O documento apresenta exemplos de notícias de vários jornais portugueses que discutem: 1) A liderança de leitores conquistada por um jornal; 2) A gravação de uma série de televisão; 3) O número de pessoas vivendo na pobreza extrema.
Estudo das fontes jornalísticas MPinto DCC – UMINHO 2007
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Exemplo 1 Imprensa:Dados do Bareme da Marktest Correio da Manhã lidera conquista de novos leitores O Correio da Manhã foi o jornal diário que conquistou mais leitores no primeiro trimestre do corrente ano, revelam os dados do bareme imprensa da Marktest. In CM, 17.4.2007
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Gazeta para ver"Morangos com açúcar" Sara Oliveira Ontem, o dia começou bem cedo na vila de Murça para muitas crianças do concelho e o motivo não foi a escola. Ali, foram gravadas as últimas cenas da quarta série de "Morangos com açúcar" e ninguém quis perder a oportunidade de ver os seus ídolos. (…) In JN, 17.4.2007
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Quase mil milhõesde pessoas no mundo vivem com menos de 73 cêntimos por dia Jorge Heitor Continuam a existir disparidades substanciais entre as diferentes regiões do mundo e entre os pobres e os ricos de cada país, reconhecem os indicadores mundiais de desenvolvimento agora publicados pelo Banco Mundial, como complemento ao seu relatório sobre desenvolvimento que apresentara em Setembro do ano passado, numa conferência em Singapura. A pobreza extrema foi reduzida em 21 por cento a partir de 1990, mas isso não significa de modo algum que ainda não existam 985 milhões de pessoas (num total de 6500 milhões) a ter de procurar sobreviver com menos de um dólar diário (73 cêntimos). (…) In PUBLICO, 17.04.2007
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Exemplo 2 TVI:Jurada saiu sem votar nos concorrentes Clara substituída por Paula Bobone Paula Bobone vai substituir Clara Pinto Correia no júri de ‘A Bela e o Mestre’, da TVI. O CM apurou que a escritora fará companhia a Marisa Cruz, Rui Zink e Carlos Quevedo já na próxima gala de domingo. A especialista em etiqueta e boas-maneiras confessou ao CM que costuma ver partes do reality show. “Faço zapping e de vez em quando paro e vejo uns bocadinhos. É mais um programa de entretenimento”, salienta. Quanto ao convite da Endemol, produtora do concurso, e da TVI para fazer parte do júri, Paula Bobone disse apenas: “A minha vida está muito agitada. Estou a mudar de casa, não tenho tempo para nada. Não sei de nada.” A escritora adiantou que a sua preferência vai para “programas de informação e debates”. Sobre ‘A Bela e o Mestre’, acrescenta: “Não é o meu género.” (…) In CM, 17.4.2007
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Exemplo 3 Matançaem universidadedos EUA: 32 mortos Foi um massacre. Um verdadeiro massacre. O pior de sempre nas escolas dos Estados Unidos da América. Morreram 33 pessoas, incluindo o homem que disparou, e 26 estão hospitalizadas. Desta vez aconteceu na Universidade Técnica da Virginia, mas há oito anos foi no Liceu Columbine, no Colorado (…) In JN, 17.4.2007
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Exemplo 4 "O'stress' de guerra é contagioso e crónicos” Sónia Morais Santos Leonardo Negrão “ Nunca estiveram numa guerra. Nunca dispararam um tiro, nem escutaram o silvar frio das balas, nem sentiram o cheiro da morte. São mulheres. Escaparam, pela sorte de terem nascido mulheres, à inevitabilidade da guerra. Ou, pelo menos, assim pensavam. Assim era suposto. Mas não. As mulheres dos ex--combatentes da Guerra Colonial vivem em guerra há mais de 30 anos. Uma guerra dentro de casa, insidiosa, violenta, permanente. Uma guerra que nunca vai ter tréguas nem acordos de paz. Lucília Costa tem 50 anos. Casou aos 19 com um rapaz da terra. Conhecia-o mal. Sabiam um do outro pelas cartas, trocadas durante a guerra. Quando ele veio, casaram, em Outubro de 74. Pouco tempo depois, Lucília começou a perceber que o marido não era o homem dócil que todos descreviam. (…)”
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Exemplo 5 Motosentopem estradas do Algarve 20 mil motards na missa A ponta de Sagres foi ontem invadida por mais de 20 mil amantes das duas rodas e cerca de 15 mil motos. As comemorações do Dia do Motociclista tiveram como ponto alto uma missa solene e a bênção das motos. Foi feita ainda uma homenagem aos motociclistas já desaparecidos.
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As fontes no Código Deontológico “O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes . O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas ”.
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Fontes Jornalistas AudiênciaProdução Recepção Grupos Pessoas Instituições - Concorrência pela cobertura dos (e acesso aos) media - Desigualdade de recursos materiais e simbólicos Audiência
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A informação é objecto de uma luta pelo respectivo controlo . Tal luta encontra-se no âmago da relação entre as fontes, os jornalistas e as organizações jornalísticas. (Manning, 2001: x).
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Os indivíduos einstituições que se encontram em situação de domínio e de poder, na sociedade, beneficiam de vantagens e privilégios no acesso aos media.
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Representantes das instituiçõesde poder * ocupam o top da “ hierarquia de credibilidade ”, constituindo-se como “ definidores primários ” ** das notícias. * (Departamentos oficiais, líderes de partidos, instituições ligadas à aplicação da lei e à segurança, lobbies diversos...) ** Conceitos criados por Stuart Hall et. al., 1978
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Para compreender a“hierarquia de credibilidade” : instituições poderosas, logo: mais propensas a serem notícia; instituições poderosas, logo: mais credíveis ; legitimidade decorrente do estatuto de “representantes”.
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Institucionalização e profissionalizaçãodas fontes jornalísticas, especialmente a partir da segunda metade do séc.XX, como reverso da afirmação do próprio jornalismo.
As três viasdas fontes Os jornalistas obtêm as suas informações de três modos: Testemunho ocular dos factos (ex.: um debate parlamentar público, por exemplo) Testemunho indirecto : alguém conta os factos ao jornalista (um debate parlamentar à porta fechada) Documentos: reprodução do debate no Diário da Assembleia). O leitor tem sempre o direito a saber com base em qual destes procedimentos a notícia foi obtida. Álex Grijelmo (2001) El Estilo del Periodista . Madrid: Taurus, 8ª ed., p. 34
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“A revolução dasfontes” “Na minha opinião (...) a mais importante modificação ocorrida nos últimos 40 anos nos processos jornalísticos é a organização e a capacitação das fontes interessadas, produtoras e controladoras de acontecimentos, revelações e falas que alteram, explicam ou desvendam a actualidade”. Manuel Carlos Chaparro
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Tipologia de fontes:critérios (1) Quanto à natureza : pessoais ou documentais; Quanto ao estatuto: profissionais / institucionais ou individuais Quanto ao grau de envolvimento nos factos : oculares / primárias ou indirectas / secundárias;
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Tipologia de fontes:critérios (2) Quanto ao estatuto de visibilidade exigido: assumidas ou confidenciais Quanto à metodologia ou a estratégia de actuação : pro-activas ou reactivas
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Regra de ourodo jornalismo Atribuir as fontes da informação publicada . Ou seja: dizer com a maior clareza possível qual a origem das notícias difundidas e quem assume responsabilidade do que é dito ou escrito.
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Fundamento Manter oureforçar a credibilidade do jornalismo : quanto maior for o grau de atribuição das fontes e a credibilidade destas, maior é também a credibilidade do próprio jornalismo.
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Casos especiais Emalgumas circunstâncias, há informação que é claramente de interesse público , mas em que as fontes não querem ou não podem, sem riscos graves , ser conhecidas. Nesse caso, o jornalista e o meio de comunicação não devem divulgá-las sem confirmação em outra(s) fonte(s), independente(s) da primeira. Cuidado : o respeito pela confidencialidade das fontes pode proporcionar ao informador a possibilidade de utilizar, em seu proveito, o segredo profissional do jornalista.
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Por vezes, tecnicamente,a fonte é atribuída; na prática, é como se fosse uma fonte anónima. “ Washington Post”: ao recorrer às fontes anónimas o jornal está a pedir aos leitores um patamar superior de confiança relativamente à consistência da informação que lhes está a proporcionar.
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Pejo em referenciar?Em mais de duas décadas, Portugal promoveu a reabilitação de apenas dois mil condutores, número que a Prevenção Rodoviária admite pouco relevante num país onde, por ano, são praticadas mais de 800 mil infracções. Os programas de reabilitação de condutores infractores surgiram na Europa como forma de suprir a falta de eficácia do sistema clássico de aplicação de penas e chegaram a Portugal em meados da década de 80. As acções de formação, desenvolvidas por psicólogos, funcionam como alternativa à apreensão de carta de condução ou ao cumprimento de penas de prisão. A formação para automobilistas que praticaram infracções graves, que são facultativas e pagas, foram frequentadas em três anos por 775 pessoas. Nas dirigidas a condutores que cometeram crimes associados à condução participaram, nos últimos 22 anos, apenas 1150 condutores, uma média de 52 por ano. Segundo um grupo de psicólogos que ministram cursos da Prevenção Rodoviária Portuguesa, (…) in DN, 23.4.2007
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Exemplos de fontesreferenciadas Alguns adeptos do Belenenses, contactados pelo 24 Horas, afirmaram ter presenciado os incidentes… “ Um destacado militante social-democrata” sublinhou à repórter do Rádio Clube, que nunca esteve nas intenções da Direcção do Partido…” Uma fonte próxima da Administração “não descartou a hipótese de as pressões partirem das cúpulas do principal grupo concorrente”. “ Convinha que se averiguasse, antes, a corrupção que campeia nos serviços da Câmara”, denunciaram ao nosso jornal sectores afectos à oposição.
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Cultura de exigênciaface às fontes Manifestar-se relutante em aceitar o anonimato. Livro de Estilo do PÚBLICO: “ Textos com fontes anónimas têm sempre de ser assinados”. “ O jornalista do PÚBLICO não deve inventar personagens, fontes e citações e utilizá-las em textos de carácter jornalístico. A utilização de nomes fictícios para proteger a identidade das fontes é admissível apenas em casos excepcionais e deve ser devidamente assinalada”. “ O PÚBLICO considera o plágio uma conduta absolutamente inaceitável. Todas as informações recolhidas em qualquer documento ou noutros órgãos de comunicação devem ser sempre devidamente atribuídas”.
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Bibliografia CHAPARRO, ManuelC. (1998) Sotaques d’Áquém e d’Além Mar: Percursos e Géneros do Jornalismo Português e Brasileiro. Santarém: Edições Jortejo. ERICSON, R.; P. Baranek; J. Chan (1989) Negociating Control: a Study of News Sources. Toronto: University of Toronto Press. PINTO, M. (1999) Fontes jornalísticas: contributos para o mapeamento do campo (fotocopiado) SANTOS, Rogério (1997) A Negociação entre Jornalistas e Fontes . Coimbra: Minerva.