Posso falar? Matheus Pichonelli

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Posso falar? Matheus Pichonelli

  1. 1. Posso falar? Por Matheus Pichonelli ENTER + 24/out/2015
  2. 2. a AGRESSIVIDADE do debate é um produto da agressividade do NOSSO MEIO…
  3. 3. a AGRESSIVIDADE não é tão diferente da forma como dirigimos, torcemos, tratamos o garçom…
  4. 4. o LEITOR QUE REIVINDICA espaço e nos leva a observar e REVER NOSSO PAPEL como comunicadores.
  5. 5. escrever em jornal impresso era como ARREMESSAR AO MAR UMA GARRAFA com um dia de apuração: NUNCA SABIA ONDE E COMO IRIA CHEGAR.
  6. 6. o leitor ganhou forma quando comecei a trabalhar no site de uma revista. Estava começado a identificar um PÚBLICO QUE NÃO ESTAVA APENAS NAS TIRAGENS DA VERSÃO IMPRESSA.
  7. 7. tive de APRENDER A ME COMUNICAR COM UM NOVO PÚBLICO. Estranhei a velocidade com que um artigo ganhava vida ou IRRELEVÂNCIA NO MEIO DE TANTA INFORMAÇÃO.
  8. 8. hoje são mais de 90 milhões de internautas no Facebook, quase METADE da população brasileira.
  9. 9. NÃO ESCREVEMOS MAIS PARA UM PERFIL DE LEITOR assinante de jornal (geralmente adulto, de classe média e classe média alta, com alta escolaridade).
  10. 10. escrevemos para um PÚBLICO VARIADO que divide a mesma rede com o nosso chefe, antigo professor, vizinho e amigos de infância. TODOS ESTÃO CONECTADOS E SÃO CONSUMIDORES DE INFORMAÇÃO EM POTENCIAL.
  11. 11. existe um público cada vez mais crítico e sedento por NOVAS ABORDAGENS e informações, e muitos dos LEITORES NÃO SE SENTEM CONTEMPLADOS…
  12. 12. CONHECER OS LEITORES é fundamental para ampliar o público e compreender por que DETERMINADAS PAUTAS COMEÇAM A SURGIR.
  13. 13. estas pautas e demandas SEMPRE EXISTIRAM, mas não chegavam até a maioria de nós.
  14. 14. hoje as “NOVAS" PAUTAS chegam por uma plataforma em que 92 MILHÕES DE PESSOAS se comunicam diariamente.
  15. 15. os COMENTÁRIOS nas caixas de textos, nas mensagens inbox ou mesmo em tuítes TIRARAM OS PRODUTORES DE CONTEÚDO DA REDOMA.
  16. 16. há a possibilidade dos LEITORES APONTAREM de forma imediata (e gratuita) nossos flancos, imprecisões e PRECONCEITOS.
  17. 17. isso colocou a expressão “POLITICAMENTE CORRETO” na ordem do dia.
  18. 18. quem estava acostumado a falar com o mesmo público, e NÃO ESTAVA ACOSTUMADO A SER CONTESTADO, geralmente não gosta da expressão.
  19. 19. as PALAVRAS TÊM CONOTAÇÃO POLÍTICA e nós tropeçamos nelas muitas vezes por má fé ou IGNORÂNCIA.
  20. 20. eu escrevia textos e emitia opiniões a partir de uma PERSPECTIVA PARTICULAR E ESTREITA.
  21. 21. eu tinha responsabilidade de compreender um DESCONFORTO que não era meu.
  22. 22. era o desconforto de um PAÍS ASSIMÉTRICO E DESIGUAL que falava cada vez mais alto GRAÇAS À INTERNET.
  23. 23. quando uma mulher reclama da expressão “salto alto”, não cabia a mim dizer se ela tinha razão ou não. CABIA A MIM OUVIR. E refletir sobre os motivos desse incômodo. 
  24. 24. praticamente todos os XINGAMENTOS têm na natureza um SIMULAR FEMININO: cobra, jararaca, piranha.
  25. 25. quando QUEREMOS XINGAR UM HOMEM, acertamos a mãe dele. Ou a companheira. 
  26. 26. é preciso PRESTAR ATENÇÃO NAS NOSSAS ASSIMETRIAS. Entender que a distância de oportunidades começa em casa, na escola, nas ruas.
  27. 27. nosso REPERTÓRIO DE METÁFORAS DEIXA CLARA A IMPOSIÇÃO DE UMA NORMATIVIDADE. Estamos cravando uma linha imaginário onde se lê: aqui, mulheres, gays e negros não são bem- vindos.
  28. 28. nossos jornais, como nossas ruas, NÃO parecem ADAPTADOS A ACOLHER ESTAS PESSOAS. Estamos afastando mais da metade da população por pura insensibilidade ou ignorância.
  29. 29. antes de pensar a comunicação como um negócio, é preciso compreendê-la como uma FERRAMENTA DE REFLEXÃO DA REALIDADE e de sua TRANSFORMAÇÃO. 
  30. 30. falar com os próprios pares, a partir das nossas únicas e imutáveis perspectivas e vivências, é praticamente PREGAR PARA CONVERTIDOS.
  31. 31. é preciso saber ouvir. Saber acolher. SABER CONVIVER. E abrir cada vez mais espaços para a fala, não apenas nas caixas dedicadas aos leitores.
  32. 32. vivemos uma crise no país que não é apenas política ou econômica. É uma CRISE DE CRIATIVIDADE resultante de uma CRISE DE EMPATIA. 
  33. 33. temos dificuldade em nos colocar em outros papeis e entender a posição do outro. Temos dificuldade de ouvir contrapontos. TEMOS DIFICULDADE DE COMPREENDER NOSSA PRÓPRIA FALA.
  34. 34. hoje não escrevemos para que alguém nos leia. ESCREVEMOS PARA QUE ALGUÉM DEBATA NOSSOS PONTOS.
  35. 35. Obrigado! ENTER + 24/out/2015

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