Homossexualidade um engano em minha vida

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A obra trata da reversão da homossexualidade como realidade, e desmistifica o oposto do que a mídia prega, a saber, que não é possível.

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Homossexualidade um engano em minha vida

  1. 1. HOMOSSEXUALIDADE: UM ENGANO EM MINHA VIDA Saulo A. Navarro
  2. 2. Homossexualidade: um engano em minha vida 2 Este material foi idealizado e editado por Saulo Navarro. Apoiamos e incentivamos sua reprodução, utilização e distribuição. Nossa intenção ao lançar o material em arquivo “pdf” é alcançar o maior número de pessoas gratuitamente. É PROIBIDO COMERCIALIZAR OU ALTERAR ESTE ARQUIVO.Contato com o autor:afontedejaco@gmail.com / sauloanavarro@hotmail.comCaso deseje conhecer outros materiais, escreva para:closetbook@hotmail.com http://closetfullbr.blogspot.com(Hebreus 4:12,13) “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante doque uma espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e dasjuntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. Enão há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as coisas estão nuas epatentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.” (Hebreus 4:12,13)Saulo A Navarro
  3. 3. Homossexualidade: um engano em minha vida 3 “Quem sabe, o único referencial de pai que você tem, é de um pai ausente, de umpai, muitas vezes, tão áspero, tão rígido, tão duro com você. Quem sabe, um pai que atémesmo te tocou como não devia, te bateu como não devia. Um pai, que não tinha nadapara poder te dar, além de amarguras, rancores, que ele mesmo recebeu. Quem sabe,você como eu, teve o privilégio de ter um bom pai, graças a Deus por isso. Mas, nemmesmo o melhor dos pais, nem mesmo o melhor dos homens, por mais que seesforçasse poderia, suprir a carência e o vazio do meu coração, do seu coração, do nossocoração. Como é bom conhecermos o Deus pai, adore-o, adore o pai que você tem, quenunca te deixa só, que nunca te abandona, que nunca te desampara, que nunca vaiembora, que nunca te agride, mas toca, e sara as feridas da alma, que está semprepresente, que supre as suas necessidades, um pai que compreende, um pai que teentende, que não te acusa, mas que diz: meu filho, te amo. Quantos podem dizer: o meupai é assim, é bom, fiel, forte, o meu pai me ama, supre as minhas necessidades, me dizquem realmente sou, eu sou seu filho amado, não tenho falta de nada, porque o meu pai,cuida de mim, Ele sabe tudo que eu preciso, e tudo que você precisa. Quantas vezes ofilho cresce, e esquece, mas nós não queremos nos esquecer. Eu amo, meu pai.”Agradeço a Ana Paula Valadão por ceder este “Cântico Espontâneo”, parte integrante doCD Diante do Trono nº 5 - Nos Braços do Pai. Ao nosso Deus seja toda Honra, Glória eLouvor.Saulo A Navarro
  4. 4. Homossexualidade: um engano em minha vida 4Introdução Todo ser humano precisa de Deus, até mesmo aquele que se diz ateu, que muitasvezes tenta provar através da ciência como o homem surgiu, proclamando para o mundoque Deus não tem nada a ver com isto. Como é maravilhoso e agradável saber que existeum Deus que fez todas as coisas, que deixou a sua Palavra para podermos hoje viverpela fé. Levei tempo para reconhecer que Jesus veio em carne a este mundo, que veiobuscar e salvar aquele que se havia perdido e morreu na cruz ressuscitando ao terceirodia. Acreditava que isto fazia parte da história, dizia que a Bíblia foi feita por homens e porisso continha erros, acreditava no que me era conveniente, vivendo por minhas própriasvontades, desejos e decisões. Em um certo momento na minha vida a Palavra de Deus foisemeada em meu coração e passei a crer totalmente na vontade de Deus para mim, enão foi por força ou insistência humana, mas sim, pela ação do Espírito Santo de Deusque nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Cristo tornou-se presente em minha vida através da Palavra de Deus. Aceitei Jesuscomo meu único Senhor e Salvador, o caminho certo que leva a Deus. Pude escolherentre continuar no engano em que vivia ou acertar minha vida através das verdades quese encontram na sua Palavra que nos torna livre, modela nosso caráter e nos coloca emum caminho reto. Irei compartilhar com você como eu vivia, mas também irei compartilhar do maisimportante, de quem realmente sou e as conquistas que tenho alcançado, da certeza deonde vim e para onde irei. Não conheço você, mas Deus conhece e sabe exatamente o que está em seucoração neste momento, as dores físicas e emocionais que já passou ou tem passado, odesprezo que já recebeu, as dificuldades do seu dia, as alegrias, desejos e vontades,enfim, não há nada encoberto diante Dele, nem mesmo aquele segredo que só vocêsabe, que está escondido em seu coração, encoberto diante das pessoas.Saulo A Navarro
  5. 5. Homossexualidade: um engano em minha vida 5 SUMÁRIO1. Infância ............................................................................................................................62. Adolescência ..................................................................................................................103. Juventude ......................................................................................................................124. Entrando na Homossexualidade ...................................................................................145. A Volta para Casa ..........................................................................................................166. Encontro com Deus .......................................................................................................187. Namoro ..........................................................................................................................238. Noivado ..........................................................................................................................259. Casamento .....................................................................................................................27Saulo A Navarro
  6. 6. Homossexualidade: um engano em minha vida 6Infância Nasci em Contagem, Estado de Minas Gerais. Durante minha infância recebigrande atenção, amor e carinho das mulheres da família. Minhas tias adoravam passar odia comigo e eu as observava e recebia tudo o que me davam de atenção e carinho.Recordo de uma cena onde uma tia estava se arrumando na frente do espelho,penteando os cabelos e cantando para mim uma música que tinha uma letra assim:“embaixo dos caracóis, dos seus cabelos...”. Eu ficava ali, só observando o jeito dela e decomo se arrumava na frente do espelho. Consigo lembrar até mesmo de um chinelobranco que ela tinha, este chinelo continha uma tira feita com pedrinhas de vidro, eugostava dele por causa destas pedrinhas de vidro, achava bonito. Aos quatro anos de idade fiquei doente e fui internado em um hospital por váriosdias, Hospital Santa Rita. Lembro-me de ser muito apegado à minha mãe. Meus olhosnão saiam de perto dela. Não queria ficar no hospital, a não ser que minha mãe ficassesempre comigo. Levaram-me para um quarto que continha vários berços onde passei areceber atenção das enfermeiras. Uma das enfermeiras teve um carinho todo especialcomigo e me apeguei a ela. Dormi e quando acordei, olhei à minha volta e não vi ninguémque conhecia, e pior, não vi minha mãe. Comecei a chorar e a soluçar, queria minha mãe.As enfermeiras tentavam me fazer parar, e cada vez mais eu chorava. O cansaçoaumentou e não agüentei, cai num sono profundo e quando acordei minha mãe já estavade volta. Como foi difícil este momento, tive a sensação de abandono e tristeza profunda,uma sensação esmagadora. A figura materna era mais forte para mim do que a figurapaterna. Não tenho na lembrança de ter chorado assim pela presença do meu pai. Ao chegar o tempo de ir para a escola, um desespero afligiu minha alma.Simplesmente chorava até que a professora ligasse para minha mãe ir me buscar. E istose repetiu por várias vezes, eu não queria ficar ali com aquelas crianças num lugar quenão era meu. Não ficava à vontade de estar ali, de pedir para a professora que euprecisava ir ao banheiro, tinha vergonha de tudo, trazia comigo um temperamento tímido,dócil e amoroso. Este temperamento somado ao comportamento introvertido levou-me aouvir muitas palavras destrutivas vindas dos outros alunos. Ouvia por diversas vezes osmeninos me chamarem de chorão, de menininha. Estas palavras feriam demais meucoração, e me afastavam deles. Procurei não demonstrar que estava sendo ferido. Comogostaria de ser aceito por eles. Uma vez, estava de mãos dadas com meus pais, fomos até um posto de gasolinaperto de casa. No caminho encontramos uma mulher que os conhecia, ela olhou paramim e disse: “que menina mais linda!”. Meus pais disseram: “Não é menina, é menino”.Como fiquei triste de ser comparado com uma menina mais uma vez. Eu recebiacobranças da família e amigos só por que não gostava de futebol e corrida de fórmula 1.Gostava de estar com as meninas, identifiquei-me com elas, eram calmas e falavamcomigo, nos entendíamos muito bem. Ao contrário dos meninos, eu os via correndo atrásde uma bola, sem camisa, suados, gritando um com o outro e achava tudo isto uma perdade tempo. Sentia certa exclusão por não gostar do que eles gostavam. Como poderiasentir vontade de estar com eles se estavam sempre me jogando para longe do seu grupocom brincadeiras e comentários que me feriam? Na escola tinha aula de educação físicaSaulo A Navarro
  7. 7. Homossexualidade: um engano em minha vida 7e sempre tinha que parar por causa da falta de ar. Fazer educação física era passar porvários constrangimentos, como ficar com dificuldades para respirar e receber as palavrasdos meus colegas, de que eu era de vidro, não conseguia nem jogar bola que ficavadoente. Para proteger-me das provocações dos meus colegas eu fazia com que a falta dear ficasse sempre pior e assim, eles veriam que realmente era difícil para mim. Gostariade ser como eles, “hominhos”, tinham gosto de jogar bola e fazer esporte. Não conseguiafazer parte do clube, pois até mesmo as conversas sobre meninas não me agradava.Falavam de como iriam fazer com uma menina, como eles estavam conhecendo seuscorpos. Como se gabavam de contar estas histórias. Estas conversas serviam para meconstranger, achava que sexo era pura maldade. Cresci achando o sexo algo muitovulgar. Não havia ligação do sexo com amor, era sempre ligado à maldade, para mim eraalgo pecaminoso e errado e que só era feito às escondidas. Certa vez meus primos me levaram para brincar em um parque que estava nacidade. Minha mãe e tias me vestiram e cuidaram de mim. Ao olhar no espelho não gosteido que vi. Não gostei da minha roupa. Meu cabelo me fazia parecer uma menina. Saímosde casa em direção ao parque. Até então tudo estava indo bem. Em um certo momento,fiquei longe dos meus primos, e me vi frente a um grupo de meninos que ficaram a minhavolta e começaram a zombar da minha roupa e cabelo. As palavras eram duras, fuichamado de “veadinho”, menininha, “bichinha”. Como aqueles garotos podiam fazeraquilo? Vieram do nada e me atacaram com palavras que feriram profundamente minhaalma. Novamente ali estava eu, fora do grupo, excluído do clube dos meninos, queria seraceito por eles, só isto. Um dos meus primos viu a cena e foi enfrentar os meninos. Nestemomento me senti protegido e seguro. Assim que consegui fugir do meio deles fui paracasa, sozinho, carregando comigo todo aquele emaranhado de sentimentos ruins, nemavisei meus primos. Ao chegar em casa, recebi uma bronca por ter vindo embora sozinho.Meus primos ficaram zangados comigo. Não entenderam o porquê do meucomportamento. Guardei comigo o que houve naquele parque e sofri sozinho. Passei aconviver com estes sentimentos dentro de mim, uma mistura de mágoa, tristeza e solidão.Na verdade eu estava entrando em uma prisão dentro de mim mesmo. Novamente sentia exclusão, o desprezo e a dificuldade de fazer parte do clube dos meninos. O que haviade tão mal nestes garotos que não faziam nenhum esforço para me aceitar no meiodeles? Várias vezes os meninos do bairro perto de casa se reuniam para fazerbrincadeiras sexuais entre si, neste momento eu me sentia aceito por eles. Nestemomento eles deixavam que eu participasse das brincadeiras, por um bom tempo aprendia fazer as “sacanagens” que um fazia com o outro e a desejar aquilo. Enfim fui aceito. Minha mãe começou a trabalhar fora de casa, saía cedo e só voltava à noite. Umaempregada passou a fazer parte da rotina da casa durante todo o dia. Durante parte dodia eu ia para a escola, que era um local onde eu sofria muitos ataques dos meninos. Porum tempo ir para a escola seria passar por um desgaste emocional sem tamanho. Noinício da noite eu ficava sentado na frente do portão de casa esperando minha mãechegar. Quando ela chegava uma felicidade surgia em meu coração. Toda vez que eu iapara casa de algum primo para dormir fora, eu chorava até que me trouxessem de volta.Podia passar o dia com eles, mas na hora de ir dormir eu queria ir para casa. Interessanteque eu não buscava por meu pai, eu me via preso a minha mãe, era uma dependênciatotal da companhia dela. Eu gostaria que me pai demonstrasse mais amor por mim, deforma que eu sentisse este amor e desejasse a presença dele.Saulo A Navarro
  8. 8. Homossexualidade: um engano em minha vida 8 Uma vez, estava na sala de casa no colo dele. Brincava com o cabelo do seu peitoe na TV passava uma novela chamada Pai Herói. Na abertura desta novela tocava umamúsica muito bonita falando do relacionamento entre pai e filho. Enquanto a músicatocava, uma cena me chamou atenção. Um quebra cabeças era montado, e aos poucossurgia um caminho entre árvores e um menino caminhando junto à figura do que seria seupai. Detalhe, a figura do pai não foi preenchida, estava em branco. Uma criançapasseando de mãos dadas com o pai, seu pai herói, por outro lado o pai não estava lá,ele estava presente, mas ausente. O que deve ser mais cruel para a formação de umacriança, um pai presente ausente ou um pai que mora longe? Era assim que me sentiaem relação ao meu pai, um vazio, uma necessidade de aceitação e afirmação por partedele, de receber carinho e ser amado. Mas, por mais perto que ele estivesse fisicamentede mim, sentia um abismo enorme entre nós. Eu queria um pai herói, que estivesse juntode mim, mas ele não era assim. Hoje sei que ele não poderia me dar o que não tinhaaprendido e nem recebido dos pais dele. Em um certo dia, uma de minhas tias e seus filhos estavam conosco em casa. Elatinha uma menina e um menino da minha idade. Estávamos brincando no quintal e estatia teve a idéia de me vestir com roupas de menina, colocou um lenço em meu cabelo,uma saia e uma blusinha de menina, até passou batom e maquiagem no meu rosto. Noinício achei legal, gostei de estar vestido de menina, mas logo vi as pessoas quepassavam na rua olharem para aquela situação e rirem de mim. Corri para trás de ummonte de pedras e me escondi. As pessoas riam e faziam piadas ao me verem vestido demenina. Acredito que esta tia me vestiu de menina porque percebeu que eu gostava doque as meninas gostavam e que eu tinha um certo “jeitinho efeminado”. Teve uma vezque meu irmão falou que eu era “veado”, eu até achei engraçado porque pensei que eleestava me comparando com um animal. Tempos depois descobri que na verdade eleestava me chamando de “bicha” e que eu não gostava de namorar meninas. Nestemomento senti meu coração, minha alma ser ferida profundamente. As brincadeiras de menina me chamavam atenção, tanto que eu brincava deboneca e de casinha com elas. As bonecas Barbie e Susi eram as minhas preferidas. Ecomo eu gostava de usar saia. Quando as meninas me chamavam para brincar dedesfilar eu era o primeiro a me fantasiar de menina e sair desfilando. A conversa dasmeninas me agradava mais do que a conversa dos meninos, elas sabiam me receber eme aceitavam sem críticas e restrições. As meninas não zombavam de mim. As pessoasa minha volta percebiam este comportamento em mim, cada uma reagia de uma forma.Uns eram mais vorazes em seus comentários, me chamavam de “bichinha”, “veadinho”,menininha, outros não diziam nada, outros ficavam falando entre si. Toda famíliareconhecia que eu tinha um “jeitinho esquisito”, mas não tocavam no assunto. Aos nove anos de idade comecei a pensar em namorar e nutria um carinho poruma menina. Quando comentei com meus colegas, eles riam e diziam que eu não iaconseguir porque não gostava de meninas e era “efeminado”. Simplesmente me rotularampor verem em mim um comportamento mais tímido e introvertido. Com toda minhainsegurança e timidez fui até o encontro desta menina que eu gostava. Quando chegueiperto dela fiquei mudo, com muita vergonha da situação não fiz nada. Criei umaexpectativa não só em mim, mas nas pessoas que me levaram até ela. Ficavam mecobrando para que fizesse um movimento na direção dela. A vergonha tomou conta demim e só consegui trocar algumas frases com ela. Percebi que seria complicado demaisme relacionar com ela ou com qualquer menina que fosse por causa da vergonha eSaulo A Navarro
  9. 9. Homossexualidade: um engano em minha vida 9timidez. Passei a conviver com um sentimento de frustração e impotência. Fiqueiconvencido de que não conseguiria namorar uma garota. Conseguia sonhar com umamenina, imaginar namorando e passeando, mas quando o sonho ia se tornando real evendo que não daria conta da situação, parava tudo. Ao contrário de mim meus colegasse davam muito bem com as meninas, tinham uma certeza do que eram e poderiam fazercom elas que eu não entendia. Tinham o domínio da situação, não tinham vergonha nemtimidez. Estavam se dando bem em suas paqueras, namoros e intimidades. Tudo isto eramuito difícil para mim. Eu os inveja por saberem se comportar como meninos e fazer oque faziam sem dificuldade nenhuma. Esta inveja me fazia desejar as característicasdeles. Lembro que eu tinha inveja dos meus primos, eles eram tão masculinos e definidosem sua sexualidade, eles falavam das meninas com uma desenvoltura que eu nãoconseguia. Eu queria ser como eles, por isto os invejava. E esta inveja prosseguiu comigoaté a idade adulta.Saulo A Navarro
  10. 10. Homossexualidade: um engano em minha vida 10Adolescência Devido às dificuldades financeiras de minha família, meu pai foi para o sul, cidadede Curitiba no Paraná. Conseguiu um trabalho em Pontal do Paraná. Sem ele conosco,nos mudamos para o apartamento de minha avó. Que época difícil para todos nós. Morarnuma casa que não era nossa, conviver com pessoas que tinham seus compromissos,suas manias. Senti falta do meu pai. Escrevi diversas cartas para ele falando da saudadeque sentia e de que gostaria de tê-lo por perto. Ele era um homem calado, de poucaspalavras. Não demonstrava carinho físico nem verbal pelos filhos. Gostaria que meu paifosse como os pais dos meus primos, que os abraçavam, davam atenção e eram próximodeles. Raramente eu via meus pais demonstrando carinho um pelo outro. Sabia que segostavam mesmo não vendo na prática o amor que tinham entre si. Nem imaginava queeles faziam amor, acreditei na mentira que uma cegonha trazia os bebês e que o beijopoderia engravidar uma mulher. Não me recordo de meu pai falando que me amava ouque gostava de mim, nem mesmo de receber um abraço bem forte dele. Aos 14 anos de idade recebi a notícia que teríamos que ir morar em Curitiba. Láestávamos eu, minha mãe e irmã, dentro de um carro indo para a rodoviária de BeloHorizonte. Ainda dentro do carro, olhei para trás e vi minhas tias e avó sendo deixadaspara trás. Ao chegar na cidade de Curitiba senti as dificuldades que estavam porcomeçar, não só para minha família, mas principalmente para minha vida. Ficamoshospedados na casa de parentes. Havia uma pessoa conhecida que estava descobrindosua sexualidade vendo fotos em revistas pornográficas. Uma vez ela pediu-me quedevolvesse uma destas revistas para uma amiga, e no caminho abri e fiquei vendo asfotos. Fiquei surpreso ao ver o que aquelas mulheres faziam, era a tal da maldade quesempre ouvi dos meus colegas. Toda vez que ouvia meus colegas, tios, primos falaremde sexo, era de uma forma totalmente maliciosa e sem respeito nenhum com a figura damulher. Pensei que só as mulheres vulgares e impuras é que faziam sexo. Fiquei com aimagem daquelas fotos na minha mente e ao ver o corpo nu dos homens naquela revistalembrei-me das brincadeiras que fazia com meus primos e colegas do bairro. Associei asbrincadeiras sexuais que aprendi com eles aos homens das fotos pornográficas. Percebique desejava o corpo daqueles homens. Senti desejo sexual por aqueles homens, desejopelo mesmo sexo. Não conseguia me imaginar fazendo aquilo com uma mulher, mas aomesmo tempo desejei o corpo nu dos homens. Desejei a masculinidade deles, ascaracterísticas físicas que os faziam homens. Começou o ano letivo e fui matriculado em uma escola. Novamente, ao convivercom outros adolescentes, percebi minha dificuldade de relacionamento. Logo as palavrasque feriam minha masculinidade começaram a ser ditas pelos meus novos colegas. Minhatimidez aumentava a dificuldade de relacionamento com as pessoas. Neste tempo querianamorar mesmo sabendo da minha dificuldade de relacionamento com as meninas,principalmente quando imaginava que elas faziam sexo daquela forma que vi nas revistaspornográficas. Sexo para mim não estava relacionado com amor e sim com maldade esacanagem. Meus amigos já falavam de seus envolvimentos, suas intimidades com asgarotas, suas experiências sexuais e eu nada.Saulo A Navarro
  11. 11. Homossexualidade: um engano em minha vida 11 Minha adolescência foi marcada por um ponto de interrogação. Não me sentia àvontade com os garotos. Com as garotas só havia amizade e carinho por elas. Sentiauma inadequação de ser garoto, não me sentia nada a vontade de estar com eles. Naverdade eu não sabia a que gênero eu pertencia, não sabia para onde correr. Até tenteialguns namoros com garotas, mas todos me traziam grande aflição, eu não sabia lidarcom a situação. Por várias vezes eu demonstrava interesse por uma garota e quando elafazia um movimento em minha direção um pânico tomava conta de mim. Sim, esta é apalavra que descreve o que sentia: pânico. Era como se eu estivesse mentindo para eumesmo, como se estivesse enganando aquela menina, pois eu não poderia dar contadela. Na adolescência eu me sentia fora de qualquer grupo, nesta fase eu sentia solidão evazio por não saber em que grupo eu me enquadrava. Nesta fase morávamos em um apartamento, meus pais e meus irmãos, eu tinhauma irmã e dois irmãos, um mais velho e os outros mais novos do que eu. Em casa anossa comunicação era quase nula, era cada um com sua vida, o máximo que eucompartilhava com eles era assuntos muito superficiais. Realmente não tínhamos muito oque falar, mesmo tendo dentro de mim uma bomba relógio prestes a explodir a qualquermomento. Eu vivia uma adolescência solitária, triste, onde todas as situações que passeique feriram minha masculinidade criaram raízes em minha alma. Mas eu jamais haviafalado com ninguém sobre isto, eu carreguei estas feridas desde a infância. Enquanto eucrescia as raízes geradas pelas palavras que feriram minha masculinidade ficavam cadavez mais fortes dentro de mim. Era uma prisão dentro de mim mesmo. Eu não gostava do que via em mim, istochegou num ponto em que rabisquei o meu rosto em todas as fotos da família. Eu via nasfotos um menino fraco, mais parecido com uma menina, como odiei me ver assim.Nestas fotos eu via um garoto tímido e introvertido, que não conseguia se sentir bem comos garotos e nem com as garotas de quem gostava. Ninguém imaginava a confusão quehavia no meu ser. Em casa nós não falávamos sobre nosso dia, nossa vida. Não haviaum ambiente que favorecesse o diálogo. Como eu gostaria que meu pai tivesse um canalde diálogo aberto para comigo. Quantas vezes eu desejei conseguir abrir este caminho decomunicação, mas era algo difícil demais para mim. Nem mesmo eu sabia o que fazercom tudo que se criou em minha alma. Eu precisava me identificar com algum grupo,fazer parte de algum grupo em que sentisse à vontade e aceito. Quando ouvia algumas pessoas falando de casamento eu nem imaginava ahipótese de passar por isto, era lago muito distante para mim. Algumas vezes uma ououtra pessoa fazia um comentário em minha direção referente a namoro e casamento.Não tinha sentido ouvir isto, como eu poderia me ver namorando, noivando e casando senem mesmo sabia o que eu era? Estas pessoas não tinham noção da confusão que sepassava dentro de mim. Resumo minha adolescência num enorme ponto de interrogação.Saulo A Navarro
  12. 12. Homossexualidade: um engano em minha vida 12Juventude Conheci um grupo de pessoas da minha idade que se tornaram meus amigos. Estegrupo foi um amparo que tive e onde eu me relacionava melhor do que em casa. Saíamospara passear, dançar nos divertir. Sempre me cobravam para ter uma namorada e comosempre tinha um casalzinho no grupo eu nutria uma vontade de namorar também, nãosabia como mas queria namorar. Tentei várias vezes e sempre ficava sem jeito. Uma vezarrumei uma namoradinha, com muita dificuldade começamos a nos conhecer. Elaterminou comigo, achou um cara mais posicionado em sua masculinidade do que eu eterminou o namoro comigo. Foi complicado lidar com esta rejeição. Aos 18 anos, enfim arrumei uma namorada, gostei dela, da feminilidade dela. Eraalgo novo estar com ela, de certa forma eu não sabia como namorar e nem me comportar.Em pouco tempo de namoro ela começou a ter atitudes que me assustaram, teveiniciativas que fizeram com que temesse estar com ela. Ela já havia tido suasexperiências sexuais e eu não. Certa noite, em uma danceteria, ela pediu-me que atocasse de modo mais íntimo e recusei por estar no meio de pessoas. Ela insistiu, fiqueiconstrangido. Como eu não tomava nenhuma iniciativa ela disse ao meu ouvido: “àsvezes acho que você não é homem”. Naquele momento, veio em minha mente todas aspalavras de maldição que feriram minha masculinidade. As palavras da minha namoradame feriram profundamente. Minha atitude naquele momento foi deixá-la naquele lugar. Saidali e não a vi por um bom tempo. O que havia se quebrado na infância e adolescênciaveio a se quebrar ainda mais. Decidi não ter relacionamento com mulheres, com ninguém,assim estaria seguro. Decidi ficar sozinho com minhas raízes de feridas na alma. O que mais me deixou paralisado neste acontecimento foi em sentir que minhanamorada havia percebido que eu não era homem, que eu poderia ser veado e bicha.Que pavor, medo e angústia. Eu tentando me ajustar num espaço em que me sentiainadequado e de repente minha namorada me diz que eu não sou homem! Então tudo oque eu ouvi na infância e adolescência era verdade! Eu não poderia namorar garotas enem me relacionar com elas porque eu era efeminado. Que confusão em minha mente. Eagora o que faço com tudo isto? Onde me enquadro? Neste mesmo ano, meus pais viajaram e fiquei sozinho cuidando da casa. Alguémtocou a campainha. Ao abrir a porta qual minha surpresa ao ver aquela garota dadanceteria, minha ex-namorada ali, na porta de casa. Deixei-a entrar e ficamos vendo TVe conversando. Aconteceu um beijo e logo ela tirava sua roupa e me levava para o quarto.Fiquei em pânico, meu corpo inteiro travou. Mas ela insistiu em manter relações nãorespeitando meu pânico. Ela viu e sentiu que eu brochei mesmo. E não foi porque eu nãosenti aração sexual por ela e sim pelo desespero de não saber agir naquela situação.Desesperadamente fugi dali. Tranquei-me no banheiro e fiquei lá sentindo um monte de“coisas”. Ela foi atrás e bateu na porta perguntando se eu estava bem. Abri a porta e fingiestar passando mal e ela fingiu que acreditava. Após um tempo levei-a para casa e achei que tudo estaria resolvido, não a veriamais. Mal sabia eu que havia sido abusado sexualmente, e isto eu fui descobrir aos 36anos. Carreguei dentro de mim um emaranhado de sentimentos sem saber que a origemera o abuso sexual. A ferida deste abuso sexual já estava instalada em minha alma.Saulo A Navarro
  13. 13. Homossexualidade: um engano em minha vida 13Simplesmente fingi que aquele constrangimento não aconteceu, não dei atenção aossentimentos que passei ali. Não fazia idéia do abuso sexual que havia passado, do queisto causaria em minha vida a partir de então. Descartei toda hipótese de me relacionarcom mulheres, iria ficar só pelo resto de minha vida. Senti frustração, insegurança, medo.Senti minha masculinidade ser destruída. Todas as palavras de maldição que recebi atéentão se materializaram na minha mente. Era como se aquela garota houvessedescoberto o meu segredo, o meu medo, que eu poderia ter problemas, que talvez nãofosse homem, assim como ela havia dito para mim naquela danceteria. Após esteacontecido, o rumo da minha vida começou a mudar, eu não fazia idéia do deserto e doengano que viria a passar.Saulo A Navarro
  14. 14. Homossexualidade: um engano em minha vida 14Entrando na homossexualidade Neste mesmo ano consegui um trabalho em uma empresa. Nesta empresa conhecium rapaz que era assumidamente homossexual e às vezes se comportava como homeme às vezes como mulher. Ele não escondia de ninguém que gostava de homens e algo amais conquistou minha confiança, fui aceito, não houve rejeição e exclusão, me vi aceitono meio ao qual ele estava inserido. Aquele rapaz que se dizia homossexual me aceitouno clube. Fizemos amizade e logo recebi um convite para participar de um churrasco emsua casa. Ele viu que eu tinha uma tendência para a homossexualidade. Na verdade eleestaria me ajudando a “sair do armário”. Mesmo com muito medo do que poderia ver alidecidi participar do churrasco. Chegando lá, presenciei uma cena que mudou realmente orumo da minha vida. Ali havia homens namorando homens e mulheres namorandomulheres. Fiquei assustado e ao mesmo tempo aliviado por saber que aquilo era real, queexistiam pessoas que gostavam de se relacionar com o mesmo sexo de forma aberta esem receio do que os outros iriam falar delas. Conheci uma garota que estava na mesma situação, foi ali para ver o queacontecia na vida daquelas pessoas tão diferentes em sua forma de amar. Fiz amizadecom ela e ficamos juntos conversando sobre essa nossa descoberta. Ela nunca havia serelacionado com o mesmo sexo, estava noiva de um homem até pouco tempo, masdecidiu terminar o noivado porque acreditava estar amando uma mulher. Assim como eu,ela havia descoberto pessoas que se rotulavam de homossexuais e que de imediato nosaceitaram sem nenhum desprezo. Depois desta descoberta eu queria encontrar um rapazpara viver um grande amor, e seria firmado na fidelidade mútua, eu queria amar e seramado. Neste momento eu estava buscando amor e não sexo. O sexo foi conseqüênciado relacionamento homossexual que vivi. Depois deste encontro, minha vida mudou. Meus caminhos se voltaram para ahomossexualidade. Passei a ter amigos e amigas homossexuais e a participar de umgrupo que me aceitava. Porque sofrer tanto com as palavras de maldição que recebia dosoutros durante minha vida inteira se poderia fazer parte daquele meio homossexual, ondeninguém zoava de ninguém por gostar do mesmo sexo. Doce ilusão, doce engano, malsabia que o pior estava por vir. Havia muita festa, muita risada, muita maquiagem, masquando a cortina se fechava, o vazio e a insatisfação daquela vida apareciam por trás dosbastidores. Ah se eu soubesse o caminho pedregoso que iria ter que atravessar. Comeceia freqüentar bares e boates para homossexuais. Fiz novos amigos e identifiquei-me coma história de cada um. Todos passaram por situações parecidas com a minha. Com o passar dos anos eu entrava cada vez mais na prática da homossexualidade.Passei a acreditar que havia nascido homossexual quando direcionei meus sentimentos,desejos e vontades para a prática homossexual, aceitei então que não haveria mudança,sempre seria homossexual. Fiquei 12 anos nesta prática, sem contar os anos decorridosda infância até a adolescência, onde pensava que era diferente, que algo estava erradocomigo. Pensei que havia descoberto a verdade, onde tudo que havia escutado demaldição se resolvia naquele mundo homossexual que descobri. O último relacionamentodurou cinco anos. Não é necessário descrever aqui tudo o que fiz enquanto naSaulo A Navarro
  15. 15. Homossexualidade: um engano em minha vida 15homossexualidade, mas posso dizer que realmente acreditava que havia nascido assim. Não existia nenhuma possibilidade de mudança. Nestes 12 anos que passei naprática da homossexualidade, foram poucos os momentos em que me senti seguro. Pelocontrário, vivia na insegurança e na busca de amor e aceitação, que jamais encontrarianos rapazes com quem estive, eles não poderiam preencher o vazio do meu coração,homem nenhum poderia. A verdade que achei ter encontrado na homossexualidade começou a causar dor.Esta dor era emocional e fazia minha alma tremer de tanta angústia, aquilo que um diaencontrei num churrasco estava me matando, então pensei: “que liberdade é esta que mefaz tremer de tanta dor? Cansei de viver em busca do príncipe encantado, que depois deum tempo virava sapo e o encanto acabava.Saulo A Navarro
  16. 16. Homossexualidade: um engano em minha vida 16A volta para casa De repente, tudo começou a mudar e seguir um novo caminho em minha vida.Aquele brilho da descoberta do meio homossexual começou a passar. Aquele vislumbrede poder “sair do armário” que me acometeu no início começou a perder sua força. Apósanos de prática homossexual entendi que nada preenchia o vazio e a insatisfaçãodaquela vida. Minha vida na homossexualidade girava em torno de bares, boates,paquera, insegurança, parecia que meu coração havia virado carne moída. Mesmobuscando um relacionamento com base na fidelidade ninguém me levava a sério pormuito tempo. A novidade de estar com alguém logo passava. Meus amigos viviamtrocando de parceiros. Quanto engano. Na realidade eu buscava em outro homem aquiloque faltava em mim, precisava suprir uma carência que havia em minha alma que homemnenhum iria preencher, pois nem mesmo eles estavam satisfeitos consigo mesmo. Todavez que conhecia um “casal” gay eu ficava imaginando se eram felizes verdadeiramente,e não dava outra, logo vinha a notícia de que o relacionamento havia acabado. O queparecia ser verdadeiro não durava muito tempo, e se durava era porque havia muitapermissividade no relacionamento, o que fazia parecer que estavam juntos há muitosanos. Cansei de ver meus amigos passarem de mão em mão, trocando de parceiroscomo se troca de roupa. Só depois de passar por um processo de resignificação de vida que entendi ashistórias de vida abaixo: Uma de minhas amigas contou sua história de como entrou na vida lésbica. Elajamais havia imaginado estar num relacionamento lésbico. Ela apanhava do primeiromarido, e no segundo casamento também apanhou do marido que era muito possessivo.Daí conheceu nosso grupinho de amigos homossexuais e começou a freqüentar os barese boates e logo recebeu um convite de uma mulher, a partir deste momento ela seentregou ao carinho e consolo desta mulher e iniciou uma longa caminhada de novasparceiras sexuais. A carência desta amiga fez com que aceitasse o consolo nos braços deoutra mulher. Um rapaz do nosso grupo falou do relacionamento dele com o pai e dosabusos que sofria de um tio, depois de vários encontros na vida homossexual ele passoua ser Drag Queen. Um dos rapazes que tive um relacionamento veio de uma família ondeo pai era totalmente ausente, a mãe para compensar a ausência do marido sufocou estefilho que não tinha o pai como referência de homem e de masculinidade sadia. Cada umtinha um histórico que os remetia a uma tendência homossexual, mas era mais fácil vivercomo homossexual do que buscar mudança de comportamento. Pensei na hipótese de abandonar a prática homossexual. Como sair se estavapreso naquela vida? Afinal de contas eu não pedi para ter desejos pelo mesmo sexo.Quando percebi a atração pelo mesmo sexo já estava em mim, tomando conta da minhavida e dos meus desejos. Eu jamais iria optar em sofrer numa vida na homossexualidade.Enfim foram 12 anos na prática de um erro que fazia parte da minha vida. A vida nahomossexualidade até então era o que eu sabia fazer e até então era verdade para mim.Certo dia, liguei para meu irmão menor e pedi que me ajudasse, precisava levar o que erameu para casa de minha mãe.Saulo A Navarro
  17. 17. Homossexualidade: um engano em minha vida 17 Saí da casa daquele rapaz, com quem vivi por quase cinco anos, não suportei tantaincerteza, tanta mentira, infidelidade e insatisfação. Meu irmão veio até a casa onde eumorava e lá estava eu com três sacos de lixo com tudo o que me pertencia dentro deles.Retornei para casa de minha mãe carregando comigo três sacos de lixo, financeiramentefalido e numa tremenda dependência emocional, deixando para trás um “amigo” e tudoque até então achava que era verdade em minha vida. A dependência emocional que nutria pelo meu “amigo” estava me matando a cadadia. Olhei para minha vida e percebi que havia construído minha história numa areiamovediça. Tudo afundou nesta areia, assim como os amigos, as festas, osrelacionamentos, os amores, as paixões. Cai numa depressão profunda. Surgiramquestionamentos em minha mente do tipo: quem sou eu? O que fiz até agora? Acrediteiter nascido homossexual e agora percebo que esta prática está me matando. Precisavamudar, mas como? Não pedi para ter desejos pelo mesmo sexo. Não acordei de manhã edisse que seria homossexual. Deixar a prática homossexual era uma hipótese que estavalonge demais para alcançar, ainda mais com desejos e sentimentos por pessoas domesmo sexo. Conseguia manter meu trabalho mesmo com a depressão. Programei em minhamente uma situação para que pudesse sobrevier à depressão e a dependência emocionalque sentia pela vida na homossexualidade e por todos que lá ficaram. Era como seacionasse um botão imaginário em minha mente onde programava meu corpo para sairem direção ao trabalho, depois o desligava ao chegar em casa. Funcionou mesmo comangústia e tristeza tomando conta da minha alma. Minhas forças estavam se esgotando.Olhava para trás e não gostava do que via, o presente estava me torturando, olhava parafrente e não visualizava nada. Dentro desta dor emocional ao qual estava enfiado, detanto pranto, surgiu uma ajuda, uma mão que estava estendida para mim, pronta para mesegurar até que recuperasse minhas forças e pudesse caminhar novamente. De repenterecebi uma palavra de conforto e surgiu uma esperança. Uma porta de esperança ondenão havia nada.Saulo A Navarro
  18. 18. Homossexualidade: um engano em minha vida 18Encontro com Deus Minha mãe, vendo toda minha angústia, fez-me um convite. Indicou que fizesseuma visita em uma igrejinha onde lá haveria uma missionária falando da Palavra de Deus.Não tinha nada a perder e aceitei o convite. A igreja era pequena, no Bairro Boa Vista. Láestava eu sentado no meio dos ouvintes. A pastora anunciou a missionária que iria pregarnaquela noite. Quando a missionária começou a falar do amor de Deus, meus olhos seencheram de lágrimas. Até então nunca havia ouvido alguém falar do grande amor deDeus pela minha vida, de um Deus que entregou seu Filho por amor de mim. Comiaquelas palavras, bebi de uma água (a Palavra de Deus) que poderia matar a minhasede. Ouvi que Deus me amava e poderia mudar a história da minha vida, que iria dar umnovo significado para minha história e bastava eu crer no Filho de Deus, em Jesus.Comecei a buscar por este amor, por este Deus que ela falou tão bem. Um Deus que meprometia fidelidade, salvação e vida eterna através de Jesus. Jesus passou a ser parte daminha caminhada e através dEle encontrei resignificação da minha história. Ao retornar para casa olhei para mim e permiti Deus mudar minha história. Surgiuuma esperança onde até então não havia nada. Tentava imaginar como aquele Deusmudaria minha vida. Em poucos dias, um gerente que trabalhava no mesmo setor que eu,vendo que minha angústia estava me consumindo, fez-me um convite. Amavelmenteconvidou-me para visitar a casa dele e participar de uma reunião. Aceitei de imediato semsaber o que realmente aconteceria nesta reunião. Ao chegar lá, fui recebido por pessoasde uma igreja que me amaram muito, um amor sem cobranças e julgamentos, apenas meamaram. Estudamos a palavra de Deus e comecei a aprender mais sobre aquele Deusque a missionária falou que iria mudar minha história, que iria dar um novo sentido paraminha vida. No meio da dor, angústia e desespero pude sentir o amor de Deus meenvolver. A graça de Deus é maravilhosa, ela alcança o mais profundo abismo. Não hálugar onde a graça de Deus não chegue para te tocar. Entendi que não estava sozinhoneste momento tão difícil. Em um destes encontros comentei da vida que levei na homossexualidade. Fuiapresentado para um casal que ali estava. Um casal disposto a caminhar comigo. Todasemana eu estaria com eles para receber ajuda e orientação através das verdades queestão na Bíblia. Desesperadamente aceitei o desafio. Passei a fazer parte da rotinadaquela família e a freqüentar uma igreja, pois precisava criar um novo círculo deamizades. Ficou combinado que toda segunda-feira eu estaria junto com o rapaz paraestudar a Bíblia e fazer um discipulado. No primeiro encontro eu “vomitei” tudo o queestava preso em meu coração. Contei toda minha história e a dor emocional que aindasentia. Ele ouviu pacientemente e falou que eu não era homossexual, disse que eu estavahomossexual. Estas palavras entraram em meu coração e neste momento pensei que eleestava totalmente enganado, que não sabia o que estava falando. Eu sabia de tudo o quehavia feito, da vida que levei na prática homossexual, dos desejos e vontades que tinhapelo mesmo sexo. E ele vem me dizer que eu não era homossexual. Imagina, tinhaacabado de sair de um relacionamento homossexual de cinco anos e vem alguém medizer que eu não era homossexual. Resolvi dar uma chance e continuei o discipulado.Começamos a sair e conversar não só sobre Bíblia, mas sobre relacionamento homem emulher. Várias vezes íamos andar a cavalo em uma cidade próxima de Curitiba, chamadaSaulo A Navarro
  19. 19. Homossexualidade: um engano em minha vida 19Campo Largo, comprei meu próprio cavalo. Foi muito terapêutico, pois lá eu ficavaenvolvido com outras atividades e esquecia da dependência emocional e da dor quesentia em meu coração. A luz da Palavra de Deus trouxe a verdade, caindo toda mentira e engano. O vazioque havia em meu coração foi preenchido pelo amor de Deus. Conforme ia aprendendo aviver com Jesus, as mentiras iam sendo descobertas. Posicionei-me com todas as armasoferecidas na sua Palavra para resistir às imposições do mundo. Eu e o rapaz que viviacomigo, tínhamos uma Bíblia aberta na cabeceira da cama de casal, aberta em algumSalmo que não falava do erro em que vivíamos. Só líamos o que nos era conveniente, eramais fácil. É mais fácil dizer que a Bíblia precisa ser revista do que buscar mudança devida. Durante madrugadas estudei a Bíblia, procurei nela por algo que favorecesse ahomossexualidade e não encontrei. Neste período clamava em oração por ajuda,chegava em casa na sexta-feira após o trabalho e só saía na segunda-feira paratrabalhar. Lembrava-me das festas, do falso brilho, muita risada, gente bonita em suasroupas de marca, barriga cheia de comida e um espírito vazio, mas ao raiar do dia o falsobrilho começava a se apagar e aí sim, vinha o vazio daquela vida. Não aceito mais istoem minha vida, hoje a luz que brilha em meu coração vem de Jesus e que a satisfaçãoque tenho em viver vem dEle. Descobri que Deus me amava, mas não ao erro quecometia. Deus não condenaria esta prática em minha vida sem antes oferecer uma saída.A saída está na sua Palavra que é viva e eficaz e no amor de Jesus. Através do EspíritoSanto fui convencido do erro em que vivia. Pois só o Espírito Santo pode nos convencerdo erro, da justiça e do juízo. Compreendi e aceitei como verdade textos bíblicos que atéentão eu não aceitava como verdade. Achava que era somente para aquela época. Qualminha surpresa ao ver em minha vida as promessas de Deus serem cumpridas. Aquelaspalavras de muito tempo atrás estavam causando efeito em minha vida hoje. A Palavra semostrou em mim viva e eficaz. Pude então perceber que realmente havia uma inversão na minha forma de amar.Analisei toda minha vida e conclui que durante o passar dos anos eu estava sendo“construído” para levar uma vida na homossexualidade. Seria difícil uma criança viver assituações que passei e não entrar na homossexualidade. O que havia sido aprendidopoderia ser desaprendido. Na verdade aprendi a ser homossexual, e tudo o que fiz naprática homossexual não alterou minha heterossexualidade. Precisava não só mudarradicalmente, mas manter-me nesta mudança. Então tomei a decisão, fiz uma escolha,mudar a história da minha vida, buscar um sentido real para minha história. Conformesuperava minhas dificuldades passava a ajudar outras pessoas. Iniciei um trabalhovoluntário em uma casa de apoio onde havia crianças, jovens e idosos na mais drásticasituação de abandono. Convivi com pessoas que contavam com ajuda voluntária parasobreviverem, pessoas que não serviam mais para a sociedade, deixadas de lado emconseqüência de suas escolhas erradas tais como uso de drogas, prostituição, tráficoentre outras. Algumas pessoas vinham das ruas, sujas e maltrapilhas, outras de famíliascompletamente disfuncionais. Olhei para a realidade delas e entendi que em meio aminha dor, poderia doar algo de mim para ajudá-los. O tempo que passei nesta casa de apoio ajudou-me a crescer e amadurecer comopessoa. Sabia que poderia continuar com o trabalho voluntário, mas também aceitei queprecisava de ajuda para tratar as minhas feridas na alma. Senti que faltava tratar algumasSaulo A Navarro
  20. 20. Homossexualidade: um engano em minha vida 20áreas em minha vida que estavam atrapalhando meu crescimento como cristão e comohomem. Sentia solidão, passei a pensar em conhecer uma garota e poder fazer estetrabalho voluntário junto com ela. Este passo, deixar uma mulher entrar em minha vida,exigiria muito de mim, teria que abrir mão de várias conquistas para alcançar estemomento tão importante, pois não queria ficar só. Decidi não viver mais com homenslogicamente teria que me relacionar com uma mulher. Só de pensar nas áreas de minhavida que teriam de ser tratadas eu já ficava em pânico. Não se trata da homossexualidadee sim das raízes que sustentavam a homossexualidade na minha vida. Algumas pessoas que praticam a homossexualidade são completamente contraalguém oferecer ajuda a uma vida que deseja voluntariamente sair desta prática sexual.Isto é uma injustiça, eu precisei e busquei por esta ajuda e fico feliz por ter conseguido.Toda pessoa que está insatisfeita com sua homossexualidade deve ter a liberdade debuscar apoio. Nada mais justo do que isto, quem deseja estar na homossexualidade quefique, procure ser feliz, mas os que estão insatisfeitos merecem receber o apoio devido.Deve haver respeito para os dois lados. Se eu não tivesse recebido ajuda para deixar aprática homossexual não estaria vivendo esta felicidade e satisfação que tenho hoje foradesta prática. Sou contra quem condena e dificulta a vida dos praticantes dahomossexualidade, deve-se com toda certeza ter respeito com todos. Quando decidi sairda homossexualidade, as pessoas que me ajudaram em nenhum momento quiserammudar minha sexualidade, pois elas sabiam que sempre fui heterossexual, e que tudo quefiz e achei ser na questão homossexual não alterou minha heterossexualidade. Então,quando vejo alguém querendo impedir que se ajudem pessoas que voluntariamentebuscam apoio para deixar a prática homossexual, fico perplexo, pois esta pessoa nãoestá sendo justa. Há tempos atrás acompanhei um debate entre praticantes dahomossexualidade e políticos sobre a questão de proporcionar ajuda aos que buscamvoluntariamente deixar a prática homossexual. Neste debate, um praticante dahomossexualidade foi questionado se em algum momento buscou ajuda para deixar estaprática e ele respondeu que sim. Isto quer dizer que ele teve a oportunidade de escolherbuscar ajuda, porém não deu certo, e vem agora impedir que outros façam o mesmo? Assim como eu, que era convicto da minha homossexualidade, um dia meencontrei muito insatisfeito e busquei ajuda para mudar, concordo que se ofereça apoioaos que buscam mudança de comportamento. Hoje posso viver a heterossexualidade deforma plena, imagina se houvesse algum impedimento? Todos os rapazes com quem estive mantinham no seu íntimo a vontade de um diaterem uma vida diferente. Eu podia bater o pé e negar com minhas atitudes e palavras,mas no coração eu desejava mudar, só não sabia como. Deixar anos de práticahomossexual exigiu de mim cura das feridas da alma, foi um processo gradativo e levouseis anos. Se tivessem prometido mudança instantânea e isto não ocorresse, eu poderiair embora por não ver meus desejos e vontades transformados de um instante para outroe pior, poderia desacreditar do maravilhoso evangelho de Cristo. Mesmo no erro fui muitoamado pelas pessoas que me evangelizaram. Aprendi que Jesus realmente veio aomundo para buscar e salvar a todos que estão cativos do erro. Precisava buscar Deus detodo o meu coração, de toda minha alma e entendimento, pois não há transformação senão houver busca. Foi preciso abrir mão das situações que até então dominavam minhavida.Saulo A Navarro
  21. 21. Homossexualidade: um engano em minha vida 21 Muitos “amigos” do meio antigo me ligavam, não para me ajudar, mas para piorar oestado em que me encontrava. Lembro-me de uma ligação que recebi logo que decidi meafastar daquele meio. A pessoa dizia: ”Como está você Saulo, neste carnaval comquantas pessoas você ficou? Respondi: nenhuma. E ela dizia: “não posso acreditar, poiseu fiquei com seis pessoas nestes dias de carnaval!"”. Quanto vazio, hoje se puder falarcom esta criatura novamente eu diria: “venha conhecer a verdade, a verdade que trás paze descanso para sua alma, venha para a luz que é viver com Jesus. Somente em Jesuspoderá encontrar descanso e conforto para sua alma”. Cansei de buscar consolo, amor eaceitação através da homossexualidade. Quando deixei tudo e todos do meio homossexual eu mantive contato somentecom uma grande amiga. Ela continuava na vida lésbica e nos víamos de vez em quando.Se eu quisesse continuar em busca de resignificação de vida eu teria de deixá-la irembora. Pois a influência dela poderia prejudicar minha caminhada. Uma vez aceitei umconvite dela para ir num bar para homossexuais e o risco de regredir foi altíssimo, fui aum lugar que já havia freqüentado, e pela primeira vez pude perceber como eu haviavivido. Aquele bar parecia um açougue, onde bastava olhar para o lado e tinha um pedaçode carne para se relacionar comigo. Pude perceber como eu buscava me identificar comalguém, como procurava no outro o que faltou receber do meu pai e da minha mãe. Nãopoderia alcançar resignificação de vida voltando ao que sempre fiz, praticar ahomossexualidade. Quando cheguei em casa, depois de sair deste bar, entrei no meuquarto e fiz uma oração de clamor a Deus, pedindo ajuda. Continuei a caminhada eabracei Jesus com toda minha força. Nenhum erro está fora da graça de Deus, nenhum.O amor de Jesus pode alcançar o mais profundo abismo. Passei a compreender adiferença entre tentação e pecado. Eu possuía o Espírito Santo que Deus me dera nãopara me impedir de ser tentado, mas para que me capacitasse a resistir e não ser vencidopelas tentações. Precisava de amadurecimento espiritual. Era preciso dedicaçãoconstante de minha parte. Neste momento eu precisava de amor e não de julgamentos. Durante muito tempo continuei recebendo ligações para sair nos bares e boates.Relutei para não aceitar estes convites. Em meio a dor emocional que afetava até mesmomeu físico eu fiz uma escolha, decidi mudar e buscar crescimento e amadurecimento. Derepente Deus providenciou uma mudança na minha vida. Que surpresa mais agradável. Olouvor no final deste testemunho diz exatamente sobre esta libertação que recebi. Meuscaminhos estavam sendo endireitados. Afastei-me de tudo e de todos do meio antigo,precisava buscar alimento para sobreviver e permanecer firme. Hoje posso enxergar eestar aqui falando do que Deus tem feito em minha vida, para honrar e glorificar esteDeus que sirvo, onde pude receber e aceitar a verdade que está em sua Palavra queliberta e dá vida. Descobri que estava alimentado por uma mentira, que acreditara emuma mentira. Quando pude perceber o que realmente eu tinha vivido, confessei que erapecador, aceitando Jesus como meu único Senhor e Salvador. Precisava desaprender ocomportamento errado que havia aprendido e a Palavra de Deus começou a fazersentido. Entendi que conheceria a verdade, e se iria conhecer a verdade o que eu viviaera mentira, falso, ilusão. Esta verdade me libertou do cativeiro ao qual me encontrava.Os rótulos que havia recebido começavam a cair. Hoje sou livre e sirvo a um Deus quemuda o caminho errado e incerto de quem Ele quiser, e Ele quer que todos se salvem.Aquele que perder a sua vida por amor a Jesus encontrá-la-á. Lembremo-nos que Ele é onosso Senhor, devemos nos curvar diante dEle. Ele nos dá o livre arbítrio para escolherentre a vida e a morte.Saulo A Navarro
  22. 22. Homossexualidade: um engano em minha vida 22 Hoje falo da dificuldade que vivi enquanto na homossexualidade. Falo mais daverdade que descobri através da palavra de Deus, verdade que me libertou e me tornoulivre de todo engano que envolvia minha vida. Para você que se acha livre, que faz o quequer, cuidado, você está mais preso do que possa imaginar. A minha liberdade enquantona homossexualidade acabou se tornando minha prisão. Algum tempo atrás um travesti famoso deu uma entrevista em um programa detelevisão, onde o entrevistador perguntou: “Você já colocou seios, já delimitou seu corpocom formas femininas, deixou o cabelo crescer, mudou seu rosto, seus lábios, pergunto:porque não faz uma cirurgia para tirar seu pênis e colocar uma vagina?”. Resposta:“Porque não quero fazer o que muitos travestis tem feito, passam horas compsicanalistas, horas de mutilação através de uma cirurgia, depois vão para casa serecuperar, e batem a cabeça na parede, porque sabem que foram feitos homens epensam como homens”. As leis que hoje existem em países liberais, que asseguram orelacionamento homossexual, cirurgias para troca de órgão genital, seguro de vida,poderiam aliviar o preconceito à minha volta, facilitar o meu dia-a-dia, mas não poderiamassegurar e me proteger do vazio que estava dentro de mim. Existe perfeição em Deus.Compreendi que a vida homossexual que eu levava estava fora do plano perfeito de Deuspara mim. A vontade de Deus para mim é boa, perfeita e agradável. Durante os estudos de 2º grau tive um colega de sala que recebia muitas palavrasde maldição vinda dos outros alunos, ele apresentava um jeito efeminado e por isto erarotulado de “veado”, “bicha”. Quando comecei a freqüentar as boates, vi uma mulher queme chamou a atenção, estava vestida de modo muito sensual, fui até ela para conhecê-la,ao me aproximar reconheci seu rosto. Qual minha surpresa ao ver que não era ela e simele, aquele rapaz do 2º grau que era efeminado. Havia colocado silicone no seu corpopara ganhar formas femininas. Esta porção da sociedade que disse para este rapaz se aceitar assim é a mesmasociedade que o jogou em um caldeirão de água fervendo. Vejo uma grande parte deadolescentes e jovens sendo influenciados pela mídia, pela cultura, a se permitirem. Detanto receber informações de que a sexualidade deve ser vivida da forma em que acharmelhor estes jovens acabam entrando em relacionamentos com pessoas do mesmo sexopor simples influência de alguns. Há um cultura do “se é bom para você então faça,permita-se”. E paralelo a isto existem pessoas que insistem em dizer “eu preciso viveristo, preciso passar por isto para ver como é”. Nada mais do que tentar enganar a simesmo para amenizar os efeitos da situação. Há poder na Palavra de Deus, poder quepôde transformar minha vida desde que aceitei a verdade. Busquei cura para as feridasda alma e transformação no meu viver. Deus oferece água viva para todos que tem sede.Quem tem sede vá até esta água que é a Palavra de Deus e beba e rios de água vivafluirão do seu interior.Saulo A Navarro
  23. 23. Homossexualidade: um engano em minha vida 23Namoro Comentei no decorrer deste texto que desejava conhecer uma garota, não queriaviver só, mesmo sabendo que teria que tratar outras áreas da minha vida que até entãonão havia tratado. Relacionamento com pessoas do mesmo sexo eu não queria mais,então precisava aprender a me relacionar com o sexo oposto. Após 5 anos fora da práticahomossexual e de aprendizado da Palavra de Deus participei de um encontro ondehomens e mulheres insatisfeitos com uma vida na homossexualidade buscavam ajuda. Láconheci uma psicóloga que comentou comigo sobre a necessidade de tratar algumasquestões que estavam me impedindo de ter mais qualidade de vida, de alcançar meusnovos objetivos e obter amadurecimento. Trazia comigo cicatrizes que precisavam ser realmente tratadas. Agradeci oconselho desta psicóloga e sabia que iria precisar mexer nestas questões mais cedo oumais tarde. A tendência homossexual que tive era conseqüência de diversas raízesprofundas em minha alma. Esta psicóloga tinha conhecimento do que estava falando. Atéhoje não tive a oportunidade de dizer a ela, mas uma frase que ela me disse causougrande impacto em mim. Perguntei se ela estava tendo muitos problemas por mudar asexualidade de uma pessoa de homossexual para heterossexual. A resposta foitremenda: “Jamais busquei mudar a sexualidade de ninguém, todos são heterossexuais,apenas auxilio pessoas em diferentes áreas de suas vidas que acabam fazendo com queelas deixem de estar homossexuais”. Antes de ir para este encontro havia terminado meu namoro, pois estas questõesque a psicóloga comentou afetavam minha saúde emocional. Conheci esta namorada emuma casa de apoio que passei a ajudar. Cheguei lá para oferecer ajuda voluntária e aconheci ao participar como ouvinte de uma palestra sobre abuso sexual. Gostei delanaquele momento, e sabia que uma nova fase em minha restauração na sexualidadeestaria por começar. Vou compartilhar com você um pouco deste momento. Convidei esta garota para tomar um café, um dos fatores que me motivou foi aadmiração que tive por ela. Uma garota que passou pela dor e que havia decididotambém resignificar sua história. Em minhas orações eu pedia para Deus que meapresentasse uma mulher que sabia o que era dor, assim ela entenderia a minha dor.Minha real intenção não seria tomar um café com ela e sim pedir para ela namorarcomigo. Estava nervoso e minha voz tremia, e falei que desejava namorá-la, na verdade onervosismo era tanto que quase vomitei as palavras. Ela aceitou meu pedido e disse que seria preciso eu procurar o líder da casa deapoio e conversar com ele. Assim teríamos alguém acompanhando nossorelacionamento, onde indicasse limites seguros para nós dois. Esta decisão foi muitoimportante, ter alguém para prestar contas de nossas atitudes. De um lado estava eu comeste histórico de homossexualidade e do outro estava ela com a sua história. Até aquiestávamos sofrendo conseqüências de escolhas erradas, então nos posicionamos parapelo menos tentarmos acertar em tudo que podíamos neste namoro. Passamos a ter uma amizade especial, onde saíamos para nos conhecer. Foiótimo para mim pois eu me sentia seguro sabendo que havia limites. De início nós íamosSaulo A Navarro
  24. 24. Homossexualidade: um engano em minha vida 24em parques, tomar sorvete, tomar café numa panificadora, e até mesmo sair para nãofazer nada juntos, só sair e ficar junto. Passado um tempo iniciamos nosso namoro, nestafase nós ficávamos mais tempo juntos, eu tive que aprender a andar de mãos dadas comela, a sentir a pele do corpo e dos lábios. Tudo era um aprendizado, eu estavaacostumado com a pele e o toque de pessoas do mesmo sexo. Foi incômodo no início,mas depois meu corpo foi se acostumando com estas novas situações. Um momento degrande alegria foi quando eu fiquei excitado ao beijá-la, e foi natural. Quando istoaconteceu pensei em como poderia ser isto. Passei anos me achando diferente, esquisitoe de que não poderia namorar uma mulher e muito menos ter um relacionamentoprofundo e meu corpo se excita naturalmente com um beijo? Então quer dizer que minhaheterossexualidade sempre esteve comigo, prontinha para ser usada! Até aqui eu só tinharelacionamentos com pessoas do mesmo sexo e me vejo excitado desta forma! Tive admiração por minha namorada, o desejo de estar com ela era mais forte doque o medo que sentia pelo desconhecido. Volta e meia um pânico se apoderava de mim,pois tinha medo de algumas situações, medo de ficar sozinho com ela e ser abusadonovamente, medo de ouvir novamente palavras que pudessem ferir minha masculinidade.Hoje consigo dar risada desta situação. Foi difícil cada momento deste relacionamento.Quando nós saíamos para namorar eu já planejava todo o percurso, desde o início até ofim, assim teria a certeza que não ficaríamos sozinhos. Com o namoro nossorelacionamento foi se estreitando e percebi que estaria em perigo. A situação que vou contar agora demonstra como aquele abuso que sofri aos 18anos ainda paralisava minha vida hoje. Estava em casa e recebi uma ligação, era minhanamorada. Ela me fez uma pergunta que estremeceu meu chão, ela perguntou se poderiame chamar de “meu amor”, fiquei sem ar nesta hora, seria muita intimidade e eu poderiaser abusado na primeira chance. Durante outra conversa ela falou que assim que nosencontrássemos ela iria fazer algo bem gostoso para mim. Assim que eu desliguei otelefone entrei em pânico. Entendi que ela iria chegar em casa e abusar de mim assimcomo aconteceu aos 18 anos de idade. Senti todas as sensações daquele abuso, eracomo se ela fosse me ridicularizar e atacar minha masculinidade. Em minha mentepassou um filme, onde eu sofria todos os danos causados pelo abuso sexual de 20 epoucos anos atrás! Então seria mais fácil terminar o namoro, assim estaria seguro. Então, terminei o namoro. Mais uma vez me vi sozinho fugindo de uma garota porestar com medo. Era necessário aprender a me relacionar com o sexo oposto, passar ater relacionamento profundo e não superficial. Para isto acontecer eu precisaria tratardeste medo de ser abusado e ridicularizado. E eu precisaria contar para ela tudo o que sepassava comigo, assim ela poderia saber em como lidar comigo nestes momentos. Passou o tempo e senti saudades dela, detectei que o amor que sentia por ela eramaior que todo o medo. Mas ela poderia estar me esperando ou não, eu estava correndoeste risco. Em uma viagem que fizemos com nossos amigos voltamos a namorar. Pelasegunda vez a pedi em namoro.Saulo A Navarro
  25. 25. Homossexualidade: um engano em minha vida 25Noivado A fase do namoro foi passando e decidi comprar as alianças para o noivado.Localizei a loja que iria comprar as alianças, enquanto caminhava em direção á loja fuisurpreendido por um ataque de pânico, parecia que havia uma multidão a minha voltalançando palavras e olhares de reprovação por estar para adquirir as alianças do meufuturo casamento. Não consegui entrar na loja, dei outra volta e venci o medo entrando naloja sem demonstrar minha insegurança, tremia por dentro e suava muito. Estassensações eram conseqüências do abuso sexual. Guardei as alianças por um mês para me acostumar com a idéia e marcar umpasseio com ela para fazer uma surpresa. Levei-a para um passeio ecológico e no meiodo caminho parei o carro e com o coração saltando pela boca a pedi em casamento. Foiuma cena inesquecível para nós dois. Neste momento estávamos demonstrando um parao outro a aceitação e concordância mútua da nossa união. Conto este fato para quepossam entender a dificuldade que havia em mim para alcançar o meu sonho de ter umamulher ao meu lado. Teria que vencer o medo. Certa noite ao voltarmos de uma formatura, senti medo de ficar sozinho com ela,mesmo estando noivo. Decidi compartilhar com minha noiva sobre este medo, pois nãoqueria estar casado e de repente ter medo de estar com ela em casa. Decidimos que euiria procurar ajuda profissional, de algum psicólogo, e isto seria antes do casamento.Levei esta questão do medo para uma psicóloga de minha confiança, e falei do meu medode ser abusado sexualmente pela minha noiva, do medo que havia na minha mente dever minha masculinidade ser destruída novamente. Mesmo sabendo que minha noivajamais faria isto senti medo. Era como se entre eu e ela surgisse um monstro enormechamado “Abuso Sexual” e “Palavras Destrutivas”. Interessante que neste momento aquestão da homossexualidade nem foi levado em conta. A homossexualidade haviaficado para trás e o que ficou foram resquícios de experiências ruins da infância eadolescência. Conforme ia tratando certas áreas em minha alma, a homossexualidade ficavacada vez mais distante. A psicóloga fez um trabalho excepcional em cima de váriasexperiências traumáticas que vivi. Detectamos que o medo era devido ao abuso sexualque passei há 20 anos atrás. As sensações do abuso sexual e das palavras que ouvificaram em minha mente e sempre que algum gatilho era acionado o medo surgia naminha frente. Este gatilho poderia ser simplesmente uma palavra que eu ouvia, como porexemplo o caso da conversa ao telefone com minha namorada onde ela disse para mimque iria fazer algo bem gostoso assim que nos encontrássemos. Estas palavrasacionaram um gatilho onde pensei que ela iria fazer o mesmo que a namorada que tive á20 anos atrás que causou o abuso. Neste momento eu queria terminar o namoro e ficarlonge dela, fugir dela. O medo fazia com que eu parasse e não enxergasse mais nada naminha frente, a não ser o abuso sexual que poderia vir a sofrer. A psicóloga utilizou umatécnica que desensibilizou o trauma causado pelo abuso sexual. Por incrível que pareça, não sobrou nenhum resquício do abuso que sofri. Foicomo ela disse no início do tratamento, que eu iria estar sentado no banco do passageirode um carro olhando a paisagem passar. Já havia participado de encontros de homens naSaulo A Navarro
  26. 26. Homossexualidade: um engano em minha vida 26igreja e estive sendo acompanhado por ela durante seis meses, em um período recebi aajuda do seu marido. Foi de grande importância estar sendo aconselhado por estehomem. Com ele pude ouvir situações que acontecem no relacionamento existente entrehomem e mulher, como ter uma boa convivência com o sexo oposto. Conversávamossobre sexualidade, intimidade sexual, relacionamento e outros assuntos de granderelevância para quem estava prestes a se casar. Este caminhar foi até o casamento e seique posso contar com ele sempre que precisar. Procurei aproveitar todas asoportunidades que surgiam em minha frente, vários casais estiveram comigo nesteperíodo de restauração. Deixo claro aqui que em nenhum momento ninguém tentoumudar minha sexualidade, houve sim um tratamento de várias áreas da minha vida queacabaram atingindo uma melhora gradativa em minha sexualidade, onde os desejoshomossexuais foram gradativamente perdendo força. O medo foi lançado fora, descobrique o verdadeiro amor lança fora todo o medo.Saulo A Navarro
  27. 27. Homossexualidade: um engano em minha vida 27Casamento Casei-me em novembro de 2006. Durante o noivado nós decidimos fazer algo bemsimples, só no cartório para que não gerasse mais desgastes emocionais. Mas tudocaminhou tão agradavelmente que no final fizemos nosso casamento numa chácara combastante convidados. Vivemos e degustamos cada fase do nosso relacionamento. Cadapasso na hora certa, sem apressar o rio. Agradeço a Deus por ter usado de pessoas em minha caminhada de restauraçãopara que pudesse me relacionar adequadamente com uma mulher. Não há necessidadealguma em fazer o que eu fazia. A vida que levo com minha esposa é gratificante emtodos os sentidos. Tenho alcançado saúde emocional e através disto tenho me tornadoum homem melhor, um cristão melhor. As feridas na alma que carreguei por cinco anos,após entrar num processo, dificultavam minha caminhada como cristão. Quando aceitei aCristo em minha vida tive a convicção que estava salvo, mas também sabia que precisariatratar as feridas que estavam na minha alma. Deus também nos oferece saúdeemocional. Paz é o que sinto hoje. Realmente a vontade de Deus para os que o amam éboa, perfeita e agradável. Casei-me porque não queria viver só, mas não é o casamentoque irá dizer que uma pessoa deixou a homossexualidade. Eu quero o bem desta terra e você? Muitos me chamam de louco, por ir contra opadrão deste mundo. Mas Deus escolhe as coisas loucas deste mundo para confundir assábias. Escolhe os pequenos para confundir os grandes. Para você que deseja mudança de vida, que está cansado de tudo que tem feito,saiba que há esperança para você, enquanto houver vida, haverá esperança. Declarecom sua boca que Jesus é o único Senhor e Salvador de sua vida, procure um povo deDeus para receber você, um povo que pregue Jesus como único Senhor e Salvador,passe a viver conforme a sua palavra porque, assim como Jesus me chamou pelo meunome, Ele também te chama pelo seu nome.Saulo A Navarro
  28. 28. Homossexualidade: um engano em minha vida 28 “Onde você vai parar com esta solidão em seu rosto transparece a dor do coração como um prisioneiro triste disfarçando em livre caminhando em toda pressa sem ter onde ir tu choras assim que alguém te vê, isto é natural de alguém que desprezou a paz e veio o temporal tu dizes: não tem mais remédio pra curar meu tédio contudo há uma esperança tu podes ser livre livre, livre, livre, livre entrega tua vida a Cristo e serás livre, contigo faz uma aliança tu nasce tal como criança e serás livre, livre hoje sou livre, livre, livre, livre Aleluia entrega tua vida a Cristo e serás livre”. Letra e música: Pastor Camilo Gravado por: Irmãs Camilo Agradeço por terem cedido a utilização do louvor “Livre” para este trabalho evangelístico. Ao nosso Deus seja toda Honra, Glória e Louvor para sempre.Saulo A Navarro

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