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Discutem-se neste artigo os prós e os contra a realização de diálogos diários de SMS pelas empresas.

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A importância dos diálogos diários de sms

  1. 1. A importância dos Diálogos Diários de Segurança, Meio Ambiente e Saúde Antonio Fernando NavarroOs diálogos diários de SMS, conhecidos por DDSMS, foram práticas introduzidas no final dos anos90 e início dos anos dois mil como uma forma de aproximar os encarregados de seus empregados,assim como de aproximar a “força de trabalho” como um todo, antes do início dos serviços diários.Em algumas das empresas os gerentes de produção participavam das reuniões pelo menos umavez por semana. As reuniões eram conduzidas, na maior parte das vezes, pelos profissionais deSMS da empresa contratante dos serviços, admitindo-se também, principalmente em função dehorários, que os DDSMS fossem aplicados pelas próprias empresas contratadas. Com o início dascertificações em sistemas de gestão as empresas passavam as listas de presença entre osparticipantes e informavam os temas tratados nas reuniões. A Petrobras iniciou a implantação dosDDSMS no início dos anos 2000, época em que iniciou sua certificação pelas normas de gestão,inicialmente para ISO 9001 e BS 8800. Posteriormente foram alteradas para ABNT NBR ISO 9001 eABNT NBR ISO 14001, assim como pela OHSAS 18001. A partir de meados dos anos 2000 algumasunidades passaram a ser certificadas pela ISO 26000 de Responsabilidade Social. Nos DDSMSdivulgavam-se os temas gerais, informações específicas atinentes à operação da unidade,tratavam-se das discussões sobre as características dos riscos das atividades que seriamrealizadas, enfim, tinha-se um espaço e um tempo de até 15 minutos, antes do início dasatividades, para se tratar de todos esses temas. Posteriormente chegou-se à conclusão que osDDSMS seriam mais eficientes se fossem aplicados pelos encarregados das empresas, e naspróprias frentes de serviços. A dificuldade maior era a da verificação pela contratante dos serviçosse efetivamente os DDSMS estavam sendo corretamente aplicados e seguindo as politicasestabelecidas pela própria contratante. Durante alguns anos em obras realizadas com umaquantidade de empresas contratadas não muito grande e um efetivo de pessoal também nãomuito grande, havia um único DDSMS. Essa foi a situação que encontramos quando fomostrabalhar como coordenador de QSMS em obras conduzidas pelaPETROBRAS/Engenharia/IETEG/IETR, nos Estados do Paraná e em Santa Catarina, na modernizaçãode equipamentos e instalações nos terminais, bases, estações de bombeio e faixas de dutos daTRANSPETRO. Nossos DDSMS se iniciavam as 07:15h, de segunda a sexta-feira e eram encerradosàs 07:30h. Em nosso planejamento de atividades tínhamos como pauta:Segundas-feiras: Temas relacionados à Segurança do Trabalhador;
  2. 2. Terças-feiras: Temas relacionados à Segurança do Trabalho;Quartas-feiras: Temas relacionados à proteção do Ambiente Natural (Meio Ambiente);Quintas-feiras: Temas relacionados à Saúde do trabalhador;Sextas-feiras: Temas livres, propostos com antecedência pelos trabalhadores ou empresas, aplicados pelos próprios empregados.Para a realização dos DDSMS foi-nos disponibilizado pelo Terminal uma área onde podiam serreunidos até 60 trabalhadores, assentados em bancos de madeira. Normalmente a frequênciadiária não ultrapassava a 30 trabalhadores nos dias mais concorridos. Como com as obras queestávamos iniciando havia a previsão de contratação de cerca de 400 trabalhadores, e não havianos canteiros de obras das empreiteiras espaço suficiente para que cada uma dessas, cerca de 15empresas aplicasse seus próprios DDSMS e nem em nossa estrutura de pessoal de SMS tínhamosprofissionais suficientes para o acompanhamento de todas essas atividades, traçamos umaestratégia para aumentar a frequência de participantes. Somente na primeira semana já tínhamos65 trabalhadores à mais. Passados 15 dias o efetivo quase que dobrou. Depois de 3 meses onúmero de contratados já passava de 320. Somente em uma das empresas havia um efetivo de130 pessoas. Os serviços eram relativamente simples dessa empresa, porém com riscos, como oda reconstrução de 11km de cercas do tipo 1, em áreas com mato alto, serviços de reconstruçãode sistemas de drenagem, entre outros.Nossa proposta para a ampliação da frequência de ouvintes foi a de convencer a equipe de SMSque mais importante do que punir o trabalhador faltoso, cometendo desvios em suas atividadesera a de elogiar aqueles que estivesse realizando suas tarefas de modo correto. A seguir,conseguimos convencer as empresas que o aumento da produtividade somente poderia serconseguido com o aumento do nível de satisfação dos trabalhadores, oferecendo aos mesmosuma melhor qualidade de vida no trabalho (QVT). As empresas aderiram à proposta e sepropuseram a bancar as despesas com a compra de brindes para aqueles funcionários“exemplares”. Estabelecemos um plano de premiação, com o primeiro jugar recebendo umabicicleta, o segundo lugar recebendo um conjunto de rádio acoplado a um leitor de fita cassete ede CD, e o terceiro lugar recebendo prêmios para sua residência, como jogos de panelas.Posteriormente esses prêmios foram mudados. O funcionário que fosse percebido cumprindocorretamente os padrões de segurança recebia um broche. A partir do momento em que eletivesse 3 broches já fazia parte do grupo daqueles que seriam sorteados. O fato de elogiarmosàqueles que faziam corretamente seus trabalhos, ao invés de punirmos os faltosos, e a existência
  3. 3. de sorteios, fez com que a frequência de participantes fosse aumentando. Ao final do terceiro mêsjá contávamos com a presença de mais de 350 pessoas. Havia fila de pessoas inscritas para tratarde temas livres, nas sextas-feiras. O ambiente de trabalho mudou bastante, com as pessoas seajudando mutuamente, se cumprimentando, o que não faziam e se apoiando na realização dasatividades. Anteriormente, na hora do almoço as pessoas se reuniam nas mesas de seus colegasde empresa. Depois essa segregação deixou de existir.Os DDSMS vieram para se atender aos requisitos legais definidos pelas normas regulamentadorase nas Convenções da OIT, que preveem que o trabalhador tem a obrigação de conhecer os riscos aque estão expostos. A existência de DDSMS não inibia as reuniões dos encarregados nas frentes deserviços orientando os trabalhadores sobre as atividades do dia e os riscos. Servia apenas para aintegração das pessoas. Mas também para a divulgação de mensagens institucionais e deorientações legais. As legislações focam essas orientações da seguinte forma:Norma Regulamentadora nº 1 – Disposições Gerais (Portaria nº 3.214, de 08/06/1979, comalterações):1.7 Cabe ao empregador: (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83)a) cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina dotrabalho;b) elaborar ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho, dando ciência aos empregadospor comunicados, cartazes ou meios eletrônicos; (Alteração dada pela Portaria n.º 84, de04/03/09)Obs.: Com a alteração dada pela Portaria n.º 84, de04/03/09, todos os incisos (I, II, III, IV, V e VI)desta alínea foram revogados.c) informar aos trabalhadores: (Alteração dada pela Portaria n.º 03, de 07/02/88)I. os riscos profissionais que possam originar-se nos locais de trabalho;II. os meios para prevenir e limitar tais riscos e as medidas adotadas pela empresa;III. os resultados dos exames médicos e de exames complementares de diagnóstico aos quais ospróprios trabalhadores forem submetidos;IV. os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho.d) permitir que representantes dos trabalhadores acompanhem a fiscalização dos preceitos legaise regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho; (Alteração dada pela Portaria n.º 03,de 07/02/88)
  4. 4. e) determinar procedimentos que devem ser adotados em caso de acidente ou doençarelacionada ao trabalho. (Inserção dada pela Portaria n.º 84, de 04/03/09)Convenção nº 155 da Organização Internacional do Trabalho (Ratificada pelo Governo Brasileiroatravés do Decreto nº 1.254, de 29 de setembro de 1994.)Segurança e Saúde dos Trabalhadores, 1981Aprovação: Decreto Legislativo nº 2, de 17 de março de 1992. Ratificado em 18 de maio de 1992.Promulgação: Decreto nº 1.254, de 19 de setembro de 1994.Área de Aplicação: Todos os ramos da atividade econômica.Conteúdo Básico:1. Dever de formular e por em prática uma política nacional coerente em matéria de segurança esaúde dos trabalhadores e meio ambiente de trabalho, para prevenção de acidentes e danos àsaúde consequentes ao trabalho, que guardem relação com a atividade laboral ou sobrevenhamdurante o trabalho, reduzindo ao mínimo as causas dos riscos existentes no meio ambiente detrabalho, considerando:• Projeto, ensaio, seleção, substituição, instalação, disposição, utilização e manutenção doscomponentes materiais do trabalho (locais e meio ambiente de trabalho, ferramentas, máquinas eequipamentos, substâncias e agentes químicos, biológicos e físicos, operações e processos);• relações entre os componentes materiais do trabalho e as pessoas que o executam esupervisionam e adaptação de máquinas, equipamentos, tempo de trabalho, organização dotrabalho, operações e processos às capacidades físicas e mentais dos trabalhadores;• formação, qualificação e motivação das pessoas que intervêm para que se alcance níveisadequados de segurança e higiene;• comunicação e cooperação em todos os níveis;• proteção dos trabalhadores e seus representantes contra toda medida disciplinar resultante deação de acordo com a política.2. Necessidade de estudos periódicos, globais ou referentes a determinados setores, da situaçãoem matéria de segurança e saúde dos trabalhadores e meio ambiente de trabalho, paraidentificação de problemas principais, proposição e priorização de medidas e avaliação deresultados.3. Dever da autoridade competente de:• Determinar, de acordo com a natureza e graus de risco, as condições de concepção, construção,início de operação e processos a serem modificados na empresa, assim como a segurança deequipamentos técnico e procedimentos de trabalho;
  5. 5. • determinar proibição, limitação ou controle de operações e processos, substâncias e agentes;• estabelecer e aplicar procedimentos para notificação de acidentes do trabalho e doençasprofissionais, elaborando estatísticas anuais;• realizar inquéritos em caso de acidentes ou doenças profissionais que indiquem situação grave;• publicar anualmente informações sobre a aplicação da política nacional, acidentes do trabalho edoenças profissionais;• estabelecer sistema de análise de agentes químicos, físicos ou biológicos que possam trazerdanos à saúde dos trabalhadores.5. Proteção do trabalhador que interrompa situação de trabalho por acreditar que a mesma tragaperigo grave e iminente à sua vida ou saúde.8. Necessidade no âmbito da empresa de medidas de moção da segurança e saúde, por meio dacooperação e comunicação ampla entre trabalhadores e empregadores e do fornecimento deinformações e formação adequadas.Naquela época estávamos implantando os programas de sistemas de gestão integrada, associandoàs normas de questão da qualidade as normas de segurança e saúde do trabalhador com a normade meio ambiente. Tínhamos um tempo muito curto para repassar tantas informações e asdificuldades inerentes a ter em um mesmo ambiente pessoas com distintos níveis decompreensão, conhecimento e leitura e que precisariam saber para nos apoiar nos programas decertificação, já que os sistemas somente seriam válidos e certificados se cada um daqueles quetrabalhasse naquele local os entendesses e os cumprissem. O que fazer então? Uma das propostasera a de utilizar os diálogos diários de segurança, meio ambiente e saúde como uma maneira dedivulgar o que se fazia. Ocorre que a grande maioria dos empregados não estava nem um poucopreocupada com essas questões, já que suas permanências na obra seriam curtas, da ordem dealguns meses até um ano e meio, o maior contrato então, que continha maior quantidade deserviços a serem executados.Mas, um dos quesitos importantes que tínhamos pela frente era a da redução da quantidade deacidentes do trabalho ou a eliminação desses, até então coisa impensável. Em pesquisas locaismais aprofundadas o “Nó de Górdio” era o Ambiente do Trabalho, ou o local onde ostrabalhadores permaneciam e realizavam suas atividades laborais. Assim, procuramos entreoutras ações explorar esses diálogos para a divulgação de nossas ações, e, por surpresa,descobrimos alto interessante, que o trabalhador “fingia não conhecer seu ambiente de trabalho”,mas era um conhecedor daquele ambiente. Assim, por que não tirar proveito disso. Com base
  6. 6. nessa premissa resolvemos reinventar os modelos de DDSMS e a profundidade de suasabordagens, com o apoio de nossa equipe de profissionais de SMS, muitos com mais de 25 anosde experiência só naquele ambiente.Como o nível geral dos trabalhadores braçais não era elevado, mas eles tinham grandereligiosidade, típica daqueles que procuram pelo amor ou pela dor uma instituição religiosa paraapoiá-los em sua incessante busca de trabalho, vimos na questão religiosidade um aspecto a sertrabalhado, já que influenciava muito nas questões de qualidade de vida e no ambienteorganizacional.Para fugir ao lugar comum, passamos a ter o cuidado de não misturar conceitos. Não estávamosalí para nenhuma pregação religiosa, pois que seria um local impróprio, mas sim, para conversarcom os trabalhadores sobre vários temas de modo organizado e com tempo limitado. Muitasvezes a quantidade de temas a serem tratados era tanta que não tínhamos diálogos e simmonólogos, o que evitávamos ao máximo. Em avaliações anteriores detectamos que muitos dostrabalhadores daquele nível – trabalhadores braçais, cerca de 60% tinham a religião comoleniência para seus sofrimentos e angustias. Ou seja, conseguiam abrandar seus corações atravésdas religiões. Do total daqueles que seguiam alguma religião e a declaravam, cerca de 40% eramevangélicos, 30% católicos, 15% se diziam espíritas e o restante não informava suas crenças.Tendo como uma das guias a religião para atingir o coração daqueles que frequentavam osDDSMS, também tendo as pautas dos assuntos a serem abordados, deveríamos mesclar conceitospara não tornar as reuniões enfadonhas. Outro aspecto a considerar era que a prática comum dasequipes de SMS era primeiro a do afastamento do trabalhador da obra, como razão de punição,por não cumprirem os procedimentos de segurança e se exporem desnecessariamente a riscos deacidentes do trabalho. Tínhamos por filosofia que ao invés de cobrar daqueles o máximo quandonão entendiam o mínimo, era preferível elegermos referências para eles, buscando encontraraqueles que apresentavam um comportamento considerado aceitável. A partir daí, todos osdemais iriam procurar ser bons também para merecerem os prêmios e reconhecimentos. Assim,por um lado sabíamos das preferências religiosas, e por outro lado a falta do conhecimentotécnico e de segurança do trabalho necessário, procuramos mesclar ideias, para apresentar umnovo conceito de DDSMS, interativo, discursivo, e, ao mesmo tempo, reconhecedor das boasideias e intensões. Mas, ressalta-se, a questão religião/religiosidade sempre foi um grandeentrave. Os empregados mais antigos denominavam os DDSMS de “escolinhas” ou “missas”.
  7. 7. A religiosidade pode ser entendida como um sentimento religioso, que não se liga a nenhumareligião específica, onde o cidadão passa a ter uma relação mais fraterna para com seus irmãos.Essa relação pode contemplar a ajuda graciosa em todos os momentos, o apoio moral, o auxílioaos mais necessitados, o pensamento correto de apenas fazer o bem, a demonstração de sólidosvalores morais. Religiosidade muitas vezes é confundida com religião, mas são “sentimentos”distintos.A religião transforma o indivíduo, fazendo-o crer em um ente supremo, e acatando as chamadascoisas santas. O indivíduo adota uma religião por uma infinidade de razões, que passamnecessariamente por convicções familiares, envolvimentos com grupos sociais, razões político-econômicas, com relatos de pessoas que passaram a seguir determinados dogmas em virtude depromessas feitas a um Ser Superior, por razões de recuperação de um parente próximo, enfim,muitos adotam uma determinada religião como “uma válvula de escape”, a religião passa a ser oapoio que necessitam quando “tudo o mais ao redor não dá certo”. Enfim, crenças são crenças enão se discute, é o que diz o ditado popular.Nossas práticas diárias passaram a ser copiadas pelas empresas que a levavam para outras obrasonde atuavam. Para nós, era uma nova forma de conversar com os funcionários das empresascontratadas, de ter a oportunidade de discutir temas relevantes e de aproximar essas pessoas aosdemais integrantes das obras, ou seja, possibilitar que ações simples tivessem maior impacto eque esse conduzisse a um ambiente de trabalho saudável.O dia destinado a temas gerais passou a seu um dia em que nossa preocupação era a de levar àspessoas temas como: influência dos relacionamentos interpessoais no ambiente de trabalho,respeito para com os colegas, a pro-atividade como virtude e não uma obrigação e, acima de tudo,os valores morais.O que percebemos também foi que aquele ambiente passou a ser um ambiente de trabalhoagradável, onde não ocorriam separações pelas cores dos uniformes ou pelos títulos ou cargos noscrachás. Eram apenas pessoas que estavam trabalhando juntas, e que passaram não só a cuidar desi como também de seus companheiros. Não importa que se passasse mais de 2.200 dias sem aocorrência de nenhum acidente do trabalho.Esta pequena mensagem é dirigida a todos aqueles que puderam compartilhar a apoiar arealização dessas atividades (TRANSPETRO/TEFRAN e Engenharia/IETEG/IEABAST/CMSCPR) e
  8. 8. todas as empresas que acreditaram em um sonho, que culminou, em uma área de elevado risco,com atividades perigosas, que cada pessoa fosse o “Anjo da Guarda” de seus companheiros.Méritos? Foram de todos os que acreditaram na ideia de que as mudanças podem ocorrerenquanto quando houver vontade. Muitas vezes nem é necessário nenhum recurso financeiro oumaterial, mas sim Boa Vontade.Os ganhos indiretos foram contratos cumpridos nos prazos, pessoas felizes em poder colaborar e,acima de tudo, 2.200 dias sem qualquer acidente. Mas o maior de todos os méritos foi o de nãotermos tido nenhum acidentado. As pessoas retornavam para seus lares da mesma forma quechegavam ao trabalho. Muitos levavam os materiais de divulgação para suas casas,compartilhando com seus filhos.Não é necessário ou condição básica para que você possa realizar mudanças em seu ambiente detrabalho, que seja o gerente geral, o engenheiro ou o encarregado da empresa. Faça você a suaparte, em cada obra que se encontre, em cada ambiente que se esteja. Mude para melhor o seuambiente de trabalho e os resultados chegarão a um tempo bem rápido.Com as empresas cada vez mais preocupadas com custos, e os prazos mais apertados, essesencontros foram substituídos em muitas empresas por normas e procedimentos. De certa formaos custos são realmente importantes. Imaginemos uma empresa com 5.000 funcionários, comsalário “cheio” de R$ 3.000,00, cada um trabalhando 40 horas por semana. Um DDSMS de 15minutos diários poderia representar um “custo” de: CT = 5.000 x R$ 3.000,00 = R$ 15.000.000,00.Uma paralisação de 15 minutos ao dia (min/d) representaria, ao final do mês: 15’ x 6d =1,5h/semana. (1,5h/semana ÷ 40h/semana) x 100% = R$ 562.500,00 para todo o efetivo. Em obrascom cronogramas apertados ou limitados os custos podem aumentar. Mesmo assim, os benefíciosgerados com esse intercâmbio de ideias e a redução do número de mortos ou de acidentados nãose compara. Só como exemplo, imaginemos que nesse contingente de 5.000 pessoas ocorram 10acidentes sem afastamento, mas que representem uma perda de 5 dias nas atividades dessesfuncionários devido às restrições dos acidentes e ida a médicos para o tratamento das lesões. Ocusto nesse caso seria de 10p x 5d/30d x R$ 3.000,00 = R$ 5.000,00. Em uma comparação assim aempresa pode ser induzida a preferir perder R$ 5.000,00 a ter que gastar R$ 562.500,00. Ascomparações não devem ser meramente matemáticas, já que estamos tratando da vida de sereshumanos. Também não podemos dar uma certeza de que a simples realização dos DDSMS será umfator preponderante para redução dos acidentes do trabalho. Nossas constatações, com um total
  9. 9. de 450 trabalhadores foram que não houve nenhuma ocorrência de acidentes pelo período de2.200 dias em que estivemos, com nossa equipe, à frente das atividades de QSMS, e que orelacionamento interpessoal melhorou consideravelmente, sem que tivéssemos percebidoquaisquer problemas mais sérios, a ponto de nossa equipe ter que intervir. Um acidente comafastamento não representa apenas o pagamento pela empresa pelos primeiros 15 dias.Representa a paralização das atividades do acidentado, a momentânea paralisação das atividadesou a redução do ritmo de trabalho de seus colegas, a capacitação de novo profissional que irásubstituir o funcionário acidentado, a perda de ritmo de produção com o novo funcionário até queesse aprenda a função corretamente, enfim, são inúmeros os custos envolvidos. Serão iguais aoscustos de nosso DDSMS? Talvez não, podem ser bem menores. Mas mesmo assim os benefíciosconseguidos através dos DDSMS ainda serão bem maiores. Podemos dizer que os custos dosDDSMS podem ser reduzidos, na medida em que a produtividade dos trabalhadores aumenta e oretrabalho passa a ser menor. Em nossas estatísticas percebemos um aumento da produtividadeem cerca de 15% e uma redução do retrabalho da ordem de 5%. Se os trabalhadores passaram aproduzir mais, a conta pode ser mais fácil. Para produzir 100% o trabalhador recebe R$ 3.000,00.Se a produtividade aumenta 15% isso significa uma economia de R$ 450,00 por trabalhador. Semultiplicarmos pela quantidade de trabalhadores do projeto teremos: R$ 450,00 x 5.000p = R$2.250.000,00 ao mês, supondo que o percentual de aumento de produtividade seja o mesmo paratodos os trabalhadores. Pensando dessa forma, vale a pena investir-se nos DDSMS.

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