O LIVRO SOLIDÁRIO


Texto: Letícia Soares
Ilustração: Hildegardis Bunda
Turma 9º A




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Era uma vez um rapaz que se chamava Mau-Duar, que vivia com os pais
numa aldeia isolada no Distrito de Viqueque, que fica numa ilha do sudeste
asiático que se chama Timor-Leste. Ele era alto, moreno, magro, de olhos
castanhos, usava uma camisola rasgada de cor verde e umas calças em mau
estado, e andava descalço.
      Naquele local existem muitas paisagens de praias e montanhas
maravilhosas e as casas são feitas de telhas e de madeira, e são muito bonitas.
      Mau-Duar nunca tinha andado numa escola, porque naquele tempo só
as pessoas ricas é que iam à escola e por isso era quase analfabeto.
      Quase todas as noites, Mau-Duar sonhava que um dia alguém lhe iria
oferecer um livro e queria que o sonho dele se tornasse realidade. No seu
sonho, uma rapariga iria oferecer-lhe um livro de magia que poderia ensiná-lo
a ler e a escrever, e iria ajudar os pobres a realizar o seu sonho.
      Certa noite, houve uma grande tempestade, choveu imenso, o mar ficou
muito agitado e os trovões parecia que caíam mesmo em cima da casa.
Naquela noite, parecia que o mundo iria desabar. O Mau-Duar não conseguia
dormir, por isso, abriu a sua janela para ver o acontecia lá fora e naquele
momento um pombo voava em direção a ele e pousava mesmo em cima da
sua mão. O pombo levava uma mensagem no bico. Ele tirou a mensagem do
bico e tentou ler a mensagem, que dizia: Mau-Duar, eu espero-te amanhã
muito cedo na praia, eu quero dar-te uma coisa muito importante. Com isso,
podes alcançar os teus sonhos e ser solidário com os outros.
      Quando ele acabou de ler, guardou a mensagem no armário e voltou ao
lugar onde o pombo tinha estado, mas o pombo tinha desaparecido. De
manhã, quando acordou, abriu a janela e olhou o ambiente lá fora, que era
muito calmo, o mar estava lindo, as ondas batiam levemente, o sol brilhava no



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céu, os passarinhos voavam alegremente no céu e cantavam como um grande
coro.
        Assim, o rapaz decidiu lavar-se, quando acabou, vestiu-se e saiu de casa.
Foi diretamente à praia como a mensagem lhe tinha dito para fazer. Na praia
ele encontrou uma sereia muito bonita, os cabelos eram muito compridos e na
parte superior ela vestia uma coisa parecida com um soutien , mas feito de
coco. Na parte inferior era parecida com um peixe. O rapaz teve medo e
deciciu fugir, mas a sereia gritou:
        - Ó rapaz, não precisas de fugir, eu não te vou fazer mal, confia em mim!
        O Mau-Duar acreditou e foi falar com a sereia:
        - O que queres de mim?
        - Eu não quero nada, só quero oferecer-te um livro de magia. Fui eu que
te mandei a mensagem.
        - Porque é que me queres dar um livro?
        - Eu quero dar-te um livro, porque és uma boa pessoa e quero que tu
sejas solidário.
        - Mas como é que eu vou usar o livro para ajudar os outros?
        - Para ajudar os outros, tu tens de abrir o livro e ler a frase que está
pintada de cor verde, tens de pensar no que queres e vais alcançar os teus
pedidos.
        - Muito obrigada pela tua confiança. Quero saber mais uma coisa: quem
és tu e onde vives?
        - Eu chamo-me Linda e sou a filha mais nova do Rei do Mar. Vivo no
fundo do mar, onde o mar é muito fundo, muito longe da terra, onde as ondas
são as mais tremendas do mundo e fazem arrepios.
        - Um dia, eu quero visitar a tua terra-natal.



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- Eu gostaria de te levar lá, mas tu não podes respirar debaixo do mar e
existem muitos obstáculos para percorrer.
      - Que pena!
      E naquele momento ela tirou de dentro de água um livro parecido com o
ouro, que era muito brilhante e muito grande. Deu-lhe o livro e disse:
      - Este livro é especial e quero que o uses para praticar a solidariedade,
porque foi feito para ajudar as pessoas.
      - Eu juro que vou cuidar dele e ajudar as pessoas, e quero ser o teu
melhor amigo.
      - Tu já és o meu melhor amigo. Agora, quero despedir-me, porque tenho
de voltar ao mar. Juro-te que aos domingos de manhã virei visitar-te sempre.
      - Boa viagem, minha amiga, eu também vou esperar-te sempre aos
domingos. Adeus, amiga, vou ter imensas saudades tuas!
      Assim, a sereia Linda partiu e o rapaz decidiu voltar a casa e decidiu
experimentar o livro. Leu a frase escrita a verde, como a sereia tinha dito, e
pensou em ter 100 livros de diferentes tipos. Então, ele decidiu distribuir os
livros pelas crianças do seu bairro. A partir daquele momento, quase todas as
crianças naquele local aprenderam a ler e a escrever.
      Com o livro mágico, ele também ajudou os pais financeiramente e
algumas populações do seu país, e construiu novas escolas gratuitas.
      Mau-Duar era muito famoso na sua aldeia e era considerado o herói do
povo. Mas um grande problema aconteceu. Uma noite, aconteceu a maior
tempestade de todas, as águas do mar entraram nas casas das pessoas, os
relâmpagos partiram e queimaram imensas árvores e mataram algumas
pessoas. Naquela noite, ouviu-se uma voz grossa, vinda do mar, a dizer:




                                       4
- Mau-Duar, eu sou o Rei do Mar e das Sereias, eu quero que tu devolvas
o livro que a minha filha roubou ao mar, senão a tua terra vai sofrer um grande
maremoto!
      Mau-Duar ouviu aquela voz e ficou muito assustado e resolveu fazer
como o Rei do Mar e das Sereias disse. E quando chegou o dia seguinte, ele
acordou e foi entregar o livro mágico ao Rei do Mar. Quando chegou ao mar,
as ondas começaram a agitar-se e saiu de lá um homem de grande tamanho,
branco, com uns cabelos compridos, que vestia umas roupas todas vermelhas
e usava uma coroa na cabeça. Ele percebeu logo que era o Rei do Mar.
      O Rei do Mar disse-lhe:
      - Ó rapaz, onde está o meu livro mágico?
      - Está aqui, mas eu nunca pedi à tua filha para me dar este livro.
      - Eu não quero as tuas explicações, eu não gosto de ajudar as pessoas.
      Naquele momento, a filha apareceu e disse:
      - Ó pai, em primeiro lugar, quero pedir grandes desculpas, mas eu gosto
de ajudar as pessoas, porque fico feliz se todas as pessoas estiverem felizes
também.
      Então, Mau-Duar abriu o livro e desejou que o pai da sereia se acalmasse
e começasse a gostar de ajudar as pessoas, de ser solidário.
      O desejo realizou-se. O pai disse:
      - Minha filha, eu peço desculpa, agora já sei que nós devemos ser
solidários, porque é lindo, e vou-te oferecer este livro a ti, Mau-Duar, e deves
cuidar dele e ajudar as pessoas que precisam. Eu e a minha filha queremos
despedir-nos de ti. Até qualquer dia!
      E eles desapareceram no mar. Mau-Duar e todo o seu povo viveram
felizes e aprenderam muita coisa sobre a solidariedade.



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Pnl menção honrosa - livro solidario

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    O LIVRO SOLIDÁRIO Texto:Letícia Soares Ilustração: Hildegardis Bunda Turma 9º A 1
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    Era uma vezum rapaz que se chamava Mau-Duar, que vivia com os pais numa aldeia isolada no Distrito de Viqueque, que fica numa ilha do sudeste asiático que se chama Timor-Leste. Ele era alto, moreno, magro, de olhos castanhos, usava uma camisola rasgada de cor verde e umas calças em mau estado, e andava descalço. Naquele local existem muitas paisagens de praias e montanhas maravilhosas e as casas são feitas de telhas e de madeira, e são muito bonitas. Mau-Duar nunca tinha andado numa escola, porque naquele tempo só as pessoas ricas é que iam à escola e por isso era quase analfabeto. Quase todas as noites, Mau-Duar sonhava que um dia alguém lhe iria oferecer um livro e queria que o sonho dele se tornasse realidade. No seu sonho, uma rapariga iria oferecer-lhe um livro de magia que poderia ensiná-lo a ler e a escrever, e iria ajudar os pobres a realizar o seu sonho. Certa noite, houve uma grande tempestade, choveu imenso, o mar ficou muito agitado e os trovões parecia que caíam mesmo em cima da casa. Naquela noite, parecia que o mundo iria desabar. O Mau-Duar não conseguia dormir, por isso, abriu a sua janela para ver o acontecia lá fora e naquele momento um pombo voava em direção a ele e pousava mesmo em cima da sua mão. O pombo levava uma mensagem no bico. Ele tirou a mensagem do bico e tentou ler a mensagem, que dizia: Mau-Duar, eu espero-te amanhã muito cedo na praia, eu quero dar-te uma coisa muito importante. Com isso, podes alcançar os teus sonhos e ser solidário com os outros. Quando ele acabou de ler, guardou a mensagem no armário e voltou ao lugar onde o pombo tinha estado, mas o pombo tinha desaparecido. De manhã, quando acordou, abriu a janela e olhou o ambiente lá fora, que era muito calmo, o mar estava lindo, as ondas batiam levemente, o sol brilhava no 2
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    céu, os passarinhosvoavam alegremente no céu e cantavam como um grande coro. Assim, o rapaz decidiu lavar-se, quando acabou, vestiu-se e saiu de casa. Foi diretamente à praia como a mensagem lhe tinha dito para fazer. Na praia ele encontrou uma sereia muito bonita, os cabelos eram muito compridos e na parte superior ela vestia uma coisa parecida com um soutien , mas feito de coco. Na parte inferior era parecida com um peixe. O rapaz teve medo e deciciu fugir, mas a sereia gritou: - Ó rapaz, não precisas de fugir, eu não te vou fazer mal, confia em mim! O Mau-Duar acreditou e foi falar com a sereia: - O que queres de mim? - Eu não quero nada, só quero oferecer-te um livro de magia. Fui eu que te mandei a mensagem. - Porque é que me queres dar um livro? - Eu quero dar-te um livro, porque és uma boa pessoa e quero que tu sejas solidário. - Mas como é que eu vou usar o livro para ajudar os outros? - Para ajudar os outros, tu tens de abrir o livro e ler a frase que está pintada de cor verde, tens de pensar no que queres e vais alcançar os teus pedidos. - Muito obrigada pela tua confiança. Quero saber mais uma coisa: quem és tu e onde vives? - Eu chamo-me Linda e sou a filha mais nova do Rei do Mar. Vivo no fundo do mar, onde o mar é muito fundo, muito longe da terra, onde as ondas são as mais tremendas do mundo e fazem arrepios. - Um dia, eu quero visitar a tua terra-natal. 3
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    - Eu gostariade te levar lá, mas tu não podes respirar debaixo do mar e existem muitos obstáculos para percorrer. - Que pena! E naquele momento ela tirou de dentro de água um livro parecido com o ouro, que era muito brilhante e muito grande. Deu-lhe o livro e disse: - Este livro é especial e quero que o uses para praticar a solidariedade, porque foi feito para ajudar as pessoas. - Eu juro que vou cuidar dele e ajudar as pessoas, e quero ser o teu melhor amigo. - Tu já és o meu melhor amigo. Agora, quero despedir-me, porque tenho de voltar ao mar. Juro-te que aos domingos de manhã virei visitar-te sempre. - Boa viagem, minha amiga, eu também vou esperar-te sempre aos domingos. Adeus, amiga, vou ter imensas saudades tuas! Assim, a sereia Linda partiu e o rapaz decidiu voltar a casa e decidiu experimentar o livro. Leu a frase escrita a verde, como a sereia tinha dito, e pensou em ter 100 livros de diferentes tipos. Então, ele decidiu distribuir os livros pelas crianças do seu bairro. A partir daquele momento, quase todas as crianças naquele local aprenderam a ler e a escrever. Com o livro mágico, ele também ajudou os pais financeiramente e algumas populações do seu país, e construiu novas escolas gratuitas. Mau-Duar era muito famoso na sua aldeia e era considerado o herói do povo. Mas um grande problema aconteceu. Uma noite, aconteceu a maior tempestade de todas, as águas do mar entraram nas casas das pessoas, os relâmpagos partiram e queimaram imensas árvores e mataram algumas pessoas. Naquela noite, ouviu-se uma voz grossa, vinda do mar, a dizer: 4
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    - Mau-Duar, eusou o Rei do Mar e das Sereias, eu quero que tu devolvas o livro que a minha filha roubou ao mar, senão a tua terra vai sofrer um grande maremoto! Mau-Duar ouviu aquela voz e ficou muito assustado e resolveu fazer como o Rei do Mar e das Sereias disse. E quando chegou o dia seguinte, ele acordou e foi entregar o livro mágico ao Rei do Mar. Quando chegou ao mar, as ondas começaram a agitar-se e saiu de lá um homem de grande tamanho, branco, com uns cabelos compridos, que vestia umas roupas todas vermelhas e usava uma coroa na cabeça. Ele percebeu logo que era o Rei do Mar. O Rei do Mar disse-lhe: - Ó rapaz, onde está o meu livro mágico? - Está aqui, mas eu nunca pedi à tua filha para me dar este livro. - Eu não quero as tuas explicações, eu não gosto de ajudar as pessoas. Naquele momento, a filha apareceu e disse: - Ó pai, em primeiro lugar, quero pedir grandes desculpas, mas eu gosto de ajudar as pessoas, porque fico feliz se todas as pessoas estiverem felizes também. Então, Mau-Duar abriu o livro e desejou que o pai da sereia se acalmasse e começasse a gostar de ajudar as pessoas, de ser solidário. O desejo realizou-se. O pai disse: - Minha filha, eu peço desculpa, agora já sei que nós devemos ser solidários, porque é lindo, e vou-te oferecer este livro a ti, Mau-Duar, e deves cuidar dele e ajudar as pessoas que precisam. Eu e a minha filha queremos despedir-nos de ti. Até qualquer dia! E eles desapareceram no mar. Mau-Duar e todo o seu povo viveram felizes e aprenderam muita coisa sobre a solidariedade. 5