parâmetros espectrais da voz

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parâmetros espectrais da voz

  1. 1. 820 PARÂMETROS ESPECTRAIS DA VOZ EM CRIANÇAS RESPIRADORAS ORAIS Spectral parameters on voices of mouth-breathing children Danieli Viegas (1), Flávia Viegas (2), Ciríaco Cristovão Tavares Atherino (3), Heidi Elisabeth Baeck (4) RESUMO Objetivo: investigar parâmetros espectrais (f0 e formantes) descritivos da voz de crianças respirado- ras orais, visando contribuir na caracterização desta população e, consequentemente, na efetividade do diagnóstico. Métodos: foram selecionadas 50 crianças respiradoras orais e 101 crianças com respiração nasal de ambos os gêneros entre cinco e dez anos. Os sinais de fala foram obtidos a partir das gravações de sentenças-veículo e os segmentos das vogais orais [a], [i] e [u] do português falado no Brasil em posição tônica foram selecionados para a estimação da frequência fundamental (f0) e da frequência dos três primeiros formantes (F1, F2 e F3). O software Praat foi utilizado para gravar, recortar e processar os sinais. Resultados: a frequência fundamental das vogais [i] e [u] apresentou- se menor nos respiradores orais, enquanto que a frequência de F1 da vogal [u] foi mais elevada no mesmo grupo. Conclusão: a partir dos resultados expostos, concluiu-se que a frequência fundamen- tal consiste em um parâmetro vocal que auxilia na diferenciação de crianças respiradores orais e res- piradoras nasais, contribuindo, desta forma para uma caracterização mais efetiva do respirador oral. DESCRITORES: Respiração Oral; Voz; Processamento de Sinais Assistido por Computador; Criança; Acústica da Fala„„ INTRODUÇÃO prejuízos na postura corporal e, em especial, na morfologia craniofacial 4-7. Autores referem que o A Síndrome da Respiração Oral (SRO) vem grau de comprometimento dos diversos compo-sendo descrita como um dos mais preocupantes nentes estruturais irá depender, além da predis-problemas de saúde pública 1,2 que acomete a posição genética, da idade e do tempo em que apopulação infantil 3. No momento em que o padrão respiração oral persiste 2,8-11. A primeira décadarespiratório nasal é inadequadamente substituído de vida foi apontada como sendo o período maispor um padrão oral ou oronasal podem ocorrer susceptível, no qual podem ocorrer mudanças consideráveis na morfologia craniofacial 9,12. Assim sendo, o restabelecimento mais breve possível da(1) Fonoaudióloga da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, PCRJ, Rio de Janeiro, RJ; Mestre em Fonoaudiologia pela respiração nasal é imprescindível para prevenir ou Universidade Veiga de Almeida. minimizar os efeitos deletérios causados pela respi-(2) Fonoaudióloga da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, ração oral 10. PCRJ, Rio de Janeiro, RJ; Mestre em Fonoaudiologia pela Diversas formas têm sido buscadas para Universidade Veiga de Almeida. descrever o respirador oral em toda sua complexi-(3) Médico; Professor Adjunto do Mestrado Profissionalizante dade, gerando um conhecimento multifacetado no em Fonoaudiologia da Universidade Veiga de Almeida, UVA, Rio de Janeiro, RJ; Professor Adjunto da disciplina que se refere aos aspectos que caracterizam este de Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas modo de respiração. Alguns pesquisadores base- da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, UERJ, Rio aram o diagnóstico da respiração oral na avaliação de Janeiro, RJ; Doutor em Otorrinolaringologia pela Facul- otorrinolaringológica 6,12-14, outros em testes especí- dade de Medicina da Universidade de São Paulo. ficos como o ‘espelho de Glatzel’ e o ‘preenchimento(4) Fonoaudióloga; Professora Adjunta do Mestrado Profis- sionalizante em Fonoaudiologia da Universidade Veiga de da cavidade oral com água’ 1,2,11, porém grande Almeida, UVA, Rio de Janeiro, RJ; Doutora em Engenharia parte dos estudos caracterizou o respirador oral a Biomédica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. partir de seus sinais e sintomas 9,10,15,16. É possívelConflito de interesses: inexistente observar que as pesquisas que abordam os sinaisRev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  2. 2. Parâmetros vocais em respiradores orais  821e sintomas do respirador oral caminham na mesma „„ MÉTODOSdireção, investigando prioritariamente alteraçõesestruturais e funcionais do sistema estomatogná- A amostra foi constituída por 453 segmentostico. Mesmo entre os estudos mais recentes 7,10,14-17 vocais (três segmentos por criança) de 151 criançasobservam-se descrições de sinais e sintomas rela- entre cinco e dez anos, sendo 50 crianças respira-cionados prioritariamente à motricidade orofacial do doras orais e 101 crianças com respiração nasalrespirador oral. Disfonias vêm sendo mencionadas (grupo controle), selecionadas por uma sequênciapor alguns autores como parte do quadro, porém de procedimentos (pré-seleção e seleção propria-não têm sido amplamente investigadas. mente dita). Recentemente, um estudo que pretendeu O número de sujeitos no grupo de respiradoresrealizar uma extensa revisão teórica sobre respi- orais foi distribuído por faixa etária e gênero daração oral e disfonia concluiu que o tema é escasso, seguinte forma: 10 crianças entre 5 anos e 5 anos ecom poucos artigos que exploram a correlação 11 meses, sendo 2 meninas e 8 meninos; 9 criançassistemática entre as duas patologias 18. Dentre os entre 6 anos e 6 anos e 11 meses, 2 meninas e 7poucos estudos encontrados na literatura, grande meninos; 15 crianças entre 7 anos e 7 anos e 11parte é relativamente atual, publicado após o ano meses, 4 meninas e 11 meninos; 8 crianças entre2000 19-24. Em alguns trabalhos a investigação da 8 anos e 8 anos e 11 meses, sendo 2 meninas equalidade vocal foi baseada em dados de anamnese 6 meninos; 6 crianças entre 9 anos e 9 anos e 11e avaliações perceptivo-auditivas 19,21,22,24 enquanto meses, todas do gênero masculino e 2 criançasque em outros, a mesma foi baseada em análises entre 10 anos e 10 anos e 11 meses, ambas doespectrográficas 20,23. De forma geral, o objeto de gênero feminino. O grupo controle foi pareado aopesquisa dos autores citados anteriormente não foi grupo de respiradores orais em gênero e idade.a “respiração oral/nasal” propriamente dita, e sim Detalhes dos procedimentos de composição dasituações análogas promovidas por alergias respi- amostra encontram-se relatados a seguir.ratórias 19,22,24, obstrução nasal 23 e patologias como Crianças com suspeita de respiração oral foramhipertrofia de tonsilas palatinas 20. A presença de pré-selecionadas nos setores de pediatria e odon-rouquidão, hiponasalidade, alterações da voz ao tologia de um Posto de Saúde da cidade do Riolongo do dia e voz fraca foram mencionadas como de Janeiro seguindo os critérios: a) ter idade entrecaracterísticas nos quadros de rinite alérgica em cinco e dez anos e b) apresentar frequentementeadultos 19 e em crianças 22. A alergia respiratória duas ou mais das seguintes queixas respiratórias: congestão nasal, respirar pela boca durante o diatambém foi apontada como um fator de risco para e/ou noite, roncos, sialorréia noturna, respiraçãosintomas vocais, pois pode causar muco excessivo ruidosa durante o repouso e, cansaço frequente aoe edema nas pregas vocais 24. Dois estudos interna- realizar atividades físicas.cionais investigaram a qualidade vocal de adultosutilizando a análise acústica, antes e após a reali- A pré-seleção de crianças respiradoras nasaiszação de um procedimento (tonsilectomia e uso de foi realizada por professores de duas escolas, seguindo os critérios: a) ter idade entre cinco e dezdescongestionante nasal), situações que corres- anos e b) não apresentar as queixas respiratóriasponderiam à respiração oral e nasal, respectiva- descritas anteriormente. Os professores distribu-mente 20,23. Os resultados apontaram que não houve íram um questionário aos pais (Figura 1), orien-diferença significante na qualidade vocal nas duas tando-os a devolvê-lo preenchido no prazo de umasituações. O único trabalho encontrado na litera- semana. Foram distribuídos 170 questionários,tura, que investigou especificamente respiradores porém somente 132 foram devolvidos aos profes-orais infantis, utilizou análise perceptivo-auditiva e sores. Dos questionários devolvidos, dez apresen-apontou diferenças na qualidade vocal de acordo taram erros na marcação das respostas, como:com a etiologia da respiração oral 21. duas respostas assinaladas para o mesmo item A carência de dados na literatura evidencia a ou item sem marcação. As 122 crianças restantesnecessidade de estudos que investiguem de forma passaram para a fase de seleção.abrangente e aprofundada os parâmetros vocais As crianças pré-selecionadas tanto pelosem respiradores orais. Desta forma, o presente professores quanto pelos médicos e odontólogosestudo teve por objetivo investigar medidas acús- foram encaminhadas ao setor de fonoaudiologiaticas vocais (frequência fundamental e frequência do referido posto de saúde, onde foram subme-dos três primeiros formantes) em crianças respira- tidas aos seguintes procedimentos, que resultaramdoras orais, na faixa de cinco a dez anos, visando na inclusão ou não na amostra: 1) entrevista comcontribuir para a caracterização desta população e, os pais (Figura 1); 2) teste de água na boca; 3)consequentemente, na efetividade do diagnóstico. avaliação orofacial (apenas para as crianças com Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  3. 3. 822  Viegas D, Viegas F, Atherino CCT, Baeck HE ENTREVISTA DIRECIONADA A QUEIXAS RESPIRATÓRIAS: Nome: _________________________________________________________ DN: _______________ idade atual: _____________ Data: ________________ 1 – Seu filho fica com o nariz entupido frequentemente? ( ) sim ( ) não 2 – Seu filho respira com a boca aberta durante o dia? ( ) sim ( ) não 3 – Quando seu filho respira você nota algum ruído? ( ) sim ( ) não 4 – Seu filho dorme de boca aberta? ( ) sim ( ) não 5 – Seu filho baba durante a noite? ( ) sim ( ) não 6 – Seu filho ronca? ( ) sim ( ) não 7 – Seu filho realiza alguma atividade física? ( ) sim ( ) não Qual? __________________________ 8 – Seu filho se cansa ao realizar exercícios físicos? ( ) sim ( ) nãoFigura 1 – Entrevista com os pais direcionada a queixas respiratóriassuspeita de respiração oral) (Figura 2). A entrevista incluídas no grupo controle apenas as crianças quedirecionada a queixas respiratórias teve o objetivo não apresentaram queixas respiratórias, que conse-de confirmar ou descartar as referidas queixas e guiram manter a água na boca por três minutossua frequência. No teste de água na boca a criança e que apresentaram faixa etária e gênero equiva-foi orientada a manter um gole de água na cavidade lentes ao grupo de respiradores orais, totalizandooral por três minutos 1,2, com o objetivo de verificar 101 crianças.a capacidade de manutenção da respiração nasal. Na amostra de respiradores orais foram incluídasO protocolo de avaliação orofacial consiste em um crianças cuja presença e frequência dos sintomasconjunto de observações clínicas das estruturas respiratórios foram confirmadas na entrevista, alémdos órgãos fonoarticulatórios, sendo que o utilizadona presente pesquisa foi anteriormente aplicado em de não conseguirem manter um gole de água narespiradores orais em estudo científico realizado boca por três minutos e apresentarem um escore ≥pelas duas primeiras autoras deste estudo10. Tal 12 na avaliação orofacial. Da amostra inicial de 61protocolo consistiu em uma adaptação do protocolo crianças que apresentavam duas ou mais queixasproposto por uma importante pesquisadora na área respiratórias frequentemente, 11 crianças foramde motricidade oral 15. A partir desse protocolo foi excluídas por terem passado no teste de água nacriado um escore no qual foi atribuído peso (valor) boca, permanecendo mais do que três minutos com1 às respostas que caracterizam o respirador oral água na cavidade oral e/ou apresentarem escoree não foi atribuído valor às características corres- < que 12 na avaliação orofacial. Durante a fase depondentes à normalidade (Figura 3). Das 122 seleção, os responsáveis pelas crianças assinaramcrianças pré-selecionadas pelos professores, foram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  4. 4. Parâmetros vocais em respiradores orais  823 PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO OROFACIAL Proposto por Andrade e col. (2005)10 Nome: _________________________________________________________________ Encaminhado por: ________________________________________________________ Idade: _____anos e _____ meses Data de nascimento: ____/____/____ Data da avaliação: _____/____/_____ Endereço: __________________________________________ Telefone: ____________ EXAME CLÍNICO DOS ÓRGÃOS FONOARTICULATÓRIOS: 1. LÁBIOS: 1.1 - Postura habitual: ( ) abertos ( ) entreabertos 1.2 - Lábio superior (espessura): ( ) normal ( ) fino ( ) grosso 1.3 - Presença de eversão: ( ) sim ( ) não 1.4 - Lábio inferior (espessura): ( ) normal ( ) fino ( ) grosso 1.5 - Presença de eversão: ( ) sim ( ) não 1.6 - Tônus do lábio superior: ( ) normal ( ) rígido ( ) flácido 1.7 - Tônus do lábio inferior ( ) normal ( ) rígido ( ) flácido 2. BOCHECHAS: 2.1 - Altura das bochechas: ( ) mesma altura ( ) alturas diferentes 2.2 - Volume das bochechas: ( ) mesmo volume ( ) volumes diferentes 2.3 - Tônus da bochecha D: ( ) normal ( ) rígido ( ) flácido 2.4 - Tônus da bochecha E: ( ) normal ( ) rígido ( ) flácido 3. MÚSCULO MENTUAL: 3.1 - Tônus: ( ) normal ( ) rígido ( ) flácido 4. MANDÍBULA: 4.1 - Postura de repouso mandibular: ( ) normal ( ) aberta ( ) desviada para D ( ) desviada para E 5. LÍNGUA: 5.1 - Tensão: ( ) normal ( ) aumentada ( ) diminuída 6. PALATO: 6.1 - Duro: ( ) normal ( ) atrésico ( ) largo ( ) estreitado ( ) baixo ( ) altoFigura 2 – Avaliação Orofacial Embora os participantes de ambos os grupos Tal manipulação foi realizada com o objetivo detenham sidos selecionados por conveniência, a controlar o efeito destas variáveis e obter resultadosdefinição final da amostra que compôs o grupo mais consistentes na estimação dos parâmetros decontrole foi manipulada, de forma que este grupo interesse do presente estudo.fosse pareado ao de respiradores orais por gênero Os sinais de fala foram obtidos a partir de grava-e idade. Para cada respirador oral, foram inclu- ções de sentenças-veículo “Fale____ para mim”,ídos pelo menos dois participantes com respi- preenchidas com os vocábulos “pápa”, “pípi” eração nasal de gênero e faixa etária equivalentes. “púpu”, de forma a obter segmentos das três vogais Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  5. 5. 824  Viegas D, Viegas F, Atherino CCT, Baeck HE PONTUAÇÃO ATRIBUÍDA AOS ITENS OROFACIAIS Item 1: 1.1 – abertos = 1 entreabertos = 1 1.2 – normal = 0 fino = 0 grosso = 1 1.3 – sim = 1 não = 0 1.4 – normal = 0 fino = 0 grosso = 1 1.5 – sim = 1 não = 0 1.6 – normal = 0 rígido = 0 flácido = 1 1.7 – normal = 0 rígido = 0 flácido = 1 Item 2: 2.1 – mesma altura = 0 alturas diferentes = 1 2.2 – mesmo volume = 0 volumes diferentes = 1 2.3 – normal = 0 rígido = 0 flácido = 1 2.4 – normal = 0 rígido = 0 flácido = 1 Item 3: 3.1 – normal = 0 rígido = 1 flácido = 0 Item 4: 4.1 – normal = 0 aberta = 1 desviada D = 0 desviada E = 0 Item 5: 5.1 - normal = 0 aumentada = 0 diminuída = 1 Item 6: 6.1 – normal = 0 atrésico = 1 largo = 0 estreitado =1 baixo = 0 alto =1Figura 3 – Escore dos itens orofaciaisem posição tônica. As emissões foram gravadas não estacionários. As estimações dos parâmetrosem uma sala silenciosa utilizando um notebook acústicos investigados foram obtidas utilizando ummarca HP (DV 1000), sistema operacional Windows script (ferramenta do software Praat que permite aXP, com auxílio do software Praat (versão 5008) e programação da sequência de comandos a seremde um microfone (Shure SM 58) posicionado a 10 realizados para a obtenção das medidas inves-cm dos lábios, num ângulo aproximado de 45º. As tigadas). O objetivo do uso de tal ferramenta é agravações foram realizadas em mono canal, com otimização do tempo de estimação dos parâmetros.taxa de amostragem de 22.050Hz e formato “wave”. Deve-se ressaltar, no entanto, que as medidas dosOs dados adquiridos foram submetidos a procedi- sinais também podem ser obtidas de forma manual,mentos de pré-processamento e processamento ou seja, clicando em cada botão de acordo com ade sinais através do referido software, envolvendo sequência dos comandos. No script a sequênciao recorte dos segmentos vocálicos e a estimação dos comandos já é programada. O script utilizadoda frequência fundamental e a frequência dos três nesta pesquisa foi desenvolvido pelos autores daprimeiros formantes. mesma. O recorte foi realizado de forma manual, porém Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Éticahouve a preocupação em definir critérios de recorte em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúdepassíveis de serem implementados em um futuro da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro (númerosistema de recorte automático. Os marcos inicial e 181/2008).final foram definidos nos trechos do sinal onde a Na análise estatística foram utilizados osenergia apresentava-se logo acima e logo abaixo, seguintes testes: qui-quadrado (χ2) e exato derespectivamente, da marca de 20% da energia Fisher para verificar a existência de diferençasmáxima. Tal porcentagem foi estabelecida empiri- significantes entre os gêneros e as faixas etáriascamente com base em investigação experimental e dos grupos testados (controle e respiradores orais).configura um procedimento conservador no sentido O teste de Mann-Whitney foi utilizado para compa-de reduzir a probabilidade de obtenção de trechos ração das medidas de frequência fundamental e deRev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  6. 6. Parâmetros vocais em respiradores orais  825formantes entre os dois grupos. A opção pela utili- As Tabelas 1, 3 e 5 mostram os valores dezação de teste não paramétrico foi devido ao fato de média, desvio-padrão e mediana enquanto asque as medidas de frequência não apresentaram tabelas 2, 4 e 6 mostram os correspondentes níveisdistribuição normal (Gaussiana) em decorrência descritivos (p valor) do teste de diferença estatísticada dispersão dos dados, falta de simetria da distri- (teste de Mann-Whitney) entre os grupos experi-buição e rejeição da hipótese de normalidade (teste mental e controle.de Shapiro-Wilk). As análises foram realizadas com Não foram observadas diferenças estatistica-o auxílio do software Statistical Analysis System mente significantes em nenhum parâmetro da vogalv.6.04 (SAS Institute, Inc., Cary, North Carolina). [a] entre os dois grupos. Os valores de frequênciaO critério de determinação de significância adotado fundamental da vogal [i] apresentaram-se estatisti-foi o nível de 5%, ou seja, valor de p menor ou igual camente menores no grupo de respiradores oraisa 0,05. quando comparados ao grupo controle. Na vogal [u] foram observadas duas diferenças significantes. A frequência fundamental apresentou-se estatis-„„ RESULTADOS ticamente menor no grupo de respiradores orais, enquanto que a frequência do primeiro formante Os testes exato de Fisher e qui-quadrado apon- apresentou valores mais elevados neste grupo emtaram que não existiam diferenças significantes relação ao grupo controle.na distribuição de gênero (p=0,18) e faixa etária(p= 0,78) entre os dois grupos, portanto as crianças „„ DISCUSSÃOforam reunidas em um grupo de respiradores oraise outro de respiradores nasais independente da A presente discussão foi desenvolvida de formaidade e do gênero. a abordar a seleção da amostra de respiradores Em relação às medidas acústicas investi- orais, os resultados obtidos e uma questão parti-gadas, em função do grande número de estima- cular associada ao grupo de respiradores orais.ções obtidas, um total de 1.812 valores numéricos, A literatura ainda não apresenta um protocolooptou-se por expor diretamente os valores médios validado que permita caracterizar a respiraçãoreferentes às tais medidas. Pelo mesmo motivo, os oral em seus diferentes aspectos. De acordo comachados foram divididos em seis tabelas, de acordo o perfil do grupo de pesquisadores (otorrinolarin-com cada vogal, facilitando a visualização direta gologistas, odontólogos, fonoaudiólogos) pode serdo comportamento do parâmetro acústico entre os observado um enfoque em determinadas carac-dois grupos. terísticas a serem investigadas, como obstruçãoTabela 1 – Média, mediana e desvio padrão de frequência fundamental e das frequências dosformantes da vogal [a] Grupo Controle (N = 101) Grupo RO (N = 50) Parâmetro Média (Hz) DP (Hz) Mediana (Hz) Média (Hz) DP (Hz) Mediana (Hz) [a] f0 245 28,0 241 236 26,3 233 [a] F1 979 194,1 984 946 126,3 957 [a] F2 1847 268,2 1816 1777 223,2 1788 [a] F3 3401 314,9 3395 3310 383,8 3314DP: Desvio PadrãoTabela 2 – Teste de diferença estatística entre as médias dos grupos na vogal [a] Parâmetro p valor [a] f0 0,057 [a] F1 0,20 [a] F2 0,18 [a] F3 0,12Teste de Mann-Whitney Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  7. 7. 826  Viegas D, Viegas F, Atherino CCT, Baeck HETabela 3 – Média, mediana e desvio-padrão da frequência fundamental e das frequências dosformantes da vogal [i] Grupo Controle (N = 101) Grupo RO (N = 50) Parâmetro Média (Hz) DP (Hz) Mediana (Hz) Média (Hz) DP (Hz) Mediana (Hz) [i] f0 272 34,3 271 259 24,8 257 [i] F1 333 48,9 324 360 214,2 324 [i] F2 2997 172,4 3016 2950 233,4 2933 [i] F3 3722 262,5 3701 3666 324,8 3653DP: Desvio PadrãoTabela 4 – Teste de diferença estatística entre as médias dos grupos na vogal [i] Parâmetro p valor [i] f0 0,019* [i] F1 0,98 [i] F2 0,17 [i] F3 0,27Teste de Mann-Whitney* expressa diferença significante ao nível de 5%Tabela 5 – Média, mediana e desvio-padrão da frequência fundamental e das frequências dosformantes da vogal [u] Grupo Controle (N = 101) Grupo RO (N = 50) Parâmetro Média (Hz) DP (Hz) Mediana (Hz) Média (Hz) DP (Hz) Mediana (Hz) [u] f0 276 36,9 276 262 24,5 266 [u] F1 463 77,1 464 491 95,8 497 [u] F2 1838 1065,8 1298 2085 980,2 2564 [u] F3 3885 492,1 3791 3871 461,8 3909DP: Desvio PadrãoTabela 6 – Teste de diferença estatística entre as médias dos grupos na vogal [u] Parâmetro p valor [u] f0 0,017* [u] F1 0,050* [u] F2 0,30 [u] F3 0,99Teste de Mann-Whitney* expressa diferença significante ao nível de 5%das vias aéreas superiores, permeabilidade nasal, Em recente pesquisa1, a seleção de criançasmá-oclusão e alterações de órgãos fonoarticulató- respiradoras orais foi realizada por apenas umrios, resultando em diferentes procedimentos de de três procedimentos: 1) passar menos que trêsseleção dos participantes. Tal fato é relevante uma minutos com um gole de água na boca; 2) apre-vez que a caracterização do respirador oral a ser sentar vapor na face inferior isolada ou concomi-investigado pode apresentar reflexos nos resul- tante na face superior no espelho de Glatzel; 3)tados obtidos. apresentar no mínimo três alterações orofaciais.Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  8. 8. Parâmetros vocais em respiradores orais  827Em estudos posteriores, houve um enfoque maior nasal (epinefrina). Os autores referiram que ana caracterização da respiração oral, pois autores frequência fundamental não foi capaz de diferenciarassociaram dois procedimentos para identificação as vozes por eles investigadas.da mesma 2,16. Possivelmente a origem da divergência de resul- No presente trabalho houve uma grande tados, entre os presentes achados e dos autores,preocupação com a caracterização da amostra esteja associada a questões metodológicas.visando minimizar os possíveis efeitos de uma Embora apresentem algumas semelhanças, noseleção pouco criteriosa nos achados. Foram sentido de investigar parâmetros vocais utilizandoassociados: a anamnese direcionada a queixas análise acústica em situações de respiração predo-respiratórias, o teste de água na boca e o proto- minantemente oral e nasal, os trabalhos guardamcolo orofacial, sendo que para compor a amostra diferenças importantes. Um exemplo seria o fatoos participantes deveriam ser caracterizados de que, na literatura, as vozes comparadas sãocomo respiradores orais nos três procedimentos. do mesmo participante, antes e após um determi- Em relação à análise da qualidade vocal de nado procedimento, enquanto que, no presenterespiradores orais, a hipótese de que as medidas trabalho, as vozes que compõem os grupos compa-de frequências de formantes, em especial, pode- rados são oriundas de participantes diferentes (deriam mostrar diferenças na comparação entre vozes faixas etárias e gênero idênticos). Por um lado osde respiradores orais e do grupo controle não foi trabalhos da literatura apresentam a vantagem deconfirmada. Tal hipótese foi baseada nos seguintes excluir diferenças interpessoais, que poderiam serfatos: os formantes serem conhecidamente influen- apontadas como passíveis de influenciar os resul-ciados pela geometria do trato vocal 25-27 e diversas tados. Por outro, a composição da amostra doalterações da cavidade oral terem sido apontadas presente estudo foi delineada de forma a minimizarcomo características do respirador oral 8,10. Entre a influência de tais diferenças nos achados, umaos testes de diferença estatística realizados, para vez que os grupos foram caracterizados por umaos três primeiros formantes nas três vogais inves- sequência de procedimentos.tigadas, uma única diferença estatística foi confir- Outro exemplo de diferenças metodológicasmada. A falta de apontamentos consistentes na lite- importantes entre os trabalhos em questão refere-ratura de alterações anatomo-fisiológicas glóticas se ao tamanho da amostra. O presente trabalho foina população de respiradores orais, conduziu à desenvolvido com 50 respiradores orais e 101 parti-expectativa de que não seriam observadas dife- cipantes com respiração adequada, amostra consi-renças nas medidas de frequência fundamental deravelmente mais numerosa que aquelas refe-entre população testada e grupo controle. Entre- ridas pelos estudos realizados na Turquia 20 e emtanto, tais diferenças foram confirmadas em duas, Taiwan 23, 10 e 11 participantes, respectivamente.das três vogais investigadas. Apesar dos resultados deste trabalho não corro- Na atual pesquisa as medidas de frequência borarem os achados dos autores acima citados,fundamental apresentaram-se estatisticamente os mesmos encontram suporte nos apontamentosmenores nas vogais [i] e [u] (p ≤ 0,05) nas vozes das de autores que investigaram as característicascrianças respiradoras orais. Na vogal [a] não houve anátomo-fisiológicas do respirador oral. Podem serdiferença estatística entre os dois grupos, apesar encontradas na literatura pesquisas que citaramde ter sido observada uma tendência do grupo de que a respiração oral pode ressecar os tecidosrespiradores orais em apresentar frequência funda- da laringe e prejudicar a vibração das pregasmental menor, expressa pelo valor p (p=0,057). Tais vocais 28,29. Outros trabalhos referiram a presençaachados mostram que a estimação da frequência de muco excessivo e edema nas pregas vocais emfundamental parece carregar informações a respeito quadros de alergias respiratórias 24, o que poderiado padrão respiratório inadequado de uma criança. acarretar a diminuição da frequência fundamen-Obviamente, a amostra do presente trabalho é insu- tal 28. Pesquisadores também apontaram voz maisficiente para a generalização de tais resultados. grave como um dos sinais frequentes em pacientes Estudos internacionais 20,23 investigaram possí- alérgicos19. A associação entre obstrução nasal eveis mudanças na frequência fundamental em dois o desenvolvimento de patologias laríngeas comogrupos de adultos em situações que corresponde- nódulos vocais também foi referida na literatura 29.riam respectivamente à respiração predominante- Em relação às frequências dos formantes, amente oral e à nasal. Um estudo turco 20 investigou investigação mostrou diferença estatisticamenteum grupo de 10 adultos antes e após realização significante apenas no primeiro formante (F1) dade tonsilectomia, enquanto que pesquisadores de vogal [u] (p=0,050), sendo obtidos valores maisTaiwan 23 investigaram 11 adultos com obstrução elevados no grupo de respiradores orais. Taisnasal, antes e após o uso de descongestionante achados mostram que a estimação das frequências Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  9. 9. 828  Viegas D, Viegas F, Atherino CCT, Baeck HEdos formantes não foi relevante para diferenciar o a variações intersujeitos, devido a sua relação commodo respiratório normal do alterado nas crianças as diferenças anatômicas individuais na extensãoinvestigadas. do trato vocal 30. A pesquisa desenvolvida na Turquia 20 foi o único A presença de diferença estatística mostrada natrabalho encontrado na literatura que investigou as frequência de F1 da vogal [u] foi desconsiderada nafrequências dos formantes em uma população com conclusão dos resultados gerais, por três motivos.alterações que levassem a um padrão respiratório Primeiro, porque que se trata do único dado discre-predominantemente oral. pante. Segundo, porque a significância (p=0,050) Os presentes achados mostraram que as se mostra em uma situação limítrofe entre a signifi-frequências dos formantes não foram capazes cância e não. E, finalmente, porque durante a fasede diferenciar os grupos de respiradores orais e de processamento, observou-se a suspeita de errocontrole, corroborando parcialmente os achados de estimação dos formantes desta vogal em parti-dos autores citados. Tal grupo de pesquisa apontou cular. Outros autores também apontaram dificul-discreto incremento na frequência de F2 nas vogais dade no registro da vogal [u], ao relatarem que não[a] e [i] e decréscimo de F3 na vogal [o]. No entanto, foi possível o registro espectrográfico da frequênciaas diferenças foram obtidas em apenas três do do terceiro formante desta vogal em 37,7% dastotal de 12 medidas investigadas (associadas à emissões, em uma amostra de 90 participantes 31.frequência de formantes). As diferenças apontadas Uma observação complementar que podeno referido trabalho parecem não ser consistentes, ser feita sobre a respiração oral diz respeito aouma vez que não foi realizada análise estatística gênero dos participantes. Estudos epidemiológicosdos dados. Embora os achados tenham sua rele- recentes de prevalência mostram a inexistência devância diante da carência de pesquisas do tema predominância de gênero para esse modo respira-na literatura, os mesmos referem-se a uma análise tório 1,16. No entanto, apesar de cientes da falta dedescritiva das observações feitas pelos autores. consistência em função do tamanho da presentePontuados pelos próprios autores, os resultados amostra, considerou-se relevante comentar ossão discutíveis, sendo as palavras “incremento” e achados referentes a tal questão.“decréscimo” referidas entre aspas. Além disso, Como referido na metodologia, a composiçãoo tamanho da amostra utilizada pelos autores (11 do grupo de respiradores orais, no presente estudo,participantes), também representa um fator que foi por conveniência e, portanto não houve a preo-fragiliza a consistência de seus achados. cupação em parear gêneros neste grupo. A obser- vação de que o número de crianças respiradoras No presente estudo, o fato das frequências de orais do gênero masculino (76%) foi consideravel-formantes não ter se mostrado relevante na dife- mente maior que as do feminino (24%), corroborarenciação dos grupos investigados poderia ser atri- os apontamentos de um grupo de pesquisadores 3buído, por um lado, a uma eventual diversidade de sobre a tendência masculina para a respiraçãoetiologias da respiração oral dos participantes, e por oral, baseados numa amostra de 64,71% de parti-outro, a variação intersujeitos. Conforme apontado cipantes do gênero masculino. Outros autores1 quepor uma autora 21, diferentes etiologias da respi- concluíram a inexistência de tal prevalência desta-ração oral, como hipertrofia da tonsila faríngea ou caram que apesar de não haver encontrado dife-das tonsilas palatinas, podem influenciar a resso- rença significante, foi observado um maior percen-nância da voz e, portanto, possivelmente interferir tual de meninos respiradores orais (53,75%) numna frequência dos formantes. A categorização dos total de 150 alunos de um projeto social. Em outrorespiradores orais por etiologia não foi pretendida estudo 2, ao investigar 143 alunos de escolasna presente pesquisa, pois o objetivo era diferenciar públicas e particulares, autores apontaram maisrespiradores orais de nasais, independente da etio- uma vez um percentual maior no gênero mascu-logia da respiração oral. No entanto, há a possibili- lino (54,50%). Desta forma, observa-se que aindadade de que eventuais variações etiológicas deste não existe um consenso na literatura sobre essamodo respiratório nas crianças avaliadas possam questão.ter influenciado a investigação dos formantes, umavez que diferentes níveis de obstrução nasal oufaríngea podem comprometer os parâmetros acús- „„ CONCLUSÃOticos pesquisados. A variação intersujeitos poderiaser apontada também como um fator que contribuiu A hipótese inicial de que as frequências depara a ineficiência da diferenciação das frequências formantes seriam potencialmente capazes de dife-de formantes entre os grupos, uma vez que esse renciar respiradores orais de nasais, em decor-aspecto pode levar a uma variação dos formantes. rência do número de alterações orofaciais descritasEm especial, a frequência de F1 é mais susceptível em respiradores orais, não foi confirmada, umaRev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
  10. 10. Parâmetros vocais em respiradores orais  829vez que tais medidas acústicas se mostraram inefi- demonstrado uma tendência em apresentar ocientes para esta tarefa. mesmo comportamento. Os achados do presente trabalho mostraram, Desta forma, é importante que a investigaçãoportanto, que apenas a frequência fundamental da frequência fundamental seja um item a ser inte-consistiu em um parâmetro descritivo da voz grado à avaliação clínica da respiração oral, contri-que permitiu a diferenciação entre respira- buindo na efetividade do diagnóstico. É necessáriodores orais e crianças saudáveis. Em especial, que sejam realizados novos estudos com amostrasa frequência fundamental das vogais [i] e [u] ainda mais significantes para que se possam gene-mostraram tal condição, embora a vogal [a] tenha ralizar os presentes resultados. ABSTRACT Purpose: to investigate spectral parameters on voices of mouth-breathing children so as to contribute to the characterization of this population, thus to an efficient diagnosis. Methods: fifty mouth-breathing children and one hundred and one nasal breathing children were selected among five and ten year old children of both genders. Recordings were obtained from carrier phrases and segments of the oral vowels [a], [i] and [u] of Brazilian Portuguese in the stressed syllable were selected to estimate the fundamental frequency (f0) and the frequency of the first three formants (F1, F2 e F3). The signals were recorded, cut out and processed using Praat software. Results: the fundamental frequency for the vowels [i] and [u] showed lower frequency in the mouth-breathing group, while the frequency F1 of the vowel [u] was higher in the same group. Conclusion: our findings pointed out that the fundamental frequency is a vocal parameter that helps us to differentiate mouth-breathing children from nasal breathers, therefore contributing for a mouth breathing classification system. KEYWORDS: Mouth Breathing; Voice; Signal Processing, Computer-Assisted; Child; Speech Acoustics„„ REFERÊNCIAS characteristics in mouth breathing pre-schoolchildren. J Clin Pediatr Dent. 2004; 28(4):315-318.1. Menezes VA, Leal RB, Pessoa RS, Pontes RMES. 6. Côrrea ECR, Bérzin F. Mouth breathing syndrome:Prevalência e fatores associados à respiração oral cervical muscles recruitment during nasal inspirationem escolares participantes do projeto Santo Amaro- before and after respiratory and postural exercisesRecife, 2005. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006; on Swiss Ball. Inter J Pediatr Otorhinolaryngol.72(3):394-9. 2008; 72(9):1335-43.2. Menezes VA, Leal RB, Moura MM, Granville- 7. Lemos CM, Wilhelmsen NSW, Mion OG,Garcia AF. Influência de fatores socioeconômicos Júnior JFM. Alterações funcionais do sistemae demográficos no padrão de respiração: um estomatognático em pacientes com rinite alérgica:estudo piloto. Rev Bras Otorrinolaringol. 2007; estudo caso-controle. Rev Bras Otorrinolaringol.73(6):826-34. 2009; 75(2):268-74.3. Di Francesco RC, Passerotti G, Paullucci B, 8. Motonaga SM, Berte LC, Anselmo-Lima WT.Miniti A. Respiração oral na criança: repercussões Respiração bucal: causas e alterações no sistemadiferentes de acordo com o diagnóstico. Rev Bras estomatognático. Rev Bras Otorrinolaringol. 2000;Otorrinolaringol. 2004; 70(5):665-70. 66(4):373-9.4. Mahony D, Karsten A, Linder-Aronson S. Effects 9. Di Francesco RC. Crescimento craniofacial eof adenoidectomy and changed mode of breathing distúrbios da respiração oral do ponto de vistaon incisor and molar dentoalveolar heights and otorrinolaringológico. In: Krakauer, LH, Di Francescoanterior face heights. Aust Ortod J. 2004; 20(2):93-8. RC, Marchesan IQ. Conhecimentos essenciais5. Mattar, SEM, Anselmo-Lima WT, Valera para atender bem a respiração oral. São José dosFCP, Matsumoto MAN. Skeletal and occlusal Campos: Pulso Editorial; 2003.p. 27-35. Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):820-830
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