O homem, o abrigo
e a arquitetura
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
„ Resumir as características do período Paleolítico.
„ Sintetizar as características do período Neolítico e os primeiros as-
sentamentos humanos.
„ Identificar os principais exemplares pré-históricos na arquitetura e
na arte.
Introdução
A pré-história é o momento da sociedade humana que antecede a in-
venção da escrita, compreendido pelo período Paleolítico, em que foram
produzidas as primeiras ferramentas e houve o descobrimento do fogo,
e o período Neolítico, no qual as ferramentas foram desenvolvidas e houve
uma revolução agrícola, fazendo com que as comunidades começassem
a se fixar em alguns locais. Esse período ocorreu antes de Cristo e é ca-
racterizado por modos de subsistência e técnicas bastante rudimentares.
Neste capítulo, você vai estudar os momentos da pré-história, seus
contextos, modos de vida dos povos e características dos períodos Paleo-
lítico e Neolítico. Vai ainda ver como a sociedade passou do nomadismo
para a moradia fixa e como surgiram os primeiros assentamentos urbanos.
Por fim, vai ler sobre as principais contribuições de arte e de arquitetura
que esse período produziu.
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1 Período Paleolítico
A pré-história pode ser caracterizada pelos anos antes da descoberta da es-
crita e dividida em três períodos, denominados Paleolítico, Neolítico e Idade
dos Metais. O período Paleolítico, segundo Silva (2015), é o mais longo da
história da humanidade, abrangendo aproximadamente 2,7 milhões de anos
e se estendendo até o ano de 25 mil a.C.
Nesse momento, a população humana não tinha ainda desenvolvido técnicas
muito sofisticadas de sobrevivência em meio à natureza. Assim, essa época
é caracterizada por uma busca pela subsistência, em que o homem procurava
tudo que era necessário para se sustentar e procriar. Os povos desse momento
viviam em bandos e dividiam o espaço e as tarefas. Com o intuito de se
proteger do frio e das chuvas, seus primeiros abrigos foram as cavernas ou
reentrâncias de rochas, como a apresentada na Figura 1, que serviam como
referências também para eles se protegerem de animais ferozes.
Figura 1. No Paleolítico, cavernas e reentrâncias de rochas serviam de abrigo para os seres
humanos.
Fonte: M Selcuk Oner/Shutterstock.com.
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Uma das grandes descobertas desse momento da história foi o fogo, que se
tornou um ótimo instrumento para o homem alcançar uma melhor condição
de sobrevivência, além de alterar hábitos humanos, introduzindo a caça de
animais e o consumo desses animais e de vegetais cozidos.
No período Paleolítico, a humanidade ainda vivia de forma nômade, ou seja,
não tinha uma residência fixa e ia mudando de lugar à medida que encontrava
melhores condições de alimentação e sustento. Assim, a civilização paleolítica
utilizava os recursos naturais disponíveis em cada porção do território e, após,
migrava para outras regiões. Silva (2015) complementa que eles fabricavam suas
armas e ferramentas de caça e pesca por meio de ossos, pedras e madeira, por isso
o período Paleolítico pode ser conhecido também como Idade da Pedra Lascada.
Com o passar dos anos, os povos desse período começaram a viver em
grupos com mais quantidade de pessoas, criando espaços de morar feitos de
galhos e cobertos com peles de animais, como exemplificado na Figura 2,
permanecendo mais tempo nas regiões. Conforme ressalta Leonardo Benevolo
(2015) é difícil imaginar e compreender exatamente como a população da
era paleolítica vivia, porque “[…] o ambiente construído não passava de uma
modificação superficial do ambiente natural, imenso e hostil, no qual o homem
começou a mover-se: o abrigo era uma cavidade natural ou um refúgio de peles
sobre estrutura simples de madeira” (BENEVOLO, 2015, p. 13).
Figura 2. Exemplo de abrigo do período Paleolítico.
Fonte: Yasemin Olgunoz Berber/Shutterstock.com.
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O autor ainda complementa que, a partir dos restos, rastros ou vestígios
do homem paleolítico, é possível imaginar o local onde era feita a fogueira,
ou seja, o núcleo central rodeado pelos pequenos abrigos.
O fim do período paleolítico ocorreu em função de diversas transformações
climáticas, que amenizaram as temperaturas da Terra. Com isso foi possível
a fixação dos povos em regiões mais específicas.
2 Período Neolítico e os primeiros
assentamentos urbanos
Após o período Paleolítico, veio o período denominado Neolítico, que signi-
ficava “pedra nova”, conhecido também como Idade da Pedra Polida. Essa
fase da história é marcada por algumas mudanças na forma de subsistência,
incluindo o desenvolvimento e melhoramento de artefatos a partir de pedras
polidas, facilitando as atividades de caça e pesca. Outra mudança desse mo-
mento diz respeito à revolução agrícola, na qual a agricultura passou a ter
um papel fundamental na sociedade e favoreceu a fixação das comunidades
nas áreas de cultivo.
Conforme Benevolo (2015), os primeiros assentamentos surgiram nesse
contexto, em locais onde existiam boas condições de terreno, próximos aos
recursos hídricos. Isso favorecia a produção e a consequente fixação dessas
comunidades em uma área específica, com o intuito de se desenvolver.
Foi nesse momento que um modo de vida urbano passou a ser incorporado
nas comunidades, que sentiram a necessidade de se fixar em lugares para me-
lhorar suas técnicas de cultivo, concentrando-se e trabalhando coletivamente
em uma área. Essa nova realidade teve impacto na organização social, que
passou a contar com a divisão do trabalho e com a necessidade de guardar os
alimentos produzidos, fazendo com que surgisse a cerâmica.
O ambiente das sociedades neolíticas não é apenas um abrigo na natureza,
mas um fragmento de natureza transformado segundo um projeto huma-
no: compreende os terrenos cultivados para produzir, e não apenas para se
apropriar do alimento; os abrigos dos homens e dos animais domésticos;
os depósitos de alimento produzido para uma estação inteira ou para um perío-
do mais longo; os utensílios para cultivo, a criação, a defesa, a ornamentação
e o culto (BENEVOLO, 2015, p. 16).
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Com isso, segundo Silva (2015), houve uma transição entre a vida nômade,
em que não existia moradia fixa, para uma vida em comunidade, na qual um
grupo escolhia uma terra para cultivar e permanecer.
Ao mesmo tempo, a produção de excedentes agrícolas possibilitou o uso do
tempo para outras atividades, como artesanato, troca ou funções de adminis-
tração, características das primeiras formas de vida urbana. A produção e o
comércio começaram a gerar no período Neolítico um modelo de convivência
que impulsiona os assentamentos a crescerem em extensão e população (LIMA,
2015, documento on-line).
Habitações começaram a ser construídas próximas umas às outras com o
objetivo de proteger aquela porção escolhida do território de grupos invaso-
res, formando pequenas aldeias. Conforme Mumford (1998), foi por volta de
15.000 a.C. que os primeiros aglomerados urbanos permanentes começaram a
aparecer no território, mas somente a partir do período de 12.000 a 10.000 a.C.
foi que esses assentamentos começaram a se desenvolver e crescer por meio
do cultivo da agricultura.
Para Costa (2014), foi nesse período que se iniciou a formação das aldeias,
que, em um primeiro momento, eram abertas e depois passaram a ser cercadas.
Segundo o autor, entre 9.000 e 4.000 a.C., as habitações eram caracterizadas
por cabanas com plantações ao seu redor. Foi a partir disso que as aldeias
passaram a se segmentar por meio de outros espaços com usos diferentes,
aumentando a população e as atividades.
No ano 3.000 a.C., surgiram alguns outros elementos que facilitaram a vida em so-
ciedade, como, por exemplo, a roda, a matemática, o barco a vela e estudos sobre
escrita e astronomia.
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Costa (2014), complementa que os primeiros registros da organização das
cidades datam de 12.000 a.C. a 10.000 a.C., momento em que houve uma seca
na região do Oriente próximo, o berço da civilização. Já por volta de 9.000 a.C.
houve uma mudança da atividade de caça para o pastoreio. Em 8.000 a.C. os
grupos começaram a evoluir suas técnicas de plantio, aproveitando melhor
a terra e aprofundando suas relações com o meio. No ano 6.000 a.C. come-
çaram a surgir algumas inovações técnicas, como o arado de relha. Foi em,
aproximadamente, 5.000 a.C. que surgiram, de fato, junto ao rio Eufrates e
em outros locais da Ásia menor, as primeiras povoações às quais pode-se dar
o nome de cidade.
Segundo o autor, os assentamentos mais antigos estão localizados no
Oriente Médio e Região Norte da África. Os povoados mesopotâmicos de
Ur, Nipur e Uruk surgiram ainda no período Neolítico e, ao longo do tempo,
desenvolveram-se em áreas centrais cercadas por zonas residenciais. Duas das
mais antigas comunidades urbanas que se tem conhecimento foram Jeric
ó
,
Israel (cerca de 8.000 a.C.) e a cidade mercantil de Çatal Hüyük (6500–5700 a.C.),
naAnat
ó
lia,partedaatualTurquia.NonortedaChina,de2.100a.C.até1.100a.C.,
surgiram cidades sem muros, sendo Anyang um exemplo do período, e na
América do Sul, os indícios de urbanização datam de 2.000 a.C. na costa do
Peru.
Fazio, Moffett e Wodehouse (2011) destacam que esses primeiros assen-
tamentos surgiram a partir de um pequeno núcleo familiar composto por um
número suficiente de pessoas que pudessem se ajudar nas atividades de coleta
de alimentos e de caça, além de se protegerem contra inimigos. As primeiras
moradias dos assentamentos que se tem registro e que foram descobertas
pelos historiadores estão localizadas no planalto central da Rússia, atual-
mente o país da Ucrânia. Essas residências eram levantadas com ossadas de
mamutes e toras de pinheiro, e tinham como revestimento as peles de animais.
Caracterizavam-se também por apresentarem uma fogueira no centro e tinham
forma de cúpula, como mostra o exemplo da Figura 3.
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Figura 3. Estrutura das primeiras moradias dos assentamentos de que se tem registro.
Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 30).
No período Neolítico as habitações e abrigos também foram evoluindo e,
segundo Silva (2015), passaram a ser de madeira, de pedra ou com a mistura
dos dois materiais.
As estruturas megalíticas feitas por grandes pedras são um marco de
edificação nesse momento; muitas delas serviam como túmulos comunitários
e também observatórios astronômicos. Essas estruturas eram uma maneira
de cada civilização demarcar seu próprio território, tornando-se também uma
manifestação de reverência a seus ancestrais. Esses monumentos de pedra
eram pensados de acordo com a orientação solar, com o intuito de que, nos
primeiros dias do solstício de inverno, a luz do sol pudesse entrar pelos vãos
da construção e iluminar o espaço interno.
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Assim, é possível perceber que, no período Neolítico, iniciou-se um pro-
cesso de organização de comunidades que, nos anos posteriores, resultou no
surgimento das cidades. Esse período da pré-história foi se desenvolvendo a
partir da melhoria das condições climáticas, bem como da necessidade dos
povos, que passaram a aprimorar seus instrumentos de caça e pesca e, com
isso, aumentaram suas produções, facilitando a subsistência.
Com o passar dos anos, as civilizações que viveram nesse momento da
pré-história começaram a produzir exemplares de arte e arquitetura que se
tornaram importantes referências para a continuação da sociedade e os períodos
posteriores da história.
Segundo Leonardo Lima (2015), foi entre 12.000 e 5.000 anos que os primeiros assen-
tamentos urbanos apareceram, em sete regiões diferentes, tornando-se pequenas
cidades. As áreas escolhidas por esses povos tinham boas condições para a agricultura
e fácil drenagem da terra. As regiões em que os primeiros assentamentos urbanos
se destacaram foram:
„ Planície do vale do rio Huang-Ho (atual China), assentamentos Huixia, Anyang e
Gaocheng.
„ Vale do Indo (atual Índia e Paquistão), assentamentos Harappa, Mohenjo-Daro e
Balatok.
„ Vales do Tigre e Eufrates (atual Iraque), assentamentos Nínive, Babilônia, Ur, Uruk,
Asur e Jericó.
„ Vale do Nilo (atual Egito), assentamentos Ilahun, Memphis, Gizé, Tebas e Abidos.
„ Planaltos peruanos e bolivianos (atual Bolívia e Peru), assentamentos Tiahuanaco,
Pikimachay, Machu Picchu e Nazca.
3 Principais exemplares pré-históricos
na arquitetura e na arte
O período da pré-história tem fundamental importância para a evolução da
arquitetura, dos modos de morar e da organização das sociedades. O momento
do período Neolítico, mais especificamente e da Idade do Metais, em que as
ferramentas passaram a ser mais aprimoradas e desenvolvidas e foi criada a
técnica de fundição, tem grandes exemplos de arquitetura e de arte que servi-
ram como referência para as próximas civilizações. Nessa época começaram
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a surgir objetos que, ao longo do tempo, foram aprimorados e contribuíram
significativamente para atender as necessidades e facilitar a vida em sociedade.
Como contribuições de arte relacionadas a esse período destacam-se as
pinturas rupestres, como as mostradas na Figura 4. Segundo Silva (2015),
as primeiras representações artísticas eram muito simples e consistiam em
traços feitos nas paredes das cavernas. As pinturas rupestres, ou seja, ins-
critas nas rochas, retratavam a história de cada povo, cenas e também rituais
de caça. Essas pinturas se desenvolveram na medida em que novos materiais
foram surgindo, tanto corantes como pinceis.
Figura 4. Pintura rupestre em caverna em Santa Cruz, Argentina.
Fonte: Dante Petrone/Shutterstock.com.
Exemplares desse tipo de arte realizada nas pedras podem ser encontrados
em várias partes do mundo, e podiam ser feitos tanto a partir da aplicação
de pigmentos nas pedras como pela gravação dos desenhos. Esse último tipo
de arte se denomina gravura rupestre. Para a pintura eram encontrados
pigmentos na natureza, como argilas, carvão, ossos carbonizados, minerais
e vegetais misturados.
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Silva (2015) acrescenta que, no período, surgiram algumas esculturas
(Figura 5), mas bastante tímidas, pequenas e em pouca quantidade. Segundo
a autora, predominavam figuras femininas, que exaltavam a longevidade,
a fertilidade e a prosperidade. O estilo era naturalista, com poucas cores, e a
ideia era imitar a natureza em suas formas orgânicas.
Figura 5. Escultura pré-histórica, Vênus
de Willendorf, esculpida entre 28.000
e 25.000 a.C.
Fonte: Dan Shachar/Shutterstock.com.
No campo da arquitetura, as principais edificações do período se destacaram
pelo uso da pedra, que, mais do que promover um abrigo para esses povos,
tornou-se um monumento e um exemplar também de arte. Conforme Silva
(2015), os blocos de pedra eram justapostos tanto para a estruturação como no
interior das edificações. A autora ainda complementa que existiam três tipos
de edificações de pedra de caráter religiosos, listadas a seguir:
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„ Menir: o bloco de pedra era fincado no chão e marcava rotas ou se-
pulturas. Esse bloco deu origem à coluna e podia medir até 10 metros
de altura, pesando 50 toneladas.
„ Dólmens: edificações formadas por menires, sendo locadas na vertical
e na horizontal.
„ Cromlech: eram as dólmens locadas em circuito.
Veja um exemplo de menir e de dólmen na Figura 6.
Figura 6. Exemplo de menir (à esquerda) e dólmens (à direita).
Fonte: Adaptada de Silva (2015, p. 5).
Segundo Silva (2015), o objetivo dessas construções megalíticas em pedra
era obter beleza por meio da forma, a fim de que uma função mística fosse
atingida. As civilizações que faziam parte desses primeiros assentamentos
urbanos não contavam com ferramentas resistentes para trabalhar com as
pedras, não havendo também nesse período veículos ou animais de carga que
pudessem ajudar no transporte desse material.
Mesmo assim, esses povos fizeram observações astronômicas importantes
e organizaram uma força de trabalho suficiente para manobrar pedras que
chegavam a pesar em torno de cinco toneladas. Um relevante exemplo desse
tipo de construção são as construções megalíticas chamadas de Stonehenges,
localizadas na planície se Salisbury, na Inglaterra.
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Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), Stonehenge, apresentado na
Figura 7, era um grande observatório que foi construído com o objetivo de
determinar o solstício e estabelecer o calendário anual. O projeto é sofisticado
e em escala gigantesca, e apresenta um layout circular que foi pensado para
refletir uma simbologia de firmamento e um vínculo entre o reino humano
e o celeste.
Stonehenge representa o auge da capacidade de construção e observação
científica do período pré́ -histórico. Seus construtores venceram o desafio
de transportar e trabalhar pedras colossais. Doleritas do País de Gales foram
transportadas por mais de 300 km até́ o terreno, principalmente pela água,
e arrastadas por terra na última etapa da jornada. As maiores pedras verticais
vieram de Marlborough Downs, que fica a aproximadamente 24 km do local,
é
provável que tenham sido arrastadas desde lá́ . Experimentos modernos com
o transporte e a montagem de um trilito na escala dos de Stonehenge indicam
que seria possível usar máquinas simples (alavancas e planos inclinados),
um tren
ó
com base engordurada, plataformas de madeira, cordas resistentes e
cerca de 130 pessoas trabalhando juntas (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE,
2011, p. 34).
Figura 7. (a) Ruínas de Stonehenge. (b) Planta da edificação.
Fonte: Adaptada de Fazio, Moffett e Wodehouse (2011).
(a) (b)
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Outros exemplares de arquitetura pré-histórica podem ser encontrados
na ilha de Malta, na Europa. Entre eles destacam-se os templos de Ggantija
(Figura 8) da ilha de Gozo, parte do arquipélago maltês, e o sítio arqueológico
de Mnajdra. Os templos de Ggantija, patrimônios da humanidade, são consi-
derados a construção mais antiga do mundo. As edificações se referem a dois
templos em formato de mulher, com grandes proporções, e eram utilizadas
para rituais de vida e de fertilidade. Algumas das pedras dessa edificação
pesam mais de 50 toneladas.
Figura 8. Templos de Ggantija, ilha de Gozo.
Fonte: Konstantin Aksenov/Shutterstock.com.
O sítio arqueológico de Mnajdra (Figura 9) é um complexo de três templos
que apresentam uma engenharia avançada, com grande conhecimento de
construção e também de acabamentos, localizado no sul da ilha de Malta.
O complexo, construído de calcário coralino, é considerado um dos centros
culturais mais antigos do mundo.
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Figura 9. Sítio arqueológico de Mnajdra, ilha de Malta.
Fonte: Marcin Osman/Shutterstock.com.
O período da pré-história, composto por Paleolítico, Neolítico e Idade dos
Metais, constitui os primórdios da civilização. Iniciando com os “homens
das cavernas”, com técnicas bastante rudimentares e pouco conhecimento,
ao passar dos anos os povos primitivos foram criando instrumentos que
facilitassem sua sobrevivência. Com as mudanças climáticas, que facilita-
ram a sobrevivência, passaram a se desenvolver e se fixar em porções do
território, cultuando a agricultura. Foram essas as referências iniciais que
deram suporte aos anos posteriores e à necessidade de as civilizações serem
cada vez mais organizadas.
BENEVOLO, L. A história da cidade. São Paulo: Perspectiva,2015.
COSTA, D. M. O urbano e a arqueologia: uma fronteira transdisciplinar. Revista Latino-
-americana de Arqueologia Histórica, v. 8, nº. 2, p. 43–71, dez. 2014. Disponível em:
https://periodicos.ufmg.br/index.php/vestigios/article/view/11832/8569. Acesso em:
6 mar. 2020.
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Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A hist
ó
ria da arquitetura mundial. 3. ed. Porto
Alegre: AMGH, 2011.
LIMA, L. C. S. de S. Um olhar sobre o passado: revisando os primeiros assentamentos
humanos e as primeiras formas de cidade. Vitruvius, ano 15, nº. 092.01, maio 2015.
Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/15.092/5506. Acesso
em: 6 mar. 2020.
MUMFORD, L. A cidade na história. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
SILVA, A. C. C. Pré-história: origem da arquitetura e da cidade. 2015. Disponível em ht-
tps://issuu.com/camilacesar/docs/pr___hist__ria_e_origem_da_cidade. Acesso em:
6 mar. 2020.
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Texto arquietura e habitaçao pre historia.pdf

  • 1.
    O homem, oabrigo e a arquitetura Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: „ Resumir as características do período Paleolítico. „ Sintetizar as características do período Neolítico e os primeiros as- sentamentos humanos. „ Identificar os principais exemplares pré-históricos na arquitetura e na arte. Introdução A pré-história é o momento da sociedade humana que antecede a in- venção da escrita, compreendido pelo período Paleolítico, em que foram produzidas as primeiras ferramentas e houve o descobrimento do fogo, e o período Neolítico, no qual as ferramentas foram desenvolvidas e houve uma revolução agrícola, fazendo com que as comunidades começassem a se fixar em alguns locais. Esse período ocorreu antes de Cristo e é ca- racterizado por modos de subsistência e técnicas bastante rudimentares. Neste capítulo, você vai estudar os momentos da pré-história, seus contextos, modos de vida dos povos e características dos períodos Paleo- lítico e Neolítico. Vai ainda ver como a sociedade passou do nomadismo para a moradia fixa e como surgiram os primeiros assentamentos urbanos. Por fim, vai ler sobre as principais contribuições de arte e de arquitetura que esse período produziu. Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 2.
    1 Período Paleolítico Apré-história pode ser caracterizada pelos anos antes da descoberta da es- crita e dividida em três períodos, denominados Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais. O período Paleolítico, segundo Silva (2015), é o mais longo da história da humanidade, abrangendo aproximadamente 2,7 milhões de anos e se estendendo até o ano de 25 mil a.C. Nesse momento, a população humana não tinha ainda desenvolvido técnicas muito sofisticadas de sobrevivência em meio à natureza. Assim, essa época é caracterizada por uma busca pela subsistência, em que o homem procurava tudo que era necessário para se sustentar e procriar. Os povos desse momento viviam em bandos e dividiam o espaço e as tarefas. Com o intuito de se proteger do frio e das chuvas, seus primeiros abrigos foram as cavernas ou reentrâncias de rochas, como a apresentada na Figura 1, que serviam como referências também para eles se protegerem de animais ferozes. Figura 1. No Paleolítico, cavernas e reentrâncias de rochas serviam de abrigo para os seres humanos. Fonte: M Selcuk Oner/Shutterstock.com. O homem, o abrigo e a arquitetura 14 Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 3.
    Uma das grandesdescobertas desse momento da história foi o fogo, que se tornou um ótimo instrumento para o homem alcançar uma melhor condição de sobrevivência, além de alterar hábitos humanos, introduzindo a caça de animais e o consumo desses animais e de vegetais cozidos. No período Paleolítico, a humanidade ainda vivia de forma nômade, ou seja, não tinha uma residência fixa e ia mudando de lugar à medida que encontrava melhores condições de alimentação e sustento. Assim, a civilização paleolítica utilizava os recursos naturais disponíveis em cada porção do território e, após, migrava para outras regiões. Silva (2015) complementa que eles fabricavam suas armas e ferramentas de caça e pesca por meio de ossos, pedras e madeira, por isso o período Paleolítico pode ser conhecido também como Idade da Pedra Lascada. Com o passar dos anos, os povos desse período começaram a viver em grupos com mais quantidade de pessoas, criando espaços de morar feitos de galhos e cobertos com peles de animais, como exemplificado na Figura 2, permanecendo mais tempo nas regiões. Conforme ressalta Leonardo Benevolo (2015) é difícil imaginar e compreender exatamente como a população da era paleolítica vivia, porque “[…] o ambiente construído não passava de uma modificação superficial do ambiente natural, imenso e hostil, no qual o homem começou a mover-se: o abrigo era uma cavidade natural ou um refúgio de peles sobre estrutura simples de madeira” (BENEVOLO, 2015, p. 13). Figura 2. Exemplo de abrigo do período Paleolítico. Fonte: Yasemin Olgunoz Berber/Shutterstock.com. 15 O homem, o abrigo e a arquitetura Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 4.
    O autor aindacomplementa que, a partir dos restos, rastros ou vestígios do homem paleolítico, é possível imaginar o local onde era feita a fogueira, ou seja, o núcleo central rodeado pelos pequenos abrigos. O fim do período paleolítico ocorreu em função de diversas transformações climáticas, que amenizaram as temperaturas da Terra. Com isso foi possível a fixação dos povos em regiões mais específicas. 2 Período Neolítico e os primeiros assentamentos urbanos Após o período Paleolítico, veio o período denominado Neolítico, que signi- ficava “pedra nova”, conhecido também como Idade da Pedra Polida. Essa fase da história é marcada por algumas mudanças na forma de subsistência, incluindo o desenvolvimento e melhoramento de artefatos a partir de pedras polidas, facilitando as atividades de caça e pesca. Outra mudança desse mo- mento diz respeito à revolução agrícola, na qual a agricultura passou a ter um papel fundamental na sociedade e favoreceu a fixação das comunidades nas áreas de cultivo. Conforme Benevolo (2015), os primeiros assentamentos surgiram nesse contexto, em locais onde existiam boas condições de terreno, próximos aos recursos hídricos. Isso favorecia a produção e a consequente fixação dessas comunidades em uma área específica, com o intuito de se desenvolver. Foi nesse momento que um modo de vida urbano passou a ser incorporado nas comunidades, que sentiram a necessidade de se fixar em lugares para me- lhorar suas técnicas de cultivo, concentrando-se e trabalhando coletivamente em uma área. Essa nova realidade teve impacto na organização social, que passou a contar com a divisão do trabalho e com a necessidade de guardar os alimentos produzidos, fazendo com que surgisse a cerâmica. O ambiente das sociedades neolíticas não é apenas um abrigo na natureza, mas um fragmento de natureza transformado segundo um projeto huma- no: compreende os terrenos cultivados para produzir, e não apenas para se apropriar do alimento; os abrigos dos homens e dos animais domésticos; os depósitos de alimento produzido para uma estação inteira ou para um perío- do mais longo; os utensílios para cultivo, a criação, a defesa, a ornamentação e o culto (BENEVOLO, 2015, p. 16). O homem, o abrigo e a arquitetura 16 Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 5.
    Com isso, segundoSilva (2015), houve uma transição entre a vida nômade, em que não existia moradia fixa, para uma vida em comunidade, na qual um grupo escolhia uma terra para cultivar e permanecer. Ao mesmo tempo, a produção de excedentes agrícolas possibilitou o uso do tempo para outras atividades, como artesanato, troca ou funções de adminis- tração, características das primeiras formas de vida urbana. A produção e o comércio começaram a gerar no período Neolítico um modelo de convivência que impulsiona os assentamentos a crescerem em extensão e população (LIMA, 2015, documento on-line). Habitações começaram a ser construídas próximas umas às outras com o objetivo de proteger aquela porção escolhida do território de grupos invaso- res, formando pequenas aldeias. Conforme Mumford (1998), foi por volta de 15.000 a.C. que os primeiros aglomerados urbanos permanentes começaram a aparecer no território, mas somente a partir do período de 12.000 a 10.000 a.C. foi que esses assentamentos começaram a se desenvolver e crescer por meio do cultivo da agricultura. Para Costa (2014), foi nesse período que se iniciou a formação das aldeias, que, em um primeiro momento, eram abertas e depois passaram a ser cercadas. Segundo o autor, entre 9.000 e 4.000 a.C., as habitações eram caracterizadas por cabanas com plantações ao seu redor. Foi a partir disso que as aldeias passaram a se segmentar por meio de outros espaços com usos diferentes, aumentando a população e as atividades. No ano 3.000 a.C., surgiram alguns outros elementos que facilitaram a vida em so- ciedade, como, por exemplo, a roda, a matemática, o barco a vela e estudos sobre escrita e astronomia. 17 O homem, o abrigo e a arquitetura Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 6.
    Costa (2014), complementaque os primeiros registros da organização das cidades datam de 12.000 a.C. a 10.000 a.C., momento em que houve uma seca na região do Oriente próximo, o berço da civilização. Já por volta de 9.000 a.C. houve uma mudança da atividade de caça para o pastoreio. Em 8.000 a.C. os grupos começaram a evoluir suas técnicas de plantio, aproveitando melhor a terra e aprofundando suas relações com o meio. No ano 6.000 a.C. come- çaram a surgir algumas inovações técnicas, como o arado de relha. Foi em, aproximadamente, 5.000 a.C. que surgiram, de fato, junto ao rio Eufrates e em outros locais da Ásia menor, as primeiras povoações às quais pode-se dar o nome de cidade. Segundo o autor, os assentamentos mais antigos estão localizados no Oriente Médio e Região Norte da África. Os povoados mesopotâmicos de Ur, Nipur e Uruk surgiram ainda no período Neolítico e, ao longo do tempo, desenvolveram-se em áreas centrais cercadas por zonas residenciais. Duas das mais antigas comunidades urbanas que se tem conhecimento foram Jeric ó , Israel (cerca de 8.000 a.C.) e a cidade mercantil de Çatal Hüyük (6500–5700 a.C.), naAnat ó lia,partedaatualTurquia.NonortedaChina,de2.100a.C.até1.100a.C., surgiram cidades sem muros, sendo Anyang um exemplo do período, e na América do Sul, os indícios de urbanização datam de 2.000 a.C. na costa do Peru. Fazio, Moffett e Wodehouse (2011) destacam que esses primeiros assen- tamentos surgiram a partir de um pequeno núcleo familiar composto por um número suficiente de pessoas que pudessem se ajudar nas atividades de coleta de alimentos e de caça, além de se protegerem contra inimigos. As primeiras moradias dos assentamentos que se tem registro e que foram descobertas pelos historiadores estão localizadas no planalto central da Rússia, atual- mente o país da Ucrânia. Essas residências eram levantadas com ossadas de mamutes e toras de pinheiro, e tinham como revestimento as peles de animais. Caracterizavam-se também por apresentarem uma fogueira no centro e tinham forma de cúpula, como mostra o exemplo da Figura 3. O homem, o abrigo e a arquitetura 18 Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 7.
    Figura 3. Estruturadas primeiras moradias dos assentamentos de que se tem registro. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 30). No período Neolítico as habitações e abrigos também foram evoluindo e, segundo Silva (2015), passaram a ser de madeira, de pedra ou com a mistura dos dois materiais. As estruturas megalíticas feitas por grandes pedras são um marco de edificação nesse momento; muitas delas serviam como túmulos comunitários e também observatórios astronômicos. Essas estruturas eram uma maneira de cada civilização demarcar seu próprio território, tornando-se também uma manifestação de reverência a seus ancestrais. Esses monumentos de pedra eram pensados de acordo com a orientação solar, com o intuito de que, nos primeiros dias do solstício de inverno, a luz do sol pudesse entrar pelos vãos da construção e iluminar o espaço interno. 19 O homem, o abrigo e a arquitetura Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 8.
    Assim, é possívelperceber que, no período Neolítico, iniciou-se um pro- cesso de organização de comunidades que, nos anos posteriores, resultou no surgimento das cidades. Esse período da pré-história foi se desenvolvendo a partir da melhoria das condições climáticas, bem como da necessidade dos povos, que passaram a aprimorar seus instrumentos de caça e pesca e, com isso, aumentaram suas produções, facilitando a subsistência. Com o passar dos anos, as civilizações que viveram nesse momento da pré-história começaram a produzir exemplares de arte e arquitetura que se tornaram importantes referências para a continuação da sociedade e os períodos posteriores da história. Segundo Leonardo Lima (2015), foi entre 12.000 e 5.000 anos que os primeiros assen- tamentos urbanos apareceram, em sete regiões diferentes, tornando-se pequenas cidades. As áreas escolhidas por esses povos tinham boas condições para a agricultura e fácil drenagem da terra. As regiões em que os primeiros assentamentos urbanos se destacaram foram: „ Planície do vale do rio Huang-Ho (atual China), assentamentos Huixia, Anyang e Gaocheng. „ Vale do Indo (atual Índia e Paquistão), assentamentos Harappa, Mohenjo-Daro e Balatok. „ Vales do Tigre e Eufrates (atual Iraque), assentamentos Nínive, Babilônia, Ur, Uruk, Asur e Jericó. „ Vale do Nilo (atual Egito), assentamentos Ilahun, Memphis, Gizé, Tebas e Abidos. „ Planaltos peruanos e bolivianos (atual Bolívia e Peru), assentamentos Tiahuanaco, Pikimachay, Machu Picchu e Nazca. 3 Principais exemplares pré-históricos na arquitetura e na arte O período da pré-história tem fundamental importância para a evolução da arquitetura, dos modos de morar e da organização das sociedades. O momento do período Neolítico, mais especificamente e da Idade do Metais, em que as ferramentas passaram a ser mais aprimoradas e desenvolvidas e foi criada a técnica de fundição, tem grandes exemplos de arquitetura e de arte que servi- ram como referência para as próximas civilizações. Nessa época começaram O homem, o abrigo e a arquitetura 20 Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 9.
    a surgir objetosque, ao longo do tempo, foram aprimorados e contribuíram significativamente para atender as necessidades e facilitar a vida em sociedade. Como contribuições de arte relacionadas a esse período destacam-se as pinturas rupestres, como as mostradas na Figura 4. Segundo Silva (2015), as primeiras representações artísticas eram muito simples e consistiam em traços feitos nas paredes das cavernas. As pinturas rupestres, ou seja, ins- critas nas rochas, retratavam a história de cada povo, cenas e também rituais de caça. Essas pinturas se desenvolveram na medida em que novos materiais foram surgindo, tanto corantes como pinceis. Figura 4. Pintura rupestre em caverna em Santa Cruz, Argentina. Fonte: Dante Petrone/Shutterstock.com. Exemplares desse tipo de arte realizada nas pedras podem ser encontrados em várias partes do mundo, e podiam ser feitos tanto a partir da aplicação de pigmentos nas pedras como pela gravação dos desenhos. Esse último tipo de arte se denomina gravura rupestre. Para a pintura eram encontrados pigmentos na natureza, como argilas, carvão, ossos carbonizados, minerais e vegetais misturados. 21 O homem, o abrigo e a arquitetura Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 10.
    Silva (2015) acrescentaque, no período, surgiram algumas esculturas (Figura 5), mas bastante tímidas, pequenas e em pouca quantidade. Segundo a autora, predominavam figuras femininas, que exaltavam a longevidade, a fertilidade e a prosperidade. O estilo era naturalista, com poucas cores, e a ideia era imitar a natureza em suas formas orgânicas. Figura 5. Escultura pré-histórica, Vênus de Willendorf, esculpida entre 28.000 e 25.000 a.C. Fonte: Dan Shachar/Shutterstock.com. No campo da arquitetura, as principais edificações do período se destacaram pelo uso da pedra, que, mais do que promover um abrigo para esses povos, tornou-se um monumento e um exemplar também de arte. Conforme Silva (2015), os blocos de pedra eram justapostos tanto para a estruturação como no interior das edificações. A autora ainda complementa que existiam três tipos de edificações de pedra de caráter religiosos, listadas a seguir: O homem, o abrigo e a arquitetura 22 Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 11.
    „ Menir: obloco de pedra era fincado no chão e marcava rotas ou se- pulturas. Esse bloco deu origem à coluna e podia medir até 10 metros de altura, pesando 50 toneladas. „ Dólmens: edificações formadas por menires, sendo locadas na vertical e na horizontal. „ Cromlech: eram as dólmens locadas em circuito. Veja um exemplo de menir e de dólmen na Figura 6. Figura 6. Exemplo de menir (à esquerda) e dólmens (à direita). Fonte: Adaptada de Silva (2015, p. 5). Segundo Silva (2015), o objetivo dessas construções megalíticas em pedra era obter beleza por meio da forma, a fim de que uma função mística fosse atingida. As civilizações que faziam parte desses primeiros assentamentos urbanos não contavam com ferramentas resistentes para trabalhar com as pedras, não havendo também nesse período veículos ou animais de carga que pudessem ajudar no transporte desse material. Mesmo assim, esses povos fizeram observações astronômicas importantes e organizaram uma força de trabalho suficiente para manobrar pedras que chegavam a pesar em torno de cinco toneladas. Um relevante exemplo desse tipo de construção são as construções megalíticas chamadas de Stonehenges, localizadas na planície se Salisbury, na Inglaterra. 23 O homem, o abrigo e a arquitetura Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 12.
    Segundo Fazio, Moffette Wodehouse (2011), Stonehenge, apresentado na Figura 7, era um grande observatório que foi construído com o objetivo de determinar o solstício e estabelecer o calendário anual. O projeto é sofisticado e em escala gigantesca, e apresenta um layout circular que foi pensado para refletir uma simbologia de firmamento e um vínculo entre o reino humano e o celeste. Stonehenge representa o auge da capacidade de construção e observação científica do período pré́ -histórico. Seus construtores venceram o desafio de transportar e trabalhar pedras colossais. Doleritas do País de Gales foram transportadas por mais de 300 km até́ o terreno, principalmente pela água, e arrastadas por terra na última etapa da jornada. As maiores pedras verticais vieram de Marlborough Downs, que fica a aproximadamente 24 km do local, é provável que tenham sido arrastadas desde lá́ . Experimentos modernos com o transporte e a montagem de um trilito na escala dos de Stonehenge indicam que seria possível usar máquinas simples (alavancas e planos inclinados), um tren ó com base engordurada, plataformas de madeira, cordas resistentes e cerca de 130 pessoas trabalhando juntas (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 34). Figura 7. (a) Ruínas de Stonehenge. (b) Planta da edificação. Fonte: Adaptada de Fazio, Moffett e Wodehouse (2011). (a) (b) O homem, o abrigo e a arquitetura 24 Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
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    Outros exemplares dearquitetura pré-histórica podem ser encontrados na ilha de Malta, na Europa. Entre eles destacam-se os templos de Ggantija (Figura 8) da ilha de Gozo, parte do arquipélago maltês, e o sítio arqueológico de Mnajdra. Os templos de Ggantija, patrimônios da humanidade, são consi- derados a construção mais antiga do mundo. As edificações se referem a dois templos em formato de mulher, com grandes proporções, e eram utilizadas para rituais de vida e de fertilidade. Algumas das pedras dessa edificação pesam mais de 50 toneladas. Figura 8. Templos de Ggantija, ilha de Gozo. Fonte: Konstantin Aksenov/Shutterstock.com. O sítio arqueológico de Mnajdra (Figura 9) é um complexo de três templos que apresentam uma engenharia avançada, com grande conhecimento de construção e também de acabamentos, localizado no sul da ilha de Malta. O complexo, construído de calcário coralino, é considerado um dos centros culturais mais antigos do mundo. 25 O homem, o abrigo e a arquitetura Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
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    Figura 9. Sítioarqueológico de Mnajdra, ilha de Malta. Fonte: Marcin Osman/Shutterstock.com. O período da pré-história, composto por Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais, constitui os primórdios da civilização. Iniciando com os “homens das cavernas”, com técnicas bastante rudimentares e pouco conhecimento, ao passar dos anos os povos primitivos foram criando instrumentos que facilitassem sua sobrevivência. Com as mudanças climáticas, que facilita- ram a sobrevivência, passaram a se desenvolver e se fixar em porções do território, cultuando a agricultura. Foram essas as referências iniciais que deram suporte aos anos posteriores e à necessidade de as civilizações serem cada vez mais organizadas. BENEVOLO, L. A história da cidade. São Paulo: Perspectiva,2015. COSTA, D. M. O urbano e a arqueologia: uma fronteira transdisciplinar. Revista Latino- -americana de Arqueologia Histórica, v. 8, nº. 2, p. 43–71, dez. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/vestigios/article/view/11832/8569. Acesso em: 6 mar. 2020. O homem, o abrigo e a arquitetura 26 Remova Marca d'água Wondershare PDFelement
  • 15.
    Os links parasites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A hist ó ria da arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011. LIMA, L. C. S. de S. Um olhar sobre o passado: revisando os primeiros assentamentos humanos e as primeiras formas de cidade. Vitruvius, ano 15, nº. 092.01, maio 2015. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/15.092/5506. Acesso em: 6 mar. 2020. MUMFORD, L. A cidade na história. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. SILVA, A. C. C. Pré-história: origem da arquitetura e da cidade. 2015. Disponível em ht- tps://issuu.com/camilacesar/docs/pr___hist__ria_e_origem_da_cidade. Acesso em: 6 mar. 2020. 27 O homem, o abrigo e a arquitetura Remova Marca d'água Wondershare PDFelement