O documento discute o excesso de exames médicos realizados em pacientes assintomáticos apenas por idade. Um leitor elogia um artigo que critica este "overdiagnosis" e seus possíveis motivos. Outro leitor também concorda com a discussão.
OPINIÃO
SALVADOR DOMINGO 25/8/2013A2
opiniao@grupoatarde.com.br
Participedesta página: e-mail: opiniao@grupoatarde.com.br
Cartas: Redação de A TARDE/Opinião - R. Professor Milton Cayres de Brito, 204, Caminho das Árvores, Salvador-BA, CEP 41822-900
ESPAÇO DO LEITOR
"Overdiagnosis"
Finalmente aparece um médico acadêmico,
com coragem para discutir sobre o excesso de
exames/"check-ups" que são solicitados em
pacientes assintomáticos. Esses inúmeros pe-
didos de exames em pessoas " saudáveis e
assintomáticas" não acredito que sejam so-
mente decorrentes da cultura do "check-up",
propagada pelo "lobby" em prol da nossa saú-
de como nos fazem crer que sejam. Isso me
parece ser em prol da indústria financeira
médico-tecnológica e dos Planos de Saúde...
vejam meu exemplo de ontem: por ter mais
de 50 anos fui recomendada pela minha Gas-
tro a fazer uma colonoscopia, embora não
tenhasanguenasfezeseestejaassintomática.
O critério utilizado foi somente a minha ida-
de... E os homens? Coitados... mesmo saudá-
veis se submetem a uma "dedada anal" ou a
um exame de PSA, sofrendo de "stress" psi-
cológico, impotência e incontinência uriná-
ria, tudo isso devido ao "overdiagnosis". Pa-
rabéns,Dr.LuisCláudioCorreia,pelacoragem
em escrever tal artigo. Os seus colegas uro-
logistas, oncologistas, planos de saúde, clí-
nicas médicas com certeza não o parabeni-
zarãoporisso. DILUMACHADO,SALVADOR-BA,
DILUMACHADO@HOTMAIL.COM
“Overdiagnosis”
MuitopertinenteamatériadeDr.LuísCláudio
Correia, quando se posiciona quanto ao diag-
nóstico verdadeiro, porém desnecessário, o
qual não agrega benefícios ao cliente. Isso nos
remeteàsinúmerassolicitaçõesdeexamesno
serviço público, e nos interrogamos da real
necessidade, principalmente porque sabe-
mos das dificuldades dos agendamentos e
realizações. Entendemos, então, que cabe aos
profissionais prescritores uma análise mais
consciente durante a realização do exame
clínico. VANDA MACHADO, SALVADOR - BA, NA-
NAMACH2003@YAHOO.COM.BR
Médicos cubanos
O governo petista acaba de anunciar a con-
tratação de 400 médicos cubanos para tra-
balharem aqui no Brasil. Não quero e não vou
entrar no mérito técnico. Não tenho capa-
cidade para tanto. O que me deixa abismado
é a forma do contrato entre o governo petista
e os donos da ilha, os irmãos Castro. Vão ser
pagos por nós contribuintes R$ 30.000, custo
da mudança de cada médico, mas quem re-
cebe o dinheiro são os Castro, e a família dos
médicos são proibidas de sair do inferno dos
Castro. Vão receber R$ 10.000 por mês en-
tregues aos Castro que pagarão aos médicos
o que lhes convier. Eu me pergunto, isso não
é trabalho escravo? Talvez as pessoas não sai-
bam que no tempo da escravidão no Brasil era
costume entre senhores de escravos alugar
e/ou arrendar, sim arrendar, escravos para
outros senhores. CARLOS ALBERTO RIBEIRO,
CARLOSKIKOS60@HOTMAIL.COM
STF nas recentes decisões
Eu não sou da área, mas posso concluir que há
algo de muito errado quando ficam os pro-
fissionais mais bem pagos pelo Estado numa
contenda envolvendo a dificílima questão de
se decidir se alguns dos execráveis conde-
nados no mensalão tinham cometido o ato
ilícito antes ou depois de 2002, claro tudo isso
tendo como pano de fundo um linguajar pró-
prio e antidemocrático, pois ele é incompre-
ensível à maioria da população . Acho que o
trabalho de pedreiro exige mais habilidade
mental do que essa futilidade, já que essa
questãodeveriaestarregulamentada,esenão
está é também por falta de empenho do pró-
prio Judiciário, que deveria ter apontado a
excrescência há tempos. Concluo que com
essa decisão, qualquer um que tenha feito o
ensino médio decide facilmente, basta ter os
dados. Por que tanta pompa? Para enrolar a
população e justificar os salários e aposen-
tadorias altíssimos que não são pagos nem na
Europa e nem nos EUA? ARTUR LARANGEIRA
FILHO, ARTUR_LARANGEIRA@UOL.COM.BR
Pintado e rebocado
Estando em sua etapa derradeira a “Via Ex-
pressa”, indiscutivelmente a principal inter-
venção viária do governo estadual em Sal-
vador, e, ainda, considerando a relevância so-
cial da obra, estou sugerindo ao governador
Jaques Wagner, ciente dos inconvenientes (es-
tragos) que a obra proporcionou e vem pro-
porcionando aos moradores da Estrada da
Rainha, seja feita, através da Conder, e to-
mando como referência o Projeto “Tá Rebo-
cado”, implementado alguns anos atrás no
Candealcomsucesso–aomenos,apinturadas
residências situadas na Rua Direta da Estrada
da Rainha, expostas à poeira e lama. Uma
atitude que nos parece sensata e nobre. NIL-
SON NUNES, ROQUENIL@HOTMAIL.COM
Trânsito na Pituba
Na gestão passada, a prefeitura tentou alterar
o trânsito na Paulo VI. Reuniu a comunidade
para uma discussão no Colégio Módulo. Foi
apontada inclusive a necessidade de conti-
nuar a pista paralela do Colégio Módulo até o
antigo clube do Derba. A ideia não prosperou.
A atual gestão divulga que vai alterar. Não
discute com a comunidade, nem se tem no-
ticia se a pista paralela será feita. Os tempos
mudaram. A sociedade pede diálogo. Desse
jeito vai ser mais uma tentativa frustrada
como outras que estão tentando emplacar.
PAULO MENDES, SALVADOR - BA, PAULOMEN-
DES0903@GMAIL.COM
Lourenço Mueller
Arquiteto e urbanista
muellercosta@gmail.com
P
ela importância, acho que um do-
cumento patronal merece loas e a
abordagem crítica que se segue.
Chama-se "Cidades: mobilidade, habita-
ção e escala, um chamado à ação". Foi
apresentado pelo presidente da CNI (Con-
federação Nacional da Indústria) Robson
Braga de Andrade e pelo presidente do
conselho de infraestrutura desta insti-
tuição, José de Freitas Mascarenhas, tam-
bém presidente da Federação das Indús-
trias do Estado da Bahia (Fieb). Esses dois
senhores abrem o documento convidan-
do o Brasil a refletir sobre suas cidades
e "colocá-las no centro de sua agenda".
Tratando-se da instituição que é a CNI,
não chega a ser uma pretensão: é sig-
nificativo que o paradigma do capita-
lismo afinal tenha tomado consciência
da importância das cidades na produção
industrial e anteci-
pa-se ao governo no
destaque desta per-
cepção, confirmando
que, infelizmente, as
instituições dos ricos
são mais ágeis do
que o governo em
questionar entraves
ao desenvolvimento
e à geração do em-
prego e da renda.
Para não ser (mui-
to) enfadonho, vou
referir-me sem as-
pas – esse vício da
sociologia – a partes
do texto. Coisas mais
ou menos óbvias, como dizer que a ci-
dade é o lugar onde o crescimento eco-
nômico se apoiou nas últimas décadas,
alternam-se com constatações de que a
explosão demográfica já não é mais o
assustador vilão que preocupava plane-
jadores em décadas passadas, mas ape-
nas porque as cidades metrópoles já ocu-
pam quase metade do Brasil urbano, ou
seja, o problema está posto; quando se
constatou o inchaço que aconteceria ine-
vitavelmente e alguns urbanistas aler-
taram as instâncias de decisão para o
fato, baseado em previsão de crescimen-
to e planejamento urbano, esses SOS não
foram ouvidos (a velha história do “uru-
bu tem asas para que quer casa”, típico
dos políticos, sempre imediatistas), e o
“incêndio” está aí. Teria sido mais fácil e
inteligente evitar que começasse...
Outras características urbanísticas
consideradas um truísmo em décadas
passadas, como a expansão, dispersão
populacional, baixas densidades e divi-
são funcional rígida do uso do solo em
zonas definidas de habitação, comércio e
serviços, hoje foram substituídas pela
compacidade, altas densidades e diver-
sificação de usos.
O documento-relatório lista três aspec-
tos gerais considerados principais, que
deverão ser observados:
- privilégio do transporte público de
alto rendimento em redes multimo-
dais;
- redução do passivo ambiental-habi-
tacional, urbanizando as cidades infor-
mais e garantindo crédito à produção
habitacional;
- contenção do espraiamento da cidade
e consequente estímulo ao adensamento
demográfico.
Desdobra essa agenda para debate ten-
do o cuidado de não apresentar modelos
genéricos, mas considerar as individua-
lidades do urbano. A linguagem do re-
latório, misto de urbanês e economês,
assusta os não iniciados. Talvez fosse o
caso de reescrevê-lo em forma de cartilha
extraindo-lhe a pretensão universitária
típica das cartas finais de congressos.
É fácil criticar um
trabalho, não pelo
que ele diz, mas pelo
que ele não diz, os
universitários estão
cansados de saber
disso e nesse caso
vou imitá-los, por
inusitada que possa
ser a questão: o do-
cumento sequer
menciona o transpor-
te vertical e eu tam-
bém me pergunto
por que as fábricas de
elevadores – diga-se
en passant o trans-
porte mais seguro do
mundo – não investem nas vantagens da
verticalização de cidades, um tema recor-
rente e inevitável do ponto de vista da
relação densidade-esgarçamento do tecido
urbano.
No relatório, um dado preocupante é o
déficit de moradias, de 1,5 milhão de uni-
dades por ano, o que significa 5,25 milhões
de seres em demanda por um teto, se
considerarmos 3,5 pessoas por moradia;
num cálculo feito por baixo, seriam cerca
de 105 cidades de 50 mil habitantes.
Se o governo – apenas se... – resolvesse
cumprir a Constituição Federal, na qual
todo cidadão brasileiro tem direito à mo-
radia, e construir novas cidades (a moradia
apenas, nos moldes do Minha Casa Minha
Vida, é insustentável), valeria a pena a CNI
entrar pra valer nessa história.
L. MUELLER ESCREVE DOMINGO, QUINZENALMENTE
O paradigma do
capitalismo afinal
tomou consciência
da importância das
cidades na produção
industrial e
antecipa-se ao
governo no destaque
desta percepção
Wagner, ACM e Odebrecht
JaquesWagnernãogostadecomparaçõesdele
com ACM por achá-las impertinentes. Quan-
do muito, admite a cabeça branca de ambos.
E só. Mas é um pouco mais que isso.
É claro que os dois têm matrizes, matizes e
estilos distintos. ACM emergiu da elite, sob as
bênçãos de Juracy Magalhães, Wagner veio do
movimento sindical, um da direita e outro da
esquerda. Mas um com a chibata e outro com
a persuasão, os dois acumularam poderes
quase plenos na história recente da Bahia.
Poderquaseplenoémandaremquasetudo,
no governo, na polícia, na Justiça, no Minis-
tério Público e nos tribunais de contas.
Com um ou outro rebelde aqui e acolá, era
e tem sido assim. O ‘quase’ fica por conta das
incursões empresariais. Na maioria das vezes
bem sucedidas, mas com a Odebrecht, ambos
envolvendo transações bilionárias, os dois se
deram mal. É isso aí. Por irônico que possa
parecer, o esperneio que agora Wagner deu
porqueaempresanãoentrounaconcorrência
do metrô tem precedente com ACM.
Quando o Banco Econômico quebrou, ele
queria que a Odebrecht o comprasse. Emílio
Odebrecht pulou fora. Disse que se ACM pa-
gasse (o governador era Paulo Souto) os R$ 170
milhõesemobrasdogovernoNiloCoelhoque
estavam retidos, ele os poria no Econômico.
Sem acordo. Adiante, quando a Odebrecht
quis comprar a Copene (hoje Braskem), ACM
buscou se vingar tentando empurrar no lugar
o Grupo Ultra. A Odebrecht ganhou.
ACM e Odebrecht se reconciliaram. Com
Wagner, o epílogo está em aberto.
Cubanos na praça
Vai ter recepção de gala, pelas autoridades e
simpatizantes (não do programa Mais Mé-
dicos, mas do regime cubano), para os mé-
dicos cubanos que vão desembarcar hoje em
Salvador. Ontem, eles estavam sendo arre-
gimentados pelos aliados de Fidel.
Até concluir os cursos preparatórios, os cu-
banos vão ficar em alojamentos militares.
Depois irão para o interior. E como médico
no interior quase sempre é um potencial pre-
feito,oprecedentecubanonoBrasiléclássico.
Josué Jesús Matos, 46 anos, chegou em 1997,
casou com uma brasileira e hoje é prefeito de
Mucajaí, em Roraima.
Legado da Copa
Os que trabalharam na Copa das Confede-
rações para o governo, inclusas as empresas
que montaram as estruturas temporárias,
queixam-se nos bastidores que até hoje es-
peram a quitação das dívidas. Têm a receber
mais de R$ 22 milhões.
E ainda dizem que o legado da Copa vai se
limitar à Fonte Nova...
Chegada alemã
E por falar em Copa, não foram só os por-
tugueses que chegaram em Porto Seguro e
gostaram. Liderada pelo ex-jogador Oliver
Bierhoff,umacomitivadaAlemanhaestevelá
esta semana para observar o ambiente e ve-
rificar se há condições de hospedar a seleção
alemã durante a Copa.
Bierhoff diz ter tido ótima impressão. Vai
voltar em setembro para nova avaliação. E
provavelmente fechar negócio.
Jorge Amado à italiana
A jornalista italiana Antonella Rita Roscilli,
também brasilianista, apresenta quarta na
Fundação Jorge Amado o documentário Real-
tà e magia di Jorge Amado (Realidade e magia
de Jorge Amado), da compatriota Silvana Pa-
lumbieri,produzidopelaTVRaiTeche.Ofilme
foi apresentado na Europa nos festejos do
centenário do escritor, ano passado.
Antonella está há muitos anos na Rai , fun-
dou e dirige Sarapegbe, revista trimensal ita-
liana sobre Cultura e Sociedade do Brasil.
. Moradores do Acupe de Brotas lembram à
Prefeitura de Salvador que embora acupe
signifique ponto alto, a lua não é lá. Não
aguentam mais viver com tantas crateras.
COLABOROU: PATRÍCIA FRANÇA
POLÍTICA COM VATAPÁ
Alternância zero
Eleito presidente da Associação Comercial da
Bahia aos 31 anos, o mais jovem da história
(presidiu a entidade de 1981 a 1985), Wilson
Andrade, hoje presidente da Associação das
EmpresasdeBaseFlorestal(Abraf),estavaem-
polgadoecheiodeenergianodiadaposse.Um
repórter perguntou-lhe:
E sobre a política, o que o senhor acha?
— Sou a favor do voto distrital, do par-
lamentarismo e da alternância no poder.
Dia seguinte, a declaração estava nos jor-
nais, complementando o noticiário da posse.
ACM leu, mandou chamar Wilson:
— Wilson, meu prezado. Eu não tenho nada
contra o voto distrital, não tenho nada contra
o parlamentarismo. Mas não me venha com
essahistóriadealternâncianopoderquevocê
vai ganhar um inimigo, viu?
Levi Vasconcelos
Jornalista
tempopresente@grupoatarde.com.br
TEMPO PRESENTE A indústria
e as cidades
Editor
Jary Cardoso
atarde.com.br/digital
agenda2mais.atarde.com.br
DESTAQUES DO PORTAL A TARDE
A última apresentação do
musical Éramos Gays é hoje
Usuários de 4G devem
chegar a 1 mi até o fim do ano
Fernando Amorim / Ag. A Tarde
Espetáculo mescla Broadway com Bahia