Máquinas Térmicas
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                                                       Índice




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                                                                2         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
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                                         1 - DEFINIÇÕES e CONCEITOS


           1.1 – Motor: É uma máquina destinada a converter qualquer forma de energia
        em energia mecânica.

            1.2 - Combustão: Reação química entre um combustível e um comburente com
        liberação de calor e luminosidade (normalmente) de forma exotérmica. Voltaremos
        a este assunto oportunamente.

           1.3 - Motor de combustão interna (MCI), converte Calor em energia mecânica.
         São máquinas dentro da quais os produtos da combustão geram os movimentos dos
        componentes. Ex: motor por centelha ou motor de ciclo Otto, motor por ignição a
        compressão ou motor de ciclo Diesel; turbinas a gás.

             Classificação dos motores de combustão interna:

             1.3.1– Quanto ao Sistema de ignição:

                    - Ignição por centelha – Motores Otto
                     - Ignição por compressão – Motores Diesel

             1.3.2 – Quanto ao sistema de alimentação:

                    - Alimentação por carburação – Álcool ou gasolina
                    - Alimentação por bomba injetora – Motores Diesel
                    - Alimentação por misturador – Motores a gás GNV ou GLP
                    - Alimentação por injeção direta – Modernos motores Otto e Diesel

             1.3.3 – Quanto ao ciclo operativo:

                        - Motores de 4 tempos
                         -Motores de 2 tempos

             1.3.4 – Quanto ao sistema de refrigeração:

                        - Motores refrigerados a água
                        - Motores refrigerados a ar – Volks, Deutz e Krupp.

             1.3.5 – Quanto à disposição dos cilindros:

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                                                                3         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
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                      - Em linha – 4, 6 ou 8 cilindros.
                      - Cilindros opostos – Volks e Boxer
                      - Pistões opostos – motores delta para lanchas
                      - Em estrela – motores para aviação
                      - Em “V” – 6, 8, 12, 16 ou mais cilindros.


          1.4 – Potência: Capacidade de realizar trabalho por unidade de tempo. Para
     motores de combustão usamos as unidades:

           1.4.1 – Horse Power (hp) – Potência necessária para elevar 33.000 Lbs. a uma
      altura de 01 ft. de altura em 01 minuto. Equivale a 745,7 watts. É a unidade de
      potência usada pela norma americana SAE e para sua medição o motor deverá estar
      sem os equipamentos consumidores (ventilador, bomba d’água, alternador,
      compressor, tomadas de força, etc).

           1.4.2 – Cavalo-vapor ou cv ou PS: Corresponde à potência necessária para
      elevar um peso de 75 Kgf à altura de 01 m em 01 seg. É a unidade de potência da
      norma alemã DIN e para sua medição o motor deverá estar completamente equipado.
      Corresponde a 735,5 watts.

           1.5 – Curso do pistão = Distância percorrida pelo pistão entre o Ponto Morto
      Superior (PMS) e o Ponto Morto Inferior (PMI). O ponto morto é o ponto em que o
      pistão inverte seu sentido de movimento.

          1.6 – Cilindrada: É o volume deslocado pelo pistão entre o PMI e                                   o       PMS
      medido em cm³ ou em Litros, aqui no Brasil.
               C = (( π/4 . d²). L).N onde:

                    C = cilindrada do motor
                    N = número de cilindros do motor
                    d = diâmetro do cilindro (cm)
                    L = curso do pistão (cm)

           Ex: Um motor com 4 cilindros de diâmetro 3. 75” e curso de 98 mm tem
      cilindrada:


           C= (π/4 . (9,525 cm)² . 9,8 cm ). 4 = 2.793 cm3 ou (2.800 cilindradas) ou (2.8
      Litros)



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           1.7 – Taxa de compressão ou Relação de compressão: É a relação entre o
      volume do cilindro quando o pistão está no PMI e quando ele se encontra no PMS. A
      taxa de compressão é expressa na forma 6:1 ou 7:1 ( lê-se 6 para 1 ou 7 para 1).

             Rc = V (pmi) / V(pms) onde:

             Rc: Relação de compressão ou taxa de compressão
             V(pmi) = volume quando o pistão está no PMI.
             V(pms) = volume quando o pistão está no PMS.




                                                  2- CICLOS OPERATIVOS

             2. 1 – Motores de 04 tempos

           2.1.1 – ADMISSÃO - É a fase do ciclo de funcionamento do motor durante a
      qual a mistura ar-combustível (no motor ciclo OTTO) ou ar (no motor ciclo DIESEL)
      é aspirada para o interior do cilindro, com a válvula de admissão aberta e a válvula de
      escape fechada, e o pistão indo do PMS ao PMI.

           2.1.2 – COMPRESSÃO - É a fase do ciclo de funcionamento do motor durante
      a qual a mistura ar-combustível (motor ciclo OTTO) ou ar (motor ciclo DIESEL) é
      comprimida no interior do cilindro, são elevadas a pressão e a temperatura para
      depois ser inflamada. Nos motores do ciclo OTTO, a pressão da mistura ar –
      combustível no final desta fase pode alcançar de 12 a 20 bar e a temperatura de 300ºC
      a 480ºC. Nos motores a diesel, a combustão começa logo após a injeção do
      combustível e ao final da fase de compressão, a pressão pode chegar a valores entre
      35 e 50 bar e a temperatura atinge de 430ºC a 600ºC. A fase de compressão inicia
      quando o pistão começa sua subida em direção ao ponto morto superior (PMS) e a
      válvula de admissão se fecha. Durante o processo, a mistura ar-combustível (ou
      somente ar nos motores Diesel) primeiro recebe calor das paredes do cilindro, mas
      aos poucos o calor começa a ser liberado pela própria mistura. Teoricamente a fase
      deveria terminar no momento em que o pistão alcançar o PMS, mas ela é antecipada
      porque a faísca no terminal do eletrodo explode um pouco antes dessa posição. A

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      injeção nos motores Diesel também começa vários graus antes do ponto morto
      superior.


           2.1.3 – EXPANSÃO - É a fase que vem depois da combustão. Nela o pistão
      desce do PMS ao PMI e parte da pressão exercida sobre ele pelos gases em alta
      temperatura é transmitida ao virabrequim.


           2.1.4 – ESCAPE - É a fase na qual os gases são expulsos do cilindro. Em tese,
      deveria iniciar quando o pistão sai do PMI e vai para o PMS. Na realidade, a válvula
      de escape começa a abrir um pouco antes de o pistão chegar ao PMI, ao final da fase
      de expansão, e os gases começam a sair pelo duto de descarga graças à pressão
      interna. Dessa forma, quando o pistão inverte seu movimento, uma vez atingido o
      PMI, e começa a trajetória rumo ao PMS, a válvula de escape já esta bem levantada e
      boa parte dos gases já saiu do cilindro. Em conseqüência, o trabalho, e, portanto a
      potência subtraída do virabrequim, necessário para completar a fase de descarga é
      menor, em beneficio do rendimento do motor.           Nos motores do ciclo OTTO,
      funcionando com a válvula borboleta do carburador completamente aberta, os gases
      de combustão escoam dos cilindros com temperatura entre 800ºC a 900ºC-
      temperatura que sobe ainda mais se o motor for sobrealimentado. Nos motores a
      diesel, a temperatura em questão é bem mais baixa em torno de 550ºC a 650ºC. Ela
      também sobe se o motor for sobrealimentado.


             2.2 – Motor de 02 tempos:

             Os motores de 02 tempos combinam em apenas 02 cursos as funções do motor
      de 04 tempos. Ocorrendo a combustão o pistão é impulsionado para baixo,
      fornecendo movimento à árvore e comprimindo a mistura ar/combustível no cárter
      para utilizá-la no ciclo seguinte. Pouco antes de atingir o PMI o pistão descobre as
      janelas da camisa permitindo que a mistura comprimida empurre os gases da
      combustão para fora do cilindro e preenchendo-o com nova mistura. A nova mistura
      é comprimida, sofre ignição, expande-se e reinicia-se o ciclo. O funcionamento dos
      motores Diesel de 02 tempos é semelhante destacando-se algumas peculiaridades:
           - Não há “mistura” admitida, apenas ar puro forçado para dentro do cilindro por
      compressor tipo lóbulo (blower) ou turbo alimentador acionado por gases de escape.
      O óleo diesel é injetado de maneira semelhante à do motor Diesel de 04 tempos.




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                                  3- PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM MCI:

             Os componentes do motor são classificados em:

          3.1 – Móveis: Bielas, pistão, árvore de manivelas ou virabrequim, árvore
      comando de válvulas, mecanismos de acionamento das válvulas.

             Biela: É o “braço” de ligação entre a árvore de manivelas e o pistão. Recebe o
          impulso do pistão e o transmite à árvore. É o componente que permite a
          transformação do movimento retilíneo do pistão em movimento rotativo no
          virabrequim.

             Pistão: Recebe o impulso provocado pela explosão da mistura combustível e o
          transmite à biela. No tempo de compressão é o responsável por comprimir a
          mistura no trajeto PMI ao PMS.

                 Árvore de manivelas ou virabrequim: É a parte que recebe o movimento
          retilíneo da biela e o transforma em movimento rotativo disponível no volante do
          motor.

                Árvore comando de válvulas: Sua função é abrir e fechar as válvulas de
          admissão e escape nos tempos correspondentes. É acionada pelo virabrequim por
          engrenagem, corrente ou por correia sincronizadora. Os ressaltos de que se compõe
          recebem o nome de cames. Os cames acionam os tuchos, as hastes das válvulas e
          os balancins que acionam a válvula.

                Válvulas: Dividem-se em válvulas de admissão e de escape. As válvulas de
          admissão se abrem para permitir a entrada do mistura ar-combustível, ou apenas ar,
          no tempo de admissão permanecendo fechadas nos demais tempos. O mesmo
          raciocínio se aplica às válvulas de escape.

                 Mecanismo de acionamento das válvulas: Compõe-se de tuchos, hastes e
          balancins. No momento em que a árvore de comando gira, o ressalto (came) aciona
          o tucho que move a haste, que aciona o balancin, que comprime o pé da válvula,
          forçando-a a abrir.

             3.2 Fixos: Bloco do motor, cárter, cabeçote.

             Bloco do motor: É o maior componente do motor e a estrutura sobre a qual se
        monta a maior parte dos componentes. É uma peça fundida em ferro ou alumínio
        com posterior usinagem para formar os cilindros, os alojamentos da árvore de
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        manivelas (mancais fixos) e sedes ou apoios para motor de partida, cárter, bombas,
        cabeçote, comando de válvulas etc. Ainda no bloco situam-se diversos canais de
        circulação de óleo e de líquido de refrigeração, além dos furos de passagem para
        hastes de válvulas. Nos motores refrigerados a ar, os cilindros possuem aletas para
        favorecer a circulação e ar entre eles.

               Cárter = Parte inferior do motor, fixada ao bloco onde fica depositado o óleo
        lubrificante. Nos motores de dois tempos, funciona com reservatório de mistura
        antes da admissão.

               Cabeçote: Parte superior do motor que atua com “tampa dos cilindros” e
        contra a qual o pistão comprime a mistura ar-combustível. Contém as válvulas de
        admissão e escape e alojamentos para as velas de ignição (motores Otto) ou para os
        bicos injetores (motores diesel). No cabeçote é montado o conjunto de balancins e
        em motores de alta rotação também contém a árvore de comando de válvulas.

        3.3 – Auxiliares: Bomba d’água, bomba de óleo, ventilador, bomba injetora,
        alternador, radiador etc.

               Bomba d’água: tem a função de forçar a circulação do liquido refrigerante
        pelos canais de circulação do bloco e do cabeçote e conduzi-lo ao radiador para
        troca de calor com o ar.

               Bomba de óleo: tem a função de forçar a circulação do óleo através dos canais
        do bloco, do cabeçote, do virabrequim, através do filtro de óleo para promover a
        lubrificação das peças com movimento entre si e para permitir a filtragem e a
        refrigeração do óleo por troca de calor com o meio ambiente. Alguns motores
        possuem radiadores para refrigeração do óleo.

              Ventilador: Equipamento destinado a forçar a corrente de ar a passar pelo
        radiador para promover a troca de calor do líquido de refrigeração e o ar circulante.
        Pode ter acionamento elétrico ou por correia ligado ao virabrequim.

               Bomba injetora: Equipamento usado nos motores Diesel para forçar o óleo
        para os bicos injetores onde, devido à alta pressão é pulverizado para dentro dos
        cilindros.

               Alternador: Dispositivo destinado a converter a energia mecânica que recebe
        através da correia em energia elétrica que será utilizada na manutenção da carga da
        bateria e circuitos elétricos.



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               Radiador: Componente responsável pela troca de calor entre o líquido de
        refrigeração e o ar forçado pelo radiador. Situa-se normalmente na parte frontal do
        veículo e se constitui de tubos e aletas de material com boa condutividade térmica.




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                                                                9         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
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                                          4- SISTEMAS DE ALIMENTAÇÃO:

           Nos motores a gasolina ou álcool carburante, é composto por uma bomba que
      transfere o combustível do tanque para o carburador e este, por sua vez, promove a
      transformação desse combustível líquido em vaporizada (carburação) através da
      passagem de ar por um “Venturi”. A mistura ar-combustível é, então, conduzida ao
      cilindro para ser queimada. A quantidade de ar para o motor, bem como a quantidade
      de combustível misturada, são controladas através da abertura da borboleta de
      estrangulamento e dos injetores de aceleração e partida.




           Nos motores diesel, a bomba injetora aspira o óleo combustível do tanque e o
      submete a elevadíssimas pressões (até 300 atm) e o envia aos bicos injetores que
      contém furos e diâmetro extremamente reduzidos. Ao passar pelos furos o óleo diesel
      pulveriza-se e ao entrar em contato com o ar aquecido pela compressão sofre a
      ignição.




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                                                       5 – COMBUSTÃO

           Combustão: É o resultado da combinação rápida do oxigênio com o elemento
      combustível, produzindo luz e calor. A eficiência da combustão está diretamente
      ligada à combinação de três elementos:

                        - Temperatura suficiente para a ignição
                        - Tempo necessário pra a combustão completa
                        - Mistura adequada de ar e combustível que permita a queima completa.

           5.1 – Combustível: Substância que reage com o oxigênio (O2) liberando luz e
      calor.

             Classificação dos combustíveis:

           5.1.1 – Combustíveis sólidos: O uso prático de combustíveis sólidos em motores
      não existe. A rigor, o combustível só se queima em estado gasoso. Na década de 40,
      em virtude da falta de combustível provocada pela guerra utilizou-se de um
      dispositivo chamado gasogênio para utilizar combustíveis sólidos. Os combustíveis
      sólidos mais comuns são antracito, carvão vegetal, coque, xisto betuminoso, e
      madeira.

             5.1.2 – Combustíveis líquidos:

            Em geral, todo petróleo cru é formado pela combinação de carbono e
      hidrogênio na proporção aproximada de 86% de carbono (C) e 14% de hidrogênio
      (H) por peso. As diversas maneiras como os átomos de carbono se unem aos de
      hidrogênio formam os variados compostos chamados hidrocarbonetos.

             5.1.2.1 – Combustível líquido de origem vegetal:

          O álcool etílico pode ser obtido da cana de açúcar, da beterraba, do milho, da
      mandioca, da uva, etc. O álcool metílico é obtido do carvão mineral, da celulose de
      madeira ou da destilação fracionada do vinagre.

             Etanol ou álcool etílico: C2H5OH

             Metanol ou álcool metílico: CH3OH

           Óleo vegetal obtido da soja, milho, arroz, mamona, semente de algodão,
      girassol, etc. Todos podem ser usados no motor Diesel, porém apresentam vários
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      inconvenientes que a disponibilidade do Diesel ainda não estimula a pesquisa para
      sua superação e além disso:
           - é praticamente impossível a partida do motor com óleos vegetais;
           - provocam freqüentes entupimentos de bicos injetores


             5.1.3 - Combustível Gasoso:

           Vantagens: partidas fáceis sem necessidade de pré- aquecimento.
           Desvantagem: problemas de armazenamento e manuseio; risco de explosão.
           Classificação:
           Os combustíveis gasosos se dividem em:
           - Gás natural;
           - Gás obtido por gaseificação de combustível sólido (gás de carvão, de processos
      de coqueria etc)
           - Gás obtido da refinação de petróleo (GLP).
             -Gás de alto-forno: produzido no processo siderúrgico; possui grande
      quantidade de monóxido de carbono (CO).
           - Gás de lixo ou biogás: ricos em metano (CH4) e em monóxido de
      carbono(CO).
           Do processo de destilação do petróleo, os gases mais relevantes são:

             - Metano           CH4
              -Etano            C2H 6
               -Propano          C3H8
                - Butano         C4H10

      Os dois últimos constituem o gás de cozinha ou GLP que à temperatura ambiente se
liquefaz a uma pressão de 08 Kgf/ cm2 o que o torna extremamente prático para
estocagem, transporte e consumo.

          5.1.4 -Poder calorífico superior PCS: É a quantidade de calor liberada pela
      queima de 01 Kg do combustível em referência.

          5.1.5 -Poder calorífico inferior ou PCI: Quantidade de calor liberado pela
      queima de 01 Kg do combustível em referência, descontada a parcela necessária para
      a evaporação da umidade contida no combustível. Alguns valores de para
      conhecimento:

             Álcool = 5.000 Kcal/L     Óleo combustível = 10.800 Kcal/Kg
             Querosene = 8.300 Kcal/ Kg      Gás alto forno = 7.000 Kcal / Kg
             Óleo diesel = 8.620 Kcal / Kg GLP = 18.000 Kcal/Kg.
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                                                               12         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
Máquinas Térmicas
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           Em geral, podemos considerar a combustão como reações químicas descritas
      abaixo:

             C                  +        O2               =        CO2
             1 Kmol             +        1 Kmol           =        1 Kmol
             12,01 Kg           +        32,00 Kg         =        44,01 Kg

             Esta reação libera 4,08 X 10 5 KJ

             H2                 +        1 / 2 O2                  =       H2O
             1 Kmol             +        1/2 Kmol                          =   1 Kmol
             2,016 Kg                    +      16,00 Kg                   =   18,00 Kg

             Esta reação libera 2,42 X 10 5 KJ

             S                           +    O2                   =    SO2
             1 Kmol             +        1 Kmol     =              1 Kmol
             32,06 Kg                    +    32,00 Kg             =    64,06 Kg

           A presença de enxofre no combustível apesar de ilusória vantagem de liberar
      energia, é altamente indesejável pelos problemas de corrosão que acarreta e pelo dano
      causado pelas “ chuvas ácidas” que se formam quando o dióxido de enxofre se
      combina com a umidade atmosférica e forma o ácido sulfúrico H2SO4.

           5.1.5 – Combustão completa: Aquela na qual todos os elementos combustíveis
      se combinam com o oxigênio permite a obtenção de toda energia calorífica
      disponível no combustível.

           5.1.6. – Combustão incompleta: Aquela na qual parte dos elementos
      combustíveis não se combina com o oxigênio. Ocorre a perda de energia disponível
      no combustível, formação de fumaça negra, formação de monóxido de carbono (CO),
      que é inflamável e extremamente venenoso; resíduos de hidrogênio e frações de
      hidrocarbonetos gasosos como CH4, CH2, etc. Para se evitar este inconveniente,
      perigoso em determinados níveis de concentração, procura-se estabelecer uma
      combustão com ligeiro excesso de ar para garantia da queima total do todos os
      combustíveis.

           5.1.6 – Cálculo da quantidade de ar necessária para a queima de 01 Kg de
      hidrocarboneto.

             Para este cálculo usaremos a fórmula abaixo:
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             Ac = {137,9 . (n + 0,25m) } / (12n + m) onde:

             Ac = quantidade de ar para a queima de 01 Kg do combustível [ Kg ]
             n = índice do carbono na fórmula do hidrocarboneto.
             m = índice do hidrogênio na fórmula do hidrocarboneto.



          Exemplo 01: Calcular a quantidade de ar necessária para queimar
      completamente 180 litros de gasolina (C8H18)
          Solução: peso específico da gasolina ℘= 830 g / dm³

             180 L = 180 dm³             P = ℘. V          P = 0,83 Kg/ dm³ X 180 dm³ = 149,4 Kgf.

             Ac = {137,9. (8+ 0,25.18) } / (12 . 8 + 18) = 15,12 Kg de ar/kg de gasolina
             Total de ar = 15,12 X 149,9 = 2266,6 Kg de ar.


           Exemplo 02: Calcular a quantidade de ar necessária para queimar 1,0 Kg de óleo
      diesel   (C16H34):

             Ac = 137,9 .(16 + 0,25 . 34) / (12.16 +34) = 14,95 Kg de ar/ Kg de óleo Diesel.




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                                                               14         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
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                     6 - PERFORMANCE de um MOTOR de COMBUSTÃO INTERNA


           Quando ocorre a combustão da mistura ar-combustível no interior do cilindro do
      motor, a energia liberada por unidade de tempo é consumida pelo atrito interno do
      motor, pelo trabalho que os pistões realizam sobre o eixo do motor e por uma parcela
      que é perdida no tempo de escapamento dos gases produzidos para a atmosfera.

             Distribuição da potência obtida na combustão:

             30% - são convertidos em potência mecânica
             20% - consumidas no processo de refrigeração
             5% - são perdidos sob a forma de atrito interno
             45% - perdidos nos gases de escapamento

           - A Potência Indicada ( Pi ), é a potência desenvolvida sobre a cabeça do pistão
      e decorrente da combustão da mistura ar-combustível.

          Para um motor de quatro tempos                            Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 900.000
      (CV)

          Para um motor de dois tempos                               Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 450.000
      (CV)

             Onde:
             pmi – pressão média indicada em kgf/cm2
             A – área da cabeça do pistão em cm2
             l – curso do pistão em cm
             n – número de cilindros
             N – rotação do motor em rpm

           Nos países anglo-saxônicos, a unidade HP é usada para calcular a potência
      indicada. Neste caso temos:

             Para um motor de quatro tempos                         Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 792.000
      (HP)

             Para um motor de dois tempos                            Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 396.000
      (HP)



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                                                               15         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
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             Onde:
             pmi – pressão média indicada em lbf / pol2
             A – área da cabeça do pistão em pol2
             l – curso do pistão em pol
             n – número de cilindros
             N – rotação do motor em rpm

           - Potência efetiva ( Pe ) é a potência medida sobre o eixo de manivelas do
      motor. O seu cálculo é feito de maneira semelhante ao da potência indicada,
      considerando que no lugar da pressão média indicada, devemos usar a pressão média
      efetiva. Na prática essa potência é determinada por meio de dinamômetros,
      conhecido por Freio de Prony. Por esta razão, a potência efetiva também é conhecida
      por potência no freio.




             Relação entre as potências

            A potência indicada é igual à soma das potências efetiva com a potência de
      atrito. Onde a potência de atrito representa as perdas com o movimento relativo e
      também para acionamento de outros acessórios como bombas e geradores.




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                                                               16         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
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                                                    7 -QUESTIONÁRIO


             1- Escreva o que é um Motor de Combustão Interna ?

             2- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de
                ignição?

             3- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de
                alimentação?

             4- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de ciclo
                operativo?

             5- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de
                refrigeração?

             6- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de
                disposição dos cilindros?

             7- O que é Ponto Morto Superior ( PMS) de um motor de combustão interna?

             8- O que é Ponto Morto Inferior (PMI) de um motor de combustão interna?

             9- Como é definido o Curso de um pistão?

             10-O que significa Cilindrada de um motor?

             11-Qual é o significado de um motor 1.8?

             12-Qual é o significado de um motor 2000?

             13-Como é calculado a cilindrada de um motor de combustão interna?

             14-O que significa taxa de compressão de um motor?

             15-Descreva o tempo de Admissão de um motor.

             16-Descreva o tempo de Compressão de um motor.

             17-Descreva o tempo de Expansão de um motor.
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                                                               17         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .
Máquinas Térmicas
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             18-Descreva o tempo de Escape de um motor.

             19-Conforme o tempo do motor, informe a posição do pistão e a situação das
                válvulas de admissão e de escape.

             20-Quais são os componentes móveis de um motor?

             21-Quais são os componentes fixos de um motor?

             22-Um veículo nacional tem um motor 1.8 a álcool hidratado C2H6O; de quatro
                cilindros e é de quatro tempos. Possui um tanque de combustível com
                capacidade de 58 Litros.


             a- Qual é a cilindrada deste motor?
             b- Se o diâmetro do cilindro for 76 mm, qual é o curso deste motor?
             c- Qual é o peso do combustível armazenado no tanque? Peso específico do
                álcool 800 Kgf/m3.
             d- Qual é a quantidade de ar em Kgf para queima de todo o combustível
                armazenado no tanque?




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                                                               18         Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009      .

Pratica Industrial

  • 1.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________ 1 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 2.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ Índice ________________________________________________________________________________________________________________________ 2 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 3.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 1 - DEFINIÇÕES e CONCEITOS 1.1 – Motor: É uma máquina destinada a converter qualquer forma de energia em energia mecânica. 1.2 - Combustão: Reação química entre um combustível e um comburente com liberação de calor e luminosidade (normalmente) de forma exotérmica. Voltaremos a este assunto oportunamente. 1.3 - Motor de combustão interna (MCI), converte Calor em energia mecânica. São máquinas dentro da quais os produtos da combustão geram os movimentos dos componentes. Ex: motor por centelha ou motor de ciclo Otto, motor por ignição a compressão ou motor de ciclo Diesel; turbinas a gás. Classificação dos motores de combustão interna: 1.3.1– Quanto ao Sistema de ignição: - Ignição por centelha – Motores Otto - Ignição por compressão – Motores Diesel 1.3.2 – Quanto ao sistema de alimentação: - Alimentação por carburação – Álcool ou gasolina - Alimentação por bomba injetora – Motores Diesel - Alimentação por misturador – Motores a gás GNV ou GLP - Alimentação por injeção direta – Modernos motores Otto e Diesel 1.3.3 – Quanto ao ciclo operativo: - Motores de 4 tempos -Motores de 2 tempos 1.3.4 – Quanto ao sistema de refrigeração: - Motores refrigerados a água - Motores refrigerados a ar – Volks, Deutz e Krupp. 1.3.5 – Quanto à disposição dos cilindros: ________________________________________________________________________________________________________________________ 3 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 4.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ - Em linha – 4, 6 ou 8 cilindros. - Cilindros opostos – Volks e Boxer - Pistões opostos – motores delta para lanchas - Em estrela – motores para aviação - Em “V” – 6, 8, 12, 16 ou mais cilindros. 1.4 – Potência: Capacidade de realizar trabalho por unidade de tempo. Para motores de combustão usamos as unidades: 1.4.1 – Horse Power (hp) – Potência necessária para elevar 33.000 Lbs. a uma altura de 01 ft. de altura em 01 minuto. Equivale a 745,7 watts. É a unidade de potência usada pela norma americana SAE e para sua medição o motor deverá estar sem os equipamentos consumidores (ventilador, bomba d’água, alternador, compressor, tomadas de força, etc). 1.4.2 – Cavalo-vapor ou cv ou PS: Corresponde à potência necessária para elevar um peso de 75 Kgf à altura de 01 m em 01 seg. É a unidade de potência da norma alemã DIN e para sua medição o motor deverá estar completamente equipado. Corresponde a 735,5 watts. 1.5 – Curso do pistão = Distância percorrida pelo pistão entre o Ponto Morto Superior (PMS) e o Ponto Morto Inferior (PMI). O ponto morto é o ponto em que o pistão inverte seu sentido de movimento. 1.6 – Cilindrada: É o volume deslocado pelo pistão entre o PMI e o PMS medido em cm³ ou em Litros, aqui no Brasil. C = (( π/4 . d²). L).N onde: C = cilindrada do motor N = número de cilindros do motor d = diâmetro do cilindro (cm) L = curso do pistão (cm) Ex: Um motor com 4 cilindros de diâmetro 3. 75” e curso de 98 mm tem cilindrada: C= (π/4 . (9,525 cm)² . 9,8 cm ). 4 = 2.793 cm3 ou (2.800 cilindradas) ou (2.8 Litros) ________________________________________________________________________________________________________________________ 4 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 5.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 1.7 – Taxa de compressão ou Relação de compressão: É a relação entre o volume do cilindro quando o pistão está no PMI e quando ele se encontra no PMS. A taxa de compressão é expressa na forma 6:1 ou 7:1 ( lê-se 6 para 1 ou 7 para 1). Rc = V (pmi) / V(pms) onde: Rc: Relação de compressão ou taxa de compressão V(pmi) = volume quando o pistão está no PMI. V(pms) = volume quando o pistão está no PMS. 2- CICLOS OPERATIVOS 2. 1 – Motores de 04 tempos 2.1.1 – ADMISSÃO - É a fase do ciclo de funcionamento do motor durante a qual a mistura ar-combustível (no motor ciclo OTTO) ou ar (no motor ciclo DIESEL) é aspirada para o interior do cilindro, com a válvula de admissão aberta e a válvula de escape fechada, e o pistão indo do PMS ao PMI. 2.1.2 – COMPRESSÃO - É a fase do ciclo de funcionamento do motor durante a qual a mistura ar-combustível (motor ciclo OTTO) ou ar (motor ciclo DIESEL) é comprimida no interior do cilindro, são elevadas a pressão e a temperatura para depois ser inflamada. Nos motores do ciclo OTTO, a pressão da mistura ar – combustível no final desta fase pode alcançar de 12 a 20 bar e a temperatura de 300ºC a 480ºC. Nos motores a diesel, a combustão começa logo após a injeção do combustível e ao final da fase de compressão, a pressão pode chegar a valores entre 35 e 50 bar e a temperatura atinge de 430ºC a 600ºC. A fase de compressão inicia quando o pistão começa sua subida em direção ao ponto morto superior (PMS) e a válvula de admissão se fecha. Durante o processo, a mistura ar-combustível (ou somente ar nos motores Diesel) primeiro recebe calor das paredes do cilindro, mas aos poucos o calor começa a ser liberado pela própria mistura. Teoricamente a fase deveria terminar no momento em que o pistão alcançar o PMS, mas ela é antecipada porque a faísca no terminal do eletrodo explode um pouco antes dessa posição. A ________________________________________________________________________________________________________________________ 5 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 6.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ injeção nos motores Diesel também começa vários graus antes do ponto morto superior. 2.1.3 – EXPANSÃO - É a fase que vem depois da combustão. Nela o pistão desce do PMS ao PMI e parte da pressão exercida sobre ele pelos gases em alta temperatura é transmitida ao virabrequim. 2.1.4 – ESCAPE - É a fase na qual os gases são expulsos do cilindro. Em tese, deveria iniciar quando o pistão sai do PMI e vai para o PMS. Na realidade, a válvula de escape começa a abrir um pouco antes de o pistão chegar ao PMI, ao final da fase de expansão, e os gases começam a sair pelo duto de descarga graças à pressão interna. Dessa forma, quando o pistão inverte seu movimento, uma vez atingido o PMI, e começa a trajetória rumo ao PMS, a válvula de escape já esta bem levantada e boa parte dos gases já saiu do cilindro. Em conseqüência, o trabalho, e, portanto a potência subtraída do virabrequim, necessário para completar a fase de descarga é menor, em beneficio do rendimento do motor. Nos motores do ciclo OTTO, funcionando com a válvula borboleta do carburador completamente aberta, os gases de combustão escoam dos cilindros com temperatura entre 800ºC a 900ºC- temperatura que sobe ainda mais se o motor for sobrealimentado. Nos motores a diesel, a temperatura em questão é bem mais baixa em torno de 550ºC a 650ºC. Ela também sobe se o motor for sobrealimentado. 2.2 – Motor de 02 tempos: Os motores de 02 tempos combinam em apenas 02 cursos as funções do motor de 04 tempos. Ocorrendo a combustão o pistão é impulsionado para baixo, fornecendo movimento à árvore e comprimindo a mistura ar/combustível no cárter para utilizá-la no ciclo seguinte. Pouco antes de atingir o PMI o pistão descobre as janelas da camisa permitindo que a mistura comprimida empurre os gases da combustão para fora do cilindro e preenchendo-o com nova mistura. A nova mistura é comprimida, sofre ignição, expande-se e reinicia-se o ciclo. O funcionamento dos motores Diesel de 02 tempos é semelhante destacando-se algumas peculiaridades: - Não há “mistura” admitida, apenas ar puro forçado para dentro do cilindro por compressor tipo lóbulo (blower) ou turbo alimentador acionado por gases de escape. O óleo diesel é injetado de maneira semelhante à do motor Diesel de 04 tempos. ________________________________________________________________________________________________________________________ 6 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 7.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 3- PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM MCI: Os componentes do motor são classificados em: 3.1 – Móveis: Bielas, pistão, árvore de manivelas ou virabrequim, árvore comando de válvulas, mecanismos de acionamento das válvulas. Biela: É o “braço” de ligação entre a árvore de manivelas e o pistão. Recebe o impulso do pistão e o transmite à árvore. É o componente que permite a transformação do movimento retilíneo do pistão em movimento rotativo no virabrequim. Pistão: Recebe o impulso provocado pela explosão da mistura combustível e o transmite à biela. No tempo de compressão é o responsável por comprimir a mistura no trajeto PMI ao PMS. Árvore de manivelas ou virabrequim: É a parte que recebe o movimento retilíneo da biela e o transforma em movimento rotativo disponível no volante do motor. Árvore comando de válvulas: Sua função é abrir e fechar as válvulas de admissão e escape nos tempos correspondentes. É acionada pelo virabrequim por engrenagem, corrente ou por correia sincronizadora. Os ressaltos de que se compõe recebem o nome de cames. Os cames acionam os tuchos, as hastes das válvulas e os balancins que acionam a válvula. Válvulas: Dividem-se em válvulas de admissão e de escape. As válvulas de admissão se abrem para permitir a entrada do mistura ar-combustível, ou apenas ar, no tempo de admissão permanecendo fechadas nos demais tempos. O mesmo raciocínio se aplica às válvulas de escape. Mecanismo de acionamento das válvulas: Compõe-se de tuchos, hastes e balancins. No momento em que a árvore de comando gira, o ressalto (came) aciona o tucho que move a haste, que aciona o balancin, que comprime o pé da válvula, forçando-a a abrir. 3.2 Fixos: Bloco do motor, cárter, cabeçote. Bloco do motor: É o maior componente do motor e a estrutura sobre a qual se monta a maior parte dos componentes. É uma peça fundida em ferro ou alumínio com posterior usinagem para formar os cilindros, os alojamentos da árvore de ________________________________________________________________________________________________________________________ 7 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 8.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ manivelas (mancais fixos) e sedes ou apoios para motor de partida, cárter, bombas, cabeçote, comando de válvulas etc. Ainda no bloco situam-se diversos canais de circulação de óleo e de líquido de refrigeração, além dos furos de passagem para hastes de válvulas. Nos motores refrigerados a ar, os cilindros possuem aletas para favorecer a circulação e ar entre eles. Cárter = Parte inferior do motor, fixada ao bloco onde fica depositado o óleo lubrificante. Nos motores de dois tempos, funciona com reservatório de mistura antes da admissão. Cabeçote: Parte superior do motor que atua com “tampa dos cilindros” e contra a qual o pistão comprime a mistura ar-combustível. Contém as válvulas de admissão e escape e alojamentos para as velas de ignição (motores Otto) ou para os bicos injetores (motores diesel). No cabeçote é montado o conjunto de balancins e em motores de alta rotação também contém a árvore de comando de válvulas. 3.3 – Auxiliares: Bomba d’água, bomba de óleo, ventilador, bomba injetora, alternador, radiador etc. Bomba d’água: tem a função de forçar a circulação do liquido refrigerante pelos canais de circulação do bloco e do cabeçote e conduzi-lo ao radiador para troca de calor com o ar. Bomba de óleo: tem a função de forçar a circulação do óleo através dos canais do bloco, do cabeçote, do virabrequim, através do filtro de óleo para promover a lubrificação das peças com movimento entre si e para permitir a filtragem e a refrigeração do óleo por troca de calor com o meio ambiente. Alguns motores possuem radiadores para refrigeração do óleo. Ventilador: Equipamento destinado a forçar a corrente de ar a passar pelo radiador para promover a troca de calor do líquido de refrigeração e o ar circulante. Pode ter acionamento elétrico ou por correia ligado ao virabrequim. Bomba injetora: Equipamento usado nos motores Diesel para forçar o óleo para os bicos injetores onde, devido à alta pressão é pulverizado para dentro dos cilindros. Alternador: Dispositivo destinado a converter a energia mecânica que recebe através da correia em energia elétrica que será utilizada na manutenção da carga da bateria e circuitos elétricos. ________________________________________________________________________________________________________________________ 8 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 9.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ Radiador: Componente responsável pela troca de calor entre o líquido de refrigeração e o ar forçado pelo radiador. Situa-se normalmente na parte frontal do veículo e se constitui de tubos e aletas de material com boa condutividade térmica. ________________________________________________________________________________________________________________________ 9 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 10.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 4- SISTEMAS DE ALIMENTAÇÃO: Nos motores a gasolina ou álcool carburante, é composto por uma bomba que transfere o combustível do tanque para o carburador e este, por sua vez, promove a transformação desse combustível líquido em vaporizada (carburação) através da passagem de ar por um “Venturi”. A mistura ar-combustível é, então, conduzida ao cilindro para ser queimada. A quantidade de ar para o motor, bem como a quantidade de combustível misturada, são controladas através da abertura da borboleta de estrangulamento e dos injetores de aceleração e partida. Nos motores diesel, a bomba injetora aspira o óleo combustível do tanque e o submete a elevadíssimas pressões (até 300 atm) e o envia aos bicos injetores que contém furos e diâmetro extremamente reduzidos. Ao passar pelos furos o óleo diesel pulveriza-se e ao entrar em contato com o ar aquecido pela compressão sofre a ignição. ________________________________________________________________________________________________________________________ 10 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 11.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 5 – COMBUSTÃO Combustão: É o resultado da combinação rápida do oxigênio com o elemento combustível, produzindo luz e calor. A eficiência da combustão está diretamente ligada à combinação de três elementos: - Temperatura suficiente para a ignição - Tempo necessário pra a combustão completa - Mistura adequada de ar e combustível que permita a queima completa. 5.1 – Combustível: Substância que reage com o oxigênio (O2) liberando luz e calor. Classificação dos combustíveis: 5.1.1 – Combustíveis sólidos: O uso prático de combustíveis sólidos em motores não existe. A rigor, o combustível só se queima em estado gasoso. Na década de 40, em virtude da falta de combustível provocada pela guerra utilizou-se de um dispositivo chamado gasogênio para utilizar combustíveis sólidos. Os combustíveis sólidos mais comuns são antracito, carvão vegetal, coque, xisto betuminoso, e madeira. 5.1.2 – Combustíveis líquidos: Em geral, todo petróleo cru é formado pela combinação de carbono e hidrogênio na proporção aproximada de 86% de carbono (C) e 14% de hidrogênio (H) por peso. As diversas maneiras como os átomos de carbono se unem aos de hidrogênio formam os variados compostos chamados hidrocarbonetos. 5.1.2.1 – Combustível líquido de origem vegetal: O álcool etílico pode ser obtido da cana de açúcar, da beterraba, do milho, da mandioca, da uva, etc. O álcool metílico é obtido do carvão mineral, da celulose de madeira ou da destilação fracionada do vinagre. Etanol ou álcool etílico: C2H5OH Metanol ou álcool metílico: CH3OH Óleo vegetal obtido da soja, milho, arroz, mamona, semente de algodão, girassol, etc. Todos podem ser usados no motor Diesel, porém apresentam vários ________________________________________________________________________________________________________________________ 11 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 12.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ inconvenientes que a disponibilidade do Diesel ainda não estimula a pesquisa para sua superação e além disso: - é praticamente impossível a partida do motor com óleos vegetais; - provocam freqüentes entupimentos de bicos injetores 5.1.3 - Combustível Gasoso: Vantagens: partidas fáceis sem necessidade de pré- aquecimento. Desvantagem: problemas de armazenamento e manuseio; risco de explosão. Classificação: Os combustíveis gasosos se dividem em: - Gás natural; - Gás obtido por gaseificação de combustível sólido (gás de carvão, de processos de coqueria etc) - Gás obtido da refinação de petróleo (GLP). -Gás de alto-forno: produzido no processo siderúrgico; possui grande quantidade de monóxido de carbono (CO). - Gás de lixo ou biogás: ricos em metano (CH4) e em monóxido de carbono(CO). Do processo de destilação do petróleo, os gases mais relevantes são: - Metano CH4 -Etano C2H 6 -Propano C3H8 - Butano C4H10 Os dois últimos constituem o gás de cozinha ou GLP que à temperatura ambiente se liquefaz a uma pressão de 08 Kgf/ cm2 o que o torna extremamente prático para estocagem, transporte e consumo. 5.1.4 -Poder calorífico superior PCS: É a quantidade de calor liberada pela queima de 01 Kg do combustível em referência. 5.1.5 -Poder calorífico inferior ou PCI: Quantidade de calor liberado pela queima de 01 Kg do combustível em referência, descontada a parcela necessária para a evaporação da umidade contida no combustível. Alguns valores de para conhecimento: Álcool = 5.000 Kcal/L Óleo combustível = 10.800 Kcal/Kg Querosene = 8.300 Kcal/ Kg Gás alto forno = 7.000 Kcal / Kg Óleo diesel = 8.620 Kcal / Kg GLP = 18.000 Kcal/Kg. ________________________________________________________________________________________________________________________ 12 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 13.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ Em geral, podemos considerar a combustão como reações químicas descritas abaixo: C + O2 = CO2 1 Kmol + 1 Kmol = 1 Kmol 12,01 Kg + 32,00 Kg = 44,01 Kg Esta reação libera 4,08 X 10 5 KJ H2 + 1 / 2 O2 = H2O 1 Kmol + 1/2 Kmol = 1 Kmol 2,016 Kg + 16,00 Kg = 18,00 Kg Esta reação libera 2,42 X 10 5 KJ S + O2 = SO2 1 Kmol + 1 Kmol = 1 Kmol 32,06 Kg + 32,00 Kg = 64,06 Kg A presença de enxofre no combustível apesar de ilusória vantagem de liberar energia, é altamente indesejável pelos problemas de corrosão que acarreta e pelo dano causado pelas “ chuvas ácidas” que se formam quando o dióxido de enxofre se combina com a umidade atmosférica e forma o ácido sulfúrico H2SO4. 5.1.5 – Combustão completa: Aquela na qual todos os elementos combustíveis se combinam com o oxigênio permite a obtenção de toda energia calorífica disponível no combustível. 5.1.6. – Combustão incompleta: Aquela na qual parte dos elementos combustíveis não se combina com o oxigênio. Ocorre a perda de energia disponível no combustível, formação de fumaça negra, formação de monóxido de carbono (CO), que é inflamável e extremamente venenoso; resíduos de hidrogênio e frações de hidrocarbonetos gasosos como CH4, CH2, etc. Para se evitar este inconveniente, perigoso em determinados níveis de concentração, procura-se estabelecer uma combustão com ligeiro excesso de ar para garantia da queima total do todos os combustíveis. 5.1.6 – Cálculo da quantidade de ar necessária para a queima de 01 Kg de hidrocarboneto. Para este cálculo usaremos a fórmula abaixo: ________________________________________________________________________________________________________________________ 13 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
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    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ Ac = {137,9 . (n + 0,25m) } / (12n + m) onde: Ac = quantidade de ar para a queima de 01 Kg do combustível [ Kg ] n = índice do carbono na fórmula do hidrocarboneto. m = índice do hidrogênio na fórmula do hidrocarboneto. Exemplo 01: Calcular a quantidade de ar necessária para queimar completamente 180 litros de gasolina (C8H18) Solução: peso específico da gasolina ℘= 830 g / dm³ 180 L = 180 dm³ P = ℘. V P = 0,83 Kg/ dm³ X 180 dm³ = 149,4 Kgf. Ac = {137,9. (8+ 0,25.18) } / (12 . 8 + 18) = 15,12 Kg de ar/kg de gasolina Total de ar = 15,12 X 149,9 = 2266,6 Kg de ar. Exemplo 02: Calcular a quantidade de ar necessária para queimar 1,0 Kg de óleo diesel (C16H34): Ac = 137,9 .(16 + 0,25 . 34) / (12.16 +34) = 14,95 Kg de ar/ Kg de óleo Diesel. ________________________________________________________________________________________________________________________ 14 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 15.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 6 - PERFORMANCE de um MOTOR de COMBUSTÃO INTERNA Quando ocorre a combustão da mistura ar-combustível no interior do cilindro do motor, a energia liberada por unidade de tempo é consumida pelo atrito interno do motor, pelo trabalho que os pistões realizam sobre o eixo do motor e por uma parcela que é perdida no tempo de escapamento dos gases produzidos para a atmosfera. Distribuição da potência obtida na combustão: 30% - são convertidos em potência mecânica 20% - consumidas no processo de refrigeração 5% - são perdidos sob a forma de atrito interno 45% - perdidos nos gases de escapamento - A Potência Indicada ( Pi ), é a potência desenvolvida sobre a cabeça do pistão e decorrente da combustão da mistura ar-combustível. Para um motor de quatro tempos Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 900.000 (CV) Para um motor de dois tempos Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 450.000 (CV) Onde: pmi – pressão média indicada em kgf/cm2 A – área da cabeça do pistão em cm2 l – curso do pistão em cm n – número de cilindros N – rotação do motor em rpm Nos países anglo-saxônicos, a unidade HP é usada para calcular a potência indicada. Neste caso temos: Para um motor de quatro tempos Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 792.000 (HP) Para um motor de dois tempos Pi = ( pmi x A x l x n x N ) / 396.000 (HP) ________________________________________________________________________________________________________________________ 15 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
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    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ Onde: pmi – pressão média indicada em lbf / pol2 A – área da cabeça do pistão em pol2 l – curso do pistão em pol n – número de cilindros N – rotação do motor em rpm - Potência efetiva ( Pe ) é a potência medida sobre o eixo de manivelas do motor. O seu cálculo é feito de maneira semelhante ao da potência indicada, considerando que no lugar da pressão média indicada, devemos usar a pressão média efetiva. Na prática essa potência é determinada por meio de dinamômetros, conhecido por Freio de Prony. Por esta razão, a potência efetiva também é conhecida por potência no freio. Relação entre as potências A potência indicada é igual à soma das potências efetiva com a potência de atrito. Onde a potência de atrito representa as perdas com o movimento relativo e também para acionamento de outros acessórios como bombas e geradores. ________________________________________________________________________________________________________________________ 16 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
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    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 7 -QUESTIONÁRIO 1- Escreva o que é um Motor de Combustão Interna ? 2- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de ignição? 3- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de alimentação? 4- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de ciclo operativo? 5- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de refrigeração? 6- Como são classificados os Motores de Combustão Interna pelo tipo de disposição dos cilindros? 7- O que é Ponto Morto Superior ( PMS) de um motor de combustão interna? 8- O que é Ponto Morto Inferior (PMI) de um motor de combustão interna? 9- Como é definido o Curso de um pistão? 10-O que significa Cilindrada de um motor? 11-Qual é o significado de um motor 1.8? 12-Qual é o significado de um motor 2000? 13-Como é calculado a cilindrada de um motor de combustão interna? 14-O que significa taxa de compressão de um motor? 15-Descreva o tempo de Admissão de um motor. 16-Descreva o tempo de Compressão de um motor. 17-Descreva o tempo de Expansão de um motor. ________________________________________________________________________________________________________________________ 17 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .
  • 18.
    Máquinas Térmicas ________________________________________________________________________________ 18-Descreva o tempo de Escape de um motor. 19-Conforme o tempo do motor, informe a posição do pistão e a situação das válvulas de admissão e de escape. 20-Quais são os componentes móveis de um motor? 21-Quais são os componentes fixos de um motor? 22-Um veículo nacional tem um motor 1.8 a álcool hidratado C2H6O; de quatro cilindros e é de quatro tempos. Possui um tanque de combustível com capacidade de 58 Litros. a- Qual é a cilindrada deste motor? b- Se o diâmetro do cilindro for 76 mm, qual é o curso deste motor? c- Qual é o peso do combustível armazenado no tanque? Peso específico do álcool 800 Kgf/m3. d- Qual é a quantidade de ar em Kgf para queima de todo o combustível armazenado no tanque? ________________________________________________________________________________________________________________________ 18 Motores de Combustão Interna ( MCI ) - 2009 .