Uma pessoa qualquer

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Uma pessoa qualquer

  1. 1. Uma pessoa qualquer.
  2. 2. Era uma tarde chuvosa, estava no ponto de ônibus, não para pegar um ônibus e sim para não mim resfriar e lá vinha o tal garoto novamente que todos os dias passava com aquele olhar de pena e a única coisa que eu sabia sobre ele era seu nome, sua idade e que morava na rua 7, ás vezes mim perguntava será que Lucas sabia do meu cotidiano? Será que ele um dia estará em casa em uma tarde e irá pensar em mim e no quanto eu sofro? Será que ele vai ter a coragem de mim dar 1 real em algum dia? Pastores e irmãs em cristo passavam por mim com olhar de nojo e eu pensava que elas eram santas, como se eu tivesse malditas doenças fatais espalhadas em meu corpo e depois refletia sobre o que a igreja ensinavam as pessoas, mas sabia que com certeza não as ensinavam a respeitar o próximo, estar nas ruas era como morar em um condomínio da perdição, ás manhãs via o preconceito e racismo no olhar e expressões das pessoas e á noite via prostitutas fazendo seus programas sem se preocupar com que doenças pegaram ou pegarão, via os bêbados, os fumantes e os drogados se matarem as poucos com a plena consciência daquilo. Era domingo e eu estava em uma lanchonete na esperança de que alguém mim desse alguma esmola, domingo era o pior dia para mim, sempre havia partidas de futebol no qual havia jogadores empolgados com a vitória de seus times e eu pensava será que eles gastando o dinheiro deles com a entrada para assistir à partida os deixariam felizes? Os dariam algo de especial? E a resposta é não, eles gastando o dinheiro deles para assistirem um partida de futebol não os deixariam felizes e nem seria um momento que marcaria a vida deles, mas então, qual a necessidade deles terem gastando aquele dinheiro? Acho que se cada
  3. 3. um deles mim desse ao menos 1 real, poderia ter comida garantida pelo resto da semana, mas não, uma partida de futebol é mais importante que uma mendiga esfomeada, isso mim deixava irritada, eu era consequência do que a sociedade fazia e não fazia e hoje olham nos meus olhos como se eu fosse um demônio. Das 7:00 até ás 18:00 só conseguir arrecadar 2 reais e 30 centavos, com esse dinheiro conseguir comprar duas pães com manteiga e um nescau quente, era tudo que uma esfomeada com frio podia desejar naquele momento, enfim, havia chegado o fim do dia e era a hora de dormir e eu sempre rezava antes de dormir na esperança de que no próximo dia eu conseguisse esmola. Era 12:00 e toda a cidade estava movimentada, aqueles olhares preconceituosos miravam em mim, o que para mim era normal, levantava do meu papelão e o arrumava, pois se eu deixasse-o no chão, teria possibilidade de algumas pessoas pisarem, simplesmente por poderem pisar, enquanto eu botava o papelão ao lado de minhas coisas, eu mim emocionava com a foto de minha irmã, que se chamava Vanessa, a última vez que eu a vir, nós brigamos feio e eu nunca tive a oportunidade de poder me desculpar, hoje, eu não sei onde ela está, onde dormi ou o que come, só sei que se eu pudesse voltar ao tempo, voltaria. Estava no ponto de ônibus, era 14:00 e Lucas havia passado por mim e sentado ao meu lado, eu fiquei sem reação, pois era a primeira pessoa que havia sentado ao meu lado na esperança de que eu falasse um “Oi!”, foi quando ele mim perguntou se eu mim incomodaria se ele mim entrevistasse e eu disse que eu não mim incomodava, daí ele mim fez
  4. 4. perguntas relacionadas ao meu cotidiano, minha família e minha resistência e eu realmente não sabia o que responder, foi quando escapuliu uma palavra de minha boca e ela se chama “Fé!”, ele ficou calado, esperando que eu falasse mais coisas, eu tomei coragem e falei que meu segredo era a fé, a fé de que um dia eu tivesse a oportunidade de conhecer meus pais e de reencontrar minha irmã, fé de que um dia meu destino mude para melhor e acima de tudo, a fé na humanidade. Horas depois, concluímos a entrevista, nós conhecemos melhor e já no final da tarde, ele mim convidou para ir a casa dele para ir tomar um banho e jantar lá, meu rosto triste, sofrido e deprimente logo ganhou um grande sorriso e eu disse a ele que eu iria até a casa dele. Ao chegar no prédio de Lucas, fiquei na dúvida se eu entrava ou não entrava, pois estava com medo da reação da mãe dele, que eu achava que não sabia de nada, ao pegarmos o elevador que para mim era coisa de outro mundo, Lucas apertou no botão do último andar, e eu perguntei a idade dele e ele mim respondeu que tinha 13 anos, eu o perguntei apenas para confirma, ao chegarmos na casa dele, meus olhos ganharam brilho, ao ver a mesa de jantar toda pronta à luz de velas e ao ver que a mãe de Lucas havia separado roupa e toalha para mim, fiquei tão feliz que só faltava eu pular de forma tão extrema que até o térreo ouviria. Lucas falou para eu ir logo tomar banho para eu ir jantar, fui na maior alegria e animação, só estranhei eles terem roupas femininas que coubessem em mim, após o banho, fui até a mesa de jantar para comermos aquela lasanha que
  5. 5. aparentava estar deliciosa, algo que eu não comia há anos, rezamos para agradecer a comida que estávamos prestes a comer, e após a reza, começamos a nos servi, durante a refeição, eu perguntei a Lucas, de quem era as vestimentas em que eu estava vestida e ele me respondeu de forma alegre “essas vestimentas são da minha irmã!” e eu sem querer perguntei a ele “onde ela está agora?” e ele mim respondeu que ela estava bem na frente dele e eu simplesmente sorrir, pois sabia que a partir dali deixaria de ir dormir nas ruas e de ser na sociedade uma pessoa qualquer.

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