Instituto Politécnico de Viseu
Escola Superior de Educação de Viseu
TRABALHO FINAL
IMPRENSA REGIONAL – A NOTÍCIA, AS SUAS CARATERÍSTICAS E O
SEU CONTEÚDO
Trabalho escrito final de Jornalismo Especializado
Docentes: Pedro Coutinho e Joana Martins
Aluno: Jorge Lopes, n.º 9978
Licenciatura em Comunicação Social
3.º ano – Turma A (Ano letivo 2014/2015)
ÍNDICE
Introdução P. 2
Revisão da literatura P. 2
Objetos de estudo P. 3
Esclarecimento metodológico P. 3
Apresentação dos resultados P. 3
Conclusão P. 8
Bibliografia P. 9
INTRODUÇÃO
Este trabalho final pretende explorar, tal como no primeiro trabalho individual (que foi sobre
o mesmo tema), a temática da notícia e das suas caraterísticas na imprensa regional, mais
concretamente através da análise de dois jornais da cidade de Viseu: o “Jornal do Centro” e o
“Notícias de Viseu”.
Com este trabalho, pretende-se apresentar uma análise concreta e clara sobre a temática da
imprensa regional, nomeadamente na análise do conteúdo das notícias publicadas nas edições
analisadas e, com isso, apurar as formas de como a notícia é tratada nos dois jornais e perceber
como o conteúdo contribui para o tratamento da notícia, inclusive diferenças eventualmente
encontradas nas edições dos dois jornais.
Espero que este trabalho final satisfaça aquilo o que é exigido nesta unidade curricular, tal
como todos os trabalhos individuais que foram feitos ao longo do semestre.
O capítulo que se segue é uma transcrição integral do capítulo de revisão da literatura no
primeiro trabalho individual.
REVISÃO DA LITERATURA
A imprensa regional/local é considerada como uma das formas mais ativas do jornalismo,
dada a sua natureza e o seu impacto junto do público em geral. A imprensa regional trata dos
assuntos de uma região ou de um determinado local, seja ela uma cidade, uma vila ou até uma
comunidade paroquial. Se esta é a definição comum do que é a imprensa regional, já o mesmo não
se pode escrever sobre uma definição científica. Segundo Ferreira (2005: 850), a tarefa teria sido
facilitada “caso se conhecessem as características intrínsecas do sector”. Ora, isso não acontece pelo
facto de não existirem trabalhos sobre estas matérias (Idem, Ibidem).
Não obstante a incerteza sobre a definição científica e de facto, segundo o preâmbulo do
Estatuto da Imprensa Regional, esta desempenha “um papel altamente relevante, não só no âmbito
territorial a que naturalmente mais diz respeito, mas também na informação e contributo para a
manutenção de laços de autêntica familiaridade entre as gentes locais e as comunidades de
emigrantes dispersas pelas partes mais longínquas do Mundo” (Decreto-Lei n.º 106/88, 1988). A
imprensa regional tem também “sabido desempenhar uma função cultural a que nenhum órgão de
comunicação social pode manter-se alheio” (Ibidem).
No entanto, a imprensa regional está agora com obstáculos. Esses obstáculos, contudo, foram
antecipados pelos próprios jornais. Segundo Martins e Gonçalves (coord., 2010: 91), as principais
preocupações dos jornais do distrito de Viseu eram sobre as questões político-partidárias e a
concorrência desleal entre as tiragens das publicações auditadas e as das publicações não auditadas.
Para além destes obstáculos, também se destacam as relações de dependência económica e de
independência perante os órgãos autárquicos (Idem, Ibidem: 109), a fragilidade económico-
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financeira dos jornais e a relação entre publicidade comercial e publicidade institucional (Idem,
Ibidem: 107), e o acesso às fontes de informação (Idem, Ibidem: 109). Estes e outros obstáculos
podem ser refletidos na altura da análise dos conteúdos analisados no âmbito deste trabalho, sendo
que certos desses obstáculos são – do meu ponto de vista – vistos claramente na análise das notícias.
Mas apesar dos obstáculos referenciados, também há oportunidades para o jornalismo
regional de hoje. As tendências que Martins e Gonçalves (Idem, Ibidem: 111) apresentam para o
jornalismo regional são as seguintes: a existência de projetos editoriais distribuídos exclusivamente
na Internet, a existência de estratégias multi-meio usadas por algumas entidades que desenvolvem
atividades de comunicação social a nível regional e a integração em grupos de comunicação social
com diferentes meios e com partilha de know-how e sinergias de escala. Para além destas
tendências, também posso acrescentar a continuidade da importância da imprensa regional como
algo que deve ser considerado no futuro como menciona Carlos Camponez (in Ferreira, 2005: 851):
“as especificidades da imprensa regional e local resultam, fundamentalmente, do seu compromisso
com a região e do seu projecto editorial. É nesse compromisso que frutifica ou fracassa, se
diversifica ou homogeneíza a comunicação”.
Assim sendo, posso concluir que a imprensa regional é um jornalismo de proximidade mais
próximo possível, com os seus riscos e obstáculos mas que também pode seguir um outro caminho
favorável. A análise que se segue reflete bem esse facto.
OBJETOS DE ESTUDO
Os objetos de estudo foram a edição do “Jornal do Centro” publicada no dia 9 de janeiro de
2015 e a edição do “Notícias de Viseu” publicada no dia 11 de dezembro de 2014. Dentro destas
edições impressas, foram analisadas as notícias publicadas nas diversas secções dos dois jornais e
os seus conteúdos.
É de notar que o atraso na atualização da edição do “Notícias de Viseu” foi um revés no
sentido de se pretender comparar as notícias atualizadas na semana da publicação quando foi
iniciado a elaboração deste presente trabalho final.
ESCLARECIMENTO METODOLÓGICO
Tal como no trabalho individual sobre este mesmo tema da imprensa regional, a metodologia
usada no trabalho foi baseada numa análise qualitativa dos conteúdos das notícias publicadas nas
edições acima referenciadas. A análise foi feita através da leitura e análise crítica das notícias, cujos
resultados foram elaborados com a máxima atenção possível.
As edições analisadas eram as últimas disponíveis na altura do início da elaboração deste
trabalho final.
No capítulo seguinte, o conteúdo vai ser apresentado de uma maneira diferente face à
apresentação dos resultados mostrada no trabalho original.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Antes de avançar com a análise dos jornais, eu queria sublinhar que aquilo o que pretendo
fazer neste capítulo é uma análise simples, clara e comparativa de entre os resultados apresentados
no primeiro trabalho individual e entre os resultados que irão ser apresentados daqui por diante.
Começo este capítulo com a análise do “Jornal do Centro”. No trabalho original (o primeiro
trabalho individual sobre a imprensa regional), este jornal apresentava artigos e reportagens com
uma enorme profundidade de conteúdo e com uma forte dinâmica jornalística, devido
principalmente à estratégia informativa, à extensão das páginas da edição analisada no trabalho
individual e à diversidade dos temas analisados na mesma edição (do jornal).
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Ao que parece na edição analisada neste presente trabalho final, a investigação continua a ser
um fator privilegiado. Entre as páginas 2 a 4, aparece uma notícia em que são mostrados dados
estatísticos referenciados junto do Instituto Nacional de Estatística sobre o distrito de Viseu, com o
título “A região em números”. Esta notícia é um artigo que, apesar de estar ligado a uma instituição
oficial, demonstra uma maior vitalidade investigativa e apreciativa ao analisar dados e outras
informações importantes sobre o estado do distrito de Viseu.
Não aparece nenhum lead, uma vez que o texto introdutório constitui -se como um texto que
resume alguns dos dados obtidos nos documentos consultados pela redação do “Jornal do Centro”.
Eis um excerto deste texto: “Sabia que a Câmara Municipal de São João da Pesqueira foi a
autarquia que, em 2013, gastou mais dinheiro com a cultura e que no desporto Penedono, Oliveira
de Frades e Aguiar da Beira estão no top três das câmaras que mais investiram? Ou que, em 2012,
os trabalhadores por conta de outrem em Oliveira de Frades eram os que ganhavam mais?”.
Em comparação com o trabalho original e de uma maneira semelhante, o “Jornal do Centro”
publicou na edição que fora aí analisada uma notícia com o título “Investir no imaterial”, que
aparece logo nas primeiras páginas e que dá conta de um documento sobre o diagnóstico dos 14
concelhos que faziam parte da comunidade intermunicipal Viseu Dão Lafões e as propostas que
devem ser feitas nesse sentido até ao ano de 2020 em áreas como cultura, turismo e agricultura.
Para exemplificar isso, um excerto:
“Cultura e empreendedores criativos – Criação da Rede Factory DVL [ou VDL], viveiros de
pequeno formato onde artistas e criativos partilham as infraestruturas, equipamentos e serviços, com
outros criadores e empresários, com o fim de desenvolver e potenciar indústrias culturais e criativas.
As Factory, a distribuir pelo território de Viseu Dão Lafões, nascem com a vocação de transformar-
se em espaços de trabalho partilhados e centros de formação e conselho empresarial para os novos
empreendedores relacionados com o mundo das artes, a cultura, os conteúdos digitais, o turismo e a
comunicação”.
Voltando à notícia das estatísticas publicada na edição analisada neste presente trabalho final,
aparece na página 3 um título informativo cujo conteúdo é o seguinte: “Das mais de 500 páginas do
relatório, cuja divulgação se iniciou na primeira metade da década de 90, e que podem ser
consultados na página da Internet do INE [Instituto Nacional de Estatística], retiramos alguns
parâmetros relacionados com a população, saúde, desporto e cultura”. O corpo da notícia consiste
basicamente em dados retirados dos anuários estatísticos regionais do INE relativamente aos anos
de 2012 e de 2013, como população, mercado de trabalho e cultura. O tratamento da notícia é visto
de uma forma investigativa, uma vez que se pretendia apresentar uma análise sobre dados que
foram considerados importantes por parte da jornalista que redigiu a notícia e que representam,
segundo a jornalista, a realidade do distrito de Viseu. Eis um dado para colocar como exemplo:
“Mais de 2400 partos em 2013 – Dos 2407 partos registados no ano de 2013, no total dos 25
municípios, 2381 foram realizados em estabelecimentos hospitalares, 16 no domicílio e 10 num
outro local. A região de Dão Lafões foi a que reuniu o maior número de partos. Quanto a municípios
Viseu foi onde se realizaram mais (755), seguindo de Lamego (158), Cinfães (139), Tondela (138) e
Mangualde (137)”.
Uma outra notícia que gostaria de sublinhar na edição do “Jornal do Centro” (e que também
demonstra praticamente a sua estratégia informativa) é um artigo publicado na página 9, com o
título “Meia centena desempregados e sem saber o futuro”. O subtítulo – que melhor descreve o
conteúdo do corpo da notícia – é o seguinte conforme transcrito na sua íntegra: “O processo de
falência da Moviflor arrastou-se por meses a fio a nível nacional, entre 2013 e 2014. Na loja de
Viseu chegaram a ser 70 os trabalhadores de um quadro que foi sendo reduzido. Hoje, todos
desempregados, continuam à espera dos prometidos salários em atraso e indemnizações”. O
tratamento que se aplica a esta notícia é feita com base na revolta, na contestação e no sentimento
de luta depois da insolvência do empregador, conforme se pode ver no lead, no subtítulo, no corpo
da notícia e na fotografia. No corpo da notícia, o lead faz uma análise retrospectiva sobre os tempos
da Moviflor e a sua decadência: “A Moviflor já foi uma marca importante no comércio de móveis e
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decoração a nível nacional e na cidade de Viseu. A declaração de morte deste negócio surgiu em
2013 quando a cadeia nacional soçobrou perante fatores que ainda hoje não são conhecidos”.
De seguida, aparece uma outra frase que mostra o evoluir dos acontecimentos sobre a
Moviflor em Viseu: “A empresa manteve durante largos anos uma loja em Viseu, na avenida da
Bélgica. O negócio era florescente e chegou a ter necessidade de empregar cerca de 70
trabalhadores [que foi, entretanto, reduzido para 50] para fazer face à procura. As dificuldades
económicas que o grupo começaria a atravessar levaram a que fossem dispensados trabalhadores e
que, em outubro de 2013, a administração da empresa visse aprovado um Plano Especial de
Revitalização, do qual fazia parte a liquidação de dívidas a trabalhadores, a manutenção da
atividade das lojas e a garantia de 500 postos de trabalhos, dos mais de mil que haviam composto o
quadro geral”. De seguida, a notícia dá conta dos problemas da loja viseense da cadeia Moviflor e
da insolvência desta em 2014.
Um artigo que será comparada com a notícia da Moviflor é a notícia publicada na edição do
“Jornal do Centro” analisada no trabalho original, com o título “E tudo o reboque levou”. A notícia
relatava a história do reboque de uma carrinha que estava estacionada no meio de uma rotunda em
Castro Daire e do buraco que lá ficou e que passou a ser ocupado durante dias inteiros pelos
proprietários de um terreno que esteve na origem de um conflito entre estes e a autarquia local. A
notícia também é tratada no sentido de se mostrar a contestação e a revolta. Um excerto desta
notícia segue-se agora:
“A carrinha estacionada no meio da feixa de rodagem na rotunda da avenida Maria Alcina, em
Castro Daire, foi retirada esta semana. O automóvel que dava visibilidade ao litígio entre privados e
autarquia foi removido do local por ordem do município. Ainda assim, o diferendo entre as partes
no direito à propriedade vai continuar na barra da justiça, até que seja determinado o verdadeiro
dono do buraco que ficou por asfaltar, no interior da via na rotunda da obra 'quase pronta', na
avenida Maria Alcina”.
Ainda uma outra notícia que gostaria de destacar do “Jornal do Centro” na página 33 tem o
título de “Domingo de jogo grande para Viseu 2001”. O lead é o seguinte:
“O Pavilhão Cidade de Viseu recebe, este domingo, dia 11, pelas 17 horas, um jogo que pode
ser decisivo para as aspirações do Viseu 2001 na série C da II Divisão Nacional de futsal”. Ora, este
lead leva-nos a crer que oViseu 2001 tem um grande trabalho para defrontar uma equipa que poderá
ser superior relativamente à qualidade da sua própria equipa. Segundo o corpo da notícia, essa
equipa concorrente é a equipa do segundo classificado do campeonato, o Centro Social São João. O
que se segue no corpo foi uma ideia matemática sobre a possível evolução do Viseu 2001 no
campeonato onde estavam inseridos à data da publicação da edição. Assim sendo, nós podemos
achar que esta notícia representa a ideia de que o Viseu 2001 tem a necessidade de ganhar, uma vez
que o jogo poderá ser decisivo e importante para os seus rumos no torneio onde está a competir.
A notícia mostra um tratamento informativo, uma vez que não contém entrevistas nem outras
citações de fontes consultadas pelo jornal, mas também analítico, uma vez que o artigo analisa
aquilo o que a equipa do Viseu 2001 deve fazer para continuar a fazer um bom desempenho no
campeonato.
Esta mesma notícia poderá ser comparada com a notícia de título “Continuar a sonhar com a I
Divisão”, em que equipas como a do Viseu 2001 são apresentadas aos leitores do “Jornal do
Centro” antes do início da mesma II Divisão Nacional de Futsal. Desta vez, esta notícia continha
entrevistas e uma fotografia da equipa. Já por sua vez, a notícia do jogo entre o Viseu 2001 e o
Centro Social São João mostra apenas uma foto genérica de um jogador de futsal a jogar com a
bola. Conclui-se, assim, a análise do “Jornal do Centro”.
Avançando para a análise do “Notícias de Viseu”, é de sublinhar que, no trabalho original,
este jornal era caraterizado por ser uma publicação com uma informação mais ligada às instituições
que marcam a região e, por isso, notícias mais institucionais e formais com uma devida dedicação a
órgãos e instituições como a Câmara Municipal e os Bombeiros, como se vai perceber nas
comparações entre as notícias analisadas neste presente trabalho e as notícias analisadas no trabalho
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original.
Assim sendo, vou começar com uma notícia publicada na página 3 de título “Município de
Viseu apoia a arte e cultura com quatrocentos mil euros para projetos”. Esta notícia tem o seguinte
lead:
“Iniciativa pioneira visa financiar projetos e eventos culturais em 2015. Almeida Henriques
[presidente da Câmara Municipal de Viseu] refere que '[o] concurso abre um novo paradigma no
apoio à cultura” ao ao lançar o 1º concurso à cultura e à criatividade”. Esta notícia – apesar de ser
consideravelmente institucional – demonstra um pouco da vitalidade jornalística, com citações de
fontes importantes para a credibilidade da notícia (ex.: Almeida Henriques, o edil viseense, a
proferir as declarações numa conferência de imprensa) e uma informação mais completa o possível
para despertar o interesse do leitor, e ainda mais quando está em causa a cultura na região de Viseu.
Avançando um pouco mais à frente no corpo da notícia, Almeida Henriques afirma a seguinte
citação ao “Notícias de Viseu”: “Para o Presidente da Câmara, Almeida Henriques, 'este concurso
abre um novo paradigma no apoio à cultura em Viseu e é uma inovação no país. Damos maior
enfoque estratégico à política cultural municipal e tornamos a atribuição dos apoios mais acessível e
transparente. Estimulamos ainda a lógica do cofinanciamento e das parcerias'”. Esta notícia tem um
tratamento relacionado com o estímulo, o contributo e a esperança para com a cultura e a sua
importância para a cidade de Viseu.
Ora, esta notícia poderá ser comparada com aquela que foi analisada no trabalho original cujo
título era “Município de Viseu lança programa para diversificar formações e modernizar educação
local”. Embora esta notícia não seja uma semelhança direta com a outra notícia (que tem a ver com
a cultura local), apresentam-se algumas semelhanças relativas à forma como a notícia foi criada:
convite para um evento organizado pelos órgãos de poder local, anúncio ou inauguração de uma
obra desenvolvida pela autarquia, a presença do Presidente da Câmara, planos estratégicos da
autarquia desenvolvidos para o bem da cidade e dos seus habitantes, etc. Segue-se agora um excerto
dessa notícia:
“O Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, apresentou o programa
'Viseu Educa', na reunião pública do Conselho Municipal de Educação, um órgão consultivo e de
coordenação das políticas educativas locais. (...) O programa 'Viseu Educa' define três grandes áreas
de intervenção: a qualificação de infraestruturas e recursos de apoio; a articulação da oferta
formativa, o apoio às famílias e a modernização da gestão; a diversificação de formações e serviços
educativos e a promoção do mérito”.
Voltando à notícia da cultura local (e apesar de esta ter o maior destaque), o corpo da notícia
contém referências a uma Rede Portuguesa das Autarquias Participativas, que tem como objetivo
fomentar a democracia participativa a nível local em Portugal, e a adesão de Viseu a esta rede. Mas,
como a cultura é prioridade na notícia, o destaque serve mesmo para o concurso que a autarquia
viseense vai realizar para atribuir apoios financeiros. Num excerto do corpo da notícia, o artigo
afirma que serão “prioridades na atribuição de apoios municipais projetos ligados ao património
material e imaterial; à dança, som e teatro de rua; de inclusão social e formação de novos públicos;
de criação para importantes eventos municipais como a 'Feira de São Mateus', assim como grandes
eventos ou festivais com potencial de impacto nacional ou internacional e atração relevante de
visitantes”. Assim sendo, esta notícia dá conta de que os apoios que serão atribuídos no concurso
serão canalizados para acontecimentos que eventualmente poderão trazer um enorme impacto na
cultura e na sociedade viseenses.
A segunda notícia que será analisada na edição do “Notícias de Viseu” é uma notícia
publicada na página 4, com o título “Autarquia de Sátão entrega cabazes de Natal a famílias
carenciadas”. A notícia – que se constitui como se fosse uma breve – consiste no relato anunciado
de um acontecimento que vai acontecer, como o seguinte excerto exemplifica:
“A Câmara Municipal de Sátão vai associar-se ao Banco BPI na entrega de cabazes de Natal a
famílias carenciadas do concelho. A iniciativa decorre na Casa da Cultura de Sátão, no dia 17 de
dezembro de 2014, às 14h00”. Assim sendo, esta notícia demonstra um sentimento de solidariedade
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com as pessoas que não possuem grandes recursos para se sustentarem. Além disso, esta notícia
ainda apresenta as caraterísticas de a sua origem ter sido num convite ou comunicado proveniente
do poder local e a presença do Presidente da Câmara local, tal como a anterior notícia analisada.
Para além disto tudo, a Câmara de Sátão não se encontra sozinha em ajudar os seus habitantes, uma
vez que tem um banco, uma instituição financeira para apoiar a autarquia na ação.
Comparada com a notícia do mesmo jornal com o título “Bombeiros Voluntários de Viseu têm
nova viatura de comando operacional” (que foi analisada no trabalho original), as diferenças e
semelhanças demonstram-se no seguinte: uma grande diferença entre o protagonismo dos
bombeiros na noticia do trabalho original e o protagonismo da autarquia na notícia deste presente
trabalho; a solidariedade e a procura pelo bem-comum (a proteção e a segurança na notícia do
trabalho original e a ajuda e entre-ajuda entre as pessoas comuns na notícia deste presente trabalho);
a realização feita da cerimónia na notícia do trabalho original e a realização por fazer da iniciativa –
segundo o corpo da notícia – no artigo deste presente trabalho; e, finalmente, o suporte à ajuda de
quem necessita (os bombeiros, no caso da notícia do trabalho original (com a realização de uma
campanha de donativos realizada pela população para suportar a compra da viatura pelos
bombeiros), e as pessoas carenciadas, no caso da notícia deste presente trabalho (através da entrega
de cabazes de Natal)).
No fundo, estas duas notícias representam a solidariedade e o lado de responsabilidade social
e solidária das instituições que mais as pessoas confiam no dia-a-dia a nível local, por um lado os
bombeiros e do outro a autarquia local. A notícia da Câmara do Sátão representa também um facto
particular que não queria deixar de lado neste caso: o facto de o ato de solidariedade acontecer num
pequeno concelho do distrito de Viseu – como Sátão – representar um reforço ainda maior da forte
proximidade que existe entre a população e a Câmara Municipal, um lugar onde as pessoas
demonstram de facto que podem expressar os problemas e assumir todos os seus atos de
responsabilidade para com a localidade onde vivem num concelho pequeno (esta tendência reforça-
se ainda mais além quando se fala das juntas de freguesia).
Finalmente, a última notícia analisada neste presente trabalho do “Notícias de Viseu” será
aquela que está publicada na página 8 com o título “Atletas de Mundão em destaque”,
correspondendo esta uma das duas notícias de desporto na edição do jornal. A notícia é um simples
relato daquilo do que aconteceu no Torneio de Abertura da Associação de Ténis de Mesa do Distrito
de Viseu. A cobertura poderá ter sido principiada por uma opção da redação do “Notícias de Viseu”
em cobrir o evento com base nos convites enviados pela organização do evento. O lead é o seguinte:
“Realizou-se no passado sábado, dia 29 de novembro, no pavilhão da EB 2, 3 de Mundão o
Torneio de Abertura da Associação de Ténis de Mesa do Distrito de Viseu. A prova contou com
mais de 100 atletas nos vários [?] de formação e ainda em seniores femininos”. De seguida, o corpo
da notícia faz um relato concreto sobre o que aconteceu no torneio e os resultados dos jogos
realizados naquela competição, com alguma análise crítica no meio. A seguir, dois exemplos para
comprovar esta tese:
“Mais uma vez, os atletas da APEE do AE Mundão alcançaram excelentes resultados
conseguindo vários pódios. No escalão de iniciados masculinos o atleta João Santo conseguiu um
excelente 2º lugar, tendo perdido numa final extremamente equilibrada com o atleta Pedro Ferreira
da AV Lamego”; “Na fase de grupos o Miguel Pereira [atleta do Académico de Viseu] vence o
Rodrigo Mendes [atleta do Mundão], no mapa final o Rodrigo Mendes venceu o Miguel tendo este
ido para o mapa dos derrotados encontrando-se de novo os dois na final. Nesta, o Miguel venceu o
Rodrigo obrigando á [à] disputa de uma finalíssima onde o Rodrigo esteve a vencer por 1-0 e teve o
2º set na mão (10-8) tendo-o deixado fugir. O Miguel acabou por vencer por 3-1. Nota menos
positiva nesta final de nível nacional é que foi jogada para 10 pessoas”.
Em comparação com a notícia analisada no trabalho original sobre o evento do Caramulo
Motorfestival, esta notícia apresenta uma diferença substancial: o facto de a notícia cobrir apenas
um torneio competitivo de ténis de mesa. Já a notícia do trabalho original falava sobre um evento
multifacetado de automobilismo com competição e ações de lazer e turismo mas, ao contrário da
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notícia deste presente trabalho, apresentava citações de fontes contactadas pelo jornal. As duas
notícias mostram apenas estas duas diferenças, uma vez que ambas fazem relato dos
acontecimentos, apresentam os resultados da competição realizada e fazem alguma (se não pouca)
análise crítica sobre a perspetiva de tudo o que terá acontecido.
Para termos um exemplo, eis um excerto da notícia analisada no trabalho original:
“Apesar da chuva que se fez sentir no Sábado e Domingo passados, a nona edição do
Caramulo Motorfestival, que decorreu nos dias 5, 6 e 7 de setembro, registou uma grande adesão do
público e de pilotos, confirmando, assim, a fidelidade dos aficionados e famílias ao evento” (neste
caso, estamos perante um caso em que o jornal confirma o entusiasmo que já estava a antecipar
sobre o eventual sucesso do evento, podendo fazer, assim, parte da análise crítica).
Concluída a análise do “Notícias de Viseu” e tendo em conta a análise do “Jornal do Centro”,
foi possível apurar diferenças e outros pontos destacáveis que, entretanto, serão mais desenvolvidos
no capítulo seguinte, o da conclusão.
CONCLUSÃO
Antes de avançar para as conclusões propriamente ditas, gostaria de sublinhar que todo o
trabalho feito com a análise das notícias e a sua apreciação crítica foi complementado com
informação já adicionada no trabalho original, o que ajudou a permitir um trabalho enriquecido com
a necessária recolha de dados e outras informações que foram bastante preciosas para o
desenvolvimento deste presente trabalho.
Embora as conclusões sejam geralmente iguais face às conclusões retiradas do trabalho
original, existem reparações que foram feitas nos jornais entre o trabalho original e este presente
trabalho. Em primeiro lugar, pode-se perceber que o “Jornal do Centro” continua a apresentar um
amplo e diversificado leque de artigos informativos e noticiosos, com várias notícias de produção
própria e onde investigação, relato, depoimento e análise são apresentados e, por vezes, combinados
(isto para além da presença de uma grande entrevista). No entanto, o jornal também continua a
publicar algumas notícias com base em comunicados de imprensa ou outro tipo de documentos
regularmente enviados para as redações como forma de comunicação entre as entidades e a
comunicação social, como convites.
Em segundo lugar, o “Notícias de Viseu” apresenta notícias geralmente institucionais e
formais mas, com uma análise mais precisa da edição analisada neste presente trabalho, já apresenta
algum progresso na produção de notícias próprias onde, para além das notícias da coluna policial e
da secção de saúde, inclui – desta vez – reportagens de natureza turística sobre as localidades de
Monsaraz e de Ribeiradio/Sejães. A extensão das páginas da edição é significativa, relativamente à
extensão das páginas no “Jornal do Centro” (12 páginas do “Notícias de Viseu” vs. 40 páginas do
“Jornal do Centro”).
Apesar das dificuldades e dos problemas mencionados no capítulo da revisão da literatura
(exs.: fragilidade económico-financeira dos jornais, independência perante os órgãos autárquicos e
acesso às fontes de informação), o “Jornal do Centro” e o “Notícias de Viseu” conseguem fazer um
trabalho de pesquisa e de redação que é claramente visto nas páginas de cada uma das suas
respetivas edições (com as devidas opiniões e diferenças). Claramente, isso reflete-se no conteúdo
das notícias.
Assim sumariamente, as conclusões que se tiram do trabalho são as seguintes:
 Diferenças nas caraterísticas que marcam o conteúdo das notícias publicadas nas
edições do “Jornal do Centro” e do “Notícias de Viseu”;
 Diferenças nas formas de tratamento e interpretação dos protagonistas e dos temas
em causa nas notícias analisadas do “Jornal do Centro” e do “Notícias de Viseu”;
 Ideias diferentes relativamente à prática da estratégia de agenda-setting de ambos os
jornais (com a análise apresentada no capítulo anterior e com as reflexões tiradas nos
parágrafos anteriores);
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 Concentração do relato propriamente dito no “Notícias de Viseu” e extensão da
atividade jornalística com os campos referenciados no segundo capitulo deste
capítulo no “Jornal do Centro”;
 Reflexão das notícias nos problemas que a imprensa regional atravessa; e
 Diferenças substanciais a nível de cobertura noticiosa devido à dimensão, à extensão
das páginas das edições e – possivelmente – à estratégia informativa entre o “Jornal
do Centro” e o “Notícias de Viseu”.
Com todos estes elementos que foram feitos e que são mostrados ao longo deste presente
trabalho, foi possível um bom trabalho com a devida atenção e com o devido cuidado necessários.
BIBLIOGRAFIA
 Costa, M. (2015, 9 de janeiro). “A região em números”. Jornal do Centro, pp. 2-4.
 Costa, M. (2014, 26 de setembro). “Continuar a sonhar com a I Divisão”. Jornal do
Centro, p. 31.
 Costa, M. (2015, 9 de janeiro). “Domingo de jogo grande para Viseu 2001”. Jornal
do Centro, p. 33.
 Decreto-Lei n.º 106/88 de 31 de março, 1320-1321. Diário da República n.º 76/1988
– I Série. Presidência do Conselho de Ministros. Lisboa. Disponível em:
https://dre.pt/application/file/94364
 Ferreira, P. (2005). “O lugar da imprensa local e regional nas políticas da
comunicação”. Livro de Actas – 4.º SOPCOM, 849-860. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/ferreira-paulo-lugar-imprensa-local-regional-politicas-
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 Martins, C. e Gonçalves, T. (coord.) (2010). “A Imprensa Local e Regional em
Portugal”. Lisboa: Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Disponível em:
http://www.erc.pt/download/YToyOntzOjg6ImZpY2hlaXJvIjtzOjM4OiJtZWRpYS9l
c3R1ZG9zL29iamVjdG9fb2ZmbGluZS8yOC4xLnBkZiI7czo2OiJ0aXR1bG8iO3M
6NTA6ImVzdHVkby1zb2JyZS1hLWltcHJlbnNhLWxvY2FsLWUtcmVnaW9uYWw
tZW0tcG9ydHVnIjt9/estudo-sobre-a-imprensa-local-e-regional-em-portug
 Não identificado (2014, 11 de dezembro). “Autarquia de Sátão entrega cabazes de
Natal a famílias carenciadas”. Notícias de Viseu, p. 4.
 Não identificado (2014, 11 de dezembro). “Atletas de Mundão em destaque”.
Notícias de Viseu, p. 8.
 Não identificado (2014, 18 de setembro). “Bombeiros Voluntários de Viseu têm nova
viatura de comando operacional”. Notícias de Viseu, p. 3.
 Não identificado (2014, 18 de setembro). “Caramulo Motorfestival volta a encher a
serra de público entusiasta”. Notícias de Viseu, p. 12.
 Não identificado (2015, 9 de janeiro). “Meia centena desempregados e sem saber o
futuro”. Jornal do Centro, p. 9.
 Não identificado (2014, 11 de dezembro). “Município de Viseu apoia a arte e cultura
com quatrocentos mil euros para projetos”. Notícias de Viseu, p. 3.
 Não identificado (2014, 18 de setembro). “Município de Viseu lança programa para
diversificar formações e modernizar educação local”. Notícias de Viseu, p. 5.
 Pontes, P. (2014, 26 de setembro). “E tudo o reboque levou”. Jornal do Centro, p.
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 Rodrigues, S. (2014, 26 de setembro). “Investir no imaterial”. Jornal do Centro, pp.
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Trabalho Final Imprensa Regional

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    Instituto Politécnico deViseu Escola Superior de Educação de Viseu TRABALHO FINAL IMPRENSA REGIONAL – A NOTÍCIA, AS SUAS CARATERÍSTICAS E O SEU CONTEÚDO Trabalho escrito final de Jornalismo Especializado Docentes: Pedro Coutinho e Joana Martins Aluno: Jorge Lopes, n.º 9978 Licenciatura em Comunicação Social 3.º ano – Turma A (Ano letivo 2014/2015)
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    ÍNDICE Introdução P. 2 Revisãoda literatura P. 2 Objetos de estudo P. 3 Esclarecimento metodológico P. 3 Apresentação dos resultados P. 3 Conclusão P. 8 Bibliografia P. 9 INTRODUÇÃO Este trabalho final pretende explorar, tal como no primeiro trabalho individual (que foi sobre o mesmo tema), a temática da notícia e das suas caraterísticas na imprensa regional, mais concretamente através da análise de dois jornais da cidade de Viseu: o “Jornal do Centro” e o “Notícias de Viseu”. Com este trabalho, pretende-se apresentar uma análise concreta e clara sobre a temática da imprensa regional, nomeadamente na análise do conteúdo das notícias publicadas nas edições analisadas e, com isso, apurar as formas de como a notícia é tratada nos dois jornais e perceber como o conteúdo contribui para o tratamento da notícia, inclusive diferenças eventualmente encontradas nas edições dos dois jornais. Espero que este trabalho final satisfaça aquilo o que é exigido nesta unidade curricular, tal como todos os trabalhos individuais que foram feitos ao longo do semestre. O capítulo que se segue é uma transcrição integral do capítulo de revisão da literatura no primeiro trabalho individual. REVISÃO DA LITERATURA A imprensa regional/local é considerada como uma das formas mais ativas do jornalismo, dada a sua natureza e o seu impacto junto do público em geral. A imprensa regional trata dos assuntos de uma região ou de um determinado local, seja ela uma cidade, uma vila ou até uma comunidade paroquial. Se esta é a definição comum do que é a imprensa regional, já o mesmo não se pode escrever sobre uma definição científica. Segundo Ferreira (2005: 850), a tarefa teria sido facilitada “caso se conhecessem as características intrínsecas do sector”. Ora, isso não acontece pelo facto de não existirem trabalhos sobre estas matérias (Idem, Ibidem). Não obstante a incerteza sobre a definição científica e de facto, segundo o preâmbulo do Estatuto da Imprensa Regional, esta desempenha “um papel altamente relevante, não só no âmbito territorial a que naturalmente mais diz respeito, mas também na informação e contributo para a manutenção de laços de autêntica familiaridade entre as gentes locais e as comunidades de emigrantes dispersas pelas partes mais longínquas do Mundo” (Decreto-Lei n.º 106/88, 1988). A imprensa regional tem também “sabido desempenhar uma função cultural a que nenhum órgão de comunicação social pode manter-se alheio” (Ibidem). No entanto, a imprensa regional está agora com obstáculos. Esses obstáculos, contudo, foram antecipados pelos próprios jornais. Segundo Martins e Gonçalves (coord., 2010: 91), as principais preocupações dos jornais do distrito de Viseu eram sobre as questões político-partidárias e a concorrência desleal entre as tiragens das publicações auditadas e as das publicações não auditadas. Para além destes obstáculos, também se destacam as relações de dependência económica e de independência perante os órgãos autárquicos (Idem, Ibidem: 109), a fragilidade económico- 2
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    financeira dos jornaise a relação entre publicidade comercial e publicidade institucional (Idem, Ibidem: 107), e o acesso às fontes de informação (Idem, Ibidem: 109). Estes e outros obstáculos podem ser refletidos na altura da análise dos conteúdos analisados no âmbito deste trabalho, sendo que certos desses obstáculos são – do meu ponto de vista – vistos claramente na análise das notícias. Mas apesar dos obstáculos referenciados, também há oportunidades para o jornalismo regional de hoje. As tendências que Martins e Gonçalves (Idem, Ibidem: 111) apresentam para o jornalismo regional são as seguintes: a existência de projetos editoriais distribuídos exclusivamente na Internet, a existência de estratégias multi-meio usadas por algumas entidades que desenvolvem atividades de comunicação social a nível regional e a integração em grupos de comunicação social com diferentes meios e com partilha de know-how e sinergias de escala. Para além destas tendências, também posso acrescentar a continuidade da importância da imprensa regional como algo que deve ser considerado no futuro como menciona Carlos Camponez (in Ferreira, 2005: 851): “as especificidades da imprensa regional e local resultam, fundamentalmente, do seu compromisso com a região e do seu projecto editorial. É nesse compromisso que frutifica ou fracassa, se diversifica ou homogeneíza a comunicação”. Assim sendo, posso concluir que a imprensa regional é um jornalismo de proximidade mais próximo possível, com os seus riscos e obstáculos mas que também pode seguir um outro caminho favorável. A análise que se segue reflete bem esse facto. OBJETOS DE ESTUDO Os objetos de estudo foram a edição do “Jornal do Centro” publicada no dia 9 de janeiro de 2015 e a edição do “Notícias de Viseu” publicada no dia 11 de dezembro de 2014. Dentro destas edições impressas, foram analisadas as notícias publicadas nas diversas secções dos dois jornais e os seus conteúdos. É de notar que o atraso na atualização da edição do “Notícias de Viseu” foi um revés no sentido de se pretender comparar as notícias atualizadas na semana da publicação quando foi iniciado a elaboração deste presente trabalho final. ESCLARECIMENTO METODOLÓGICO Tal como no trabalho individual sobre este mesmo tema da imprensa regional, a metodologia usada no trabalho foi baseada numa análise qualitativa dos conteúdos das notícias publicadas nas edições acima referenciadas. A análise foi feita através da leitura e análise crítica das notícias, cujos resultados foram elaborados com a máxima atenção possível. As edições analisadas eram as últimas disponíveis na altura do início da elaboração deste trabalho final. No capítulo seguinte, o conteúdo vai ser apresentado de uma maneira diferente face à apresentação dos resultados mostrada no trabalho original. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Antes de avançar com a análise dos jornais, eu queria sublinhar que aquilo o que pretendo fazer neste capítulo é uma análise simples, clara e comparativa de entre os resultados apresentados no primeiro trabalho individual e entre os resultados que irão ser apresentados daqui por diante. Começo este capítulo com a análise do “Jornal do Centro”. No trabalho original (o primeiro trabalho individual sobre a imprensa regional), este jornal apresentava artigos e reportagens com uma enorme profundidade de conteúdo e com uma forte dinâmica jornalística, devido principalmente à estratégia informativa, à extensão das páginas da edição analisada no trabalho individual e à diversidade dos temas analisados na mesma edição (do jornal). 3
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    Ao que parecena edição analisada neste presente trabalho final, a investigação continua a ser um fator privilegiado. Entre as páginas 2 a 4, aparece uma notícia em que são mostrados dados estatísticos referenciados junto do Instituto Nacional de Estatística sobre o distrito de Viseu, com o título “A região em números”. Esta notícia é um artigo que, apesar de estar ligado a uma instituição oficial, demonstra uma maior vitalidade investigativa e apreciativa ao analisar dados e outras informações importantes sobre o estado do distrito de Viseu. Não aparece nenhum lead, uma vez que o texto introdutório constitui -se como um texto que resume alguns dos dados obtidos nos documentos consultados pela redação do “Jornal do Centro”. Eis um excerto deste texto: “Sabia que a Câmara Municipal de São João da Pesqueira foi a autarquia que, em 2013, gastou mais dinheiro com a cultura e que no desporto Penedono, Oliveira de Frades e Aguiar da Beira estão no top três das câmaras que mais investiram? Ou que, em 2012, os trabalhadores por conta de outrem em Oliveira de Frades eram os que ganhavam mais?”. Em comparação com o trabalho original e de uma maneira semelhante, o “Jornal do Centro” publicou na edição que fora aí analisada uma notícia com o título “Investir no imaterial”, que aparece logo nas primeiras páginas e que dá conta de um documento sobre o diagnóstico dos 14 concelhos que faziam parte da comunidade intermunicipal Viseu Dão Lafões e as propostas que devem ser feitas nesse sentido até ao ano de 2020 em áreas como cultura, turismo e agricultura. Para exemplificar isso, um excerto: “Cultura e empreendedores criativos – Criação da Rede Factory DVL [ou VDL], viveiros de pequeno formato onde artistas e criativos partilham as infraestruturas, equipamentos e serviços, com outros criadores e empresários, com o fim de desenvolver e potenciar indústrias culturais e criativas. As Factory, a distribuir pelo território de Viseu Dão Lafões, nascem com a vocação de transformar- se em espaços de trabalho partilhados e centros de formação e conselho empresarial para os novos empreendedores relacionados com o mundo das artes, a cultura, os conteúdos digitais, o turismo e a comunicação”. Voltando à notícia das estatísticas publicada na edição analisada neste presente trabalho final, aparece na página 3 um título informativo cujo conteúdo é o seguinte: “Das mais de 500 páginas do relatório, cuja divulgação se iniciou na primeira metade da década de 90, e que podem ser consultados na página da Internet do INE [Instituto Nacional de Estatística], retiramos alguns parâmetros relacionados com a população, saúde, desporto e cultura”. O corpo da notícia consiste basicamente em dados retirados dos anuários estatísticos regionais do INE relativamente aos anos de 2012 e de 2013, como população, mercado de trabalho e cultura. O tratamento da notícia é visto de uma forma investigativa, uma vez que se pretendia apresentar uma análise sobre dados que foram considerados importantes por parte da jornalista que redigiu a notícia e que representam, segundo a jornalista, a realidade do distrito de Viseu. Eis um dado para colocar como exemplo: “Mais de 2400 partos em 2013 – Dos 2407 partos registados no ano de 2013, no total dos 25 municípios, 2381 foram realizados em estabelecimentos hospitalares, 16 no domicílio e 10 num outro local. A região de Dão Lafões foi a que reuniu o maior número de partos. Quanto a municípios Viseu foi onde se realizaram mais (755), seguindo de Lamego (158), Cinfães (139), Tondela (138) e Mangualde (137)”. Uma outra notícia que gostaria de sublinhar na edição do “Jornal do Centro” (e que também demonstra praticamente a sua estratégia informativa) é um artigo publicado na página 9, com o título “Meia centena desempregados e sem saber o futuro”. O subtítulo – que melhor descreve o conteúdo do corpo da notícia – é o seguinte conforme transcrito na sua íntegra: “O processo de falência da Moviflor arrastou-se por meses a fio a nível nacional, entre 2013 e 2014. Na loja de Viseu chegaram a ser 70 os trabalhadores de um quadro que foi sendo reduzido. Hoje, todos desempregados, continuam à espera dos prometidos salários em atraso e indemnizações”. O tratamento que se aplica a esta notícia é feita com base na revolta, na contestação e no sentimento de luta depois da insolvência do empregador, conforme se pode ver no lead, no subtítulo, no corpo da notícia e na fotografia. No corpo da notícia, o lead faz uma análise retrospectiva sobre os tempos da Moviflor e a sua decadência: “A Moviflor já foi uma marca importante no comércio de móveis e 4
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    decoração a nívelnacional e na cidade de Viseu. A declaração de morte deste negócio surgiu em 2013 quando a cadeia nacional soçobrou perante fatores que ainda hoje não são conhecidos”. De seguida, aparece uma outra frase que mostra o evoluir dos acontecimentos sobre a Moviflor em Viseu: “A empresa manteve durante largos anos uma loja em Viseu, na avenida da Bélgica. O negócio era florescente e chegou a ter necessidade de empregar cerca de 70 trabalhadores [que foi, entretanto, reduzido para 50] para fazer face à procura. As dificuldades económicas que o grupo começaria a atravessar levaram a que fossem dispensados trabalhadores e que, em outubro de 2013, a administração da empresa visse aprovado um Plano Especial de Revitalização, do qual fazia parte a liquidação de dívidas a trabalhadores, a manutenção da atividade das lojas e a garantia de 500 postos de trabalhos, dos mais de mil que haviam composto o quadro geral”. De seguida, a notícia dá conta dos problemas da loja viseense da cadeia Moviflor e da insolvência desta em 2014. Um artigo que será comparada com a notícia da Moviflor é a notícia publicada na edição do “Jornal do Centro” analisada no trabalho original, com o título “E tudo o reboque levou”. A notícia relatava a história do reboque de uma carrinha que estava estacionada no meio de uma rotunda em Castro Daire e do buraco que lá ficou e que passou a ser ocupado durante dias inteiros pelos proprietários de um terreno que esteve na origem de um conflito entre estes e a autarquia local. A notícia também é tratada no sentido de se mostrar a contestação e a revolta. Um excerto desta notícia segue-se agora: “A carrinha estacionada no meio da feixa de rodagem na rotunda da avenida Maria Alcina, em Castro Daire, foi retirada esta semana. O automóvel que dava visibilidade ao litígio entre privados e autarquia foi removido do local por ordem do município. Ainda assim, o diferendo entre as partes no direito à propriedade vai continuar na barra da justiça, até que seja determinado o verdadeiro dono do buraco que ficou por asfaltar, no interior da via na rotunda da obra 'quase pronta', na avenida Maria Alcina”. Ainda uma outra notícia que gostaria de destacar do “Jornal do Centro” na página 33 tem o título de “Domingo de jogo grande para Viseu 2001”. O lead é o seguinte: “O Pavilhão Cidade de Viseu recebe, este domingo, dia 11, pelas 17 horas, um jogo que pode ser decisivo para as aspirações do Viseu 2001 na série C da II Divisão Nacional de futsal”. Ora, este lead leva-nos a crer que oViseu 2001 tem um grande trabalho para defrontar uma equipa que poderá ser superior relativamente à qualidade da sua própria equipa. Segundo o corpo da notícia, essa equipa concorrente é a equipa do segundo classificado do campeonato, o Centro Social São João. O que se segue no corpo foi uma ideia matemática sobre a possível evolução do Viseu 2001 no campeonato onde estavam inseridos à data da publicação da edição. Assim sendo, nós podemos achar que esta notícia representa a ideia de que o Viseu 2001 tem a necessidade de ganhar, uma vez que o jogo poderá ser decisivo e importante para os seus rumos no torneio onde está a competir. A notícia mostra um tratamento informativo, uma vez que não contém entrevistas nem outras citações de fontes consultadas pelo jornal, mas também analítico, uma vez que o artigo analisa aquilo o que a equipa do Viseu 2001 deve fazer para continuar a fazer um bom desempenho no campeonato. Esta mesma notícia poderá ser comparada com a notícia de título “Continuar a sonhar com a I Divisão”, em que equipas como a do Viseu 2001 são apresentadas aos leitores do “Jornal do Centro” antes do início da mesma II Divisão Nacional de Futsal. Desta vez, esta notícia continha entrevistas e uma fotografia da equipa. Já por sua vez, a notícia do jogo entre o Viseu 2001 e o Centro Social São João mostra apenas uma foto genérica de um jogador de futsal a jogar com a bola. Conclui-se, assim, a análise do “Jornal do Centro”. Avançando para a análise do “Notícias de Viseu”, é de sublinhar que, no trabalho original, este jornal era caraterizado por ser uma publicação com uma informação mais ligada às instituições que marcam a região e, por isso, notícias mais institucionais e formais com uma devida dedicação a órgãos e instituições como a Câmara Municipal e os Bombeiros, como se vai perceber nas comparações entre as notícias analisadas neste presente trabalho e as notícias analisadas no trabalho 5
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    original. Assim sendo, voucomeçar com uma notícia publicada na página 3 de título “Município de Viseu apoia a arte e cultura com quatrocentos mil euros para projetos”. Esta notícia tem o seguinte lead: “Iniciativa pioneira visa financiar projetos e eventos culturais em 2015. Almeida Henriques [presidente da Câmara Municipal de Viseu] refere que '[o] concurso abre um novo paradigma no apoio à cultura” ao ao lançar o 1º concurso à cultura e à criatividade”. Esta notícia – apesar de ser consideravelmente institucional – demonstra um pouco da vitalidade jornalística, com citações de fontes importantes para a credibilidade da notícia (ex.: Almeida Henriques, o edil viseense, a proferir as declarações numa conferência de imprensa) e uma informação mais completa o possível para despertar o interesse do leitor, e ainda mais quando está em causa a cultura na região de Viseu. Avançando um pouco mais à frente no corpo da notícia, Almeida Henriques afirma a seguinte citação ao “Notícias de Viseu”: “Para o Presidente da Câmara, Almeida Henriques, 'este concurso abre um novo paradigma no apoio à cultura em Viseu e é uma inovação no país. Damos maior enfoque estratégico à política cultural municipal e tornamos a atribuição dos apoios mais acessível e transparente. Estimulamos ainda a lógica do cofinanciamento e das parcerias'”. Esta notícia tem um tratamento relacionado com o estímulo, o contributo e a esperança para com a cultura e a sua importância para a cidade de Viseu. Ora, esta notícia poderá ser comparada com aquela que foi analisada no trabalho original cujo título era “Município de Viseu lança programa para diversificar formações e modernizar educação local”. Embora esta notícia não seja uma semelhança direta com a outra notícia (que tem a ver com a cultura local), apresentam-se algumas semelhanças relativas à forma como a notícia foi criada: convite para um evento organizado pelos órgãos de poder local, anúncio ou inauguração de uma obra desenvolvida pela autarquia, a presença do Presidente da Câmara, planos estratégicos da autarquia desenvolvidos para o bem da cidade e dos seus habitantes, etc. Segue-se agora um excerto dessa notícia: “O Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, apresentou o programa 'Viseu Educa', na reunião pública do Conselho Municipal de Educação, um órgão consultivo e de coordenação das políticas educativas locais. (...) O programa 'Viseu Educa' define três grandes áreas de intervenção: a qualificação de infraestruturas e recursos de apoio; a articulação da oferta formativa, o apoio às famílias e a modernização da gestão; a diversificação de formações e serviços educativos e a promoção do mérito”. Voltando à notícia da cultura local (e apesar de esta ter o maior destaque), o corpo da notícia contém referências a uma Rede Portuguesa das Autarquias Participativas, que tem como objetivo fomentar a democracia participativa a nível local em Portugal, e a adesão de Viseu a esta rede. Mas, como a cultura é prioridade na notícia, o destaque serve mesmo para o concurso que a autarquia viseense vai realizar para atribuir apoios financeiros. Num excerto do corpo da notícia, o artigo afirma que serão “prioridades na atribuição de apoios municipais projetos ligados ao património material e imaterial; à dança, som e teatro de rua; de inclusão social e formação de novos públicos; de criação para importantes eventos municipais como a 'Feira de São Mateus', assim como grandes eventos ou festivais com potencial de impacto nacional ou internacional e atração relevante de visitantes”. Assim sendo, esta notícia dá conta de que os apoios que serão atribuídos no concurso serão canalizados para acontecimentos que eventualmente poderão trazer um enorme impacto na cultura e na sociedade viseenses. A segunda notícia que será analisada na edição do “Notícias de Viseu” é uma notícia publicada na página 4, com o título “Autarquia de Sátão entrega cabazes de Natal a famílias carenciadas”. A notícia – que se constitui como se fosse uma breve – consiste no relato anunciado de um acontecimento que vai acontecer, como o seguinte excerto exemplifica: “A Câmara Municipal de Sátão vai associar-se ao Banco BPI na entrega de cabazes de Natal a famílias carenciadas do concelho. A iniciativa decorre na Casa da Cultura de Sátão, no dia 17 de dezembro de 2014, às 14h00”. Assim sendo, esta notícia demonstra um sentimento de solidariedade 6
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    com as pessoasque não possuem grandes recursos para se sustentarem. Além disso, esta notícia ainda apresenta as caraterísticas de a sua origem ter sido num convite ou comunicado proveniente do poder local e a presença do Presidente da Câmara local, tal como a anterior notícia analisada. Para além disto tudo, a Câmara de Sátão não se encontra sozinha em ajudar os seus habitantes, uma vez que tem um banco, uma instituição financeira para apoiar a autarquia na ação. Comparada com a notícia do mesmo jornal com o título “Bombeiros Voluntários de Viseu têm nova viatura de comando operacional” (que foi analisada no trabalho original), as diferenças e semelhanças demonstram-se no seguinte: uma grande diferença entre o protagonismo dos bombeiros na noticia do trabalho original e o protagonismo da autarquia na notícia deste presente trabalho; a solidariedade e a procura pelo bem-comum (a proteção e a segurança na notícia do trabalho original e a ajuda e entre-ajuda entre as pessoas comuns na notícia deste presente trabalho); a realização feita da cerimónia na notícia do trabalho original e a realização por fazer da iniciativa – segundo o corpo da notícia – no artigo deste presente trabalho; e, finalmente, o suporte à ajuda de quem necessita (os bombeiros, no caso da notícia do trabalho original (com a realização de uma campanha de donativos realizada pela população para suportar a compra da viatura pelos bombeiros), e as pessoas carenciadas, no caso da notícia deste presente trabalho (através da entrega de cabazes de Natal)). No fundo, estas duas notícias representam a solidariedade e o lado de responsabilidade social e solidária das instituições que mais as pessoas confiam no dia-a-dia a nível local, por um lado os bombeiros e do outro a autarquia local. A notícia da Câmara do Sátão representa também um facto particular que não queria deixar de lado neste caso: o facto de o ato de solidariedade acontecer num pequeno concelho do distrito de Viseu – como Sátão – representar um reforço ainda maior da forte proximidade que existe entre a população e a Câmara Municipal, um lugar onde as pessoas demonstram de facto que podem expressar os problemas e assumir todos os seus atos de responsabilidade para com a localidade onde vivem num concelho pequeno (esta tendência reforça- se ainda mais além quando se fala das juntas de freguesia). Finalmente, a última notícia analisada neste presente trabalho do “Notícias de Viseu” será aquela que está publicada na página 8 com o título “Atletas de Mundão em destaque”, correspondendo esta uma das duas notícias de desporto na edição do jornal. A notícia é um simples relato daquilo do que aconteceu no Torneio de Abertura da Associação de Ténis de Mesa do Distrito de Viseu. A cobertura poderá ter sido principiada por uma opção da redação do “Notícias de Viseu” em cobrir o evento com base nos convites enviados pela organização do evento. O lead é o seguinte: “Realizou-se no passado sábado, dia 29 de novembro, no pavilhão da EB 2, 3 de Mundão o Torneio de Abertura da Associação de Ténis de Mesa do Distrito de Viseu. A prova contou com mais de 100 atletas nos vários [?] de formação e ainda em seniores femininos”. De seguida, o corpo da notícia faz um relato concreto sobre o que aconteceu no torneio e os resultados dos jogos realizados naquela competição, com alguma análise crítica no meio. A seguir, dois exemplos para comprovar esta tese: “Mais uma vez, os atletas da APEE do AE Mundão alcançaram excelentes resultados conseguindo vários pódios. No escalão de iniciados masculinos o atleta João Santo conseguiu um excelente 2º lugar, tendo perdido numa final extremamente equilibrada com o atleta Pedro Ferreira da AV Lamego”; “Na fase de grupos o Miguel Pereira [atleta do Académico de Viseu] vence o Rodrigo Mendes [atleta do Mundão], no mapa final o Rodrigo Mendes venceu o Miguel tendo este ido para o mapa dos derrotados encontrando-se de novo os dois na final. Nesta, o Miguel venceu o Rodrigo obrigando á [à] disputa de uma finalíssima onde o Rodrigo esteve a vencer por 1-0 e teve o 2º set na mão (10-8) tendo-o deixado fugir. O Miguel acabou por vencer por 3-1. Nota menos positiva nesta final de nível nacional é que foi jogada para 10 pessoas”. Em comparação com a notícia analisada no trabalho original sobre o evento do Caramulo Motorfestival, esta notícia apresenta uma diferença substancial: o facto de a notícia cobrir apenas um torneio competitivo de ténis de mesa. Já a notícia do trabalho original falava sobre um evento multifacetado de automobilismo com competição e ações de lazer e turismo mas, ao contrário da 7
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    notícia deste presentetrabalho, apresentava citações de fontes contactadas pelo jornal. As duas notícias mostram apenas estas duas diferenças, uma vez que ambas fazem relato dos acontecimentos, apresentam os resultados da competição realizada e fazem alguma (se não pouca) análise crítica sobre a perspetiva de tudo o que terá acontecido. Para termos um exemplo, eis um excerto da notícia analisada no trabalho original: “Apesar da chuva que se fez sentir no Sábado e Domingo passados, a nona edição do Caramulo Motorfestival, que decorreu nos dias 5, 6 e 7 de setembro, registou uma grande adesão do público e de pilotos, confirmando, assim, a fidelidade dos aficionados e famílias ao evento” (neste caso, estamos perante um caso em que o jornal confirma o entusiasmo que já estava a antecipar sobre o eventual sucesso do evento, podendo fazer, assim, parte da análise crítica). Concluída a análise do “Notícias de Viseu” e tendo em conta a análise do “Jornal do Centro”, foi possível apurar diferenças e outros pontos destacáveis que, entretanto, serão mais desenvolvidos no capítulo seguinte, o da conclusão. CONCLUSÃO Antes de avançar para as conclusões propriamente ditas, gostaria de sublinhar que todo o trabalho feito com a análise das notícias e a sua apreciação crítica foi complementado com informação já adicionada no trabalho original, o que ajudou a permitir um trabalho enriquecido com a necessária recolha de dados e outras informações que foram bastante preciosas para o desenvolvimento deste presente trabalho. Embora as conclusões sejam geralmente iguais face às conclusões retiradas do trabalho original, existem reparações que foram feitas nos jornais entre o trabalho original e este presente trabalho. Em primeiro lugar, pode-se perceber que o “Jornal do Centro” continua a apresentar um amplo e diversificado leque de artigos informativos e noticiosos, com várias notícias de produção própria e onde investigação, relato, depoimento e análise são apresentados e, por vezes, combinados (isto para além da presença de uma grande entrevista). No entanto, o jornal também continua a publicar algumas notícias com base em comunicados de imprensa ou outro tipo de documentos regularmente enviados para as redações como forma de comunicação entre as entidades e a comunicação social, como convites. Em segundo lugar, o “Notícias de Viseu” apresenta notícias geralmente institucionais e formais mas, com uma análise mais precisa da edição analisada neste presente trabalho, já apresenta algum progresso na produção de notícias próprias onde, para além das notícias da coluna policial e da secção de saúde, inclui – desta vez – reportagens de natureza turística sobre as localidades de Monsaraz e de Ribeiradio/Sejães. A extensão das páginas da edição é significativa, relativamente à extensão das páginas no “Jornal do Centro” (12 páginas do “Notícias de Viseu” vs. 40 páginas do “Jornal do Centro”). Apesar das dificuldades e dos problemas mencionados no capítulo da revisão da literatura (exs.: fragilidade económico-financeira dos jornais, independência perante os órgãos autárquicos e acesso às fontes de informação), o “Jornal do Centro” e o “Notícias de Viseu” conseguem fazer um trabalho de pesquisa e de redação que é claramente visto nas páginas de cada uma das suas respetivas edições (com as devidas opiniões e diferenças). Claramente, isso reflete-se no conteúdo das notícias. Assim sumariamente, as conclusões que se tiram do trabalho são as seguintes:  Diferenças nas caraterísticas que marcam o conteúdo das notícias publicadas nas edições do “Jornal do Centro” e do “Notícias de Viseu”;  Diferenças nas formas de tratamento e interpretação dos protagonistas e dos temas em causa nas notícias analisadas do “Jornal do Centro” e do “Notícias de Viseu”;  Ideias diferentes relativamente à prática da estratégia de agenda-setting de ambos os jornais (com a análise apresentada no capítulo anterior e com as reflexões tiradas nos parágrafos anteriores); 8
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     Concentração dorelato propriamente dito no “Notícias de Viseu” e extensão da atividade jornalística com os campos referenciados no segundo capitulo deste capítulo no “Jornal do Centro”;  Reflexão das notícias nos problemas que a imprensa regional atravessa; e  Diferenças substanciais a nível de cobertura noticiosa devido à dimensão, à extensão das páginas das edições e – possivelmente – à estratégia informativa entre o “Jornal do Centro” e o “Notícias de Viseu”. Com todos estes elementos que foram feitos e que são mostrados ao longo deste presente trabalho, foi possível um bom trabalho com a devida atenção e com o devido cuidado necessários. BIBLIOGRAFIA  Costa, M. (2015, 9 de janeiro). “A região em números”. Jornal do Centro, pp. 2-4.  Costa, M. (2014, 26 de setembro). “Continuar a sonhar com a I Divisão”. Jornal do Centro, p. 31.  Costa, M. (2015, 9 de janeiro). “Domingo de jogo grande para Viseu 2001”. Jornal do Centro, p. 33.  Decreto-Lei n.º 106/88 de 31 de março, 1320-1321. Diário da República n.º 76/1988 – I Série. Presidência do Conselho de Ministros. Lisboa. Disponível em: https://dre.pt/application/file/94364  Ferreira, P. (2005). “O lugar da imprensa local e regional nas políticas da comunicação”. Livro de Actas – 4.º SOPCOM, 849-860. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/ferreira-paulo-lugar-imprensa-local-regional-politicas- comunicacao.pdf  Martins, C. e Gonçalves, T. (coord.) (2010). “A Imprensa Local e Regional em Portugal”. Lisboa: Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Disponível em: http://www.erc.pt/download/YToyOntzOjg6ImZpY2hlaXJvIjtzOjM4OiJtZWRpYS9l c3R1ZG9zL29iamVjdG9fb2ZmbGluZS8yOC4xLnBkZiI7czo2OiJ0aXR1bG8iO3M 6NTA6ImVzdHVkby1zb2JyZS1hLWltcHJlbnNhLWxvY2FsLWUtcmVnaW9uYWw tZW0tcG9ydHVnIjt9/estudo-sobre-a-imprensa-local-e-regional-em-portug  Não identificado (2014, 11 de dezembro). “Autarquia de Sátão entrega cabazes de Natal a famílias carenciadas”. Notícias de Viseu, p. 4.  Não identificado (2014, 11 de dezembro). “Atletas de Mundão em destaque”. Notícias de Viseu, p. 8.  Não identificado (2014, 18 de setembro). “Bombeiros Voluntários de Viseu têm nova viatura de comando operacional”. Notícias de Viseu, p. 3.  Não identificado (2014, 18 de setembro). “Caramulo Motorfestival volta a encher a serra de público entusiasta”. Notícias de Viseu, p. 12.  Não identificado (2015, 9 de janeiro). “Meia centena desempregados e sem saber o futuro”. Jornal do Centro, p. 9.  Não identificado (2014, 11 de dezembro). “Município de Viseu apoia a arte e cultura com quatrocentos mil euros para projetos”. Notícias de Viseu, p. 3.  Não identificado (2014, 18 de setembro). “Município de Viseu lança programa para diversificar formações e modernizar educação local”. Notícias de Viseu, p. 5.  Pontes, P. (2014, 26 de setembro). “E tudo o reboque levou”. Jornal do Centro, p. 23.  Rodrigues, S. (2014, 26 de setembro). “Investir no imaterial”. Jornal do Centro, pp. 2-5. 9