Degradação ambiental2

150 visualizações

Publicada em

Artigo sobre processo de degradação ambiental.

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
150
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Degradação ambiental2

  1. 1. DEGRADAÇÃO AMBIENTAL NO RIACHO AREIAS Francisco Diassis Bezerra1 Maria Suzete Sousa Freitas2 RESUMO: Teresina capital do Estado do Piauí é banhada pelos rios Parnaíba e Poti, que possuem em suas áreas marginais, depressões que favorecem a formação de lagoas, possuem ainda, uma grande quantidade de micros canais que formam a rede de drenagem das águas pluviais que abastecem estes rios e abrigam grande biodiversidade. A crescente urbanização da cidade contribuiu para que estes locais fossem ocupados por edificações, provocando nestas áreas, o forte processo de degradação ambiental, devido a grande quantidade de resíduos como esgotos domésticos e lixo produzido nos setores industriais, comerciais entre outros, que vão diretamente contaminar estes cursos d’água. Este trabalho tem como objetivo analisar os fatores que contribuem para degradação ambiental no riacho Areias, córrego afluente do rio Parnaíba, localizado na zona sul de Teresina, mais precisamente entre os bairros Santo Antônio, Santa Cruz e Areias. Os métodos utilizados para execução deste trabalho foram: pesquisas bibliográficas e de campo, reconhecimento da área de estudo através de mapas e cartas referente ao município de Teresina. Os dados coletados apontaram como resultado, grave problema de degradação ambiental na área estudada, onde o meio ambiente sofre as conseqüências deste processo. Desta forma observa-se ser necessário a intervenção do poder público no sentido de minimizar esta problemática. PALAVRAS-CHAVES: Riacho Areias, Degradação Ambiental, Urbanização. ABSTRACT: Capital Teresina of the State of Piauí is taken a bath by the rivers Parnaíba and Poti, that possess in your marginal areas, depressions that favor the formation of ponds, they still possess, a great amount of personal computers channels that form the net of drainage of the pluvial waters that you/they provision these rivers and they shelter great biodiversity. To growing urbanization of the city it contributed to these places they root busy for constructions, provoking in these areas, the fort process of environmental degradation, due to great amount of residues as domestic sewers and garbage produced in the industrial sections, commercial among other, that empty space directly to contaminate these courses of water. This work has as objective analyzes the factors that contribute to environmental degradation in the stream Sands, stream flowing of the river Parnaíba, located in the south zone of Teresina, more precisely among the neighborhoods Santo Antônio, Santa Cruz and Sands. The methods used for execution of this work they were: bibliographical researches and of field, recognition of the study area through maps and letters regarding the municipal district of Teresina. The collected data appeared as result, serious problem of environmental degradation in the studied area, where the environment suffers the consequences of this process. This way it is observed to be necessary the intervention of the public power in the sense of minimizing this problem. KEY WORDS: Stream Sands, Environmental Degradation, Urbanization 1 Graduado em Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI - Campus Poeta Torquato Neto. www.franciscodiassisbezerra@bol.com.br. (86) 9462-3099 2 Mestra em Educação, professora Assistente da Universidade Estadual do Piauí.
  2. 2. 1- INTRODUÇÃO Assim como as demais cidades brasileiras, Teresina capital do Estado do Piauí, vem recebendo a cada ano, um grande número de novos habitantes. Enquanto cresce o seu contingente demográfico, aumenta também a deficiência na oferta de serviços de infra- estrutura e organização urbana, principalmente nas áreas de ocupação mais recentes. Por outro lado, a ocupação do solo pelo fenômeno de urbanização, provoca graves danos a natureza, pois a retirada da cobertura vegetal, a ocupação de áreas sujeitas alagamentos e a deslizamento de terra, vão diretamente afetar aos recursos naturais, especialmente os recursos hídricos como rios, lagos e córregos, que passam a receber grande carga de materiais proveniente da erosão do solo, contribuindo para o assoreamento dos rios além de receberem grande quantidade de resíduos poluentes como esgotos domésticos, lixo industrial, hospitalar entre outros, produzidos nos centros urbanos. A presente pesquisa aborda a problemática em pauta, diante da necessidade de todas as sociedades na atualidade, direcionarem suas políticas de desenvolvimento, visualizando a dialética sociedade-natureza. 2- USO E OCUPAÇÃO DO SOLO URBANO A problemática vivenciada pelas cidades brasileiras nas últimas décadas, resultou dentre outros motivos, do processo de desenvolvimento desigual por que passou o país ao longo de sua história, ocasionando por vezes uma imensa migração campo cidade. A conseqüência desse fenômeno é o “inchaço” das cidades, como também o caos que se insta-la nas mesmas motivada pela falta de planejamento prévio, adequação de novas áreas a serem ocupadas, com serviços de infra-estrutura urbana, surgindo ai, uma imensa quantidade de problemas, motivados pela falta de saneamento básico e outro serviços essenciais em áreas de grande concentração humana. Quanto a esses aspectos, Ross (2001) diz o seguinte: “O crescimento rápido das cidades não pode ser acompanhado no mesmo ritmo pelo atendimento de infra-estruturas para a melhoria da qualidade de vida de seus moradores” perante a essa afirmação, a falta desses serviços, faz com que muitas áreas nas cidades, transformem-se em locais susceptíveis a uma série de complicações e vulneráveis a ocorrência de calamidade pública. Esta situação ocorre principalmente nas periferias das cidades, onde os serviços de estruturação urbana, demoram muito para se concretizar ou quase nunca são realizado. Coelho (2001) diz que, “Quando o crescimento urbano não é acompanhado por aumento e distribuição eqüitativa dos investimentos em infra-estrutura a democratização do acesso aos serviços, as desigualdades sócio-espaciais são geradas ou acentuadas”. Porém, é importante ressaltar, que as políticas públicas não devem favorecer, apenas a uma determinada parcela da população, elas devem ser estendidas a todas as camadas da sociedade independentemente de suas posições sociais, nível cultural entre outros. Dessa forma deve o poder público, desenvolver estratégias que venham favorecer a gestão espacial urbana e que os recursos destinados para este fim sejam distribuídos de forma igualitária. 3- METODOLOGIA Os métodos utilizados para a realização deste trabalho foram: estudos bibliográficos sobre os aspectos geofísicos e hidrológicos, a fim de compará-los com os da área em estudo; estudo cartográfico através de cartas e mapas referentes à cidade de Teresina, com a finalidade de localizar a área objeto da pesquisa; observação direta dos processos de degradação ambiental na área do riacho Areias e registros através de documentário fotográfico; coleta de dados junto às comunidades residentes às margens do referido curso
  3. 3. d’água a fim de obter informações sobre as condições socioeconômica e sanitária desta população; coleta de dados em órgãos públicos responsáveis por obras de infra-estrutura direcionados a estruturação do solo urbano da cidade de Teresina. 4- CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA DO RIACHO AREIAS Este trabalho teve como cenário um córrego denominado “Riacho Areias”, que possui aproximadamente 3.98Km, portanto tratando-se de um micro canal de drenagem das águas pluviais que caem sobre o município de Teresina. Este curso d’água pertence a Bacia Difusa do Médio Parnaíba, de acordo com a classificação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Piauí (SEMAR). Sua nascente ocorre a altura do Km8 da BR 316, sua foz ocorre no bairro Areias na zona sul de Teresina, quando acontece o encontro de suas águas com as do rio Parnaíba. Sua localização cartográfica encontra-se entre as coordenadas geográficas de 42º45’30” e 42º47’30” longitude oeste e 05º11’00” latitude sul (de acordo com sistema GPS). O perfil longitudinal do riacho Areias, marca altitude máxima de 160m e mínima de 72m, segundo a Carta do Departamento Setorial Geográfico – DSG – SUDENE – TERESINA, escala 1:100.000. 5- ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS E SANITÁRIO DAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS DO RIACHO AREIAS No que se refere a renda familiar, 60% afirmaram possuírem uma renda de um salário mínimo, 19% disseram possuir renda de até dois salários mínimos e 13% afirmaram não possuir fonte de renda e 8% possuem renda igual ou superior a três salários mínimo. (Gráfico 01). Gráfico 01: RENDA FAMILIAR 60%19% 13% 8% 1 Salário Nenhum 2 Salários 3 ou mais salários O quadro de ocupações da população estudada apresentou o seguinte resultado: 39,% são trabalhadores autônomos, 22% trabalham em empresa privada, 19% exercem outras atividades como serviços braçais, lavradores, domésticos entre outros, 17% estão desempregados e 3% são funcionários públicos, (Gráfico 02). Gráfico 02: TIPOS DE OCUPAÇÃO Fonte: Pesquisa direta.
  4. 4. 39% 22% 19% 17% 3% Desempregado Fun. Pref. Municipal Empresa Privada Outras Atividades Autônomo Fonte: Pesquisa direta. Procurou-se conhecer os tipos de residência e os dados coletados informaram que 73% são na tipologia taipa, e 27% são de alvenaria, conforme o gráfico 03. Gráfico 03: TIPOS DE RESIDENCIA 73% 27% Alvenaria Taipa Dos tipos de infra-estruturas (organização espacial urbana), existente no bairro, 46% afirmaram que não existe qualquer tipo de infra-estrutura, 28% dos entrevistados afirmaram existir abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica, 26% afirmaram existir calçamento (saneamento básico) conforme o gráfico 04. Gráfico 04: INFRA-ESTRUTURA EXISTENTE NO BAIRRO 46% 28% 26% Não existe Abastecimento de água Calçamento 6- A PROBLEMÁTICA DE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E AS FONTES POLUIDORAS DO RIACHO AREIAS Fonte: Pesquisa direta. Fonte: Pesquisa direta.
  5. 5. Objetivando evidenciar o processo degradação ambiental que está ocorrendo no entorno do riacho Areias, percorreu-se toda a sua extensão, onde através de observação direta e de documentário fotográfico, relacionou-se vários pontos considerados como os mais críticos, nos quais se verificam a gravidade com que a intervenção humana está causando destruição na paisagem natural. Verificou-se que a nascente do referido curso d’água, foi totalmente devastada, devido a exploração predatória do minério massará durante as décadas de 1980/90. hoje o local é ocupado por residências em precárias condições de habitalidade. Em vários trechos, o leito do riacho Areias é utilizado para depósito de lixo e entulho, resto de material de construção e carcaças de animais mortos deixando na região, um mau cheiro insuportável, que incomoda a toda a população local. Nos trechos do riacho Areias ocupados por residências, no período chuvoso, várias ruas ficam alagadas e intrafegáveis, inúmeras habitações são arrastadas pela enxurrada, deixando várias famílias desabrigadas, além de serem atingidas pela grande quantidade de lixo e outros materiais oriundos da erosão do solo, como mostra as figuras 01, 02 e 03. FIGURA 01: Paisagem destruída (nascente do riacho Areias) Fonte: Pesquisa Direta FIGURA 02: Rua alagada em dia chuvoso Fonte: Pesquisa Direta FIGURA 03 : Famílias desabrigadas
  6. 6. Fonte: Pesquisa Direta 7- ATUAÇÃO DO PODER PÚBLICO NA ÁREA DO RIACHO AREIAS Diante da problemática discutida neste trabalho, procurou-se junto órgãos públicos, responsáveis pela organização e estruturação do solo da cidade de Teresina, no caso a Superintendência de Desenvolvimento Urbano SDU-SUL, informações sobre a possível excussão de obras destinadas a melhorar a qualidade de vida da população e recuperação das áreas degradadas existentes no entorno do riacho Areias. Em respostas obteve-se as seguintes informações:  Com relação aos alagamentos que ocorrem em algumas ruas destas área, no momento o que se pode fazer é a recuperação das estragos causados pela enxurrada;  A retirada das famílias dos locais onde ocorrem os alagamentos é uma ação desnessária, pois naquela área estes problemas ocorrem apenas em um determinado período, ou seja, durante o período chuvoso, depois volta ao normal. Portanto está é uma ação desnecessária;  Referente a excussão de obras de saneamento básico na área citada existe um projeto de orçamento popular destinado para este fim. O problema é que aquela área está sob intervenção judicial, a sua ocupação é irregular. Enquanto perdurar está situação, a prefeitura não pode dar andamento nos serviços de urbanização no local;  A inclusão daquelas comunidades em programas de melhorias habitacionais se dará a partir da própria mobilização da população, no sentido de reivindicar esse direito. 8- CONCLUSÃO Os dados obtidos durante esta pesquisa nos permitiram a construção do conhecimento e a compreensão de forma aproximada da realidade investigada, tornando possível fazer algumas considerações finais sobre os fatores que culminaram com a degradação ambiental em toda a área do riacho Areias. Verificou-se que grande parte dos problemas que afetam aquela área, esta associada a ausência de saneamento básico e de melhorias habitacionais, o que contribui para que a população e o ambiente sejam afetados por grandes transtornos, necessitando da intervenção do poder público, no sentido promover ações que venham por fim a toda esta problemática. Visando a minização dos problemas detectados no decurso deste trabalho, apresenta-se as seguintes sugestões:  Fazer a contenção das encostas existentes na região da nascente do Riacho Areias, sujeitas a deslizamento de terra, com um trabalho cuidadoso de reflorestamento;
  7. 7.  Fazer reflorestamento em toda a região do riacho Areias, utilizando espécies vegetais nativas, que se adaptem com maior facilidade as condições naturais que a região oferece;  Desobstruir por completo o leito do referido curso d’água nos trechos ocupados por residências e nos trechos ainda não ocupados, fazer proibição quanto a sua utilização para fins residenciais, comerciais, industriais etc;  Realizar a coleta periódica do lixo, implantar coleta seletiva e reciclagem, desenvolver programas de educação ambiental junto as comunidades residentes na área pesquisada, no sentido de capacita-las quanto a questão de degradação ambiental.
  8. 8. REFERÊNCIAS CHRISTOFOLETTI, Antônio. Geomorfologia Fluvial. São Paulo: Edgard Blucher, 1981. GUERRA, A. J. T. SILVA e (orgs.) Erosão e Conservação do solo: Conceitos e Aplicações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. GUERRA, Antônio J. T e (orgs.) Impactos Urbanos no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. ROSS, Jurandir L. Sanches. Geografia do Brasil (org.) 4ª ed. São Paulo: EDUSP, 2001. VICTORINO, Célia Aito, Canibais da natureza: educação ambiental, limite e qualidade de vida. Petrópolis, JR: Vozes, 2000.

×