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O IMENSURÁVEL AMOR DE DEUS
A compaixão divina em face do sofrimento humano

                Floyd McClung, Jr.



         Título original: The Father Heart of God
                      10ª Impressão
                    Editora Vida, 2005

                Digitalizado por Alicinha
                 Revisado por Alicinha




             www.semeadoresdapalavra.net


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       gratuitamente, com a única finalidade de
       oferecer leitura edificante a todos aqueles
        que não tem condições econômicas para
                        comprar.
     Se você é financeiramente privilegiado, então
     utilize nosso acervo apenas para avaliação, e,
          se gostar, abençoe autores, editoras e
              livrarias, adquirindo os livros.


      Semeadores da Palavra e-books evangélicos
Conteúdo



1 . O Coração Sofredor do Homem..............................................................7
2. Pai Perfeito..............................................................................................15
3. Quando o coração está ferido..................................................................26
4. Cura proveniente de um Pai amoroso.....................................................41
5. A Essência do Desapontamento..............................................................60
6. O Coração Partido de Deus.....................................................................72
7. O Pai que Espera.....................................................................................85
8. Pais no Senhor........................................................................................94
Apêndice...................................................................................................105
Reconhecimento de Gratidão


     Sou muito grato à ajuda e ao aconselhamento de muitos amigos que
me possibilitaram escrever esse livro.
      Sou especialmente grato a Sally, minha esposa, pelo seu amor e
estímulo, e a meus filhos Misha e Matthew, que foram pacientes comigo
enquanto gastei muitas horas trabalhando em meu escritório, e a minha
secretária Lura Garrido, pela datilografia e redatilografia do manuscrito.
      Meus agradecimentos especiais também a Linda Patton e a Terry
Tootle, que ajudaram Lura na datilografia, e a Tom Hallas, Roger Foster e
Alv Magnus, pelas sugestões que nos apresentaram. Agradeço a Christine
Alexander e a Ed Sherman ajuda nas pesquisas. Sou grato ao Dr. H. Wayne
Light, que não somente é psicólogo de inusitada competência, mas também
meu primo e amigo, pelas sugestões e ajuda no esboço das diretrizes do
Apêndice.
      Muitos amigos me animaram ao longo do caminho, quando eu
duvidava do valor do livro ou da minha capacidade para concluí-lo. Sou
especialmente grato a Henk Rothuizen, Jon Petersen, Arne Wilkening,
Wilbert van Laake, John Goodfellow, Lynn Green, ao Dr. Phil Blakley e a
John Kennedy, pelo precioso estímulo e aconselhamento no momento
oportuno.
      Também agradeço sinceramente o estímulo que recebi de Richard
Herkes e o do pessoal da Kingsway, que refletiram a atitude própria do
reino de Deus em todos os nossos relacionamentos.
     Sou devedor também a Mike Saia e a John Dawson, e ao Ministério
dos Últimos Dias por dar-me permissão para usar alguns trechos do folheto
O Coração Paterno de Deus.
     Acima de tudo sou agradecido ao Senhor, porque tudo o que é bom
vem dele!
Um novo exame do Caráter de Deus


      Enquanto meus dois filhos, Misha e Matthew, e eu, estudávamos o
quadro, sentíamos grande tristeza. Era uma tela grande pintada com traços
rápidos, infantis. A figura alta, como que feita de paus, de cabeça quadrada,
representada em cores escuras, transmitia uma sensação de frieza e
severidade. O nariz em forma de bico e os longos braços salientes quase nos
davam a impressão de um monstro.
      O quadro era intitulado “Homem”, mas de acordo com um dos guias
do Museu Stedelijk de Amsterdã, o título original da obra de Karel Appel
era “Meu Pai”.
      Discutimos o quadro durante longo tempo. Que tipo de
relacionamento teve Karel Appel com seu pai? Mais importante ainda, de
que modo esse relacionamento influenciou a imagem que ele tinha de
Deus? Imaginávamos se ele acreditava em Deus, e se cresse, se ele o via
como um pai amoroso.
      Escrevi esse livro porque a maioria das pessoas não conhece a Deus
como Pai amoroso. Não o vê como alguém a quem amar, e em quem
confiar, alguém digno da sua lealdade e compromisso absolutos. Quer a
pessoa seja crente, quer não, numa ou noutra época todo o mundo pensa
seriamente na questão de quem é Deus e de como ele é.
       Muitos anseiam conhecer a Deus pessoalmente, porém o imaginam
como um Ser remoto, impessoal, que não pode ser conhecido. Outros
anseiam um relacionamento com ele, mas apegam-se ao conceito errado de
que ele está sentado no céu usando um terno preto, cofiando a longa barba
branca, enquanto olha para baixo, procurando julgar alguém que se atreva a
sorrir aos domingos.
      Este livro foi escrito para prover um novo modo de examinarmos a
Deus, e ajudar-nos a solucionar certas áreas da nossa vida que podem estar
impedindo um relacionamento com ele como o nosso Pai. Exploraremos
como as mágoas passadas podem colorir o nosso conceito de Deus, e como
os nossos pais terrenos podem ter influenciado, de modo inconsciente, a
nossa perspectiva do Pai celeste.
Creio que Deus nos criou para sermos parecidos com Ele, em escala
menor, é claro! Ele nos criou a fim de que nos amemos uns aos outros,
cuidemos da sua criação de forma responsável, e estejamos seguros e
confiantes em quem somos. Mas o nosso egoísmo e as nossas mágoas
emocionais nos retêm e impedem que sejamos as pessoas que nosso Pai
pretendia que fôssemos.
      O fato de Deus ter cuidado de nós e nos oferecer libertação do
egoísmo, e cura para os males é o que motivou minha esposa e nossa
família a ir morar na zona de meretrício de Amsterdã e ali compartilhar do
amor de Deus. Foi essa a razão de termos morado três anos no Afeganistão.
Foi lá que conhecemos a Steve, que tinha uma história singular para contar.
1 . O Coração Sofredor do Homem

      Ele dizia chamar-se Steve, mas eu tinha a impressão de que esse não
era o seu nome verdadeiro. Suas calças “jeans” eram desbotadas e gastas,
não porque as comprara assim nalguma loja européia, no “grito da moda”,
mas por causa do constante desgaste na “trilha hippie”. Tinha viajado por
terra de Amsterdã, com um amigo, no “ônibus mágico”, uma linha
rodoviária barata mas às vezes perigosa, e haviam chegado recentemente a
Cabul, capital do Afeganistão.
      Minha esposa e eu, juntamente com alguns destemidos amigos,
morávamos em Cabul e dirigíamos uma clínica grátis para os desistentes da
sociedade ocidental que vagueavam pelo centro da Ásia à procura de
aventuras, drogas e escape dos modos de vida que vieram a abominar.
Muitos haviam sido empurrados para a margem da sociedade pela rejeição e
por um profundo sentimento de alienação. Nada em seu ambiente lhes
provia um senso de identificação ou de participação. Steve não era exceção.
      Nas semanas que se seguiram ele nos visitou ocasionalmente na
clínica. Um dia ele me perguntou se eu queria ouvir algo sobre o dia mais
feliz da sua vida. Era a primeira vez que ele voluntariamente se oferecia
para falar acerca de si mesmo, de modo que eu estava ansioso por ouvir.
     — Vou contar-lhe o dia mais feliz de minha vida — disse-me ele,
com um estranho sorriso. A dor reprimida e a hostilidade entraram em
erupção, numa torrente de fúria vulcânica.
     — Foi o dia em que fiz 11 anos. Nesse mesmo dia meus pais
morreram num acidente de carro!
     A voz dele fervia de amargura.
      — Eles me disseram todos os dias da minha vida que me odiavam e
que não me queriam. Meu pai não me tolerava e a minha mãe me lembrava
constantemente que eu tinha sido um acidente. Eles não me queriam e estou
contente de estarem mortos!
      Nas semanas seguintes continuei tentando ajudar a Steve, mas perdi-
lo de vista logo depois. Sua dor e ódio, entretanto, permanecem gravados
vividamente na minha memória.
O que Sally e eu descobrimos no Afeganistão nos princípios dos anos
setentas não foram apenas alguns pobres ocidentais feridos que fugiam dos
seus problemas, mas toda uma subcultura de pessoas sofredoras. Nos
últimos dez anos investimos nossas vidas na ajuda a pessoas
emocionalmente feridas e descobrimos que nenhum nível da sociedade é
imune à dor dos relacionamentos partidos.
      Certo jovem de classe social elevada que veio a nós pedindo
aconselhamento, descreveu como o seu pai o obrigou a olhar enquanto batia
na sua mãe e depois a apunhalava. Uma jovem mulher narrou-nos as
humilhações que sofreu às mãos do pai, dos irmãos e do avô, que a
violentaram. Outro jovem confidenciou-nos que seus pais o deram a seus
avós simplesmente porque não o desejavam. Seus avós por sua vez, o
colocaram num orfanato quando ele tinha cinco anos. Ali o diretor o
espancava todos os domingos se ele se recusasse a ir à igreja. Anos mais
tarde ele entregou a vida a Cristo por mediação do nosso trabalho no
Afeganistão, e então voltou para casa a fim de expressar o seu amor e
perdão aos pais, com um presente. Quando a mãe o viu, gritou enraivecida e
não lhe permitiu entrar em casa. Um jovem e simpático marido chorava ao
confidenciar-nos que não se lembrava mais de ter ouvido as palavras “Eu te
amo” da parte do pai, que era advogado.
      Nosso mundo está infestado por uma epidemia de dor. Com o índice
de divórcio aumentado e o abuso contra as crianças berrando nas manchetes
nacionais, não e de surpreender que para muitos o conceito de Deus Pai
provoca reações de ira, ressentimento e rejeição. Visto não terem conhecido
um pai humano bondoso e atencioso, possuem uma visão distorcida do
amor do Pai celeste. Em muitos casos esses indivíduos sofredores
escolheram simplesmente negar ou desprezar a existência de Deus.
      John Smith, um amigo meu de Melbourne, Austrália, fala a respeito
de um adolescente endurecido, criado na rua, que lhe deu uma única
oportunidade de apresentar-lhe Deus.
     — Está bem camarada — disse ele — como é Deus?
     Recém-formado em teologia, John não titubeou:
     — Ele é como um pai.
     Os olhos do jovem fuzilaram de ódio.
     — Se ele parece com o meu velho, fique com ele pra você!
Mais tarde, John soube através de um assistente social que o pai do
menino havia violentado a própria filha várias vezes e batido na esposa com
freqüência.


Feridas Emocionais

       Uma experiência negativa na infância não é o único fator que nos
frustra a compreensão de Deus como Pai. Muitos experimentam um
bloqueio emocional ou mental quando tentam chamar Deus de “pai”, pois
não o conhecem pessoalmente. Há diferença entre saber a respeito de Deus
e conhecê-lo pessoalmente. Lemos em João 1:12: “Contudo aos que o
receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem
filho de Deus”. Para que nos tornemos filhos de Deus, devemos crer que
Jesus Cristo é o Filho de Deus, que morreu e ressurgiu para que nossos
pecados pudessem ser perdoados. Precisamos, em seguida, pedir-lhe que
nos perdoe e se torne o Senhor de nossa vida. Então, como filhos, dedicar a
vida ao aprendizado, à obediência a Palavra de Deus e à adoração a ele
somente.
      Outras pessoas têm dificuldade de relacionar-se com Deus como Pai
porque durante a vida toda foram ensinadas a respeitá-lo. Para elas isso
significa chamá-lo de Senhor. Usar um termo informal como “Pai”, parece-
lhes falta de reverência. Entretanto, a Bíblia nos ensina a chamar Deus de
“Pai” quando oramos (Mt 6.9) e nos diz que Ele deseja ter um
relacionamento íntimo e pessoal conosco, seus filhos.
      Algumas de nossas dificuldades mais comuns para compreender o
imensurável amor de Deus são as feridas emocionais. Muitas vezes, essas
feridas produzem cicatrizes que nos fazem hesitar em confiar inteiramente
nele como Pai.
     A Bíblia oferece muitos exemplos de ferimento emocional e refere-se
a isso como “espírito oprimido”, ferido ou abatido. Diz o livro de
Provérbios “A alegria do coração transparece no rosto, mas o coração
angustiado oprime o espírito” (15.13); e “O espírito do homem o susterá na
doença, mas o espírito deprimido, quem o levantará? (18.14)
       A história de Mical, filha de Saul, demonstra claramente a dor de um
espírito ferido ou abatido. Mical foi educada em um ambiente carregado de
desavença e conflito. Seu pai, homem impaciente e inseguro, com
freqüência explodia em acessos de ira. Não há duvidas de que ela fora
profundamente influenciada pela ira paterna.
      Saul tinha ciúme do futuro rei Davi e isso o levou a planejar uma
armadilha para matá-lo. Como isca, Saul lhe ofereceu uma de suas filhas
como prêmio, caso ele matasse cem filisteus, inimigos de Israel.
“Certamente”, pensou Saul, “Davi será morto pelos filisteus e ficarei livre
dele para sempre!”
       Para grande desgosto de Saul, Davi foi bem-sucedido. Na verdade,
matou duzentos filisteus! Saul concedeu a mão da filha Mical como prêmio,
mas Davi logo fugiu de outro dos ataques de raiva de Saul, deixando-a para
trás. Anos depois ele retornou e encontrou Mical casada com outro homem.
Contra a vontade dela e do novo marido, Davi exigiu sua volta. Por fim, ela
foi arrancada dos braços de seu choroso marido e devolvida à força a Davi
(2Sm 3.13-16).
      Pelo visto, os homens da vida de Mical a moveram entre si como se
ela fosse uma peça no tabuleiro de xadrez. Em razão da sua criação, é
compreensível que tenha reagido a Davi com tanta amargura. O
ressentimento dela explodiu no auge de uma festa de celebração de vitória.


       E sucedeu que, entrando a arca do SENHOR na cidade de Davi,
       Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei
       Davi, que ia bailando e saltando diante do SENHOR, o desprezou
       no seu coração. E, voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical,
       a filha de Saul, saiu ao seu encontro e lhe disse: “Como o rei de
       Israel se destacou hoje, tirando o manto na frente das escravas de
       seus servos, como um homem vulgar!” E até o dia de sua morte,
       Mical, filha de Saul, jamais teve filhos. (2Sm 6.16, 20, 23)


      A reação de Mical resultava de uma ferida emocional que se
transformara em ódio. O remédio que poderia trazer-lhe a cura era o perdão,
mas ela preferiu não concedê-lo. A esterilidade espiritual e física a
atormentou pelo resto da vida.
     Semelhantes a Mical, nos dias de hoje há muitas jovens e mulheres
que sofrem diferentes graus de dor, todavia não precisam acabar como a
filha de Saul. Por causa do seu coração paterno, Deus anseia por renovar-
nos e restaurar-nos mediante o poder curador do seu amor.


O coração de Deus

      Trata-se da parte mais interna ou mais essencial da pessoa: seu
coração. O coração paterno de Deus descreve o elemento fundamental que
caracteriza o que Ele é. Jesus descreve Deus nas Escrituras como o Pai
misericordioso, perdoador, bondoso e amoroso. Jesus demonstrou mediante a
sua vida a própria natureza do Pai celeste.
     — Como é Deus, papai?
     Lembro-me de certa noite, muitos anos atrás, em que lutei para
encontrar uma resposta para a pergunta de Misha, minha filha, então
com 5 anos de idade.
      Enquanto considerava cuidadosamente a questão, percebi que em
sua simplicidade Misha fizera uma pergunta cuja resposta muitas
pessoas gostariam de obter. Talvez os adultos a formulem de maneira
diferente, mas a pergunta básica permanece a mesma: "Se há um Deus,
como ele é?".
      A Bíblia diz que Deus não é um ser finito como nós, todavia deu-se
a conhecer a nós de maneira tão clara, tão compreensível, que podemos
saber como ele é. "Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que
está junto do Pai, o tornou conhecido" (Jo1.18; grifo do autor).
       Eu disse à minha filha como é Deus. Disse-lhe que ele se parece
com Jesus. De fato, certa vez Jesus disse: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14.9).
Jesus é Deus em forma humana. Na Bíblia encontramos muitos
exemplos de como Jesus revelou o Pai para nós. Um desses exemplos refere-
se à passagem em que algumas mães desejavam que Jesus abençoasse os
filhos, mas os discípulos acharam que ele estava ocupado demais, era
importante demais para ser perturbado. Jesus, porém, repreendeu os
discípulos e lhes disse que trouxessem a ele as crianças. Ele tomou os
pequeninos nos braços e conversou com eles. Jesus arranjou tempo para as
crianças, teve tempo para ouvir as histórias e brincadeiras delas. Nem se
importou de sujar-se quando as crianças, de nariz escorrendo e tudo mais,
sentaram no seu colo. Quando vemos que Jesus teve tempo para as
criancinhas, aprendemos que Deus tem tempo para as pessoas. Ele se importa
até com as pequenas coisas da vida. É paciente. Deus-Pai se parece com seu
Filho.
     Certa tarde Jesus parou para falar com uma mulher samaritana, perto de
um poço. Naquela época o povo judeu odiava e desprezava os samaritanos.
As mulheres eram consideradas pessoas de segunda categoria e incapazes de
compreender verdades espirituais.
      Jesus elevou essa mulher a uma posição de igualdade e valor pelo
simples fato de ter rompido um costume social e falado com ela
publicamente. Ao fazê-lo, revelou algo mais de como é Deus. Ao discutir as
necessidades espirituais diretamente com a própria mulher, Jesus comprovou
o seu interesse pessoal por ela e ainda demonstrou que Deus-Pai se importa
com os homens e com as mulheres de forma igual.
       Essa mulher não apenas era samaritana, mas também imoral. Jesus
sabia disso, mas não se sentiu constrangido, tampouco envergonhado, em ser
visto com ela. Na verdade, ele queria conversar com a mulher. Foi por esta
razão que ele viajou através de Samaria: arranjar tempo para demonstrar
amor verdadeiro a essa mulher, conhecida por seus casos amorosos. Jesus
viu além da dureza exterior, das anedotas imorais, do sarcasmo a respeito da
religião. Viu o coração dela. Viu que ela ansiava por algo que preenchesse o
vazio interior. Sentiu a necessidade dela de ser amada, de ser protegida, de
ser alguém especial.
      Por sua vez, a mulher recebeu o amor de Cristo porque Ele a ajudou a
“ver” a Deus de um modo como nunca vira antes. Jesus veio por isto: para
revelar-nos Deus e levar-nos a Ele.
Guia de estudo
     (Capítulo 1 - O Coração Sofredor do

                              Homem)

Leia João 1 e 2


1. Escreva seu conceito pessoal da paternidade de Deus. Como ele é para você?
   Seja o mais honesto e específico que puder.




2. Você tem uma relação íntima/pessoal com ele?




3. Quais são seus sentimentos para com seu pai terreno?




4. Você tem uma relação íntima/pessoal com ele?




5. Você confia em seu pai terreno? Se a resposta for negativa, pode explicar
   por que e identificar as áreas de desconfiança? Liste-as.
6. Você confia em Deus Pai? Se a resposta for negativa, pode explicar
   por que e identificar as áreas de desconfiança? Liste-as




7. Faça uma lista de quantas referências das Escrituras puder encontrar nas
   quais Jesus descreve o coração do Pai.




8. Leia João 14.8-11. O que você sente com o que o Senhor está lhe dizendo?




9. Feridas emocionais não curadas = espírito ferido/enfraquecido =
   amargura/ódio. Você já se sentiu rejeitado ou marginalizado por família,
   amigos, colegas de trabalho ou pela igreja? Se a resposta for positiva,
   descreva o(s) incidente(s).




10. Você acha que está vivendo no momento um grau de sofrimento por
   causa da rejeição/alienação? Se a resposta for positiva, responda como
   isso o afeta hoje.




11. A única cura para essa condição é .............................................. Você está
   disposto a ser conduzido pelo amor do Pai no caminho do perdão e,
   desse modo, ser curado de suas feridas emocionais?
2. Pai Perfeito

      Já me perguntei muitas vezes por que Deus determinou que
entrássemos neste mundo como bebês indefesos. Ele poderia ter criado um
sistema reprodutivo que produzisse pessoas fisicamente completas, como
Adão e Eva. Em vez disso, optou por criar-nos como seres em formação,
pessoas que cresceriam devagar, tanto física quanto emocional e
mentalmente, e com o tempo se tornariam adultos.
      Acredito que Deus planejou nosso início de vida como bebês
totalmente dependentes e vulneráveis porque pretendia que a família fosse
o ambiente em que o seu amor seria modelado, para que as crianças
crescessem sentindo-se compreendidas, amadas e aceitas. Nutrida nesse
ambiente de amor e segurança, a criança poderia desenvolver uma auto-
estima sadia, baseada em Deus, e ver a si mesma como um ser desejado,
importante, valioso e bom.
      Infelizmente, muitos lares não atingem esse ideal. Inúmeras
pessoas sofrem mágoas e rejeição da família e não têm uma genuína figura
paterna com quem se identificar. Tais experiências as impedem de conhecer
a Deus como ele realmente é, negando-lhes a alegria de desfrutar intimidade
verdadeira com ele.
       Relaciono, a seguir, sete diferentes áreas de conceitos errados a respeito
de Deus que, com freqüência, têm origem na infância. Por estima à clareza,
farei referência quase que exclusivamente às qualidades paternais divinas.


Autoridade

      Quando o cachorro da família vem recebê-lo no momento em que
você chega à casa de um amigo, é possível às vezes discernir o modo pelo qual
o animal é tratado. O cão comum ou foge tremendo de medo ou cobre você
com uma demonstração indesejável de afeição expressa com a língua, a
cauda e as patas sujas! O animal amedrontado, que não pode ser persuadido
a confiar em você, provavelmente tem sido maltratado. O exuberante
cãozinho que o surpreende com uma lambida no rosto provavelmente veio
de um lar amoroso. Com freqüência, nós nos aproximamos do nosso Deus de
maneira semelhante. As experiências passadas intensificam nossas reações,
quando ele tenta chegar até nós. O que gera desconfiança na área de
autoridade?
      A porta do quarto se abre com um estrondo. No meio da noite, certo
garotinho é acordado aos tapas por um bêbado enraivecido. Aterrorizada, a
criança grita enquanto o vulto escuro e gigantesco de um homem a quem
chama de "papai" bate nela sem piedade.
      Uma prostituta de 15 anos de idade fixa o olhar no vazio enquanto
mecanicamente suporta mais uma noite de degradação. Pouco se importa com o
que lhe acontece. Ela não se sente limpa desde a noite em que foi molestada
pelo próprio pai.
       Nós, a exemplo do cãozinho amedrontado, às vezes fugimos da
autoridade do nosso Pai celeste porque imaginamos que será como as outras
figuras de autoridade em nossa vida. Não será. Ele é perfeito amor. É ele
quem ordena: "Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a
instrução e o conselho do Senhor" (Ef 6.4).


Confiança

      Na infância pode ser que você não tivesse como saber o que é ter pai,
seja por causa de morte, seja em razão de um divórcio. Talvez tenha sido
relegado à "orfandade" pelas exigências das carreiras dos pais. Agora, como
filho de Deus, para você é difícil não duvidar da fidelidade dele. Não
consegue apagar as recordações infantis de promessas desfeitas e do
abandono. Talvez você só raramente sinta a presença de Deus e fique
inclinado a aproximar-se dele com cinismo e desconfiança.
      Entretanto, seu Pai celeste estava presente quando você dava os
primeiros passos como criança. Ele presenciou as mágoas e desapontamentos
de sua adolescência e, neste instante, está presente com você. Por breve
tempo você foi emprestado a pais humanos que durante alguns anos
deveriam ter-lhe dado amor semelhante ao amor de Deus. A intenção divina
era que o cuidado e a segurança de um bom lar o preparassem para o amor
dele. Se a família falhou no desempenho dessa responsabilidade, você
precisa reconhecer esse fato, perdoar-lhe e prosseguir a fim de receber o
amor de Deus. Ele o aguarda agora mesmo com braços estendidos.
Deus é o único Pai que jamais falhará conosco. Como diz 2 Timóteo
2.13: "Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si
mesmo".


Valores

       Anos atrás um amigo meu, enquanto visitava uma aldeia de nativos do
sul do Pacífico, passou algum tempo observando as crianças brincar. Mais
tarde, ele me disse que essas crianças raramente ouviam palavras como: "Não
toque nisso!", "Deixe isso aí!" ou "Tenha cuidado!". Os lares eram simples,
consistindo em chão de terra batida, teto de colmo (uma palha comprida) e
paredes de esteiras. Em comparação, nossos lares modernos estão cheios de
bugigangas caras, frágeis, e de aparelhos que representam campos minados
de rejeição potencial a pequenos curiosos. Quantas mães não explodiram de
raiva diante de uma criança que despedaçou um vaso ou um bibelô! As
crianças ouvem constantemente palavras sobre a importância e o valor das
coisas. No entanto, muito poucas vezes ouvem um simples: — Eu te amo!
      Uma espécie de slogan, ou bordão repetitivo e destrutivo, vai cavando
seu caminho no subconsciente das crianças: "As coisas são mais
importantes do que eu. As coisas são mais importantes do que eu!'. Não
estou sugerindo que abandonemos nossos lares, mas que precisamos perceber
a possibilidade de nossa noção da generosidade de Deus ter sido violentada
por nossas experiências na infância. Podemos ser forçados a alterar
radicalmente as prioridades de modo que possamos comunicar o amor de
Deus aos nossos filhos.
      Os valores de Deus diferem significativamente dos nossos. A criação
exibe extravagância de cores e complexidade de formas que transcendem o
simples valor funcional. Uma pequena flor branca, beijada pela luz do sol
alpino da Itália, tem significado para Deus, ainda que jamais tenha sido vista
pelo olho humano. A mesma flor pode não ter valor econômico; apesar
disso, foi criada por Deus na esperança de que um dia um de seus filhos
pudesse olhá-la e receber a bênção dessa beleza.
      A maior demonstração de amor do coração paterno de Deus
revela-se na sua atenção aos detalhes de nossa vida. Ele anseia por nos
surpreender com os "extras", aqueles pequenos prazeres e tesouros que
somente um pai saberia que desejamos. Deus não é avarento,
possessivo, nem materialista. Somos nós que, com freqüência, usamos as
pessoas como se fossem objetos; ele usa os objetos para abençoar as pessoas.
Deus manifesta a sua generosidade mediante dádivas mais importantes do
que meras coisas materiais. Graciosamente, ele nos dá o que não pode ser
tocado nem tem preço: o perdão, a misericórdia e o amor.


Afeição

      Quando meu filhinho chega do quintal coberto de lama, eu o
apanho e o lavo com a mangueira do jardim. Rejeito a lama, não rejeito o
meu filho. Sim, nós pecamos. Realmente, quebramos o coração de Deus.
Contudo, ainda somos o centro da atenção e do afeto divinos — a
menina-dos-olhos de Deus. É ele quem nos procura para conceder-nos
perdão e amor. Nós dizemos: "Encontrei o Senhor", mas na verdade foi ele
que, depois de intensa busca, nos encontrou primeiro.
      Muitas crianças, principalmente os meninos, recebem pouquíssimo
afeto físico da parte dos pais e, quando sofrem, não lhes é demonstrada
nenhuma compaixão verdadeira. Por conta do falso conceito de
masculinidade em nossa sociedade, é comum os meninos ouvirem: "Não
chore, filho; homem não chora". Entretanto, o amor de Deus cura os
ferimentos de meninos e meninas da mesma maneira. Sendo nosso Pai, Deus
sente nossa dor muito mais profundamente do que nós mesmos, pois a
sensibilidade dele ao sofrimento é muito maior do que a nossa.
      A maioria das pessoas tenta esquecer os momentos mais dolorosos da
vida, mas Deus não. Ele se lembra de tudo, e muito bem. Deus estava lá
quando você sofreu aquele vexame cruel no pátio da escola, ao ser perseguido
pelos colegas, chegando mesmo a fugir para casa sozinho, evitando o olhar
dos outros garotos. Deus estava lá naquela aula de matemática em que você
se sentiu confuso e infeliz. Quando você se perdeu com 4 anos de idade e
perambulou aterrorizado pela multidão, foi ele quem moveu o coração
daquela bondosa senhora que o ajudou a encontrar sua mãe. "Eu os conduzi
com laços de bondade humana e de amor; tirei do seu pescoço o jugo e me
inclinei para alimentá-los" (Os 11.4).
     Às vezes não entendemos como Deus pode ser verdadeiramente um Pai
amoroso. Os pais podem exibir orgulhosos suas fotos no álbum, mas como
se compara isso com a capacidade infinita de Deus de experimentar tanta
satisfação e prazer que extravasam com todos os seus sucessos? Deus o ouviu
pronunciar sua primeira palavra. Ele observava você com gosto enquanto
gastava horas sozinho explorando novas texturas com as mãozinhas de
bebê. Deus considera um tesouro as recordações de suas risadas infantis.
Nunca houve outra criança como você e jamais haverá.
       Moisés certa vez invocou uma bênção sobre cada tribo de Israel. A uma
delas ele disse: "Que o amado do SENHOR descanse nele em segurança, pois
ele o protege o tempo inteiro, e aquele a quem o SENHOR ama descansa nos
seus braços" (Dt 33.12). É aí que você habita também. Seja lá o que se tomará
aos olhos dos homens — pessoa de grande autoridade, fama ou renome — ,
você jamais deixará de ser nada mais, nada menos do que uma criança nos
braços de Deus.


Presença

      Há um atributo de Deus que nem mesmo o melhor pai pode
esperar imitar — a capacidade divina de estar conosco o tempo todo. Os
pais humanos simplesmente não podem dar aos filhos toda a atenção 24
horas por dia. No entanto, Deus é diferente. Ele não apenas está com você o
tempo todo, mas também lhe dá atenção de forma individual: "Lancem
sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês" (1Pe
5.7).
      Não raro seus pais se preocupavam com as próprias atividades e, com
isso, não podiam interessar-se pelos acontecimentos de menor importância
que diziam respeito a você. Deus, todavia, não é assim. É um Deus
minucioso. A Bíblia diz que ele até enumerou os fios de cabelo de sua
cabeça. Por quê? Não é porque esteja interessado em matemática abstrata;
esse comentário bíblico simplesmente ilustra um quadro de como ele sabe
muitíssimo bem todas as coisas, bem como quão cuidadoso é a respeito de
nossa vida.
      Certo garotinho passou a tarde inteira martelando pregos em alguns
restos de madeira. Enfim, saiu da garagem e mostrou à mãe um navio de
guerra de três andares. Não via a hora de o pai chegar a casa. Papai estava
atrasado. Então, às 18h30 um homem cansado e preocupado chegou. Um
jantar frio o aguardava. Havia consertos a serem feitos. O menino
entusiasmado, cheio de orgulho, tentou mostrar sua obra-prima para um
pai que mal conseguia tirar os olhos da calculadora. Papai não olhou, mas
Deus olhou. Deus sempre olha, sempre tem prazer no trabalho das mãos dos
meninos.
      Deus é, e sempre será nosso Pai verdadeiro. Procure não se ressentir
das falhas dos pais terrenos, pois eles não passam de crianças que cresceram
e vieram a ter crianças também. Em vez disso, deleite-se no maravilhoso amor
do seu Deus e Pai.


Aceitação

      Vivemos em uma sociedade voltada para o desempenho. Muitos pais
passam aos filhos a mensagem do tipo: se você conseguir entrar para o time
de futebol da escola, se você trouxer para casa boletins com boas notas, se
você tiver boa aparência, então sim, você será aceito e "amado". Nosso
Deus, porém, nos ama com amor incondicional. Nosso Pai celestial nos
ama porque é amor. Embora não precisemos fazer nada para convencê-lo
a nos amar, devemos receber seu amor. Isso não significa que, antes de
qualquer coisa, tenhamos de nos tornar santos. O que Deus nos somente
é que nos aproximemos dele com honestidade e sinceridade;i então, ele nos
perdoará e nos transformará nos filhos que ele deseja.
       Muitas pessoas julgam difícil aceitar o amor e a aprovação de.Deus.
Um verdadeiro relacionamento de amor exige, contudo, o ato de dar e
receber amor. Imagine como eu me sentiria se, em um impulso repentino,
decidisse comprar flores para a minha esposa, mas quando as entregasse
a ela, e lhe dissesse: "Eu te amo, Sally", ela corresse para pegar dinheiro
a fim de me reembolsar pelas flores! Certamente eu ficaria magoado e
desapontado. Tudo o que desejo saber é se ela sente a mesma coisa por
mim.
      Qual é sua resposta a Deus quando ele lhe diz que o ama, apesar de
tudo? Será que você consegue receber o amor de Deus sem começar uma
atividade frenética para merecer a aprovação dele?
      Um dos mais lindos quadros que retratam a satisfação plena é o do
bebê adormecido nos braços da mãe, depois de ter sido amamentado no
seio materno. A criancinha já não chora nem reclama, apenas descansa no
abraço amoroso. Um profundo sentimento de paz permeia a melodia da
canção de ninar que as mães entoam em ocasiões assim. Na Bíblia, o
profeta Sofonias descreve emoção semelhante, existente no coração de
Deus com relação a nós:

       O SENHOR, o seu Deus, está em seu meio, poderoso para salvar. Ele
       se regozijará em você; com o seu amor a renovará, ele se regozijará em
       você com brados de alegria (3.17).

       Deus-Pai o ama exatamente como você é. Durante toda a vida você
tem sido obrigado a mostrar resultados e a competir. Mesmo quando não
passava de um bebê, você já era comparado com outras criancinhas. As
pessoas diziam que você era "muito gordinho" ou "muito magrinho", tinha
"as perninhas de fulano" ou "o narizinho de beltrano". Entretanto, Deus se
deliciava com o fato de você ser a pessoa sem igual que é, e ele ainda se
delicia.


Comunicação

       Uma tarefa difícil é a comunicação aberta e amorosa, sobretudo para
os pais. No entanto, Deus comunica o seu amor por nós de maneira
claríssima. Na verdade, ele nos ama tanto que "deu o seu Filho Unigênito,
para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterná' (Jo 3.16).
      Certa jovem me disse que não conseguia falar com Deus. Parecia-lhe
que as palavras batiam em muralha de pedra. Não se lembrava de uma
única vez em que Deus houvesse respondido a uma oração dela. Enquanto
orávamos juntos, percebeu que costumava retratar a Deus como se ele fosse
seu pai terreno, um homem bom e honesto, mas quieto e tímido. Ele jamais
dissera aos filhos que os amava e raramente conversava com eles. Ao
admitir que o pai havia sido fraco e falhara ao educá-la, a moça foi capaz de
perdoá-lo e, enfim, de aceitá-lo como ele era. Esse reconhecimento deu
início a uma dimensão inteiramente nova no relacionamento dela com
Deus. Ela dispunha de mais fé ao orar porque entendeu que Ele a ouvia.
Logo veio a sentir a orientação divina, a presença de Deus em sua vida.
     Se você acredita ter sido prejudicado em seu relacionamento com
Deus por causa de uma carência, quer em uma área do amor paterno, quer
materno, diga ao Senhor como você se sente e peça-lhe ajuda. Você precisa
decidir por si mesmo que vai perdoar a quem o magoou, seja lá quem for.
Se não perdoar, a amargura vai consumi-lo, e você não vai encontrar paz
com Deus.
      Do mesmo modo, entenda que você não está sozinho. Jamais
encontrei uma pessoa perfeita... nem um pai nem mãe que nunca tivessem
cometido erros. Todos já sofreram um tipo ou outro de mágoa. O
importante é que você comece a conhecer a Deus pelo que ele realmente é
— e o conceito que temos dele com freqüência é bem diferente da
realidade.
      Somente Deus é o Pai perfeito. Ele sempre disciplina em amor. É fiel,
generoso, bondoso e justo, e almeja passar bastante tempo com você. Seu
Pai celeste quer que você receba o seu amor e saiba que você é especial e
singular aos olhos dele.
Guia de estudo
              (Capítulo 2 - Um Pai Perfeito)


Leia João 3 e 4


1. Descreva o ambiente familiar durante a sua infância. Havia paz, alegria,
   estabilidade, segurança — ou conflito, depressão etc?




2. Você se sente amado e aceito? Querido? Valorizado? Especial?




3. Você está ciente de que Deus Pai criou as famílias a fim de que ele fosse
   glorificado por meio do fruto produzido em seu ambiente de amor e
   segurança? Ele foi glorificado em sua família? Explique.




4. Faça uma lista das autoridades masculinas em sua vida e como você se
   sentia ou se sente em relação a essas pessoas?




5. Você confiava ou confia nesses homens?
6. Você sentia ou sente que é importante para esses homens?




7. Você recebia ou recebe demonstrações de afeto por parte desses homens?




8. Faça uma lista de alguns dos momentos mais dolorosos de sua vida. Junto
   a esses momentos, escreva o nome da autoridade masculina que lhe
   demonstrou amor e compaixão quando você se feriu.




9. Onde estava Deus durante as horas de dor em sua vida?




10. Faça uma lista das pessoas (homens ou mulheres) que o amaram
   incondicionalmente.




11. Você é capaz de receber amor incondicional do criador do amor —
   Deus-Pai?




12. Você sente que foi magoado em uma das sete áreas do amor paterno?
13. Se não tem certeza, pergunte a alguém próximo a você.




14. Você está disposto a perdoar quem quer que o tenha magoado? Seja
   honesto.
3. Quando o coração está ferido

      Tímida, ela era um pouco mais alta do que a maioria das
adolescentes. Cansado, a última coisa que eu desejava era conversar com
uma jovem introvertida. Tinha acabado de encerrar uma palestra para um
grupo numeroso de ouvintes, na África do Sul, acerca do coração paterno de
Deus, por isso precisava desesperadamente de um pouco de descanso. No
entanto, senti que devia ouvir com a máxima atenção o que a mocinha estava
prestes a me dizer.
      A princípio as perguntas dela pareceram insignificantes, mas comecei
a imaginar que a jovem desejava na verdade me contar algo mais. Esperei.
Quando ela acabou, perguntei-lhe se não havia outra coisa que quisesse
compartilhar. Ela pareceu aliviada. Então, sentou-se do meu lado naquele
auditório pequeno e abarrotado de gente e sussurrou ao meu ouvido:
     — Posso chorar um pouco no seu ombro?
     Eu disse:
     — Claro, mas será que você poderia me dizer por quê?
      Os olhos da moça encheram-se de lágrimas à medida que a história ia-se
desenrolando. O pai morrera quando ela era bem pequena. Desde então não
tivera um ombro sobre o qual chorar, um pai a quem levar suas perguntas,
desapontamentos, realizações e planos. Uma dor profunda lhe dilacerava o
coração por sentir falta dos braços fortes e amorosos que por algum tempo a
haviam amparado e confortado.
      A adolescente chorou em meu ombro, sem demonstrar timidez ou
vexame. Depois disso, conversamos com o Pai celeste. Juntos pedimos a
ele que curasse a mágoa e preenchesse o espaço vazio da vida dela.
      E Deus nos ouviu. Encontrei-me com essa jovem alguns anos
depois, quando retornei à África do Sul. De início não a reconheci, mas
então ela me lembrou do tempo de oração que tivemos. Isso reavivou
minha memória, e os fatos esquecidos voltaram tal qual uma inundação.
Ela me agradeceu os momentos em que compartilhamos, dizendo-me que
fizeram toda a diferença. Naqueles breves instantes que passamos juntos, a
jovem experimentou o imensurável amor de Deus.
Essa moça sofrera um ferimento emocional profundo, que a mantinha
incapaz de desfrutar um relacionamento com o Pai celeste. Este mundo
está repleto de pessoas que carregam dores e mágoas como essas,
invisíveis, muitas das quais procedentes da infância, e outras impostas
pela pressão e por problemas da vida moderna. Deus, nosso Pai, deseja curar
essas feridas para assegurar uma comunhão profunda, agradável e
genuína com os seus filhos.
       A Bíblia nos fala de modo especial da necessidade de curarmos as
emoções feridas, mostrando essa cura como parte do processo de
santificação. No livro de Isaías, o profeta nos aponta a época futura em que
Deus enviará um Salvador que liberte as pessoas do pecado e do egoísmo.
Isaías descreve esse Salvador como "homem de dores e experimentado no
sofrimento" (53.3). Esse texto do Antigo Testamento prossegue dizendo
que "ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as
nossas doenças... e pelas suas feridas fomos curados" (v. 4,5).
       Esse processo de cura se aplica tanto à culpa de nosso egoísmo
quanto às suas conseqüências — as cicatrizes e ferimentos que
ostentamos na personalidade e nas emoções. No capítulo 61, Isaías
diz que esse Salvador virá "para levar boas notícias aos pobres... para
cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos
cativos e libertação das trevas aos prisioneiros" (v. 1). E dar a todos que
choram "o óleo da alegria' (v. 3). Em Salmos 34.18, Davi diz que "o
SENHOR está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de
espírito abatido". Em Salmos 147.3 ele diz que Deus "cura os de coração
quebrantado e cuida das suas feridas". Isso são boas-novas para um
mundo ferido.
     A despeito de tudo o que o Senhor nos oferece, muitos ainda o vêem
como um Deus sentado no céu, alheio à dor e à dura realidade deste mundo
decaído. "Por que ele nos criou e em seguida nos abandonou?",
perguntam, com amargura.
     Deus, entretanto, não é a causa de nossos problemas, tampouco nos
abandonou em nosso sofrimento. Ele veio morar conosco. Tornou-se
homem. Suportou tudo o que sofremos, e mais ainda.
      Deus criou o ser humano, mas este o rejeitou. Enviou mensageiros e
profetas para lembrar aos homens que ele é o Criador, mas eles apedrejaram
os profetas e mataram os mensageiros. Então, finalmente Deus enviou o seu
próprio Filho para revelar a si próprio. O Criador andou junto com a sua
criação, mas as criaturas se recusaram a reconhecê-lo. Na verdade,
crucificaram a Cristo. Nesse caso, o que fez o Criador? Transformou a maior
crueldade da humanidade em fonte de perdão para os homens! Nós o
matamos, mas Deus usou aprova de nosso maior egoísmo como fonte de
nosso perdão.
     Jesus Cristo é o ferido que cura nossas feridas. Ele sabe como
nossas emoções podem ser magoadas. Na realidade, Jesus foi tentado de
todas as maneiras pelas quais temos sido tentados.
      O próprio nascimento de Jesus foi questionado, e a reputação da
sua mãe, aviltada. Ele nasceu em pobreza. A linhagem dele caiu no
ostracismo, e a sua cidade natal foi ridicularizada. O pai terreno faleceu
provavelmente quando o menino tinha pouca idade, e nos seus últimos
anos Jesus perambulou pelas ruas e cidades sem ter um lar. O seu
ministério foi mal interpretado e ele, abandonado à morte. Tudo isso
sofreu por mim e por você. Ele o fez a fim de identificar-se conosco
em nossas fraquezas:


       Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das
       nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo
       tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do
       trono da graça com toda a confiança, a fim de receber misericórdia e
       encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade
       (Hb 4.15,16).


      Deus Pai enviou Jesus Cristo ao mundo para desfazer a barreira que
nos separava dele. A separação, fruto de nosso egoísmo, está no centro de
muitas feridas emocionais. Se tais males não forem sanados, poderão se
desenvolver até se tornar o que eu chamo de "síndrome de Saul", o que leva a
alienar-se de Deus e das demais pessoas. Jesus veio para estabelecer a
reconciliação no lugar da alienação, a cura no lugar da ferida, e a inteireza
no lugar do quebrantamento.


A síndrome de Saul
Era um homem alto, de porte extraordinário. O cabelo castanho e a barba
bem aparada adicionavam mais dignidade à estatura. Todos os olhos o seguiam
quando ele passava pela multidão.
       Esse homem tinha a capacidade de atrair as pessoas, reuni-las em torno de
uma causa, inspirá-las para a grandeza. As pessoas não receavam confiar-lhe seus sonhos
secretos, suas esperanças. Tratava-se de um líder de líderes.
       Pelo menos, era o que todos pensavam. Todavia, aqueles ombros avantajados de
um líder alto e de aparência magnífica escondiam um coração repleto de ciúme e
medo. Tão profundas eram as inseguranças, tão incertos os alicerces da personalidade,
que ele considerava todo indício de grandeza nas pessoas ao seu redor um sinal de grave
ameaça à própria posição dele no país.
       A maior parte de seus seguidores se achava tão encantada com a habilidade de
Saul de mobilizar e comunicar-se, que não percebia o desejo fanático do governante de
exercer controle total. Alguns homens mais perspicazes, contudo, começaram a alimentar
dúvidas.
       A perícia de Saul na estratégia bélica e sua extraordinária habilidade na tomada
de providências corretas, no momento oportuno, convenciam os seguidores mais
distantes da grandeza desse líder, mas confundiam as pessoas mais próximas dele. "Ele
deve ser o ungido do Senhor", elas pensavam. "Sempre parece estar certo." Não
queriam admitir o óbvio: Saul violava princípios, não tinha espírito de serviço, não
admitia a promoção de outras pessoas, era vítima de ira e impaciência — tudo isso
reunindo fatores que aparentemente o desqualificavam para exercer a função de rei. Na
verdade, tais pessoas ficavam profundamente confusas e envergonhadas diante dos
secretos acessos de raiva de Saul e de seus mergulhos na melancolia e depressão.
        Finalmente, surgiu alguém que já não alimentava dúvidas acerca do caráter desse
rei: o profeta Samuel, que o havia ungido para o ofício real.
       Em simples ato de obediência, o profeta derramara óleo sobre a cabeça do então
jovem e orara por ele; agindo desse modo, Samuel dera posse ao rei para que reinasse
sobre a nação. Diferentemente de muitos outros homens, o profeta não estava
impressionado com o próprio "poder". Ele havia aprendido desde a infância que existe
somente uma resposta aceitável à voz de Deus: a obediência pura e simples, semelhante
à da criança.
       Agora o coração de Samuel também fervia em seu peito, não de ódio, mas de
indignação justa. Agora basta! Ele tinha esperado pacientemente, enquanto observava a
destruição interna do reino devido à falta de integridade e obediência do rei. Detectou a
profunda insegurança do governante, o esforço doloroso para encontrar apreço e
segurança no louvor de seus companheiros. Por causa de Saul, Samuel agonizara
incontáveis noites, em oração e lamentação. Havia jejuado muitos dias, pedindo a Deus
que mudasse a atitude do rei e o ajudasse a encontrar segurança na aprovação do
Senhor. Tudo isso, porém foi inútil.
Chegou então a Palavra de Deus para o profeta: “Arrependo-me de ter posto Saul
como rei, pois ele me abandonou e não seguiu as minhas instruções” (1ºSm 15.11).
        Em breves instantes de terrível confronto, o desastre aconteceu: a autoridade do
rei lhe foi arrancada. Ele permaneceu no cargo, mas isso não era garantia de autoridade.
O poder, algumas vezes, advém da posição, mas a autoridade advém do caráter, da
obediência e da unção de Deus.
        Um estudo minucioso da vida de Saul revela um padrão determinado, um ciclo
terrível e inconfundível de inferioridade e emoções feridas... a “síndrome de Saul”.
       Lemos em 1º Samuel 15.17 que Saul era “pequeno aos seus próprios olhos”. Não
devemos confundir essa expressão com a verdadeira humildade, uma vez que, se tais
palavras de Samuel tivessem esse significado, não haveria a necessidade de afastar Saul
do trono. O que o profeta estava dizendo é que, embora Saul se considerasse inferior e
menosprezasse a si próprio, ainda assim continuava responsável por suas más ações
diante de Deus. Os sentimentos de inferioridade não são desculpa para a desobediência.
      No capítulo 15 de 1º Samuel temos uma lista das características da personalidade
de Saul:


    ●   teimosia e independência: "A rebeldia é como o pecado da
        feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria' (v. 23).
    ●   orgulho: "Saul foi para o Carmelo onde ergueu um monumento
        em sua própria honra” (v. 12).
    ●   medo do homem: "Pequei. [...] Temi ao povo, e dei ouvidos à sua
        voz" (v. 24; AEC).
    ●   desobediência: "Por que você não obedeceu ao SENHOR? [...] A
        obediência é melhor do que o sacrifício" (v. 19,22).

      Demonstrando de forma simples, a síndrome de Saul tem a seguinte
aparência:
Um problema leva a outro. Se não tratarmos nossas feridas à maneira
de Deus, elas nos conduzirão à independência de Deus, o que, por sua vez,
gera o orgulho. O orgulho diz respeito muito mais ao que as pessoas
pensam de nós do que àquilo que Deus pensa de nós, e isso nos leva a ter
medo do homem. O temor do homem inevitavelmente conduz à
desobediência. Podemos ainda fazer muita coisa por Deus, mas estaremos
praticando uma religião de obras mortas.
      Algumas das pessoas mais feridas que conheço são igualmente mais
orgulhosas e independentes. As mágoas emocionais nos tornam
extremamente suscetíveis a essa síndrome viciosa, contra a qual ninguém está
imune.
      Para ajudar a identificar a síndrome de Saul, descrevo algumas
características que, com freqüência, aparecem em nossa vida cotidiana:


     1. Afastamento ou isolamento. A síndrome de Saul nos instiga a afastar-nos de vez
         das demais pessoas. O afastamento pode tornar-se um meio de encobrir ou
         justificar nossa recusa em perdoar as pessoas que nos magoaram ou em
         nos comprometer com aqueles de quem discordamos.
     2. Possessividade. É egoísta a mentalidade do tipo "meu ministério", "meu
         grupo", "minha opinião", "meu emprego" ou "meu lugar na igreja", pois é
         derivada de uma atitude de independência. A Bíblia ensina que "a rebeldia é
         como o pecado da feitiçaria" (1 Sm 15.23); tem origem no inferno. Essa
         atitude de "primeiro eu" é pecado.
     3. Mentalidade de "nós contra eles" : Quando somos pegos pela síndrome de Saul,
        começamos a pensar da perspectiva de "nós" contra "eles", aqueles com quem
        concordamos contra aqueles de quem discordamos. Esse padrão de
pensamento demonstra que não apenas estamos em desacordo com outras
        pessoas, mas também as estamos julgando e criando facções na igreja.
     4. Manipulação. As pessoas orgulhosas e independentes tentam por vezes
        manipular os outros, recusando-se a cooperar, exigindo que se faça sua
        vontade, criticando maldosamente ou julgando sem parar o que os demais
        estão fazendo. Sem dúvida, espiritualizamos nossas razões, e é esse o motivo
        pelo qual nossa manipulação pode ser muito mais perigosa.
     5. Incapacidade de aprender. A síndrome de Saul faz com que permaneçamos
         fechados diante de outras pessoas. Recusamo-nos a aceitar a correção e a
         instrução. Tornamo-nos endurecidos, indiferentes.
     6. Atitude crítica e condenatória. Nós a justificamos de muitas maneiras, todavia
         se resume nisto: desmoralizamos e tratamos com desprezo os motivos dos
         outros.
     7. Impaciência. Consideramos que nosso método é melhor e nos recusamos a
         esperar por outras pessoas que discordam de nós ou não nos entendem.
     8. Desconfiança. A síndrome de Saul resulta em desconfiança. Acusamos os
        outros de não confiarem em nós, mas muitas vezes se trata de projeção de
        nossa própria desconfiança. Reflete nossa independência e se relaciona muito
        mais com nossas necessidades do que com as do próximo.
     9. Deslealdade. Essa característica manipula as dúvidas, as feridas ou as
        necessidades do próximo para recrutá-lo para nosso grupo, ganhando-o para
        nosso próprio ponto de vista, em vez de procurar edificar a unidade, o amor,
        o perdão e a reconciliação.
     10. Ingratidão. Focalizamos a atenção naquilo que imaginamos que deveria ser
        feito por nós, em lugar de enfatizar tudo o que já foi feito por nós.
     11. Idealismo doentio. Idolatramos um método, um padrão ou um programa e,
         então, o colocamos acima das pessoas, principalmente aquelas de quem
         discordamos. Os ideais se tornam mais importantes do que a unidade ou
         as atitudes corretas.


      Embora a síndrome de Saul seja, com freqüência, um sintoma de
sentimentos feridos ou não resolvidos de rejeição, ainda é egoísta e errada.
Assim, precisa ser extirpada impiedosamente. Não existe problema de
independência e inferioridade que não possa ser resolvido mediante uma humildade
maior, e maior quebrantamento de nossa vida.
      A Bíblia promete que, quando nos humilharmos, Deus nos concederá
graça (Tg 4 . 6 , 7 ) . Temos medo de "humilhação", contudo não é isso o
que as Escrituras querem dizer quando falam da necessidade de nos
humilharmos. A verdadeira humildade está ligada à prontidão de sermos
conhecidos pelo que somos realmente e de ficarmos ao lado de Deus na luta
contra nosso próprio pecado. A maioria das pessoas nos respeita mais, e não
menos, quando nos humilhamos e confessamos nossos pecados e
necessidades. Acredito que Deus sempre o faz.
      Se você foi apanhado pela síndrome de Saul, permita-me dizer que
jamais se livrará desse mal enquanto não aceitar a responsabilidade de
arrepender-se das atitudes erradas. De nada adiantará lançar a culpa dos
próprios problemas sobre terceiros, tampouco apresentar desculpas para
seus pecados. Humilhe-se diante de Deus e dos outros. Clame ao Pai em
oração fervorosa.
      Muitos anos atrás percebi esse mesmo padrão em minha própria vida.
As profundas inseguranças me doíam, mas eu era também muito orgulhoso
e independente. Ansiava aceitação e afirmação, mas de forma alguma
confessaria minha desesperada necessidade de ajuda. Estava obcecado com o
que as pessoas pensavam de mim, especialmente os outros líderes. Somente
me livrei da síndrome de Saul quando me humilhei diante dos outros e me
arrependi diante de Deus. Fiz um voto a Deus pedindo que ele tratasse
desses meus problemas em minha vida muito mais do que desejava
liderança, atenção ou aceitação alheia. Eu chamo esse voto de minha "aliança
de José".
      Certo dia, dediquei um tempo a ficar a sós com Deus, em uma floresta
da Holanda. Foi quando clamei ao Senhor. Disse ao Pai que queria, a todo o
custo, que ele arrancasse a independência, o orgulho e o temor do homem da
minha vida. Também lhe disse que esperaria o tempo necessário para que
isso acontecesse, até mesmo doze anos, à semelhança de José do Egito; e eu
não queria tomar nenhum "atalho" no processo de endireitar minha vida
com ele. Foi uma oração custosa, mas nunca me arrependi de tê-la feito.
Deus me ouviu naquele dia e fez algumas mudanças significativas em minha
vida.


Libertação do temor das pessoas

      Jamais seremos verdadeiramente livres para amar a nosso Deus-Pai se
estivermos dominados pelo temor das pessoas. A Bíblia diz que o temor do
homem é uma armadilha, um laço. Tornamo-nos prisioneiros do medo,
sempre preocupados com o que os outros pensam, dominados pelas ações
alheias em vez de obedientes à Palavra de Deus.
      É importante perguntar: você se sente como se estivesse continuamente
olhando para trás, tentando descobrir por que não foi incluído, ou se
preocupa, pensando no que as pessoas falam a seu respeito? Ou ainda: você
está escolhendo as próprias ações com base na quantidade de aprovação que
obterá de outras pessoas, em vez de agradar a Deus? Se assim for, você está
atado pelo temor do homem.
     O remédio contra o medo do homem é o temor de Deus! O temor
de Deus não é um medo emocional, ou receio da ira divina. A Bíblia define o
temor de Deus de modo bem específico.


     1. O temor de Deus é o ódio ao pecado. Provérbios 8.13 diz: "Temer o SENHOR é
         odiar o mal".
     2. A amizade e intimidade com Deus são equiparadas ao temor de Deus. Lemos
         em Salmos 97.10: "Odeiem o mal, vocês que amam o SENHOR"; e em
         Salmos 25.14: "O SENHOR confia os seus segredos aos que o temem".
     3. O temor do Senhor é profundo respeito e reverência para com Deus.
        Em Salmos 33.8, temos: "Toda a terra tema o SENHOR; tremam diante dele
        todos os habitantes do mundo".
     4. O temor do Senhor é o começo da sabedoria e do conhecimento. Provérbios
         1.7 diz: "O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento".


      O temor do Senhor não se demonstra mediante certa aparência de
santidade no rosto da pessoa, nem é detectado em determinado tremor de
voz quando se ora. Não é revelado no modo pelo qual a pessoa se veste
nem no elevado número de regras a que obedece.
      Ter o temor do Senhor significa simplesmente amar a Deus, de tal
maneira que a pessoa odeie tudo o que ele odeia. Esse tipo de ódio não
nasce de neurose religiosa, tampouco é reflexo da cultura. Ele vem do fato
de estarmos tão perto do Senhor, tão afinados com o caráter divino, que
amamos o que ele ama e detestamos o que ele detesta. O temor do Senhor
não é uma cruzada de ódio, mas uma ira contra o poder destrutivo do
mal. O temor do Senhor enxerga a crueldade, o engano, a opressão e a
força destruidora do pecado, e o odeia pelo que ele é.
O temor do Senhor não vem à nossa vida ao acaso. Ele habita
nosso íntimo porque escolhemos procurá-lo (cf. Pv 1.28,29; 2.1-5) e
aceitamos fazer dele nossa prioridade máxima. Ele vem porque
estamos fartos de ser manipulados e controlados pelo temor do
homem, e cansados de ser dominados por nossos medos e inseguranças. Ele
vem porque clamamos por ele, nós o procuramos e nos desesperamos por
ele.
      A síndrome de Saul pode ser quebrada. você pode libertar-se, mas há
um preço a pagar. Se você deseja experimentar a cura interior e conhecer o
amor do Pai, precisa escolher o temor do Senhor. Provérbios 14.26 diz:
"Aquele que teme o SENHOR possui uma fortaleza segura". É a humildade
e o temor do Senhor que nos levam à intimidade e à comunhão com o
coração paterno de Deus, proporcionando-nos inteireza e auto-estima.


Como Deus cura os corações feridos

      No capítulo seguinte, fiz uma lista dos passos que você deve tomar
para curar as feridas emocionais e psicológicas. É importante ressaltar que
não é intenção minha fazer com que esses passos sejam vistos como um tipo
de fórmula mágica ou como um talismã para agitar na face de Deus. As
verdades que cada um desses passos representa devem ser aplicadas à nossa
vida, à medida que estivermos prontos para elas, com a orientação do
Espírito de Deus. (Se você não sabe a maneira de ser guiado pelo Espírito de
Deus, peça-lhe que o ajude. Ele prometeu ajudar a todos os que 'lhe
pedirem.)
     Cumpra cada passo da lista e aplique-o pessoalmente à sua situação.
      Se seus problemas são complexos, você poderá precisar da ajuda de um
conselheiro profissional, ou de um psicólogo. Ao final deste livro, você
encontrará no Apêndice diretrizes sobre como selecionar um conselheiro
profissional ou psicólogo. Você tem o direito de lhes fazer perguntas, antes
de permitir que eles as façam a você. Jamais deve se submeter à ajuda ou
aconselhamento de um profissional antes de ter a certeza em relação à
confiabilidade, à perícia e à competência dele.
     Não temos de viver em dor emocional permanente. Por causa do
amor que o Pai celestial tem por nós, e porque Jesus sofreu em nosso lugar,
não temos de carregar nossas próprias feridas a vida toda. Podemos receber a
cura e ser libertos para viver e desfrutar a alegria do imensurável amor
paterno de Deus. No entanto, devemos estar dispostos a pagar o preço.
Guia de estudo
 (Capítulo 3 - Quando o Coração está Ferido)


Leia João 5 e 6

1. Como nosso egoísmo pode nos separar de Deus-Pai?




2. Você acredita que Deus-Pai enviou Jesus Cristo ao mundo para introduzir
   um ministério de reconciliação, dando um fim definitivo à separação do
   homem (que inclui você) de Deus-Pai? (V 2Co 5.16-21)




3. Você acredita que, por meio de Jesus Cristo, a cura pode substituir as
   mágoas e que você pode andar em plenitude em vez de ter um coração
   ferido? Como isso acontece? Enquanto você revê as páginas que tratam da
   "Síndrome de Saul", reflita seriamente sobre sua própria vida, sua
   personalidade, seus sentimentos. Considere se há alguma correlação entre
   você e Saul. É sempre sábio buscar o discernimento de sua esposa ou de um
   amigo chegado quando fizer isso, pois eles com freqüência vêem coisas
   em nossa vida que não conseguimos ver (especialmente em relação às
   perguntas 12 e 13).




4. Faça uma lista das áreas de sua vida nas quais você se sente inseguro.
5. Você tem um coração de servo? Como isso se expressa?




6. Você está disposto a se humilhar e a tomar o caminho da simplicidade?




7. Você costuma ter acessos de ira descontrolada? Quando?




8. Você sofre de melancolia, ou depressão, ou ambos? O que desencadeia tais
   processos?




9. Você se sente impressionado intimamente com sua "autoridade"?




10. Seu senso de valor e dignidade depende do elogio de outros? O que
   acontece se você não recebe esse elogio?




11. Você tem mais temor (muito desejo de agradar) a Deus do que ao homem?
   Em que áreas da sua vida isso é verdade?
12. Estude as características da personalidade de Saul: inferioridade,
   estupidez ou independência, orgulho, temor do homem,
   desobediência. Você reconhece algumas delas em sua vida?




13. Descreva as características da síndrome de Saul que você vê em si mesmo.
   Este é um momento excelente de perguntar a alguém próximo o que está
   vendo.
       • afastamento ou isolamento
       • possessividade
       • mentalidade de "nós contra eles"
       • manipulação
       • incapacidade de aprender
       • atitude crítica e condenatória
       • impaciência
       • desconfiança
       • deslealdade
       • ingratidão
       • idealismo doentio

14. Qual a diferença entre "poder" e "autoridade"?




15. O que significa para você "temor do Senhor"?




16. Como a humildade é definida no texto?
17. Quais os benefícios de caminhar muito mais no temor de Deus do que no
   do homem?
4. Cura proveniente de um Pai amoroso

      Certa vez encontrei um homem em Madras, na Índia, que me
garantiu jamais ter cometido pecado! Em vista de nosso interesse mútuo em
assuntos religiosos, a conversa logo se voltou para questões sérias. Quando
mencionei o fato de acreditar que Deus perdoa as pessoas que reconhecem
os próprios pecados, ele me assegurou que nunca havia feito alguma coisa
errada.
      — Você nunca mentiu? — perguntei.
      — Não, nunca — veio a resposta pronta.
      — Você jamais furtou alguma coisa, nunca odiou a alguém?
      — Não, nem mesmo uma vez.
      — Nunca cometeu adultério?
      — Nunca.
      — Nunca desobedeceu a seus pais?
      — Jamais.
      — Alguma vez "colou" nos exames na escola?
      — Nunca fiz isso.
       Fiquei atônito. Em seguida me veio à mente outra pergunta.
     — Você sente orgulho do fato de jamais haver pecado? — perguntei,
de modo travesso.
      — Ah! Sim, muito orgulho, muito orgulho! — respondeu o homem.
      — Aí está seu primeiro pecado — disse eu. — Você é um homem
orgulhoso!
     Então ele deu uma risada e me cumprimentou, porque eu o havia
apanhado em seu único pecado!
      Embora não sejamos tão orgulhosos como aquele homem, todos nós
temos seguido as pegadas de Adão no pecado original. Adão negou a Deus
o direito de controlar a vida dele, decidindo que seguiria o próprio caminho.
Todos tomamos a mesma decisão. É difícil para nós admitir que também
nos rebelamos contra Deus, negando-lhe o direito de ser o Senhor de nossa
vida.
      Sem o reconhecimento desse problema humano, o mais básico de
todos (nosso egoísmo), o tratamento de feridas e necessidades em nossa
vida apenas adia o inevitável. Os analgésicos não podem manter vivo o
paciente que morre de câncer. Eles aliviam a dor, o que é importante, mas
por que vamos nos fixar em uma solução temporária se existe uma cura
permanente para o câncer?
      Sendo um Pai amoroso, Deus anseia por nos perdoar se tão-somente
reconhecermos nosso orgulho e egoísmo e pedirmos a ele que nos perdoe.
Deus quer que mantenhamos com ele um relacionamento íntimo, por isso
deseja remover todos os empecilhos a essa comunicação.
     Algumas pessoas pensam que, pelo fato de a Palavra de Deus nos
chamar de pecadores, Deus está nos rejeitando. Isso não é verdade, de modo
nenhum. Ele está simplesmente nos ajudando a entender nosso problema
mais básico e a forma de vencê-lo.
       Entretanto, não somos apenas pecadores. Há aqueles que também
pecam contra nós, quer com intenção maldosa ou por egoísmo, quer sem
nenhuma intenção — pois ninguém é perfeito. As pessoas fazem coisas
que nos magoam profundamente e, quando se comete pecado contra nós,
não somos desculpados se reagirmos negativamente. No entanto, a
injustiça que nos infligem, ajuda-nos a compreender a nós mesmos e as
pessoas que lutam para reagir da forma correta quando maltratadas ou
feridas.
      Para obter o máximo de cura e de bênção, proponho que você estude
os seguintes passos em oração e gradualmente. Depois de ler cada passo,
arranje um tempo para orar e aplicar essa providência em sua vida. Se o
processo se tornar doloroso demais, peça a um amigo ou a um líder
espiritual que o acompanhe nessas etapas. Você deve estar preparado
para sentir dor, se houver feridas vivas. Para que as feridas se curem
adequadamente, talvez precisem ser abertas e purificadas de qualquer
"infecção" ou amargura que se tenha estabelecido. Embora esse processo
seja doloroso por algum tempo, ele lhe trará grande alegria e cura a longo
prazo. Ele o libertará para se aproximar ainda mais do coração paterno de
Deus.
Como Deus cura nossas feridas emocionais

Primeiro passo - Reconheça sua necessidade de cura
     Para a maioria, isso não representa um problema. No entanto, se
estamos feridos ou magoados e não reconhecemos nossa necessidade, há
pouca oportunidade para cura ou ajuda em nossa vida. Ser capaz de
admitir a necessidade é sinal de boa saúde mental e prova de honestidade
pessoal.
      Todos nós precisamos de cura e crescimento nas emoções e na
personalidade. Não pense que você é exceção. Trata-se de atitude propícia ao
aprendizado e à humildade que permitirá o início da cura. Algumas pessoas
relutam, não desejando expor suas necessidades por medo de rejeição.
Todavia, o oposto disso é verdadeiro: quando admitimos nossas necessidades,
as pessoas nos respeitam mais por causa de nossa honestidade.
Provavelmente, todos nos lembramos de uma ocasião ou outra em que nos
tornamos vulneráveis e, em seguida, fomos feridos por alguém que não
reagiu a nós com amor ou sabedoria. Contudo, não podemos permitir que
essas experiências nos impeçam de receber a cura que Deus deseja
conceder. Rejeições do passado não deveriam ter permissão para definir
ações ou atitudes no futuro.
      Comece assumindo uma atitude de honestidade com Deus. Ele o
conhece intimamente e não vai rejeitá-lo. Na verdade, ele anseia por isso e
espera que você seja honesto para que possa receber seu amor e ajuda.
Conte-lhe suas feridas, temores, desapontamentos — tudo.
      Em seguida, abra-se com alguém capaz de ajudá-lo a aplicar esses
passos de cura. Escolha um amigo cristão de confiança, que possa orar por
você e encorajá-lo.
      Se maltratou algumas pessoas, você precisa ir até elas e acertar as
contas. Isso significa uma parte do que é reconhecer nossas necessidades.
Nós o fazemos não afim de sermos perdoados por Deus, mas porque fomos
perdoados. O fruto de um relacionamento correto com Deus é o desejo de
restabelecer relacionamentos quebrados com outras pessoas.
     Sobre esse assunto, o famoso teólogo anglicano John Stott apresenta
algumas advertências valiosas. Ele discute o círculo da confissão aberta:
pecados secretos, pecados particulares e pecados públicos. Afirma que
somente devemos confessar pecados no nível em que foram cometidos. Se
o pecado foi secreto — isto é, um pecado do coração ou da mente que
jamais se transformou em ação, ou em palavras — , tal falta precisa ser
confessada apenas a Deus. O cristão tem liberdade de partilhar tais coisas
com amigos íntimos, ou com crentes piedosos, pelo desejo de ser honesto e
responsável, mas não é obrigado a fazer isso. É ele quem decide se conta tal
pecado a alguém ou não. Na verdade, somente deveríamos fazer confissão
quando estivéssemos totalmente seguros acerca das pessoas com quem
desejamos partilhar, ou quando achamos que Deus nos está levando a
isso de modo específico — e jamais porque nos sentimos sob pressão.
Assim mesmo, devemos ser sábios e cuidadosos sobre como
compartilhar.
      Confessar alguns pecados do coração a outras pessoas poderia
significar uma grande bobagem. Se a pessoa contra quem você pecou na
mente nada sabe a respeito de seu pecado, não a sobrecarregue com um
fardo seu, a não ser que haja um motivo claro que justifique o
benefício dessa decisão. Se você estiver em dúvida, não faça nada até que
obtenha aconselhamento maduro.
      Alguns pecados cometidos em segredo, ou no nível privado de
nossa vida, são "vergonhosos" pela própria natureza deles. Acredito que
precisamos vislumbrar uma restauração do sentimento de "vergonha”,
sobretudo com relação aos pecados de impureza sexual. Se precisarmos
p::Jir a alguém que nos perdoe o fato de termos pecado contra essa
pessoa nessa questão, não necessitaremos entrar em detalhes, tampouco
ser imprudentes em nossas palavras. Diga apenas o que precisa ser dito.
Confesse que falhou com essa pessoa, ou pecou contra ela, e peça-lhe
perdão. Isso é suficiente.
      Uma excelente orientação é a seguinte: em se tratando de pecado
secreto, confesse-o a Deus; caso seja pecado particular, peça perdão à
pessoa contra quem pecou; se for pecado público, peça perdão ao grupo.
      Em resumo, são esses os passos para a cura e inteireza espiritual, no
que se refere à honestidade quanto às nossas necessidades:


     1. Admita suas necessidades e pecados. A honestidade libera a graça de Deus em
         nossa vida.
2. Receba a graça de Deus. A graça é a dádiva de Deus de amor,
        aceitação e perdão para nós, que nos torna seguros nele. Essa segurança
        produz fé.
     3 . Confie no Senhor e nas pessoas. A fé resulta em confiança e faz com que seja
         possível manter comunhão íntima com Deus e relacionamento com as pessoas.
     4. Estabeleça relacionamentos de coração para coração com Deus e com as pessoas. Esses
         relacionamentos são possíveis quando nos humilhamos a nós mesmos. Assim,
         Deus pode canalizar amor e perdão em nós, pessoalmente, e em nossos
         corações para com os outros.


      O oposto desse processo leva a mais dor e ferida emocional:


     1. Relacionamentos quebrados. Quando os relacionamentos se rompem, achamos
         muito difícil confiar nas pessoas.
     2. Legalismo. Quando nosso relacionamento com outras pessoas está errado,
        temos a tendência de nos tornar juízes e críticos. Passamos a viver segundo a
        "lei", e não segundo a graça de Deus. Isso nos leva a desconfiar do próximo.
     3. Falta de confiança. Quando não confiamos no próximo, muitas vezes
        deixamos transparecer essa desconfiança e as pessoas, por sua vez, deixam de
        confiar em nós. Então, cria-se uma atmosfera de crescente rejeição e vão
        surgindo muralhas entre nós e os outros.
     4. Muralhas. O que as muralhas produzem é separação, o oposto dos
        relacionamentos de coração para coração.


       Ao considerarmos a honestidade a respeito de nossas necessidades, é
importante que observemos a diferença entre pecado, ferida e escravidão.
Para o pecado é necessário haver perdão, para a ferida deve haver cura, e para
a escravidão espiritual, libertação. Por vezes, precisamos de ajuda nas três
áreas.
      Você não deve confessar uma ferida, como se ela fosse um pecado,
pois ferida não é pecado. Entretanto, se por conseqüência de ter sido
ferido você adquiriu uma atitude ou reação pecaminosa, mesmo que a culpa
seja de outras pessoas, Deus ainda o responsabiliza pela reação negativa.
Na verdade, Deus não vê a questão como se a outra pessoa fosse 80%
culpada e você apenas 20%. Você e a outra pessoa têm culpa e são 100%
responsáveis pelas próprias ações. Enquanto você não assumir total
responsabilidade pelas próprias atitudes e ações, a cura é impedida. Por
quê? Se sua atitude for de ressentimento, amargura, ou de falta de
perdão, a cura e o perdão de Deus são bloqueados.
      Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também
lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes
perdoará as ofensas (Mt 6.14,15).
       Nunca é demais ressaltar a importância de reconhecer a necessidade
de cura em nossa vida. Já vi muitas pessoas ocupadas, realizando coisas para
Deus, mas cuja atividade estava prejudicada porque precisavam provar
algo a si mesmas, obter aceitação ou vencer alguma forma de insegurança
acerca daquilo que faziam. O trabalho feito para Deus e para outras pessoas
deveria fluir de nossa segurança, de nosso senso de bem-estar, e não de uma
compulsão para provar algo a nós mesmos ou por causa de uma necessidade
de "ser alguém'. Se perseverarmos, seremos capazes de nos aproximar mais e
mais do nosso Pai amoroso e nos sentiremos bem conosco; teremos maior
alegria em nosso trabalho. E nos tornaremos uma bênção maior para as
outras pessoas se dedicarmos tempo a acolher a inteireza e a cura interior.


Segundo passo - Confesse as emoções negativas
      Certas pessoas atravessam a vida colecionando emoções negativas.
Muitas delas jamais aprenderam a identificar ou a comunicar os
próprios sentimentos, de modo que acumularam raiva, desapontamentos,
medo, amargura, culpa e outros sentimentos negativos desde a mais tenra
infância. Suprimir emoção após emoção é como empurrar uma camada de
lixo sobre outra em um saco plástico. No final, alguma coisa acaba cedendo.
Esse processo de amontoar emoções não identificadas e não comunicadas
produz conseqüências trágicas, que vão desde úlceras até o suicídio.
Muitos de nós nunca aprendemos a lidar com nossas dificuldades.
Crescemos fisicamente, porém permanecemos emocionalmente imaturos.
Construímos e mantemos barreiras emocionais que impedem a ação
conjunta de receber e dar em nossos relacionamentos com as pessoas e
com nosso Pai.
      Para resolver esse problema, o dr. Phil Blakely observa que
precisamos "descompactar" os sentimentos, isto é, falar das
emoções amontoadas dentro de nós. Para aplicarmos esse conceito, é
importante ter alguém que possa nos ajudar a expor nossos sentimentos. Para
os cristãos, esse processo devia iniciar-se com a oração. Se Jesus não for a
pessoa a quem nos dirigimos antes e acima de todas as demais, jamais
seremos curados. Ele é o Criador e deseja que lhe contemos nossos
sentimentos porque nos ama profundamente.
     Em seguida, devemos também falar com outras pessoas. É importante
desenvolver amizades com quem permita que sejamos nós mesmos, mas que
nos ame suficientemente para nos desafiar quando estivermos errados.
      Falar de nossas emoções em si mesmo não é uma panacéia. A
comunicação dos sentimentos simplesmente esclarece os canais mentais de
modo que as raízes desses problemas possam ser tratadas. O ato de
partilhar emoções carregadas de culpa não significa que já tratamos das
causas da culpa. É nesse ponto que a psicologia relativista se desmantela.
Fazer com que as pessoas exprimam livremente sentimentos de culpa pode
levá-las a se sentir melhor, contudo, se não aceitarem por fim a
responsabilidade de terem violado a lei moral de Deus, os sentimentos de
culpa voltarão — a não ser que, naturalmente, a pessoa neutralize a
consciência e perca toda a capacidade de sentir.
      Embora as emoções, por si próprias, não sejam forçosamente
pecaminosas, se forem dirigidas de maneira negativa em relação a Deus, a
nós mesmos e ao próximo, podem resultar em reações pecaminosas. É por
isso que precisamos de padrões bíblicos, a fim de avaliar se nossas atitudes se
tornaram pecaminosas. E sendo esse o caso, então, devemos tratá-las como
erradas e doentias.
      A intenção de Deus nunca foi que vivêssemos pelos sentimentos, ou
em função deles. Alguns pautam sua vida pela máxima que diz que é bom
aquilo que sentem ser bom, e é ruim o que sentem ser ruim. Trata-se de
excelente existencialismo, mas não é o cristianismo bíblico. Devemos viver
de acordo com a verdade revelada na Bíblia, e não conforme os palpites
ditados pelos sentimentos. Deus nos concedeu a capacidade de sentir
emoções, e a intenção dele era que fossem um encorajamento para a tomada
de decisões corretas. Quando não vivemos de acordo com as leis divinas,
adquirimos a tendência de torcer as intenções originais de Deus com
relação às emoções, usando-as para reforçar um estilo de vida baseado no
prazer e no egoísmo. Existem pessoas totalmente governadas pelas próprias
emoções, e há outras que nem sequer percebem que guardam sentimentos
mais profundos. Estas suprimiram os sentimentos a ponto de julgarem ser
atitude "cristã" jamais demonstrar emoção alguma. Tal atitude não indica
maturidade nem "espiritualidade". Deus nos criou para levarmos uma vida
equilibrada, na qual expressamos emoções e as desfrutamos, e somos livres
para analisá-las honesta e construtivamente.
       Maridos, pais de família e líderes espirituais podem ser de grande
ajuda, encorajando as famílias e congregações a partilhar suas emoções
livremente. Nosso desejo de levar outros a crescer espiritualmente pode ser
inútil, e até danoso, caso as pessoas que lideramos não recebam esse
privilégio. Ao criarmos espaço para que as pessoas ao nosso redor sejam
honestas, podemos conduzi-Ias a Deus de modo que usufruam um
relacionamento mais profundo com ele. Passarão a confiar mais em nós e
perceberão nosso sincero comprometimento para com elas, o que, por sua
vez, nos dará maior liberdade para falar de maneira franca sobre os
problemas delas.
      Onde não desfrutamos de confiança, não temos autoridade. Ao
permitirmos às pessoas a oportunidade de serem honestas, estamos
concedendo "graça". Isso faz com que elas se sintam seguras ao demonstrar
honestidade não apenas quanto às suas emoções, mas também quanto às suas
necessidades. Se aqueles a quem lideramos manifestam séria desconfiança
de outras pessoas, especialmente aquelas ligadas à autoridade, é bem
possível que jamais tenham aprendido a expressar os sentimentos com
honestidade, em uma atmosfera de amor e aceitação.
     Certa tarde, minha esposa Sally estava partilhando suas frustrações
com relação a problemas pessoais. Logo comecei a lhe dar conselhos. Nunca
vou me esquecer da resposta dela:


       Eu não o procurei para ouvir um sermão. Eu sei o que devo fazer.
       Quando você prega para mim, sinto-me como se você não
       estivesse ouvindo, nem tivesse interesse por mim. Preciso de
       alguém que me ouça. Se não posso falar com você, com quem vou
       falar então?


       Naquele mesmo dia decidi que queria ser o tipo de marido que dá
total liberdade e segurança à esposa (e a outras pessoas também) para que
partilhe as emoções comigo sem nenhum temor de julgamento, sermão ou
repreensão.
Para quebrar o ciclo de repressão emocional e desconfiança, peça a
Deus que lhe dê a oportunidade de falar com uma figura de
autoridade, a qual o encoraje a ser honesto acerca de seus sentimentos.
      Além disso, perdoe aqueles que no passado não lhe concederam a
liberdade de proceder assim. A motivação para partilhar sentimentos não
devia ser a de persuadir o interlocutor a aceitar seu ponto de vista, mas ser
honesto. Todavia, a honestidade não é uma finalidade em si mesma. Sua
honestidade deve surgir do desejo de confessar emoções negativas, para que
venha a se tornar a pessoa que Deus quer que você seja.
      Se já fomos magoados por figuras de autoridade, ou se discordamos
delas, é nossa responsabilidade orar antes de confrontá-las. Se depois da
oração ainda não compreendermos à decisão que tomaram, então deveremos
pedir-lhes que a esclareça, que nos façam entender seu ponto de vista.
Temos a liberdade de discordar de uma pessoa investida de liderança, mas
precisamos tomar o cuidado de não permitir que esse desacordo influencie
nossa atitude para com ela. Podemos discordar sem nos tornar juízes e sem
quebrar a comunhão. Não é necessário que a desunião domine por causa da
divergência. O desacordo construtivo é sadio, a não ser quando abre
caminho para as críticas ou o julgamento, pois assim, pode ocorrer a divisão.
Todos os problemas de desunião podem ser resolvidos mediante maior
humildade e perdão. Deus está interessado na atitude que acolhemos
no coração e também em nos ajudar a crescer, desde que estejamos
abertos e honestos acerca de nossas emoções.


Terceiro passo - Perdoe aqueles que o magoaram
      O perdão não é meramente esquecimento do mal que alguém praticou
contra nós. Tampouco representa um tipo de sentimento espiritual místico. É
simplesmente perdoar a pessoa pelo mal que cometeu. Significa dar-lhe
nosso amor e aceitação, apesar de estarmos feridos. O perdão muitas vezes
é um processo; raramente é um ato único. Continuamos a perdoar até que a
dor desapareça. Quanto maior a ferida, maior o perdão. Assim como o
médico precisa manter os ferimentos físicos livres de infecção, para que
possam atingir a cura, também devemos manter as feridas emocionais
limpas, isentas de amargura, para que possam ser saradas. O perdão é o anti-
séptico das feridas emocionais. Tantas vezes quantas forem preciso, sempre
que você pensar em determinada pessoa e sentir-se magoado, perdoe. Diga
ao Senhor que perdoa a essa pessoa e decida que vai amá-la com o amor que
vem de Deus. Receba o amor divino por essa pessoa mediante a fé.
Proceda assim toda vez que você pensar nela, até sentir que a perdoou
verdadeiramente.
     O perdão divino concedido'a nós deve igualmente servir de
motivação para perdoarmos. Se você considera difícil perdoar a alguém,
pense no quanto Deus lhe perdoou. Se isso não lhe parecer muito, então
peça que Deus lhe revele sua vida como ele a vê. O Senhor atenderá à sua
oração se clamar a ele com sinceridade.


Quarto passo - Receba perdão
      Se você foi magoado por algumas pessoas e pecou ao reagir a elas,
não apenas é fundamental que perdoe a quem o prejudicou, mas também
que peça perdão a Deus pelas reações erradas contra tais pessoas. Ao fazer
isso, você poderá descobrir a necessidade de perdoar a si mesmo. Há
ocasiões em que nosso maior inimigo é o próprio senso de fracasso.
Podemos ser muito mais duros conosco do que com os outros. Se você
falhou, derrame seu sentimento de fracasso diante do Senhor em oração,
confesse seu pecado e diga-lhe que acolherá o perdão divino e perdoará a
si próprio também. Toda vez que sentir a volta desse senso de fracasso,
agradeça ao Senhor o seu perdão.
      Há diferença entre convicção de pecado e condenação. A condenação
tem origem no sentimento de fracasso. A convicção resulta do pecado.
A convicção é específica, clara, vem de Deus; a condenação é vaga, genérica,
vem de nós mesmos ou de Satanás. Se você imagina que pecou, mas não
tem certeza, peça a Deus convicção. Sendo o Pai amoroso, ele o
disciplinará. Se a convicção não vier enquanto você espera na sua
presença em oração, agradeça-lhe o seu amor e perdão e prossiga com as
tarefas do dia. Permaneça aberto diante de Deus, contando a ele as atitudes
erradas, mas não se deixe paralisar pela conduta introspectiva. Não chafurde
no lodo da autopiedade. É destrutivo demais.
     Se você alimenta atitudes erradas contra alguém que o magoou, é
fundamental confessá-las a Deus. Todavia, tome cuidado, pois a
autopiedade pode ser a dissimulação do verdadeiro arrependimento.
Lidar com nosso papel na questão, muitas vezes, libera o Espírito de
Deus para operar no coração de outras pessoas. Mesmo que isso não
aconteça, ainda é responsabilidade nossa manter a vida correta diante de
Deus. Se você se tornar crítico, duro no coração, ciumento,
independente, orgulhoso e amargo, então precisará enfrentar as próprias
reações. À medida que se humilha diante de Deus, ele o perdoa e lhe
concede a cura das feridas. Existe cura pelo perdão!


Quinto passo - Receba o amor do Pai
      Há um vazio em nossa vida que só pode ser preenchido pelo próprio
Deus. Quando pecamos e pedimos perdão, ou quando combatemos a
insegurança ou a inferioridade, existe uma possibilidade de que esse vazio
não esteja preenchido. Nessas situações, peça a Deus que o preencha com
seu Espírito, até transbordar. Mantenha-se livre do egoísmo, concentrando-se
em Deus. Sempre é bom enfatizar este passo no processo curativo, afinal a
autopiedade e o egoísmo entristecem o Espírito Santo.
      Concentre os pensamentos e as orações no caráter de Deus e nos
diferentes aspectos do seu coração paterno. Adore a Deus: fale com ele,
cante para ele, pense nele. Medite na fidelidade, na santidade, na pureza, na
compaixão, na misericórdia e no perdão divinos.
      De importância vital no recebimento do amor do Pai, o
desenvolvimento de uma atitude de adoração deve ser cultivado como
uma conduta acima de qualquer outra. Memorize os versículos ou hinos que
você pode usar como armas no combate à solidão ou ao desânimo. A porta
que conduz à presença do Pai é a adoração — ela nos leva para longe da
depressão e da autopiedade. Alguns dizem que não conseguem adorar a
Deus quando não sentem vontade de fazê-lo, pois consideram que esse tipo
de adoração é hipocrisia. Minha resposta a isso é que não adoramos a Deus
por causa de nossos sentimentos, mas em virtude de quem ele é. Com
freqüência adoro a Deus a despeito de meus sentimentos. Não quero ser
prisioneiro deles, por isso louvo a Deus de qualquer maneira. Se me sinto
desanimado, tento honestamente exprimir esses sentimentos, mas em
seguida prossigo, concentrando-me em quem é Deus, e não como me sinto.
     Você quer receber o amor do Pai? Então passe algum tempo na
presença dele. Recebemos um banho do seu amor cada vez que
passamos algum tempo com ele, dando-lhe alguma coisa. O que é que
podemos dar a Deus? Por meio de nossas palavras e pensamentos,
podemos lhe oferecer honra, adoração, atenção, louvor e culto. Caso
isso seja uma dificuldade para você, leia a Bíblia e destaque as passagens
que falam especificamente do caráter de Deus. Um bom lugar para
começar é o livro de Salmos. Ore e cante essas passagens ao Pai nos
momentos de devoção pessoal. Quando estiver praticando o louvor
diariamente, você saberá que está crescendo mais e mais no amor de
Deus. Sentirá a presença de Deus intimamente, em resposta às suas
palavras de louvor. Não fique surpreso se durante o dia o Senhor lhe
dirigir palavras de apreço, aprovação e amor. Ele tem prazer em amar a
seus filhos!


Sexto passo - Pense os pensamentos de Deus
      Ao reagirmos às injustiças sofridas, sobretudo quando crianças,
criamos hábitos destrutivos de pensamento acerca de nós mesmos. Por
exemplo, se seus pais eram exigentes e perfeccionistas, muitas vezes você
talvez não tenha conseguido atingir as expectativas que eles
alimentavam a seu respeito. Os adultos que tiveram esse tipo de
formação, não raro, "programam-se a si mesmos" para o fracasso. Ao
determinarem previamente que fracassarão, tentam se proteger do
desapontamento. Infelizmente, tais profecias com freqüência
cumprem-se por si mesmas. Esses padrões negativos de pensamento
raramente são exatos e se baseiam na rejeição e no medo. Se
pensarmos que somos feios, não apenas sentiremos nossa feiúra, mas
também agirmos de acordo com ela.
      As Sagradas Escrituras dizem que devemos amar a Deus de todo o
nosso coração, alma, mente e corpo, e ao próximo como a nós mesmos
(cf. Lv 19.18; Mt 19.19). Deus deseja que amemos a nós mesmos, não
egoisticamente, mas com o seu amor. O Senhor deseja que pensemos os seus
pensamentos — de bondade, estima, respeito e confiança — em relação a
nós mesmos.
      Se você tem padrões negativos de pensamento a seu respeito,
sugiro que pare com isso agora mesmo e, em seguida, escreva em uma
folha de papel os dois ou três modos de pensamentos negativos mais
comuns para você. Feito isso, escreva os pensamentos de Deus para com
você, baseados no caráter divino, que são o oposto de seus pensamentos
negativos. Por exemplo, se você se imagina sendo sempre um fracasso,
escreva o seguinte: "Sou bom em .................................." e preencha
o espaço em branco com a coisa que sabe fazer bem. Escreva também aquilo
que a Bíblia diz a respeito dessa área de sua vida. Por exemplo: "Tudo posso
naquele que me fortalece" (Fp 4.13). Cada vez que você começar a pensar
nessa coisa negativa, pare e mencione o pensamento positivo,
acompanhado de uma passagem bíblica. Três semanas é o tempo exigido
para quebrar um mau hábito e substituí-lo por um hábito bom. Continue a
repetir para si mesmo a verdade, até que tenha rompido o padrão negativo
de pensamento.
       Não se renda a mentiras e pensamentos condenatórios. Persevere.
Com a ajuda de Deus você pode se superar! Clame ao Senhor cada vez que
falhar. Depois, recomece tudo outra vez. Você já reparou quantas vezes Deus
repete uma verdade quando está tentando encorajar alguém? No primeiro
capítulo de Josué, Deus disse quatro vezes a ele que não tivesse medo. Por
quê? Porque Josué precisava ser lembrado a pensar os pensamentos de Deus
sobre ele próprio. Josué se preparava para entrar em combate e carecia desse
incentivo. Tenho certeza de que ele repetiu as palavras do Senhor, muitas e
muitas vezes.
      A causa mais comum da depressão é ter pensamentos depreciativos e
condenatórios, ou de reprovação, com relação a nós mesmos. Para romper o
ciclo de depressão, devemos seguir os passos sugeridos aqui e, em seguida,
decidir que nunca mais nos entregaremos à autocensura! A fim de quebrar
o costume de pensar negativamente, devemos pensar os pensamentos de
Deus.
      O mesmo princípio se aplica às reações que vão além de meros
pensamentos e se transformam em ações. Se você detectar alguns
"padrões de reação" negativos, defensivos ou egoístas na vida, escreva-os. Ao
lado deles escreva como Deus deseja que você responda em situações
ameaçadoras que o tornam defensivo. Ao se perceber agindo de modo
negativo ou egoísta, você deve parar e orar. Depois, escolha o modo pelo
qual Deus quer que você reaja.
      Peça ao Senhor que o torne capaz de pôr esses pensamentos e
escolhas em ação. Quando falhar, peça o seu perdão e prossiga. Se o diabo
disser que você "fracassou outra vez", concorde com ele, mas diga-lhe
que se recusa a lamentar! Aceite a responsabilidade do fracasso, peça
o perdão ou a ajuda de Deus e prossiga! Trabalhe no problema até
estabelecer novos hábitos. Lembre-se de que foram anos para
desenvolver hábitos negativos, portanto não desista: isso porque em
algumas semanas ou meses você pode substituí-los pelos padrões de Deus.
Comece com um ou dois hábitos de cada vez, então passe para os outros. Se
fizermos o possível, Deus fará o impossível para nós.


Sétimo passo - Persevere
       A conclusão é 90% do sucesso! A Bíblia diz: "Se perseveramos, com
ele também reinaremos. Se o negamos, ele também nos negará" (2Tm
2.12). A perseverança apresenta dois aspectos. Se de um lado significa
compromisso de nossa parte de não desistir, ou determinação em
terminar a tarefa, por outro lado, diz respeito à capacidade da parte de
Deus. Ele nos concede a graça de terminarmos aquilo que nos chamou a
realizar. As suas ordens são também a sua promessa de vitória.
       Às vezes, você pode pensar que é impossível perseverar até o fim.
Pode ser que tenha razão! Contudo, chegando ao término daquilo que é
possível para nós, podemos então ver Deus fazer o impossível. A fé ainda
não foi exercida enquanto não cremos em Deus para o impossível. Não
precisamos de fé para fazer o possível. Assim, se você estiver enfrentando
situações impossíveis na vida, dê graças a Deus, pois agora pode começar
a praticar a fé.
      Por que a perseverança representa um passo no processo curativo de
Deus em nossa vida? Porque desistir é o que nos torna vulneráveis a
sentimentos de rejeição, raiva, mágoa, ressentimento, luxúria, desconfiança,
ou o que for que esteja nos infectando. Por vezes queremos que Deus
realize um milagre e desfaça todos os nossos problemas, agora mesmo.
No entanto, nosso Pai nos está conduzindo em um processo que nos
prepara para reinar com ele. Visto que deseja nos moldar e refinar, ele
permite que experimentemos tentações que nos forçam a fazer escolhas.
      É como diz minha amiga Joy Dawson: "O importante é como
você termina!". Diz o apóstolo Paulo em sua primeira carta aos
coríntios:


       Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um
       ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio.
       Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento
       rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos
para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não
       corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o
       ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que,
       depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser
       reprovado (1Co 9.24-27).


       Fracassaremos ao longo do caminho; contudo, se confessarmos
nossos pecados, desviando-nos deles, e mediante a fé decidirmos rejeitá-los,
receberemos o perdão de Deus e um novo começo. Ele é o Deus dos novos
começos. Nossa parte é nos humilhar e nos desviar do pecado e do fracasso; a
parte de Deus é perdoar e conceder novo começo. Ele tem prazer em fazer isso,
pois é o nosso Pai e um Deus de amor.
      Ele está trabalhando em você. A luta faz parte do processo curativo
vitorioso. Você aprende lições valiosíssimas: humildade, perdão,
compaixão e perseverança. Prossiga. Estamos em plena guerra, mas do lado
vitorioso! Jesus é o vencedor! "Estou convencido de que aquele que
começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus."
(Fp 1.6)
       Deus está procurando pessoas que cumprirão as suas intenções
originais, ou seja, o propósito para o qual ele criou a humanidade. Ele
deseja ter amizade conosco. E o Senhor não quer essa amizade apenas
com um pequeno grupo de indivíduos egoístas; o seu propósito é unir em
uma única família todos os que o amam. Assim, sempre que as pessoas
amam a Deus, ele as reúne para desfrutar a sua profunda amizade, cuidado
e apoio mútuos, celebrando também o amor, o perdão e a inteireza de
caráter que ele lhes concedeu. O plano divino é que essa "unidade familiar"
seja a igreja.


A família do Pai

      Além dos passos que podemos cumprir como indivíduos, a "família
do Pai" é igualmente um canal do seu amor e cura para as pessoas
feridas. À medida que amamos, aceitamos e perdoamos uns aos outros, como
irmãos em Cristo, o amor de Deus flui através de nós para que nos curemos
mutuamente. Por intermédio de nossos irmãos na família de Deus, ele
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Livro o imensuravel amor de deus

  • 1.
  • 2. O IMENSURÁVEL AMOR DE DEUS A compaixão divina em face do sofrimento humano Floyd McClung, Jr. Título original: The Father Heart of God 10ª Impressão Editora Vida, 2005 Digitalizado por Alicinha Revisado por Alicinha www.semeadoresdapalavra.net Nossos e-books são disponibilizados gratuitamente, com a única finalidade de oferecer leitura edificante a todos aqueles que não tem condições econômicas para comprar. Se você é financeiramente privilegiado, então utilize nosso acervo apenas para avaliação, e, se gostar, abençoe autores, editoras e livrarias, adquirindo os livros. Semeadores da Palavra e-books evangélicos
  • 3. Conteúdo 1 . O Coração Sofredor do Homem..............................................................7 2. Pai Perfeito..............................................................................................15 3. Quando o coração está ferido..................................................................26 4. Cura proveniente de um Pai amoroso.....................................................41 5. A Essência do Desapontamento..............................................................60 6. O Coração Partido de Deus.....................................................................72 7. O Pai que Espera.....................................................................................85 8. Pais no Senhor........................................................................................94 Apêndice...................................................................................................105
  • 4. Reconhecimento de Gratidão Sou muito grato à ajuda e ao aconselhamento de muitos amigos que me possibilitaram escrever esse livro. Sou especialmente grato a Sally, minha esposa, pelo seu amor e estímulo, e a meus filhos Misha e Matthew, que foram pacientes comigo enquanto gastei muitas horas trabalhando em meu escritório, e a minha secretária Lura Garrido, pela datilografia e redatilografia do manuscrito. Meus agradecimentos especiais também a Linda Patton e a Terry Tootle, que ajudaram Lura na datilografia, e a Tom Hallas, Roger Foster e Alv Magnus, pelas sugestões que nos apresentaram. Agradeço a Christine Alexander e a Ed Sherman ajuda nas pesquisas. Sou grato ao Dr. H. Wayne Light, que não somente é psicólogo de inusitada competência, mas também meu primo e amigo, pelas sugestões e ajuda no esboço das diretrizes do Apêndice. Muitos amigos me animaram ao longo do caminho, quando eu duvidava do valor do livro ou da minha capacidade para concluí-lo. Sou especialmente grato a Henk Rothuizen, Jon Petersen, Arne Wilkening, Wilbert van Laake, John Goodfellow, Lynn Green, ao Dr. Phil Blakley e a John Kennedy, pelo precioso estímulo e aconselhamento no momento oportuno. Também agradeço sinceramente o estímulo que recebi de Richard Herkes e o do pessoal da Kingsway, que refletiram a atitude própria do reino de Deus em todos os nossos relacionamentos. Sou devedor também a Mike Saia e a John Dawson, e ao Ministério dos Últimos Dias por dar-me permissão para usar alguns trechos do folheto O Coração Paterno de Deus. Acima de tudo sou agradecido ao Senhor, porque tudo o que é bom vem dele!
  • 5. Um novo exame do Caráter de Deus Enquanto meus dois filhos, Misha e Matthew, e eu, estudávamos o quadro, sentíamos grande tristeza. Era uma tela grande pintada com traços rápidos, infantis. A figura alta, como que feita de paus, de cabeça quadrada, representada em cores escuras, transmitia uma sensação de frieza e severidade. O nariz em forma de bico e os longos braços salientes quase nos davam a impressão de um monstro. O quadro era intitulado “Homem”, mas de acordo com um dos guias do Museu Stedelijk de Amsterdã, o título original da obra de Karel Appel era “Meu Pai”. Discutimos o quadro durante longo tempo. Que tipo de relacionamento teve Karel Appel com seu pai? Mais importante ainda, de que modo esse relacionamento influenciou a imagem que ele tinha de Deus? Imaginávamos se ele acreditava em Deus, e se cresse, se ele o via como um pai amoroso. Escrevi esse livro porque a maioria das pessoas não conhece a Deus como Pai amoroso. Não o vê como alguém a quem amar, e em quem confiar, alguém digno da sua lealdade e compromisso absolutos. Quer a pessoa seja crente, quer não, numa ou noutra época todo o mundo pensa seriamente na questão de quem é Deus e de como ele é. Muitos anseiam conhecer a Deus pessoalmente, porém o imaginam como um Ser remoto, impessoal, que não pode ser conhecido. Outros anseiam um relacionamento com ele, mas apegam-se ao conceito errado de que ele está sentado no céu usando um terno preto, cofiando a longa barba branca, enquanto olha para baixo, procurando julgar alguém que se atreva a sorrir aos domingos. Este livro foi escrito para prover um novo modo de examinarmos a Deus, e ajudar-nos a solucionar certas áreas da nossa vida que podem estar impedindo um relacionamento com ele como o nosso Pai. Exploraremos como as mágoas passadas podem colorir o nosso conceito de Deus, e como os nossos pais terrenos podem ter influenciado, de modo inconsciente, a nossa perspectiva do Pai celeste.
  • 6. Creio que Deus nos criou para sermos parecidos com Ele, em escala menor, é claro! Ele nos criou a fim de que nos amemos uns aos outros, cuidemos da sua criação de forma responsável, e estejamos seguros e confiantes em quem somos. Mas o nosso egoísmo e as nossas mágoas emocionais nos retêm e impedem que sejamos as pessoas que nosso Pai pretendia que fôssemos. O fato de Deus ter cuidado de nós e nos oferecer libertação do egoísmo, e cura para os males é o que motivou minha esposa e nossa família a ir morar na zona de meretrício de Amsterdã e ali compartilhar do amor de Deus. Foi essa a razão de termos morado três anos no Afeganistão. Foi lá que conhecemos a Steve, que tinha uma história singular para contar.
  • 7. 1 . O Coração Sofredor do Homem Ele dizia chamar-se Steve, mas eu tinha a impressão de que esse não era o seu nome verdadeiro. Suas calças “jeans” eram desbotadas e gastas, não porque as comprara assim nalguma loja européia, no “grito da moda”, mas por causa do constante desgaste na “trilha hippie”. Tinha viajado por terra de Amsterdã, com um amigo, no “ônibus mágico”, uma linha rodoviária barata mas às vezes perigosa, e haviam chegado recentemente a Cabul, capital do Afeganistão. Minha esposa e eu, juntamente com alguns destemidos amigos, morávamos em Cabul e dirigíamos uma clínica grátis para os desistentes da sociedade ocidental que vagueavam pelo centro da Ásia à procura de aventuras, drogas e escape dos modos de vida que vieram a abominar. Muitos haviam sido empurrados para a margem da sociedade pela rejeição e por um profundo sentimento de alienação. Nada em seu ambiente lhes provia um senso de identificação ou de participação. Steve não era exceção. Nas semanas que se seguiram ele nos visitou ocasionalmente na clínica. Um dia ele me perguntou se eu queria ouvir algo sobre o dia mais feliz da sua vida. Era a primeira vez que ele voluntariamente se oferecia para falar acerca de si mesmo, de modo que eu estava ansioso por ouvir. — Vou contar-lhe o dia mais feliz de minha vida — disse-me ele, com um estranho sorriso. A dor reprimida e a hostilidade entraram em erupção, numa torrente de fúria vulcânica. — Foi o dia em que fiz 11 anos. Nesse mesmo dia meus pais morreram num acidente de carro! A voz dele fervia de amargura. — Eles me disseram todos os dias da minha vida que me odiavam e que não me queriam. Meu pai não me tolerava e a minha mãe me lembrava constantemente que eu tinha sido um acidente. Eles não me queriam e estou contente de estarem mortos! Nas semanas seguintes continuei tentando ajudar a Steve, mas perdi- lo de vista logo depois. Sua dor e ódio, entretanto, permanecem gravados vividamente na minha memória.
  • 8. O que Sally e eu descobrimos no Afeganistão nos princípios dos anos setentas não foram apenas alguns pobres ocidentais feridos que fugiam dos seus problemas, mas toda uma subcultura de pessoas sofredoras. Nos últimos dez anos investimos nossas vidas na ajuda a pessoas emocionalmente feridas e descobrimos que nenhum nível da sociedade é imune à dor dos relacionamentos partidos. Certo jovem de classe social elevada que veio a nós pedindo aconselhamento, descreveu como o seu pai o obrigou a olhar enquanto batia na sua mãe e depois a apunhalava. Uma jovem mulher narrou-nos as humilhações que sofreu às mãos do pai, dos irmãos e do avô, que a violentaram. Outro jovem confidenciou-nos que seus pais o deram a seus avós simplesmente porque não o desejavam. Seus avós por sua vez, o colocaram num orfanato quando ele tinha cinco anos. Ali o diretor o espancava todos os domingos se ele se recusasse a ir à igreja. Anos mais tarde ele entregou a vida a Cristo por mediação do nosso trabalho no Afeganistão, e então voltou para casa a fim de expressar o seu amor e perdão aos pais, com um presente. Quando a mãe o viu, gritou enraivecida e não lhe permitiu entrar em casa. Um jovem e simpático marido chorava ao confidenciar-nos que não se lembrava mais de ter ouvido as palavras “Eu te amo” da parte do pai, que era advogado. Nosso mundo está infestado por uma epidemia de dor. Com o índice de divórcio aumentado e o abuso contra as crianças berrando nas manchetes nacionais, não e de surpreender que para muitos o conceito de Deus Pai provoca reações de ira, ressentimento e rejeição. Visto não terem conhecido um pai humano bondoso e atencioso, possuem uma visão distorcida do amor do Pai celeste. Em muitos casos esses indivíduos sofredores escolheram simplesmente negar ou desprezar a existência de Deus. John Smith, um amigo meu de Melbourne, Austrália, fala a respeito de um adolescente endurecido, criado na rua, que lhe deu uma única oportunidade de apresentar-lhe Deus. — Está bem camarada — disse ele — como é Deus? Recém-formado em teologia, John não titubeou: — Ele é como um pai. Os olhos do jovem fuzilaram de ódio. — Se ele parece com o meu velho, fique com ele pra você!
  • 9. Mais tarde, John soube através de um assistente social que o pai do menino havia violentado a própria filha várias vezes e batido na esposa com freqüência. Feridas Emocionais Uma experiência negativa na infância não é o único fator que nos frustra a compreensão de Deus como Pai. Muitos experimentam um bloqueio emocional ou mental quando tentam chamar Deus de “pai”, pois não o conhecem pessoalmente. Há diferença entre saber a respeito de Deus e conhecê-lo pessoalmente. Lemos em João 1:12: “Contudo aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filho de Deus”. Para que nos tornemos filhos de Deus, devemos crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que morreu e ressurgiu para que nossos pecados pudessem ser perdoados. Precisamos, em seguida, pedir-lhe que nos perdoe e se torne o Senhor de nossa vida. Então, como filhos, dedicar a vida ao aprendizado, à obediência a Palavra de Deus e à adoração a ele somente. Outras pessoas têm dificuldade de relacionar-se com Deus como Pai porque durante a vida toda foram ensinadas a respeitá-lo. Para elas isso significa chamá-lo de Senhor. Usar um termo informal como “Pai”, parece- lhes falta de reverência. Entretanto, a Bíblia nos ensina a chamar Deus de “Pai” quando oramos (Mt 6.9) e nos diz que Ele deseja ter um relacionamento íntimo e pessoal conosco, seus filhos. Algumas de nossas dificuldades mais comuns para compreender o imensurável amor de Deus são as feridas emocionais. Muitas vezes, essas feridas produzem cicatrizes que nos fazem hesitar em confiar inteiramente nele como Pai. A Bíblia oferece muitos exemplos de ferimento emocional e refere-se a isso como “espírito oprimido”, ferido ou abatido. Diz o livro de Provérbios “A alegria do coração transparece no rosto, mas o coração angustiado oprime o espírito” (15.13); e “O espírito do homem o susterá na doença, mas o espírito deprimido, quem o levantará? (18.14) A história de Mical, filha de Saul, demonstra claramente a dor de um espírito ferido ou abatido. Mical foi educada em um ambiente carregado de
  • 10. desavença e conflito. Seu pai, homem impaciente e inseguro, com freqüência explodia em acessos de ira. Não há duvidas de que ela fora profundamente influenciada pela ira paterna. Saul tinha ciúme do futuro rei Davi e isso o levou a planejar uma armadilha para matá-lo. Como isca, Saul lhe ofereceu uma de suas filhas como prêmio, caso ele matasse cem filisteus, inimigos de Israel. “Certamente”, pensou Saul, “Davi será morto pelos filisteus e ficarei livre dele para sempre!” Para grande desgosto de Saul, Davi foi bem-sucedido. Na verdade, matou duzentos filisteus! Saul concedeu a mão da filha Mical como prêmio, mas Davi logo fugiu de outro dos ataques de raiva de Saul, deixando-a para trás. Anos depois ele retornou e encontrou Mical casada com outro homem. Contra a vontade dela e do novo marido, Davi exigiu sua volta. Por fim, ela foi arrancada dos braços de seu choroso marido e devolvida à força a Davi (2Sm 3.13-16). Pelo visto, os homens da vida de Mical a moveram entre si como se ela fosse uma peça no tabuleiro de xadrez. Em razão da sua criação, é compreensível que tenha reagido a Davi com tanta amargura. O ressentimento dela explodiu no auge de uma festa de celebração de vitória. E sucedeu que, entrando a arca do SENHOR na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do SENHOR, o desprezou no seu coração. E, voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, a filha de Saul, saiu ao seu encontro e lhe disse: “Como o rei de Israel se destacou hoje, tirando o manto na frente das escravas de seus servos, como um homem vulgar!” E até o dia de sua morte, Mical, filha de Saul, jamais teve filhos. (2Sm 6.16, 20, 23) A reação de Mical resultava de uma ferida emocional que se transformara em ódio. O remédio que poderia trazer-lhe a cura era o perdão, mas ela preferiu não concedê-lo. A esterilidade espiritual e física a atormentou pelo resto da vida. Semelhantes a Mical, nos dias de hoje há muitas jovens e mulheres que sofrem diferentes graus de dor, todavia não precisam acabar como a
  • 11. filha de Saul. Por causa do seu coração paterno, Deus anseia por renovar- nos e restaurar-nos mediante o poder curador do seu amor. O coração de Deus Trata-se da parte mais interna ou mais essencial da pessoa: seu coração. O coração paterno de Deus descreve o elemento fundamental que caracteriza o que Ele é. Jesus descreve Deus nas Escrituras como o Pai misericordioso, perdoador, bondoso e amoroso. Jesus demonstrou mediante a sua vida a própria natureza do Pai celeste. — Como é Deus, papai? Lembro-me de certa noite, muitos anos atrás, em que lutei para encontrar uma resposta para a pergunta de Misha, minha filha, então com 5 anos de idade. Enquanto considerava cuidadosamente a questão, percebi que em sua simplicidade Misha fizera uma pergunta cuja resposta muitas pessoas gostariam de obter. Talvez os adultos a formulem de maneira diferente, mas a pergunta básica permanece a mesma: "Se há um Deus, como ele é?". A Bíblia diz que Deus não é um ser finito como nós, todavia deu-se a conhecer a nós de maneira tão clara, tão compreensível, que podemos saber como ele é. "Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido" (Jo1.18; grifo do autor). Eu disse à minha filha como é Deus. Disse-lhe que ele se parece com Jesus. De fato, certa vez Jesus disse: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14.9). Jesus é Deus em forma humana. Na Bíblia encontramos muitos exemplos de como Jesus revelou o Pai para nós. Um desses exemplos refere- se à passagem em que algumas mães desejavam que Jesus abençoasse os filhos, mas os discípulos acharam que ele estava ocupado demais, era importante demais para ser perturbado. Jesus, porém, repreendeu os discípulos e lhes disse que trouxessem a ele as crianças. Ele tomou os pequeninos nos braços e conversou com eles. Jesus arranjou tempo para as crianças, teve tempo para ouvir as histórias e brincadeiras delas. Nem se importou de sujar-se quando as crianças, de nariz escorrendo e tudo mais, sentaram no seu colo. Quando vemos que Jesus teve tempo para as
  • 12. criancinhas, aprendemos que Deus tem tempo para as pessoas. Ele se importa até com as pequenas coisas da vida. É paciente. Deus-Pai se parece com seu Filho. Certa tarde Jesus parou para falar com uma mulher samaritana, perto de um poço. Naquela época o povo judeu odiava e desprezava os samaritanos. As mulheres eram consideradas pessoas de segunda categoria e incapazes de compreender verdades espirituais. Jesus elevou essa mulher a uma posição de igualdade e valor pelo simples fato de ter rompido um costume social e falado com ela publicamente. Ao fazê-lo, revelou algo mais de como é Deus. Ao discutir as necessidades espirituais diretamente com a própria mulher, Jesus comprovou o seu interesse pessoal por ela e ainda demonstrou que Deus-Pai se importa com os homens e com as mulheres de forma igual. Essa mulher não apenas era samaritana, mas também imoral. Jesus sabia disso, mas não se sentiu constrangido, tampouco envergonhado, em ser visto com ela. Na verdade, ele queria conversar com a mulher. Foi por esta razão que ele viajou através de Samaria: arranjar tempo para demonstrar amor verdadeiro a essa mulher, conhecida por seus casos amorosos. Jesus viu além da dureza exterior, das anedotas imorais, do sarcasmo a respeito da religião. Viu o coração dela. Viu que ela ansiava por algo que preenchesse o vazio interior. Sentiu a necessidade dela de ser amada, de ser protegida, de ser alguém especial. Por sua vez, a mulher recebeu o amor de Cristo porque Ele a ajudou a “ver” a Deus de um modo como nunca vira antes. Jesus veio por isto: para revelar-nos Deus e levar-nos a Ele.
  • 13. Guia de estudo (Capítulo 1 - O Coração Sofredor do Homem) Leia João 1 e 2 1. Escreva seu conceito pessoal da paternidade de Deus. Como ele é para você? Seja o mais honesto e específico que puder. 2. Você tem uma relação íntima/pessoal com ele? 3. Quais são seus sentimentos para com seu pai terreno? 4. Você tem uma relação íntima/pessoal com ele? 5. Você confia em seu pai terreno? Se a resposta for negativa, pode explicar por que e identificar as áreas de desconfiança? Liste-as.
  • 14. 6. Você confia em Deus Pai? Se a resposta for negativa, pode explicar por que e identificar as áreas de desconfiança? Liste-as 7. Faça uma lista de quantas referências das Escrituras puder encontrar nas quais Jesus descreve o coração do Pai. 8. Leia João 14.8-11. O que você sente com o que o Senhor está lhe dizendo? 9. Feridas emocionais não curadas = espírito ferido/enfraquecido = amargura/ódio. Você já se sentiu rejeitado ou marginalizado por família, amigos, colegas de trabalho ou pela igreja? Se a resposta for positiva, descreva o(s) incidente(s). 10. Você acha que está vivendo no momento um grau de sofrimento por causa da rejeição/alienação? Se a resposta for positiva, responda como isso o afeta hoje. 11. A única cura para essa condição é .............................................. Você está disposto a ser conduzido pelo amor do Pai no caminho do perdão e, desse modo, ser curado de suas feridas emocionais?
  • 15. 2. Pai Perfeito Já me perguntei muitas vezes por que Deus determinou que entrássemos neste mundo como bebês indefesos. Ele poderia ter criado um sistema reprodutivo que produzisse pessoas fisicamente completas, como Adão e Eva. Em vez disso, optou por criar-nos como seres em formação, pessoas que cresceriam devagar, tanto física quanto emocional e mentalmente, e com o tempo se tornariam adultos. Acredito que Deus planejou nosso início de vida como bebês totalmente dependentes e vulneráveis porque pretendia que a família fosse o ambiente em que o seu amor seria modelado, para que as crianças crescessem sentindo-se compreendidas, amadas e aceitas. Nutrida nesse ambiente de amor e segurança, a criança poderia desenvolver uma auto- estima sadia, baseada em Deus, e ver a si mesma como um ser desejado, importante, valioso e bom. Infelizmente, muitos lares não atingem esse ideal. Inúmeras pessoas sofrem mágoas e rejeição da família e não têm uma genuína figura paterna com quem se identificar. Tais experiências as impedem de conhecer a Deus como ele realmente é, negando-lhes a alegria de desfrutar intimidade verdadeira com ele. Relaciono, a seguir, sete diferentes áreas de conceitos errados a respeito de Deus que, com freqüência, têm origem na infância. Por estima à clareza, farei referência quase que exclusivamente às qualidades paternais divinas. Autoridade Quando o cachorro da família vem recebê-lo no momento em que você chega à casa de um amigo, é possível às vezes discernir o modo pelo qual o animal é tratado. O cão comum ou foge tremendo de medo ou cobre você com uma demonstração indesejável de afeição expressa com a língua, a cauda e as patas sujas! O animal amedrontado, que não pode ser persuadido a confiar em você, provavelmente tem sido maltratado. O exuberante cãozinho que o surpreende com uma lambida no rosto provavelmente veio de um lar amoroso. Com freqüência, nós nos aproximamos do nosso Deus de
  • 16. maneira semelhante. As experiências passadas intensificam nossas reações, quando ele tenta chegar até nós. O que gera desconfiança na área de autoridade? A porta do quarto se abre com um estrondo. No meio da noite, certo garotinho é acordado aos tapas por um bêbado enraivecido. Aterrorizada, a criança grita enquanto o vulto escuro e gigantesco de um homem a quem chama de "papai" bate nela sem piedade. Uma prostituta de 15 anos de idade fixa o olhar no vazio enquanto mecanicamente suporta mais uma noite de degradação. Pouco se importa com o que lhe acontece. Ela não se sente limpa desde a noite em que foi molestada pelo próprio pai. Nós, a exemplo do cãozinho amedrontado, às vezes fugimos da autoridade do nosso Pai celeste porque imaginamos que será como as outras figuras de autoridade em nossa vida. Não será. Ele é perfeito amor. É ele quem ordena: "Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor" (Ef 6.4). Confiança Na infância pode ser que você não tivesse como saber o que é ter pai, seja por causa de morte, seja em razão de um divórcio. Talvez tenha sido relegado à "orfandade" pelas exigências das carreiras dos pais. Agora, como filho de Deus, para você é difícil não duvidar da fidelidade dele. Não consegue apagar as recordações infantis de promessas desfeitas e do abandono. Talvez você só raramente sinta a presença de Deus e fique inclinado a aproximar-se dele com cinismo e desconfiança. Entretanto, seu Pai celeste estava presente quando você dava os primeiros passos como criança. Ele presenciou as mágoas e desapontamentos de sua adolescência e, neste instante, está presente com você. Por breve tempo você foi emprestado a pais humanos que durante alguns anos deveriam ter-lhe dado amor semelhante ao amor de Deus. A intenção divina era que o cuidado e a segurança de um bom lar o preparassem para o amor dele. Se a família falhou no desempenho dessa responsabilidade, você precisa reconhecer esse fato, perdoar-lhe e prosseguir a fim de receber o amor de Deus. Ele o aguarda agora mesmo com braços estendidos.
  • 17. Deus é o único Pai que jamais falhará conosco. Como diz 2 Timóteo 2.13: "Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo". Valores Anos atrás um amigo meu, enquanto visitava uma aldeia de nativos do sul do Pacífico, passou algum tempo observando as crianças brincar. Mais tarde, ele me disse que essas crianças raramente ouviam palavras como: "Não toque nisso!", "Deixe isso aí!" ou "Tenha cuidado!". Os lares eram simples, consistindo em chão de terra batida, teto de colmo (uma palha comprida) e paredes de esteiras. Em comparação, nossos lares modernos estão cheios de bugigangas caras, frágeis, e de aparelhos que representam campos minados de rejeição potencial a pequenos curiosos. Quantas mães não explodiram de raiva diante de uma criança que despedaçou um vaso ou um bibelô! As crianças ouvem constantemente palavras sobre a importância e o valor das coisas. No entanto, muito poucas vezes ouvem um simples: — Eu te amo! Uma espécie de slogan, ou bordão repetitivo e destrutivo, vai cavando seu caminho no subconsciente das crianças: "As coisas são mais importantes do que eu. As coisas são mais importantes do que eu!'. Não estou sugerindo que abandonemos nossos lares, mas que precisamos perceber a possibilidade de nossa noção da generosidade de Deus ter sido violentada por nossas experiências na infância. Podemos ser forçados a alterar radicalmente as prioridades de modo que possamos comunicar o amor de Deus aos nossos filhos. Os valores de Deus diferem significativamente dos nossos. A criação exibe extravagância de cores e complexidade de formas que transcendem o simples valor funcional. Uma pequena flor branca, beijada pela luz do sol alpino da Itália, tem significado para Deus, ainda que jamais tenha sido vista pelo olho humano. A mesma flor pode não ter valor econômico; apesar disso, foi criada por Deus na esperança de que um dia um de seus filhos pudesse olhá-la e receber a bênção dessa beleza. A maior demonstração de amor do coração paterno de Deus revela-se na sua atenção aos detalhes de nossa vida. Ele anseia por nos surpreender com os "extras", aqueles pequenos prazeres e tesouros que somente um pai saberia que desejamos. Deus não é avarento,
  • 18. possessivo, nem materialista. Somos nós que, com freqüência, usamos as pessoas como se fossem objetos; ele usa os objetos para abençoar as pessoas. Deus manifesta a sua generosidade mediante dádivas mais importantes do que meras coisas materiais. Graciosamente, ele nos dá o que não pode ser tocado nem tem preço: o perdão, a misericórdia e o amor. Afeição Quando meu filhinho chega do quintal coberto de lama, eu o apanho e o lavo com a mangueira do jardim. Rejeito a lama, não rejeito o meu filho. Sim, nós pecamos. Realmente, quebramos o coração de Deus. Contudo, ainda somos o centro da atenção e do afeto divinos — a menina-dos-olhos de Deus. É ele quem nos procura para conceder-nos perdão e amor. Nós dizemos: "Encontrei o Senhor", mas na verdade foi ele que, depois de intensa busca, nos encontrou primeiro. Muitas crianças, principalmente os meninos, recebem pouquíssimo afeto físico da parte dos pais e, quando sofrem, não lhes é demonstrada nenhuma compaixão verdadeira. Por conta do falso conceito de masculinidade em nossa sociedade, é comum os meninos ouvirem: "Não chore, filho; homem não chora". Entretanto, o amor de Deus cura os ferimentos de meninos e meninas da mesma maneira. Sendo nosso Pai, Deus sente nossa dor muito mais profundamente do que nós mesmos, pois a sensibilidade dele ao sofrimento é muito maior do que a nossa. A maioria das pessoas tenta esquecer os momentos mais dolorosos da vida, mas Deus não. Ele se lembra de tudo, e muito bem. Deus estava lá quando você sofreu aquele vexame cruel no pátio da escola, ao ser perseguido pelos colegas, chegando mesmo a fugir para casa sozinho, evitando o olhar dos outros garotos. Deus estava lá naquela aula de matemática em que você se sentiu confuso e infeliz. Quando você se perdeu com 4 anos de idade e perambulou aterrorizado pela multidão, foi ele quem moveu o coração daquela bondosa senhora que o ajudou a encontrar sua mãe. "Eu os conduzi com laços de bondade humana e de amor; tirei do seu pescoço o jugo e me inclinei para alimentá-los" (Os 11.4). Às vezes não entendemos como Deus pode ser verdadeiramente um Pai amoroso. Os pais podem exibir orgulhosos suas fotos no álbum, mas como se compara isso com a capacidade infinita de Deus de experimentar tanta
  • 19. satisfação e prazer que extravasam com todos os seus sucessos? Deus o ouviu pronunciar sua primeira palavra. Ele observava você com gosto enquanto gastava horas sozinho explorando novas texturas com as mãozinhas de bebê. Deus considera um tesouro as recordações de suas risadas infantis. Nunca houve outra criança como você e jamais haverá. Moisés certa vez invocou uma bênção sobre cada tribo de Israel. A uma delas ele disse: "Que o amado do SENHOR descanse nele em segurança, pois ele o protege o tempo inteiro, e aquele a quem o SENHOR ama descansa nos seus braços" (Dt 33.12). É aí que você habita também. Seja lá o que se tomará aos olhos dos homens — pessoa de grande autoridade, fama ou renome — , você jamais deixará de ser nada mais, nada menos do que uma criança nos braços de Deus. Presença Há um atributo de Deus que nem mesmo o melhor pai pode esperar imitar — a capacidade divina de estar conosco o tempo todo. Os pais humanos simplesmente não podem dar aos filhos toda a atenção 24 horas por dia. No entanto, Deus é diferente. Ele não apenas está com você o tempo todo, mas também lhe dá atenção de forma individual: "Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês" (1Pe 5.7). Não raro seus pais se preocupavam com as próprias atividades e, com isso, não podiam interessar-se pelos acontecimentos de menor importância que diziam respeito a você. Deus, todavia, não é assim. É um Deus minucioso. A Bíblia diz que ele até enumerou os fios de cabelo de sua cabeça. Por quê? Não é porque esteja interessado em matemática abstrata; esse comentário bíblico simplesmente ilustra um quadro de como ele sabe muitíssimo bem todas as coisas, bem como quão cuidadoso é a respeito de nossa vida. Certo garotinho passou a tarde inteira martelando pregos em alguns restos de madeira. Enfim, saiu da garagem e mostrou à mãe um navio de guerra de três andares. Não via a hora de o pai chegar a casa. Papai estava atrasado. Então, às 18h30 um homem cansado e preocupado chegou. Um jantar frio o aguardava. Havia consertos a serem feitos. O menino entusiasmado, cheio de orgulho, tentou mostrar sua obra-prima para um
  • 20. pai que mal conseguia tirar os olhos da calculadora. Papai não olhou, mas Deus olhou. Deus sempre olha, sempre tem prazer no trabalho das mãos dos meninos. Deus é, e sempre será nosso Pai verdadeiro. Procure não se ressentir das falhas dos pais terrenos, pois eles não passam de crianças que cresceram e vieram a ter crianças também. Em vez disso, deleite-se no maravilhoso amor do seu Deus e Pai. Aceitação Vivemos em uma sociedade voltada para o desempenho. Muitos pais passam aos filhos a mensagem do tipo: se você conseguir entrar para o time de futebol da escola, se você trouxer para casa boletins com boas notas, se você tiver boa aparência, então sim, você será aceito e "amado". Nosso Deus, porém, nos ama com amor incondicional. Nosso Pai celestial nos ama porque é amor. Embora não precisemos fazer nada para convencê-lo a nos amar, devemos receber seu amor. Isso não significa que, antes de qualquer coisa, tenhamos de nos tornar santos. O que Deus nos somente é que nos aproximemos dele com honestidade e sinceridade;i então, ele nos perdoará e nos transformará nos filhos que ele deseja. Muitas pessoas julgam difícil aceitar o amor e a aprovação de.Deus. Um verdadeiro relacionamento de amor exige, contudo, o ato de dar e receber amor. Imagine como eu me sentiria se, em um impulso repentino, decidisse comprar flores para a minha esposa, mas quando as entregasse a ela, e lhe dissesse: "Eu te amo, Sally", ela corresse para pegar dinheiro a fim de me reembolsar pelas flores! Certamente eu ficaria magoado e desapontado. Tudo o que desejo saber é se ela sente a mesma coisa por mim. Qual é sua resposta a Deus quando ele lhe diz que o ama, apesar de tudo? Será que você consegue receber o amor de Deus sem começar uma atividade frenética para merecer a aprovação dele? Um dos mais lindos quadros que retratam a satisfação plena é o do bebê adormecido nos braços da mãe, depois de ter sido amamentado no seio materno. A criancinha já não chora nem reclama, apenas descansa no abraço amoroso. Um profundo sentimento de paz permeia a melodia da
  • 21. canção de ninar que as mães entoam em ocasiões assim. Na Bíblia, o profeta Sofonias descreve emoção semelhante, existente no coração de Deus com relação a nós: O SENHOR, o seu Deus, está em seu meio, poderoso para salvar. Ele se regozijará em você; com o seu amor a renovará, ele se regozijará em você com brados de alegria (3.17). Deus-Pai o ama exatamente como você é. Durante toda a vida você tem sido obrigado a mostrar resultados e a competir. Mesmo quando não passava de um bebê, você já era comparado com outras criancinhas. As pessoas diziam que você era "muito gordinho" ou "muito magrinho", tinha "as perninhas de fulano" ou "o narizinho de beltrano". Entretanto, Deus se deliciava com o fato de você ser a pessoa sem igual que é, e ele ainda se delicia. Comunicação Uma tarefa difícil é a comunicação aberta e amorosa, sobretudo para os pais. No entanto, Deus comunica o seu amor por nós de maneira claríssima. Na verdade, ele nos ama tanto que "deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterná' (Jo 3.16). Certa jovem me disse que não conseguia falar com Deus. Parecia-lhe que as palavras batiam em muralha de pedra. Não se lembrava de uma única vez em que Deus houvesse respondido a uma oração dela. Enquanto orávamos juntos, percebeu que costumava retratar a Deus como se ele fosse seu pai terreno, um homem bom e honesto, mas quieto e tímido. Ele jamais dissera aos filhos que os amava e raramente conversava com eles. Ao admitir que o pai havia sido fraco e falhara ao educá-la, a moça foi capaz de perdoá-lo e, enfim, de aceitá-lo como ele era. Esse reconhecimento deu início a uma dimensão inteiramente nova no relacionamento dela com Deus. Ela dispunha de mais fé ao orar porque entendeu que Ele a ouvia. Logo veio a sentir a orientação divina, a presença de Deus em sua vida. Se você acredita ter sido prejudicado em seu relacionamento com Deus por causa de uma carência, quer em uma área do amor paterno, quer materno, diga ao Senhor como você se sente e peça-lhe ajuda. Você precisa
  • 22. decidir por si mesmo que vai perdoar a quem o magoou, seja lá quem for. Se não perdoar, a amargura vai consumi-lo, e você não vai encontrar paz com Deus. Do mesmo modo, entenda que você não está sozinho. Jamais encontrei uma pessoa perfeita... nem um pai nem mãe que nunca tivessem cometido erros. Todos já sofreram um tipo ou outro de mágoa. O importante é que você comece a conhecer a Deus pelo que ele realmente é — e o conceito que temos dele com freqüência é bem diferente da realidade. Somente Deus é o Pai perfeito. Ele sempre disciplina em amor. É fiel, generoso, bondoso e justo, e almeja passar bastante tempo com você. Seu Pai celeste quer que você receba o seu amor e saiba que você é especial e singular aos olhos dele.
  • 23. Guia de estudo (Capítulo 2 - Um Pai Perfeito) Leia João 3 e 4 1. Descreva o ambiente familiar durante a sua infância. Havia paz, alegria, estabilidade, segurança — ou conflito, depressão etc? 2. Você se sente amado e aceito? Querido? Valorizado? Especial? 3. Você está ciente de que Deus Pai criou as famílias a fim de que ele fosse glorificado por meio do fruto produzido em seu ambiente de amor e segurança? Ele foi glorificado em sua família? Explique. 4. Faça uma lista das autoridades masculinas em sua vida e como você se sentia ou se sente em relação a essas pessoas? 5. Você confiava ou confia nesses homens?
  • 24. 6. Você sentia ou sente que é importante para esses homens? 7. Você recebia ou recebe demonstrações de afeto por parte desses homens? 8. Faça uma lista de alguns dos momentos mais dolorosos de sua vida. Junto a esses momentos, escreva o nome da autoridade masculina que lhe demonstrou amor e compaixão quando você se feriu. 9. Onde estava Deus durante as horas de dor em sua vida? 10. Faça uma lista das pessoas (homens ou mulheres) que o amaram incondicionalmente. 11. Você é capaz de receber amor incondicional do criador do amor — Deus-Pai? 12. Você sente que foi magoado em uma das sete áreas do amor paterno?
  • 25. 13. Se não tem certeza, pergunte a alguém próximo a você. 14. Você está disposto a perdoar quem quer que o tenha magoado? Seja honesto.
  • 26. 3. Quando o coração está ferido Tímida, ela era um pouco mais alta do que a maioria das adolescentes. Cansado, a última coisa que eu desejava era conversar com uma jovem introvertida. Tinha acabado de encerrar uma palestra para um grupo numeroso de ouvintes, na África do Sul, acerca do coração paterno de Deus, por isso precisava desesperadamente de um pouco de descanso. No entanto, senti que devia ouvir com a máxima atenção o que a mocinha estava prestes a me dizer. A princípio as perguntas dela pareceram insignificantes, mas comecei a imaginar que a jovem desejava na verdade me contar algo mais. Esperei. Quando ela acabou, perguntei-lhe se não havia outra coisa que quisesse compartilhar. Ela pareceu aliviada. Então, sentou-se do meu lado naquele auditório pequeno e abarrotado de gente e sussurrou ao meu ouvido: — Posso chorar um pouco no seu ombro? Eu disse: — Claro, mas será que você poderia me dizer por quê? Os olhos da moça encheram-se de lágrimas à medida que a história ia-se desenrolando. O pai morrera quando ela era bem pequena. Desde então não tivera um ombro sobre o qual chorar, um pai a quem levar suas perguntas, desapontamentos, realizações e planos. Uma dor profunda lhe dilacerava o coração por sentir falta dos braços fortes e amorosos que por algum tempo a haviam amparado e confortado. A adolescente chorou em meu ombro, sem demonstrar timidez ou vexame. Depois disso, conversamos com o Pai celeste. Juntos pedimos a ele que curasse a mágoa e preenchesse o espaço vazio da vida dela. E Deus nos ouviu. Encontrei-me com essa jovem alguns anos depois, quando retornei à África do Sul. De início não a reconheci, mas então ela me lembrou do tempo de oração que tivemos. Isso reavivou minha memória, e os fatos esquecidos voltaram tal qual uma inundação. Ela me agradeceu os momentos em que compartilhamos, dizendo-me que fizeram toda a diferença. Naqueles breves instantes que passamos juntos, a jovem experimentou o imensurável amor de Deus.
  • 27. Essa moça sofrera um ferimento emocional profundo, que a mantinha incapaz de desfrutar um relacionamento com o Pai celeste. Este mundo está repleto de pessoas que carregam dores e mágoas como essas, invisíveis, muitas das quais procedentes da infância, e outras impostas pela pressão e por problemas da vida moderna. Deus, nosso Pai, deseja curar essas feridas para assegurar uma comunhão profunda, agradável e genuína com os seus filhos. A Bíblia nos fala de modo especial da necessidade de curarmos as emoções feridas, mostrando essa cura como parte do processo de santificação. No livro de Isaías, o profeta nos aponta a época futura em que Deus enviará um Salvador que liberte as pessoas do pecado e do egoísmo. Isaías descreve esse Salvador como "homem de dores e experimentado no sofrimento" (53.3). Esse texto do Antigo Testamento prossegue dizendo que "ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças... e pelas suas feridas fomos curados" (v. 4,5). Esse processo de cura se aplica tanto à culpa de nosso egoísmo quanto às suas conseqüências — as cicatrizes e ferimentos que ostentamos na personalidade e nas emoções. No capítulo 61, Isaías diz que esse Salvador virá "para levar boas notícias aos pobres... para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros" (v. 1). E dar a todos que choram "o óleo da alegria' (v. 3). Em Salmos 34.18, Davi diz que "o SENHOR está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido". Em Salmos 147.3 ele diz que Deus "cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas". Isso são boas-novas para um mundo ferido. A despeito de tudo o que o Senhor nos oferece, muitos ainda o vêem como um Deus sentado no céu, alheio à dor e à dura realidade deste mundo decaído. "Por que ele nos criou e em seguida nos abandonou?", perguntam, com amargura. Deus, entretanto, não é a causa de nossos problemas, tampouco nos abandonou em nosso sofrimento. Ele veio morar conosco. Tornou-se homem. Suportou tudo o que sofremos, e mais ainda. Deus criou o ser humano, mas este o rejeitou. Enviou mensageiros e profetas para lembrar aos homens que ele é o Criador, mas eles apedrejaram os profetas e mataram os mensageiros. Então, finalmente Deus enviou o seu
  • 28. próprio Filho para revelar a si próprio. O Criador andou junto com a sua criação, mas as criaturas se recusaram a reconhecê-lo. Na verdade, crucificaram a Cristo. Nesse caso, o que fez o Criador? Transformou a maior crueldade da humanidade em fonte de perdão para os homens! Nós o matamos, mas Deus usou aprova de nosso maior egoísmo como fonte de nosso perdão. Jesus Cristo é o ferido que cura nossas feridas. Ele sabe como nossas emoções podem ser magoadas. Na realidade, Jesus foi tentado de todas as maneiras pelas quais temos sido tentados. O próprio nascimento de Jesus foi questionado, e a reputação da sua mãe, aviltada. Ele nasceu em pobreza. A linhagem dele caiu no ostracismo, e a sua cidade natal foi ridicularizada. O pai terreno faleceu provavelmente quando o menino tinha pouca idade, e nos seus últimos anos Jesus perambulou pelas ruas e cidades sem ter um lar. O seu ministério foi mal interpretado e ele, abandonado à morte. Tudo isso sofreu por mim e por você. Ele o fez a fim de identificar-se conosco em nossas fraquezas: Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de receber misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade (Hb 4.15,16). Deus Pai enviou Jesus Cristo ao mundo para desfazer a barreira que nos separava dele. A separação, fruto de nosso egoísmo, está no centro de muitas feridas emocionais. Se tais males não forem sanados, poderão se desenvolver até se tornar o que eu chamo de "síndrome de Saul", o que leva a alienar-se de Deus e das demais pessoas. Jesus veio para estabelecer a reconciliação no lugar da alienação, a cura no lugar da ferida, e a inteireza no lugar do quebrantamento. A síndrome de Saul
  • 29. Era um homem alto, de porte extraordinário. O cabelo castanho e a barba bem aparada adicionavam mais dignidade à estatura. Todos os olhos o seguiam quando ele passava pela multidão. Esse homem tinha a capacidade de atrair as pessoas, reuni-las em torno de uma causa, inspirá-las para a grandeza. As pessoas não receavam confiar-lhe seus sonhos secretos, suas esperanças. Tratava-se de um líder de líderes. Pelo menos, era o que todos pensavam. Todavia, aqueles ombros avantajados de um líder alto e de aparência magnífica escondiam um coração repleto de ciúme e medo. Tão profundas eram as inseguranças, tão incertos os alicerces da personalidade, que ele considerava todo indício de grandeza nas pessoas ao seu redor um sinal de grave ameaça à própria posição dele no país. A maior parte de seus seguidores se achava tão encantada com a habilidade de Saul de mobilizar e comunicar-se, que não percebia o desejo fanático do governante de exercer controle total. Alguns homens mais perspicazes, contudo, começaram a alimentar dúvidas. A perícia de Saul na estratégia bélica e sua extraordinária habilidade na tomada de providências corretas, no momento oportuno, convenciam os seguidores mais distantes da grandeza desse líder, mas confundiam as pessoas mais próximas dele. "Ele deve ser o ungido do Senhor", elas pensavam. "Sempre parece estar certo." Não queriam admitir o óbvio: Saul violava princípios, não tinha espírito de serviço, não admitia a promoção de outras pessoas, era vítima de ira e impaciência — tudo isso reunindo fatores que aparentemente o desqualificavam para exercer a função de rei. Na verdade, tais pessoas ficavam profundamente confusas e envergonhadas diante dos secretos acessos de raiva de Saul e de seus mergulhos na melancolia e depressão. Finalmente, surgiu alguém que já não alimentava dúvidas acerca do caráter desse rei: o profeta Samuel, que o havia ungido para o ofício real. Em simples ato de obediência, o profeta derramara óleo sobre a cabeça do então jovem e orara por ele; agindo desse modo, Samuel dera posse ao rei para que reinasse sobre a nação. Diferentemente de muitos outros homens, o profeta não estava impressionado com o próprio "poder". Ele havia aprendido desde a infância que existe somente uma resposta aceitável à voz de Deus: a obediência pura e simples, semelhante à da criança. Agora o coração de Samuel também fervia em seu peito, não de ódio, mas de indignação justa. Agora basta! Ele tinha esperado pacientemente, enquanto observava a destruição interna do reino devido à falta de integridade e obediência do rei. Detectou a profunda insegurança do governante, o esforço doloroso para encontrar apreço e segurança no louvor de seus companheiros. Por causa de Saul, Samuel agonizara incontáveis noites, em oração e lamentação. Havia jejuado muitos dias, pedindo a Deus que mudasse a atitude do rei e o ajudasse a encontrar segurança na aprovação do Senhor. Tudo isso, porém foi inútil.
  • 30. Chegou então a Palavra de Deus para o profeta: “Arrependo-me de ter posto Saul como rei, pois ele me abandonou e não seguiu as minhas instruções” (1ºSm 15.11). Em breves instantes de terrível confronto, o desastre aconteceu: a autoridade do rei lhe foi arrancada. Ele permaneceu no cargo, mas isso não era garantia de autoridade. O poder, algumas vezes, advém da posição, mas a autoridade advém do caráter, da obediência e da unção de Deus. Um estudo minucioso da vida de Saul revela um padrão determinado, um ciclo terrível e inconfundível de inferioridade e emoções feridas... a “síndrome de Saul”. Lemos em 1º Samuel 15.17 que Saul era “pequeno aos seus próprios olhos”. Não devemos confundir essa expressão com a verdadeira humildade, uma vez que, se tais palavras de Samuel tivessem esse significado, não haveria a necessidade de afastar Saul do trono. O que o profeta estava dizendo é que, embora Saul se considerasse inferior e menosprezasse a si próprio, ainda assim continuava responsável por suas más ações diante de Deus. Os sentimentos de inferioridade não são desculpa para a desobediência. No capítulo 15 de 1º Samuel temos uma lista das características da personalidade de Saul: ● teimosia e independência: "A rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria' (v. 23). ● orgulho: "Saul foi para o Carmelo onde ergueu um monumento em sua própria honra” (v. 12). ● medo do homem: "Pequei. [...] Temi ao povo, e dei ouvidos à sua voz" (v. 24; AEC). ● desobediência: "Por que você não obedeceu ao SENHOR? [...] A obediência é melhor do que o sacrifício" (v. 19,22). Demonstrando de forma simples, a síndrome de Saul tem a seguinte aparência:
  • 31. Um problema leva a outro. Se não tratarmos nossas feridas à maneira de Deus, elas nos conduzirão à independência de Deus, o que, por sua vez, gera o orgulho. O orgulho diz respeito muito mais ao que as pessoas pensam de nós do que àquilo que Deus pensa de nós, e isso nos leva a ter medo do homem. O temor do homem inevitavelmente conduz à desobediência. Podemos ainda fazer muita coisa por Deus, mas estaremos praticando uma religião de obras mortas. Algumas das pessoas mais feridas que conheço são igualmente mais orgulhosas e independentes. As mágoas emocionais nos tornam extremamente suscetíveis a essa síndrome viciosa, contra a qual ninguém está imune. Para ajudar a identificar a síndrome de Saul, descrevo algumas características que, com freqüência, aparecem em nossa vida cotidiana: 1. Afastamento ou isolamento. A síndrome de Saul nos instiga a afastar-nos de vez das demais pessoas. O afastamento pode tornar-se um meio de encobrir ou justificar nossa recusa em perdoar as pessoas que nos magoaram ou em nos comprometer com aqueles de quem discordamos. 2. Possessividade. É egoísta a mentalidade do tipo "meu ministério", "meu grupo", "minha opinião", "meu emprego" ou "meu lugar na igreja", pois é derivada de uma atitude de independência. A Bíblia ensina que "a rebeldia é como o pecado da feitiçaria" (1 Sm 15.23); tem origem no inferno. Essa atitude de "primeiro eu" é pecado. 3. Mentalidade de "nós contra eles" : Quando somos pegos pela síndrome de Saul, começamos a pensar da perspectiva de "nós" contra "eles", aqueles com quem concordamos contra aqueles de quem discordamos. Esse padrão de
  • 32. pensamento demonstra que não apenas estamos em desacordo com outras pessoas, mas também as estamos julgando e criando facções na igreja. 4. Manipulação. As pessoas orgulhosas e independentes tentam por vezes manipular os outros, recusando-se a cooperar, exigindo que se faça sua vontade, criticando maldosamente ou julgando sem parar o que os demais estão fazendo. Sem dúvida, espiritualizamos nossas razões, e é esse o motivo pelo qual nossa manipulação pode ser muito mais perigosa. 5. Incapacidade de aprender. A síndrome de Saul faz com que permaneçamos fechados diante de outras pessoas. Recusamo-nos a aceitar a correção e a instrução. Tornamo-nos endurecidos, indiferentes. 6. Atitude crítica e condenatória. Nós a justificamos de muitas maneiras, todavia se resume nisto: desmoralizamos e tratamos com desprezo os motivos dos outros. 7. Impaciência. Consideramos que nosso método é melhor e nos recusamos a esperar por outras pessoas que discordam de nós ou não nos entendem. 8. Desconfiança. A síndrome de Saul resulta em desconfiança. Acusamos os outros de não confiarem em nós, mas muitas vezes se trata de projeção de nossa própria desconfiança. Reflete nossa independência e se relaciona muito mais com nossas necessidades do que com as do próximo. 9. Deslealdade. Essa característica manipula as dúvidas, as feridas ou as necessidades do próximo para recrutá-lo para nosso grupo, ganhando-o para nosso próprio ponto de vista, em vez de procurar edificar a unidade, o amor, o perdão e a reconciliação. 10. Ingratidão. Focalizamos a atenção naquilo que imaginamos que deveria ser feito por nós, em lugar de enfatizar tudo o que já foi feito por nós. 11. Idealismo doentio. Idolatramos um método, um padrão ou um programa e, então, o colocamos acima das pessoas, principalmente aquelas de quem discordamos. Os ideais se tornam mais importantes do que a unidade ou as atitudes corretas. Embora a síndrome de Saul seja, com freqüência, um sintoma de sentimentos feridos ou não resolvidos de rejeição, ainda é egoísta e errada. Assim, precisa ser extirpada impiedosamente. Não existe problema de independência e inferioridade que não possa ser resolvido mediante uma humildade maior, e maior quebrantamento de nossa vida. A Bíblia promete que, quando nos humilharmos, Deus nos concederá graça (Tg 4 . 6 , 7 ) . Temos medo de "humilhação", contudo não é isso o que as Escrituras querem dizer quando falam da necessidade de nos
  • 33. humilharmos. A verdadeira humildade está ligada à prontidão de sermos conhecidos pelo que somos realmente e de ficarmos ao lado de Deus na luta contra nosso próprio pecado. A maioria das pessoas nos respeita mais, e não menos, quando nos humilhamos e confessamos nossos pecados e necessidades. Acredito que Deus sempre o faz. Se você foi apanhado pela síndrome de Saul, permita-me dizer que jamais se livrará desse mal enquanto não aceitar a responsabilidade de arrepender-se das atitudes erradas. De nada adiantará lançar a culpa dos próprios problemas sobre terceiros, tampouco apresentar desculpas para seus pecados. Humilhe-se diante de Deus e dos outros. Clame ao Pai em oração fervorosa. Muitos anos atrás percebi esse mesmo padrão em minha própria vida. As profundas inseguranças me doíam, mas eu era também muito orgulhoso e independente. Ansiava aceitação e afirmação, mas de forma alguma confessaria minha desesperada necessidade de ajuda. Estava obcecado com o que as pessoas pensavam de mim, especialmente os outros líderes. Somente me livrei da síndrome de Saul quando me humilhei diante dos outros e me arrependi diante de Deus. Fiz um voto a Deus pedindo que ele tratasse desses meus problemas em minha vida muito mais do que desejava liderança, atenção ou aceitação alheia. Eu chamo esse voto de minha "aliança de José". Certo dia, dediquei um tempo a ficar a sós com Deus, em uma floresta da Holanda. Foi quando clamei ao Senhor. Disse ao Pai que queria, a todo o custo, que ele arrancasse a independência, o orgulho e o temor do homem da minha vida. Também lhe disse que esperaria o tempo necessário para que isso acontecesse, até mesmo doze anos, à semelhança de José do Egito; e eu não queria tomar nenhum "atalho" no processo de endireitar minha vida com ele. Foi uma oração custosa, mas nunca me arrependi de tê-la feito. Deus me ouviu naquele dia e fez algumas mudanças significativas em minha vida. Libertação do temor das pessoas Jamais seremos verdadeiramente livres para amar a nosso Deus-Pai se estivermos dominados pelo temor das pessoas. A Bíblia diz que o temor do homem é uma armadilha, um laço. Tornamo-nos prisioneiros do medo,
  • 34. sempre preocupados com o que os outros pensam, dominados pelas ações alheias em vez de obedientes à Palavra de Deus. É importante perguntar: você se sente como se estivesse continuamente olhando para trás, tentando descobrir por que não foi incluído, ou se preocupa, pensando no que as pessoas falam a seu respeito? Ou ainda: você está escolhendo as próprias ações com base na quantidade de aprovação que obterá de outras pessoas, em vez de agradar a Deus? Se assim for, você está atado pelo temor do homem. O remédio contra o medo do homem é o temor de Deus! O temor de Deus não é um medo emocional, ou receio da ira divina. A Bíblia define o temor de Deus de modo bem específico. 1. O temor de Deus é o ódio ao pecado. Provérbios 8.13 diz: "Temer o SENHOR é odiar o mal". 2. A amizade e intimidade com Deus são equiparadas ao temor de Deus. Lemos em Salmos 97.10: "Odeiem o mal, vocês que amam o SENHOR"; e em Salmos 25.14: "O SENHOR confia os seus segredos aos que o temem". 3. O temor do Senhor é profundo respeito e reverência para com Deus. Em Salmos 33.8, temos: "Toda a terra tema o SENHOR; tremam diante dele todos os habitantes do mundo". 4. O temor do Senhor é o começo da sabedoria e do conhecimento. Provérbios 1.7 diz: "O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento". O temor do Senhor não se demonstra mediante certa aparência de santidade no rosto da pessoa, nem é detectado em determinado tremor de voz quando se ora. Não é revelado no modo pelo qual a pessoa se veste nem no elevado número de regras a que obedece. Ter o temor do Senhor significa simplesmente amar a Deus, de tal maneira que a pessoa odeie tudo o que ele odeia. Esse tipo de ódio não nasce de neurose religiosa, tampouco é reflexo da cultura. Ele vem do fato de estarmos tão perto do Senhor, tão afinados com o caráter divino, que amamos o que ele ama e detestamos o que ele detesta. O temor do Senhor não é uma cruzada de ódio, mas uma ira contra o poder destrutivo do mal. O temor do Senhor enxerga a crueldade, o engano, a opressão e a força destruidora do pecado, e o odeia pelo que ele é.
  • 35. O temor do Senhor não vem à nossa vida ao acaso. Ele habita nosso íntimo porque escolhemos procurá-lo (cf. Pv 1.28,29; 2.1-5) e aceitamos fazer dele nossa prioridade máxima. Ele vem porque estamos fartos de ser manipulados e controlados pelo temor do homem, e cansados de ser dominados por nossos medos e inseguranças. Ele vem porque clamamos por ele, nós o procuramos e nos desesperamos por ele. A síndrome de Saul pode ser quebrada. você pode libertar-se, mas há um preço a pagar. Se você deseja experimentar a cura interior e conhecer o amor do Pai, precisa escolher o temor do Senhor. Provérbios 14.26 diz: "Aquele que teme o SENHOR possui uma fortaleza segura". É a humildade e o temor do Senhor que nos levam à intimidade e à comunhão com o coração paterno de Deus, proporcionando-nos inteireza e auto-estima. Como Deus cura os corações feridos No capítulo seguinte, fiz uma lista dos passos que você deve tomar para curar as feridas emocionais e psicológicas. É importante ressaltar que não é intenção minha fazer com que esses passos sejam vistos como um tipo de fórmula mágica ou como um talismã para agitar na face de Deus. As verdades que cada um desses passos representa devem ser aplicadas à nossa vida, à medida que estivermos prontos para elas, com a orientação do Espírito de Deus. (Se você não sabe a maneira de ser guiado pelo Espírito de Deus, peça-lhe que o ajude. Ele prometeu ajudar a todos os que 'lhe pedirem.) Cumpra cada passo da lista e aplique-o pessoalmente à sua situação. Se seus problemas são complexos, você poderá precisar da ajuda de um conselheiro profissional, ou de um psicólogo. Ao final deste livro, você encontrará no Apêndice diretrizes sobre como selecionar um conselheiro profissional ou psicólogo. Você tem o direito de lhes fazer perguntas, antes de permitir que eles as façam a você. Jamais deve se submeter à ajuda ou aconselhamento de um profissional antes de ter a certeza em relação à confiabilidade, à perícia e à competência dele. Não temos de viver em dor emocional permanente. Por causa do amor que o Pai celestial tem por nós, e porque Jesus sofreu em nosso lugar,
  • 36. não temos de carregar nossas próprias feridas a vida toda. Podemos receber a cura e ser libertos para viver e desfrutar a alegria do imensurável amor paterno de Deus. No entanto, devemos estar dispostos a pagar o preço.
  • 37. Guia de estudo (Capítulo 3 - Quando o Coração está Ferido) Leia João 5 e 6 1. Como nosso egoísmo pode nos separar de Deus-Pai? 2. Você acredita que Deus-Pai enviou Jesus Cristo ao mundo para introduzir um ministério de reconciliação, dando um fim definitivo à separação do homem (que inclui você) de Deus-Pai? (V 2Co 5.16-21) 3. Você acredita que, por meio de Jesus Cristo, a cura pode substituir as mágoas e que você pode andar em plenitude em vez de ter um coração ferido? Como isso acontece? Enquanto você revê as páginas que tratam da "Síndrome de Saul", reflita seriamente sobre sua própria vida, sua personalidade, seus sentimentos. Considere se há alguma correlação entre você e Saul. É sempre sábio buscar o discernimento de sua esposa ou de um amigo chegado quando fizer isso, pois eles com freqüência vêem coisas em nossa vida que não conseguimos ver (especialmente em relação às perguntas 12 e 13). 4. Faça uma lista das áreas de sua vida nas quais você se sente inseguro.
  • 38. 5. Você tem um coração de servo? Como isso se expressa? 6. Você está disposto a se humilhar e a tomar o caminho da simplicidade? 7. Você costuma ter acessos de ira descontrolada? Quando? 8. Você sofre de melancolia, ou depressão, ou ambos? O que desencadeia tais processos? 9. Você se sente impressionado intimamente com sua "autoridade"? 10. Seu senso de valor e dignidade depende do elogio de outros? O que acontece se você não recebe esse elogio? 11. Você tem mais temor (muito desejo de agradar) a Deus do que ao homem? Em que áreas da sua vida isso é verdade?
  • 39. 12. Estude as características da personalidade de Saul: inferioridade, estupidez ou independência, orgulho, temor do homem, desobediência. Você reconhece algumas delas em sua vida? 13. Descreva as características da síndrome de Saul que você vê em si mesmo. Este é um momento excelente de perguntar a alguém próximo o que está vendo. • afastamento ou isolamento • possessividade • mentalidade de "nós contra eles" • manipulação • incapacidade de aprender • atitude crítica e condenatória • impaciência • desconfiança • deslealdade • ingratidão • idealismo doentio 14. Qual a diferença entre "poder" e "autoridade"? 15. O que significa para você "temor do Senhor"? 16. Como a humildade é definida no texto?
  • 40. 17. Quais os benefícios de caminhar muito mais no temor de Deus do que no do homem?
  • 41. 4. Cura proveniente de um Pai amoroso Certa vez encontrei um homem em Madras, na Índia, que me garantiu jamais ter cometido pecado! Em vista de nosso interesse mútuo em assuntos religiosos, a conversa logo se voltou para questões sérias. Quando mencionei o fato de acreditar que Deus perdoa as pessoas que reconhecem os próprios pecados, ele me assegurou que nunca havia feito alguma coisa errada. — Você nunca mentiu? — perguntei. — Não, nunca — veio a resposta pronta. — Você jamais furtou alguma coisa, nunca odiou a alguém? — Não, nem mesmo uma vez. — Nunca cometeu adultério? — Nunca. — Nunca desobedeceu a seus pais? — Jamais. — Alguma vez "colou" nos exames na escola? — Nunca fiz isso. Fiquei atônito. Em seguida me veio à mente outra pergunta. — Você sente orgulho do fato de jamais haver pecado? — perguntei, de modo travesso. — Ah! Sim, muito orgulho, muito orgulho! — respondeu o homem. — Aí está seu primeiro pecado — disse eu. — Você é um homem orgulhoso! Então ele deu uma risada e me cumprimentou, porque eu o havia apanhado em seu único pecado! Embora não sejamos tão orgulhosos como aquele homem, todos nós temos seguido as pegadas de Adão no pecado original. Adão negou a Deus o direito de controlar a vida dele, decidindo que seguiria o próprio caminho. Todos tomamos a mesma decisão. É difícil para nós admitir que também
  • 42. nos rebelamos contra Deus, negando-lhe o direito de ser o Senhor de nossa vida. Sem o reconhecimento desse problema humano, o mais básico de todos (nosso egoísmo), o tratamento de feridas e necessidades em nossa vida apenas adia o inevitável. Os analgésicos não podem manter vivo o paciente que morre de câncer. Eles aliviam a dor, o que é importante, mas por que vamos nos fixar em uma solução temporária se existe uma cura permanente para o câncer? Sendo um Pai amoroso, Deus anseia por nos perdoar se tão-somente reconhecermos nosso orgulho e egoísmo e pedirmos a ele que nos perdoe. Deus quer que mantenhamos com ele um relacionamento íntimo, por isso deseja remover todos os empecilhos a essa comunicação. Algumas pessoas pensam que, pelo fato de a Palavra de Deus nos chamar de pecadores, Deus está nos rejeitando. Isso não é verdade, de modo nenhum. Ele está simplesmente nos ajudando a entender nosso problema mais básico e a forma de vencê-lo. Entretanto, não somos apenas pecadores. Há aqueles que também pecam contra nós, quer com intenção maldosa ou por egoísmo, quer sem nenhuma intenção — pois ninguém é perfeito. As pessoas fazem coisas que nos magoam profundamente e, quando se comete pecado contra nós, não somos desculpados se reagirmos negativamente. No entanto, a injustiça que nos infligem, ajuda-nos a compreender a nós mesmos e as pessoas que lutam para reagir da forma correta quando maltratadas ou feridas. Para obter o máximo de cura e de bênção, proponho que você estude os seguintes passos em oração e gradualmente. Depois de ler cada passo, arranje um tempo para orar e aplicar essa providência em sua vida. Se o processo se tornar doloroso demais, peça a um amigo ou a um líder espiritual que o acompanhe nessas etapas. Você deve estar preparado para sentir dor, se houver feridas vivas. Para que as feridas se curem adequadamente, talvez precisem ser abertas e purificadas de qualquer "infecção" ou amargura que se tenha estabelecido. Embora esse processo seja doloroso por algum tempo, ele lhe trará grande alegria e cura a longo prazo. Ele o libertará para se aproximar ainda mais do coração paterno de Deus.
  • 43. Como Deus cura nossas feridas emocionais Primeiro passo - Reconheça sua necessidade de cura Para a maioria, isso não representa um problema. No entanto, se estamos feridos ou magoados e não reconhecemos nossa necessidade, há pouca oportunidade para cura ou ajuda em nossa vida. Ser capaz de admitir a necessidade é sinal de boa saúde mental e prova de honestidade pessoal. Todos nós precisamos de cura e crescimento nas emoções e na personalidade. Não pense que você é exceção. Trata-se de atitude propícia ao aprendizado e à humildade que permitirá o início da cura. Algumas pessoas relutam, não desejando expor suas necessidades por medo de rejeição. Todavia, o oposto disso é verdadeiro: quando admitimos nossas necessidades, as pessoas nos respeitam mais por causa de nossa honestidade. Provavelmente, todos nos lembramos de uma ocasião ou outra em que nos tornamos vulneráveis e, em seguida, fomos feridos por alguém que não reagiu a nós com amor ou sabedoria. Contudo, não podemos permitir que essas experiências nos impeçam de receber a cura que Deus deseja conceder. Rejeições do passado não deveriam ter permissão para definir ações ou atitudes no futuro. Comece assumindo uma atitude de honestidade com Deus. Ele o conhece intimamente e não vai rejeitá-lo. Na verdade, ele anseia por isso e espera que você seja honesto para que possa receber seu amor e ajuda. Conte-lhe suas feridas, temores, desapontamentos — tudo. Em seguida, abra-se com alguém capaz de ajudá-lo a aplicar esses passos de cura. Escolha um amigo cristão de confiança, que possa orar por você e encorajá-lo. Se maltratou algumas pessoas, você precisa ir até elas e acertar as contas. Isso significa uma parte do que é reconhecer nossas necessidades. Nós o fazemos não afim de sermos perdoados por Deus, mas porque fomos perdoados. O fruto de um relacionamento correto com Deus é o desejo de restabelecer relacionamentos quebrados com outras pessoas. Sobre esse assunto, o famoso teólogo anglicano John Stott apresenta algumas advertências valiosas. Ele discute o círculo da confissão aberta: pecados secretos, pecados particulares e pecados públicos. Afirma que
  • 44. somente devemos confessar pecados no nível em que foram cometidos. Se o pecado foi secreto — isto é, um pecado do coração ou da mente que jamais se transformou em ação, ou em palavras — , tal falta precisa ser confessada apenas a Deus. O cristão tem liberdade de partilhar tais coisas com amigos íntimos, ou com crentes piedosos, pelo desejo de ser honesto e responsável, mas não é obrigado a fazer isso. É ele quem decide se conta tal pecado a alguém ou não. Na verdade, somente deveríamos fazer confissão quando estivéssemos totalmente seguros acerca das pessoas com quem desejamos partilhar, ou quando achamos que Deus nos está levando a isso de modo específico — e jamais porque nos sentimos sob pressão. Assim mesmo, devemos ser sábios e cuidadosos sobre como compartilhar. Confessar alguns pecados do coração a outras pessoas poderia significar uma grande bobagem. Se a pessoa contra quem você pecou na mente nada sabe a respeito de seu pecado, não a sobrecarregue com um fardo seu, a não ser que haja um motivo claro que justifique o benefício dessa decisão. Se você estiver em dúvida, não faça nada até que obtenha aconselhamento maduro. Alguns pecados cometidos em segredo, ou no nível privado de nossa vida, são "vergonhosos" pela própria natureza deles. Acredito que precisamos vislumbrar uma restauração do sentimento de "vergonha”, sobretudo com relação aos pecados de impureza sexual. Se precisarmos p::Jir a alguém que nos perdoe o fato de termos pecado contra essa pessoa nessa questão, não necessitaremos entrar em detalhes, tampouco ser imprudentes em nossas palavras. Diga apenas o que precisa ser dito. Confesse que falhou com essa pessoa, ou pecou contra ela, e peça-lhe perdão. Isso é suficiente. Uma excelente orientação é a seguinte: em se tratando de pecado secreto, confesse-o a Deus; caso seja pecado particular, peça perdão à pessoa contra quem pecou; se for pecado público, peça perdão ao grupo. Em resumo, são esses os passos para a cura e inteireza espiritual, no que se refere à honestidade quanto às nossas necessidades: 1. Admita suas necessidades e pecados. A honestidade libera a graça de Deus em nossa vida.
  • 45. 2. Receba a graça de Deus. A graça é a dádiva de Deus de amor, aceitação e perdão para nós, que nos torna seguros nele. Essa segurança produz fé. 3 . Confie no Senhor e nas pessoas. A fé resulta em confiança e faz com que seja possível manter comunhão íntima com Deus e relacionamento com as pessoas. 4. Estabeleça relacionamentos de coração para coração com Deus e com as pessoas. Esses relacionamentos são possíveis quando nos humilhamos a nós mesmos. Assim, Deus pode canalizar amor e perdão em nós, pessoalmente, e em nossos corações para com os outros. O oposto desse processo leva a mais dor e ferida emocional: 1. Relacionamentos quebrados. Quando os relacionamentos se rompem, achamos muito difícil confiar nas pessoas. 2. Legalismo. Quando nosso relacionamento com outras pessoas está errado, temos a tendência de nos tornar juízes e críticos. Passamos a viver segundo a "lei", e não segundo a graça de Deus. Isso nos leva a desconfiar do próximo. 3. Falta de confiança. Quando não confiamos no próximo, muitas vezes deixamos transparecer essa desconfiança e as pessoas, por sua vez, deixam de confiar em nós. Então, cria-se uma atmosfera de crescente rejeição e vão surgindo muralhas entre nós e os outros. 4. Muralhas. O que as muralhas produzem é separação, o oposto dos relacionamentos de coração para coração. Ao considerarmos a honestidade a respeito de nossas necessidades, é importante que observemos a diferença entre pecado, ferida e escravidão. Para o pecado é necessário haver perdão, para a ferida deve haver cura, e para a escravidão espiritual, libertação. Por vezes, precisamos de ajuda nas três áreas. Você não deve confessar uma ferida, como se ela fosse um pecado, pois ferida não é pecado. Entretanto, se por conseqüência de ter sido ferido você adquiriu uma atitude ou reação pecaminosa, mesmo que a culpa seja de outras pessoas, Deus ainda o responsabiliza pela reação negativa. Na verdade, Deus não vê a questão como se a outra pessoa fosse 80% culpada e você apenas 20%. Você e a outra pessoa têm culpa e são 100% responsáveis pelas próprias ações. Enquanto você não assumir total
  • 46. responsabilidade pelas próprias atitudes e ações, a cura é impedida. Por quê? Se sua atitude for de ressentimento, amargura, ou de falta de perdão, a cura e o perdão de Deus são bloqueados. Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas (Mt 6.14,15). Nunca é demais ressaltar a importância de reconhecer a necessidade de cura em nossa vida. Já vi muitas pessoas ocupadas, realizando coisas para Deus, mas cuja atividade estava prejudicada porque precisavam provar algo a si mesmas, obter aceitação ou vencer alguma forma de insegurança acerca daquilo que faziam. O trabalho feito para Deus e para outras pessoas deveria fluir de nossa segurança, de nosso senso de bem-estar, e não de uma compulsão para provar algo a nós mesmos ou por causa de uma necessidade de "ser alguém'. Se perseverarmos, seremos capazes de nos aproximar mais e mais do nosso Pai amoroso e nos sentiremos bem conosco; teremos maior alegria em nosso trabalho. E nos tornaremos uma bênção maior para as outras pessoas se dedicarmos tempo a acolher a inteireza e a cura interior. Segundo passo - Confesse as emoções negativas Certas pessoas atravessam a vida colecionando emoções negativas. Muitas delas jamais aprenderam a identificar ou a comunicar os próprios sentimentos, de modo que acumularam raiva, desapontamentos, medo, amargura, culpa e outros sentimentos negativos desde a mais tenra infância. Suprimir emoção após emoção é como empurrar uma camada de lixo sobre outra em um saco plástico. No final, alguma coisa acaba cedendo. Esse processo de amontoar emoções não identificadas e não comunicadas produz conseqüências trágicas, que vão desde úlceras até o suicídio. Muitos de nós nunca aprendemos a lidar com nossas dificuldades. Crescemos fisicamente, porém permanecemos emocionalmente imaturos. Construímos e mantemos barreiras emocionais que impedem a ação conjunta de receber e dar em nossos relacionamentos com as pessoas e com nosso Pai. Para resolver esse problema, o dr. Phil Blakely observa que precisamos "descompactar" os sentimentos, isto é, falar das emoções amontoadas dentro de nós. Para aplicarmos esse conceito, é importante ter alguém que possa nos ajudar a expor nossos sentimentos. Para
  • 47. os cristãos, esse processo devia iniciar-se com a oração. Se Jesus não for a pessoa a quem nos dirigimos antes e acima de todas as demais, jamais seremos curados. Ele é o Criador e deseja que lhe contemos nossos sentimentos porque nos ama profundamente. Em seguida, devemos também falar com outras pessoas. É importante desenvolver amizades com quem permita que sejamos nós mesmos, mas que nos ame suficientemente para nos desafiar quando estivermos errados. Falar de nossas emoções em si mesmo não é uma panacéia. A comunicação dos sentimentos simplesmente esclarece os canais mentais de modo que as raízes desses problemas possam ser tratadas. O ato de partilhar emoções carregadas de culpa não significa que já tratamos das causas da culpa. É nesse ponto que a psicologia relativista se desmantela. Fazer com que as pessoas exprimam livremente sentimentos de culpa pode levá-las a se sentir melhor, contudo, se não aceitarem por fim a responsabilidade de terem violado a lei moral de Deus, os sentimentos de culpa voltarão — a não ser que, naturalmente, a pessoa neutralize a consciência e perca toda a capacidade de sentir. Embora as emoções, por si próprias, não sejam forçosamente pecaminosas, se forem dirigidas de maneira negativa em relação a Deus, a nós mesmos e ao próximo, podem resultar em reações pecaminosas. É por isso que precisamos de padrões bíblicos, a fim de avaliar se nossas atitudes se tornaram pecaminosas. E sendo esse o caso, então, devemos tratá-las como erradas e doentias. A intenção de Deus nunca foi que vivêssemos pelos sentimentos, ou em função deles. Alguns pautam sua vida pela máxima que diz que é bom aquilo que sentem ser bom, e é ruim o que sentem ser ruim. Trata-se de excelente existencialismo, mas não é o cristianismo bíblico. Devemos viver de acordo com a verdade revelada na Bíblia, e não conforme os palpites ditados pelos sentimentos. Deus nos concedeu a capacidade de sentir emoções, e a intenção dele era que fossem um encorajamento para a tomada de decisões corretas. Quando não vivemos de acordo com as leis divinas, adquirimos a tendência de torcer as intenções originais de Deus com relação às emoções, usando-as para reforçar um estilo de vida baseado no prazer e no egoísmo. Existem pessoas totalmente governadas pelas próprias emoções, e há outras que nem sequer percebem que guardam sentimentos mais profundos. Estas suprimiram os sentimentos a ponto de julgarem ser atitude "cristã" jamais demonstrar emoção alguma. Tal atitude não indica
  • 48. maturidade nem "espiritualidade". Deus nos criou para levarmos uma vida equilibrada, na qual expressamos emoções e as desfrutamos, e somos livres para analisá-las honesta e construtivamente. Maridos, pais de família e líderes espirituais podem ser de grande ajuda, encorajando as famílias e congregações a partilhar suas emoções livremente. Nosso desejo de levar outros a crescer espiritualmente pode ser inútil, e até danoso, caso as pessoas que lideramos não recebam esse privilégio. Ao criarmos espaço para que as pessoas ao nosso redor sejam honestas, podemos conduzi-Ias a Deus de modo que usufruam um relacionamento mais profundo com ele. Passarão a confiar mais em nós e perceberão nosso sincero comprometimento para com elas, o que, por sua vez, nos dará maior liberdade para falar de maneira franca sobre os problemas delas. Onde não desfrutamos de confiança, não temos autoridade. Ao permitirmos às pessoas a oportunidade de serem honestas, estamos concedendo "graça". Isso faz com que elas se sintam seguras ao demonstrar honestidade não apenas quanto às suas emoções, mas também quanto às suas necessidades. Se aqueles a quem lideramos manifestam séria desconfiança de outras pessoas, especialmente aquelas ligadas à autoridade, é bem possível que jamais tenham aprendido a expressar os sentimentos com honestidade, em uma atmosfera de amor e aceitação. Certa tarde, minha esposa Sally estava partilhando suas frustrações com relação a problemas pessoais. Logo comecei a lhe dar conselhos. Nunca vou me esquecer da resposta dela: Eu não o procurei para ouvir um sermão. Eu sei o que devo fazer. Quando você prega para mim, sinto-me como se você não estivesse ouvindo, nem tivesse interesse por mim. Preciso de alguém que me ouça. Se não posso falar com você, com quem vou falar então? Naquele mesmo dia decidi que queria ser o tipo de marido que dá total liberdade e segurança à esposa (e a outras pessoas também) para que partilhe as emoções comigo sem nenhum temor de julgamento, sermão ou repreensão.
  • 49. Para quebrar o ciclo de repressão emocional e desconfiança, peça a Deus que lhe dê a oportunidade de falar com uma figura de autoridade, a qual o encoraje a ser honesto acerca de seus sentimentos. Além disso, perdoe aqueles que no passado não lhe concederam a liberdade de proceder assim. A motivação para partilhar sentimentos não devia ser a de persuadir o interlocutor a aceitar seu ponto de vista, mas ser honesto. Todavia, a honestidade não é uma finalidade em si mesma. Sua honestidade deve surgir do desejo de confessar emoções negativas, para que venha a se tornar a pessoa que Deus quer que você seja. Se já fomos magoados por figuras de autoridade, ou se discordamos delas, é nossa responsabilidade orar antes de confrontá-las. Se depois da oração ainda não compreendermos à decisão que tomaram, então deveremos pedir-lhes que a esclareça, que nos façam entender seu ponto de vista. Temos a liberdade de discordar de uma pessoa investida de liderança, mas precisamos tomar o cuidado de não permitir que esse desacordo influencie nossa atitude para com ela. Podemos discordar sem nos tornar juízes e sem quebrar a comunhão. Não é necessário que a desunião domine por causa da divergência. O desacordo construtivo é sadio, a não ser quando abre caminho para as críticas ou o julgamento, pois assim, pode ocorrer a divisão. Todos os problemas de desunião podem ser resolvidos mediante maior humildade e perdão. Deus está interessado na atitude que acolhemos no coração e também em nos ajudar a crescer, desde que estejamos abertos e honestos acerca de nossas emoções. Terceiro passo - Perdoe aqueles que o magoaram O perdão não é meramente esquecimento do mal que alguém praticou contra nós. Tampouco representa um tipo de sentimento espiritual místico. É simplesmente perdoar a pessoa pelo mal que cometeu. Significa dar-lhe nosso amor e aceitação, apesar de estarmos feridos. O perdão muitas vezes é um processo; raramente é um ato único. Continuamos a perdoar até que a dor desapareça. Quanto maior a ferida, maior o perdão. Assim como o médico precisa manter os ferimentos físicos livres de infecção, para que possam atingir a cura, também devemos manter as feridas emocionais limpas, isentas de amargura, para que possam ser saradas. O perdão é o anti- séptico das feridas emocionais. Tantas vezes quantas forem preciso, sempre que você pensar em determinada pessoa e sentir-se magoado, perdoe. Diga
  • 50. ao Senhor que perdoa a essa pessoa e decida que vai amá-la com o amor que vem de Deus. Receba o amor divino por essa pessoa mediante a fé. Proceda assim toda vez que você pensar nela, até sentir que a perdoou verdadeiramente. O perdão divino concedido'a nós deve igualmente servir de motivação para perdoarmos. Se você considera difícil perdoar a alguém, pense no quanto Deus lhe perdoou. Se isso não lhe parecer muito, então peça que Deus lhe revele sua vida como ele a vê. O Senhor atenderá à sua oração se clamar a ele com sinceridade. Quarto passo - Receba perdão Se você foi magoado por algumas pessoas e pecou ao reagir a elas, não apenas é fundamental que perdoe a quem o prejudicou, mas também que peça perdão a Deus pelas reações erradas contra tais pessoas. Ao fazer isso, você poderá descobrir a necessidade de perdoar a si mesmo. Há ocasiões em que nosso maior inimigo é o próprio senso de fracasso. Podemos ser muito mais duros conosco do que com os outros. Se você falhou, derrame seu sentimento de fracasso diante do Senhor em oração, confesse seu pecado e diga-lhe que acolherá o perdão divino e perdoará a si próprio também. Toda vez que sentir a volta desse senso de fracasso, agradeça ao Senhor o seu perdão. Há diferença entre convicção de pecado e condenação. A condenação tem origem no sentimento de fracasso. A convicção resulta do pecado. A convicção é específica, clara, vem de Deus; a condenação é vaga, genérica, vem de nós mesmos ou de Satanás. Se você imagina que pecou, mas não tem certeza, peça a Deus convicção. Sendo o Pai amoroso, ele o disciplinará. Se a convicção não vier enquanto você espera na sua presença em oração, agradeça-lhe o seu amor e perdão e prossiga com as tarefas do dia. Permaneça aberto diante de Deus, contando a ele as atitudes erradas, mas não se deixe paralisar pela conduta introspectiva. Não chafurde no lodo da autopiedade. É destrutivo demais. Se você alimenta atitudes erradas contra alguém que o magoou, é fundamental confessá-las a Deus. Todavia, tome cuidado, pois a autopiedade pode ser a dissimulação do verdadeiro arrependimento. Lidar com nosso papel na questão, muitas vezes, libera o Espírito de Deus para operar no coração de outras pessoas. Mesmo que isso não
  • 51. aconteça, ainda é responsabilidade nossa manter a vida correta diante de Deus. Se você se tornar crítico, duro no coração, ciumento, independente, orgulhoso e amargo, então precisará enfrentar as próprias reações. À medida que se humilha diante de Deus, ele o perdoa e lhe concede a cura das feridas. Existe cura pelo perdão! Quinto passo - Receba o amor do Pai Há um vazio em nossa vida que só pode ser preenchido pelo próprio Deus. Quando pecamos e pedimos perdão, ou quando combatemos a insegurança ou a inferioridade, existe uma possibilidade de que esse vazio não esteja preenchido. Nessas situações, peça a Deus que o preencha com seu Espírito, até transbordar. Mantenha-se livre do egoísmo, concentrando-se em Deus. Sempre é bom enfatizar este passo no processo curativo, afinal a autopiedade e o egoísmo entristecem o Espírito Santo. Concentre os pensamentos e as orações no caráter de Deus e nos diferentes aspectos do seu coração paterno. Adore a Deus: fale com ele, cante para ele, pense nele. Medite na fidelidade, na santidade, na pureza, na compaixão, na misericórdia e no perdão divinos. De importância vital no recebimento do amor do Pai, o desenvolvimento de uma atitude de adoração deve ser cultivado como uma conduta acima de qualquer outra. Memorize os versículos ou hinos que você pode usar como armas no combate à solidão ou ao desânimo. A porta que conduz à presença do Pai é a adoração — ela nos leva para longe da depressão e da autopiedade. Alguns dizem que não conseguem adorar a Deus quando não sentem vontade de fazê-lo, pois consideram que esse tipo de adoração é hipocrisia. Minha resposta a isso é que não adoramos a Deus por causa de nossos sentimentos, mas em virtude de quem ele é. Com freqüência adoro a Deus a despeito de meus sentimentos. Não quero ser prisioneiro deles, por isso louvo a Deus de qualquer maneira. Se me sinto desanimado, tento honestamente exprimir esses sentimentos, mas em seguida prossigo, concentrando-me em quem é Deus, e não como me sinto. Você quer receber o amor do Pai? Então passe algum tempo na presença dele. Recebemos um banho do seu amor cada vez que passamos algum tempo com ele, dando-lhe alguma coisa. O que é que podemos dar a Deus? Por meio de nossas palavras e pensamentos, podemos lhe oferecer honra, adoração, atenção, louvor e culto. Caso
  • 52. isso seja uma dificuldade para você, leia a Bíblia e destaque as passagens que falam especificamente do caráter de Deus. Um bom lugar para começar é o livro de Salmos. Ore e cante essas passagens ao Pai nos momentos de devoção pessoal. Quando estiver praticando o louvor diariamente, você saberá que está crescendo mais e mais no amor de Deus. Sentirá a presença de Deus intimamente, em resposta às suas palavras de louvor. Não fique surpreso se durante o dia o Senhor lhe dirigir palavras de apreço, aprovação e amor. Ele tem prazer em amar a seus filhos! Sexto passo - Pense os pensamentos de Deus Ao reagirmos às injustiças sofridas, sobretudo quando crianças, criamos hábitos destrutivos de pensamento acerca de nós mesmos. Por exemplo, se seus pais eram exigentes e perfeccionistas, muitas vezes você talvez não tenha conseguido atingir as expectativas que eles alimentavam a seu respeito. Os adultos que tiveram esse tipo de formação, não raro, "programam-se a si mesmos" para o fracasso. Ao determinarem previamente que fracassarão, tentam se proteger do desapontamento. Infelizmente, tais profecias com freqüência cumprem-se por si mesmas. Esses padrões negativos de pensamento raramente são exatos e se baseiam na rejeição e no medo. Se pensarmos que somos feios, não apenas sentiremos nossa feiúra, mas também agirmos de acordo com ela. As Sagradas Escrituras dizem que devemos amar a Deus de todo o nosso coração, alma, mente e corpo, e ao próximo como a nós mesmos (cf. Lv 19.18; Mt 19.19). Deus deseja que amemos a nós mesmos, não egoisticamente, mas com o seu amor. O Senhor deseja que pensemos os seus pensamentos — de bondade, estima, respeito e confiança — em relação a nós mesmos. Se você tem padrões negativos de pensamento a seu respeito, sugiro que pare com isso agora mesmo e, em seguida, escreva em uma folha de papel os dois ou três modos de pensamentos negativos mais comuns para você. Feito isso, escreva os pensamentos de Deus para com você, baseados no caráter divino, que são o oposto de seus pensamentos negativos. Por exemplo, se você se imagina sendo sempre um fracasso, escreva o seguinte: "Sou bom em .................................." e preencha
  • 53. o espaço em branco com a coisa que sabe fazer bem. Escreva também aquilo que a Bíblia diz a respeito dessa área de sua vida. Por exemplo: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13). Cada vez que você começar a pensar nessa coisa negativa, pare e mencione o pensamento positivo, acompanhado de uma passagem bíblica. Três semanas é o tempo exigido para quebrar um mau hábito e substituí-lo por um hábito bom. Continue a repetir para si mesmo a verdade, até que tenha rompido o padrão negativo de pensamento. Não se renda a mentiras e pensamentos condenatórios. Persevere. Com a ajuda de Deus você pode se superar! Clame ao Senhor cada vez que falhar. Depois, recomece tudo outra vez. Você já reparou quantas vezes Deus repete uma verdade quando está tentando encorajar alguém? No primeiro capítulo de Josué, Deus disse quatro vezes a ele que não tivesse medo. Por quê? Porque Josué precisava ser lembrado a pensar os pensamentos de Deus sobre ele próprio. Josué se preparava para entrar em combate e carecia desse incentivo. Tenho certeza de que ele repetiu as palavras do Senhor, muitas e muitas vezes. A causa mais comum da depressão é ter pensamentos depreciativos e condenatórios, ou de reprovação, com relação a nós mesmos. Para romper o ciclo de depressão, devemos seguir os passos sugeridos aqui e, em seguida, decidir que nunca mais nos entregaremos à autocensura! A fim de quebrar o costume de pensar negativamente, devemos pensar os pensamentos de Deus. O mesmo princípio se aplica às reações que vão além de meros pensamentos e se transformam em ações. Se você detectar alguns "padrões de reação" negativos, defensivos ou egoístas na vida, escreva-os. Ao lado deles escreva como Deus deseja que você responda em situações ameaçadoras que o tornam defensivo. Ao se perceber agindo de modo negativo ou egoísta, você deve parar e orar. Depois, escolha o modo pelo qual Deus quer que você reaja. Peça ao Senhor que o torne capaz de pôr esses pensamentos e escolhas em ação. Quando falhar, peça o seu perdão e prossiga. Se o diabo disser que você "fracassou outra vez", concorde com ele, mas diga-lhe que se recusa a lamentar! Aceite a responsabilidade do fracasso, peça o perdão ou a ajuda de Deus e prossiga! Trabalhe no problema até estabelecer novos hábitos. Lembre-se de que foram anos para desenvolver hábitos negativos, portanto não desista: isso porque em
  • 54. algumas semanas ou meses você pode substituí-los pelos padrões de Deus. Comece com um ou dois hábitos de cada vez, então passe para os outros. Se fizermos o possível, Deus fará o impossível para nós. Sétimo passo - Persevere A conclusão é 90% do sucesso! A Bíblia diz: "Se perseveramos, com ele também reinaremos. Se o negamos, ele também nos negará" (2Tm 2.12). A perseverança apresenta dois aspectos. Se de um lado significa compromisso de nossa parte de não desistir, ou determinação em terminar a tarefa, por outro lado, diz respeito à capacidade da parte de Deus. Ele nos concede a graça de terminarmos aquilo que nos chamou a realizar. As suas ordens são também a sua promessa de vitória. Às vezes, você pode pensar que é impossível perseverar até o fim. Pode ser que tenha razão! Contudo, chegando ao término daquilo que é possível para nós, podemos então ver Deus fazer o impossível. A fé ainda não foi exercida enquanto não cremos em Deus para o impossível. Não precisamos de fé para fazer o possível. Assim, se você estiver enfrentando situações impossíveis na vida, dê graças a Deus, pois agora pode começar a praticar a fé. Por que a perseverança representa um passo no processo curativo de Deus em nossa vida? Porque desistir é o que nos torna vulneráveis a sentimentos de rejeição, raiva, mágoa, ressentimento, luxúria, desconfiança, ou o que for que esteja nos infectando. Por vezes queremos que Deus realize um milagre e desfaça todos os nossos problemas, agora mesmo. No entanto, nosso Pai nos está conduzindo em um processo que nos prepara para reinar com ele. Visto que deseja nos moldar e refinar, ele permite que experimentemos tentações que nos forçam a fazer escolhas. É como diz minha amiga Joy Dawson: "O importante é como você termina!". Diz o apóstolo Paulo em sua primeira carta aos coríntios: Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos
  • 55. para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado (1Co 9.24-27). Fracassaremos ao longo do caminho; contudo, se confessarmos nossos pecados, desviando-nos deles, e mediante a fé decidirmos rejeitá-los, receberemos o perdão de Deus e um novo começo. Ele é o Deus dos novos começos. Nossa parte é nos humilhar e nos desviar do pecado e do fracasso; a parte de Deus é perdoar e conceder novo começo. Ele tem prazer em fazer isso, pois é o nosso Pai e um Deus de amor. Ele está trabalhando em você. A luta faz parte do processo curativo vitorioso. Você aprende lições valiosíssimas: humildade, perdão, compaixão e perseverança. Prossiga. Estamos em plena guerra, mas do lado vitorioso! Jesus é o vencedor! "Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus." (Fp 1.6) Deus está procurando pessoas que cumprirão as suas intenções originais, ou seja, o propósito para o qual ele criou a humanidade. Ele deseja ter amizade conosco. E o Senhor não quer essa amizade apenas com um pequeno grupo de indivíduos egoístas; o seu propósito é unir em uma única família todos os que o amam. Assim, sempre que as pessoas amam a Deus, ele as reúne para desfrutar a sua profunda amizade, cuidado e apoio mútuos, celebrando também o amor, o perdão e a inteireza de caráter que ele lhes concedeu. O plano divino é que essa "unidade familiar" seja a igreja. A família do Pai Além dos passos que podemos cumprir como indivíduos, a "família do Pai" é igualmente um canal do seu amor e cura para as pessoas feridas. À medida que amamos, aceitamos e perdoamos uns aos outros, como irmãos em Cristo, o amor de Deus flui através de nós para que nos curemos mutuamente. Por intermédio de nossos irmãos na família de Deus, ele