O documento resume a vida e carreira do escritor português José Saramago, desde seu nascimento na aldeia de Azinhaga até seu casamento com a jornalista espanhola Pilar del Río aos 63 anos de idade.
“ Escrever étraduzir. Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua. Transportamos o que vemos e o que sentimos para um código convencional de signos, a escrita...”
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“ ...e deixamosàs circunstâncias e aos acasos da comunicação a responsabilidade de fazer chegar à inteligência do leitor, não tanto a integridade da experiência que nos propusemos transmitir,...”
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“ ...mas umasombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos bem ser intraduzível, por exemplo...”
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“ ...a emoçãopura de um encontro, o deslumbramento de uma descoberta, esse instante fugaz de silêncio anterior à palavra que vai ficar na memória como o rasto de um sonho que o tempo não apagará por completo.” José Saramago
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“ Muito universo, muito espaço sideral, mas o mundo é mesmo uma aldeia.” José Saramago
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Estamos numa aldeia chamada Azinhaga, no Alentejo português, a região sul do país onde se produzem azeitonas, cortiça e trigo.
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E nesta pequena aldeia, modestas plantações e criação de porcos é o que há para ser feito.
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Jerónimo e Josefa estão particularmente felizes hoje, 16 de novembro de 1922, pois é o dia que viu nascer o seu mais novo neto, a quem o destino conferiu o nome de José Saramago.
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Livros e letras não fazem parte da rotina deste casal de camponeses, bem como de tantos outros vizinhos. As poucas palavras faladas lhes servem aos propósitos, e o seu mundo é o quintal que em breves minutos percorremos.
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Na primavera de1924, os pais de Saramago, Maria da Piedade e José de Sousa, abandonam o seio do campo e se mudam para Lisboa, onde ele conseguiu um novo trabalho como policial do trânsito.
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Em Lisboa, Maria da Piedade passa a cuidar dos afazeres domésticos, e se dedica aos filhos, Francisco, de quatro anos, e José Saramago, que conta com dois anos de idade.
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No mês dedezembro do mesmo ano em que se mudam para Lisboa, o filho mais velho do casal, Francisco, com apenas quatro anos de idade, morre de broncopneumonia.
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Uma dor que Maria da Piedade carregará pelo restante dos seus dias.
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Saramago passa afrequentar a escola primária na capital, e já é fluente na leitura, aos oito anos.
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Sua mãe oenvia nas férias para Azinhaga, para o contato com o campo e com os avós maternos.
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E nas temporadasque passa na aldeia dos avós, o pequeno José sente-se feliz como um pássaro livre.
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O contato coma Natureza – a inocência, cheia de beleza e serenidade, das coisas puras.
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Os peixes que,nadando velozes, mantêm-se, por vezes, imóveis contra a força da corrente...
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Anos mais tarde,recordará Saramago algumas lembranças do avô Jerónimo:...
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“ Recordo daquelas noites mornas de Verão, quando dormíamos debaixo da figueira grande, ouço-o falar da vida que teve, das histórias e lendas da sua infância distante.”
As lembranças da pequena aldeia e o tempo passado na companhia dos avós – as grandes referências morais e sentimentais na sua vida – acompanharão o pequeno José pelos anos e décadas vindouros.
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O tempo passae transforma crianças em jovens adultos.
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Por falta derecursos, Saramago não chega a concluir o secundário, trocando os estudos acadêmicos pelo curso de serralharia mecânica numa escola técnica de Lisboa.
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Aos dezenove anos passa a trabalhar num hospital, fazendo a manutenção do maquinário. Com o trabalho a consumir as horas do dia, cultiva a rotina de dedicar a noite à leitura.
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Todas as noites, depois de jantar, vai a pé, apesar da longa distância, até a biblioteca pública de Lisboa, onde permanece até a hora de fechar, lendo tudo o que pode. São estas leituras as suas aulas, o seu professor, o seu mestre...
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“ Como gostavade, um dia, começar a escrever, afinal, ser um escritor! E ser escritor era para o jovem José uma reflexão sobre a vida e os seus absurdos...” Sobre esta fase, recordará anos mais tarde:...
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“ Guiado talvezpela beleza da persistência, ainda que trêmula, de uma daquelas estrelas que vira no céu na casa do avô Jerónimo e da avó Josefa, decidiu ser todo uma só vontade, todo um atrevimento e lançou-se no voo alto de escrever...”
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Em 1944, aos22 anos de idade, casa-se com a pintora Ilda Reis, sendo que três anos mais tarde, em 1947, nasce a filha, que recebe o nome Violante. Neste ano também publica o seu primeiro livro, ‘Terra do Pecado’.
Pais e filhos– a convivência gera laços; no entanto, o amor, a admiração e o carinho necessitam ser construídos.
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Leva tempo, atençãoe cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho.
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Leva tempo, atençãoe cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho. José Saramago e Violante às margens do rio Almonda Azinhaga, 1951
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“ A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar tudo quanto é humanamente experimentável e sensível.” José Saramago
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“ A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar José Saramago e Violante Azinhaga, 1953 tudo quanto é humanamente experimentável e sensível.” José Saramago
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Embora tenha seu primeiro livro, ‘ Terra do Pecado’, ignorado pela crítica, Saramago continua a escrever, tendo diversos contos e crônicas publicados em jornais e revistas.
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A sua paixãopela literatura leva-o a conseguir posições de certo destaque no meio editorial, atuando como colunista, revisor, tradutor e crítico literário.
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Com aproximadamente quarentaanos de idade, seu nome começa a ser conhecido no campo da literatura e cultura em Portugal.
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Saramago passa aocupar diversas funções, como coordenador do suplemento de cultura do jornal ‘Diário de Lisboa’, e diretor-adjunto do ‘ Diário de Notícias’.
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Em 1970, Saramago e Ilda Reis se divorciam. E em 1975, ao deixar a função de editorialista do jornal onde trabalha, resolve dedicar-se exclusivamente à literatura.
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Em 1980, aos58 anos de idade, Saramago publica o seu segundo romance, chamado “ Levantado do Chão”.
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Desta vez, a acolhida é bem diferente; a obra é recebida com êxito, tanto pela crítica, quanto pelo público, em Portugal.
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Aos sessenta epoucos anos de idade Saramago dá início a uma tardia e improvável carreira literária. Os livros que se seguem nos anos seguintes são igualmente aclamados pelo país afora.
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Separado, com a filha já adulta. Realizou o sonho de escrever e ser lido. Com um sucesso considerável em Portugal , parece um homem satisfeito com a vida que lhe fora destinada. Estamos em 1986, Saramago encontra-se com 63 anos de idade.
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“ Aos 63anos de idade, o que um homem pode ainda esperar da vida?...” afirmaria numa entrevista, “ Não muito...”.
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Mas o futuro ainda lhe reserva algumas surpresas... ( fim da primeira parte desta apresentação )
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Uma jornalista espanhola,nos seus trinta e poucos anos, passeia por uma livraria à procura de títulos interessantes. 1986 - Sevilha, Espanha.
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Ao passar poruma estante que contém alguns livros separados para serem devolvidos à editora, se depara com um título que chama sua atenção.
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Mesmo sem terouvido falar do autor, ela resolve comprar o livro, sem poder imaginar as consequências que tal decisão, aparentemente trivial, poderá ter.
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Coincidências da vida,dirão alguns, enquanto outros atribuirão o ocorrido ao destino, ao acaso, ao inevitável...
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O livro sechama ‘Memorial do Convento’. E a jovem jornalista que o acaba de adquirir, Pilar del Río.
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Blimunda, aprotagonista de ‘Memorial do Convento’, ocupa um lugar especial dentre todos os personagens femininos criados por Saramago.
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Pilar gosta tantodo livro que compra vários exemplares para presentear às melhores amigas, comentando sua grande vontade de conhecer esse homem capaz de tocar tanto a alma feminina através de Blimunda.
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Ela procura outroslivros de Saramago, e diante da revelação e fascinação sentida após cada leitura, resolve entrar em contato com o autor.
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E eu queria dizer-lhe: completou-se o ciclo, li-o e entendi.” Pilar recordará mais tarde: “ Senti que tinha a obrigação moral de dizer a José Saramago o que tinha experimentado. Um autor só acaba a sua obra quando o livro é lido e entendido.
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Uma bela tarde, toca o telefone na casa de Saramago. Pilar se identifica, dizendo ser uma leitora e admiradora. Conversam sobre os livros de Saramago, sobre a literatura, sobre a vida...
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E ao fimda conversa, combinam de se encontrar numa cafeteria em Lisboa, para uma entrevista que Pilar propõe realizar para o jornal em que trabalha.
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Por ocasião doencontro, aproveitam para passear pela cidade de Lisboa, e falam de quase tudo. Depois, ela retorna para Sevilha. “ Com uma estranha paz.”
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No dia seguinte,Saramago retribui a visita de Pilar a Lisboa, enviando-lhe uma carta, acompanhada de rosas.
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Caminhos que seentrecruzam, vidas prestes a se mudar para sempre...
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Coincidências da vida,dirão alguns. O destino, o acaso, o inevitável, afirmarão outros...
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Há quem afirmeque as histórias de amor, todas elas, desde o início dos tempos, se parecem, se repetem.
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O que mudasão os nomes, os detalhes, os corações...
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As idas evindas entre Sevilha e Lisboa, onde Pilar e Saramago residem, respectivamente, passam a se tornar cada vez mais frequentes.
65.
Os 28 anosde vida que separam Pilar, com 34 anos, e Saramago, 63, se tornam um mero detalhe diante do amor que sentem.
Os livros queSaramago passa a escrever desde então são todos dedicados a ela.
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“ A Pilar, os dias todos” “ A Pilar, até ao último instante...” “ A Pilar, minha casa”
73.
Com a mudançapara Lisboa, Pilar abandona a carreira jornalística que exercia na televisão espanhola.
74.
É a primeiraleitora dos textos de Saramago, e a tradutora das obras do marido para o espanhol.
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Em 1991, Saramagopublica o livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, onde conta a história de Jesus de forma moderna, sob um olhar narrativo que humaniza Cristo.
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Em 1992, aSecretaria de Cultura de Portugal veta a inscrição do livro na disputa do Prêmio Literário Europeu, por considerá-lo “ofensivo para o catolicismo do povo português.”
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Em reação atal veto, que considera censório, Saramago se muda de Portugal, passando a fixar residência na ilha de Lanzarote, Ilhas Canárias.
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E é emseu escritório em Lanzarote que Saramago escreve um de seus romances mais conhecidos – “Ensaio sobre a Cegueira”.
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Escrito em 1995,próximo à virada do milênio, o romance aborda uma epidemia de cegueira repentina que acomete a inteira população de uma cidade.
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A cegueira comouma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, onde, frequentemente, os limites entre civilização e barbárie são rompidos.
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A cegueira comouma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, ... A cegueira descrita no livro é uma “cegueira branca”, pastosa, como se alguém tivesse mergulhado de olhos abertos num “mar de leite”.
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“ Trevas brancas” a anuviar o olhar daqueles que, tendo olhos, não conseguem (ou se recusam a) enxergar.
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Uma cegueira porvezes associada ao avanço irrefreado do consumismo e do materialismo, que faz com que os homens percam a consciência de si, se deformem, se massifiquem e se barbarizem.
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Uma cegueira quepromove a ruptura com a nossa própria essência – a compaixão, o cuidado, a solidariedade...
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“ Penso que estamos cegos, José Saramago Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”
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“ Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. (epígrafe do livro “Ensaio sobre a Cegueira”)
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“ Somos amemória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.” José Saramago
88.
1995 – Saramagorecebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura da língua portuguesa.
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1998 – Recebeo Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem.
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1998 – Recebeo Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem.
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Saramago, aos 76anos de idade, recebe o Prêmio Nobel das mãos do rei da Suécia. Estocolmo, 1998
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Ao receber oprêmio, Saramago inicia seu discurso com uma homenagem ao avô, o camponês Jerónimo Melrinho, o que também pode ser visto como uma crítica à pompa das instituições literárias:...
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“ O homemmais sábio que conheci em toda minha vida não sabia ler nem escrever...”
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E passa adiscorrer sobre memórias de sua infância, suas fontes de inspiração e formação, e sobre alguns de seus principais livros e personagens.
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Com a conquistado prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar.
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Com a conquistado prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. O público leitor de Saramago multiplica-se. Os livros são traduzidos em 42 línguas, publicados em 53 países, e vendem milhões de exemplares mundo afora.
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Com a conquistado prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. O público leitor de Saramago multiplica-se. Os livros são traduzidos em 42 línguas, publicados em 53 países, e vendem milhões de exemplares mundo afora.
“ Acho quena sociedade actual nos falta filosofia...”
100.
“ Falta-nos reflexão,pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma.”
101.
“ Falamos muitoao longo destes últimos anos dos direitos humanos; simplesmente deixamos de falar de uma coisa muito simples,...”
102.
“ ...que sãoos deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro,...”
103.
“ ...que eume pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.”
104.
“ ...que eume pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.” “ O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental...”
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“ ...que consisteem estar no mundo e não ver o mundo o u só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.”
106.
“ Temos queacreditar nalguma coisa e, sobretudo, temos de ter um sentimento de responsabilidade colectiva, segundo o qual cada um de nós será responsável por todos os outros.”
107.
“ A prioridadeabsoluta tem de ser o ser humano. Acima dessa não reconheço nenhuma outra prioridade.” José Saramago
108.
E fazendo usodo espaço, da atenção e notoriedade conferidos pelo prêmio Nobel, Saramago denuncia as injustiças sociais, e defende com coração e alma as causas que abraça:...
109.
Os cuidados coma infância; A educação de qualidade; Os direitos dos povos nativos da América Latina; O combate à violência doméstica; A luta pelo fim dos maus-tratos contra animais; A questão dos refugiados; O sofrimento do povo palestino; dentre tantas outras.
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Aos oitenta anosde idade, guarda o vigor juvenil de se revoltar contra toda injustiça, e não permite que se morra nele o desejo de mudar o mundo. O engajamento sempre em prol do humanismo.
111.
“ Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto.” José Saramago
112.
Em 2007, aos85 anos, Saramago é agraciado com o prêmio “Amigo das Crianças”, concedido pela fundação ‘Save the Children ’. “ Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto.” José Saramago
113.
Segundo a fundação,o prêmio é um reconhecimento ao grande empenho na procura de “um mundo melhor em que todas as crianças tenham esperança e oportunidades”,...
114.
...salientando, ainda, o“compromisso ativo pela paz” e o “apoio continuado às campanhas e projectos relacionados com a infância e com os mais desfavorecidos”.
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Dentre os livrosde Saramago encontra-se um dedicado ao público infantil – “ A Maior Flor do Mundo”.
Estão sempre juntos– em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo – e de mãos dadas. Um amor e uma admiração singulares – a aura envolvente que raros casais emitem...
121.
“ Pilar, seeu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago
122.
“ Pilar, seeu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago Em meio às constantes viagens, é na residência em Lanzarote, com vista para o mar, que Saramago recompõe as energias e se restabelece.
123.
E mesmo coma agenda corrida, ele reserva tempo para escrever ao menos duas páginas diárias – que totalizará um livro ao fim de um ano, conforme observa.
124.
Por diversas vezes,Saramago e Pilar visitam o Brasil, onde cultivam muitas amizades.
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Jorge Amado, Chico Buarque, Leonardo Boff, Sebastião Salgado, Lygia Fagundes Telles Paulo Freire, Betinho, Frei Betto, entre tantos outros.
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A calorosa acolhidados intelectuais brasileiros também se reflete na relação de Saramago com o seu público leitor no país.
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Certa vez, dianteda cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:...
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Certa vez, dianteda cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:... “ Esta gente quer me matar de amor!”
Em 2007, Saramagoé hospitalizado durante longos meses, devido a uma grave doença respiratória.
144.
Tão logo serecupera, conclui o livro “ A Viagem do Elefante”,...
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...e faz questãode viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra.
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...e faz questãode viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra. A escolha do Brasil para o lançamento mundial é um presente ao carinho e amizade dos brasileiros.
Ele está aquie não está, mas sorri. “ ...o espírito não vai a lado nenhum sem as pernas do corpo, José Saramago (em ‘Todos os Nomes’) e o corpo não seria capaz de mover-se se lhe faltassem as asas do espírito.”
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No dia 18de junho, depois de uma noite serena e tranquila, Saramago falece na sua residência em Lanzarote, acompanhado de Pilar e de sua família, “ despedindo-se de forma serena e plácida.”
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Em se havendo outros mundos, e havendo lá também oprimidos e necessitados, estes ganharam uma voz a defendê-los e quem se importe com eles...
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estes ganharam uma voz a defendê-los e quem se importe com eles... E em se havendo outros mundos ainda, talvez lá tenham se reencontrado o pequeno José e os avós tão amados, Josefa e Jerónimo.
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“ Dentro denós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.” José Saramago
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Segundo o amigoe teólogo Leonardo Boff, Saramago cultivava “ a espiritualidade como sentimento do mistério do mundo, , da profundidade humana e do amor aos oprimidos.”
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Leonardo Boff descrevea tarde que ele e a esposa, Márcia, passaram na companhia de Saramago e Pilar como “um festim de espiritualidade”.
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“ Ganhamos umamigo e a fé me diz que ele agora mergulhou naquele Mistério de amor que sempre buscou.” Leonardo Boff
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“ Quando mefor deste mundo, partirão duas pessoas. José Saramago Sairei, de mão dada, com essa criança que fui”.