UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
ENGENHA...
MARIA ZUILA CYSNEIROS DE MIRANDA
GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: UMA ANÁLISE EM
CANTEIROS DE OBRAS DE EDIFÍ...
DEDICATÓRIA
Aos meus inesquecíveis pai Orlando
de Miranda Henriques Filho (in
memoriam) e avô Orlando de
Miranda Henriques...
AGRADECIMENTOS
Ao Deus de amor e misericórdia que nos deu o sopro da vida e nos
oportunizou “ser cristão” nessa abençoada ...
RESUMO
Na atualidade, os resíduos da construção civil (RCC) representam um grande
desafio para o setor e o seu gerenciamen...
ABSTRACT
At present time, the construction waste (CW) represents a major challenge for the
segment and its management duri...
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Composição da Cadeia Produtiva da Construção 2012.........................47
Figura 2 – Fluxog...
Figura 27 – Canteiros D1 e D2 – Comparativo final pelas médias........................142
Figura 28 – Canteiros E1 e E2 – ...
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Classes de RCC e destinação por classe segundo a Resolução
CONAMA 307/2002 alterada pelas reso...
Quadro 22 – Canteiros A1 e A2 - Percentual quanto as práticas para GRCC ......137
Quadro 23 – Canteiros A1 e A2 - Percentu...
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Fatores que dificultam a separação dos resíduos gerados durante a
execução dos serviços na obr...
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABCP Associação Brasileira de Cimento Portland
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnica...
NR Norma Regulamentadora
OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
PBQP-H Programa Brasileiro de Qualid...
SINDUSCON-SP Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São
Paulo
WBSCD World Business Council for Sustaina...
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO.........................................................................................................
3.3.3 Elaboração da Estrutura do Questionário 2 ....................................72
3.3.4 Elaboração da Estrutura do Qu...
4.3.8 Resultados para as principais ocorrências de perdas e
desperdícios e inovações tecnológicas implantadas para
minimiz...
19
1 INTRODUÇÃO
A indústria brasileira da construção assume cada vez mais sua importância no
contexto mundial e atualmente...
20
entendimento de gestão empresarial e integrá-lo aos conceitos de gestão ambiental.
É necessário um novo modelo para o g...
21
visando minimizar esse tipo de resíduo e envolvendo os demais setores da empresa;
o modelo implantado pelas empresas co...
22
não geração e/ou redução de resíduos na origem da fonte do setor da construção
civil. Os resíduos gerados nos processos...
23
desenvolvimento de novos materiais e equipamentos para a produção, que
constituem ainda outro tipo de obstáculo para qu...
24
mudanças ampliadas para o segmento e globais, para o setor da construção civil.
Dessa forma, identificando-se a justa a...
25
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (GRCC)
2.1.1 Os Resíduos Sólidos
Está associa...
26
Resíduos representam ineficiência produtiva, custos financeiros e riscos à
saúde e ao meio ambiente, portanto a redução...
27
de trato, cuidados e destinação e depois, mais especificamente, suas próprias
normativas (VIANA, 2009).
2.1.2 Os Resídu...
28
Para a classificação dos RCC a Resolução nº 307/2002 do CONAMA em seu
artigo 3º estabelece quatro classes de resíduos e...
29
parágrafo primeiro fica estabelecido que “os resíduos da construção civil não
poderão ser dispostos em aterros de resíd...
30
A Resolução 448/2012 do CONAMA dá ênfase à necessidade de triagem dos
RCC para destinação conforme sua classe, aos proc...
31
aponta também a necessidade de políticas de devolução, a fim de desenvolver o
mercado para o produto originado em um ci...
32
outras categorias de resíduos eventualmente gerados no
empreendimento, em locais tais como ambulatórios, refeitórios e
...
33
da Resolução 307/2002 do CONAMA estabelece que os Planos de Gerenciamento
de Resíduos da Construção Civil deverão conte...
34
destinados a áreas definidas pelo poder público, atravessam as distâncias entre as
áreas de recebimento e os centros ur...
35
Quadro 2 – Progressão de pesquisas realizadas para avaliação de perdas de materiais
Autores Nº de
obra
Nº de
materiais
...
36
Shingo e Skoyles (1981, 1987 apud Pucci 2006) relata que as perdas podem
ser classificadas de acordo com a possibilidad...
37
efetivamente em resíduo, pois uma parte acaba ficando na própria obra. Segundo o
mesmo autor, pesquisas brasileiras sob...
38
Quadro 4 – Estudo de entradas e saídas da indústria da construção... (continuação)
Água, energia elétrica,
madeira, par...
39
Para os resultados das pesquisas realizadas fica evidenciado que é no
processo de produção do edifício, na origem do pr...
40
forma despesas e problemas, inicialmente para empresas construtoras e
posteriormente para os órgãos públicos responsáve...
41
pequenos geradores e a gestão pela municipalidade, isso sem ainda contabilizar o
dano ambiental, social e de saúde públ...
42
desenvolvimento de uma sensibilização ambiental focada em conservação e
preservação é fundamental e, campanhas públicas...
43
princípios de racionalização construtiva e construtibilidade de projetos, destaca-se a
necessidade de se reformular com...
44
dos Aterros da Construção Civil, seja pela elaboração das legislações pertinentes ou
pelo incentivo a novos negócios, c...
45
John (2000) relata que as mudanças para esse fim serão mais profundas que
aquelas causadas pela adoção do paradigma de ...
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Dissertação (Mestrado)_Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil_Maria Zuila Cysneiros de Miranda_2014

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE EDIFICAÇÕES E AMBIENTAL MARIA ZUILA CYSNEIROS DE MIRANDA GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: UMA ANÁLISE EM CANTEIROS DE OBRAS DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS EM CUIABÁ-MT Cuiabá - MT 2014
  2. 2. MARIA ZUILA CYSNEIROS DE MIRANDA GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: UMA ANÁLISE EM CANTEIROS DE OBRAS DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS EM CUIABÁ-MT Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Ambiental, da Universidade Federal de Mato Grosso, como requisito para obtenção do título de Mestre. Área de concentração: Construção Civil Orientador: Prof. Dr. José Manoel Henriques de Jesus Co-orientador: Prof. Dr. Adnauer Tarquínio Daltro Cuiabá - MT Maio, 2014
  3. 3. DEDICATÓRIA Aos meus inesquecíveis pai Orlando de Miranda Henriques Filho (in memoriam) e avô Orlando de Miranda Henriques (in memoriam).
  4. 4. AGRADECIMENTOS Ao Deus de amor e misericórdia que nos deu o sopro da vida e nos oportunizou “ser cristão” nessa abençoada escola, o Planeta Terra. Aos benfeitores espirituais que nos envolveram em vibrações de amor e incentivo, amparando-nos em nossos momentos de dúvidas e reflexões. À família que Deus nos presenteou para viver e aprender a amar, indistintamente. Aos amigos, a família do coração, que escolhemos para caminhar juntos, amparando e amparados pelo amor incondicional de sermos simplesmente irmãos. À minha secretária do lar Elisa que dedicou carinho e atenção para manter meu conforto, nas muitas noites e dias de trabalho. Aos colegas do Mestrado pela convivência e por dividirmos juntos o mesmo sonho. Aos meus professores orientadores Prof. Dr. José Henriques Manoel de Jesus e Prof. Dr. Adnauer Tarquínio Daltro, incansáveis nas etapas dessa caminhada, doando paciência e atenção em todos os momentos da jornada. A eles, meu especial agradecimento. Aos professores da banca examinadora Prof. Dr. Luiz Airton da Silva, Profa . Drª. Marta Regina Lopes Tocchetto, Profª. Drª. Eliana Beatriz Nunes Rondon Lima, pelas valiosas contribuições. Aos professores, à coordenação e à secretaria do Mestrado, pela atenção e dedicação durante o curso. Ao SindusCon-MT em nome do Presidente Eng. Cezário Neto, que acreditou e apoiou a pesquisa através de sua assessoria técnica e equipe, fundamentais para o início dos trabalhos nos canteiros de obra. Às empresas construtoras parceiras sem as quais não seria possível realizar a pesquisa; aos diretores, supervisores e coordenadores de obra que organizaram e disponibilizaram o tempo de suas equipes técnicas, nos canteiros de obra. Aos engenheiros civis e mestres de obra entrevistados e aos meus alunos da Faculdade de Engenharia Civil e estagiários, que contribuíram nos canteiros de obra com a pesquisa. A todos, minha gratidão!
  5. 5. RESUMO Na atualidade, os resíduos da construção civil (RCC) representam um grande desafio para o setor e o seu gerenciamento, durante a produção das edificações, promove nos canteiros de obra uma realidade vinculada ao modelo de gestão de cada empresa construtora. É preciso então ampliar o entendimento de gestão empresarial e integrá-lo aos conceitos de gestão ambiental. É necessário um novo modelo para o gerenciamento dos canteiros de obra que seja capaz de viabilizar o gerenciamento de RCC e contribuir positivamente, para o grave problema de administração de resíduos sólidos nas cidades brasileiras. A pesquisa se propôs a identificar e analisar o gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC) dentro dos canteiros de obra de edifícios residenciais, na cidade de Cuiabá, a partir da aplicação de uma ferramenta e instrumentos de análise e observação, que medisse quantitativa e qualitativamente esse gerenciamento. Também propôs avaliar o modelo de GRCC presente no canteiro de obra em relação à contribuição junto à cadeia produtiva da construção e a interrelação entre o gerenciamento do canteiro de obra e o gerenciamento de RCC, a partir de uma análise quantitativa e qualitativa das melhorias e inovações tecnológicas simples implantadas. Para alcançar esses objetivos foram estudadas seis empresas, entre as nove maiores com atuação no segmento, tanto regional como nacional, e que representaram mais de 50% do mercado para m2 em construção e em empreendimentos entregues em 2013. Em cada empresa foram pesquisados dois canteiros de obra, totalizando doze canteiros participantes. Na análise dos resultados obtidos percebe-se nesses canteiros ações e práticas referentes à introdução de melhorias e inovações tecnológicas simples relacionadas ao gerenciamento do canteiro de obra, embora ainda incipientes para resultados satisfatórios quanto ao gerenciamento de RCC. Ao integrar-se essas ações aos resultados obtidos para o modelo de gerenciamento de RCC implantado nos canteiros das empresas, foi possível constatar que 83% dos canteiros trabalham com modelo de gerenciamento de RCC insuficiente, sem contribuição ou impacto positivo na cadeia produtiva da construção. Face a todos os aspectos analisados, para as novas edificações na cidade de Cuiabá, os resultados indicaram um valor médio de RCC removido dos canteiros de 199 kg/m2 construído. Em comparação ao valor nacional mais difundido, 150 kg/m2 construído, o resultado da pesquisa é 25% maior; em comparação ao valor divulgado pela Prefeitura Municipal de Cuiabá para elaboração de Projeto de Gerenciamento de RCC para novas edificações, 120 kg/m² construído, o resultado da pesquisa é 40% maior. Palavras-chave: Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Canteiros de Obra. Construção Civil. Edifícios Residenciais.
  6. 6. ABSTRACT At present time, the construction waste (CW) represents a major challenge for the segment and its management during the production of buildings, for it promotes at the construction sites a reality linked to the management model of each construction company. It is then necessary to broaden the understanding of business management and integrate it to the concepts of environmental management. A new model for managing construction sites to be able to enable the management of CW and contribute positively to the serious problem of solid waste management in Brazilian cities is required. The research aimed to identify and analyze the management of construction waste (MCW) within the construction sites of residential buildings in the city of Cuiabá, from the application of a tool and instruments of analysis and observation, which measured quantitatively and qualitatively this management. Also aimed to identify to evaluat the model MCW present at the construction site and the interrelationship between the management of the construction site and management of construction waste, from a quantitative and qualitative analysis of simple technological improvements and innovations implemented. To achieve these goals, six of the nine largest companies in this segment, both regional and national, were studied, and which represented over 50% of the market for square meter in construction and projects delivered in 2013. In each company, two construction sites were surveyed, bringing the total to twelve participant In the analysis of the results it can be seen in these plots, actions and practices regarding the introduction of improvements, and technological innovations related to managing the construction site, although still preliminary to satisfactory results regarding the management of construction waste. By integrating these actions to the results obtained for model CW implanted in the construction sites of the companies, it was found that 83% of the constructions work with management construction waste insufficient without contribution or positive impact on the construction supply chain model. Considering all the aspects analyzed, for new buildings in the city of Cuiabá, the results indicated an average removed on construction sites of construction waste 199 kg/m2 built. Compared to the wider national value of 150 kg/m2 built, the research result is 25% higher; compared to the value reported by the Municipality of Cuiabá for developing project of construction waste management for new buildings, 120 kg/m² built, the research result is 40% higher. Keywords: Management Waste of Construction. Construction Sites. Construction. Residential Buildings.
  7. 7. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Composição da Cadeia Produtiva da Construção 2012.........................47 Figura 2 – Fluxograma geral da pesquisa...............................................................64 Figura 3 – Fluxograma da primeira e segunda fase para diagnóstico do canteiro de obra e avaliação do modelo de GRCC.................................................69 Figura 4 – Fluxograma geral da estrutura de pontuação e avaliação do modelo de GRCC implantado nos canteiros de obra.............................................80 Figura 5 – Tempo de trabalho na construção civil...................................................85 Figura 6 – Grau de escolaridade.............................................................................86 Figura 7 – Você faz a separação do lixo da sua casa?...........................................87 Figura 8 – Quantidade de lixo (resíduo) gerado na obra.........................................88 Figura 9 – O que você entende por gerenciamento resíduos da construção civil...88 Figura 10 – Destino dado para os resíduos da obra ...............................................92 Figura 11 – Periodicidade para realização da limpeza da obra...............................92 Figura 12 – Maiores percentuais para melhorias e inovações por item e canteiro..95 Figura 13 – Menores percentuais para melhorias e inovações por item e canteiro 96 Figura 14 – Percentual das empresas às questões do item 1) percepção das políticas ambiental e de qualidade da empresa .................................104 Figura 15 – Percentual das empresas às questões do item 2) práticas relacionadas ao GRCC - questões de 1 a 14..........................................................107 Figura 16 – Percentual das empresas às questões do item 2) práticas relacionadas ao GRCC - questões 15 a 27.............................................................108 Figura 17 – Percentual das empresas às questões do item 3) plano de GRCC, caracterização e triagem de RCC ......................................................111 Figura 18 – Percentual das empresas às questões do item 4) acondicionamento e/ou armazenamento temporário .......................................................117 Figura 19 – Percentual das empresas às questões do item 5) transporte e destinação final de resíduos...............................................................120 Figura 20 – Grau de dificuldade quanto ao GRCC no canteiro associado ao percentual de práticas para GRCC ....................................................127 Figura 21 – Canteiros B1 e B2 – Percentual comparativo para melhorias e inovações...........................................................................................136 Figura 22 – Canteiros B1 e B2 – Comparativo final pelas médias ........................136 Figura 23 – Canteiros A1 e A2 – Comparativo final pelas médias ........................138 Figura 24 – Canteiros F1 e F2 - Comparativo pelas médias para itens de melhorias e inovações........................................................................................139 Figura 25 – Canteiros F1 e F2 – Comparativo final pelas médias.........................139 Figura 26 – Canteiros F1 e F2 – Comparativo final pela média ............................141
  8. 8. Figura 27 – Canteiros D1 e D2 – Comparativo final pelas médias........................142 Figura 28 – Canteiros E1 e E2 – Comparativo final pelas médias ........................142 Figura 29 – Empresa C – Evolução do IGR RCC removido em kg/m² construído. Uma obra por ano para 2011, 2012 e 2013 .......................................149 Figura 30 – Empresa D - Evolução do IGR RCC removido em kg/m² construído. Para três obras em 2013....................................................................150
  9. 9. LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Classes de RCC e destinação por classe segundo a Resolução CONAMA 307/2002 alterada pelas resoluções CONAMA 348/2004, 431/2011 e 448/2012 ...........................................................................28 Quadro 2 – Progressão de pesquisas realizadas para avaliação de perdas de materiais...............................................................................................35 Quadro 3 – Classificação das perdas .....................................................................36 Quadro 4 – Estudo de entradas e saídas da indústria da construção civil..............37 Quadro 5 – Programas prioritários CBIC.................................................................49 Quadro 6 – Exemplos de iniciativas de sustentabilidade de entidades de classe....50 Quadro 7 – Pesquisas sobre inovação tecnológica na construção nacional no período 1998 a 2012 ............................................................................60 Quadro 8 – Síntese do universo, da amostra e dos critérios de seleção da pesquisa...............................................................................................67 Quadro 9 – Distribuição dos canteiros de obra por empresa ..................................68 Quadro 10 – Critério para avaliação do modelo de gerenciamento de RCC...........81 Quadro 11 – Melhorias e Inovações – percentual de respostas “SIM” às questões dos seis itens. Média por canteiro e por empresa................................94 Quadro 12 – Percentual por canteiro para item 1) Percepção das políticas ambiental e de qualidade da empresa. Média por canteiro para Práticas para GRCC. .......................................................................................102 Quadro 13 – Percentual por canteiro para item 2) práticas relacionadas ao GRCC..................................................................................................105 Quadro 14 – Percentual por canteiro para item 3) plano de GRCC, caracterização e triagem de RCC .................................................................................110 Quadro 15 – Percentual por canteiro para item 4) acondicionamento e/ou armazenamento de RCC....................................................................115 Quadro 16 – Percentual por canteiro para item 5) transporte e destinação final de resíduos .............................................................................................119 Quadro 17 – Percentual para itens de práticas e procedimentos em canteiros de obra quanto ao gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC).............................................................................................. 124 Quadro 18 – Comparativo da média por canteiro – percentuais entre melhorias e inovações x práticas para GRCC ......................................................125 Quadro 19 – Percentual por item - melhorias e inovações x práticas para GRCC Maior ocorrência de percentuais “insatisfatórios” (abaixo de 50%)....133 Quadro 20 – Percentual de melhorias e inovações x práticas para GRCC Média por canteiro e por empresa .....................................................135 Quadro 21 – Percentual comparativo para melhorias e inovações x práticas para GRCC. Canteiros A1 e A2 - B1 e B2 -................................................135
  10. 10. Quadro 22 – Canteiros A1 e A2 - Percentual quanto as práticas para GRCC ......137 Quadro 23 – Canteiros A1 e A2 - Percentual para melhorias e inovações ...........137 Quadro 24 – Percentual comparativo para melhorias e inovações x práticas para GRCC - Canteiros F1 e F2.................................................................138 Quadro 25 – Percentual comparativo para melhorias e inovações x práticas para GRCC - Canteiros C1 e C2................................................................140 Quadro 26 – Percentual comparativo para melhorias e inovações x práticas para GRCC - Canteiros D1 e D2 - E1 e E2 ................................................141 Quadro 27 – Resultado por canteiro para índice de geração de resíduos (IGR) ..147 Quadro 28 – RCC destinado ou removido em kg/m2 construído (por canteiro e média geral) .......................................................................................147 Quadro 29 – Comparativo entre valores utilizados para RCC em kg/m2 para edificações novas...............................................................................148 Quadro 30 – Comparativo entre os resultados finais por canteiro ........................150 Quadro 31 – Comparativo entre os resultados finais de práticas para GRCC e modelo de GRCC...............................................................................152 Quadro 32 – Percentual obtido para melhorias e inovações x práticas para GRCC. Análise por item de maior ocorrência de percentual abaixo de 50%..153 Quadro 33 – Comparativo por empresa para os resultados finais. Média geral para resultados finais. ................................................................................153
  11. 11. LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Fatores que dificultam a separação dos resíduos gerados durante a execução dos serviços na obra............................................................89 Tabela 2 – Fatores que dificultam o correto armazenamento dos resíduos no canteiro de obra ...................................................................................90 Tabela 3 – Respostas a pergunta: O que poderia ser feito para a redução dos resíduos da sua obra............................................................................93 Tabela 4 – Maiores e menores percentuais de melhorias e inovações por item e por canteiro ................................................................................................97 Tabela 5 – Percentual médio para melhorias e inovações por canteiro e por empresa ...............................................................................................97 Tabela 6 – Percentual médio por empresa para melhorias e inovações.................99 Tabela 7 – Média geral por item de melhorias e inovações. Média das empresas. 99 Tabela 8 – Classificação do material que gera maior índice de resíduos nos canteiros.............................................................................................113 Tabela 9 – Dificuldades em relação ao plano de GRCC, caracterização e triagem de resíduos ........................................................................................113 Tabela 10 – Dificuldades em relação a acondicionamento e/ou armazenamento temporário de RCC ............................................................................118 Tabela 11 – RCC gerado na obra e destinado para outras obras, venda, reúso, doação ...............................................................................................122 Tabela 12 – Dificuldades em relação ao item 5) transporte e destinação final de resíduos .............................................................................................122 Tabela 13 – Hierarquia de medidas eficientes para GRCC com prioridade informada pelos engenheiros da obra................................................128 Tabela 14 - Classificação das principais ocorrências de perdas e desperdícios nos canteiros.............................................................................................130 Tabela 15 – Classificação para as maiores dificuldades existentes em relação a mão de obra para não gerar e/ou reduzir perdas/desperdícios no canteiro ..............................................................................................130 Tabela 16 – Inovações tecnológicas implantadas no canteiro para minimizar perdas e desperdícios....................................................................................131 Tabela 17 – Respostas à avaliação do modelo de GRCC implantado nos canteiros da empresa ........................................................................................142 Tabela 18 – Notas às questões da avaliação do modelo de GRCC implantado nos canteiros da empresa. Média das categorias analisadas...................143 Tabela 19 – Classificação do modelo de GRCC implantado nos canteiros da empresa .............................................................................................144
  12. 12. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABCP Associação Brasileira de Cimento Portland ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ABRAMAT Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção ARs Áreas de Reciclagem AsBEA Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura ATT Área de Transbordo e Triagem BIM Building Information Modeling CBCS Conselho Brasileiro de Construção Sustentável CBIC Câmara Brasileira da Indústria da Construção CDSC/FDC Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade da Construção, Fundação Dom Cabral CIC Câmara da Indústria da Construção CNI Confederação Nacional da Indústria CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente CREA Conselho Regional de Engenharia e Agronomia CTR Controle de Transporte de Resíduos ECO OBRA Metodologia de Avaliação da Sustentabilidade Ambiental para Canteiros de Obra FA Frequência Absoluta FGV Fundação Getúlio Vargas FR Frequência Relativa GRCC Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil IEL Instituto Euvaldo Lodi IGR Índice de Geração de Resíduos IGP-DI Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna ISO Internacional Organization Standard I&T Informações e Técnicas ITQC Instituto Brasileiro de Tecnologia e Qualidade na Construção MDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio MMA Ministério do Meio Ambiente MTE Ministério do Trabalho e Emprego NBR Norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas
  13. 13. NR Norma Regulamentadora OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico PBQP-H Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat PIGRCC Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil PIT Programa de Inovação Tecnológica na Construção PGRCC Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil P + L Produção Mais Limpa PMC Prefeitura Municipal de Cuiabá PMGRCC Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento RCC Resíduos de Construção Civil RSU Resíduos Sólidos Urbanos R1 Resposta Um R2 Resposta Dois R3 Resposta Três R4 Resposta Quatro R5 Resposta Cinco SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio as Pequenas Empresas SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SiAC Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obra da Construção Civil SINDUSCON-AL Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de Alagoas SINDUSCON-GO Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de Goiás SINDUSCON-MT Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de Mato Grosso SINDUSCON-MG Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de Minas Gerais SINDUSCON-PR Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Paraná
  14. 14. SINDUSCON-SP Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo WBSCD World Business Council for Sustainable Development
  15. 15. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................................................19 1.1 OBJETIVOS ...................................................................................................21 1.2 JUSTIFICATIVA ..............................................................................................21 2 REVISÃO DA LITERATURA................................................................................25 2.1 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (GRCC).....................25 2.1.1 Os Resíduos Sólidos .........................................................................25 2.1.2 Os Resíduos da Construção Civil (RCC) e a Legislação Vigente ..27 2.1.3 A Legislação Municipal de Cuiabá para Resíduos da Construção Civil (RCC)......................................................................31 2.1.4 Perdas de Materiais nos Canteiros de Obra ....................................33 2.1.5 Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (GRCC) nos Canteiros de Obra ..............................................................................39 2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.................................................................45 2.2.1 A Cadeia Produtiva e a Sustentabilidade na Construção...............46 2.2.2 Construção Sustentável ....................................................................51 2.2.3 Conceito de Inovação Tecnológica ..................................................54 2.3 MELHORIAS E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS SIMPLES EM CANTEIROS DE OBRA...57 2.3.1 O Canteiro de Obra ............................................................................57 2.3.2 Melhorias e Inovações Tecnológicas Simples em Canteiros de Obra.....................................................................................................59 3 MATERIAS E MÉTODOS.....................................................................................63 3.1 AS EMPRESAS E OS CANTEIROS DE OBRA PARA A PESQUISA...........................66 3.2 DIAGNÓSTICO DOS CANTEIROS DE OBRA E AVALIAÇÃO DO MODELO DE GRCC IMPLANTADO NOS CANTEIROS DE OBRA..............................................68 3.3 LISTAGEM E QUESTIONÁRIOS APLICADOS NOS CANTEIROS DE OBRA................69 3.3.1 Aplicação da listagem modificações, melhorias e inovações tecnológicas simples encontradas em canteiros de obra..............70 3.3.2 Elaboração da Estrutura do Questionário 1 ....................................71
  16. 16. 3.3.3 Elaboração da Estrutura do Questionário 2 ....................................72 3.3.4 Elaboração da Estrutura do Questionário 3 ....................................76 3.4 CRITÉRIO DE PONTUAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO PARA AVALIAÇÃO DO MODELO DE GERENCIAMENTO DE RCC IMPLANTADO NOS CANTEIROS DE OBRA.............80 3.5 EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE GERAÇÃO DE RESÍDUOS POR EMPREENDIMENTO E EMPRESA (IGR) NO PERÍODO 2011-2013.......................................................82 3.5.1 Cálculo do total de RCC destinado/removido em kg/m² construído por obra e por empresa..................................................83 3.6 COMPARATIVO FINAL ENTRE TODOS OS ASPECTOS MEDIDOS.............................84 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES..........................................................................85 4.1 PERCEPÇÃO DO MESTRE DE OBRA EM RELAÇÃO AO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL NOS CANTEIROS DA EMPRESA.......................85 4.2 RESULTADOS PARA O LEVANTAMENTO DAS MELHORIAS E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS SIMPLES IMPLANTADAS NOS CANTEIROS DE OBRA....................94 4.3 RESULTADOS PARA AS PRÁTICAS E PROCEDIMENTOS EM CANTEIROS DE OBRA QUANTO AO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (GRCC) ..100 4.3.1 Resultados para o item percepção das políticas ambiental e de qualidade da empresa......................................................................101 4.3.2 Resultados para o item práticas relacionadas ao GRCC..............105 4.3.3 Resultados para o item plano de GRCC, caracterização e triagem de RCC ................................................................................109 4.3.4 Resultados para o item acondicionamento e/ou armazenamento temporário de RCC...........................................................................115 4.3.5 Resultados para o item transporte e destinação final de resíduos ............................................................................................119 4.3.6 Análise geral dos resultados percentuais para as práticas e procedimentos em canteiros de obra quanto ao gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC)........................................123 4.3.7 Resultados para o item grau de dificuldade e hierarquia de medidas eficientes quanto ao GRCC no canteiro de obra ...........127
  17. 17. 4.3.8 Resultados para as principais ocorrências de perdas e desperdícios e inovações tecnológicas implantadas para minimizar perdas e desperdícios nos canteiros ...........................129 4.3.9 Análise comparativa entre resultados para melhorias e inovações x práticas para GRCC....................................................133 4.3.10 Análise comparativa para resultados entre canteiros da mesma empresa: melhorias e inovações x práticas para GRCC ..............135 4.4 RESULTADO DA AVALIAÇÃO DO MODELO DE GRCC IMPLANTADO NOS CANTEIROS DE OBRA DA EMPRESA ...............................................................142 4.5 RESULTADO DO ÍNDICE DE GERAÇÃO DE RESÍDUO - IGR (M³/M²) - E QUANTIDADE DE RESÍDUO REMOVIDO EM QUILOS POR METRO QUADRADO CONSTRUÍDO (KG/M²), POR CANTEIRO ...........................................................146 4.5.1 Evolução do IGR por empresa e canteiro ou quantidade de resíduo removido em kg/m² construído, no período 2011-2013 ..149 4.6 COMPARATIVO ENTRE OS RESULTADOS FINAIS...............................................150 5 CONCLUSÕES...................................................................................................155 REFERÊNCIAS........................................................................................................159 APÊNDICE A – FORMULÁRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA E DO SETOR DE ATUAÇÃO...................................................................................................170 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO 01 – PERCEPÇÃO DO MESTRE DE OBRA EM RELAÇÃO AO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (GRCC) NOS CANTEIROS DE OBRA..................................................................................171 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO 02 – LEVANTAMENTO DE PRÁTICAS E PROCEDIMENTOS EM CANTEIROS DE OBRA PARA GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (GRCC) .................................................173 APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO 03 – AVALIAÇÃO DO MODELO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (GRCC) IMPLANTADO NOS CANTEIROS DE OBRA DA EMPRESA ....................................................................................178 ANEXO I – LISTAGEM MODIFICAÇÕES, MELHORIAS E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS SIMPLES .....................................................................................................182
  18. 18. 19 1 INTRODUÇÃO A indústria brasileira da construção assume cada vez mais sua importância no contexto mundial e atualmente o Brasil ocupa a quarta posição do mundo, em número de empreendimentos com certificados de sustentabilidade. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC, 2012) promove-se uma verdadeira revolução nos canteiros de obra com a contratação de mulheres e com a geração de empregos com níveis cada vez maiores de qualificação, o que muda para sempre o perfil dos nossos profissionais. Mesmo diante desse quadro promissor que confirma a relevância do setor na atividade econômica do país, sua magnitude não permite que todas as mudanças necessárias sejam implementadas ao mesmo tempo, em um país de dimensão continental. O atual e aquecido mercado da construção civil ainda hoje responde pela geração de empregos com uma particularidade: a contratação, em larga escala, de pessoas com pouca escolaridade e sem experiência de trabalho. Frente à sua representativa atividade a cadeia produtiva da construção civil tem uma nova agenda a cumprir: com as mudanças climáticas e a escassez de recursos naturais, fonte da matéria-prima do setor, exige-se novas formas de organização empresarial e política. O modelo a ser buscado é o do desenvolvimento humano, da inovação tecnológica e do uso e reúso equilibrado de recursos disponíveis. Tal transformação exige mudanças em termos de regulamentação, mercado, de produtos e insumos, mensuração de lucros e perdas e que se torna realidade à medida que se passa a encarar os desafios da cadeia produtiva da construção não mais sob uma lógica de custos, mas de oportunidades. Com esse panorama, com o mercado da construção civil aquecido, principalmente o segmento de construções residenciais, com o anúncio do Brasil como país-sede da Copa de Mundo, a pesquisa tem como elemento motivador a geração de resíduos da construção civil (RCC) nos canteiros de obra, especificamente na produção de edifícios residenciais localizados na área urbana da cidade de Cuiabá, Mato Grosso, uma das subsedes da Copa 2014. Na atualidade, para o setor, os resíduos da construção civil (RCC) representam um desses grandes desafios e o seu gerenciamento durante a produção das edificações promove nos canteiros de obra uma realidade vinculada ao modelo de gestão de cada empresa construtora. É preciso então ampliar o
  19. 19. 20 entendimento de gestão empresarial e integrá-lo aos conceitos de gestão ambiental. É necessário um novo modelo para o gerenciamento dos canteiros de obra que seja capaz de viabilizar o gerenciamento de RCC e contribuir, positivamente, para o grave problema de administração de resíduos sólidos nas cidades brasileiras. A partir da relevância do tema no cenário brasileiro dos RCC e dos resíduos em geral, a Lei 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos que dispõe sobre princípios, objetivos e instrumentos envolvendo as responsabilidades dos geradores de resíduos e do poder público, bem como diretrizes para a gestão integrada e o gerenciamento de resíduos sólidos no país. Buscam-se ações voltadas para soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável É necessário então atuar dentro dessa realidade ainda caótica, sob a ótica ambiental, tanto em relação à empresa como em seus canteiros de obra, e promover mudanças a partir do alcance possível de cada empresa; já não há tempo para aguardar saltos qualitativos a partir de um número cada vez mais expressivo de empreendimentos em execução e a executar em um mercado aquecido e acelerado. Torna-se necessário e urgente buscar soluções e investir, com velocidades diferentes em cada empresa, mas sempre visando o futuro para esse segmento: empreendimentos com certificado de sustentabilidade. Para os resíduos gerados nas atividades construtivas e inseridos na realidade descrita no quadro acima essa pesquisa partiu da análise dos dados de uma amostra específica, que permitiu compreender as percepções, as interpretações próprias e a apreensão do contexto de um problema que deve ser melhor definido e compreendido, através do contato direto com o objeto em questão. Buscou-se visibilidade para a seguinte questão – as práticas aplicadas pelas empresas construtoras relativas ao gerenciamento nos canteiros de obras de edifícios residenciais em Cuiabá são suficientes para a não geração e/ou redução de RCC – para as seguintes análises – as ações de inovação tecnológica na construção, quantitativas e qualitativas, implementadas pelas construtoras em Cuiabá, Mato Grosso, contribuem com o gerenciamento da obra e são suficientes para não gerar e/ou reduzir RCC; – existe por parte do mestre de obra uma percepção e um senso de observação em relação ao RCC gerado no canteiro de obra; – existe um modelo implantado para gerenciamento de RCC nos canteiros das empresas construtoras
  20. 20. 21 visando minimizar esse tipo de resíduo e envolvendo os demais setores da empresa; o modelo implantado pelas empresas construtoras para gerenciamento de RCC nos canteiros de obra contribui e gera impactos positivos para a cadeia produtiva da construção, visando promover a sustentabilidade no setor. 1.1 OBJETIVOS Como objetivo geral o trabalho teve como desafio identificar e analisar as práticas e os procedimentos presentes e o modelo de gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC) implantados em canteiros de obras de 6 (seis) empresas construtoras e incorporadoras na cidade de Cuiabá, na execução de novos edifícios residenciais, visando verificar se efetivamente contribuem para a não geração e/ou redução desses resíduos. Para esse fim foi necessário conhecer nos canteiros de obra das empresas, a) a percepção do mestre de obra em relação ao gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC); b) levantar e analisar as melhorias e inovações tecnológicas simples e suas interações com as práticas e os procedimentos implantados para gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC), bem como c) avaliar os modelos de gerenciamento de RCC presentes nos canteiros de obra. Também foi necessário: d) quantificar e analisar o índice de geração de resíduos (IGR), a partir do total de resíduos da construção civil gerado (RCC) em m³ em relação à área construída em m², tanto para os canteiros da pesquisa como também para outras duas obras concluídas no período de 2011-2013, por empresa. A partir do IGR (m³/m²) calculado, e) foi quantificado o total de resíduo removido dos canteiros em kg/m² construído e analisada a evolução de resíduo removido em kg/m² no período. Finalmente, f) comparou-se e analisou-se o valor médio de resíduo removido em kg/m² para novos edifícios nos canteiros de obra de Cuiabá, com aquele utilizado pela Prefeitura Municipal de Cuiabá e com o valor mais difundido nacionalmente. 1.2 JUSTIFICATIVA As pesquisas com ênfase na preservação e conservação do meio ambiente nos meios acadêmicos e empresariais tem crescido de maneira satisfatória, contudo não foram contabilizados avanços significativos quando o tema relaciona-se com a
  21. 21. 22 não geração e/ou redução de resíduos na origem da fonte do setor da construção civil. Os resíduos gerados nos processos construtivos, com destaque especial para o entulho, vêm demonstrando que o problema de resíduos da construção é enfrentado com solução de característica corretiva. A ocorrência do entulho no setor da construção ainda é considerada como parte integrante do processo construtivo e não como um problema. Como resultado, não se prioriza solução para esse tipo de problema e a tendência do setor é procurar atender as consequências, ou seja: os resíduos produzidos na origem do problema. Não se enquadrando em um padrão de gerenciamento único, capaz de atender a todos os processos executivos da obra, o setor mantém autonomia que permite criar soluções, gerenciar suas obras, reutilizar e/ou reciclar seus resíduos dentro de padrões empresariais próprios de atuação, decidindo quando e como deve integrar-se a processos construtivos mais eficientes. Por outro lado, a inovação em processos e produtos tem impulsionado cada vez mais a industrialização do setor, forçando as empresas da construção civil a se adaptarem a esses novos desafios impostos. Em busca de respostas eficientes e que atendam a sua competitividade, as empresas buscam adaptar-se para garantir o aumento da qualidade e produtividade. Considerando os impactos socioambientais de todas as atividades do setor e pelas pressões externas exercidas pelos que defendem o meio ambiente como patrimônio de todos, de uso comum, é necessário que se promova a sustentabilidade no segmento da construção civil com a promoção de sistemas construtivos integrados ao meio ambiente. Para tanto, a tomada de uma nova consciência pelo setor frente à realidade ambiental vigente fará com que as empresas passem a utilizar novos processos e inovações tecnológicas, como estratégia competitiva para suas organizações e com foco na redução de resíduos da construção civil (RCC). Por outro lado, devido aos riscos e incertezas inerentes às inovações tecnológicas, ainda pouco difundidas para a maior parte do setor, em razão de a cultura do segmento indicar que só depois de consolidada uma tecnologia passa a ser adotada por um número razoável de outras empresas, induz-se a uma velocidade de mudança aquém da necessidade. Contribuem também para as mudanças lentas a natureza multidisciplinar dos projetos e a dependência do
  22. 22. 23 desenvolvimento de novos materiais e equipamentos para a produção, que constituem ainda outro tipo de obstáculo para que inovações sejam adotadas. Para a realidade do setor, caminhar em direção às exigências ambientais com uma gestão inovadora envolve terceirizados, fornecedores, a direção da empresa e todos os demais agentes de transformação em um esforço conjunto e ampliado de comprometimento na obtenção de resultados. Esses agentes, que também fazem parte do gerenciamento de RCC, necessitam que procedimentos sejam estabelecidos para o manejo e a destinação ambientalmente adequados desse tipo de resíduo, bem como que os planos de redução, reutilização e reciclagem sejam implementados e a preparação do canteiro de obra para essa finalidade seja promovida. Um canteiro de obra sempre gera impactos e danos ao meio ambiente e nessa célula representativa da construção foi realizada essa pesquisa. Considerando-se que do início de cada obra, quando é feita a escolha da área a ser utilizada para a construção até sua conclusão, o meio ambiente sofre com os efeitos adversos e as consequências geradas pela implantação do empreendimento, pode- se elencar entre os impactos: a geração de resíduos, a contaminação de solos e lençóis freáticos, a poluição atmosférica causada por diversos fatores como a emissão de substâncias durante processos de produção de materiais utilizados, a poluição sonora, a poluição visual, entre outros. Mesmo com informações dos impactos ambientais provocados pelo setor, ainda assim o segmento não promove a sustentabilidade na construção civil com prioridade e urgência. Embora não seja essa nossa primeira motivação, este estudo busca contribuir para que mudanças empresariais necessárias para o setor sejam visualizadas a partir da análise da realidade dos canteiros de obra das empresas, quanto ao gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC) e suas interações com as melhorias e inovações tecnológicas simples em canteiros de obra. Que a partir dessas interações e práticas a sustentabilidade pretendida pelo setor seja mais bem compreendida, pela promoção e divulgação das melhores práticas encontradas além das conhecidas e convencionais, como também pela melhor compreensão dos modelos implementados e suas dificuldades quanto ao GRCC. Espera-se que as dificuldades levantadas sejam o ponto de partida para as estratégias e ações a serem implementadas pelas empresas em seus canteiros de obra e, a partir dessas mudanças locais, dentro de uma análise local, sejam obtidas
  23. 23. 24 mudanças ampliadas para o segmento e globais, para o setor da construção civil. Dessa forma, identificando-se a justa amplitude da situação-problema, sua complexidade, levantados seus dados e analisada e comparada a atual realidade dos canteiros de obra e das empresas, é esperado que se verifique se existe uma real contribuição para a não geração e/ou redução desses resíduos, não só pelas empresas como também pelo segmento vinculado à cadeia produtiva da construção. É a partir dos resultados dessa análise que se cria a expectativa em cada empresa para que se eleve os canteiros de obra à condição de uma participação efetiva nas mudanças visando à sustentabilidade do setor da construção civil: um desafio a ser enfrentado.
  24. 24. 25 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (GRCC) 2.1.1 Os Resíduos Sólidos Está associado ao cotidiano do ser humano produzir resíduos. É inimaginável um modo de vida sem a geração de resíduos sólidos mas, diante do contínuo crescimento populacional e sua concentração cada vez maior nos centros urbanos e um modo de vida baseado em consumo, os problemas gerados por estes resíduos tornarem-se visíveis e preocupantes. Resíduo, oriundo do latim residuu, que significa aquilo que sobra de qualquer substância, entrou para o jargão dos sanitaristas na década de 1960, em substituição ao desgastado termo lixo. O substantivo resíduo, tão logo passou a fazer parte do linguajar técnico, foi seguido do adjetivo sólido, a fim de diferenciar os resíduos sólidos dos restos líquidos lançados com os esgotos sanitários, como das emissões gasosas das chaminés (NETO, 2005 apud AMARAL, 2012). Segundo a NBR 10004 (ABNT, 2004), os resíduos sólidos são definidos como: Resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (NBR 10004, ABNT 2004). Para a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº 12.305 de 2 de agosto de 2010 (BRASIL, 2010), entende-se por resíduos sólidos: Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (Art. 3 o , XVI, BRASIL, 2010).
  25. 25. 26 Resíduos representam ineficiência produtiva, custos financeiros e riscos à saúde e ao meio ambiente, portanto a redução se configura em maior segurança, maior eficiência e melhor saúde ambiental e financeira e a não geração no estado ótimo de produção, sem desperdício. Para entender resíduos, o conjunto de normas técnicas da ABNT NBR 10004/10005/10006/10007 se constitui em uma ferramenta fundamental. A NBR 10004 classifica os resíduos em dois grandes grupos: os perigosos e os não perigosos, sendo que estes últimos ainda subdividem‐se em inertes e não inertes. As amostras de resíduos sólidos se caracterizam pela heterogeneidade e a amostragem correta visa minimizar este aspecto. Conhecer o tipo de resíduo gerado em um determinado processo é fundamental para adoção de estratégias de não geração e de redução. As estratégias de minimização referem-se fundamentalmente à redução, ao reúso (uso sem processamento) e à reciclagem (uso após algum tipo de tratamento), ou seja, relaciona-se aos populares 3Rs. A redução deve ser preferencialmente adotada antes das demais (TOCCHETTO, 2012). Os resíduos sólidos são classificados pela PNRS (BRASIL, 2010) quanto à origem e à periculosidade. Quanto à origem os resíduos sólidos podem ser classificados como: a) domiciliares, b) de limpeza urbana, c) sólidos urbanos (os englobados por “a” e “b”), d) de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços (exceto os referidos em “b”, “e”, “g”, “h” e “j”), e) dos serviços públicos de saneamento básico (exceto os referidos em “c”), f) industriais, g) serviços de saúde, h) da construção civil, i) agrossilvopastoris, j) de serviços de transportes e k) de mineração. Quanto à periculosidade classificam-se como: a) perigosos: aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica e b) não perigosos: aqueles não enquadrados em “a”. A PNRS (BRASIL, 2010) considera ainda que resíduos da construção civil são aqueles gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis. Relata Viana (2010) que para os Resíduos da Construção Civil (RCC) eles obedecem primeiro à classificação de resíduos sólidos, suas normativas
  26. 26. 27 de trato, cuidados e destinação e depois, mais especificamente, suas próprias normativas (VIANA, 2009). 2.1.2 Os Resíduos da Construção Civil (RCC) e a Legislação Vigente De acordo com Souza et al. (2004) o interesse em conhecer a quantidade de resíduos gerados pela indústria da construção civil já não é novidade, mas muitas vezes o assunto está inserido na discussão sobre a redução de desperdícios. A primeira referência nacional em relação ao mencionado, que suscitou uma discussão mais ampla sobre o assunto, foi a pesquisa concluída em 1986 pelo arquiteto Tarcísio de Paula Pinto que se preocupou em estudar o uso do material reciclado para produção de argamassas. O Brasil, até 2002, não contava com políticas públicas para gestão dos resíduos gerados pelo setor da construção civil e o fato de esses resíduos serem compostos de vários materiais com suas respectivas propriedades e características tornava inviável sua generalização como material. Em 2002, diante de um contexto ambiental, econômico e social que exigia regulamentação para o setor, a Resolução nº 307/2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) (BRASIL, 2002) foi o ponto de partida para a legislação de RCC no Brasil. Para isso, “estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil”, [...] considerando a necessidade de implementação de diretrizes para a efetiva redução dos impactos ambientais gerados pelos resíduos oriundos da construção civil; Considerando que a disposição de resíduos da construção civil em locais inadequados contribui para a degradação da qualidade ambiental; Considerando que os resíduos da construção civil representam um significativo percentual dos resíduos sólidos produzidos nas áreas urbanas; Considerando que os geradores de resíduos da construção civil devem ser responsáveis pelos resíduos das atividades de construção, reforma, reparos e demolições de estruturas e estradas, bem como por aqueles resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos [...] (BRASIL, 2002) E na mesma Resolução define-se que Resíduos de Construção Civil, São os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obra de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obra, caliça ou metralha (BRASIL, 2002).
  27. 27. 28 Para a classificação dos RCC a Resolução nº 307/2002 do CONAMA em seu artigo 3º estabelece quatro classes de resíduos e a Resolução nº 448/2012 do CONAMA, que altera a nº 307/2002, estabelece em seu artigo 10º a destinação dos resíduos de construção civil após triagem. O Quadro 1 mostra as classificações e destinações de RCC. Quadro 1 – Classes de RCC e destinação por classe segundo a Resolução CONAMA 307/2002 alterada pelas resoluções CONAMA 348/2004, 431/2011 e 448/2012 Classificação do RCC Descrição da Classe (Resolução CONAMA 307/2002 e suas alterações) Destinação por Classe (Resolução CONAMA 448/2012) Classe A São os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obra; Deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados ou encaminhados a aterros de resíduos classe A de reservação de material para uso futuro. Classe B São os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras e gesso (nova redação dada pela Resolução CONAMA n°431/11). Deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados às áreas de armazenamento temporário, de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura. Classe C São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou recuperação (nova redação dada pela Resolução CONAMA n°431/11). Deverão ser armazenados, transportados e receber destinação adequada, em conformidade com as normas técnicas específicas. Classe D São resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde. (nova redação dada pela Resolução CONAMA n°348/04). Deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas Fonte: CONAMA, MMA (2013). Na Resolução 448/2012 do CONAMA define-se no artigo 4º que “os geradores deverão ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem, o tratamento dos resíduos sólidos e a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”. Em seu
  28. 28. 29 parágrafo primeiro fica estabelecido que “os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos sólidos urbanos, em áreas de “bota fora", em encostas, corpos d'água, lotes vagos e em áreas protegidas por lei”. Para a reutilização e reciclagem de RCC define-se como reutilização o processo de reaplicação do resíduo sem transformação (sem demandar energia, sem gerar rejeitos). Para a reciclagem o processo é de reaproveitamento do RCC após ter sido transformado física ou quimicamente, com demanda energética e com geração de rejeitos, se ocorrer. Pela Resolução 307/2002 do CONAMA, o prazo estipulado até junho de 2004 para que os municípios brasileiros cumprissem suas determinações e elaborassem seus Planos Integrados de Gerenciamento de RCC não foi cumprido. Também não foi cumprido o prazo até janeiro de 2005 para que as empresas construtoras e grandes geradoras de RCC elaborassem seu Projeto de Gerenciamento de RCC para obter alvarás de licenciamento em todo o Brasil. Em 2012, com a Resolução 448/2012 (BRASIL, 2012) em vigor e que alterou a Resolução 307/2002 do CONAMA, parte dos artigos 2º, 4º, 5º, 6º, 8º, 9º, 10º, 11º, estabeleceu-se novo prazo para cumprimento das suas determinações. Em seu artigo 6º a Resolução 448/2012 do CONAMA estabelece que deverão constar do Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Construção Civil “as diretrizes técnicas e procedimentos [...] para os Planos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil a serem elaborados pelos grandes geradores, possibilitando o exercício das responsabilidades de todos os geradores”. Em seu artigo 8º estabelece que “os Planos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil serão elaborados e implementados pelos grandes geradores e terão como objetivo estabelecer os procedimentos necessários para o manejo e a destinação ambientalmente adequados dos resíduos”. A Resolução 448/2012 do CONAMA substituiu o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PIGRCC) pelo Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Construção Civil (PMGRCC), com data para elaboração pelos municípios até janeiro de 2013. Com prazos descumpridos mais uma vez, continuam as Prefeituras com a responsabilidade para resolver o planejamento e a administração da grande geração e deposição irregular de RCC nas cidades brasileiras e, para os geradores, de cumprir sua responsabilidade e assumir seu papel quanto ao gerenciamento de RCC.
  29. 29. 30 A Resolução 448/2012 do CONAMA dá ênfase à necessidade de triagem dos RCC para destinação conforme sua classe, aos procedimentos necessários para manejo e destinação ambientalmente adequados desses resíduos e define área de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos (ATT). ATT é a área destinada ao recebimento de resíduos da construção civil e resíduos volumosos, para triagem, armazenamento temporário dos materiais segregados, eventual transformação e posterior remoção para destinação adequada, observando normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e para minimizar os impactos ambientais adversos. Ainda pela Resolução 448/2012 do CONAMA resíduos têm destinação por Classe e, especificamente os de Classe B deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados às áreas de armazenamento temporário, de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura. Para a NBR 15113 (ABNT, 2004) não se recomenda a deposição de resíduos de gesso (Classe B) em aterro sanitário ou de RCC. Mesmo com essas recomendações, riscos para o meio ambiente e a saúde pública continuam ocorrendo em função de deposição irregular. Dado o montante de resíduo de gesso e o impacto por ele gerado, é importante considerar que o gesso é solúvel em água e pode contaminar os mananciais e o subsolo. Assim a disposição de gesso em aterro sanitário não é prática recomendada, exceto quando enclausurado e sem contato com matéria orgânica e água. John e Cincotto (2004 apud Fernandes 2013) relata que a segregação do resíduo de gesso no momento da geração e o controle de sua contaminação nas etapas de estoque e transporte são fundamentais para uma possível reciclagem; para isso estamos todos, construtoras, engenheiros e colaboradores, dependentes das empresas especializadas em gesso. Miranda (2005 apud Fernandes 2013) lembra que a melhor alternativa é que o gesso seja triado na origem da utilização, no canteiro. Entretanto, algumas construtoras que têm feito isso estão com dificuldade para encontrar um local para despejá-lo. Por outro lado, um dos principais usos do gesso é como revestimento de parede e esse tipo de resíduo, aderido parcialmente à base de alvenaria, não pode ser segregado nos canteiros de obra. Para Marcondes (2007) é essencial que construtoras passem a exigir em contrato, com o subempreiteiro e instalador do gesso, que seja sua a responsabilidade pela retirada e destinação do resíduo de sua atividade. O autor
  30. 30. 31 aponta também a necessidade de políticas de devolução, a fim de desenvolver o mercado para o produto originado em um ciclo reverso. 2.1.3 A Legislação Municipal de Cuiabá para Resíduos da Construção Civil (RCC) Silva (2012) relata que a Prefeitura Municipal de Cuiabá, com base na Política Estadual de Resíduos Sólidos, Lei nº 7.862 de 19 de dezembro de 2002 e na Resolução 307/2002 do CONAMA e suas alterações, elaborou a Lei n° 4.949 de 5 de janeiro de 2007 (PMC, 2007), instituindo o sistema de gestão sustentável dos resíduos da construção civil e resíduos volumosos e o plano integrado de gerenciamento de resíduos de construção civil. Relata ainda a autora que o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil foi implementado pela Lei n° 4.725 de 1 de outubro de 2008 (PMC, 2008), sendo regulamentado pela Lei n° 4.761 (PMC, 2009) apenas em fevereiro de 2009 (SILVA, 2012). A Lei n° 4.949 de 2007 (PMC, 2007) estabelece em seu artigo 10º que os geradores de grandes volumes de resíduos da construção civil, públicos ou privados, cujos empreendimentos requeiram a expedição de alvará de aprovação e execução de edificação nova, de reforma ou reconstrução, de demolição, de muros de arrimo e de movimento de terra, nos termos da legislação municipal, devem desenvolver e implementar projetos de gerenciamento de resíduos da construção civil (autodeclaração de responsabilidade), em conformidade com as diretrizes da Resolução 307/2002 do CONAMA, estabelecendo os procedimentos específicos da obra para o manejo e a destinação ambientalmente adequados dos resíduos. Ainda segundo a lei, os projetos de gerenciamento de resíduos da construção civil devem apresentar a caracterização dos resíduos e os procedimentos a adotar para sua minimização e para o manejo correto das etapas de triagem, acondicionamento, transporte e destinação [...]. Na mesma lei, define-se no seu artigo 3º, XIV, que grandes volumes de resíduos de construção civil e resíduos volumosos são aqueles contidos em volumes superiores a 1 (um) metro cúbico. Ainda segundo a mesma lei (PMC, 2007), artigo 10°, os geradores devem: a) especificar nos seus projetos, em conformidade com as diretrizes da legislação municipal, os procedimentos que serão adotados para as
  31. 31. 32 outras categorias de resíduos eventualmente gerados no empreendimento, em locais tais como ambulatórios, refeitórios e sanitários; b) especificar nos seus Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, quando contratante de serviços de transporte, triagem e destinação de resíduos, os agentes responsáveis por estas etapas, definidos entre os agentes licenciados pelo Poder Público [...]. Autores como Souza et al. (2004) reportam que nos últimos anos o interesse por políticas públicas para os resíduos gerados pelo setor da construção civil tem se acirrado com a discussão das questões ambientais. Desperdiçar materiais seja na forma de resíduo mais comumente denominado “entulho de construção”, seja sob outra natureza, significa desperdiçar recursos naturais e coloca a indústria da construção civil no centro das discussões, na busca pelo desenvolvimento sustentável nas suas diversas dimensões. Por outro lado, para Karpinsk (2009), o RCC possui características bastante peculiares por ser produzido num setor onde há uma gama muito grande de diferentes técnicas e metodologias de produção e cujo controle da qualidade do processo produtivo é recente, quando existe. Características como composição e quantidade produzida dependem diretamente do estágio de desenvolvimento da indústria local de construção, como qualidade da mão de obra, técnicas construtivas empregadas e adoção de programas de qualidade. São ainda poucas as empresas construtoras que vêm elaborando e implementando eficientemente o PGRCC em seus canteiros de obra, embora algumas delas comecem a perceber que esse desperdício onera seus lucros em relação às empresas concorrentes que já investem no combate ao desperdício. (FERNANDES, 2013). Por essa razão é essencial que todos os profissionais inseridos no processo produtivo busquem em cada detalhe a melhoria dos seus projetos, dos métodos construtivos e dos materiais utilizados. Ainda contribuem a escolha pela durabilidade dos materiais usados, o consumo de agregados reciclados e a facilidade na desmontagem para manutenção, reforma e demolição. Assim, conhecer o tipo de resíduo gerado em um determinado processo é fundamental para a adoção de estratégias de não geração e de redução e o artigo 9º
  32. 32. 33 da Resolução 307/2002 do CONAMA estabelece que os Planos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil deverão contemplar as seguintes etapas: I. Caracterização: nesta etapa o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos; II. Triagem: deverá ser realizada, preferencialmente, pelo gerador na origem, ou ser realizada nas áreas de destinação licenciadas para essa finalidade, respeitadas as classes de resíduos estabelecidas no art. 3º desta Resolução; III. Acondicionamento: o gerador deve garantir o confinamento dos resíduos após a geração até a etapa de transporte, assegurando em todos os casos em que seja possível as condições de reutilização e de reciclagem; IV. Transporte: deverá ser realizado em conformidade com as etapas anteriores e de acordo com as normas técnicas vigentes para o transporte de resíduos; V. Destinação: deverá ser prevista de acordo com o estabelecido nesta Resolução. Nesse contexto vale ressaltar a importância da participação ativa e consciente de todos os trabalhadores que, direta e indiretamente, estejam envolvidos com o PGRCC no canteiro de obra. Entretanto, segundo Linhares (2005), a principal dificuldade apontada pelas construtoras em sua pesquisa sobre a implantação de gestão de resíduos é a sensibilização da mão de obra quanto à segregação desses resíduos. Por outro lado, o PGRCC é parte importante para a gestão de resíduos da municipalidade e depende também do setor privado envolvido na atividade, como, por exemplo, para a coleta e o transporte dos RCC. A implementação do PGRCC bem elaborado que envolva todos os agentes abarcados na obra deve propiciar aos geradores o monitoramento de suas perdas; tanto as que saem da obra (RCC) como as que ficam incorporadas à própria construção (AGOPYAN et al., 2003). 2.1.4 Perdas de Materiais nos Canteiros de Obra Os Resíduos da Construção Civil (RCC) gerados em canteiros de obra e acondicionados em caçambas, coletados por empresas transportadoras de entulho e
  33. 33. 34 destinados a áreas definidas pelo poder público, atravessam as distâncias entre as áreas de recebimento e os centros urbanos acompanhados pela falta de conscientização dos impactos causados ao meio ambiente. Associam-se a esse fator a falta e a dificuldade de fiscalização que potencializa a clandestinidade e, quando os resíduos são dispostos irregularmente, o poder público se encarrega de coletá-los e enviá-los às áreas licenciadas. Mas a disposição clandestina coloca em risco a saúde do cidadão, degrada a paisagem urbana, compromete a drenagem urbana e a estabilidade das encostas (BLUMENSCHEIN, 2004). Por essas razões, é no processo de produção do edifício, na origem do problema com características peculiares que a geração de resíduos deve ser enfrentada. Demonstrado pelo nível de perdas e desperdícios e pela cultura vigente no setor, é comum encontrar-se em canteiros de obra de uma mesma cidade empresas que se preocupam e outras que não se preocupam com seu gerenciamento de RCC, seu destino, tampouco com sua não geração e/ou redução. Como consequência, também não priorizam a implantação de melhorias e inovações tecnológicas simples nos seus canteiros, que podem vir a contribuir com esse gerenciamento e, consequentemente, com o controle de perdas e desperdícios desse tipo de resíduo. Relata Souza et al. (2004) que para mensuração dos resíduos gerados na produção de edificações os principais trabalhos realizados para a avaliação das perdas de materiais e identificação das suas causas e origens, nos quais os resíduos são também quantificados, apresentam-se sucintamente descritos no Quadro 2 pela sua importância histórica. Na abordagem progressiva da questão dos resíduos, no Brasil, destacam-se as pesquisas de Pinto (1989) pelo pioneirismo; Picchi (1993) pela análise e estimativa das perdas financeiras na construção de edificações; Soibelman (1993) pelo número de casos estudados e pelo efetivo acompanhamento do processo de produção na quantificação das perdas; Santos (1995) pelo caráter proativo quanto à detecção e quanto às ações para a redução de perdas de materiais e Bogado (1998) que realizou estudo específico na execução da estrutura de concreto armado. Cita ainda Oliveira (2011) as pesquisas de Paliari (1999), Andrade (2000) e Sposto et al. (2001).
  34. 34. 35 Quadro 2 – Progressão de pesquisas realizadas para avaliação de perdas de materiais Autores Nº de obra Nº de materiais Parcela de perdas físicas estudadas Tipo de abordagem Tipo de avaliação Tema central perdas de materiais Pinto (1989) 1 10 Incorporada e entulho Avaliação Quantitativa Sim Soibelman (1993) 5 7 Incorporada e entulho Avaliação Quantitativa Sim Picchi (1993) 3 - Incorporada e entulho Avaliação Quantitativa Não Santos (1995) 1 4 Incorporada e entulho Avalição e intervenção Quantitativa Não Bogado 1998) 1 4 Incorporada e entulho Avalição e intervenção Quantitativa Não Fonte: Adaptado de Paliari (1999) O autor relata ainda que nas principais conclusões destes trabalhos destaca- se o fato que perdas de materiais não são desprezíveis, tanto na forma de material incorporado em excesso quanto na forma de entulho. A pesquisa de Picchi (1993) ao avaliar o entulho gerado e retirado dos canteiros de obras, desconsiderando as viagens compostas só por terra, estudou as perdas de materiais e componentes referente à parcela que fica incorporada ao edifício e à parcela que se transforma em entulho. A partir dessas parcelas expressas em termos de massa e volume foram estimadas as perdas, em termos de porcentagem do custo da obra. O resultado dessa pesquisa, ao acumular todo o volume de entulho gerado na obra durante toda a sua construção e dividi-lo pela área total construída, foi de uma espessura média de entulho na ordem de 8 a 12 cm e massa do entulho gerada variando entre 0,095 e 0,145 t/m², o que representou 11 a 17% da massa final do edifício, para a massa específica adotada. Souza et al. (2004) continua informando sobre a importância de detectar a ocorrência de uma faixa de valores para as perdas que foi reforçada pela pesquisa nacional “Alternativas para a redução do desperdício de materiais nos canteiros de obra”, promovida pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia e Qualidade na Construção Civil (ITQC) e envolvendo 16 universidades brasileiras que pesquisaram o fluxo de materiais em 99 diferentes canteiros de obra. Souza (2004) afirma que os resíduos de construção representam uma das parcelas do excesso de consumo de materiais nos canteiros de obra e se comparar a quantidade de material teoricamente necessária com a quantidade realmente utilizada, determinam-se as perdas de materiais. Para este autor, o entulho se constitui no “lixo que sai”, ou seja, é a parcela mais visível das perdas de materiais.
  35. 35. 36 Shingo e Skoyles (1981, 1987 apud Pucci 2006) relata que as perdas podem ser classificadas de acordo com a possibilidade de serem controladas e conforme sua natureza, como demonstra o Quadro 3. Quadro 3 – Classificação das perdas Perdas segundo seu controle Perdas evitáveis são aquelas onde o investimento para sua redução ultrapassa a economia gerada por ela, correspondendo, assim, a uma perda aceitável. Perdas inevitáveis são consequência de um processo de baixa qualidade, onde os recursos são empregados de forma inadequada. Perdas segundo sua natureza Perdas por superprodução são aquelas que ocorrem quando é produzida uma quantidade maior que a necessária; por exemplo: produzir gesso em quantidade acima da consumida em um dia de trabalho; produção de argamassa em quantidade superior à necessária para um dia de trabalho, excesso de espessura de lajes de concreto armado. Perdas por espera relacionadas com a sincronização e o nivelamento do fluxo de materiais e as atividades dos trabalhadores; podem envolver tanto perdas de mão de obra quanto de equipamentos, como, por exemplo, paradas nos serviços originadas por falta de disponibilidade de equipamentos ou de materiais. Perdas por substituição ocorre quando é utilizado um material de desempenho superior ao necessário, como um concreto com resistência maior que a especificada em projeto. Perdas no transporte tempo excessivo despendido com grandes distâncias entre os estoques e a grua ou o guincho; perdas de materiais por manuseio excessivo ou inadequado dos materiais componentes, em razão de uma má programação das atividades ou de um layout ineficiente ou pelo uso de equipamentos de transporte inadequados; quebra de materiais pelo seu duplo manuseio ou uso de equipamento de transporte inadequado. Perdas no processamento em si tem origem na própria natureza das atividades do processo ou na sua execução inadequada; decorrem da falta de procedimentos padronizados e da ineficiência nos métodos de trabalho, da falta de treinamento da mão de obra ou de deficiências no detalhamento e construtividade dos projetos. São exemplos deste tipo de perdas: quebra de paredes rebocadas para viabilizar a execução das instalações, quebra manual de blocos em razão da falta de meios-blocos. Perdas de estoque ocorrem quando associadas à existência de estoques excessivos, em virtude da programação inadequada na entrega dos materiais ou de erros no orçamento, podendo gerar situações de falta de locais adequados para a deposição; também decorrem da falta de cuidados no armazenamento dos materiais. Podem resultar tanto em perdas de materiais quanto de capital, como, por exemplo, custo financeiro dos estoques, deterioração do cimento por causa do armazenamento em contato com o solo e/ou em pilhas muito altas. Perdas no movimento decorrem da realização de movimentos desnecessários por parte dos trabalhadores durante a execução das suas atividades e podem ser geradas por frentes de trabalho afastadas e de difícil acesso; falta de estudo de layout do canteiro e do posto de trabalho; falta de equipamentos decorre da realização de movimentos desnecessários por parte dos trabalhadores durante a execução das suas atividades e pode ser gerada por frentes de trabalho afastadas e de difícil acesso; falta de estudo de layout do canteiro e do posto de trabalho; falta de equipamentos adequados, etc. São exemplos deste tipo de perda: tempo excessivo de movimentação entre postos de trabalho por causa da falta de programação de uma sequência adequada de atividades e esforço excessivo do trabalhador em função de condições ergonômicas desfavoráveis. Perdas pela elaboração de produtos defeituosos Perdas pela elaboração de produtos defeituosos: ocorrem quando são fabricados produtos que não atendem aos requisitos de qualidade especificados; geralmente, originam-se da ausência de integração entre o projeto e a execução, das deficiências do planejamento e controle do processo produtivo, da utilização de materiais defeituosos e da falta de treinamento dos operários. Resultam em retrabalhos ou em redução do desempenho do produto final, como, por exemplo, falhas nas impermeabilizações e pinturas, descolamento de azulejos, erros em prumadas. Outras englobam perdas por roubo, vandalismo, acidentes e outros eventos extraordinários. Fonte: Adaptado de PUCCI (2006) Relata Pinto (1999) que no processo construtivo o alto índice de perdas do setor é a principal causa do entulho gerado, embora nem toda perda se transforme
  36. 36. 37 efetivamente em resíduo, pois uma parte acaba ficando na própria obra. Segundo o mesmo autor, pesquisas brasileiras sobre a perda de materiais em processos construtivos apontaram números significativos de cimento, cal, areia, concreto, argamassa, ferro, componentes de vedação e madeira. Dessa forma, é possível estimar que a cada metro quadrado construído 150 kg de resíduos sejam gerados, levando à remoção de dez caçambas de resíduos em qualquer construção de 250 m² (PINTO, 1999). Segundo Formoso (1996 apud Paliari 1999), nos últimos anos as questões referentes a políticas da qualidade tem ocupado espaço significativo nas discussões do meio profissional da construção civil, e tem tido presença constante nestas discussões a ocorrência de perdas em todo o processo de produção da edificação, sejam elas de materiais, mão de obra ou equipamentos. Com índices de perdas consideráveis para o setor, segundo pesquisas existentes sobre o assunto, é razoável que nos dias atuais, e em um mercado globalizado e competitivo, mudanças sejam inevitáveis. Lerípio (2001 apud Araújo 2002) apresenta um estudo de entradas e saídas da indústria da construção civil em que se identificam os principais materiais utilizados e respectivos resíduos gerados, conforme Quadro 4. Quadro 4 – Estudo de entradas e saídas da indústria da construção civil Entradas Processo Saídas Máquinas e implementos, madeira, telha, prego, cimento, areia, brita, arame galvanizado, água, energia elétrica. 1. Serviços iniciais Aterro, aparas de madeira, restos de tijolos, restos de arame, pregos, embalagens de papelão, serragem, ruído e vibrações. Energia elétrica, água, brita, cimento, areia, aço, arame recozido, madeira, pregos. 2. Infraestrutura Água residuária, restos de arame e aço, pó, terra, aparas de madeira, embalagens de papelão e serragem, vibrações e ruído. Energia elétrica, água, madeira, pregos, papelão, escora metálica, cimento, areia, brita, arame recozido, aço. 3. Superestrutura Água residuária, restos de arame e aço, pó, serragem, aparas de madeira, embalagens de papelão, vibrações e ruído. Cimento, areia, impermeabilizante, tinta, carboplástico, mástique asfáltico, água e energia elétrica. 4.Impermeabilização Água residuária, embalagens plásticas e de papelão, resíduos químicos (argamassa), vibrações e ruído. Água, energia elétrica, cimento, cal, tijolo. 5. Alvenaria Água residuária, restos de tijolos, embalagens plásticas e de papelão e ruído. Energia elétrica, madeira, pregos, estruturas metálicas, telhas e parafusos. 6. Cobertura Aparas de madeira, restos de tijolos, serragem, aparas metálicas e ruído. Cimento, areia, cal, água, energia elétrica e azulejos. 7. Revestimento Água residuária, restos de azulejos, embalagens plásticas e de papelão e ruído. Continua...
  37. 37. 38 Quadro 4 – Estudo de entradas e saídas da indústria da construção... (continuação) Água, energia elétrica, madeira, parafusos, pregos, cimento, cal, areia e ferro. 8. Esquadrias Água residuária, aparas de madeira, limalhas de ferro e ruído. Canalizações elétricas e fios. 9.Instalações elétricas Aparas de canalizações e aparas de fios. Água, energia elétrica, areia, cimento, tijolo, brita, madeira, pregos, aço, arame recozido, pasta lubrificante, adesivo para PVC, tubo de PVC, massa para calefação. 10. Instalações hidrossanitárias Embalagens plásticas e de papelão, pó, resíduos de argamassa, água residuária. Brita, cimento, areia, cal, água, energia elétrica, cerâmica. 11.Revestimento de pisos Água residuária, restos de cerâmica e madeira, embalagens plásticas e de papelão, sobra de pedras naturais, pó de madeira, resíduos de cola em embalagens e ruído. Vidro, cal, gesso e água. 12. Vidros Água residuária, resíduos e argamassa, embalagens plásticas e aparas e cacos de vidro. Massa corrida, lixa, tinta látex, selador de base látex, tinta acrílica, tinta a óleo, solvente, água, verniz e grafiatto. 13. Pintura Água residuária, embalagens plásticas e de papelão, vasilhames plásticos e de metal, gases, pó, embalagens de metal. Cimento, areia, brita, aço, água, energia elétrica, arame recozido, madeira, prego, cal, tijolo. 14. Serviços externos Água residuária, embalagens plásticas e de papelão, aparas de arame, resíduos de tijolos, aparas de madeira, serragem e ruído. Água, produtos químicos, sabão em pó, detergentes. 15. Serviços finais de acabamento Embalagens plásticas e de papelão, sobra de estopas. Água, plantas ornamentais, terra preta, seixos rolados. 16.Paisagismo e jardinagem Terra preta, restos de planta. Fonte: Adaptado de Araújo (2002) Comumente o conceito de perdas relaciona-se ao desperdício de materiais, porém é necessário entender que as perdas estendem-se além deste conceito e qualquer ineficiência no processo deve ser considerada como perdas: da ocorrência de desperdícios de materiais quanto à execução de tarefas desnecessárias, gerando custos adicionais sem agregar valor, até a falta de planejamento e gerenciamento adequados. O esforço para melhoria do desempenho na construção civil deve considerar o conceito mais amplo de perdas, isto é, visar à minimização do dispêndio de quaisquer recursos que não agregam valor ao produto, sejam eles vinculados às atividades de conversão ou fluxo, porém são os desperdícios que resultam em volume de resíduos. Em qualquer processo, devido à variabilidade natural, é inevitável que ocorra certo volume de perdas e a fração das perdas que excede a este limite mínimo característico da tecnologia é considerada desperdício (VIANA, 2007).
  38. 38. 39 Para os resultados das pesquisas realizadas fica evidenciado que é no processo de produção do edifício, na origem do problema com características particulares que a geração de resíduos deve ser enfrentada. 2.1.5 Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (GRCC) nos Canteiros de Obra Segundo Karpinsk (2009), o Estatuto da Cidade, Lei nº 10.257/2001 determina novas e importantes diretrizes para o desenvolvimento sustentável dos aglomerados urbanos no País. O documento prevê a necessidade de proteção e preservação do meio ambiente natural e construído, com uma justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes da urbanização, exigindo que os municípios adotem políticas setoriais articuladas e sintonizadas com o seu Plano Diretor. Uma dessas políticas setoriais que pode ser destacada é a que trata da gestão dos resíduos sólidos, nos quais se enquadram os resíduos da construção civil. Por proteção e preservação do meio ambiente entende-se toda e qualquer atividade que não altere as propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. Martins (2012) relata que a Política Nacional de Resíduos Sólidos define para resíduos sólidos a gestão integrada como um conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para esses resíduos de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável. Dessa forma, a integração entre o empresariado, o poder público e a sociedade civil é de suma importância para o cumprimento do gerenciamento de RCC. O gerenciamento de resíduos da construção no local de geração representa, segundo Karpinsk (2009), uma importante ferramenta para que a indústria da construção assuma sua responsabilidade com o resíduo gerado no ambiente urbano. Essa atitude conduzirá ao confinamento do resíduo, em grande parte dentro do local de origem, o que evita sua remoção para locais distantes, evitando dessa
  39. 39. 40 forma despesas e problemas, inicialmente para empresas construtoras e posteriormente para os órgãos públicos responsáveis. Para Leite (1997), o conceito de gerenciamento refere-se aos aspectos tecnológicos e operacionais e envolve fatores administrativos, econômicos, ambientais de desempenho, como a produtividade e a qualidade. É a realização do que a gestão delibera, por meio da ação administrativa de planejamento e controle de todas as etapas do processo, na qual a gestão pode ser definida como atividade relacionada à tomada de decisões estratégicas e à organização do setor para uma determinada finalidade, envolvendo instituições, políticas, instrumentos e meios. A relação estreita entre o gerenciamento de resíduos no canteiro e a fase de concepção do projeto induz a um só caminho: toda obra deve cumprir as etapas construtivas de forma eficiente e eficaz e, para isso, toda obra necessita organizar- se em nível máximo para atingir esse fim. Se o intuito do gerenciamento dos resíduos de construção civil, segundo a Resolução 307/2002 do CONAMA, é não gerar, reduzir, reutilizar ou reciclar resíduos, o planejamento, as responsabilidades, as práticas, procedimentos e recursos para desenvolver e implementar as ações necessárias para esse fim passam pelo cumprimento das etapas previstas: planos e programas dos projetos em questão e projetos executivos para as construções de modo que, nas obras, seus resíduos sejam gerenciados. Também devem ser compatibilizados os projetos e as pessoas envolvidas e, na elaboração desses projetos, é possível utilizar-se de modelos que visem prevenir a geração de resíduos, em primeiro lugar, e ainda minimizar o uso de matérias-primas, como o de Produção Mais Limpa (MARTINS, 2012). Modelos de gestão ambiental voltados para as organizações como a Produção Mais Limpa, também conhecida pela sigla P+L, significam a aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva e integrada aos processos, produtos e serviços a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia e reduzir os riscos para os homens e o meio ambiente. É, antes de tudo, uma ação econômica porque baseia-se no fato de que qualquer resíduo de qualquer sistema produtivo só pode ser proveniente das matérias-primas ou insumos de produção utilizadas no processo. Todos os resíduos ontem eram matéria-prima e foram comprados e pagos como tal (MARTINS, 2012). Desta forma, analisando-se unicamente o custo econômico que envolve RCC, estaria justificado o investimento em gerenciamento de RCC pelos grandes e
  40. 40. 41 pequenos geradores e a gestão pela municipalidade, isso sem ainda contabilizar o dano ambiental, social e de saúde pública. Goron e Tubino (2007 apud Fernandes 2013) afirma que realizar medições dentro do canteiro de obra para gerenciamento de resíduos da construção civil (GRCC) é fundamental; essas medições realizadas antes e depois podem ser comparadas evitando-se opiniões e comprovando-se objetivamente a melhoria do processo como um todo. Para Zordan (1997), é possível, além de quantificar o descarte de cada resíduo, classificá-lo por etapa construtiva e por agente envolvido no canteiro, sensibilizando-o e conscientizando-o em relação ao seu papel no processo (ZORDAN, 1997). Relata Pinto (1999) que no Brasil as estimativas para geração de RCC variam entre 230 kg/hab./ano e 760 kg/hab./ano e para mediana na amostra pesquisada cerca de 510 kg/hab./ano. Coletivamente o setor da construção é responsável por um terço do consumo de recursos naturais, incluindo 12% de todo o uso de água doce e pela produção de até 40% de resíduos sólidos ou resíduos da construção civil (RCC). Carneiro (2005) demonstra que aproximadamente 90% desses RCC são potencialmente recicláveis quando segregados na fonte geradora, prática ainda pouco usada nesse segmento. Portanto, em média, 40% dos resíduos produzidos nas cidades brasileiras são provenientes da construção civil e apenas 10% desse total são reaproveitados. Para Bidone (2001), no Brasil, em geral, para cada uma tonelada de RSU são coletadas duas toneladas de RCC. O grande volume e a massa desse entulho permanecem sem tratamento e sem aproveitamento nas cidades brasileiras, gerando um ônus para a sociedade e um grave problema de gestão ambiental para a administração das cidades. Ainda segundo Pinto (2005), dentro do total de volume gerado de RCC nos municípios, são as obras de construção, reformas e demolições realizadas pelos próprios usuários de imóveis que geram cerca de 75% do total, ou seja: eventos informais, de pequenos geradores, são aqueles que necessitam ser também disciplinados pela municipalidade, pela quantidade de RCC produzida. Assim, é importante destacar que o processo de gerenciamento de RCC torna-se cada vez mais urgente e a participação desses cidadãos junto à municipalidade precisa ser tratada com a importância que o tema exige. Promover o
  41. 41. 42 desenvolvimento de uma sensibilização ambiental focada em conservação e preservação é fundamental e, campanhas públicas, contando com a matéria educação ambiental voltada à educação formal, multidisciplinar e em todos os níveis, é um caminho para envolver a sociedade em uma gestão de resíduos com novas regras sociais, econômicas e ambientais que promova mudanças de hábitos necessárias. Para a parcela de 25% dos grandes geradores, as empresas construtoras em geral, o gerenciamento de RCC já é considerado parte integrante de qualquer processo que vise qualidade, produtividade e redução de custos para as empresas, a partir de seus empreendimentos. Quando fala-se na melhoria da qualidade para o setor da construção civil, o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H) visa apoiar o esforço brasileiro de modernização do setor no aumento da qualidade e produtividade e redução de custos na construção habitacional. O Programa trabalha para articular os vários segmentos da cadeia produtiva: desde a indústria de materiais às empresas construtoras, bem como outras instâncias governamentais, os agentes financiadores e promotores, entre outros. Para as empresas é a oportunidade de aumentar sua competitividade por meio da redução de desperdícios, melhor formação dos profissionais, acesso a projetos, materiais e componentes de melhor qualidade e adequação às normas técnicas. A base do Programa tem início na implantação de um sistema evolutivo de qualidade, o Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obra da Construção Civil – SiAC, que tem por objetivo fomentar o desenvolvimento e a implantação de instrumentos e mecanismos de melhoria da qualidade de projetos e obra (PBQP-H, 2013). As estratégias das empresas na direção desta qualidade para o setor tem-se dado através de dois caminhos: primeiro através da implantação de programas de gestão de qualidade e posterior certificação, pelas normas da série ISO 9000, e segundo, através da implantação de programas de racionalização construtiva (BARROS, 2001). Para SABBATINI (1989), racionalização construtiva é um processo que abarca o conjunto de todas as ações que tenham por objetivo otimizar o uso dos recursos materiais, humanos, organizacionais, energéticos, tecnológicos, temporais e financeiros, disponíveis na construção em todas as suas fases. Ao incorporar-se
  42. 42. 43 princípios de racionalização construtiva e construtibilidade de projetos, destaca-se a necessidade de se reformular como os projetos vêm sendo conduzidos ou seja, gerenciados. Relata Lima (2006) que o gerenciamento de RCC no canteiro de obra é responsável pela redução de acidentes de trabalho em razão de obras mais limpas e organizadas; melhora a produtividade e reduz o volume de RCC removido da canteiro, além de atender aos requisitos ambientais do PBQP-H e da certificação ISO 14001, para gestão ambiental nas empresas. Como resultado, há uma melhoria importante na imagem institucional da empresa junto ao público consumidor. A primeira experiência com gerenciamento de RCC em canteiros de obra tem seu marco no pioneirismo do Programa de Gestão Ambiental de Resíduos em Canteiros de Obra (2005) em São Paulo, experiência essa divulgada em forma de Manual e intitulada Gestão Ambiental de Resíduos da Construção Civil: A Experiência do SindusCon-SP. Implantada em um grupo-piloto de onze construtoras, a metodologia do Programa Obra Limpa contou com a assessoria técnica das empresas, Informações e Técnicas (I&T) e Obra Limpa Comércio e Serviços Ltda, e foi iniciada pelo grupo- piloto de construtoras em janeiro de 2003 e concluída em agosto de 2004. Como vantagens identificadas após a implantação do Programa foram observadas melhorias na organização da obra, conscientização ambiental, redução de custos, melhoria na administração dos resíduos, adequação à legislação e melhoria na imagem institucional da construtora (SINDUSCON/SP, 2005). As dificuldades relatadas em SindusCon/SP (2005) para implantação desse gerenciamento no grupo-piloto foram: baixo comprometimento da direção de algumas obras (engenheiros), dificuldade na articulação com produtores e aplicadores de insumos, presença de empresas de transporte não licenciadas no Departamento de Limpeza Urbana da Prefeitura de São Paulo, carência de áreas de reciclagem (ARs) e ATTs, ausência de legislação de fiscalização e penalidade, pelo não cumprimento da Resolução 307/2002 do CONAMA. A avaliação final pelo SindusCon/SP (2005) demonstrou ser positiva a iniciativa e ressaltou a necessidade da continuidade de ações junto aos órgãos municipais na definição dos Programas Municipais de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, programas estes que possibilitam a implantação das ATTs e
  43. 43. 44 dos Aterros da Construção Civil, seja pela elaboração das legislações pertinentes ou pelo incentivo a novos negócios, como a reciclagem dos resíduos. Hoje essa iniciativa serve como referência para que a implantação da gestão ambiental de resíduos da construção civil nos canteiros de obras, assim denominada no resultado do grupo-piloto em 2005, possa tornar-se realidade. A solução passa pela efetiva participação da cadeia produtiva e envolve construtoras, incorporadoras, projetistas, transportadores, ATTs, aterros, recicladoras, fabricantes, órgãos públicos e entidades de pesquisa. A iniciativa do SindusCon/SP em 2005 promoveu a elaboração de outros manuais voltados à implementação de PGRCC pelos SindusCon`s, como os de Belo Horizonte, Salvador, São Paulo, Sergipe, Pernambuco, bem como por instituições, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas Empresas (SEBRAE), Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREA), Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal, entre outras iniciativas no Brasil. Para Linhares (2005) a principal dificuldade apontada pelas empresas para implantar gestão de RCC é sensibilizar a mão de obra no que se refere à segregação desses resíduos. Treinamento com educação ambiental e programas de alfabetização no próprio canteiro são iniciativas que visam atender essa questão, mas destacar como fundamental a participação ativa desses trabalhadores nas mudanças pretendidas em seus canteiros de obra talvez seja o maior desafio das empresas. Surge assim mais um desafio para o gerenciamento de RCC: capacitar trabalhadores tradicionais da construção civil para esse novo processo dentro de uma realidade de alta rotatividade e baixa qualificação da mão de obra, historicamente conhecida. O mesmo autor afirma que práticas estão sendo incorporadas em algumas empresas, como a redução da espessura de revestimento; controle do transporte e armazenamento de materiais; uso de placas de gesso acartonado sem argamassa; uso de peças metálicas pré-acabadas e moldadas conforme projeto e montadas no local, com pouca geração de resíduos e construções modulares em geral. São as implementações possíveis dentro de um processo complexo e que ainda demandará tempo para os ajustes necessários quanto ao gerenciamento de RCC, em cada empresa.
  44. 44. 45 John (2000) relata que as mudanças para esse fim serão mais profundas que aquelas causadas pela adoção do paradigma de gestão da qualidade, e sem que toda a cadeia produtiva da construção civil sofra transformações significativas não será possível atender e entender o desenvolvimento sustentável no setor. 2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Relata a Câmara Brasileira da Indústria da Construção no Programa Construção Sustentável (CBIC, 2012), que as soluções para o desenvolvimento que o Brasil espera e precisa passam necessariamente pela Engenharia e pela Construção: a erradicação do déficit habitacional, a universalização do saneamento e a ampliação da nossa infraestrutura produtiva e logística tornará os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional e, especialistas prevêem que ocorrerá crescimento econômico mais acentuado nas economias emergentes e em desenvolvimento, portanto, consumindo mais recursos per capita. À medida que este crescimento avançar, mudanças substanciais serão necessárias em todos os países, para atender a essa nova demanda de consumo dentro dos limites do planeta. Para o estudo Vision 2050 (WBSCD, 2010), o Brasil dispõe de todas as condições para liderar esse novo processo. Nosso país possui solo abundante, sol o ano inteiro, tem a mais rica biodiversidade e a maior reserva de água doce disponível e é movido pela matriz energética mais limpa do planeta. Para o Guia CBIC (2012) são várias as abordagens em defesa do desenvolvimento sustentável por envolver diferentes áreas e inúmeras prioridades, tais como aspectos socioculturais, ambientais e econômicos, multifacetados pela diversidade dos povos e do planeta em que vivemos e que não permite uma única visão. Uma sociedade mais sustentável envolve políticas públicas, estratégias corporativas e movimentos sociais o que, por si só, deve integrar conhecimentos existentes, multidisciplinares e transversais, para alcançarmos as mudanças esperadas. Serão revisitados, necessariamente, padrões de consumo, de produção e de avaliação do bem-estar social, em atendimento a uma nova sociedade, com objetivos sustentáveis. Na análise encontrada no Guia CBIC de Boas Práticas em Sustentabilidade na Indústria da Construção (CBICa, 2012), surge uma nova pergunta: qual o papel das empresas no desenvolvimento sustentável? O que é esperado dos profissionais

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