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VOCAÇÃO...


O que é vocação?
       Quando falamos de vocação temos que perceber o que significa vocação, o que é
ter vocação? Isso consiste em realizar-se em meio as nossas atitudes e sermos levados a
confirmar nossas vidas pelas nossas atitudes rumo à realização de nossos ideais.

       Quando afirmamos ter vocação para “algo”, na verdade afirmamos que somos
capazes de realizar isto ou aquilo da melhor maneira possível e com o empenho
necessário para que a vida tenha valido a pena ser vivida. Embora a vocação não
consista em fazer “coisas”, mas na busca de fazer o melhor, temos que nos esforçar por
fazer valer à pena cada instante vivido, pois este não mais voltará e por isso, realizar-se
na vida é ter a coragem de experimentar cada momento com intensidade.

       No entanto existe uma vocação universal, a vocação à felicidade que se revela na
dinâmica da vida e na busca constante de ser preenchido e satisfazer os anseios de nosso
ser. Contudo tal busca está destinada ao fracasso se não se voltar a Deus.

       Esta verdade fundamental está guardada no silêncio de nosso coração de tal
modo que se manifesta na medida em que cada pessoa tem a coragem de quebrar os
grilhões do comodismo e da ordinariedade cotidiana, se perguntando profundamente o
porquê de estar no mundo? Se há um sentido objetivo para o seu existir?

       É se deparando com tais questões que nos é permitido mergulhar na busca de
certezas que nos aventuram a sermos diferenciados em nossas ações, em nossas vidas,
em nossas escolhas; é olhar para o alto e gritar que não desejamos ser “apenas mais um”
no mundo, e sim autênticos e felizes humanos capazes de sorrir, de perdoar, de
recomeçar...

        Essa verdade foi manifestada pela Igreja, quando ela diz que: “A razão mais
sublime da dignidade do homem consiste na sua vocação à união com Deus. É desde o
começo de sua existência que o homem é convidado a dialogar com Deus: pois, se
existe, é só por que, criado por Deus por amor e, por ele, por amor, constantemente
conservado; nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer
livremente esse amor e se entregar livremente ao seu criador”. (Gaudium Et Spes, par.
19).

       Assim, percebemos o porquê de homens e mulheres que quando olhamos para as
suas vidas somos impulsionados a compará-los a verdadeiros “Heróis em meio ao
mundo”, eles que foram capazes de deixar tudo e sem nada, ir à busca de Tudo para
encontrar o Verdadeiro Tesouro escondido no limiar, que só pode ser atravessado por
aqueles que têm a coragem de se entregarem e confiarem no Criador!
Ter vocação é ser diferente, é fazer bem feito as coisas simples, é enxergar a
   beleza que se esconde nas tarefas singelas, ter vocação é nascer a cada dia e morrer a
   cada mediocridade para ressurgir na esperança de ser vencedor... Ter vocação é amar o
   Amor que nos fez amando-nos a todos, ter vocação é estar com Deus intimamente, onde
   cada respirar só obtém sentido quando clama por Deus!



   Uma vida de entrega...


   “O Senhor disse a Abraão: Sai da tua terra, do meio dos teus parentes, da casa de teu pai, e vai para a
   terra que eu vou te mostrar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de
   modo que ele se torne uma benção”. (Gn 12; 1-2).




       Abraão, um homem comum e tão humano quanto simples, ele, um homem que não
tinha nada de extraordinário, sua vocação era como qualquer outra, tão simples, tão
resolvida que poderia até passar despercebida.

       Mas Abraão movido pelo Espírito de Deus e impulsionado pelo caráter e o desejo
de descobrir o verdadeiro sentido para sua vida não conseguiu se desviar do encontro com
seu Deus. E este encontro modifica aquele que foi encontrado!

        Abraão viu-se movido a seguir as ordens de Deus. Quando Deus disse – “Vai! Sai
da tua terra, do meio dos teus!” Ou seja, vai meu filho abandona sua vida comum e avança
no desconhecido, sendo sustentado pela fé e confiança em Deus. - Deixar os seus... - É
desapegar-se das coisas que mais amamos, é colocar Deus no centro e deixar-se ser guiado
pelos desígnios divinos.

       Ir em direção a promessa, essa foi à missão de Abraão, acreditar e caminhar em
função de sua fé, essa é também a nossa missão, a nossa promessa, caminhar pelas veredas
do Altíssimo!

      Se pela coragem e fidelidade Abraão converteu-se de “pastor de rebanhos” a “filho
da promessa”, aquele cujo Deus depositou a marca indelével de sua aliança com a
humanidade. “Abraão prostrou-se com o rosto por terra, e Deus lhes disse: De minha parte, esta
é a minha aliança contigo: tu serás pai de uma multidão de nações. Já não te chamarás Abrão.
Abraão será teu nome, por que farei de ti o pai de uma multidão de nações.” (Gn 17; 3-5).

        Mas seguir a Deus não se fundamenta na troca de favores entre nós e Deus, não é
uma ordem imposta pela decisão de seguir a Deus onde nós nos disponibilizamos a segui-
lo, e Deus por sua vez se vê obrigado a “devolver” a nós nossos méritos em segui-lo. Na
vida de Abraão as dificuldades foram muitas e contínuas as noites sem dormir se
acumularam, e sem dúvida o humano deste homem, deste servo de Deus, também teve que
relutar para não perder de vista a graça de Deus.
Abraão marcou a história da humanidade pela sua fé: “A fé é a certeza daquilo que
ainda se espera, a demonstração de realidades que não se vêem, por ela, os antigos receberam um
bom testemunho de Deus. Pela fé compreendemos que o universo foi organizado foi por uma
palavra de Deus, de sorte que as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê”. (Hb 11; 1-3). A
vida de Abraão foi a sua fé, a sua vocação foi sua fidelidade. “Pela fé, Abraão obedeceu à
ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde
iria”. (Hb 11; 8).

       O amor da criatura pelo Criador foi demonstrado pela confiança que Abraão teve
em Deus, ele o pai na fé, teve o seu filho herdeiro aos cem anos de idade, seu nome era
Isaac, ele o filho do qual a promessa seria continuada; em suma seu filho que em si
personificou a esperança de todo um povo, tal era a importância de Isaac. E mesmo assim
de maneira misteriosa Deus o põe a prova: “E Deus disse: „Toma teu filho único, Isaac, a quem
tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o ali em holocausto sobre o monte que eu te
indicar”.(Gn 22; 2).

        Amar a Deus é natural quando o homem é sincero para com seus sentimentos, mas
sacrificar o fruto do amor divino sem compreender tal motivo, isso, ou é loucura, ou Deus
mudou! Imaginemos Abraão a caminho do monte onde seu filho iria ser sacrificado...
“Abraão tomou a lenha para holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o
fogo e a faca. Os dois continuaram caminhando juntos. Isaac falou para seu pai Abraão: Pai!
Temos o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Abraão respondeu: „Deus
providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho”. (Gn 22; 6-8).

       Abraão silenciou para não dizer a seu filho que ele era o cordeiro que Deus pediu e
o seu pai era quem o iria sacrificá-lo, este é um pai ou um assassino? Tal a situação
daquele que tem fé, onde está agora a fé? Será que nós como vocacionados para amar a
Deus, não esqueceríamos nossa fé e a trocaríamos pelo desespero? Abraão foi fiel até o
fim! E Deus não o decepcionou.

       Quando Abraão havia amarrado seu filho sobre o altar. “Depois estendeu a mão e
tomou a faca a fim de matar o filho para o sacrifício. Mas o anjo do Senhor gritou do céu: Abraão!
Abraão! Ele respondeu: Aqui estou! E o anjo disse: „Não estendas a mão contra o menino e não
lhes faça mal algum. Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu único filho”. (Gn 22;
10-12).

       Em Abraão está consumado o desafio de todos àqueles que têm a coragem de
colocar suas vidas em consonância com a vontade de Deus. Olhar para Abraão é perceber
que a fé tem lugar em um mundo tão secularizado, é perceber que pelo caminho da fé
temos a chance de quebrar os grilhões da comodidade: “Ora sem fé é impossível agradar a
Deus, pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram”. (Hb
11; 6).

       Agradar a Deus é caminhar para a nossa própria fidelidade, ter vocação no sentido
pleno de responder ao chamado é se aventurar para as terras desconhecidas; é desafiar-se
nas realizações de nosso dia a dia. Como Abraão, devemos mergulhar-nos na confiança
cega, mas não ingênua.
Sem fé é impossível agradar a Deus, é impossível também conhecer a Deus, é
impossível até mesmo e por excelência experimentar Deus, ou seja, não é possível
responder a uma vocação se não tiver fé, ter vocação é saber alimentar a própria fé com a
solidez da esperança e a concretude do amor.



“Sorriso de Deus... a predileção do Senhor pelos seus.”

“Iahweh visitou Sara, como dissera, e fez por ela como prometera. Sara concebeu e deu à luz um filho a
Abraão já velho, no tempo que Deus tinha marcado (...) E disse Sara: Deus me deu motivo de riso, todos os
que souberem rirão comigo” (Gn 21; 1-2; 6).




          Isaac o filho da promessa, ou, aquele que foi o cordeiro da Aliança de Deus com
   a humanidade, se Abraão foi o sinal do inicio da promessa e nele se encontrou a
   consolidação da máxima Aliança marcada pela fidelidade entre Deus e os homens,
   temos em seu filho a confirmação desta mesma Aliança que acontece pela
   descendência, Isaac é mais do que a promessa, ele é a própria promessa que se realiza
   pela beneficência do criador.

           Isaac é fruto da visita de Deus a sua mãe, Deus visitou aquela que era estéril e a
   fez ser “mãe de reis”, ou seja, em seu filho, carne de sua carne, e sangue de seu sangue,
   está demarcado à continuação da Aliança, da bondade de Deus e a promessa de salvação
   para os homens. Eis o significado de Isaac, o “sorriso de Deus, a predileção do Senhor
   pelos seus”, na vida deste homem está expresso o carinho de Deus pelo cumprimento de
   sua palavra e por cada criatura.

           A vocação de Isaac nos ensina que Deus quer nos ver sorrindo, e que somos
   capazes de expressar a felicidade na medida em que nos conformamos com a sua
   vontade. Ser feliz é mais do que estar bem, estar em segurança, ou ainda, se estruturar
   nas dimensões do ter, poder, e prazer. Ser capaz de sorrir com a vida é ter a capacidade
   de ser “lúmen” do divino.

          Vocação é a própria vida, e a mais importante vocação é a nossa vida que reflete
   a vida de todos os que estão à nossa volta, por isso ao olharmos a vida de Isaac temos
   que se perceber como frutos íntimos da Aliança de Deus para com todo o mundo, somos
   nós então filhos da promessa de Deus, ou filhos das promessas do mundo? Somos
   motivos de sorriso ou de tristeza? Eis a questão crucial, esperamos e somos a promessa
   de Deus?!

          A promessa de um filho herdeiro é dada, através da graça de Deus, na velhice a
   Abraão, ou seja, no tempo de Deus, assim é necessário muitas vezes esperar, e esperar
   em Deus. A promessa vem, mas ao seu tempo e junto da promessa temos a fidelidade da
   espera que é a nossa parte na promessa. Esperar confiante, sendo o próprio fruto da
espera, isso é ser Isaac. É ser caminho para que a vontade de Deus seja conhecida, é
estar disposto a cumprir a Aliança de amor de Deus para nós.

        Olhando para a vocação de Isaac podemos perceber que em nossa história de
vida podemos ser sinal de Deus no mundo, ser a própria transmissão da Aliança e
zeladores da mesma, e assim seremos o sorrido de Deus no mundo, a revelação da
felicidade eterna que se faz presente na desolação dos erros humanos.

        Trazer sabor ao mundo, ser o colorido que se destaca na monotonia do preto e
branco, é viver verdadeiramente a vocação de si para os outros, é isso que fez Abraão, e
seu filho Isaac, o sorriso, a felicidade do cumprimento, a esperança de continuidade.
Sorrir através da própria vida, e fazer da nossa vida um eterno sorriso de Deus para o
mundo... Eis a nossa vocação!

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Vocação

  • 1. VOCAÇÃO... O que é vocação? Quando falamos de vocação temos que perceber o que significa vocação, o que é ter vocação? Isso consiste em realizar-se em meio as nossas atitudes e sermos levados a confirmar nossas vidas pelas nossas atitudes rumo à realização de nossos ideais. Quando afirmamos ter vocação para “algo”, na verdade afirmamos que somos capazes de realizar isto ou aquilo da melhor maneira possível e com o empenho necessário para que a vida tenha valido a pena ser vivida. Embora a vocação não consista em fazer “coisas”, mas na busca de fazer o melhor, temos que nos esforçar por fazer valer à pena cada instante vivido, pois este não mais voltará e por isso, realizar-se na vida é ter a coragem de experimentar cada momento com intensidade. No entanto existe uma vocação universal, a vocação à felicidade que se revela na dinâmica da vida e na busca constante de ser preenchido e satisfazer os anseios de nosso ser. Contudo tal busca está destinada ao fracasso se não se voltar a Deus. Esta verdade fundamental está guardada no silêncio de nosso coração de tal modo que se manifesta na medida em que cada pessoa tem a coragem de quebrar os grilhões do comodismo e da ordinariedade cotidiana, se perguntando profundamente o porquê de estar no mundo? Se há um sentido objetivo para o seu existir? É se deparando com tais questões que nos é permitido mergulhar na busca de certezas que nos aventuram a sermos diferenciados em nossas ações, em nossas vidas, em nossas escolhas; é olhar para o alto e gritar que não desejamos ser “apenas mais um” no mundo, e sim autênticos e felizes humanos capazes de sorrir, de perdoar, de recomeçar... Essa verdade foi manifestada pela Igreja, quando ela diz que: “A razão mais sublime da dignidade do homem consiste na sua vocação à união com Deus. É desde o começo de sua existência que o homem é convidado a dialogar com Deus: pois, se existe, é só por que, criado por Deus por amor e, por ele, por amor, constantemente conservado; nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e se entregar livremente ao seu criador”. (Gaudium Et Spes, par. 19). Assim, percebemos o porquê de homens e mulheres que quando olhamos para as suas vidas somos impulsionados a compará-los a verdadeiros “Heróis em meio ao mundo”, eles que foram capazes de deixar tudo e sem nada, ir à busca de Tudo para encontrar o Verdadeiro Tesouro escondido no limiar, que só pode ser atravessado por aqueles que têm a coragem de se entregarem e confiarem no Criador!
  • 2. Ter vocação é ser diferente, é fazer bem feito as coisas simples, é enxergar a beleza que se esconde nas tarefas singelas, ter vocação é nascer a cada dia e morrer a cada mediocridade para ressurgir na esperança de ser vencedor... Ter vocação é amar o Amor que nos fez amando-nos a todos, ter vocação é estar com Deus intimamente, onde cada respirar só obtém sentido quando clama por Deus! Uma vida de entrega... “O Senhor disse a Abraão: Sai da tua terra, do meio dos teus parentes, da casa de teu pai, e vai para a terra que eu vou te mostrar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma benção”. (Gn 12; 1-2). Abraão, um homem comum e tão humano quanto simples, ele, um homem que não tinha nada de extraordinário, sua vocação era como qualquer outra, tão simples, tão resolvida que poderia até passar despercebida. Mas Abraão movido pelo Espírito de Deus e impulsionado pelo caráter e o desejo de descobrir o verdadeiro sentido para sua vida não conseguiu se desviar do encontro com seu Deus. E este encontro modifica aquele que foi encontrado! Abraão viu-se movido a seguir as ordens de Deus. Quando Deus disse – “Vai! Sai da tua terra, do meio dos teus!” Ou seja, vai meu filho abandona sua vida comum e avança no desconhecido, sendo sustentado pela fé e confiança em Deus. - Deixar os seus... - É desapegar-se das coisas que mais amamos, é colocar Deus no centro e deixar-se ser guiado pelos desígnios divinos. Ir em direção a promessa, essa foi à missão de Abraão, acreditar e caminhar em função de sua fé, essa é também a nossa missão, a nossa promessa, caminhar pelas veredas do Altíssimo! Se pela coragem e fidelidade Abraão converteu-se de “pastor de rebanhos” a “filho da promessa”, aquele cujo Deus depositou a marca indelével de sua aliança com a humanidade. “Abraão prostrou-se com o rosto por terra, e Deus lhes disse: De minha parte, esta é a minha aliança contigo: tu serás pai de uma multidão de nações. Já não te chamarás Abrão. Abraão será teu nome, por que farei de ti o pai de uma multidão de nações.” (Gn 17; 3-5). Mas seguir a Deus não se fundamenta na troca de favores entre nós e Deus, não é uma ordem imposta pela decisão de seguir a Deus onde nós nos disponibilizamos a segui- lo, e Deus por sua vez se vê obrigado a “devolver” a nós nossos méritos em segui-lo. Na vida de Abraão as dificuldades foram muitas e contínuas as noites sem dormir se acumularam, e sem dúvida o humano deste homem, deste servo de Deus, também teve que relutar para não perder de vista a graça de Deus.
  • 3. Abraão marcou a história da humanidade pela sua fé: “A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se vêem, por ela, os antigos receberam um bom testemunho de Deus. Pela fé compreendemos que o universo foi organizado foi por uma palavra de Deus, de sorte que as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê”. (Hb 11; 1-3). A vida de Abraão foi a sua fé, a sua vocação foi sua fidelidade. “Pela fé, Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde iria”. (Hb 11; 8). O amor da criatura pelo Criador foi demonstrado pela confiança que Abraão teve em Deus, ele o pai na fé, teve o seu filho herdeiro aos cem anos de idade, seu nome era Isaac, ele o filho do qual a promessa seria continuada; em suma seu filho que em si personificou a esperança de todo um povo, tal era a importância de Isaac. E mesmo assim de maneira misteriosa Deus o põe a prova: “E Deus disse: „Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o ali em holocausto sobre o monte que eu te indicar”.(Gn 22; 2). Amar a Deus é natural quando o homem é sincero para com seus sentimentos, mas sacrificar o fruto do amor divino sem compreender tal motivo, isso, ou é loucura, ou Deus mudou! Imaginemos Abraão a caminho do monte onde seu filho iria ser sacrificado... “Abraão tomou a lenha para holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o fogo e a faca. Os dois continuaram caminhando juntos. Isaac falou para seu pai Abraão: Pai! Temos o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Abraão respondeu: „Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho”. (Gn 22; 6-8). Abraão silenciou para não dizer a seu filho que ele era o cordeiro que Deus pediu e o seu pai era quem o iria sacrificá-lo, este é um pai ou um assassino? Tal a situação daquele que tem fé, onde está agora a fé? Será que nós como vocacionados para amar a Deus, não esqueceríamos nossa fé e a trocaríamos pelo desespero? Abraão foi fiel até o fim! E Deus não o decepcionou. Quando Abraão havia amarrado seu filho sobre o altar. “Depois estendeu a mão e tomou a faca a fim de matar o filho para o sacrifício. Mas o anjo do Senhor gritou do céu: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Aqui estou! E o anjo disse: „Não estendas a mão contra o menino e não lhes faça mal algum. Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu único filho”. (Gn 22; 10-12). Em Abraão está consumado o desafio de todos àqueles que têm a coragem de colocar suas vidas em consonância com a vontade de Deus. Olhar para Abraão é perceber que a fé tem lugar em um mundo tão secularizado, é perceber que pelo caminho da fé temos a chance de quebrar os grilhões da comodidade: “Ora sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram”. (Hb 11; 6). Agradar a Deus é caminhar para a nossa própria fidelidade, ter vocação no sentido pleno de responder ao chamado é se aventurar para as terras desconhecidas; é desafiar-se nas realizações de nosso dia a dia. Como Abraão, devemos mergulhar-nos na confiança cega, mas não ingênua.
  • 4. Sem fé é impossível agradar a Deus, é impossível também conhecer a Deus, é impossível até mesmo e por excelência experimentar Deus, ou seja, não é possível responder a uma vocação se não tiver fé, ter vocação é saber alimentar a própria fé com a solidez da esperança e a concretude do amor. “Sorriso de Deus... a predileção do Senhor pelos seus.” “Iahweh visitou Sara, como dissera, e fez por ela como prometera. Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão já velho, no tempo que Deus tinha marcado (...) E disse Sara: Deus me deu motivo de riso, todos os que souberem rirão comigo” (Gn 21; 1-2; 6). Isaac o filho da promessa, ou, aquele que foi o cordeiro da Aliança de Deus com a humanidade, se Abraão foi o sinal do inicio da promessa e nele se encontrou a consolidação da máxima Aliança marcada pela fidelidade entre Deus e os homens, temos em seu filho a confirmação desta mesma Aliança que acontece pela descendência, Isaac é mais do que a promessa, ele é a própria promessa que se realiza pela beneficência do criador. Isaac é fruto da visita de Deus a sua mãe, Deus visitou aquela que era estéril e a fez ser “mãe de reis”, ou seja, em seu filho, carne de sua carne, e sangue de seu sangue, está demarcado à continuação da Aliança, da bondade de Deus e a promessa de salvação para os homens. Eis o significado de Isaac, o “sorriso de Deus, a predileção do Senhor pelos seus”, na vida deste homem está expresso o carinho de Deus pelo cumprimento de sua palavra e por cada criatura. A vocação de Isaac nos ensina que Deus quer nos ver sorrindo, e que somos capazes de expressar a felicidade na medida em que nos conformamos com a sua vontade. Ser feliz é mais do que estar bem, estar em segurança, ou ainda, se estruturar nas dimensões do ter, poder, e prazer. Ser capaz de sorrir com a vida é ter a capacidade de ser “lúmen” do divino. Vocação é a própria vida, e a mais importante vocação é a nossa vida que reflete a vida de todos os que estão à nossa volta, por isso ao olharmos a vida de Isaac temos que se perceber como frutos íntimos da Aliança de Deus para com todo o mundo, somos nós então filhos da promessa de Deus, ou filhos das promessas do mundo? Somos motivos de sorriso ou de tristeza? Eis a questão crucial, esperamos e somos a promessa de Deus?! A promessa de um filho herdeiro é dada, através da graça de Deus, na velhice a Abraão, ou seja, no tempo de Deus, assim é necessário muitas vezes esperar, e esperar em Deus. A promessa vem, mas ao seu tempo e junto da promessa temos a fidelidade da espera que é a nossa parte na promessa. Esperar confiante, sendo o próprio fruto da
  • 5. espera, isso é ser Isaac. É ser caminho para que a vontade de Deus seja conhecida, é estar disposto a cumprir a Aliança de amor de Deus para nós. Olhando para a vocação de Isaac podemos perceber que em nossa história de vida podemos ser sinal de Deus no mundo, ser a própria transmissão da Aliança e zeladores da mesma, e assim seremos o sorrido de Deus no mundo, a revelação da felicidade eterna que se faz presente na desolação dos erros humanos. Trazer sabor ao mundo, ser o colorido que se destaca na monotonia do preto e branco, é viver verdadeiramente a vocação de si para os outros, é isso que fez Abraão, e seu filho Isaac, o sorriso, a felicidade do cumprimento, a esperança de continuidade. Sorrir através da própria vida, e fazer da nossa vida um eterno sorriso de Deus para o mundo... Eis a nossa vocação!