O que éCiência Aberta?
ALGUMAS DEFINIÇÕES
■ É um movimento que busca tornar a pesquisa científica e sua
disseminação acessível a todos os níveis de uma sociedade,
amadora ou profissional.
■ É o compartilhamento de conhecimento, transparente, acessível e
desenvolvido por meio de redes colaborativas.
A CIÊNCIA ABERTA objetiva reforçar a pesquisa científica testando a
reprodutibilidade e replicabilidade das descobertas.
3.
Benefícios das Práticasda Ciência
Aberta
■ Eficiência: um maior acesso (VISIBILIDADE) serve de estímulo a
uma maior eficiência e produtividade.
■ Qualidade e integridade: essa abertura também facilita a
identificação precoce de irregularidades na ciência, como fraude
ou erro. Torna mais fácil denunciar e abandonar essas práticas.
■ Benefícios econômicos: A ciência desempenha um papel
fundamental nas economias. Uma maior eficiência, portanto,
beneficia a economia do país.
https://www.fosteropenscience.eu/
4.
Benefícios das Práticasda Ciência
Aberta
■ Inovação e transferência de conhecimento: pode reduzir atrasos
no reuso de resultados científicos, promove a produção de novos
produtos e serviços.
■ Divulgação pública e engajamento: difundir ciência produzida com
verba pública reforça a confiança dos cidadãos nas políticas
públicas.
■ Benefícios globais: A ciência aberta é, inevitavelmente,
internacional. Viabiliza uma transferência rápida de conhecimento
e um melhor entendimento dos desafios globais.
https://www.fosteropenscience.eu/
5.
Benefícios das Práticasda Ciência
Aberta
Valores
• Reprodutibilidade
• Transparência
• Transferência de conhecimento
Auto-Interesse
• Publicidade
• Colaboração eficiente
6.
Open Data eOpen Access
■ Tornar os dados da pesquisa abertos pode aumentar a taxa
de citação em até 69%. Porém, fator de impacto, data de
publicação e país de origem influenciam fortemente a
visibilidade.
■ Artigos “Open Access” são citados com mais frequência.
■ Uma análise de 31 estudos realizada por Swan mostrou que
27 tinham Open Access, conferindo um aumento de
citações de 35 a 600%.
Swan, A. (2010). The Open Access citation advantage: Studies and results to date. Disponível em:
https://eprints.soton.ac.uk/268516/
7.
Preprints
■ Um preprinté um artigo completo, compartilhado publicamente
antes de ser revisado por pares.
■ Você pode compartilhar seu artigo preprint em um repositório e
compartilhar o link (DOI) em um website ou em redes sociais.
■ Vantagens:
• Visibilidade
• Evidência da produtividade
• Acessibilidade
• Agilidade
8.
Preprints
■ Desvantagens:
• Opreprint é uma publicação que ainda não passou pela peer-
review, que se trata de uma avaliação mais completa e confiável.
• Isso abre espaço para brechas nos resultados.
• Fique atento ao usar algum preprint como referência e mais ainda
ao publicar. Zele pela sua reputação como cientista!
9.
Como saber seo preprint é uma boa?
■ Pesquisadores usam o preprint para:
• estabelecer prioridade em descobertas científicas e avanços
• aumentar a visibilidade da sua pesquisa em um cronograma acelerado
• receber feedback de colegas
• servir como evidência de produtividade (requisito para financiamento)
■ Antes de mais nada: verifique as diretrizes de submissão ou a política do
seu periódico-alvo em relação aos preprints. Em alguns casos, ter o artigo
preprint pode prejudicar a consideração do seu manuscrito para
publicação.
10.
Alguns servidores (preprint)
■medRxiv: Ciências da saúde
■ bioRxiv: Biologia
■ The Open Science Framework (OSF): Medicina e ciências da saúde
■ Preprints.org: Multidisciplinar
11.
Fluxo de trabalhoaberto (Open
Science Framework – OSF)
■ O Open Science Framework (OSF) é uma
ferramenta que promove fluxos de
trabalho abertos e centralizados,
permitindo a captura de diferentes
aspectos e produtos do ciclo de vida da
pesquisa, incluindo o desenvolvimento da
ideia de pesquisa, elaboração do estudo,
armazenamento/análise de dados
coletados, redação e publicação de
relatórios ou artigos.
12.
O que euposso arquivar no OSF?
■ Materiais relacionados à apreciação ética
■ Procedimentos + Materiais
■ Pré-Registros
■ Dados
■ Scripts
■ Relatórios
■ Apresentações utilizadas em eventos
■ Preprints
Desenho do estudo
Coleta de dados
Análise dos dados
Relatório de resultados
13.
O que épré-registro?
■ Por meio do pré-registro, você irá explicar como vai tratar/analizar
os dados antecipadamente.
■ Por que?
1. Porque você quer confirmar hipóteses, não apenas explorar
dados.
2. Para reduzir a chance de ter “flexibilidade não reportada” em sua
análise.
14.
Como fazer?
■ Acesse:Open Science Framework.
■ Faça uma simulação. “Brinque” com o sistema.
15.
Como fazer?
■ Vejaisso como um “adiantamento” de trabalho, não como uma
perda de tempo.
■ Seja preciso.
■ Script de análises > Modelos estatísticos > Hipóteses: Importante
preencher!
■ Admita incertezas no processo.
16.
Ao registrar suapesquisa numa plataforma
aberta, TENHA CUIDADO!
■ Anonimato da identidade dos participantes.
■ Anonimato da identidade dos parceiros de campo.
■ Acordo de Não-Divulgação (Non Disclosure Agreement): Algumas
pesquisas envolvem a assinatura de acordos de não compartilhamento
de informação confidencial. Esse tipo de material, portanto, não pode
ser publicado numa plataforma aberta.
■ Pergunte a si mesmo: Eu me preocupo com a possibilidade de "roubo"
ou com o uso dos dados que estou prestes a compartilhar?
17.
Publicação predatória: deonde veio?
■ À medida que o Open Access começou a se proliferar, o foco das revistas
mudou. Para muitas revistas, os autores se tornaram “clientes”, e os leitores
passaram para um segundo plano.
■ O erro “fatal” do modelo open access se dá em termos de conflito de
interesse: quanto mais artigos uma revista aceita, mais dinheiro ela ganha.
Isso deu origem à publicação predatória.
■ O modelo Gold Open Access limita a possibilidade de pesquisadores com
menos recursos darem a sua contribuição. Como um pesquisador pode
compartilhar o que aprendeu e se tornar relevante, se ele tem que pagar
para publicar seus achados (e não tem verba para isso)?
18.
Beall, J. (2013).Predatory publishing is just one of the consequences of gold open access. Learned
Publishing,, 26(2), 79-84.
19.
Influências externas podemse tornar maus incentivos
Determine
as
hipóteses
Determine
o desenho
do estudo
Colete
dados
Analise os
dados e
teste as
hipóteses
Interprete
os dados
Publique ou
conduza
novos
estudos
CONSIGA
PUBLICAÇÕES
CONSIGA
FINANCIAMENTO
Emprego, Carreira
acadêmica,
Promoção, Fama,
Estudantes…
20.
Esse ciclo viciosopode levar às...
Práticas de Pesquisa Questionáveis
Simmons, J. P., Nelson, L. D., & Simonsohn, U. (2011). False-positive psychology: Undisclosed flexibility in data
collection and analysis allows presenting anything as significant. Psychological science, 22(11), 1359-1366.
21.
Práticas de PesquisaQuestionáveis
• Flexibilidade na coleta de dados, na análise e nos relatórios = aumento das taxas de falsos
positivos.
• Em muitos casos, é mais provável que um pesquisador encontre falsamente evidências de que um
efeito existe, do que corretamente que ele não existe.
• Veja como é fácil obter (e relatar) evidências estatisticamente significativas para uma hipótese
falsa:
22.
1. Incluir /excluir participantes para atingir p <0,05.
2. Coletar e analisar várias condições, e eliminar aquelas que não mostram p <0,05.
3. Parar de coletar dados quando p <0,05 for alcançado (ou continuar coletando até p <0,05).
4. Incluir muitas medidas, mas relatar apenas aquelas p <0,05.
5. Incluir covariáveis na análise estatística para obter p <0,05.
1
2
4
3
5
23.
E agora?
A soluçãoenvolve seis requisitos concretos:
1. Os autores devem decidir a regra para encerrar a coleta de dados antes do
início da coleta de dados e relatar essa regra no artigo.
2. Os autores devem coletar pelo menos 20 observações, ou então fornecer
uma justificativa muito convincente para uma coleta com amostra tão
pequena.
Amostras menores que 20 não tem poder para detectar efeitos.
3. Os autores devem listar todas as variáveis coletadas no estudo.
24.
E agora?
4. Osautores devem relatar todas as condições experimentais,
incluindo manipulações que falharam.
5. Se algumas observações forem eliminadas, os autores também
devem relatar quais são os resultados estatísticos caso essas
observações sejam incluídas.
6. Se uma análise incluir uma covariável, os autores devem relatar
os resultados estatísticos da análise sem a covariável.
25.
Afinal, o queos periódicos querem?
■ Fazer dinheiro?
■ Que pessoas comprem/leiam/citem o periódico.
Artigos relevantes
Artigos inovadores
Artigos escritos com clareza
Artigos confirmando novas hipóteses
26.
E o quenós queremos?
■ Ser pesquisadores relevantes!
IMPACTO
QUALIS
FATOR DE IMPACTO
27.
QUALIS Periódicos: Entendaa
classificação
■ Em 2019, a Capes começou a discutir a possibilidade de um novo Qualis, único e
que fosse válido para todas as áreas. Foram considerados os seguintes aspectos:
1. CLASSIFICAÇÃO ÚNICA
Cada periódico recebe apenas uma classificação, independentemente da quantidade
de áreas de avaliação em que foi citado.
2. CLASSIFICAÇÃO POR ÁREAS-MÃES
Os periódicos foram classificados em áreas-mães, isto é, agrupados e colocados na
área em que tiveram maior número de publicações durante o período de avaliação.
Essa avaliação ocorre a cada 3 anos.
28.
QUALIS Periódicos: Entendaa
classificação
3. INDICADORES BIBLIOMÉTRICOS
A partir do novo Qualis Capes, a avaliação dos periódicos começou a ser
feita por um novo modelo matemático.
Esse modelo levava em consideração três indicadores: o Cite Score, o
Fator de Impacto e o índice h5, os quais se referem ao número de
citações recebidas, pelos periódicos, nas seguintes bases:
QR1: CiteScore (Scopus) + Fator de Impacto (Journal Citation Report, JCR)
QR2: Índices h5 ou h10 (Google Metrics)
29.
QUALIS Periódicos: Entendaa
classificação
■ A lista de periódicos pré-classificados (que “vazou”) foi
chamada de Qualis Referência.
■ MAS ATENÇÃO! nem todos os periódicos estão indexados e a
maioria das bases de dados, como o Scopus, exige que os
trabalhos possuam DOI.
■ Por isso, algumas revistas não tiveram Qualis tornando-se
pouco prestigiadas.
30.
Em suma
■ OQualis Referência classificava as revistas de acordo com sua área
mãe.
■ Cada periódico só poderia ser inserido em uma área-mãe, ou seja,
só recebe uma nota Qualis.
■ Vantagens:
1) garantir a comparação entre as áreas.
2) o uso de indicadores bibliométricos internacionais, permitindo
comparações de revistas nacionais com estrangeiras.
31.
Em suma
■ Aclassificação proposta vai de A1 a B4. O extrato C foi
excluído.
32.
Portaria NO
145, 10/09/2021
■A portaria tem equívocos e contradições, embora traga
importâncias pontuais.
■ PRINCIPAIS IMPACTOS E CARACTERÍSTICAS:
Abandono da terminologia Qualis Referência e substituição por
Qualis Periódicos.
A existência da portaria, em si, é um avanço.
Apontamento inequívoco que o Qualis Periódicos se destina
somente à avaliação dos PPG, tem característica retrospectiva e
reconhecimento de que os periódicos é que são avaliados (e não
os artigos).
33.
Portaria NO
145, 10/09/2021
■Uso do CiteScore e JCR como principais indicadores (Qualis
Referência Bases e Imputado – QR1) e, na ausência destes, o h5
e o h10 (Qualis Referência h – QR2).
■ Ficará a critério da Área de avaliação a definição do agrupamento
que mais se ajuste a suas especificidades e que correspondam ao
reconhecimento cientifico de sua comunidade acadêmica.
■ Os periódicos, independentemente do estrato atribuído, devem
manter os requisitos para a estratificação e atender as boas
práticas acadêmicas nacionais e internacionais.
34.
Portaria NO
145, 10/09/2021
■Havia uma discussão sobre “área mãe” e “áreas irmãs”. Houve
uma mudança: saem as áreas “mãe” e “irmãs” e entram “área
preponderante”, “área majoritária” e “área minoritária”, com
funcionamento relativamente igual ao anterior.
35.
Portaria NO
145, 10/09/2021
■Art. 19: A portaria permite às coordenadorias de área a
possibilidade dela simplesmente não ser utilizada, sem, no entanto,
definir como seria realizada a avaliação dos periódicos neste caso...
■ Isso abre precedentes! Qual o limite quantitativo a que uma área
pode pleitear essa exceção? Como estabelecer uma relação de
equivalência entre os estratos da avaliação anterior e os do novo
modelo? (ex. ainda não temos a certeza que quantos estratos serão
utilizados, mas não há mais o B5)?
36.
Portaria NO
145, 10/09/2021
■Ponto positivo: Os modelos bibliométricos utilizados (QR1 e QR2) foram
definidos com base em amplas discussões realizadas pela comunidade
de pesquisadores, com a realização de testes de impacto.
■ Ponto negativo: Risco de novos periódicos demorarem mais para
receber estratificação (a presença em indexadores bibliométricos
demora 2 a 3 anos).
■ A portaria abre a possibilidade de gerar uma grande insegurança ao
considerar a possibilidade de alguns periódicos poderem manter as
classificações antigas (2013-2016) e não apresentar uma relação de
equivalência entre os dois esquemas de estratificação.
37.
Portaria NO
145, 10/09/2021
■É questionável se o modelo avalia somente os periódicos
utilizados pelos PPG, pois ele considera, na constituição dos
estratos, também periódicos que não foram declarados na
Plataforma Sucupira (ao adotar sistemas bibliométricos já
estabelecidos – QR1 e QR2).
■ PORÉM a estratificação divulgada será somente dos periódicos
utilizados pelos PPG.
38.
Portaria NO
145, 10/09/2021
Para a avaliação quadrienal 2017-
2020, a divulgação dos resultados
do Qualis Periódicos só ocorrerá
após a divulgação dos resultados
dos julgamentos dos pedidos de
reconsideração (existe a
possibilidade formal de recorrer).
39.
E agora? Comoconsultar o Qualis
Periódicos?
■ A Plataforma Sucupira ainda não contempla a nova
classificação do Qualis.
■ É possível realizar a busca na Plataforma Sucupira por
revistas avaliadas no Quadriênio 2013-2016, no link:
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/c
oleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos
.jsf
41.
Publicando em umperiódico com alto
fator de impacto
1. Sua pesquisa precisa ser robusta e resolver um problema
GRANDE e RELEVANTE
2. Você precisa CONTAR UMA HISTÓRIA
Incorpore elementos de uma história: mensagem central, problema, solução e
implicações do seu artigo. Isso fará com que o leitor compreenda mais
facilmente o seu artigo e o tornará mais convincente.
3. Use FIGURAS que o leitor compreenda rapidamente
42.
Publicando em umperiódico com alto
fator de impacto
4. Sua escrita tem que ser CLARA e CONCISA
5. O seu resumo também tem que CONTAR UMA HISTÓRIA
Tente não apenas sumarizar seus resultados. Reflita: Se um pesquisador
de outra área lesse meu Abstract, ele compreenderia? A revista Nature
especifica que o Abstract seja estruturado como uma história.
43.
Suñer, C., Ouchi,D., Mas, M. À., Lopez Alarcon, R., Massot Mesquida, M., Prat, N., ... & Mitjà, O. (2021). A retrospective cohort study of risk
factors for mortality among nursing homes exposed to COVID-19 in Spain. Nature Aging, 1(7), 579-584.
44.
Publicando em umperiódico com alto
fator de impacto
6. Siga as diretrizes da revista METICULOSAMENTE
7. Escreva uma COVER LETTER CONVINCENTE
Jamais simplesmente copie e cole o texto do seu artigo em sua
Cover Letter. Essa é sua chance de falar diretamente com o editor
do jornal.
45.
Publicando em umperiódico com alto
fator de impacto
O que os editores gostam de ler numa cover letter:
Um sumário do trabalho que foi desenvolvido (1-2 parágrafos);
Quais resultados inovadores você encontrou, em cima do que já se
sabe/já foi publicado na literatura (nesse caso, insira citações na cover
letter);
Informações de natureza organizacional. Existe alguma pressão
externa para que esse artigo seja publicado numa data determinada?
Existe algum artigo vinculado, e ambos devem ter suas datas de
publicação sincronizadas? A cover letter é o local para informar isso.
46.
CONCLUSÃO:
Mensagens para terem mente!
■ Publicar em uma boa revista deve ser o grande objetivo e a visibilidade
é garantida muito mais pelo alcance internacional da revista (onde está
indexada, quem são os leitores), do que por qualquer outro fator.
■ Seja ético! Tire vantagem dos benefícios da ciência aberta sem se
envolver com “magia negra”... Você tem uma reputação e um legado
pelos quais deve zelar!
■ Os cientistas devem ser capazes de julgar editores, periódicos e
conferências e decidir quais são éticos e quais não são. Essa é uma
habilidade essencial a adquirir se você quer ter eficiência como
pesquisador.