet.gov.br/), dispõe vários pro-dutos de clima, tais como normais climatológicas, distribuições de probabilidade,mapeamentos climáticos e previsões climáticas.O INMET possui uma rede de estações meteorológicas com abrangência na-cional. Suas estações são dos tipos convencional, automática e/ou de ar superior.A rede de estações convencionais do INMET apresenta longas séries de dados quecontribuem para a caracterização do clima em todas as regiões do país. Com oavanço da tecnologia, as estações convencionais estão paulatinamente sendo subs-tituídas por estações automáticas.O processo de substituição se dá através da manutenção das estações conven-cionais por um período de tempo, após a instalação de uma estação automática,suficiente para que a continuidade da série de dados possa se estabelecer. A rede deestações meteorológicas de ar superior também atravessa um processo de transição,mas neste caso, diferentemente das estações de superfície, não se faz necessárioque os dois equipamentos (antigo e novo) estejam funcionando simultaneamente.O INMET também faz previsão de Tempo e de Clima. Suas previsões são ope-racionalizadas, sendo disponibilizadas em bases regulares através de diversos meioscomo a internet e imprensa falada, escrita e televisada. Para isto conta com o auxiliode capacitado corpo técnico, de potentes computadores, de modelagem meteo-rológica e climatológica numérica, de recepção e processamento de imagens desatélite, dos dados meteorológicos de superfície e de ar superior, oriundos de suaspróprias redes e de redes internacionais.Outro órgão atuando nesta linha com grande importância nacional é o Centrode Previsões de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) que pertence ao InstitutoNacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O CPTEC é especialista em previsões nu-méricas de Tempo e de Clima, sendo referência entre os organismos mundiais queatuam nessa área, e trabalha com o estado da arte (o que há de mais moderno nomundo) na modelagem e previsão do Tempo e do Clima para todo o Brasil.
  28. 28. 188Além de seu altamente especializado corpo de cientistas, o CPTEC possui comoferramenta de trabalho, computadores que estão entre os mais rápidos (se não osmais rápidos) da América Latina. Nestes computadores são processados os progra-mas de simulação do comportamento da atmosfera que, ricos em detalhamento,são capazes de executar com considerável precisão e em curtos espaços de tempo,as previsões de Tempo e Clima.Ainda de âmbito nacional, outros órgãos possuem suas próprias redes de es-tações meteorológicas e realizam estudos específicos nas áreas da meteorologia edo clima. Dentre eles podemos citar a Aeronáutica, nos serviços de proteção aovoo, a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), com suas estações que visamo monitoramento das condições sobre o mar e proteção à navegação marítima ea Empresa Brasileira de Agropecuária (EMBRAPA), fazendo pesquisas relacionadascom a agricultura e a pecuária nas diversas regiões do país.Até recentemente, o brasileiro manifestava pouco interesse pelo entendimentoda meteorologia e do clima. Este entendimento era detido apenas por alguns cien-tistas que conseguiram sensibilizar políticos e possibilitaram a criação das institui-ções governamentais de Tempo e Clima.O processo de conscientização da sociedade sobre a importância do estudodo comportamento da atmosfera aconteceu de forma lenta e gradual, inclusivecom a implantação de escolas técnicas e universidades que permitissem a forma-ção das pessoas para gerir esta área do conhecimento. Atualmente já se tem umaconsciência formada da importância desta ciência, e sua prática está tornando-secomercialmente viável.É nesta linha de atuação que surgiram instituições particulares como a Clima Tem-po e a Somar. Estas instituições são pioneiras no Brasil e prestam consultoria e vendemprodutos e serviços nas áreas da meteorologia e da climatologia. Frequentemente estetipo de instituição trabalha oferecendo serviços de uma forma integrada, em torno dosrecursos ambientais e instrumentação correlata. Atualmente as empresas citadas já têmbastante tempo de mercado. O crescimento demográfico e a evolução na tecnologiaapontam para um mercado sempre crescente nesta área do conhecimento.Órgãos de abrangência regionalO Brasil é um país de dimensões continentais e abriga vários tipos climáticos. De-pendendo do grau de interesse, esses podem ser subdivididos para que os detalhesindividuais das características físicas de cada localidade possam ser considerados. Ocomportamento da atmosfera nessa perspectiva é considerado como sendo “de me-soescala”, ou seja, abriga o comportamento da atmosfera de uma região cujas dimen-sões lineares vão desde centenas de metros até centenas de quilômetros.A análise regionalizada do comportamento da atmosfera é necessária para oentendimento completo de seu comportamento. O detalhamento regionalizado docomportamento da atmosfera pode ser feito por um órgão de abrangência nacional
  29. 29. 189como os citados, entretanto esta regionalização seria extremamente dispendiosaquando imaginada para todas as pequenas regiões do país.Por outro lado, a regionalização é mais adequadamente feita por instituiçõeslocais onde os técnicos detenham o conhecimento específico de cada um dos seusdetalhes. É por esta razão que surgiram os órgãos de Tempo e Clima regionais. Oprimeiro órgão a atuar com esta perspectiva no Brasil foi a Fundação Cearense deMeteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), criada em 1972 pelo governo doestado do Ceará.O trabalho realizado na FUNCEME é internacionalmente conhecido, equipa-rando-se ao que é realizado nas instituições mais renomadas do globo. Para estarsempre trabalhando com o estado da arte em sua área de atuação, a FUNCEMEpossui convênios e acordos com estas instituições. A FUNCEME atua realizandopesquisas, monitoramento e desenvolvimento, conjuntamente nas áreas de meteo-rologia, recursos ambientais e recursos hídricos. Boa parte dos trabalhos publicadospelos técnicos e pesquisadores da FUNCEME é publicada em revistas nacionais einternacionais, de grande importância na área.Localizada no Nordeste do Brasil, a FUNCEME despertou o interesse de cien-tistas e pesquisadores dos estados daquela região para a criação de órgãos similaresque viessem possibilitar o detalhamento do comportamento da atmosfera em esca-las menores. Num esforço conjunto entre o governo federal e os governos estaduais,foi criado o Projeto Nordeste que tinha como objetivo a criação de organismosestaduais similares à FUNCEME. As bases para esta criação foram fornecidas e cadaum dos estados nordestinos passou a abrigar sua própria instituição.O resultado foi tão bom que os demais estados da federação resolveram seguiro mesmo caminho. Atualmente praticamente todos os estados brasileiros possuemsua própria instituição para a realização de pesquisas, desenvolvimento e operaçãonas áreas de meteorologia, recursos ambientais e recursos hídricos.Todas estas instituições possuem corpo técnico especializado, fazem pesquisasna área, e possuem suas próprias redes de coletas de dados, bancos de dados ecentrais de processamento. Considerando a inexistência de limites territoriais paraas condições da atmosfera, procuram trabalhar em conjunto, reunindo-se, trocan-do ideias e informações a respeito das condições do Tempo e do Clima e tomandodecisões de consenso, principalmente em relação às previsões de clima. A tabelaabaixo apresenta instituições estaduais que atuam nesta linha com seus respectivosestados e endereços eletrônicos.
  30. 30. 190Estado Agência Endereço EletrônicoAlagoas NMRH http://www.semarh.al.gov.br/Amazonas NMH http://remethi.org/site/Bahia INGÁ http://www.inga.ba.gov.br/Ceará FUNCEME http://www.funceme.br/Espírito Santo INCAPER http://www.incaper.es.gov.br/Goiás SIMEGO http://www.simego.sectec.go.gov.br/Maranhão LABMET http://www.nemrh.uema.br/Minas Gerais SIMGE http://www.simge.mg.gov.br/Paraíba AESA http://www.aesa.pb.gov.br/Paraná SIMEPAR http://www.simepar.br/Pernambuco LAMEPE http://www.itep.br/LAMEPE.aspRio de Janeiro SIMERJ http://www.simerj.rj.gov.br/Rio Grande do Norte EMPARN http://www.emparn.rn.gov.br/Santa Catarina CIRAM http://ciram.epagri.sc.gov.br/São Paulo CEPAGRI http://www.cpa.unicamp.br/Sergipe CEMSE http://www.semarh.se.gov.br/Tocantins NEMRH http://200.129.177.29/wrf/index.htmlA tabela não é exaustiva, mas mostra que o interesse pela meteorologia e cli-matologia de mesoescala é bastante elevado e deve continuar crescendo no Brasil.Síntese do FascículoSabe-se que mudanças climáticas significativas podem ser catastróficas e, em casosmais extremos, até levar ao extermínio de espécies incluindo a da raça humana.Para que uma mudança climática possa ser percebida, é necessário que o Climaseja registrado por um longo período de tempo. Uma vez registrado, o clima podeser estudado e compreendido.Este fascículo trata dos vários aspectos da dinâmica do Clima, e suas relaçõescom a vida na Terra. Para que se possa entender o Clima, é necessário se entenderprimeiro a Meteorologia. Desta forma, uma abordagem sobre a Meteorologia, in-cluindo os principais fenômenos meteorológicos e suas consequências para o com-portamento do Clima é incluída.O monitoramento do Clima é feito através dos sensores meteorológicos, assimuma abordagem sobre os principais sensores é apresentada. A classificação do Cli-ma mundial e regional é apresentada, baseada em parâmetros teóricos e amparadaem parâmetros físicos que incluem as relações astronômicas da dinâmica do movi-mento terrestre.Por fim, a forma do processamento do monitoramento climático é mostrado,assim como os principais órgãos de meteorologia e climatologia a nível mundial, eregional no Brasil e na região Nordeste do Brasil.
  31. 31. 191Exercícios1. Quais as causas mais importantes para as mudanças climáticas?2. Qual a principal diferença entre o Tempo e o Clima?3. Quais os fatores que influenciam o clima na região Nordeste do Brasil?4. Quais as influências das variações da temperatura da superfície do mar no climaem algumas regiões da Terra?5. Descreva, em seu entendimento, qual a importância deste fascículo para estecurso que você está fazendo.ReferênciasAYOADE, J. O., Introdução a Climatologia para os Trópicos, Rio de Janeiro, 2004.HUSCHKE, R. E., Glossary of Meteorology, American Meteorological Society,1959.LUTGENS, F. K; TARBUCK, E. J., The Atmosphere, Prentice-Hall, Inc., EnglewoodCliffs, New Jersey USA, 1986SIMIELLI, M. E., Atlas Geográfico Escolar, São Paulo: Ed. Ática, 2007.SILVA, R. A. T., ÉRIS – Sistema de acompanhamento e monitoramento climático emeteorológico, Dissertação (mestrado). Universidade Estadual Paulista. Faculdadede Engenharia de Ilha Solteira, 107 p. 2006Expediente Presidente Luciana Dummar | Coordenação da Universidade Aberta do Nordeste Sérgio FalcãoCoordenação do Curso Eliseu Marlônio Pereira de Lucena | Coordenação Editorial Eloísa VidalCoordenação Acadêmico-Administrativa Ana Paula Costa Salmin | Coordenação Técnica CAREBrasil | Markus Brose e Juliana Russar | Editor de Design Deglaucy Jorge Teixeira | Projeto Gráfico,Ilustrações e Capas Suzana Paz | Editoração Eletrônica Mikael Baima, Welton Travassos | MapasWelton Travassos | Revisão Wilson Pereira da Silva | Catalogação na Fonte Ana Kelly Pereira
  32. 32. O que você pode fazerpara salvar o PlanetaFaça o degelo do refrigerador perio-dicamente. O acúmulo de placas degelo aumenta o consumo.Nunca coloque alimentos quentes nageladeira.Apoio:Realização:

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