Poetas falam de poesia.8ano

533 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
533
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
75
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
3
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Poetas falam de poesia.8ano

  1. 1. “Peguem num poema eleiam-no. Não é preciso mais nada.” EUGÉNIO DE ANDRADE
  2. 2. Ser poeta é ser mais alto, é ser maiorDo que os homens! Morder como quem beija!É ser mendigo e dar como quem sejaRei do Reino de Aquém e de Além Dor!É ter de mil desejos o esplendorE não saber sequer que se deseja!É ter cá dentro um astro que flameja,É ter garras e asas de condor!É ter fome, é ter sede de Infinito!Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…É condensar o mundo num só grito!E é amar-te, assim, perdidamente…É seres alma e sangue e vida em mimE dizê-lo cantando a toda a gente! Florbela Espanca in «Poesia Completa»
  3. 3. Orfeu RebeldeOrfeu rebelde, canto como sou:Canto como um possessoQue na casca do tempo, a canivete,Gravasse a fúria de cada momento;Canto, a ver se o meu canto comprometeA eternidade do meu sofrimento.Outros, felizes, sejam os rouxinóis...Eu ergo a voz assim, num desafio:Que o céu e a terra, pedras conjugadasDo moinho cruel que me tritura,Saibam que há gritos como há nortadas,Violências famintas de ternura.Bicho instintivo que adivinha a morteNo corpo dum poeta que a recusa, Miguel TorgaCanto como quem usaOs versos em legítima defesa.Canto, sem perguntar à MusaSe o canto é de terror ou de beleza.
  4. 4. O poema me levará no tempoQuando eu já não for euE passarei sozinhaEntre as mãos de quem lê.O poema alguém o diráÀs searasSua passagem se confundiráCom o rumor do mar com o passar do ventoO poema habitaráO espaço mais concreto e mais atentoNo ar claro nas tardes transparentesSuas sílabas redondas(Ó antigas ó longasEternas tardes lisas)Mesmo que eu morra o poema encontraráUma praia onde quebrar as suas ondasE entre quatro paredes densasDe funda e devorada solidãoAlguém seu próprio ser confundiráCom o poema no tempo. Sophia de Mello Breyner Andresen

×