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Arquitetura Paisagismo Planejamento
Editores Responsáveis
Lucia Maria Sá Antunes Costa
Cristóvão Fernandes Duarte
Conselho editorial
Adriana Sansão Fontes / Cristovão Fernandes Duarte / Denise B. Pinheiro Machado /
Eliane da Silva Bessa / Flavio de Oliveira Ferreira / Ivete Mello Calil Farah / José Barki /
Lúcia Maria Sá Antunes Costa / Luciana da Silva Andrade / Margareth da Silva Pereira /
Maria Cristina Nascentes Cabral / Naylor Barbosa Vilas Boas / Oscar Daniel Corbella /
Pablo Cesar Benetti / Rachel Coutinho Marques da Silva / Raquel Hemerly Tardin Coelho /
Rodrigo Cury Paraizo / Rosangela Lunardelli Cavallazzi / Sergio Ferraz Magalhães / Sônia
Azevedo Le Cocq d’Oliveira / Victor Andrade
Revisão
Maria Helena Torres
Abstracts
Elvyn Marshall
Programação Visual
Nathália Závoli e Renata Loureiro
Diagramação
Nathália Závoli e Renata Loureiro
Capa
Nathália Závoli e Renata Loureiro
Fotografia
Nathália Závoli e Renata Loureiro
Revista do Mestrado Profissional
em Arquitetura Paisagística
UFRJ | Universidade Federal do Rio de Janeiro
Reitor | Carlos Antônio Levi da Conceição
Decano do CLA | Flora De Paoli Faria
Diretor da FAU | Mauro Cesar de Oliveira Santos
Vice-Diretora  | Maria Julia de Oliveira Santos
Mestrado Profissional em Arquitetura Paisagística
Lucia Maria Sá Antunes Costa (coordenadora)
Cristóvão Fernandes Duarte (vice-coordenador)
Rosa Kilias,
Dra. em Paisagismo Urbano e
Professora da ProUrb-UFRJ
A Revista Scena chega ao número 21 mantendo o privilégio de oferecer a seus leitores a palavra do artista. Na entrevista Eu
nunca ensaio, Laura Lima entrelaça tempos e lugares numa conversa franca e intensa, verdadeiro presente para os estudi-
osos da arte. Nossos agradecimentos à artista. A estrutura das diversas seções é preservada nesta edição. Todavia, é novo o
projeto gráfico, de autoria de Claudia Mendes, anseio da equipe editorial que merece nossas felicitações. A pesquisa realizada
por nossos pós-graduados está presente na seção Artigos: o trabalho fotográfico e os lugares em que se cruzam memória
e ficção (Luiza Baldan); a palavra-imagem no processo de criação artística contemporânea (Julie Pires); a discussão sobre a
função do figurino teatral e suas potencialidades (Desirée Bastos); a obra plural de Calmon Barreto (Gisele Rocha) sinalizam
uma latitude de interesses. Inserindo-se no tema “Ficções”, em foco neste número, escrevem dois professores do Programa:
Rogério Medeiros aborda as transformações provocadas no cinema francês pelo documentário de Jean Rouch, referência
para o cinema brasileiro da década de 1960. No âmbito da história da arte, Ana Cavalcanti reflete sobre o caráter ficcional
presente na obra de Eliseu Visconti e nos textos críticos sobre o pintor. Na seção Colaborações, pesquisadores de outras
universidades contribuem para o debate. Leila Danziger problematiza a prática dos monumentos e a construção da memória
a partir da produção de Jochen Gerz; Tatiana Martins se interessa pela desintegração das linguagens em Robert Smithson;
Renata Santini analisa o processo artístico de Carlos Vergara em suas monotipias e deslocamentos. Por fim, Leandro Junqueira
tece considerações a respeito da crítica, “modo de ver/ler o mundo”. O Dossiê, que neste número é também Reedição, traz
Navilouca, parte da revista lançada em 1972 por Waly Salomão e Torquato Neto. Suas proposições poético-visuais revelam a
atitude anticonvencional dos protagonistas da contracultura nos anos 70.
E D I TO R I A L
Amanda Romano Oscar Corbella Pablo Benetti Flavio de Oliveira Rosa Kliass Nathalia Barros
COL ABORA DORES
C O N T R I B U T O R S
Inclusão Urbana
Vila Residencial
Pablo Cesar Benetti6
13
17
22 25 29
42
58
Maquetes para simulação em túnel de vento
Oscar Daniel Corbella 
Paisagem da
Região Serrana
Flavio de Oliveira Ferreira   
Projeto de Apoio a Favelas Cariocas
Sônia Azevedo Le Cocq  
Sustentabilidade
no Projeto Urbano
Gisele Silva Barbosa
4834
Notícias | News
Entrevista com
Haruyoshi Ono
Mobilidade
alternativa
e tratamento
paisagístico
Amanda Romano Vilhena  
O Passeio Público do
Rio de Janeiro
Mônica Bahia Schlee
Entre máscaras
e peles
Andressa Carmo Pena
SUMMARY
S U M Á R I O
Mobilidade alternativa e
tratamento paisagístico
Proposta para o Bairro da Ferradura, Armação dos Búzios
Amana Romano Vilhena
Fragmentos da dissertação de mestrado apresentada
ao Programa de Pós-graduação em Urbanismo da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universi-
dade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial
para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura
Paisagística, sob a orientação da Professora Doutora
Rosângela Lunardelli Cavallazzi e co-orientação do
Professor Doutor Cristóvão Duarte, Rio de Janeiro, 2014.
PROJETO ACADÊMICO
6Revista Scena | Edição 1
O presente trabalho tem como tema principal a mobi-
lidade alternativa em Armação dos Búzios, estado do
Rio de Janeiro, com a aplicação do estudo de caso
referência no Bairro da Ferradura.
A pesquisa apresenta uma proposta de mobilidade alter-
nativa para o Bairro da Ferradura, Armação dos Búzios,
em que a sua via principal, a Avenida Parque, recebe
tratamento paisagístico em termos de adequação para a
circulação voltada a pedestres e ciclistas e composição
paisagística por meio da arborização do percurso. Medi-
ante a produção dos diversos sentidos dos conceitos
mobilidade e paisagem, foi possível alcançar o enten-
dimento da mobilidade alternativa como meio eficaz de
integrar os diferentes modais a uma rede de percursos
em que pedestres e ciclistas são os atores principais.
A priorização da circulação não motorizada e a criação
de espaços de permanência ao longo do percurso estim-
ulam a atração das pessoas para as ruas e induzem a
apropriação desses espaços, estabelecendo uma relação
da mobilidade com a vitalidade urbana.
This dissertation focuses on alternative
mobility in Armação dos Búzios, in Rio de
Janeiro state, with a reference case in Ferra-
dura neighborhood.
The research presents a proposal for alter-
native mobility in which Parque Avenue,
Ferradura’s main road, receives landscaping
treatment adjusted to pedestrians and bicy-
cles and with the inclusion of landscaping
composition and tree planting. The produc-
tion of different meanings for the concepts
mobility and landscape lead to the under-
standing of alternative mobility as an effi-
cient way to integrate transport vehicles and
systems into a resource net and to the crea-
tion of conviviality spaces along the road
that attract people to the streets and invite
them to take hold of these spaces, whereby a
relation between mobility and urban vitality
is established.
O P R O J E TO
7 Revista Scena | Edição 1
a Avenida Parque, recebe tratamento paisagístico em termos
de adequação para a circulação voltada a pedestres e ciclistas
e composição paisagística por meio da arborização do percurso.
8Revista Scena | Edição 1
Mediante a produção dos diversos
sentidos dos conceitos mobilidade e
paisagem, foi possível alcançar o
entendimento da mobilidade alternativa
como meio eficaz de integrar
10Revista Scena | Edição 1
A priorização da circulação não motorizada e a
criação de espaços de permanência ao longo
do percurso estimulam a atração das pessoas
para as ruas e induzem a apropriação desses
espaços, estabelecendo uma relação da mobili-
dade com a vitalidade urbana.
Nesse sentido, a conservação da paisagem ur-
bana pode ser reforçada pela presença dos
próprios usuários que se apropriam dos espaços
pelo movimento ou permanência e acabam cri-
ando uma relação de transitividade e hospitali-
dade com o lugar. Como um ciclo, essa dinâmica
contribui para o surgimento de novos serviços
voltados ao público, promovendo a interação e
a diversidade social nesses espaços.
Os pontos principais deste estudo são os es-
paços coletivos de circulação e de permanência
que conectam o Centro, a Lagoa da Ferradura e
a Praia da Ferradura de modo a estimular pas-
seios no espelho d’água e nastrilhas do entor-
no..
A adequação dos caminhos e trilhas do caso
referência tende a reforçar a circulação alter-
nativa e o passeio fora das vias de movimento
intenso como a Avenida Parque e a Estrada da
Usina. Desse modo, a mobilidade alternativa se
expande do percurso proposto para os meios
de circulação alternativos que a paisagem do
entorno oferece, buscando estabelecer uma es-
trutura integrada entre os espaços livres de uso
coletivo e entre os diferentes modais.
The preservation of the urban
landscape can be improved by the
presence of users who get hold of
the spaces where they move about
or remain. This dynamic of space
appropriation through movement
leads to the emergence of new
services to the public and pro-
motes integration and social diver-
sity. The main aspects of the study
are collective spaces for circula-
tion and permanence that link the
center of town, the Ferradura la-
goon and Ferradura beach, aiming
to promote rides on boats, kayaks
and sail boats and strolls along the
treks that surround them.
11Revista Scena | Edição 1
Projeto Praça Salgado Filho. Fonte: publicolivreverde.wordpress.com
Quinhuangdao Forest Park-II, Hebei, China
No campo metodológico foi adotado o caso referência
permitindo compreender situações específicas e a demon-
stração de adequação das propostas paisagísticas. Na
fase de pesquisa em campo foram adotados os métodos
de White (1980), onde se observaram os usos, as ativi-
dades desenvolvidas, o comportamento e os fluxos dos
usuários. Os conceitos adotados por Cullen (1971), como
a visão serial, também fizeram parte dessa primeira fase
da pesquisa.
The methodology adopted the reference case that helps to under-
stand specific conditions and to demonstrate the suitability of the
landscaping proposals. In the field research phase White’s (1980)
methods were adopted to observe uses, activities, behavior and
the flux of users. The serial vision, method adopted by Cullen
(1971), was also applied to this first phase of the research.
12Revista Scena | Edição 1
Lake Ontario Park, Canada
Mimosa Bimucronata (maricá) na Ferradura
25Revista Scena | Edição 1
Haruyoshi Ono
Entrevista com um dos mais importantes arquitetos paisagistas
em atuação no Brasil
Fragmentos da entrevista com Haruyoshi Ono,
um dos mais importantes arquitetos paisag-
istas em atuação no Brasil. Não obstante esta
constatação, trata-se de um paisagista que,
dentre outras tantas características marcantes
da sua personalidade, foi o mais importante e
constante discípulo de Roberto Burle Marx, com
quem trabalhou de 1965 até 1994, ano em que
faleceu o grande mestre
ENTREVISTA
Haruyoshi Ono é hoje um dos mais importantes
arquitetos paisagistas em atuação no Brasil. Não obstante
esta constatação, trata-se de um paisagista que, dentre
outras tantas características marcantes da sua personali-
dade, foi o mais importante e constante discípulo de Rob-
erto Burle Marx, com quem trabalhou de 1965 até 1994,
ano em que faleceu o grande mestre. Durante três déca-
das Haru, como é carinhosamente chamado pelos mais
próximos, foi o principal e mais próximo interlocutor e
colaborador de Roberto Burle Marx em diversos projetos
paisagísticos no Brasil e no exterior. Após a morte de
Burle Marx (em 1994), Haru não só passou a comandar
o escritório, com diversas decisões de natureza empre-
sarial a serem tomadas, como também teve que lidar,
cotidianamente, com o legado deste renomado artista
que foi Burle Marx.
Durante cerca de três horas de boa conversa, realiza-
da no seu escritório no Bairro de Laranjeiras no Rio de
Janeiro, Haru foi, aos poucos, revelando aspectos preci-
osos da sua formação e também da sua personalidade
bastante peculiar que, nitidamente, revela ao interlocutor
muitas características da cultura japonesa, da qual fazia
parte seus antepassados.
De forma muito tranquila e sem nenhuma afetação, vai-
dade ou pedantismo Haruyoshi Ono fala de seu trabalho
que considera, de alguma forma, inserido num processo
de continuidade do que já vinha fazendo nos muitos anos
em que colaborou com Burle Marx.
Para o leitor interessado nas metodologias e nos proces-
sos de elaboração dos projetos de paisagismo, a entre-
vista abaixo é reveladora pois, ao mesmo tempo em que
fala de “conceitos”, “programas” e “técnicas”, o nosso
entrevistado também menciona aspectos ditos “qualita-
tivos” do espaço que será objeto de suas intervenções.
Em um dos muitos pontos altos desta sua entrevista,
chamamos atenção para quando ele assim nos fala da
sua relação com a vegetação:
“São elementos vivos que são indispensáveis à minha
pessoa, ao meu trabalho. Então, são coisas indispensáveis
para mim, que tanto esses elementos (os vegetais) me
usam, como eu os uso também. Os elementos me usam e
me fazem trabalhar para eles, criando as plantas, tratan-
do bem delas, aguando, podando, essas coisas. Isso elas
estão me usando e aí a gente as usa também. O retorno
disso aí, dessa relação, é a beleza que elas te dão, vis-
ualmente, tocando no nosso sentimento”.
Ao leitor agora caberá a tarefa de apreciar esta entrevis-
ta com o arquiteto paisagista Haruyoshi Ono.
Durante cerca de três horas de boa conversa,
realizada no seu escritório no Bairro de Laran-
jeiras no Rio de Janeiro, Haru foi, aos poucos,
revelando aspectos preciosos da sua formação e
também da sua personalidade bastante peculiar
que, nitidamente, revela ao interlocutor muitas
características da cultura japonesa, da qual fazia
parte seus antepassados.
De forma muito tranquila e sem nenhuma afe-
tação, vaidade ou pedantismo Haruyoshi Ono
fala de seu trabalho que considera, de alguma
forma, inserido num processo de continuidade do
que já vinha fazendo nos muitos anos em que
colaborou com Burle Marx.
Para o leitor interessado nas metodologias e nos
processos de elaboração dos projetos de pais-
agismo, a entrevista abaixo é reveladora pois,
ao mesmo tempo em que fala de “conceitos”,
“programas” e “técnicas”, o nosso entrevistado
também menciona aspectos ditos “qualitativos”
do espaço que será objeto de suas intervenções.
Em um dos muitos pontos altos desta sua entre-
vista, chamamos atenção para quando ele assim
nos fala da sua relação com a vegetação:
“São elementos vivos que são indispensáveis à
minha pessoa, ao meu trabalho. Então, são coi-
sas indispensáveis para mim, que tanto esses
26Revista Scena | Edição 1
São elementos vivos que são indispensáveis à minha
pessoa, ao meu trabalho. Então, são coisas indis-
pensáveis para mim, que tanto esses elementos
(os vegetais) me usam, como eu os uso também.
Antônio Agenor Barbosa e Stella Rodriguez: O senhor poderia nos falar como
foi a sua formação, tanto no âmbito acadêmico e também profissional, como ar-
quiteto e, particularmente, como paisagista?
Haruyoshi Ono: Fiz o ginásio e o científico no Colégio Cruzeiro. Depois fiz vestib-
ular para a Faculdade Nacional de Arquitetura, na época Universidade do Brasil,
em 1964, e em 1968 me formei como arquiteto. Esta é, portanto, minha formação
acadêmica.
Enquanto eu ainda cursava arquitetura, tive contato com o professor Antônio
Leitão, que era o nosso professor de desenho artístico, e fiz parte do seu es-
critório de arquitetura. Mais tarde ingressei no ateliê de Roberto Burle Marx como
estagiário, em 1965, e de estagiário passei para desenhista dentro do escritório.
Ao me formar arquiteto fui chamado para ser sócio da empresa. E continuei até
a morte de Roberto, em 1994. Portanto, fui sócio do escritório Burle Marx & Cia.
Ltda. de 1968 até 1994, e, desde então, dirijo a empresa.
AAB / SR: O senhor é nascido no Rio?
HO: Nasci no Rio de Janeiro, no bairro do Rio Comprido, em 1943.
AAB / SR: E a sua opção pelo Paisagismo se deu basicamente pelo encontro
com o Burle Marx?
HO: Sim, basicamente foi. Mas eu sempre tive interesse por vegetação ainda em
minha infância. A minha mãe, por exemplo, gostava muito de plantas também e
Antônio Agenor Barbosa e Stella Rodriguez: O senhor poderia nos falar como
foi a sua formação, tanto no âmbito acadêmico e também profissional, como
arquiteto e, particularmente, como paisagista?
Haruyoshi Ono: Fiz o ginásio e o científico no Colégio Cruzeiro. Depois fiz ves-
tibular para a Faculdade Nacional de Arquitetura, na época Universidade do
Brasil, em 1964, e em 1968 me formei como arquiteto. Esta é, portanto, minha
formação acadêmica.
Enquanto eu ainda cursava arquitetura, tive contato com o professor Antônio
Leitão, que era o nosso professor de desenho artístico, e fiz parte do seu es-
critório de arquitetura. Mais tarde ingressei no ateliê de Roberto Burle Marx
como estagiário, em 1965, e de estagiário passei para desenhista dentro do
escritório. Ao me formar arquiteto fui chamado para ser sócio da empresa. E
continuei até a morte de Roberto, em 1994. Portanto, fui sócio do escritório
Burle Marx & Cia. Ltda. de 1968 até 1994, e, desde então, dirijo a empresa.
AAB / SR: O senhor é nascido no Rio?
HO: Nasci no Rio de Janeiro, no bairro do Rio Comprido, em 1943.
AAB / SR: E a sua opção pelo Paisagismo se deu basicamente pelo encontro com
o Burle Marx?
HO: Sim, basicamente foi. Mas eu sempre tive interesse por vegetação ainda em
minha infância. A minha mãe, por exemplo, gostava muito de plantas também e
nós tínhamos um pequeno quintal em casa. Minha mãe era japonesa e o inter-
esse dela por plantas não tinha origem e nem relação direta com paisagismo
ou jardins orientais. Apenas ela gostava de conviver e tratar das plantas, e com
isso aprendi muita coisa com ela. Esse foi meu primeiro encontro com a vege-
tação. Mais tarde, lógico, com o Burle Marx fui aprendendo praticamente quase
tudo que eu sei até hoje.
27Revista Scena | Edição 1
AAB / SR: Que tipo de plantas sua mãe cultivava?
HO: Eram na sua maioria plantas anuais e ex-
óticas. Tinham dálias de diversas florações, mui-
tos crisântemos, algumas árvores, e cravinhos e
violetas. Ela apreciava muito essas plantas por
causa da floração e do cheiro. As azaléias eram
especiais para ela. E no meio de tudo isto as
buganvílias se destacavam por suas belas flo-
rações. Como o nosso quintal era pequeno, eram
as árvores da vizinhança que me impressiona-
vam muito.
AAB / SR: Então sua infância aconteceu em um
espaço que tinha um jardim?
HO: Sim. Num pequeno espaço nosso, particu-
lar, “o quintal”, que a gente chamava de jar-
dim. E tinham ainda os arredores, as ruas bem
arborizadas. Mas isto já não era mais no Rio
Comprido, bairro onde nasci, e sim em Senador
Camará, para onde me mudei aos seis anos de
idade quando saímos do centro da cidade e fo-
mos para a zona rural. E foi em Senador Camará
que passei minha infância e onde nós moramos
por muito tempo. Lá era bom porque era cerca-
do de mata, tinha um rio atrás, um rio pequeno
que as pessoas se banhavam. Havia ainda bois
e vacas perto da casa, pastando.
AAB / SR: E a sua infância foi ali, nesse ambi-
ente... O senhor tem irmãos?
HO: Minha infância foi no meio de jamelões, man-
gas, laranjas. Tenho dois irmãos. Um mais velho
e outro mais novo. Nós três apreciávamos muito
essa vida na zona rural. Nas horas de lazer tinham
os jogos de bola – boa época, não é? – pipas, pião,
aquelas brincadeiras de ruas, bandeirinhas etc. Eu
ainda me recordo bem.
AAB / SR: Então, a experiência com a natureza e o
contato com as plantas estavam ali bem próximas
de vocês. E o teu pai?
HO: Hoje penso que o mais importante não era
esse contato com a vegetação, mas sim de um
modo geral o contato com a terra. Meu pai era
comerciante, e em função disso, por causa do seu
trabalho, fomos morar em Senador Camará. Eu saí
de lá com 16 ou 17 anos, mais ou menos.
Eu comecei a estudar no Centro do Rio de Janei-
ro, em 1950, no Colégio Cruzeiro. No meio do ano
letivo nos mudamos e fiquei sem estudar alguns
meses por falta de vaga na escola. No ano seguin-
te fui matriculado numa escola particular chamada
Colégio São José. Era uma turma muito engraça-
da porque tinham alunos desde o curso primário
o ginasial. Havia aulas de inglês junto com por-
tuguês, francês, e a crianças pequenas no meio,
numa sala ampla dividida em grupos.bDepois fui
para uma escola pública onde fiquei até o curso de
admissão. Prestei uma espécie de concurso.
AAB / SR: E a sua infância foi ali, nesse ambiente... O senhor tem irmãos?
HO: Minha infância foi no meio de jamelões, mangas, laranjas. Tenho dois
irmãos. Um mais velho e outro mais novo. Nós três apreciávamos muito
essa vida na zona rural. Nas horas de lazer tinham os jogos de bola – boa
época, não é? – pipas, pião, aquelas brincadeiras de ruas, bandeirinhas
etc. Eu ainda me recordo bem.
AAB / SR: Então, a experiência com a natureza e o contato com as plantas
estavam ali bem próximas de vocês. E o teu pai?
HO: Hoje penso que o mais importante não era esse contato com a vege-
tação, mas sim de um modo geral o contato com a terra. Meu pai era
comerciante, e em função disso, por causa do seu trabalho, fomos morar
em Senador Camará. Colégio Cruzeiro. No meio do ano letivo nos
mudamos e fiquei sem estudar alguns meses por falta de vaga na
escola. No ano seguinte fui matriculado numa escola particular
chamada Colégio São José. Era uma turma muito engraçada porque
tinham alunos desde o curso primário o ginasial.
28Revista Scena | Edição 1
O Passeio Público do Rio
de Janeiro
Mônica Bahia Schlee
Resenha da revista:
LEITURAS PAISAGÍSTICAS: TEORIA
E PRÁXIS. Volume 1: (Re)construindo a paisagem do
Passeio Público: historiografia e práticas projetuais. 
Rio
de Janeiro, EBA/UFRJ, 2006. ISSN 1808-0540
34Revista Scena | Edição 1
ARTIGO
A revista Leituras Paisagísticas: Teoria e Práxis,
lançada em abril de 2006 pelo Grupo de Pesquisa
em História do Paisagismo da Escola de Belas
Artes da Universidade do Rio de Janeiro, traz
propostas instigantes a todos que se interessam
pelos estudos da paisagem: estimular discussões
teóricas e metodológicas sobre as diferentes formas
de atuação na paisagem e difundir estudos sobre
a transformação, salvaguarda e recuperação dos
espaços livres públicos. E, dessa maneira, se propõe
a colaborar na construção de um conteúdo crítico
sobre a produção paisagística brasileira.
O primeiro volume da revista dedica-se a registrar
e discutir questões relevantes que emergiram das
apresentações do Seminário (Re)construindo a pais-
agem do Passeio Público: historiografia e práticas
projetuais e dos debates que a elas se seguiram.
Este seminário, também promovido pelo Grupo
de Pesquisa em História do Paisagismo EBA/UFRJ,
foi realizado em 2004 na sede carioca do Insti-
tuto dos Arquitetos do Brasil e teve como objetivo
discutir conceitos, metodologias e resultados de
uma abrangente intervenção no Passeio Público do
Rio de Janeiro, realizada pela Prefeitura da Cidade
entre 2001 e 2004, através da Fundação Parques
e Jardins, que recuperou o traçado, parte da vege-
tação e dos monumentos do jardim, alterados por
diversas reformas ao longo do século XX.
The magazine Readings landscape: Theory and Praxis, released
in April 2006 by the Research Group on History of Landscape
Architecture School of Fine Arts, University of Rio de Janeiro,
brings exciting proposals to all who are interested in the land-
scape studies: stimulate theoretical discussions and methodo-
logical about the different ways of working in the landscape
and disseminate studies on the processing, preservation and
recovery of public open spaces. And in this way, it is proposed
to collaborate in building a critical content on the Brazilian land-
scape production.
The first volume of the journal is dedicated to record and discuss
relevant issues that emerged from the seminar presentations (Re)
constructing the landscape of Public Promenade: historiography
and projective practices and debates that they followed. This
seminar also promoted by the Research Group on History of
Landscape EBA / UFRJ, was held in 2004 in Rio de Janeiro head-
quarters of Brazil’s Institute of Architects and aimed to discuss
concepts, methodologies and results of a comprehensive inter-
vention in the Public Garden of Rio de January, conducted by the
City Council from 2001 to 2004, through the Parks and Gardens
Foundation, which recovered the track, part of vegetation and
garden monuments, amended several reforms during the twen-
tieth century.
First public space intentionally designed to be part of urban
planning in the city, the Public Garden was designed by Mestre
Valentim in 1783. Until then the city, which still had main func-
tions control of the territory and the extractive commodity
trade, turned-to inside, as a single port having access door. The
construction of a “garden-gazebo” was configured as a major
innovation at the time, to highlight the landscape features of
Guanabara Bay and take advantage of them for the formation
of an “urban identity” Rio. In 1862, the landscape composition
of the garden, structured from a straight boulevards system, was
Primeiro espaço livre público intencionalmente conce-
bido para inserir-se urbanisticamente na cidade, o
Passeio Público foi projetado por Mestre Valentim em
1783. Até então a cidade, que ainda mantinha como
funções principais o controle do território e o comércio
mercantil extrativista, voltava-se para dentro, tendo o
porto como única porta de acesso. A construção de
um “jardim-mirante” configurou-se como uma grande
inovação na época, ao ressaltar os atributos pais-
agísticos da Baía da Guanabara e deles tirar partido
para a formação de uma “identidade urbana” carioca.
Em 1862, a composição paisagística do jardim, estru-
turada a partir de um sistema de alamedas retilíneas, foi
profundamente modificada por Auguste Marie François
Glaziou.
Devido à importância do Passeio Público do Rio de Janeiro
como obra paisagística e urbanística emblemática em
mais de um momento da evolução urbana carioca, o
seminário foi estruturado em duas sessões: historio-
grafia e práticas projetuais. A mesma organização foi
adotada neste primeiro volume da revista.
A primeira delas, intitulada Historiografia e apresentada
pela professora Virgínia Vasconcellos, reuniu três
estudos sobre a evolução histórica do Passeio Público:
o jardim no século XVIII, sob o olhar de Cláudio Taulois;
o Passeio Público de Glaziou, de autoria de Carlos
Terra; e o Passeio Público no século XX, a cargo de
Jane Santucci.
Primeiro espaço livre público intencionalmente concebido para inserir-se
urbanisticamente na cidade, o Passeio Público foi projetado por Mestre
Valentim em 1783.
35Revista Scena | Edição 1
36Revista Scena | Edição 1
Because of the importance of the Public Promenade in Rio de Janeiro as landscape and urban
emblematic work in more than one moment of Rio’s urban evolution, the seminar was divided into
two sessions: historiography and projective practices. The same organization was adopted in this
first volume of the journal.
The first, entitled Historiography and presented by Professor Virginia Vasconcellos, met three stud-
ies on the historical evolution of the Public Garden: The garden in the eighteenth century, under
the eye of Claudio Taulois; Public Ride Glaziou, authored by Carlos earth; and the Public Garden in
the twentieth century, in charge of Jane Santucci.
The public garden was part of the site as a “logical sequence trace settings from the city and the
existing landscape,” according to this author. It is good to remember that this project expressed
the Enlightenment ideology, which reached the colony through its administrative aristocracy in the
wake of European cultural expansion. In relation to the local environment, this urban operation,
which included the landfill already then completely polluted pond Boqueirão was strategic to san-
itize and provide infrastructure (especially access to water, distributed in fountains and projected
sources) for the urban area it was intended to consolidate. And maybe it was even decisive for
sedimentary this vector expansion towards the south. Land funds, previously focused on the la-
goon, facades were converted into valued unveiled to a public space for the landscape contempla-
tion of Guanabara Bay, as noted Taulois.
Professor Carlos Earth investigated the landscape design developed by Glaziou, highlighting the
intense transformation that this promoted the formal organization and unique point of view that
characterized Valentine Master garden, replaced by the possibility of several targeted plans, artic-
ulated through winding paths that lead to a gradual reading of the landscape, and even enables
the experience of interdependent compositions which can be considered in isolation.
However, as noted architect Jeanne Trinity in his article, citing study Naylor Villas Boas (1), the
Glaziou project respected the basic articulation of space proposed by Mestre Valentim to maintain
O jardim público inseriu-se no sítio como uma “seqüência lógica de definições
de traçado a partir da cidade e da paisagem existente”, segundo este autor.
É bom lembrar também que este projeto expressava a ideologia iluminista,
que chegava à colônia através de sua aristocracia administrativa, na esteira
da expansão cultural européia. Em relação à conjuntura local, esta operação
urbana, que compreendeu o aterro da já então completamente poluída Lagoa
do Boqueirão, foi estratégica para higienizar e prover infra-estrutura (prin-
cipalmente o acesso à água, distribuída nos chafarizes e fontes projetados)
para a área urbana que se pretendia consolidar. E talvez tenha sido mesmo
decisiva para sedimentar este vetor de expansão em direção à zona sul. Os
fundos de terrenos, anteriormente voltados para a lagoa, foram convertidos
em valorizadas fachadas descortinadas para um espaço público destinado à
contemplação da paisagem da Baía da Guanabara, como observou Taulois.
O professor Carlos Terra investigou a concepção paisagística elaborada por
Glaziou, destacando a intensa transformação que este promoveu na organ-
ização formal e no ponto de vista único que caracterizavam o jardim de Me-
stre Valentim, substituídos pela possibilidade de planos de visada diversos,
articulados entre si através de caminhos sinuosos que induzem a uma leitura
gradual da paisagem, e mesmo possibilitam o vivenciar de composições in-
terdependentes que podem ser apreciadas isoladamente.
No entanto, como lembrou a arquiteta Jeanne Trindade em seu artigo, citando
estudo de Naylor Villas Boas (1), o projeto de Glaziou respeitou a articulação
básica do espaço proposta por Mestre Valentim ao manter a continuidade
entre os principais elementos de composição anteriores – portão-jardim-
fonte-terraço-mar – que conduzem o observador até a paisagem da baía.
É oportuno lembrar também que, mesmo tendo incorporado a estrutura e
o uso de elementos do jardim pictórico inglês, adotados na época pelos
países europeus, como assinalou Terra, Glaziou se apropria e valoriza a
imagem da floresta dentro da cidade, ainda que idealizada e traduzida pelo
uso preponderante de espécies exóticas. O elemento vegetal, anteriormente
organizado de modo uniforme ao longo das alamedas retilíneas, passa a ser
protagonista na composição da paisagem do jardim.
Glaziou se apropria e valoriza a imagem da floresta
dentro da cidade, ainda que idealizada e traduzida pelo
uso preponderante de espécies exóticas.
37Revista Scena | Edição 1
Esta concepção foi encampada pela aristocracia local que incentivou a reprodução
desta linha compositiva em outros espaços livres construídos ou reformados entre
as décadas de 1860 e 1880, com a intenção de construir uma nova identidade para
a capital do império, expressar novamente no espaço público seu anseio de con-
temporaneidade e estimular a noção de civilidade na sociedade carioca, utilizando
como símbolo o elemento natural. Embora admirada e empregada como modelo
estético para os desenhos paisagísticos implantados nesta época na cidade, a rep-
resentação da floresta, que era aspirada dentro dos limites urbanos, não provinha
da natureza tropical local, antes derivava-se de uma visão romântica de natureza,
baseada em uma estética de inspiração inglesa (2).
Carlos Terra e Jane Santucci levantaram algumas questões que vale a pena exami-
nar mais detidamente. Segundo estes pesquisadores, períodos de uso e abandono
constituíram uma dinâmica que perpassou toda a existência do Passeio Público do
Rio de Janeiro. No entanto, os autores também nos mostram que este jardim público,
desde sua inauguração no século XVIII, sempre esteve associado a um lugar de lazer
e recreio, ao menos para alguns estratos da sociedade, como também mencionou
Taulois.
Ao fim do século XIX, o uso destinado à recreação se intensifica com a instalação em
seu interior de cafés (que já faziam parte da composição de Glaziou) e bares, como
o Chopp Berrante do Passeio, um aquário marinho e, até mesmo, sessões de cinema
ao ar livre, “à sombra do arvoredo, ... em lo calização privilegiada pelo panorama e
pela brisa marinha”, como observou Santucci. Ao reconstituir a localização e a am-
biência da época de funcionamento de alguns equipamentos instalados no Passeio
entre 1900 a 1937 (os já citados Chopp Berrante, o aquário marinho, e também o
Teatro-Cassino e o Cassino BeiraMar), a autora indica que estes funcionavam como
atrativos para a população carioca, aumentando a freqüência ao local.
Santucci mostra, com apoio de interessante material iconográfico e da pesquisa ar-
queológica, como as modificações radicais ao longo do século XX no suporte físico
ambiental no qual se insere o Passeio Público – os três aterros que o distanciaram
gradativamente da orla da baía (1903, 1920-1922 e 1952-1960) e os desmontes dos
morros que os possibilitaram – alteraram sua função principal de um parque público
voltado à contemplação da paisagem
It should also remember that even having built the structure and the
use of English pictorial garden elements, adopted at the time by Eu-
ropean countries, as pointed Earth, Glaziou appropriates and values
the forest image within the city, although idealized and translated the
predominant use of exotic species. The vegetable element, previously
arranged uniformly along the straight boulevards, becomes protago-
nist in the garden landscape composition.
This concept was taken over by the local aristocracy who encour-
aged the reproduction of this compositional line in other open spaces
built or renovated between the 1860s and 1880s, with the intention of
building a new identity for the capital of the empire, again express his
longing in the public space of contemporary and stimulate the notion
of civility in Rio society, using as a symbol natural element. Although
admired and used as an aesthetic model for landscape drawings de-
ployed at this time in the city, the representation of the forest, which
was drawn within the city limits, did not come from the local tropical
nature, before it derived from a romantic view of nature, based on an
English-inspired aesthetic (2).
Carlos Earth and Jane Santucci raised some issues worth examining
more closely. According to these researchers, use and abandonment
periods constituted a dynamic that pervaded the existence of the Pub-
lic Promenade in Rio de Janeiro. However, the authors also show us
that this public garden, since it opened in the eighteenth century, has
always been associated with a place of leisure and recreation, at least
for some segments of society, as also mentioned Taulois.
At the end of the nineteenth century, the use for the recreation inten-
sifies the installation inside cafes (which were already part of Glaziou
composition) and bars, as Chopp Horn Ride, a marine aquarium and
even sessions outdoor cinema, “the shadow of the trees, it ... in prime
calisation the panorama and the sea breeze”, as noted Santucci. To re-
construct the location and the ambience of the working time of some
equipment installed in the Walk between 1900-1937 (the aforemen-
38Revista Scena | Edição 1
Deslumbrante da Baía da Guanabara. Esta nova situação, associada à reti-
rada dos equipamentos no interior do jardim e à mudança nos hábitos de
lazer do carioca, que elegeu a praia como sua principal área de recreação e
descanso, acabou por afastar a população e propiciar um gradual processo
de degradação do local.
Além de chamar atenção para a importância do uso na manutenção da vi-
talidade de um espaço livre público, estes três pesquisadores demonstraram
como os diversos momentos do passado e o presente se fundiram neste
espaço, imprimindo marcas que resultaram em uma paisagem-palimpsesto,
como salientou Santucci (3).
Estes são aspectos importantes que devem ser levados em consideração
para orientar futuras obras de restauração e revitalização de espaços livres
públicos.
Rubens de Andrade, paisagista e pesquisador que atuou como debatedor na
primeira sessão do seminário e que também assina artigo neste volume, in-
staurou o debate ao interrogar o leitor sobre o processo de interação entre
a sociedade e a paisagem e seu rebatimento nas ações e políticas de res-
tauração dos jardins históricos e sítios paisagísticos no Brasil praticadas até
o presente.
O processo de restauração do Passeio Público do Rio de Janeiro tem o mérito
de iniciativa pioneira, devido aos procedimentos metodológicos que adotou, e
é um passo importante para a preservação dos jardins históricos brasileiros.
Sua descrição encontra-se bem documentada na segunda seção da revista,
intitulada Práticas Projetuais, aberta pela arquiteta-paisagista Flávia Braga,
onde são apresentadas as abordagens metodológicas que embasaram todo o
processo, entre 2001 (data do início do projeto) a 2004 (término das obras).
Santucci shows, with the support of interesting iconographic and archaeological research mate-
rial, as the radical changes throughout the twentieth century in environmental hardware which
incorporates the Public Garden - the three landfills that gradually distanced Bay waterfront
(1903, 1920 -1922 and 1952-1960) and takedowns of the hills which enabled them - changed
its main function of a public park facing the countryside of contemplation beautiful Guanabara
Bay. This new situation, coupled with the withdrawal of the equipment inside the garden and
the change in the Rio leisure habits, which elected the beach as the main area of recreation and
rest, eventually depart the population and provide a gradual local degradation process .
In addition to calling attention to the importance of using in maintaining the vitality of a public
space, these three researchers demonstrated how the various moments of the past and the
present merged in this space, printing brands which resulted in a landscape-palimpsest, as
pointed Santucci (3).
These are important aspects that must be considered to guide future works of restoration and
revitalization of public open spaces.
Rubens de Andrade, landscape and researcher who served as discussant in the first session of
the seminar and also signs an article in this volume, brought the debate to question the reader
about the process of interaction between society and the landscape and its repercussion in the
actions and policies of restoration of historic gardens and landscaped sites in Brazil practiced
to the present.
The Public Garden of the restoration process of Rio de Janeiro has the merit of pioneering initi-
ative, due to methodological procedures adopted, and is an important step for the preservation
of Brazilian historical gardens. His description is well documented in the second section of the
magazine entitled projective Practices, opened by the architect-landscaper Flavia Braga, where
the methodological approaches that supported the whole process from 2001 (date of com-
mencement of the project) to 2004 (end are presented of works), by the team of professionals
and researchers Port Nelson Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de Oliveira and Jeanne Trinity.
Here, too, were raised some points that prompt reflection.
Early on, Nelson Ribeiro Port informs that the orientation that guided the restoration project, de-
fined by a cross-disciplinary group that included architects, landscape architects and historians
members of the Foundation’s teams
Alteraram sua função principal de um parque
público voltado à contemplação da paisagem
deslumbrante da Baía da Guanabara
39Revista Scena | Edição 1
Pela equipe de profissionais e pesquisadores Nelson Porto
Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de Oliveira e Jeanne
Trindade. Também aqui, foram levantados alguns pontos
que instigam a reflexão.
Logo de início, Nelson Porto Ribeiro informa que a orien-
tação que norteou o projeto de restauro, definida por um
grupo transdisciplinar que incluiu arquitetos, paisagistas
e historiadores integrantes das equipes da Fundação Par-
ques e Jardins, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional e Ópera Prima Arquitetura e Restauro, empre-
sa contratada para desenvolver o projeto e executar as
obras, foi a de privilegiar, como referência, o projeto de
Glaziou, uma vez que a quase totalidade da composição
paisagística proposta por Mestre Valentim havia se per-
dido, e mesmo alguns elementos introduzidos posterior-
mente e destruídos pelas reformas implantadas ao longo
do século XX não deveriam ser reproduzidos, sob pena de
constituir-se como “falso histórico”.
É digna de nota a reconstituição de vestígios e fragmentos
importantes dos diversos momentos de transformação do
Passeio Público carioca, postos à luz pela pesquisa ar-
queológica, elaborada em atendimento aos decretos mu-
nicipais nº 22.872 e 22.873, de 07 de maio de 2003. O
processo de elaboração desta pesquisa, embasado pelas
diretrizes e procedimentos indicados nas cartas patrimoni-
ais e na teoria de restauro de jardins históricos (4) e bem
documentado pela arqueóloga Jackeline Macedo em seu
artigo, evidenciou a superposição de dois projetos de jar-
dim (um de autoria de Mestre Valentim, o outro de Glaziou)
e a localização exata das intervenções posteriores que,
em alguns casos, chegaram mesmo a perturbar a integ-
ridade de ambos os projetos. As descobertas, no entanto,
não foram descortinadas ao público na sua totalidade.
By the team of professionals and researchers Port
Nelson Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de
Oliveira and Jeanne Trinity. Here, too, were raised
some points that prompt reflection.
Early on, Nelson Ribeiro Port informs that the orien-
tation that guided the restoration project, defined
by a cross-disciplinary group that included archi-
tects, landscape architects and historians mem-
bers of the teams Parks and Gardens Foundation,
the Heritage Institute for National Artistic and Op-
era Prima Architecture and Restoration, a compa-
ny contracted to develop the project and run the
works, was to focus, as a reference, the Glaziou
project, since almost the entire landscape compo-
sition proposed by Mestre Valentim was lost, and
even some elements subsequently released and
destroyed by the reforms implemented during the
twentieth century should not be played, so as not
to constitute itself as “false history”.
It is worthy of note reconstitution of remains and
important fragments of the various moments of
transformation of Rio’s Public Garden, made light
by archaeological research, drawn up in compli-
ance with local ordinances No. 22 872 and 22
873 of 07 May 2003. The drafting process this
research, based the guidelines and procedures in
the property cards and historical gardens restora-
tion theory (4) and well documented by archaeol-
ogist Jackeline Macedo in his article, showed the
superposition of two garden projects (a Valentine
Master of authorship, the other of Glaziou) and
the exact location of subsequent operations which
in some cases have even disrupt the integrity of
A seguir, Vera Dias de Oliveira descreveu os proced-
imentos metodológicos e técnicos utilizados nas fases
de diagnóstico e restauro dos monumentos, esculturas,
pontes, guarda-corpos e parte da infra-estrutura do Pas-
seio Público, com o apoio de imagens que mostraram
diversas etapas deste processo.
Jeanne Trindade apresentou a metodologia adotada na
restauração dos elementos vegetais do Passeio Público e
os critérios que orientaram sua reconstituição. Segundo
a arquiteta e pesquisadora, o plano de manejo para a
vegetação teve como diretrizes a definição dos elemen-
tos essenciais e o resgate formal do conceito paisagísti-
co empregado no projeto desenvolvido por Glaziou, bus-
cando valorizar a imagem simbólica que este espaço
transmite à sociedade através dos contrastes de formas,
volumes, texturas e tons, da alternância entre cheios e
vazios, e entre luz e sombra, que propiciam a surpresa,
o movimento, a expectativa e o mistério dos projetos
paisagísticos com influência romântica.
Trindade apresentou as várias fases deste processo de
reconstituição, que incluiu inventário florístico, visita a
outros espaços livres desenhados por Glaziou, resgate
de documentos históricos primários e mapeamento da
situação atual de insolação e sombreamento, esclare-
cendo também que o plantio especificado ainda não foi
finalizado devido à insuficiência de recursos destinados
a esta etapa da obra.
As questões citadas pelos paisagistas e pesquisadores
que atuaram como moderadores e debatedores no
seminário e que assinam artigos neste volume convid-
am ao aprofundamento das discussões nas próximas
edições da revista.
40Revista Scena | Edição 1
Flávia Braga mencionou um ponto-chave na discussão.
Outra questão importante, também apontada por Edu-
ardo Barra, debatedor na segunda sessão do seminário,
é a da adequação e escala da sinalização, iluminação
e mobiliários contemporâneos propostos, sua inserção e
interferência nos jardins históricos.
Barra, em seu artigo, fez outra consideração sobre a
qual seriam bem-vindas informações adicionais: os efei-
tos ambientais das obras executadas no subsolo da área
de entorno do Passeio ao longo das últimas décadas e
suas implicações nas condições do solo, lençol freático
e, conseqüentemente, na drenagem e nas condições da
vegetação dentro dos limites do parque. Ao final, Leonar-
do Ladeira Mota oferece um breve relato do processo de
restauração do Passeio Público e sumariza as palestras
que deram origem aos artigos que compõem este vol-
ume.
As informações teóricas e técnicas apresentadas, o de-
talhamento das análises dos planos urbanísticos e pais-
agísticos e das intervenções arquitetônicas que se re-
alizaram em momentos históricos diversos,
o registro iconográfico do processo de recuper-
ação dos elementos essenciais, dos vestígios en-
contrados e o registro fotográfico do momento
seguinte à reconstrução já valem a leitura deste
primeiro número da revista Leituras paisagísticas:
Teoria e práxis.
O panorama de abordagens referentes ao tema
da restauração de jardins históricos divulgados
nesta edição oferece embasamento teórico e téc-
nico para futuros estudos neste campo disciplinar
e extrapola mesmo esta temática, ao desvendar
detalhes sobre as transformações paisagísticas
decorrentes dos planos urbanísticos operadas
pelo poder público nesta área da cidade.
Amparados pelas contribuições de Santucci, Ter-
ra e Taulois, os leitores poderão também refletir
sobre as formas de incentivar o uso de espaços
livres públicos com caráter histórico com vistas
a estancar seu processo de abandono e manter
sua vitalidade no espaço urbano contemporâneo,
tornando-os algo mais que museus-sítios arque-
ológico a céu aberto. E, por fim, instigados por
Eduardo Barra, opinar sobre o papel do arquite-
to-paisagista no processo de restauro de espaços
livres públicos com caráter histórico e da inte-
gração efetiva de campos disciplinares diversos
nesta forma de atuar e reabilitar paisagens.
Then Vera Dias de Oliveira described the methodo-
logical and technical procedures used in the stages
of diagnosis and restoration of monuments, sculp-
tures, bridges, railings and part of the Public Prom-
enade in infrastructure, with the support of images
showing each stage of process.
Jeanne Trinity presented the methodology used in
the restoration of plant elements of the Public Gar-
den and the criteria that guided its reconstitution.
According to the architect and researcher, the man-
agement plan for vegetation had as guidelines to
define the essential elements and the formal sur-
render of the landscape concept employed in the
project developed by Glaziou, seeking to value the
symbolic image that this space conveys to socie-
ty through contrasts shapes, volumes, textures and
tones, the alternation between full and empty, and
between light and shadow, which provide the sur-
prise, the movement, the expectation and the mys-
tery of landscape projects with romantic influence.
Trinity presented the various stages of this process
of reconstitution, which included floristic survey,
visit other open spaces designed by Glaziou, res-
cue primary historical documents and mapping the
current situation of sunshine and shade, also stating
that the specified planting has not yet been finalized
due to insufficient resources for this stage of the
project.
The issues cited by landscapers and researchers who
acted as moderators and panelists at the seminar
and signing articles in this volume invite deepening
of discussions in the next editions of the magazine.
Outra questão importante [...] é a da adequação e escala da sinalização,
iluminação e mobiliários contemporâneos propostos, sua inserção e inter-
ferência nos jardins históricos.
41Revista Scena | Edição 1
The iconographic record of the recovery process
of the essential elements, the remains found and
photographic recording of the next moment the
reconstruction are worth reading this first issue of
landscape Readings: Theory and practice.
The panorama of approaches on the subject of
the restoration of historic gardens released this
edition offers theoretical and technical basis for
future studies in this subject area and even goes
beyond this theme, to unveil details about the
landscape changes resulting from urban plans op-
erated by the government in this area city.
Supported by contributions from Santucci, Earth
and Taulois, readers may also reflect on ways to
encourage the use of public open spaces with his-
torical character in order to stop its abandonment
process and maintain its vitality in the contempo-
rary urban space, making them something more
than archaeological sites, museums in the open.
Finally, instigated by Eduardo Bar, opinion on the
role of the architect-landscaper in the restora-
tion process of public open spaces with historic
character and the effective integration of various
disciplines in this way of acting and rehabilitate
landscapes.

Notas
1
VILLAS BOAS, Naylor Barbosa. O Passeio Público do Rio de Janeiro: análise histórica através da per-
cepção do espaço. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: PRO-ARQ/FAU. 2000.
2
Ver também CRANDELL, Gina. Nature pictorialized: the view in landscape history. Baltimore: The Johns
Hopkins University Press. 1993; SEGAWA, Hugo. Ao amor do público: jardins no Brasil . São Paulo: Nobel.
1996 e SCHLEE, Mônica Bahia. Cultural Perceptions of Nature and Urban Landscape Changes: The Case
Study of Rio de Janeiro, Brazil. Presented in the CELA CONFERENCE/ COUNCIL OF EDUCATION OF LAND-
SCAPE ARCHITECTURE. Guelph, Ontario: University of Guelph. 2000.
3
HARVEY, David. 1990. "Between Space and Time: Reflections on the Geographical Imagination." Annals
of the Association of American Geographers 80: 418-34 e SCHLEE, Mônica Bahia. Cenografia Urbana e
Qualidade Ambiental na Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado. São Paulo: FAU/USP. 1999.
4
NAJJAR, Rosana (org). Manual de Arqueologia Histórica do IPHAN. Brasília: IPHAN/ 6ª Superintendência
Regional. 2002.
Mônica Bahia Schlee é paisagista e urbanista da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e professora do
Departamento de Urbanismo da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense
Notes
1VILLAS GOOD, Naylor Barbosa. The Public Promenade in Rio de Janeiro: historical analysis through the perception of
space. Master’s Thesis. Rio de Janeiro: PRO-ARQ / FAU. 2000.
2View also Crandell, Gina. Nature pictorialized: the view in landscape history. Baltimore: The Johns Hopkins University
Press. 1993; SEGAWA, Hugo. Public love: gardens in Brazil. Sao Paulo: Nobel. 1996 and Schlee, Monica Bahia. Cultural
Perceptions of Nature and Urban Landscape Changes: The Case Study of Rio de Janeiro, Brazil. Presented in the CELL
CONFERENCE / COUNCIL OF EDUCATION OF LANDSCAPE ARCHITECTURE. Guelph, Ontario: University of Guelph. 2000.
3HARVEY, David. 1990. “Between Space and Time: Reflections on the Geographical Imagination.” Annals of the Associ-
ation of American Geographers 80: 418-34 and Schlee, Monica Bahia. Scenography Urban and Environmental Quality
in the City of Rio de Janeiro. Master’s Thesis. London: FAU / USP. 1999.
4NAJJAR, Rosana (org). Manual of Historical Archaeology of IPHAN. Brasilia: IPHAN / 6th Regional Superintendency. 2002.
Monica Bahia Schlee is landscape and urban planner of the City of Rio de Janeiro and Professor, Department of Urban
Planning School of Architecture and Urbanism of the Federal Fluminense University
Revista Scena

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  • 1.
  • 2.
    Editores Responsáveis Lucia MariaSá Antunes Costa Cristóvão Fernandes Duarte Conselho editorial Adriana Sansão Fontes / Cristovão Fernandes Duarte / Denise B. Pinheiro Machado / Eliane da Silva Bessa / Flavio de Oliveira Ferreira / Ivete Mello Calil Farah / José Barki / Lúcia Maria Sá Antunes Costa / Luciana da Silva Andrade / Margareth da Silva Pereira / Maria Cristina Nascentes Cabral / Naylor Barbosa Vilas Boas / Oscar Daniel Corbella / Pablo Cesar Benetti / Rachel Coutinho Marques da Silva / Raquel Hemerly Tardin Coelho / Rodrigo Cury Paraizo / Rosangela Lunardelli Cavallazzi / Sergio Ferraz Magalhães / Sônia Azevedo Le Cocq d’Oliveira / Victor Andrade Revisão Maria Helena Torres Abstracts Elvyn Marshall Programação Visual Nathália Závoli e Renata Loureiro Diagramação Nathália Závoli e Renata Loureiro Capa Nathália Závoli e Renata Loureiro Fotografia Nathália Závoli e Renata Loureiro Revista do Mestrado Profissional em Arquitetura Paisagística UFRJ | Universidade Federal do Rio de Janeiro Reitor | Carlos Antônio Levi da Conceição Decano do CLA | Flora De Paoli Faria Diretor da FAU | Mauro Cesar de Oliveira Santos Vice-Diretora  | Maria Julia de Oliveira Santos Mestrado Profissional em Arquitetura Paisagística Lucia Maria Sá Antunes Costa (coordenadora) Cristóvão Fernandes Duarte (vice-coordenador)
  • 3.
    Rosa Kilias, Dra. emPaisagismo Urbano e Professora da ProUrb-UFRJ A Revista Scena chega ao número 21 mantendo o privilégio de oferecer a seus leitores a palavra do artista. Na entrevista Eu nunca ensaio, Laura Lima entrelaça tempos e lugares numa conversa franca e intensa, verdadeiro presente para os estudi- osos da arte. Nossos agradecimentos à artista. A estrutura das diversas seções é preservada nesta edição. Todavia, é novo o projeto gráfico, de autoria de Claudia Mendes, anseio da equipe editorial que merece nossas felicitações. A pesquisa realizada por nossos pós-graduados está presente na seção Artigos: o trabalho fotográfico e os lugares em que se cruzam memória e ficção (Luiza Baldan); a palavra-imagem no processo de criação artística contemporânea (Julie Pires); a discussão sobre a função do figurino teatral e suas potencialidades (Desirée Bastos); a obra plural de Calmon Barreto (Gisele Rocha) sinalizam uma latitude de interesses. Inserindo-se no tema “Ficções”, em foco neste número, escrevem dois professores do Programa: Rogério Medeiros aborda as transformações provocadas no cinema francês pelo documentário de Jean Rouch, referência para o cinema brasileiro da década de 1960. No âmbito da história da arte, Ana Cavalcanti reflete sobre o caráter ficcional presente na obra de Eliseu Visconti e nos textos críticos sobre o pintor. Na seção Colaborações, pesquisadores de outras universidades contribuem para o debate. Leila Danziger problematiza a prática dos monumentos e a construção da memória a partir da produção de Jochen Gerz; Tatiana Martins se interessa pela desintegração das linguagens em Robert Smithson; Renata Santini analisa o processo artístico de Carlos Vergara em suas monotipias e deslocamentos. Por fim, Leandro Junqueira tece considerações a respeito da crítica, “modo de ver/ler o mundo”. O Dossiê, que neste número é também Reedição, traz Navilouca, parte da revista lançada em 1972 por Waly Salomão e Torquato Neto. Suas proposições poético-visuais revelam a atitude anticonvencional dos protagonistas da contracultura nos anos 70. E D I TO R I A L
  • 4.
    Amanda Romano OscarCorbella Pablo Benetti Flavio de Oliveira Rosa Kliass Nathalia Barros COL ABORA DORES C O N T R I B U T O R S
  • 5.
    Inclusão Urbana Vila Residencial PabloCesar Benetti6 13 17 22 25 29 42 58 Maquetes para simulação em túnel de vento Oscar Daniel Corbella  Paisagem da Região Serrana Flavio de Oliveira Ferreira    Projeto de Apoio a Favelas Cariocas Sônia Azevedo Le Cocq   Sustentabilidade no Projeto Urbano Gisele Silva Barbosa 4834 Notícias | News Entrevista com Haruyoshi Ono Mobilidade alternativa e tratamento paisagístico Amanda Romano Vilhena   O Passeio Público do Rio de Janeiro Mônica Bahia Schlee Entre máscaras e peles Andressa Carmo Pena SUMMARY S U M Á R I O
  • 6.
    Mobilidade alternativa e tratamentopaisagístico Proposta para o Bairro da Ferradura, Armação dos Búzios Amana Romano Vilhena Fragmentos da dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universi- dade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura Paisagística, sob a orientação da Professora Doutora Rosângela Lunardelli Cavallazzi e co-orientação do Professor Doutor Cristóvão Duarte, Rio de Janeiro, 2014. PROJETO ACADÊMICO 6Revista Scena | Edição 1
  • 7.
    O presente trabalhotem como tema principal a mobi- lidade alternativa em Armação dos Búzios, estado do Rio de Janeiro, com a aplicação do estudo de caso referência no Bairro da Ferradura. A pesquisa apresenta uma proposta de mobilidade alter- nativa para o Bairro da Ferradura, Armação dos Búzios, em que a sua via principal, a Avenida Parque, recebe tratamento paisagístico em termos de adequação para a circulação voltada a pedestres e ciclistas e composição paisagística por meio da arborização do percurso. Medi- ante a produção dos diversos sentidos dos conceitos mobilidade e paisagem, foi possível alcançar o enten- dimento da mobilidade alternativa como meio eficaz de integrar os diferentes modais a uma rede de percursos em que pedestres e ciclistas são os atores principais. A priorização da circulação não motorizada e a criação de espaços de permanência ao longo do percurso estim- ulam a atração das pessoas para as ruas e induzem a apropriação desses espaços, estabelecendo uma relação da mobilidade com a vitalidade urbana. This dissertation focuses on alternative mobility in Armação dos Búzios, in Rio de Janeiro state, with a reference case in Ferra- dura neighborhood. The research presents a proposal for alter- native mobility in which Parque Avenue, Ferradura’s main road, receives landscaping treatment adjusted to pedestrians and bicy- cles and with the inclusion of landscaping composition and tree planting. The produc- tion of different meanings for the concepts mobility and landscape lead to the under- standing of alternative mobility as an effi- cient way to integrate transport vehicles and systems into a resource net and to the crea- tion of conviviality spaces along the road that attract people to the streets and invite them to take hold of these spaces, whereby a relation between mobility and urban vitality is established. O P R O J E TO 7 Revista Scena | Edição 1
  • 8.
    a Avenida Parque,recebe tratamento paisagístico em termos de adequação para a circulação voltada a pedestres e ciclistas e composição paisagística por meio da arborização do percurso. 8Revista Scena | Edição 1
  • 10.
    Mediante a produçãodos diversos sentidos dos conceitos mobilidade e paisagem, foi possível alcançar o entendimento da mobilidade alternativa como meio eficaz de integrar 10Revista Scena | Edição 1
  • 11.
    A priorização dacirculação não motorizada e a criação de espaços de permanência ao longo do percurso estimulam a atração das pessoas para as ruas e induzem a apropriação desses espaços, estabelecendo uma relação da mobili- dade com a vitalidade urbana. Nesse sentido, a conservação da paisagem ur- bana pode ser reforçada pela presença dos próprios usuários que se apropriam dos espaços pelo movimento ou permanência e acabam cri- ando uma relação de transitividade e hospitali- dade com o lugar. Como um ciclo, essa dinâmica contribui para o surgimento de novos serviços voltados ao público, promovendo a interação e a diversidade social nesses espaços. Os pontos principais deste estudo são os es- paços coletivos de circulação e de permanência que conectam o Centro, a Lagoa da Ferradura e a Praia da Ferradura de modo a estimular pas- seios no espelho d’água e nastrilhas do entor- no.. A adequação dos caminhos e trilhas do caso referência tende a reforçar a circulação alter- nativa e o passeio fora das vias de movimento intenso como a Avenida Parque e a Estrada da Usina. Desse modo, a mobilidade alternativa se expande do percurso proposto para os meios de circulação alternativos que a paisagem do entorno oferece, buscando estabelecer uma es- trutura integrada entre os espaços livres de uso coletivo e entre os diferentes modais. The preservation of the urban landscape can be improved by the presence of users who get hold of the spaces where they move about or remain. This dynamic of space appropriation through movement leads to the emergence of new services to the public and pro- motes integration and social diver- sity. The main aspects of the study are collective spaces for circula- tion and permanence that link the center of town, the Ferradura la- goon and Ferradura beach, aiming to promote rides on boats, kayaks and sail boats and strolls along the treks that surround them. 11Revista Scena | Edição 1 Projeto Praça Salgado Filho. Fonte: publicolivreverde.wordpress.com Quinhuangdao Forest Park-II, Hebei, China
  • 12.
    No campo metodológicofoi adotado o caso referência permitindo compreender situações específicas e a demon- stração de adequação das propostas paisagísticas. Na fase de pesquisa em campo foram adotados os métodos de White (1980), onde se observaram os usos, as ativi- dades desenvolvidas, o comportamento e os fluxos dos usuários. Os conceitos adotados por Cullen (1971), como a visão serial, também fizeram parte dessa primeira fase da pesquisa. The methodology adopted the reference case that helps to under- stand specific conditions and to demonstrate the suitability of the landscaping proposals. In the field research phase White’s (1980) methods were adopted to observe uses, activities, behavior and the flux of users. The serial vision, method adopted by Cullen (1971), was also applied to this first phase of the research. 12Revista Scena | Edição 1 Lake Ontario Park, Canada Mimosa Bimucronata (maricá) na Ferradura
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    25Revista Scena |Edição 1 Haruyoshi Ono Entrevista com um dos mais importantes arquitetos paisagistas em atuação no Brasil Fragmentos da entrevista com Haruyoshi Ono, um dos mais importantes arquitetos paisag- istas em atuação no Brasil. Não obstante esta constatação, trata-se de um paisagista que, dentre outras tantas características marcantes da sua personalidade, foi o mais importante e constante discípulo de Roberto Burle Marx, com quem trabalhou de 1965 até 1994, ano em que faleceu o grande mestre ENTREVISTA
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    Haruyoshi Ono éhoje um dos mais importantes arquitetos paisagistas em atuação no Brasil. Não obstante esta constatação, trata-se de um paisagista que, dentre outras tantas características marcantes da sua personali- dade, foi o mais importante e constante discípulo de Rob- erto Burle Marx, com quem trabalhou de 1965 até 1994, ano em que faleceu o grande mestre. Durante três déca- das Haru, como é carinhosamente chamado pelos mais próximos, foi o principal e mais próximo interlocutor e colaborador de Roberto Burle Marx em diversos projetos paisagísticos no Brasil e no exterior. Após a morte de Burle Marx (em 1994), Haru não só passou a comandar o escritório, com diversas decisões de natureza empre- sarial a serem tomadas, como também teve que lidar, cotidianamente, com o legado deste renomado artista que foi Burle Marx. Durante cerca de três horas de boa conversa, realiza- da no seu escritório no Bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro, Haru foi, aos poucos, revelando aspectos preci- osos da sua formação e também da sua personalidade bastante peculiar que, nitidamente, revela ao interlocutor muitas características da cultura japonesa, da qual fazia parte seus antepassados. De forma muito tranquila e sem nenhuma afetação, vai- dade ou pedantismo Haruyoshi Ono fala de seu trabalho que considera, de alguma forma, inserido num processo de continuidade do que já vinha fazendo nos muitos anos em que colaborou com Burle Marx. Para o leitor interessado nas metodologias e nos proces- sos de elaboração dos projetos de paisagismo, a entre- vista abaixo é reveladora pois, ao mesmo tempo em que fala de “conceitos”, “programas” e “técnicas”, o nosso entrevistado também menciona aspectos ditos “qualita- tivos” do espaço que será objeto de suas intervenções. Em um dos muitos pontos altos desta sua entrevista, chamamos atenção para quando ele assim nos fala da sua relação com a vegetação: “São elementos vivos que são indispensáveis à minha pessoa, ao meu trabalho. Então, são coisas indispensáveis para mim, que tanto esses elementos (os vegetais) me usam, como eu os uso também. Os elementos me usam e me fazem trabalhar para eles, criando as plantas, tratan- do bem delas, aguando, podando, essas coisas. Isso elas estão me usando e aí a gente as usa também. O retorno disso aí, dessa relação, é a beleza que elas te dão, vis- ualmente, tocando no nosso sentimento”. Ao leitor agora caberá a tarefa de apreciar esta entrevis- ta com o arquiteto paisagista Haruyoshi Ono. Durante cerca de três horas de boa conversa, realizada no seu escritório no Bairro de Laran- jeiras no Rio de Janeiro, Haru foi, aos poucos, revelando aspectos preciosos da sua formação e também da sua personalidade bastante peculiar que, nitidamente, revela ao interlocutor muitas características da cultura japonesa, da qual fazia parte seus antepassados. De forma muito tranquila e sem nenhuma afe- tação, vaidade ou pedantismo Haruyoshi Ono fala de seu trabalho que considera, de alguma forma, inserido num processo de continuidade do que já vinha fazendo nos muitos anos em que colaborou com Burle Marx. Para o leitor interessado nas metodologias e nos processos de elaboração dos projetos de pais- agismo, a entrevista abaixo é reveladora pois, ao mesmo tempo em que fala de “conceitos”, “programas” e “técnicas”, o nosso entrevistado também menciona aspectos ditos “qualitativos” do espaço que será objeto de suas intervenções. Em um dos muitos pontos altos desta sua entre- vista, chamamos atenção para quando ele assim nos fala da sua relação com a vegetação: “São elementos vivos que são indispensáveis à minha pessoa, ao meu trabalho. Então, são coi- sas indispensáveis para mim, que tanto esses 26Revista Scena | Edição 1
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    São elementos vivosque são indispensáveis à minha pessoa, ao meu trabalho. Então, são coisas indis- pensáveis para mim, que tanto esses elementos (os vegetais) me usam, como eu os uso também. Antônio Agenor Barbosa e Stella Rodriguez: O senhor poderia nos falar como foi a sua formação, tanto no âmbito acadêmico e também profissional, como ar- quiteto e, particularmente, como paisagista? Haruyoshi Ono: Fiz o ginásio e o científico no Colégio Cruzeiro. Depois fiz vestib- ular para a Faculdade Nacional de Arquitetura, na época Universidade do Brasil, em 1964, e em 1968 me formei como arquiteto. Esta é, portanto, minha formação acadêmica. Enquanto eu ainda cursava arquitetura, tive contato com o professor Antônio Leitão, que era o nosso professor de desenho artístico, e fiz parte do seu es- critório de arquitetura. Mais tarde ingressei no ateliê de Roberto Burle Marx como estagiário, em 1965, e de estagiário passei para desenhista dentro do escritório. Ao me formar arquiteto fui chamado para ser sócio da empresa. E continuei até a morte de Roberto, em 1994. Portanto, fui sócio do escritório Burle Marx & Cia. Ltda. de 1968 até 1994, e, desde então, dirijo a empresa. AAB / SR: O senhor é nascido no Rio? HO: Nasci no Rio de Janeiro, no bairro do Rio Comprido, em 1943. AAB / SR: E a sua opção pelo Paisagismo se deu basicamente pelo encontro com o Burle Marx? HO: Sim, basicamente foi. Mas eu sempre tive interesse por vegetação ainda em minha infância. A minha mãe, por exemplo, gostava muito de plantas também e Antônio Agenor Barbosa e Stella Rodriguez: O senhor poderia nos falar como foi a sua formação, tanto no âmbito acadêmico e também profissional, como arquiteto e, particularmente, como paisagista? Haruyoshi Ono: Fiz o ginásio e o científico no Colégio Cruzeiro. Depois fiz ves- tibular para a Faculdade Nacional de Arquitetura, na época Universidade do Brasil, em 1964, e em 1968 me formei como arquiteto. Esta é, portanto, minha formação acadêmica. Enquanto eu ainda cursava arquitetura, tive contato com o professor Antônio Leitão, que era o nosso professor de desenho artístico, e fiz parte do seu es- critório de arquitetura. Mais tarde ingressei no ateliê de Roberto Burle Marx como estagiário, em 1965, e de estagiário passei para desenhista dentro do escritório. Ao me formar arquiteto fui chamado para ser sócio da empresa. E continuei até a morte de Roberto, em 1994. Portanto, fui sócio do escritório Burle Marx & Cia. Ltda. de 1968 até 1994, e, desde então, dirijo a empresa. AAB / SR: O senhor é nascido no Rio? HO: Nasci no Rio de Janeiro, no bairro do Rio Comprido, em 1943. AAB / SR: E a sua opção pelo Paisagismo se deu basicamente pelo encontro com o Burle Marx? HO: Sim, basicamente foi. Mas eu sempre tive interesse por vegetação ainda em minha infância. A minha mãe, por exemplo, gostava muito de plantas também e nós tínhamos um pequeno quintal em casa. Minha mãe era japonesa e o inter- esse dela por plantas não tinha origem e nem relação direta com paisagismo ou jardins orientais. Apenas ela gostava de conviver e tratar das plantas, e com isso aprendi muita coisa com ela. Esse foi meu primeiro encontro com a vege- tação. Mais tarde, lógico, com o Burle Marx fui aprendendo praticamente quase tudo que eu sei até hoje. 27Revista Scena | Edição 1
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    AAB / SR:Que tipo de plantas sua mãe cultivava? HO: Eram na sua maioria plantas anuais e ex- óticas. Tinham dálias de diversas florações, mui- tos crisântemos, algumas árvores, e cravinhos e violetas. Ela apreciava muito essas plantas por causa da floração e do cheiro. As azaléias eram especiais para ela. E no meio de tudo isto as buganvílias se destacavam por suas belas flo- rações. Como o nosso quintal era pequeno, eram as árvores da vizinhança que me impressiona- vam muito. AAB / SR: Então sua infância aconteceu em um espaço que tinha um jardim? HO: Sim. Num pequeno espaço nosso, particu- lar, “o quintal”, que a gente chamava de jar- dim. E tinham ainda os arredores, as ruas bem arborizadas. Mas isto já não era mais no Rio Comprido, bairro onde nasci, e sim em Senador Camará, para onde me mudei aos seis anos de idade quando saímos do centro da cidade e fo- mos para a zona rural. E foi em Senador Camará que passei minha infância e onde nós moramos por muito tempo. Lá era bom porque era cerca- do de mata, tinha um rio atrás, um rio pequeno que as pessoas se banhavam. Havia ainda bois e vacas perto da casa, pastando. AAB / SR: E a sua infância foi ali, nesse ambi- ente... O senhor tem irmãos? HO: Minha infância foi no meio de jamelões, man- gas, laranjas. Tenho dois irmãos. Um mais velho e outro mais novo. Nós três apreciávamos muito essa vida na zona rural. Nas horas de lazer tinham os jogos de bola – boa época, não é? – pipas, pião, aquelas brincadeiras de ruas, bandeirinhas etc. Eu ainda me recordo bem. AAB / SR: Então, a experiência com a natureza e o contato com as plantas estavam ali bem próximas de vocês. E o teu pai? HO: Hoje penso que o mais importante não era esse contato com a vegetação, mas sim de um modo geral o contato com a terra. Meu pai era comerciante, e em função disso, por causa do seu trabalho, fomos morar em Senador Camará. Eu saí de lá com 16 ou 17 anos, mais ou menos. Eu comecei a estudar no Centro do Rio de Janei- ro, em 1950, no Colégio Cruzeiro. No meio do ano letivo nos mudamos e fiquei sem estudar alguns meses por falta de vaga na escola. No ano seguin- te fui matriculado numa escola particular chamada Colégio São José. Era uma turma muito engraça- da porque tinham alunos desde o curso primário o ginasial. Havia aulas de inglês junto com por- tuguês, francês, e a crianças pequenas no meio, numa sala ampla dividida em grupos.bDepois fui para uma escola pública onde fiquei até o curso de admissão. Prestei uma espécie de concurso. AAB / SR: E a sua infância foi ali, nesse ambiente... O senhor tem irmãos? HO: Minha infância foi no meio de jamelões, mangas, laranjas. Tenho dois irmãos. Um mais velho e outro mais novo. Nós três apreciávamos muito essa vida na zona rural. Nas horas de lazer tinham os jogos de bola – boa época, não é? – pipas, pião, aquelas brincadeiras de ruas, bandeirinhas etc. Eu ainda me recordo bem. AAB / SR: Então, a experiência com a natureza e o contato com as plantas estavam ali bem próximas de vocês. E o teu pai? HO: Hoje penso que o mais importante não era esse contato com a vege- tação, mas sim de um modo geral o contato com a terra. Meu pai era comerciante, e em função disso, por causa do seu trabalho, fomos morar em Senador Camará. Colégio Cruzeiro. No meio do ano letivo nos mudamos e fiquei sem estudar alguns meses por falta de vaga na escola. No ano seguinte fui matriculado numa escola particular chamada Colégio São José. Era uma turma muito engraçada porque tinham alunos desde o curso primário o ginasial. 28Revista Scena | Edição 1
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    O Passeio Públicodo Rio de Janeiro Mônica Bahia Schlee Resenha da revista:
LEITURAS PAISAGÍSTICAS: TEORIA E PRÁXIS. Volume 1: (Re)construindo a paisagem do Passeio Público: historiografia e práticas projetuais. 
Rio de Janeiro, EBA/UFRJ, 2006. ISSN 1808-0540 34Revista Scena | Edição 1 ARTIGO
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    A revista LeiturasPaisagísticas: Teoria e Práxis, lançada em abril de 2006 pelo Grupo de Pesquisa em História do Paisagismo da Escola de Belas Artes da Universidade do Rio de Janeiro, traz propostas instigantes a todos que se interessam pelos estudos da paisagem: estimular discussões teóricas e metodológicas sobre as diferentes formas de atuação na paisagem e difundir estudos sobre a transformação, salvaguarda e recuperação dos espaços livres públicos. E, dessa maneira, se propõe a colaborar na construção de um conteúdo crítico sobre a produção paisagística brasileira. O primeiro volume da revista dedica-se a registrar e discutir questões relevantes que emergiram das apresentações do Seminário (Re)construindo a pais- agem do Passeio Público: historiografia e práticas projetuais e dos debates que a elas se seguiram. Este seminário, também promovido pelo Grupo de Pesquisa em História do Paisagismo EBA/UFRJ, foi realizado em 2004 na sede carioca do Insti- tuto dos Arquitetos do Brasil e teve como objetivo discutir conceitos, metodologias e resultados de uma abrangente intervenção no Passeio Público do Rio de Janeiro, realizada pela Prefeitura da Cidade entre 2001 e 2004, através da Fundação Parques e Jardins, que recuperou o traçado, parte da vege- tação e dos monumentos do jardim, alterados por diversas reformas ao longo do século XX. The magazine Readings landscape: Theory and Praxis, released in April 2006 by the Research Group on History of Landscape Architecture School of Fine Arts, University of Rio de Janeiro, brings exciting proposals to all who are interested in the land- scape studies: stimulate theoretical discussions and methodo- logical about the different ways of working in the landscape and disseminate studies on the processing, preservation and recovery of public open spaces. And in this way, it is proposed to collaborate in building a critical content on the Brazilian land- scape production. The first volume of the journal is dedicated to record and discuss relevant issues that emerged from the seminar presentations (Re) constructing the landscape of Public Promenade: historiography and projective practices and debates that they followed. This seminar also promoted by the Research Group on History of Landscape EBA / UFRJ, was held in 2004 in Rio de Janeiro head- quarters of Brazil’s Institute of Architects and aimed to discuss concepts, methodologies and results of a comprehensive inter- vention in the Public Garden of Rio de January, conducted by the City Council from 2001 to 2004, through the Parks and Gardens Foundation, which recovered the track, part of vegetation and garden monuments, amended several reforms during the twen- tieth century. First public space intentionally designed to be part of urban planning in the city, the Public Garden was designed by Mestre Valentim in 1783. Until then the city, which still had main func- tions control of the territory and the extractive commodity trade, turned-to inside, as a single port having access door. The construction of a “garden-gazebo” was configured as a major innovation at the time, to highlight the landscape features of Guanabara Bay and take advantage of them for the formation of an “urban identity” Rio. In 1862, the landscape composition of the garden, structured from a straight boulevards system, was Primeiro espaço livre público intencionalmente conce- bido para inserir-se urbanisticamente na cidade, o Passeio Público foi projetado por Mestre Valentim em 1783. Até então a cidade, que ainda mantinha como funções principais o controle do território e o comércio mercantil extrativista, voltava-se para dentro, tendo o porto como única porta de acesso. A construção de um “jardim-mirante” configurou-se como uma grande inovação na época, ao ressaltar os atributos pais- agísticos da Baía da Guanabara e deles tirar partido para a formação de uma “identidade urbana” carioca. Em 1862, a composição paisagística do jardim, estru- turada a partir de um sistema de alamedas retilíneas, foi profundamente modificada por Auguste Marie François Glaziou. Devido à importância do Passeio Público do Rio de Janeiro como obra paisagística e urbanística emblemática em mais de um momento da evolução urbana carioca, o seminário foi estruturado em duas sessões: historio- grafia e práticas projetuais. A mesma organização foi adotada neste primeiro volume da revista. A primeira delas, intitulada Historiografia e apresentada pela professora Virgínia Vasconcellos, reuniu três estudos sobre a evolução histórica do Passeio Público: o jardim no século XVIII, sob o olhar de Cláudio Taulois; o Passeio Público de Glaziou, de autoria de Carlos Terra; e o Passeio Público no século XX, a cargo de Jane Santucci. Primeiro espaço livre público intencionalmente concebido para inserir-se urbanisticamente na cidade, o Passeio Público foi projetado por Mestre Valentim em 1783. 35Revista Scena | Edição 1
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    36Revista Scena |Edição 1 Because of the importance of the Public Promenade in Rio de Janeiro as landscape and urban emblematic work in more than one moment of Rio’s urban evolution, the seminar was divided into two sessions: historiography and projective practices. The same organization was adopted in this first volume of the journal. The first, entitled Historiography and presented by Professor Virginia Vasconcellos, met three stud- ies on the historical evolution of the Public Garden: The garden in the eighteenth century, under the eye of Claudio Taulois; Public Ride Glaziou, authored by Carlos earth; and the Public Garden in the twentieth century, in charge of Jane Santucci. The public garden was part of the site as a “logical sequence trace settings from the city and the existing landscape,” according to this author. It is good to remember that this project expressed the Enlightenment ideology, which reached the colony through its administrative aristocracy in the wake of European cultural expansion. In relation to the local environment, this urban operation, which included the landfill already then completely polluted pond Boqueirão was strategic to san- itize and provide infrastructure (especially access to water, distributed in fountains and projected sources) for the urban area it was intended to consolidate. And maybe it was even decisive for sedimentary this vector expansion towards the south. Land funds, previously focused on the la- goon, facades were converted into valued unveiled to a public space for the landscape contempla- tion of Guanabara Bay, as noted Taulois. Professor Carlos Earth investigated the landscape design developed by Glaziou, highlighting the intense transformation that this promoted the formal organization and unique point of view that characterized Valentine Master garden, replaced by the possibility of several targeted plans, artic- ulated through winding paths that lead to a gradual reading of the landscape, and even enables the experience of interdependent compositions which can be considered in isolation. However, as noted architect Jeanne Trinity in his article, citing study Naylor Villas Boas (1), the Glaziou project respected the basic articulation of space proposed by Mestre Valentim to maintain O jardim público inseriu-se no sítio como uma “seqüência lógica de definições de traçado a partir da cidade e da paisagem existente”, segundo este autor. É bom lembrar também que este projeto expressava a ideologia iluminista, que chegava à colônia através de sua aristocracia administrativa, na esteira da expansão cultural européia. Em relação à conjuntura local, esta operação urbana, que compreendeu o aterro da já então completamente poluída Lagoa do Boqueirão, foi estratégica para higienizar e prover infra-estrutura (prin- cipalmente o acesso à água, distribuída nos chafarizes e fontes projetados) para a área urbana que se pretendia consolidar. E talvez tenha sido mesmo decisiva para sedimentar este vetor de expansão em direção à zona sul. Os fundos de terrenos, anteriormente voltados para a lagoa, foram convertidos em valorizadas fachadas descortinadas para um espaço público destinado à contemplação da paisagem da Baía da Guanabara, como observou Taulois. O professor Carlos Terra investigou a concepção paisagística elaborada por Glaziou, destacando a intensa transformação que este promoveu na organ- ização formal e no ponto de vista único que caracterizavam o jardim de Me- stre Valentim, substituídos pela possibilidade de planos de visada diversos, articulados entre si através de caminhos sinuosos que induzem a uma leitura gradual da paisagem, e mesmo possibilitam o vivenciar de composições in- terdependentes que podem ser apreciadas isoladamente. No entanto, como lembrou a arquiteta Jeanne Trindade em seu artigo, citando estudo de Naylor Villas Boas (1), o projeto de Glaziou respeitou a articulação básica do espaço proposta por Mestre Valentim ao manter a continuidade entre os principais elementos de composição anteriores – portão-jardim- fonte-terraço-mar – que conduzem o observador até a paisagem da baía. É oportuno lembrar também que, mesmo tendo incorporado a estrutura e o uso de elementos do jardim pictórico inglês, adotados na época pelos países europeus, como assinalou Terra, Glaziou se apropria e valoriza a imagem da floresta dentro da cidade, ainda que idealizada e traduzida pelo uso preponderante de espécies exóticas. O elemento vegetal, anteriormente organizado de modo uniforme ao longo das alamedas retilíneas, passa a ser protagonista na composição da paisagem do jardim. Glaziou se apropria e valoriza a imagem da floresta dentro da cidade, ainda que idealizada e traduzida pelo uso preponderante de espécies exóticas.
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    37Revista Scena |Edição 1 Esta concepção foi encampada pela aristocracia local que incentivou a reprodução desta linha compositiva em outros espaços livres construídos ou reformados entre as décadas de 1860 e 1880, com a intenção de construir uma nova identidade para a capital do império, expressar novamente no espaço público seu anseio de con- temporaneidade e estimular a noção de civilidade na sociedade carioca, utilizando como símbolo o elemento natural. Embora admirada e empregada como modelo estético para os desenhos paisagísticos implantados nesta época na cidade, a rep- resentação da floresta, que era aspirada dentro dos limites urbanos, não provinha da natureza tropical local, antes derivava-se de uma visão romântica de natureza, baseada em uma estética de inspiração inglesa (2). Carlos Terra e Jane Santucci levantaram algumas questões que vale a pena exami- nar mais detidamente. Segundo estes pesquisadores, períodos de uso e abandono constituíram uma dinâmica que perpassou toda a existência do Passeio Público do Rio de Janeiro. No entanto, os autores também nos mostram que este jardim público, desde sua inauguração no século XVIII, sempre esteve associado a um lugar de lazer e recreio, ao menos para alguns estratos da sociedade, como também mencionou Taulois. Ao fim do século XIX, o uso destinado à recreação se intensifica com a instalação em seu interior de cafés (que já faziam parte da composição de Glaziou) e bares, como o Chopp Berrante do Passeio, um aquário marinho e, até mesmo, sessões de cinema ao ar livre, “à sombra do arvoredo, ... em lo calização privilegiada pelo panorama e pela brisa marinha”, como observou Santucci. Ao reconstituir a localização e a am- biência da época de funcionamento de alguns equipamentos instalados no Passeio entre 1900 a 1937 (os já citados Chopp Berrante, o aquário marinho, e também o Teatro-Cassino e o Cassino BeiraMar), a autora indica que estes funcionavam como atrativos para a população carioca, aumentando a freqüência ao local. Santucci mostra, com apoio de interessante material iconográfico e da pesquisa ar- queológica, como as modificações radicais ao longo do século XX no suporte físico ambiental no qual se insere o Passeio Público – os três aterros que o distanciaram gradativamente da orla da baía (1903, 1920-1922 e 1952-1960) e os desmontes dos morros que os possibilitaram – alteraram sua função principal de um parque público voltado à contemplação da paisagem It should also remember that even having built the structure and the use of English pictorial garden elements, adopted at the time by Eu- ropean countries, as pointed Earth, Glaziou appropriates and values the forest image within the city, although idealized and translated the predominant use of exotic species. The vegetable element, previously arranged uniformly along the straight boulevards, becomes protago- nist in the garden landscape composition. This concept was taken over by the local aristocracy who encour- aged the reproduction of this compositional line in other open spaces built or renovated between the 1860s and 1880s, with the intention of building a new identity for the capital of the empire, again express his longing in the public space of contemporary and stimulate the notion of civility in Rio society, using as a symbol natural element. Although admired and used as an aesthetic model for landscape drawings de- ployed at this time in the city, the representation of the forest, which was drawn within the city limits, did not come from the local tropical nature, before it derived from a romantic view of nature, based on an English-inspired aesthetic (2). Carlos Earth and Jane Santucci raised some issues worth examining more closely. According to these researchers, use and abandonment periods constituted a dynamic that pervaded the existence of the Pub- lic Promenade in Rio de Janeiro. However, the authors also show us that this public garden, since it opened in the eighteenth century, has always been associated with a place of leisure and recreation, at least for some segments of society, as also mentioned Taulois. At the end of the nineteenth century, the use for the recreation inten- sifies the installation inside cafes (which were already part of Glaziou composition) and bars, as Chopp Horn Ride, a marine aquarium and even sessions outdoor cinema, “the shadow of the trees, it ... in prime calisation the panorama and the sea breeze”, as noted Santucci. To re- construct the location and the ambience of the working time of some equipment installed in the Walk between 1900-1937 (the aforemen-
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    38Revista Scena |Edição 1 Deslumbrante da Baía da Guanabara. Esta nova situação, associada à reti- rada dos equipamentos no interior do jardim e à mudança nos hábitos de lazer do carioca, que elegeu a praia como sua principal área de recreação e descanso, acabou por afastar a população e propiciar um gradual processo de degradação do local. Além de chamar atenção para a importância do uso na manutenção da vi- talidade de um espaço livre público, estes três pesquisadores demonstraram como os diversos momentos do passado e o presente se fundiram neste espaço, imprimindo marcas que resultaram em uma paisagem-palimpsesto, como salientou Santucci (3). Estes são aspectos importantes que devem ser levados em consideração para orientar futuras obras de restauração e revitalização de espaços livres públicos. Rubens de Andrade, paisagista e pesquisador que atuou como debatedor na primeira sessão do seminário e que também assina artigo neste volume, in- staurou o debate ao interrogar o leitor sobre o processo de interação entre a sociedade e a paisagem e seu rebatimento nas ações e políticas de res- tauração dos jardins históricos e sítios paisagísticos no Brasil praticadas até o presente. O processo de restauração do Passeio Público do Rio de Janeiro tem o mérito de iniciativa pioneira, devido aos procedimentos metodológicos que adotou, e é um passo importante para a preservação dos jardins históricos brasileiros. Sua descrição encontra-se bem documentada na segunda seção da revista, intitulada Práticas Projetuais, aberta pela arquiteta-paisagista Flávia Braga, onde são apresentadas as abordagens metodológicas que embasaram todo o processo, entre 2001 (data do início do projeto) a 2004 (término das obras). Santucci shows, with the support of interesting iconographic and archaeological research mate- rial, as the radical changes throughout the twentieth century in environmental hardware which incorporates the Public Garden - the three landfills that gradually distanced Bay waterfront (1903, 1920 -1922 and 1952-1960) and takedowns of the hills which enabled them - changed its main function of a public park facing the countryside of contemplation beautiful Guanabara Bay. This new situation, coupled with the withdrawal of the equipment inside the garden and the change in the Rio leisure habits, which elected the beach as the main area of recreation and rest, eventually depart the population and provide a gradual local degradation process . In addition to calling attention to the importance of using in maintaining the vitality of a public space, these three researchers demonstrated how the various moments of the past and the present merged in this space, printing brands which resulted in a landscape-palimpsest, as pointed Santucci (3). These are important aspects that must be considered to guide future works of restoration and revitalization of public open spaces. Rubens de Andrade, landscape and researcher who served as discussant in the first session of the seminar and also signs an article in this volume, brought the debate to question the reader about the process of interaction between society and the landscape and its repercussion in the actions and policies of restoration of historic gardens and landscaped sites in Brazil practiced to the present. The Public Garden of the restoration process of Rio de Janeiro has the merit of pioneering initi- ative, due to methodological procedures adopted, and is an important step for the preservation of Brazilian historical gardens. His description is well documented in the second section of the magazine entitled projective Practices, opened by the architect-landscaper Flavia Braga, where the methodological approaches that supported the whole process from 2001 (date of com- mencement of the project) to 2004 (end are presented of works), by the team of professionals and researchers Port Nelson Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de Oliveira and Jeanne Trinity. Here, too, were raised some points that prompt reflection. Early on, Nelson Ribeiro Port informs that the orientation that guided the restoration project, de- fined by a cross-disciplinary group that included architects, landscape architects and historians members of the Foundation’s teams Alteraram sua função principal de um parque público voltado à contemplação da paisagem deslumbrante da Baía da Guanabara
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    39Revista Scena |Edição 1 Pela equipe de profissionais e pesquisadores Nelson Porto Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de Oliveira e Jeanne Trindade. Também aqui, foram levantados alguns pontos que instigam a reflexão. Logo de início, Nelson Porto Ribeiro informa que a orien- tação que norteou o projeto de restauro, definida por um grupo transdisciplinar que incluiu arquitetos, paisagistas e historiadores integrantes das equipes da Fundação Par- ques e Jardins, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Ópera Prima Arquitetura e Restauro, empre- sa contratada para desenvolver o projeto e executar as obras, foi a de privilegiar, como referência, o projeto de Glaziou, uma vez que a quase totalidade da composição paisagística proposta por Mestre Valentim havia se per- dido, e mesmo alguns elementos introduzidos posterior- mente e destruídos pelas reformas implantadas ao longo do século XX não deveriam ser reproduzidos, sob pena de constituir-se como “falso histórico”. É digna de nota a reconstituição de vestígios e fragmentos importantes dos diversos momentos de transformação do Passeio Público carioca, postos à luz pela pesquisa ar- queológica, elaborada em atendimento aos decretos mu- nicipais nº 22.872 e 22.873, de 07 de maio de 2003. O processo de elaboração desta pesquisa, embasado pelas diretrizes e procedimentos indicados nas cartas patrimoni- ais e na teoria de restauro de jardins históricos (4) e bem documentado pela arqueóloga Jackeline Macedo em seu artigo, evidenciou a superposição de dois projetos de jar- dim (um de autoria de Mestre Valentim, o outro de Glaziou) e a localização exata das intervenções posteriores que, em alguns casos, chegaram mesmo a perturbar a integ- ridade de ambos os projetos. As descobertas, no entanto, não foram descortinadas ao público na sua totalidade. By the team of professionals and researchers Port Nelson Ribeiro, Jackeline Macedo, Vera Dias de Oliveira and Jeanne Trinity. Here, too, were raised some points that prompt reflection. Early on, Nelson Ribeiro Port informs that the orien- tation that guided the restoration project, defined by a cross-disciplinary group that included archi- tects, landscape architects and historians mem- bers of the teams Parks and Gardens Foundation, the Heritage Institute for National Artistic and Op- era Prima Architecture and Restoration, a compa- ny contracted to develop the project and run the works, was to focus, as a reference, the Glaziou project, since almost the entire landscape compo- sition proposed by Mestre Valentim was lost, and even some elements subsequently released and destroyed by the reforms implemented during the twentieth century should not be played, so as not to constitute itself as “false history”. It is worthy of note reconstitution of remains and important fragments of the various moments of transformation of Rio’s Public Garden, made light by archaeological research, drawn up in compli- ance with local ordinances No. 22 872 and 22 873 of 07 May 2003. The drafting process this research, based the guidelines and procedures in the property cards and historical gardens restora- tion theory (4) and well documented by archaeol- ogist Jackeline Macedo in his article, showed the superposition of two garden projects (a Valentine Master of authorship, the other of Glaziou) and the exact location of subsequent operations which in some cases have even disrupt the integrity of A seguir, Vera Dias de Oliveira descreveu os proced- imentos metodológicos e técnicos utilizados nas fases de diagnóstico e restauro dos monumentos, esculturas, pontes, guarda-corpos e parte da infra-estrutura do Pas- seio Público, com o apoio de imagens que mostraram diversas etapas deste processo. Jeanne Trindade apresentou a metodologia adotada na restauração dos elementos vegetais do Passeio Público e os critérios que orientaram sua reconstituição. Segundo a arquiteta e pesquisadora, o plano de manejo para a vegetação teve como diretrizes a definição dos elemen- tos essenciais e o resgate formal do conceito paisagísti- co empregado no projeto desenvolvido por Glaziou, bus- cando valorizar a imagem simbólica que este espaço transmite à sociedade através dos contrastes de formas, volumes, texturas e tons, da alternância entre cheios e vazios, e entre luz e sombra, que propiciam a surpresa, o movimento, a expectativa e o mistério dos projetos paisagísticos com influência romântica. Trindade apresentou as várias fases deste processo de reconstituição, que incluiu inventário florístico, visita a outros espaços livres desenhados por Glaziou, resgate de documentos históricos primários e mapeamento da situação atual de insolação e sombreamento, esclare- cendo também que o plantio especificado ainda não foi finalizado devido à insuficiência de recursos destinados a esta etapa da obra. As questões citadas pelos paisagistas e pesquisadores que atuaram como moderadores e debatedores no seminário e que assinam artigos neste volume convid- am ao aprofundamento das discussões nas próximas edições da revista.
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    40Revista Scena |Edição 1 Flávia Braga mencionou um ponto-chave na discussão. Outra questão importante, também apontada por Edu- ardo Barra, debatedor na segunda sessão do seminário, é a da adequação e escala da sinalização, iluminação e mobiliários contemporâneos propostos, sua inserção e interferência nos jardins históricos. Barra, em seu artigo, fez outra consideração sobre a qual seriam bem-vindas informações adicionais: os efei- tos ambientais das obras executadas no subsolo da área de entorno do Passeio ao longo das últimas décadas e suas implicações nas condições do solo, lençol freático e, conseqüentemente, na drenagem e nas condições da vegetação dentro dos limites do parque. Ao final, Leonar- do Ladeira Mota oferece um breve relato do processo de restauração do Passeio Público e sumariza as palestras que deram origem aos artigos que compõem este vol- ume. As informações teóricas e técnicas apresentadas, o de- talhamento das análises dos planos urbanísticos e pais- agísticos e das intervenções arquitetônicas que se re- alizaram em momentos históricos diversos, o registro iconográfico do processo de recuper- ação dos elementos essenciais, dos vestígios en- contrados e o registro fotográfico do momento seguinte à reconstrução já valem a leitura deste primeiro número da revista Leituras paisagísticas: Teoria e práxis. O panorama de abordagens referentes ao tema da restauração de jardins históricos divulgados nesta edição oferece embasamento teórico e téc- nico para futuros estudos neste campo disciplinar e extrapola mesmo esta temática, ao desvendar detalhes sobre as transformações paisagísticas decorrentes dos planos urbanísticos operadas pelo poder público nesta área da cidade. Amparados pelas contribuições de Santucci, Ter- ra e Taulois, os leitores poderão também refletir sobre as formas de incentivar o uso de espaços livres públicos com caráter histórico com vistas a estancar seu processo de abandono e manter sua vitalidade no espaço urbano contemporâneo, tornando-os algo mais que museus-sítios arque- ológico a céu aberto. E, por fim, instigados por Eduardo Barra, opinar sobre o papel do arquite- to-paisagista no processo de restauro de espaços livres públicos com caráter histórico e da inte- gração efetiva de campos disciplinares diversos nesta forma de atuar e reabilitar paisagens. Then Vera Dias de Oliveira described the methodo- logical and technical procedures used in the stages of diagnosis and restoration of monuments, sculp- tures, bridges, railings and part of the Public Prom- enade in infrastructure, with the support of images showing each stage of process. Jeanne Trinity presented the methodology used in the restoration of plant elements of the Public Gar- den and the criteria that guided its reconstitution. According to the architect and researcher, the man- agement plan for vegetation had as guidelines to define the essential elements and the formal sur- render of the landscape concept employed in the project developed by Glaziou, seeking to value the symbolic image that this space conveys to socie- ty through contrasts shapes, volumes, textures and tones, the alternation between full and empty, and between light and shadow, which provide the sur- prise, the movement, the expectation and the mys- tery of landscape projects with romantic influence. Trinity presented the various stages of this process of reconstitution, which included floristic survey, visit other open spaces designed by Glaziou, res- cue primary historical documents and mapping the current situation of sunshine and shade, also stating that the specified planting has not yet been finalized due to insufficient resources for this stage of the project. The issues cited by landscapers and researchers who acted as moderators and panelists at the seminar and signing articles in this volume invite deepening of discussions in the next editions of the magazine. Outra questão importante [...] é a da adequação e escala da sinalização, iluminação e mobiliários contemporâneos propostos, sua inserção e inter- ferência nos jardins históricos.
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    41Revista Scena |Edição 1 The iconographic record of the recovery process of the essential elements, the remains found and photographic recording of the next moment the reconstruction are worth reading this first issue of landscape Readings: Theory and practice. The panorama of approaches on the subject of the restoration of historic gardens released this edition offers theoretical and technical basis for future studies in this subject area and even goes beyond this theme, to unveil details about the landscape changes resulting from urban plans op- erated by the government in this area city. Supported by contributions from Santucci, Earth and Taulois, readers may also reflect on ways to encourage the use of public open spaces with his- torical character in order to stop its abandonment process and maintain its vitality in the contempo- rary urban space, making them something more than archaeological sites, museums in the open. Finally, instigated by Eduardo Bar, opinion on the role of the architect-landscaper in the restora- tion process of public open spaces with historic character and the effective integration of various disciplines in this way of acting and rehabilitate landscapes. 
Notas 1
VILLAS BOAS, Naylor Barbosa. O Passeio Público do Rio de Janeiro: análise histórica através da per- cepção do espaço. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: PRO-ARQ/FAU. 2000. 2
Ver também CRANDELL, Gina. Nature pictorialized: the view in landscape history. Baltimore: The Johns Hopkins University Press. 1993; SEGAWA, Hugo. Ao amor do público: jardins no Brasil . São Paulo: Nobel. 1996 e SCHLEE, Mônica Bahia. Cultural Perceptions of Nature and Urban Landscape Changes: The Case Study of Rio de Janeiro, Brazil. Presented in the CELA CONFERENCE/ COUNCIL OF EDUCATION OF LAND- SCAPE ARCHITECTURE. Guelph, Ontario: University of Guelph. 2000. 3
HARVEY, David. 1990. "Between Space and Time: Reflections on the Geographical Imagination." Annals of the Association of American Geographers 80: 418-34 e SCHLEE, Mônica Bahia. Cenografia Urbana e Qualidade Ambiental na Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado. São Paulo: FAU/USP. 1999. 4
NAJJAR, Rosana (org). Manual de Arqueologia Histórica do IPHAN. Brasília: IPHAN/ 6ª Superintendência Regional. 2002. Mônica Bahia Schlee é paisagista e urbanista da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e professora do Departamento de Urbanismo da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense Notes 1VILLAS GOOD, Naylor Barbosa. The Public Promenade in Rio de Janeiro: historical analysis through the perception of space. Master’s Thesis. Rio de Janeiro: PRO-ARQ / FAU. 2000. 2View also Crandell, Gina. Nature pictorialized: the view in landscape history. Baltimore: The Johns Hopkins University Press. 1993; SEGAWA, Hugo. Public love: gardens in Brazil. Sao Paulo: Nobel. 1996 and Schlee, Monica Bahia. Cultural Perceptions of Nature and Urban Landscape Changes: The Case Study of Rio de Janeiro, Brazil. Presented in the CELL CONFERENCE / COUNCIL OF EDUCATION OF LANDSCAPE ARCHITECTURE. Guelph, Ontario: University of Guelph. 2000. 3HARVEY, David. 1990. “Between Space and Time: Reflections on the Geographical Imagination.” Annals of the Associ- ation of American Geographers 80: 418-34 and Schlee, Monica Bahia. Scenography Urban and Environmental Quality in the City of Rio de Janeiro. Master’s Thesis. London: FAU / USP. 1999. 4NAJJAR, Rosana (org). Manual of Historical Archaeology of IPHAN. Brasilia: IPHAN / 6th Regional Superintendency. 2002. Monica Bahia Schlee is landscape and urban planner of the City of Rio de Janeiro and Professor, Department of Urban Planning School of Architecture and Urbanism of the Federal Fluminense University