Livro o imensuravel amor de deus

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Livro o imensuravel amor de deus

  1. 1. O IMENSURÁVEL AMOR DE DEUSA compaixão divina em face do sofrimento humano Floyd McClung, Jr. Título original: The Father Heart of God 10ª Impressão Editora Vida, 2005 Digitalizado por Alicinha Revisado por Alicinha www.semeadoresdapalavra.net Nossos e-books são disponibilizados gratuitamente, com a única finalidade de oferecer leitura edificante a todos aqueles que não tem condições econômicas para comprar. Se você é financeiramente privilegiado, então utilize nosso acervo apenas para avaliação, e, se gostar, abençoe autores, editoras e livrarias, adquirindo os livros. Semeadores da Palavra e-books evangélicos
  2. 2. Conteúdo1 . O Coração Sofredor do Homem..............................................................72. Pai Perfeito..............................................................................................153. Quando o coração está ferido..................................................................264. Cura proveniente de um Pai amoroso.....................................................415. A Essência do Desapontamento..............................................................606. O Coração Partido de Deus.....................................................................727. O Pai que Espera.....................................................................................858. Pais no Senhor........................................................................................94Apêndice...................................................................................................105
  3. 3. Reconhecimento de Gratidão Sou muito grato à ajuda e ao aconselhamento de muitos amigos queme possibilitaram escrever esse livro. Sou especialmente grato a Sally, minha esposa, pelo seu amor eestímulo, e a meus filhos Misha e Matthew, que foram pacientes comigoenquanto gastei muitas horas trabalhando em meu escritório, e a minhasecretária Lura Garrido, pela datilografia e redatilografia do manuscrito. Meus agradecimentos especiais também a Linda Patton e a TerryTootle, que ajudaram Lura na datilografia, e a Tom Hallas, Roger Foster eAlv Magnus, pelas sugestões que nos apresentaram. Agradeço a ChristineAlexander e a Ed Sherman ajuda nas pesquisas. Sou grato ao Dr. H. WayneLight, que não somente é psicólogo de inusitada competência, mas tambémmeu primo e amigo, pelas sugestões e ajuda no esboço das diretrizes doApêndice. Muitos amigos me animaram ao longo do caminho, quando euduvidava do valor do livro ou da minha capacidade para concluí-lo. Souespecialmente grato a Henk Rothuizen, Jon Petersen, Arne Wilkening,Wilbert van Laake, John Goodfellow, Lynn Green, ao Dr. Phil Blakley e aJohn Kennedy, pelo precioso estímulo e aconselhamento no momentooportuno. Também agradeço sinceramente o estímulo que recebi de RichardHerkes e o do pessoal da Kingsway, que refletiram a atitude própria doreino de Deus em todos os nossos relacionamentos. Sou devedor também a Mike Saia e a John Dawson, e ao Ministériodos Últimos Dias por dar-me permissão para usar alguns trechos do folhetoO Coração Paterno de Deus. Acima de tudo sou agradecido ao Senhor, porque tudo o que é bomvem dele!
  4. 4. Um novo exame do Caráter de Deus Enquanto meus dois filhos, Misha e Matthew, e eu, estudávamos oquadro, sentíamos grande tristeza. Era uma tela grande pintada com traçosrápidos, infantis. A figura alta, como que feita de paus, de cabeça quadrada,representada em cores escuras, transmitia uma sensação de frieza eseveridade. O nariz em forma de bico e os longos braços salientes quase nosdavam a impressão de um monstro. O quadro era intitulado “Homem”, mas de acordo com um dos guiasdo Museu Stedelijk de Amsterdã, o título original da obra de Karel Appelera “Meu Pai”. Discutimos o quadro durante longo tempo. Que tipo derelacionamento teve Karel Appel com seu pai? Mais importante ainda, deque modo esse relacionamento influenciou a imagem que ele tinha deDeus? Imaginávamos se ele acreditava em Deus, e se cresse, se ele o viacomo um pai amoroso. Escrevi esse livro porque a maioria das pessoas não conhece a Deuscomo Pai amoroso. Não o vê como alguém a quem amar, e em quemconfiar, alguém digno da sua lealdade e compromisso absolutos. Quer apessoa seja crente, quer não, numa ou noutra época todo o mundo pensaseriamente na questão de quem é Deus e de como ele é. Muitos anseiam conhecer a Deus pessoalmente, porém o imaginamcomo um Ser remoto, impessoal, que não pode ser conhecido. Outrosanseiam um relacionamento com ele, mas apegam-se ao conceito errado deque ele está sentado no céu usando um terno preto, cofiando a longa barbabranca, enquanto olha para baixo, procurando julgar alguém que se atreva asorrir aos domingos. Este livro foi escrito para prover um novo modo de examinarmos aDeus, e ajudar-nos a solucionar certas áreas da nossa vida que podem estarimpedindo um relacionamento com ele como o nosso Pai. Exploraremoscomo as mágoas passadas podem colorir o nosso conceito de Deus, e comoos nossos pais terrenos podem ter influenciado, de modo inconsciente, anossa perspectiva do Pai celeste.
  5. 5. Creio que Deus nos criou para sermos parecidos com Ele, em escalamenor, é claro! Ele nos criou a fim de que nos amemos uns aos outros,cuidemos da sua criação de forma responsável, e estejamos seguros econfiantes em quem somos. Mas o nosso egoísmo e as nossas mágoasemocionais nos retêm e impedem que sejamos as pessoas que nosso Paipretendia que fôssemos. O fato de Deus ter cuidado de nós e nos oferecer libertação doegoísmo, e cura para os males é o que motivou minha esposa e nossafamília a ir morar na zona de meretrício de Amsterdã e ali compartilhar doamor de Deus. Foi essa a razão de termos morado três anos no Afeganistão.Foi lá que conhecemos a Steve, que tinha uma história singular para contar.
  6. 6. 1 . O Coração Sofredor do Homem Ele dizia chamar-se Steve, mas eu tinha a impressão de que esse nãoera o seu nome verdadeiro. Suas calças “jeans” eram desbotadas e gastas,não porque as comprara assim nalguma loja européia, no “grito da moda”,mas por causa do constante desgaste na “trilha hippie”. Tinha viajado porterra de Amsterdã, com um amigo, no “ônibus mágico”, uma linharodoviária barata mas às vezes perigosa, e haviam chegado recentemente aCabul, capital do Afeganistão. Minha esposa e eu, juntamente com alguns destemidos amigos,morávamos em Cabul e dirigíamos uma clínica grátis para os desistentes dasociedade ocidental que vagueavam pelo centro da Ásia à procura deaventuras, drogas e escape dos modos de vida que vieram a abominar.Muitos haviam sido empurrados para a margem da sociedade pela rejeição epor um profundo sentimento de alienação. Nada em seu ambiente lhesprovia um senso de identificação ou de participação. Steve não era exceção. Nas semanas que se seguiram ele nos visitou ocasionalmente naclínica. Um dia ele me perguntou se eu queria ouvir algo sobre o dia maisfeliz da sua vida. Era a primeira vez que ele voluntariamente se ofereciapara falar acerca de si mesmo, de modo que eu estava ansioso por ouvir. — Vou contar-lhe o dia mais feliz de minha vida — disse-me ele,com um estranho sorriso. A dor reprimida e a hostilidade entraram emerupção, numa torrente de fúria vulcânica. — Foi o dia em que fiz 11 anos. Nesse mesmo dia meus paismorreram num acidente de carro! A voz dele fervia de amargura. — Eles me disseram todos os dias da minha vida que me odiavam eque não me queriam. Meu pai não me tolerava e a minha mãe me lembravaconstantemente que eu tinha sido um acidente. Eles não me queriam e estoucontente de estarem mortos! Nas semanas seguintes continuei tentando ajudar a Steve, mas perdi-lo de vista logo depois. Sua dor e ódio, entretanto, permanecem gravadosvividamente na minha memória.
  7. 7. O que Sally e eu descobrimos no Afeganistão nos princípios dos anossetentas não foram apenas alguns pobres ocidentais feridos que fugiam dosseus problemas, mas toda uma subcultura de pessoas sofredoras. Nosúltimos dez anos investimos nossas vidas na ajuda a pessoasemocionalmente feridas e descobrimos que nenhum nível da sociedade éimune à dor dos relacionamentos partidos. Certo jovem de classe social elevada que veio a nós pedindoaconselhamento, descreveu como o seu pai o obrigou a olhar enquanto batiana sua mãe e depois a apunhalava. Uma jovem mulher narrou-nos ashumilhações que sofreu às mãos do pai, dos irmãos e do avô, que aviolentaram. Outro jovem confidenciou-nos que seus pais o deram a seusavós simplesmente porque não o desejavam. Seus avós por sua vez, ocolocaram num orfanato quando ele tinha cinco anos. Ali o diretor oespancava todos os domingos se ele se recusasse a ir à igreja. Anos maistarde ele entregou a vida a Cristo por mediação do nosso trabalho noAfeganistão, e então voltou para casa a fim de expressar o seu amor eperdão aos pais, com um presente. Quando a mãe o viu, gritou enraivecida enão lhe permitiu entrar em casa. Um jovem e simpático marido chorava aoconfidenciar-nos que não se lembrava mais de ter ouvido as palavras “Eu teamo” da parte do pai, que era advogado. Nosso mundo está infestado por uma epidemia de dor. Com o índicede divórcio aumentado e o abuso contra as crianças berrando nas manchetesnacionais, não e de surpreender que para muitos o conceito de Deus Paiprovoca reações de ira, ressentimento e rejeição. Visto não terem conhecidoum pai humano bondoso e atencioso, possuem uma visão distorcida doamor do Pai celeste. Em muitos casos esses indivíduos sofredoresescolheram simplesmente negar ou desprezar a existência de Deus. John Smith, um amigo meu de Melbourne, Austrália, fala a respeitode um adolescente endurecido, criado na rua, que lhe deu uma únicaoportunidade de apresentar-lhe Deus. — Está bem camarada — disse ele — como é Deus? Recém-formado em teologia, John não titubeou: — Ele é como um pai. Os olhos do jovem fuzilaram de ódio. — Se ele parece com o meu velho, fique com ele pra você!
  8. 8. Mais tarde, John soube através de um assistente social que o pai domenino havia violentado a própria filha várias vezes e batido na esposa comfreqüência.Feridas Emocionais Uma experiência negativa na infância não é o único fator que nosfrustra a compreensão de Deus como Pai. Muitos experimentam umbloqueio emocional ou mental quando tentam chamar Deus de “pai”, poisnão o conhecem pessoalmente. Há diferença entre saber a respeito de Deuse conhecê-lo pessoalmente. Lemos em João 1:12: “Contudo aos que oreceberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornaremfilho de Deus”. Para que nos tornemos filhos de Deus, devemos crer queJesus Cristo é o Filho de Deus, que morreu e ressurgiu para que nossospecados pudessem ser perdoados. Precisamos, em seguida, pedir-lhe quenos perdoe e se torne o Senhor de nossa vida. Então, como filhos, dedicar avida ao aprendizado, à obediência a Palavra de Deus e à adoração a elesomente. Outras pessoas têm dificuldade de relacionar-se com Deus como Paiporque durante a vida toda foram ensinadas a respeitá-lo. Para elas issosignifica chamá-lo de Senhor. Usar um termo informal como “Pai”, parece-lhes falta de reverência. Entretanto, a Bíblia nos ensina a chamar Deus de“Pai” quando oramos (Mt 6.9) e nos diz que Ele deseja ter umrelacionamento íntimo e pessoal conosco, seus filhos. Algumas de nossas dificuldades mais comuns para compreender oimensurável amor de Deus são as feridas emocionais. Muitas vezes, essasferidas produzem cicatrizes que nos fazem hesitar em confiar inteiramentenele como Pai. A Bíblia oferece muitos exemplos de ferimento emocional e refere-sea isso como “espírito oprimido”, ferido ou abatido. Diz o livro deProvérbios “A alegria do coração transparece no rosto, mas o coraçãoangustiado oprime o espírito” (15.13); e “O espírito do homem o susterá nadoença, mas o espírito deprimido, quem o levantará? (18.14) A história de Mical, filha de Saul, demonstra claramente a dor de umespírito ferido ou abatido. Mical foi educada em um ambiente carregado de
  9. 9. desavença e conflito. Seu pai, homem impaciente e inseguro, comfreqüência explodia em acessos de ira. Não há duvidas de que ela foraprofundamente influenciada pela ira paterna. Saul tinha ciúme do futuro rei Davi e isso o levou a planejar umaarmadilha para matá-lo. Como isca, Saul lhe ofereceu uma de suas filhascomo prêmio, caso ele matasse cem filisteus, inimigos de Israel.“Certamente”, pensou Saul, “Davi será morto pelos filisteus e ficarei livredele para sempre!” Para grande desgosto de Saul, Davi foi bem-sucedido. Na verdade,matou duzentos filisteus! Saul concedeu a mão da filha Mical como prêmio,mas Davi logo fugiu de outro dos ataques de raiva de Saul, deixando-a paratrás. Anos depois ele retornou e encontrou Mical casada com outro homem.Contra a vontade dela e do novo marido, Davi exigiu sua volta. Por fim, elafoi arrancada dos braços de seu choroso marido e devolvida à força a Davi(2Sm 3.13-16). Pelo visto, os homens da vida de Mical a moveram entre si como seela fosse uma peça no tabuleiro de xadrez. Em razão da sua criação, écompreensível que tenha reagido a Davi com tanta amargura. Oressentimento dela explodiu no auge de uma festa de celebração de vitória. E sucedeu que, entrando a arca do SENHOR na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do SENHOR, o desprezou no seu coração. E, voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, a filha de Saul, saiu ao seu encontro e lhe disse: “Como o rei de Israel se destacou hoje, tirando o manto na frente das escravas de seus servos, como um homem vulgar!” E até o dia de sua morte, Mical, filha de Saul, jamais teve filhos. (2Sm 6.16, 20, 23) A reação de Mical resultava de uma ferida emocional que setransformara em ódio. O remédio que poderia trazer-lhe a cura era o perdão,mas ela preferiu não concedê-lo. A esterilidade espiritual e física aatormentou pelo resto da vida. Semelhantes a Mical, nos dias de hoje há muitas jovens e mulheresque sofrem diferentes graus de dor, todavia não precisam acabar como a
  10. 10. filha de Saul. Por causa do seu coração paterno, Deus anseia por renovar-nos e restaurar-nos mediante o poder curador do seu amor.O coração de Deus Trata-se da parte mais interna ou mais essencial da pessoa: seucoração. O coração paterno de Deus descreve o elemento fundamental quecaracteriza o que Ele é. Jesus descreve Deus nas Escrituras como o Paimisericordioso, perdoador, bondoso e amoroso. Jesus demonstrou mediante asua vida a própria natureza do Pai celeste. — Como é Deus, papai? Lembro-me de certa noite, muitos anos atrás, em que lutei paraencontrar uma resposta para a pergunta de Misha, minha filha, entãocom 5 anos de idade. Enquanto considerava cuidadosamente a questão, percebi que emsua simplicidade Misha fizera uma pergunta cuja resposta muitaspessoas gostariam de obter. Talvez os adultos a formulem de maneiradiferente, mas a pergunta básica permanece a mesma: "Se há um Deus,como ele é?". A Bíblia diz que Deus não é um ser finito como nós, todavia deu-sea conhecer a nós de maneira tão clara, tão compreensível, que podemossaber como ele é. "Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, queestá junto do Pai, o tornou conhecido" (Jo1.18; grifo do autor). Eu disse à minha filha como é Deus. Disse-lhe que ele se parececom Jesus. De fato, certa vez Jesus disse: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14.9).Jesus é Deus em forma humana. Na Bíblia encontramos muitosexemplos de como Jesus revelou o Pai para nós. Um desses exemplos refere-se à passagem em que algumas mães desejavam que Jesus abençoasse osfilhos, mas os discípulos acharam que ele estava ocupado demais, eraimportante demais para ser perturbado. Jesus, porém, repreendeu osdiscípulos e lhes disse que trouxessem a ele as crianças. Ele tomou ospequeninos nos braços e conversou com eles. Jesus arranjou tempo para ascrianças, teve tempo para ouvir as histórias e brincadeiras delas. Nem seimportou de sujar-se quando as crianças, de nariz escorrendo e tudo mais,sentaram no seu colo. Quando vemos que Jesus teve tempo para as
  11. 11. criancinhas, aprendemos que Deus tem tempo para as pessoas. Ele se importaaté com as pequenas coisas da vida. É paciente. Deus-Pai se parece com seuFilho. Certa tarde Jesus parou para falar com uma mulher samaritana, perto deum poço. Naquela época o povo judeu odiava e desprezava os samaritanos.As mulheres eram consideradas pessoas de segunda categoria e incapazes decompreender verdades espirituais. Jesus elevou essa mulher a uma posição de igualdade e valor pelosimples fato de ter rompido um costume social e falado com elapublicamente. Ao fazê-lo, revelou algo mais de como é Deus. Ao discutir asnecessidades espirituais diretamente com a própria mulher, Jesus comprovouo seu interesse pessoal por ela e ainda demonstrou que Deus-Pai se importacom os homens e com as mulheres de forma igual. Essa mulher não apenas era samaritana, mas também imoral. Jesussabia disso, mas não se sentiu constrangido, tampouco envergonhado, em servisto com ela. Na verdade, ele queria conversar com a mulher. Foi por estarazão que ele viajou através de Samaria: arranjar tempo para demonstraramor verdadeiro a essa mulher, conhecida por seus casos amorosos. Jesusviu além da dureza exterior, das anedotas imorais, do sarcasmo a respeito dareligião. Viu o coração dela. Viu que ela ansiava por algo que preenchesse ovazio interior. Sentiu a necessidade dela de ser amada, de ser protegida, deser alguém especial. Por sua vez, a mulher recebeu o amor de Cristo porque Ele a ajudou a“ver” a Deus de um modo como nunca vira antes. Jesus veio por isto: pararevelar-nos Deus e levar-nos a Ele.
  12. 12. Guia de estudo (Capítulo 1 - O Coração Sofredor do Homem)Leia João 1 e 21. Escreva seu conceito pessoal da paternidade de Deus. Como ele é para você? Seja o mais honesto e específico que puder.2. Você tem uma relação íntima/pessoal com ele?3. Quais são seus sentimentos para com seu pai terreno?4. Você tem uma relação íntima/pessoal com ele?5. Você confia em seu pai terreno? Se a resposta for negativa, pode explicar por que e identificar as áreas de desconfiança? Liste-as.
  13. 13. 6. Você confia em Deus Pai? Se a resposta for negativa, pode explicar por que e identificar as áreas de desconfiança? Liste-as7. Faça uma lista de quantas referências das Escrituras puder encontrar nas quais Jesus descreve o coração do Pai.8. Leia João 14.8-11. O que você sente com o que o Senhor está lhe dizendo?9. Feridas emocionais não curadas = espírito ferido/enfraquecido = amargura/ódio. Você já se sentiu rejeitado ou marginalizado por família, amigos, colegas de trabalho ou pela igreja? Se a resposta for positiva, descreva o(s) incidente(s).10. Você acha que está vivendo no momento um grau de sofrimento por causa da rejeição/alienação? Se a resposta for positiva, responda como isso o afeta hoje.11. A única cura para essa condição é .............................................. Você está disposto a ser conduzido pelo amor do Pai no caminho do perdão e, desse modo, ser curado de suas feridas emocionais?
  14. 14. 2. Pai Perfeito Já me perguntei muitas vezes por que Deus determinou queentrássemos neste mundo como bebês indefesos. Ele poderia ter criado umsistema reprodutivo que produzisse pessoas fisicamente completas, comoAdão e Eva. Em vez disso, optou por criar-nos como seres em formação,pessoas que cresceriam devagar, tanto física quanto emocional ementalmente, e com o tempo se tornariam adultos. Acredito que Deus planejou nosso início de vida como bebêstotalmente dependentes e vulneráveis porque pretendia que a família fosseo ambiente em que o seu amor seria modelado, para que as criançascrescessem sentindo-se compreendidas, amadas e aceitas. Nutrida nesseambiente de amor e segurança, a criança poderia desenvolver uma auto-estima sadia, baseada em Deus, e ver a si mesma como um ser desejado,importante, valioso e bom. Infelizmente, muitos lares não atingem esse ideal. Inúmeraspessoas sofrem mágoas e rejeição da família e não têm uma genuína figurapaterna com quem se identificar. Tais experiências as impedem de conhecera Deus como ele realmente é, negando-lhes a alegria de desfrutar intimidadeverdadeira com ele. Relaciono, a seguir, sete diferentes áreas de conceitos errados a respeitode Deus que, com freqüência, têm origem na infância. Por estima à clareza,farei referência quase que exclusivamente às qualidades paternais divinas.Autoridade Quando o cachorro da família vem recebê-lo no momento em quevocê chega à casa de um amigo, é possível às vezes discernir o modo pelo qualo animal é tratado. O cão comum ou foge tremendo de medo ou cobre vocêcom uma demonstração indesejável de afeição expressa com a língua, acauda e as patas sujas! O animal amedrontado, que não pode ser persuadidoa confiar em você, provavelmente tem sido maltratado. O exuberantecãozinho que o surpreende com uma lambida no rosto provavelmente veiode um lar amoroso. Com freqüência, nós nos aproximamos do nosso Deus de
  15. 15. maneira semelhante. As experiências passadas intensificam nossas reações,quando ele tenta chegar até nós. O que gera desconfiança na área deautoridade? A porta do quarto se abre com um estrondo. No meio da noite, certogarotinho é acordado aos tapas por um bêbado enraivecido. Aterrorizada, acriança grita enquanto o vulto escuro e gigantesco de um homem a quemchama de "papai" bate nela sem piedade. Uma prostituta de 15 anos de idade fixa o olhar no vazio enquantomecanicamente suporta mais uma noite de degradação. Pouco se importa com oque lhe acontece. Ela não se sente limpa desde a noite em que foi molestadapelo próprio pai. Nós, a exemplo do cãozinho amedrontado, às vezes fugimos daautoridade do nosso Pai celeste porque imaginamos que será como as outrasfiguras de autoridade em nossa vida. Não será. Ele é perfeito amor. É elequem ordena: "Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo ainstrução e o conselho do Senhor" (Ef 6.4).Confiança Na infância pode ser que você não tivesse como saber o que é ter pai,seja por causa de morte, seja em razão de um divórcio. Talvez tenha sidorelegado à "orfandade" pelas exigências das carreiras dos pais. Agora, comofilho de Deus, para você é difícil não duvidar da fidelidade dele. Nãoconsegue apagar as recordações infantis de promessas desfeitas e doabandono. Talvez você só raramente sinta a presença de Deus e fiqueinclinado a aproximar-se dele com cinismo e desconfiança. Entretanto, seu Pai celeste estava presente quando você dava osprimeiros passos como criança. Ele presenciou as mágoas e desapontamentosde sua adolescência e, neste instante, está presente com você. Por brevetempo você foi emprestado a pais humanos que durante alguns anosdeveriam ter-lhe dado amor semelhante ao amor de Deus. A intenção divinaera que o cuidado e a segurança de um bom lar o preparassem para o amordele. Se a família falhou no desempenho dessa responsabilidade, vocêprecisa reconhecer esse fato, perdoar-lhe e prosseguir a fim de receber oamor de Deus. Ele o aguarda agora mesmo com braços estendidos.
  16. 16. Deus é o único Pai que jamais falhará conosco. Como diz 2 Timóteo2.13: "Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a simesmo".Valores Anos atrás um amigo meu, enquanto visitava uma aldeia de nativos dosul do Pacífico, passou algum tempo observando as crianças brincar. Maistarde, ele me disse que essas crianças raramente ouviam palavras como: "Nãotoque nisso!", "Deixe isso aí!" ou "Tenha cuidado!". Os lares eram simples,consistindo em chão de terra batida, teto de colmo (uma palha comprida) eparedes de esteiras. Em comparação, nossos lares modernos estão cheios debugigangas caras, frágeis, e de aparelhos que representam campos minadosde rejeição potencial a pequenos curiosos. Quantas mães não explodiram deraiva diante de uma criança que despedaçou um vaso ou um bibelô! Ascrianças ouvem constantemente palavras sobre a importância e o valor dascoisas. No entanto, muito poucas vezes ouvem um simples: — Eu te amo! Uma espécie de slogan, ou bordão repetitivo e destrutivo, vai cavandoseu caminho no subconsciente das crianças: "As coisas são maisimportantes do que eu. As coisas são mais importantes do que eu!. Nãoestou sugerindo que abandonemos nossos lares, mas que precisamos percebera possibilidade de nossa noção da generosidade de Deus ter sido violentadapor nossas experiências na infância. Podemos ser forçados a alterarradicalmente as prioridades de modo que possamos comunicar o amor deDeus aos nossos filhos. Os valores de Deus diferem significativamente dos nossos. A criaçãoexibe extravagância de cores e complexidade de formas que transcendem osimples valor funcional. Uma pequena flor branca, beijada pela luz do solalpino da Itália, tem significado para Deus, ainda que jamais tenha sido vistapelo olho humano. A mesma flor pode não ter valor econômico; apesardisso, foi criada por Deus na esperança de que um dia um de seus filhospudesse olhá-la e receber a bênção dessa beleza. A maior demonstração de amor do coração paterno de Deusrevela-se na sua atenção aos detalhes de nossa vida. Ele anseia por nossurpreender com os "extras", aqueles pequenos prazeres e tesouros quesomente um pai saberia que desejamos. Deus não é avarento,
  17. 17. possessivo, nem materialista. Somos nós que, com freqüência, usamos aspessoas como se fossem objetos; ele usa os objetos para abençoar as pessoas.Deus manifesta a sua generosidade mediante dádivas mais importantes doque meras coisas materiais. Graciosamente, ele nos dá o que não pode sertocado nem tem preço: o perdão, a misericórdia e o amor.Afeição Quando meu filhinho chega do quintal coberto de lama, eu oapanho e o lavo com a mangueira do jardim. Rejeito a lama, não rejeito omeu filho. Sim, nós pecamos. Realmente, quebramos o coração de Deus.Contudo, ainda somos o centro da atenção e do afeto divinos — amenina-dos-olhos de Deus. É ele quem nos procura para conceder-nosperdão e amor. Nós dizemos: "Encontrei o Senhor", mas na verdade foi eleque, depois de intensa busca, nos encontrou primeiro. Muitas crianças, principalmente os meninos, recebem pouquíssimoafeto físico da parte dos pais e, quando sofrem, não lhes é demonstradanenhuma compaixão verdadeira. Por conta do falso conceito demasculinidade em nossa sociedade, é comum os meninos ouvirem: "Nãochore, filho; homem não chora". Entretanto, o amor de Deus cura osferimentos de meninos e meninas da mesma maneira. Sendo nosso Pai, Deussente nossa dor muito mais profundamente do que nós mesmos, pois asensibilidade dele ao sofrimento é muito maior do que a nossa. A maioria das pessoas tenta esquecer os momentos mais dolorosos davida, mas Deus não. Ele se lembra de tudo, e muito bem. Deus estava láquando você sofreu aquele vexame cruel no pátio da escola, ao ser perseguidopelos colegas, chegando mesmo a fugir para casa sozinho, evitando o olhardos outros garotos. Deus estava lá naquela aula de matemática em que vocêse sentiu confuso e infeliz. Quando você se perdeu com 4 anos de idade eperambulou aterrorizado pela multidão, foi ele quem moveu o coraçãodaquela bondosa senhora que o ajudou a encontrar sua mãe. "Eu os conduzicom laços de bondade humana e de amor; tirei do seu pescoço o jugo e meinclinei para alimentá-los" (Os 11.4). Às vezes não entendemos como Deus pode ser verdadeiramente um Paiamoroso. Os pais podem exibir orgulhosos suas fotos no álbum, mas comose compara isso com a capacidade infinita de Deus de experimentar tanta
  18. 18. satisfação e prazer que extravasam com todos os seus sucessos? Deus o ouviupronunciar sua primeira palavra. Ele observava você com gosto enquantogastava horas sozinho explorando novas texturas com as mãozinhas debebê. Deus considera um tesouro as recordações de suas risadas infantis.Nunca houve outra criança como você e jamais haverá. Moisés certa vez invocou uma bênção sobre cada tribo de Israel. A umadelas ele disse: "Que o amado do SENHOR descanse nele em segurança, poisele o protege o tempo inteiro, e aquele a quem o SENHOR ama descansa nosseus braços" (Dt 33.12). É aí que você habita também. Seja lá o que se tomaráaos olhos dos homens — pessoa de grande autoridade, fama ou renome — ,você jamais deixará de ser nada mais, nada menos do que uma criança nosbraços de Deus.Presença Há um atributo de Deus que nem mesmo o melhor pai podeesperar imitar — a capacidade divina de estar conosco o tempo todo. Ospais humanos simplesmente não podem dar aos filhos toda a atenção 24horas por dia. No entanto, Deus é diferente. Ele não apenas está com você otempo todo, mas também lhe dá atenção de forma individual: "Lancemsobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês" (1Pe5.7). Não raro seus pais se preocupavam com as próprias atividades e, comisso, não podiam interessar-se pelos acontecimentos de menor importânciaque diziam respeito a você. Deus, todavia, não é assim. É um Deusminucioso. A Bíblia diz que ele até enumerou os fios de cabelo de suacabeça. Por quê? Não é porque esteja interessado em matemática abstrata;esse comentário bíblico simplesmente ilustra um quadro de como ele sabemuitíssimo bem todas as coisas, bem como quão cuidadoso é a respeito denossa vida. Certo garotinho passou a tarde inteira martelando pregos em algunsrestos de madeira. Enfim, saiu da garagem e mostrou à mãe um navio deguerra de três andares. Não via a hora de o pai chegar a casa. Papai estavaatrasado. Então, às 18h30 um homem cansado e preocupado chegou. Umjantar frio o aguardava. Havia consertos a serem feitos. O meninoentusiasmado, cheio de orgulho, tentou mostrar sua obra-prima para um
  19. 19. pai que mal conseguia tirar os olhos da calculadora. Papai não olhou, masDeus olhou. Deus sempre olha, sempre tem prazer no trabalho das mãos dosmeninos. Deus é, e sempre será nosso Pai verdadeiro. Procure não se ressentirdas falhas dos pais terrenos, pois eles não passam de crianças que crescerame vieram a ter crianças também. Em vez disso, deleite-se no maravilhoso amordo seu Deus e Pai.Aceitação Vivemos em uma sociedade voltada para o desempenho. Muitos paispassam aos filhos a mensagem do tipo: se você conseguir entrar para o timede futebol da escola, se você trouxer para casa boletins com boas notas, sevocê tiver boa aparência, então sim, você será aceito e "amado". NossoDeus, porém, nos ama com amor incondicional. Nosso Pai celestial nosama porque é amor. Embora não precisemos fazer nada para convencê-loa nos amar, devemos receber seu amor. Isso não significa que, antes dequalquer coisa, tenhamos de nos tornar santos. O que Deus nos somenteé que nos aproximemos dele com honestidade e sinceridade;i então, ele nosperdoará e nos transformará nos filhos que ele deseja. Muitas pessoas julgam difícil aceitar o amor e a aprovação de.Deus.Um verdadeiro relacionamento de amor exige, contudo, o ato de dar ereceber amor. Imagine como eu me sentiria se, em um impulso repentino,decidisse comprar flores para a minha esposa, mas quando as entregassea ela, e lhe dissesse: "Eu te amo, Sally", ela corresse para pegar dinheiroa fim de me reembolsar pelas flores! Certamente eu ficaria magoado edesapontado. Tudo o que desejo saber é se ela sente a mesma coisa pormim. Qual é sua resposta a Deus quando ele lhe diz que o ama, apesar detudo? Será que você consegue receber o amor de Deus sem começar umaatividade frenética para merecer a aprovação dele? Um dos mais lindos quadros que retratam a satisfação plena é o dobebê adormecido nos braços da mãe, depois de ter sido amamentado noseio materno. A criancinha já não chora nem reclama, apenas descansa noabraço amoroso. Um profundo sentimento de paz permeia a melodia da
  20. 20. canção de ninar que as mães entoam em ocasiões assim. Na Bíblia, oprofeta Sofonias descreve emoção semelhante, existente no coração deDeus com relação a nós: O SENHOR, o seu Deus, está em seu meio, poderoso para salvar. Ele se regozijará em você; com o seu amor a renovará, ele se regozijará em você com brados de alegria (3.17). Deus-Pai o ama exatamente como você é. Durante toda a vida vocêtem sido obrigado a mostrar resultados e a competir. Mesmo quando nãopassava de um bebê, você já era comparado com outras criancinhas. Aspessoas diziam que você era "muito gordinho" ou "muito magrinho", tinha"as perninhas de fulano" ou "o narizinho de beltrano". Entretanto, Deus sedeliciava com o fato de você ser a pessoa sem igual que é, e ele ainda sedelicia.Comunicação Uma tarefa difícil é a comunicação aberta e amorosa, sobretudo paraos pais. No entanto, Deus comunica o seu amor por nós de maneiraclaríssima. Na verdade, ele nos ama tanto que "deu o seu Filho Unigênito,para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterná (Jo 3.16). Certa jovem me disse que não conseguia falar com Deus. Parecia-lheque as palavras batiam em muralha de pedra. Não se lembrava de umaúnica vez em que Deus houvesse respondido a uma oração dela. Enquantoorávamos juntos, percebeu que costumava retratar a Deus como se ele fosseseu pai terreno, um homem bom e honesto, mas quieto e tímido. Ele jamaisdissera aos filhos que os amava e raramente conversava com eles. Aoadmitir que o pai havia sido fraco e falhara ao educá-la, a moça foi capaz deperdoá-lo e, enfim, de aceitá-lo como ele era. Esse reconhecimento deuinício a uma dimensão inteiramente nova no relacionamento dela comDeus. Ela dispunha de mais fé ao orar porque entendeu que Ele a ouvia.Logo veio a sentir a orientação divina, a presença de Deus em sua vida. Se você acredita ter sido prejudicado em seu relacionamento comDeus por causa de uma carência, quer em uma área do amor paterno, quermaterno, diga ao Senhor como você se sente e peça-lhe ajuda. Você precisa
  21. 21. decidir por si mesmo que vai perdoar a quem o magoou, seja lá quem for.Se não perdoar, a amargura vai consumi-lo, e você não vai encontrar pazcom Deus. Do mesmo modo, entenda que você não está sozinho. Jamaisencontrei uma pessoa perfeita... nem um pai nem mãe que nunca tivessemcometido erros. Todos já sofreram um tipo ou outro de mágoa. Oimportante é que você comece a conhecer a Deus pelo que ele realmente é— e o conceito que temos dele com freqüência é bem diferente darealidade. Somente Deus é o Pai perfeito. Ele sempre disciplina em amor. É fiel,generoso, bondoso e justo, e almeja passar bastante tempo com você. SeuPai celeste quer que você receba o seu amor e saiba que você é especial esingular aos olhos dele.
  22. 22. Guia de estudo (Capítulo 2 - Um Pai Perfeito)Leia João 3 e 41. Descreva o ambiente familiar durante a sua infância. Havia paz, alegria, estabilidade, segurança — ou conflito, depressão etc?2. Você se sente amado e aceito? Querido? Valorizado? Especial?3. Você está ciente de que Deus Pai criou as famílias a fim de que ele fosse glorificado por meio do fruto produzido em seu ambiente de amor e segurança? Ele foi glorificado em sua família? Explique.4. Faça uma lista das autoridades masculinas em sua vida e como você se sentia ou se sente em relação a essas pessoas?5. Você confiava ou confia nesses homens?
  23. 23. 6. Você sentia ou sente que é importante para esses homens?7. Você recebia ou recebe demonstrações de afeto por parte desses homens?8. Faça uma lista de alguns dos momentos mais dolorosos de sua vida. Junto a esses momentos, escreva o nome da autoridade masculina que lhe demonstrou amor e compaixão quando você se feriu.9. Onde estava Deus durante as horas de dor em sua vida?10. Faça uma lista das pessoas (homens ou mulheres) que o amaram incondicionalmente.11. Você é capaz de receber amor incondicional do criador do amor — Deus-Pai?12. Você sente que foi magoado em uma das sete áreas do amor paterno?
  24. 24. 13. Se não tem certeza, pergunte a alguém próximo a você.14. Você está disposto a perdoar quem quer que o tenha magoado? Seja honesto.
  25. 25. 3. Quando o coração está ferido Tímida, ela era um pouco mais alta do que a maioria dasadolescentes. Cansado, a última coisa que eu desejava era conversar comuma jovem introvertida. Tinha acabado de encerrar uma palestra para umgrupo numeroso de ouvintes, na África do Sul, acerca do coração paterno deDeus, por isso precisava desesperadamente de um pouco de descanso. Noentanto, senti que devia ouvir com a máxima atenção o que a mocinha estavaprestes a me dizer. A princípio as perguntas dela pareceram insignificantes, mas comeceia imaginar que a jovem desejava na verdade me contar algo mais. Esperei.Quando ela acabou, perguntei-lhe se não havia outra coisa que quisessecompartilhar. Ela pareceu aliviada. Então, sentou-se do meu lado naqueleauditório pequeno e abarrotado de gente e sussurrou ao meu ouvido: — Posso chorar um pouco no seu ombro? Eu disse: — Claro, mas será que você poderia me dizer por quê? Os olhos da moça encheram-se de lágrimas à medida que a história ia-sedesenrolando. O pai morrera quando ela era bem pequena. Desde então nãotivera um ombro sobre o qual chorar, um pai a quem levar suas perguntas,desapontamentos, realizações e planos. Uma dor profunda lhe dilacerava ocoração por sentir falta dos braços fortes e amorosos que por algum tempo ahaviam amparado e confortado. A adolescente chorou em meu ombro, sem demonstrar timidez ouvexame. Depois disso, conversamos com o Pai celeste. Juntos pedimos aele que curasse a mágoa e preenchesse o espaço vazio da vida dela. E Deus nos ouviu. Encontrei-me com essa jovem alguns anosdepois, quando retornei à África do Sul. De início não a reconheci, masentão ela me lembrou do tempo de oração que tivemos. Isso reavivouminha memória, e os fatos esquecidos voltaram tal qual uma inundação.Ela me agradeceu os momentos em que compartilhamos, dizendo-me quefizeram toda a diferença. Naqueles breves instantes que passamos juntos, ajovem experimentou o imensurável amor de Deus.
  26. 26. Essa moça sofrera um ferimento emocional profundo, que a mantinhaincapaz de desfrutar um relacionamento com o Pai celeste. Este mundoestá repleto de pessoas que carregam dores e mágoas como essas,invisíveis, muitas das quais procedentes da infância, e outras impostaspela pressão e por problemas da vida moderna. Deus, nosso Pai, deseja curaressas feridas para assegurar uma comunhão profunda, agradável egenuína com os seus filhos. A Bíblia nos fala de modo especial da necessidade de curarmos asemoções feridas, mostrando essa cura como parte do processo desantificação. No livro de Isaías, o profeta nos aponta a época futura em queDeus enviará um Salvador que liberte as pessoas do pecado e do egoísmo.Isaías descreve esse Salvador como "homem de dores e experimentado nosofrimento" (53.3). Esse texto do Antigo Testamento prossegue dizendoque "ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou asnossas doenças... e pelas suas feridas fomos curados" (v. 4,5). Esse processo de cura se aplica tanto à culpa de nosso egoísmoquanto às suas conseqüências — as cicatrizes e ferimentos queostentamos na personalidade e nas emoções. No capítulo 61, Isaíasdiz que esse Salvador virá "para levar boas notícias aos pobres... paracuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aoscativos e libertação das trevas aos prisioneiros" (v. 1). E dar a todos quechoram "o óleo da alegria (v. 3). Em Salmos 34.18, Davi diz que "oSENHOR está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os deespírito abatido". Em Salmos 147.3 ele diz que Deus "cura os de coraçãoquebrantado e cuida das suas feridas". Isso são boas-novas para ummundo ferido. A despeito de tudo o que o Senhor nos oferece, muitos ainda o vêemcomo um Deus sentado no céu, alheio à dor e à dura realidade deste mundodecaído. "Por que ele nos criou e em seguida nos abandonou?",perguntam, com amargura. Deus, entretanto, não é a causa de nossos problemas, tampouco nosabandonou em nosso sofrimento. Ele veio morar conosco. Tornou-sehomem. Suportou tudo o que sofremos, e mais ainda. Deus criou o ser humano, mas este o rejeitou. Enviou mensageiros eprofetas para lembrar aos homens que ele é o Criador, mas eles apedrejaramos profetas e mataram os mensageiros. Então, finalmente Deus enviou o seu
  27. 27. próprio Filho para revelar a si próprio. O Criador andou junto com a suacriação, mas as criaturas se recusaram a reconhecê-lo. Na verdade,crucificaram a Cristo. Nesse caso, o que fez o Criador? Transformou a maiorcrueldade da humanidade em fonte de perdão para os homens! Nós omatamos, mas Deus usou aprova de nosso maior egoísmo como fonte denosso perdão. Jesus Cristo é o ferido que cura nossas feridas. Ele sabe comonossas emoções podem ser magoadas. Na realidade, Jesus foi tentado detodas as maneiras pelas quais temos sido tentados. O próprio nascimento de Jesus foi questionado, e a reputação dasua mãe, aviltada. Ele nasceu em pobreza. A linhagem dele caiu noostracismo, e a sua cidade natal foi ridicularizada. O pai terreno faleceuprovavelmente quando o menino tinha pouca idade, e nos seus últimosanos Jesus perambulou pelas ruas e cidades sem ter um lar. O seuministério foi mal interpretado e ele, abandonado à morte. Tudo issosofreu por mim e por você. Ele o fez a fim de identificar-se conoscoem nossas fraquezas: Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de receber misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade (Hb 4.15,16). Deus Pai enviou Jesus Cristo ao mundo para desfazer a barreira quenos separava dele. A separação, fruto de nosso egoísmo, está no centro demuitas feridas emocionais. Se tais males não forem sanados, poderão sedesenvolver até se tornar o que eu chamo de "síndrome de Saul", o que leva aalienar-se de Deus e das demais pessoas. Jesus veio para estabelecer areconciliação no lugar da alienação, a cura no lugar da ferida, e a inteirezano lugar do quebrantamento.A síndrome de Saul
  28. 28. Era um homem alto, de porte extraordinário. O cabelo castanho e a barbabem aparada adicionavam mais dignidade à estatura. Todos os olhos o seguiamquando ele passava pela multidão. Esse homem tinha a capacidade de atrair as pessoas, reuni-las em torno deuma causa, inspirá-las para a grandeza. As pessoas não receavam confiar-lhe seus sonhossecretos, suas esperanças. Tratava-se de um líder de líderes. Pelo menos, era o que todos pensavam. Todavia, aqueles ombros avantajados deum líder alto e de aparência magnífica escondiam um coração repleto de ciúme emedo. Tão profundas eram as inseguranças, tão incertos os alicerces da personalidade,que ele considerava todo indício de grandeza nas pessoas ao seu redor um sinal de graveameaça à própria posição dele no país. A maior parte de seus seguidores se achava tão encantada com a habilidade deSaul de mobilizar e comunicar-se, que não percebia o desejo fanático do governante deexercer controle total. Alguns homens mais perspicazes, contudo, começaram a alimentardúvidas. A perícia de Saul na estratégia bélica e sua extraordinária habilidade na tomadade providências corretas, no momento oportuno, convenciam os seguidores maisdistantes da grandeza desse líder, mas confundiam as pessoas mais próximas dele. "Eledeve ser o ungido do Senhor", elas pensavam. "Sempre parece estar certo." Nãoqueriam admitir o óbvio: Saul violava princípios, não tinha espírito de serviço, nãoadmitia a promoção de outras pessoas, era vítima de ira e impaciência — tudo issoreunindo fatores que aparentemente o desqualificavam para exercer a função de rei. Naverdade, tais pessoas ficavam profundamente confusas e envergonhadas diante dossecretos acessos de raiva de Saul e de seus mergulhos na melancolia e depressão. Finalmente, surgiu alguém que já não alimentava dúvidas acerca do caráter desserei: o profeta Samuel, que o havia ungido para o ofício real. Em simples ato de obediência, o profeta derramara óleo sobre a cabeça do entãojovem e orara por ele; agindo desse modo, Samuel dera posse ao rei para que reinassesobre a nação. Diferentemente de muitos outros homens, o profeta não estavaimpressionado com o próprio "poder". Ele havia aprendido desde a infância que existesomente uma resposta aceitável à voz de Deus: a obediência pura e simples, semelhanteà da criança. Agora o coração de Samuel também fervia em seu peito, não de ódio, mas deindignação justa. Agora basta! Ele tinha esperado pacientemente, enquanto observava adestruição interna do reino devido à falta de integridade e obediência do rei. Detectou aprofunda insegurança do governante, o esforço doloroso para encontrar apreço esegurança no louvor de seus companheiros. Por causa de Saul, Samuel agonizaraincontáveis noites, em oração e lamentação. Havia jejuado muitos dias, pedindo a Deusque mudasse a atitude do rei e o ajudasse a encontrar segurança na aprovação doSenhor. Tudo isso, porém foi inútil.
  29. 29. Chegou então a Palavra de Deus para o profeta: “Arrependo-me de ter posto Saulcomo rei, pois ele me abandonou e não seguiu as minhas instruções” (1ºSm 15.11). Em breves instantes de terrível confronto, o desastre aconteceu: a autoridade dorei lhe foi arrancada. Ele permaneceu no cargo, mas isso não era garantia de autoridade.O poder, algumas vezes, advém da posição, mas a autoridade advém do caráter, daobediência e da unção de Deus. Um estudo minucioso da vida de Saul revela um padrão determinado, um cicloterrível e inconfundível de inferioridade e emoções feridas... a “síndrome de Saul”. Lemos em 1º Samuel 15.17 que Saul era “pequeno aos seus próprios olhos”. Nãodevemos confundir essa expressão com a verdadeira humildade, uma vez que, se taispalavras de Samuel tivessem esse significado, não haveria a necessidade de afastar Sauldo trono. O que o profeta estava dizendo é que, embora Saul se considerasse inferior emenosprezasse a si próprio, ainda assim continuava responsável por suas más açõesdiante de Deus. Os sentimentos de inferioridade não são desculpa para a desobediência. No capítulo 15 de 1º Samuel temos uma lista das características da personalidadede Saul: ● teimosia e independência: "A rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria (v. 23). ● orgulho: "Saul foi para o Carmelo onde ergueu um monumento em sua própria honra” (v. 12). ● medo do homem: "Pequei. [...] Temi ao povo, e dei ouvidos à sua voz" (v. 24; AEC). ● desobediência: "Por que você não obedeceu ao SENHOR? [...] A obediência é melhor do que o sacrifício" (v. 19,22). Demonstrando de forma simples, a síndrome de Saul tem a seguinteaparência:
  30. 30. Um problema leva a outro. Se não tratarmos nossas feridas à maneirade Deus, elas nos conduzirão à independência de Deus, o que, por sua vez,gera o orgulho. O orgulho diz respeito muito mais ao que as pessoaspensam de nós do que àquilo que Deus pensa de nós, e isso nos leva a termedo do homem. O temor do homem inevitavelmente conduz àdesobediência. Podemos ainda fazer muita coisa por Deus, mas estaremospraticando uma religião de obras mortas. Algumas das pessoas mais feridas que conheço são igualmente maisorgulhosas e independentes. As mágoas emocionais nos tornamextremamente suscetíveis a essa síndrome viciosa, contra a qual ninguém estáimune. Para ajudar a identificar a síndrome de Saul, descrevo algumascaracterísticas que, com freqüência, aparecem em nossa vida cotidiana: 1. Afastamento ou isolamento. A síndrome de Saul nos instiga a afastar-nos de vez das demais pessoas. O afastamento pode tornar-se um meio de encobrir ou justificar nossa recusa em perdoar as pessoas que nos magoaram ou em nos comprometer com aqueles de quem discordamos. 2. Possessividade. É egoísta a mentalidade do tipo "meu ministério", "meu grupo", "minha opinião", "meu emprego" ou "meu lugar na igreja", pois é derivada de uma atitude de independência. A Bíblia ensina que "a rebeldia é como o pecado da feitiçaria" (1 Sm 15.23); tem origem no inferno. Essa atitude de "primeiro eu" é pecado. 3. Mentalidade de "nós contra eles" : Quando somos pegos pela síndrome de Saul, começamos a pensar da perspectiva de "nós" contra "eles", aqueles com quem concordamos contra aqueles de quem discordamos. Esse padrão de
  31. 31. pensamento demonstra que não apenas estamos em desacordo com outras pessoas, mas também as estamos julgando e criando facções na igreja. 4. Manipulação. As pessoas orgulhosas e independentes tentam por vezes manipular os outros, recusando-se a cooperar, exigindo que se faça sua vontade, criticando maldosamente ou julgando sem parar o que os demais estão fazendo. Sem dúvida, espiritualizamos nossas razões, e é esse o motivo pelo qual nossa manipulação pode ser muito mais perigosa. 5. Incapacidade de aprender. A síndrome de Saul faz com que permaneçamos fechados diante de outras pessoas. Recusamo-nos a aceitar a correção e a instrução. Tornamo-nos endurecidos, indiferentes. 6. Atitude crítica e condenatória. Nós a justificamos de muitas maneiras, todavia se resume nisto: desmoralizamos e tratamos com desprezo os motivos dos outros. 7. Impaciência. Consideramos que nosso método é melhor e nos recusamos a esperar por outras pessoas que discordam de nós ou não nos entendem. 8. Desconfiança. A síndrome de Saul resulta em desconfiança. Acusamos os outros de não confiarem em nós, mas muitas vezes se trata de projeção de nossa própria desconfiança. Reflete nossa independência e se relaciona muito mais com nossas necessidades do que com as do próximo. 9. Deslealdade. Essa característica manipula as dúvidas, as feridas ou as necessidades do próximo para recrutá-lo para nosso grupo, ganhando-o para nosso próprio ponto de vista, em vez de procurar edificar a unidade, o amor, o perdão e a reconciliação. 10. Ingratidão. Focalizamos a atenção naquilo que imaginamos que deveria ser feito por nós, em lugar de enfatizar tudo o que já foi feito por nós. 11. Idealismo doentio. Idolatramos um método, um padrão ou um programa e, então, o colocamos acima das pessoas, principalmente aquelas de quem discordamos. Os ideais se tornam mais importantes do que a unidade ou as atitudes corretas. Embora a síndrome de Saul seja, com freqüência, um sintoma desentimentos feridos ou não resolvidos de rejeição, ainda é egoísta e errada.Assim, precisa ser extirpada impiedosamente. Não existe problema deindependência e inferioridade que não possa ser resolvido mediante uma humildademaior, e maior quebrantamento de nossa vida. A Bíblia promete que, quando nos humilharmos, Deus nos concederágraça (Tg 4 . 6 , 7 ) . Temos medo de "humilhação", contudo não é isso oque as Escrituras querem dizer quando falam da necessidade de nos
  32. 32. humilharmos. A verdadeira humildade está ligada à prontidão de sermosconhecidos pelo que somos realmente e de ficarmos ao lado de Deus na lutacontra nosso próprio pecado. A maioria das pessoas nos respeita mais, e nãomenos, quando nos humilhamos e confessamos nossos pecados enecessidades. Acredito que Deus sempre o faz. Se você foi apanhado pela síndrome de Saul, permita-me dizer quejamais se livrará desse mal enquanto não aceitar a responsabilidade dearrepender-se das atitudes erradas. De nada adiantará lançar a culpa dospróprios problemas sobre terceiros, tampouco apresentar desculpas paraseus pecados. Humilhe-se diante de Deus e dos outros. Clame ao Pai emoração fervorosa. Muitos anos atrás percebi esse mesmo padrão em minha própria vida.As profundas inseguranças me doíam, mas eu era também muito orgulhosoe independente. Ansiava aceitação e afirmação, mas de forma algumaconfessaria minha desesperada necessidade de ajuda. Estava obcecado com oque as pessoas pensavam de mim, especialmente os outros líderes. Somenteme livrei da síndrome de Saul quando me humilhei diante dos outros e mearrependi diante de Deus. Fiz um voto a Deus pedindo que ele tratassedesses meus problemas em minha vida muito mais do que desejavaliderança, atenção ou aceitação alheia. Eu chamo esse voto de minha "aliançade José". Certo dia, dediquei um tempo a ficar a sós com Deus, em uma florestada Holanda. Foi quando clamei ao Senhor. Disse ao Pai que queria, a todo ocusto, que ele arrancasse a independência, o orgulho e o temor do homem daminha vida. Também lhe disse que esperaria o tempo necessário para queisso acontecesse, até mesmo doze anos, à semelhança de José do Egito; e eunão queria tomar nenhum "atalho" no processo de endireitar minha vidacom ele. Foi uma oração custosa, mas nunca me arrependi de tê-la feito.Deus me ouviu naquele dia e fez algumas mudanças significativas em minhavida.Libertação do temor das pessoas Jamais seremos verdadeiramente livres para amar a nosso Deus-Pai seestivermos dominados pelo temor das pessoas. A Bíblia diz que o temor dohomem é uma armadilha, um laço. Tornamo-nos prisioneiros do medo,
  33. 33. sempre preocupados com o que os outros pensam, dominados pelas açõesalheias em vez de obedientes à Palavra de Deus. É importante perguntar: você se sente como se estivesse continuamenteolhando para trás, tentando descobrir por que não foi incluído, ou sepreocupa, pensando no que as pessoas falam a seu respeito? Ou ainda: vocêestá escolhendo as próprias ações com base na quantidade de aprovação queobterá de outras pessoas, em vez de agradar a Deus? Se assim for, você estáatado pelo temor do homem. O remédio contra o medo do homem é o temor de Deus! O temorde Deus não é um medo emocional, ou receio da ira divina. A Bíblia define otemor de Deus de modo bem específico. 1. O temor de Deus é o ódio ao pecado. Provérbios 8.13 diz: "Temer o SENHOR é odiar o mal". 2. A amizade e intimidade com Deus são equiparadas ao temor de Deus. Lemos em Salmos 97.10: "Odeiem o mal, vocês que amam o SENHOR"; e em Salmos 25.14: "O SENHOR confia os seus segredos aos que o temem". 3. O temor do Senhor é profundo respeito e reverência para com Deus. Em Salmos 33.8, temos: "Toda a terra tema o SENHOR; tremam diante dele todos os habitantes do mundo". 4. O temor do Senhor é o começo da sabedoria e do conhecimento. Provérbios 1.7 diz: "O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento". O temor do Senhor não se demonstra mediante certa aparência desantidade no rosto da pessoa, nem é detectado em determinado tremor devoz quando se ora. Não é revelado no modo pelo qual a pessoa se vestenem no elevado número de regras a que obedece. Ter o temor do Senhor significa simplesmente amar a Deus, de talmaneira que a pessoa odeie tudo o que ele odeia. Esse tipo de ódio nãonasce de neurose religiosa, tampouco é reflexo da cultura. Ele vem do fatode estarmos tão perto do Senhor, tão afinados com o caráter divino, queamamos o que ele ama e detestamos o que ele detesta. O temor do Senhornão é uma cruzada de ódio, mas uma ira contra o poder destrutivo domal. O temor do Senhor enxerga a crueldade, o engano, a opressão e aforça destruidora do pecado, e o odeia pelo que ele é.
  34. 34. O temor do Senhor não vem à nossa vida ao acaso. Ele habitanosso íntimo porque escolhemos procurá-lo (cf. Pv 1.28,29; 2.1-5) eaceitamos fazer dele nossa prioridade máxima. Ele vem porqueestamos fartos de ser manipulados e controlados pelo temor dohomem, e cansados de ser dominados por nossos medos e inseguranças. Elevem porque clamamos por ele, nós o procuramos e nos desesperamos porele. A síndrome de Saul pode ser quebrada. você pode libertar-se, mas háum preço a pagar. Se você deseja experimentar a cura interior e conhecer oamor do Pai, precisa escolher o temor do Senhor. Provérbios 14.26 diz:"Aquele que teme o SENHOR possui uma fortaleza segura". É a humildadee o temor do Senhor que nos levam à intimidade e à comunhão com ocoração paterno de Deus, proporcionando-nos inteireza e auto-estima.Como Deus cura os corações feridos No capítulo seguinte, fiz uma lista dos passos que você deve tomarpara curar as feridas emocionais e psicológicas. É importante ressaltar quenão é intenção minha fazer com que esses passos sejam vistos como um tipode fórmula mágica ou como um talismã para agitar na face de Deus. Asverdades que cada um desses passos representa devem ser aplicadas à nossavida, à medida que estivermos prontos para elas, com a orientação doEspírito de Deus. (Se você não sabe a maneira de ser guiado pelo Espírito deDeus, peça-lhe que o ajude. Ele prometeu ajudar a todos os que lhepedirem.) Cumpra cada passo da lista e aplique-o pessoalmente à sua situação. Se seus problemas são complexos, você poderá precisar da ajuda de umconselheiro profissional, ou de um psicólogo. Ao final deste livro, vocêencontrará no Apêndice diretrizes sobre como selecionar um conselheiroprofissional ou psicólogo. Você tem o direito de lhes fazer perguntas, antesde permitir que eles as façam a você. Jamais deve se submeter à ajuda ouaconselhamento de um profissional antes de ter a certeza em relação àconfiabilidade, à perícia e à competência dele. Não temos de viver em dor emocional permanente. Por causa doamor que o Pai celestial tem por nós, e porque Jesus sofreu em nosso lugar,
  35. 35. não temos de carregar nossas próprias feridas a vida toda. Podemos receber acura e ser libertos para viver e desfrutar a alegria do imensurável amorpaterno de Deus. No entanto, devemos estar dispostos a pagar o preço.
  36. 36. Guia de estudo (Capítulo 3 - Quando o Coração está Ferido)Leia João 5 e 61. Como nosso egoísmo pode nos separar de Deus-Pai?2. Você acredita que Deus-Pai enviou Jesus Cristo ao mundo para introduzir um ministério de reconciliação, dando um fim definitivo à separação do homem (que inclui você) de Deus-Pai? (V 2Co 5.16-21)3. Você acredita que, por meio de Jesus Cristo, a cura pode substituir as mágoas e que você pode andar em plenitude em vez de ter um coração ferido? Como isso acontece? Enquanto você revê as páginas que tratam da "Síndrome de Saul", reflita seriamente sobre sua própria vida, sua personalidade, seus sentimentos. Considere se há alguma correlação entre você e Saul. É sempre sábio buscar o discernimento de sua esposa ou de um amigo chegado quando fizer isso, pois eles com freqüência vêem coisas em nossa vida que não conseguimos ver (especialmente em relação às perguntas 12 e 13).4. Faça uma lista das áreas de sua vida nas quais você se sente inseguro.
  37. 37. 5. Você tem um coração de servo? Como isso se expressa?6. Você está disposto a se humilhar e a tomar o caminho da simplicidade?7. Você costuma ter acessos de ira descontrolada? Quando?8. Você sofre de melancolia, ou depressão, ou ambos? O que desencadeia tais processos?9. Você se sente impressionado intimamente com sua "autoridade"?10. Seu senso de valor e dignidade depende do elogio de outros? O que acontece se você não recebe esse elogio?11. Você tem mais temor (muito desejo de agradar) a Deus do que ao homem? Em que áreas da sua vida isso é verdade?
  38. 38. 12. Estude as características da personalidade de Saul: inferioridade, estupidez ou independência, orgulho, temor do homem, desobediência. Você reconhece algumas delas em sua vida?13. Descreva as características da síndrome de Saul que você vê em si mesmo. Este é um momento excelente de perguntar a alguém próximo o que está vendo. • afastamento ou isolamento • possessividade • mentalidade de "nós contra eles" • manipulação • incapacidade de aprender • atitude crítica e condenatória • impaciência • desconfiança • deslealdade • ingratidão • idealismo doentio14. Qual a diferença entre "poder" e "autoridade"?15. O que significa para você "temor do Senhor"?16. Como a humildade é definida no texto?
  39. 39. 17. Quais os benefícios de caminhar muito mais no temor de Deus do que no do homem?
  40. 40. 4. Cura proveniente de um Pai amoroso Certa vez encontrei um homem em Madras, na Índia, que megarantiu jamais ter cometido pecado! Em vista de nosso interesse mútuo emassuntos religiosos, a conversa logo se voltou para questões sérias. Quandomencionei o fato de acreditar que Deus perdoa as pessoas que reconhecemos próprios pecados, ele me assegurou que nunca havia feito alguma coisaerrada. — Você nunca mentiu? — perguntei. — Não, nunca — veio a resposta pronta. — Você jamais furtou alguma coisa, nunca odiou a alguém? — Não, nem mesmo uma vez. — Nunca cometeu adultério? — Nunca. — Nunca desobedeceu a seus pais? — Jamais. — Alguma vez "colou" nos exames na escola? — Nunca fiz isso. Fiquei atônito. Em seguida me veio à mente outra pergunta. — Você sente orgulho do fato de jamais haver pecado? — perguntei,de modo travesso. — Ah! Sim, muito orgulho, muito orgulho! — respondeu o homem. — Aí está seu primeiro pecado — disse eu. — Você é um homemorgulhoso! Então ele deu uma risada e me cumprimentou, porque eu o haviaapanhado em seu único pecado! Embora não sejamos tão orgulhosos como aquele homem, todos nóstemos seguido as pegadas de Adão no pecado original. Adão negou a Deuso direito de controlar a vida dele, decidindo que seguiria o próprio caminho.Todos tomamos a mesma decisão. É difícil para nós admitir que também
  41. 41. nos rebelamos contra Deus, negando-lhe o direito de ser o Senhor de nossavida. Sem o reconhecimento desse problema humano, o mais básico detodos (nosso egoísmo), o tratamento de feridas e necessidades em nossavida apenas adia o inevitável. Os analgésicos não podem manter vivo opaciente que morre de câncer. Eles aliviam a dor, o que é importante, maspor que vamos nos fixar em uma solução temporária se existe uma curapermanente para o câncer? Sendo um Pai amoroso, Deus anseia por nos perdoar se tão-somentereconhecermos nosso orgulho e egoísmo e pedirmos a ele que nos perdoe.Deus quer que mantenhamos com ele um relacionamento íntimo, por issodeseja remover todos os empecilhos a essa comunicação. Algumas pessoas pensam que, pelo fato de a Palavra de Deus noschamar de pecadores, Deus está nos rejeitando. Isso não é verdade, de modonenhum. Ele está simplesmente nos ajudando a entender nosso problemamais básico e a forma de vencê-lo. Entretanto, não somos apenas pecadores. Há aqueles que tambémpecam contra nós, quer com intenção maldosa ou por egoísmo, quer semnenhuma intenção — pois ninguém é perfeito. As pessoas fazem coisasque nos magoam profundamente e, quando se comete pecado contra nós,não somos desculpados se reagirmos negativamente. No entanto, ainjustiça que nos infligem, ajuda-nos a compreender a nós mesmos e aspessoas que lutam para reagir da forma correta quando maltratadas ouferidas. Para obter o máximo de cura e de bênção, proponho que você estudeos seguintes passos em oração e gradualmente. Depois de ler cada passo,arranje um tempo para orar e aplicar essa providência em sua vida. Se oprocesso se tornar doloroso demais, peça a um amigo ou a um líderespiritual que o acompanhe nessas etapas. Você deve estar preparadopara sentir dor, se houver feridas vivas. Para que as feridas se curemadequadamente, talvez precisem ser abertas e purificadas de qualquer"infecção" ou amargura que se tenha estabelecido. Embora esse processoseja doloroso por algum tempo, ele lhe trará grande alegria e cura a longoprazo. Ele o libertará para se aproximar ainda mais do coração paterno deDeus.
  42. 42. Como Deus cura nossas feridas emocionaisPrimeiro passo - Reconheça sua necessidade de cura Para a maioria, isso não representa um problema. No entanto, seestamos feridos ou magoados e não reconhecemos nossa necessidade, hápouca oportunidade para cura ou ajuda em nossa vida. Ser capaz deadmitir a necessidade é sinal de boa saúde mental e prova de honestidadepessoal. Todos nós precisamos de cura e crescimento nas emoções e napersonalidade. Não pense que você é exceção. Trata-se de atitude propícia aoaprendizado e à humildade que permitirá o início da cura. Algumas pessoasrelutam, não desejando expor suas necessidades por medo de rejeição.Todavia, o oposto disso é verdadeiro: quando admitimos nossas necessidades,as pessoas nos respeitam mais por causa de nossa honestidade.Provavelmente, todos nos lembramos de uma ocasião ou outra em que nostornamos vulneráveis e, em seguida, fomos feridos por alguém que nãoreagiu a nós com amor ou sabedoria. Contudo, não podemos permitir queessas experiências nos impeçam de receber a cura que Deus desejaconceder. Rejeições do passado não deveriam ter permissão para definirações ou atitudes no futuro. Comece assumindo uma atitude de honestidade com Deus. Ele oconhece intimamente e não vai rejeitá-lo. Na verdade, ele anseia por isso eespera que você seja honesto para que possa receber seu amor e ajuda.Conte-lhe suas feridas, temores, desapontamentos — tudo. Em seguida, abra-se com alguém capaz de ajudá-lo a aplicar essespassos de cura. Escolha um amigo cristão de confiança, que possa orar porvocê e encorajá-lo. Se maltratou algumas pessoas, você precisa ir até elas e acertar ascontas. Isso significa uma parte do que é reconhecer nossas necessidades.Nós o fazemos não afim de sermos perdoados por Deus, mas porque fomosperdoados. O fruto de um relacionamento correto com Deus é o desejo derestabelecer relacionamentos quebrados com outras pessoas. Sobre esse assunto, o famoso teólogo anglicano John Stott apresentaalgumas advertências valiosas. Ele discute o círculo da confissão aberta:pecados secretos, pecados particulares e pecados públicos. Afirma que
  43. 43. somente devemos confessar pecados no nível em que foram cometidos. Seo pecado foi secreto — isto é, um pecado do coração ou da mente quejamais se transformou em ação, ou em palavras — , tal falta precisa serconfessada apenas a Deus. O cristão tem liberdade de partilhar tais coisascom amigos íntimos, ou com crentes piedosos, pelo desejo de ser honesto eresponsável, mas não é obrigado a fazer isso. É ele quem decide se conta talpecado a alguém ou não. Na verdade, somente deveríamos fazer confissãoquando estivéssemos totalmente seguros acerca das pessoas com quemdesejamos partilhar, ou quando achamos que Deus nos está levando aisso de modo específico — e jamais porque nos sentimos sob pressão.Assim mesmo, devemos ser sábios e cuidadosos sobre comocompartilhar. Confessar alguns pecados do coração a outras pessoas poderiasignificar uma grande bobagem. Se a pessoa contra quem você pecou namente nada sabe a respeito de seu pecado, não a sobrecarregue com umfardo seu, a não ser que haja um motivo claro que justifique obenefício dessa decisão. Se você estiver em dúvida, não faça nada até queobtenha aconselhamento maduro. Alguns pecados cometidos em segredo, ou no nível privado denossa vida, são "vergonhosos" pela própria natureza deles. Acredito queprecisamos vislumbrar uma restauração do sentimento de "vergonha”,sobretudo com relação aos pecados de impureza sexual. Se precisarmosp::Jir a alguém que nos perdoe o fato de termos pecado contra essapessoa nessa questão, não necessitaremos entrar em detalhes, tampoucoser imprudentes em nossas palavras. Diga apenas o que precisa ser dito.Confesse que falhou com essa pessoa, ou pecou contra ela, e peça-lheperdão. Isso é suficiente. Uma excelente orientação é a seguinte: em se tratando de pecadosecreto, confesse-o a Deus; caso seja pecado particular, peça perdão àpessoa contra quem pecou; se for pecado público, peça perdão ao grupo. Em resumo, são esses os passos para a cura e inteireza espiritual, noque se refere à honestidade quanto às nossas necessidades: 1. Admita suas necessidades e pecados. A honestidade libera a graça de Deus em nossa vida.
  44. 44. 2. Receba a graça de Deus. A graça é a dádiva de Deus de amor, aceitação e perdão para nós, que nos torna seguros nele. Essa segurança produz fé. 3 . Confie no Senhor e nas pessoas. A fé resulta em confiança e faz com que seja possível manter comunhão íntima com Deus e relacionamento com as pessoas. 4. Estabeleça relacionamentos de coração para coração com Deus e com as pessoas. Esses relacionamentos são possíveis quando nos humilhamos a nós mesmos. Assim, Deus pode canalizar amor e perdão em nós, pessoalmente, e em nossos corações para com os outros. O oposto desse processo leva a mais dor e ferida emocional: 1. Relacionamentos quebrados. Quando os relacionamentos se rompem, achamos muito difícil confiar nas pessoas. 2. Legalismo. Quando nosso relacionamento com outras pessoas está errado, temos a tendência de nos tornar juízes e críticos. Passamos a viver segundo a "lei", e não segundo a graça de Deus. Isso nos leva a desconfiar do próximo. 3. Falta de confiança. Quando não confiamos no próximo, muitas vezes deixamos transparecer essa desconfiança e as pessoas, por sua vez, deixam de confiar em nós. Então, cria-se uma atmosfera de crescente rejeição e vão surgindo muralhas entre nós e os outros. 4. Muralhas. O que as muralhas produzem é separação, o oposto dos relacionamentos de coração para coração. Ao considerarmos a honestidade a respeito de nossas necessidades, éimportante que observemos a diferença entre pecado, ferida e escravidão.Para o pecado é necessário haver perdão, para a ferida deve haver cura, e paraa escravidão espiritual, libertação. Por vezes, precisamos de ajuda nas trêsáreas. Você não deve confessar uma ferida, como se ela fosse um pecado,pois ferida não é pecado. Entretanto, se por conseqüência de ter sidoferido você adquiriu uma atitude ou reação pecaminosa, mesmo que a culpaseja de outras pessoas, Deus ainda o responsabiliza pela reação negativa.Na verdade, Deus não vê a questão como se a outra pessoa fosse 80%culpada e você apenas 20%. Você e a outra pessoa têm culpa e são 100%responsáveis pelas próprias ações. Enquanto você não assumir total
  45. 45. responsabilidade pelas próprias atitudes e ações, a cura é impedida. Porquê? Se sua atitude for de ressentimento, amargura, ou de falta deperdão, a cura e o perdão de Deus são bloqueados. Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial tambémlhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhesperdoará as ofensas (Mt 6.14,15). Nunca é demais ressaltar a importância de reconhecer a necessidadede cura em nossa vida. Já vi muitas pessoas ocupadas, realizando coisas paraDeus, mas cuja atividade estava prejudicada porque precisavam provaralgo a si mesmas, obter aceitação ou vencer alguma forma de insegurançaacerca daquilo que faziam. O trabalho feito para Deus e para outras pessoasdeveria fluir de nossa segurança, de nosso senso de bem-estar, e não de umacompulsão para provar algo a nós mesmos ou por causa de uma necessidadede "ser alguém. Se perseverarmos, seremos capazes de nos aproximar mais emais do nosso Pai amoroso e nos sentiremos bem conosco; teremos maioralegria em nosso trabalho. E nos tornaremos uma bênção maior para asoutras pessoas se dedicarmos tempo a acolher a inteireza e a cura interior.Segundo passo - Confesse as emoções negativas Certas pessoas atravessam a vida colecionando emoções negativas.Muitas delas jamais aprenderam a identificar ou a comunicar ospróprios sentimentos, de modo que acumularam raiva, desapontamentos,medo, amargura, culpa e outros sentimentos negativos desde a mais tenrainfância. Suprimir emoção após emoção é como empurrar uma camada delixo sobre outra em um saco plástico. No final, alguma coisa acaba cedendo.Esse processo de amontoar emoções não identificadas e não comunicadasproduz conseqüências trágicas, que vão desde úlceras até o suicídio.Muitos de nós nunca aprendemos a lidar com nossas dificuldades.Crescemos fisicamente, porém permanecemos emocionalmente imaturos.Construímos e mantemos barreiras emocionais que impedem a açãoconjunta de receber e dar em nossos relacionamentos com as pessoas ecom nosso Pai. Para resolver esse problema, o dr. Phil Blakely observa queprecisamos "descompactar" os sentimentos, isto é, falar dasemoções amontoadas dentro de nós. Para aplicarmos esse conceito, éimportante ter alguém que possa nos ajudar a expor nossos sentimentos. Para
  46. 46. os cristãos, esse processo devia iniciar-se com a oração. Se Jesus não for apessoa a quem nos dirigimos antes e acima de todas as demais, jamaisseremos curados. Ele é o Criador e deseja que lhe contemos nossossentimentos porque nos ama profundamente. Em seguida, devemos também falar com outras pessoas. É importantedesenvolver amizades com quem permita que sejamos nós mesmos, mas quenos ame suficientemente para nos desafiar quando estivermos errados. Falar de nossas emoções em si mesmo não é uma panacéia. Acomunicação dos sentimentos simplesmente esclarece os canais mentais demodo que as raízes desses problemas possam ser tratadas. O ato departilhar emoções carregadas de culpa não significa que já tratamos dascausas da culpa. É nesse ponto que a psicologia relativista se desmantela.Fazer com que as pessoas exprimam livremente sentimentos de culpa podelevá-las a se sentir melhor, contudo, se não aceitarem por fim aresponsabilidade de terem violado a lei moral de Deus, os sentimentos deculpa voltarão — a não ser que, naturalmente, a pessoa neutralize aconsciência e perca toda a capacidade de sentir. Embora as emoções, por si próprias, não sejam forçosamentepecaminosas, se forem dirigidas de maneira negativa em relação a Deus, anós mesmos e ao próximo, podem resultar em reações pecaminosas. É porisso que precisamos de padrões bíblicos, a fim de avaliar se nossas atitudes setornaram pecaminosas. E sendo esse o caso, então, devemos tratá-las comoerradas e doentias. A intenção de Deus nunca foi que vivêssemos pelos sentimentos, ouem função deles. Alguns pautam sua vida pela máxima que diz que é bomaquilo que sentem ser bom, e é ruim o que sentem ser ruim. Trata-se deexcelente existencialismo, mas não é o cristianismo bíblico. Devemos viverde acordo com a verdade revelada na Bíblia, e não conforme os palpitesditados pelos sentimentos. Deus nos concedeu a capacidade de sentiremoções, e a intenção dele era que fossem um encorajamento para a tomadade decisões corretas. Quando não vivemos de acordo com as leis divinas,adquirimos a tendência de torcer as intenções originais de Deus comrelação às emoções, usando-as para reforçar um estilo de vida baseado noprazer e no egoísmo. Existem pessoas totalmente governadas pelas própriasemoções, e há outras que nem sequer percebem que guardam sentimentosmais profundos. Estas suprimiram os sentimentos a ponto de julgarem seratitude "cristã" jamais demonstrar emoção alguma. Tal atitude não indica
  47. 47. maturidade nem "espiritualidade". Deus nos criou para levarmos uma vidaequilibrada, na qual expressamos emoções e as desfrutamos, e somos livrespara analisá-las honesta e construtivamente. Maridos, pais de família e líderes espirituais podem ser de grandeajuda, encorajando as famílias e congregações a partilhar suas emoçõeslivremente. Nosso desejo de levar outros a crescer espiritualmente pode serinútil, e até danoso, caso as pessoas que lideramos não recebam esseprivilégio. Ao criarmos espaço para que as pessoas ao nosso redor sejamhonestas, podemos conduzi-Ias a Deus de modo que usufruam umrelacionamento mais profundo com ele. Passarão a confiar mais em nós eperceberão nosso sincero comprometimento para com elas, o que, por suavez, nos dará maior liberdade para falar de maneira franca sobre osproblemas delas. Onde não desfrutamos de confiança, não temos autoridade. Aopermitirmos às pessoas a oportunidade de serem honestas, estamosconcedendo "graça". Isso faz com que elas se sintam seguras ao demonstrarhonestidade não apenas quanto às suas emoções, mas também quanto às suasnecessidades. Se aqueles a quem lideramos manifestam séria desconfiançade outras pessoas, especialmente aquelas ligadas à autoridade, é bempossível que jamais tenham aprendido a expressar os sentimentos comhonestidade, em uma atmosfera de amor e aceitação. Certa tarde, minha esposa Sally estava partilhando suas frustraçõescom relação a problemas pessoais. Logo comecei a lhe dar conselhos. Nuncavou me esquecer da resposta dela: Eu não o procurei para ouvir um sermão. Eu sei o que devo fazer. Quando você prega para mim, sinto-me como se você não estivesse ouvindo, nem tivesse interesse por mim. Preciso de alguém que me ouça. Se não posso falar com você, com quem vou falar então? Naquele mesmo dia decidi que queria ser o tipo de marido que dátotal liberdade e segurança à esposa (e a outras pessoas também) para quepartilhe as emoções comigo sem nenhum temor de julgamento, sermão ourepreensão.
  48. 48. Para quebrar o ciclo de repressão emocional e desconfiança, peça aDeus que lhe dê a oportunidade de falar com uma figura deautoridade, a qual o encoraje a ser honesto acerca de seus sentimentos. Além disso, perdoe aqueles que no passado não lhe concederam aliberdade de proceder assim. A motivação para partilhar sentimentos nãodevia ser a de persuadir o interlocutor a aceitar seu ponto de vista, mas serhonesto. Todavia, a honestidade não é uma finalidade em si mesma. Suahonestidade deve surgir do desejo de confessar emoções negativas, para quevenha a se tornar a pessoa que Deus quer que você seja. Se já fomos magoados por figuras de autoridade, ou se discordamosdelas, é nossa responsabilidade orar antes de confrontá-las. Se depois daoração ainda não compreendermos à decisão que tomaram, então deveremospedir-lhes que a esclareça, que nos façam entender seu ponto de vista.Temos a liberdade de discordar de uma pessoa investida de liderança, masprecisamos tomar o cuidado de não permitir que esse desacordo influencienossa atitude para com ela. Podemos discordar sem nos tornar juízes e semquebrar a comunhão. Não é necessário que a desunião domine por causa dadivergência. O desacordo construtivo é sadio, a não ser quando abrecaminho para as críticas ou o julgamento, pois assim, pode ocorrer a divisão.Todos os problemas de desunião podem ser resolvidos mediante maiorhumildade e perdão. Deus está interessado na atitude que acolhemosno coração e também em nos ajudar a crescer, desde que estejamosabertos e honestos acerca de nossas emoções.Terceiro passo - Perdoe aqueles que o magoaram O perdão não é meramente esquecimento do mal que alguém praticoucontra nós. Tampouco representa um tipo de sentimento espiritual místico. Ésimplesmente perdoar a pessoa pelo mal que cometeu. Significa dar-lhenosso amor e aceitação, apesar de estarmos feridos. O perdão muitas vezesé um processo; raramente é um ato único. Continuamos a perdoar até que ador desapareça. Quanto maior a ferida, maior o perdão. Assim como omédico precisa manter os ferimentos físicos livres de infecção, para quepossam atingir a cura, também devemos manter as feridas emocionaislimpas, isentas de amargura, para que possam ser saradas. O perdão é o anti-séptico das feridas emocionais. Tantas vezes quantas forem preciso, sempreque você pensar em determinada pessoa e sentir-se magoado, perdoe. Diga
  49. 49. ao Senhor que perdoa a essa pessoa e decida que vai amá-la com o amor quevem de Deus. Receba o amor divino por essa pessoa mediante a fé.Proceda assim toda vez que você pensar nela, até sentir que a perdoouverdadeiramente. O perdão divino concedidoa nós deve igualmente servir demotivação para perdoarmos. Se você considera difícil perdoar a alguém,pense no quanto Deus lhe perdoou. Se isso não lhe parecer muito, entãopeça que Deus lhe revele sua vida como ele a vê. O Senhor atenderá à suaoração se clamar a ele com sinceridade.Quarto passo - Receba perdão Se você foi magoado por algumas pessoas e pecou ao reagir a elas,não apenas é fundamental que perdoe a quem o prejudicou, mas tambémque peça perdão a Deus pelas reações erradas contra tais pessoas. Ao fazerisso, você poderá descobrir a necessidade de perdoar a si mesmo. Háocasiões em que nosso maior inimigo é o próprio senso de fracasso.Podemos ser muito mais duros conosco do que com os outros. Se vocêfalhou, derrame seu sentimento de fracasso diante do Senhor em oração,confesse seu pecado e diga-lhe que acolherá o perdão divino e perdoará asi próprio também. Toda vez que sentir a volta desse senso de fracasso,agradeça ao Senhor o seu perdão. Há diferença entre convicção de pecado e condenação. A condenaçãotem origem no sentimento de fracasso. A convicção resulta do pecado.A convicção é específica, clara, vem de Deus; a condenação é vaga, genérica,vem de nós mesmos ou de Satanás. Se você imagina que pecou, mas nãotem certeza, peça a Deus convicção. Sendo o Pai amoroso, ele odisciplinará. Se a convicção não vier enquanto você espera na suapresença em oração, agradeça-lhe o seu amor e perdão e prossiga com astarefas do dia. Permaneça aberto diante de Deus, contando a ele as atitudeserradas, mas não se deixe paralisar pela conduta introspectiva. Não chafurdeno lodo da autopiedade. É destrutivo demais. Se você alimenta atitudes erradas contra alguém que o magoou, éfundamental confessá-las a Deus. Todavia, tome cuidado, pois aautopiedade pode ser a dissimulação do verdadeiro arrependimento.Lidar com nosso papel na questão, muitas vezes, libera o Espírito deDeus para operar no coração de outras pessoas. Mesmo que isso não
  50. 50. aconteça, ainda é responsabilidade nossa manter a vida correta diante deDeus. Se você se tornar crítico, duro no coração, ciumento,independente, orgulhoso e amargo, então precisará enfrentar as própriasreações. À medida que se humilha diante de Deus, ele o perdoa e lheconcede a cura das feridas. Existe cura pelo perdão!Quinto passo - Receba o amor do Pai Há um vazio em nossa vida que só pode ser preenchido pelo próprioDeus. Quando pecamos e pedimos perdão, ou quando combatemos ainsegurança ou a inferioridade, existe uma possibilidade de que esse vazionão esteja preenchido. Nessas situações, peça a Deus que o preencha comseu Espírito, até transbordar. Mantenha-se livre do egoísmo, concentrando-seem Deus. Sempre é bom enfatizar este passo no processo curativo, afinal aautopiedade e o egoísmo entristecem o Espírito Santo. Concentre os pensamentos e as orações no caráter de Deus e nosdiferentes aspectos do seu coração paterno. Adore a Deus: fale com ele,cante para ele, pense nele. Medite na fidelidade, na santidade, na pureza, nacompaixão, na misericórdia e no perdão divinos. De importância vital no recebimento do amor do Pai, odesenvolvimento de uma atitude de adoração deve ser cultivado comouma conduta acima de qualquer outra. Memorize os versículos ou hinos quevocê pode usar como armas no combate à solidão ou ao desânimo. A portaque conduz à presença do Pai é a adoração — ela nos leva para longe dadepressão e da autopiedade. Alguns dizem que não conseguem adorar aDeus quando não sentem vontade de fazê-lo, pois consideram que esse tipode adoração é hipocrisia. Minha resposta a isso é que não adoramos a Deuspor causa de nossos sentimentos, mas em virtude de quem ele é. Comfreqüência adoro a Deus a despeito de meus sentimentos. Não quero serprisioneiro deles, por isso louvo a Deus de qualquer maneira. Se me sintodesanimado, tento honestamente exprimir esses sentimentos, mas emseguida prossigo, concentrando-me em quem é Deus, e não como me sinto. Você quer receber o amor do Pai? Então passe algum tempo napresença dele. Recebemos um banho do seu amor cada vez quepassamos algum tempo com ele, dando-lhe alguma coisa. O que é quepodemos dar a Deus? Por meio de nossas palavras e pensamentos,podemos lhe oferecer honra, adoração, atenção, louvor e culto. Caso
  51. 51. isso seja uma dificuldade para você, leia a Bíblia e destaque as passagensque falam especificamente do caráter de Deus. Um bom lugar paracomeçar é o livro de Salmos. Ore e cante essas passagens ao Pai nosmomentos de devoção pessoal. Quando estiver praticando o louvordiariamente, você saberá que está crescendo mais e mais no amor deDeus. Sentirá a presença de Deus intimamente, em resposta às suaspalavras de louvor. Não fique surpreso se durante o dia o Senhor lhedirigir palavras de apreço, aprovação e amor. Ele tem prazer em amar aseus filhos!Sexto passo - Pense os pensamentos de Deus Ao reagirmos às injustiças sofridas, sobretudo quando crianças,criamos hábitos destrutivos de pensamento acerca de nós mesmos. Porexemplo, se seus pais eram exigentes e perfeccionistas, muitas vezes vocêtalvez não tenha conseguido atingir as expectativas que elesalimentavam a seu respeito. Os adultos que tiveram esse tipo deformação, não raro, "programam-se a si mesmos" para o fracasso. Aodeterminarem previamente que fracassarão, tentam se proteger dodesapontamento. Infelizmente, tais profecias com freqüênciacumprem-se por si mesmas. Esses padrões negativos de pensamentoraramente são exatos e se baseiam na rejeição e no medo. Sepensarmos que somos feios, não apenas sentiremos nossa feiúra, mastambém agirmos de acordo com ela. As Sagradas Escrituras dizem que devemos amar a Deus de todo onosso coração, alma, mente e corpo, e ao próximo como a nós mesmos(cf. Lv 19.18; Mt 19.19). Deus deseja que amemos a nós mesmos, nãoegoisticamente, mas com o seu amor. O Senhor deseja que pensemos os seuspensamentos — de bondade, estima, respeito e confiança — em relação anós mesmos. Se você tem padrões negativos de pensamento a seu respeito,sugiro que pare com isso agora mesmo e, em seguida, escreva em umafolha de papel os dois ou três modos de pensamentos negativos maiscomuns para você. Feito isso, escreva os pensamentos de Deus para comvocê, baseados no caráter divino, que são o oposto de seus pensamentosnegativos. Por exemplo, se você se imagina sendo sempre um fracasso,escreva o seguinte: "Sou bom em .................................." e preencha
  52. 52. o espaço em branco com a coisa que sabe fazer bem. Escreva também aquiloque a Bíblia diz a respeito dessa área de sua vida. Por exemplo: "Tudo possonaquele que me fortalece" (Fp 4.13). Cada vez que você começar a pensarnessa coisa negativa, pare e mencione o pensamento positivo,acompanhado de uma passagem bíblica. Três semanas é o tempo exigidopara quebrar um mau hábito e substituí-lo por um hábito bom. Continue arepetir para si mesmo a verdade, até que tenha rompido o padrão negativode pensamento. Não se renda a mentiras e pensamentos condenatórios. Persevere.Com a ajuda de Deus você pode se superar! Clame ao Senhor cada vez quefalhar. Depois, recomece tudo outra vez. Você já reparou quantas vezes Deusrepete uma verdade quando está tentando encorajar alguém? No primeirocapítulo de Josué, Deus disse quatro vezes a ele que não tivesse medo. Porquê? Porque Josué precisava ser lembrado a pensar os pensamentos de Deussobre ele próprio. Josué se preparava para entrar em combate e carecia desseincentivo. Tenho certeza de que ele repetiu as palavras do Senhor, muitas emuitas vezes. A causa mais comum da depressão é ter pensamentos depreciativos econdenatórios, ou de reprovação, com relação a nós mesmos. Para romper ociclo de depressão, devemos seguir os passos sugeridos aqui e, em seguida,decidir que nunca mais nos entregaremos à autocensura! A fim de quebraro costume de pensar negativamente, devemos pensar os pensamentos deDeus. O mesmo princípio se aplica às reações que vão além de merospensamentos e se transformam em ações. Se você detectar alguns"padrões de reação" negativos, defensivos ou egoístas na vida, escreva-os. Aolado deles escreva como Deus deseja que você responda em situaçõesameaçadoras que o tornam defensivo. Ao se perceber agindo de modonegativo ou egoísta, você deve parar e orar. Depois, escolha o modo peloqual Deus quer que você reaja. Peça ao Senhor que o torne capaz de pôr esses pensamentos eescolhas em ação. Quando falhar, peça o seu perdão e prossiga. Se o diabodisser que você "fracassou outra vez", concorde com ele, mas diga-lheque se recusa a lamentar! Aceite a responsabilidade do fracasso, peçao perdão ou a ajuda de Deus e prossiga! Trabalhe no problema atéestabelecer novos hábitos. Lembre-se de que foram anos paradesenvolver hábitos negativos, portanto não desista: isso porque em
  53. 53. algumas semanas ou meses você pode substituí-los pelos padrões de Deus.Comece com um ou dois hábitos de cada vez, então passe para os outros. Sefizermos o possível, Deus fará o impossível para nós.Sétimo passo - Persevere A conclusão é 90% do sucesso! A Bíblia diz: "Se perseveramos, comele também reinaremos. Se o negamos, ele também nos negará" (2Tm2.12). A perseverança apresenta dois aspectos. Se de um lado significacompromisso de nossa parte de não desistir, ou determinação emterminar a tarefa, por outro lado, diz respeito à capacidade da parte deDeus. Ele nos concede a graça de terminarmos aquilo que nos chamou arealizar. As suas ordens são também a sua promessa de vitória. Às vezes, você pode pensar que é impossível perseverar até o fim.Pode ser que tenha razão! Contudo, chegando ao término daquilo que épossível para nós, podemos então ver Deus fazer o impossível. A fé aindanão foi exercida enquanto não cremos em Deus para o impossível. Nãoprecisamos de fé para fazer o possível. Assim, se você estiver enfrentandosituações impossíveis na vida, dê graças a Deus, pois agora pode começara praticar a fé. Por que a perseverança representa um passo no processo curativo deDeus em nossa vida? Porque desistir é o que nos torna vulneráveis asentimentos de rejeição, raiva, mágoa, ressentimento, luxúria, desconfiança,ou o que for que esteja nos infectando. Por vezes queremos que Deusrealize um milagre e desfaça todos os nossos problemas, agora mesmo.No entanto, nosso Pai nos está conduzindo em um processo que nosprepara para reinar com ele. Visto que deseja nos moldar e refinar, elepermite que experimentemos tentações que nos forçam a fazer escolhas. É como diz minha amiga Joy Dawson: "O importante é comovocê termina!". Diz o apóstolo Paulo em sua primeira carta aoscoríntios: Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos
  54. 54. para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado (1Co 9.24-27). Fracassaremos ao longo do caminho; contudo, se confessarmosnossos pecados, desviando-nos deles, e mediante a fé decidirmos rejeitá-los,receberemos o perdão de Deus e um novo começo. Ele é o Deus dos novoscomeços. Nossa parte é nos humilhar e nos desviar do pecado e do fracasso; aparte de Deus é perdoar e conceder novo começo. Ele tem prazer em fazer isso,pois é o nosso Pai e um Deus de amor. Ele está trabalhando em você. A luta faz parte do processo curativovitorioso. Você aprende lições valiosíssimas: humildade, perdão,compaixão e perseverança. Prossiga. Estamos em plena guerra, mas do ladovitorioso! Jesus é o vencedor! "Estou convencido de que aquele quecomeçou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus."(Fp 1.6) Deus está procurando pessoas que cumprirão as suas intençõesoriginais, ou seja, o propósito para o qual ele criou a humanidade. Eledeseja ter amizade conosco. E o Senhor não quer essa amizade apenascom um pequeno grupo de indivíduos egoístas; o seu propósito é unir emuma única família todos os que o amam. Assim, sempre que as pessoasamam a Deus, ele as reúne para desfrutar a sua profunda amizade, cuidadoe apoio mútuos, celebrando também o amor, o perdão e a inteireza decaráter que ele lhes concedeu. O plano divino é que essa "unidade familiar"seja a igreja.A família do Pai Além dos passos que podemos cumprir como indivíduos, a "famíliado Pai" é igualmente um canal do seu amor e cura para as pessoasferidas. À medida que amamos, aceitamos e perdoamos uns aos outros, comoirmãos em Cristo, o amor de Deus flui através de nós para que nos curemosmutuamente. Por intermédio de nossos irmãos na família de Deus, ele

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