• É recrutar, transportar, transferir, alojar ou acolher pessoas,
recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de
coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade
ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de
pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma
pessoa que tenha autoridade sobre outra, para fins de
exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da
prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual,
o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas
similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos”.
(Art. 3 da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Transnacional – Protocolo
Adicional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas –
Palermo 2000)
O tráfico humano atinge mais de 20 milhões de pessoas
em todo o mundo (OIT, 2012)
A cada ano, cerca de 2,5 milhões são traficadas
(OBS: População mundial atual é de + de 7 bilhões e 200 mil pessoas)
O TRÁFICO HUMANO NOS CONTINENTES
• Regiões da Ásia e do Pacífico: 11,7 milhões (56%)
• África: 3,7 milhões (18%)
•América Latina: 1,8 milhão de vítimas (9%)
• Europa Central e Leste Europeu: 1,6 milhão (7%)
• Economias desenvolvidas e União Europeia: 1,5 milhão (7%)
• Oriente Médio: 600 mil (3%)
Aproximadamente 75% destas pessoas são mulheres
(UNODC, 2012)
4,5 milhões são vítimas de tráfico para exploração sexual (22%)
14,2 milhões são explorados em trabalhos forçados (68%)
2,2 milhões são explorados por Estados militarizados (10%)
TRABALHO FORÇADO:
• Mulheres e meninas representam 55% (11,4 milhões)
• Homens e meninos representam 9,5 milhões (45%)
• Os adultos são mais afetados do que as crianças:
74% (15,4 milhões) das vítimas são maiores de 18
anos 26% (5,5 milhões) estão abaixo dos 18 anos
(OIT)
Cerca de 90% dos trabalhadores (18,7 milhões) são
explorados na economia privada,
por indivíduos ou empresas
O tráfico humano rende mais de 30 bilhões de dólares
por ano e está entre os crimes organizados mais
rentáveis, perde apenas para o tráfico de drogas e o
tráfico de armas (ONU)
A vulnerabilidade social e econômica aliada aos
processos de migração é um dos principais fatores
relacionados ao tráfico humano
No Brasil, as regiões Norte e Nordeste são as mais
atingidas pelo tráfico de mulheres, crianças e
adolescentes, e coincidem com as áreas mais
empobrecidas do país
Amazônia apresenta o maior número de rotas de tráfico:
• Isolamento geográfico;
• Fronteiras extensas e sem fiscalização;
• Infraestrutura precária;
• Processos migratórios;
• Grandes projetos de “desenvolvimento”
(mineração, barragens, exploração ilegal dos
recursos naturais, obras públicas).
• A existência de minas de ouro e projetos de
“desenvolvimento” concentra áreas onde há muitos
homens trabalhando longe das famílias, o que provoca
tráfico com o fim de prostituição
Nordeste: 2º lugar no ranking do tráfico de seres
humanos no Brasil. Os Estados do Maranhão e de
Pernambuco apresentam o maior fluxo de tráfico. A
maioria das mulheres traficadas no Maranhão é levada
para zonas de garimpos.
O turismo sexual funciona como uma forma de
recrutamento para o tráfico na região Nordeste, além
do tráfico para o exterior.
Favorecedores do tráfico nacional e internacional:
• presença de aeroportos internacionais, grandes
portos, facilidades para o enraizamento das redes criminosas
na vida econômica e social local, corrupção, fragilidade das
políticas de segurança e justiça
Mulheres e adolescentes em situação de tráfico são da
classe popular, de baixa renda, com baixa
escolaridade, habitam espaços urbanos periféricos
com carência de saneamento, transporte etc., moram
com algum familiar e têm filhos
• A maioria dos aliciadores é do sexo masculino, entre 20 e 56 anos,
brasileiro. Eles vem de todas as classes sociais, alguns pertencem às
elites econômicas, são proprietários ou funcionários de boates, e
muitos exercem funções públicas nas cidades de origem ou de
destino do tráfico de mulheres, crianças e adolescentes.
• Existem também aliciadoras, muitas vezes vítimas de tráfico que
foram forçadas ou convencidas a chamar outras mulheres.
Estado Brasileiro
• Protocolo de Palermo: Brasil
ainda não transformou adesão
em leis (2004)
• Código Penal: tráfico de
pessoas para exploração sexual e
submissão à escravidão (231,
149)
• II Plano Nacional de
Enfrentamento ao Tráfico de
Pessoas (2013-1016)
• Invisibilidade: vergonha, medo,
fraca abordagem da mídia
Para compreender melhor...
• Há um perfil das vítimas ou todos somos vítimas?
• Prostituição não é crime... Profissionalizar a categoria?
• Grandes eventos (Copa do Mundo, Olimpíadas)
provocam ou não a elevação dos índices de tráfico
humano?
• Migração é direito, não crime. E quando é involuntária?
Iniciativas de enfrentamento:
• CPT: Campanha Nacional “De olho aberto para não virar
escravo” (desde 1997) e Campanha Nacional para Erradicação
do Trabalho Escravo (2002)
• MPT (Ministério Público do Trabalho)
• Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo (MA, PI,
MT)
• Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos
(Açailândia, MA)
• Centro Burnier de Fé e Justiça (MT)
• Repórter Brasil
• Movimento Pelos Humanos Direitos
• Conselho Tutelar
• NETP-MA (Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de
Pessoas)
Rede Um Grito Pela vida
Tráfico humano - Seminário Carajás

Tráfico humano - Seminário Carajás

  • 2.
    • É recrutar,transportar, transferir, alojar ou acolher pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra, para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos”. (Art. 3 da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Transnacional – Protocolo Adicional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas – Palermo 2000)
  • 3.
    O tráfico humanoatinge mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo (OIT, 2012) A cada ano, cerca de 2,5 milhões são traficadas (OBS: População mundial atual é de + de 7 bilhões e 200 mil pessoas)
  • 4.
    O TRÁFICO HUMANONOS CONTINENTES • Regiões da Ásia e do Pacífico: 11,7 milhões (56%) • África: 3,7 milhões (18%) •América Latina: 1,8 milhão de vítimas (9%) • Europa Central e Leste Europeu: 1,6 milhão (7%) • Economias desenvolvidas e União Europeia: 1,5 milhão (7%) • Oriente Médio: 600 mil (3%)
  • 5.
    Aproximadamente 75% destaspessoas são mulheres (UNODC, 2012) 4,5 milhões são vítimas de tráfico para exploração sexual (22%) 14,2 milhões são explorados em trabalhos forçados (68%) 2,2 milhões são explorados por Estados militarizados (10%)
  • 6.
    TRABALHO FORÇADO: • Mulherese meninas representam 55% (11,4 milhões) • Homens e meninos representam 9,5 milhões (45%) • Os adultos são mais afetados do que as crianças: 74% (15,4 milhões) das vítimas são maiores de 18 anos 26% (5,5 milhões) estão abaixo dos 18 anos (OIT)
  • 7.
    Cerca de 90%dos trabalhadores (18,7 milhões) são explorados na economia privada, por indivíduos ou empresas
  • 8.
    O tráfico humanorende mais de 30 bilhões de dólares por ano e está entre os crimes organizados mais rentáveis, perde apenas para o tráfico de drogas e o tráfico de armas (ONU)
  • 9.
    A vulnerabilidade sociale econômica aliada aos processos de migração é um dos principais fatores relacionados ao tráfico humano
  • 10.
    No Brasil, asregiões Norte e Nordeste são as mais atingidas pelo tráfico de mulheres, crianças e adolescentes, e coincidem com as áreas mais empobrecidas do país
  • 11.
    Amazônia apresenta omaior número de rotas de tráfico: • Isolamento geográfico; • Fronteiras extensas e sem fiscalização; • Infraestrutura precária; • Processos migratórios; • Grandes projetos de “desenvolvimento” (mineração, barragens, exploração ilegal dos recursos naturais, obras públicas). • A existência de minas de ouro e projetos de “desenvolvimento” concentra áreas onde há muitos homens trabalhando longe das famílias, o que provoca tráfico com o fim de prostituição
  • 12.
    Nordeste: 2º lugarno ranking do tráfico de seres humanos no Brasil. Os Estados do Maranhão e de Pernambuco apresentam o maior fluxo de tráfico. A maioria das mulheres traficadas no Maranhão é levada para zonas de garimpos. O turismo sexual funciona como uma forma de recrutamento para o tráfico na região Nordeste, além do tráfico para o exterior.
  • 13.
    Favorecedores do tráficonacional e internacional: • presença de aeroportos internacionais, grandes portos, facilidades para o enraizamento das redes criminosas na vida econômica e social local, corrupção, fragilidade das políticas de segurança e justiça
  • 14.
    Mulheres e adolescentesem situação de tráfico são da classe popular, de baixa renda, com baixa escolaridade, habitam espaços urbanos periféricos com carência de saneamento, transporte etc., moram com algum familiar e têm filhos
  • 15.
    • A maioriados aliciadores é do sexo masculino, entre 20 e 56 anos, brasileiro. Eles vem de todas as classes sociais, alguns pertencem às elites econômicas, são proprietários ou funcionários de boates, e muitos exercem funções públicas nas cidades de origem ou de destino do tráfico de mulheres, crianças e adolescentes. • Existem também aliciadoras, muitas vezes vítimas de tráfico que foram forçadas ou convencidas a chamar outras mulheres.
  • 16.
    Estado Brasileiro • Protocolode Palermo: Brasil ainda não transformou adesão em leis (2004) • Código Penal: tráfico de pessoas para exploração sexual e submissão à escravidão (231, 149) • II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2013-1016) • Invisibilidade: vergonha, medo, fraca abordagem da mídia
  • 17.
    Para compreender melhor... •Há um perfil das vítimas ou todos somos vítimas? • Prostituição não é crime... Profissionalizar a categoria? • Grandes eventos (Copa do Mundo, Olimpíadas) provocam ou não a elevação dos índices de tráfico humano? • Migração é direito, não crime. E quando é involuntária?
  • 18.
    Iniciativas de enfrentamento: •CPT: Campanha Nacional “De olho aberto para não virar escravo” (desde 1997) e Campanha Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (2002) • MPT (Ministério Público do Trabalho) • Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo (MA, PI, MT) • Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (Açailândia, MA) • Centro Burnier de Fé e Justiça (MT) • Repórter Brasil • Movimento Pelos Humanos Direitos • Conselho Tutelar • NETP-MA (Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas)
  • 19.
    Rede Um GritoPela vida