Diário Oficial Poder Executivo - Seção III – São Paulo, 125 (47) quinta-feira, 12 de março de 2015IV – São Paulo, 125 (47)
Especializados no controle de pragas
Laboratórios do Biológico
detectam e catalogam
espécies para a prevenção
de problemas sociais,
econômicos e de saúde
las estão por aí o ano todo, mas com
o verão algumas se proliferam ainda
mais, atrapalhando todo mundo –
são as pragas urbanas. Para estu-
dá-las, o Instituto Biológico (IB) de
São Paulo possui laboratórios e pes-
quisadores que detectam e catalo-
gam as espécies.
Formigas, cupins, traças, per-
cevejos, carrapatos, piolhos, bara-
tas, ratos, etc., que causam descon-
forto, histeria, nojo e, pior, transmi-
tem alergias e doenças. Além da
catalogação, o IB (vinculado à Se-
cretaria de Agricultura e Abaste-
cimento Estadual) atende a solicita-
ções da população, de empresas,
estudantes, professores e quem
mais desejar informações sobre
essas pragas.
O pesquisador do Instituto
Biológico, Francisco José Zorze-
non, explica que elas são chamadas
pragas urbanas porque acarretam
problemas econômicos, sociais e
de saúde pública nas cidades. Ele
observa que o aumento de algu-
mas espécies na alta temperatura
– por exemplo, roedores, mosquitos
e baratas – ocorre em virtude do
fenômeno denominado quatro “as”:
água, abrigo, alimento e acesso.
Formigas e cupins, por sua vez, apa-
recem normalmente o ano inteiro.
Doenças – “Mosquito e pernilongo
se reproduzem na água, onde põem ovos
e se desenvolvem, até saírem voando,
como transmissores da dengue e da chi-
cungunha (enfermidade viral transmi-
tida ao humano pelo mosquito Aedes)”,
alerta Zorzenon. Além desses, há outro
pernilongo comum nas cidades, que
ataca à noite. Embora não transmita
doenças, deixa marcas e até protuberân-
cias na pele com suas picadas, além de
atrapalhar o sono.
“No Nordeste brasileiro, devido às
condições climáticas, o mesmo inseto
pode transmitir a elefantíase – doença
que inflama os vasos linfáticos e engrossa
as pernas do paciente, que ficam seme-
lhantes a patas de elefante, daí o nome.”
As formigas, por exemplo, podem
transmitir infecções hospitalares. As
chamadas doceiras andam o dia todo à
procura de alimentos e acabam se infec-
tando. Diferentemente das grandes, que
comem fungos de folhas no formigueiro,
as pequeninas domésticas vasculham
tudo – de restos de alimento a insetos
mortos, até gaze utilizada em ferimentos
em unidades de saúde. “Geralmente, as
pessoas toleram mais as formigas, ao
contrário do que ocorre com as baratas, e
aí reside o perigo”, alerta Zorzenon.
O rato é transmissor da leptospirose
por meio de sua urina. A enfermidade
provoca dores musculares e de cabeça.
Por viver em locais sem higiene, o roedor
adquire, com o tempo, uma pulga que
pode levar a peste bubônica aos pulmões
humanos. No final da Idade Média, a
praga dizimou um terço da população
europeia. O pombo, alcunhado de “rato
de asas”, carrega um piolho que, ao mor-
der uma pessoa, transmite dermatite,
causadora de erupções na pele e coceiras.
Chupa-sangue – Elas fazem parte
do cotidiano das cidades, embora sejam
frequentemente execradas. É a sina da
barata: ser perseguida pelo chinelo e,
mesmo assim, procriar à vontade. Zor-
zenon explica que, no Brasil, existem
dois tipos principais: a americana de
esgoto e a alemã, que vive nas cozinhas
e é um transtorno, principalmente em
restaurantes. A primeira é maior e
escura; a outra, menor e mais clara.
Elas carregam fungos que podem gerar
doenças estomacais.
Quem gosta de verde, principalmen-
te onde há capivaras e cavalos, deve usar
sempre sapatos ou botas para evitar que
o carrapato-estrela suba pelo pé e pique
a perna. A espécie consome o sangue do
maior roedor brasileiro, a capivara, mas
pode migrar para o homem e transmi-
tir a febre maculosa. “Os carrapatos de
cachorro e de vaca não são tão perigosos
como o estrela”, ressalva Zorzenon.
Um inseto que adora chupar sangue
humano e está aumentando no Brasil é o
percevejo-de-cama. A espécie tem incidência
muito maior no País depois que o brasileiro
começou a viajar com maior constância ao
exterior. O percevejo pega carona em roupas
de corpo e de cama trazidas nas bagagens.
Sua picada causa irritação na pele.
Otávio Nunes
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial
Batalha contra
os cupins
Neste início de ano, devido às fortes
chuvas, rajadas de vento e raios, quase mil
árvores caíram na capital paulista. A maio-
ria delas, devido provavelmente à idade
e à conservação, estavam ocas, corroídas
pelos cupins. O biólogo Francisco José
Zorzenon conta que existem vários tipos
desse inseto no mundo. Em território bra-
sileiro, os mais destrutivos são o cupim-
de-madeira-seca, “comedor” de móveis, e
o subterrâneo, que constrói canais embai-
xo da terra e ataca edificações e árvores,
levando-as à morte ou queda abrupta.
O pesquisador do Instituto Bioló-
gico mostra um aparelho chamado bo-
roscópio, dotado de microcâmera, que
permite a visualização do interior de
uma árvore e, assim, faz a avaliação do
seu estágio de comprometimento pela
ação dos cupins. A câmera é introdu-
zida no caule através de um orifício
feito por uma broca metálica, pare-
cida com a de furadeiras domésticas.
“Periodicamente, realizamos essas aná-
lises a pedidos de autoridades públicas
e empresas”, diz.
Além dos cupins, as árvores tam-
bém registram problemas por conta do
cimento das calçadas em suas bases,
comprometendo as raízes, além de po-
das incorretas que podem gerar dese-
quilíbrio: um lado com mais galhos do
que o outro.
Técnicos do Biológico realizaram du-
rante oito anos, em São Paulo, pesquisa
em 1,6 mil árvores de 52 espécies diferen-
tes, entre nativas e exóticas, de maior e
menor susceptibilidade à infestação pelos
cupins subterrâneos. Das brasileiras, as
que mais sofrem a ação do inseto são
sibipiruna, quaresmeira e cambará. Das
exóticas, jacarandá-mimoso, flamboyant,
tipuana e alfeneiro. Recentemente, a
equipe esteve no litoral paulista para
estudar o declínio da árvore guapuruvu
pela ação nociva que essa espécie recebe
de micro-organismos.
Você sabia?
• A partir do ovo, o pernilongo da dengue
fica adulto e produtivo entre sete e dez dias
• Há mais de 3 mil espécies de cupins
no mundo; dessas, 300 são encontradas
no Brasil
• Há traças que comem até cabelos de
humanos
• A rainha do cupinzeiro vive de 25 anos
a 30 anos e é capaz de botar até 80 mil
ovos por dia
• Formigas com asas só existem para
procriação de formigueiros. Morrem,
após cumprir a missão
(Fonte: Instituto Biológico)
E
Zorzenon: pragas urbanas são estudadas nos laboratórios do Instituto Biológico
Formigas podem transmitir infecção hospitalar
Lepisma saccharina, a devoradora de livros
As baratas se proliferam ainda mais no verão O rato é o transmissor da leptospirose
GENIVALDOCARVALHO
GENIVALDOCARVALHO
FOTOS:DIVULGAÇÃO/BIOLÓGICO-SP
Carrapato-estrela, causador da febre maculosaAedes fica adulto entre 7 e 10 dias
Algumas traças comem até cabelos de humanos
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quinta-feira, 12 de março de 2015 às 02:09:10.

Diário Oficial - 12/03/2015

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    Diário Oficial PoderExecutivo - Seção III – São Paulo, 125 (47) quinta-feira, 12 de março de 2015IV – São Paulo, 125 (47) Especializados no controle de pragas Laboratórios do Biológico detectam e catalogam espécies para a prevenção de problemas sociais, econômicos e de saúde las estão por aí o ano todo, mas com o verão algumas se proliferam ainda mais, atrapalhando todo mundo – são as pragas urbanas. Para estu- dá-las, o Instituto Biológico (IB) de São Paulo possui laboratórios e pes- quisadores que detectam e catalo- gam as espécies. Formigas, cupins, traças, per- cevejos, carrapatos, piolhos, bara- tas, ratos, etc., que causam descon- forto, histeria, nojo e, pior, transmi- tem alergias e doenças. Além da catalogação, o IB (vinculado à Se- cretaria de Agricultura e Abaste- cimento Estadual) atende a solicita- ções da população, de empresas, estudantes, professores e quem mais desejar informações sobre essas pragas. O pesquisador do Instituto Biológico, Francisco José Zorze- non, explica que elas são chamadas pragas urbanas porque acarretam problemas econômicos, sociais e de saúde pública nas cidades. Ele observa que o aumento de algu- mas espécies na alta temperatura – por exemplo, roedores, mosquitos e baratas – ocorre em virtude do fenômeno denominado quatro “as”: água, abrigo, alimento e acesso. Formigas e cupins, por sua vez, apa- recem normalmente o ano inteiro. Doenças – “Mosquito e pernilongo se reproduzem na água, onde põem ovos e se desenvolvem, até saírem voando, como transmissores da dengue e da chi- cungunha (enfermidade viral transmi- tida ao humano pelo mosquito Aedes)”, alerta Zorzenon. Além desses, há outro pernilongo comum nas cidades, que ataca à noite. Embora não transmita doenças, deixa marcas e até protuberân- cias na pele com suas picadas, além de atrapalhar o sono. “No Nordeste brasileiro, devido às condições climáticas, o mesmo inseto pode transmitir a elefantíase – doença que inflama os vasos linfáticos e engrossa as pernas do paciente, que ficam seme- lhantes a patas de elefante, daí o nome.” As formigas, por exemplo, podem transmitir infecções hospitalares. As chamadas doceiras andam o dia todo à procura de alimentos e acabam se infec- tando. Diferentemente das grandes, que comem fungos de folhas no formigueiro, as pequeninas domésticas vasculham tudo – de restos de alimento a insetos mortos, até gaze utilizada em ferimentos em unidades de saúde. “Geralmente, as pessoas toleram mais as formigas, ao contrário do que ocorre com as baratas, e aí reside o perigo”, alerta Zorzenon. O rato é transmissor da leptospirose por meio de sua urina. A enfermidade provoca dores musculares e de cabeça. Por viver em locais sem higiene, o roedor adquire, com o tempo, uma pulga que pode levar a peste bubônica aos pulmões humanos. No final da Idade Média, a praga dizimou um terço da população europeia. O pombo, alcunhado de “rato de asas”, carrega um piolho que, ao mor- der uma pessoa, transmite dermatite, causadora de erupções na pele e coceiras. Chupa-sangue – Elas fazem parte do cotidiano das cidades, embora sejam frequentemente execradas. É a sina da barata: ser perseguida pelo chinelo e, mesmo assim, procriar à vontade. Zor- zenon explica que, no Brasil, existem dois tipos principais: a americana de esgoto e a alemã, que vive nas cozinhas e é um transtorno, principalmente em restaurantes. A primeira é maior e escura; a outra, menor e mais clara. Elas carregam fungos que podem gerar doenças estomacais. Quem gosta de verde, principalmen- te onde há capivaras e cavalos, deve usar sempre sapatos ou botas para evitar que o carrapato-estrela suba pelo pé e pique a perna. A espécie consome o sangue do maior roedor brasileiro, a capivara, mas pode migrar para o homem e transmi- tir a febre maculosa. “Os carrapatos de cachorro e de vaca não são tão perigosos como o estrela”, ressalva Zorzenon. Um inseto que adora chupar sangue humano e está aumentando no Brasil é o percevejo-de-cama. A espécie tem incidência muito maior no País depois que o brasileiro começou a viajar com maior constância ao exterior. O percevejo pega carona em roupas de corpo e de cama trazidas nas bagagens. Sua picada causa irritação na pele. Otávio Nunes Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial Batalha contra os cupins Neste início de ano, devido às fortes chuvas, rajadas de vento e raios, quase mil árvores caíram na capital paulista. A maio- ria delas, devido provavelmente à idade e à conservação, estavam ocas, corroídas pelos cupins. O biólogo Francisco José Zorzenon conta que existem vários tipos desse inseto no mundo. Em território bra- sileiro, os mais destrutivos são o cupim- de-madeira-seca, “comedor” de móveis, e o subterrâneo, que constrói canais embai- xo da terra e ataca edificações e árvores, levando-as à morte ou queda abrupta. O pesquisador do Instituto Bioló- gico mostra um aparelho chamado bo- roscópio, dotado de microcâmera, que permite a visualização do interior de uma árvore e, assim, faz a avaliação do seu estágio de comprometimento pela ação dos cupins. A câmera é introdu- zida no caule através de um orifício feito por uma broca metálica, pare- cida com a de furadeiras domésticas. “Periodicamente, realizamos essas aná- lises a pedidos de autoridades públicas e empresas”, diz. Além dos cupins, as árvores tam- bém registram problemas por conta do cimento das calçadas em suas bases, comprometendo as raízes, além de po- das incorretas que podem gerar dese- quilíbrio: um lado com mais galhos do que o outro. Técnicos do Biológico realizaram du- rante oito anos, em São Paulo, pesquisa em 1,6 mil árvores de 52 espécies diferen- tes, entre nativas e exóticas, de maior e menor susceptibilidade à infestação pelos cupins subterrâneos. Das brasileiras, as que mais sofrem a ação do inseto são sibipiruna, quaresmeira e cambará. Das exóticas, jacarandá-mimoso, flamboyant, tipuana e alfeneiro. Recentemente, a equipe esteve no litoral paulista para estudar o declínio da árvore guapuruvu pela ação nociva que essa espécie recebe de micro-organismos. Você sabia? • A partir do ovo, o pernilongo da dengue fica adulto e produtivo entre sete e dez dias • Há mais de 3 mil espécies de cupins no mundo; dessas, 300 são encontradas no Brasil • Há traças que comem até cabelos de humanos • A rainha do cupinzeiro vive de 25 anos a 30 anos e é capaz de botar até 80 mil ovos por dia • Formigas com asas só existem para procriação de formigueiros. Morrem, após cumprir a missão (Fonte: Instituto Biológico) E Zorzenon: pragas urbanas são estudadas nos laboratórios do Instituto Biológico Formigas podem transmitir infecção hospitalar Lepisma saccharina, a devoradora de livros As baratas se proliferam ainda mais no verão O rato é o transmissor da leptospirose GENIVALDOCARVALHO GENIVALDOCARVALHO FOTOS:DIVULGAÇÃO/BIOLÓGICO-SP Carrapato-estrela, causador da febre maculosaAedes fica adulto entre 7 e 10 dias Algumas traças comem até cabelos de humanos A IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO SA garante a autenticidade deste documento quando visualizado diretamente no portal www.imprensaoficial.com.br quinta-feira, 12 de março de 2015 às 02:09:10.